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Índice 
Introdução Geral aos Profetas Menores .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 
Lição 1 - Oséias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 
Joel ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 
Amós ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 
Lição 2 - Obadias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 
Jonas..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 
Lição 3 - Miquéias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 
Naum ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 
Lição 4 - Habacuque .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 
Sofonias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .107 
Ageu ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 
Lição 5 - Zacarias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 
Malaquias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 
Referências Bibliográficas .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 
13 
Introdução Geral 
Profetas Menores 
Iniciamos agora o estudo dos profetas que 
deixaram as suas mensagens registradas em livros. 
Tomando o cativeiro babilônico como ponto de referência, 
eles podem ser divididos em: 
Profetas que atuaram antes do Cativeiro: 
Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Isaías, Miquéias, 
Naum, Habacuque, Sofonias, Jeremias. 
Profetas que atuaram durante o Cativeiro: 
Jeremias, Ezequiel, Daniel. 
Profetas que atuaram após o Cativeiro: Ageu, 
Zacarias, Malaquias. 
Estudaremos nestas lições os livros dos 
Profetas Menores. São chamados “Menores” não por causa 
da sua importância, mas em relação ao seu tamanho, e a 
esse respeito estão em contraste com os escritos dos 
Profetas Maiores. 
Os Profetas de 
Israel 
Os Profetas de 
Judá 
Os Profetas do 
Pós-cativeiro 
Oséias, Amós 
e Jonas. 
Obadias, Joel, 
Miquéias, Naum, 
Habacuque e 
Sofonias. 
Ageu, Zacarias e 
Malaquias. 
Os doze Profetas Menores, embora apresentem 
proporcionalmente textos menos extensos 
15 
que os chamados Profetas Maiores, formam um bloco de 
livros divinos que primam pela limpidez de estilo, pela 
dinâmica da linguagem, pela riqueza de seu conteúdo. 
Seus autores não relatam apenas os problemas 
polít icos, sociais e religiosos do povo de Israel, mas 
clamam contra o pecado, a injustiça e a apostasia; 
convidam ao retorno, á fidelidade e ao arrependimento; 
anunciam a miser icórdia, a graça e o perdão de Deus; 
pregam a lei em todo seu vigor e o evangelho em todo seu 
consolo; apontam para a vinda do Messias “que há de 
reinar em Israel” (Mq 5.2), o “Rei”, Justo e Salvador, que 
anunciará a paz às nações (Zc 9.9-10), e lançarão todos os 
nossos pecados nas profundezas do mar (Mq 7.19). 
Os textos são escritos antigos; passou-se mais 
de 2.600 anos desde o seu surgimento, eis o divin o 
paradoxo; apesar de sua antigüidade histórica, é 
extraordinária e surpreendente a atualidade das mensagens 
dos Profetas Menores. 
O seu conteúdo não envelheceu, não caducou, 
não se desatualizou; traçando um paralelo entre o contexto 
polít ico, social e rel igioso do mundo de vinte e seis 
séculos passados e o nosso século, é fácil concluir que a 
história se repete. 
A mensagem dos Profetas Menores é nova, 
atual e necessária ao homem do século XXI; torna -se 
urgente examinar, refletir, aceitar e proclamar o que Deus 
está profetizando através dos Profetas Menores. 
Através deste estudo descobriremos que os 
profetas menores formam verdadeiras tochas acessas por 
Deus, para orientar o povo rebelde em meio à escuridão da 
desobediência. Eram as vozes do Senhor constantemente 
chamando para o arrependimento e a reconciliação. 
16 
A Classificação dos Livros Proféticos 
Os autores dos livros proféticos tinham estilos 
próprios, pois eram homens que viveram em épocas 
diversas, provenientes de várias estirpes 1, com cultura e 
poder econômico diferente. Contudo, todos eram dotados 
da convicção de suas chamadas para o ministério profético. 
A classificação dos livros proféticos em 
Profetas Maiores e Profetas Menores não se deve a 
importância de uns em relação aos demais, mas tão 
somente refere-se a extensão dos livros por eles escritos. 
Os que escrevem livros mais longos são chamados Profetas 
Maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel). Os doze 
profetas autores dos livros mais breves são ditos Profetas 
Menores (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, 
Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias). 
Na formação do Cânon hebraico do Antigo Testamento os 
livros dos doze profetas menores formavam um só livro 
chamado “O Livro dos Doze”. Provavelmente agrupados 
assim, por Esdras e a “Grande Sinagoga”, mais ou menos 
em 425 
a. C., possivelmente com a finalidade de acomodá -los 
em um rolo. 
As designações “Profetas Maiores” e “Profetas 
Menores” foram dadas por Agostinho no princípio do 
século IV d.C. 
A abordagem não será seqüencial e sim 
cronológica, dentro dos principais acontecimentos da 
época de cada um: 
• De 841-612 a.C. - Oséias, Joel, Amós, Jonas, Miquéias, 
Sofonias e Naum. Os principais eventos históricos 
relacionados ao povo de Israel foram a 
1
 Origem, tronco, linhagem, raça, ascendência, cepa. 
17 
queda da supremacia Aramaica (800 a.C.), a 
estruturação de Israel por Jeroboão II, a queda de 
Samaria (722 a.C.) e o fim do Império Assír io (612 
a.C.). 
• De 605-539 a.C. - Habacuque e Obadias. Os fatos 
históricos foram a queda de Jerusalém (587 a.C.), o 
cativeiro judaico e a derrota Egípcia (605 a.C.). 
• De 539-322 a.C. - Ageu, Zacarias e Malaquias, onde 
estão registrados os regressos do cativeiro (538 a.C.), a 
reconstrução do Templo (515 a.C.) e a reforma de 
Esdras e Neemias (458-445 a.C.). 
Esquema Cronológico Aproximado 
Os Profetas 
Menores 
Acontecimentos Polít icos 
Oséias 
Joel 
Amós 
Jonas 
Miquéias 
Naum 
• Dominação da Assíria; 
• Queda de Samaria, 722 a.C.; 
• Exílio de Israel na Assíria; 
• Queda de Nínive, 612 a.C.; 
• Fim do Império Assírio; 
Habacuque 
Sofonias 
• Dominação da Babilônia; 
• Queda de Jerusalém, 587 a.C.; 
Obadias • Exílio de Judá; 
• Na Babilônia durante 70 anos; 
• Queda de Babilônia, 539 a.C.; 
Ageu 
Zacarias 
Malaquias 
• Dominação da Pérsia; 
• Rei persa Ciro toma a Babilônia, e 
• em 538 a.C. autoriza a volta do exílio; 
• Restauração do Templo 515 a.C.; 
• Espera do Messias, 450 a.C.; 
18 
Lição 1 
Oséias, Joel e Amós 
 Autor: Oséias. 
 Data: 715-710 a.C. 
 Tema: O Julgamento Divino e o Amor 
 Redentor de Deus. 
Oséias 
 Palavras-Chave: Pecado, Julgamento, Amor. 
 
 Versículo-chave: Os 3.1 
A profecia de Oséias foi a última tentativa de 
Deus em levar Israel a arrepender -se de sua idolatria e 
iniqüidade persistentes, antes que Ele entregasse a nação 
ao seu pleno juízo. O livro foi escrito com o objetivo de 
revelar: 
 Que Deus conserva seu amor ao seu povo segundo o 
concerto, e deseja intensamente redimi -lo de suainiqüidade; 
 Que conseqüências trágicas se seguem quando o 
povo persiste em desobedecer a Deus, e em rejeitar -
lhe o amor redentor. A infidelidade da esposa de 
Oséias é registrada como ilustração da infidelidade 
de Israel. Gomer vai atrás de outros homens, ao 
passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gomer 
comete prostituição física; Israel, prostituição 
espir itual. 
19 
Visão Panorâmica 
(1) Os capítulos 1-3 descrevem o casamento entre Oséias 
e Gomer. Os nomes dos três filhos são sinais 
proféticos a Israel: 
Jezreel => (“Deus espalha”) 
Lo Ruama => (“Não compadecida”) 
Lo-Ami => (“Não meu povo”) 
O amor perseverante de Oséias à sua esposa adúltera 
simboliza o amor inabalável de Deus por Israel. 
(2) Os capítulos 4-14 contêm uma série de profecias que 
mostram o paralelismo entre a infidelidade de Israel 
e a da esposa de Oséias. 
Quando Gomer abandona Oséias, e vai à procura de 
outros amantes (Os 1), está representando o 
papel de Israel ao desviar -se de Deus (Os 4-7). 
A degradação de Gomer (Os 2) representa a vergonha 
e o juízo de Israel (Os 8-10). Ao resgatar Gomer do 
mercado de escravos (Os 3), Oséias demonstra o 
desejo e intenção de Deus em restaurar Israel no 
futuro (Os 11-14). 
O livro enfatiza este fato: por ter Israel 
desprezado o amor de Deus e sua chamada ao 
arrependimento, o juízo já não poderá ser adiado. 
Tema 
Jeroboão morreu em 752 a.C., Ezequias subiu 
ao trono em 728, somando alguns anos, o período de 
tempo sugere aproximadamente 755-725 a.C., 
20 
embora sejam dados nomes dos reis de Judá com a 
finalidade de localizar a época, e Judá seja mencionado no 
livro, a profecia é dirigida ao Reino do Norte, Israel (Os 
1.4,6,10; 3.1; 4.1,15), dirige-se a ele como “Efraim” (que 
significa fért il) trinta e sete vezes, em virtude da poderosa 
tribo do centro or iunda do muito abençoado f ilho de José. 
Verificamos que nacionalmente a monarquia 
havia sido dividida em dois reinos há aproximadamente 
200 anos, os dois reinos experimentaram per íodos muito 
prósperos conhecidos como Era Áurea. 
O Senhor dera a Israel grande expansão até 
Damasco, sob o reinado de Jeroboão II, sem dúvida foi 
uma dádiva especial da graça de Deus que queria levá-los 
ao arrependimento (2Rs 14.25-28). Se analisarmos tanto o 
ponto de vista religioso ou moral, Israel havia descido ao 
ponto mais baixo, os sacerdotes uniram-se aos salteadores 
e assassinos nas estradas (Os 6.9). Despreparados 
moralmente a ponto de sacrificarem crianças e se 
prostituírem em forma de culto. 
Os profetas Jonas e Amós haviam falado para 
aquela geração, Amós fora enviado de Judá para condenar
 Israel em termos fustigantes
1
 por sua 
corrupção moral, indiferença religiosa e por não 
atender a repreensão. Contudo o ministér io de Amós 
foi curto e explosivo, enquanto que o de Oséias foi longo e 
paciente, como de um pastor que implora e derrama 
lágr imas por um rebanho enlouquecido a caminho da 
destruição. 
Assim, descobrimos o objetivo do livro de 
Oséias, que é o de registrar a chamada divina final ao 
arrependimento do indiferente Reino do Norte que afunda 
na desgraça, com isto descreve-se o estado 
1 Fustigar: bater com vara. Vergastar, açoitar, zurzir. 
21 
abominável da nação que, a semelhança de sua esposa 
tinha-se entregue à prostituição. Fala do amor 
inextinguível
1
 do Senhor que derramou lágrimas diante da 
alienação de Israel e estava pronto a receber o povo de 
volta para a aliança mediante arrependimento. 
Deus havia mandado Oséias tomar como esposa 
uma mulher que provou depois, ser inteiramente infiel, e 
que sofreu em grande medida as conseqüências de sua 
conduta. 
Que a narrativa é histórica não precisamos 
duvidar, porque não há motivo para considerar em 
parábola aquilo que as Escr ituras narra como fato. 
Considerando este fato, vamos notar os nomes dos três 
filhos de Oséias: Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. 
Estes foram sinais para o povo, como também 
foram os filhos de Isaías. O Senhor deu instruções claras 
ao seu profeta sobre como dar nomes aos seus filhos. Sua 
intenção, mediante o sentido dos três nomes, era a de 
revelar a sua atitude ao seu povo. 
Autor 
Oséias significa “salvação ou livramento”. A 
forma hebraica desse nome é “Hoshca”, pertencente à 
mesma raiz da palavra Josué, que tem o prefixo “Yod” para
 “Yad” ou Senhor “Yahweh é Salvação”. 
Sabemos que é filho de Beeri, e que profetizou 
para Israel, Reino do Norte, nos últ imos trinta an os antes 
do cativeiro. Evidentemente mudou-se para o sul antes do 
cativeiro em 722, foi contemporâneo de Isaías e Miquéias. 
Como Isaías, Oséias tinha uma família que foi usada pelo 
Senhor como “sinal” para nação quanto ao futuro 
julgamento e 
1 Não extinguível. Que nunca acaba, extingue. 
22 
poster ior restauração. Acredita -se que ele tenha sido 
natural do norte e que por isso conhecia as más condições 
existentes em Israel. Isto deu um peso especial à sua 
mensagem. 
Casou-se com uma mulher que lhe foi infiel , 
suas amargas experiências conjugais tornaram-se a trama, 
ao redor da qual o Senhor construiu sua mensagem final ao 
Reino do Norte. 
Nada mais se sabe do profeta, a não ser os 
lances biográficos que ele mesmo revela em seu livro. Que 
Oséias provinha de Israel, e não de Judá, e que profetizou 
à sua nação, é evidente: 
■ Em suas numerosas referências a “Israel” e “Efraim”, 
as duas principais designações do Reino do Norte; 
■ Em sua referência ao Rei de Israel, em Samaria, como 
“nosso rei” (Os 7.5); 
 Em sua intensa preocupação com a corrupção 
espir itual, moral, polít ica e social de Israel. 
O ministér io de Oséias, no Reino do Norte, 
seguiu-se logo após ao ministér io de Amós que, embora 
fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oséias são O S 
únicos profetas do Antigo Testamento, cujos livros foram 
dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe 
a destruição iminente. 
Data 
Escrito entre 715-710 a.C. aproximadamente, 
durante os reinados de quatro reis de Judá, de Uzias a 
Ezequias, mais ou menos 767-697 a.C., e durante o reinado 
de Jeroboão II de Israel, 793-752. 
23 
Cenário 
Quando Oséias iniciou o seu ministér io, durante 
os últ imos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma 
temporária prosperidade econômica e de paz política, que 
acabariam por produzir um falso senso de segurança. Logo 
após a morte de Jeroboão II (753 a.C.), porém, a nação 
começa a deteriorar-se, e caminham velozmente à 
destruição em 722 a.C. 
Passados quinze anos da morte do rei, quatro de 
seus sucessores seriam assassinados. Decorridos mais 
quinze anos, Samaria ser ia incendiada, e os israelitas, 
deportados para a Assír ia e, poster iormente, dispersados 
entre as nações. 
O casamento trágico de Oséias, e sua palavra 
profética harmonizavam com a mensagem de Deus a Israel 
durante esses anos caóticos. Deus ordenou a Oséias que 
tomasse “uma mulher de prostituições” (Os 1.2) a fim de 
ilustrar a infidelidade espir itual de Israel. Embora haja os 
que interpretem o casamento do profeta como alegoria, os 
eruditos conservadores consideram-no literal. Parece 
improvável, porém, que Deus instruísse seu piedoso servo 
a casar-se com uma mulher de má fama para exemplificar 
sua mensagem a Israel. Parece mais provável que Oséias 
haja se casado com Gomer quando esta ainda era casta, e 
que ela haja se tornada meretr iz poster iormente. Sendo 
assim, a ordem para se tomar “uma mulher de 
prostituições” era uma previsão profética do que estava 
para acontecer. 
Ocontexto histórico do ministério de Oséias é 
situado nos reinados de Jeroboão II, de Israel, e de quatro 
reis de Judá (Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias; ver Os 1.1) - 
isto é, entre 755 e 715 a.C. 
As datas revelam que o profeta não somente era 
um contemporâneo mais jovem de Amós, como 
24 
Ulysses
Highlight
também de Isaías e Miquéias. O fato de Oséias datar boa 
parte de seu ministér io mediante uma referência a quatro 
reis em Judá, e não aos breves reinados dos últ imos seis 
reis de Israel, podem indicar ter ele fugido do Reino do 
Norte a fim de morar na terra de Judá, pouco tempo antes 
de Samaria ter sido destruída pela Assíria (722 a.C.). 
O Livro e as Características Especiais 
Sete aspectos básicos caracterizam o livro de 
Oséias: 
(1) Ocupa o pr imeiro lugar na seção do Antigo 
Testamento chamado “O Livro dos Doze”, também 
conhecido como os “Profetas Menores”, por causa de 
sua brevidade em comparação com Isaías, Jeremias e 
Ezequiel. 
(2) Oséias é um dos dois profetas do Reino do Norte a ter 
um livro profético no Antigo Testamento (o outro é 
Jonas). 
(3) A semelhança de Jeremias e Ezequiel, as experiências 
pessoais de Oséias ilustram sua mensagem profética. 
(4) Contêm cerca de 150 declarações a respeito dos 
pecados de Israel, sendo que mais da metade deles 
relaciona-se a idolatria. 
(5) Oséias relembra aos israelitas que o Senhor havia sido 
longânimo e f iel em seu amor para com eles. 
(6) Não há ordem visível entre suas profecias (Os 4 - 
14) . E difícil distinguir onde uma profecia termina e 
outra começa. 
(7) Elas acham-se repletas de vividas figuras de 
linguagem, muitas das quais tiradas do cenário rural. 
25 
O Livro de Oséias ante o Novo Testamento 
Diversos versículos de Oséias são citados no 
Novo Testamento: 
 O Filho de Deus é chamado do Egito (Os 11.1; cf. Mt 
2.15); 
 A vitória de Cristo sobre a morte (Os 13.14; cf. ICo 
15.55); 
 Deus deseja a misericórdia, e não o sacrifício (Os 
6. 6; cf. Mt 9.13; 12.7); 
 Os gentios que não eram o povo de Deus passam a 
ser seu povo (Os 1.6, 9-10; 2.23; cf. Rm 9.25,26). 
Além dos trechos específicos, o Novo 
Testamento expande o tema do livro - Deus como o 
marido do seu povo - e diz que Cristo é o marido de sua 
noiva redimida, a Igreja (2Co 11.2; Ef 5.22 -32; Ap 
19.6- 9; 21.1-2,9-10). 
Oséias enfatiza a mensagem do Novo 
Testamento a respeito de se conhecer a Deus para se 
entrar na vida (2.20; 4.6; 5.15; 6.3-6; cf. Jo 17.1-3). 
Juntamente com esta mensagem, Oséias demonstra 
claramente o relacionamento entre o pecado persistente e 
o juízo inexorável de Deus. Ambas as ênfases são 
resumidas por Paulo em Romanos 6.23: “Porque o salário 
do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida 
eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”. 
Oséias em Relação a Jesus Cristo 
O amor divino por Israel, subentende o amor de 
Cristo pela Igreja (Jo 13.1). YHWH é a própria Trindade, 
ou seja, Senhor no Antigo Testamento, fala sobre o 
relacionamento “marido-mulher” representando 
26 
o Senhor e o povo da aliança. O amor no Novo 
Testamento entre Cristo e a sua Igreja, é outra expressão 
daquele amor divino, mesmo para os que estão fora 
daquela união da alia nça (Ef 2.11-14). 
Oséias 3.5 diz: “tornarão os filhos de Israel, e 
buscarão ao Senhor seu Deus e a Davi seu rei” 
(provavelmente é messiânica), pode ser o próprio Messias 
como “Filho de Davi” (Ez 34.23 -24; Mc 12.35), nos 
últ imos dias os filhos de Israel tremendo se aproximarão 
do Senhor (Os 3.5). 
“Do Egito chamei meu filho” (Os 11.1), é 
citado em Mateus 2.15 como uma profecia do Antigo 
Testamento que Jesus seria levado ao Egito e chamado 
pelo anjo do Senhor. Sem dúvida Mateus usa esse texto 
como uma “profecia” de Cristo, mostrando seu 
relacionamento íntimo entre o Messias e Israel. 
Oséias em Relação a Jeremias 
(Os 11.7-9; Jr 9.1-2) 
Assim como Oséias foi para Israel, Jeremias foi 
para Judá 140 anos após. Insist iu com o povo, implorando 
o amor de Deus, no per íodo que o povo lançava-se na 
destruição. 
 Ministraram depois de uma época de prosper idade em 
toda a nação, seguida de indiferença espiritual e 
corrupção moral. 
 Expressaram a tristeza de Deus por ser forçado a 
divorciar-se do seu povo por adultér io e a permitir sua 
destruição por um Império do Oriente (Jr 3.8; Os 2.2 -
7). 
 Falaram de uma renovada aliança entre o Senhor e o 
seu povo na futura era messiânica (Jr 31.31 e Os 1.11; 
14.1). 
27 
 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
1. É o tema do livro de Oséias 
a) A magnitude da miser icórdia salvífica de Deus 
b) O juízo de Edom 
C) O grande e terrível Dia do Senhor 
 d) O julgamento divino e o amor redentor de Deus 
2. Oséias fora um profeta que perseverou em 
a) Juntar o povo diante do Senhor numa grande 
assembléia solene 
b) Amar sua esposa adúltera simbolizando o amor 
inabalável de Deus por Israel 
c) Entregar ao rei Jeroboão II uma versão escr ita de 
suas advertências proféticas 
d) I Profetizar destruição aos edomitas 
3. Quanto ao livro de Oséias, aponte a sentença errada 
a) Ê o único profeta do Reino do Norte a ter um 
livro profético no Antigo Testamento 
b) Q Ocupa o primeiro lugar na seção do Antigo 
Testamento chamado “O Livro dos Doze” 
c) Relembra aos israelitas que o Senhor havia sido 
longânimo e fiel em seu amor para com eles 
d) A maioria de suas declarações são destinados à 
idolatria 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
4. Ao resgatar Gomer do mercado de escravos, Oséias 
demonstra o desejo e intenção de Deus em restaurar 
Israel no futuro 
5. Oséias significa “Jeová é Deus”. Profetizou para 
Judá nos últimos dez anos antes do cativeiro 
28 
 Autor: Joel. 
 Data: 835-830 a.C. 
Joel Tema: 0 Grande e Terrível Dia do Senhor. 
 Palavras-Chave: Visitação. 
 Versículo-chave: J1 2.28-29. 
Joel falou e escreveu em virtude de duas 
recentes calamidades naturais, e da iminência de uma 
invasão militar estrangeira. 
Seu tríplice propósito: 
■ Juntar o povo diante do Senhor numa grande 
assembléia solene (J1 1.14; 2.15,16); 
■ Exortar o povo a arrepender -se e a voltar-se 
humildemente ao Senhor Deus com jejuns, choro, 
pesar e clamor por sua miser icórdia (J1 2.12 -17); 
■ Registrar a palavra profética ao seu povo por 
ocasião de seu sincero arrependimento (J1 2.18 - 
3.21). 
Visão Panorâmica 
O conteúdo de Joel divide-se em três seções: 
 A primeira seção (J1 1.2-20). 
Descreve a devastação de Judá ocasionada por 
uma grande praga de gafanhotos, que arrancou as 
folhagens das vinhas, árvores e campos (J1 1.7,10), 
reduzindo o povo a indescrit ível penúria
1
. Em meio à 
Calamidade, o profeta conclama os líderes espirituais de 
Judá a guiar a nação ao arrependimento (J1 1.13,14). 
1 Pobreza extrema; indigência, miséria, escassez, falta. 
29 
 A segunda seção (J1 2.1-17). 
Registra a iminência de um juízo divino ainda 
maior, proveniente do Norte (J1 1.1-11), na forma de: 
 Outra praga de gafanhotos descr ita metaforicamente 
como um exército de destruidores, ou 
 Uma invasão militar literal. 
De novo, o profeta soa a trombeta espiritual em 
Sião (J1 2.1,15), conclamando grande assembléia solene
1
 
para que os sacerdotes e todo o povo busquem 
sinceramente a misericórdia divina, com arrependimento, 
jejuns, clamores e genuíno quebrantamento, diante do 
Senhor (J1 2.12,17). 
 A seção final (J1 2.18-3.21). 
Começa declarando a misericórdia de Deus em face 
ao arrependimento sincero do povo(os verbos hebraicos 
de Joel 2.18,19a indicam ação completada, e devem ser 
traduzidos no tempo passado). 
O humilde arrependimento de Judá e a grande 
misericórdia de Deus dão ocasião às profecias de Joel a 
respeito do futuro, abrangendo a restauração (J1 2.19b -
27), c derramamento do Espírito Santo sobre toda a 
humanidade (J1 2.28-31) e o juízo e a salvação no final 
dos tempos (J1 3.1-21). 
Tema 
O tema e seu estilo literário identificam-se mais 
com os profetas do século VIII a.C. - Amós, Miquéias e 
Isaías, do que com os profetas pós-exílicos - Ageu, 
Zacarias e Malaquias. Estes e outros fatos 
1 Que se efetua com aparato e pompa. 
30 
favorecem o contexto do século IX a.C. para o livro de 
Joel. 
O dia do Senhor está próximo, frase 
encontrada cinco vezes em Joel. Nos versículos a 
seguir (J1 1.15; 2.1-11,13; 3.14), observem que 
evidenciam com clareza como será de fato terrível e 
assustador este dia. 
A finalidade em ressaltar este tempo é o de 
avisar ao povo dos eventos culminantes do fim. Através de 
seu estilo suave, mas direto, o escritor procura exortar 
Judá a decidir-se e a consagrar-se novamente ao Senhor. 
Com sua mensagem declara que a justiça do alto está perto 
e brevemente se manifestará, a sua mensagem visa 
preparar Judá para a invasão que há de vir, este ataque de 
que fala o profeta é aquele que ocorrerá durante a Grande 
Tribulação; será quando Judá for atacada pelas hostes 
inimigas nos dias da Grande Batalha do Armagedom, que 
será o desfecho da GrandeTribulação; em Joel 2.2-10 declara que as 
tropas inimigas serão destemidas, ferozes e dominadas 
pelo zelo do destruidor. 
Quatro fases do desenvolvimento da locusta 
mencionada por Joel: 
ARA ARC As Fases 
Gafanhoto 
Cortador 
Lagarta Recém-nascido sem asas. 
Gafanhoto 
Migrador 
Gafanhoto Pode procriar já no primeiro 
estágio de desenvolvimento. 
Gafanhoto 
Devorador 
Locusta Desenvolve pequenas asas, mas 
pula bem. Começa a devorar. 
Gafanhoto 
Destruidor 
Pulgão Possui asas completas. E o 
consumidor adulto. 
31 
Existem comentários que traçam um paralelo 
entre essas pragas e os impérios da visão de Daniel: 
Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma, mas a 
interpretação mais provável é a simbólica, o incidente dos 
gafanhotos foi real, já havia acontecido, o profeta faz o 
povo lembrar daquela época aterradora
1
, porém agora o 
conscientiza das vindouras invasões inimigas, nações se 
levantarão contra Judá com grande alvoroço e fer ocidade. 
Por fim o profeta entrega a assolação passada 
para mostrar que no futuro, o dia do Senhor será por sua 
vez ainda mais terrível. 
O porta-voz do Senhor declara que há uma 
saída, voltar ao primeiro amor e tomar uma decisão 
urgente (J1 2.12-20). Rasgai o vosso coração (v.13), é um 
convite para a conversão, para uma total consagração, uma 
mudança interna. Tocai a trombeta (v. 15-17), é o acerto 
de contas com Deus. 
O livro apresenta dois objetivos: 
(1) Objetivo histórico: Tinha a finalidade de chamar a 
nação de Judá ao arrependimento, através da presença 
dos gafanhotos, da estiagem
2
 e de seus inimigos 
locais, para evitar que uma calamidade pior viesse 
sobre eles. 
(2) Objetivo profético: Era o de apresentar o futuro dia 
do Senhor no qual ele dominará os pagãos, libertará o 
seu povo para habitar com Ele. 
Autor 
Joel significa: “Jeová é Deus” é a 
composição de YHWH (Jeová) e EL (Deus), vemos aqui 
1 Que aterroriza; pavoroso, aterrador, aterrorizante. 
2
 Fa lta ou cessação d e chu va. 
32 
uma ligação direta do nome do profeta com a mensagem 
que Deus queria transmitir, “sabereis que eu sou o Senhor 
vosso Deus” (J1 2.27; 3.17). 
Joel era filho de Petuel, acredita -se ter sido 
sacerdote, morou e profetizou em Judá e na cidade de 
Jerusalém. A Bíblia registra outras quatorze pessoas com o 
nome de Joel, provavelmente Joel era conhecido de Elias e 
contemporâneo de Eliseu. 
Data 
Levando-se em conta que Joel não menciona 
nenhum rei, ou evento histór ico, não se pode determinar o 
período de seu ministér io. Acredita-se que tenha sido 
exercido depois de os exilados terem voltado a Jerusalém e 
reedificado o Templo (cerca de 510 -400 a.C.). Nesta 
época, não havia rei em Judá, e os líderes espirituais de 
maior destaque eram os sacerdotes. Acredita -se ainda que 
a mensagem de Joel haja sido entregue durante os 
primeiros dias do jovem rei Joás (835 -830 a.C.), que subiu 
ao trono de Judá com a idade de sete anos (2Rs 11.21), e 
permaneceu sob a orientação do sumo sacerdote Joiada 
durante toda a sua menoridade. Tal situação explicaria o 
destaque dos sacerdotes neste livro profético, e a ausência 
de qualquer referência à realeza. 
Cenário 
Na área polít ica Judá estava passando por um 
período de reconstrução após o perverso reinado da rainha 
Talia (841-835). Esta reconstrução ocorreu principalmente 
sob a liderança do sumo sacerdote Joiada; pois ele mesmo 
contribuiu para a morte da rainha e Joás tinha apenas sete 
anos de idade (2Rs 
33 
Ulysses
Highlight
Ulysses
Highlight
11.21) . No âmbito internacional Judá estava sendo 
molestada por vários inimigos locais: Tiro, Sidom, 
Filíst ia, Edom e Egito (J1 3.4-19). 
Referente à religião, a adoração a Baal tinha 
terminado com a santificação de Jeú em 841, e a Joiada em 
Judá em 835, porém, ao contrario da verdadeira 
purificação a Deus o povo tornou -se indiferente; já não 
tinham muito cuidado com as coisas sagradas como nós 
podemos notar em 2Reis 12.6. 
O Livro de Joel ante o Novo Testamento 
Vários versículos de Joel contribuem 
poderosamente à mensagem do Novo Testamento: 
■ A profecia a respeito da descida do Espírito Santo (J1 
2.28-32) é citada especificamente por Pedro em seu 
sermão no dia de Pentecoste (At 2.16-21), depois de 
o Espírito Santo ter sido enviado do céu sobre os 120 
membros fundadores da Igreja Primitiva, com as 
manifestações do falar noutras línguas, da profecia e 
do louvor a Deus (At 2.4,6- 8,11,17,18). 
■ Além disso, o convite de Pedro às multidões, naquela 
festa judaica, a respeito da necessidade de se invocar 
o nome do Senhor para ser salvo, foi inspirado 
(parcialmente) em Joel (J1 2.32a; 3.14; At 2.2,37-
41). Paulo também cita o mesmo versículo (Rm 
10.13). 
* Os sinais apocalípticos nos céus que, segundo 
Joel, ocorrerá no final dos tempos (J1 2.30,31), não 
somente foram lembrados por Pedro (At 2.19,20), 
mas também referidos por Jesus (Mt 24.29) e por 
João em Patmos (Ap 6.12-14). 
■ Finalmente, a profecia de Joel a respeito do 
julgamento divino das nações, no vale de Josafá 
34 
(J1 3.2,12-14), é desenvolvida ainda mais no últ imo 
livro da Bíblia (Ap 14.18-20; 16.12-16; 19.19-21; 
20.7-9). 
Há dimensões tanto presentes quanto futuras em 
todas as aplicações de Joel no Novo Testamento. Os dons 
do Espír ito que começaram a fluir através do povo de 
Deus, no Pentecoste, ainda se acham à disposição dos 
crentes (ICo 12.1-14.40). 
Além disso, os versículos que precedem à 
profecia a respeito do Espírito Santo (isto é, a analogia da 
colheita com as chuvas temporãs e serôdias
1
, J1 2.23-27) e 
os versículos que se seguem (isto é, os sinais que se darão 
nos céus no final dos tempos, J1 2.30-32) indicam que a 
profecia sobre o derramamento do Espírito Santo (J1 
2.28,29) inclui não somente a chuva inicial no Pentecoste, 
como também um derramamento final e culminante sobre 
toda a raça humana no final dos tempos. 
1 Que vem tarde, fora do tempo; tardio. 
35 
 
 
Autor: Amós. 
Data:Cerca de 760-755 a.C. 
Tema: Justiça, Retidão e Retr ibuição 
Divina pelo Pecado. 
Palavras-Chave: Julgamento e Justiça. 
Versículo-chave: Am 4.11 e 12. 
A prosper idade de Israel servia apenas para 
aprofundar a corrupção da nação. Ao ser enviado a Betel a 
proclamar a mensagem: “Arrependam-se ou pereçam”, 
Amós é de lá expulso, sendo-lhe expressamente proibido 
de ali profetizar. Quão diferentemente agiram os ninivitas 
diante da mensagem de Jonas! Parece que, pouco depois, 
Amós volta a sua casa em Judá, onde escreve sua 
mensagem. 
Seu propósito era: 
■ Entregar ao rei Jeroboão II uma versão escrita de 
suas advertências proféticas; 
■ Disseminar amplamente em Israel e Judá o oráculo 
da certeza do iminente juízo divino contra Israel e 
as nações em derredor, a não ser que estas se 
arrependessem de sua idolatria, imoralidade e 
injustiça. A destruição de Israel ocorreria três 
décadas mais tarde. 
Durante o ministério de Amós, o Reino do 
Norte achava-se en seu apogeu
1
 quanto à expansão 
territorial, paz política e prosper idade nacional. 
Internamente, porém, estava podre. A idolatria 
encontrava-se em voga
2
. A sociedade esbanjava -se à 
1 O mais alto grau; o auge. 
2 Divulgação, propagação. Popularidade; grande aceitação. Uso atual; 
moda. 
36 
procura dos prazeres. A hipocrisia e a imoralidade 
grassavam
1
. O sistema judiciário corrompia -se cada vez 
mais, e a opressão aos pobres tornara -se lugar-comum. 
Obedecendo à vocação do Deus de Israel, Amós 
proclama corajosamente a sua mensagem centrada na 
justiça, ret idão e retribuição divina. Mas o povo, 
infelizmente, não queria ouvir o que o Senhor t inha a 
dizer-lhe. 
Visão Panorâmica 
O livro de Amós divide-se, de modo natural, 
em três seções: 
 A primeira seção (Am 1.3-2.16). 
O profeta dirige primeiramente sua mensagem 
de condenação a sete nações vizinhas de Israel, inclusive 
Judá. Tendo levado Israel a aceitar prazerosamente o 
castigo desses povos (Am 1.3-2.5), Amós passa a 
descrever vividamente os pecados da nação eleita e a 
punição que lhe estava reservada (Am 2.6-16). Esta seção 
determina o tom da mensagem do livro: a condenação 
resultará na destruição e exíl io da nação israelita. 
> A segunda seção (Am 3.1-6.14). 
Registra três mensagens ousadas, iniciando 
cada uma delas com a expressão: “Ouvi esta palavra” (Am 
3.1; 4.1; 5.1). 
Na primeira, Deus julga Israel como um povo 
privilegiado, a quem Ele livrara do Egito: “De todas as 
famílias da terra a vós somente conheci; portanto, todas as 
vossas injustiças visitarão sobre vós” (Am 3.2). 
1 Desenvolver-se; alastrar-se, propagar-se progressivamente. 
37 
A segunda mensagem começa tratando as 
mulheres ricas de Israel de “vacas de Basã... que oprimis 
os pobres, que quebrantais os necessitados, que dizei a 
seus senhores: dai cá, e bebamos” (Am 4.1). Amós 
profetiza que elas ser iam levadas ao cativeiro com anzóis 
de pesca, como o justo juízo de Deus requeria (Am 4.2,3). 
Amós tem palavras semelhantes para os mercadores 
desonestos, os governantes corruptos, os advogados e 
juízes oportunistas e os sacerdotes e profetas 
prevaricadores. 
A terceira mensagem (caps. 5 e 6) alista as 
abominações de Israel. Amós, pois , conclama o povo ao 
arrependimento: “Ai dos que repousam em Sião” (Am 6.1), 
pois a ruína estava para se abater sobre eles. 
 A terceira seção (Am 7.1-9.10). 
Registra cinco visões de Amós a respeito do 
juízo divino. A quarta visão descreve Israel como um ces to 
de frutos em franco estado de putrefação
1
. O juízo divino 
já se fazia arder (Am 8.1-14). 
A visão final mostra Deus em pé ao lado do 
altar, pronto a fer ir Samaria e o Reino decadente do qual 
era ela capital (Am 9.1-10). O livro termina, com breve, 
porém poderosa promessa de restauração ao remanescente 
(Am 9.11-15). 
Tema 
Por meio de Amós, o Senhor estava declarando 
que o destino de Israel estava determinado, seu funeral 
estava marcado e brevemente iriam se realizar, os assírios 
invadiram o Reino do Norte uns 40 anos depois (722 a.C.). 
Desde então Israel jamais 
1 Decomposição das matérias orgânicas pela ação das enzimas 
microbianas. Estado de putrefato; apodrecimento, corrupção. 
38 
voltou a ser a grande nação que tinha sido no passado (Am 
5.2). 
As palavras que Amós recebeu e transmitiu lhe 
vieram dois anos antes de um terremoto que abalou Israel, 
tudo indica que este desastre foi algo real e não simbólico. 
Este acontecimento foi um sinal de advertência ou aviso 
preliminar às nações, daquilo que Deus ia derramar sobre 
elas. Deus não se deixa zombar e aquele que ousar fazê-lo 
sentirá a mão vingadora, porém justa do Todo-Poderoso e 
Soberano Senhor. 
O Reino do Sul (Judá) não está fora dessas 
predições, até a própria Jerusalém sentirá o calor 
causticante do sopro de Deus, será consumida e devastada, 
por terem rejeitado a lei do Senhor, e acreditado em 
mentiras (Am 2.6-8). Deus é amor; mas, seu amor não é 
do tipo que aceita tudo, mesmo aqueles que lhe são 
quer idos, serão punidos se persistirem em pecar; após a 
declaração do profeta Amós de que certas nações e 
também Judá seria castigada, volta a sua atenção contra 
Israel. 
A imoralidade, o materialismo, a idolatria, e 
sacrilégio são algumas das doenças infeccionadas no ovo 
de Israel (Am 2.6-8). Com isto não deram o devido valor 
às bênçãos e libertação que da parte de Deus receberam 
por esta razão, agora com medo e pavor, mesmo tentando 
fugir não ir iam conseguir escapar, fracos e indefesos, 
ter iam que sentir o gosto amargo da justiça de Deus (Am 
2.13-16). 
Israel e Judá viviam o per íodo conhecido como 
“idade de ouro”. Pois os dois reinos encontravam-se 
conforme Amós 6.1, a idéia de um colapso ou julgamento 
nacional estava longe do pensamento de todos, pois 
durante este período o Egito mostrou-se fraco e a Assír ia 
só começou a penetrar no ocidente em 745 a.C. sob o 
reinado de Tiglate-Pileser 
39 
III; ninguém jamais suspeitava que dentro de dez anos, 
desordens polít icas e assassínios
1
 estremeceriam o país, 
lançando-o de encontro à destruição. 
Autor 
Amós significa “carga” ou “carregador de 
fardos”, o livro contém muitos fardos de julgamentos ou 
calamidades que o profeta transmitiu a Israel. 
Amós nasceu em Tecoa, uma pequena aldeia a 8 
km aproximadamente ao sul de Belém; homem de 
negócios, fazendeiro e pregador, embora não fosse um 
profeta treinado na Escola de Profetas, ocupava -se com 
criações de gado e plantação de frutas, tais como: figos 
silvestres (Am 1.1,7,14); era intelectual e hábil escr itor, 
seu livro é considerado clássico tanto na expressão 
artística quanto no conteúdo, tinha um profundo senso de 
justiça social e coragem nos confrontos, como Jonas foi 
um profeta missionário. Estava perfeitamente a par dos 
acontecimentos sociais e nacionais, certamente por ir 
sempre ao norte a fim de comercializar seus produtos. 
Data 
Amós profetizou antes da queda de Israel 
(Reino do Norte), foi contemporâneo de Jonas e Os éias 
(profetas de Israel) e Isaías e Miquéias (profetas de Judá); 
nos seus dias reinava em Judá Uzias e em Israel Jeroboão 
II (Am 1.1), ano 767 a 752 a.C. Iniciou seu ministério em 
alguma data entre 760-746 a.C. Não é possível precisar a 
data do terremoto mencionado em Amós 1.1, e também 
citado em Zacarias 14.5. 
1 Ato de assassinar; homicídio, assassinato, assassinamento. 
40 
Cenário 
Profetas e sacerdotes viviam ao serviço dos 
próprios interesses, injustiças sociais eram o que havia, os 
que t inhampoder estavam sempre com a razão, 
Usurpavam os pobres e viviam na suntuosidade
1
 e no 
vício. Amós foi enfático, e atribuiu a culpa da corrupção 
ao rei e ao sumo sacerdote, razão pela qual declarou que a 
casa de Jeroboão II e a casa de Amazias, o sacerdote seria 
destruída a espada (Am 7.8-; nenhum profeta chamou 
atenção com mais eloquência do que Amós sobre a 
injustiça social, ,„corra, porém, o juízo como as águas, e a 
justiça como ribeiro impetuoso” (Am 5.24), versículo-
chave do livro que se tornou um clássico da justiça. 
Em Amós 5.6-20 enfatiza-se mais uma vez a 
grande preocupação de Deus pela moral, o ritual sem 
justiça não é religião divina, nos seus últimos 
julgamentos, o profeta deixou claro que qualquer nação „o 
violar os conceitos morais, sociais, divinos e entregar-se à 
exploração do pobre (como era naquele tempo) estaria 
fadada à prematura destruição (Am .5,8,10,12,15; 
2.3,5,14-16). 
Características Especiais 
Seis aspectos básicos caracterizam o livro de 
Amós: 
1
o
) É, primariamente, um grito profético em favor da 
justiça e da retidão, baseado no caráter de Deus. 
Enquanto Oséias sentia-se esmagado pela infidelidade 
de Israel, Amós enfurece-se pela violação dos padrões 
da justiça e retidão que o Senhor traçara ao seu povo. 
1
 Grande luxo; magnificência, aparato, pompa. 
41 
2
o
) Ilustra vividamente quão abominável é para Deus a 
religião quando divorciada de uma conduta reta. 
3
o
) E uma confrontação radical e vigorosa entre Amós e o 
sacerdote Amazias (Am 7.10-17), que se tornaria 
uma cena clássica na profecia hebraica. 
4o) Seu estilo, audaz e enérgico, reflete a inabalável 
lealdade do profeta a Deus e aos seus justos 
padrões para com o povo do concerto. 
5o) Demonstra a disposição de Deus em usar pessoas 
que lhe são tementes, aindaque desprovidas de 
credenciais formais, para que proclamem a sua 
mensagem numa era de profissionalismo. 
6
o
) Há, em Amós, numerosos trechos bem conhecidos, 
entre os quais: 3.3,7; 4.6-12; 5.14,15; 21-24; 6.1a; 
7.8; 8.11; 9.13. 
Objetivos do Livro 
O objetivo dessa profecia era soar a trombeta, 
avisando a liderança e a aristocracia de Israel do iminente 
julgamento de Deus sobre a nação. Essa admoestação não 
visava tanto às falhas religiosas, mas, sobretudo a 
corrupção espir itual, moral e social. Sendo assim, a nação 
estava para ser destruída pelas injustiças sociais 
praticadas pela aristocracia contra os pobres e fracos, pois 
Deus é um Deus de justiça. Oséias pregou o amor divino. 
Amós, a justiça. 
Em Amós 4.12, percebemos claramente a 
mensagem de Amós. No auge da prosperidade, ele anuncia 
um julgamento que viria como já mencionamos. Embora 
ofereça miser icórdia aos que reagisse favoravelmente, o 
profeta declarou que a nação em si já não t inha perdão. 
42 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
6. Não é considerado como um dos propósitos de Joel 
a) Registrar a palavra profética ao seu povo por 
ocasião de seu sincero arrependimento 
b) Exortar o povo a arrepender -se e a voltar-se 
humildemente ao Senhor Deus com jejuns, choro 
c) Juntar o povo diante do Senhor numa grande , 
assembléia solene 
d) Entregar a palavra do juízo divino contra Edom 
7. Não é uma referência de Joel que contribui 
poderosamente à mensagem do Novo Testamento 
a) A profecia a respeito da descida do Espírito Santo 
b) Os sinais apocalípticos nos céus que ocorrerá í no 
final dos tempos 
c) A profecia da vitória de Cristo sobre a morte 
c) A profecia a respeito do julgamento divino das 
nações, no vale de Josafá 
Atribuiu a culpa da corrupção ao rei e ao sumo 
sacerdote; declarou que a casa de Jeroboão II e a casa 
de Amazias, o sacerdote, seriam destruídas a espada 
a) Amós 
b) Obadias 
c) Joel 
d) Oséias 
43 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
9. Joel falou e escreveu em virtude de duas 
recentes calamidades naturais, e da iminência de 
uma invasão militar estrangeira 
10. Enquanto Amós sentia-se esmagado pela 
infidelidade de Israel, Joel enfurece-se pela 
violação dos padrões da justiça e retidão que o 
Senhor traçara ao seu povo 
 
Lição 2 
Obadias e Jonas 
Autor: Obadias. 
Data: Cerca de 840 a.C. 
Obadias Tema: O Juízo de Edom. 
Palavras-Chave: Dia, Dia do Senhor. 
Versículo-chave: Ob 15. 
Este livro foi escr ito: 
 Para revelar a intensa ira de Deus contra os 
edomitas por terem se regozijado com o 
sofr imento de Judá; e. 
 Para entregar a palavra do juízo divino contra 
Edom. 
Obadias profetiza o resultado final da atuação 
de Deus: 
 Para os edomitas - Destruição; 
 Para Israel - Livramento no futuro dia do 
Senhor. 
Visão Panorâmica 
Obadias possui duas seções pr incipais: 
 Primeira seção (vv. 1-14). 
Deus expressa, através do profeta, sua ardente 
ira contra Edom, e exige deste uma prestação de contas 
por sua soberba originada de sua segurança geográfica, e 
por ter -se regozijado com a derrota de 
45 
Judá. O juízo divino vem sobre eles; não há nenhuma 
esperança da comutação
1
 da pena; nenhum convite é feito 
para se arrependerem e voltarem ao Senhor. Serão 
exterminados para sempre! (v. 10). 
 Segunda seção (vv. 15-21). 
Refere-se ao Dia do Senhor, quando Edom será 
destruído juntamente com todos os inimigos de Deus, ao 
passo que o povo escolhido será salvo, e seu reino 
triunfará. 
Tema 
Todas as nações serão julgadas no Dia do 
Senhor (vv. 15 e 16); Edom será destruído no Dia do 
Senhor (vv. 17 e 18); a Palestina será de Israel no Dia do 
Senhor (vv. 19 e 20); toda a terra será do Senhor no Dia 
do Senhor (v. 21). 
O castigo de Edom era por causa da violência 
feita ao seu irmão Jacó (v. 10). 
A narração do profeta mostra o requinte
2
 de 
crueldade com que afligiram e tentaram exterminar seu 
irmão. Ser iam traídos pelos aliados; falhar-lhes-iam o 
conhecimento, e até mesmo os valentes ficar iam 
atemorizados
3
, sem saber o que fazer (v. 7-9). O profeta 
usa as seguintes palavras: “e serás exterminado para 
sempre” (v. 10). 
A partir do versículo 15, Obadias inclui outras 
nações inimigas de Israel no juízo de Deus, todavia Edom 
continua a ser o alvo do livro (v. 16). 
O termo “Israel” nos profetas tem dois 
significados: 
1 Atenuação de pena. Substituição, permutação. 
2 Exagero, extravagância. 
3 Sentir medo ou temor; amedrontar -se, assustar-se, intimidar-se. 
46 
 Somente o Reino do Norte; 
 O povo escolhido de Deus (abrange os descendentes 
de Abraão, Isaque e Jacó). 
Às vezes a frase “filhos de Israel” é 
explicitamente usada no versículo falando diretamente 
sobre os descendentes de Israel (Jacó). Quando o profeta 
salienta a libertação está se refer indo ao povo Judeu em 
geral. 
Obadias fala de três dias dist intos, todos 
representando violência: 
■ O primeiro dia(v. 8), fa la da época em que 
Edom será arrasada; 
■ O segundo (vv. 11 e 14) é o dia da sua 
calamidade. Este é o tempoque Judá sofreu sob 
as mãos dos edomitas, quando quer iam 
exterminar os filhos de Judá (v. 14). 
■ O terceiro dia (v. 15), é o Dia do Senhor, 
relaciona-se com o juízo, destruição e ira de Deus. 
E importante saber que a expressão “O Dia do 
Senhor” frequentemente usada nos Profetas Menores, é um 
per íodo de tempo que começa logo após o arrebatamento 
da Igreja e continua ate o estabelecimento do novo céu e 
nova terra. 
A Salvação de Israel se dará durante este dia , 
os “Salvadores” do últ imo versículo do livro são t ipos ou 
precursoresdo real Salvador: o Messias. Os 
“salvadores” fizeram as suas partes em reconquistar 
porções da terra judaica. 
Segundo alguns comentadores, são Zorobabel e 
os Macabeus, heróis da histór ia israelita. Todavia o 
trabalho completo será realizado por Cristo (o Messias) a í 
cumprirá a ult ima parte do v. 21 “e o reino será do 
Senhor” (Ez 25.12 -14), ali Ezequiel 
47 
também trata de Edom e revela o tema do livro de 
Obadias: “O Juízo de Edom”. 
 O livro de Obadias revela -nos dois objetivos: S 
Anunciar a destruição final de Edom, devido à 
violência e vingança insaciável contra Israel, o 
povo de Deus; 
 Reafirmar o triunfo do Monte Sião no Dia do 
Senhor, quando Israel possuirá a terra de Edom. 
A “cidade invulnerável” não será no monte 
Seir, mas no monte Sião. 
O livro de Obadias não é apenas o menor livro 
do Antigo Testamento, mas provavelmente também o de 
mais longa introdução, veja a seguir a lguns pontos da 
história de Edom. 
A história começa com a disputa entre irmãos 
gêmeos, Jacó e a mãe Rebeca planejam arrancar de Esaú o 
seu direito de primogenitura e benção (Gn 25 e 27). 
A inimizade e amargura de 20 anos diminuíram 
um pouco quando Jacó teve um encontro com Deus, ao 
voltar de Padã-Arã (Gn 32 e 33). Sua inimizade tornou -se 
nacional quando Israel voltou do Egito, apesar do Senhor 
ter, ordenado a Israel que não se vingasse (Nm 20.14 -21 e 
Dt 2.5). Essa inimizade entre Israel eEdom continuou por 
mil anos, de Moisés a Malaquias,envolvendo br igas e 
combates sem muita importância. 
Os edomitas foram condenados por muitos 
profetas (Nm 24.18-19; Jr 49.7-22; Ez 25.12-14; J1 3.19; 
Am 1.11-12; Ml 1.3-4). 
Em Mateus 2.1-23 o autor apresenta a histór ia 
de Jesus com registro de intensa inimizade de Herodes, o 
edomita, que se t inha tornado rei de Israel. Aquela 
inimizade pode ser notada em diversas gerações da 
dinastia herodiana: 
48 
■ Herodes o grande, procurou assassinar Jesus (Mt 
2.16); 
■ Herodes Antipas assassinou João Batista; humilhou 
e procurou matar a Jesus cruelmente no julgamento 
de Sua morte (Mt 14.10; Lc 13.31; 23.11);' 
■ Herodes Agripa I matou Tiago e tentou matar 
Pedro (At 12). 
A nação de Edom (Iduméia) e Israel 
extinguiram-se depois da invasão e expurgo romano em 70 
d.C. sendo que os romanos incorporaram-na à Arábia 
Pétrea. 
Os edomitas são evidentemente cr it icados pelos 
profetas, devido à sua renovada preeminência nos últ imos 
dias, pois serão eles os inimigos que o Messias destruirá 
quando vier em julgamento (Is 34.1-8; 63.1-4; Ml 1.4). 
Essa destruição final será completa e perpétua, embora 
outros antigos vizinhos de Israel sejam restaurados (Is 
19.23-25; Jr 49.12-13; Ez 35.9; Ob 9 e Ml 1.4). 
Obadias é a síntese do últ imo capítulo da 
história, como se fosse a conclusão dos livros sobre 
Edom, foi um povo que podia ter se tornado grande, tendo 
sido dotado de rara sabedoria e força, mas “vendeu seu 
direito de pr imogenitura” por desp rezar a Palavra de Deus 
e o povo escolhido por Deus. 
Os edomitas permitiram que um antigo ciúme 
se transformasse em amargura e vingança, incorrendo no 
eterno julgamento divino, são extremamente raros os 
edomitas de renome, ta is como: Doegue (servo de Saul) 
que matou os sacerdotes de Nobe, Hadade, inimigo de 
Davi (ISm 22.18; lRs 11.14) e Herodes que tentou matar o 
Messias (Mt 2.16). 
49 
Autor 
Obadias significa “Servo de Jeová” ou “Servo 
do Senhor”, era um nome comum no Antigo Testamento. 
No livro não é mencionado a sua genealogia, nem outro 
pormenor a seu respeito. 
Doze ou treze pessoas com tal nome são 
mencionadas na Bíblia (lRs 18.3 -16; 2Cr 17.7; 34.12,13; 
Ne 10.5). 
Sobre o profeta Obadias nada se sabe, exceto 
que ele estava em Jerusalém na ocasião dos violentos 
ataques de Edom. Como um servo, ele encobre a sua 
pessoa para salientar sua mensagem. 
Data 
Dependemos da data desta profecia para 
sabermos se o Obadias que escreveu este livro é citado 
noutra parte do Antigo Testamento. Como nenhum rei é 
mencionado, não sabemos com certeza a data em que foi 
escrito. A única alusão histór ica diz respeito a uma 
ocasião em que os edomitas regozijaram-se com a invasão 
de Jerusalém, e até mesmo tomaram parte na divisão dos 
despojos (vv. 11-14). 
Não fica claro, porém, qual invasão Obadias 
tinha em mente. Houve cinco invasões de monta
1
 contra a 
Cidade Santa durante os tempos do Antigo Testamento: 
 A de Sisaque, rei do Egito, em 926 a.C., durante 
o reinado de Roboão (lRs 14.25,26); 
 A dos filisteus e árabes no reinado de Jeorão, entre 
848 e 841 a.C. (ver 2Cr 21.16,17); 
 A do rei Jeoás de Israel no reinado de Amazias, em 
790 a.C. (2Rs 14.13,14); 
1 Importância, gravidade. 
50 
 A de Senaqueribe, rei da Assír ia, no reinado de 
Ezequias, em 701 a.C. (2Rs 18.13); 
 A dos babilônios entre 605 e 586 a.C. (2Rs 24; 
25). 
Acredita-se que Obadias tenha profetizado em 
conexão com a segunda ou quinta invasão. A destruição de 
Jerusalém por Nabucodonosor parece a menos provável, 
porque não há nenhum indício, no livro, da destruição 
completa de Jerusalém ou da deportação de seus 
habitantes. 
Os profetas que se referem à destruição de 
Jerusalém identificam sempre o inimigo como sendo 
Nabucodonosor, e não simplesmente “forasteiros” e 
“estranhos” (v. 11). Sendo assim, a ocasião da profecia de 
Obadias é mais provavelmente a segunda das cinco 
invasões, quando filisteus e árabes reuniram-se para 
pilhar
1
 a cidade. Por essa época, os edomitas, que se 
achavam sob o controle de Jerusalém, já haviam 
consolidado sua liber dade (2Cr 21.8-10). 
Seu júbilo, motivado pela queda de Jerusalém, 
fica bem patente e compreensível. Levando- se em conta 
que o per íodo do reinado de Jeorão vai de 848 a 841 a.C, e 
que a pilhagem de Jerusalém já era realidade, considera-se 
840 a.C. uma data provável à composição da profecia. 
Posição Geográfica 
Edom ficava na cadeia de montanhas e nos 
planaltos do monte Seir, a sudeste de Judá, a lém do Mar 
Morto. Seu territór io estendia -se desde Moabe, no rio 
Arnom, até o golfo de Acaba (distante cerca de 160 
1 Submeter a saque; despojar com violência devastadora; saquear. 
51 
km), com Sela (Petra) no meio. Após o cativeiro de Judá 
em 586 a.C., Edom tomou o sul da terra dos judeus, 
fazendo de Hebrom a sua cidade principal. 
Cenário Histórico-Religioso 
Este cenár io encontra-se registrado em 2Reis 
8.16- 22; 2Crônicas 21.5-20. Em 845 a.C. Judá estava 
sob o governo de Jeorão, rei iníquo, que juntamente com a 
iníqua rainha Atalia permitiu o culto a Baal, que t inha 
sido introduzido por Acabe e J ezabel em Israel cerca de 
25 anos antes. Razão pela qual o Senhor permitiu a 
invasão estrangeira para punir Judá. 
Elias e Eliseu foram contemporâneos de 
Obadias no Reino do Norte. 
Fundo Histórico 
As dificuldades entre Edom, os descendentes 
de Esaú (Gn 25.27-30) e Israel, descendentes de Jacó (Gn 
32.28-32), já exist iam há muito tempo, desde os dias de 
Moisés quando ele pediu permissão para passar em 
territór io de Edom e lhe foi negado (Nm 20.14 -21). 
Em 930 a.C. o reino de Israel se dividiu em 
dois: o Reino do Norte - Israel; e o Reino do Sul - Judá. E 
as rixas
1
 continuaram. As profecias de Obadias ocorrem 
cerca de 80 anos após essa divisão, no ano 840 a.C. 
aproximadamente. 
Edom foi um “espinho” para os judeus. Ele 
tinha perturbado muito o reino unido de I srael e agora 
continuava a fazer o mesmo com o reino de Judá. 
Deus, através do profeta Obadias falava aos 
edomitasque chegou a hora final. Eles eram culpados de 
insultar e injur iar demasiadamente o seu povo 
1 Contenda, briga. Discórdia, desavença, disputa . 
52 
escolhido, portanto, sofrer iam a pena máxima : 
extermínio da face da terra. A mensagem anunciando a 
vingança do Senhor é dir igida a Edom, mas trás conforto 
para Judá, pois fala da destruição de seus inimigos. 
Resumindo o relacionamento de Jacó (Israel) e Esaú 
(Edom) com estes acontecimentos: 
■ 1406 a.C. Edom recusou a passagem de Israel a 
caminho do Jordão (Nm 20.14-21). 
■ 992 a.C. Davi conquistou Edom matando a maior ia 
dos varões (2Sm 8.13; lRs 11.15 ss). 
■ 860 a.C. Edom atacou Judá, mas foi destruído pelos 
seus aliados Moabe e Amom, depois que o rei Josafá 
convocou o povo à oração (2Cr 20). 
■ 847 a.C. Edom revoltou-se contra Judá constituindo 
seu próximo rei (2Cr 21.8). 
■ 845 a.C. Edom e Filíst ia pilharam Judá (2Cr 
21.16- 17). E provável que o livro de Obadias 
tenha sido escrito logo após a pilhagem. 
■ 785 a.C. Amazias atacou Edom matando 20.000 
homens (2Cr 25.11-12). 
■ 735 a.C. Edom revoltou-se novamente, levando 
muitos cativos (2Cr 28.17). 
■ 586 a.C. Edom vingativamente ajudou a Babilônia 
destruir Jerusalém, e por este motivo foi lhe 
permitido estabelecer -se na parte Sul de Judá (SI 
137.7; Ez 25.12). 
■ 300 a.C. cidades e terras de Edom foram tomadas 
pelos Árabes Nabateus, forçando os edomitas a irem 
para o centro e o Sul de Judá. 
■ 165 a.C. Judas Macabeu tomou Hebrom, que se t inha 
tornado capital dos edomitas. 
■ 126 a.C. João Hircano subjugou os edomitas que 
agora eram chamados idumeus e forçou-os a serem 
circuncidados como os judeus. 
53 
■ 40 a.C. Herodes (o idumeu) tornou rei da Palestina, 
conquistando Jerusalém em 37 a.C. 
■ 70 d.C. os edomitas aliaram-se aos romanos para 
destruir e arruinar Jerusalém. A partir de então 
desapareceram das páginas como povo, sendo 
assimilados pelos Árabes Nabateus do sul de Judá. 
Como Eram os Edomitas 
Era povo orgulhoso, conhecido pela sua 
sabedoria e força. As escarpadas montanhas em que 
viviam davam-lhes isolamento e proteção natural, e os 
verdejantes planaltos proporcionavam viçosos pastos aos 
seus rebanhos. 
Sela ou Petra (no grego), é uma das cidades 
mais color idas da terra erguidas sobre arenito, é quase 
invulnerável, tem poucas entradas, a principal é “sik” um 
estreito desfiladeiro de quase 2 km, no tempo dos 
Nabateus. Essa cidade tornou-se um centro das caravanas, 
desenvolvendo um comércio em qua tro direções, 
sobreviveu como um grande centro até 630 d.C. quando 
foi devastada pelos Árabes Muçulmanos. Ficou perdida 
para o mundo ocidental até ser redescoberta em 1812. 
A terra de Edom ou de Esaú (Gn 25.30), a 
palavra significa: “vermelho”, era uma sér ie de 
penhascos ao sudeste. A referência: “ó tu que habitas nas 
fendas das rochas, na tua alta morada” (Ob 3), está 
falando da região de Petra. 
Principal Estratégia dos Edomitas 
Entre penhascos de cor vermelha, eles 
combatiam seus protegidos pelas grandes rochas, próprias 
da região, porém, a mensagem que o Senhor 
54 
Deus entrega a este povo diz com clareza que nada 
adiantará está proteção natural, pois quem comanda o 
ataque contra eles é o Senhor dos Exércitos. 
Características Especiais 
Quatro aspectos básicos caracter izam a 
profecia de Obadias: 
 É o livro mais breve do Antigo Testamento; 
 É um dos três profetas vocacionados por Deus a 
dir igirem sua mensagem quase que, exclusivamente, 
a uma nação gentia (os outros dois são Jonas e 
Naum); 
 Há muita semelhança entre Obadias e J eremias 
49.7-22; 
 O livro não é citado no Novo Testamento. 
O Livro de Obadias ante o Novo Testamento 
Embora o Novo Testamento não se refira 
diretamente a Obadias, a inimizade tradicional entre Esaú 
e Jacó, que subjaz
1
 a este livro, também é mencionada no 
Novo Testamento. Paulo refere-se à inimizade entre Esaú 
e Jacó em Romanos 9.10-13, mas assa a lembrar da 
mensagem de esperança que Deus os dá: todos os que se 
arrependerem de seus pecados, tanto judeus quanto 
gentios, e invocarem o nome do Senhor, serão salvos (Rm 
10.9-13; 15.7-12). 
1 Estar ou ficar subjacente. 
55 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
1. O livro de Obadias foi escr ito para revelar 
a) A intensa ira de Deus contra os israelitas 
b) A intensa ira de Deus contra os moabitas 
c) A intensa ira de Deus contra os edomitas 
d) A intensa ira de Deus contra os ismaelitas 
2. Foram contemporâneos de Obadias no Reino do Norte 
a) Isaías e Eliseu 
b) Elias e Jeremias 
c) Isaías e Elias 
d) Elias e Eliseu 
3. Quanto às caracter íst icas do livro de Obadias é incerto 
dizer que 
a) É o livro mais breve do Antigo Testamento 
b) O livro é vár ias vezes citado no Novo Testamento 
c) Transmite a mensagem quase que exclusivamente 
a uma nação gentia 
d) Há muita semelhança entre Obadias e Jeremias 
49.7-22 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
4. O termo “Israel” nos profetas tem dois significados: 
somente o Reino do Norte e povo escolhido de Deus 
(abrange os descendentes de 
Abraão, Isaque e Jacó) 
 5. Os edomitas eram povo orgulhoso, conhecido pela 
sua sabedoria e força 
56 
 Autor: Jonas. 
 Data: Cerca de 760 a.C. 
 Tema: A Magnitude da Miser icórdia 
 Salvífica de Deus 
Jonas 
 Palavras-Chave: Levanta - Preparado. 
 Arrependimento. 
 Versículo-chave: Jn 1.12 e 3.5. 
Seu tríplice propósito: 
■ Demonstrar a Israel e às nações a magnitude, 
ampliação da miser icórdia divina e a atividade de 
Deus através da pregação do arrependimento. 
■ Demonstrar, através da experiência de Jonas, até que 
ponto Israel decaíra de sua vocação missionár ia 
or iginal, de ser luz e redenção aos que habitam nas 
trevas (Gn 12.1-3; Is 42.6,7; 49.6). 
■ Lembrar ao Israel apóstata 1 que Deus, em seu amor e 
miser icórdia, enviara à nação, não um único profeta, 
mas muitos profetas fiéis, que entregaram sua 
mensagem de arrependimento a fim de evitar o 
castigo que o pecado fatalmente acarretaria. 
Diferentemente de Nínive, no entanto, Israel 
rejeitara os profetas de Deus e a oportunidade que Ele lhe
 oferecia para que se arrependesse de suas 
iniquidades, e recebesse os frutos da miser icórdia. 
Visão Panorâmica 
O livro de Jonas conta a histór ia da chamada 
do profeta para ir a Nínive, e de sua atitude quanto ao 
mandado divino. 
1 Que ou quem cometeu apostasia (abandono da fé). 
57 
 Capítulo 1: 
Descreve a desobediência inicial de Jonas, e o 
castigo divino subseqüente. Ao invés de rumar para 
nordeste, em direção a Nínive, Jonas embarca num navio 
que velejava para o oeste, cujo destino era Társis, na atual Espanha, o ponto mais distante 
possível da direção apontada por Deus. 
O profeta, porém, não demorou a sentir o 
peso da impugnação divina: uma violenta tempestade 
no mar Mediterrâneo, que o levou a revelar -se aos 
marinheiros. Estes, por sua vez, são obrigados a jogá -lo 
ao mar. Providencialmente, Deus prepara “um grande 
peixe” para salvar -lhe a vida. 
 Capítulo 2: 
Revela a oração que Jonas fez em seu 
cômodo excepcional. Ele agradece a Deus por ter -lhe 
poupado a vida, e promete obedecer à sua chamada. Então 
é vomitado pelo peixe em terra seca. 
 Capítulo 3: 
Registra a segunda oportunidade que Jonas 
recebe de ir a Nínive, e ali pregar a mensagem divina 
àquela gente ímpia. Num dos despertamentos espirituaismais notáveis da histór ia, o rei conclama a todos ao jejum 
e à oração. E, assim, o juízo divino não recai sobre eles. 
 Capítulo 4: 
Contém o ressentimento do profeta contra 
Deus, por ter o Senhor poupado à cidade inimiga de Israel. 
Fazendo uso de uma planta, de um verme e do vento 
or iental, Deus ensina ao profeta contrariado, que Ele se 
deleita em colocar sua graça à disposição de todos, e não 
apenas de Israel e Judá. 
58 
Tema 
Seu objetivo histór ico e duradouro era declarar 
a universalidade tanto do julgamento quanto da graça 
divina. Deus julga a iniqüidade em todas as esferas e, do 
mesmo modo, reage ao arrependimento de todas as 
nações; também retrata a verdade de que, quando o povo 
de Deus deixa de ter interesse pelos perdidos, perde a 
visão do objetivo e programa divino para o mundo. 
Obadias descreve a ira de Deus sobre os 
inimigos de Israel, por sua vez Jonas demonstra a 
miser icórdia divina a um dos antigos inimigos de Israel, 
em Obadias, o julgamento divino é pronunciado contra os 
pagãos que rejeitam a oportunidade de arrependimento e 
persistem em sua arrogância vingativa, em Jonas a 
miser icórdia divina é oferecida aos pagãos, que se 
arrependem e reagem favoravelmente a Deus. 
Os edomitas eram muito chegados de Israel 
(“parentescos e proximidade”), mas foram alvos da ira 
divina devido a sua arrogância; por outro lado os 
ninivitas estavam longe e eram depravados, povos 
guerreiros, mas foram alvos da miser icórdia de Deus 
devido ao seu arrependimento (Ob 3; Jn 3.5 -10). 
Nenhum profeta foi tão conciso em sua mensagem quanto 
Jonas, sua profecia continha apenas sete palavras (cinco 
no hebraico): “ainda quarenta dias Nínive será 
subvertida” (Jn 3.4), esta profecia não se realizou pelo 
fato de que os ninivitas se arrependeram Jonas ficou 
aborrecido), porém, sua experiência foi ma importante 
mensagem para Nínive, Israel e até mesmo para a Igreja 
de hoje (Mt 12.39-40). 
59 
Autor 
O próprio Jonas é o autor, muito embora o 
livro ser escr ito na terceira pessoa, o que pode deixar 
alguém em dúvida; todavia era um estilo comum entre os 
escritores hebraicos para relatar a sua histór ia. 
Jonas era filho de Amitai e nascido em Gate- 
Hefer (2Rs 14.25). Gate-Hefer era uma pequena aldeia de 
Zebulom, mais ou menos 3 km a nordeste de Nazaré, a 
tradição judaica diz ser ele o filho da viúva Serepta que 
foi ressuscitado por Elias, mais isso nunca foi confirmado, 
Jonas profetizou no começo do reinado de Jeroboão II, 
anunciando a Israel que o Senhor ter ia novamente 
miser icórdia dele, e lhe concedera uma espécie de grande 
desenvolvimento nacional; foi -lhe dispensada essa 
miser icórdia apesar de sua iniqüidade, como estímulo para 
o arrependimento (2Rs 14.23 -28). Jonas foi profeta, mas 
também é considerado um evangelista pelo caráter de sua 
missão e mensagem, pois vemos no decorrer do livro o seu 
tema: “A magnitude da miser icórdia Salvíf ica de Deus”. 
Jonas significa “pomba”, o profeta foi enviado 
a Nínive pelo Senhor como um “mensageiro da paz”, 
mesmo que ele não deu esta demonstração, pois fugiu da 
direção que Deus lhe dera. Seu ministér io teve lugar 
pouco após o de Eliseu (2Rs 13.14 -19), coincidiu 
parcialmente com o de Amós (Am 1.1) e foi seguido pelo 
de Oséias (Os 1.1). 
A Chamada Missionária 
A chamada missionár ia que Jonas recebeu foi a 
mais clara possível, mas ele não quer ia ser missionário, 
daí então tomou a decisão “não iria a Nínive, mas seguir ia 
viagem para Társis” (Jn 1.2 -3), 
60 
queria, portanto, fugir da presença do Senhor. Társis 
ficava mais longe da missão que era Nínive; já na 
embarcação Deus reprovou severamente a atitude de Jonas 
com uma tremenda tempestade, o medo e o pavor tomaram 
conta de todos; Jonas (o arauto rebelde), porém, se 
encontrava dormindo no porão do navio (Jn 1.5), dormia 
profundamente, quando foi despertado, foi também 
alertado a buscar ao seu Deus. Os deuses dos marinheiros 
possivelmente Fenícios, não davam nenhuma resposta, 
razão pela qual apelaram a Jonas ue buscasse ajuda 
clamando ao seu Deus, no desespero a tripulação decide 
lançar sorte a fim de descobrir quem era o culpado por tão 
violento castigo. 
A sorte caiu sobre Jonas (v.7), quer iam os marinheiros 
saber por que (v.8), ao ouvirem a resposta (v.9) e ainda 
ais que fugia da presença de Deus (v. 10) ficaram 
possuídos de grande temor. 
Deus dirigiu os fatos até que o profeta 
revelasse abertamente o seu pecado, Jonas agora estava 
m apuros, prefer iu ser lançado ao mar não sabendo o que 
lhe poderia acontecer, mas salvando a tripulação o navio 
(v.12). Na verdade o fato de pedir aos marinheiros que o 
jogasse ao mar foi um sacrifício, pois era o 
reconhecimento da desobediência; o v. 13 diz: 
“entretanto os homens remavam”, isto nos dá 
entendimento que os marinheiros, sabedores do que se 
assava com o profeta, tiveram temor de lançá -lo ao ar e 
serem castigados por Deus, ao perceberem que não 
tinham outra saída (v. 14) oraram ao Senhor antes e 
lançar o profeta Jonas ao mar. 
A atitude da tr ipulação demonstrava temor Deus do 
profeta Jonas, a versão or iginal dá a tender que 
levantaram Jonas com reverência, demonstrando que eles 
eram inocentes, e, só estavam realizando aquele ato por 
ser aprovado por Deus, o que 
61 
nos deixa claro que ao levantar ofereceram-no ao mar, 
cumprindo a vontade de Deus e salvando suas próprias 
vidas (Jn 1.11-16). Os marinheiros após lançarem Jonas 
ao mar e contemplarem a calmaria, ficaram possuídos de 
temor, e “ofereceram sacrifício e lhe fizeram promessas”, 
mesmo fugindo. 
Jonas ao final foi o meio pelo qual, vidas 
pudessem ser transformadas; Deus disciplinou Jonas 
porque t inha propós itos de bênçãos para ele e para Nínive, 
Deus tem os mares em suas mãos (Is 40.12), também toma 
providências para preservar o profeta (Jn 1.17). 
 Desta passagem tiramos três lições: 
 Os servos de Deus não podem prosperar na 
desobediência; 
 Deus não permite que seus servos pereçam no erro 
(Deus dá oportunidade ao homem, como no caso de 
Jonas; restaurá-lo do serviço que recusara); 
 O Senhor escolheu esta histór ia como figura da sua 
ressurreição (Mt 12.39-41; Lc 11.30-32). 
Data 
Seu livro foi escr ito em 760 a.C. 
aproximadamente, na época do reinado de Jeroboão II em 
793-753 a.C. (2Rs 14.25). A visita a Nínive ocorreu 
provavelmente no fim do seu longo ministér io em Israel, 
mais ou menos no ano 765 a.C. O profeta o escreveu após 
seu retomo, e procurou por meio dele ministrar a Israel. O 
arrependimento de Nínive, diante da pregação de Jonas, 
ocorreu no reinado de um destes dois monarcas assír ios: 
■ Adade-Nirari III (810-783 a.C.), cujo governo foi 
marcado por uma tendência para o monoteísmo, ou; 
62 
■ Assurda III (733-755 a.C.), em cuja administração 
houve duas grandes pragas (765 e 759 a.C.) e um 
eclipse do sol (763 a.C.). Estas ocorrências podem 
ter sido interpretadas como sinais do juízo divino, 
preparando a capital da Assír ia à mensagem de 
Jonas. 
Fidedignidade Histórica 
A histor icidade dos acontecimentos do livro de 
Jonas tem sido desafiada pelos cr ít icos modernos. Há dois 
pontos de vista básicos: o “alegórico” e o “literal” ou 
histórico, o pr imeiro afirma que a histór ia e um mito ou 
uma figura fict ícia para transmitir grande verdade 
espir itual, semelhante às parábolas; o segundo ponto de 
vista reconhece-a como histór ia verdadeira. Cremos no 
segundo ponto de vista, pois, é apresentada como 
verdadeira, refer indo-se a povo e lugares antigos 
específicos, e não dá indicação de ser fict ícia. 
Jonas é identificado como “filho de Amitai” 
(2Rs 14.25; Jn 1.1), a própria tradição judaica, sem 
exceção, test ifica a histor icidade literal de Jonas e sua 
experiência. Cristo testifica a sua histor icidade, 
mencionando milagres como sendo acontecimentos 
verdadeiros (Mt 12.40-42; 16.4; Lc 1 1.29-32). 
Dados Sobre Nínive 
Geograficamente estava localizado a leste do 
setentr ional rio Tigre, e distante aproximadamente 960 km 
de Israel, uma viagem de três meses nos tempos antigos. 
Era uma das cidades mais antiga do mundo estabelecida 
por Ninrode (Gn 10.11), calcula -se que Sua população era 
de 600.000 (seiscentos mil) habitantes aproximadamente. 
63 
Polit icamente a Assíria estava em declínio 
nessa época, essa decadência havia começado com a morte 
de Adad-Nirare III em 782 a.C., e se estendeu até a vinda 
de Tiglate-Pileser III em 745 a.C., depois de Adad-Nirare 
III reinaram Salmaneser IV (782 -773 
a.C.) a Assurdfan III (773-754 a.C.). 
Religiosamente os habitantes de Nínive eram 
conhecidos como uma “raça sensual e cruel” que vivia de 
saques e orgulhava-se dos montes de cabeças humanas que 
traziam de violentas pilhagens de outras cidades. 
Fortificaram-se com um muro interno e outro externo. O 
muro externo t inha 96 km de extensão, 30 metros de altura 
e uma largura suficiente para três carroças conduzidas 
lado a lado, também havia por todo muro intervalos; 50 
torres de 60 metros de altura para o serviço de vigilância 
realizado por sentinelas . 
Milagres de Jonas 
(Jn 1.15,17; 2.10; 3.5-10; 4.6) 
Enquanto outros profetas menores não 
registraram milagres histór icos, Jonas registra diversos, 
sobre os quais se apóia sua mensagem; quando o mar se 
acalmou após o terem lançado fora do barco, preservaçã o 
de Jonas dentro do peixe, arrependimento de Nínive, o 
rápido crescimento da planta e o aparecimento do verme. 
Jonas faz companhia com Isaías e Daniel, pois todos eles 
registram diversos milagres histór icos e são contestados 
pelos cr ít icos quanto a sua autenticidade e autor ia (Is 
37.36; 38.8; Dn 3.25; 6.22). 
O Canis Carcharus, um tubarão ou cão do mar é 
conhecido por frequentador dos mares por onde um navio 
tem que passar, viajando de Jope a qualquer porto 
espanhol, segundo livros de zoologia, um 
64 
Carcharus adulto tem um comprimento normal de 10 
metros; o célebre naturalista francês Lacepede diz que os 
cães do mar podem engolir animais muitos maiores que 
um homem sem os mutilar, pois possuem uma queixada 
infer ior com quase dois metros de extensão semicircula r, 
o que faz entender que o cão do mar pode engolir animais 
inteiros tão grandes como ele mesmo. Os cães do mar 
nunca mastigam os seus alimentos, mas engolem tudo 
inteiro. E evidente por isso, que na suposição de que esta 
espécie de tubarão seja o “grande peixe” que o Senhor 
Deus providenciou. 
Todavia, para Deus tudo é possível, e a lém 
dessa consideração registram-se no Cotton Factory Times 
de 02/08/1891, publicado no Boletim Evangélico de 
novembro de 1934, o caso de um marinheiro que foi 
engolido por uma baleia e depois achado vivo dentro do 
corpo do animal morto. 
No livro de Jonas encontramos quatro coisas 
que Deus preparou: 
 Um grande vento (Jn 1.4); 
 Um grande peixe (Jn 1.17); 
 Uma planta aboboreira (Jn 4.6); 
 Um bicho (Jn 4.7). 
Medite e analise cada ponto, seus objetivos e 
consequências, observe que a primeira menção de oração 
de Jonas foi no ventre do grande peixe (2.1 -3). Das 
profundezas do mar Jonas clama e o Senhor o ouve, faz 
um concer to com Deus e o Senhor providencia o 
livramento. 
O efeito da pregação de Jonas foi algo 
impressionante e maravilhoso, foi o maior reavivamento 
registrado na Bíblia, toda cidade de Nínive deixou os seus 
maus caminhos e voltou-se para Deus; há um 
questionamento, se o arrependimento de Nínive foi 
sincero ou não, o próprio livr o de Jonas diz 
65 
que o Senhor o considerou sincero, tanto que suspendeu o 
julgamento que lhes t inha comunicado pelo profeta (Jn 
3.10); a expressão de que “Deus” se arrependeu foi usada 
para mostrar o caráter condicional do julgamento divino, 
o qual depende das ações do homem (Jr 18.8), “Deus não 
é homem para que se arrependa”, esta expressão fala do 
seu caráter imutável (Nm 23.19; ISm 15.29). 
Embora se registre o arrependimento 
inesperado de um dos maiores t iranos da histór ia antiga, 
sua ênfase maior está no arrependimento de Jonas, o 
arrependimento de Nínive ocupa um capítulo, mas a 
história da preparação de Jonas e seu subseqüente 
treinamento são apresentados em três capítulos (1, 2 e 4), 
parece que Deus teve mais dificuldade em preparar e 
aperfeiçoar a Jonas do que todo o povo de Nínive. A 
preparação de Jonas foi realizada em etapas, a exper iência 
do peixe, preparou-o para Nínive, mas ele precisou de 
mais treinamento para voltar a Israel, Jonas estava mais 
interessado que sua profecia se cumprisse, do que com a 
salvação daquela cidade. Se isso acontecesse somaria 
vantagens como profeta, mas mostrou-se desgostoso, 
aborrecido e magoado, pois Deus perdoara o povo. 
Jonas é o Livro da Misericórdia Universal de 
 Deus (Jn 4.11) 
Nenhum outro livro do Antigo Testamento 
ensina de maneira tão enfática a extensão da miser icórdia 
divina às nações gentias, essa perspectiva mundial da 
missão de Israel foi observada anter iormente por Josué e 
Salomão (Js 4.24; lRs 8.43- 60). Muitas vezes esquecido 
pela nação no decurso das suas apostasias. Nesse ponto 
central da histór ia, Jonas 
66 
foi usado para proclamar a nação a refletir sobre o 
programa divino do julgamento universal dos malfeitores. 
E sua oferta de miser icórdia para o arrependimento e fé, a 
ênfase central na miser icórdia divina estendida a todas as 
nações é exemplificada de maneira maravilhosa no 
ministér io de Jesus. 
A relação cr istológica mais específica do livro, 
porém, é a exper iência de Jonas no grande peixe como 
antít ipo de Cristo. Jonas foi o único profeta indicado por 
Jesus como antít ipo dele próprio, pois do mesmo modo 
que Jonas esteve no ventre do grande peixe (lugar de 
morte) durante três dias e três noites, assim o filho do 
homem esteve no coração da terra; assim sendo Jesus usou 
a experiência de Jonas para tipificar a grande verdade 
bíblica: “sua própria ressurreição dentre os mortos”. 
 
Características Especiais 
 Quatro aspectos básicos do livro de Jonas: 
 E um dos dois únicos livros proféticos do Antigo 
Testamento escr itos por um profeta nascido e criado no 
Reino do Norte (Oséias é o outro). 
 Obra-prima de narrativa concisa, em prosa; 
somente a oração em ação de graças está em forma 
poética (Jn 2.2-9). 
 Está repleto da atividade sobrenatural de Deus . 
Além da providencial tempestade e do grande peixe, há 
a aboboreira, o verme, o vento or iental e a maior 
maravilha de todas: o arrependimento de toda a cidade 
de Nínive! 
 Contém, de forma mais clara que em qualquer outro 
livro do Antigo Testamento, a mensa gem de que a graça 
salvífica de Deus é tanto para os gentios como para os 
judeus. 
67 
 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
6. Em Jonas 
a) A miser icórdia divina é oferecida aos pagãos, que 
se arrependem à Deus 
b) O julgamento divino é pronunciado contra os 
pagãos que rejeitam o arrependimento 
c) É demonstrado a miser icórdia divina a vários 
antigos inimigos de Israel 
d) É descr ito a ira de Deus sobre os inimigos deIsrael 
7. Não é um milagre contido no livro de Jonas 
a) Arrependimento de Nínive . 
b) Desaparecimento do verme 
c) Preservação de Jonas dentro do peixe 
d) O rápido crescimento da planta 
8. Quanto ao livro de Jonas, é incerto afirmar que 
a) Está repleto da atividade sobrenatural de Deus 
b) É uma obra-pr ima de narrativa concisa, em 
prosa; somente a oração em ação de graças está 
em forma poética 
c) Possui a mensagem de que a graça salvífica de 
Deus é tanto para os gentios como para os 
judeus d) H É um dos dois livros proféticos escr itos por um 
profeta nascido e cr iado no Reino do Sul 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
 9. Os ninivitas eram muito chegados de Israel, mas 
foram alvos da ira divina devido a sua arrogância 
 10. Uma das lições do livro de Jonas: os servos de Deus 
não podem prosperar na desobediência 
68 
 
Lição 3 
Miquéias e Naum 
 
Autor : Miquéias. 
Data: Cerca de 740-710 a.C. 
Tema: Juízo e Salvação Messiânica. 
Palavras-Chave: Pecado, Filha 
Sião, Restante, Compaixão. 
Versículo-chave: Mq 4.3; 6.8. 
de 
Miquéias escreveu a fim de advertir a sua 
nação a respeito da certeza do juízo divino, para 
especificar os pecados que provocavam a ira de Deus, e 
para resumir a palavra profética dir igida a Samaria e a 
Jerusalém (Mq 1.1). Predisse, com exatidão, a queda dc 
Israel; profetizou que destruição semelhante ser ia sofrida 
por Judá e Jerusalém em conseqüência de seus pecados e 
flagrante rebeldia. Este livro, portanto, preserva a grave 
mensagem de Miquéias às últ imas gerações de Judá antes 
de os babilônios invadir a nação. Além disso, faz uma 
contr ibuição importante à revelação total do Messias 
vindouro. 
O objetivo histór ico do livro era enfatizar o 
peso da próxima ira de Deus sobre a nação em virtude dos 
seus pecados de violência e injustiça social, enquanto 
fingia serem religiosos. 
O objetivo adicional de Miquéias era de 
lembrar-lhes da futura vinda do Messias, que surgir ia de 
or igem humilde para governar com justiça e verdade, 
conforme promessa da aliança abraâmica. 
69 
Tema 
Podemos chamar Miquéias 6.6-8 de:o 
evangelho de justiça social de Miquéias, pois no Antigo 
Testamento não encontramos um resumo da lei mais 
simples e mais profundo, suas exigências são simples e 
sem rodeios (Ex: praticar a justiça, amar a bondade 
demonstrando-a, e andar humildemente com Deus); do 
mesmo modo Jesus resumiu a Lei como: “amor” para os 
insensíveis líderes de seu tempo. Miquéias resumiu -a 
como justiça, miser icórdia e modéstia para um povo 
completamente desprovido dessas qualidades, embora 
muitíssimo ocupado com religião (Mq 3.11), porém, os 
“milhares de carneiros”, e “dez mil r ibeiros de azeite” 
(Mq 6.7). 
Não podiam subornar a Deus e fechar seus 
olhos a ausências de justiça e miser icórdia entre os 
homens. “Pereceu da terra o piedoso, e não há entre os 
homens um que seja reto” (Mq 7.2). 
Todos espreitam para derramarem sangue; cada 
um caça a seu irmão com rede, com isto pode observar a 
total depravação que se encontrava Israel, pois viviam em 
uma sociedade idólatra e só cuidavam de seus próprios 
interesses; estavam colhendo o fruto de terem se afastado 
de Deus (Mq 7.5-6; Mt 10.35-36). 
Miquéias 4.1-8; 5.2-5 relata o reino do Messias 
e sua vinda, nos últ imos dias. Ele reinará no Monte Sião, 
onde prevalecerão a verdade, a justiça, a prosper idade e a 
paz, ali os coxos, os expulsos e os aflitos estarão reunidos 
a fim de formar o núcleo da sua “Poderosa Nação” (Mq 
4.1-7). Miquéias revela ainda (Mq 5.2) que esse reino não 
começará ostentando
1
 
1 Ostentar: mostrar ou exibir com aparato; pompear, alardear. 
70 
grandeza, pois o próprio Messias nascerá na pequena 
cidade de Belém, lugar de cr iação de carneiros, sendo Ele 
eterno, virá de Deus como Pastor de Israel. 
Mas antes que o Messias se torne grande até os 
confins da terra, a nação será “abandonada” pelo Senhor , 
por um tempo, no fim do qual surgirá para pastorear seu 
povo com grande majestade (Mq 5.3-4). 
Miquéias faz um apelo comovente ao povo, a 
Israel e a Judá; ele lamenta amargamente o estado dos 
seus compatr iotas (Mq 1.8). 
O profeta tinha grande preocupação em 
incentivar o povo a buscar a Deus; já no versículo 9 ele 
salienta a queda de Samar ia, dizendo: “suas fer idas são 
incuráveis”; e retrata a assolação do Reino do Norte da 
seguinte maneira: “... Por isso farei de Samaria um 
montão de pedras do campo, uma terra de plantar vinha; e 
farei rebolar as suas pedras para o vale, e descobrirei os 
seus fundamentos; todas as suas imagens esculpidas serão 
despedaçadas, todos os seus salários serão queimados pelo 
fogo, e de todos os seus ídolos farei uma assolação; 
porque pelo salário de prostituta os ajuntou, e em salár io 
de prostituta se tornarão” (Mq 1.6-7). 
 Jerusalém não será esquecida, “pois as suas 
fer idas são incuráveis, e o mal chegou até Judá; estendeu -
se até a porta do meu povo, até Jerusalém” (v.9). “E 
cobiçam campos, e os arrebatam, e casas, e as tomam; 
assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma 
pessoa e à sua herança” (Mq 2.1). 
A ambição e a ganância também eram visto 
pelo profeta como “deuses”, pois buscavam seus próprios 
interesses. Mas no versículo 3 Deus avisa dizendo: “as 
coisas vão mudar!” 
No capítulo 2 ele dá aviso aos gananciosos e 
falsos profetas; aos falsos porta -vozes ele diz: “Está 
irritando o Espír ito do Senhor? Estas são as tuas obras? 
71 
Fala ainda aos sacerdotes, outra vez aos falsos profetas 
além de falar aos pr incipais de Jacó, e aos chefes da casa 
de Israel” (Mq 3.1). Ele os acusa dizendo: “aborreceis o 
bem e amais o mal” (Mq 3.2). 
No capítulo 3, versículo 8, ele declara estar 
cheio do Espírito do Senhor, e cheio de poder, força e 
juízo; e declara que Israel está em má sit uação e caso não 
acorde a tempo o seu fim será o mesmo de Samaria (Mq 
3.12 compare com 3.1-6). 
Autor 
Geralmente é reconhecida a autor ia de 
Miquéias, que, todavia, alguns comentar istas modernos 
atribuem as seções da “esperança” (Mq 4.7), a uma data 
poster ior. Miquéias foi muito respeitado na época de 
Jeremias (Jr 26.18), 600 a.C. aproximadamente, o 
conteúdo do livro é compatível com o da época e 
circunstâncias de Miquéias. 
Miquéias era da comunidade rural de Morasete-
Gate (Mq 1.1-14) no sul de Judá, área agr ícola a 40 km ao 
sudoeste Jerusalém. A semelhança de Amós, era homem 
do campo, e provinha com certeza de família humilde, 
fato evidenciado mais pelo local onde morava do que por 
sua linhagem, faz referência ao trabalho de um pastor, o 
que sugere ter sido uma de suas ocupações. 
Se Isaías, seu contemporâneo em Jerusalém, 
assist ia ao rei e observava o cenár io internacional; 
Miquéias, um profeta do campo, condenava os 
governantes corruptos, os falsos profetas, os sacerdotes 
ímpios, os mercadores desonestos e os juízes venais
1
, que 
havia em Judá. Pregava contra a injustiça, a 
1 Que se deixa peitar; subornável, corrupto. 
72 
opressão aos camponeses e aldeões, a cobiça, a avareza, a 
imoralidade e a idolatr ia. E advertiu sobre as severas 
conseqüências de o povo e os líderes persist irem em seus 
maus caminhos. Predisse a queda de Israel e de sua 
capital, Samaria (Mq 1.6,7), bem como a de Judá, e de sua 
capital, Jerusalém (Mq 1.9 - 16; 3.9-12). 
Acredita-se que ele tenha sido um dos “homens 
de Ezequias” (Pv 25.1), os quais juntos com Isaías 
transcreveram e compartilharam os provérbios deSalomão, dos capítulos 25 a 29. Todavia, ele não deve ser 
confundido com um profeta anter ior chamado Micaías em 
lRs 22.8. 
Miquéias significa “quem é semelhante a 
Jeová” (Mq 7.18), é uma expressão muito adequada à 
mensagem do livro, pois enfatiza o grande poder de Deus 
no primeiro capítulo, e o grande perdão no últ imo: “Quem 
ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas as iniqüidades?” 
(Mq 7.18); mostra também a certeza do juízo do Senhor 
sobre aqueles que persist irem em pecar. Miquéias é 
conhecido como “Isaías” dos profetas menores e como 
profeta do homem pobre comum), ele mesmo tinha vindo 
de berço humilde, e conhecia as más condições dos 
pobres e tomou para si sua causa própria contra os 
vorazes líderes da nação, que visavam seus próprios 
interesses (Mq 3.1-3). 
Data 
O ministér io de Miquéias foi exercido durante 
os reinados de três reis de Judá: Jotão (751-736 .C.), 
Acaz (736-716 a.C.) e Ezequias (715-687 a.C.). Algumas 
de suas profecias foram profer idas no tempo e Ezequias 
(Jr 26.18), porém a maior ia delas reflete a condição de 
Judá durante os reinados de Jotão e de 
73 
Acaz, antes das reformas promovidas por Ezequias. Não há 
dúvida de que o seu ministér io, juntamente com o de Isaías, 
ajudou a promover o avivamento e as reformas dir igidas 
pelo justo rei Ezequias. 
A parte pr incipal, entretanto, deve ter sido 
profer ida nos reinados de Acaz e Ezequias, antes da queda 
de Samaria em 722 a.C., assim sendo, o período central 
seria 740 a 710 a.C. 
Foi profeta do Reinodo Sul, mas suas mensagens 
foram aos dois reinos. 
 
Cenário Político 
Contemporâneo de Isaías, Miquéias 
defrontou-se com um cenário semelhante o dele no que se 
refere à polít ica e à religião da época. Miquéias é 
reconhecido como o único profeta cujo ministér io foi 
desempenhado visando tanto Israel como Judá (Mq 1.1). 
Isaías também profetizou a destruição de Samaria, mas sua 
profecia era “a respeito de Judá e Jerusalém” (Is 1.1). 
Todo o livro de Miquéias denuncia a opressão do 
fraco, o suborno entre líderes, o ato de expulsa r mulheres 
de seus lares e a práticade toda a espéciede roubo, grande 
parte dele em nome da religião (Mq 2.1-2; 3.1-3,9-11; 6.10-
12; 7.1-6); com isso ele não isenta o pobre pela sua 
pobreza, todavia condena tremendamente as classes 
super iores por usurparem os pobres indefesos. 
Quando Miquéias descreve a esperança da 
restauração, surpreende a nação com o anúncio de que o 
futuro “Governador de Israel”, O Messias, virá da pequena 
cidade de Belém, ao invés da opulenta capital Jerusalém 
(Mq 5.2-4). O Messias é apresentado na condição de um 
“Pastor” como era Davi, entretanto 
74 
será maior do que Davi, e “engrandecido até os confins da 
terra” (Mq 5.4). 
Miquéias foi o últ imo profeta a mencionar 
Belém no Antigo Testamento, e com isso concentrou a 
atenção da nação sobre a pequena cidade por mais de 700 
anos. 
Conteúdo 
O livro de Miquéias consiste numa mensagem 
de três partes: 
1) Recrimina Israel (Samaria) e Judá (Jerusalém) pelos 
seus pecados específicos que incluem a idolatria, o 
orgulho, a opressão aos pobres, os subornos entre os 
líderes, a cobiça e a avareza, a imoralidade e a religião 
vazia e hipócr ita; 
2) Adverte que o castigo divino está para vir em 
decorrência de tais pecados; 
3) Promete que a verdadeira paz, retidão e justiça, 
prevalecerão quando o Messias estiver reinando. 
Igual atenção é dedicada aos três temas do 
ivro. Visto por outro prisma, os capítulos 1 -3 registram a 
denúncia que o Senhor faz dos pecados de Israel e de 
Judá, e de seus respectivos líderes, e a eminente ruína 
destas nações e suas respectivas apitais. Os capítulos 4 -5 
oferecem esperança e consolo ao remanescente no tocante 
aos dias futuros, m que a Casa de Deus será estabelecida 
em paz e retidão, e a idolatr ia e a opressão serão 
expurgadas
1
 da erra. Os capítulos 6-7 descrevem a queixa 
de Deus contra seu povo, como se fora uma cena de 
tribunal, Deus apresenta a sua causa contra Israel. Em 
seguida, 
Purificar. Tirar as sujidades a; limpar. Corrig ir, emendar. 
75 
Israel confessa a sua culpa, e logo há uma oração e 
promessa em favor dos filhos de Abraão. 
Miquéias encerra o livro, com um jogo de 
palavras baseado no significado do seu próprio nome: 
“Quem, ó Deus, é semelhante a t i?” (Mq 7.18). Resposta: 
Somente Ele é miser icordioso, e pode dar o veredicto 
final: “Perdoado” (Mq 7.18 -20). 
Semelhanças e Contrastes 
Havia entre Miquéias e Isaías semelhanças e 
contrastes, trabalhavam juntos, ta lvez mais do que 
qualquer outro par de profetas das escr itas do Antigo 
Testamento (exceto Ageu e Zacar ias). 
Semelhanças: 
 Profetizavam a próxima invasão pela Assíria; 
 Falaram do livramento de Judá, mas também de um 
cativeiro poster ior na Babilônia; 
 Enfatizaram a futilidade de uma religião 
meramente r itual; 
 Profetizaram a vinda do Messias: Isaías falou da 
sua concepção virginal, Miquéias determinou o 
local de seu nascimento; 
 Profetizaram o livramento final de Israel que ter ia 
de ser precedido de arrependimento. 
Contrastes: 
 Isaías dir igiu-se pr incipalmente à aristocracia 
urbana de Jerusalém, Miquéias falou ao povo 
comum da zona rural; 
 Isaías ocupou-se em grande escala com o cenár io 
internacional e as falsas alianças polít icas de Judá, 
Miquéias focalizou os pecados pessoais e sociais de 
injustiça que eram predominantes em Judá; 
76 
 Isaías estendeu o julgamento às nações 
circunvizinhas, Miquéias limitou condenação de 
Judá e Israel; 
 Isaías centralizou sua visão messiânica no conceito 
de servo, enfatizando a expiação e a salvação 
pessoal, Miquéias mostrou que o livramento 
nacional pelo Messias tornar -se-ia possível pela 
graça do perdão divino, conforme promessa a 
Abraão (Mq 7.20). “Porque eis que o Senhor sai do 
seu lugar, e desce, e anda sobre os altos da terra, 
os montes debaixo dele se derretem, e os vales se 
fendem, são como a cera diante do fogo, como as 
águas que se precipitam no abismo” (Mq 1.3 -4). 
 Miquéias inicia apresentando uma das mais 
tremendas descr ições do Senhor, sua descida a 
terra com terrível ira; a exemplo de Jonas, 
proclama o julgamento de Deus antes de declarar 
sua miser icórdia perdoadora; Naum, Habacuque e 
Sofonias seguem o mesmo tema do Senhor vindo 
como um Guerreiro Poderoso que faz “os montes 
tremerem” (Na 1.2-6); “os outeiros eternos”, se 
abaterem (He 3.6), e toda “a terra ser consumida” 
(Sf 1.18). Este terr ível quadro também é 
apresentado por Isaías nos capítulos 24 e 56, 
quando descreve as devastações do “Dia do 
Senhor”. 
Características Especiais 
Cinco aspectos básicos: 
■ Defende, à semelhança de Tiago, a causa dos 
camponeses humildes explorados pelos ricos 
arrogantes (cf. Mq 6.6 -8; cf Tg 1.27). Em seguida, 
Miquéias pronuncia sua exortação mais 
77 
grave e memorável acerca das exigências divinas a 
Israel: que pratiques a justiça, e ames a 
beneficência, e andes humildemente com o teu 
Deus” (Mq 6.8). 
■ Parte da linguagem de Miquéias é austera 1 e direta; 
noutras ocasiões, é eloqüentemente poética com o 
complexo uso de jogos de palavras (e.g., Mq 1.10 -
15). 
■ Tal como o profeta Isaías (cf. Is 48.16; 59.21), 
Miquéias expressa nít ida consciência de sua 
chamada e unção proféticas: “Mas, decerto, eu sou 
cheio da força do Espír ito do Senhor e cheio de 
juízo e de ânimo, para anunciar a Jacó a sua 
transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq 3.8). 
■ O livro traz uma dasmais grandiosas expressões da 
Bíblia sobre a miser icórdia de Deus e a sua graça 
perdoadora (Mq 7.18-20). 
■ O livro contém três importantes profecias citadas 
noutras partes da Bíblia: 
 Que salvou a vida de Jeremias (Mq 3.12; cf. Jr 
26.18). 
 Respeito ao local onde o Messias haver ia de 
nascer (Mq 5.2; cf, Mt 2.5,6); 
 E ainda uma outra usada pelo próprio Jesus (Mq 
7.6; cf. Mt 10.35,36). 
O Messias 
Paz e prosper idade (Mq 4.1 -5), “o monte da 
casa do Senhor será estabelecido”; é nesse Monte Sião que 
o Messias reinará, suas leis e palavras procederão de lá, as 
nações serão atraídas a Jerusalém restaurada, 
1 Rígido de caráter; severo, grave. Duro, ríspido. 
78 
aí então chegará a tão esperada paz a todos. Miquéias 
deixa claro que além da paz e prosper idade, haverá 
também poder. O Senhor nosso Deus fará de seu povo uma 
nação poderosa (Mq 4.6 -8). 
Nos dias do rei Davi e Salomão, Israel foi uma 
nação poderosa; todavia, na época dos profetas o povo de 
Deus achava-se fraco e sem o mesmo ânimo que t inha 
antes; os filisteus, edomitas, egípcios entre outros 
perturbavam constantemente e o povo judeu tinha pouco 
recurso e esperanças para lutar e se defenderem de seus 
inimigos, tudo isso por causa da desobediência a Deus, e a 
conseqüência final desta rebeldia foi mais tarde à 
dispersão. 
Miquéias faz menção a respeito de uma parte 
dos que foram levados da sua terra, foram escolhidos para 
formarem uma nação poderosa, cujo rei é o Messias (Mq 
4.6,7); no versículo 8 encontramos três expressões “Torre 
de Rebanho”, “Monte da Filha de Sião” e “Reino da Filha 
de Jerusalém” que diz respeito ao reino restaurado da casa 
de Davi, ou reino do Messias. O primeiro domínio (no 
mesmo versículo) é uma referência ao reino de Davi, que 
desta vez virá cheio de glór ia, fulgor e poder, pois Cristo 
será o rei; Israel ser ia estabelecido novamente com poder , 
a linhagem de Davi culminaria na pessoa de Jesus que 
reinar ia sobre os seus, e o seu reino ser ia para sempre (Mq 
4.7). 
Miquéias fala sobre um futuro ainda distante, 
quando Deus, através do profeta revelou que o cativeiro 
seria efetuado por Babilônia (ocorreu cerca 140 anos 
depois). O grande império daqueles dias era a Assír ia, 
Judá foi comparada a uma mulher quase para dar a luz, 
que geme com dores de parto; as dores representam o 
sofr imento que passava antes e durante o cativeiro; porém, 
a liberdade vir ia e o Senhor a remir ia 
79 
(Mq 4.9-10), em 536 a.C. aproximadamente iniciou a 
volta dela (Judá) de Babilônia. “Muitas nações” (Mq 
4.11) representam os assír ios, babilônios, gregos, 
romanos, etc. Por fim Deus fará do seu povo um 
instrumento de debulha que esmagará esses inimigos, e o 
lucro de suas investidas serão consagrados ao Senhor (Mq 
4.3). 
O Senhor dos exércitos ao restabelecer o seu 
reino, fará maravilhas, no momento em que o mundo 
pensa exterminar para sempre o povo escolhido, Deus 
intervirá e por meio do próprio povo, triunfará sobre as 
nações inimigas e ímpias; Deus declara (Mq 5) que há 
sempre esperança para o pecador (judeu ou gentio) na 
pessoa do Messias (Filho de Deus); o Messias a nossa paz 
(Mq 5.1-5) ainda não t inha vindo, mas, a sua influência 
estava se manifestando, como na derrota da Assíria (Mq 
5.5-6 e 2Rs 19); o Senhor eliminará a idolatria: “serão 
arrancados pela raiz” (Mq 5.12 -15). 
Miquéias mostra o homem separado de Deus 
(Mq 6); este capítulo diz por que o homem está separado 
de Deus e que requer para que haja restauração. Fala da 
diferença entre religião e louvor autêntico, e ainda o 
princípio do julgamento do pecado, e que a única 
esperança do homem está no perdão de seus pecados por 
Deus. 
O últ imo capítulo do livro de Miquéias, ele 
começa com uma lamentação e continua com profecias 
sobre a reedificação de Jerusalém e muitas maravilhas 
feitas pelo Messias nos dias futuros; e termina com uma 
sublime evocação da imensurável miser icórdia de Deus 
(Mq 7.18-20) que retratam a magnífica misericórdia de 
Deus em perdoar, o desejo dele em remover o pecado para 
longe do pecador, e por fim faz lembrar a todos do 
concerto abraâmico nos dias passados (Gn 22.16-17 e Is 
41.8-12). 
80 
Assim como outros profetas do Antigo 
Testamento, Miquéias olhou para além do castigo de Deus 
a Israel e Judá, e contemplou o Messias vindouro e seu 
reino justo na terra. Setecentos anos antes da encarnação 
de Cristo, Miquéias profetizou que Ele haver ia de nascer 
em Belém (Mq 5.2). Mateus 2.4-6 narra que os sacerdotes 
e escr ibas citaram este versículo como resposta à pergunta 
de Herodes concernente ao lugar onde o Messias nasceu. 
Miquéias revelou, também, que o reino messiânico ser ia 
de paz (Mq 5.5; cf. Ef 2.14-18), e que o Messias 
pastorear ia o seu povo com justiça (Mq 5.4; cf. Jo 10.1 -
16; Hb 13.20). 
As referências freqüentes de Miquéias sobre a 
redenção futura revelam que o propósito e desejo 
permanente de Deus para o seu povo é a salvação, e não a 
condenação. Tal verdade é desdobrada no Novo 
Testamento (Jo 3.16). 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
1. Predisse que o Messias nascer ia na pequena cidade de 
Belém 
 a) Obadias 
 b) Miquéias 
c) I Oséias 
d) I Malaquias 
2. O ministér io de Miquéias foi exercido durante os 
reinados de três reis de Judá 
 a) Jotão, Acaz e Ezequias 
b) Saul, Davi e Salomão 
b) Ezequiel, Jotão e Asa 
c) Acaz, Roboão e Josias 
81 
3. Quanto ao livro de Miquéias é incorreto afirmar que 
a) Defende a causa dos camponeses humildes 
explorados pelos r icos arrogantes 
b) Sua linguagem é austera e direta; noutras ocasiões, 
é poética, com o complexo uso de jogos de 
palavras 
c) Traz uma das mais grandiosas expressões da Bíblia 
sobre a miser icórdia de Deus e a sua graça 
perdoadora 
d) Ocupa-se em grande escala com o cenár io 
internacional e as falsas alianças polít icas de Judá 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
 4. Isaías falou ao povo comum da zona rural, Miquéias 
dir igiu-se pr incipalmente à aristocracia urbana de 
Jerusalém 
5. Isaías limitou condenação de Judá e Israel, 
Miquéias estendeu o julgamento às nações 
circunvizinhas 
82 
 
 
Autor: Naum. 
Data: Cerca de 630-620 a.C. 
Tema: A Destruição Iminente de Nínive. 
Palavras-Chave: Mal, Exterminar, “Eis 
que eu estou contra ti”. 
Versículo-chave: Na 1.1 e 3.7. 
O livro de Naum é o único entre os profetas 
que não profere julgamento contra Israel; apenas 
consolação, como o nome sugere. Todavia ele prediz o fim 
do seu grande inimigo do or iente (Nínive). 
Naum teve duplo propósito: 
 Deus o usou para pronunciar a destruição iminente 1 
da ímpia e cruel Nínive. Nenhuma nação tão ímpia, 
como os assírios, poderia alimentar esperança quanto 
ao juízo divino. Ela não ficaria impune. 
 Ao mesmo tempo, Naum entrega uma mensagem de 
consolo ao povo de Deus. O consolo der iva-se, não 
do derramamento do sangue dos inimigos, mas em 
saber que Deus preserva a justiça no mundo, e que 
um dia estabelecerá o seu reino de paz. 
Tema 
Grande julgamento divino sobre Nínive, a 
violenta rainha do or iente. É a seqüência da mensagem do 
profeta Jonas, por cujo ministér io os ninivitas foram 
conduzidos ao arrependimento e salvos do castigo 
eminente
2
. 
1 Que ameaça acontecer breve; que está sobranceiro; que está em via 
de efetivação imediata; impendente. 
2 Notável, preclaro. 
83 
É evidente que mudaram de opinião a respeito 
de seu primeiroarrependimento e de tal maneira se 
entregaram à idolatr ia, crueldade e opressão, que 120 anos 
mais tarde, Naum pronunciou contra eles o julgamento de 
Deus em forma de uma destruição completa. “Foi o 
objetivo de Naum, inspirar os seus patr ícios”. 
Os judeus seguros de que por demais alarmante 
que parecesse a sua posição, expostos aos ataques de 
poderosos assír ios, que já haviam levado as Dez Tribos, 
não somente fracassariam nos seus ataques contra 
Jerusalém (Is 36 e 37), mas que Nínive, sua capital, ser ia 
tomada e seu império derrotado. “Isto não acontecer ia 
pelo exercício arbitrário do poder de Jeová, mas em 
conseqüência das iniqüidades da cidade e do povo”. 
Autor 
Muito pouco a respeito de Naum é conhecido, 
como nos demais livros proféticos, a pessoa do profeta 
desaparece por trás da sua mensagem. 
Naum tem sido erroneamente considerado 
nacionalista limitado que, inspirado por sentimentos de 
ódio e vingança, profer iu uma mensagem de condenação 
contra Nínive e que, ao mesmo tempo, estendeu as 
promessas de salvação incondicional ao seu próprio povo, 
Judá. Mas essa visão ignora que este livro reflete a forma 
literár ia usual das profecias contra as nações estrangeiras 
e deve ser comparado com proclamações semelhantes (Is 
13-23; Jr 46-51; Am 1-2; e Ob). Naum significa 
“Consolação ou Conforto”; seu nome é seguido da 
designação “elcosita”, numa provável referência ao lugar 
do seu nascimento ou onde profetizou. As tentativas de 
obter uma identificação 
84 
mais precisam de Elcos não t iveram êxito. Algumas 
propostas sugerem localidades próximas à antiga Nínive 
na Galiléia e em Judá. O nome “Cafarnaum” talvez seja 
der ivado do hebraico correspondente a “aldeia de Naum”. 
Com exceção de alguns cr ít icos, a opinião é 
generalizada que Naum foi o único autor desse livro; sua 
cidade natal era Elcos, esse nome aproxima -se de vár ios 
outros nomes de cidade; ou seja: 
■ Alkush localizada ao norte de Mosul e Nínive, a 
leste do t igre; 
■ El-Kauzeh uma pequena aldeia da parte norte da 
Galiléia, identificada por Jerônimo; 
■ Elkesei ou Elcese uma pequena cidade no sul da 
Palestina (Kaush era deus edomita). 
■ A Septuaginta fala de Naum como o “elcosita”. 
■ A cidade de Cafarnaum, na parte norte da Galiléia, 
significa “Cidade de Naum” do Árabe “ Kefr-
Nahum”. 
O que melhor entendemos é que ele nasceu 
perto de Cafarnaum, na parte da Galiléia , fugiu ou 
emigrou para Elcos, na parte sul de Judá, depois da queda 
do norte, profetizou para Judá numa época de muita 
necessidade de consolação com referência aos inimigos 
Assírios. 
Como um verdadeiro profeta de Jeová, Naum 
estava profundamente consciente de que o Senhor, o 
incomparável e Todo Poderoso Deus exerce o domínio 
sobre os reinos deste mundo. Como seu pr edecessor 
Isaías, Naum também era um poeta talentoso. Utilizando 
uma r iqueza de metáforas e linguagem ilustrativa, o 
profeta retrata a destruição total de Nínive por um inimigo 
anônimo e assim expressa o alívio universal e a alegr ia de 
todos os que sofreram sob o regime opressivo de um cruel 
tirano. 
85 
Data 
Naum profetizou antes da queda de Nínive em 
612 a.C. O capítulo 3 e versículos 8 a 10 de Naum refere -
se à queda de “Nô” ou “Nô-Amom” (i.e., a cidade egípcia 
de Tebas) como evento passado, ocorr ido em 663 a.C. A 
profecia de Naum, portanto, foi profer ida entre 663 e 612 
a.C., provavelmente por volta desta últ ima data, durante a 
reforma promovida pelo rei Josias (c. 630 -620 a.C.). 
E mais provável que sua mensagem tenha sido 
entregue pouco antes da destruição de Nínive, talvez 
quando os inimigos da Assír ia estavam colocando suas 
forças em ordem de batalha para o ataque final. 
Cenário 
Os assírios eram conhecidos no mundo antigo 
pela extrema crueldade com que tratavam os povos 
subjugados. Depois de atacarem uma cidade, passavam a 
chacinar implacavelmente os habitantes, deportando o 
restante da população a outras partes do império. Muitas 
pessoas morr iam como resultado das marchas forçadas ao 
exílio (Na 3.3). Os líderes das nações conquista das eram 
torturados sem miser icórdia, e executados. 
Um século antes, Jonas fora enviado a pregar a 
Nínive, capital da Assíria. Por algum tempo, os assír ios 
arrependeram-se de seus pecados, mas logo voltaram aos 
seus maus caminhos. Deus usara tais ímpios como 
instrumento de seu juízo a fim de castigar Samaria, capita l 
de Israel, e deportar os israelitas ao exílio. Agora, 
aproximava-se rapidamente o dia do juízo para a própria 
Assíria. 
86 
Nínive era uma metrópole ímpia, imperialista e 
desonesta, com um desejo arrogante e inescrupuloso pelo 
poder e pela dominação, que se manifestava num 
impiedoso desejo por guerras. Além de seus feitos 
militares, Nínive foi condenada por suas práticas 
comerciais impiedosas e por seu mater ialismo insaciáv el 
(Na 3.16). 
Conteúdo 
O livro de Naum consiste numa sér ie de três 
profecias dist intas contra a Assír ia, especialmente contra 
Nínive, sua capital. As três profecias correspondem aos 
três capítulos do livro: 
 Capítulo 1: 
Contém uma descrição clara e marcante da 
natureza de Deus - especialmente de Sua ira, justiça e 
poder, que tornam inevitável a condenação dos ímpios em 
geral, e a destruição de Nínive em particular. 
 Capítulo 2: 
Prediz a condenação iminente de Nínive, e 
descreve, em linguagem vivida
1
, como se daria o juízo 
divino. 
 Capítulo 3: 
Alista de modo breve, os pecados de Nínive, 
declarando que Deus é justo no seu juízo, e termina com 
um quadro do julgamento já executado. 
História de Nínive 
Nínive foi uma das cidades mais antigas, 
fundadas por Ninrode (Gn 10.11), foi capital da Assír ia 
depois de Assur, embora, a capital mudasse às vezes 
‟ Que tem vivacidade. Ardente, intenso, vivo. 
87 
para outras localidades perto de Nínive; a Assíria teve 
esse nome em homenagem ao seu principal deus, Assur, 
divindade de guerra, separou -se da Babilônia antes de 
1500 a.C., mas conheceu apenas esporádicos
1
 per íodos de 
grandeza: sob o governo de Asur -Ubalite I (1363-1328), 
Tucult i-Ninurta I (1243-1207), Tiglate- Pileser I (1112-
1074), Ada-Niradi II (909-889) Salmanezer III (858-824), 
Adad-Nirari II (809-782). 
O “segundo império Assír io” teve muita 
relação com a Histór ia Bíblica: 
■ Tiglate-Pileser III (745-727 a.C.) invadiu a Síria e 
Israel do Norte; 
■ Salmanezer V (704-681 a.C.) sit iou Samaria levou 
cativo Oséias; 
■ Sargon III (721-705 a.C.) destruiu Samaria, 
subjugou Babilônia; 
■ Senaqueribe (704-681 a.C.) conquistou a 
Palestina e destruiu a Babilônia; 
■ Esaradon (681-669 a.C.) conquistou o Egito em 
671 a.C.; 
■ Assurbanipal (669-626 a.C.) tomou a Babilônia do 
seu irmão Samassumuquim em 648 a.C., levou 
Manassés cativo para a Babilônia. Fundou a maior 
biblioteca dos tempos antigos com cerca de 20.000 
volumes. 
O Império Assír io começou a se desintegrar em 
626 a.C., Nínive foi destruída em 612 a.C. e seu exército 
foi finalmente aniquilado em Carquemis (605 a.C), a 
destruição de Nínive foi tão completa que a cidade tornou -
se quase uma lenda durante dois milênios, até ser 
redescoberta em 1842 d.C. por Layard e Botta, nada 
restou da cidade e de seu poderio. 
1 Disperso, espalhado. Acidental, casual, raro. 
88 
A Assíria e a soberba de Nínive eram 
conhecidas pelo seu poderio militar e crueldade. A 
maior ia dos seus deuses eram considerados dominadores 
sobre a guerra. Seus habitantes gostavam da caça e da 
guerra.Grande parte da sua arte, cultura e ciência eram 
copiadas da Babilônia, perante o qual eles se sentiam 
infer iores. 
Finalmente, os israelitas infiéis foram levados 
para a Babilônia, e esta mandou para as terras de Israel 
mestiços
1
 babilônicos. 
O Cenário Político de Judá 
Em 710 a.C., Judá sobreviveu à invasão Assír ia 
por Sargo, em virtude do grande avivamento de Ezequias, 
enquanto a Babilônia exercia o controle do or iente, diante 
do ameaçador deslocamento da Assír ia para o lado 
ocidental, Ezequias sentiu-se grandemente tentado a 
reforçar suas defesas com o auxílio do Egito e da 
Babilônia (2Rs 18.21) o Império Assír io estava no auge do 
seu poder e ameaçava engolir Judá e todo o Oriente Médio 
na sua investida para o Ocidente, era uma época de 
grandes reformas no cenário polít ico mundial, e Judá 
precisava da consolação divina referente a violenta 
Nínive, a antiga cidadela
2
 da ferocidade. 
O Objetivo do Livro 
O principal objetivo do livro de Naum foi 
consolar Judá com referência ao seu feroz inimigo a 
Assíria. 
1 Indivíduo cujos pais ou ascendentes são de etnias diferentes. 
2 Lugar onde se pode estabelecer defesa. 
89 
No seu recado profético, Naum revelou o 
detalhado plano divino para destituir e devastar Nínive 
completamente. Essa mensagem , foi entregue ao povo de 
Judá a fim de lembrá-lo da soberania do Senhor sobre 
todas as nações, e que ele não tolera por muito tempo 
àqueles que governam com roubo e violência 
desrespeitando sua admoestação de justiça. 
■ A indignação do Senhor (Na 1.1-14); 
■ “O Senhor reserva indignação para os seus 
inimigos” (Na 1.2); 
■ “Quem pode suportar a sua indignação?” (Na 1.6). 
Naum de modo semelhante a Miquéias, 
principia o seu livro enfatizando a grande ira do Senhor , 
contra o pecado e a Sua vinda para fazer julgamento aos 
perversos, mas observe algumas caracter íst icas do zelo de 
Deus (Na 1.3): 
■ Ele é tardio em irar-se; 
■ Grande em poder; 
■ Jamais inocenta o culpado; 
■ Senhor tem saída em meio aos problemas; 
■ Possui o poder. 
Ainda em Naum 1.6 Notamos o seguinte: 
■ Não há quem possa suportar a suaindignação; 
■ Em meio a sua vingança há umrefúgio para os 
justos (Na 1.7); 
■ A Deus pertence o direito, Ele Se revela justo ao 
executar vingança (Na 1.9-11); 
■ A vingança de Deus é total e completa (Na 1.12 - 
14). Sendo assim, Naum anuncia aos judeus que 
devem se alegrar (Na 1.15). 
Nenhum outro livro da Bíblia é tão enfático na 
mensagem de julgamento e miser icórdia não 
90 
aproveitada. Suas únicas “boas novas” são a profecia 
sobre a destruição de Nínive (Na 1.15). 
Tamanha foi à preocupação do profeta com os 
pecados e julgamento daquela cidade, que os pecados de 
Israel e Judá não foram nem mesmo lembrados. 
Observem que o Senhor dedicou um livro 
inteiro para descrever vivamente sua grande ira contra um 
povo que vivia na violência, roubos e derramamento de 
sangue, e que deixou de permanecer na miser icórdia 
dispensada por Deus através do profeta Jonas. 
No capítulo dois, Naum continua seu relato, 
falando sobre a terr ível desolação de Nínive, cidade 
rainha (Na 2.7). E deixa claro que desta vez não haverá 
miser icórdia da parte de Deus (Na 2.5,8,10). Você pode 
notar que estes versículos retratam o seguinte: não haverá 
escape; por mais que sejam fortes, valentes ou experientes 
na guerra, todas as saídas estavam bloqueadas pelo 
inimigo. 
Quem gostaria de ter escr ito este livro era o 
profeta Jonas (Jn 4.2), pois ele não compreendia que o 
Senhor t inha antes uma colheita a fazer naquela cidade. O 
arrependimento dos ninivitas naquela época adiou o 
julgamento do Senhor. Pois is to só ocorreu uma vez que o 
povo voltou a antiga violência e perversidade. Há 
comentários que eles usavam açoitar seus prisioneiros até 
o ponto de arrancar sua pele, que eram depois usadas 
como ornamentos nos seus castelos e templos. O castigo 
intenso por parte do Senhor veio por desrespeito à sua 
miser icórdia. 
Nínive era símbolo clássico do mundo quanto 
ao seu poder, violência e rebeldia contra Deus desde os 
tempos de Ninrode (Gn 10.9-11), todavia, Deus ordenou a 
destruição total, a ponto de ficar 
91 
encoberta de areia durante séculos. No capítulo 3.1 -17 o 
profeta salienta as razões pelas quais Deus está se 
vingando de Nínive: 
■ Cidade sanguinár ia e cruel (Na 3.1-3), cheia de 
prostituição e feit içaria (Na 3.4-5) e cidade que se 
julgava melhor e mais forte que as outras grandes 
cidades. Exemplo: Nô-Amom ou Tebas, no Egito, 
que a própria Assíria conquistou (Na 
3.7-10). 
Quem por muito tempo julgava ser tão 
poderosa, agora seria consumida pelo fogo (Na 3.15). 
A marcante lição de Naum para as nações é que 
a lei de Deus é algo muito sér io. Embora o pecado e a violência possam ficar sem punição por algum 
tempo, dentro da longanimidade divina, todavia, não 
serão esquecidos. 
Neste caso, não está apenas em jogo o “tempo” 
de Deus, mas também a justificação do seu caráter (Êx 
34.6-7; Nm 14.18). 
O fato de ser “tardio em irar -se”, e sempre se 
mostrar miser icordioso, não o isenta de aplicar sua 
justiça. O Deus vingador descr ito por Naum é um dos 
quadros mais aterradores da Bíblia. Enquanto o livr o de 
Jonas representa a ira e o julgamento divino das nações, 
mesmo que não conheçam a lei de Moisés. 
Na referência 1.15 de Naum, mesmo que 
indiretamente entendemos ser uma referência a Cristo e 
seu evangelho onde diz: “do que anuncia boas novas, do 
que anuncia a Paz!”. 
É uma referência a Isaías 52.7, mas aplicada 
por Paulo em Romanos 10.15, quanto ao aspecto libertador 
do evangelho. 
Naum tinha por objetivo consolar Israel a 
respeito da ameaça nacional por parte de Nínive. 
92 
Características Especiais 
Três aspectos básicos caracter izam o livro de 
Naum: 
 É um dos três livros proféticos do Antigo 
 Testamento, cuja mensagem é dir igida quase que 
exclusivamente a uma nação estrangeira (os outros 
dois são Obadias e Jonas); 
 Seu conteúdo profético e linguagem poética acham-se 
pontuados de metáforas descr it ivas, vividos quadros verbais e linguagem franca 
 como em nenhuma outra parte da Bíblia; 
 Há uma ausência notável de mensagens a Judá 
 concernente aos pecados e idolatr ia danação, talvez 
porque o livro tenha sido escrito durante as reformas 
do rei Josias (2Rs 22.8 -23.5). Pelo contrário, traz 
palavras de esperança e consolo a Judá (Na 1.12,13 
15). 
 
O Livro de Naum ante o Novo Testamento 
O Novo Testamento não faz nenhum uso direto 
deste livro. A única exceção talvez seja Naum 1.15, 
versículo este que o próprio Naum colheu de Isaías 52.7. 
Paulo usou a linguagem figurada de “pés formosos” para 
enfatizar que, assim como o mensageiro no Antigo 
Testamento foi acolhido com júbilo pelo povo de Deus ao 
trazer-lhe as boas novas de paz e de livramento das mãos 
da Assír ia (Na 1.15) e Babilônia (Is 52.7). 
Da mesma forma os pregadores do novo 
concerto levam as boas novas de libertação do pecado e do 
poder de Satanás (Rm 10.15). Naum também r eforça a 
mensagem do Novo Testamento: Deus não permitirá que 
os pecadores permaneçam impunes (Na 1.3). 
93 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
6. O livro de Naum é o único entre os profetas que 
a) Não profere julgamento contra as nações 
circunvizinhas de Israel 
b) Profere julgamento contra Israel; desolação e a 
queda de Jerusalém 
c) Não profere julgamento contra Israel; apenas 
consolação 
d) Profere julgamentocontra Edom, Nínive e 
Babilônia ao mesmo tempo 
7. É o tema do livro de Naum 
a) Grande julgamento divino sobre Israel 
b) Grande julgamento divino sobre Nínive 
c) Grande julgamento divino sobre Judá 
d) Grande julgamento divino sobre Babilônia 
8. O principal objetivo do livro de Naum foi consolar 
Judá com referência 
a) Ao seu feroz inimigo a Assír ia 
b) Ao seu feroz inimigo a Babilônia 
c) Ao seu não muito amigo Samaria 
d) Ao seu feroz inimigo a Caldéia 
 Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
9. Os assír ios eram conhecidos no mundo antigo pela 
bondade com que tratavam os povos circunvizinhos 
10. Naum é um livro profético do Antigo Testamento, 
cuja mensagem é dir igida quase que exclusivamente a 
uma nação estrangeira 
94 
Lição 4 
Habacuque, Sofonias e Ageu 
 Autor: Habacuque. 
 Data: Cerca de 606 a.C. 
Habacuque Tema: Viver pela Fé. 
 Palavras-Chave: Fé, AÍ. 
 Versículo-chave: Hc 2.4. 
Os justos viverão pela fé na santidade e no justo 
julgamento divino. Diferentemente da maioria dos outros 
profetas, Habacuque não profetiza para a desviada Judá. 
Escreveu para ajudar o remanescente piedoso a 
compreender os caminhos de Deus no tocante a sua nação 
pecaminosa, e ao seu castigo iminente. 
Habacuque, após haver considerado o intrigante 
problema dos caldeus, uma nação deploravelmente ímpia, 
serem usados por Deus para tragar o seu povo em juízo (Hc 
1.6-13), garante aos fiéis que Deus lidará com toda a 
iniqüidade no tempo determinado. Entrementes, “o justo, 
pela sua fé, viverá” (Hc 2.4). “Exultarei no Deus da minha 
salvação” (Hc 3.18). 
O objetivo do livro de Habacuque era enfatizar a 
“Santidade de Deus” ao julgar o violento Reino de Judá 
pelos seus pecados, muito embora Deus tivesse usado uma 
nação ainda mais iníqua para 
95 
executar tal julgamento. “A revelação da soberania do 
Senhor sobre a histór ia transforma o lamento de 
Habacuque em um hino de alegria (Hc 3.2 -19) depois de 
viver uma profunda crise espiritual”. 
“O justo viverá pela sua fé” (Hc 2.4), 
percebemos o porquê de Habacuque ter sido denominado 
“o livro que começou a reforma”, ao des envolver a 
doutrina da justificação. 
Paulo citou Habacuque 2.4 em Romanos 1.17 e 
Gálatas 3.11, “O justo viverá pela sua fé”, e este foi o 
tema de Lutero e os demais reformadores; esta frase é 
também citada em Hebreus 10.38; em três citações no 
Novo Testamento há uma progressão interessante quanto à 
ênfase: 
■ Romanos 1.17: “Porque no evangelho é revelado, de 
fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas 
o justo viverá da fé”, a ênfase está em “O justo”. 
■ Gálatas 3.11: “É evidente que pela lei ninguém é 
justificado diante de Deus, por que: O justo viverá 
da fé”, a ênfase está em “Viverá”. 
■ Hebreus 10.38: “Mas o justo viverá da fé; e se ele 
recuar, a minha alma não tem prazer nele”, a ênfase 
está em “Fé”. 
Autor 
Habacuque quer dizer “abraçar”, ou “o que 
abraça”. Segundo muitos estudiosos, o profeta rodeia Deus 
com oração pelo país, e também com louvor por sua 
grandeza ao resolver o grande problema do profeta quanto 
à santidade. 
Lutero comentou que Habacuque revela -se um 
encorajador, ou alguém que consola uma pobre criança que 
chora fazendo-a acalmar. 
96 
O nome Habacuque pode ser der ivado do nome 
de uma planta. Quase nada se sabe sobre Habacuque, sobre 
sua família; é mencionado somente duas vezes no seu livro 
(Hc 1.1) e não é mencionado em nenhum outro lugar da 
Bíblia. 
Em virtude do seu salmo litúrgico, supõe-se que 
tenha sido levita músico do santo Templo, todavia esse 
raciocínio não se mostra muito lógico, pois o mesmo 
deveria ocorrer com Davi, que escreveu muitos salmos 
litúrgicos, e não era levita, por essa razão, supõe-se e não 
afirmamos que o mesmo era levita. Portanto, 
possivelmente Habacuque tenha sido um dos cantores do 
Templo e sacerdote da tribo de Levi, sendo, provavelmente 
natural de Jerusalém. 
Data 
O Livro de Habacuque foi escrito em 606 a.C., 
aproximadamente; vejamos algumas referências que nos 
ajudam a entender o motivo. 
No capítulo 1.6, ele faz referência aos caldeus, 
que viviam numa inacreditável ferocidade. Isso sugere uma 
data anter ior a 605 a.C. e posterior às suas conquistas 
iniciais. 
Ele não fez referência alguma a Nínive, o que 
sugere uma data posterior à destruição da cidade de Nínive 
em 612 a.C. 
O profeta preocupa-se sobremaneira com a 
violência de Judá, isto sugere uma época posterior à morte 
de Josias em 609 a.C., no iníquo reinado de Jeoaquim. 
Sendo assim, a data mais provável seria 606 
a.C., durante o reinado de Jeoaquim, antes de Judá, ser 
subjugado por Nabucodonosor. 
97 
Cenário 
 Aspecto Polít ico e Religioso. 
A luta pelo poder entre a Assíria, Babilônia e 
Egito favorecera a Babilônia. Nínive caiu em 612 a.C., o 
exército do Egito seria derrotado em 605 a.C. em 
Carquemis; portanto Nabucodonosor estava em ascensão. 
O profeta Habacuque foi contemporâneo de 
Jeremias, tendo profetizado para o Reino do Sul que se 
precipitava num colapso nacional; a reforma de Josias 
terminou com sua morte em 609 a.C. e as sementes de 
corrupção plantadas por Manassés frutificaram com 
rapidez no reinado de Jeoaquim. 
Judá era incorrigivelmente corrupta e estava 
para ser julgada, conforme ficou demonstrada pela 
“passageira” reforma de Josias, Judá não t inha tirado 
proveito da lição do julgamento divino sobre Samaria, Nô -
Amom ou Nínive, Jerusalém sofrer ia o mesmo destino nas 
mãos de adversário igualmente perverso. 
Caldeu é o nome que se dá para um habitante, 
ou alguém natural da caldeia. Os caldeus dominaram 
Babilônia no nono século a.C. Eles estavam firmemente 
estabelecidos nas praias do Golfo Pérsico, tendo como 
capital a cidade de Bit-Yakin. No reinado de Merodaque 
Baladã conquistaram a Babilônia. 
Senaqueribe, rei da Assír ia, por sua vez, 
derrotou o conquistador. Em 625 a.C., o caldeu Napolassar 
fundou o novo Império de Babilônia e os caldeus 
constituíram a raça dominante e assumiram todas as 
funções administrativas e eclesiásticas; o nome caldeu 
ficou sendo sinônimo de sábio juntamente com os 
sacerdotes de Del-Marduk, tidos como sacerdotes 
possuidores da sabedoria (Dn 1.4; 2.2-4). 
98 
O Diálogo do Profeta com Deus 
Habacuque, ao contrário dos demais livros 
proféticos é mais uma oração do que uma profecia. O 
profeta tem um diálogo ousado com Deus, fazendo-lhe 
perguntas no que diz respeito aos conhecimentos da época; 
perguntas que parecem desafiar o Senhor, tanto a santidade 
quanto o amor do Senhor, a oração continua em todo o 
livro; o profeta pergunta e espera de Deus a resposta. 
A fé divina de Habacuque é vigorosa e 
profunda, que ele pôde expressar honestamente suas 
dúvidas e ficar satisfeito quando o Senhor responde com 
novos apelos à fé. 
O profeta inicia perguntando a Deus porque a 
demora em realizar a justiça: “Até quando?” (Hc 1.2), com 
todos os acontecimentos (Hc 1.1-4), o profeta espera de 
Deus uma providência rápida, pois sabe que só o Senhor 
daria resposta aos problemas. 
O salmista também usou expressão similar
1
 (SI 
10.1) “Por que te conservas ao longe, Senhor? Por que te 
escondes em tempos de angústia?”. 
Deus ouve o profeta e lhe responde (Hc 1.5 - 
11) , o Senhor traz referência ao poderio caldeu (v.6) que 
atacaria Jerusalém, causando grande horror e ruína a 
muitos; nos versículos 7,8 e 9 fala do poder ou força com 
que atacariam Jerusalém; no versículo 10 “Escarnecem dos 
reis, e dos príncipes fazemzombaria; eles se riem de todas 
as fortalezas; porque, amontoando terras as tomam”, no 
versículo 11 o que chama a atenção é que eles cultuaram o 
seu próprio poder, isto é, “o poder é o seu deus”, o ataque 
ser ia tão terrível 
1 Que tem a mesma natureza, a mesma função, o mesmo efeito, ou a 
mesma aparência: 
99 
que o Senhor disse ao profeta: “Porque realizo em vossos 
dias obra tal, que vós não crereis quando vos for contada” 
(Hc 1.5). 
Em cumprimento da Palavra do Senhor dita ao 
profeta, o grande Império Babilônico (após algumas 
investidas contra Judá) no ano 586 a.C., entrou em 
Jerusalém, destruiu-a e levaram prisioneiros seus 
habitantes. 
A Reação do Profeta com a Resposta de Deus 
Após ouvir o que o Senhor faria com Judá (Hc 
1.5-11), o profeta dá uma pausa nos seus protestos e não 
compreende o porquê Deus usaria uma nação pagã, p ara 
punir o seu povo com tamanha crueldade (Hc 1.12 -13). 
O profeta compara Babilônia a um pescador que 
usando suas redes e anzóis apanha muitos peixes (Hc 1.14 -
16). Habacuque sabia que o povo teria que sofrer a punição 
e serem disciplinados, porém não quer ia que eles 
sofressem tanto sob o jugo desse novo poderio do oriente; 
razão pela qual intercedia, e de Deus queria saber 
(respostas) sobre o castigo vindouro de Judá (Hc 1.17). 
No capítulo 2 o diálogo continua, pois 
Habacuque já tinha obtido uma resposta, e agora aguardava 
a segunda resposta, o profeta ao questionar os meios de 
agir de Deus o fazia com ousadia e coragem. Entretanto, 
Deus estava sempre pronto a ouvir; todavia a disposição do 
profeta ante a expectativa da resposta divina, que só veio a 
partir do versículo 2 “escreve a visão, e grava -a sobre 
tábuas (de grande porte, com letras grandes), para que a 
possa ler até quem passa correndo”. A visão não trata do 
julgamento de Judá, mas do julgamento dos caldeus, e 
100 
de outros futuros inimigos do Senhor além da preservação 
do povo de Deus. 
A resposta da segunda pergunta do profeta veio 
assim: “tenha paciência, pois realizo os meus objetivos e 
nada me impedirá de cumpri-los” (Hc 2.3). 
Encontramos no capítulo 2.6-20 cinco “ais” 
sobre os babilônicos; a lista de “ais” é composta pelas 
nações “todos estes” (v.6), que t inham sido subjugadas 
pelos caldeus; elas levantam suas vozes em protesto contra 
a infância do seu opressor: 
 Ai do avarento (Hc 2.6-8); 
 Ai do cobiçador (Hc 2.9-11); 
 Ai do que pratica a crueldade (Hc 2.12-14); 
 Ai do corrupto (Hc 2.15-17); 
 Ai do idólatra (Hc 2.18-20). 
Em meio aos “ais” encontramos duas frases de 
encorajamento e esperança, a saber: 
 A terra se encherá do conhecimento da glór ia de 
Deus (Hc 2.14); 
 Senhor está no seu santo Templo (Hc 2.20). 
Estas frases indicam que, toda a impiedade 
que infesta a terra, um dia acabará e a glória do Senhor 
encherá a terra. Que o Senhor reinará onipotente no Seu 
santuário, Ele domina hoje e sempre dominará. Só o Senhor 
é digno de toda a reverência (Hc 2.18-20): 
■ (v.18) - “Que aproveita a imagem esculpida, tendo -a 
esculpido o seu artífice? A imagem de fundição que 
ensina a mentira? Pois o artífice confia na sua 
própria obra, quando forma ídolos mudos”; 
■ (v.19) - “Ai daquele que diz ao pau: Acorda e à 
pedra muda: Desperta! Pode isso ensinar? Eis que 
está coberto de ouro e de prata, e dentro dele não há 
espír ito algum”; 
101 
■ (v.20) - “Mas o Senhor está no seu santo 
Templo; cale-se diante dele toda a terra; cale-se 
diante dele toda a terra”. 
Habacuque realmente podia dizer: “O justo 
viverá pela fé”, mesmo sabendo que Judá seria julgado e 
subvertido, ele encerra o seu livro com exclamações de 
vitória e alegr ia, numa demonstração que t inha aprendido a 
ter fé em Deus em todas as situações, ele afirmou em 
Habacuque 1.12, “Não morreremos”, pois sabia que muito 
embora castigado, o povo escolhido não seria destruído 
por completo. 
“Tenho ouvido oh! Senhor, as tuas declarações, 
e me sinto alarmado, aviva a tua obra oh! Senhor, no 
decorrer dos anos, fazei-a conhecida, na tua ira lembra-te 
da miser icórdia” (Hc 3.2). Ele se achava alarmado ou 
assombrado com a maneira que o Senhor agiria, todavia, 
compreende a situação, porém, lembra - se que o Senhor é 
misericordioso e revela que seu desejo principal (em meio 
às frustrações) é que Deus intensifica a sua obra, e anela 
que Ele continue a operar entre o Seu povo. Que ao 
decorrer dos anos, Deus restaure Israel ao seu devido 
lugar, que não seja severo demais ao castigá -lo, e que o 
faça conhecido e novamente digno entre as nações, 
glorificando assim o Seu bendito nome. 
“Deus vem de Temã e do monte de Parã vem o 
Santo” (Hc 3.3-16), diz respeito à direção donde viria a 
manifestação do Senhor. Sua justiça e glória representam 
meramente “o ponto de partida” da vinda do Senhor contra 
os caldeus. Temã era um distrito ao sul de Edom. Parã é 
uma área montanhosa, região do Sinai. 
O profeta salienta dois aspectos da justiça 
divina em sua oração (Hc 3): 
1
o
) E o seu direito de julgar 
102 
2
o
) É o seu propósito de julgar; 
O profeta descreve ainda o grande poder de 
Deus: 
 A terra treme (v.6); 
 O sol e a lua pararam (v. 11); 
 Transpassas a cabeça dos guerreiros (v. 14). 
Ao ouvir o som da marcha do exército do 
Altíssimo, Habacuque fica comovido no seu íntimo, 
reconhecendo que somente o Senhor tem absoluta 
autoridade para julgar os povos (Hc 3.15 -16). Seus 
propósitos em julgar são: 
S Para salvar o seu povo; 
S Para destruir seus adversários (Hc 3.13). 
O profeta a estas alturas dos acontecimentos 
podia entender o porquê aguardar em silêncio até o “tempo 
determinado” (Hc 2.3). 
O dia da angústia para alguns é interpretado 
como sendo aquele dia em que Judá ser ia invadido e 
devastado pelos babilônicos; para outros é o dia do 
julgamento do Senhor sobre os babilônicos; porém, esse 
dia de calamidade é aquele que sobrevirá aos inimig'os dos 
judeus; contudo o profeta será recompensado por sua 
espera, vendo o Senhor tratando com justiça os inimigos 
que tanto oprimiam o seu povo. 
A mensagem de Habacuque é maravilhosa, é 
uma exclamação de fé e ânimo mediante as presentes 
circunstâncias escuras de Judá; ou seja: 
■ “Ainda que a figueira não floresça, nem haja frutos 
nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e 
os campos não produzam mantimento; ainda que o 
rebanho seja exterminado da malhada e nos curais 
não haja gado” (Hc 3.17); 
103 
■ “Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no 
Deus da minha salvação” (Hc 3.18); 
■ “O Senhor Deus é minha força. Ele fará os meus 
pés como o da corça, e me fará andar sobre os meus 
lugares altos” (Hc 3.19). 
Pregou e vivenciou a fé no Deus Todo 
Poderoso, pois pelos olhos da fé, viu além da carência de 
alimentos do seu dia; avistou um futuro quando o Santo 
de Israel faria rejuvenescer a lavoura, os animais, a terra 
e o povo; louvava a Deus por tudo isto que enxergava pela 
fé. 
Características Especiais 
Cinco aspectos básicos caracterizam a profecia 
de Habacuque: 
1) Ao invés de profetizar a respeito da apóstata Judá, 
registra, em seu “diário” pessoal, suas conversações
 particulares com Deus, e a 
subseqüente revelação profética. 
2) Contém pelo menos três formas literárias dist intas 
entre si: “diálogo” entre o, profeta e Deus (Hc 1.2 - 
2.5) ; “ais proféticos” clássicos (Hc 2.6 -20); e um 
“cântico profético” (Hc 3) - todas com dicção 
vigorosa e com metáforas pitorescas. 
3) O profeta manifesta três caracter ísticas em meioaos 
tempos adversos: faz perguntas honestas ao Senhor 
(Hc 1); revela fé inabalável na soberania divina (Hc 
2.4; 3.18,19); e manifesta zelo pelo avivamento (Hc 
3.2). 
4) A visão que o profeta tem de Deus no capítulo três é 
uma das mais sublimes da Bíblia, e relembra a 
104 
teofania
1
 no monte Sinai. Outros trechos inesquecíveis 
em Habacuque são: 1.5; 2.3,4,20; 3.2,17-19. 
5) Nenhum profeta do Antigo Testamento fala com mais 
eloqüência a respeito da questão da fé que Habacuque 
- não somente na sua declaração, “o justo, pela sua fé, 
viverá” (Hc 2.4), como em seu testemunho pessoal (Hc 
3.17-19). 
Questionário 
■ Assinale com “X” as a lternativas corretas 
1. Enfatizar a “Santidade de Deus” era 
a) Oobjetivo do livro de Naum 
b) Oobjetivo do livro de Ageu 
c) Oobjetivo do livro de Sofonias 
d) Oobjetivo do livro de Habacuque 
2. E o versículo-chave do livro de Habacuque 
a) “O grande dia do Senhor está perto, está perto” 
b) “... O justo, pela sua fé, viverá” 
c) “Levantai-me, e lançai-me ao mar, e o mar se 
aquietará” 
d) “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha 
de Jerusalém” 
3. E comparada pelo profeta Habacuque, a um p escador 
que usando suas redes e anzóis apanha muitos peixes 
a) Babilônia 
b) Jerusalém 
c) Samaria 
d) Nínive 
1 Manifestação de Deus, desde a voz até a imagem, perceptível pelos 
sentidos humanos. 
105 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
4. Diferentemente da minoria dos outros profetas, 
Habacuque profetiza para a desviada Judá 
5. Habacuque, ao contrário dos demais livros proféticos 
é mais uma oração do que uma profecia 
 
Sofonias 
Autor: Sofonias. 
Data: Cerca de 630 a.C. 
Tema: O Dia do Senhor. 
Palavras-Chave: O Dia 
Senhor está no meio de t i. 
Versículo-chave: Sf 1.14 e 3.12. 
do Senhor, o 
O livro de Sofonias com apenas 53 versículos 
mostra como a situação religiosa do reino de Judá se 
deter iorou drasticamente após a morte de Ezequias. Os 
judeus cada vez mais se inclinavam para a adoção de 
costumes assírios, que então exerciam grande influência 
cultural sobre a Palestina. As práticas religiosas 
degeneradas, anter iores à grande reforma religiosa de 
Josias, transparecem, com certos detalhes, no trecho de 
2Reis 23.4-20. 
Esta profecia tinha por objetivo divulgar um 
chamado da undécima hora à nação, condenando sua 
idolatria e advertindo o povo sobre o “Grande Dia da Ira 
Divina”, que estava para vir. Além desse aviso, Sofonia s 
enfatizou novamente os resultados finais do julgamento de 
Israel, que seria um povo purificado e humilde , restaurado 
pelo Senhor, que passaria a habitar no meio deles. Ele 
inicia de maneira brusca a sua profecia (Sf 1.1 -6), dizendo 
que Deus vai consumir todas as coisas sobre a face da terra 
(Sf 1.2,3). 
O profeta inicia profetizando o fim de tudo, e 
depois recua aos poucos deixando claro o julgamento de 
Deus sobre algumas nações e sobre o seu próprio povo. “O 
dia da ira do Senhor” (Sf 1.1 -18), é um trecho dos mais 
pavorosos dentre todos os Profetas Menores. Neles 
encontramos uma narração espantosa sobre o “terrível dia 
do Senhor”, as frases sinônimas que Sofonias usa para 
descrevê-lo são (Sf 1.15-16): 
107 
 Dia de indignação; 
 Dia de angústia; 
 Dia de alvoroço e desolação; 
 Dia de escuridão e negrume; 
 Dia de nuvens e densas trevas; 
 Dia de trombeta e de rebate contra as cidades fortes e 
contra as torres altas. 
A primeira parte tem a ver com Judá (Sf 1.7 - 
13) e a segunda inclui toda a terra (Sf 1.14-18). O verso 
18 diz que de nada valerá o ouro e a prata, pois Deus não 
se deixa subornar. 
Tema 
A repetição frequente da frase “Dia do Senhor” 
sugere imediatamente que Sofonias t inha uma mensagem 
de julgamento. Mas, como acontecia com quase todos os 
demais profetas, tem também uma mensagem de 
restauração. “Já se disse que a profecia de Sofonias é 
peculiarmente estér il, sem vida, sem flor, sem fruto, sem 
nenhuma das belezas naturais; nada senão um mundo 
queimado por um forte vento abrasador”. Se for assim, 
qual é o motivo? Vejam as condições descritas. 
Os homens vivendo no luxo, negando a 
intervenção divina; a cidade materializada, egoísta, 
luxuosa; os regentes, príncipes, juízes, profetas c 
sacerdotes, todos corrompidos. A situação toda pode ser 
expressa numa palavra “caos”. Qual é, então, a histór ia do 
Dia do Senhor? Caos consumado, desordem, condições 
más, destruição, até que a cidade apareça ante os olhos do 
profeta assombrado, como uma paisagem sombria sem 
nenhuma vegetação, varrida por um vento abrasador. 
108 
Autor 
Sofonias, cujo nome significa “o Senhor 
esconde”, era tataraneto do rei Ezequias. Ele profetizou 
durante o reinado de Josias (639-609 a.C.), o últ imo 
governante piedoso de Judá (Sf 1.1). Sua referência a 
Jerusalém como “este lugar” (Sf 1.4), bem como a 
descrição minuciosa de sua topografia
1
 e de seus pecados, 
indica que residia na cidade. Como parente do rei Josias, 
tinha imediato acesso ao palácio real. 
Conforme era de se esperar, suas profecias 
focalizavam a Palavra do Senhor endereçadas a Judá e às 
nações. 
Sofonias é um autêntico profeta do Senhor, 
enfrentou uma nação corrupta e ímpia, Judá. Embora 
identificado com o povo escolhido, t al nação não poderia 
subsist ir, pois o Senhor é um Deus justo. Bem para o 
nordeste ficava a poderosa Assíria que haver ia de ser 
usada pelo Senhor como seu instrumento para produzir a 
destruição de Judá. Essa destruição ser ia um dia em que a 
justiça do Senhor seria vindicada. Seria realmente um Dia 
do Senhor. 
Um comentarista moderno disse que é 
perfeitamente evidente que o capítulo 3 não foi escrito por 
Sofonias, porque o contraste é muito grande entre o quadro 
do juízo terrível, devastador, irrevogável e o da 
restauração. Ninguém pode imaginar, declara ele, que o 
mesmo homem tivesse escr ito ambos. Tudo isto é o 
resultado da cegueira do expositor. O último quadro é o de 
Jeová entronizado, o quadro de uma nova ordem: cânticos 
em vez de tristeza, serviço em vez de egoísmo, 
solidariedade em vez de dispersão. 
1 Descrição minuciosa de uma localidade. 
109 
Data 
O pecado dos quais Sofonias acusava Jerusalém 
e Judá (Sf 1.4-13; 3.1-7), indicam que ele profetizou antes 
do reavivamento e reformas promovidas por Josias. 
Período este marcado pela iniqüidade dos reis que 
antecederam a Josias (Manassés e Amom). 
Foi somente no décimo segundo ano do reinado 
de Josias (627 a.C.), que o rei empreendeu a purificação 
do povo com o banimento da idolatria e a restauração do 
verdadeiro culto ao Senhor. Oito anos mais tarde, 
ordenar ia o conserto e a purificação do Templo. Nesta 
ocasião, Hilquias, encontrou o livro da lei na casa do 
Senhor (2Rs 22.1-10). 
A descrição que Sofonias faz das lamentáveis 
condições espir ituais e morais de Judá devem ter sido 
escritas por volta de 630 a.C. E provável que a pregação 
de Sofonias tenha t ido influência direta sobre o rei, 
inspirando-o em suas reformas. O ano de 630 a.C. é 
também indicado devido à ausência de referências, no 
livro de Sofonias, à Babilônia, sendo esta uma potência 
reconhecida no cenár io internacional. Babilônia só 
começou a galgar uma posição de destaque com a 
ascendência de Nabopolassar em 625 a.C. Mesmo assim, 
Sofonias profetizou a destruição da grande Assíria, evento 
este ocorrido em 612 a.C., com a queda de Nínive. 
Jeremias era um contemporâneo mais jovem de Sofonias. 
Cenário 
Sofonias desempenhou seu ministér iono início 
do ministér io de Jeremias; o cenário mundial passava por 
profundas transformações, tanto na parte 
110 
internacional quanto nacional. A Assíria estava em 
declínio, a Babilônia ascendia ao poder sob 
Nabopolassar e o Egito penetrava na Palestina, mas não 
de modo eficiente; durante o longo reinado de 
Manassés, Judá tinha se enfraquecido, e praticamente 
era dependente da Assír ia, desta forma enfraquecida 
tanto política quanto moralmente, foi que o Rei Josias 
começou a reinar, com apenas 8 anos de idade, em 640 
a.C. Josias começou a reinar após 55 anos de 
derramamento de sangue e corrupção sob Manassés e 
Amom (2Cr 34), o seu reinado pode ser assim dividido: 
640-632 a.C. Princípio do reinado até buscar o Senhor 
aos dezesseis anos. 
632-629 a.C. Período de reinado depois de buscar ao 
Senhor antes da reforma. 
628-621 a.C. Primeira purificação da idolatria em 
Jerusalém e todo Israel. 
623-609 a.C. Posterior purificação depois de ser 
encontrado no Templo o livro da Lei e 
reunido o povo para renovação da 
Aliança. 
Cidades e Países 
■ Filíst ia será destruída totalmente, não haverá nela 
morador nenhum (Sf 2.4-5); 
■ Moabe e Amom serão como Sodoma e Gomorra (Sf 2.8 -
9); 
■ Etiópia será morta pela espada do senhor (Sf 2.12); 
■ Assíria (Nínive) será como um deserto (Sf 2.13 -14). 
Ai da rebelde e contaminada, da cidade 
opressora. Não escuta a voz, não aceita a correção, não 
confia no Senhor, nem se aproxima do seu Deus. Os 
111 
seus oficiais são leões rugidores no meio dela; os seus 
juízes são lobos da tarde, que nada deixam para o dia 
seguinte. Os seus profetas são levianos, homens 
aleivosos
1
; os seus sacerdotes profanam o santuário, e 
fazem violência à lei. 
O Senhor é justo no meio dela; ele não comete 
iniqüidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; 
o injusto, porém, não conhece a vergonha. Exterminei as 
nações, as suas torres estão assoladas; fiz desertas as suas 
praças a ponto de não ficar quem passe por elas; as suas 
cidades foram destruídas, até não ficar ninguém, até não 
haver ninguém, até não haver quem as habite. 
Eu dizia: “Certamente me temerás e aceitarás a 
correção; e assim a sua morada não ser ia destruída 
conforme tudo o que eu havia determinado a respeito dela. 
Mas eles se levantaram de madrugada, e corromperam 
todas as suas obras”. Aqui nós vemos as ameaças contra 
Jerusalém, pois Israel não ficará isento do juízo do Senhor. 
Dia do Senhor e Israel 
Diante disso o profeta lembra Judá que serve a 
um Deus justo (Sf 3.5). Assim o Senhor espera que seu 
povo siga o seu exemplo e não andem segundo os 
caminhos de outros povos que viviam ímpiamente. Pois 
esses povos serão exterminados pela ira de Deus, e se 
Israel trilhasse o mesmo caminho, teria por conseqüência o 
mesmo fim (Sf 3.6-7). Mas mesmo diante de toda a 
orientação de Deus, você percebe a reação negativa no 
versículo 7. 
O profeta mostra o lado alegre do Dia do 
Senhor (Sf 3.8-20), “a salvação da filha de Jerusalém”; 
1 Que procede com aleive; desleal, traidor, pérfido. Caluniador. 
112 
1 
a salvação do remanescente de Israel, em meio à destruição 
das nações, o profeta salienta em suas profecias a época da 
vinda do Messias “O Rei de Israel” (Sf 3.15). Ele virá 
como guerreiro vitor ioso para livrá -lo de todos os seus 
últ imos inimigos, restaurar Jerusalém e habitar entre o seu 
povo; portanto a vinda do Messias será alvo de grande 
alegria e contentamento. 
O Dia do Senhor em Sofonias 3, fala também de 
purificação e seus resultados (vv 8-9). Os dispersos de 
Israel que voltarão à Jerusalém e à sua terra. Deus 
guardará do fogo de seu zelo e continuarão confiantes no 
seu Salvador e viverá em paz o povo de lábios puros (v.9). 
Por isso o profeta convida o povo a entoar um hino de 
louvor ao Senhor (Sf 3.14) “Canta o filho de Sião (Israel)”. 
“O Rei de Israel, o Senhor está no meio de t i”; esta é a 
razão da alegr ia, pois afastou as sentenças, e lançou fora 
os inimigos, e no final do versículo 15 diz: “Tu já não 
verás mal algum”. 
Sofonias fala da volta de Israel à sua terra (Sf 
3.19-20), o seu ponto de vista histór ico salienta o retorno 
dos judeus da dispersão, o dia glor ioso do seu retorno a 
Jerusalém, neste dia os inimigos do povo de Deus „ se 
defrontarão com Ele (Deus) e serão eliminados; assim o 
Sumo Pastor, abrigará suas ovelhas que andavam dispersas, 
o seu opróbrio (ignomínia ou desonra) será transformado 
em glória e estarão unidos obedecendo ao seu Rei, “Um 
louvor e um nome” (v. 19- 20). 
113 
 
Ageu 
Autor: Ageu. 
Data: 520 
a.C. Tema: Reedificação do Templo. 
Palavras-Chave: A Casa do Senhor, 
Considerai, Glória. 
Versículo-chave: Ag 1.14. 
Depois de estabelecer-se na terra o povo er igiu 
um altar de holocaustos no local do Templo. Dois anos 
mais tarde, em meio a grandes regozijos, foram lançados 
os alicerces do Templo. Seu regozijo logo se tornou em 
tristeza, porque, por meio dos esforços hostis, os 
samaritanos foram ordenados, por um decreto imperial, 
que fosse interrompida a obra. 
Durante 16 anos o Templo permaneceu 
inacabado, até o reinado de Dario, quando esse rei 
publicou uma ordem permitindo a conclusão da obra. Mas, 
nesse tempo o povo t inha se tornado indiferente e egoísta, 
e, em vez de construir o Templo, estava ocupado 
adornando as suas próprias casas. Como resultado desta 
negligência, foi castigado com seca e esterilidade. 
Ageu declara que a indiferença egoísta do povo 
no tocante às necessidades do Templo era a ca usa dos seus 
infortúnios. 
Autor 
Ageu significa “Festivo”, há quem diga que 
esse nome está intimamente ligado ao maior objetivo de 
sua profecia, que era completar o Templo para reiniciar as 
festividades religiosas. 
Ageu é um dos profetas pós-exílico, 
contemporâneo de Zacarias. Foi primeira voz profética 
114 
a se ouvir depois do cativeiro babilônico. Ageu t inha 
qualidades de um bom pastor. Um encorajador cuja palavra 
estava em sintonia com o coração do povo e a mente de 
Deus, levando ao grupo desanimado à segurança da 
presença de Deus. 
O livro é dirigido a todo o povo com a 
finalidade de despertá-los a reconstruir o Templo. 
A tradição judaica sustenta que ele nasceu na 
Babilônia e estudou sob a orientação de Ezequiel, e veio 
para Jerusalém após o retorno do pr imeiro grupo de 
exilados, pois o seu nome não consta da lista dos que 
retornaram (Ed 2.2). 
Ageu teve como contemporâneo Zacarias. 
Juntos foram os principais incentivadores dos trabalhos de 
restauração do Templo. 
Data 
O livro de Ageu foi escrito em 520 a.C. É um 
dos livros bíblicos com data mais exata, datado do segundo 
ano do Rei Dario Histaspes, rei da Pérsia (521-486 a.C.). 
Ageu é o primeiro livro profético a apresentar 
uma data nos reis gentios (com exceção de Daniel); isto 
nos lembra o fato de que os “tempos gentios” estavam na 
sua segunda fase, foi o pr imeiro profeta do Pós -Cativeiro, 
seguido depois por Zacarias. 
Ageu colaborou ainda com o sentido espir itual 
da reedificação da casa de Deus com muito cuidado e 
fervor. 
Ageu inicia seu ministério profético numa hora 
que o povo se encontrava muito desanimado, pois haviam 
começado a reconstrução do Templo e não deram 
continuidade às obras (esquecendo-se do Soberano Deus). 
115 
Em 536 a.C. iniciam a reconstrução; em 529 
a. C. pararam a construção; em 520 a.C. a reconstrução 
recomeça e o Templo é concluído em 516 a.C., no dia 03 
de março (Adar), possibilitando a observância da Páscoa 
em 14de abril (Ed 6.19). 
Cenário 
Após setenta anos de cativeiro na Babilônia, os 
judeus retornaram sob nova política persa que encorajava a 
volta dos cativos e lhes proporcionava uma nova situação 
de vida. 
Os samaritanos opunham-se à reconstrução do 
Templo, esta oposição custou a suspensão da reconstrução 
do Templo por dezesseis anos. 
Em 537 a.C. iniciou uma grande era para os 
judeus com a volta do cativeiro e o reinicio das ofertas da 
aliança em Jerusalém; todavia a pausa na reconstrução 
esfriou o entusiasmo de todos, e eles se voltaram para 
interesses seculares, essas atividades não lhes deram lucro 
(talvez Deus estivesse castigando-os para darem valor à 
obra de reconstrução do Templo). 
Nesse período de dezesseis anos o Senhor 
mandou seca e má colheita, e enviou Ageu e Zacarias, para 
mostrar-lhes a causa de todos os problemas que eles 
estavam enfrentando; assim Ageu mostrou ao povo a 
necessidade de estabelecer prioridades, e deixou claro que 
a prior idade no momento era a retomada da reconstrução 
do Templo. 
Ageu revela ao povo, que seu livro tinha por 
objetivo fazer com que os líderes e o povo continuassem a 
reconstruir o Templo destruído, mostrando-lhes que os 
fracassos nos outros setores da vida eram resultados da 
negligência na obra do Senhor. 
116 
A Construção do Segundo Templo 
O profeta Ageu foi o responsável por conseguir 
que a reconstrução do templo fosse reiniciada e concluída, 
pois entendia que realizada esta obra com prioridade, ou 
seja, em primeiro lugar, as bênçãos viriam sobre todos os 
empreendimentos do povo. 
Sob a liderança de Zorobabel (Governador) e 
Josué (Sumo Sacerdote), despertados no seu espírito, e 
com o povo, que também receberam despertamento, 
reiniciaram a obra tão urgente; o poder da Palavra do 
Senhor dita por Ageu, vinte e três dias após as primeiras 
advertências, fez com que o povo voltasse ao trabalho que 
tinha sido abandonado há dezesseis anos, o povo 
necessitava de uma palavra de incentivo (Ag 2.1-5); Ageu 
continuou a profetizar e motivar o povo a concluir a obra. 
Provavelmente alguém começou a dizer que não 
valer ia a pena tanto trabalho, pois este segundo Templo 
era inferior ao pr imeiro em tamanho e beleza, além do que, 
segundo o Talmude, a Arca, o Propiçiatório e o Fogo 
Sagrado ou “Shekinah” que representava a Glória de Deus, 
não se via nessa segunda Casa do Senhor, razão pela qual 
Ageu diz a Zorobabel, a Josué e ao povo: “Sê forte... 
trabalhai, Eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos” 
(Ag 2.4). Foram palavras de ânimo e coragem ditas na hora 
certa. 
Ageu fala da glória do segundo Templo 
justamente para lembrar ao povo que não obstante o 
tamanho ou a beleza do Templo, ele estava ali presente 
como prometera ao seu povo (Ag 2.5). 
No texto de Ageu 2.7, na versão Almeida 
Revista e Corrigida o texto é descr ito da segu inte maneira: 
“e farei tremer todas as nações, e virá o 
117 
Desejado de todas as nações...” na versão Almeida Revista 
e Atualizada diz assim: “farei tremer todas as nações e as 
cousas preciosas de todas as nações virão...”. Este 
versículo é um pouco polêmico, pois alguns o interpretam 
que o desejado de todas as nações é “Jesus”, partindo da 
idéia dada pelo texto da Almeida Revista e Corrigida. 
Enquanto que outros dizem que o Senhor movimentará 
todos os povos os quais o reconhecendo como único Deus, 
sentir-se-ão levados a lhe prestarem homenagens com suas 
preciosidades (ouro e prata, como mostra o versículo 
seguinte). O que parece mais coerente. 
O profeta fala ainda sobre a agitação que 
assinalará a volta do Messias; no versículo 8 Deus exclama 
através do profeta: “Minha é a prata, meu é o ouro”; 
provavelmente havia entre o povo alguém preocupado com 
sua pobreza e a impossibilidade de adornar o Templo como 
nos tempos antigos. Ageu leva o povo a entender que a 
real beleza do Templo será a presença do Senhor; e diz que 
“a glória da segunda casa será maior que a da primeira” 
(Ag 2.9); além disso, ele garantiu: “Neste lugar darei paz”; 
é o que com ansiedade aguardamos. 
Na referência 2.10-19 o profeta Ageu entrega 
sua terceira mensagem: Falando sobre a santidade, avisa 
ao povo de que Deus não tolera imundice e que todo 
aquele se chegar a Ele deve estar puro; só assim o Senhor 
poderá abençoá-lo. 
As Perguntas do Profeta 
As duas perguntas foram dirigidas aos 
sacerdotes, pois conheciam a lei e estavam aptos a 
responder: “Se alguém leva carne santa na orla de sua 
veste, e ela vier a tocar no pão, ou no cozinhado, ou no 
118 
vinho, ou no azeite, ou em qualquer outro mantimento, 
ficará isto santificado?” Responderam os sacerdotes: Não 
(Ag 2.12). 
“Se alguém que se tenha tornado impuro pelo 
contato com um corpo morto tocar nalguma destas cousas, 
ficará ela imunda?” Responderam os sacerdotes: Ficará 
imunda. 
O profeta Ageu sugere ao povo que façam um 
retrospecto dos acontecimentos, pois já fazia dezesseis 
anos que eles tinham retornado do cativeiro: como tinham 
vivido todos esses anos? (Ag 2.15-17); essas considerações 
dever iam ser feitas antes de por as mãos às obras (Ag 
2.15), ou seja: havia pouca comida, havia peste no campo, 
o povo vivia na pobreza, o povo plantou, mas esqueceu -se 
de agradecer a Deus o produto da terra, recomeçou a nova 
vida em Judá, sem primeiro fazer a vontade de Deus. Com 
tudo isso havia uma grande crise econômica. 
Graças ao esforço e persistência do pr ofeta 
Ageu, o povo reconheceu a sua situação e necessidade e se 
manifestou ao Senhor; após isso vieram as bênçãos (Ag 
2.18-19). Seriam abençoados. As colheitas seriam 
abundantes. A figueira, a romeira e a oliveira dariam os 
seus frutos. 
Após três meses, os alicerces do Templo 
estavam completos e toda Judá se achegava a Deus. 
O profeta encerra seu livro falando do futuro 
das poderosas nações gentílicas, o Messias as esmagará 
antes do início do Reino Milenar e do Dia do Senhor, 
salienta a soberania do escolhido de Deus: o Messias. 
119 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
6. A repetição freqüente da frase “Dia do Senhor” sugere 
imediatamente que Sofonias tinha 
a) Uma mensagem de fortalecimento 
b) Uma mensagem de consolo 
c) Uma mensagem de avivamento 
d) Uma mensagem de julgamento 
7. Quanto a Ageu, é incerto afirmar que 
a) É um dos profetas pós-exílico, contemporâneo de 
Oséias 
b) Foi a primeira voz profética a se ouvir depois do 
cativeiro babilônico 
c) Tinha qualidades de um bom pastor 
d) Sua profecia tinha como objetivo: completar o 
Templo para reiniciar as festividades religiosas 
8. Foi o responsável por conseguir que a reconstrução do 
templo fosse reiniciada e concluída 
a) O profeta Sofonias 
b) O profeta Amós 
c) O profeta Ageu 
d) O profeta Malaquias 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
9.1 O livro de Sofonias com apenas 53 versículos 
mostra como a situação religiosa do reino de Judá se 
deter iorou drasticamente após a morte de Ezequias 
10.0 Os samaritanos também ajudaram a reconstruir o 
Templo, com isso, fez com que adiantasse a obra 
120 
Lição 5 
Zacarias e Malaquias 
 Autor: Zacarias. 
 Data: 520-470 a.C. 
Zacarias Tema: A conclusão do Templo e as 
promessas Messiânicas. 
 Palavras-Chave: Jerusalém, o Dia do 
Senhor, Aquele Dia. 
 Versículo-chave: Zc 9.9-10. 
A missão de Zacarias era animar, por meio da 
promessa do êxito atual e da glória futura, o resto do povo 
judeu, que estava desanimado pelas aflições e que hesitava 
em reconstruir o Templo. O povo t inha motivospara estar 
desanimado. 
Propósito 
Os dois propósitos que Zacarias tinha em mente 
ao escrever seu livro correspondem às duas divisões 
principais da obra: 
■ Os capítulos 1-8 foram escritos a fim de encorajar o 
remanescente judeu, em Judá, a persist ir na construção 
do Templo. 
■ Os capítulos 9-14 foram escritos para fortalecer 
os judeus que, tendo concluído oTemplo, ficaram 
desanimados por não ter aparecido 
121 
imediatamente o Messias. Nesta passagem, é 
revelado também em que importará a vinda do 
Messias. 
Autor 
Zacarias, cujo nome significa “Senhor se 
Lembra”, foi um dos profetas pós -exílicos. Nasceu no 
exílio; era um sacerdote que voltara junto com Zorobabel e 
Josué do cativeiro babilônico. 
Zacarias, filho de Baraquias e neto de Ido (Zc 
1.1), o identifica como autor do livro. Neemias informa 
ainda que Zacarias era cabeça da família sacerdotal de Ido 
(Ne 12.16). Por esta passagem, ficamos sabendo que ele 
era da tribo de Levi, e que passou a servir em Jerusalém, 
depois do exílio, tanto como sacerdote quanto profeta. 
Zacarias foi um grande sacerdote que voltou 
para Israel com seu pai Baraquias e seu avô Ido, na 
primeira leva de cativos que retornaram da Babilônia com 
Zorobabel. É o único profeta menor identificado como 
sacerdote, acontecendo o mesmo com Jeremias e Ezequiel 
(profetas maiores) que também foram sacerdotes. Ele é um 
contemporâneo mais jovem do profeta Ageu. 
Zacarias foi chamado para despertar os judeus 
que retornaram, para completar a tarefa de reconstruir o 
Templo (ver Ed 6.14). Sua mensagem escrita forma um 
significativo elo entre os profetas anter iores (Zc 1.6) e as 
fases posteriores da obra redentora de Deus, sobre a qual o 
seu livro presta eloqüente testemunho. 
Ele é um dos mais messiânicos de todos os 
profetas do Antigo Testamento, dando referências dist intas 
e comprovadas sobre a vinda do Messias. 
122 
Data 
Esdras 5.1 declara que ambos animaram os 
judeus, em Judá e Jerusalém, a persistirem na reedificação 
do Templo nos dias de Zorobabel (o governador) e de 
Josué (o sumo sacerdote). O contexto histórico para os 
capítulos 1-8, datados entre 520-518 a.C., é idêntico ao de 
Ageu. Como resultado do ministério profético de Zacarias 
e Ageu, o Templo foi terminado sua construção e dedicado 
em 516-515 a.C. 
Em sua juventude, Zacarias havia trabalhado 
lado a lado com Ageu. A visão dos pr imeiros capítulos foi 
dada, aparentemente, enquanto o profeta ainda era um 
jovem (ver Zc 2.4). Mas ao escrever os capítulos 9 - 14 
(que a maioria dos estudiosos indica a data entre 480 -470 
a.C.), já se achava idoso. 
A referência “ó Grécia” em Zacarias 9.13 pode 
indicar que os capítulos de 9-14 foram escritos depois de 
470 a.C., quando a Grécia substituiu a Pérsia como o 
grande poder mundial. 
As profecias que abrangem o livro de Zacarias 
foram reduzidas à escrita entre 520 e 475 a.C. A totalidade 
das profecias de Zacarias foi enunciada
1
 em Jerusalém 
diante dos 50.000 judeus que haviam voltado a Judá na 
primeira etapa da restauração. 
O Novo Testamento indica que Zacarias, filho 
de Baraquias, foi assassinado “entre o santuário e o altar” 
(no lugar da intercessão) por oficiais do Templo (Mt 
23.35). Algo semelhante ocorrera a outro homem de Deus 
que t inha o mesmo nome (ver 2Cr 24.20,21). 
1 Exprimir, declarar, expor, manifestar. 
123 
Cenário 
Dois meses após Ageu ter iniciado sua 
mensagem, Zacarias começou a sua; os dois profetas foram 
usados por Deus para incentivar o povo judeu na 
construção do Templo que estava paralisada durante 
dezesseis anos, eles deixaram clara a relação entre a 
obediência do povo na reconstrução do Templo e a benção 
divina em suas vidas (Ag 1.9 e Zc 1.16-17). 
Os exilados que retornaram à sua terra natal em 
536 a.C. sob o decreto de Ciro, estavam entre os mais 
pobres dos judeus cativos. Cerca de cinqüenta mil pess oas 
retornaram para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel e 
Josué. Rapidamente, reconstruíram o altar e iniciaram a 
construção do Templo. Logo, todavia, a apatia
1
 se 
estabeleceu, à medida que eles foram cercados com a 
oposição dos vizinhos samaritanos, qu e, finalmente, foram 
capazes de conseguir uma ordem do governo da Pérsia para 
interromper a construção. 
Durante cerca de doze anos a construção foi 
obstruída
2
 pelo desânimo e pela preocupação com outras 
atividades, Zacarias e Ageu persuadiram o povo a volt ar 
para o Senhor e aos seus propósitos para restaurar o 
Templo destruído. Zacarias encorajou o povo de Deus 
indicando-lhes um dia, quando o Messias reinaria em u m 
Templo restaurado, numa cidade restaurada. 
Na tentativa de estender o governo persa até a 
Europa, Dario saiu-se bem no início, mas foi derrotado 
pela cidade da Grécia na batalha de Maratona em 490 a.C., 
sofreu uma derrota ainda maior em 
1 Estado de impassibilidade, de indiferença. 
2 Fechar, tapar; entupir. Impedir com obstáculos a passagem ou 
circulação de: Impedir, estorvar. 
124 
Salamania, isso mudou o curso do avanço persa no 
ocidente; assim, os gregos seriam outra potência gentia a 
ser enfrentada, foi nesse clima que Zacarias escreveu os 
capítulos 9-14; ele escreve detalhadamente sobre uma 
invasão grega que se apossaria de toda a P alestina, exceto 
Jerusalém, que seria poupada e protegida pelo Senhor. 
Conteúdo 
O livro divide-se em duas partes principais: 
 Primeira parte (Zc 1-8). 
Começa com uma exortação aos judeus par a que 
voltem ao Senhor, para que também o Senhor se volte a 
eles (Zc 1.1-6). Enquanto encorajava o povo a terminar a 
reedificação do Templo, o profeta Zacarias recebeu uma 
sér ie de oito visões (Zc 1.7-6.8), garantindo à comunidade 
judaica em Judá e Jerusalém, que Deus cuida de seu povo, 
governando-lhe o destino. 
As cinco primeiras visões transmitiam 
esperança e consolação; as últimas três envolviam juízo. A 
quarta visão contém uma importante profecia messiânica 
(Zc 3.8,9). A cena da coroação descrita no livro de 
Zacarias (Zc 6.9-15) é uma profecia messiânica clássica do 
Antigo Testamento. 
Duas mensagens (caps.7-8) fornecem 
perspectivas presentes e futuras aos leitores originais do 
livro. 
 Segunda parte (Zc 9-14). 
Contém dois blocos deprofecias apocalípticas. 
Cada um deles é introduzido pela expressão: “Peso da 
Palavra do Senhor” (Zc 9.1; 12.1). O primeiro “peso” (Zc 
9.1-11,17) inclui promessa de salvação messiânica para 
Israel, e revela que o Pastor - 
125 
Messias - Levaria a efeito tal salvação, ser ia 
primeiramente rejeitado e fer ido (Zc 11.4 -17; cf. 13.7). O 
outro “peso” (Zc 12.1-14.21) focaliza a restauração e 
conversão de Israel. Deus prediz que Israel pranteará por 
causa do próprio Deus “a quem traspassaram” (Zc 
12.10) . Naquele dia, uma fonte será aberta à casa de 
Davi para a purificação do pecado (Zc 13.1); então Israel 
dirá: “O Senhor é meu Deus” (Zc 13.9). E o Messias 
reinará como Rei sobre Jerusalém (Zc 14). 
Os Jejuns de Israel 
Os capítulos 7 e 8 nos dão pelo menos dois 
esclarecimentos concernentes aos jejuns de Israel, os 
judeus não t inham data marcada no seu calendário para 
jejum ordenado por Deus, mas a própria nação impôs a si 
mesma, dias de jejum em memória de diversas calamidades 
envolvidas na destruição de Jerusalém em 586 a.C. Das 
quais se destacam: 
Décimo mês (10 
de janeiro) 
Dia em que principiou o cerco de 
Jerusalém em 588 a.C. (Jr 52.4). 
Quarto mês (09 
de julho) 
Os babilônicos rompem o muro de 
Jerusalém, em 586 a.C. (Jr 52.6-7). 
Quinto mês (10 
de agosto)Jerusalém foi destruída e queimada em 
586 a.C. (Jr 52.12-14). 
Sétimo mês (01 
de outubro) 
Gedalias, o novo Governador foi 
também assassinado em 586 a.C. (Jr 
41.1,2). 
A prática do jejum foi designada para glória de 
Deus, e não para méritos do homem, o jejum não tem 
valor, a menos que sejam acompanhado de atos de justiça, 
bondade e compaixão com o próximo (Zc 7.9 - 10), e foi a 
ausência de tais atos que trouxe o julgamento divino de 
desolação (Zc 7.11-14). 
126 
Características Especiais do Livro de Zacarias 
Seis aspectos básicos: 
 É o mais messiânico dos livros do Antigo 
Testamento, em virtude de suas muitas referências ao 
Messias, que ocorrem em seus catorze capítulos. 
Somente o livro do profeta Isaías, com seus sessenta 
e seis capítulos, contém mais profecias a respeito do 
Messias do que Zacarias. 
 Entre os profetas menores, possui ele as profecias 
mais específicas e compreensíveis a respeito dos 
eventos que marcarão o final dos tempos. 
 Representa a harmonização mais bem sucedida entre 
os ofícios sacerdotal e profético em toda a história de 
Israel. 
 Mais do que qualquer outro livro do Antigo 
Testamento, suas visões e linguagem altamente 
simbólicas assemelham-se aos livros apocalípticos de 
Daniel e Apocalipse. 
 Revela um exemplo notável de ironia divina ao 
prever a traição do Messias por trinta moedas de 
prata, tratando-as como “esse belo preço em que fu i 
avaliado por eles” (Zc 11.13). 
 A profecia de Zacarias a respeito do Messias no 
capítulo 14, como o grande Rei-guerreiro reinando 
sobre Jerusalém, é uma das que mais inspiram 
reverente temor em todo o Antigo Testamento. 
O Livro de Zacarias ante o Novo Testamento 
Há uma aplicação profunda de Zacarias no 
Novo Testamento. A harmonização da vida pessoal de 
Zacarias, entre os aspectos sacerdotal e profético pode ter 
contribuído para o ensino do Novo Testamento de 
127 
que Cristo é tanto sacerdote quanto profeta. Além disso, 
Zacarias profetizou a respeito da morte expiatória de 
Cristo pelas mãos dos judeus, que, no fim dos tempos, 
levá-los-á a prantearem-no, arrependerem- se e serem 
salvos (Zc 12.10-13.9; Rm 11.25-27). 
Mas a contribuição mais importante de Zacarias 
diz respeito a suas numerosas profecias concernentes a 
Cristo. 
Os escritores do Novo Testamento citam-nas, 
declarando que foram cumpridas em Jesus Cristo. Entre 
elas estão: 
■ Ele virá de modo humilde e modesto (Zc 9.9; 13.7; 
Mt 21.5; 26.31,56); 
 Ele restaurará Israel pelo sangue do seu concerto 
(Zc 9.11; Mc 14.24); 
■ Será Pastor das ovelhas de Deus que ficaram 
dispersas e desgarradas (Zc 10.2; Mt 9.36); 
■ Será traído e rejeitado (Zc 11.12,13; Mt 26.15; 
27.9,10); 
■ Será traspassado e abatido (Zc 12.10; 13.7; Mt 
26.31,56); 
■ Voltará em glór ia para livrar Israel de seus 
inimigos (Zc 14.1-6; Mt 25.31; Ap 19.15); 
■ Reinará como Rei em paz e retidão (Zc 9.9,10; 
14.9,16; Rm 14.17; Ap 11.15); 
■ Estabelecerá seu reino glor ioso para sempre sobre 
as nações (Zc 14.6-19; Ap 11.15; 21.24- 26; 22.1-
5). 
Os conteúdos messiânicos de Zacarias podem 
ser confirmados por outros livros, a saber: 
128 
Zacarias Mensagem/Texto Confirmação 
1.8-11 0 homem montado num cavalo 
vermelho, bem como o “Anjo do 
Senhor” é o Cristo pré- 
personificado. 
Is 63.1-6 
2.8-11 O Messias mandado pelo Senhor 
para habitar em Sião. 
Is 61.1-3 
3.8-10 “Meu servo, o Renovo”, é o 
Messias vindo em humildade e 
poder. 
Is 4.2; 11.1; 
Jr 23.5 
6.12-13 “O homem cujo nome é Renovo” - 
Rei-sacerdote 
SI 2.6; 110.4 
9.9-10 “O teu Rei, unido em humildade”. Mt 21.5; Jo 
12.15 
10.3 O Senhor visita o seu rebanho 
como pastor 
Ez 34.11-19 
11.4-14 “Apascentai as ovelhas destinadas 
para a matança”. Ele quebra as 
varas da graça e da união. 
Ez 34.3 
12.10 “Olharão para mim a quem 
traspassaram” 
Is 53.5; Jo 
19.37 
13.6-7 “Fui ferido na casa dos meus 
amigos” 
Jo 20.25; Ap 
1.7 
14.3-4 “Estarão os seus pés sobre o 
Monte das Oliveiras, que está 
fendido”. 
At 1.11-12 
14.5 “Virá o Senhor, todos os santos 
com ele”. 
Dn 7.10; 
Jd 14; 
Mt 16.27; Ap 
19.11-14 
14.9 “0 Senhor será Rei sobre toda a 
terra” 
SI 2.6; 72.8-
11; Ap 19.16 
129 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
1. Quanto ao profeta Zacarias, é incerto afirmar que 
a) Seu nome significa “Senhor se Lembra”, foi 
um dos profetas pós-exílicos 
b) Foi um grande sacerdote que voltou para Israel com 
seu pai Baraquias e seu avô Ido 
c) Foi chamado para despertar os judeus que 
retornaram, para completarem a tarefa de 
reconstruir o Templo 
d) É o único “profeta menor” que não possui 
características messiânicas em suas profecias 
2. Foi assassinado “entre o santuário e o altar” 
a) Zacarias 
b) Ageu 
c) Sofonias 
d) Malaquias 
3. Não é profecia de Zacarias cumprida em Jesus Cristo 
a) Ele restaurará Israel pelo sangue do seu concerto 
b) Ele nascerá em Belém 
c) Será traído e rejeitado 
d) Será traspassado e abatido 
■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
4. A missão de Zacarias era animar o resto do povo judeu, 
que estava desanimado pelas aflições e que hesitava em 
reconstruir o Templo 
5. Isaías, com seus 66 capítulos, contém menos profecias 
a respeito do Messias do que Zacarias 
130 
 
 
Autor: Malaquias. 
Data: Cerca de 430-420 a.C. 
Tema: Acusações de Deus contra o 
Judaísmo Pós-Exílico. 
Palavras-Chave: Anjo, Sacerdotes, Sol 
da Justiça, Dia do Senhor. 
Versículo-chave: Ml 3.9. 
Malaquias é o último dos profetas, test ifica 
como fazem os que vieram antes dele, o triste fato do 
fracasso de Israel. Ele apresenta o quadro de um povo 
religioso externamente, mas inter iormente indiferente e 
falso, um povo para o qual o culto a Jeová se transformou 
em formalismo vazio, desempenhado por um sacerdócio 
corrupto que não o respeitava. 
Sob o ministér io de Ageu e Zacarias, o povo 
estava disposto a reconhecer suas faltas e a corrigi -las, 
mas agora, endureceram-se tanto que negam 
insolentemente as acusações de Jeová (Ml 1.1,2; 2.17; 
3.7). Pior ainda, muitos professam ceticismo quanto à 
existência de um Deus de juízo e outros perguntam se 
valerá à pena servir ao Senhor (Ml 2.17; 3.14,15). Qual 
raio de luz nesta sombria noite, brilha a promessa da vinda 
do Messias, que chegará para libertar o resto dos fieis e 
julgar a nação. 
Quando Malaquias escreveu, os judeus 
repatriados passavam novamente por adversidade e 
declínio espiritual. Eles se haviam tornado cínicos
1
, e 
questionavam a justiça de Deus, duvidando do proveito em 
se obedecer aos seus mandamentos. À medida que a sua fé 
minguava, iam se tornando mecânicos e insensíveis na sua 
observância ao culto divino, e 
1 Que ostenta princípios e/ou pratica atos imorais; impudico, obsceno. 
131 
indiferente às exigências da Lei. Eles faziam-se culpados 
de muitos tipos de transgressões contra o concerto. 
Malaquias confronta os sacerdotes e o povo 
com o apelo profético: 
 Para se arrependerem de seus pecados e da hipocrisia 
religiosa para que não fossem surpreendidos pelo 
castigo divino; 
 Para removerem a desobediência que bloqueava o 
fluxo do favor e bênção de Deus; 
 Para voltarem ao Senhor e ao seu concerto com 
corações sinceros e obedientes. 
Tema 
Malaquias falou a um povo desiludido, 
desanimado e cheio de dúvidas, cuja experiência não 
harmonizava com seu conhecimento das promessas 
gloriosas encontradasnos profetas anteriores. Sua visão do 
período messiânico que se aproximava não tinha se 
mater ializado. Pelo contrário, eles exper imentaram a 
miséria, a seca e a adversidade econômica, desiludindo-se 
de tudo e de sua fé. 
As palavras de Malaquias desafiam os céticos 
com relação às promessas e, portanto, indiferente ao seu 
compromisso de viver a luz dessas mesmas promessas e de 
adorar e servir ao Senhor de todo o coração. 
Autor 
Malaquias significa “meu mensageiro” ou 
“Mensageiro do Jeová”. Além do autor, há no livro outros 
três mensageiros: 
132 
 O mensageiro sacerdote (Ml 2.7); 
 O mensageiro precursor (Ml 3.1); 
 O “anjo do concerto”, o próprio Senhor (Ml 3.1). 
O significado do nome do profeta dá forte 
autoridade para essa mensagem profética no final do 
Antigo Testamento. Malaquias está colocado num dos mais 
significativos pontos divisórios da história. 
A opinião que “Malaquias”, em 1.1, seja um 
título descrit ivo, ao invés de um nome pessoal, é altamente 
improvável. Embora não tenhamos mais informações no 
restante do Antigo Testamento a respeito do profeta, sua 
personalidade é evidente neste livro. Era um judeu devoto 
da Judá pós-exílica, e contemporâneo de Neemias. 
Provavelmente, um profeta sacerdotal. 
Suas firmes convicções a favor da fidelidade ao 
concerto (Ml 2.4,5,8,10), e contra a adoração hipócrita e 
mecânica (Ml 1.7-2.9), a idolatria (Ml 2.10- 
12) , o divórcio (Ml 2.13-16) e o roubo de dízimos e 
ofertas (Ml 3.8-10), revela um homem de rigorosa 
integridade e de intensa devoção a Deus. 
O profeta não é conhecido de nenhuma outra 
forma; a não ser pelo seu nome, já no primeiro versículo. 
Não sabemos nada sobre seus pais, profissão, cidade natal 
ou data do seu ministér io. Fundamentados nisso, muitos 
intérpretes dizem que a palavra “Malaquias” é mais um 
título do que um nome. O Talmude
1
, diz que Esdras é o 
autor. Porém não podemos negar a autoria do livro de 
Malaquias, só porque não sabemos a função ou família do 
profeta. O que dizer então de Daniel, Amós, Obadias, 
Miquéias, 
1 Doutrina e jurisprudência da lei mosaica, com explicações dos textos 
jurídicos do Pentateuco, e a Michná, i . e., a jurisprudência elaborada 
pelos comentadores entre o III e o VI séculos. 
133 
Naum, Habacuque e Ageu? É certo que Malaquias foi 
contemporâneo de Esdras que era sacerdote e escreveu 
depois dele. Porém, Malaquias foi o últ imo mensageiro de 
Jeová. Para o povo da aliança do Antigo Testamento, 
ministrou cerca de 1000 anos depois de Moisés (o primeiro 
profeta e escritor bíblico). 
Data 
O livro de Malaquias foi escr ito em 430 a.C. 
aproximadamente. A profecia não tem data exata, mas 
podemos supor, analisando alguns fatos e referências 
históricas: 
■ Os edomitas t inham sido levados do monte Seir, mas 
não tinham voltado. Isso sugere uma data poster ior a 
585 a.C. (Ml 1.1-4); 
■ Os exilados tinham voltado, reconstruído o Templo e 
caído no comodismo e na formalidade, quanto a sua 
experiência religiosa (Ml 1.6); 
■ Eles não estavam sob o governo de Neemias, mas de 
um governador Persa, que era passível de suborno (Ml 
1.8); 
■ Os problemas morais e religiosos eram iguais aos 
enfrentados por Esdras e Neemias. Por exemplo: 
mater ialismo (Ne 13.15; Ml 3.5-9) e casamento com 
pagãos (Ed 10.2; Ml 2.11). 
Essas observações sugerem uma data 
aproximada de 430 a.C., depois de Neemias ter voltado 
para a Pérsia em 432 a.C., e dá para crer que está 
relacionada com sua volta e nova reforma mais ou menos 
em 430 a.C. (Ne 13.6-31). 
O conteúdo do livro indica que: 
■ O templo havia sido reedificado (516 -515 a.C.), e que 
os sacrifícios e festas achavam-se plenamente 
restaurados; 
134 
■ Um conhecimento geral da Lei havia sido 
reintroduzido por Esdras (aproximadamente 457 - 455 
a.C. ver Ed 7.10); 
■ A apostasia subseqüente ocorrera entre os sacerdotes 
e o povo (aproximadamente 433 a.C.). Além disso, o 
ambiente espiritual e a negligência contra as quais 
Malaquias clamava, assemelhava- se à situação que 
Neemias encontrara em Judá depois de ter voltado da 
Pérsia (aproximadamente 433-425 a.C.), para servir 
como governador em Jerusalém pela segunda vez (cf. 
Ne 13.4-30); 
■ Os dízimos e as ofertas eram negligenciados (Ml 
3.7- 12; Ne 13.10-13); 
■ O concerto do casamento era violado, pois os homens 
judeus divorciavam-se para se casarem com mulheres 
pagãs (Ml 2.10-16; Ne 13.23-28). 
E razoável acreditar que Malaquias haja 
proclamado sua mensagem entre 430-420 a.C. 
Cenário 
Para entendermos melhor o cenário polít ico e 
religioso de Malaquias, seria bom lermos o livro de 
Neemias. Quem reinava era o rei persa Artaxerxes I (465 -
424 a.C.) sob o império grande e de difícil controle. Seu 
avanço para o ocidente foi interrompido em 490 e 480 
a.C., pelos atenienses em Maratona e Salamina. As 
rebeliões internas dos egípcios foram esmagadas por 
Artaxerxes ou Xerxes em 454 a.C., e pelo sátrapa sírio 
Magabizo, em 450 a.C. houve paz no império por um 
período de 25 anos aproximadamente. 
Neemias burocrata judeu da corte de Artaxerxes 
I foi designado governador em 444 a.C. e exerceu o cargo 
até voltar à Pérsia em 432 a.C. (Ne 5.14). 
135 
Muito embora o Templo já estivesse 
reconstruído (516 a.C.) o sistema de culto restaurado de 
maneira digna por Esdras, e o muro da cidade 
reconstruído, o estado espiritual do povo estava de novo 
em um nível muito baixo. O povo tinha deixa do de dar o 
dízimo, e em consequência as colheitas fracassavam. Os 
sacerdotes, vendo-se desamparados tornam-se descuidados 
e indiferentes com as funções do Templo. A moral 
mostrava-se frouxa e havia freqüentes contatos 
comprometedores com os pagãos circunvizinhos. O 
espír ito de indiferença religiosa constatava -se com o de 
seus antepassados que esperavam a volta do Messias para 
o estabelecimento do novo reino davídico (Dt 30.1 -5; Ez 
37.21-28). 
O povo estava nessa situação, pois seu desejo 
de ter o reino restaurado e poderoso, sob um grande líder, 
não fora concretizado, razão pela qual reagiram com 
tamanha indiferença espiritual. Foi justamente nessa época 
que Malaquias entregou ao povo uma mensagem de amor 
(Ml 1.1-3). 
Indiferença religiosa para com as leis e as 
ofertas, enquanto acusavam Deus de ser indiferente ao bem 
ou ao mal. Indiferença moral para com os votos de 
casamento. Chegaram divorciar -se das mulheres judias, 
para casar-se com as pagãs. Pecados sociais de per júrio
1
, 
fraude e opressão do fraco. Egoísmo material ao roubar a 
Deus nos dízimos. 
A últ ima recomendação do profeta é a seguinte:
 “Lembrai-vos da lei de Moisés”. São 
estatutos e juízos (Ml 4.4). Deixa também um aviso: 
“esperem pela vinda de Elias”, que aplicaria aquela lei 
durante o seu julgamento de restauração (Ml 4.5 -6). Este é 
um ponto polêmico, pois existem seitas que 
1 Juramento falso. 
136 
fazem uma confusão terrível sobre estes versículos de 
Malaquias. 
Seguindo seu retorno do exílio, o povo de Israel 
vivia como uma comunidade restaurada na terra da 
palestina. Ao invés de aprenderem das suas 
experiências negativas passadas e de retorno ao serviço e 
adoração do Deus de seus ancestrais: Abraão, Isaque e 
Jacó, eles se tornaram imorais e negligentes. 
Conteúdo 
Na declaração de abertura, Malaquias 
salienta o amor imutável de Deus por seu povo, devido a 
sua miser icórdia, que dura para sempre. Este é o fundo 
para as reprovações e exortações que se seguem. 
Primeiro o profeta salienta o desdém aberto e 
arrogante dos sacerdotespela Lei e sua influência 
negativa sobre o povo. O profeta mostra que eles 
provocam muita queda no pecado. Portanto, ele os adverte 
de que o Senhor não será um espectador inativo, mas, a 
não ser que eles se arrependam, serão castigados 
severamente. 
Depois ele salienta, em termos não ambíguos
1
, 
a traição dos sacerdotes e leigos no divórcio de esposas 
fieis e casamento de mulheres pagãs que praticam a 
idolatria. Isso é seguido por uma súplica fervorosa para 
vigiarem suas paixões e serem fieis às esposas da sua 
mocidade, dadas a eles pelo Senhor. 
O livro, que consiste num sêxtuplo “peso da 
Palavra do Senhor contra Israel, pelo ministério de 
Malaquias” (Ml 1.1), está entremeado por uma sér ie de 
perguntas retóricas e irônicas feitas por Israel com as 
1 Que se pode tomar em mais de um sentido; equívoco. 
137 
respectivas respostas de Deus por intermédio do profeta. 
Embora o emprego de perguntas e respostas nã o seja 
exclusivo de Malaquias, seu uso é dist intivo por ser 
crucial à estrutura literária do livro. O “peso” (ou 
“mensagem repressiva”) do Senhor proclamado por 
Malaquias é assim constituído: 
■ Deus reafirma seu fiel amor a Israel segundo o 
concerto (Ml 1.2-5); 
■ Deus repreende os profetas por serem vigilantes infiéis 
do relacionamento entre o Senhor e Israel segundo o 
concerto (Ml 1.6-2.9); 
■ Deus repreende Israel por ter rompido o concerto dos 
pais (Ml 2.10-16); 
■ Deus relembra a Israel a certeza do castigo divino por 
causa dos pecados contra o concerto (Ml 2.17 - 3.6); 
■ Deus conclama toda a comunidade judaica pós - exílica 
a arrepender-se, e a voltar-se ao Senhor, para que 
tornasse a receber as suas bênçãos (Ml 3.7-12); 
A mensagem final refere-se ao “memorial 
escrito” diante de Deus a respeito daqueles que o temem e 
lhe estimam o nome (Ml 3.13 -18). Malaquias encerra seu 
livro com uma advertência e promessas proféticas a 
respeito do futuro “dia do Senhor” (Ml 4.1-6). 
 
 
O Objetivo do Livro 
Malaquias teve por objetivo despertar o 
calejado povo que restara em Israel da sua estagnação
1
 e 
frieza espiritual, com objetivo de possibilitar que o 
1 Falta de movimento, de atividade; inércia, paralisação. 
138 
Senhor tornasse a abençoar suas vidas. Isso fica claro 
quando lemos Malaquias 4.1-3. 
É destacado nesse livro o amor, paciência e 
justiça de Deus, e deixa claro a rebeldia do povo e a sua 
autoconfiança. Nenhum outro profeta enfatizou tanto a 
grandeza de Deus como Malaquias. 
Três vezes em Malaquias 1.11-14, o Senhor 
chama a atenção para a sua própria “Grandeza” e dez vezes 
em todo o livro ele chama a atenção para a glór ia dev ida ao 
seu Santo nome (Ml 1.6,11,14; 2.2-5; 3.16; 4.2). Note que 
logo após a mensagem do profeta Malaquias, veio o 
período de quatrocentos anos de silêncio profético. O povo 
precisava lembrar-se da grandeza do Deus que os tinha 
chamado para fazer uma aliança com Ele. Em todo o livro, 
Malaquias pronunciou seu nome apenas uma vez, deixando 
claro que era simplesmente o mensageiro do Senhor, 
salientava: “assim diz o Senhor” (do mesmo modo que 
Ageu fazia). O profeta diante da nação fraca (conseqüência 
do desvio) identificou vinte e quatro vezes o Senhor, como 
“Senhor dos Exércitos”. Título apropriado para o povo na 
situação que vivia. 
E importante deixar registrado também a 
maneira ou método utilizado por Malaquias em seu livro, 
veja: Malaquias usa o estilo dialético. As perguntas da 
nação têm sempre um tom de rebeldia e hostilidade (Ml 
1.2,6,7; 2.10,13,17; 3.7,8,13). 
Nessa forma provocante o profeta apresentou as 
mais importantes queixas do Senhor contra os judeus e 
suas reações altivas. Este t ítulo, mais tarde f oi chamado de 
método “Rabino” ou “Socrático”. Esse t ítulo provou ser 
eficaz, pois chama a atenção e vai direto ao assunto 
principal. O próprio Jesus usou um tipo semelhante de 
comunicação ao enfrentar os líderes hostis da época (Mt 
21.25,31,40; 22.42). 
139 
Conforme lemos, Malaquias nos informa sobre 
a degeneração na fé de Israel. Pois eles questionavam o 
seu amor (Ml 1.2), sua honra e grandeza (Ml 1.14; 2.2), 
sua justiça (Ml 2.17); e seu caráter (Ml 3.13-15). 
Esta visão deficiente produziu uma atitude 
arrogante e fez com que as funções do Templo fossem 
realizadas com enfado, o que afrontava a Deus (Ml 1.7 - 
10; 3.14). 
O dízimo não era dado de todo o coração e as 
ofertas eram compostas de animais doentes e sem valor. 
Isso ofenderia até o governador, se chegasse a receber um 
presente assim - ver Malaquias capítulo 1 versículo 8 
Como conseqüência disto o Senhor atiraria 
“esterco” ou “lixo” sobre os rostos dos sacerdotes, e 
amaldiçoaria também as sementes plantadas. Toda essa 
situação requeria um Elias para restaurar a paz familiar e 
evitar outra destruição do Senhor (Ml 4.5). 
Não poderíamos deixar de falar sobre o dízimo. 
Ficou caracterizado que um dos pecados mais persistentes 
de Israel foi justamente o de roubar os dízimos e ofertas 
pertencentes ao Senhor. 
Muitos reis ao serem atacados entregavam os 
tesouros do Templo na alternativa de apaziguar o inimigo; 
todavia, em alguns casos era motivo de outros ataques, 
pois o inimigo descobriu este ponto fraco (2Rs 18.14 -16). 
Diante da sonegação dos dízimos, o Senhor 
lembra-lhes que estavam, na realidade, roubando a si 
próprios, pois o resultado de tal atitude era o fracasso das 
colheitas. E, além disso, corria o r isco de ficarem com a 
mente cauterizada pela prática deste pecado (Ml 2.17; 
3.15; 3.8-10). 
140 
Características Especiais 
Cinco aspectos básicos caracter izam o livro de 
Malaquias: 
 De modo simples, direto e vigoroso, retrata 
vividamente o debate entre Deus e seu povo. O 
debate é levado a efeito na primeira pessoa do 
singular. 
 Dá destaque ao método de perguntas e 
 respostas na apresentação da palavra profética com 
nada menos que vinte e três perguntas trocadas entr e 
Deus e o povo. Sugere-se que o método adotado por 
Malaquias pode ter-se originado quando o profeta 
apresentou, pela primeira vez, sua mensagem nas 
ruas de Jerusalém ou nos átrios do templo. 
 Malaquias, o último dos profetas do Antigo 
 Testamento, é seguido por 400 anos de silêncio 
profético. A longa ausência profética terminaria no 
surgimento de João Batista. Foi este o previsto por 
Malaquias como o antecessor do Messias (Ml 3.1). 
 A expressão “o Senhor dos Exércitos” ocorre 
 vinte vezes neste breve livro. 
 Destaca-se que a profecia final (que encerra a 
 mensagem profética do Antigo Testamento) prediz 
que Deus enviaria alguém como Elias para restaurar 
os pais piedosos em Sião, contrariamente às 
tendências sociais predominantes que levaram a 
desintegração da família (Ml 4.5,6). 
141 
O Livro de Malaquias ante o Novo Testamento 
Três trechos específicos de Malaquias são 
citados no Novo Testamento. 
1
o
 As frases “amei a Jacó” e “aborreci a Esaú” (Ml 1.2,3) 
são registradas por Paulo em suas considerações sobre 
a eleição (Rm 9.13). 
2
o
 A profecia de Malaquias a respeito do “meu anjo, que 
preparará o caminho diante de mim” (Ml 3.1; cf. Is 
40.3) é citada por Jesus como referência a João 
Batista e seu ministér io (Mt 11.7-15). 
3
o
 Semelhantemente, Jesus entendia que a profecia de 
Malaquias a respeito do envio do “profeta Elias”, 
antes do “dia grande e terrível do Senhor” (Ml 
4.5) , aplicava-se a João Batista (Mt 11.14; 17.10- 
13; Mc 9.11-13). 
Além destas três claras referências a Malaquias 
no Novo Testamento, a condenação que o profeta faz dodivórcio injusto (Ml 2.14-16), antevê o ensino do Novo 
Testamento sobre o tema (Mt 5.31,32; 19.3 -10; Mc 10.2-
12; Rm 7.1-3; ICo 7.10-16,39). A profecia de Malaquias a 
respeito do aparecimento do Messias (Ml 3.1 -6; 4.1-3) 
abrange tanto a primeira quanto à segunda vinda de 
Cristo. 
Observação 
A palavra final do últ imo profeta do Antigo 
Testamento é maldição, sendo que a primeira palavra do 
Messias, profer ida no monte foi “bem-aventurado” (Mt 
5.3), e a última palavra do Novo Testamento é “graça” 
(Ap 22.21). O livro de Gênesis mostra como a maldição 
entrou na raça humana. Malaquias diz que a maldição 
ainda ameaça, e Mateus inicia o Novo Testamento dizendo 
que Jesus se fez maldição por nós; 
142 
a fim de podermos através do seu sacrifício ter a bên ção 
tão desejada através da fé em seu nome. 
■ Somente através do Messias, Israel poderá ser salvo, 
e escapar da maldição. 
■ A Cristologia é muito notável (Ml 1.14; 3.1;
 4.2). 
■ O Senhor declara ser um “Grande Rei” 
■ O Senhor declara ser o “Anjo da Aliança”. 
■ O Senhor declara ser o “Sol da Justiça”. Este
 Sol tem duplo poder: queima o perverso e ímpio e 
purifica a nação (os justos). Foi com esta mensagem que 
ocorreu o per íodo chamado “Intertestamentário”, para 
testar a fé na palavra profética dada pela lei e os 
profetas. 
Questionário 
■ Assinale com “X” as alternativas corretas 
6. O tema do livro de Malaquias é 
a) O Dia do Senhor 
b) A conclusão do Templo e as promessas messiânicas 
c) Acusações de Deus contra o Judaísmo Pós- Exílico 
d) Viver pela fé 
7. Quanto ao apelo profético de Malaquias aos 
sacerdotes e ao povo, é incerto afirmar que 
a) Deveriam se arrependerem de seus pecados e da 
hipocr isia religiosa 
b) Deveriam removerem a desobediência que 
bloqueava o fluxo do favor e bênção de Deus 
c) Deveriam voltarem ao Senhor e ao seu 
concerto com corações sinceros e obedientes 
d) Deveriam reconstruírem o Templo o mais 
rápido possível 
143 
8. Quanto às característ icas do livro de Malaquias é 
incerto afirmar que 
a) De modo simples, direto e vigoroso, retrata 
vividamente o debate entre Deus e seu povo 
b) Predisse que ninguém mais fosse o antecessor do 
Messias 
c) Dá destaque ao método de perguntas e respostas na 
apresentação da palavra profética 
d) É o últ imo dos profetas do Antigo Testamento. É 
seguido por 400 anos de silêncio profético 
* Marque “C” para Certo e “E” para Errado 
9.1 Além de Malaquias, há no livro outros três 
mensageiros: o sacerdote, o precursor e o anjo do 
concerto 
10.0 A palavra final do último profeta do Antigo 
Testamento é maldição, sendo que a primeira palavr a 
do Messias, proferida no monte foi “bem- aventurado” 
144 
Profetas Menores 
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