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Mecanismos de defesa: Negação Os mecanismos de defesa processam-se pelo ego e praticamente sempre são inconscientes, ou seja, são processos subconscientes desenvolvidos pela personalidade nos quais viabilizam uma elucidação para conflitos não solucionados. Pode-se dizer que o mecanismo fundamental do ego é o de rejeitar de qualquer forma – através da utilização das múltiplas formas de negação. A negação é um mecanismo que consiste na recusa do indivíduo a aceitar uma situação penosa demais para ser tolerada, ou seja, este ser ignora pensamentos ou sentimentos que caso ele admitisse causaria grande angustia. Este método é o processor de diversos outros mecanismos entre eles a projeção. As formas mais primitivas de negação alicerçadas em uma onipotência mágica, são as seguintes: A forma extrema de negação mágico-onipotente, própria dos estados psicóticos, é denominada “forclusão” (ou repúdio): Trata-se de uma denominação de Lacan e corresponde ao original conceito de ver-werfung de Freud e consiste em uma fazer uma negação extensiva à realidade exterior e substituí-la pela criação de uma outra realidade ficcional (o modelo que Freud como uma “gratificação alucinatória do seio”, quando por algum tempo possível, a criança substitui o seio ausente da mãe pelo próprio polegar). Uma outra forma de negação em nível de magia, porém de menor gravidade que a forclusão psicótica, por ser mais parcial e estar encapsulada em uma só parte do ego, é aquela que foi descrita por Freud como Verleugnung e que conhecemos como “renegação” (ou por um desses nomes: denegação; recusa; desestima; desmentida). Essa defesa é típica das estruturas perversas e consiste em um mecanismo pelo qual o sujeito nega o conhecimento de uma verdade que, bem no fundo, ele sabe que existe. O melhor modelo para explicar isso é o que acontece no fetichismo, tal como Freud (1927) descreveu tal perversão: O sujeito sabe que a mulher não tem pênis; no entanto, para negar sua fantasia de que esta falta deve-se a uma castração que, de fato, tenha ocorrido, ele renega a verdade com um pensamento tipo “não, não é verdade que a mulher tem pênis” e reforça essa falsa crença com a criação de algum fetiche, como pode ser uma adoração por patos, etc. A negação acompanha a “posição esquizoparanoide”, ou seja, aquela que é resultante da combinação de uma onipotente capacidade do ego do sujeito de fazer dissociações (das pulsões, dos objetos, dos afetos e de partes do próprio ego), seguida de projeções (sobre um outro objeto), identificações projetivas (para dentro de algo ou alguém), de introjeções (é uma forma de incorporar tudo o que puder contra-arrestar o mau que a criança sente como estando dentro de si) e de idealizações (de si próprios ou de outros, como uma maneira de evitar a sensação de desamparo e impotência). No livro O ego e os mecanismos de defesa de Anna Freud, a autora descreve a negação baseando – se em dois tipos: Negação em fantasia e em atos e palavras. Negação em Fantasia: Na obra de Anna Freud, a autora traz dois casos em seu livro fazendo alusão ao mecanismo de defesa o caso do pequeno Hans e de um menino que tinha fantasias. Segunda Anna Freud no livro O ego e os mecanismos de defesa, no capítulo seis: O método pelo qual a dor e a ansiedade objetivas são evitadas é muito simples. O ego da criança recusa-se a tomar conhecimento de uma certa realidade desagradável. Primeiro volta-lhes as costas, nega-a e, em imaginação, inverte os fatos indesejáveis. Assim o pai “mau” passa a ser, na fantasia o animal protetor, ao passo que a criança impotente converte-se no senhor dos poderosos substitutos paternos. Esse mecanismo pertence a uma fase normal no desenvolvimento do ego infantil mas, se se repetir no decorrer do amadurecimento do indivíduo, indica um estágio avançado de doença psíquica. Em certos estados agudos de confusão psicótica, o ego do paciente comporta-se ante a realidade precisamente dessa maneira. Sob a influência de um choque, como a súbita perda de um objeto de amor, nega os fatos e substitui a realidade insuportável por alguma ilusão agradável. Negação em palavras e atos: Em o ego e os mecanismos de defesa de Anna Freud no capítulo seguinte, o método defensivo de negação por palavras e atos está sujeito às mesmas restrições no tempo em que examinamos no capítulo anterior, a respeito da negação em fantasia. Só pode ser empregado enquanto lhe for possível coexistir com a capacidade de comprovação da realidade sem perturbá-la.