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Índice Introdução Geral aos Profetas Menores .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Lição 1 - Oséias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Joel ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Amós ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 Lição 2 - Obadias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Jonas..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 Lição 3 - Miquéias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 Naum ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Lição 4 - Habacuque .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 Sofonias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .107 Ageu ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Lição 5 - Zacarias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Malaquias .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Referências Bibliográficas .... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 13 Introdução Geral Profetas Menores Iniciamos agora o estudo dos profetas que deixaram as suas mensagens registradas em livros. Tomando o cativeiro babilônico como ponto de referência, eles podem ser divididos em: Profetas que atuaram antes do Cativeiro: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Isaías, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Jeremias. Profetas que atuaram durante o Cativeiro: Jeremias, Ezequiel, Daniel. Profetas que atuaram após o Cativeiro: Ageu, Zacarias, Malaquias. Estudaremos nestas lições os livros dos Profetas Menores. São chamados “Menores” não por causa da sua importância, mas em relação ao seu tamanho, e a esse respeito estão em contraste com os escritos dos Profetas Maiores. Os Profetas de Israel Os Profetas de Judá Os Profetas do Pós-cativeiro Oséias, Amós e Jonas. Obadias, Joel, Miquéias, Naum, Habacuque e Sofonias. Ageu, Zacarias e Malaquias. Os doze Profetas Menores, embora apresentem proporcionalmente textos menos extensos 15 que os chamados Profetas Maiores, formam um bloco de livros divinos que primam pela limpidez de estilo, pela dinâmica da linguagem, pela riqueza de seu conteúdo. Seus autores não relatam apenas os problemas polít icos, sociais e religiosos do povo de Israel, mas clamam contra o pecado, a injustiça e a apostasia; convidam ao retorno, á fidelidade e ao arrependimento; anunciam a miser icórdia, a graça e o perdão de Deus; pregam a lei em todo seu vigor e o evangelho em todo seu consolo; apontam para a vinda do Messias “que há de reinar em Israel” (Mq 5.2), o “Rei”, Justo e Salvador, que anunciará a paz às nações (Zc 9.9-10), e lançarão todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Mq 7.19). Os textos são escritos antigos; passou-se mais de 2.600 anos desde o seu surgimento, eis o divin o paradoxo; apesar de sua antigüidade histórica, é extraordinária e surpreendente a atualidade das mensagens dos Profetas Menores. O seu conteúdo não envelheceu, não caducou, não se desatualizou; traçando um paralelo entre o contexto polít ico, social e rel igioso do mundo de vinte e seis séculos passados e o nosso século, é fácil concluir que a história se repete. A mensagem dos Profetas Menores é nova, atual e necessária ao homem do século XXI; torna -se urgente examinar, refletir, aceitar e proclamar o que Deus está profetizando através dos Profetas Menores. Através deste estudo descobriremos que os profetas menores formam verdadeiras tochas acessas por Deus, para orientar o povo rebelde em meio à escuridão da desobediência. Eram as vozes do Senhor constantemente chamando para o arrependimento e a reconciliação. 16 A Classificação dos Livros Proféticos Os autores dos livros proféticos tinham estilos próprios, pois eram homens que viveram em épocas diversas, provenientes de várias estirpes 1, com cultura e poder econômico diferente. Contudo, todos eram dotados da convicção de suas chamadas para o ministério profético. A classificação dos livros proféticos em Profetas Maiores e Profetas Menores não se deve a importância de uns em relação aos demais, mas tão somente refere-se a extensão dos livros por eles escritos. Os que escrevem livros mais longos são chamados Profetas Maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel). Os doze profetas autores dos livros mais breves são ditos Profetas Menores (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias). Na formação do Cânon hebraico do Antigo Testamento os livros dos doze profetas menores formavam um só livro chamado “O Livro dos Doze”. Provavelmente agrupados assim, por Esdras e a “Grande Sinagoga”, mais ou menos em 425 a. C., possivelmente com a finalidade de acomodá -los em um rolo. As designações “Profetas Maiores” e “Profetas Menores” foram dadas por Agostinho no princípio do século IV d.C. A abordagem não será seqüencial e sim cronológica, dentro dos principais acontecimentos da época de cada um: • De 841-612 a.C. - Oséias, Joel, Amós, Jonas, Miquéias, Sofonias e Naum. Os principais eventos históricos relacionados ao povo de Israel foram a 1 Origem, tronco, linhagem, raça, ascendência, cepa. 17 queda da supremacia Aramaica (800 a.C.), a estruturação de Israel por Jeroboão II, a queda de Samaria (722 a.C.) e o fim do Império Assír io (612 a.C.). • De 605-539 a.C. - Habacuque e Obadias. Os fatos históricos foram a queda de Jerusalém (587 a.C.), o cativeiro judaico e a derrota Egípcia (605 a.C.). • De 539-322 a.C. - Ageu, Zacarias e Malaquias, onde estão registrados os regressos do cativeiro (538 a.C.), a reconstrução do Templo (515 a.C.) e a reforma de Esdras e Neemias (458-445 a.C.). Esquema Cronológico Aproximado Os Profetas Menores Acontecimentos Polít icos Oséias Joel Amós Jonas Miquéias Naum • Dominação da Assíria; • Queda de Samaria, 722 a.C.; • Exílio de Israel na Assíria; • Queda de Nínive, 612 a.C.; • Fim do Império Assírio; Habacuque Sofonias • Dominação da Babilônia; • Queda de Jerusalém, 587 a.C.; Obadias • Exílio de Judá; • Na Babilônia durante 70 anos; • Queda de Babilônia, 539 a.C.; Ageu Zacarias Malaquias • Dominação da Pérsia; • Rei persa Ciro toma a Babilônia, e • em 538 a.C. autoriza a volta do exílio; • Restauração do Templo 515 a.C.; • Espera do Messias, 450 a.C.; 18 Lição 1 Oséias, Joel e Amós Autor: Oséias. Data: 715-710 a.C. Tema: O Julgamento Divino e o Amor Redentor de Deus. Oséias Palavras-Chave: Pecado, Julgamento, Amor. Versículo-chave: Os 3.1 A profecia de Oséias foi a última tentativa de Deus em levar Israel a arrepender -se de sua idolatria e iniqüidade persistentes, antes que Ele entregasse a nação ao seu pleno juízo. O livro foi escrito com o objetivo de revelar: Que Deus conserva seu amor ao seu povo segundo o concerto, e deseja intensamente redimi -lo de suainiqüidade; Que conseqüências trágicas se seguem quando o povo persiste em desobedecer a Deus, e em rejeitar - lhe o amor redentor. A infidelidade da esposa de Oséias é registrada como ilustração da infidelidade de Israel. Gomer vai atrás de outros homens, ao passo que Israel corre atrás de outros deuses. Gomer comete prostituição física; Israel, prostituição espir itual. 19 Visão Panorâmica (1) Os capítulos 1-3 descrevem o casamento entre Oséias e Gomer. Os nomes dos três filhos são sinais proféticos a Israel: Jezreel => (“Deus espalha”) Lo Ruama => (“Não compadecida”) Lo-Ami => (“Não meu povo”) O amor perseverante de Oséias à sua esposa adúltera simboliza o amor inabalável de Deus por Israel. (2) Os capítulos 4-14 contêm uma série de profecias que mostram o paralelismo entre a infidelidade de Israel e a da esposa de Oséias. Quando Gomer abandona Oséias, e vai à procura de outros amantes (Os 1), está representando o papel de Israel ao desviar -se de Deus (Os 4-7). A degradação de Gomer (Os 2) representa a vergonha e o juízo de Israel (Os 8-10). Ao resgatar Gomer do mercado de escravos (Os 3), Oséias demonstra o desejo e intenção de Deus em restaurar Israel no futuro (Os 11-14). O livro enfatiza este fato: por ter Israel desprezado o amor de Deus e sua chamada ao arrependimento, o juízo já não poderá ser adiado. Tema Jeroboão morreu em 752 a.C., Ezequias subiu ao trono em 728, somando alguns anos, o período de tempo sugere aproximadamente 755-725 a.C., 20 embora sejam dados nomes dos reis de Judá com a finalidade de localizar a época, e Judá seja mencionado no livro, a profecia é dirigida ao Reino do Norte, Israel (Os 1.4,6,10; 3.1; 4.1,15), dirige-se a ele como “Efraim” (que significa fért il) trinta e sete vezes, em virtude da poderosa tribo do centro or iunda do muito abençoado f ilho de José. Verificamos que nacionalmente a monarquia havia sido dividida em dois reinos há aproximadamente 200 anos, os dois reinos experimentaram per íodos muito prósperos conhecidos como Era Áurea. O Senhor dera a Israel grande expansão até Damasco, sob o reinado de Jeroboão II, sem dúvida foi uma dádiva especial da graça de Deus que queria levá-los ao arrependimento (2Rs 14.25-28). Se analisarmos tanto o ponto de vista religioso ou moral, Israel havia descido ao ponto mais baixo, os sacerdotes uniram-se aos salteadores e assassinos nas estradas (Os 6.9). Despreparados moralmente a ponto de sacrificarem crianças e se prostituírem em forma de culto. Os profetas Jonas e Amós haviam falado para aquela geração, Amós fora enviado de Judá para condenar Israel em termos fustigantes 1 por sua corrupção moral, indiferença religiosa e por não atender a repreensão. Contudo o ministér io de Amós foi curto e explosivo, enquanto que o de Oséias foi longo e paciente, como de um pastor que implora e derrama lágr imas por um rebanho enlouquecido a caminho da destruição. Assim, descobrimos o objetivo do livro de Oséias, que é o de registrar a chamada divina final ao arrependimento do indiferente Reino do Norte que afunda na desgraça, com isto descreve-se o estado 1 Fustigar: bater com vara. Vergastar, açoitar, zurzir. 21 abominável da nação que, a semelhança de sua esposa tinha-se entregue à prostituição. Fala do amor inextinguível 1 do Senhor que derramou lágrimas diante da alienação de Israel e estava pronto a receber o povo de volta para a aliança mediante arrependimento. Deus havia mandado Oséias tomar como esposa uma mulher que provou depois, ser inteiramente infiel, e que sofreu em grande medida as conseqüências de sua conduta. Que a narrativa é histórica não precisamos duvidar, porque não há motivo para considerar em parábola aquilo que as Escr ituras narra como fato. Considerando este fato, vamos notar os nomes dos três filhos de Oséias: Jezreel, Lo-Ruama e Lo-Ami. Estes foram sinais para o povo, como também foram os filhos de Isaías. O Senhor deu instruções claras ao seu profeta sobre como dar nomes aos seus filhos. Sua intenção, mediante o sentido dos três nomes, era a de revelar a sua atitude ao seu povo. Autor Oséias significa “salvação ou livramento”. A forma hebraica desse nome é “Hoshca”, pertencente à mesma raiz da palavra Josué, que tem o prefixo “Yod” para “Yad” ou Senhor “Yahweh é Salvação”. Sabemos que é filho de Beeri, e que profetizou para Israel, Reino do Norte, nos últ imos trinta an os antes do cativeiro. Evidentemente mudou-se para o sul antes do cativeiro em 722, foi contemporâneo de Isaías e Miquéias. Como Isaías, Oséias tinha uma família que foi usada pelo Senhor como “sinal” para nação quanto ao futuro julgamento e 1 Não extinguível. Que nunca acaba, extingue. 22 poster ior restauração. Acredita -se que ele tenha sido natural do norte e que por isso conhecia as más condições existentes em Israel. Isto deu um peso especial à sua mensagem. Casou-se com uma mulher que lhe foi infiel , suas amargas experiências conjugais tornaram-se a trama, ao redor da qual o Senhor construiu sua mensagem final ao Reino do Norte. Nada mais se sabe do profeta, a não ser os lances biográficos que ele mesmo revela em seu livro. Que Oséias provinha de Israel, e não de Judá, e que profetizou à sua nação, é evidente: ■ Em suas numerosas referências a “Israel” e “Efraim”, as duas principais designações do Reino do Norte; ■ Em sua referência ao Rei de Israel, em Samaria, como “nosso rei” (Os 7.5); Em sua intensa preocupação com a corrupção espir itual, moral, polít ica e social de Israel. O ministér io de Oséias, no Reino do Norte, seguiu-se logo após ao ministér io de Amós que, embora fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oséias são O S únicos profetas do Antigo Testamento, cujos livros foram dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe a destruição iminente. Data Escrito entre 715-710 a.C. aproximadamente, durante os reinados de quatro reis de Judá, de Uzias a Ezequias, mais ou menos 767-697 a.C., e durante o reinado de Jeroboão II de Israel, 793-752. 23 Cenário Quando Oséias iniciou o seu ministér io, durante os últ imos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma temporária prosperidade econômica e de paz política, que acabariam por produzir um falso senso de segurança. Logo após a morte de Jeroboão II (753 a.C.), porém, a nação começa a deteriorar-se, e caminham velozmente à destruição em 722 a.C. Passados quinze anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados. Decorridos mais quinze anos, Samaria ser ia incendiada, e os israelitas, deportados para a Assír ia e, poster iormente, dispersados entre as nações. O casamento trágico de Oséias, e sua palavra profética harmonizavam com a mensagem de Deus a Israel durante esses anos caóticos. Deus ordenou a Oséias que tomasse “uma mulher de prostituições” (Os 1.2) a fim de ilustrar a infidelidade espir itual de Israel. Embora haja os que interpretem o casamento do profeta como alegoria, os eruditos conservadores consideram-no literal. Parece improvável, porém, que Deus instruísse seu piedoso servo a casar-se com uma mulher de má fama para exemplificar sua mensagem a Israel. Parece mais provável que Oséias haja se casado com Gomer quando esta ainda era casta, e que ela haja se tornada meretr iz poster iormente. Sendo assim, a ordem para se tomar “uma mulher de prostituições” era uma previsão profética do que estava para acontecer. Ocontexto histórico do ministério de Oséias é situado nos reinados de Jeroboão II, de Israel, e de quatro reis de Judá (Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias; ver Os 1.1) - isto é, entre 755 e 715 a.C. As datas revelam que o profeta não somente era um contemporâneo mais jovem de Amós, como 24 Ulysses Highlight também de Isaías e Miquéias. O fato de Oséias datar boa parte de seu ministér io mediante uma referência a quatro reis em Judá, e não aos breves reinados dos últ imos seis reis de Israel, podem indicar ter ele fugido do Reino do Norte a fim de morar na terra de Judá, pouco tempo antes de Samaria ter sido destruída pela Assíria (722 a.C.). O Livro e as Características Especiais Sete aspectos básicos caracterizam o livro de Oséias: (1) Ocupa o pr imeiro lugar na seção do Antigo Testamento chamado “O Livro dos Doze”, também conhecido como os “Profetas Menores”, por causa de sua brevidade em comparação com Isaías, Jeremias e Ezequiel. (2) Oséias é um dos dois profetas do Reino do Norte a ter um livro profético no Antigo Testamento (o outro é Jonas). (3) A semelhança de Jeremias e Ezequiel, as experiências pessoais de Oséias ilustram sua mensagem profética. (4) Contêm cerca de 150 declarações a respeito dos pecados de Israel, sendo que mais da metade deles relaciona-se a idolatria. (5) Oséias relembra aos israelitas que o Senhor havia sido longânimo e f iel em seu amor para com eles. (6) Não há ordem visível entre suas profecias (Os 4 - 14) . E difícil distinguir onde uma profecia termina e outra começa. (7) Elas acham-se repletas de vividas figuras de linguagem, muitas das quais tiradas do cenário rural. 25 O Livro de Oséias ante o Novo Testamento Diversos versículos de Oséias são citados no Novo Testamento: O Filho de Deus é chamado do Egito (Os 11.1; cf. Mt 2.15); A vitória de Cristo sobre a morte (Os 13.14; cf. ICo 15.55); Deus deseja a misericórdia, e não o sacrifício (Os 6. 6; cf. Mt 9.13; 12.7); Os gentios que não eram o povo de Deus passam a ser seu povo (Os 1.6, 9-10; 2.23; cf. Rm 9.25,26). Além dos trechos específicos, o Novo Testamento expande o tema do livro - Deus como o marido do seu povo - e diz que Cristo é o marido de sua noiva redimida, a Igreja (2Co 11.2; Ef 5.22 -32; Ap 19.6- 9; 21.1-2,9-10). Oséias enfatiza a mensagem do Novo Testamento a respeito de se conhecer a Deus para se entrar na vida (2.20; 4.6; 5.15; 6.3-6; cf. Jo 17.1-3). Juntamente com esta mensagem, Oséias demonstra claramente o relacionamento entre o pecado persistente e o juízo inexorável de Deus. Ambas as ênfases são resumidas por Paulo em Romanos 6.23: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”. Oséias em Relação a Jesus Cristo O amor divino por Israel, subentende o amor de Cristo pela Igreja (Jo 13.1). YHWH é a própria Trindade, ou seja, Senhor no Antigo Testamento, fala sobre o relacionamento “marido-mulher” representando 26 o Senhor e o povo da aliança. O amor no Novo Testamento entre Cristo e a sua Igreja, é outra expressão daquele amor divino, mesmo para os que estão fora daquela união da alia nça (Ef 2.11-14). Oséias 3.5 diz: “tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao Senhor seu Deus e a Davi seu rei” (provavelmente é messiânica), pode ser o próprio Messias como “Filho de Davi” (Ez 34.23 -24; Mc 12.35), nos últ imos dias os filhos de Israel tremendo se aproximarão do Senhor (Os 3.5). “Do Egito chamei meu filho” (Os 11.1), é citado em Mateus 2.15 como uma profecia do Antigo Testamento que Jesus seria levado ao Egito e chamado pelo anjo do Senhor. Sem dúvida Mateus usa esse texto como uma “profecia” de Cristo, mostrando seu relacionamento íntimo entre o Messias e Israel. Oséias em Relação a Jeremias (Os 11.7-9; Jr 9.1-2) Assim como Oséias foi para Israel, Jeremias foi para Judá 140 anos após. Insist iu com o povo, implorando o amor de Deus, no per íodo que o povo lançava-se na destruição. Ministraram depois de uma época de prosper idade em toda a nação, seguida de indiferença espiritual e corrupção moral. Expressaram a tristeza de Deus por ser forçado a divorciar-se do seu povo por adultér io e a permitir sua destruição por um Império do Oriente (Jr 3.8; Os 2.2 - 7). Falaram de uma renovada aliança entre o Senhor e o seu povo na futura era messiânica (Jr 31.31 e Os 1.11; 14.1). 27 Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 1. É o tema do livro de Oséias a) A magnitude da miser icórdia salvífica de Deus b) O juízo de Edom C) O grande e terrível Dia do Senhor d) O julgamento divino e o amor redentor de Deus 2. Oséias fora um profeta que perseverou em a) Juntar o povo diante do Senhor numa grande assembléia solene b) Amar sua esposa adúltera simbolizando o amor inabalável de Deus por Israel c) Entregar ao rei Jeroboão II uma versão escr ita de suas advertências proféticas d) I Profetizar destruição aos edomitas 3. Quanto ao livro de Oséias, aponte a sentença errada a) Ê o único profeta do Reino do Norte a ter um livro profético no Antigo Testamento b) Q Ocupa o primeiro lugar na seção do Antigo Testamento chamado “O Livro dos Doze” c) Relembra aos israelitas que o Senhor havia sido longânimo e fiel em seu amor para com eles d) A maioria de suas declarações são destinados à idolatria ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 4. Ao resgatar Gomer do mercado de escravos, Oséias demonstra o desejo e intenção de Deus em restaurar Israel no futuro 5. Oséias significa “Jeová é Deus”. Profetizou para Judá nos últimos dez anos antes do cativeiro 28 Autor: Joel. Data: 835-830 a.C. Joel Tema: 0 Grande e Terrível Dia do Senhor. Palavras-Chave: Visitação. Versículo-chave: J1 2.28-29. Joel falou e escreveu em virtude de duas recentes calamidades naturais, e da iminência de uma invasão militar estrangeira. Seu tríplice propósito: ■ Juntar o povo diante do Senhor numa grande assembléia solene (J1 1.14; 2.15,16); ■ Exortar o povo a arrepender -se e a voltar-se humildemente ao Senhor Deus com jejuns, choro, pesar e clamor por sua miser icórdia (J1 2.12 -17); ■ Registrar a palavra profética ao seu povo por ocasião de seu sincero arrependimento (J1 2.18 - 3.21). Visão Panorâmica O conteúdo de Joel divide-se em três seções: A primeira seção (J1 1.2-20). Descreve a devastação de Judá ocasionada por uma grande praga de gafanhotos, que arrancou as folhagens das vinhas, árvores e campos (J1 1.7,10), reduzindo o povo a indescrit ível penúria 1 . Em meio à Calamidade, o profeta conclama os líderes espirituais de Judá a guiar a nação ao arrependimento (J1 1.13,14). 1 Pobreza extrema; indigência, miséria, escassez, falta. 29 A segunda seção (J1 2.1-17). Registra a iminência de um juízo divino ainda maior, proveniente do Norte (J1 1.1-11), na forma de: Outra praga de gafanhotos descr ita metaforicamente como um exército de destruidores, ou Uma invasão militar literal. De novo, o profeta soa a trombeta espiritual em Sião (J1 2.1,15), conclamando grande assembléia solene 1 para que os sacerdotes e todo o povo busquem sinceramente a misericórdia divina, com arrependimento, jejuns, clamores e genuíno quebrantamento, diante do Senhor (J1 2.12,17). A seção final (J1 2.18-3.21). Começa declarando a misericórdia de Deus em face ao arrependimento sincero do povo(os verbos hebraicos de Joel 2.18,19a indicam ação completada, e devem ser traduzidos no tempo passado). O humilde arrependimento de Judá e a grande misericórdia de Deus dão ocasião às profecias de Joel a respeito do futuro, abrangendo a restauração (J1 2.19b - 27), c derramamento do Espírito Santo sobre toda a humanidade (J1 2.28-31) e o juízo e a salvação no final dos tempos (J1 3.1-21). Tema O tema e seu estilo literário identificam-se mais com os profetas do século VIII a.C. - Amós, Miquéias e Isaías, do que com os profetas pós-exílicos - Ageu, Zacarias e Malaquias. Estes e outros fatos 1 Que se efetua com aparato e pompa. 30 favorecem o contexto do século IX a.C. para o livro de Joel. O dia do Senhor está próximo, frase encontrada cinco vezes em Joel. Nos versículos a seguir (J1 1.15; 2.1-11,13; 3.14), observem que evidenciam com clareza como será de fato terrível e assustador este dia. A finalidade em ressaltar este tempo é o de avisar ao povo dos eventos culminantes do fim. Através de seu estilo suave, mas direto, o escritor procura exortar Judá a decidir-se e a consagrar-se novamente ao Senhor. Com sua mensagem declara que a justiça do alto está perto e brevemente se manifestará, a sua mensagem visa preparar Judá para a invasão que há de vir, este ataque de que fala o profeta é aquele que ocorrerá durante a Grande Tribulação; será quando Judá for atacada pelas hostes inimigas nos dias da Grande Batalha do Armagedom, que será o desfecho da GrandeTribulação; em Joel 2.2-10 declara que as tropas inimigas serão destemidas, ferozes e dominadas pelo zelo do destruidor. Quatro fases do desenvolvimento da locusta mencionada por Joel: ARA ARC As Fases Gafanhoto Cortador Lagarta Recém-nascido sem asas. Gafanhoto Migrador Gafanhoto Pode procriar já no primeiro estágio de desenvolvimento. Gafanhoto Devorador Locusta Desenvolve pequenas asas, mas pula bem. Começa a devorar. Gafanhoto Destruidor Pulgão Possui asas completas. E o consumidor adulto. 31 Existem comentários que traçam um paralelo entre essas pragas e os impérios da visão de Daniel: Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma, mas a interpretação mais provável é a simbólica, o incidente dos gafanhotos foi real, já havia acontecido, o profeta faz o povo lembrar daquela época aterradora 1 , porém agora o conscientiza das vindouras invasões inimigas, nações se levantarão contra Judá com grande alvoroço e fer ocidade. Por fim o profeta entrega a assolação passada para mostrar que no futuro, o dia do Senhor será por sua vez ainda mais terrível. O porta-voz do Senhor declara que há uma saída, voltar ao primeiro amor e tomar uma decisão urgente (J1 2.12-20). Rasgai o vosso coração (v.13), é um convite para a conversão, para uma total consagração, uma mudança interna. Tocai a trombeta (v. 15-17), é o acerto de contas com Deus. O livro apresenta dois objetivos: (1) Objetivo histórico: Tinha a finalidade de chamar a nação de Judá ao arrependimento, através da presença dos gafanhotos, da estiagem 2 e de seus inimigos locais, para evitar que uma calamidade pior viesse sobre eles. (2) Objetivo profético: Era o de apresentar o futuro dia do Senhor no qual ele dominará os pagãos, libertará o seu povo para habitar com Ele. Autor Joel significa: “Jeová é Deus” é a composição de YHWH (Jeová) e EL (Deus), vemos aqui 1 Que aterroriza; pavoroso, aterrador, aterrorizante. 2 Fa lta ou cessação d e chu va. 32 uma ligação direta do nome do profeta com a mensagem que Deus queria transmitir, “sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus” (J1 2.27; 3.17). Joel era filho de Petuel, acredita -se ter sido sacerdote, morou e profetizou em Judá e na cidade de Jerusalém. A Bíblia registra outras quatorze pessoas com o nome de Joel, provavelmente Joel era conhecido de Elias e contemporâneo de Eliseu. Data Levando-se em conta que Joel não menciona nenhum rei, ou evento histór ico, não se pode determinar o período de seu ministér io. Acredita-se que tenha sido exercido depois de os exilados terem voltado a Jerusalém e reedificado o Templo (cerca de 510 -400 a.C.). Nesta época, não havia rei em Judá, e os líderes espirituais de maior destaque eram os sacerdotes. Acredita -se ainda que a mensagem de Joel haja sido entregue durante os primeiros dias do jovem rei Joás (835 -830 a.C.), que subiu ao trono de Judá com a idade de sete anos (2Rs 11.21), e permaneceu sob a orientação do sumo sacerdote Joiada durante toda a sua menoridade. Tal situação explicaria o destaque dos sacerdotes neste livro profético, e a ausência de qualquer referência à realeza. Cenário Na área polít ica Judá estava passando por um período de reconstrução após o perverso reinado da rainha Talia (841-835). Esta reconstrução ocorreu principalmente sob a liderança do sumo sacerdote Joiada; pois ele mesmo contribuiu para a morte da rainha e Joás tinha apenas sete anos de idade (2Rs 33 Ulysses Highlight Ulysses Highlight 11.21) . No âmbito internacional Judá estava sendo molestada por vários inimigos locais: Tiro, Sidom, Filíst ia, Edom e Egito (J1 3.4-19). Referente à religião, a adoração a Baal tinha terminado com a santificação de Jeú em 841, e a Joiada em Judá em 835, porém, ao contrario da verdadeira purificação a Deus o povo tornou -se indiferente; já não tinham muito cuidado com as coisas sagradas como nós podemos notar em 2Reis 12.6. O Livro de Joel ante o Novo Testamento Vários versículos de Joel contribuem poderosamente à mensagem do Novo Testamento: ■ A profecia a respeito da descida do Espírito Santo (J1 2.28-32) é citada especificamente por Pedro em seu sermão no dia de Pentecoste (At 2.16-21), depois de o Espírito Santo ter sido enviado do céu sobre os 120 membros fundadores da Igreja Primitiva, com as manifestações do falar noutras línguas, da profecia e do louvor a Deus (At 2.4,6- 8,11,17,18). ■ Além disso, o convite de Pedro às multidões, naquela festa judaica, a respeito da necessidade de se invocar o nome do Senhor para ser salvo, foi inspirado (parcialmente) em Joel (J1 2.32a; 3.14; At 2.2,37- 41). Paulo também cita o mesmo versículo (Rm 10.13). * Os sinais apocalípticos nos céus que, segundo Joel, ocorrerá no final dos tempos (J1 2.30,31), não somente foram lembrados por Pedro (At 2.19,20), mas também referidos por Jesus (Mt 24.29) e por João em Patmos (Ap 6.12-14). ■ Finalmente, a profecia de Joel a respeito do julgamento divino das nações, no vale de Josafá 34 (J1 3.2,12-14), é desenvolvida ainda mais no últ imo livro da Bíblia (Ap 14.18-20; 16.12-16; 19.19-21; 20.7-9). Há dimensões tanto presentes quanto futuras em todas as aplicações de Joel no Novo Testamento. Os dons do Espír ito que começaram a fluir através do povo de Deus, no Pentecoste, ainda se acham à disposição dos crentes (ICo 12.1-14.40). Além disso, os versículos que precedem à profecia a respeito do Espírito Santo (isto é, a analogia da colheita com as chuvas temporãs e serôdias 1 , J1 2.23-27) e os versículos que se seguem (isto é, os sinais que se darão nos céus no final dos tempos, J1 2.30-32) indicam que a profecia sobre o derramamento do Espírito Santo (J1 2.28,29) inclui não somente a chuva inicial no Pentecoste, como também um derramamento final e culminante sobre toda a raça humana no final dos tempos. 1 Que vem tarde, fora do tempo; tardio. 35 Autor: Amós. Data:Cerca de 760-755 a.C. Tema: Justiça, Retidão e Retr ibuição Divina pelo Pecado. Palavras-Chave: Julgamento e Justiça. Versículo-chave: Am 4.11 e 12. A prosper idade de Israel servia apenas para aprofundar a corrupção da nação. Ao ser enviado a Betel a proclamar a mensagem: “Arrependam-se ou pereçam”, Amós é de lá expulso, sendo-lhe expressamente proibido de ali profetizar. Quão diferentemente agiram os ninivitas diante da mensagem de Jonas! Parece que, pouco depois, Amós volta a sua casa em Judá, onde escreve sua mensagem. Seu propósito era: ■ Entregar ao rei Jeroboão II uma versão escrita de suas advertências proféticas; ■ Disseminar amplamente em Israel e Judá o oráculo da certeza do iminente juízo divino contra Israel e as nações em derredor, a não ser que estas se arrependessem de sua idolatria, imoralidade e injustiça. A destruição de Israel ocorreria três décadas mais tarde. Durante o ministério de Amós, o Reino do Norte achava-se en seu apogeu 1 quanto à expansão territorial, paz política e prosper idade nacional. Internamente, porém, estava podre. A idolatria encontrava-se em voga 2 . A sociedade esbanjava -se à 1 O mais alto grau; o auge. 2 Divulgação, propagação. Popularidade; grande aceitação. Uso atual; moda. 36 procura dos prazeres. A hipocrisia e a imoralidade grassavam 1 . O sistema judiciário corrompia -se cada vez mais, e a opressão aos pobres tornara -se lugar-comum. Obedecendo à vocação do Deus de Israel, Amós proclama corajosamente a sua mensagem centrada na justiça, ret idão e retribuição divina. Mas o povo, infelizmente, não queria ouvir o que o Senhor t inha a dizer-lhe. Visão Panorâmica O livro de Amós divide-se, de modo natural, em três seções: A primeira seção (Am 1.3-2.16). O profeta dirige primeiramente sua mensagem de condenação a sete nações vizinhas de Israel, inclusive Judá. Tendo levado Israel a aceitar prazerosamente o castigo desses povos (Am 1.3-2.5), Amós passa a descrever vividamente os pecados da nação eleita e a punição que lhe estava reservada (Am 2.6-16). Esta seção determina o tom da mensagem do livro: a condenação resultará na destruição e exíl io da nação israelita. > A segunda seção (Am 3.1-6.14). Registra três mensagens ousadas, iniciando cada uma delas com a expressão: “Ouvi esta palavra” (Am 3.1; 4.1; 5.1). Na primeira, Deus julga Israel como um povo privilegiado, a quem Ele livrara do Egito: “De todas as famílias da terra a vós somente conheci; portanto, todas as vossas injustiças visitarão sobre vós” (Am 3.2). 1 Desenvolver-se; alastrar-se, propagar-se progressivamente. 37 A segunda mensagem começa tratando as mulheres ricas de Israel de “vacas de Basã... que oprimis os pobres, que quebrantais os necessitados, que dizei a seus senhores: dai cá, e bebamos” (Am 4.1). Amós profetiza que elas ser iam levadas ao cativeiro com anzóis de pesca, como o justo juízo de Deus requeria (Am 4.2,3). Amós tem palavras semelhantes para os mercadores desonestos, os governantes corruptos, os advogados e juízes oportunistas e os sacerdotes e profetas prevaricadores. A terceira mensagem (caps. 5 e 6) alista as abominações de Israel. Amós, pois , conclama o povo ao arrependimento: “Ai dos que repousam em Sião” (Am 6.1), pois a ruína estava para se abater sobre eles. A terceira seção (Am 7.1-9.10). Registra cinco visões de Amós a respeito do juízo divino. A quarta visão descreve Israel como um ces to de frutos em franco estado de putrefação 1 . O juízo divino já se fazia arder (Am 8.1-14). A visão final mostra Deus em pé ao lado do altar, pronto a fer ir Samaria e o Reino decadente do qual era ela capital (Am 9.1-10). O livro termina, com breve, porém poderosa promessa de restauração ao remanescente (Am 9.11-15). Tema Por meio de Amós, o Senhor estava declarando que o destino de Israel estava determinado, seu funeral estava marcado e brevemente iriam se realizar, os assírios invadiram o Reino do Norte uns 40 anos depois (722 a.C.). Desde então Israel jamais 1 Decomposição das matérias orgânicas pela ação das enzimas microbianas. Estado de putrefato; apodrecimento, corrupção. 38 voltou a ser a grande nação que tinha sido no passado (Am 5.2). As palavras que Amós recebeu e transmitiu lhe vieram dois anos antes de um terremoto que abalou Israel, tudo indica que este desastre foi algo real e não simbólico. Este acontecimento foi um sinal de advertência ou aviso preliminar às nações, daquilo que Deus ia derramar sobre elas. Deus não se deixa zombar e aquele que ousar fazê-lo sentirá a mão vingadora, porém justa do Todo-Poderoso e Soberano Senhor. O Reino do Sul (Judá) não está fora dessas predições, até a própria Jerusalém sentirá o calor causticante do sopro de Deus, será consumida e devastada, por terem rejeitado a lei do Senhor, e acreditado em mentiras (Am 2.6-8). Deus é amor; mas, seu amor não é do tipo que aceita tudo, mesmo aqueles que lhe são quer idos, serão punidos se persistirem em pecar; após a declaração do profeta Amós de que certas nações e também Judá seria castigada, volta a sua atenção contra Israel. A imoralidade, o materialismo, a idolatria, e sacrilégio são algumas das doenças infeccionadas no ovo de Israel (Am 2.6-8). Com isto não deram o devido valor às bênçãos e libertação que da parte de Deus receberam por esta razão, agora com medo e pavor, mesmo tentando fugir não ir iam conseguir escapar, fracos e indefesos, ter iam que sentir o gosto amargo da justiça de Deus (Am 2.13-16). Israel e Judá viviam o per íodo conhecido como “idade de ouro”. Pois os dois reinos encontravam-se conforme Amós 6.1, a idéia de um colapso ou julgamento nacional estava longe do pensamento de todos, pois durante este período o Egito mostrou-se fraco e a Assír ia só começou a penetrar no ocidente em 745 a.C. sob o reinado de Tiglate-Pileser 39 III; ninguém jamais suspeitava que dentro de dez anos, desordens polít icas e assassínios 1 estremeceriam o país, lançando-o de encontro à destruição. Autor Amós significa “carga” ou “carregador de fardos”, o livro contém muitos fardos de julgamentos ou calamidades que o profeta transmitiu a Israel. Amós nasceu em Tecoa, uma pequena aldeia a 8 km aproximadamente ao sul de Belém; homem de negócios, fazendeiro e pregador, embora não fosse um profeta treinado na Escola de Profetas, ocupava -se com criações de gado e plantação de frutas, tais como: figos silvestres (Am 1.1,7,14); era intelectual e hábil escr itor, seu livro é considerado clássico tanto na expressão artística quanto no conteúdo, tinha um profundo senso de justiça social e coragem nos confrontos, como Jonas foi um profeta missionário. Estava perfeitamente a par dos acontecimentos sociais e nacionais, certamente por ir sempre ao norte a fim de comercializar seus produtos. Data Amós profetizou antes da queda de Israel (Reino do Norte), foi contemporâneo de Jonas e Os éias (profetas de Israel) e Isaías e Miquéias (profetas de Judá); nos seus dias reinava em Judá Uzias e em Israel Jeroboão II (Am 1.1), ano 767 a 752 a.C. Iniciou seu ministério em alguma data entre 760-746 a.C. Não é possível precisar a data do terremoto mencionado em Amós 1.1, e também citado em Zacarias 14.5. 1 Ato de assassinar; homicídio, assassinato, assassinamento. 40 Cenário Profetas e sacerdotes viviam ao serviço dos próprios interesses, injustiças sociais eram o que havia, os que t inhampoder estavam sempre com a razão, Usurpavam os pobres e viviam na suntuosidade 1 e no vício. Amós foi enfático, e atribuiu a culpa da corrupção ao rei e ao sumo sacerdote, razão pela qual declarou que a casa de Jeroboão II e a casa de Amazias, o sacerdote seria destruída a espada (Am 7.8-; nenhum profeta chamou atenção com mais eloquência do que Amós sobre a injustiça social, ,„corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como ribeiro impetuoso” (Am 5.24), versículo- chave do livro que se tornou um clássico da justiça. Em Amós 5.6-20 enfatiza-se mais uma vez a grande preocupação de Deus pela moral, o ritual sem justiça não é religião divina, nos seus últimos julgamentos, o profeta deixou claro que qualquer nação „o violar os conceitos morais, sociais, divinos e entregar-se à exploração do pobre (como era naquele tempo) estaria fadada à prematura destruição (Am .5,8,10,12,15; 2.3,5,14-16). Características Especiais Seis aspectos básicos caracterizam o livro de Amós: 1 o ) É, primariamente, um grito profético em favor da justiça e da retidão, baseado no caráter de Deus. Enquanto Oséias sentia-se esmagado pela infidelidade de Israel, Amós enfurece-se pela violação dos padrões da justiça e retidão que o Senhor traçara ao seu povo. 1 Grande luxo; magnificência, aparato, pompa. 41 2 o ) Ilustra vividamente quão abominável é para Deus a religião quando divorciada de uma conduta reta. 3 o ) E uma confrontação radical e vigorosa entre Amós e o sacerdote Amazias (Am 7.10-17), que se tornaria uma cena clássica na profecia hebraica. 4o) Seu estilo, audaz e enérgico, reflete a inabalável lealdade do profeta a Deus e aos seus justos padrões para com o povo do concerto. 5o) Demonstra a disposição de Deus em usar pessoas que lhe são tementes, aindaque desprovidas de credenciais formais, para que proclamem a sua mensagem numa era de profissionalismo. 6 o ) Há, em Amós, numerosos trechos bem conhecidos, entre os quais: 3.3,7; 4.6-12; 5.14,15; 21-24; 6.1a; 7.8; 8.11; 9.13. Objetivos do Livro O objetivo dessa profecia era soar a trombeta, avisando a liderança e a aristocracia de Israel do iminente julgamento de Deus sobre a nação. Essa admoestação não visava tanto às falhas religiosas, mas, sobretudo a corrupção espir itual, moral e social. Sendo assim, a nação estava para ser destruída pelas injustiças sociais praticadas pela aristocracia contra os pobres e fracos, pois Deus é um Deus de justiça. Oséias pregou o amor divino. Amós, a justiça. Em Amós 4.12, percebemos claramente a mensagem de Amós. No auge da prosperidade, ele anuncia um julgamento que viria como já mencionamos. Embora ofereça miser icórdia aos que reagisse favoravelmente, o profeta declarou que a nação em si já não t inha perdão. 42 Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 6. Não é considerado como um dos propósitos de Joel a) Registrar a palavra profética ao seu povo por ocasião de seu sincero arrependimento b) Exortar o povo a arrepender -se e a voltar-se humildemente ao Senhor Deus com jejuns, choro c) Juntar o povo diante do Senhor numa grande , assembléia solene d) Entregar a palavra do juízo divino contra Edom 7. Não é uma referência de Joel que contribui poderosamente à mensagem do Novo Testamento a) A profecia a respeito da descida do Espírito Santo b) Os sinais apocalípticos nos céus que ocorrerá í no final dos tempos c) A profecia da vitória de Cristo sobre a morte c) A profecia a respeito do julgamento divino das nações, no vale de Josafá Atribuiu a culpa da corrupção ao rei e ao sumo sacerdote; declarou que a casa de Jeroboão II e a casa de Amazias, o sacerdote, seriam destruídas a espada a) Amós b) Obadias c) Joel d) Oséias 43 ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 9. Joel falou e escreveu em virtude de duas recentes calamidades naturais, e da iminência de uma invasão militar estrangeira 10. Enquanto Amós sentia-se esmagado pela infidelidade de Israel, Joel enfurece-se pela violação dos padrões da justiça e retidão que o Senhor traçara ao seu povo Lição 2 Obadias e Jonas Autor: Obadias. Data: Cerca de 840 a.C. Obadias Tema: O Juízo de Edom. Palavras-Chave: Dia, Dia do Senhor. Versículo-chave: Ob 15. Este livro foi escr ito: Para revelar a intensa ira de Deus contra os edomitas por terem se regozijado com o sofr imento de Judá; e. Para entregar a palavra do juízo divino contra Edom. Obadias profetiza o resultado final da atuação de Deus: Para os edomitas - Destruição; Para Israel - Livramento no futuro dia do Senhor. Visão Panorâmica Obadias possui duas seções pr incipais: Primeira seção (vv. 1-14). Deus expressa, através do profeta, sua ardente ira contra Edom, e exige deste uma prestação de contas por sua soberba originada de sua segurança geográfica, e por ter -se regozijado com a derrota de 45 Judá. O juízo divino vem sobre eles; não há nenhuma esperança da comutação 1 da pena; nenhum convite é feito para se arrependerem e voltarem ao Senhor. Serão exterminados para sempre! (v. 10). Segunda seção (vv. 15-21). Refere-se ao Dia do Senhor, quando Edom será destruído juntamente com todos os inimigos de Deus, ao passo que o povo escolhido será salvo, e seu reino triunfará. Tema Todas as nações serão julgadas no Dia do Senhor (vv. 15 e 16); Edom será destruído no Dia do Senhor (vv. 17 e 18); a Palestina será de Israel no Dia do Senhor (vv. 19 e 20); toda a terra será do Senhor no Dia do Senhor (v. 21). O castigo de Edom era por causa da violência feita ao seu irmão Jacó (v. 10). A narração do profeta mostra o requinte 2 de crueldade com que afligiram e tentaram exterminar seu irmão. Ser iam traídos pelos aliados; falhar-lhes-iam o conhecimento, e até mesmo os valentes ficar iam atemorizados 3 , sem saber o que fazer (v. 7-9). O profeta usa as seguintes palavras: “e serás exterminado para sempre” (v. 10). A partir do versículo 15, Obadias inclui outras nações inimigas de Israel no juízo de Deus, todavia Edom continua a ser o alvo do livro (v. 16). O termo “Israel” nos profetas tem dois significados: 1 Atenuação de pena. Substituição, permutação. 2 Exagero, extravagância. 3 Sentir medo ou temor; amedrontar -se, assustar-se, intimidar-se. 46 Somente o Reino do Norte; O povo escolhido de Deus (abrange os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó). Às vezes a frase “filhos de Israel” é explicitamente usada no versículo falando diretamente sobre os descendentes de Israel (Jacó). Quando o profeta salienta a libertação está se refer indo ao povo Judeu em geral. Obadias fala de três dias dist intos, todos representando violência: ■ O primeiro dia(v. 8), fa la da época em que Edom será arrasada; ■ O segundo (vv. 11 e 14) é o dia da sua calamidade. Este é o tempoque Judá sofreu sob as mãos dos edomitas, quando quer iam exterminar os filhos de Judá (v. 14). ■ O terceiro dia (v. 15), é o Dia do Senhor, relaciona-se com o juízo, destruição e ira de Deus. E importante saber que a expressão “O Dia do Senhor” frequentemente usada nos Profetas Menores, é um per íodo de tempo que começa logo após o arrebatamento da Igreja e continua ate o estabelecimento do novo céu e nova terra. A Salvação de Israel se dará durante este dia , os “Salvadores” do últ imo versículo do livro são t ipos ou precursoresdo real Salvador: o Messias. Os “salvadores” fizeram as suas partes em reconquistar porções da terra judaica. Segundo alguns comentadores, são Zorobabel e os Macabeus, heróis da histór ia israelita. Todavia o trabalho completo será realizado por Cristo (o Messias) a í cumprirá a ult ima parte do v. 21 “e o reino será do Senhor” (Ez 25.12 -14), ali Ezequiel 47 também trata de Edom e revela o tema do livro de Obadias: “O Juízo de Edom”. O livro de Obadias revela -nos dois objetivos: S Anunciar a destruição final de Edom, devido à violência e vingança insaciável contra Israel, o povo de Deus; Reafirmar o triunfo do Monte Sião no Dia do Senhor, quando Israel possuirá a terra de Edom. A “cidade invulnerável” não será no monte Seir, mas no monte Sião. O livro de Obadias não é apenas o menor livro do Antigo Testamento, mas provavelmente também o de mais longa introdução, veja a seguir a lguns pontos da história de Edom. A história começa com a disputa entre irmãos gêmeos, Jacó e a mãe Rebeca planejam arrancar de Esaú o seu direito de primogenitura e benção (Gn 25 e 27). A inimizade e amargura de 20 anos diminuíram um pouco quando Jacó teve um encontro com Deus, ao voltar de Padã-Arã (Gn 32 e 33). Sua inimizade tornou -se nacional quando Israel voltou do Egito, apesar do Senhor ter, ordenado a Israel que não se vingasse (Nm 20.14 -21 e Dt 2.5). Essa inimizade entre Israel eEdom continuou por mil anos, de Moisés a Malaquias,envolvendo br igas e combates sem muita importância. Os edomitas foram condenados por muitos profetas (Nm 24.18-19; Jr 49.7-22; Ez 25.12-14; J1 3.19; Am 1.11-12; Ml 1.3-4). Em Mateus 2.1-23 o autor apresenta a histór ia de Jesus com registro de intensa inimizade de Herodes, o edomita, que se t inha tornado rei de Israel. Aquela inimizade pode ser notada em diversas gerações da dinastia herodiana: 48 ■ Herodes o grande, procurou assassinar Jesus (Mt 2.16); ■ Herodes Antipas assassinou João Batista; humilhou e procurou matar a Jesus cruelmente no julgamento de Sua morte (Mt 14.10; Lc 13.31; 23.11);' ■ Herodes Agripa I matou Tiago e tentou matar Pedro (At 12). A nação de Edom (Iduméia) e Israel extinguiram-se depois da invasão e expurgo romano em 70 d.C. sendo que os romanos incorporaram-na à Arábia Pétrea. Os edomitas são evidentemente cr it icados pelos profetas, devido à sua renovada preeminência nos últ imos dias, pois serão eles os inimigos que o Messias destruirá quando vier em julgamento (Is 34.1-8; 63.1-4; Ml 1.4). Essa destruição final será completa e perpétua, embora outros antigos vizinhos de Israel sejam restaurados (Is 19.23-25; Jr 49.12-13; Ez 35.9; Ob 9 e Ml 1.4). Obadias é a síntese do últ imo capítulo da história, como se fosse a conclusão dos livros sobre Edom, foi um povo que podia ter se tornado grande, tendo sido dotado de rara sabedoria e força, mas “vendeu seu direito de pr imogenitura” por desp rezar a Palavra de Deus e o povo escolhido por Deus. Os edomitas permitiram que um antigo ciúme se transformasse em amargura e vingança, incorrendo no eterno julgamento divino, são extremamente raros os edomitas de renome, ta is como: Doegue (servo de Saul) que matou os sacerdotes de Nobe, Hadade, inimigo de Davi (ISm 22.18; lRs 11.14) e Herodes que tentou matar o Messias (Mt 2.16). 49 Autor Obadias significa “Servo de Jeová” ou “Servo do Senhor”, era um nome comum no Antigo Testamento. No livro não é mencionado a sua genealogia, nem outro pormenor a seu respeito. Doze ou treze pessoas com tal nome são mencionadas na Bíblia (lRs 18.3 -16; 2Cr 17.7; 34.12,13; Ne 10.5). Sobre o profeta Obadias nada se sabe, exceto que ele estava em Jerusalém na ocasião dos violentos ataques de Edom. Como um servo, ele encobre a sua pessoa para salientar sua mensagem. Data Dependemos da data desta profecia para sabermos se o Obadias que escreveu este livro é citado noutra parte do Antigo Testamento. Como nenhum rei é mencionado, não sabemos com certeza a data em que foi escrito. A única alusão histór ica diz respeito a uma ocasião em que os edomitas regozijaram-se com a invasão de Jerusalém, e até mesmo tomaram parte na divisão dos despojos (vv. 11-14). Não fica claro, porém, qual invasão Obadias tinha em mente. Houve cinco invasões de monta 1 contra a Cidade Santa durante os tempos do Antigo Testamento: A de Sisaque, rei do Egito, em 926 a.C., durante o reinado de Roboão (lRs 14.25,26); A dos filisteus e árabes no reinado de Jeorão, entre 848 e 841 a.C. (ver 2Cr 21.16,17); A do rei Jeoás de Israel no reinado de Amazias, em 790 a.C. (2Rs 14.13,14); 1 Importância, gravidade. 50 A de Senaqueribe, rei da Assír ia, no reinado de Ezequias, em 701 a.C. (2Rs 18.13); A dos babilônios entre 605 e 586 a.C. (2Rs 24; 25). Acredita-se que Obadias tenha profetizado em conexão com a segunda ou quinta invasão. A destruição de Jerusalém por Nabucodonosor parece a menos provável, porque não há nenhum indício, no livro, da destruição completa de Jerusalém ou da deportação de seus habitantes. Os profetas que se referem à destruição de Jerusalém identificam sempre o inimigo como sendo Nabucodonosor, e não simplesmente “forasteiros” e “estranhos” (v. 11). Sendo assim, a ocasião da profecia de Obadias é mais provavelmente a segunda das cinco invasões, quando filisteus e árabes reuniram-se para pilhar 1 a cidade. Por essa época, os edomitas, que se achavam sob o controle de Jerusalém, já haviam consolidado sua liber dade (2Cr 21.8-10). Seu júbilo, motivado pela queda de Jerusalém, fica bem patente e compreensível. Levando- se em conta que o per íodo do reinado de Jeorão vai de 848 a 841 a.C, e que a pilhagem de Jerusalém já era realidade, considera-se 840 a.C. uma data provável à composição da profecia. Posição Geográfica Edom ficava na cadeia de montanhas e nos planaltos do monte Seir, a sudeste de Judá, a lém do Mar Morto. Seu territór io estendia -se desde Moabe, no rio Arnom, até o golfo de Acaba (distante cerca de 160 1 Submeter a saque; despojar com violência devastadora; saquear. 51 km), com Sela (Petra) no meio. Após o cativeiro de Judá em 586 a.C., Edom tomou o sul da terra dos judeus, fazendo de Hebrom a sua cidade principal. Cenário Histórico-Religioso Este cenár io encontra-se registrado em 2Reis 8.16- 22; 2Crônicas 21.5-20. Em 845 a.C. Judá estava sob o governo de Jeorão, rei iníquo, que juntamente com a iníqua rainha Atalia permitiu o culto a Baal, que t inha sido introduzido por Acabe e J ezabel em Israel cerca de 25 anos antes. Razão pela qual o Senhor permitiu a invasão estrangeira para punir Judá. Elias e Eliseu foram contemporâneos de Obadias no Reino do Norte. Fundo Histórico As dificuldades entre Edom, os descendentes de Esaú (Gn 25.27-30) e Israel, descendentes de Jacó (Gn 32.28-32), já exist iam há muito tempo, desde os dias de Moisés quando ele pediu permissão para passar em territór io de Edom e lhe foi negado (Nm 20.14 -21). Em 930 a.C. o reino de Israel se dividiu em dois: o Reino do Norte - Israel; e o Reino do Sul - Judá. E as rixas 1 continuaram. As profecias de Obadias ocorrem cerca de 80 anos após essa divisão, no ano 840 a.C. aproximadamente. Edom foi um “espinho” para os judeus. Ele tinha perturbado muito o reino unido de I srael e agora continuava a fazer o mesmo com o reino de Judá. Deus, através do profeta Obadias falava aos edomitasque chegou a hora final. Eles eram culpados de insultar e injur iar demasiadamente o seu povo 1 Contenda, briga. Discórdia, desavença, disputa . 52 escolhido, portanto, sofrer iam a pena máxima : extermínio da face da terra. A mensagem anunciando a vingança do Senhor é dir igida a Edom, mas trás conforto para Judá, pois fala da destruição de seus inimigos. Resumindo o relacionamento de Jacó (Israel) e Esaú (Edom) com estes acontecimentos: ■ 1406 a.C. Edom recusou a passagem de Israel a caminho do Jordão (Nm 20.14-21). ■ 992 a.C. Davi conquistou Edom matando a maior ia dos varões (2Sm 8.13; lRs 11.15 ss). ■ 860 a.C. Edom atacou Judá, mas foi destruído pelos seus aliados Moabe e Amom, depois que o rei Josafá convocou o povo à oração (2Cr 20). ■ 847 a.C. Edom revoltou-se contra Judá constituindo seu próximo rei (2Cr 21.8). ■ 845 a.C. Edom e Filíst ia pilharam Judá (2Cr 21.16- 17). E provável que o livro de Obadias tenha sido escrito logo após a pilhagem. ■ 785 a.C. Amazias atacou Edom matando 20.000 homens (2Cr 25.11-12). ■ 735 a.C. Edom revoltou-se novamente, levando muitos cativos (2Cr 28.17). ■ 586 a.C. Edom vingativamente ajudou a Babilônia destruir Jerusalém, e por este motivo foi lhe permitido estabelecer -se na parte Sul de Judá (SI 137.7; Ez 25.12). ■ 300 a.C. cidades e terras de Edom foram tomadas pelos Árabes Nabateus, forçando os edomitas a irem para o centro e o Sul de Judá. ■ 165 a.C. Judas Macabeu tomou Hebrom, que se t inha tornado capital dos edomitas. ■ 126 a.C. João Hircano subjugou os edomitas que agora eram chamados idumeus e forçou-os a serem circuncidados como os judeus. 53 ■ 40 a.C. Herodes (o idumeu) tornou rei da Palestina, conquistando Jerusalém em 37 a.C. ■ 70 d.C. os edomitas aliaram-se aos romanos para destruir e arruinar Jerusalém. A partir de então desapareceram das páginas como povo, sendo assimilados pelos Árabes Nabateus do sul de Judá. Como Eram os Edomitas Era povo orgulhoso, conhecido pela sua sabedoria e força. As escarpadas montanhas em que viviam davam-lhes isolamento e proteção natural, e os verdejantes planaltos proporcionavam viçosos pastos aos seus rebanhos. Sela ou Petra (no grego), é uma das cidades mais color idas da terra erguidas sobre arenito, é quase invulnerável, tem poucas entradas, a principal é “sik” um estreito desfiladeiro de quase 2 km, no tempo dos Nabateus. Essa cidade tornou-se um centro das caravanas, desenvolvendo um comércio em qua tro direções, sobreviveu como um grande centro até 630 d.C. quando foi devastada pelos Árabes Muçulmanos. Ficou perdida para o mundo ocidental até ser redescoberta em 1812. A terra de Edom ou de Esaú (Gn 25.30), a palavra significa: “vermelho”, era uma sér ie de penhascos ao sudeste. A referência: “ó tu que habitas nas fendas das rochas, na tua alta morada” (Ob 3), está falando da região de Petra. Principal Estratégia dos Edomitas Entre penhascos de cor vermelha, eles combatiam seus protegidos pelas grandes rochas, próprias da região, porém, a mensagem que o Senhor 54 Deus entrega a este povo diz com clareza que nada adiantará está proteção natural, pois quem comanda o ataque contra eles é o Senhor dos Exércitos. Características Especiais Quatro aspectos básicos caracter izam a profecia de Obadias: É o livro mais breve do Antigo Testamento; É um dos três profetas vocacionados por Deus a dir igirem sua mensagem quase que, exclusivamente, a uma nação gentia (os outros dois são Jonas e Naum); Há muita semelhança entre Obadias e J eremias 49.7-22; O livro não é citado no Novo Testamento. O Livro de Obadias ante o Novo Testamento Embora o Novo Testamento não se refira diretamente a Obadias, a inimizade tradicional entre Esaú e Jacó, que subjaz 1 a este livro, também é mencionada no Novo Testamento. Paulo refere-se à inimizade entre Esaú e Jacó em Romanos 9.10-13, mas assa a lembrar da mensagem de esperança que Deus os dá: todos os que se arrependerem de seus pecados, tanto judeus quanto gentios, e invocarem o nome do Senhor, serão salvos (Rm 10.9-13; 15.7-12). 1 Estar ou ficar subjacente. 55 Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 1. O livro de Obadias foi escr ito para revelar a) A intensa ira de Deus contra os israelitas b) A intensa ira de Deus contra os moabitas c) A intensa ira de Deus contra os edomitas d) A intensa ira de Deus contra os ismaelitas 2. Foram contemporâneos de Obadias no Reino do Norte a) Isaías e Eliseu b) Elias e Jeremias c) Isaías e Elias d) Elias e Eliseu 3. Quanto às caracter íst icas do livro de Obadias é incerto dizer que a) É o livro mais breve do Antigo Testamento b) O livro é vár ias vezes citado no Novo Testamento c) Transmite a mensagem quase que exclusivamente a uma nação gentia d) Há muita semelhança entre Obadias e Jeremias 49.7-22 ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 4. O termo “Israel” nos profetas tem dois significados: somente o Reino do Norte e povo escolhido de Deus (abrange os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó) 5. Os edomitas eram povo orgulhoso, conhecido pela sua sabedoria e força 56 Autor: Jonas. Data: Cerca de 760 a.C. Tema: A Magnitude da Miser icórdia Salvífica de Deus Jonas Palavras-Chave: Levanta - Preparado. Arrependimento. Versículo-chave: Jn 1.12 e 3.5. Seu tríplice propósito: ■ Demonstrar a Israel e às nações a magnitude, ampliação da miser icórdia divina e a atividade de Deus através da pregação do arrependimento. ■ Demonstrar, através da experiência de Jonas, até que ponto Israel decaíra de sua vocação missionár ia or iginal, de ser luz e redenção aos que habitam nas trevas (Gn 12.1-3; Is 42.6,7; 49.6). ■ Lembrar ao Israel apóstata 1 que Deus, em seu amor e miser icórdia, enviara à nação, não um único profeta, mas muitos profetas fiéis, que entregaram sua mensagem de arrependimento a fim de evitar o castigo que o pecado fatalmente acarretaria. Diferentemente de Nínive, no entanto, Israel rejeitara os profetas de Deus e a oportunidade que Ele lhe oferecia para que se arrependesse de suas iniquidades, e recebesse os frutos da miser icórdia. Visão Panorâmica O livro de Jonas conta a histór ia da chamada do profeta para ir a Nínive, e de sua atitude quanto ao mandado divino. 1 Que ou quem cometeu apostasia (abandono da fé). 57 Capítulo 1: Descreve a desobediência inicial de Jonas, e o castigo divino subseqüente. Ao invés de rumar para nordeste, em direção a Nínive, Jonas embarca num navio que velejava para o oeste, cujo destino era Társis, na atual Espanha, o ponto mais distante possível da direção apontada por Deus. O profeta, porém, não demorou a sentir o peso da impugnação divina: uma violenta tempestade no mar Mediterrâneo, que o levou a revelar -se aos marinheiros. Estes, por sua vez, são obrigados a jogá -lo ao mar. Providencialmente, Deus prepara “um grande peixe” para salvar -lhe a vida. Capítulo 2: Revela a oração que Jonas fez em seu cômodo excepcional. Ele agradece a Deus por ter -lhe poupado a vida, e promete obedecer à sua chamada. Então é vomitado pelo peixe em terra seca. Capítulo 3: Registra a segunda oportunidade que Jonas recebe de ir a Nínive, e ali pregar a mensagem divina àquela gente ímpia. Num dos despertamentos espirituaismais notáveis da histór ia, o rei conclama a todos ao jejum e à oração. E, assim, o juízo divino não recai sobre eles. Capítulo 4: Contém o ressentimento do profeta contra Deus, por ter o Senhor poupado à cidade inimiga de Israel. Fazendo uso de uma planta, de um verme e do vento or iental, Deus ensina ao profeta contrariado, que Ele se deleita em colocar sua graça à disposição de todos, e não apenas de Israel e Judá. 58 Tema Seu objetivo histór ico e duradouro era declarar a universalidade tanto do julgamento quanto da graça divina. Deus julga a iniqüidade em todas as esferas e, do mesmo modo, reage ao arrependimento de todas as nações; também retrata a verdade de que, quando o povo de Deus deixa de ter interesse pelos perdidos, perde a visão do objetivo e programa divino para o mundo. Obadias descreve a ira de Deus sobre os inimigos de Israel, por sua vez Jonas demonstra a miser icórdia divina a um dos antigos inimigos de Israel, em Obadias, o julgamento divino é pronunciado contra os pagãos que rejeitam a oportunidade de arrependimento e persistem em sua arrogância vingativa, em Jonas a miser icórdia divina é oferecida aos pagãos, que se arrependem e reagem favoravelmente a Deus. Os edomitas eram muito chegados de Israel (“parentescos e proximidade”), mas foram alvos da ira divina devido a sua arrogância; por outro lado os ninivitas estavam longe e eram depravados, povos guerreiros, mas foram alvos da miser icórdia de Deus devido ao seu arrependimento (Ob 3; Jn 3.5 -10). Nenhum profeta foi tão conciso em sua mensagem quanto Jonas, sua profecia continha apenas sete palavras (cinco no hebraico): “ainda quarenta dias Nínive será subvertida” (Jn 3.4), esta profecia não se realizou pelo fato de que os ninivitas se arrependeram Jonas ficou aborrecido), porém, sua experiência foi ma importante mensagem para Nínive, Israel e até mesmo para a Igreja de hoje (Mt 12.39-40). 59 Autor O próprio Jonas é o autor, muito embora o livro ser escr ito na terceira pessoa, o que pode deixar alguém em dúvida; todavia era um estilo comum entre os escritores hebraicos para relatar a sua histór ia. Jonas era filho de Amitai e nascido em Gate- Hefer (2Rs 14.25). Gate-Hefer era uma pequena aldeia de Zebulom, mais ou menos 3 km a nordeste de Nazaré, a tradição judaica diz ser ele o filho da viúva Serepta que foi ressuscitado por Elias, mais isso nunca foi confirmado, Jonas profetizou no começo do reinado de Jeroboão II, anunciando a Israel que o Senhor ter ia novamente miser icórdia dele, e lhe concedera uma espécie de grande desenvolvimento nacional; foi -lhe dispensada essa miser icórdia apesar de sua iniqüidade, como estímulo para o arrependimento (2Rs 14.23 -28). Jonas foi profeta, mas também é considerado um evangelista pelo caráter de sua missão e mensagem, pois vemos no decorrer do livro o seu tema: “A magnitude da miser icórdia Salvíf ica de Deus”. Jonas significa “pomba”, o profeta foi enviado a Nínive pelo Senhor como um “mensageiro da paz”, mesmo que ele não deu esta demonstração, pois fugiu da direção que Deus lhe dera. Seu ministér io teve lugar pouco após o de Eliseu (2Rs 13.14 -19), coincidiu parcialmente com o de Amós (Am 1.1) e foi seguido pelo de Oséias (Os 1.1). A Chamada Missionária A chamada missionár ia que Jonas recebeu foi a mais clara possível, mas ele não quer ia ser missionário, daí então tomou a decisão “não iria a Nínive, mas seguir ia viagem para Társis” (Jn 1.2 -3), 60 queria, portanto, fugir da presença do Senhor. Társis ficava mais longe da missão que era Nínive; já na embarcação Deus reprovou severamente a atitude de Jonas com uma tremenda tempestade, o medo e o pavor tomaram conta de todos; Jonas (o arauto rebelde), porém, se encontrava dormindo no porão do navio (Jn 1.5), dormia profundamente, quando foi despertado, foi também alertado a buscar ao seu Deus. Os deuses dos marinheiros possivelmente Fenícios, não davam nenhuma resposta, razão pela qual apelaram a Jonas ue buscasse ajuda clamando ao seu Deus, no desespero a tripulação decide lançar sorte a fim de descobrir quem era o culpado por tão violento castigo. A sorte caiu sobre Jonas (v.7), quer iam os marinheiros saber por que (v.8), ao ouvirem a resposta (v.9) e ainda ais que fugia da presença de Deus (v. 10) ficaram possuídos de grande temor. Deus dirigiu os fatos até que o profeta revelasse abertamente o seu pecado, Jonas agora estava m apuros, prefer iu ser lançado ao mar não sabendo o que lhe poderia acontecer, mas salvando a tripulação o navio (v.12). Na verdade o fato de pedir aos marinheiros que o jogasse ao mar foi um sacrifício, pois era o reconhecimento da desobediência; o v. 13 diz: “entretanto os homens remavam”, isto nos dá entendimento que os marinheiros, sabedores do que se assava com o profeta, tiveram temor de lançá -lo ao ar e serem castigados por Deus, ao perceberem que não tinham outra saída (v. 14) oraram ao Senhor antes e lançar o profeta Jonas ao mar. A atitude da tr ipulação demonstrava temor Deus do profeta Jonas, a versão or iginal dá a tender que levantaram Jonas com reverência, demonstrando que eles eram inocentes, e, só estavam realizando aquele ato por ser aprovado por Deus, o que 61 nos deixa claro que ao levantar ofereceram-no ao mar, cumprindo a vontade de Deus e salvando suas próprias vidas (Jn 1.11-16). Os marinheiros após lançarem Jonas ao mar e contemplarem a calmaria, ficaram possuídos de temor, e “ofereceram sacrifício e lhe fizeram promessas”, mesmo fugindo. Jonas ao final foi o meio pelo qual, vidas pudessem ser transformadas; Deus disciplinou Jonas porque t inha propós itos de bênçãos para ele e para Nínive, Deus tem os mares em suas mãos (Is 40.12), também toma providências para preservar o profeta (Jn 1.17). Desta passagem tiramos três lições: Os servos de Deus não podem prosperar na desobediência; Deus não permite que seus servos pereçam no erro (Deus dá oportunidade ao homem, como no caso de Jonas; restaurá-lo do serviço que recusara); O Senhor escolheu esta histór ia como figura da sua ressurreição (Mt 12.39-41; Lc 11.30-32). Data Seu livro foi escr ito em 760 a.C. aproximadamente, na época do reinado de Jeroboão II em 793-753 a.C. (2Rs 14.25). A visita a Nínive ocorreu provavelmente no fim do seu longo ministér io em Israel, mais ou menos no ano 765 a.C. O profeta o escreveu após seu retomo, e procurou por meio dele ministrar a Israel. O arrependimento de Nínive, diante da pregação de Jonas, ocorreu no reinado de um destes dois monarcas assír ios: ■ Adade-Nirari III (810-783 a.C.), cujo governo foi marcado por uma tendência para o monoteísmo, ou; 62 ■ Assurda III (733-755 a.C.), em cuja administração houve duas grandes pragas (765 e 759 a.C.) e um eclipse do sol (763 a.C.). Estas ocorrências podem ter sido interpretadas como sinais do juízo divino, preparando a capital da Assír ia à mensagem de Jonas. Fidedignidade Histórica A histor icidade dos acontecimentos do livro de Jonas tem sido desafiada pelos cr ít icos modernos. Há dois pontos de vista básicos: o “alegórico” e o “literal” ou histórico, o pr imeiro afirma que a histór ia e um mito ou uma figura fict ícia para transmitir grande verdade espir itual, semelhante às parábolas; o segundo ponto de vista reconhece-a como histór ia verdadeira. Cremos no segundo ponto de vista, pois, é apresentada como verdadeira, refer indo-se a povo e lugares antigos específicos, e não dá indicação de ser fict ícia. Jonas é identificado como “filho de Amitai” (2Rs 14.25; Jn 1.1), a própria tradição judaica, sem exceção, test ifica a histor icidade literal de Jonas e sua experiência. Cristo testifica a sua histor icidade, mencionando milagres como sendo acontecimentos verdadeiros (Mt 12.40-42; 16.4; Lc 1 1.29-32). Dados Sobre Nínive Geograficamente estava localizado a leste do setentr ional rio Tigre, e distante aproximadamente 960 km de Israel, uma viagem de três meses nos tempos antigos. Era uma das cidades mais antiga do mundo estabelecida por Ninrode (Gn 10.11), calcula -se que Sua população era de 600.000 (seiscentos mil) habitantes aproximadamente. 63 Polit icamente a Assíria estava em declínio nessa época, essa decadência havia começado com a morte de Adad-Nirare III em 782 a.C., e se estendeu até a vinda de Tiglate-Pileser III em 745 a.C., depois de Adad-Nirare III reinaram Salmaneser IV (782 -773 a.C.) a Assurdfan III (773-754 a.C.). Religiosamente os habitantes de Nínive eram conhecidos como uma “raça sensual e cruel” que vivia de saques e orgulhava-se dos montes de cabeças humanas que traziam de violentas pilhagens de outras cidades. Fortificaram-se com um muro interno e outro externo. O muro externo t inha 96 km de extensão, 30 metros de altura e uma largura suficiente para três carroças conduzidas lado a lado, também havia por todo muro intervalos; 50 torres de 60 metros de altura para o serviço de vigilância realizado por sentinelas . Milagres de Jonas (Jn 1.15,17; 2.10; 3.5-10; 4.6) Enquanto outros profetas menores não registraram milagres histór icos, Jonas registra diversos, sobre os quais se apóia sua mensagem; quando o mar se acalmou após o terem lançado fora do barco, preservaçã o de Jonas dentro do peixe, arrependimento de Nínive, o rápido crescimento da planta e o aparecimento do verme. Jonas faz companhia com Isaías e Daniel, pois todos eles registram diversos milagres histór icos e são contestados pelos cr ít icos quanto a sua autenticidade e autor ia (Is 37.36; 38.8; Dn 3.25; 6.22). O Canis Carcharus, um tubarão ou cão do mar é conhecido por frequentador dos mares por onde um navio tem que passar, viajando de Jope a qualquer porto espanhol, segundo livros de zoologia, um 64 Carcharus adulto tem um comprimento normal de 10 metros; o célebre naturalista francês Lacepede diz que os cães do mar podem engolir animais muitos maiores que um homem sem os mutilar, pois possuem uma queixada infer ior com quase dois metros de extensão semicircula r, o que faz entender que o cão do mar pode engolir animais inteiros tão grandes como ele mesmo. Os cães do mar nunca mastigam os seus alimentos, mas engolem tudo inteiro. E evidente por isso, que na suposição de que esta espécie de tubarão seja o “grande peixe” que o Senhor Deus providenciou. Todavia, para Deus tudo é possível, e a lém dessa consideração registram-se no Cotton Factory Times de 02/08/1891, publicado no Boletim Evangélico de novembro de 1934, o caso de um marinheiro que foi engolido por uma baleia e depois achado vivo dentro do corpo do animal morto. No livro de Jonas encontramos quatro coisas que Deus preparou: Um grande vento (Jn 1.4); Um grande peixe (Jn 1.17); Uma planta aboboreira (Jn 4.6); Um bicho (Jn 4.7). Medite e analise cada ponto, seus objetivos e consequências, observe que a primeira menção de oração de Jonas foi no ventre do grande peixe (2.1 -3). Das profundezas do mar Jonas clama e o Senhor o ouve, faz um concer to com Deus e o Senhor providencia o livramento. O efeito da pregação de Jonas foi algo impressionante e maravilhoso, foi o maior reavivamento registrado na Bíblia, toda cidade de Nínive deixou os seus maus caminhos e voltou-se para Deus; há um questionamento, se o arrependimento de Nínive foi sincero ou não, o próprio livr o de Jonas diz 65 que o Senhor o considerou sincero, tanto que suspendeu o julgamento que lhes t inha comunicado pelo profeta (Jn 3.10); a expressão de que “Deus” se arrependeu foi usada para mostrar o caráter condicional do julgamento divino, o qual depende das ações do homem (Jr 18.8), “Deus não é homem para que se arrependa”, esta expressão fala do seu caráter imutável (Nm 23.19; ISm 15.29). Embora se registre o arrependimento inesperado de um dos maiores t iranos da histór ia antiga, sua ênfase maior está no arrependimento de Jonas, o arrependimento de Nínive ocupa um capítulo, mas a história da preparação de Jonas e seu subseqüente treinamento são apresentados em três capítulos (1, 2 e 4), parece que Deus teve mais dificuldade em preparar e aperfeiçoar a Jonas do que todo o povo de Nínive. A preparação de Jonas foi realizada em etapas, a exper iência do peixe, preparou-o para Nínive, mas ele precisou de mais treinamento para voltar a Israel, Jonas estava mais interessado que sua profecia se cumprisse, do que com a salvação daquela cidade. Se isso acontecesse somaria vantagens como profeta, mas mostrou-se desgostoso, aborrecido e magoado, pois Deus perdoara o povo. Jonas é o Livro da Misericórdia Universal de Deus (Jn 4.11) Nenhum outro livro do Antigo Testamento ensina de maneira tão enfática a extensão da miser icórdia divina às nações gentias, essa perspectiva mundial da missão de Israel foi observada anter iormente por Josué e Salomão (Js 4.24; lRs 8.43- 60). Muitas vezes esquecido pela nação no decurso das suas apostasias. Nesse ponto central da histór ia, Jonas 66 foi usado para proclamar a nação a refletir sobre o programa divino do julgamento universal dos malfeitores. E sua oferta de miser icórdia para o arrependimento e fé, a ênfase central na miser icórdia divina estendida a todas as nações é exemplificada de maneira maravilhosa no ministér io de Jesus. A relação cr istológica mais específica do livro, porém, é a exper iência de Jonas no grande peixe como antít ipo de Cristo. Jonas foi o único profeta indicado por Jesus como antít ipo dele próprio, pois do mesmo modo que Jonas esteve no ventre do grande peixe (lugar de morte) durante três dias e três noites, assim o filho do homem esteve no coração da terra; assim sendo Jesus usou a experiência de Jonas para tipificar a grande verdade bíblica: “sua própria ressurreição dentre os mortos”. Características Especiais Quatro aspectos básicos do livro de Jonas: E um dos dois únicos livros proféticos do Antigo Testamento escr itos por um profeta nascido e criado no Reino do Norte (Oséias é o outro). Obra-prima de narrativa concisa, em prosa; somente a oração em ação de graças está em forma poética (Jn 2.2-9). Está repleto da atividade sobrenatural de Deus . Além da providencial tempestade e do grande peixe, há a aboboreira, o verme, o vento or iental e a maior maravilha de todas: o arrependimento de toda a cidade de Nínive! Contém, de forma mais clara que em qualquer outro livro do Antigo Testamento, a mensa gem de que a graça salvífica de Deus é tanto para os gentios como para os judeus. 67 Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 6. Em Jonas a) A miser icórdia divina é oferecida aos pagãos, que se arrependem à Deus b) O julgamento divino é pronunciado contra os pagãos que rejeitam o arrependimento c) É demonstrado a miser icórdia divina a vários antigos inimigos de Israel d) É descr ito a ira de Deus sobre os inimigos deIsrael 7. Não é um milagre contido no livro de Jonas a) Arrependimento de Nínive . b) Desaparecimento do verme c) Preservação de Jonas dentro do peixe d) O rápido crescimento da planta 8. Quanto ao livro de Jonas, é incerto afirmar que a) Está repleto da atividade sobrenatural de Deus b) É uma obra-pr ima de narrativa concisa, em prosa; somente a oração em ação de graças está em forma poética c) Possui a mensagem de que a graça salvífica de Deus é tanto para os gentios como para os judeus d) H É um dos dois livros proféticos escr itos por um profeta nascido e cr iado no Reino do Sul ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 9. Os ninivitas eram muito chegados de Israel, mas foram alvos da ira divina devido a sua arrogância 10. Uma das lições do livro de Jonas: os servos de Deus não podem prosperar na desobediência 68 Lição 3 Miquéias e Naum Autor : Miquéias. Data: Cerca de 740-710 a.C. Tema: Juízo e Salvação Messiânica. Palavras-Chave: Pecado, Filha Sião, Restante, Compaixão. Versículo-chave: Mq 4.3; 6.8. de Miquéias escreveu a fim de advertir a sua nação a respeito da certeza do juízo divino, para especificar os pecados que provocavam a ira de Deus, e para resumir a palavra profética dir igida a Samaria e a Jerusalém (Mq 1.1). Predisse, com exatidão, a queda dc Israel; profetizou que destruição semelhante ser ia sofrida por Judá e Jerusalém em conseqüência de seus pecados e flagrante rebeldia. Este livro, portanto, preserva a grave mensagem de Miquéias às últ imas gerações de Judá antes de os babilônios invadir a nação. Além disso, faz uma contr ibuição importante à revelação total do Messias vindouro. O objetivo histór ico do livro era enfatizar o peso da próxima ira de Deus sobre a nação em virtude dos seus pecados de violência e injustiça social, enquanto fingia serem religiosos. O objetivo adicional de Miquéias era de lembrar-lhes da futura vinda do Messias, que surgir ia de or igem humilde para governar com justiça e verdade, conforme promessa da aliança abraâmica. 69 Tema Podemos chamar Miquéias 6.6-8 de:o evangelho de justiça social de Miquéias, pois no Antigo Testamento não encontramos um resumo da lei mais simples e mais profundo, suas exigências são simples e sem rodeios (Ex: praticar a justiça, amar a bondade demonstrando-a, e andar humildemente com Deus); do mesmo modo Jesus resumiu a Lei como: “amor” para os insensíveis líderes de seu tempo. Miquéias resumiu -a como justiça, miser icórdia e modéstia para um povo completamente desprovido dessas qualidades, embora muitíssimo ocupado com religião (Mq 3.11), porém, os “milhares de carneiros”, e “dez mil r ibeiros de azeite” (Mq 6.7). Não podiam subornar a Deus e fechar seus olhos a ausências de justiça e miser icórdia entre os homens. “Pereceu da terra o piedoso, e não há entre os homens um que seja reto” (Mq 7.2). Todos espreitam para derramarem sangue; cada um caça a seu irmão com rede, com isto pode observar a total depravação que se encontrava Israel, pois viviam em uma sociedade idólatra e só cuidavam de seus próprios interesses; estavam colhendo o fruto de terem se afastado de Deus (Mq 7.5-6; Mt 10.35-36). Miquéias 4.1-8; 5.2-5 relata o reino do Messias e sua vinda, nos últ imos dias. Ele reinará no Monte Sião, onde prevalecerão a verdade, a justiça, a prosper idade e a paz, ali os coxos, os expulsos e os aflitos estarão reunidos a fim de formar o núcleo da sua “Poderosa Nação” (Mq 4.1-7). Miquéias revela ainda (Mq 5.2) que esse reino não começará ostentando 1 1 Ostentar: mostrar ou exibir com aparato; pompear, alardear. 70 grandeza, pois o próprio Messias nascerá na pequena cidade de Belém, lugar de cr iação de carneiros, sendo Ele eterno, virá de Deus como Pastor de Israel. Mas antes que o Messias se torne grande até os confins da terra, a nação será “abandonada” pelo Senhor , por um tempo, no fim do qual surgirá para pastorear seu povo com grande majestade (Mq 5.3-4). Miquéias faz um apelo comovente ao povo, a Israel e a Judá; ele lamenta amargamente o estado dos seus compatr iotas (Mq 1.8). O profeta tinha grande preocupação em incentivar o povo a buscar a Deus; já no versículo 9 ele salienta a queda de Samar ia, dizendo: “suas fer idas são incuráveis”; e retrata a assolação do Reino do Norte da seguinte maneira: “... Por isso farei de Samaria um montão de pedras do campo, uma terra de plantar vinha; e farei rebolar as suas pedras para o vale, e descobrirei os seus fundamentos; todas as suas imagens esculpidas serão despedaçadas, todos os seus salários serão queimados pelo fogo, e de todos os seus ídolos farei uma assolação; porque pelo salário de prostituta os ajuntou, e em salár io de prostituta se tornarão” (Mq 1.6-7). Jerusalém não será esquecida, “pois as suas fer idas são incuráveis, e o mal chegou até Judá; estendeu - se até a porta do meu povo, até Jerusalém” (v.9). “E cobiçam campos, e os arrebatam, e casas, e as tomam; assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança” (Mq 2.1). A ambição e a ganância também eram visto pelo profeta como “deuses”, pois buscavam seus próprios interesses. Mas no versículo 3 Deus avisa dizendo: “as coisas vão mudar!” No capítulo 2 ele dá aviso aos gananciosos e falsos profetas; aos falsos porta -vozes ele diz: “Está irritando o Espír ito do Senhor? Estas são as tuas obras? 71 Fala ainda aos sacerdotes, outra vez aos falsos profetas além de falar aos pr incipais de Jacó, e aos chefes da casa de Israel” (Mq 3.1). Ele os acusa dizendo: “aborreceis o bem e amais o mal” (Mq 3.2). No capítulo 3, versículo 8, ele declara estar cheio do Espírito do Senhor, e cheio de poder, força e juízo; e declara que Israel está em má sit uação e caso não acorde a tempo o seu fim será o mesmo de Samaria (Mq 3.12 compare com 3.1-6). Autor Geralmente é reconhecida a autor ia de Miquéias, que, todavia, alguns comentar istas modernos atribuem as seções da “esperança” (Mq 4.7), a uma data poster ior. Miquéias foi muito respeitado na época de Jeremias (Jr 26.18), 600 a.C. aproximadamente, o conteúdo do livro é compatível com o da época e circunstâncias de Miquéias. Miquéias era da comunidade rural de Morasete- Gate (Mq 1.1-14) no sul de Judá, área agr ícola a 40 km ao sudoeste Jerusalém. A semelhança de Amós, era homem do campo, e provinha com certeza de família humilde, fato evidenciado mais pelo local onde morava do que por sua linhagem, faz referência ao trabalho de um pastor, o que sugere ter sido uma de suas ocupações. Se Isaías, seu contemporâneo em Jerusalém, assist ia ao rei e observava o cenár io internacional; Miquéias, um profeta do campo, condenava os governantes corruptos, os falsos profetas, os sacerdotes ímpios, os mercadores desonestos e os juízes venais 1 , que havia em Judá. Pregava contra a injustiça, a 1 Que se deixa peitar; subornável, corrupto. 72 opressão aos camponeses e aldeões, a cobiça, a avareza, a imoralidade e a idolatr ia. E advertiu sobre as severas conseqüências de o povo e os líderes persist irem em seus maus caminhos. Predisse a queda de Israel e de sua capital, Samaria (Mq 1.6,7), bem como a de Judá, e de sua capital, Jerusalém (Mq 1.9 - 16; 3.9-12). Acredita-se que ele tenha sido um dos “homens de Ezequias” (Pv 25.1), os quais juntos com Isaías transcreveram e compartilharam os provérbios deSalomão, dos capítulos 25 a 29. Todavia, ele não deve ser confundido com um profeta anter ior chamado Micaías em lRs 22.8. Miquéias significa “quem é semelhante a Jeová” (Mq 7.18), é uma expressão muito adequada à mensagem do livro, pois enfatiza o grande poder de Deus no primeiro capítulo, e o grande perdão no últ imo: “Quem ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas as iniqüidades?” (Mq 7.18); mostra também a certeza do juízo do Senhor sobre aqueles que persist irem em pecar. Miquéias é conhecido como “Isaías” dos profetas menores e como profeta do homem pobre comum), ele mesmo tinha vindo de berço humilde, e conhecia as más condições dos pobres e tomou para si sua causa própria contra os vorazes líderes da nação, que visavam seus próprios interesses (Mq 3.1-3). Data O ministér io de Miquéias foi exercido durante os reinados de três reis de Judá: Jotão (751-736 .C.), Acaz (736-716 a.C.) e Ezequias (715-687 a.C.). Algumas de suas profecias foram profer idas no tempo e Ezequias (Jr 26.18), porém a maior ia delas reflete a condição de Judá durante os reinados de Jotão e de 73 Acaz, antes das reformas promovidas por Ezequias. Não há dúvida de que o seu ministér io, juntamente com o de Isaías, ajudou a promover o avivamento e as reformas dir igidas pelo justo rei Ezequias. A parte pr incipal, entretanto, deve ter sido profer ida nos reinados de Acaz e Ezequias, antes da queda de Samaria em 722 a.C., assim sendo, o período central seria 740 a 710 a.C. Foi profeta do Reinodo Sul, mas suas mensagens foram aos dois reinos. Cenário Político Contemporâneo de Isaías, Miquéias defrontou-se com um cenário semelhante o dele no que se refere à polít ica e à religião da época. Miquéias é reconhecido como o único profeta cujo ministér io foi desempenhado visando tanto Israel como Judá (Mq 1.1). Isaías também profetizou a destruição de Samaria, mas sua profecia era “a respeito de Judá e Jerusalém” (Is 1.1). Todo o livro de Miquéias denuncia a opressão do fraco, o suborno entre líderes, o ato de expulsa r mulheres de seus lares e a práticade toda a espéciede roubo, grande parte dele em nome da religião (Mq 2.1-2; 3.1-3,9-11; 6.10- 12; 7.1-6); com isso ele não isenta o pobre pela sua pobreza, todavia condena tremendamente as classes super iores por usurparem os pobres indefesos. Quando Miquéias descreve a esperança da restauração, surpreende a nação com o anúncio de que o futuro “Governador de Israel”, O Messias, virá da pequena cidade de Belém, ao invés da opulenta capital Jerusalém (Mq 5.2-4). O Messias é apresentado na condição de um “Pastor” como era Davi, entretanto 74 será maior do que Davi, e “engrandecido até os confins da terra” (Mq 5.4). Miquéias foi o últ imo profeta a mencionar Belém no Antigo Testamento, e com isso concentrou a atenção da nação sobre a pequena cidade por mais de 700 anos. Conteúdo O livro de Miquéias consiste numa mensagem de três partes: 1) Recrimina Israel (Samaria) e Judá (Jerusalém) pelos seus pecados específicos que incluem a idolatria, o orgulho, a opressão aos pobres, os subornos entre os líderes, a cobiça e a avareza, a imoralidade e a religião vazia e hipócr ita; 2) Adverte que o castigo divino está para vir em decorrência de tais pecados; 3) Promete que a verdadeira paz, retidão e justiça, prevalecerão quando o Messias estiver reinando. Igual atenção é dedicada aos três temas do ivro. Visto por outro prisma, os capítulos 1 -3 registram a denúncia que o Senhor faz dos pecados de Israel e de Judá, e de seus respectivos líderes, e a eminente ruína destas nações e suas respectivas apitais. Os capítulos 4 -5 oferecem esperança e consolo ao remanescente no tocante aos dias futuros, m que a Casa de Deus será estabelecida em paz e retidão, e a idolatr ia e a opressão serão expurgadas 1 da erra. Os capítulos 6-7 descrevem a queixa de Deus contra seu povo, como se fora uma cena de tribunal, Deus apresenta a sua causa contra Israel. Em seguida, Purificar. Tirar as sujidades a; limpar. Corrig ir, emendar. 75 Israel confessa a sua culpa, e logo há uma oração e promessa em favor dos filhos de Abraão. Miquéias encerra o livro, com um jogo de palavras baseado no significado do seu próprio nome: “Quem, ó Deus, é semelhante a t i?” (Mq 7.18). Resposta: Somente Ele é miser icordioso, e pode dar o veredicto final: “Perdoado” (Mq 7.18 -20). Semelhanças e Contrastes Havia entre Miquéias e Isaías semelhanças e contrastes, trabalhavam juntos, ta lvez mais do que qualquer outro par de profetas das escr itas do Antigo Testamento (exceto Ageu e Zacar ias). Semelhanças: Profetizavam a próxima invasão pela Assíria; Falaram do livramento de Judá, mas também de um cativeiro poster ior na Babilônia; Enfatizaram a futilidade de uma religião meramente r itual; Profetizaram a vinda do Messias: Isaías falou da sua concepção virginal, Miquéias determinou o local de seu nascimento; Profetizaram o livramento final de Israel que ter ia de ser precedido de arrependimento. Contrastes: Isaías dir igiu-se pr incipalmente à aristocracia urbana de Jerusalém, Miquéias falou ao povo comum da zona rural; Isaías ocupou-se em grande escala com o cenár io internacional e as falsas alianças polít icas de Judá, Miquéias focalizou os pecados pessoais e sociais de injustiça que eram predominantes em Judá; 76 Isaías estendeu o julgamento às nações circunvizinhas, Miquéias limitou condenação de Judá e Israel; Isaías centralizou sua visão messiânica no conceito de servo, enfatizando a expiação e a salvação pessoal, Miquéias mostrou que o livramento nacional pelo Messias tornar -se-ia possível pela graça do perdão divino, conforme promessa a Abraão (Mq 7.20). “Porque eis que o Senhor sai do seu lugar, e desce, e anda sobre os altos da terra, os montes debaixo dele se derretem, e os vales se fendem, são como a cera diante do fogo, como as águas que se precipitam no abismo” (Mq 1.3 -4). Miquéias inicia apresentando uma das mais tremendas descr ições do Senhor, sua descida a terra com terrível ira; a exemplo de Jonas, proclama o julgamento de Deus antes de declarar sua miser icórdia perdoadora; Naum, Habacuque e Sofonias seguem o mesmo tema do Senhor vindo como um Guerreiro Poderoso que faz “os montes tremerem” (Na 1.2-6); “os outeiros eternos”, se abaterem (He 3.6), e toda “a terra ser consumida” (Sf 1.18). Este terr ível quadro também é apresentado por Isaías nos capítulos 24 e 56, quando descreve as devastações do “Dia do Senhor”. Características Especiais Cinco aspectos básicos: ■ Defende, à semelhança de Tiago, a causa dos camponeses humildes explorados pelos ricos arrogantes (cf. Mq 6.6 -8; cf Tg 1.27). Em seguida, Miquéias pronuncia sua exortação mais 77 grave e memorável acerca das exigências divinas a Israel: que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6.8). ■ Parte da linguagem de Miquéias é austera 1 e direta; noutras ocasiões, é eloqüentemente poética com o complexo uso de jogos de palavras (e.g., Mq 1.10 - 15). ■ Tal como o profeta Isaías (cf. Is 48.16; 59.21), Miquéias expressa nít ida consciência de sua chamada e unção proféticas: “Mas, decerto, eu sou cheio da força do Espír ito do Senhor e cheio de juízo e de ânimo, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq 3.8). ■ O livro traz uma dasmais grandiosas expressões da Bíblia sobre a miser icórdia de Deus e a sua graça perdoadora (Mq 7.18-20). ■ O livro contém três importantes profecias citadas noutras partes da Bíblia: Que salvou a vida de Jeremias (Mq 3.12; cf. Jr 26.18). Respeito ao local onde o Messias haver ia de nascer (Mq 5.2; cf, Mt 2.5,6); E ainda uma outra usada pelo próprio Jesus (Mq 7.6; cf. Mt 10.35,36). O Messias Paz e prosper idade (Mq 4.1 -5), “o monte da casa do Senhor será estabelecido”; é nesse Monte Sião que o Messias reinará, suas leis e palavras procederão de lá, as nações serão atraídas a Jerusalém restaurada, 1 Rígido de caráter; severo, grave. Duro, ríspido. 78 aí então chegará a tão esperada paz a todos. Miquéias deixa claro que além da paz e prosper idade, haverá também poder. O Senhor nosso Deus fará de seu povo uma nação poderosa (Mq 4.6 -8). Nos dias do rei Davi e Salomão, Israel foi uma nação poderosa; todavia, na época dos profetas o povo de Deus achava-se fraco e sem o mesmo ânimo que t inha antes; os filisteus, edomitas, egípcios entre outros perturbavam constantemente e o povo judeu tinha pouco recurso e esperanças para lutar e se defenderem de seus inimigos, tudo isso por causa da desobediência a Deus, e a conseqüência final desta rebeldia foi mais tarde à dispersão. Miquéias faz menção a respeito de uma parte dos que foram levados da sua terra, foram escolhidos para formarem uma nação poderosa, cujo rei é o Messias (Mq 4.6,7); no versículo 8 encontramos três expressões “Torre de Rebanho”, “Monte da Filha de Sião” e “Reino da Filha de Jerusalém” que diz respeito ao reino restaurado da casa de Davi, ou reino do Messias. O primeiro domínio (no mesmo versículo) é uma referência ao reino de Davi, que desta vez virá cheio de glór ia, fulgor e poder, pois Cristo será o rei; Israel ser ia estabelecido novamente com poder , a linhagem de Davi culminaria na pessoa de Jesus que reinar ia sobre os seus, e o seu reino ser ia para sempre (Mq 4.7). Miquéias fala sobre um futuro ainda distante, quando Deus, através do profeta revelou que o cativeiro seria efetuado por Babilônia (ocorreu cerca 140 anos depois). O grande império daqueles dias era a Assír ia, Judá foi comparada a uma mulher quase para dar a luz, que geme com dores de parto; as dores representam o sofr imento que passava antes e durante o cativeiro; porém, a liberdade vir ia e o Senhor a remir ia 79 (Mq 4.9-10), em 536 a.C. aproximadamente iniciou a volta dela (Judá) de Babilônia. “Muitas nações” (Mq 4.11) representam os assír ios, babilônios, gregos, romanos, etc. Por fim Deus fará do seu povo um instrumento de debulha que esmagará esses inimigos, e o lucro de suas investidas serão consagrados ao Senhor (Mq 4.3). O Senhor dos exércitos ao restabelecer o seu reino, fará maravilhas, no momento em que o mundo pensa exterminar para sempre o povo escolhido, Deus intervirá e por meio do próprio povo, triunfará sobre as nações inimigas e ímpias; Deus declara (Mq 5) que há sempre esperança para o pecador (judeu ou gentio) na pessoa do Messias (Filho de Deus); o Messias a nossa paz (Mq 5.1-5) ainda não t inha vindo, mas, a sua influência estava se manifestando, como na derrota da Assíria (Mq 5.5-6 e 2Rs 19); o Senhor eliminará a idolatria: “serão arrancados pela raiz” (Mq 5.12 -15). Miquéias mostra o homem separado de Deus (Mq 6); este capítulo diz por que o homem está separado de Deus e que requer para que haja restauração. Fala da diferença entre religião e louvor autêntico, e ainda o princípio do julgamento do pecado, e que a única esperança do homem está no perdão de seus pecados por Deus. O últ imo capítulo do livro de Miquéias, ele começa com uma lamentação e continua com profecias sobre a reedificação de Jerusalém e muitas maravilhas feitas pelo Messias nos dias futuros; e termina com uma sublime evocação da imensurável miser icórdia de Deus (Mq 7.18-20) que retratam a magnífica misericórdia de Deus em perdoar, o desejo dele em remover o pecado para longe do pecador, e por fim faz lembrar a todos do concerto abraâmico nos dias passados (Gn 22.16-17 e Is 41.8-12). 80 Assim como outros profetas do Antigo Testamento, Miquéias olhou para além do castigo de Deus a Israel e Judá, e contemplou o Messias vindouro e seu reino justo na terra. Setecentos anos antes da encarnação de Cristo, Miquéias profetizou que Ele haver ia de nascer em Belém (Mq 5.2). Mateus 2.4-6 narra que os sacerdotes e escr ibas citaram este versículo como resposta à pergunta de Herodes concernente ao lugar onde o Messias nasceu. Miquéias revelou, também, que o reino messiânico ser ia de paz (Mq 5.5; cf. Ef 2.14-18), e que o Messias pastorear ia o seu povo com justiça (Mq 5.4; cf. Jo 10.1 - 16; Hb 13.20). As referências freqüentes de Miquéias sobre a redenção futura revelam que o propósito e desejo permanente de Deus para o seu povo é a salvação, e não a condenação. Tal verdade é desdobrada no Novo Testamento (Jo 3.16). Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 1. Predisse que o Messias nascer ia na pequena cidade de Belém a) Obadias b) Miquéias c) I Oséias d) I Malaquias 2. O ministér io de Miquéias foi exercido durante os reinados de três reis de Judá a) Jotão, Acaz e Ezequias b) Saul, Davi e Salomão b) Ezequiel, Jotão e Asa c) Acaz, Roboão e Josias 81 3. Quanto ao livro de Miquéias é incorreto afirmar que a) Defende a causa dos camponeses humildes explorados pelos r icos arrogantes b) Sua linguagem é austera e direta; noutras ocasiões, é poética, com o complexo uso de jogos de palavras c) Traz uma das mais grandiosas expressões da Bíblia sobre a miser icórdia de Deus e a sua graça perdoadora d) Ocupa-se em grande escala com o cenár io internacional e as falsas alianças polít icas de Judá ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 4. Isaías falou ao povo comum da zona rural, Miquéias dir igiu-se pr incipalmente à aristocracia urbana de Jerusalém 5. Isaías limitou condenação de Judá e Israel, Miquéias estendeu o julgamento às nações circunvizinhas 82 Autor: Naum. Data: Cerca de 630-620 a.C. Tema: A Destruição Iminente de Nínive. Palavras-Chave: Mal, Exterminar, “Eis que eu estou contra ti”. Versículo-chave: Na 1.1 e 3.7. O livro de Naum é o único entre os profetas que não profere julgamento contra Israel; apenas consolação, como o nome sugere. Todavia ele prediz o fim do seu grande inimigo do or iente (Nínive). Naum teve duplo propósito: Deus o usou para pronunciar a destruição iminente 1 da ímpia e cruel Nínive. Nenhuma nação tão ímpia, como os assírios, poderia alimentar esperança quanto ao juízo divino. Ela não ficaria impune. Ao mesmo tempo, Naum entrega uma mensagem de consolo ao povo de Deus. O consolo der iva-se, não do derramamento do sangue dos inimigos, mas em saber que Deus preserva a justiça no mundo, e que um dia estabelecerá o seu reino de paz. Tema Grande julgamento divino sobre Nínive, a violenta rainha do or iente. É a seqüência da mensagem do profeta Jonas, por cujo ministér io os ninivitas foram conduzidos ao arrependimento e salvos do castigo eminente 2 . 1 Que ameaça acontecer breve; que está sobranceiro; que está em via de efetivação imediata; impendente. 2 Notável, preclaro. 83 É evidente que mudaram de opinião a respeito de seu primeiroarrependimento e de tal maneira se entregaram à idolatr ia, crueldade e opressão, que 120 anos mais tarde, Naum pronunciou contra eles o julgamento de Deus em forma de uma destruição completa. “Foi o objetivo de Naum, inspirar os seus patr ícios”. Os judeus seguros de que por demais alarmante que parecesse a sua posição, expostos aos ataques de poderosos assír ios, que já haviam levado as Dez Tribos, não somente fracassariam nos seus ataques contra Jerusalém (Is 36 e 37), mas que Nínive, sua capital, ser ia tomada e seu império derrotado. “Isto não acontecer ia pelo exercício arbitrário do poder de Jeová, mas em conseqüência das iniqüidades da cidade e do povo”. Autor Muito pouco a respeito de Naum é conhecido, como nos demais livros proféticos, a pessoa do profeta desaparece por trás da sua mensagem. Naum tem sido erroneamente considerado nacionalista limitado que, inspirado por sentimentos de ódio e vingança, profer iu uma mensagem de condenação contra Nínive e que, ao mesmo tempo, estendeu as promessas de salvação incondicional ao seu próprio povo, Judá. Mas essa visão ignora que este livro reflete a forma literár ia usual das profecias contra as nações estrangeiras e deve ser comparado com proclamações semelhantes (Is 13-23; Jr 46-51; Am 1-2; e Ob). Naum significa “Consolação ou Conforto”; seu nome é seguido da designação “elcosita”, numa provável referência ao lugar do seu nascimento ou onde profetizou. As tentativas de obter uma identificação 84 mais precisam de Elcos não t iveram êxito. Algumas propostas sugerem localidades próximas à antiga Nínive na Galiléia e em Judá. O nome “Cafarnaum” talvez seja der ivado do hebraico correspondente a “aldeia de Naum”. Com exceção de alguns cr ít icos, a opinião é generalizada que Naum foi o único autor desse livro; sua cidade natal era Elcos, esse nome aproxima -se de vár ios outros nomes de cidade; ou seja: ■ Alkush localizada ao norte de Mosul e Nínive, a leste do t igre; ■ El-Kauzeh uma pequena aldeia da parte norte da Galiléia, identificada por Jerônimo; ■ Elkesei ou Elcese uma pequena cidade no sul da Palestina (Kaush era deus edomita). ■ A Septuaginta fala de Naum como o “elcosita”. ■ A cidade de Cafarnaum, na parte norte da Galiléia, significa “Cidade de Naum” do Árabe “ Kefr- Nahum”. O que melhor entendemos é que ele nasceu perto de Cafarnaum, na parte da Galiléia , fugiu ou emigrou para Elcos, na parte sul de Judá, depois da queda do norte, profetizou para Judá numa época de muita necessidade de consolação com referência aos inimigos Assírios. Como um verdadeiro profeta de Jeová, Naum estava profundamente consciente de que o Senhor, o incomparável e Todo Poderoso Deus exerce o domínio sobre os reinos deste mundo. Como seu pr edecessor Isaías, Naum também era um poeta talentoso. Utilizando uma r iqueza de metáforas e linguagem ilustrativa, o profeta retrata a destruição total de Nínive por um inimigo anônimo e assim expressa o alívio universal e a alegr ia de todos os que sofreram sob o regime opressivo de um cruel tirano. 85 Data Naum profetizou antes da queda de Nínive em 612 a.C. O capítulo 3 e versículos 8 a 10 de Naum refere - se à queda de “Nô” ou “Nô-Amom” (i.e., a cidade egípcia de Tebas) como evento passado, ocorr ido em 663 a.C. A profecia de Naum, portanto, foi profer ida entre 663 e 612 a.C., provavelmente por volta desta últ ima data, durante a reforma promovida pelo rei Josias (c. 630 -620 a.C.). E mais provável que sua mensagem tenha sido entregue pouco antes da destruição de Nínive, talvez quando os inimigos da Assír ia estavam colocando suas forças em ordem de batalha para o ataque final. Cenário Os assírios eram conhecidos no mundo antigo pela extrema crueldade com que tratavam os povos subjugados. Depois de atacarem uma cidade, passavam a chacinar implacavelmente os habitantes, deportando o restante da população a outras partes do império. Muitas pessoas morr iam como resultado das marchas forçadas ao exílio (Na 3.3). Os líderes das nações conquista das eram torturados sem miser icórdia, e executados. Um século antes, Jonas fora enviado a pregar a Nínive, capital da Assíria. Por algum tempo, os assír ios arrependeram-se de seus pecados, mas logo voltaram aos seus maus caminhos. Deus usara tais ímpios como instrumento de seu juízo a fim de castigar Samaria, capita l de Israel, e deportar os israelitas ao exílio. Agora, aproximava-se rapidamente o dia do juízo para a própria Assíria. 86 Nínive era uma metrópole ímpia, imperialista e desonesta, com um desejo arrogante e inescrupuloso pelo poder e pela dominação, que se manifestava num impiedoso desejo por guerras. Além de seus feitos militares, Nínive foi condenada por suas práticas comerciais impiedosas e por seu mater ialismo insaciáv el (Na 3.16). Conteúdo O livro de Naum consiste numa sér ie de três profecias dist intas contra a Assír ia, especialmente contra Nínive, sua capital. As três profecias correspondem aos três capítulos do livro: Capítulo 1: Contém uma descrição clara e marcante da natureza de Deus - especialmente de Sua ira, justiça e poder, que tornam inevitável a condenação dos ímpios em geral, e a destruição de Nínive em particular. Capítulo 2: Prediz a condenação iminente de Nínive, e descreve, em linguagem vivida 1 , como se daria o juízo divino. Capítulo 3: Alista de modo breve, os pecados de Nínive, declarando que Deus é justo no seu juízo, e termina com um quadro do julgamento já executado. História de Nínive Nínive foi uma das cidades mais antigas, fundadas por Ninrode (Gn 10.11), foi capital da Assír ia depois de Assur, embora, a capital mudasse às vezes ‟ Que tem vivacidade. Ardente, intenso, vivo. 87 para outras localidades perto de Nínive; a Assíria teve esse nome em homenagem ao seu principal deus, Assur, divindade de guerra, separou -se da Babilônia antes de 1500 a.C., mas conheceu apenas esporádicos 1 per íodos de grandeza: sob o governo de Asur -Ubalite I (1363-1328), Tucult i-Ninurta I (1243-1207), Tiglate- Pileser I (1112- 1074), Ada-Niradi II (909-889) Salmanezer III (858-824), Adad-Nirari II (809-782). O “segundo império Assír io” teve muita relação com a Histór ia Bíblica: ■ Tiglate-Pileser III (745-727 a.C.) invadiu a Síria e Israel do Norte; ■ Salmanezer V (704-681 a.C.) sit iou Samaria levou cativo Oséias; ■ Sargon III (721-705 a.C.) destruiu Samaria, subjugou Babilônia; ■ Senaqueribe (704-681 a.C.) conquistou a Palestina e destruiu a Babilônia; ■ Esaradon (681-669 a.C.) conquistou o Egito em 671 a.C.; ■ Assurbanipal (669-626 a.C.) tomou a Babilônia do seu irmão Samassumuquim em 648 a.C., levou Manassés cativo para a Babilônia. Fundou a maior biblioteca dos tempos antigos com cerca de 20.000 volumes. O Império Assír io começou a se desintegrar em 626 a.C., Nínive foi destruída em 612 a.C. e seu exército foi finalmente aniquilado em Carquemis (605 a.C), a destruição de Nínive foi tão completa que a cidade tornou - se quase uma lenda durante dois milênios, até ser redescoberta em 1842 d.C. por Layard e Botta, nada restou da cidade e de seu poderio. 1 Disperso, espalhado. Acidental, casual, raro. 88 A Assíria e a soberba de Nínive eram conhecidas pelo seu poderio militar e crueldade. A maior ia dos seus deuses eram considerados dominadores sobre a guerra. Seus habitantes gostavam da caça e da guerra.Grande parte da sua arte, cultura e ciência eram copiadas da Babilônia, perante o qual eles se sentiam infer iores. Finalmente, os israelitas infiéis foram levados para a Babilônia, e esta mandou para as terras de Israel mestiços 1 babilônicos. O Cenário Político de Judá Em 710 a.C., Judá sobreviveu à invasão Assír ia por Sargo, em virtude do grande avivamento de Ezequias, enquanto a Babilônia exercia o controle do or iente, diante do ameaçador deslocamento da Assír ia para o lado ocidental, Ezequias sentiu-se grandemente tentado a reforçar suas defesas com o auxílio do Egito e da Babilônia (2Rs 18.21) o Império Assír io estava no auge do seu poder e ameaçava engolir Judá e todo o Oriente Médio na sua investida para o Ocidente, era uma época de grandes reformas no cenário polít ico mundial, e Judá precisava da consolação divina referente a violenta Nínive, a antiga cidadela 2 da ferocidade. O Objetivo do Livro O principal objetivo do livro de Naum foi consolar Judá com referência ao seu feroz inimigo a Assíria. 1 Indivíduo cujos pais ou ascendentes são de etnias diferentes. 2 Lugar onde se pode estabelecer defesa. 89 No seu recado profético, Naum revelou o detalhado plano divino para destituir e devastar Nínive completamente. Essa mensagem , foi entregue ao povo de Judá a fim de lembrá-lo da soberania do Senhor sobre todas as nações, e que ele não tolera por muito tempo àqueles que governam com roubo e violência desrespeitando sua admoestação de justiça. ■ A indignação do Senhor (Na 1.1-14); ■ “O Senhor reserva indignação para os seus inimigos” (Na 1.2); ■ “Quem pode suportar a sua indignação?” (Na 1.6). Naum de modo semelhante a Miquéias, principia o seu livro enfatizando a grande ira do Senhor , contra o pecado e a Sua vinda para fazer julgamento aos perversos, mas observe algumas caracter íst icas do zelo de Deus (Na 1.3): ■ Ele é tardio em irar-se; ■ Grande em poder; ■ Jamais inocenta o culpado; ■ Senhor tem saída em meio aos problemas; ■ Possui o poder. Ainda em Naum 1.6 Notamos o seguinte: ■ Não há quem possa suportar a suaindignação; ■ Em meio a sua vingança há umrefúgio para os justos (Na 1.7); ■ A Deus pertence o direito, Ele Se revela justo ao executar vingança (Na 1.9-11); ■ A vingança de Deus é total e completa (Na 1.12 - 14). Sendo assim, Naum anuncia aos judeus que devem se alegrar (Na 1.15). Nenhum outro livro da Bíblia é tão enfático na mensagem de julgamento e miser icórdia não 90 aproveitada. Suas únicas “boas novas” são a profecia sobre a destruição de Nínive (Na 1.15). Tamanha foi à preocupação do profeta com os pecados e julgamento daquela cidade, que os pecados de Israel e Judá não foram nem mesmo lembrados. Observem que o Senhor dedicou um livro inteiro para descrever vivamente sua grande ira contra um povo que vivia na violência, roubos e derramamento de sangue, e que deixou de permanecer na miser icórdia dispensada por Deus através do profeta Jonas. No capítulo dois, Naum continua seu relato, falando sobre a terr ível desolação de Nínive, cidade rainha (Na 2.7). E deixa claro que desta vez não haverá miser icórdia da parte de Deus (Na 2.5,8,10). Você pode notar que estes versículos retratam o seguinte: não haverá escape; por mais que sejam fortes, valentes ou experientes na guerra, todas as saídas estavam bloqueadas pelo inimigo. Quem gostaria de ter escr ito este livro era o profeta Jonas (Jn 4.2), pois ele não compreendia que o Senhor t inha antes uma colheita a fazer naquela cidade. O arrependimento dos ninivitas naquela época adiou o julgamento do Senhor. Pois is to só ocorreu uma vez que o povo voltou a antiga violência e perversidade. Há comentários que eles usavam açoitar seus prisioneiros até o ponto de arrancar sua pele, que eram depois usadas como ornamentos nos seus castelos e templos. O castigo intenso por parte do Senhor veio por desrespeito à sua miser icórdia. Nínive era símbolo clássico do mundo quanto ao seu poder, violência e rebeldia contra Deus desde os tempos de Ninrode (Gn 10.9-11), todavia, Deus ordenou a destruição total, a ponto de ficar 91 encoberta de areia durante séculos. No capítulo 3.1 -17 o profeta salienta as razões pelas quais Deus está se vingando de Nínive: ■ Cidade sanguinár ia e cruel (Na 3.1-3), cheia de prostituição e feit içaria (Na 3.4-5) e cidade que se julgava melhor e mais forte que as outras grandes cidades. Exemplo: Nô-Amom ou Tebas, no Egito, que a própria Assíria conquistou (Na 3.7-10). Quem por muito tempo julgava ser tão poderosa, agora seria consumida pelo fogo (Na 3.15). A marcante lição de Naum para as nações é que a lei de Deus é algo muito sér io. Embora o pecado e a violência possam ficar sem punição por algum tempo, dentro da longanimidade divina, todavia, não serão esquecidos. Neste caso, não está apenas em jogo o “tempo” de Deus, mas também a justificação do seu caráter (Êx 34.6-7; Nm 14.18). O fato de ser “tardio em irar -se”, e sempre se mostrar miser icordioso, não o isenta de aplicar sua justiça. O Deus vingador descr ito por Naum é um dos quadros mais aterradores da Bíblia. Enquanto o livr o de Jonas representa a ira e o julgamento divino das nações, mesmo que não conheçam a lei de Moisés. Na referência 1.15 de Naum, mesmo que indiretamente entendemos ser uma referência a Cristo e seu evangelho onde diz: “do que anuncia boas novas, do que anuncia a Paz!”. É uma referência a Isaías 52.7, mas aplicada por Paulo em Romanos 10.15, quanto ao aspecto libertador do evangelho. Naum tinha por objetivo consolar Israel a respeito da ameaça nacional por parte de Nínive. 92 Características Especiais Três aspectos básicos caracter izam o livro de Naum: É um dos três livros proféticos do Antigo Testamento, cuja mensagem é dir igida quase que exclusivamente a uma nação estrangeira (os outros dois são Obadias e Jonas); Seu conteúdo profético e linguagem poética acham-se pontuados de metáforas descr it ivas, vividos quadros verbais e linguagem franca como em nenhuma outra parte da Bíblia; Há uma ausência notável de mensagens a Judá concernente aos pecados e idolatr ia danação, talvez porque o livro tenha sido escrito durante as reformas do rei Josias (2Rs 22.8 -23.5). Pelo contrário, traz palavras de esperança e consolo a Judá (Na 1.12,13 15). O Livro de Naum ante o Novo Testamento O Novo Testamento não faz nenhum uso direto deste livro. A única exceção talvez seja Naum 1.15, versículo este que o próprio Naum colheu de Isaías 52.7. Paulo usou a linguagem figurada de “pés formosos” para enfatizar que, assim como o mensageiro no Antigo Testamento foi acolhido com júbilo pelo povo de Deus ao trazer-lhe as boas novas de paz e de livramento das mãos da Assír ia (Na 1.15) e Babilônia (Is 52.7). Da mesma forma os pregadores do novo concerto levam as boas novas de libertação do pecado e do poder de Satanás (Rm 10.15). Naum também r eforça a mensagem do Novo Testamento: Deus não permitirá que os pecadores permaneçam impunes (Na 1.3). 93 Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 6. O livro de Naum é o único entre os profetas que a) Não profere julgamento contra as nações circunvizinhas de Israel b) Profere julgamento contra Israel; desolação e a queda de Jerusalém c) Não profere julgamento contra Israel; apenas consolação d) Profere julgamentocontra Edom, Nínive e Babilônia ao mesmo tempo 7. É o tema do livro de Naum a) Grande julgamento divino sobre Israel b) Grande julgamento divino sobre Nínive c) Grande julgamento divino sobre Judá d) Grande julgamento divino sobre Babilônia 8. O principal objetivo do livro de Naum foi consolar Judá com referência a) Ao seu feroz inimigo a Assír ia b) Ao seu feroz inimigo a Babilônia c) Ao seu não muito amigo Samaria d) Ao seu feroz inimigo a Caldéia Marque “C” para Certo e “E” para Errado 9. Os assír ios eram conhecidos no mundo antigo pela bondade com que tratavam os povos circunvizinhos 10. Naum é um livro profético do Antigo Testamento, cuja mensagem é dir igida quase que exclusivamente a uma nação estrangeira 94 Lição 4 Habacuque, Sofonias e Ageu Autor: Habacuque. Data: Cerca de 606 a.C. Habacuque Tema: Viver pela Fé. Palavras-Chave: Fé, AÍ. Versículo-chave: Hc 2.4. Os justos viverão pela fé na santidade e no justo julgamento divino. Diferentemente da maioria dos outros profetas, Habacuque não profetiza para a desviada Judá. Escreveu para ajudar o remanescente piedoso a compreender os caminhos de Deus no tocante a sua nação pecaminosa, e ao seu castigo iminente. Habacuque, após haver considerado o intrigante problema dos caldeus, uma nação deploravelmente ímpia, serem usados por Deus para tragar o seu povo em juízo (Hc 1.6-13), garante aos fiéis que Deus lidará com toda a iniqüidade no tempo determinado. Entrementes, “o justo, pela sua fé, viverá” (Hc 2.4). “Exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3.18). O objetivo do livro de Habacuque era enfatizar a “Santidade de Deus” ao julgar o violento Reino de Judá pelos seus pecados, muito embora Deus tivesse usado uma nação ainda mais iníqua para 95 executar tal julgamento. “A revelação da soberania do Senhor sobre a histór ia transforma o lamento de Habacuque em um hino de alegria (Hc 3.2 -19) depois de viver uma profunda crise espiritual”. “O justo viverá pela sua fé” (Hc 2.4), percebemos o porquê de Habacuque ter sido denominado “o livro que começou a reforma”, ao des envolver a doutrina da justificação. Paulo citou Habacuque 2.4 em Romanos 1.17 e Gálatas 3.11, “O justo viverá pela sua fé”, e este foi o tema de Lutero e os demais reformadores; esta frase é também citada em Hebreus 10.38; em três citações no Novo Testamento há uma progressão interessante quanto à ênfase: ■ Romanos 1.17: “Porque no evangelho é revelado, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé”, a ênfase está em “O justo”. ■ Gálatas 3.11: “É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, por que: O justo viverá da fé”, a ênfase está em “Viverá”. ■ Hebreus 10.38: “Mas o justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele”, a ênfase está em “Fé”. Autor Habacuque quer dizer “abraçar”, ou “o que abraça”. Segundo muitos estudiosos, o profeta rodeia Deus com oração pelo país, e também com louvor por sua grandeza ao resolver o grande problema do profeta quanto à santidade. Lutero comentou que Habacuque revela -se um encorajador, ou alguém que consola uma pobre criança que chora fazendo-a acalmar. 96 O nome Habacuque pode ser der ivado do nome de uma planta. Quase nada se sabe sobre Habacuque, sobre sua família; é mencionado somente duas vezes no seu livro (Hc 1.1) e não é mencionado em nenhum outro lugar da Bíblia. Em virtude do seu salmo litúrgico, supõe-se que tenha sido levita músico do santo Templo, todavia esse raciocínio não se mostra muito lógico, pois o mesmo deveria ocorrer com Davi, que escreveu muitos salmos litúrgicos, e não era levita, por essa razão, supõe-se e não afirmamos que o mesmo era levita. Portanto, possivelmente Habacuque tenha sido um dos cantores do Templo e sacerdote da tribo de Levi, sendo, provavelmente natural de Jerusalém. Data O Livro de Habacuque foi escrito em 606 a.C., aproximadamente; vejamos algumas referências que nos ajudam a entender o motivo. No capítulo 1.6, ele faz referência aos caldeus, que viviam numa inacreditável ferocidade. Isso sugere uma data anter ior a 605 a.C. e posterior às suas conquistas iniciais. Ele não fez referência alguma a Nínive, o que sugere uma data posterior à destruição da cidade de Nínive em 612 a.C. O profeta preocupa-se sobremaneira com a violência de Judá, isto sugere uma época posterior à morte de Josias em 609 a.C., no iníquo reinado de Jeoaquim. Sendo assim, a data mais provável seria 606 a.C., durante o reinado de Jeoaquim, antes de Judá, ser subjugado por Nabucodonosor. 97 Cenário Aspecto Polít ico e Religioso. A luta pelo poder entre a Assíria, Babilônia e Egito favorecera a Babilônia. Nínive caiu em 612 a.C., o exército do Egito seria derrotado em 605 a.C. em Carquemis; portanto Nabucodonosor estava em ascensão. O profeta Habacuque foi contemporâneo de Jeremias, tendo profetizado para o Reino do Sul que se precipitava num colapso nacional; a reforma de Josias terminou com sua morte em 609 a.C. e as sementes de corrupção plantadas por Manassés frutificaram com rapidez no reinado de Jeoaquim. Judá era incorrigivelmente corrupta e estava para ser julgada, conforme ficou demonstrada pela “passageira” reforma de Josias, Judá não t inha tirado proveito da lição do julgamento divino sobre Samaria, Nô - Amom ou Nínive, Jerusalém sofrer ia o mesmo destino nas mãos de adversário igualmente perverso. Caldeu é o nome que se dá para um habitante, ou alguém natural da caldeia. Os caldeus dominaram Babilônia no nono século a.C. Eles estavam firmemente estabelecidos nas praias do Golfo Pérsico, tendo como capital a cidade de Bit-Yakin. No reinado de Merodaque Baladã conquistaram a Babilônia. Senaqueribe, rei da Assír ia, por sua vez, derrotou o conquistador. Em 625 a.C., o caldeu Napolassar fundou o novo Império de Babilônia e os caldeus constituíram a raça dominante e assumiram todas as funções administrativas e eclesiásticas; o nome caldeu ficou sendo sinônimo de sábio juntamente com os sacerdotes de Del-Marduk, tidos como sacerdotes possuidores da sabedoria (Dn 1.4; 2.2-4). 98 O Diálogo do Profeta com Deus Habacuque, ao contrário dos demais livros proféticos é mais uma oração do que uma profecia. O profeta tem um diálogo ousado com Deus, fazendo-lhe perguntas no que diz respeito aos conhecimentos da época; perguntas que parecem desafiar o Senhor, tanto a santidade quanto o amor do Senhor, a oração continua em todo o livro; o profeta pergunta e espera de Deus a resposta. A fé divina de Habacuque é vigorosa e profunda, que ele pôde expressar honestamente suas dúvidas e ficar satisfeito quando o Senhor responde com novos apelos à fé. O profeta inicia perguntando a Deus porque a demora em realizar a justiça: “Até quando?” (Hc 1.2), com todos os acontecimentos (Hc 1.1-4), o profeta espera de Deus uma providência rápida, pois sabe que só o Senhor daria resposta aos problemas. O salmista também usou expressão similar 1 (SI 10.1) “Por que te conservas ao longe, Senhor? Por que te escondes em tempos de angústia?”. Deus ouve o profeta e lhe responde (Hc 1.5 - 11) , o Senhor traz referência ao poderio caldeu (v.6) que atacaria Jerusalém, causando grande horror e ruína a muitos; nos versículos 7,8 e 9 fala do poder ou força com que atacariam Jerusalém; no versículo 10 “Escarnecem dos reis, e dos príncipes fazemzombaria; eles se riem de todas as fortalezas; porque, amontoando terras as tomam”, no versículo 11 o que chama a atenção é que eles cultuaram o seu próprio poder, isto é, “o poder é o seu deus”, o ataque ser ia tão terrível 1 Que tem a mesma natureza, a mesma função, o mesmo efeito, ou a mesma aparência: 99 que o Senhor disse ao profeta: “Porque realizo em vossos dias obra tal, que vós não crereis quando vos for contada” (Hc 1.5). Em cumprimento da Palavra do Senhor dita ao profeta, o grande Império Babilônico (após algumas investidas contra Judá) no ano 586 a.C., entrou em Jerusalém, destruiu-a e levaram prisioneiros seus habitantes. A Reação do Profeta com a Resposta de Deus Após ouvir o que o Senhor faria com Judá (Hc 1.5-11), o profeta dá uma pausa nos seus protestos e não compreende o porquê Deus usaria uma nação pagã, p ara punir o seu povo com tamanha crueldade (Hc 1.12 -13). O profeta compara Babilônia a um pescador que usando suas redes e anzóis apanha muitos peixes (Hc 1.14 - 16). Habacuque sabia que o povo teria que sofrer a punição e serem disciplinados, porém não quer ia que eles sofressem tanto sob o jugo desse novo poderio do oriente; razão pela qual intercedia, e de Deus queria saber (respostas) sobre o castigo vindouro de Judá (Hc 1.17). No capítulo 2 o diálogo continua, pois Habacuque já tinha obtido uma resposta, e agora aguardava a segunda resposta, o profeta ao questionar os meios de agir de Deus o fazia com ousadia e coragem. Entretanto, Deus estava sempre pronto a ouvir; todavia a disposição do profeta ante a expectativa da resposta divina, que só veio a partir do versículo 2 “escreve a visão, e grava -a sobre tábuas (de grande porte, com letras grandes), para que a possa ler até quem passa correndo”. A visão não trata do julgamento de Judá, mas do julgamento dos caldeus, e 100 de outros futuros inimigos do Senhor além da preservação do povo de Deus. A resposta da segunda pergunta do profeta veio assim: “tenha paciência, pois realizo os meus objetivos e nada me impedirá de cumpri-los” (Hc 2.3). Encontramos no capítulo 2.6-20 cinco “ais” sobre os babilônicos; a lista de “ais” é composta pelas nações “todos estes” (v.6), que t inham sido subjugadas pelos caldeus; elas levantam suas vozes em protesto contra a infância do seu opressor: Ai do avarento (Hc 2.6-8); Ai do cobiçador (Hc 2.9-11); Ai do que pratica a crueldade (Hc 2.12-14); Ai do corrupto (Hc 2.15-17); Ai do idólatra (Hc 2.18-20). Em meio aos “ais” encontramos duas frases de encorajamento e esperança, a saber: A terra se encherá do conhecimento da glór ia de Deus (Hc 2.14); Senhor está no seu santo Templo (Hc 2.20). Estas frases indicam que, toda a impiedade que infesta a terra, um dia acabará e a glória do Senhor encherá a terra. Que o Senhor reinará onipotente no Seu santuário, Ele domina hoje e sempre dominará. Só o Senhor é digno de toda a reverência (Hc 2.18-20): ■ (v.18) - “Que aproveita a imagem esculpida, tendo -a esculpido o seu artífice? A imagem de fundição que ensina a mentira? Pois o artífice confia na sua própria obra, quando forma ídolos mudos”; ■ (v.19) - “Ai daquele que diz ao pau: Acorda e à pedra muda: Desperta! Pode isso ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, e dentro dele não há espír ito algum”; 101 ■ (v.20) - “Mas o Senhor está no seu santo Templo; cale-se diante dele toda a terra; cale-se diante dele toda a terra”. Habacuque realmente podia dizer: “O justo viverá pela fé”, mesmo sabendo que Judá seria julgado e subvertido, ele encerra o seu livro com exclamações de vitória e alegr ia, numa demonstração que t inha aprendido a ter fé em Deus em todas as situações, ele afirmou em Habacuque 1.12, “Não morreremos”, pois sabia que muito embora castigado, o povo escolhido não seria destruído por completo. “Tenho ouvido oh! Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado, aviva a tua obra oh! Senhor, no decorrer dos anos, fazei-a conhecida, na tua ira lembra-te da miser icórdia” (Hc 3.2). Ele se achava alarmado ou assombrado com a maneira que o Senhor agiria, todavia, compreende a situação, porém, lembra - se que o Senhor é misericordioso e revela que seu desejo principal (em meio às frustrações) é que Deus intensifica a sua obra, e anela que Ele continue a operar entre o Seu povo. Que ao decorrer dos anos, Deus restaure Israel ao seu devido lugar, que não seja severo demais ao castigá -lo, e que o faça conhecido e novamente digno entre as nações, glorificando assim o Seu bendito nome. “Deus vem de Temã e do monte de Parã vem o Santo” (Hc 3.3-16), diz respeito à direção donde viria a manifestação do Senhor. Sua justiça e glória representam meramente “o ponto de partida” da vinda do Senhor contra os caldeus. Temã era um distrito ao sul de Edom. Parã é uma área montanhosa, região do Sinai. O profeta salienta dois aspectos da justiça divina em sua oração (Hc 3): 1 o ) E o seu direito de julgar 102 2 o ) É o seu propósito de julgar; O profeta descreve ainda o grande poder de Deus: A terra treme (v.6); O sol e a lua pararam (v. 11); Transpassas a cabeça dos guerreiros (v. 14). Ao ouvir o som da marcha do exército do Altíssimo, Habacuque fica comovido no seu íntimo, reconhecendo que somente o Senhor tem absoluta autoridade para julgar os povos (Hc 3.15 -16). Seus propósitos em julgar são: S Para salvar o seu povo; S Para destruir seus adversários (Hc 3.13). O profeta a estas alturas dos acontecimentos podia entender o porquê aguardar em silêncio até o “tempo determinado” (Hc 2.3). O dia da angústia para alguns é interpretado como sendo aquele dia em que Judá ser ia invadido e devastado pelos babilônicos; para outros é o dia do julgamento do Senhor sobre os babilônicos; porém, esse dia de calamidade é aquele que sobrevirá aos inimig'os dos judeus; contudo o profeta será recompensado por sua espera, vendo o Senhor tratando com justiça os inimigos que tanto oprimiam o seu povo. A mensagem de Habacuque é maravilhosa, é uma exclamação de fé e ânimo mediante as presentes circunstâncias escuras de Judá; ou seja: ■ “Ainda que a figueira não floresça, nem haja frutos nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos curais não haja gado” (Hc 3.17); 103 ■ “Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3.18); ■ “O Senhor Deus é minha força. Ele fará os meus pés como o da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos” (Hc 3.19). Pregou e vivenciou a fé no Deus Todo Poderoso, pois pelos olhos da fé, viu além da carência de alimentos do seu dia; avistou um futuro quando o Santo de Israel faria rejuvenescer a lavoura, os animais, a terra e o povo; louvava a Deus por tudo isto que enxergava pela fé. Características Especiais Cinco aspectos básicos caracterizam a profecia de Habacuque: 1) Ao invés de profetizar a respeito da apóstata Judá, registra, em seu “diário” pessoal, suas conversações particulares com Deus, e a subseqüente revelação profética. 2) Contém pelo menos três formas literárias dist intas entre si: “diálogo” entre o, profeta e Deus (Hc 1.2 - 2.5) ; “ais proféticos” clássicos (Hc 2.6 -20); e um “cântico profético” (Hc 3) - todas com dicção vigorosa e com metáforas pitorescas. 3) O profeta manifesta três caracter ísticas em meioaos tempos adversos: faz perguntas honestas ao Senhor (Hc 1); revela fé inabalável na soberania divina (Hc 2.4; 3.18,19); e manifesta zelo pelo avivamento (Hc 3.2). 4) A visão que o profeta tem de Deus no capítulo três é uma das mais sublimes da Bíblia, e relembra a 104 teofania 1 no monte Sinai. Outros trechos inesquecíveis em Habacuque são: 1.5; 2.3,4,20; 3.2,17-19. 5) Nenhum profeta do Antigo Testamento fala com mais eloqüência a respeito da questão da fé que Habacuque - não somente na sua declaração, “o justo, pela sua fé, viverá” (Hc 2.4), como em seu testemunho pessoal (Hc 3.17-19). Questionário ■ Assinale com “X” as a lternativas corretas 1. Enfatizar a “Santidade de Deus” era a) Oobjetivo do livro de Naum b) Oobjetivo do livro de Ageu c) Oobjetivo do livro de Sofonias d) Oobjetivo do livro de Habacuque 2. E o versículo-chave do livro de Habacuque a) “O grande dia do Senhor está perto, está perto” b) “... O justo, pela sua fé, viverá” c) “Levantai-me, e lançai-me ao mar, e o mar se aquietará” d) “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém” 3. E comparada pelo profeta Habacuque, a um p escador que usando suas redes e anzóis apanha muitos peixes a) Babilônia b) Jerusalém c) Samaria d) Nínive 1 Manifestação de Deus, desde a voz até a imagem, perceptível pelos sentidos humanos. 105 ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 4. Diferentemente da minoria dos outros profetas, Habacuque profetiza para a desviada Judá 5. Habacuque, ao contrário dos demais livros proféticos é mais uma oração do que uma profecia Sofonias Autor: Sofonias. Data: Cerca de 630 a.C. Tema: O Dia do Senhor. Palavras-Chave: O Dia Senhor está no meio de t i. Versículo-chave: Sf 1.14 e 3.12. do Senhor, o O livro de Sofonias com apenas 53 versículos mostra como a situação religiosa do reino de Judá se deter iorou drasticamente após a morte de Ezequias. Os judeus cada vez mais se inclinavam para a adoção de costumes assírios, que então exerciam grande influência cultural sobre a Palestina. As práticas religiosas degeneradas, anter iores à grande reforma religiosa de Josias, transparecem, com certos detalhes, no trecho de 2Reis 23.4-20. Esta profecia tinha por objetivo divulgar um chamado da undécima hora à nação, condenando sua idolatria e advertindo o povo sobre o “Grande Dia da Ira Divina”, que estava para vir. Além desse aviso, Sofonia s enfatizou novamente os resultados finais do julgamento de Israel, que seria um povo purificado e humilde , restaurado pelo Senhor, que passaria a habitar no meio deles. Ele inicia de maneira brusca a sua profecia (Sf 1.1 -6), dizendo que Deus vai consumir todas as coisas sobre a face da terra (Sf 1.2,3). O profeta inicia profetizando o fim de tudo, e depois recua aos poucos deixando claro o julgamento de Deus sobre algumas nações e sobre o seu próprio povo. “O dia da ira do Senhor” (Sf 1.1 -18), é um trecho dos mais pavorosos dentre todos os Profetas Menores. Neles encontramos uma narração espantosa sobre o “terrível dia do Senhor”, as frases sinônimas que Sofonias usa para descrevê-lo são (Sf 1.15-16): 107 Dia de indignação; Dia de angústia; Dia de alvoroço e desolação; Dia de escuridão e negrume; Dia de nuvens e densas trevas; Dia de trombeta e de rebate contra as cidades fortes e contra as torres altas. A primeira parte tem a ver com Judá (Sf 1.7 - 13) e a segunda inclui toda a terra (Sf 1.14-18). O verso 18 diz que de nada valerá o ouro e a prata, pois Deus não se deixa subornar. Tema A repetição frequente da frase “Dia do Senhor” sugere imediatamente que Sofonias t inha uma mensagem de julgamento. Mas, como acontecia com quase todos os demais profetas, tem também uma mensagem de restauração. “Já se disse que a profecia de Sofonias é peculiarmente estér il, sem vida, sem flor, sem fruto, sem nenhuma das belezas naturais; nada senão um mundo queimado por um forte vento abrasador”. Se for assim, qual é o motivo? Vejam as condições descritas. Os homens vivendo no luxo, negando a intervenção divina; a cidade materializada, egoísta, luxuosa; os regentes, príncipes, juízes, profetas c sacerdotes, todos corrompidos. A situação toda pode ser expressa numa palavra “caos”. Qual é, então, a histór ia do Dia do Senhor? Caos consumado, desordem, condições más, destruição, até que a cidade apareça ante os olhos do profeta assombrado, como uma paisagem sombria sem nenhuma vegetação, varrida por um vento abrasador. 108 Autor Sofonias, cujo nome significa “o Senhor esconde”, era tataraneto do rei Ezequias. Ele profetizou durante o reinado de Josias (639-609 a.C.), o últ imo governante piedoso de Judá (Sf 1.1). Sua referência a Jerusalém como “este lugar” (Sf 1.4), bem como a descrição minuciosa de sua topografia 1 e de seus pecados, indica que residia na cidade. Como parente do rei Josias, tinha imediato acesso ao palácio real. Conforme era de se esperar, suas profecias focalizavam a Palavra do Senhor endereçadas a Judá e às nações. Sofonias é um autêntico profeta do Senhor, enfrentou uma nação corrupta e ímpia, Judá. Embora identificado com o povo escolhido, t al nação não poderia subsist ir, pois o Senhor é um Deus justo. Bem para o nordeste ficava a poderosa Assíria que haver ia de ser usada pelo Senhor como seu instrumento para produzir a destruição de Judá. Essa destruição ser ia um dia em que a justiça do Senhor seria vindicada. Seria realmente um Dia do Senhor. Um comentarista moderno disse que é perfeitamente evidente que o capítulo 3 não foi escrito por Sofonias, porque o contraste é muito grande entre o quadro do juízo terrível, devastador, irrevogável e o da restauração. Ninguém pode imaginar, declara ele, que o mesmo homem tivesse escr ito ambos. Tudo isto é o resultado da cegueira do expositor. O último quadro é o de Jeová entronizado, o quadro de uma nova ordem: cânticos em vez de tristeza, serviço em vez de egoísmo, solidariedade em vez de dispersão. 1 Descrição minuciosa de uma localidade. 109 Data O pecado dos quais Sofonias acusava Jerusalém e Judá (Sf 1.4-13; 3.1-7), indicam que ele profetizou antes do reavivamento e reformas promovidas por Josias. Período este marcado pela iniqüidade dos reis que antecederam a Josias (Manassés e Amom). Foi somente no décimo segundo ano do reinado de Josias (627 a.C.), que o rei empreendeu a purificação do povo com o banimento da idolatria e a restauração do verdadeiro culto ao Senhor. Oito anos mais tarde, ordenar ia o conserto e a purificação do Templo. Nesta ocasião, Hilquias, encontrou o livro da lei na casa do Senhor (2Rs 22.1-10). A descrição que Sofonias faz das lamentáveis condições espir ituais e morais de Judá devem ter sido escritas por volta de 630 a.C. E provável que a pregação de Sofonias tenha t ido influência direta sobre o rei, inspirando-o em suas reformas. O ano de 630 a.C. é também indicado devido à ausência de referências, no livro de Sofonias, à Babilônia, sendo esta uma potência reconhecida no cenár io internacional. Babilônia só começou a galgar uma posição de destaque com a ascendência de Nabopolassar em 625 a.C. Mesmo assim, Sofonias profetizou a destruição da grande Assíria, evento este ocorrido em 612 a.C., com a queda de Nínive. Jeremias era um contemporâneo mais jovem de Sofonias. Cenário Sofonias desempenhou seu ministér iono início do ministér io de Jeremias; o cenário mundial passava por profundas transformações, tanto na parte 110 internacional quanto nacional. A Assíria estava em declínio, a Babilônia ascendia ao poder sob Nabopolassar e o Egito penetrava na Palestina, mas não de modo eficiente; durante o longo reinado de Manassés, Judá tinha se enfraquecido, e praticamente era dependente da Assír ia, desta forma enfraquecida tanto política quanto moralmente, foi que o Rei Josias começou a reinar, com apenas 8 anos de idade, em 640 a.C. Josias começou a reinar após 55 anos de derramamento de sangue e corrupção sob Manassés e Amom (2Cr 34), o seu reinado pode ser assim dividido: 640-632 a.C. Princípio do reinado até buscar o Senhor aos dezesseis anos. 632-629 a.C. Período de reinado depois de buscar ao Senhor antes da reforma. 628-621 a.C. Primeira purificação da idolatria em Jerusalém e todo Israel. 623-609 a.C. Posterior purificação depois de ser encontrado no Templo o livro da Lei e reunido o povo para renovação da Aliança. Cidades e Países ■ Filíst ia será destruída totalmente, não haverá nela morador nenhum (Sf 2.4-5); ■ Moabe e Amom serão como Sodoma e Gomorra (Sf 2.8 - 9); ■ Etiópia será morta pela espada do senhor (Sf 2.12); ■ Assíria (Nínive) será como um deserto (Sf 2.13 -14). Ai da rebelde e contaminada, da cidade opressora. Não escuta a voz, não aceita a correção, não confia no Senhor, nem se aproxima do seu Deus. Os 111 seus oficiais são leões rugidores no meio dela; os seus juízes são lobos da tarde, que nada deixam para o dia seguinte. Os seus profetas são levianos, homens aleivosos 1 ; os seus sacerdotes profanam o santuário, e fazem violência à lei. O Senhor é justo no meio dela; ele não comete iniqüidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; o injusto, porém, não conhece a vergonha. Exterminei as nações, as suas torres estão assoladas; fiz desertas as suas praças a ponto de não ficar quem passe por elas; as suas cidades foram destruídas, até não ficar ninguém, até não haver ninguém, até não haver quem as habite. Eu dizia: “Certamente me temerás e aceitarás a correção; e assim a sua morada não ser ia destruída conforme tudo o que eu havia determinado a respeito dela. Mas eles se levantaram de madrugada, e corromperam todas as suas obras”. Aqui nós vemos as ameaças contra Jerusalém, pois Israel não ficará isento do juízo do Senhor. Dia do Senhor e Israel Diante disso o profeta lembra Judá que serve a um Deus justo (Sf 3.5). Assim o Senhor espera que seu povo siga o seu exemplo e não andem segundo os caminhos de outros povos que viviam ímpiamente. Pois esses povos serão exterminados pela ira de Deus, e se Israel trilhasse o mesmo caminho, teria por conseqüência o mesmo fim (Sf 3.6-7). Mas mesmo diante de toda a orientação de Deus, você percebe a reação negativa no versículo 7. O profeta mostra o lado alegre do Dia do Senhor (Sf 3.8-20), “a salvação da filha de Jerusalém”; 1 Que procede com aleive; desleal, traidor, pérfido. Caluniador. 112 1 a salvação do remanescente de Israel, em meio à destruição das nações, o profeta salienta em suas profecias a época da vinda do Messias “O Rei de Israel” (Sf 3.15). Ele virá como guerreiro vitor ioso para livrá -lo de todos os seus últ imos inimigos, restaurar Jerusalém e habitar entre o seu povo; portanto a vinda do Messias será alvo de grande alegria e contentamento. O Dia do Senhor em Sofonias 3, fala também de purificação e seus resultados (vv 8-9). Os dispersos de Israel que voltarão à Jerusalém e à sua terra. Deus guardará do fogo de seu zelo e continuarão confiantes no seu Salvador e viverá em paz o povo de lábios puros (v.9). Por isso o profeta convida o povo a entoar um hino de louvor ao Senhor (Sf 3.14) “Canta o filho de Sião (Israel)”. “O Rei de Israel, o Senhor está no meio de t i”; esta é a razão da alegr ia, pois afastou as sentenças, e lançou fora os inimigos, e no final do versículo 15 diz: “Tu já não verás mal algum”. Sofonias fala da volta de Israel à sua terra (Sf 3.19-20), o seu ponto de vista histór ico salienta o retorno dos judeus da dispersão, o dia glor ioso do seu retorno a Jerusalém, neste dia os inimigos do povo de Deus „ se defrontarão com Ele (Deus) e serão eliminados; assim o Sumo Pastor, abrigará suas ovelhas que andavam dispersas, o seu opróbrio (ignomínia ou desonra) será transformado em glória e estarão unidos obedecendo ao seu Rei, “Um louvor e um nome” (v. 19- 20). 113 Ageu Autor: Ageu. Data: 520 a.C. Tema: Reedificação do Templo. Palavras-Chave: A Casa do Senhor, Considerai, Glória. Versículo-chave: Ag 1.14. Depois de estabelecer-se na terra o povo er igiu um altar de holocaustos no local do Templo. Dois anos mais tarde, em meio a grandes regozijos, foram lançados os alicerces do Templo. Seu regozijo logo se tornou em tristeza, porque, por meio dos esforços hostis, os samaritanos foram ordenados, por um decreto imperial, que fosse interrompida a obra. Durante 16 anos o Templo permaneceu inacabado, até o reinado de Dario, quando esse rei publicou uma ordem permitindo a conclusão da obra. Mas, nesse tempo o povo t inha se tornado indiferente e egoísta, e, em vez de construir o Templo, estava ocupado adornando as suas próprias casas. Como resultado desta negligência, foi castigado com seca e esterilidade. Ageu declara que a indiferença egoísta do povo no tocante às necessidades do Templo era a ca usa dos seus infortúnios. Autor Ageu significa “Festivo”, há quem diga que esse nome está intimamente ligado ao maior objetivo de sua profecia, que era completar o Templo para reiniciar as festividades religiosas. Ageu é um dos profetas pós-exílico, contemporâneo de Zacarias. Foi primeira voz profética 114 a se ouvir depois do cativeiro babilônico. Ageu t inha qualidades de um bom pastor. Um encorajador cuja palavra estava em sintonia com o coração do povo e a mente de Deus, levando ao grupo desanimado à segurança da presença de Deus. O livro é dirigido a todo o povo com a finalidade de despertá-los a reconstruir o Templo. A tradição judaica sustenta que ele nasceu na Babilônia e estudou sob a orientação de Ezequiel, e veio para Jerusalém após o retorno do pr imeiro grupo de exilados, pois o seu nome não consta da lista dos que retornaram (Ed 2.2). Ageu teve como contemporâneo Zacarias. Juntos foram os principais incentivadores dos trabalhos de restauração do Templo. Data O livro de Ageu foi escrito em 520 a.C. É um dos livros bíblicos com data mais exata, datado do segundo ano do Rei Dario Histaspes, rei da Pérsia (521-486 a.C.). Ageu é o primeiro livro profético a apresentar uma data nos reis gentios (com exceção de Daniel); isto nos lembra o fato de que os “tempos gentios” estavam na sua segunda fase, foi o pr imeiro profeta do Pós -Cativeiro, seguido depois por Zacarias. Ageu colaborou ainda com o sentido espir itual da reedificação da casa de Deus com muito cuidado e fervor. Ageu inicia seu ministério profético numa hora que o povo se encontrava muito desanimado, pois haviam começado a reconstrução do Templo e não deram continuidade às obras (esquecendo-se do Soberano Deus). 115 Em 536 a.C. iniciam a reconstrução; em 529 a. C. pararam a construção; em 520 a.C. a reconstrução recomeça e o Templo é concluído em 516 a.C., no dia 03 de março (Adar), possibilitando a observância da Páscoa em 14de abril (Ed 6.19). Cenário Após setenta anos de cativeiro na Babilônia, os judeus retornaram sob nova política persa que encorajava a volta dos cativos e lhes proporcionava uma nova situação de vida. Os samaritanos opunham-se à reconstrução do Templo, esta oposição custou a suspensão da reconstrução do Templo por dezesseis anos. Em 537 a.C. iniciou uma grande era para os judeus com a volta do cativeiro e o reinicio das ofertas da aliança em Jerusalém; todavia a pausa na reconstrução esfriou o entusiasmo de todos, e eles se voltaram para interesses seculares, essas atividades não lhes deram lucro (talvez Deus estivesse castigando-os para darem valor à obra de reconstrução do Templo). Nesse período de dezesseis anos o Senhor mandou seca e má colheita, e enviou Ageu e Zacarias, para mostrar-lhes a causa de todos os problemas que eles estavam enfrentando; assim Ageu mostrou ao povo a necessidade de estabelecer prioridades, e deixou claro que a prior idade no momento era a retomada da reconstrução do Templo. Ageu revela ao povo, que seu livro tinha por objetivo fazer com que os líderes e o povo continuassem a reconstruir o Templo destruído, mostrando-lhes que os fracassos nos outros setores da vida eram resultados da negligência na obra do Senhor. 116 A Construção do Segundo Templo O profeta Ageu foi o responsável por conseguir que a reconstrução do templo fosse reiniciada e concluída, pois entendia que realizada esta obra com prioridade, ou seja, em primeiro lugar, as bênçãos viriam sobre todos os empreendimentos do povo. Sob a liderança de Zorobabel (Governador) e Josué (Sumo Sacerdote), despertados no seu espírito, e com o povo, que também receberam despertamento, reiniciaram a obra tão urgente; o poder da Palavra do Senhor dita por Ageu, vinte e três dias após as primeiras advertências, fez com que o povo voltasse ao trabalho que tinha sido abandonado há dezesseis anos, o povo necessitava de uma palavra de incentivo (Ag 2.1-5); Ageu continuou a profetizar e motivar o povo a concluir a obra. Provavelmente alguém começou a dizer que não valer ia a pena tanto trabalho, pois este segundo Templo era inferior ao pr imeiro em tamanho e beleza, além do que, segundo o Talmude, a Arca, o Propiçiatório e o Fogo Sagrado ou “Shekinah” que representava a Glória de Deus, não se via nessa segunda Casa do Senhor, razão pela qual Ageu diz a Zorobabel, a Josué e ao povo: “Sê forte... trabalhai, Eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos” (Ag 2.4). Foram palavras de ânimo e coragem ditas na hora certa. Ageu fala da glória do segundo Templo justamente para lembrar ao povo que não obstante o tamanho ou a beleza do Templo, ele estava ali presente como prometera ao seu povo (Ag 2.5). No texto de Ageu 2.7, na versão Almeida Revista e Corrigida o texto é descr ito da segu inte maneira: “e farei tremer todas as nações, e virá o 117 Desejado de todas as nações...” na versão Almeida Revista e Atualizada diz assim: “farei tremer todas as nações e as cousas preciosas de todas as nações virão...”. Este versículo é um pouco polêmico, pois alguns o interpretam que o desejado de todas as nações é “Jesus”, partindo da idéia dada pelo texto da Almeida Revista e Corrigida. Enquanto que outros dizem que o Senhor movimentará todos os povos os quais o reconhecendo como único Deus, sentir-se-ão levados a lhe prestarem homenagens com suas preciosidades (ouro e prata, como mostra o versículo seguinte). O que parece mais coerente. O profeta fala ainda sobre a agitação que assinalará a volta do Messias; no versículo 8 Deus exclama através do profeta: “Minha é a prata, meu é o ouro”; provavelmente havia entre o povo alguém preocupado com sua pobreza e a impossibilidade de adornar o Templo como nos tempos antigos. Ageu leva o povo a entender que a real beleza do Templo será a presença do Senhor; e diz que “a glória da segunda casa será maior que a da primeira” (Ag 2.9); além disso, ele garantiu: “Neste lugar darei paz”; é o que com ansiedade aguardamos. Na referência 2.10-19 o profeta Ageu entrega sua terceira mensagem: Falando sobre a santidade, avisa ao povo de que Deus não tolera imundice e que todo aquele se chegar a Ele deve estar puro; só assim o Senhor poderá abençoá-lo. As Perguntas do Profeta As duas perguntas foram dirigidas aos sacerdotes, pois conheciam a lei e estavam aptos a responder: “Se alguém leva carne santa na orla de sua veste, e ela vier a tocar no pão, ou no cozinhado, ou no 118 vinho, ou no azeite, ou em qualquer outro mantimento, ficará isto santificado?” Responderam os sacerdotes: Não (Ag 2.12). “Se alguém que se tenha tornado impuro pelo contato com um corpo morto tocar nalguma destas cousas, ficará ela imunda?” Responderam os sacerdotes: Ficará imunda. O profeta Ageu sugere ao povo que façam um retrospecto dos acontecimentos, pois já fazia dezesseis anos que eles tinham retornado do cativeiro: como tinham vivido todos esses anos? (Ag 2.15-17); essas considerações dever iam ser feitas antes de por as mãos às obras (Ag 2.15), ou seja: havia pouca comida, havia peste no campo, o povo vivia na pobreza, o povo plantou, mas esqueceu -se de agradecer a Deus o produto da terra, recomeçou a nova vida em Judá, sem primeiro fazer a vontade de Deus. Com tudo isso havia uma grande crise econômica. Graças ao esforço e persistência do pr ofeta Ageu, o povo reconheceu a sua situação e necessidade e se manifestou ao Senhor; após isso vieram as bênçãos (Ag 2.18-19). Seriam abençoados. As colheitas seriam abundantes. A figueira, a romeira e a oliveira dariam os seus frutos. Após três meses, os alicerces do Templo estavam completos e toda Judá se achegava a Deus. O profeta encerra seu livro falando do futuro das poderosas nações gentílicas, o Messias as esmagará antes do início do Reino Milenar e do Dia do Senhor, salienta a soberania do escolhido de Deus: o Messias. 119 Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 6. A repetição freqüente da frase “Dia do Senhor” sugere imediatamente que Sofonias tinha a) Uma mensagem de fortalecimento b) Uma mensagem de consolo c) Uma mensagem de avivamento d) Uma mensagem de julgamento 7. Quanto a Ageu, é incerto afirmar que a) É um dos profetas pós-exílico, contemporâneo de Oséias b) Foi a primeira voz profética a se ouvir depois do cativeiro babilônico c) Tinha qualidades de um bom pastor d) Sua profecia tinha como objetivo: completar o Templo para reiniciar as festividades religiosas 8. Foi o responsável por conseguir que a reconstrução do templo fosse reiniciada e concluída a) O profeta Sofonias b) O profeta Amós c) O profeta Ageu d) O profeta Malaquias ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 9.1 O livro de Sofonias com apenas 53 versículos mostra como a situação religiosa do reino de Judá se deter iorou drasticamente após a morte de Ezequias 10.0 Os samaritanos também ajudaram a reconstruir o Templo, com isso, fez com que adiantasse a obra 120 Lição 5 Zacarias e Malaquias Autor: Zacarias. Data: 520-470 a.C. Zacarias Tema: A conclusão do Templo e as promessas Messiânicas. Palavras-Chave: Jerusalém, o Dia do Senhor, Aquele Dia. Versículo-chave: Zc 9.9-10. A missão de Zacarias era animar, por meio da promessa do êxito atual e da glória futura, o resto do povo judeu, que estava desanimado pelas aflições e que hesitava em reconstruir o Templo. O povo t inha motivospara estar desanimado. Propósito Os dois propósitos que Zacarias tinha em mente ao escrever seu livro correspondem às duas divisões principais da obra: ■ Os capítulos 1-8 foram escritos a fim de encorajar o remanescente judeu, em Judá, a persist ir na construção do Templo. ■ Os capítulos 9-14 foram escritos para fortalecer os judeus que, tendo concluído oTemplo, ficaram desanimados por não ter aparecido 121 imediatamente o Messias. Nesta passagem, é revelado também em que importará a vinda do Messias. Autor Zacarias, cujo nome significa “Senhor se Lembra”, foi um dos profetas pós -exílicos. Nasceu no exílio; era um sacerdote que voltara junto com Zorobabel e Josué do cativeiro babilônico. Zacarias, filho de Baraquias e neto de Ido (Zc 1.1), o identifica como autor do livro. Neemias informa ainda que Zacarias era cabeça da família sacerdotal de Ido (Ne 12.16). Por esta passagem, ficamos sabendo que ele era da tribo de Levi, e que passou a servir em Jerusalém, depois do exílio, tanto como sacerdote quanto profeta. Zacarias foi um grande sacerdote que voltou para Israel com seu pai Baraquias e seu avô Ido, na primeira leva de cativos que retornaram da Babilônia com Zorobabel. É o único profeta menor identificado como sacerdote, acontecendo o mesmo com Jeremias e Ezequiel (profetas maiores) que também foram sacerdotes. Ele é um contemporâneo mais jovem do profeta Ageu. Zacarias foi chamado para despertar os judeus que retornaram, para completar a tarefa de reconstruir o Templo (ver Ed 6.14). Sua mensagem escrita forma um significativo elo entre os profetas anter iores (Zc 1.6) e as fases posteriores da obra redentora de Deus, sobre a qual o seu livro presta eloqüente testemunho. Ele é um dos mais messiânicos de todos os profetas do Antigo Testamento, dando referências dist intas e comprovadas sobre a vinda do Messias. 122 Data Esdras 5.1 declara que ambos animaram os judeus, em Judá e Jerusalém, a persistirem na reedificação do Templo nos dias de Zorobabel (o governador) e de Josué (o sumo sacerdote). O contexto histórico para os capítulos 1-8, datados entre 520-518 a.C., é idêntico ao de Ageu. Como resultado do ministério profético de Zacarias e Ageu, o Templo foi terminado sua construção e dedicado em 516-515 a.C. Em sua juventude, Zacarias havia trabalhado lado a lado com Ageu. A visão dos pr imeiros capítulos foi dada, aparentemente, enquanto o profeta ainda era um jovem (ver Zc 2.4). Mas ao escrever os capítulos 9 - 14 (que a maioria dos estudiosos indica a data entre 480 -470 a.C.), já se achava idoso. A referência “ó Grécia” em Zacarias 9.13 pode indicar que os capítulos de 9-14 foram escritos depois de 470 a.C., quando a Grécia substituiu a Pérsia como o grande poder mundial. As profecias que abrangem o livro de Zacarias foram reduzidas à escrita entre 520 e 475 a.C. A totalidade das profecias de Zacarias foi enunciada 1 em Jerusalém diante dos 50.000 judeus que haviam voltado a Judá na primeira etapa da restauração. O Novo Testamento indica que Zacarias, filho de Baraquias, foi assassinado “entre o santuário e o altar” (no lugar da intercessão) por oficiais do Templo (Mt 23.35). Algo semelhante ocorrera a outro homem de Deus que t inha o mesmo nome (ver 2Cr 24.20,21). 1 Exprimir, declarar, expor, manifestar. 123 Cenário Dois meses após Ageu ter iniciado sua mensagem, Zacarias começou a sua; os dois profetas foram usados por Deus para incentivar o povo judeu na construção do Templo que estava paralisada durante dezesseis anos, eles deixaram clara a relação entre a obediência do povo na reconstrução do Templo e a benção divina em suas vidas (Ag 1.9 e Zc 1.16-17). Os exilados que retornaram à sua terra natal em 536 a.C. sob o decreto de Ciro, estavam entre os mais pobres dos judeus cativos. Cerca de cinqüenta mil pess oas retornaram para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel e Josué. Rapidamente, reconstruíram o altar e iniciaram a construção do Templo. Logo, todavia, a apatia 1 se estabeleceu, à medida que eles foram cercados com a oposição dos vizinhos samaritanos, qu e, finalmente, foram capazes de conseguir uma ordem do governo da Pérsia para interromper a construção. Durante cerca de doze anos a construção foi obstruída 2 pelo desânimo e pela preocupação com outras atividades, Zacarias e Ageu persuadiram o povo a volt ar para o Senhor e aos seus propósitos para restaurar o Templo destruído. Zacarias encorajou o povo de Deus indicando-lhes um dia, quando o Messias reinaria em u m Templo restaurado, numa cidade restaurada. Na tentativa de estender o governo persa até a Europa, Dario saiu-se bem no início, mas foi derrotado pela cidade da Grécia na batalha de Maratona em 490 a.C., sofreu uma derrota ainda maior em 1 Estado de impassibilidade, de indiferença. 2 Fechar, tapar; entupir. Impedir com obstáculos a passagem ou circulação de: Impedir, estorvar. 124 Salamania, isso mudou o curso do avanço persa no ocidente; assim, os gregos seriam outra potência gentia a ser enfrentada, foi nesse clima que Zacarias escreveu os capítulos 9-14; ele escreve detalhadamente sobre uma invasão grega que se apossaria de toda a P alestina, exceto Jerusalém, que seria poupada e protegida pelo Senhor. Conteúdo O livro divide-se em duas partes principais: Primeira parte (Zc 1-8). Começa com uma exortação aos judeus par a que voltem ao Senhor, para que também o Senhor se volte a eles (Zc 1.1-6). Enquanto encorajava o povo a terminar a reedificação do Templo, o profeta Zacarias recebeu uma sér ie de oito visões (Zc 1.7-6.8), garantindo à comunidade judaica em Judá e Jerusalém, que Deus cuida de seu povo, governando-lhe o destino. As cinco primeiras visões transmitiam esperança e consolação; as últimas três envolviam juízo. A quarta visão contém uma importante profecia messiânica (Zc 3.8,9). A cena da coroação descrita no livro de Zacarias (Zc 6.9-15) é uma profecia messiânica clássica do Antigo Testamento. Duas mensagens (caps.7-8) fornecem perspectivas presentes e futuras aos leitores originais do livro. Segunda parte (Zc 9-14). Contém dois blocos deprofecias apocalípticas. Cada um deles é introduzido pela expressão: “Peso da Palavra do Senhor” (Zc 9.1; 12.1). O primeiro “peso” (Zc 9.1-11,17) inclui promessa de salvação messiânica para Israel, e revela que o Pastor - 125 Messias - Levaria a efeito tal salvação, ser ia primeiramente rejeitado e fer ido (Zc 11.4 -17; cf. 13.7). O outro “peso” (Zc 12.1-14.21) focaliza a restauração e conversão de Israel. Deus prediz que Israel pranteará por causa do próprio Deus “a quem traspassaram” (Zc 12.10) . Naquele dia, uma fonte será aberta à casa de Davi para a purificação do pecado (Zc 13.1); então Israel dirá: “O Senhor é meu Deus” (Zc 13.9). E o Messias reinará como Rei sobre Jerusalém (Zc 14). Os Jejuns de Israel Os capítulos 7 e 8 nos dão pelo menos dois esclarecimentos concernentes aos jejuns de Israel, os judeus não t inham data marcada no seu calendário para jejum ordenado por Deus, mas a própria nação impôs a si mesma, dias de jejum em memória de diversas calamidades envolvidas na destruição de Jerusalém em 586 a.C. Das quais se destacam: Décimo mês (10 de janeiro) Dia em que principiou o cerco de Jerusalém em 588 a.C. (Jr 52.4). Quarto mês (09 de julho) Os babilônicos rompem o muro de Jerusalém, em 586 a.C. (Jr 52.6-7). Quinto mês (10 de agosto)Jerusalém foi destruída e queimada em 586 a.C. (Jr 52.12-14). Sétimo mês (01 de outubro) Gedalias, o novo Governador foi também assassinado em 586 a.C. (Jr 41.1,2). A prática do jejum foi designada para glória de Deus, e não para méritos do homem, o jejum não tem valor, a menos que sejam acompanhado de atos de justiça, bondade e compaixão com o próximo (Zc 7.9 - 10), e foi a ausência de tais atos que trouxe o julgamento divino de desolação (Zc 7.11-14). 126 Características Especiais do Livro de Zacarias Seis aspectos básicos: É o mais messiânico dos livros do Antigo Testamento, em virtude de suas muitas referências ao Messias, que ocorrem em seus catorze capítulos. Somente o livro do profeta Isaías, com seus sessenta e seis capítulos, contém mais profecias a respeito do Messias do que Zacarias. Entre os profetas menores, possui ele as profecias mais específicas e compreensíveis a respeito dos eventos que marcarão o final dos tempos. Representa a harmonização mais bem sucedida entre os ofícios sacerdotal e profético em toda a história de Israel. Mais do que qualquer outro livro do Antigo Testamento, suas visões e linguagem altamente simbólicas assemelham-se aos livros apocalípticos de Daniel e Apocalipse. Revela um exemplo notável de ironia divina ao prever a traição do Messias por trinta moedas de prata, tratando-as como “esse belo preço em que fu i avaliado por eles” (Zc 11.13). A profecia de Zacarias a respeito do Messias no capítulo 14, como o grande Rei-guerreiro reinando sobre Jerusalém, é uma das que mais inspiram reverente temor em todo o Antigo Testamento. O Livro de Zacarias ante o Novo Testamento Há uma aplicação profunda de Zacarias no Novo Testamento. A harmonização da vida pessoal de Zacarias, entre os aspectos sacerdotal e profético pode ter contribuído para o ensino do Novo Testamento de 127 que Cristo é tanto sacerdote quanto profeta. Além disso, Zacarias profetizou a respeito da morte expiatória de Cristo pelas mãos dos judeus, que, no fim dos tempos, levá-los-á a prantearem-no, arrependerem- se e serem salvos (Zc 12.10-13.9; Rm 11.25-27). Mas a contribuição mais importante de Zacarias diz respeito a suas numerosas profecias concernentes a Cristo. Os escritores do Novo Testamento citam-nas, declarando que foram cumpridas em Jesus Cristo. Entre elas estão: ■ Ele virá de modo humilde e modesto (Zc 9.9; 13.7; Mt 21.5; 26.31,56); Ele restaurará Israel pelo sangue do seu concerto (Zc 9.11; Mc 14.24); ■ Será Pastor das ovelhas de Deus que ficaram dispersas e desgarradas (Zc 10.2; Mt 9.36); ■ Será traído e rejeitado (Zc 11.12,13; Mt 26.15; 27.9,10); ■ Será traspassado e abatido (Zc 12.10; 13.7; Mt 26.31,56); ■ Voltará em glór ia para livrar Israel de seus inimigos (Zc 14.1-6; Mt 25.31; Ap 19.15); ■ Reinará como Rei em paz e retidão (Zc 9.9,10; 14.9,16; Rm 14.17; Ap 11.15); ■ Estabelecerá seu reino glor ioso para sempre sobre as nações (Zc 14.6-19; Ap 11.15; 21.24- 26; 22.1- 5). Os conteúdos messiânicos de Zacarias podem ser confirmados por outros livros, a saber: 128 Zacarias Mensagem/Texto Confirmação 1.8-11 0 homem montado num cavalo vermelho, bem como o “Anjo do Senhor” é o Cristo pré- personificado. Is 63.1-6 2.8-11 O Messias mandado pelo Senhor para habitar em Sião. Is 61.1-3 3.8-10 “Meu servo, o Renovo”, é o Messias vindo em humildade e poder. Is 4.2; 11.1; Jr 23.5 6.12-13 “O homem cujo nome é Renovo” - Rei-sacerdote SI 2.6; 110.4 9.9-10 “O teu Rei, unido em humildade”. Mt 21.5; Jo 12.15 10.3 O Senhor visita o seu rebanho como pastor Ez 34.11-19 11.4-14 “Apascentai as ovelhas destinadas para a matança”. Ele quebra as varas da graça e da união. Ez 34.3 12.10 “Olharão para mim a quem traspassaram” Is 53.5; Jo 19.37 13.6-7 “Fui ferido na casa dos meus amigos” Jo 20.25; Ap 1.7 14.3-4 “Estarão os seus pés sobre o Monte das Oliveiras, que está fendido”. At 1.11-12 14.5 “Virá o Senhor, todos os santos com ele”. Dn 7.10; Jd 14; Mt 16.27; Ap 19.11-14 14.9 “0 Senhor será Rei sobre toda a terra” SI 2.6; 72.8- 11; Ap 19.16 129 Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 1. Quanto ao profeta Zacarias, é incerto afirmar que a) Seu nome significa “Senhor se Lembra”, foi um dos profetas pós-exílicos b) Foi um grande sacerdote que voltou para Israel com seu pai Baraquias e seu avô Ido c) Foi chamado para despertar os judeus que retornaram, para completarem a tarefa de reconstruir o Templo d) É o único “profeta menor” que não possui características messiânicas em suas profecias 2. Foi assassinado “entre o santuário e o altar” a) Zacarias b) Ageu c) Sofonias d) Malaquias 3. Não é profecia de Zacarias cumprida em Jesus Cristo a) Ele restaurará Israel pelo sangue do seu concerto b) Ele nascerá em Belém c) Será traído e rejeitado d) Será traspassado e abatido ■ Marque “C” para Certo e “E” para Errado 4. A missão de Zacarias era animar o resto do povo judeu, que estava desanimado pelas aflições e que hesitava em reconstruir o Templo 5. Isaías, com seus 66 capítulos, contém menos profecias a respeito do Messias do que Zacarias 130 Autor: Malaquias. Data: Cerca de 430-420 a.C. Tema: Acusações de Deus contra o Judaísmo Pós-Exílico. Palavras-Chave: Anjo, Sacerdotes, Sol da Justiça, Dia do Senhor. Versículo-chave: Ml 3.9. Malaquias é o último dos profetas, test ifica como fazem os que vieram antes dele, o triste fato do fracasso de Israel. Ele apresenta o quadro de um povo religioso externamente, mas inter iormente indiferente e falso, um povo para o qual o culto a Jeová se transformou em formalismo vazio, desempenhado por um sacerdócio corrupto que não o respeitava. Sob o ministér io de Ageu e Zacarias, o povo estava disposto a reconhecer suas faltas e a corrigi -las, mas agora, endureceram-se tanto que negam insolentemente as acusações de Jeová (Ml 1.1,2; 2.17; 3.7). Pior ainda, muitos professam ceticismo quanto à existência de um Deus de juízo e outros perguntam se valerá à pena servir ao Senhor (Ml 2.17; 3.14,15). Qual raio de luz nesta sombria noite, brilha a promessa da vinda do Messias, que chegará para libertar o resto dos fieis e julgar a nação. Quando Malaquias escreveu, os judeus repatriados passavam novamente por adversidade e declínio espiritual. Eles se haviam tornado cínicos 1 , e questionavam a justiça de Deus, duvidando do proveito em se obedecer aos seus mandamentos. À medida que a sua fé minguava, iam se tornando mecânicos e insensíveis na sua observância ao culto divino, e 1 Que ostenta princípios e/ou pratica atos imorais; impudico, obsceno. 131 indiferente às exigências da Lei. Eles faziam-se culpados de muitos tipos de transgressões contra o concerto. Malaquias confronta os sacerdotes e o povo com o apelo profético: Para se arrependerem de seus pecados e da hipocrisia religiosa para que não fossem surpreendidos pelo castigo divino; Para removerem a desobediência que bloqueava o fluxo do favor e bênção de Deus; Para voltarem ao Senhor e ao seu concerto com corações sinceros e obedientes. Tema Malaquias falou a um povo desiludido, desanimado e cheio de dúvidas, cuja experiência não harmonizava com seu conhecimento das promessas gloriosas encontradasnos profetas anteriores. Sua visão do período messiânico que se aproximava não tinha se mater ializado. Pelo contrário, eles exper imentaram a miséria, a seca e a adversidade econômica, desiludindo-se de tudo e de sua fé. As palavras de Malaquias desafiam os céticos com relação às promessas e, portanto, indiferente ao seu compromisso de viver a luz dessas mesmas promessas e de adorar e servir ao Senhor de todo o coração. Autor Malaquias significa “meu mensageiro” ou “Mensageiro do Jeová”. Além do autor, há no livro outros três mensageiros: 132 O mensageiro sacerdote (Ml 2.7); O mensageiro precursor (Ml 3.1); O “anjo do concerto”, o próprio Senhor (Ml 3.1). O significado do nome do profeta dá forte autoridade para essa mensagem profética no final do Antigo Testamento. Malaquias está colocado num dos mais significativos pontos divisórios da história. A opinião que “Malaquias”, em 1.1, seja um título descrit ivo, ao invés de um nome pessoal, é altamente improvável. Embora não tenhamos mais informações no restante do Antigo Testamento a respeito do profeta, sua personalidade é evidente neste livro. Era um judeu devoto da Judá pós-exílica, e contemporâneo de Neemias. Provavelmente, um profeta sacerdotal. Suas firmes convicções a favor da fidelidade ao concerto (Ml 2.4,5,8,10), e contra a adoração hipócrita e mecânica (Ml 1.7-2.9), a idolatria (Ml 2.10- 12) , o divórcio (Ml 2.13-16) e o roubo de dízimos e ofertas (Ml 3.8-10), revela um homem de rigorosa integridade e de intensa devoção a Deus. O profeta não é conhecido de nenhuma outra forma; a não ser pelo seu nome, já no primeiro versículo. Não sabemos nada sobre seus pais, profissão, cidade natal ou data do seu ministér io. Fundamentados nisso, muitos intérpretes dizem que a palavra “Malaquias” é mais um título do que um nome. O Talmude 1 , diz que Esdras é o autor. Porém não podemos negar a autoria do livro de Malaquias, só porque não sabemos a função ou família do profeta. O que dizer então de Daniel, Amós, Obadias, Miquéias, 1 Doutrina e jurisprudência da lei mosaica, com explicações dos textos jurídicos do Pentateuco, e a Michná, i . e., a jurisprudência elaborada pelos comentadores entre o III e o VI séculos. 133 Naum, Habacuque e Ageu? É certo que Malaquias foi contemporâneo de Esdras que era sacerdote e escreveu depois dele. Porém, Malaquias foi o últ imo mensageiro de Jeová. Para o povo da aliança do Antigo Testamento, ministrou cerca de 1000 anos depois de Moisés (o primeiro profeta e escritor bíblico). Data O livro de Malaquias foi escr ito em 430 a.C. aproximadamente. A profecia não tem data exata, mas podemos supor, analisando alguns fatos e referências históricas: ■ Os edomitas t inham sido levados do monte Seir, mas não tinham voltado. Isso sugere uma data poster ior a 585 a.C. (Ml 1.1-4); ■ Os exilados tinham voltado, reconstruído o Templo e caído no comodismo e na formalidade, quanto a sua experiência religiosa (Ml 1.6); ■ Eles não estavam sob o governo de Neemias, mas de um governador Persa, que era passível de suborno (Ml 1.8); ■ Os problemas morais e religiosos eram iguais aos enfrentados por Esdras e Neemias. Por exemplo: mater ialismo (Ne 13.15; Ml 3.5-9) e casamento com pagãos (Ed 10.2; Ml 2.11). Essas observações sugerem uma data aproximada de 430 a.C., depois de Neemias ter voltado para a Pérsia em 432 a.C., e dá para crer que está relacionada com sua volta e nova reforma mais ou menos em 430 a.C. (Ne 13.6-31). O conteúdo do livro indica que: ■ O templo havia sido reedificado (516 -515 a.C.), e que os sacrifícios e festas achavam-se plenamente restaurados; 134 ■ Um conhecimento geral da Lei havia sido reintroduzido por Esdras (aproximadamente 457 - 455 a.C. ver Ed 7.10); ■ A apostasia subseqüente ocorrera entre os sacerdotes e o povo (aproximadamente 433 a.C.). Além disso, o ambiente espiritual e a negligência contra as quais Malaquias clamava, assemelhava- se à situação que Neemias encontrara em Judá depois de ter voltado da Pérsia (aproximadamente 433-425 a.C.), para servir como governador em Jerusalém pela segunda vez (cf. Ne 13.4-30); ■ Os dízimos e as ofertas eram negligenciados (Ml 3.7- 12; Ne 13.10-13); ■ O concerto do casamento era violado, pois os homens judeus divorciavam-se para se casarem com mulheres pagãs (Ml 2.10-16; Ne 13.23-28). E razoável acreditar que Malaquias haja proclamado sua mensagem entre 430-420 a.C. Cenário Para entendermos melhor o cenário polít ico e religioso de Malaquias, seria bom lermos o livro de Neemias. Quem reinava era o rei persa Artaxerxes I (465 - 424 a.C.) sob o império grande e de difícil controle. Seu avanço para o ocidente foi interrompido em 490 e 480 a.C., pelos atenienses em Maratona e Salamina. As rebeliões internas dos egípcios foram esmagadas por Artaxerxes ou Xerxes em 454 a.C., e pelo sátrapa sírio Magabizo, em 450 a.C. houve paz no império por um período de 25 anos aproximadamente. Neemias burocrata judeu da corte de Artaxerxes I foi designado governador em 444 a.C. e exerceu o cargo até voltar à Pérsia em 432 a.C. (Ne 5.14). 135 Muito embora o Templo já estivesse reconstruído (516 a.C.) o sistema de culto restaurado de maneira digna por Esdras, e o muro da cidade reconstruído, o estado espiritual do povo estava de novo em um nível muito baixo. O povo tinha deixa do de dar o dízimo, e em consequência as colheitas fracassavam. Os sacerdotes, vendo-se desamparados tornam-se descuidados e indiferentes com as funções do Templo. A moral mostrava-se frouxa e havia freqüentes contatos comprometedores com os pagãos circunvizinhos. O espír ito de indiferença religiosa constatava -se com o de seus antepassados que esperavam a volta do Messias para o estabelecimento do novo reino davídico (Dt 30.1 -5; Ez 37.21-28). O povo estava nessa situação, pois seu desejo de ter o reino restaurado e poderoso, sob um grande líder, não fora concretizado, razão pela qual reagiram com tamanha indiferença espiritual. Foi justamente nessa época que Malaquias entregou ao povo uma mensagem de amor (Ml 1.1-3). Indiferença religiosa para com as leis e as ofertas, enquanto acusavam Deus de ser indiferente ao bem ou ao mal. Indiferença moral para com os votos de casamento. Chegaram divorciar -se das mulheres judias, para casar-se com as pagãs. Pecados sociais de per júrio 1 , fraude e opressão do fraco. Egoísmo material ao roubar a Deus nos dízimos. A últ ima recomendação do profeta é a seguinte: “Lembrai-vos da lei de Moisés”. São estatutos e juízos (Ml 4.4). Deixa também um aviso: “esperem pela vinda de Elias”, que aplicaria aquela lei durante o seu julgamento de restauração (Ml 4.5 -6). Este é um ponto polêmico, pois existem seitas que 1 Juramento falso. 136 fazem uma confusão terrível sobre estes versículos de Malaquias. Seguindo seu retorno do exílio, o povo de Israel vivia como uma comunidade restaurada na terra da palestina. Ao invés de aprenderem das suas experiências negativas passadas e de retorno ao serviço e adoração do Deus de seus ancestrais: Abraão, Isaque e Jacó, eles se tornaram imorais e negligentes. Conteúdo Na declaração de abertura, Malaquias salienta o amor imutável de Deus por seu povo, devido a sua miser icórdia, que dura para sempre. Este é o fundo para as reprovações e exortações que se seguem. Primeiro o profeta salienta o desdém aberto e arrogante dos sacerdotespela Lei e sua influência negativa sobre o povo. O profeta mostra que eles provocam muita queda no pecado. Portanto, ele os adverte de que o Senhor não será um espectador inativo, mas, a não ser que eles se arrependam, serão castigados severamente. Depois ele salienta, em termos não ambíguos 1 , a traição dos sacerdotes e leigos no divórcio de esposas fieis e casamento de mulheres pagãs que praticam a idolatria. Isso é seguido por uma súplica fervorosa para vigiarem suas paixões e serem fieis às esposas da sua mocidade, dadas a eles pelo Senhor. O livro, que consiste num sêxtuplo “peso da Palavra do Senhor contra Israel, pelo ministério de Malaquias” (Ml 1.1), está entremeado por uma sér ie de perguntas retóricas e irônicas feitas por Israel com as 1 Que se pode tomar em mais de um sentido; equívoco. 137 respectivas respostas de Deus por intermédio do profeta. Embora o emprego de perguntas e respostas nã o seja exclusivo de Malaquias, seu uso é dist intivo por ser crucial à estrutura literária do livro. O “peso” (ou “mensagem repressiva”) do Senhor proclamado por Malaquias é assim constituído: ■ Deus reafirma seu fiel amor a Israel segundo o concerto (Ml 1.2-5); ■ Deus repreende os profetas por serem vigilantes infiéis do relacionamento entre o Senhor e Israel segundo o concerto (Ml 1.6-2.9); ■ Deus repreende Israel por ter rompido o concerto dos pais (Ml 2.10-16); ■ Deus relembra a Israel a certeza do castigo divino por causa dos pecados contra o concerto (Ml 2.17 - 3.6); ■ Deus conclama toda a comunidade judaica pós - exílica a arrepender-se, e a voltar-se ao Senhor, para que tornasse a receber as suas bênçãos (Ml 3.7-12); A mensagem final refere-se ao “memorial escrito” diante de Deus a respeito daqueles que o temem e lhe estimam o nome (Ml 3.13 -18). Malaquias encerra seu livro com uma advertência e promessas proféticas a respeito do futuro “dia do Senhor” (Ml 4.1-6). O Objetivo do Livro Malaquias teve por objetivo despertar o calejado povo que restara em Israel da sua estagnação 1 e frieza espiritual, com objetivo de possibilitar que o 1 Falta de movimento, de atividade; inércia, paralisação. 138 Senhor tornasse a abençoar suas vidas. Isso fica claro quando lemos Malaquias 4.1-3. É destacado nesse livro o amor, paciência e justiça de Deus, e deixa claro a rebeldia do povo e a sua autoconfiança. Nenhum outro profeta enfatizou tanto a grandeza de Deus como Malaquias. Três vezes em Malaquias 1.11-14, o Senhor chama a atenção para a sua própria “Grandeza” e dez vezes em todo o livro ele chama a atenção para a glór ia dev ida ao seu Santo nome (Ml 1.6,11,14; 2.2-5; 3.16; 4.2). Note que logo após a mensagem do profeta Malaquias, veio o período de quatrocentos anos de silêncio profético. O povo precisava lembrar-se da grandeza do Deus que os tinha chamado para fazer uma aliança com Ele. Em todo o livro, Malaquias pronunciou seu nome apenas uma vez, deixando claro que era simplesmente o mensageiro do Senhor, salientava: “assim diz o Senhor” (do mesmo modo que Ageu fazia). O profeta diante da nação fraca (conseqüência do desvio) identificou vinte e quatro vezes o Senhor, como “Senhor dos Exércitos”. Título apropriado para o povo na situação que vivia. E importante deixar registrado também a maneira ou método utilizado por Malaquias em seu livro, veja: Malaquias usa o estilo dialético. As perguntas da nação têm sempre um tom de rebeldia e hostilidade (Ml 1.2,6,7; 2.10,13,17; 3.7,8,13). Nessa forma provocante o profeta apresentou as mais importantes queixas do Senhor contra os judeus e suas reações altivas. Este t ítulo, mais tarde f oi chamado de método “Rabino” ou “Socrático”. Esse t ítulo provou ser eficaz, pois chama a atenção e vai direto ao assunto principal. O próprio Jesus usou um tipo semelhante de comunicação ao enfrentar os líderes hostis da época (Mt 21.25,31,40; 22.42). 139 Conforme lemos, Malaquias nos informa sobre a degeneração na fé de Israel. Pois eles questionavam o seu amor (Ml 1.2), sua honra e grandeza (Ml 1.14; 2.2), sua justiça (Ml 2.17); e seu caráter (Ml 3.13-15). Esta visão deficiente produziu uma atitude arrogante e fez com que as funções do Templo fossem realizadas com enfado, o que afrontava a Deus (Ml 1.7 - 10; 3.14). O dízimo não era dado de todo o coração e as ofertas eram compostas de animais doentes e sem valor. Isso ofenderia até o governador, se chegasse a receber um presente assim - ver Malaquias capítulo 1 versículo 8 Como conseqüência disto o Senhor atiraria “esterco” ou “lixo” sobre os rostos dos sacerdotes, e amaldiçoaria também as sementes plantadas. Toda essa situação requeria um Elias para restaurar a paz familiar e evitar outra destruição do Senhor (Ml 4.5). Não poderíamos deixar de falar sobre o dízimo. Ficou caracterizado que um dos pecados mais persistentes de Israel foi justamente o de roubar os dízimos e ofertas pertencentes ao Senhor. Muitos reis ao serem atacados entregavam os tesouros do Templo na alternativa de apaziguar o inimigo; todavia, em alguns casos era motivo de outros ataques, pois o inimigo descobriu este ponto fraco (2Rs 18.14 -16). Diante da sonegação dos dízimos, o Senhor lembra-lhes que estavam, na realidade, roubando a si próprios, pois o resultado de tal atitude era o fracasso das colheitas. E, além disso, corria o r isco de ficarem com a mente cauterizada pela prática deste pecado (Ml 2.17; 3.15; 3.8-10). 140 Características Especiais Cinco aspectos básicos caracter izam o livro de Malaquias: De modo simples, direto e vigoroso, retrata vividamente o debate entre Deus e seu povo. O debate é levado a efeito na primeira pessoa do singular. Dá destaque ao método de perguntas e respostas na apresentação da palavra profética com nada menos que vinte e três perguntas trocadas entr e Deus e o povo. Sugere-se que o método adotado por Malaquias pode ter-se originado quando o profeta apresentou, pela primeira vez, sua mensagem nas ruas de Jerusalém ou nos átrios do templo. Malaquias, o último dos profetas do Antigo Testamento, é seguido por 400 anos de silêncio profético. A longa ausência profética terminaria no surgimento de João Batista. Foi este o previsto por Malaquias como o antecessor do Messias (Ml 3.1). A expressão “o Senhor dos Exércitos” ocorre vinte vezes neste breve livro. Destaca-se que a profecia final (que encerra a mensagem profética do Antigo Testamento) prediz que Deus enviaria alguém como Elias para restaurar os pais piedosos em Sião, contrariamente às tendências sociais predominantes que levaram a desintegração da família (Ml 4.5,6). 141 O Livro de Malaquias ante o Novo Testamento Três trechos específicos de Malaquias são citados no Novo Testamento. 1 o As frases “amei a Jacó” e “aborreci a Esaú” (Ml 1.2,3) são registradas por Paulo em suas considerações sobre a eleição (Rm 9.13). 2 o A profecia de Malaquias a respeito do “meu anjo, que preparará o caminho diante de mim” (Ml 3.1; cf. Is 40.3) é citada por Jesus como referência a João Batista e seu ministér io (Mt 11.7-15). 3 o Semelhantemente, Jesus entendia que a profecia de Malaquias a respeito do envio do “profeta Elias”, antes do “dia grande e terrível do Senhor” (Ml 4.5) , aplicava-se a João Batista (Mt 11.14; 17.10- 13; Mc 9.11-13). Além destas três claras referências a Malaquias no Novo Testamento, a condenação que o profeta faz dodivórcio injusto (Ml 2.14-16), antevê o ensino do Novo Testamento sobre o tema (Mt 5.31,32; 19.3 -10; Mc 10.2- 12; Rm 7.1-3; ICo 7.10-16,39). A profecia de Malaquias a respeito do aparecimento do Messias (Ml 3.1 -6; 4.1-3) abrange tanto a primeira quanto à segunda vinda de Cristo. Observação A palavra final do últ imo profeta do Antigo Testamento é maldição, sendo que a primeira palavra do Messias, profer ida no monte foi “bem-aventurado” (Mt 5.3), e a última palavra do Novo Testamento é “graça” (Ap 22.21). O livro de Gênesis mostra como a maldição entrou na raça humana. Malaquias diz que a maldição ainda ameaça, e Mateus inicia o Novo Testamento dizendo que Jesus se fez maldição por nós; 142 a fim de podermos através do seu sacrifício ter a bên ção tão desejada através da fé em seu nome. ■ Somente através do Messias, Israel poderá ser salvo, e escapar da maldição. ■ A Cristologia é muito notável (Ml 1.14; 3.1; 4.2). ■ O Senhor declara ser um “Grande Rei” ■ O Senhor declara ser o “Anjo da Aliança”. ■ O Senhor declara ser o “Sol da Justiça”. Este Sol tem duplo poder: queima o perverso e ímpio e purifica a nação (os justos). Foi com esta mensagem que ocorreu o per íodo chamado “Intertestamentário”, para testar a fé na palavra profética dada pela lei e os profetas. Questionário ■ Assinale com “X” as alternativas corretas 6. O tema do livro de Malaquias é a) O Dia do Senhor b) A conclusão do Templo e as promessas messiânicas c) Acusações de Deus contra o Judaísmo Pós- Exílico d) Viver pela fé 7. Quanto ao apelo profético de Malaquias aos sacerdotes e ao povo, é incerto afirmar que a) Deveriam se arrependerem de seus pecados e da hipocr isia religiosa b) Deveriam removerem a desobediência que bloqueava o fluxo do favor e bênção de Deus c) Deveriam voltarem ao Senhor e ao seu concerto com corações sinceros e obedientes d) Deveriam reconstruírem o Templo o mais rápido possível 143 8. Quanto às característ icas do livro de Malaquias é incerto afirmar que a) De modo simples, direto e vigoroso, retrata vividamente o debate entre Deus e seu povo b) Predisse que ninguém mais fosse o antecessor do Messias c) Dá destaque ao método de perguntas e respostas na apresentação da palavra profética d) É o últ imo dos profetas do Antigo Testamento. É seguido por 400 anos de silêncio profético * Marque “C” para Certo e “E” para Errado 9.1 Além de Malaquias, há no livro outros três mensageiros: o sacerdote, o precursor e o anjo do concerto 10.0 A palavra final do último profeta do Antigo Testamento é maldição, sendo que a primeira palavr a do Messias, proferida no monte foi “bem- aventurado” 144 Profetas Menores Referências Bibliográficas STAMPS, Donald C.; Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXL 3 a Ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999. Concordância Bíblica. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1975. GILMER, Thomas L. Concordância Bíblica Exaustiva. São Paulo: Editora Vida, 1999. BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Pindamonhangaba: IBAD. DOUGLAS, J. D.; O Novo Dicionário da Bíblia. 2 a Ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2001. ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 6 a Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998. CHAMPLIN, R. 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