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TOP -TRIBUNAIS RODADA GRATUITA 01.08.2016 34 (trinta e quatro) questões objetivas inéditas elaboradas e comentadas por servidores de Tribunais. Inscrições em www.topjuris.com.br/curso_top_tribunais/ 1 APRESENTAÇÃO Caros alunos, O TOP JURIS, finalmente, apresenta a 1ª (primeira) edição do curso TOP- TRIBUNAIS. O Curso é voltado para os cargos de Técnico e Analista Judiciário de TRTs, TRFs, TREs e TJs. É sabido que os concursos de Tribunais estão cada vez mais exigentes e concorridos, demandando do candidato uma preparação específica. Esse é o nosso propósito. Em vista dos certames que o TOP-TRIBUNAIS pretende abranger, o leque de disciplinas para abordarmos é, de fato, bastante extenso: Direito Constitucional; Direito Administrativo; Direito Civil; Processo Civil; Direito Penal; Processo Penal; Direito Eleitoral; Direito do Trabalho; Processo do Trabalho; Direito Previdenciário; Direito Tributário; Informática; Raciocínio Lógico e Matemático e Português. Os Professores selecionados para encarar esse desafio são, em sua quase totalidade, Técnicos e Analistas de Tribunais aprovados para mais de um cargo público. Portanto, têm familiaridade não só com o modo pelo qual os assuntos são cobrados, mas também com o grau de dificuldade e aprofundamento das questões. Para a coordenação do curso, foi designada a Prof.ª Vanessa Maria Felleti, Oficial de Justiça Avaliadora Federal do TRT da 17ª Região e Mestre em Política Social pela UFES. Sobre a sistemática que será adotada durante o curso: serão 10 (dez) rodadas, com 60 (sessenta) questões objetivas inéditas e comentadas por ata – obedecendo ao critério da maior incidência dos temas em provas organizadas pelo CEBRASPE e pela FCC – disponibilizadas conforme o seguinte cronograma, com início previsto para 16.08.2016 e encerramento em 14.11.2016: Cronograma TOP-Tribunais 16.08.16 1ª Rodada 26.08.16 2ª Rodada 05.09.16 3ª Rodada 15.09.16 4ª Rodada 2 25.09.16 5ª Rodada 05.10.16 6ª Rodada 15.10.16 7ª Rodada 25.10.16 8ª Rodada 04.11.16 9ª Rodada 14.11.16 10ª Rodada Ao final do curso, portanto, o aluno terá treinado 600 (seiscentas) questões objetivas inéditas direcionadas aos concursos de Tribunais, especificamente para os cargos de Técnico e Analista Judiciário de TRTs, TRFs, TREs e TJs. Há dois sistemas para estudo e disponibilização das questões: o aluno poderá resolvê-las no sistema on-line, no próprio portal do TOP JURIS – onde terá acesso a um “ranking” dos alunos que responderam pela plataforma –, ou poderá realizar o download imediato da ata de cada rodada, com as questões comentadas. Com o propósito de apresentar a vocês este novo projeto, cujo início está condicionado ao preenchimento do número mínimo de 60 (sessenta) inscrições, os Professores elaboraram nada menos que 34 (trinta e quatro) questões objetivas inéditas e comentadas para disponibilização inteiramente gratuita. As inscrições para o curso estão abertas e podem ser realizadas em http://www.topjuris.com.br/curso_top_tribunais/. Felipe Motta – Coordenador-geral COORDENAÇÃO-GERAL TOPJURIS Felipe Motta - Advogado. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior. Pós- graduando em Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduando em Direitos Humanos. Cursando MBA Executivo em Coach. 3 PROFESSORES DO CURSO TOP-TRIBUNAIS Prof. Vanessa Maria Feletti. Oficial de Justiça Avaliadora Federal do TRT da 17ª Região. Mestre em Política Social pela UFES. Especialista em Ciências Criminais pela Faculdade de Direito de Vitória. Autora de Vende-se Segurança, publicado pela Editora Revan, e de Súmulas Vinculantes, Hermenêutica e Jurisdição Constitucional, publicado pela Editora Servanda. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Vitória. Bacharel em Comunicação Social pela UFES. Prof. Renato Alves Gomes. Técnico Judiciário do TRE-TO. Pós-graduado em Direito Administrativo pela Universidade Gama Filho e em Direito Eleitoral e Processual Eleitoral pela UFT. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Agente Administrativo da PF. Técnico Administrativo da SECAD/TO. Técnico Judiciário do TRT da 10ª Região. Bacharel em Direito pela UFT. Prof.ª Helena Isabel Pinto Alves Medeiros Lucena. Analista Judiciária do TRF da 5ª Região. Pós-graduada em Estudos Europeus pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e em Direito Processual pela Universidade da Amazônia. Bacharel em Ciências Jurídico-Políticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Portugal). Kleber Vinicius Bezerra Camelo de Melo - Defensor Público Federal e Coach para Concursos Públicos. 4 Prof. Thiago José de Miranda Motta. Engenheiro Civil pela UFPE. Bacharelando em Ciências Contábeis pela UFPB. Prof. Francisco Nasuel da Conceição Araújo. Analista Judiciário do TJPI. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Analista Judiciário do TJPA. Analista Judiciário do TJMA. Procurador do Município de Água Branca/PI. Prof. Breno Felipe Rocha Freire. Analista Judiciário do TRF da 5ª Região. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Assistente Jurídico do TCE-PB. Procurador do Estado de Pernambuco. Procurador do Estado do Amazonas. Procurador do Município do Cabo de Santo Agostinho. Procurador do Ministério Público de Contas do Estado da Paraíba. Bacharel em Direito pela UFPB. Prof. César Augusto da Cunha Morais Camelo. Analista Processual do MPU lotado na Procuradoria do Trabalho no Município de Marabá/PA. Pós-graduado em Direito Processual pela UNAMA e em Direito Aplicado ao MPU pela ESMPU. Exerceu o cargo de Auxiliar Judiciário no TJPA. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Assistente de Controle Externo do TCM-PA. Técnico Judiciário do TRT da 8ª Região. Advogado do Banco Amazônia. Assessor Técnico de Procuradoria do TCE-PA. Bacharel em Direito pela UFPA. Prof. João Paulo Chaim da Silva. Advogado da União lotado na Consultoria-Geral da União. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Analista Processual do MPU (8º Lugar). Analista Judiciário do TRF da 5ª Região (8º Lugar). Exerceu o cargo de Analista Processual do Ministério Público do Estado de Sergipe. Prof. Marcelo Guelbali Lopes. Analista Judiciário do TRT da 2ª Região. Ex-Analista Jurídico do Ministério Público do Estado de São Paulo. Pós-graduado em Direito Público pela UCAM e em Direito e Processo do Trabalho pela Escola Paulista de Direito. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Procurador Jurídico da INFRAERO. Advogado da Fundação CASA/SP. Analista Judiciário do TRT da 18ª Região. Analista Judiciário do TRE-MG. Técnico Judiciário do TRT da 2ª Região. Escrevente TJSP. 5 INSTRUÇÕES 1. Responda às questões controlando o tempo e sem consulta a nenhum material. 2. Confira o seu desempenho a partir da “aba” QUESTÕES OBJETIVAS COMENTADAS. 3. Dê-nos o seu feedback apontando eventuais omissões ou erros materiais. O TOP JURIS está em permanente construção e depende da contribuição de cada um de vocês. 4. Para críticas e sugestões sobre a edição do material e/ou dúvidas, entre em contato com o Curso pelo e-mail contato@topjuris.com.br. Prof. César Augusto da Cunha Morais Camelo. Analista Processual do MPU lotado na Procuradoria do Trabalho no Município de Marabá/PA. Pós-graduado em Direito Processual pela UNAMA e em Direito Aplicado ao MPU pela ESMPU. Exerceu o cargo de Auxiliar Judiciário no TJPA. Aprovado nos seguintes concursos públicos: Assistente de Controle Externo do TCM-PA. Técnico Judiciário do TRT da 8ª Região. Advogado do Banco Amazônia. Assessor Técnico de Procuradoria do TCE-PA. Bacharel em Direito pela UFPA.6 QUESTÕES OBJETIVAS Direito Constitucional 01. Acerca das competências materiais e legislativas dos Entes Federativos na CF/88, marque a alternativa INCORRETA: a) Compete à União privativamente legislar sobre direito agrário e seguridade social. b) Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre previdência social. c) Compete aos Municípios criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual. d) Compete à União organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios. e) Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. 02. São matérias que a Constituição Federal exige lei complementar para sua regência, EXCETO: a) Hipóteses em que a União permitirá que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. b) Condições para integração de regiões em desenvolvimento. c) Estatuto da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica. d) Procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação. e) Imposto sobre grandes fortunas. 03. Marque a alternativa CORRETA sobre entendimentos do Supremo Tribunal Federal: 7 a) É inconstitucional, por ofensa ao princípio da livre iniciativa, qualquer norma legal que obrigue a escolas privadas o oferecimento de atendimento educacional adequado e inclusivo a pessoas com deficiência. Além disso, a instituição de ensino poderá acrescer nas mensalidades os custos para implementar tais medidas de acessibilidade. b) O Poder Judiciário, em respeito ao princípio da Separação dos Poderes, não pode obrigar Município a oferecer vaga em creche a crianças de até 5 anos de idade. c) Por se tratar de tema relacionado a interesse local, pode o Município impedir a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área. Segundo o STF, esta possibilidade estaria incluída na missão dos Municípios de gerir a política de desenvolvimento urbano. d) O Poder Judiciário, em sede de ação ordinária, pode aumentar os vencimentos de servidores públicos invocando o princípio da isonomia. e) É constitucional lei estadual que permita a magistrado aposentado pedir ressarcimento aos cofres públicos dos valores que pagou em custeio de tratamento odontológico feito em clínica particular caso os custos excedam a cobertura do seu respectivo Plano de Previdência do Estado. Direito Administrativo 04. José, Governador do Estado do Pará, em conluio com particulares, praticou ato de improbidade que importou enriquecimento ilícito, nos anos de 2009 e 2010. Ressalte-se que sua gestão foi do período de 2009-2012. Em 2016, quando não era mais Governador, os fatos vieram à tona, ensejando o ajuizamento da respectiva Ação Civil de Improbidade Administrativa no mesmo ano, pelo Ministério Público, em face de José e dos particulares que com ele perpetraram o ilícito. Em face do narrado e levando em consideração a Lei de Improbidade Administrativa e a jurisprudência correlata, assinale a alternativa CORRETA: a) O Ministério Público é o único legitimado para a propositura da Ação Civil de Improbidade Administrativa. b) Tendo em vista que a Lei de Improbidade Administrativa apenas se aplica aos agentes públicos, o Ministério Público não poderia ter incluído os particulares no polo passivo da referida ação. 8 c) Exige-se apenas o dolo como elemento subjetivo para a configuração da hipótese de ato de improbidade administrativa, independentemente da modalidade. d) A Ação de Improbidade Administrativa deve ser extinta ante a ocorrência da prescrição, pois já se passaram mais de 05 (cinco) anos entre a data dos fatos e o ajuizamento. e) As ações de ressarcimento decorrentes de atos de improbidade administrativa são imprescritíveis. 05. Com base no entendimento jurisprudencial e nas normas atinentes aos concursos públicos, assinale a resposta CORRETA: a) A surdez unilateral configura deficiência para fins de concurso público. b) O candidato pode ser eliminado de concurso público ao realizar exame psicotécnico, mesmo este não sendo previsto em lei. c) O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da administração, caracterizada por comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. d) É constitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido. (SV 43) e) O prazo de validade do concurso público será de até dois anos, vedada sua prorrogação. 06. Acerca dos atos administrativos, assinale a alternativa CORRETA: a) São elementos dos atos administrativos a competência, finalidade, forma, moralidade, objeto. 9 b) O ato administrativo que contiver vício sanável pode ser convalidado se não trouxer prejuízo a terceiros ou não acarretar lesão ao interesse público. c) A presunção de legitimidade, atributo do ato administrativo, é absoluta. d) A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e vedada, em todos os casos, a apreciação judicial. e) Todo ato administrativo possui como atributo a auto-executoriedade. Direito Civil 07. Considerando o disposto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro no tocante à vigência, aplicação e integração das leis, marque a alternativa CORRETA: a) Toda lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. b) Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 90 dias depois de oficialmente publicada. c) Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. d) A lei com vigência temporária terá vigor até que outra a revogue. e) A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, podendo haver ressalvas quanto ao ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. 08. No tocante à capacidade civil, assinale a alternativa CORRETA: a) São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. b) São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos. 10 c) São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. d) A menoridade cessa aos vinte e um anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. e) São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo. 09. Considerando os dispositivos do Código Civil, de qual ato far-se-á a averbação em registro público? Assinale a alternativa CORRETA: a) Os nascimentos, casamentos e óbitos. b) A emancipação por outorga dos pais ou por sentença dojuiz. c) A interdição por incapacidade absoluta ou relativa. d) A sentença declaratória de ausência e de morte presumida. e) Dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação. Direito Processual Civil 10. A respeito das normas fundamentais do processo civil, assinale a alternativa INCORRETA: a) Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. b) Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. c) A proibição de decisões em face de uma das partes, sem prévia oitiva, não se aplica à tutela provisória de urgência e a determinadas hipóteses de tutela da evidência. d) O juiz pode decidir em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, especialmente se se tratar de matéria sobre a qual deva apreciar de ofício. 11 e) Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público. 11. Acerca da revogação das tutelas provisórias, com base na jurisprudência do STJ, marque a alternativa CORRETA: a) O percentual a ser descontado não pode ser superior a 10% sobre o montante total de cada prestação do benefício que vier a ser recebido, até que ocorra a integral compensação, com atualização monetária, da verba que fora antecipada antes da revogação da tutela provisória. b) Ainda que não tenha havido prévio pedido ou reconhecimento judicial da restituição, se a antecipação da tutela anteriormente concedida houver sido revogada em decorrência de sentença de improcedência do seu pedido, é possível que entidades previdenciárias efetuem descontos mensais. c) Em caso de revogação da tutela, incide a responsabilidade processual subjetiva, não bastando a existência do dano decorrente da pretensão deduzida em juízo. d) Independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a tutela de urgência causar à parte adversa, devendo a indenização ser liquidada sempre nos autos em que a medida tiver sido concedida. e) O CPC/2015, diferentemente do anterior, não cuidou da figura do improbus litigator. 12. A respeito do amicus curiae, assinale a alternativa INCORRETA: a) O amicus curiae foi consagrado pela jurisprudência pátria, mas o legislador perdeu uma excelente oportunidade de regular expressamente o assunto, notadamente com o advento do NCPC. b) O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. 12 c) O juiz ou relator poderá agir de ofício ou a requerimento das partes ou de qualquer pessoa que pretenda manifestar-se, para fins de admissão do amicus curiae. d) O amicus curiae não poderá interpor recursos, salvo embargos de declaração ou para recorrer de decisão que julga o incidente de resolução de demandas repetitivas. e) Sempre que solicitada ou admitida a intervenção de amicus curiae, o juiz ou o relator deverá definir, na própria decisão, os poderes respectivos. Direito Penal 13. Com relação aos princípios do Direito Penal, assinale a opção CORRETA: a) O princípio da insignificância permite que condutas que não sejam capazes de lesar ou no mínimo colocar em perigo o bem jurídico não sejam objeto de atuação penal pelo Estado. Tal princípio exclui a culpabilidade do agente. b) O Direito Penal moderno é o direito da culpa, pois nenhum resultado penalmente relevante pode ser atribuído a quem não o tenha produzido por dolo ou culpa. Com isso, pode-se afirmar que o ordenamento jurídico pátrio adotou o princípio da responsabilidade penal objetiva. c) Para o princípio da lesividade não há infração penal quando a conduta não tiver oferecido pelo menos perigo de lesão ao bem jurídico. Tal princípio delimita o Direito penal tanto no nível legislativo quanto no jurisdicional. d) O ordenamento jurídico pátrio adota o princípio da responsabilidade pelo fato no âmbito legislativo, pois os tipos penais devem definir fatos. Por outro lado, no plano jurisdicional, adota-se o direito penal do autor na dosimetria da pena. e) Na aplicação do princípio da insignificância, o julgador deve analisar aspectos puramente patrimoniais, não devendo levar em consideração outros elementos. 14. A respeito da tentativa, considere a seguinte afirmativa: “Carlos, com a arma carregada, dispara duas vezes contra Horácio com a intenção de matá-lo. Porém, erra os disparos”. I. Trata-se de tentativa cruenta, pois o Horácio não foi atingido. 13 II. Caracteriza a tentativa perfeita, pois Carlos errou os disparos. III. O Código Penal adotou a teoria objetiva, motivo pelo qual a pena da tentativa deve ser correspondente ao crime consumado, diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços). Está correto o que consta APENAS em: a) I e II. b) II e III. c) I, II e III. d) II. e) III. 15. Segundo entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, assinale a assertiva CORRETA quanto aos crimes contra a Administração Pública: a) No crime de concussão a situação de flagrante delito se configura no momento da entrega da vantagem indevida. b) O delito de descaminho é crime de natureza material e a ele se aplica a Súmula Vinculante nº 24. c) Ao crime de contrabando se aplica o princípio da insignificância. d) O crime de denunciação caluniosa admite o dolo eventual. e) Importação de arma de ar comprimido configura crime de contrabando. Direito Processual Penal 16. A Lei nº 13.257/2016 introduziu novas hipóteses de prisão domiciliar. Com relação a essas alterações, assinale a alternativa CORRETA: a) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar com relação a GESTANTE independente do tempo de gestação e de sua situação de saúde. b) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar para MULHER que tenha filho menor de 18 anos. 14 c) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar para HOMEM que seja o único responsável pelos cuidados do filho menor de 18 anos. d) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar com relação a GESTANTE a partir do 6º mês de gestação. e) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar com relação a GESTANTE a partir do 8º mês de gestação. 17. Com relação a Lei nº 13.285/2016, que acrescentou o art. 394-A ao Código de Processo Penal, conferindo prioridade a processos que julgam a prática de certos crimes, podemos afirmar que: a) Os processos que apurem a prática de crime contra administração pública terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. b) Os processos que apurem a prática de crime contra o meio ambiente terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. c) Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. d) Os processos que apurem a prática de crime contra as telecomunicações terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. e) Os processos que apurem a prática de crime previstos na Lei de Segurança Nacional terão prioridade de tramitação em todas as instâncias, durante o período das Olímpiadas. Direito Eleitoral 18. Com relação ao conceito,objeto e fontes do Direito Eleitoral, assinale a opção INCORRETA: a) A competência para legislar sobre direito eleitoral é privativa da União. b) A competência da União para legislar sobre normas gerais de direito eleitoral não exclui a competência suplementar dos Estados. c) São fontes do direito eleitoral a Constituição da República, o Código Eleitoral (Lei nº 4.737/65), a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97), a Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 15 9.096/95), a Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar nº 64/90) e as Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. d) O Poder Constituinte Originário diz que a soberania popular será exercida pelo voto secreto e direto, com valor igual para todos, pelo sufrágio universal e, nos termos da lei, mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular de projeto de lei. e) Em que pese ser de competência da União legislar sobre direito eleitoral, o Presidente da República, em caso de relevância e urgência, não poderá editar medida provisória sobre assunto que trate de cidadania, partidos políticos e direito eleitoral por expressa vedação constitucional. 19. Sobre o princípio da anualidade eleitoral, marque a alternativa CORRETA: a) O princípio da anualidade eleitoral, em que pese ter ampla aplicação, não incide quando se tratar de emendas ao texto constitucional. b) A lei que altera o processo eleitoral entra em vigor na data de sua publicação, tendo aplicabilidade imediata. c) Por ser um princípio constitucional, a anualidade eleitoral, para sua aplicação, dependerá sempre da ponderação. d) A Lei nº 13.165, publicada em 29 de setembro de 2015, por alterar o processo eleitoral no ano anterior às eleições, não se aplicará às eleições do ano de 2016, em respeito ao princípio da anualidade ou anterioridade, previsto no art. 16 da Constituição. e) As decisões do TSE que, no curso do pleito eleitoral (ou logo após o seu encerramento), implicarem mudança de jurisprudência não têm aplicabilidade imediata ao caso concreto e somente terão eficácia sobre outros casos no pleito eleitoral posterior. 20. No que pertine aos sistemas eleitorais, marque a alternativa CORRETA: a) O sistema eleitoral proporcional é aplicável às eleições do poder legislativo, enquanto que o sistema majoritário é aplicável às eleições do poder executivo. b) Para os cargos de Prefeito, Governador e Presidente, sempre é exigida maioria absoluta dos votos válidos para que seja considerado vencedor um dos candidatos. 16 c) Nos municípios com mais de 200 mil habitantes, aplica-se, para a eleição de Prefeito, o sistema majoritário absoluto. d) O Brasil adota o sistema eleitoral proporcional de listas abertas. e) O Brasil adota o sistema eleitoral proporcional de listas fechadas. Direito do Trabalho 21. A Lei Complementar nº 150, publicada no Diário Oficial da União em 2.6.2015, conhecida como “Nova Lei dos Domésticos”, trouxe estrutura normativa ao contrato de trabalho doméstico, inclusive, consagrando direitos antes controversos em sede doutrinária e jurisprudencial. Em relação aos direitos garantidos aos empregados domésticos, assinale a alternativa CORRETA: a) É lícita a contratação de empregado doméstico por prazo determinado, contudo, tal modalidade é restrita ao contrato de experiência, que não poderá ultrapassar 90 (noventa) dias, admitida uma única prorrogação dentro desse período. b) Faculta-se ao empregador e empregado domésticos, mediante acordo escrito, estabelecerem horário de trabalho de 12 (doze) horas seguidas por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. c) É obrigatória a concessão de intervalo para repouso ou alimentação ao empregado doméstico pelo período de 1 (uma) hora, não sendo possível sua redução sob qualquer hipótese. d) Conforme expressamente disposto na LC nº 150/2015, no caso de despedida do empregado doméstico sem justa causa, ou por culpa do empregador, deverá este depositar, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. e) O empregado doméstico não pode ser contratado em regime de tempo parcial, por expressa previsão legal. 17 22. O amplo conceito de empregador possui peculiaridades no que toca, especialmente, ao conceito e enquadramento de grupos econômicos. Em relação às disposições que regem o grupo econômico, assinale a alternativa CORRETA: a) Ao empregado que presta serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, ainda que em turnos distintos em cada das empresas do grupo, é garantido o direito de celebração de contratos de trabalhos diferentes, a serem firmados com cada das empresas que utilizem de sua força de trabalho. b) Conforme entendimento sumulado do TST, o empregado de grupo econômico, preenchidos os requisitos da CLT, pode pedir equiparação salarial a empregado de outra empresa integrante do mesmo grupo, indicando-o como paradigma. c) Embora a Lei nº 5.889/73, que estatui normas reguladoras do trabalho rural, preveja que a CLT se aplica às relações de trabalho rurais, demonstra-se incompatível, por conta da natureza das atividades, a aplicação das regras concernentes ao grupo econômico, não havendo previsão na lei especial a tal instituto. d) O reconhecimento da existência de grupo econômico tão somente na fase de execução é permitido, diante das provas carreadas aos autos, não havendo necessidade de o reclamante indicar, na reclamatória trabalhista, todas as empresas cujo grupo econômico pugna pelo reconhecimento. e) Conforme previsão celetista, no caso de reconhecimento de grupo econômico entre empresas diversas, com personalidade jurídica distinta, inclusive explorando atividades econômicas diferentes, as empresas que vierem a ser reconhecidas como do grupo econômico responderão pelos débitos trabalhistas da empresa principal, de forma subsidiária. Direito Processual do Trabalho 23. No tocante à sistemática recursal no processo do trabalho, aponte a alternativa CORRETA: a) O recurso ordinário possui efeito obstativo, devolutivo e suspensivo, sendo certo que, na Justiça Especializada, não há que se falar, sob qualquer hipótese, em recurso sem efeito suspensivo. 18 b) No processo do trabalho, em regra, as decisões interlocutórias não comportam recurso imediato, nos termos do art. 893, §1º, da CLT. Contudo, excepcionalmente, as decisões interlocutórias podem ensejar recurso imediato, como nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT. c) Uma peculiaridade dos recursos na seara trabalhista é a uniformidade de prazos: 08 dias. d) O recurso interposto antes da intimação oficial acarreta em intempestividade, conforme previsão expressa da Súmula nº 434, do TST. e) Conforme entendimento sumulado do TST, tanto a massa falida quanto a empresa em liquidação extrajudicial são dispensadas de preparo, vale dizer, das custas e depósito recursal. Direito Previdenciário 24. No tocante às regras básicas e princípios concernentes à Previdência Social no Brasil, indique a resposta CORRETA: a) Entre os segurados obrigatórios da Previdência Social, previstos na Lei nº 8.213/91 figuram, exclusivamente, os brasileirosnatos ou naturalizados. b) O caráter democrático e centralizado da gestão administrativa perfaz-se com a participação da comunidade, com convocação mensal de audiências públicas, dentre outras ações. c) O servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais é segurado obrigatório, não sendo vinculado, pois, ao regime jurídico único próprio dos servidores públicos civis de carreira. d) O regime de previdência privada, constituído pela formação de reservas que garantam o benefício contratado, é obrigatório no Brasil. e) O princípio da solidariedade visa a, precipuamente, impedir a redução do valor dos benefícios, sendo uma proteção ao beneficiário. 19 Legislação Extravagante 25. A Lei nº 11.340/2006 dispõe que o poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Assim, no que se refere à Lei Maria da Penha, é CORRETO afirmar que: a) Aplica-se a Lei nº 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais) caso a pena aplicada seja igual ou inferior a 02 anos. b) Lesão corporal praticada de forma culposa contra mulher, no âmbito de relações domésticas, é crime de ação penal pública condicionada à representação. c) A Lei Maria da Penha enumera de forma taxativa as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. d) Não se aplica a legislação específica relativa à criança, ao adolescente e ao idoso nas causas que envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. e) A Lei Maria da Penha somente protege a mulher. 26. O artigo 5º, X, da CF, diz que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Diante disso, marque a alternativa CORRETA à luz da Constituição Federal e da Lei n° 9.296/96: a) A interceptação das comunicações telefônicas não poderá ser determinada pelo juiz de ofício. b) Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. c) A Constituição Federal e a Lei nº 9.296/96 admitem interceptação de comunicações telefônicas para prova em investigação criminal, instrução processual penal e no âmbito administrativo. d) Em hipótese alguma o juiz poderá admitir que o pedido de interceptação telefônica seja formulado verbalmente. 20 e) A decisão que defere o pedido de interceptação telefônica não poderá ser prorrogada por se tratar de matéria restritiva do direito à intimidade. 27. De acordo com a Lei dos Crimes Ambientais, assinale a alternativa CORRETA: a) Não é possível a responsabilização de pessoas jurídicas na esfera penal, vez que é impossível pessoa jurídica realizar atos tipicamente humanos. b) Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. c) A suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação à pena privativa de liberdade não superior a dois anos. d) Não se aplica o princípio da insignificância na prática de crimes ambientais. e) A ação penal é pública condicionada à representação nas infrações penais. Informática 28. Usando um computador para inserir novos itens na base bibliográfica do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, uma bibliotecária acessa: a) A memória RAM, que permite a leitura, a gravação e a regravação de dados. b) A memória EPROM, que permite a leitura e armazena os dados de modo permanente. c) Uma fita magnética, que grava os dados de maneira aleatória ou randômica. d) A unidade de controle, que gerencia os dados e os convertem para o formato de saída desejado. e) O monitor de vídeo, que mostra todas as informações digitadas no teclado. 29. A diretora da biblioteca do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região solicitou à equipe um inventário dos periféricos disponíveis, classificando-os de acordo com os dois agrupamentos abaixo: I. Dispositivos de entrada. II. Dispositivos de saída. 21 III. Dispositivos de entrada e saída. a. Impressoras b. Teclados c. Caixas de som d. Mouses e. Modems f. Escâneres g. Pendrives h. Canetas óticas i. Quiosques multimídia A correlação correta entre os agrupamentos é: a) I: d, e, f, g; II: a, c, h; III: b, i. b) I: a, b, d, f; II: c, g, h; III: e, i. c) I: b, c, e, h; II: a, f, i; III: d, g. d) I: b, d, f, h; II: a, c, i; III: e, g. e) I: d, f, h, i; II: a, c, g; III: b, e. 30. Um Analista Judiciário da Área Administrativa do TRF3 deseja solicitar ao departamento de Tecnologia da Informação − TI o desenvolvimento de um sistema de informação para fazer com que cada vez que uma resma de 500 folhas de papel sulfite seja retirada do estoque, um registro apareça, automaticamente, nos computadores da empresa fabricante e fornecedora de papel sulfite, de forma que ela possa fabricar a quantidade necessária e enviar diretamente ao TRF3, eliminando distribuidores e reduzindo custos de armazenamento. Neste caso, o sistema de informação que o Analista deseja solicitar é um: a) Customer Relationship Management − CRM. 22 b) Supply Chain Management − SCM. c) Enterprise Resource Planning − ERP. d) Knowledge Management System − KMS. e) Transaction Support System − TSS. Raciocínio Lógico 31. Adriano, Benedito e Cláudio são amigos e estão com camisetas de cores diferentes: verde, azul e branca. Dentre as afirmativas a seguir, somente uma é verdadeira: Adriano está com camiseta azul. Benedito não está com camiseta azul. Cláudio não está com camiseta branca. É correto concluir que: a) Adriano está com camiseta branca. b) Adriano está com camiseta azul. c) Benedito está com camiseta verde. d) Benedito está com camiseta branca. e) Cláudio está com camiseta azul. 32. No Brasil, o Dia dos Pais é comemorado no segundo domingo do mês de agosto. Em um determinado ano bissexto, o dia 1° de janeiro foi um sábado. Neste mesmo ano, o Dia dos Pais foi comemorado no dia: a) 10 de agosto. b) 11 de agosto. c) 12 de agosto. d) 13 de agosto. 23 e) 14 de agosto. Língua Portuguesa 33. Assinale a alternativa que corresponde à grafia da norma culta: a) Os guardas-civis intervieram na discussão dos espectadores. b) Os guarda-civis interviram na discussão dos expectadores c) Os guardas-civis interviram na discussão dos espectadores. d) Os guarda-civis intervieram na discursão dos espectadores. e) Os guarda-civil interviram na discussão dos expectadores. 34. “Na quinta-feira, 28 de julho, às 18h, terminei de preparar a rodada gratuita do curso TOP-Tribunais, muito cansado”. Este enunciado, segundo os tipos de gêneros textuais, significa: a) Carta. b) Propaganda. c) Notícia. d) Diário. e) Fábula. 24 GABARITO Questão 01 ALTERNATIVA “D” Questão 02 ALTERNATIVA “C” Questão 03 ALTERNATIVA “E” Questão 04 ALTERNATIVA “E” Questão 05 ALTERNATIVA “C” Questão 06 ALTERNATIVA “B” Questão 07 ALTERNATIVA “C” Questão 08 ALTERNATIVA “A” Questão 09 ALTERNATIVA “E” Questão 10 ALTERNATIVA “D” Questão 11 ALTERNATIVA “B” Questão 12 ALTERNATIVA “A” Questão 13 ALTERNATIVA “C” Questão 14 ALTERNATIVA “E” Questão 15 ALTERNATIVA “E” Questão 16 ALTERNATIVA “A” Questão 17 ALTERNATIVA “C” Questão 18 ALTERNATIVA“B” Questão 19 ALTERNATIVA “E” Questão 20 ALTERNATIVA “D” 25 Questão 21 ALTERNATIVA “B” Questão 22 ALTERNATIVA “D” Questão 23 ALTERNATIVA “B” Questão 24 ALTERNATIVA “C” Questão 25 ALTERNATIVA “E” Questão 26 ALTERNATIVA “B” Questão 27 ALTERNATIVA “B” Questão 28 ALTERNATIVA “A” Questão 29 ALTERNATIVA “D” Questão 30 ALTERNATIVA “B” Questão 31 ALTERNATIVA “A” Questão 32 ALTERNATIVA “D” Questão 33 ALTERNATIVA “A” Questão 34 ALTERNATIVA “D” 26 QUESTÕES OBJETIVAS COMENTADAS Direito Constitucional 01. Acerca das competências materiais e legislativas dos Entes Federativos na CF/88, marque a alternativa INCORRETA: a) Compete à União privativamente legislar sobre direito agrário e seguridade social. b) Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre previdência social. c) Compete aos Municípios criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual. d) Compete à União organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios. e) Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. Comentários A alternativa A está correta. A redação da CF/88 é explícita quanto ao tema. Tome cuidado com as competências dos arts. 21 a 24, pois o examinador tentará embaralhá-las. Uma pegadinha frequente se refere à competência para legislar sobre seguridade social. Apesar de esta última abranger assistência social, previdência e saúde, que são temas ligados à competência legislativa comum, o art. 21, XXIII, prevê que compete à União legislar, PRIVATIVAMENTE, sobre seguridade social. Para visualizar melhor o tema, seguem os dispositivos constitucionais pertinentes: Art. 194, CF/88. A SEGURIDADE SOCIAL compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Art. 22, CF/88. Compete PRIVATIVAMENTE à UNIÃO legislar sobre: [...] XXIII - seguridade social; 27 Art. 24, CF/88. Compete à UNIÃO, AOS ESTADOS E AO DISTRITO FEDERAL legislar CONCORRENTEMENTE sobre: [...] XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; [...] XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; XV - proteção à infância e à juventude; Os incisos XIV e XV tratam de temas ligados à ASSISTÊNCIA SOCIAL, que são melhores elencados no art. 203 da CF/88. Assim, nota-se que a assistência social também está incluída na competência CONCORRENTE para legislar dos entes federativos. Art. 203, CF/88. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; Pois bem: causa estranhamento que a competência para legislar sobre o “todo” (seguridade social) seja da União e a competência para tratar de suas partes seja concorrente. O professor FREDERICO AMADO,1 com muita clareza, esclarece esta antinomia aparente. O entendimento a seguir é trazido apenas para melhor entendimento da matéria. Em PROVAS OBJETIVAS, siga a letra da CF/88, nos termos dos artigos acima transcritos. Essa aparente antinomia é solucionada da seguinte maneira: apenas a União poderá legislar sobre previdência social, exceto no que concerne ao regime de previdência dos servidores públicos efetivos dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, que poderão editar normas jurídicas para instituí-los e discipliná-los, observadas as normas gerais editadas pela União e as já postas pela própria Constituição. Outrossim, os estados, o Distrito Federal e os municípios também poderão editar normas jurídicas acerca da previdência complementar dos seus servidores públicos, 1 AMADO, Frederico Augusto Di Trindade. Direito Previdenciário – Sinopse para concursos. 5ª ed., Salvador: Juspodivm, 2015, p. 23-24. 28 a teor do artigo 40, §14, da Constituição Federal. Contudo, entende-se que apenas a União possui competência para legislar sobre a previdência complementar privada, pois o tema deve ser regulado por lei complementar federal, conforme se interpreta do artigo 202, da Constituição Federal, tendo sido promulgada pela União as Leis Complementares 108 e 109/2001. No que concerne à saúde e à assistência social, a competência acaba sendo concorrente, cabendo à União editar normas gerais a serem complementadas pelos demais entes políticos, conforme as suas peculiaridades regionais e locais, tendo em conta que todas as pessoas políticas devem atuar para realizar os direitos fundamentais na área da saúde e da assistência social. No que se refere a legislar sobre DIREITO AGRÁRIO a Constituição é clara: Art. 22. Compete PRIVATIVAMENTE à UNIÃO legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; A alternativa B também está correta, conforme já mencionado acima. Para fixação, transcrevo novamente o dispositivo constitucional comentado. Art. 24, CF/88. Compete à UNIÃO, AOS ESTADOS E AO DISTRITO FEDERAL legislar CONCORRENTEMENTE sobre: [...] XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; A alternativa C está correta e é mais uma repetição da letra da CF/88. Art. 30, CF/88. Compete aos MUNICÍPIOS: [...] IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; A alternativa D está INCORRETA. É o gabarito da questão. Trata-se de alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 69 de 2012, que retirou da União a competência para manter e organizar a Defensoria do Distrito Federal. Art. 21, CF/88. Compete à União: [...] XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69, de 2012) A alternativa E está correta. É o que se depreende do artigo 211, §2º, da CF88: 29 Art. 211, CF/88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. [...] §2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. Gabarito alternativa “D” 02. São matérias que a Constituição Federal exige lei complementar para sua regência, EXCETO: a) Hipóteses em que a União permitirá que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. b) Condições para integração de regiões em desenvolvimento. c) Estatuto da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica. d) Procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação. e) Imposto sobre grandes fortunas. Comentários A alternativa A está correta: Art. 21. Compete à União: [...] IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; A alternativa B também está correta: Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º - Lei complementar disporá sobre: I - as condições para integraçãode regiões em desenvolvimento; 30 A alternativa C está INCORRETA. Portanto, é o gabarito da questão. A CF/88 exige apenas Lei ordinária para tratar da matéria. Trata-se, inclusive, de recente e importante inovação legislativa: Lei nº 13.303 de 30 de junho de 2016. Vale observar que quando não há o adjetivo “complementar”, em regra, o trato da matéria pelo legislador infraconstitucional poderá ser feito por simples lei ordinária. Afirmo que “poderá” (e não “será” ou “deverá ser”), porque uma lei complementar pode disciplinar, na vigência da CF/88, tema de lei ordinária, mas o contrário não será possível. Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A LEI estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre. A alternativa D está correta: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. [...] § 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação. A alternativa E também está correta: Art. 153. Compete à União instituir IMPOSTOS sobre: [...] VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar. Gabarito alternativa “C” 03. Marque a alternativa CORRETA sobre entendimentos do Supremo Tribunal Federal: 31 a) É inconstitucional, por ofensa ao princípio da livre iniciativa, qualquer norma legal que obrigue a escolas privadas o oferecimento de atendimento educacional adequado e inclusivo a pessoas com deficiência. Além disso, a instituição de ensino poderá acrescer nas mensalidades os custos para implementar tais medidas de acessibilidade. b) O Poder Judiciário, em respeito ao princípio da Separação dos Poderes, não pode obrigar Município a oferecer vaga em creche a crianças de até 5 anos de idade. c) Por se tratar de tema relacionado a interesse local, pode o Município impedir a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área. Segundo o STF, esta possibilidade estaria incluída na missão dos Municípios de gerir a política de desenvolvimento urbano. d) O Poder Judiciário, em sede de ação ordinária, pode aumentar os vencimentos de servidores públicos invocando o princípio da isonomia. e) É constitucional lei estadual que permita a magistrado aposentado pedir ressarcimento aos cofres públicos dos valores que pagou em custeio de tratamento odontológico feito em clínica particular caso os custos excedam a cobertura do seu respectivo Plano de Previdência do Estado. Comentários Antes de adentrar no exame das alternativas, recomendo o acompanhamento, ao menos da versão resumida, dos informativos do Supremo Tribunal Federal, no site DIZER O DIREITO. Os comentários destas questões foram, em grande parte, retirados desse blog jurídico. A alternativa A está incorreta. Julgamento recente decidiu o tema: São CONSTITUCIONAIS o art. 28, § 1º e o art. 30 da Lei nº 13.146/2015, que determinam que as escolas privadas ofereçam atendimento educacional adequado e inclusivo às pessoas com deficiência sem que possam cobrar valores adicionais de qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas para cumprimento dessa obrigação. STF. Plenário. ADI 5357 MC-Referendo/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/6/2016 (Info 829). A alternativa B está incorreta. 32 O Poder Judiciário pode obrigar o Município a fornecer vaga em creche a criança de até 5 anos de idade. A educação infantil, em creche e pré-escola, representa prerrogativa constitucional indisponível garantida às crianças até 5 anos de idade, sendo um dever do Estado (art. 208, IV, da CF/88). Os Municípios, que têm o dever de atuar prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil (art. 211, § 2º, da CF/88), não podem se recusar a cumprir este mandato constitucional, juridicamente vinculante, que lhes foi conferido pela Constituição Federal. STF. Decisão monocrática. RE 956475, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 12/05/2016 (Info 826). A alternativa C está incorreta. Súmula Vinculante nº 49 - Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área. A alternativa D também está incorreta. Súmula Vinculante nº 37 - Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia. A alternativa E está CORRETA. É, portanto, o gabarito da questão. Trata-se de tema bastante polêmico, que gerou críticas incisivas de alguns ministros, como de Luís Roberto Barroso, que considerou “imoral” o pagamento destes benefícios. O art. 65, § 2º da LOMAN (LC 35/1979), ao vedar a concessão de adicionais ou vantagens pecuniárias nela não previstas, não proíbe que as leis estaduais prevejam o pagamento de verbas de natureza indenizatória aos magistrados estaduais. Com base nesse entendimento, O STF CONSIDEROU VÁLIDA previsão de lei estadual que concede aos magistrados o direito de serem ressarcidos pelos cofres públicos em relação às despesas médicas, cirúrgicas e odontológicas que realizem e que excedam o custeio coberto pelo Instituto de Previdência do Estado. STF. 1ª Turma. MS 27463/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825). Gabarito alternativa “E” Direito Administrativo 33 04. José, Governador do Estado do Pará, em conluio com particulares, praticou ato de improbidade que importou enriquecimento ilícito, nos anos de 2009 e 2010. Ressalte-se que sua gestão foi do período de 2009-2012. Em 2016, quando não era mais Governador, os fatos vieram à tona, ensejando o ajuizamento da respectiva Ação Civil de Improbidade Administrativa no mesmo ano, pelo Ministério Público, em face de José e dos particulares que com ele perpetraram o ilícito. Em face do narrado e levando em consideração a Lei de Improbidade Administrativa e a jurisprudência correlata, assinale a alternativa CORRETA: a) O Ministério Público é o único legitimado para a propositura da Ação Civil de Improbidade Administrativa. b) Tendo em vista que a Lei de Improbidade Administrativa apenas se aplica aos agentes públicos, o Ministério Público não poderia ter incluído os particulares no polo passivo da referida ação. c) Exige-se apenas o dolo como elemento subjetivo para a configuração da hipótese de ato de improbidade administrativa, independentemente da modalidade. d) A Ação de Improbidade Administrativa deve ser extinta ante a ocorrência da prescrição, pois já se passaram mais de 05 (cinco) anos entre a data dos fatos e o ajuizamento. e) As ações de ressarcimento decorrentes de atos de improbidade administrativa são imprescritíveis. Comentários Olá, pessoal! As provas de Direito Administrativo são bem mescladas: temos letra de lei, entendimentos jurisprudencial e doutrinário. Então, para esse tipo de preparação, deve-se ter conhecimento da legislação que mais é cobrada, complementando com um resumo ou uma doutrina de livre escolha, sempre atualizado nos informativos do STF e STJ. As provas de técnico possuem conteúdo programático menor, o quedá azo à cobrança mais aprofundada de determinadas matérias. Para iniciar, é certo que na sua prova tenha, ao menos, 01 (uma) questão de Improbidade Administrativa. Portanto, em todas as rodadas teremos ao menos 01 (uma) questão sobre Improbidade. Como a Lei nº 8.429/92 é relativamente 34 pequena (possui apenas 25 artigos), vale a pena possuir conhecimento avançado desta Lei. Sugiro, também, a leitura, mesmo que parcial, do livro "Cem Perguntas e Respostas Sobre Improbidade Administrativa", da ESMPU – Escola Superior do Ministério Público da União, acessível em: https://escola.mpu.mp.br/linha-editorial/outras- publicacoes/100%20Perguntas%20e%20Respostas%20versao%20final%20EBOOK. pdf A presente questão procurou tratar de alguns dos principais pontos e polêmicas acerca da Improbidade Administrativa. Alguns pontos estão bem sedimentados, mas para quem não tem familiaridade com a Lei, vale a pena a leitura. A alternativa A está incorreta. Alguns examinadores procuram fazer o candidato pensar que o único legitimado para a propositura da Ação Civil de Improbidade Administrativa é o Ministério Público. Entretanto, o próprio artigo 17 da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) dispõe que a ação principal poderá ser proposta "(...) pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada". A pessoa jurídica interessada, via de regra, será aquela que foi lesada ou que tenha sofrido prejuízos advindos do ato de improbidade administrativa, ou que tenha relação funcional com o sujeito ativo do ato de improbidade. Ressalte-se a diferenciação entre sujeito ativo e passivo do ato de improbidade administrativa e polo ativo e passivo da Ação Civil de Improbidade Administrativa. O primeiro trata de quem praticou e contra quem foi praticado o ato de improbidade, de índole material, portanto. O segundo trata dos legitimados para figurar no polo ativo e no polo passivo da referida ação, de índole processual, portanto. Finalmente, convém ressaltar que quando é o Ministério Público quem promove a ação principal, a pessoa jurídica interessada deverá ser intimada para, querendo, contestar o pedido ou atuar ao lado do autor, desde que isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente (art. 17, §3º da LIA c/c art. art. 6º, §3º, da Lei nº 4.717/65). A alternativa B está incorreta. Outra grande questão da Lei de Improbidade (e quase sempre cobrada) é a de quem pode praticar ato de improbidade administrativa (sujeito ativo do ato de improbidade) e, consequentemente, ser demandado em juízo (sujeito passivo da Ação Civil de Improbidade Administrativa). 35 Para tanto, necessária a leitura dos artigos 1º ao 3º da LIA: Art. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão punidos na forma desta lei. Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. Art. 3° As disposições desta lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta (grifo nosso). A leitura dos dispositivos supramencionados denotam que podem ser sujeitos ativos do ato de improbidade administrativa: 1) os agentes públicos (de forma ampla); e b) particulares/terceiros que induzam ou concorram para o ato ou dele se beneficiem. Entretanto, não pode o particular/terceiro figurar, exclusivamente, no polo passivo da Ação de Improbidade Administrativa, ou seja, para que terceiro seja incluído no polo passivo, a ação deve ser manejada também contra o agente público que praticou o ato de improbidade, conforme jurisprudência do STJ: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. LITISCONSÓRCIO 36 PASSIVO. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DE AGENTE PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE DE APENAS O PARTICULAR RESPONDER PELO ATO ÍMPROBO. PRECEDENTES. 1. Os particulares que induzam, concorram, ou se beneficiem de improbidade administrativa estão sujeitos aos ditames da Lei nº 8.429/1992, não sendo, portanto, o conceito de sujeito ativo do ato de improbidade restrito aos agentes públicos (inteligência do art. 3º da LIA). 2. Inviável, contudo, o manejo da ação civil de improbidade exclusivamente e apenas contra o particular, sem a concomitante presença de agente público no polo passivo da demanda. 3. Recursos especiais improvidos. (REsp 1171017/PA, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/02/2014, DJe 06/03/2014) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA PROPOSTA APENAS CONTRA PARTICULAR. EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. AUSÊNCIA DE AGENTE PÚBLICO NO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO NÃO PROVIDO. PRECEDENTES. I - A abrangência do conceito de agente público estabelecido pela Lei de Improbidade Administrativa encontra-se em perfeita sintonia com o construído pela doutrina e jurisprudência, estando em conformidade com o art. 37 da Constituição da República. II - Nos termos da Lei n. 8.429/92, podem responder pela prática de ato de improbidade administrativa o agente público (arts. 1º e 2º), ou terceiro que induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta (art. 3º). III - A responsabilização pela prática de ato de improbidade pode alcançar terceiro ou particular, que não seja agente público, apenas em três hipóteses: a) quando tenha induzido o agente público a praticar o ato ímprobo; b) quando haja concorrido com o agente público para a 37 prática do ato ímprobo; ou c) tenha se beneficiado com o ato ímprobo praticado pelo agente público. IV - Inviável a propositura de ação de improbidade administrativa contra o particular, sem a presença de um agente público no polo passivo, o que não impede eventual responsabilização penal ou ressarcimento ao Erário, pelas vias adequadas. Precedentes. V - Recurso especial improvido. (REsp 1405748/RJ, Rel. Ministra MARGA TESSLER (JUÍZA FEDERAL CONVOCADA DO TRF 4ª REGIÃO), Rel. p/ Acórdão Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2015, DJe 17/08/2015) (grifo nosso) Portanto, incorreta a alternativa ao afirmar que, no caso apresentado, o Ministério Público se equivocou ao ter incluído terceiros no polo passivo da demanda, eis que possível, desde que em litisconsórcio com o agente público que praticou o ato de improbidade administrativa. A alternativa C está incorreta. Os atos de improbidade podem ser assim classificados: a) atos de improbidade administrativa que importam enriquecimento ilícito (art. 9ºda LIA); b) atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário (art. 10 da LIA); e c) atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública (art. 11 da LIA). O STJ entendeu que o dolo é necessário para configurar ato de improbidade administrativa que importe enriquecimento ilícito e que atente contra os princípios da administração pública (arts. 9º e 11 da LIA), e ao menos culpa nas hipóteses em que cause prejuízo ao erário (art. 10 da LIA): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONVÊNIO ENTRE UNIÃO E MUNICÍPIO. VALOR REPASSADO E SEM PRESTAÇÃO DE CONTAS. VERBAS PÚBLICAS DESVIADAS. CONDUTA DO ART. 10 DA LIA. ELEMENTO SUBJETIVO. CULPA OU DOLO. REVISÃO DO ENTENDIMENTO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME DA MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Trata-se, na origem, de Ação de Improbidade Administrativa contra ex-Prefeita e Secretário de Obras e Serviços Públicos de Olinda (PE), 38 por falta de prestação de contas referentes a parte das verbas recebidas do convênio celebrado com a União para a "construção de quebra-mar semissubmerso e execução de obras de pavimentação e de drenagem urbana". 2. O Tribunal a quo condenou a ora agravante pela prática de improbidade administrativa prevista nos arts. 10, XI, e 11, I, da LIA, aplicando as seguintes sanções: a) ressarcimento integral do dano no valor de R$ 717.617,41 (setecentos e dezessete mil, seiscentos e dezessete reais e quarenta e um centavos); b) perda da função pública; c) suspensão dos direitos políticos por seis anos, decisão tomada por maioria de votos, vencido nessa parte o Relator, que fixava o dito prazo em oito anos; d) pagamento de multa civil no patamar de R$6.000,00 (seis mil reais), esta por já ter sido fixada pelo Tribunal de Contas; e) proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos. 3. Não se verifica a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 4. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento segundo o qual o elemento subjetivo é essencial à configuração da improbidade, exigindo-se dolo para que se configurem as hipóteses típicas dos arts. 9º e 11, ou pelo menos culpa, nas hipóteses do art. 10, todos da Lei 8.429/92. (...) (AgRg no AREsp 210.361/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2016, DJe 01/06/2016) (grifo nosso) Portanto, a alternativa está incorreta, pois ao afirmar que APENAS o dolo deve estar presente como elemento subjetivo para a caracterização do ato de improbidade administrativa, a alternativa exclui a modalidade culposa para a hipótese do art. 10 da LIA. O candidato deve ter cuidado com alternativas que sempre venham acompanhadas das palavras "somente", "apenas", "exclusivamente", etc. 39 A alternativa D também está incorreta. Não houve prescrição no caso em comento. O art. 23 da Lei de Improbidade Administrativa assim dispõe: Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas: I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança; II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego. III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas entidades referidas no parágrafo único do art. 1o desta Lei. Como o término do mandato ocorreu em 2012, não se passaram 05 (cinco) anos para a ocorrência da prescrição. Portanto, a ação não está prescrita. E para os particulares? Aplica-se o mesmo entendimento? Sim. O STJ entende que, aos particulares em conluio com os agentes públicos, se aplica o prazo prescricional previsto para estes: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PARTICULAR EM CONLUIO COM AGENTES PÚBLICOS. APLICAÇÃO DO ART. 23 DA LIA. POSSIBILIDADE. 1. A compreensão firmada no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, nas ações de improbidade administrativa, para o fim de fixação do termo inicial do curso da prescrição, aplicam-se ao particular que age em conluio com agente público as disposições do art. 23, I e II, da Lei nº 8.429/1992. Precedentes: REsp 1405346 / SP, Relator(a) p/ Acórdão Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/08/2014, AgRg no REsp 1159035/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 29/11/2013, AgRg no REsp 1197967 / ES, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 08/09/2010. 2. Agravo Regimental não provido. 40 (AgRg no REsp 1510589/SE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2015, DJe 10/06/2015) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. RECEBIMENTO DA INICIAL. PRESCRIÇÃO. ALEGAÇÃO DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE TERIAM SIDO PRATICADOS POR PARTICULAR, EM CONLUIO COM AGENTES PÚBLICOS, NÃO OCUPANTES DE CARGO EFETIVO. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 23, I, DA LEI 8.429/92. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. (...) IV. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que, "nos termos do artigo 23, I e II, da Lei 8429/92, aos particulares, réus na ação de improbidade administrativa, aplica- se a mesma sistemática atribuída aos agentes públicos para fins de fixação do termo inicial da prescrição" (STJ, AgRg no REsp 1.541.598/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/11/2015). Nesse mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.510.589/SE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 10/06/2015; REsp 1.433.552/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 05/12/2014; REsp 1.405.346/SP, Rel. p/ acórdão Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 19/08/2014; AgRg no REsp 1.159.035/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe de 29/11/2013; EDcl no AgRg no REsp 1.066.838/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/04/2011. V. Agravo Regimental improvido. (AgRg no AREsp 161.126/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2016, DJe 13/06/2016) (grifo nosso) 41 Portanto, a alternativa está errada, eis que não houve prescrição da ação de improbidade administrativa. A alternativa E está CORRETA e é o gabarito da questão. Esse tipo de alternativa é utilizada pelo examinador para confundir o candidato. De fato, as ações de improbidade são prescritíveis, tanto que a LIA possui o art. 23, que trata justamente desses prazos, o qual foi analisado na alternativa anterior. Entretanto, as ações que buscam o ressarcimento ao erário de referidos atos de improbidade administrativa são imprescritíveis. O STF possui este entendimento, assim como o STJ: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282 DO STF. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. SANÇÕES. LEI Nº 8.429/97. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. IMPOSSIBILIDADE EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Os requisitos de admissibilidade consistentes na regularidade formal, na impugnação específica das razões recorridas, noprequestionamento e na ofensa direta à Constituição Federal, quando ausentes, conduzem à inadmissão do recurso interposto. 2. O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso extraordinário, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo o óbice da Súmulas 282, verbis: “É inadmissível o o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada.” 3. A controvérsia sobre a aplicação das sanções previstas na Lei nº 8.429/97, cominadas para o ato de improbidade em que incorreu a agravada é de índole infraconstitucional, por isso que eventual ofensa à Constituição deu-se de forma indireta, circunstância que inviabiliza a admissão do recurso extraordinário. Precedentes: RE 540712-AgR-AgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Dje de 13.12.2012; RE 589784-AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes, Dje 17.08.2012; ARE 650204-AgR, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, Dje de 19.06.2012. 4. In casu, o acórdão recorrido originariamente assim decidiu: EMENTA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA Improbidade administrativa- Insurgência contra decisão 42 que recebe a petição inicial e determina a citação dos réus, dentre eles a agravante Alegação de inépcia da petição inicial, violação ao devido processo legal, ao princípio do contraditório e da ampla defesa Descabimento Petição inicial que satisfaz os requisitos do art. 282 do CPC Impossibilidade de análise das questões levantadas, sob pena de supressão de instância Fase processual que possibilita cognição primária e não exauriente da petição inicial e da resposta preliminar Inteligência do art. 17, § 8º, da Lei 8.429/92 Recurso não provido. AÇÃO CIVIL PÚBLICA Improbidade administrativa. Alegação de prescrição. Embora imprescritíveis as ações de ressarcimento contra os agentes públicos que ilicitamente causaram lesão ao patrimônio público (art. 37, § 5º, da CF), verifica-se a ocorrência da prescrição no que tange às sanções previstas na Lei nº 8429/92. Ação proposta após o qüinqüidio do término do exercício do mandato Recurso provido neste ponto. 5. Agravo regimental desprovido. (AI 744973 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 25/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-157 DIVULG 12-08-2013 PUBLIC 13-08-2013) PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. OCORRÊNCIA OU NÃO DE DANO AO ERÁRIO. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO- PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. IMPRESCRITIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. DESCONTOS DE 30% DOS PROVENTOS. IMPENHORABILIDADE. RESP. 1.184.765/PA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Verifica-se que o Tribunal de origem não analisou, ainda que implicitamente, os arts. 21, I, da Lei n. 8.429/92, 1º da Lei n. 4.657/42 e 282, IV, do Código de Processo Civil. Desse modo, impõe-se o não conhecimento do recurso especial por ausência de prequestionamento, entendido como o indispensável exame da questão pela decisão atacada, apto a viabilizar a pretensão recursal. Incidência das Súmulas 282 e 356/STF, por analogia. 43 2. Analisar a ocorrência, ou não, de dano ao erário passa necessariamente pela análise do conjunto probatório dos autos. A pretensão de simples reexame de provas, além de escapar da função constitucional deste Tribunal, encontra óbice na Súmula 7 do STJ, cuja incidência é induvidosa no caso sob exame. 3. O acórdão recorrido encontra-se no mesmo sentido do entendimento desta Corte, qual seja, não há falar em prescrição, pois a pretensão de ressarcimento dos prejuízos causados ao erário é imprescritível, "mesmo se cumulada com a ação de improbidade administrativa (art. 37, § 5º, da CF)" (AREsp 79.268/MS, Rel. Ministra ELIANA CALMON). Precedentes. Súmula 83/STJ. 4. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1.184.765/PA, Rel. Ministro Luiz Fux, sob o regime dos recursos repetitivos, consolidou entendimento segundo o qual, são absolutamente impenhoráveis "os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal". Recurso especial parcialmente provido apenas para afastar o desconto de 30% dos proventos do recorrente. (REsp 1485439/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/04/2015, DJe 20/04/2015) Então, entenda dessa forma: A Ação de Improbidade Administrativa é prescritível, enquanto que a Ação de Ressarcimento decorrente de Atos de Improbidade Administrativa é imprescritível. Finalmente, convém salientar que tal entendimento pode vir a ser modificado em razão da Repercussão Geral reconhecida no RE 852475/SP, cuja ementa segue abaixo: EMENTA: ADMINISTRATIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PRETENSÃO DE RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. PRESCRITIBILIDADE (ART. 37, § 5º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL). REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. 44 1. Possui repercussão geral a controvérsia relativa à prescritibilidade da pretensão de ressarcimento ao erário, em face de agentes públicos, em decorrência de suposto ato de improbidade administrativa. 2. Repercussão geral reconhecida. Portanto, para provas, sigam o entendimento já defendido, mas acompanhem o desenrolar do RE 852475/SP, o qual pode vir a modificar ou ratificar o entendimento. Gabarito alternativa “E” 05. Com base no entendimento jurisprudencial e nas normas atinentes aos concursos públicos, assinale a resposta CORRETA: a) A surdez unilateral configura deficiência para fins de concurso público. b) O candidato pode ser eliminado de concurso público ao realizar exame psicotécnico, mesmo este não sendo previsto em lei. c) O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da administração, caracterizada por comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. d) É constitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido. (SV 43) e) O prazo de validade do concurso público será de até dois anos, vedada sua prorrogação. Comentários 45 A alternativa A está incorreta. O candidato deve ter conhecimento das Súmulas e de sua redação literal. Na presente alternativa, apenas houve a supressão da palavra "não", tornando a alternativa incorreta. O correto está disposto na Súmula nº 552 do STJ: O portador de surdez unilateral NÃO se qualifica como pessoa com deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos. A alternativa B está incorreta. Todos que prestam ou prestaram concursos públicos escutaram que o "edital é a lei do concurso público". Entretanto, deve-se salientar que o edital deve se basear em uma lei, via de regra, aquela atinente aos quadros funcionais do órgão que realiza o concurso. A título de exemplo, a Lei nº 11.415/2006, que dispõe sobre as carreiras dos servidores do Ministério Público da União, fixa os valores de sua remuneração e dá outras providências em nada refere ao exame psicotécnico. Levando em consideraçãotal fato, o edital de concurso para tal carreira até poderia prever que o candidato fosse submetido ao exame psicotécnico, entretanto, este não poderia ser eliminatório, por não ter previsão específica em Lei. Esse é o entendimento da Súmula Vinculante nº 44: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público, que nada mais é do que a conversão da Súmula nº 686 do STF. Tanto é verdade que o Procurador Geral da República, no PLC 26/2016, incluiu o parágrafo único no art. 6º, prevendo a possibilidade de realização de exame psicotécnico, de caráter eliminatório, em seus certames. Portanto, a alternativa está incorreta, eis que em dissonância à Súmula Vinculante nº 44. A alternativa C está CORRETA e é o gabarito da questão. Trata-se de entendimento firmado em sede de Repercussão Geral no RE 837311/PI. Além da importância prática, o presente julgado pode ser cobrado em provas em razão de sua contemporaneidade. A alternativa D está incorreta. Novamente, a leitura das súmulas é importante. A Súmula Vinculante 43 dispõe que é INCONSTITUCIONAL toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso 46 público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido. Nesta alternativa, houve apenas a supressão do sufixo "in", tornando a alternativa incorreta. Mas para efeitos didáticos e históricos, convém relembrar que, antigamente, por exemplo, uma pessoa ingressava no serviço público sem concurso, para o cargo de técnico judiciário e, quando chegasse ao topo da carreira, era "promovido" à carreira inicial de analista judiciário. Também temos casos em que pessoas ingressaram no serviço público, também sem concurso público, como escrivães de polícia e, após certo tempo, tornaram-se Delegados. Os exemplos acima citados são casos de provimentos derivados, espécie vedada pela Constituição Federal, por conta do art. 37, II. Então, para ingressar em determinada carreira, ressalvados os cargos em comissão declarados em lei como de livre nomeação e exoneração, há a necessidade de ser aprovado em concurso de provas ou de provas e títulos. A alternativa E também está incorreta. Trata-se de alternativa que busca seus conhecimentos acerca da letra da lei, em especial, da Constituição Federal/88, que em seu artigo 37, III, assim dispõe: Art. 37. (...) III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período; Apenas para ficar sedimentado, se o concurso possui prazo de validade de 06 (seis) meses, ele só pode ser prorrogado por uma única vez, pelo mesmo período. Então, só poderá ser prorrogado por mais 06 (seis) meses. Logo, a alternativa está incorreta ao afirmar que é vedada a prorrogação do concurso público. Gabarito alternativa “C” 06. Acerca dos atos administrativos, assinale a alternativa CORRETA: a) São elementos dos atos administrativos a competência, finalidade, forma, moralidade, objeto. 47 b) O ato administrativo que contiver vício sanável pode ser convalidado se não trouxer prejuízo a terceiros ou não acarretar lesão ao interesse público. c) A presunção de legitimidade, atributo do ato administrativo, é absoluta. d) A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e vedada, em todos os casos, a apreciação judicial. e) Todo ato administrativo possui como atributo a auto-executoriedade. Comentários A alternativa A está incorreta. Trata-se de questão clássica e que é cobrada em provas diversas vezes e de diversas formas. O examinador, muitas vezes, procura confundir o candidato que, ao não atentar para a leitura da alternativa, acaba assinalando a errada em virtude da redação semelhante. Para tanto, o examinador altera um ou outro elemento do ato administrativo por um princípio, poder ou por um atributo. No presente caso, houve a troca do elemento "motivo", pelo princípio "moralidade", o que torna a alternativa incorreta. Lembre-se, os elementos do ato administrativo são: COmpetência; FInalidade; FOrma; Motivo; e OBjeto. Gravem CO-FI-FO-M-OB como processo mnemônico. A alternativa B está CORRETA e é o gabarito da questão. O ato administrativo, sendo sanável, pode ser convalidado se não for impugnado administrativa e judicialmente, bem como não acarrete prejuízos para terceiros ou lesão ao interesse público. Os julgados abaixo colacionados bem descrevem essa situação: MATÉRIA ADMINISTRATIVA. CONCURSO PÚBLICO. EDITAL. LIMITE DE CLASSIFICADOS. ALTERAÇÕES. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO. ATENDIMENTO. LEI Nº 10.842/2004 E RESOLUÇÃO-TSE Nº 21.832/2004. PUBLICAÇÃO. AUSÊNCIA. PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA. ERRO SANÁVEL. CONVALIDAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. PRAZO DE PRORROGAÇÃO. VALIDADE. ADMINISTRAÇÃO. ATO DISCRICIONÁRIO. MANIFESTAÇÃO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. OBSERVÂNCIA. 1. Em virtude da superveniente 48 necessidade de provimento de cargos, havendo candidatos habilitados oriundos de concurso público, com prazo de validade prorrogado, são válidos os atos de convocação, nomeação e posse de servidores classificados após o limite estabelecido em Edital, para atendimento do interesse público, tendo em vista a conveniência e a oportunidade administrativa, conquanto respeitada a igualdade para todos os candidatos. 2. Mero erro formal importa em vícios sanáveis, os quais não podem sobrepor à realização do interesse público, implicando, para tanto, em convalidação dos respectivos atos administrativos. 3. A plena manifestação do poder discricionário da Administração em autorizar a prorrogação de concurso público, com vistas a atender o interesse público, não pode ser elidida por mero equívoco de publicação posterior, eis que pautada no Princípio da Razoabilidade e da Proporcionalidade. (TRE-CE - 20: 11295 CE, Relator: ANASTÁCIO JORGE MATOS DE SOUSA MARINHO, Data de Julgamento: 15/03/2006, Data de Publicação: DJ - Diário de Justiça, Tomo 55, Data 23/03/2006, Página 131) ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. VÍCIOS NA REALIZAÇÃO DO CERTAME. CONVALIDAÇÃO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. 1. Inexiste violação ao artigo 806 do CPC, pois a ação ordinária foi ajuizada dentro do prazo de 30 dias a que se refere o dispositivo em comento, que somente se inicia com a efetivação da medida. 2. Além de descumprida a exigência de aprovação prévia da banca examinadora pelo Conselho, em violação ao determinado no artigo 6º da Resolução nº 046/CEP, restou demonstrado que os códigos conferidos aos inscritos permitiam a identificação dos candidatos, em ofensa ao princípio da impessoalidade, e que os pontos de avaliação não guardavam relação com a área de prática forense na qual deverão atuar os aprovados nomeados. 3. Um dos requisitos para a convalidação dos atos administrativos é a inexistência de prejuízo para terceiros, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que as irregularidades do certame prejudicaram os demais candidatos que deveriam concorrer em igualdade de condições. 4. Inaplicável a Súmula nº 20 do STF, uma vez que a hipótese dos autos não versa sobre demissão de servidor público, 49 mas sobre anulação de concurso público. 5. Agravo interno prejudicado e agravo de instrumento desprovido. (TRF-2 - AG: 174491 RJ 2009.02.01.003313-0, Relator: Desembargadora Federal SALETE MACCALOZ, Data de Julgamento: 10/06/2009, SÉTIMA TURMA ESPECIALIZADA, Data de Publicação: DJU - Data::07/07/2009 - Página::141) A alternativa C está incorreta. São atributos do ato administrativo: a presunção de legitimidade,imperatividade e autoexecutoriedade. A presunção de legitimidade decorre do princípio da legalidade, por intermédio do qual se presume que os atos praticados pela Administração estejam em consonância com o ordenamento jurídico, sejam legais. Entretanto, essa presunção não é absoluta (juri et de jure), mas sim relativa (juris tantum). Ou seja, referida presunção é válida até que se prove o contrário. Como exemplo prático, convém transcrever o excerto abaixo: ADMINISTRATIVO. PENSÃO MILITAR. FILHA MAIOR. DESCONTO INDEVIDO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. RENÚNCIA EXPRESSA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. 1. O artigo 7º da Lei n. 3.765/60, em sua redação original, conferia às filhas maiores de militar falecido o direito à pensão militar. 2. Posteriormente, com o advento da Medida Provisória n. 2.131/2000, reeditada sob o n. 2.215-10/2001, assegurou-se àqueles que eram militares quando da sua entrada em vigor a manutenção dos benefícios da Lei n. 3.765/60, principalmente no que toca aos seus beneficiários, mediante a contribuição de 1,5%, cuja faculdade para gozo dos benefícios poderia ser renunciada, de forma irrevogável. 3. No caso dos autos, é incontroverso que o militar renunciou ao benefício instituído, ocorrendo, contudo, o desconto do adicional até o advento de sua morte. 4. Expressa a renúncia em requerimento administrativo, seus efeitos são imediatos, pois o equívoco da Administração Pública, ao manter o desconto indevido, não gera ao administrado direito adquirido ao recebimento de pensão em desconformidade com a legalidade, pois poderia tal equívoco ser revisto de ofício, em face do poder de autotutela administrativa, a teor do disposto na Súmula 473/STF. 50 5. Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, cabendo ao interessado a prova de sua nulidade. A mera alegação de que a declaração assinada pelo genitor é nula não é apta a desconstituir o ato administrativo, pois não se pode deduzir, como pretende a autora, que a administração se revestia de dúvida quanto à exegese da norma legal: desoneração da previdência militar (REsp 1183535/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 3/8/2010, DJe 12/8/2010). Recurso especial provido. (REsp 1414043/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) A alternativa D está incorreta. Novamente, deve o candidato tomar cuidado ao analisar as alternativas apresentadas. No presente caso, percebe-se que a alternativa está incorreta, pois há a transcrição quase que literal da Súmula nº 347 do STF, apenas alterando a palavra "ressalvada" para "vedada". A correta grafia da Súmula é a seguinte: Súmula nº 347 do STF - A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e RESSALVADA, em todos os casos, a apreciação judicial. A alternativa E também está incorreta. Os atos administrativos, conforme já citado acima, possuem como atributos a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Entretanto, nem todos os atos administrativos possuem o atributo da autoexecutoriedade, tendo em vista que esta teria que estar prevista em lei ou se tratar de situação de emergência. Exemplo clássico dessa exceção é a multa de trânsito. Gabarito alternativa “B” Direito Civil 07. Considerando o disposto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro no tocante à vigência, aplicação e integração das leis, marque a alternativa CORRETA: 51 a) Toda lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. b) Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 90 dias depois de oficialmente publicada. c) Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. d) A lei com vigência temporária terá vigor até que outra a revogue. e) A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, podendo haver ressalvas quanto ao ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. Comentários A alternativa A está incorreta. Nem toda lei começa a vigorar no país em 45 dias. Há situações em que o legislador entende por bem fixar um prazo diverso para a vigência da lei. O Código Civil de 2002 e o Novo Código de Processo Civil entraram em vigor 01 ano após suas respectivas publicações. Em outros casos, é comum que a vigência da lei ocorra na mesma data de sua publicação, para tanto é preciso que haja determinação expressa no corpo da lei. Por fim, registre-se que o art. 1º da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro assim estabelece: Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. A alternativa B também está incorreta. Aqui bastaria conhecer o texto da lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. O artigo 1º, em seu §1ª estabelece que nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada. Percebe-se que o prazo é fixado em meses, não devendo ser contado em dias, razão pela qual o prazo de 90 dias indicado na questão revela-se equivocado. A alternativa C está CORRETA. É o gabarito da questão. Quando inexiste lei a ser aplicada diretamente ao caso, deve o magistrado se valer de outras fontes do Direito para encontrar a regra que efetivamente deve disciplinar a relação jurídica submetida à sua apreciação, ou seja, para aplicar o Direito (grande desafio do operador do direito). A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro permite a integração na hipótese de lacunas (falta de previsão legal sobre uma matéria). Nos 52 termos do artigo 4o: Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Essas são as fontes supletivas do direito, juntamente, com a DOUTRINA, a JURISPRUDÊNCIA e a EQÜIDADE, que são também métodos de integração da norma jurídica. A alternativa D está incorreta. A lei temporária já nasce com data certa para morrer. O prazo de sua vigência já está assinalado no próprio corpo da lei. Neste caso, sua vigência independe de outra lei que a revogue. O artigo 2º da LINDB assim prescreve: Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. A alternativa E também está incorreta. O artigo 6º da LINDB assegura que a lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. Tal determinação está em consonância com o artigo 5º inciso XXXVI da Constituição Federal que prescreve que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. Gabarito alternativa “C” 08. No tocante à capacidade civil, assinale a alternativa CORRETA: a) São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. b) São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos. c) São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. d) A menoridade cessa aos vinte e um anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. e) São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo. Comentários 53 A alternativaA está CORRETA. É, portanto, o gabarito da questão. Toda pessoa é dotada de personalidade, isto é, tem capacidade para figurar numa relação jurídica. Toda pessoa tem aptidão genérica para adquirir direitos e contrair obrigações. A capacidade é a maior ou menor extensão dos direitos de uma pessoa. É, portanto, a medida da personalidade. A capacidade pode ser de direito ou de gozo: que é a aptidão que todos possuem; ou de fato ou de exercício (também chamada de ação): que é a aptidão para exercer, por si só, os atos da vida civil. A incapacidade é a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil. Sendo ela absoluta, acarreta a proibição total do exercício dos atos da vida civil. Aqui, o ato somente poderá ser praticado pelo representante legal do incapaz, sob pena de nulidade. É o caso dos menores de 16 anos, conforme estabelece o Código Civil de 2002 em seu artigo 3º, caput. As alternativas B e C estão incorretas. A redação anterior do Código Civil indicava como absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; e aqueles que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Os incisos II e III do art. 3º do Código Civil foram revogados pela Lei nº 13.146/2015. Com a alteração legislativa, passou-se a considerar que qualquer causa, em maior ou menor grau, que exclua a ou reduza a expressão da vontade de uma pessoa ocasionará o reconhecimento da incapacidade relativa. Assim, atualmente no ordenamento jurídico brasileiro apenas o menores de 16 anos são tido como absolutamente incapazes. A alternativa D está incorreta. A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil, conforme estabelece o art. 5º do Código Civil de 2002. A idade de 21 anos era prevista no Código Civil de 1916. A alternativa E também está incorreta. A previsão contida no inciso III do artigo 4º do Código Civil foi excluída pela Lei nº 13.146/2015. De outra sorte, a nova redação desse dispositivo (art. 4º, III) passa a arrolar as pessoas que, “por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir vontade” – que antes estava previsto no inciso III do art. 3º como situação típica de incapacidade absoluta. A partir de janeiro de a hipótese é de incapacidade relativa. 54 Os portadores de transtorno mental que sempre foram tratados como incapazes, nos termos da nova lei, serão plenamente capazes para praticar os atos da vida civil. Os arts. 6º e 84, do Estatuto da Pessoa Portadora de Deficiência (Lei nº 13.146/2015), deixam claro que a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, senão vejamos: “Art. 6º. A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa (...) Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas.” Gabarito alternativa “A” 09. Considerando os dispositivos do Código Civil, de qual ato far-se-á a averbação em registro público? Assinale a alternativa CORRETA: a) Os nascimentos, casamentos e óbitos. b) A emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz. c) A interdição por incapacidade absoluta ou relativa. d) A sentença declaratória de ausência e de morte presumida. e) Dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação. Comentários A alternativa A está incorreta. O artigo 9º, inciso I do Código Civil estabelece que os nascimentos, casamentos e óbitos serão registrados em registro público. A alternativa B está incorreta. O artigo 9º, inciso II do Código Civil estabelece que a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz será registrada em registro público. A alternativa C está incorreta. O artigo 9º, inciso III do Código Civil estabelece que a interdição por incapacidade absoluta ou relativa será registrada em registro público. A alternativa D está incorreta. O artigo 9º, inciso IV do Código Civil estabelece que a sentença declaratória de ausência e de morte presumida será registrada em registro público. 55 A alternativa E está correta. É o gabarito da questão. O art. 10, inciso II do Código Civil estabelece que será feita a averbação em registro público dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação. Com o escopo de assegurar direitos de terceiros, o legislador, a fim de obter a publicidade do estado das pessoas, exige inscrição em registro público de determinados atos. A certidão extraída dos livros cartorários fará prova plena e segura do estado das pessoas físicas Assim, preleciona Maria Helena Diniz. Por isso, os nascimentos, casamentos, óbitos, a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz, a interdição por incapacidade absoluta ou relativa e a sentença declaratória de ausência e de morte presumida serão registradas em registro público. Ao lado do registro surge um ato específico — a averbação — ante a necessidade de fazer exarar todos os fatos que venham atingir o estado da pessoa e, consequentemente, o seu registro civil, alterando-o, por modificarem ou extinguirem os dados dele constantes. Percebe-se, então, que a averbação constitui o ato de constar à margem de um assento (registro) um fato ou referência que o altere ou o cancele. Assim, a averbação é ato secundário que altera o teor do registro. Gabarito alternativa “E” Direito Processual Civil 10. A respeito das normas fundamentais do processo civil, assinale a alternativa INCORRETA: a) Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. b) Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. c) A proibição de decisões em face de uma das partes, sem prévia oitiva, não se aplica à tutela provisória de urgência e a determinadas hipóteses de tutela da evidência. 56 d) O juiz pode decidir em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, especialmente se se tratar de matéria sobre a qual deva apreciar de ofício. e) Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público. Comentários A alternativa A está correta. Nos termos do estatuído no art. 8o do CPC/2015, “ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência”. A alternativa B está correta. A assertiva foi extraída especificamente do art. 9º do CPC/2015 que, na esteira do princípio do contraditório, previsto no art. 5º, LV, da CRFB/88, dispôs que “não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida”. Esta é a regra. As exceções são abordadas na alínea seguinte. A alternativa C também está correta. O parágrafo único do supramencionado art. 9º, do CPC/2015 expôs textualmente que a proibição de se proferir decisão contra uma das partes, sem a sua oitiva prévia, não se aplica às tutelas provisórias de urgência, bem como às tutelas de evidência especificadas nos arts. 311, II e III, e 701 do CPC/2015. Nessa linha, consoante o CPC/2015, quando as alegações de fato puderem ser comprovadasapenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante, não haverá necessidade de observar a referida proibição. Da mesma forma, se se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa. Percebe-se, ademais, que os incisos I e V, do art. 311, não foram previstos na exceção estabelecida no art. 9º. Por relevante, impende mencionar que estes são relativos ao abuso do direito de defesa, manifesto propósito protelatório da parte, 57 ou quando a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Nessas últimas hipóteses, será possível decisão sem a prévia oitiva. Por fim, o art. 701 do CPC/2015 predetermina que, sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa. Portanto, resta presente também hipótese de tutela baseada em evidência. A alternativa D está INCORRETA. É o gabarito da questão. A alternativa fez uma afirmação que o atual diploma processual civil rechaça. Frise-se, por oportuno, que o questionamento foi baseado em uma das inovações do CPC/2015, traduzida em seu art. 10, segundo o qual “o juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. O dispositivo ainda será objeto de interpretação pela jurisprudência, mas é importante ter em mente, desde já, o disposto em seu texto. A alternativa E está correta. O enunciado tratou da publicidade dos julgamentos, que já era assente na Carta Magna (art. 93, IX e X), mas foi reafirmado no CPC/2015, em seu art. 11, caput e parágrafo único. Tanto a CRFB/88, quanto o CPC/2015 dispõem que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo ocorrer a limitação de presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. Gabarito alternativa “D” 11. Acerca da revogação das tutelas provisórias, com base na jurisprudência do STJ, marque a alternativa CORRETA: a) O percentual a ser descontado não pode ser superior a 10% sobre o montante total de cada prestação do benefício que vier a ser recebido, até que ocorra a integral compensação, com atualização monetária, da verba que fora antecipada antes da revogação da tutela provisória. 58 b) Ainda que não tenha havido prévio pedido ou reconhecimento judicial da restituição, se a antecipação da tutela anteriormente concedida houver sido revogada em decorrência de sentença de improcedência do seu pedido, é possível que entidades previdenciárias efetuem descontos mensais. c) Em caso de revogação da tutela, incide a responsabilidade processual subjetiva, não bastando a existência do dano decorrente da pretensão deduzida em juízo. d) Independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a tutela de urgência causar à parte adversa, devendo a indenização ser liquidada sempre nos autos em que a medida tiver sido concedida. e) O CPC/2015, diferentemente do anterior, não cuidou da figura do improbus litigator. Comentários A alternativa A está incorreta. Esta questão jurisprudencial tem por foco apenas estimular o candidato a ler semanalmente informativos. Em julgado recentíssimo,2 o Superior Tribunal de Justiça entendeu que, em caso de revogação de tutelas provisórias, “será possível à entidade previdenciária - administradora do plano de benefícios que tenha suportado os prejuízos da tutela antecipada - efetuar descontos mensais no percentual de 10% sobre o montante total de cada prestação do benefício suplementar que vier a ser recebida pelo assistido, até que ocorra a integral compensação, com atualização monetária, da verba que fora antecipada”. A alternativa B está CORRETA. Portanto, é o gabarito da questão. No mesmo precedente, o Tribunal afirmou que a efetivação dos descontos mensais independe de prévio pedido ou de reconhecimento judicial do direito à restituição. Nessa linha, assentou que “em linha de princípio, a obrigação de indenizar o dano causado pela execução de tutela antecipada posteriormente revogada é consequência natural da improcedência do pedido, decorrência ex lege da sentença”. Por isso, “independe de pronunciamento judicial, dispensando também, por lógica, pedido da parte interessada. Com mais razão, essa obrigação também independe de pedido reconvencional ou de ação própria para o acertamento da responsabilidade da parte acerca do dano causado pela execução da medida”. 2 REsp 1.548.749-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 13/4/2016, DJe 6/6/2016 59 A alternativa C está incorreta. A responsabilidade pelo dano é objetiva. Segundo o Superior Tribunal de Justiça, ao tratar da previdência oficial, a Primeira Seção do STJ (REsp 1.384.418-SC, DJe 30/8/2013) entendeu que, “conquanto o recebimento de valores por meio de antecipação dos efeitos da tutela não caracterize, do ponto de vista subjetivo, má-fé por parte do beneficiário da decisão, quanto ao aspecto objetivo, é inviável falar que pode o titular do direito precário pressupor a incorporação irreversível da verba ao seu patrimônio”. Com efeito, “a responsabilidade objetiva pelo dano processual causado por tutela antecipada posteriormente revogada decorre da inexistência do direito anteriormente acautelado”. A alternativa D está incorreta. Nem sempre o dano será liquidado nos próprios autos. O próprio CPC/2015 externa, no art. 302, parágrafo único, que, “independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a tutela de urgência causar à parte adversa, devendo a indenização ser ‘liquidada nos autos em que a medida tiver sido concedida, sempre que possível’”. A alternativa E também está incorreta. O concurseiro tem que ficar atento às expressões constantes da doutrina e da jurisprudência, seja para acertar uma questão objetiva, seja para demonstrar qualidade ao responder questões subjetivas. O STJ utilizou a expressão improbus litigator no precedente supra, ao distinguir o dano processual, que pode decorrer da revogação de tutela antecipada, cautelar e de execuções provisórias, das situações de malícia e temeridade, senão vejamos: “De fato, a sistemática adotada pelos dispositivos da legislação processual civil que visam combater o dano processual - relacionados à tutela antecipada, à tutela cautelar e à execução provisória - inspira-se, conforme entendimento doutrinário, em princípios diversos daqueles que norteiam as demais disposições processuais, as quais buscam reprimir as condutas maliciosas e temerárias das partes no trato com o processo, o chamado improbus litigator.” Gabarito alternativa “B” 12. A respeito do amicus curiae, assinale a alternativa INCORRETA: a) O amicus curiae foi consagrado pela jurisprudência pátria, mas o legislador perdeu uma excelente oportunidade de regular expressamente o assunto, notadamente com o advento do NCPC. 60 b) O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto dademanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. c) O juiz ou relator poderá agir de ofício ou a requerimento das partes ou de qualquer pessoa que pretenda manifestar-se, para fins de admissão do amicus curiae. d) O amicus curiae não poderá interpor recursos, salvo embargos de declaração ou para recorrer de decisão que julga o incidente de resolução de demandas repetitivas. e) Sempre que solicitada ou admitida a intervenção de amicus curiae, o juiz ou o relator deverá definir, na própria decisão, os poderes respectivos. Comentários A alternativa A está INCORRETA. É o gabarito da questão A assertiva incorre em erro. O CPC/2015 expressamente tratou da figura do amicus curiae, conforme será demonstrado a seguir. A alternativa B está correta. Nos termos do art. 138 do Diploma Processual, “O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar- se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação”. A alternativa C está correta. Ainda na esteira do dispositivo enfatizado, tanto o juiz como o relator poderão agir de ofício ou a requerimento das partes ou de qualquer pessoa. Há que se ter atenção, vez que o CPC utilizou a expressão “qualquer”. A alternativa D está correta. A assertiva é verdadeira, pois o art. 138, parágrafos 1º e 3º, do CPC expressam que a intervenção não autoriza a interposição de recursos, ressalvada a oposição de embargos de declaração e, além disso, para fins de recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas. 61 A alternativa E também está correta. A alternativa revela correção, em decorrência de expressa previsão legal no sentido de que, com espeque no art. 138, parágrafo, 2º, do Codex, “Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae”. Gabarito alternativa “A” Direito Penal 13. Com relação aos princípios do Direito Penal, assinale a opção CORRETA: a) O princípio da insignificância permite que condutas que não sejam capazes de lesar ou no mínimo colocar em perigo o bem jurídico não sejam objeto de atuação penal pelo Estado. Tal princípio exclui a culpabilidade do agente. b) O Direito Penal moderno é o direito da culpa, pois nenhum resultado penalmente relevante pode ser atribuído a quem não o tenha produzido por dolo ou culpa. Com isso, pode-se afirmar que o ordenamento jurídico pátrio adotou o princípio da responsabilidade penal objetiva. c) Para o princípio da lesividade não há infração penal quando a conduta não tiver oferecido pelo menos perigo de lesão ao bem jurídico. Tal princípio delimita o Direito penal tanto no nível legislativo quanto no jurisdicional. d) O ordenamento jurídico pátrio adota o princípio da responsabilidade pelo fato no âmbito legislativo, pois os tipos penais devem definir fatos. Por outro lado, no plano jurisdicional, adota-se o direito penal do autor na dosimetria da pena. e) Na aplicação do princípio da insignificância, o julgador deve analisar aspectos puramente patrimoniais, não devendo levar em consideração outros elementos. Comentários A alternativa A está incorreta. A natureza jurídica do princípio da insignificância é de causa supralegal de exclusão da tipicidade material. Memorize isso, pois cai muito em prova. Supralegal porque tal princípio não está positivado. Exclui a tipicidade material porque não reconhece que o bem jurídico tenha sofrido lesão ou perigo de lesão. Porém, a conduta continua formalmente típica, tendo em vista que a tipicidade formal está relacionada à pura e simples subsunção da norma. 62 A alternativa B também está incorreta. Como se tem que valorar a culpa, o ordenamento jurídico pátrio adota o princípio da responsabilidade penal subjetiva e não objetiva. Tal regra está disposta no artigo 19 do Código Penal, vejamos: “Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente”. A alternativa C está CORRETA e é o gabarito da questão. A alternativa D está incorreta, pois o princípio da responsabilidade pelo fato é adotado tanto na esfera legislativa quanto jurisdicional, onde o agente poderá ser condenado pela prática de um fato típico e ilícito e não por suas características pessoais. Assim, é incorreto o item, pois considera a adoção do direito penal do autor no plano jurisdicional. Entendimento diverso nos levaria para o campo do Direito Penal do Inimigo, o qual criminaliza por questões pessoais. A alternativa E está incorreta. A aplicação do princípio da insignificância se dá diante da análise das circunstâncias do caso concreto. A jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal elenca quatro requisitos objetivos para a aplicação do princípio. Parte da jurisprudência também os chama de vetores. São eles: 1) mínima ofensividade da conduta: se o agente é criminoso habitual, não há insignificância; 2) ausência de periculosidade social da ação; 3) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e 4) inexpressividade da lesão jurídica provocada, momento em que deve ser considerado não apenas o valor econômico do bem, mas também o valor sentimental do bem para a vítima. Vê-se, portanto, que a assertiva está errada. Gabarito alternativa “C” 14. A respeito da tentativa, considere a seguinte afirmativa: “Carlos, com a arma carregada, dispara duas vezes contra Horácio com a intenção de matá-lo. Porém, erra os disparos”. I. Trata-se de tentativa cruenta, pois o Horácio não foi atingido. II. Caracteriza a tentativa perfeita, pois Carlos errou os disparos. 63 III. O Código Penal adotou a teoria objetiva, motivo pelo qual a pena da tentativa deve ser correspondente ao crime consumado, diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços). Está correto o que consta APENAS em: a) I e II. b) II e III. c) I, II e III. d) II. e) III. Comentários A alternativa A está incorreta, visto que os itens I e II estão incorretos. Com relação ao item I, a situação descrita na questão nos mostra que o objeto material não foi atingido, ou seja, Horácio não levou nenhum dos dois tiros disparados por Carlos. Isso caracteriza a tentativa incruenta ou branca, que é o erro da questão. Na tentativa cruenta ou vermelha o objeto material é alcançado pela atuação do agente. No que tange ao item II, a tentativa perfeita não se relaciona com a exposição do objeto material à lesão ou perigo de lesão. Ela se refere ao uso dos meios executórios. Assim, a tentativa será perfeita se o agente esgotar todos os meios executórios disponíveis e não consumar o crime por circunstâncias alheias a sua vontade. Será, por sua vez, imperfeita ou inacabada se a circunstância alheia que impede sua consumação ocorrer antes que os meios executórios se esgotem. Observem que a questão traz a informação de que a arma estava carregada, e Carlos disparou dois tiros, o que mostra que ocorreu uma tentativa imperfeita. A tentativa perfeita também é chamada de crime falho. A alternativa B está incorreta. Embora o item III esteja correto, visto que a teoria objetiva determina que a tentativa é punida de acordo com o perigo proporcionado ao bem jurídico protegido pela lei penal, apesar de o dolo ser o mesmo do crime consumado. Como o dolo é o mesmo, diz-se que a consumação e a tentativasão subjetivamente completas. O fundamento da questão está no artigo 14, parágrafo único do Código Penal, o qual diz: “Salvo disposição em contrário, pune-se a 64 tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços”. O item II está incorreto, pelas razões acima enumeradas. A alternativa C está incorreta, conforme dito acima, os itens I e II estão incorretos, estando apenas o item III correto. A alternativa D está incorreta, visto que, conforme já dito, a tentativa perfeita não se relaciona com a exposição do objeto material a lesão ou perigo de lesão. Ela se refere ao uso dos meios executórios. A alternativa E está CORRETA. É, portanto, o gabarito da questão. Consoante já assentado em comentário anterior, a teoria objetiva determina que tentativa é punida de acordo com o perigo proporcionado ao bem jurídico protegido pela lei penal, apesar de o dolo ser o mesmo do crime consumado. Como o dolo é o mesmo, diz-se que a consumação e a tentativa são subjetivamente completas. O fundamento da questão está no artigo 14, parágrafo único do Código Penal, o qual diz: “Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços”. Gabarito alternativa “E” 15. Segundo entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, assinale a assertiva CORRETA quanto aos crimes contra a Administração Pública: a) No crime de concussão a situação de flagrante delito se configura no momento da entrega da vantagem indevida. b) O delito de descaminho é crime de natureza material e a ele se aplica a Súmula Vinculante nº 24. c) Ao crime de contrabando se aplica o princípio da insignificância. d) O crime de denunciação caluniosa admite o dolo eventual. e) Importação de arma de ar comprimido configura crime de contrabando. Comentários A alternativa A está incorreta. No crime de concussão, a situação de flagrante delito se configura no momento da exigência da vantagem indevida, pois a concussão é crime formal, consumando-se no momento da exigência e não da entrega. E o que 65 seria a entrega da vantagem indevida? Trata-se de mero exaurimento, pois o crime se consumou antes, quando da exigência. A alternativa B está incorreta. O Superior Tribunal de Justiça entende que o crime de descaminho é crime tributário de natureza formal. Com isso, para que seja proposta a ação penal por crime de descaminho, não é necessário a prévia constituição definitiva do crédito tributário, motivo pelo qual não se aplica a Súmula Vinculante nº 24. Mais uma dica: algumas provas de analista têm também questões discursivas. Quando você for se remeter a alguma Súmula Vinculante, não é adequado dizer “súmula vinculante nº 24 do Supremo Tribunal Federal”, pois não há súmulas vinculantes de outra fonte. A alternativa C está incorreta. O princípio da insignificância não se aplica ao crime de contrabando, pois não se pode entende como insignificante a entrada ou saída ilícita do território nacional de produto proibido pelas autoridades brasileiras. A alternativa D também está incorreta. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, para a configuração do crime de denunciação caluniosa é exigido o dolo direto, ou seja, que o agente saiba que a pessoa é inocente, sendo necessário comprovar sua má-fé de atribuir fato criminoso a pessoa sabidamente inocente. A alternativa E está CORRETA. É o gabarito da questão. Embora não haja proibição absoluta de entrada no território nacional de arma de pressão, há inequívoca proibição relativa, haja vista se tratar de produto que se submete à rigorosa normatização federal de controle de comercialização e importação, motivo pelo qual configura contrabando a entrada ilícita em território nacional, sendo a resposta correta. Gabarito alternativa “E” Direito Processual Penal 16. A Lei nº 13.257/2016 introduziu novas hipóteses de prisão domiciliar. Com relação a essas alterações, assinale a alternativa CORRETA: a) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar com relação a GESTANTE independente do tempo de gestação e de sua situação de saúde. b) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar para MULHER que tenha filho menor de 18 anos. 66 c) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar para HOMEM que seja o único responsável pelos cuidados do filho menor de 18 anos. d) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar com relação a GESTANTE a partir do 6º mês de gestação. e) A nova lei trouxe nova hipótese de prisão domiciliar com relação a GESTANTE a partir do 8º mês de gestação. Comentários A alternativa A está CORRETA. É o gabarito da questão. Conforme inovação legislativa inserida em nosso ordenamento por meio da Lei nº 13.257/2016, o inciso IV, do artigo 318, passou a dizer que: Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: (...) IV – gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016) Agora, basta que a investigada ou ré esteja grávida para ter direito à prisão domiciliar. Não mais se exige tempo mínimo de gravidez nem que haja risco à saúde da mulher ou do feto. A alternativa B está incorreta. A nova hipótese que a lei trouxe, de prisão domiciliar, é para MULHER que tenha filho menor de 12 anos, conforme inciso V, do artigo 318, do CPP. A alternativa C está incorreta. A nova hipótese que a lei trouxe, de prisão domiciliar, é para HOMEM que seja o único responsável pelos cuidados do filho menor de 12 anos. A alternativa D está incorreta. A nova hipótese que a lei trouxe, de prisão domiciliar, não mais exige tempo mínimo de gravidez nem que haja risco à saúde da mulher ou do feto. A alternativa E também está incorreta. A nova hipótese que a lei trouxe, de prisão domiciliar, não mais exige tempo mínimo de gravidez nem que haja risco à saúde da mulher ou do feto. Gabarito alternativa “A” 67 17. Com relação a Lei nº 13.285/2016, que acrescentou o art. 394-A ao Código de Processo Penal, conferindo prioridade a processos que julgam a prática de certos crimes, podemos afirmar que: a) Os processos que apurem a prática de crime contra administração pública terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. b) Os processos que apurem a prática de crime contra o meio ambiente terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. c) Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. d) Os processos que apurem a prática de crime contra as telecomunicações terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. e) Os processos que apurem a prática de crime previstos na Lei de Segurança Nacional terão prioridade de tramitação em todas as instâncias, durante o período das Olímpiadas. Comentários A alternativa A está incorreta. Embora os crimes contra Administração Pública estejam no foco das atenções, inclusive, com projeto de lei para tornar a prática da corrupção crime hediondo, a Lei nº 13.385/2016 não trata disso. A alternativa B está incorreta. Nada obstante a importância desse bem de natureza difusa, que é o meio ambiente. A Lei nº 13.385/2016 não introduziu nenhum tipo de prioridade no que diz respeito aos procedimentos para apurar e responsabilizar eventuais criminosos pela prática de crimes contra o meio ambiente. A alternativa C está CORRETA. E é o gabarito da questão. Essa é a redação do artigo 2º, da Lei nº 13.385/2016 que acrescentou ao Código Penal, o artigo 349-A: “Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de tramitação em todas as instâncias.” A alternativa D está incorreta. O procedimento de apuração de crimes contra telecomunicaçõesnão goza de nenhum tipo de prioridade processual em seu processamento e julgamento. 68 A alternativa E também está incorreta. Não há nenhuma Lei, tampouco houve qualquer alteração na Lei de Segurança Nacional, que tenha conferido prioridade de tramitação em todas as instâncias, durante o período das Olímpiadas, em razão de crimes previstos naquela lei. Gabarito alternativa “C” Direito Eleitoral 18. Com relação ao conceito, objeto e fontes do Direito Eleitoral, assinale a opção INCORRETA: a) A competência para legislar sobre direito eleitoral é privativa da União. b) A competência da União para legislar sobre normas gerais de direito eleitoral não exclui a competência suplementar dos Estados. c) São fontes do direito eleitoral a Constituição da República, o Código Eleitoral (Lei nº 4.737/65), a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97), a Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95), a Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar nº 64/90) e as Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. d) O Poder Constituinte Originário diz que a soberania popular será exercida pelo voto secreto e direto, com valor igual para todos, pelo sufrágio universal e, nos termos da lei, mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular de projeto de lei. e) Em que pese ser de competência da União legislar sobre direito eleitoral, o Presidente da República, em caso de relevância e urgência, não poderá editar medida provisória sobre assunto que trate de cidadania, partidos políticos e direito eleitoral por expressa vedação constitucional. Comentários A alternativa A está correta. Trata-se de reprodução do art. 22, inciso I, da Constituição Federal. Lembre-se que só a União pode legislar sobre direito eleitoral. Entretanto, Lei Complementar poderá autorizar os Estados a legislarem sobre alguma questão específica de direito eleitoral (art. 22, p. único, CF/88). Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: 69 I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (...) Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. Importante que você tenha muita atenção quanto ao que pede o enunciado. No caso, a questão quer como gabarito o item errado. A alternativa B está INCORRETA e é o gabarito da questão. A questão tentou induzir o candidato a erro, isso porque, quando a Constituição fala que a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados, ela, a Constituição, está tratando das matérias cuja competência legislativa é concorrente, e não das competências privativas. Assim, como a competência para legislar sobre direito eleitoral é privativa da União, e não concorrente, a questão está errada. Para fixar, veja os textos da CF/88: Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: (...) § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. A alternativa C está correta. Segundo José Jairo Gomes (Direito Eleitoral, 2016), “a palavra fonte designa o local onde algo é produzido, indicando, portanto, sua procedência, sua origem. Nesse sentido, por exemplo, significa a nascente, o olho ou a mina d’água. Na doutrina jurídica, expressa a origem ou o fundamento do direito”. De fato, todas normas citadas são fontes do direito eleitoral e serão estudadas, sendo que, no caso das Resoluções do TSE, a mais importante é a Resolução nº 21.538/03. A intenção deste item foi familiarizá-los com as principais normas que trataremos ao longo das rodadas. A alternativa D está correta. Trata-se de reprodução do art. 14 da Constituição. A maioria das questões de direito eleitoral são extraídas dos textos de lei (em sentido 70 amplo). Entendam que isso ocorre com a grande maioria dos concursos. Para se ter uma ideia, esse artigo já foi cobrado em sua literalidade na primeira fase do 20º concurso para Procurador da República. Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular. A alternativa E também está correta. A Constituição Federal veda expressamente a edição de medidas provisórias sobre assuntos ligados à cidadania, partidos políticos e direito eleitoral. E mais: também veda a edição quando tratar sobre nacionalidade e direitos políticos. É o que prescreve o art. 62, §1º, I, a, da Constituição: Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Gabarito alternativa “B” 19. Sobre o princípio da anualidade eleitoral, marque a alternativa CORRETA: a) O princípio da anualidade eleitoral, em que pese ter ampla aplicação, não incide quando se tratar de emendas ao texto constitucional. b) A lei que altera o processo eleitoral entra em vigor na data de sua publicação, tendo aplicabilidade imediata. c) Por ser um princípio constitucional, a anualidade eleitoral, para sua aplicação, dependerá sempre da ponderação. d) A Lei nº 13.165, publicada em 29 de setembro de 2015, por alterar o processo eleitoral no ano anterior às eleições, não se aplicará às eleições do ano de 2016, em 71 respeito ao princípio da anualidade ou anterioridade, previsto no art. 16 da Constituição. e) As decisões do TSE que, no curso do pleito eleitoral (ou logo após o seu encerramento), implicarem mudança de jurisprudência não têm aplicabilidade imediata ao caso concreto e somente terão eficácia sobre outros casos no pleito eleitoral posterior. Comentários A alternativa A está incorreta. O STF já teve oportunidade de se manifestar sobre o assunto quando da análise da ADI nº 3.685, que tratava da aplicação da Emenda Constitucional nº 52 (verticalização das coligações partidárias – estudaremos em rodada futura) às eleições que ocorreriam em menos de 12 meses. Decidiu o STF que o princípio da anualidade eleitoral, previsto no art. 16 da Constituição, se aplica inclusive para emendas constitucionais, vejamos: Enquanto o art. 150, III, b, da CF encerra garantia individual do contribuinte (ADI 939, rel. min. Sydney Sanches, DJ de 18-3-1994), o art. 16 representa garantia individual do cidadão-eleitor, detentor originário do poder exercido pelos representantes eleitos e ‘a quem assiste o direito de receber, do Estado, o necessário grau de segurança e de certeza jurídicas contra alterações abruptas das regras inerentes à disputa eleitoral’ (ADI 3.345, rel. min. Celso de Mello). Além de o referido princípio conter, em si mesmo, elementos que o caracterizam como uma garantia fundamental oponível até mesmo à atividade do legislador constituinte derivado, nos termos dos arts. 5º, § 2º, e 60, §4º, IV, a burla ao que contido no art. 16 ainda afronta os direitos individuais da segurança jurídica (CF, art. 5º, caput) e do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). A alternativa B está incorreta. Lei que altera o processo eleitoral entra em vigor na data de sua publicação, mas não se aplica imediatamente, apenas às eleições que ocorram após um ano de sua vigência. Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 1993) A alternativa C está incorreta. Realmente, a anualidade ou anterioridade é um princípio constitucional eleitoral. Entretanto, para sua incidência, não é necessário 72 utilizar a ponderação de valores, bastando apenas o transcurso do prazo de um ano contado da vigência da lei que altere o processo eleitoral. A alternativa D está incorreta. Esse tipo de questão pode cair em sua prova, mas ela deverá indicar a data de publicação da lei. Antes de responder à questão, o candidato deveria saber que as eleições ordinárias, no Brasil, ocorrem sempre no primeiro domingo do mês de outubro de anos pares (arts. 28, 29, II, e 77 da CF/88). Assim, como a lei foi publicada em setembro de 2015 e as eleições ocorrerão em outubro de 2016, o prazo de um ano da data do pleito terá sido respeitado. Conclui- se, pois, que a referida Lei nº 13.165/2015, que promoveu uma minirreforma eleitoral, será aplicável às eleições de 2016. A alternativa E está CORRETA e é o gabarito da questão. O STF, no RE nº 637.485/RJ, decidiu que mudanças na jurisprudência do TSE também devem respeito ao princípio da anualidade, sendo que este item da questão foi retirado de excerto do Acórdão do mencionado RE nº 637.485/RJ, cujo trecho abaixo retrata bem o sentido: Mudanças radicais na interpretação da Constituição devem ser acompanhadas da devida e cuidadosa reflexão sobre suas consequências, tendo em vista o postulado da segurança jurídica. Não só a Corte Constitucional, mas também o Tribunal que exerce o papel de órgão de cúpula da Justiça Eleitoral devem adotar tais cautelas por ocasião das chamadas viragens jurisprudenciais na interpretação dos preceitos constitucionais que dizem respeito aos direitos políticos e ao processo eleitoral. Não se pode deixar de considerar o peculiar caráter normativo dos atos judiciais emanados do Tribunal Superior Eleitoral, que regem todo o processo eleitoral. Mudanças na jurisprudência eleitoral, portanto, têm efeitos normativos diretos sobre os pleitos eleitorais, com sérias repercussões sobre os direitos fundamentais dos cidadãos (eleitores e candidatos) e partidos políticos. Gabarito alternativa “E” 20. No que pertine aos sistemas eleitorais, marque a alternativa CORRETA: a) O sistema eleitoral proporcional é aplicável às eleições do poder legislativo, enquanto que o sistema majoritário é aplicável às eleições do poder executivo. b) Para os cargos de Prefeito, Governador e Presidente, sempre é exigida maioria absoluta dos votos válidos para que seja considerado vencedor um dos candidatos. 73 c) Nos municípios com mais de 200 mil habitantes, aplica-se, para a eleição de Prefeito, o sistema majoritário absoluto. d) O Brasil adota o sistema eleitoral proporcional de listas abertas. e) O Brasil adota o sistema eleitoral proporcional de listas fechadas. Comentários A alternativa A está incorreta. O erro da questão é singelo. Na verdade, aos cargos de Senador aplica-se o sistema eleitoral majoritário, e não proporcional. Assim, todos do legislativo, exceto Senador, estão sujeitos ao sistema proporcional. A alternativa B está incorreta. O erro da questão está em dizer que o cargo de Prefeito sempre exige maioria absoluta dos votos válidos. Em verdade, apenas nos Municípios com mais de 200 mil eleitores existe tal exigência, sendo que nos demais (menos de 200 mil eleitores) basta a maioria simples (ser o mais votado entre os concorrentes, ainda que não tenha a maioria absoluta). A alternativa C está incorreta. Preste atenção no enunciado, pois ele fala em habitantes, quando a constituição menciona eleitores. Assim, um município pode ter 300 mil habitantes, mas apenas 150 mil eleitores, sendo este o motivo do erro da questão. Veja o art. 29, II, da CF/88: II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil eleitores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de1997) A alternativa D está CORRETA e é o gabarito da questão. A alternativa E está incorreta. No sistema de lista aberta, o partido político ou coligação escolhe quais de seus filiados poderão disputar as eleições. A partir desse momento cabe ao eleitor escolher em qual daqueles candidatos irá votar, de modo que votará no candidato que quiser. Já no sistema de lista fechada, o partido escolhe quais candidatos disputarão a eleição e mais, colocarão eles em uma lista de prioridades. Assim, o partido diz que o candidato X é o primeiro da lista, o Y é o segundo, e assim sucessivamente. Durante a votação o eleitor escolhe apenas o partido que quer votar. Ao apurar os votos, será divulgado quantos candidatos aquele partido elegeu, sendo que os primeiros candidatos escolhidos pelo partido 74 previamente é que serão diplomados. Em outras palavras, no sistema de lista fechada, o partido tem grande peso na escolha do eleitor, pois quem receberá os votos é o partido. Quanto mais votos o partido conseguir, mais candidatos seus ele conseguirá eleger, entretanto, a ordem de diplomação será aquela escolhida pelo partido previamente. Gabarito alternativa “D” Direito do Trabalho 21. A Lei Complementar nº 150, publicada no Diário Oficial da União em 2.6.2015, conhecida como “Nova Lei dos Domésticos”, trouxe estrutura normativa ao contrato de trabalho doméstico, inclusive, consagrando direitos antes controversos em sede doutrinária e jurisprudencial. Em relação aos direitos garantidos aos empregados domésticos, assinale a alternativa CORRETA: a) É lícita a contratação de empregado doméstico por prazo determinado, contudo, tal modalidade é restrita ao contrato de experiência, que não poderá ultrapassar 90 (noventa) dias, admitida uma única prorrogação dentro desse período. b) Faculta-se ao empregador e empregado domésticos, mediante acordo escrito, estabelecerem horário de trabalho de 12 (doze) horas seguidas por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. c) É obrigatória a concessão de intervalo para repouso ou alimentação ao empregado doméstico pelo período de 1 (uma) hora, não sendo possível sua redução sob qualquer hipótese. d) Conforme expressamente disposto na LC nº 150/2015, no caso de despedida do empregado doméstico sem justa causa, ou por culpa do empregador, deverá este depositar, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. e) O empregado doméstico não pode ser contratado em regime de tempo parcial, por expressa previsão legal. 75 Comentários A alternativa A está incorreta. Conforme explicitado no art. 4º da Lei Complementar em questão, “é facultada a contratação, por prazo determinado, do empregado doméstico: I - mediante contrato de experiência; II - para atender necessidades familiares de natureza transitória e para substituição temporária de empregado doméstico com contrato de trabalhointerrompido ou suspenso”. Já o prazo máximo do contrato de experiência é de 90 dias, permitida uma única prorrogação dentro do período. A alternativa B está CORRETA. Portanto, é o gabarito da questão. Eis o teor do art. 10, caput da Lei Complementar em questão: Art. 10. É facultado às partes, mediante acordo escrito entre essas, estabelecer horário de trabalho de 12 (doze) horas seguidas por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. A doutrina alude à jornada 12 por 36 como uma modalidade de compensação de jornada onde o empregado trabalha além das 8 horas permitidas, ficando 12 horas prestando serviços. Por outro lado, goza de um descanso bastante prolongado de 36 horas consecutivas. Importante frisar que esse regime 12 por 36 é admitido apenas excepcionalmente, por exemplo, nas atividades de vigilância e na área hospitalar. Aliás, para que seja válido, é necessário que tenha previsão em lei ou em instrumento coletivo (convenção ou acordo coletivo). O fundamento básico para admitir esse sistema consiste na flexibilização da jornada, via compensação, e na força normativa dada aos acordos e convenções coletivas, conforme artigo 7, XXVI e artigo 8, VI, ambos da CF/88 (MIESSA, Élisson; CORREA, Henrique. Súmulas e Orientações jurisprudenciais do TST. 5.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2015, p. 245.). Como se vê, a implementação da jornada conhecida como “12 por 36” (turnos ininterruptos de revezamento), em relação aos empregados domésticos, demanda menos formalidades em relação à implementação nos contratos regidos pela CLT, na medida em que basta a firmação de acordo escrito entre as partes no primeiro caso. A alternativa C está incorreta. Estabelece o art. 13, caput, da LC nº 150/2015, que é obrigatória a concessão de intervalo para repouso ou alimentação pelo período 76 de, no mínimo, 1 (uma) hora e, no máximo, 2 (duas) horas, admitindo-se, mediante prévio acordo escrito entre empregador e empregado, sua redução a 30 (trinta) minutos”. Também no tocante à redução do intervalo intrajornada, nota-se maior flexibilidade de regras na Nova Lei dos Domésticos em relação aos empregados regidos pela CLT, onde exige-se intervenção do Ministério do Trabalho e Emprego, no caso de o empregador oferecer refeitórios, por exemplo, ou, ainda, acordo ou convenção coletiva, conforme Súmula nº 437, II, TST. A alternativa D está incorreta. No caso de despedida sem justo motivo, ou por culpa do empregador, não é devida a multa de 40% sobre os depósitos fundiários. Como alternativa, estabelece o art. 22 da Lei nº 150/2015 que “o empregador doméstico depositará a importância de 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento) sobre a remuneração devida, no mês anterior (...)”. Esses depósitos devem ser feitos pelo empregador doméstico na conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço do empregador, servindo de indenização compensatória para os casos de dispensa sem justo motivo, conforme citado. A alternativa E também está incorreta. É expressamente permitida a contratação em regime de tempo parcial, cuja jornada semanal máxima será de 25 horas. O art. 3º da Lei Complementar explicita o regramento do trabalho em tempo parcial. No caput, há expressa possibilidade de contratação mediante o regime em comento, e regra que merece destaque consta do parágrafo 2º do mesmo artigo, na medida em que possibilita a realização de horas extras, em número não excedente a uma hora diária. Tal dispositivo excepciona-se em relação ao regramento do trabalho em regime de tempo parcial previsto na CLT, que proíbe expressamente a realização de trabalho extraordinário, conforme disposto no art. 59 e parágrafos da norma consolidada. Gabarito alternativa “B” 22. O amplo conceito de empregador possui peculiaridades no que toca, especialmente, ao conceito e enquadramento de grupos econômicos. Em relação às disposições que regem o grupo econômico, assinale a alternativa CORRETA: a) Ao empregado que presta serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, ainda que em turnos distintos em cada das empresas do grupo, é garantido o direito de celebração de contratos 77 de trabalhos diferentes, a serem firmados com cada das empresas que utilizem de sua força de trabalho. b) Conforme entendimento sumulado do TST, o empregado de grupo econômico, preenchidos os requisitos da CLT, pode pedir equiparação salarial a empregado de outra empresa integrante do mesmo grupo, indicando-o como paradigma. c) Embora a Lei nº 5.889/73, que estatui normas reguladoras do trabalho rural, preveja que a CLT se aplica às relações de trabalho rurais, demonstra-se incompatível, por conta da natureza das atividades, a aplicação das regras concernentes ao grupo econômico, não havendo previsão na lei especial a tal instituto. d) O reconhecimento da existência de grupo econômico tão somente na fase de execução é permitido, diante das provas carreadas aos autos, não havendo necessidade de o reclamante indicar, na reclamatória trabalhista, todas as empresas cujo grupo econômico pugna pelo reconhecimento. e) Conforme previsão celetista, no caso de reconhecimento de grupo econômico entre empresas diversas, com personalidade jurídica distinta, inclusive explorando atividades econômicas diferentes, as empresas que vierem a ser reconhecidas como do grupo econômico responderão pelos débitos trabalhistas da empresa principal, de forma subsidiária. Comentários A alternativa A está incorreta. A Súmula nº 129 do TST estabelece que “a prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário”. Portanto, a regra é a existência de apenas um contrato de trabalho, sendo o ajuste para firmação de mais de um contrato, pois, exceção. Nesse sentido, pontua o professor Henrique Correia que “se o empregado for contratado por uma das empresas, mas seu trabalho estiver sendo aproveitado pelas demais, por exemplo, no período da manhã trabalha para empresa A, e, à tarde, presta serviços para a empresa B, do mesmo grupo, terá um único contrato de trabalho, ou seja, sua carteira de trabalho não será assinada pelas duas empregadoras, mas apenas uma delas. Assim sendo, mesmo prestando serviços 78 para duas empresas, a jurisprudência do TST tem entendido tratar-se de empregador único, ou seja, o grupo é o empregador” (CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho para os concursos de analista do TRT e MPU. Salvador: Ed. Juspodivm, 2016, p. 168). A alternativa B está incorreta. Embora doutrina e jurisprudência caminhem no sentido de admitir a equiparação salarial entre empregados do mesmo grupo econômico, o tema não está pacificado, não havendo, pois, qualquer enunciado ou orientação jurisprudencial nesse sentido. Destarte, em provas objetivas de primeira fase, mostra-se de bom alvitre ao candidato, diante de assertiva como a proposta, marcá-la como incorreta, caso a menção seja à jurisprudência sumulada. A alternativa C também está incorreta. Com efeito, a lei que trata das relações trabalho rural, Lei nº 5.889/73, possui disposições expressas no tocante à possibilidade de reconhecimento de grupo econômico, conforme previsão do seu art. 2, §3º: “§ 2º Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico ou financeiro rural, serão responsáveis solidariamente nas obrigações decorrentes da relação de emprego.” A alternativa D está CORRETA. E é o gabarito da questão.De fato, até o cancelamento da Súmula nº 205, do TST, por meio da Resolução nº 121/2003, somente poderia ser executada solidariamente, em sede de execução, reclamadas integrantes do grupo econômico que houvessem participado da relação processual e constassem do título executivo judicial. Tratava-se de inegável violação ao direito constitucional de ação, não sendo razoável exigir-se do obreiro que conheça, de antemão, blocos de empresas dos mais diversos tipos de modelo, o nome e funcionamento de cada delas. Muitos Tribunais Regionais possuem súmulas no sentido da assertiva correta. A alternativa E está incorreta. A responsabilidade é solidária no caso de reconhecimento de grupo econômico, e não subsidiária, como constou na alternativa. Nesse sentido, “Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, 79 solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas” (art. 2º, §2º, CLT). Gabarito alternativa “D” Direito Processual do Trabalho 23. No tocante à sistemática recursal no processo do trabalho, aponte a alternativa CORRETA: a) O recurso ordinário possui efeito obstativo, devolutivo e suspensivo, sendo certo que, na Justiça Especializada, não há que se falar, sob qualquer hipótese, em recurso sem efeito suspensivo. b) No processo do trabalho, em regra, as decisões interlocutórias não comportam recurso imediato, nos termos do art. 893, §1º, da CLT. Contudo, excepcionalmente, as decisões interlocutórias podem ensejar recurso imediato, como nas hipóteses de decisão: a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho; b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal; c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com remessa dos autos para Tribunal Regional distinto daquele a que se se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da CLT. c) Uma peculiaridade dos recursos na seara trabalhista é a uniformidade de prazos: 08 dias. d) O recurso interposto antes da intimação oficial acarreta em intempestividade, conforme previsão expressa da Súmula nº 434, do TST. e) Conforme entendimento sumulado do TST, tanto a massa falida quanto a empresa em liquidação extrajudicial são dispensadas de preparo, vale dizer, das custas e depósito recursal. Comentários A alternativa A está incorreta. O recurso ordinário possui efeito obstativo, na medida em que obsta, impede o trânsito em julgado da ação, desde que interposto regularmente. O efeito devolutivo também é próprio do recurso que ataca sentença de mérito. Contudo, a despeito de, em regra, o recurso ordinário não ter efeito 80 suspensivo, conforme inteligência do art. 899, caput, consolidado, há uma única exceção: recurso ordinário de sentença normativa (dissídio coletivo), quando o presidente do TST confere efeito suspensivo, na medida e extensão conferidas em seu despacho (Lei n º 7.701/88, art. 7-º, § 62 e art. 14 da Lei nº 10.192/01) (MIESSA, Élisson, ob. cit., p.515). A alternativa B está CORRETA. Portanto, é o gabarito da questão. Sendo certo que, se as decisões interlocutórias como regra não comportam recurso de imediato, é possível recorrer destas em sede de recurso ordinário, desde que não haja se operado a preclusão. Afora isso, excepcionam-se as três hipóteses trazidas na Súmula nº 214 do TST. Todas as hipóteses, como é possível depreender-se, visam a garantir, também neste momento processual, celeridade. No primeiro caso, qual seja, possibilidade de recurso imediato contra decisão interlocutória de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho, é nítido o objetivo de se evitar que, em momento posterior, fosse interposto recurso contra decisão que contraria entendimento consolidado do TST, economizando tempo entre remessa e posterior análise de decisão que, explicitamente, contraria entendimento uniforme. No segundo caso, justifica-se a interposição de recurso contra decisão proferida no âmbito do mesmo regional, como por exemplo, a decisão que acolhe exceção de incompetência em razão do lugar. A terceira hipótese tem por finalidade garantir o acesso à Justiça, pois se não fosse lícito à parte recorrer da decisão que remete os autos a outro Regional, implicaria na imposição à parte que objetive recorrer da sentença, dirigir-se ao Regional para o qual foram direcionados os autos. A alternativa C está incorreta. De fato, a regra é a de que os recursos na Justiça do Trabalho possuem prazo de 8 dias. Contudo, excepcionam-se: a) os embargos de declaração, que possuem prazo de 05 dias, conforme art. 897-A, CLT; b) o pedido de revisão, previsto na Lei 5.584/70, com prazo de apenas 48 horas; c) o recurso extraordinário, que possui prazo de 15 dias e está previsto no Novo CPC em seu artigo 1.003, §5º; d) agravos regimentais, internos, sendo certo que a maioria dos regionais estipulam prazo de 05 dias. A alternativa D está incorreta. O TST cancelou a Súmula nº 434, passando, a partir de então, a adotar o entendimento do STF, que considera tempestivo o recurso interposto antes do termo inicial. Esse fato acontece corriqueiramente nos TRTs em que já foi implementado o Pje – Processo Judicial Eletrônico, pois o advogado 81 habilitado nos autos pode consultar a disponibilização de um ato decisório ainda pendente de publicação e, propositadamente ou não, antecipar-se ao apresentar o recurso respectivo. A alternativa E também está incorreta. De acordo com a Súmula nº 86 do TST, “Não ocorre deserção de recurso da massa falida por falta de pagamento de custas ou de depósito do valor da condenação. Esse privilégio, todavia, não se aplica à empresa em liquidação extrajudicial.” Gabarito alternativa “B” Direito Previdenciário 24. No tocante às regras básicas e princípios concernentes à Previdência Social no Brasil, indique a resposta CORRETA: a) Entre os segurados obrigatórios da Previdência Social, previstos na Lei nº 8.213/91 figuram, exclusivamente, os brasileiros natos ou naturalizados. b) O caráter democrático e centralizado da gestão administrativa perfaz-se com a participação da comunidade, com convocação mensal de audiências públicas, dentre outras ações. c) O servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais é segurado obrigatório, não sendo vinculado, pois, ao regime jurídico único próprio dos servidores públicos civis de carreira. d) O regime de previdência privada, constituído pela formação de reservas que garantam o benefício contratado, é obrigatório no Brasil. e) O princípio da solidariedade visa a, precipuamente, impedir a redução do valor dos benefícios, sendo uma proteção ao beneficiário. Comentários A alternativa A está incorreta. Dentre os segurados obrigatórios explicitados no art. 11 da Lei nº 8.213/91 há menção, no inciso III, c, por exemplo, a “estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior”. 82 A alternativa B está incorreta. Nos termos do art. 194, parágrafo único, VII, CF, o caráter democrático e descentralizado se faz mediante gestão quadripartite, com a participação dos servidores públicos, Governo, trabalhadores e empregadores. A alternativa C está CORRETA. E é o gabarito da questão. É a literalidade do art. 11, III, g da Lei nº 8.213/91. Depreende que referidos servidores possuemvínculo precário com o Estado, daí a não integrar regime de previdência próprio. A alternativa D está incorreta, sendo certo que, no Brasil, a previdência privada, complementar, é facultativa. A alternativa E está incorreta, pois versa a questão acerca do princípio da irredutibilidade de benefícios, basilar do Regime Geral de Previdência Social, também. Gabarito alternativa “C” Legislação Extravagante 25. A Lei nº 11.340/2006 dispõe que o poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Assim, no que se refere à Lei Maria da Penha, é CORRETO afirmar que: a) Aplica-se a Lei nº 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais) caso a pena aplicada seja igual ou inferior a 02 anos. b) Lesão corporal praticada de forma culposa contra mulher, no âmbito de relações domésticas, é crime de ação penal pública condicionada à representação. c) A Lei Maria da Penha enumera de forma taxativa as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. d) Não se aplica a legislação específica relativa à criança, ao adolescente e ao idoso nas causas que envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. e) A Lei Maria da Penha somente protege a mulher. Comentários 83 A alternativa A está incorreta. De fato, a Lei Maria da Penha veda expressamente a aplicação da Lei n° 9.099/95. Vejamos o que dispõe o artigo 41 da Lei nº 11.340/2006: Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995. Neste sentido, é a Súmula n° 536 do STJ: "A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha". Os institutos da transação penal e da suspensão condicional do processo estão previstos, respectivamente, nos artigos 76 e 89 da Lei 9.099/95. Vejamos: Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta. Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). A alternativa B está incorreta. Ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 4424/DF, o STF conferiu interpretação conforme à Constituição ao artigo 41 da Lei nº 11.340/2006, assentando a natureza pública incondicionada da ação nos casos de lesões corporais praticados mediante violência doméstica e familiar. Conclui-se que, mesmo que a vítima tenha manifestado seu desinteresse no prosseguimento do feito, sua concordância ou não com a instauração de ação penal contra o agressor, mostra-se irrelevante, uma vez que se está diante de delito cuja ação penal é incondicionada. Por sua vez, o STJ no ano de 2015 criou a Súmula nº 542, com a seguinte redação: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada”. 84 A alternativa C está incorreta. A alternativa é falsa, pois o rol de formas de violência doméstica e familiar contra a mulher previsto na Lei Maria da Penha é exemplificativo e não taxativo, conforme dispõe o artigo 7° da Lei nº 11.340/2006. Assim, a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral são formas de violência doméstica e familiar contra a mulher previstas na lei Maria da Penha de forma exemplificativa. A alternativa D também está incorreta, pois é exatamente o contrário que dispõe o artigo 13 da Lei Maria da Penha, vejamos: “Art.13. Ao processo, ao julgamento e à execução das causas cíveis e criminais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher aplicar-se- ão as normas dos Códigos de Processo Penal e Processo Civil e da legislação específica relativa à criança, ao adolescente e ao idoso que não conflitarem com o estabelecido nesta Lei”. A alternativa E está CORRETA e é o gabarito da questão. O art. 1º da Lei Maria da Penha estabelece: Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. O STF, ao julgar a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 19, declarou constitucional o art. 1º da Lei Maria da Penha, afirmando que não há violação ao princípio da igualdade. Ao julgar a citada ADC, o STF concluiu que a mulher é vulnerável quando se trata de constrangimentos físicos, morais e psicológicos sofridos em âmbito privado. Acrescentou ainda, que a Lei Maria da Penha promove a igualdade em seu sentido material, sem restringir de maneira desarrazoada o direito das pessoas pertencentes ao gênero masculino. Trata-se, pois de uma ação afirmativa, ou seja, discriminação positiva em favor da mulher. Gabarito alternativa “E” 85 26. O artigo 5º, X, da CF, diz que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Diante disso, marque a alternativa CORRETA à luz da Constituição Federal e da Lei n° 9.296/96: a) A interceptação das comunicações telefônicas não poderá ser determinada pelo juiz de ofício. b) Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. c) A Constituição Federal e a Lei nº 9.296/96 admitem interceptação de comunicações telefônicas para prova em investigação criminal, instrução processual penal e no âmbito administrativo. d) Em hipótese alguma o juiz poderá admitir que o pedido de interceptação telefônica seja formulado verbalmente. e) A decisão que defere o pedido de interceptação telefônica não poderá ser prorrogada por se tratar de matéria restritiva do direito à intimidade. Comentários A alternativa A está incorreta. Dispõe o art. 3º da Lei nº 9.296/96 que é possível a interceptação telefônica decretada de ofício pelo juiz no curso das investigações ou da instrução processual. No entanto, parte da doutrina critica tal previsão na fase investigatória, sob o argumento de que fere a adoção do sistema acusatório previsto no artigo 129, I, da CF. A alternativa B está CORRETA. Portanto, é o gabarito da questão. Com efeito, dispõe o artigo 2° da Lei n° 9.296/96: “Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal; II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis; III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detença” Assim, a resposta da alternativa está exatamente embasadano artigo 2°, III, da Lei n° 9.296/96. 86 A alternativa C está incorreta. De fato, a Lei n° 9.296/96 não permite a interceptação de comunicações telefônicas para fins de instrução de procedimento de natureza administrativa, conforme podemos notar o disposto no art. 1º da citada lei: “Art.1°. A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça”. Entretanto, nada impede que uma prova produzida em um processo penal seja levada para ser utilizada em um processo de natureza administrativa, o que a doutrina chama de “prova emprestada”. A alternativa D está incorreta. Vejamos o que dispõe o § 1°, do artigo 4º da Lei n° 9.296/96. “Art. 4 (…) § 1°. Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo”. A alternativa E também está incorreta. A lei que autoriza a quebra de sigilo telefônico fala que a interceptação não deve ultrapassar o limite de 15 dias, sendo renovável por igual período, quando comprovada a necessidade (artigo 5º da Lei n. 9.296 /96). Gabarito alternativa “B” 27. De acordo com a Lei dos Crimes Ambientais, assinale a alternativa CORRETA: a) Não é possível a responsabilização de pessoas jurídicas na esfera penal, vez que é impossível pessoa jurídica realizar atos tipicamente humanos. b) Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. c) A suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação à pena privativa de liberdade não superior a dois anos. d) Não se aplica o princípio da insignificância na prática de crimes ambientais. 87 e) A ação penal é pública condicionada à representação nas infrações penais. Comentários A alternativa A está incorreta. Com efeito, é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da responsabilização simultânea da pessoa física que agia em seu nome. Esse, inclusive, é o posicionamento atual do STF e STJ sobre o tema, o que significa que não mais adotam a teoria da dupla imputação, ou seja, tanto a pessoa jurídica com a pessoa física poderá responder pela prática de crimes ambientais. O fundamento legal para tanto é o artigo 3º da Lei dos Crimes Ambientais e o artigo 225, §3ª, da CF. Vejamos, respectivamente: Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato. Art. 225, § 3º. As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. A alternativa B está CORRETA. Portanto, é o gabarito da questão. O fundamento legal é o artigo 4º da Lei dos Crimes Ambientais. Vejamos: Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. 88 A alternativa C está incorreta. O artigo 77, do CP dispõe o seguinte: Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos. Por sua vez, a suspensão condicional da pena pela prática de crimes ambientais pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos, o que difere da previsão do Código Penal. Vejamos o artigo 16 da Lei dos Crimes ambientais: Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos. A alternativa D está incorreta. No cometimento de certos delitos, caso não exista o requisito da justa causa a propiciar o prosseguimento da ação penal, especialmente pela mínima ofensividade da conduta do agente, pela ausência de periculosidade social da ação, pelo reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e pela inexpressividade da lesão jurídica provocada, deve-se aplicar o princípio da insignificância, mesmo diante da prática de crimes ambientais. A alternativa E também está incorreta. Nas infrações penais previstas na Lei n° 9.605/98, a ação penal é pública incondicionada, conforme previsão no artigo 26 da citada lei. Gabarito alternativa “B” Informática 28. Usando um computador para inserir novos itens na base bibliográfica do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, uma bibliotecária acessa: a) A memória RAM, que permite a leitura, a gravação e a regravação de dados. b) A memória EPROM, que permite a leitura e armazena os dados de modo permanente. c) Uma fita magnética, que grava os dados de maneira aleatória ou randômica. 89 d) A unidade de controle, que gerencia os dados e os convertem para o formato de saída desejado. e) O monitor de vídeo, que mostra todas as informações digitadas no teclado. Comentários A alternativa A está CORRETA e é o gabarito da questão, pois memória RAM é um tipo de tecnologia que permite o acesso aos arquivos armazenados no computador. Diferentemente da memória do HD, a RAM não armazena conteúdos permanentemente. É responsável, no entanto, pela leitura dos conteúdos quando requeridos. Ou seja, de forma não-sequencial, por isso, a nomenclatura em inglês de Random Access Memory (Memória de Acesso Aleatório). A alternativa B está incorreta. EPROM, ou Erasable Programmable Read-Only Memory (Memória Somente de Leitura Programável Apagável), caracteriza-se por conseguir ser apagada. Para isso, no entanto, é necessário expô-la a uma forte luz ultravioleta. A regravação após este procedimento requer uma tensão ainda maior do que nas vezes anteriores, causando desgaste após um ciclo de aproximadamente mil reescritas. A alternativa C está incorreta. As fitas magnéticas são, ao lado dos discos ópticos, a principal representante dos suportes de armazenamento terciário. Sendo, talvez, o suporte de dados mais antigo ainda amplamente utilizado em sistemas de informação, elas sofreram diversas evoluções desde seu advento, no início da década de 1950. A alternativa D está incorreta. Uma unidade de controle (UC): é a unidade que armazena a posição de memória que contém a instrução que o computador está executando nesse momento. Ela informa à ULA (unidade central do processador), qual operação a executar, buscando a informação (da memória) que a ULA precisa para executá-la. Depois, transfere o resultado de volta para o local apropriado da memória. A seguir, a unidade de controle vai para a próxima instrução. A alternativa E também está incorreta. O monitor é um dispositivo de saída do computador, cuja função é transmitir informação ao utilizador através da imagem. 90 Gabarito alternativa “A” 29. A diretora da biblioteca do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região solicitou à equipe um inventário dos periféricos disponíveis, classificando-os de acordo com os dois agrupamentos abaixo: I. Dispositivos de entrada. II. Dispositivos de saída. III. Dispositivosde entrada e saída. a. Impressoras b. Teclados c. Caixas de som d. Mouses e. Modems f. Escâneres g. Pendrives h. Canetas óticas i. Quiosques multimídia A correlação correta entre os agrupamentos é: a) I: d, e, f, g; II: a, c, h; III: b, i. b) I: a, b, d, f; II: c, g, h; III: e, i. c) I: b, c, e, h; II: a, f, i; III: d, g. d) I: b, d, f, h; II: a, c, i; III: e, g. e) I: d, f, h, i; II: a, c, g; III: b, e. Comentários 91 Existem três tipos de periféricos: os de entrada, os de saída e os mistos. Os dispositivos só de Entrada, também designados por dispositivos de Input, são: teclado, rato, caneta óptica, microfone, webcam, joystick, scanner (digitalizador de imagem). Através destes periféricos o usuário transmite informação ou comando para computador. Já os dispositivos só de Saída, também designados por dispositivos de Output, são: monitor; impressora, plotter (traçador gráfico), datashow (projector de imagens), placa de som, projector de vídeo (vídeo projector), alto falante. Através destes periféricos o computador transmite informação ou comando para o usuário. Dispositivos de Entrada e Saída, também designados por dispositivos de Input / Output, são: unidades de discos, unidades de disquetes, modems, adaptadores de rede, CD-R e CD-RW. Obs.: Existem impressoras multifuncionais e monitores touchscreen que são considerados dispositivos de entrada e saída. Assim: A alternativa A está incorreta. A alternativa B está incorreta. A alternativa C também está incorreta. A alternativa D está CORRETA. É o gabarito da questão. A alternativa E está incorreta. Gabarito alternativa “D” 30. Um Analista Judiciário da Área Administrativa do TRF3 deseja solicitar ao departamento de Tecnologia da Informação − TI o desenvolvimento de um sistema de informação para fazer com que cada vez que uma resma de 500 folhas de papel sulfite seja retirada do estoque, um registro apareça, automaticamente, nos computadores da empresa fabricante e fornecedora de papel sulfite, de forma que ela possa fabricar a quantidade necessária e enviar diretamente ao TRF3, eliminando distribuidores e reduzindo custos de armazenamento. Neste caso, o sistema de informação que o Analista deseja solicitar é um: a) Customer Relationship Management − CRM. 92 b) Supply Chain Management − SCM. c) Enterprise Resource Planning − ERP. d) Knowledge Management System − KMS. e) Transaction Support System − TSS. Comentários A alternativa A está incorreta. O CRM ou (Customer Relationship Management) é um termo usado para o gerenciamento do relacionamento com o cliente. CRM é uma estratégia de negócio voltada ao entendimento e antecipação das necessidades e potenciais de uma empresa. A alternativa B está CORRETA. Portanto, é o gabarito da questão. Supply chain é uma expressão inglesa que significa “cadeia de suprimentos” ou “cadeia logística”, na tradução para o português. Consiste num conceito que abrange todo o processo logístico de determinado produto ou serviço, desde a sua matéria-prima (fabricação) até a sua entrega ao consumidor final. O Supply chain é constituído por vários integrantes, que atuam em diferentes etapas durante o processo, como: fabricantes, fornecedores, armazéns, distribuidoras, varejistas e, por fim, os consumidores. Na questão, compreendemos o uso da Tecnologia da Informação como forma de auxiliar no controle de reposição do estoque, gerando um sistema de automação onde se pode gerar um registro, automaticamente, nos computadores dos fornecedores. Assim, irão fabricar o número correto de resmas de papel, reduzindo custos de armazenamento no estoque. A alternativa C está incorreta. ERP é uma sigla em Inglês que significa Enterprise Resource Planning, que nada mais é, em português, que Planejamento dos Recursos da Empresa. Podemos entender que o software ERP é um sistema de informática responsável por cuidar de todas as operações diárias de uma empresa, desde o Faturamento até o balanço contábil, de Compras a fluxo de caixa, de apuração de impostos a Administração de Pessoal, de inventário de estoque às contas a receber, do ponto dos funcionários a controle do maquinário da fábrica, enfim, todo o trabalho administrativo e operacional feito numa empresa. 93 A alternativa D está incorreta. Os Knowledge Management Systems (ou em português Sistemas de Gestão do Conhecimento) são sistemas TI de apoio à gestão organizacional que procuram dar uma perspectiva transversal do processo de gestão da organização. Isto é, todos os funcionários passam a ter conhecimento dos procedimentos da organização, sendo, por exemplo, o caso da disseminação dos know-how empresariais, quando da criação de um determinado produto. A alternativa E também está incorreta. Transaction Support System – TSS (ou em português Sistema de Suporte a Transações) é um estilo de computação que divide o trabalho em operações indivisíveis, chamados de transações individuais. Gabarito alternativa “B” Raciocínio Lógico 31. Adriano, Benedito e Cláudio são amigos e estão com camisetas de cores diferentes: verde, azul e branca. Dentre as afirmativas a seguir, somente uma é verdadeira: Adriano está com camiseta azul. Benedito não está com camiseta azul. Cláudio não está com camiseta branca. É correto concluir que: a) Adriano está com camiseta branca. b) Adriano está com camiseta azul. c) Benedito está com camiseta verde. d) Benedito está com camiseta branca. e) Cláudio está com camiseta azul. Comentários Considerando a afirmação de Adriano como verdadeira, a afirmação de Benedito será falsa, e os dois estariam de camiseta azul. Já se a afirmação de Adriano for falsa 94 e a de Benedito for verdadeira, os dois estariam de camiseta verde (uma vez que Cláudio estaria de branco – já que sua afirmação seria falsa também). Desta forma, a informação verdadeira é a de Cláudio. As outras duas são falsas, fazendo com que Benedito fique de azul; Cláudio, de verde; e Adriano, de branco. Portanto, temos que: A alternativa A está CORRETA e é o gabarito da questão. A alternativa B está incorreta. A alternativa C está incorreta. A alternativa D está incorreta. A alternativa E também está incorreta. Gabarito alternativa “A” 32. No Brasil, o Dia dos Pais é comemorado no segundo domingo do mês de agosto. Em um determinado ano bissexto, o dia 1° de janeiro foi um sábado. Neste mesmo ano, o Dia dos Pais foi comemorado no dia: a) 10 de agosto. b) 11 de agosto. c) 12 de agosto. d) 13 de agosto. e) 14 de agosto. Comentários Até o dia 31 de julho de um ano bissexto existem 213 dias, vejamos: 31 (jan.) + 29 (fev.) + 31 (mar.) + 30 (abr.) + 31 (mai.) + 30 (jun.) + 31 (jul.) = 213 dias Dessa forma, o dia 31 de julho desse ano é uma segunda-feira, senão vejamos: 213/7 (dias da semana) = 30 semanas completas, mais 03 dias (RESTO DA DIVISÃO). 95 Como a semana começa no sábado e termina no domingo, esses três dias referem- se à segunda-feira. Sendo assim, o dia 01 de agosto corresponde a uma terça-feira; o primeiro domingo corresponde ao dia 06; e o Dia dos Pais será no dia 13 de agosto. De forma que: A alternativa A está incorreta. A alternativa B está incorreta. A alternativa C está incorreta. A alternativa D está CORRETA e é o gabarito da questão. A alternativa E está incorreta. Gabarito alternativa “D” Língua Portuguesa 33. Assinale a alternativa que corresponde à grafia da norma culta: a) Os guardas-civis intervieram na discussão dos espectadores. b) Os guarda-civis interviram na discussão dos expectadores c) Os guardas-civisinterviram na discussão dos espectadores. d) Os guarda-civis intervieram na discursão dos espectadores. e) Os guarda-civil interviram na discussão dos expectadores. Comentários A ortografia correta dos termos é guardas-civis (guarda quando for sinônimo de “policial” faz com que os dois termos se flexionem), discussão e espectadores (expectador é aquele que aguarda com expectativa). O verbo intervir deriva do verbo vir. No pretérito perfeito, a forma correta é “eles vieram. Portanto, eles intervieram”. Assim: A alternativa A está CORRETA e é o gabarito da questão. A alternativa B está incorreta. 96 A alternativa C está incorreta. A alternativa D está incorreta. A alternativa E está incorreta. Gabarito alternativa “A” 34. “Na quinta-feira, 28 de julho, às 18h, terminei de preparar a rodada gratuita do curso TOP-Tribunais, muito cansado”. Este enunciado, segundo os tipos de gêneros textuais, significa: a) Carta. b) Propaganda. c) Notícia. d) Diário. e) Fábula. Comentários A alternativa A está incorreta. Isso porque, a Carta representa um gênero textual que é dirigido a um destinatário, o que não se verifica na assertiva. A alternativa B está incorreta. A propaganda, como gênero textual, geralmente aparece na forma oral, diferente da maioria dos outros gêneros. Suas principais características são a linguagem argumentativa e expositiva, pois a intenção da propaganda é fazer com que o destinatário se interesse pelo produto da propaganda. Todavia, na assertiva sob análise não há sequer um destinatário, bem como os demais requisitos. A alternativa C também está incorreta. A notícia é um dos gêneros textuais mais fáceis de se identificar. Sua linguagem é narrativa e descritiva, e o objetivo desse texto é informar algo que aconteceu. A alternativa D está CORRETA. É o gabarito da questão. O Diário, como gênero textual, é identificado por ser escrito em linguagem informal e nele sempre consta a data. Não há um destinatário específico: geralmente, é redigido para a própria 97 pessoa que está escrevendo, consistindo em um relato dos acontecimentos do dia. O objetivo desse tipo textual é sobretudo guardar as recordações. A alternativa E está incorreta. A Fábula é uma pequena narrativa em que se aproveita a ficção alegórica para sugerir uma verdade ou reflexão de ordem moral, com intervenção de pessoa, animais e até entidades inanimadas. O que, por óbvio não é o caso. Gabarito alternativa “D”