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Como identificá­los: o problema descreverá situação em que um tribunal, por
acórdão, decidiu por maioria (decisão não unânime) em desfavor do réu. Os
embargos infringentes são cabíveis somente em julgamento de apelação, RESE ou
agravo em execução. A peça não é oponível contra decisão monocrática, afinal, o
cabimento ocorre em julgamentos por maioria, o que não se pode discutir quando
alguém julga sozinho.
Fundamentação: art. 609, parágrafo único, do CPP.
Embargos infringentes ou de nulidade: a distinção está na tese a ser
defendida. Cabem embargos infringentes quando a discussão é o mérito da causa, e
de nulidade quando a tese diz respeito a nulidade processual. Se caísse em uma
segunda fase, certamente a FGV traria teses de nulidade e de mérito, e você
elaboraria “embargos infringentes e de nulidade”.
Legitimidade: o réu deve opor a peça. Não são oponíveis quando a decisão não
unânime for favorável ao réu – por exemplo, embargos infringentes opostos pelo
MP contra absolvição em decisão por maioria.
Prazo: 10 dias, contados da publicação do acórdão.
Teses: que prevaleça o voto vencido, seja em relação ao mérito da causa ou
nulidade processual. Os embargos infringentes estão limitados ao voto vencido.
Portanto, se, por unanimidade, o tribunal manteve a condenação, mas os
desembargadores divergiram sobre a pena a ser imposta, a tese está limitada à
pena.
Modelo de peça:
(OAB/SP – 120º Exame de Ordem) A, com 21 anos de idade, dirigia seu automóvel
em São Paulo, Capital, quando parou para abastecer o seu veículo. Dois
adolescentes, que estavam nas proximidades, começaram a importuná­lo,
proferindo palavras ofensivas e desrespeitosas. A, pegando no porta­luvas do carro
seu revólver devidamente registrado, com a concessão do porte inclusive, deu um
tiro para cima, com a intenção de assustar os adolescentes. Contudo, o projétil,
chocando­se com o poste, ricocheteou, e veio a atingir um dos menores, matando­
o. A foi denunciado e processado perante a 1.ª Vara do Júri da Capital, por
homicídio simples – art. 121, caput, do Código Penal. O magistrado proferiu
sentença desclassificatória, decidindo que o homicídio ocorreu na forma culposa,
por imprudência, e não na forma dolosa. O Ministério Público recorreu em sentido
estrito, e a 1.ª Câmara do Tribunal competente reformou a decisão por maioria de
votos, entendendo que o crime deveria ser capitulado conforme a denúncia,
devendo A ser enviado ao Tribunal do Povo. O voto vencido seguiu o entendimento
da r. Sentença de 1.º grau, ou seja, homicídio culposo. O V. Acórdão foi publicado
há sete dias.
Interposição
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RELATOR DO ACÓRDÃO N.
____ DA 1ª CÂMARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE
SÃO PAULO.
A, já qualificado nos autos de recurso em sentido estrito de nº. ____, por seu
advogado, não se conformando com o acórdão, vem, respeitosamente, à presença
de Vossa Excelência, dentro do prazo legal, opor EMBARGOS INFRINGENTES,
com fundamento no artigo 609, parágrafo único, do Código de Processo Penal.
Requer seja recebido e processado o presente recurso com as inclusas razões de
inconformismo.
Nestes termos,
Pede deferimento.
São Paulo, data.
Advogado
OAB nº. ____
Razões
RAZÕES DE EMBARGOS INFRINGENTES
EMBARGANTE: A
EMBARGADO: MINISTÉRIO PÚBLICO.
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO N. ____.
Egrégio Tribunal de Justiça,
Colenda Câmara,
Douto Procurador de Justiça,
Em que pese o notório conhecimento jurídico da Colenda Câmara Criminal deste
Egrégio Tribunal de Justiça, a reforma do venerando acórdão é medida que se
impõe pelas razões de fato e de direito a seguir expendidas:
I – DOS FATOS:
A, ora Embargante, foi denunciado como incurso nas penas do art. 121, caput, do
Código Penal, porque, irritado com a conduta de dois adolescentes, efetuou um
disparo de arma de fogo para o alto, assim agindo no sentido de assustar aqueles
que julgou portarem­se de maneira inconveniente. Efetuado o disparo, o projétil,
após chocar­se com um poste, ricocheteou e atingiu um dos jovens, sendo a lesão
causa eficiente de sua morte.
O magistrado proferiu sentença desclassificatória, por entender tratar­se de
homicídio culposo. O Ministério Público recorreu em sentido estrito, requerendo
fosse o réu processado nos exatos termos da exordial acusatória.
A 1ª Câmara deste Tribunal, por decisão não unânime, reformou a decisão
recorrida, sendo certo que o voto divergente entendeu que o Embargante deve ser
processado por homicídio culposo.
II – DO DIREITO:
Analisando o conteúdo dos autos, verifica­se a ter razão o julgador que proferiu o
voto vencido.
Pela dinâmica dos fatos, vê­se que o agente não agiu com a vontade direta e
consciente de produzir o resultado morte, diante do que não se pode falar em dolo
direto. Não há que se falar também em dolo eventual, vez que o Embargante não
agiu assumindo o risco de produzir o resultado lesivo.
Ao efetuar disparo de arma de fogo, A deixou de tomar as cautelas necessárias
para que o projétil não ricocheteasse em nenhum objeto, vindo a atingir terceiros
que estivessem próximos ao local dos fatos, de forma que agiu de modo
imprudente.
No palco dos acontecimentos, evidente o cometimento de crime culposo (Código
Penal, art. 121, § 3º), em razão do que inexistem motivos para que seja o
Embargante processado, e talvez até condenado por conduta mais grave que
aquela supostamente praticada, eis que a pretensão punitiva não pode servir de
escusa para a prática de abusos.
III – DO PEDIDO:
Em razão do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
acolhendo­se o voto vencido com o fim de manter­se a desclassificação, para que
seja o embargante processado pela suposta prática de homicídio em sua forma
culposa.
São Paulo, data.
Advogado
OAB nº.

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