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ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO – UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO 
PROFESSOR UBIRATAN – TEORIA GERAL DO PROCESSO (2016.2) I GQ 
 
MODOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 
 
■ Conceituação 
 
Conflito: há porque uma pessoa 
 
a) Ou deixa de satisfazer pretensão de outra, quando poderia 
voluntariamente antedê-la (ex: reparar dano causado). 
 
b) Ou está proibida de satisfazê-la, mesmo a querendo espontaneamente 
(ex: punição penal). 
 
c) Ou se insurge contra a aplicação do direito pretendido por seu 
adversário (quer seja aplicado outro: legítima defesa ao invés de 
homicídio, por exemplo). 
 
■ Especificação 
 
 
 
Apreensão conceitual: solução resultante de poder decisório, exercido pelos 
próprios sujeitos, individual ou coletivamente, em conflito. 
 
Características: parcialidade da solução. O conflito é resolvido pelas próprias 
partes, seja individual ou coletivamente. 
 
Espécies: 
AUTOTUTELA OU AUTODEFESA 
 
Apreensão conceitual: solução decisória imposta por apenas um dos sujeitos 
do embate. Em outras palavras, a pessoa tutela a si próprio. Trata-se da 
exceção, e não da regra: se assim não fosse, equivaleria a legitimar a justiça 
com as próprias mãos. Só pode ser aplicado se estiver previsto no 
ordenamento jurídico. 
 
- Autodefesa: óbice (evitamento) à agressão. 
- Autotutela: revide à agressão. 
 
Justificativas: 
1. Impossibilidade da presença do Estado-juiz sempre que um direito esteja 
sendo violado ou na iminência de sê-lo. 
2. Ausência de confiança no altruísmo ensejador de possível 
autocomposição. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Exemplificação: 
 
• Direito Administrativo: auto-executoriedade dos atos administrativos. 
 
A auto-executoriedade consistirá na possibilidade de que certos atos 
administrativos ensejem imediatamente a direta execução pela Administração, 
sem necessitar contar com ordem judicial, pois tal execução é vista como 
legítima. Em outras palavras, o Poder Público poderá coagir o administrado, 
materialmente, ao cumprimento daquela obrigação, através de meios próprios. 
O Estado não pode, porém, auto-executar uma cobrança de tributo, por 
exemplo, pois isso precisa ser feito judicialmente. 
 
• Direito Civil 
 
a) Desforço possessório imediato (art. 1210, § 1º do CC). 
 
Caso em que uma pessoa é ameaçada de ser desapossada. Para cessar a 
ameaça, há a ação de manutenção de posse. O esbulhado, já desapossado, 
entra com uma ação de reintegração de posse. 
 
§ 1º : “O possuidor turbado (ameaçado), ou esbulhado (desapossado), poderá 
manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo”. Os 
atos de defesa ou de desforço não podem, dessa forma, ir além do 
indispensável à manutenção ou à restituição de posse. 
 
b) Corte de raízes e ramos limítrofes ultrapassadores da extrema do prédio 
(art. 1283 do CC). 
 
Dispõe tal artigo que, as raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a 
extrema (divisão) do prédio, poderão ser cortados, até o plano vertical divisório, 
pelo proprietário do terreno invadido, sem autorização necessária para tal. 
 
c) Direito de retenção (art. 578, 644, 1219 e 1433, II, do CC). 
 
O direito de retenção tem a função de garantia, que se exercita através de uma 
autodefesa: o devedor, ao mesmo temo credor por uma relação creditória 
inerente à prestação que está obrigado a realizar, retém a coisa, até que lhe 
seja efetuado o pagamento da que, a seu turno, lhe é devida pela outra parte 
contratante. 
 
Exemplo: Maria mora em um imóvel alugado e, certo dia, uma forte tempestado 
levou boa parte do telhado. Ela, assim, procura o locador e ele diz que “Isso é 
problema seu, Maria! Eu não vou pagar nada”. Maria, assim, poderá fazer o 
serviço e, quando fosse a hora de restituir o imóvel, no término da locação, ela 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
se reteria do imóvel pelos dias correspondentes a despesa que não lhe foi 
ressarcida. Também poderia ocorrer a hipótese de o locador propor que Maria 
fizesse o serviço e tais despesas seriam descontadas do preço do aluguel. 
 
Obs: O direito de retenção só serve para as benfeitorias necessárias. 
 
Art. 578. Salvo disposição em contrário, o locatário goza do direito de retenção, no caso de benfeitorias 
necessárias, ou no de benfeitorias úteis, se estas houverem sido feitas com expresso consentimento do 
locador. 
 
Art. 644. O depositário poderá reter o depósito até que se lhe pague a retribuição devida, o líquido valor 
das despesas, ou dos prejuízos a que se refere o artigo anterior, provando imediatamente esses prejuízos 
ou essas despesas. 
 
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem 
como, quanto às 
voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá 
exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. 
 
Art. 1.433. O credor pignoratício tem direito: 
II - à retenção dela, até que o indenizem das despesas devidamente justificadas, que tiver feito, não 
sendo ocasionadas por culpa sua; 
 
d) Penhor legal (art. 1467 do CC). 
 
O penhor é uma espécie de garantia (bem móvel). Diferentemente da hipoteca 
que tem como garantia um bem imóvel. O penhor legal, por sua vez, são 
garantias instituidas por lei e independem da vontade das partes. 
 
Art. 1.467. São credores pignoratícios, independentemente de convenção: 
 
I - os hospedeiros, ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre as 
bagagens, móveis, jóias ou dinheiro que os seus consumidores ou fregueses 
tiverem consigo nas respectivas casas ou estabelecimentos, pelas despesas 
ou consumo que aí tiverem feito; 
 
Exemplo: Um homem aluga um quarto de uma pousada e, após passar um 
mês no estabelecimento, na hora de pagar, ele afirma que não tem dinheiro. A 
pousada pode retirar do homem alguns bens equivalentes ao valor que ele não 
pôde pagar. 
 
II - o dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis que o rendeiro ou 
inquilino tiver guarnecendo o mesmo prédio, pelos aluguéis ou rendas. 
 
e) Legítima defesa e estado de necessidade (arts. 188, I e II, 929 e 930 do 
CC). 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
• Direito Internacional: agressão bélica, ocupação, invasão, intervenção 
(inclusive econômica) e julgamento de inimigos por tribunais de 
adversários); 
 
• Direito Penal: legítima defesa e estado de necessidade (arts. 23 a 25 do 
CP); 
 
Depois que tais atos acontecerem, precisam ser submetidos ao privo do 
Judiciário para ser visto se houve ou não excesso. Caso exista, responderá 
o responsável. São atos típicos, mas não antijurídicos. 
 
• Direito Processual Penal: prisão em flagrante (arts. 5º, LXI da CF e 301 
do CPP); 
 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de 
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei. 
 
Se em flagrante delito, qualquer pessoa que surpreenda a prática criminosa 
pode prender quem está cometendo. A atividade de quem prende se limita 
em imobilizar, prender, chamar duas testemunhas e entregar o criminoso 
para uma autoridade policial competente. 
 
• Direito Trabalhista: “lock-out” (art. 722 da CLT) e greve (Lei nº 7.783/89). 
 
A greve é uma forma de solucionar conflitos. Fala-se aqui da greve que que 
não chega aos tribunais pois, aqui, os conflitos são resolvidos antes disso, 
ou seja, uma das partes impõe uma solução. As greves que chegam aos 
tribunais fazem parte do grupo heterônomo de solução de conflitos. 
 
Nada impede que haja casos de greve que comecem em autotutela e 
terminem em autocomposição, pois as parteschegam a entrar em um 
acordo. 
 
A evidente diferença entre a greve e o lock-out, é que este, diante da atitude 
do empregador, atinge todos funcionários da empresa, pois trata-se de uma 
ato de “fechar as portas” da empresa não permitindo que nenhum 
funcionário adentre, independente da classe, função e hierarquia. Não 
deixa de ser um ato de defesa do empregador. Faz com que os 
empregados não trabalhem acarretando em prejuízo financeiro ao final do 
mês, pois o empregador, de costume, desconta os dias paralisados (não 
trabalhados pelos empregados) diante de seu ato unilateral. 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Por tal circunstância é que nossa legislação não regulamenta o lock-out, ou 
seja, não trata-se de um direito, entretanto, diante da liberdade de atos que 
todos temos garantidos constitucionalmente, existe de modo indireto a 
liberdade de assim proceder, desde que devidamente explicada a 
necessidade. 
 
Em tal ponto surge a principal diferença em relação à greve, já que essa se 
inicia (para ser tida como legal) mediante edital de convocação ou em ata 
de reunião da assembléia sindical, dando plena liberdade a quem quiser 
aderir. Ou seja, enquanto no primeiro todos os funcionários são atingidos, 
no segundo, somente àqueles que quiserem aderir, sendo livre. 
 
O que vem acontecendo é que trabalhadores querem validar suas greves 
por meio do argumento indireto de lock-out. Vejamos: os trabalhadores 
fazem protestos, digamos abusivos, ocorrendo com que o trabalhador tenha 
que fechar as portas para se defender diante da ameaça de depredação do 
patrimônio. De tal modo, o ato de defesa do fechamento das portas não é 
tido como lock-out, pois originou de ilegalidade dos empregados e não 
patronal, ou seja, não foi um ato unilateral, ressalvando entendimentos 
diversos. 
 
Outrora, algum empregadores também agem de maneira inversa, após 
deflagração da greve, argumentam na necessidade de fechamento da 
portas sem contudo comprovar a real necessidade, operando assim o 
verdadeiro lock-out, atingindo todos os empregados da empresa, mesmo 
aqueles não optantes pela greve. 
 
Assim, finalizando o assunto, tecemos e chegamos à conclusão que o lock-
out é um ato unilateral do empregador que consiste no fechamento de suas 
portas não permitindo a entrada de nenhum funcionário, causando assim 
prejuízos aos trabalhadores e, por tal motivo, nossa legislação não aceita e 
a declara como ilegal obrigando o empregador a arcar com os ônus de sua 
unilateral paralisação que afeta terceiros. Já a greve é ato de vontade, 
garantido constitucionalmente, com o fito de resguardar eventuais direitos 
dos empregadores, como melhoria salarial, de condições de laboro, 
horários e etc. 
 
Observação crítica de ALVIM, J. E. Carreira: “Esta forma de resolução 
dos conflitos é altamente perniciosa, a uma, porque não satisfaz os ideais 
de justiça, visto que o mais forte logrará sempre satisfação do próprio 
interesse, e, a outra, porque, envolvendo inicialmente dois contendores, 
pode transformar o conflito numa verdadeira guerra”. 
 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
AUTOCOMPOSIÇÃO 
 
 
Apreensão conceitual: solução consensual obtida por decisão a que 
chegam os próprios sujeitos do embate. 
 
A autocomposição não é permitida em todas as situações, como por exemplo 
nos crimes de ação pública, como o homicídio etc; é permitida, porém, em 
situações como pagamento de dívida. 
 
A autocomposição é um método de resolução de conflitos entre pessoas e 
consiste em: um dos indivíduos, ou ambos, abrem mão do seu interesse por 
inteiro ou de parte dele. Portanto, pode-se afirmar que é um ajuste de 
vontades entre as partes, podendo haver a participação de terceiros 
(conciliador ou mediador), podendo participar até mesmo um juiz, mas não é 
ele quem decide. A autocomposição pode ocorrer de três formas: 
 
 DESISTÊNCIA: consiste em dar inicio 
á proteção do Direito lesado ou 
ameaçado de lesão, e desistir de 
protegê-lo (renúncia à pretensão). 
 SUBMISSÃO: consiste na aceitação de resolução de conflito 
oferecido pela parte contraria. (renúncia à resistência oferecida à 
pretensão) 
 TRANSAÇÃO: consiste na troca equilibrada e recíprocas entre as 
partes. (concessões recíprocas) 
 
Justificativas: 
 - Altruismo, virtude humana, de um ou de ambos os sujetos do conflito. 
 - Crença de que a solução das partes pode ser melhor que a de terceiro. 
 
No mais, a autocomposição, NO GERAL, tem como: 
■ Pressuposto de admissibilidade: apenas conflitos que versem sobre direitos 
disponíveis, salvo na hipótese de transação adesiva, que admite certos direitos 
indisponíveis. 
■ Classificação possível: 
• Quanto a quem, não sendo parte, pode concorrer para sua realização: 
a) Conciliador 
b) Mediador 
c) Ministério Público, quando atua no processo como fiscal da lei (custos legis) 
• Quanto ao local da sua ocorrência: 
a) Endoprocessual: no curso do proocesso judicial. 
b) Extraprocessual: fora do processo judicial. 
 
■ EXTRAJUDICIAL = PRÉ-PROCESSUAL 
= PREVENTIVA 
■ JUDICIAL = PROCESSUAL = 
ENDOPROCESSUAL = INCIDENTAL 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Tipologia: 
 
CONCILIAÇÃO (apenas em conflitos não penais): É um meio 
alternativo de resolução de conflitos em que as partes confiam a uma terceira 
pessoa (neutra), o conciliador, a função de aproximá-las e orientá-las na 
construção de um acordo. Em outras palavras, é a possibilidade de realização 
de acordo entre as partes antes do início de ação judicial ou durante o 
andamento de um processo. 
 
O conciliador procura obter uma transação/acordo entre as partes (mutuas 
concessões), ou a submissão de um à pretensão do outro (no processo civil 
pelo “reconhecimento do pedido”), ou a desistência da pretensão (renúncia). 
Nas conciliações endoprocessuais, pode-se chegar à mera “desistência da 
ação”, ou seja, a revogação da demanda inicial para que o processo se extinga 
sem que o conflito receba solução alguma. Todos serão vistos lá na frente. 
 
Conforme o momento em que for feito o acordo, a conciliação pode se dar na 
forma processual (endoprocessual), quando a lide já está instaurada, ou pré-
processual (extraprocessual), também denominada informal, quando os 
conflitos ainda não foram jurisdicionalizados. 
 
■ Conciliação Judicial: A conciliação é judicial quando se dá em conflitos 
já ajuizados, nos quais atua como conciliador o próprio juiz do processo ou 
conciliador treinado e nomeado. Aqui, o procedimento é iniciado pelo 
magistrado ou por requerimento da parte, com a designação de audiência e 
a intimação das partes para o comparecimento. Em outras palavras, ocorre 
dentro do processo judicial, é um procedimento próprio da jurisdição, ou 
seja, a conciliar é uma atividade jurisdicional e legalmente instituída. 
 
Promover a conciliação é um dever legal do Juiz, todavia os juízes não 
foram e em geral, não são capacitados, a empregar os necessários e 
adequados para a realização da conciliação; ao contrário, são capacitados 
essencialmente para julgar. 
 
■ Conciliação Extrajudicial: Na conciliação pré-processual, a parte 
comparece à unidade do Poder Judiciário apta a atendê-la – no, caso, as 
unidades de conciliação já instaladas ou os Juizados Especiais –, que 
marca uma sessão na qual a outra parte é convidada a comparecer. Na 
efetivação do acordo, o termo da audiência se transforma em título judicial. 
Assim, ocorrendo a conciliação propriamente dita, ou seja, o entendimento 
para a solução da controvérsia, e se desejarem uma maior segurança 
quanto ao foi acordado, as partes podem solicitar ao judiciário a 
homologação por sentença do mesmo. Na falta de acordo, é dado o 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDOUNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
encaminhamento para o ingresso em juízo pelas vias normais, ou seja, se 
não houver êxito, as partes podem encaminhar ao Poder Judiciário, 
instituindo a conciliação endoprocessual. *Duvida se é pode ou deve. 
 
Em outras palavras, ocorre quando as partes, antes da instauração do 
processo, visam por fim ao litígio existente de forma a não precisarem 
solicitar a intervenção estatal por meio da jurisdição. “Esse procedimento 
se constitui em um método de prevenção de litígios e funciona como opção 
alternativa ao ingresso na via judicial, objetivando evitar o alargamento do 
número de demandas nos foros e a abreviação de tempo na solução das 
pendências, sendo acessível a qualquer interessado em um sistema 
simples ao alcance de todos”. 
 
A conciliação, no geral, pode ser feita: 
 
► Pelo próprio Juiz Estadual ou Federal (art. 139, V do CPC) e do 
Trabalho (arts. 846 e 850 da CLT). 1 
 
a) Atualmente 
b) Enquanto inexistirem os conciliadores 
c) Mesmo após a utilização ineficaz de outros métodos de solução consensual 
(art. 359 do CPC). 
 
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente 
do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a 
mediação e a arbitragem. 
 
Como ocorre: 
 
→ Na Justiça Tradicional: Juiz de Direito da comarca e o Juiz Federal. O 
CPC impõe que a primeira audiência em que as partes ficarem frente a frente 
será uma audiência de conciliação mas, ao invés de ser na presença de um 
conciliador, será na presença do próprio juiz. Se essa audiência de conciliação 
é eficaz, o juiz dita os termos, lê para as partes, as partes e os advogados 
 
1 Minha dúvida: o juiz só poderá mediar nos casos de conciliação processual? 
 
(CPC)Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: 
V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais; 
 
(CLT)Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação. 
(CLT)Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) 
minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, 
será proferida a decisão. 
 
(CPC)Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros 
métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
assinam e o juiz extingue o processo. Consequentemente que nesse caso JÁ 
HÁ PROCESSO, ou seja, é endoprocessual. Quando a tentativa é frustrada, o 
juiz suspende a audiência e adia obrigatoriamente para outra data, para que 
ela continue como audiência de instrução, pois ele vai colher as provas orais e 
dar continuidade ao processo. 
 
O Código de Processo Civil atribui ao juiz o dever de “tentar, a 
qualquer tempo, conciliar as partes” (art. 125, IV) e, em seu 
procedimento ordinário, inclui-se uma audiência preliminar (ou 
audiência de conciliação) na qual o juiz, tratando-se de causas 
versando direitos disponíveis*, deverá tentar a solução 
conciliatória antes de definir os pontos controvertidos a serem 
provados (embora, na prática, os juízos cíveis denotem forte 
impulso a não se empenhar em conciliação alguma). (CINTRA, 
GRINOVER, DINAMARCO, 2014, p.49). 
 
Nos Juizados Especiais Estaduais e Federais, nas conciliações 
extraprocessuais, as partes se encontram com o conciliador antes do réu se 
defender. Só haverá resposta do réu (defesa) se a tentativa de negociação for 
ineficaz. Sendo ineficaz, o réu apresenta a sua contestação e o processo vai 
continuar perante a pessoa do juiz de Direito na Justiça Tradicional, ou seja, 
passa a ser endoprocessual. Nesse último caso, a conciliação pode ocorrer 
logo depois que a contestação (peça que comporta toda a defesa do réu) é 
apresentada, e quem funciona como conciliador é o Juiz de Direito. O juiz, aqui, 
pergunta se é possível uma conciliação e deixa as partes negociarem perante 
sua presença. Nos casos da Justiça do Trabalho, há duas oportunidades de 
conciliação (antes e depois de colher a prova), como se verá adiante. 
 
OBS: Nos Juizados Especiais, a conciliação é um dos seus fundamentos. 
Todas as causas iniciam pela conciliação (Lei 9.099/95). 
 
Quando a demanda é proposta no juizado, a primeira vez em que as partes se 
encontram no fórum é diante do conciliador e não diante do juiz. Trata-se dos 
casos extraprocessuais, ainda. O conciliador vai propor a solução pactuada do 
conflito: se for eficaz, o conciliador elabora um termo de conciliação a partir do 
que foi pactuado (“reduzir a termo as palavras”) e leva para o juiz homologar; 
se ineficaz, o processo vai prosseguir com a escuta das testemunhas, com a 
audiência de instrução etc. 
 
→ Na Justiça do Trabalho: Nesse caso, também é o o juiz (do trabalho) que 
propõe ao empregado e ao empregador a conciliação. Se essa ocorrer, 
encerra-se o processo; se não, o processo prossegue. Nesse processo laboral 
(processo que segue as leis trabalhistas), porém, há uma peculiaridade que o 
difere do item anterior: o juiz propõe obrigatoriamente a conciliação duas 
vezes, sob pena de nulidade. A primeira tentativa é de conciliação é no mesmo 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
momento que acontece o processo civil (antes da produção probatória) e parte 
do juiz; a segunda tentativa é depois da coleta das provas orais, quando o juiz 
faz novamente a pergunta para que havesse a possibilidade de acordo. 
 
► Por Comissão de Conciliação Prévia ao juízo laboral (Lei 9.958/2000). 
 
A criação das Comissões de Conciliação Prévia, assim como dos juizados 
especiais de pequenas causas trabalhistas, é uma reivindicação antiga da 
doutrina, com o objetivo de desafogar a Justiça do Trabalho do excessivo 
número de processos e descentralizar o sistema de composição dos conflitos. 
A Comissão de Conciliação Prévia - CCP é um espaço de negociação e 
solução de conflitos trabalhistas entre empresas e trabalhadores, antes de se 
ingressar na Justiça do Trabalho com reclamação trabalhista. Pode-se dizer 
que é um “organismo de conciliação extrajudicial, de composição paritária, no 
âmbito das empresas ou grupo de empresas e no âmbito dos sindicatos, não 
possuindo qualquer relação administrativa ou jurisdicional com o Ministério do 
Trabalho e Emprego ou com a Justiça do Trabalho e não estando subordinados 
a qualquer registro ou reconhecimento de órgãos públicos”. 
 
Em síntese, pode-se concluir que a CCP é um instituto privado e facultativo, 
onde se busca a conciliação de empregado e empregador sem a interferência 
do poder estatal, podendo ser constituída no âmbito sindical ou no âmbito das 
empresas. Conciliado as partes, privilegiou a autonomia da vontade destas, 
impossibilitando, assim, que um terceiro proferisse uma decisão para o conflito. 
 
Aceita a conciliação, será lavrado termo assinado pelo empregado, pelo 
empregador ou seu preposto e pelos membros da Comissão, fornecendo-se 
cópias às partes. O termo de acordo na Comissão de Conciliação Prévia é 
título executivo extrajudicial, cuja competência para apreciá-lo é da Justiça do 
Trabalho. Feita a conciliação na CCP, o título tem eficácia liberatória geral em 
relação aos direitos trabalhistas, exceto quanto às parcelas expressamente 
ressalvadas. 
 
OBS: Demanda trabalhista será submetida à comissão (obrigatoriedade): 
Qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à Comissão de 
Conciliação Prévia se, na localidade da prestação de serviços, houver sido 
instituída a Comissão no âmbitoda empresa ou do sindicato da categoria, 
consoante o disposto no art. 625-D da CLT. 
 
Exemplo prático: Termina-se um contrato de trabalho havendo a sua 
homologação no ministério do trabalho. Depois de homologado, o ex-
empregado percebe que faltou uma verba ou mais de uma verba trabalhista. 
Ele procura a empresa, então, que alega que não se pode fazer mais nada, 
visto que já foi homologado. O ex-empregador contesta, dizendo que vai abrir 
uma demanda trabalhista. A lei prevê, assim, uma Comissão paritária formada 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
por representantes da categoria econômica do empregador da própria empresa 
e representantes do empresariado para estimular a conciliação. Se essa 
atividade der frutos, elabora-se a conciliação, os litigantes e todos os membros 
da comissão assinam, evitando, assim, que o processo chegue à justiça do 
trabalho. 
Como se trata de uma lei muito recente, não se sabe se ela vai dar muitos 
frutos por ser uma questão de costume/prática cultural ingressar diretamente 
no judiciário. No ABC Paulista, por exemplo, há um maior exo da comissão 
prévia de conciliação, visto a grande militância sindical presente. 
 
► Por Conciliador 
 
a) Conciliador do Juizado Especial Estadual (arts. 21-26 da Lei 9.099/1995) e 
do Juizado Especial Federal (arts. 1 e 12 da Lei 10.259/2001); 
b) Conciliador em Juízo de Direito e em Juízo Federal (art. 165, §2º do CPC): 
designado entre os incritos no correspodente cadastro oficial para tanto (art. 
168, §2º do CPC), se as partes não elegerem, escolha essa que pode até 
recair entre não cadastrados (art. 168, §1º do CPC). 
 
O conciliador é um servidor do quadro do judiciário, ou uma pessoa 
credenciada pelo judiciário para esse papel. 
 
 
 
LEI 9.099/1995 
Da Conciliação e do Juízo Arbitral 
 
Art. 21. Aberta a sessão, o Juiz togado ou leigo esclarecerá as 
partes presentes sobre as vantagens da conciliação, 
mostrando-lhes os riscos e as conseqüências do litígio, 
especialmente quanto ao disposto no § 3º do art. 3º desta Lei. 
Art. 22. A conciliação será conduzida pelo Juiz togado ou leigo 
ou por conciliador sob sua orientação. 
Parágrafo único. Obtida a conciliação, esta será reduzida a 
escrito e homologada pelo Juiz togado, mediante sentença 
com eficácia de título executivo. 
Art. 23. Não comparecendo o demandado, o Juiz togado 
proferirá sentença. 
Art. 24. Não obtida a conciliação, as partes poderão optar, de 
comum acordo, pelo juízo arbitral, na forma prevista nesta Lei. 
§ 1º O juízo arbitral considerar-se-á instaurado, 
independentemente de termo de compromisso, com a escolha 
do árbitro pelas partes. Se este não estiver presente, o Juiz 
convocá-lo-á e designará, de imediato, a data para a 
audiência de instrução. 
§ 2º O árbitro será escolhido dentre os juízes leigos. 
Art. 25. O árbitro conduzirá o processo com os mesmos 
critérios do Juiz, na forma dos arts. 5º e 6º desta Lei, podendo 
decidir por eqüidade. 
Art. 26. Ao término da instrução, ou nos cinco dias 
subseqüentes, o árbitro apresentará o laudo ao Juiz togado 
para homologação por sentença irrecorrível. 
 
LEI 10.259/2001 
Dispõe sobre a instituição dos Juizados Especiais Cíveis 
e Criminais no âmbito da Justiça Federal. 
 
Art. 3o Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, 
conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal 
até o valor de sessenta salários mínimos, bem como executar 
as suas sentenças. 
Art. 12. Para efetuar o exame técnico necessário à conciliação 
ou ao julgamento da causa, o Juiz nomeará pessoa habilitada, 
que apresentará o laudo até cinco dias antes da audiência, 
independentemente de intimação das partes. 
 
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 
Dos conciliadores e mediadores judiciais 
 
Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução 
consensual de conflitos, responsáveis pela realização de 
sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo 
desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar 
e estimular a autocomposição. 
§ 2o O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos 
em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá 
sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de 
qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as 
partes conciliem. 
Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras 
privadas de conciliação e mediação serão inscritos em 
cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de 
tribunal regional federal, que manterá registro de profissionais 
habilitados, com indicação de sua área profissional. 
Art. 168. As partes podem escolher, de comum acordo, o 
conciliador, o mediador ou a câmara privada de conciliação e 
de mediação. 
§ 1o O conciliador ou mediador escolhido pelas partes poderá 
ou não estar cadastrado no tribunal. 
§ 2o Inexistindo acordo quanto à escolha do mediador ou 
conciliador, haverá distribuição entre aqueles cadastrados no 
registro do tribunal, observada a respectiva formação. 
§ 3o Sempre que recomendável, haverá a designação de mais 
de um mediador ou conciliador. 
 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
► Por integrantes de Câmara Privada de Conciliação e Mediação, órgão 
colegiado: para a mesma situação prevista no ítem anterior “b” (art. 167 e 
parágrafo único do art. 175 do CPC). 
A Câmara Privada promoverá o contato entre as partes com o objetivo de 
auxiliá-las na busca por um acordo que, posteriormente, será homologado pelo 
Poder Judiciário. Poderão ser realizadas audiências pela internet, até mesmo 
por meio de plataformas móveis, como tablets smartphones. Trata-se de um 
serviço particular, com custos arcados pelas partes. 
 
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 
Dos conciliadores e mediadores judiciais 
 
Art. 175. As disposições desta Seção não excluem outras formas de conciliação e mediação extrajudiciais vinculadas a órgãos 
institucionais ou realizadas por intermédio de profissionais independentes, que poderão ser regulamentadas por lei específica. 
Parágrafo único. Os dispositivos desta Seção aplicam-se, no que couber, às câmaras privadas de conciliação e mediação. 
 
 
► Por membros de futura Câmara (não privada) de Mediação e 
Conciliação (art. 174 do CPC). 
 
Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de mediação e conciliação, com atribuições 
relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito administrativo, tais como: 
I - dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades da administração pública; 
II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de conciliação, no âmbito da administração pública; 
III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta. 
 
A Lei 13.140, que dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de 
solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da 
administração pública, prevê a criação facultativa, pela União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios, de câmaras que atuem para a resolução administrativa 
de conflitos entre os próprios órgãos e entidades da Administração Pública, e 
entre estes e particulares, decorrentes de contratos públicos e de eventual 
desequilíbrio econômico-financeiro (art. 32 e parágrafos). 
 
A autocomposição administrativa poderá compreender ferramentas inovadoras, 
como (i) a mediação coletiva de conflitos relacionados à prestação de serviços 
públicos (art. 33); (ii) a transação por adesão em controvérsias jurídicas 
pacificadas por jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais 
superiores (art. 35); (iii) a resolução de conflitos entre particulares perante as 
agências e órgãos reguladores de certas atividades (art. 43); (iv) a composição 
de controvérsias jurídico-tributárias perante a Receita Federaldo Brasil ou 
sobre a dívida ativa da União (art. 38). 
 
Todas essas iniciativas deverão ser detalhadas em regulamentos próprios (art. 
32) que sabemos poderão trazer disposições conflitantes com a própria Lei 
13.140. O conflito de normas irá exigir a intervenção do Judiciário, retirando da 
autocomposição administrativa a virtude de ser resolvida extrajudicialmente. 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Entre outras disposições da Lei 13.140, é digna de registro a que sabiamente 
criou imunidade civil, criminal e administrativa para os servidores ou 
empregados públicos que atuarem nas câmaras de autocomposição de 
conflitos. A imunidade garantida na Lei irá afastar o receio de 
responsabilização pessoal por decisões tomadas nessas câmaras — como se 
sabe que hoje lamentavelmente acontece —, exceto, obviamente, em casos de 
corrupção (art. 40). 
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
Por sua vez a conciliação, entendida como o objetivo do procedimento 
conciliatório, ou seja, a harmonização do conflito existente com a assistência 
de um conciliador, pode se realizar por meio dos seguintes institutos: 
a) Renúncia do autor ao direito sobre o que se funda a ação: É o ato 
renunciativo pelo qual o demandante reconhece não possuir o direito alegado. 
É uma forma de desistência da pretensão. 
b) Reconhecimento do réu quanto a procedência do pedido: É a conduta do 
demandado que reconhece a procedência do pedido que lhe foi dirigido. É uma 
forma de submissão de um à pretensão do outro. 
c) Transação: É o negócio jurídico pelo qual as partes litigantes põem fim(ou o 
previnem) ao conflito existente, relacionado a direitos patrimoniais de caráter 
privado, mediante concessões mútuas. Trata-se do acordo propriamente dito. 
Se verá adiante, em tópico próprio. 
É indiscutível que o principal meio pela qual a conciliação se realiza é a 
transação, ou seja, o acordo. Todavia não se deve confundir transação com 
conciliação, pois a primeira é espécie da segunda que é o gênero. É 
plenamente possível conciliar sem transacionar, basta que o autor renuncie ao 
direito em que se fundamenta ação ou o réu reconheça que o pedido é 
procedente. Todos esses se verá adiante. 
 
MEDIAÇÃO : Na mediação um terceiro, mediador, atua como facilitador 
da resolução do problema, contribuindo para o reestabelecimento ou 
manutenção da comunicação entre as partes, para que se possam chegar a 
solução da controvérsia que gerou o conflito. 
 
Art. 1º da Lei 13.140 (...) 
Parágrafo único. Considera-se mediação a atividade técnica exercida 
por terceiro imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito 
pelas partes, as auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções 
consensuais para a controvérsia. 
 
Qual é, então, a diferença entre a conciliação e a mediação? São institutos 
muito semelhantes. A diferença está apenas na técnica que é empregada. O 
CPC 2015, em seu art. 165, §§ 2º e 3º prevê as sutis diferenças entre eles: 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
CONCILIADOR 
 
• Tem uma participação mais ativa 
no processo de negociação. 
• Atua preferencialmente nos casos 
em que não houver vínculo anterior 
entre as partes. 
• Pode sugerir soluções para o 
litígio. 
 
 
 
 
 
 
MEDIADOR 
 
• Auxilia as partes a compreender 
as questões e os interesses em 
conflito, de modo que eles possam, 
pelo restabelecimento da 
comunicação, identificar, por si 
próprios, soluções consensuais que 
gerem benefícios mútuos. 
• Atua preferencialmente nos casos 
em que houver vínculo anterior 
entre as partes. 
• Não propõe soluções para os 
litigantes. 
 
Conciliação Mediação Arbitragem 
Forma de autocomposição do 
conflito. 
Forma de autocomposição do 
conflito. 
Forma de heterocomposição do 
conflito. 
O terceiro não decide o conflito. 
Ele facilita que as partes cheguem 
ao acordo. 
O terceiro não decide o conflito. 
Ele facilita que as partes cheguem 
ao acordo. 
O terceiro é quem decide o 
conflito. 
Atua preferencialmente nos casos 
em que não houver vínculo 
anterior entre as partes. 
Atua preferencialmente nos casos 
em que houver vínculo anterior 
entre as partes 
Atua tanto em um caso como no 
outro. 
Propõe soluções para os 
litigantes. 
Não propõe soluções para os 
litigantes. 
Decide o conflito. 
 
 
A Mediação é tratada pela Lei 13.140 de 26.06.2015, que expressa 
explicitamente quais os Direitos que podem ser seu objeto. Esses, 
consequentemente, são os mesmos da conciliação, bem como os demais 
aspectos. 
 
■ Admissibilidade: 
 
a) Direitos Disponíveis: são disponíveis por natureza, negociáveis e alienáveis. 
 
Podem ser objeto de arbitragem as questões referentes a direitos patrimoniais 
disponíveis. Tais direitos são aqueles referentes a patrimônio em que as 
partes podem usar, gozar e dispor, que podem transacionar livremente, de 
acordo com a vontade, pactuando entre si situações em conformidade com 
seus anseios. 
 
Alguns direitos patrimoniais podem ser indisponíveis. É o caso da pessoa 
titular de bens que, possuindo herdeiros necessários, não pode doar a 
totalidade deles. Também pode-se citar o bem que é recebido em doação 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
com cláusula de impenhorabilidade, de inalienabilidade ou de 
incomunicabilidade, pois tais situações não permitem que aquele que receba 
a doação possa dispor, transacionar o bem. Não é permitido pela lei a 
arbitragem sobre coisas extra commercium, como questões de estado e 
capacidade das pessoas. 
 
Existem outras situações que a lei define como indisponível o direito relativo a 
determinado bem, que embora integrando o patrimônio de uma pessoa, não 
pode ser objeto de transação entre as partes, impedindo que tal direito seja 
submetido ao instituto da arbitragem. 
 
Então, pode ser objeto de arbitragem todo e qualquer direito referente a um 
bem que, não existindo alguma restrição legal quanto a sua disposição por 
parte de seu titular, encontra-se livre e desembaraçado, pois somente são 
indisponíveis aqueles direitos que a legislação assim os define. 
 
b) Direitos Indisponíveis em sua essência, mas com possibilidade de transação 
em algum aspecto de seu exercício. 
 
 - Judicial: nas ações sobre direito de família mencionadas nos arts. 693-
695 do CPC, demandas em que “o Ministério Público somente intervirá quando 
houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação 
de acordo” (art. 698 do CPC). 
 
Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-se aos processos contenciosos de divórcio, 
separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação. 
Parágrafo único. A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de criança ou de 
adolescente observarão o procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no 
que couber, as disposições deste Capítulo. 
 
Art. 694. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução 
consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras 
áreas de conhecimento para a mediação e conciliação. 
Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo 
enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar. 
 
Art. 695. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à tutela 
provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e 
conciliação, observado o disposto no art. 694. 
[...] 
 
 - Não Judicial: em matéria de alimentos e salários, cujo consenso “deve 
ser homologado em juízo, exigida a oitiva do Ministério Público” (art. 3, §2º da 
Lei 13.140): lei específica.Art. 3o Pode ser objeto de mediação o conflito que verse sobre direitos disponíveis ou sobre direitos indisponíveis que 
admitam transação. 
§ 1o A mediação pode versar sobre todo o conflito ou parte dele. 
§ 2o O consenso das partes envolvendo direitos indisponíveis, mas transigíveis, deve ser homologado em juízo, exigida 
a oitiva do Ministério Público. 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Em outras palavras, se envolver direitos indisponíveis, o acordo celebrado 
entre as partes deve ser homologado em juízo, com parecer do MP. 
 
► Há direitos indisponíveis que admitem transação, sendo exemplo disso as 
questões de alimentos, guarda de filhos e outras causas de família, causas 
coletivas, demandas que envolvem entes públicos ◄ 
 
São inúmeras as hipóteses de autocomposição envolvendo interesse de ente 
público, não sendo temerário afirmar, por exemplo, que a maior parte dos 
conflitos fiscais se resolve por acordo de parcelamento firmado perante a 
repartição pública, longe das mesas de audiência do Poder Judiciário. A lei, 
inclusive, prevê expressamente a possibilidade de conciliação em demandas 
que dizem respeito aos entes federais. Em regra são situações em que a 
cobrança integral do valor é muito dispendiosa, se comparada com o seu 
possível resultado. A renúncia ou a transação acaba sendo de interesse 
público. Tem-se, então, que, mesmo quando se banaliza e generaliza a 
indisponibilidade do interesse público, para alcançar hipóteses que não a 
caracterizam, não fica vedada a transação, apenas que dependerá de 
homologação judicial. 
 
Mais especificamente, no âmbito do direito previdenciário, a própria Lei de 
Benefícios (Lei 8.213/1991) possui dispositivo que admite a prática de 
transação pelos procuradores que a representarem em juízo, consoante se 
extrai da redação do artigo 132 do referido diploma legal. 
 
Portanto, deve-se entender como ultrapassada a ótica de que nas causas que 
envolvam entes públicos federais, onde estão em apreço “direitos 
indisponíveis”, não se pode estabelecer conciliação, sobretudo se 
considerarmos que, muitas vezes, a prática conciliatória representa um respeito 
maior ao interesse público do que a manutenção da demanda judicial. 
 
■ Espécies de mediadores (exercitáveis também através de Câmara Privativa 
de Conciliação e Mediação (art. 167 e paragrafo único do art. 175 do CPC)). 
 
Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e mediação serão inscritos em 
cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal, que manterá registro de 
profissionais habilitados, com indicação de sua área profissional. 
 
Art. 175. As disposições desta Seção não excluem outras formas de conciliação e mediação extrajudiciais vinculadas a 
órgãos institucionais ou realizadas por intermédio de profissionais independentes, que poderão ser regulamentadas por 
lei específica. Parágrafo único. Os dispositivos desta Seção aplicam-se, no que couber, às câmaras privadas de 
conciliação e mediação. 
 
 
 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
a) Extrajudiciais: mediador livremente escolhido pelos interessados na 
solução do caso (art. 9 da Lei 13.140). 
 
Dos Mediadores Extrajudiciais 
 
Art. 9º Poderá funcionar como mediador extrajudicial qualquer pessoa capaz que tenha a confiança das partes e seja 
capacitada para fazer mediação, independentemente de integrar qualquer tipo de conselho, entidade de classe ou 
associação, ou nele inscrever-se. 
 
Art. 10. As partes poderão ser assistidas por advogados ou defensores públicos. 
Parágrafo único. Comparecendo uma das partes acompanhada de advogado ou defensor público, o mediador 
suspenderá o procedimento, até que todas estejam devidamente assistidas. 
 
• Mediação extrajudicial: ocorre quando as partes optam por tentar resolver o 
conflito por meio da mediação antes de ingressarem na via judicial. 
 
Poderá funcionar como mediador extrajudicial qualquer pessoa capaz que 
tenha a confiança das partes e seja capacitada para fazer mediação (art. 9º da 
Lei). Essa pessoa escolhida como mediador não precisa estar vinculada a 
qualquer tipo de conselho, entidade de classe ou associação de mediadores. 
Na mediação extrajudicial, assim, as partes é quem escolhem livremente o 
mediador. Para ser mediador extrajudicial, a pessoa não precisa ter feito algum 
curso. “Poderá funcionar como mediador extrajudicial qualquer pessoa capaz 
que tenha a confiança das partes e seja capacitada para fazer mediação”. 
 
Diante do surgimento de um conflito, a parte que deseja o acordo faz um 
convite à outra para que elas iniciem o procedimento de mediação extrajudicial. 
Esse convite poderá ser feito por qualquer meio de comunicação e deverá 
estipular o escopo (objetivo) proposto para a negociação, a data e o local da 
primeira reunião. 
 
A parte que recebe o convite poderá: 
a) Aceitar o início da mediação; 
b) Recusar expressamente a mediação; 
c) Não responder, o que significa que recusou o convite. Isso porque a Lei 
prevê que o convite será considerado rejeitado se não for respondido em até 
30 dias da data de seu recebimento (art. 21, parágrafo único). 
 
É possível que as partes prevejam no contrato que os litígios envolvendo 
aquele pacto serão resolvidos por meio de mediação. Assim, as partes se 
comprometem a tentar a mediação antes de buscarem o Poder Judiciário ou a 
arbitragem para decidir o conflito. A isso se dá o nome de “cláusula de 
mediação”. O ideal é que a cláusula de mediação prevista no contrato 
contenha no mínimo as seguintes informações: 
I - prazo mínimo e máximo para a realização da primeira reunião de mediação, 
contado a partir da data de recebimento do convite; 
II - local da primeira reunião de mediação; 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
III - critérios de escolha do mediador ou equipe de mediação; 
IV - penalidade em caso de não comparecimento da parte convidada à primeira 
reunião de mediação. 
 
Se havia cláusula de mediação e a parte recusou o convite, ela sofrerá alguma 
penalidade? 
A cláusula poderá prever uma penalidade em caso de não comparecimento da 
parte convidada à primeira reunião de mediação. 
Se a cláusula não trouxer a previsão dessa penalidade, mesmo assim a parte 
que não comparecer será punida tendo que pagar 50% das custas e honorários 
sucumbenciais caso venha a ser vencedora em procedimento arbitral ou 
judicial posterior, que envolva o escopo da mediação para a qual foi convidada 
(art. 22, § 2º, IV, da Lei). 
 
Prazo para iniciar a ação judicial ou procedimento arbitral: A cláusula de 
mediação poderá prever que as partes só poderão ajuizar ação ou iniciar 
procedimento arbitral para discutir o litígio após esperarem determinado tempo 
em busca da mediação. Ex: em um contrato firmado entre as empresas “A” e 
“B”, existe uma cláusula dizendo que as partes não poderão interpor ação 
judicial para discutir o contrato, salvo se tiverem tentado a mediação pelo prazo 
máximo de 6 meses. Se houver uma previsão nesse sentido e uma das partes 
não respeitá-la ajuizando a ação mesmo antes do prazo, o juiz deverá 
suspender o processo e aguardar o término do interregno estipulado. Isso está 
previsto expressamente na Lei n.° 13.140/2015: 
 
Art. 23. Se, em previsão contratual de cláusula de mediação, as partes se comprometerem a não iniciar procedimento 
arbitral ou processo judicial durante certo prazo ou até o implemento de determinada condição, o árbitro ou o juiz 
suspenderá o curso da arbitragem ou da ação pelo prazo previamente acordado ou até o implemento dessa condição. 
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às medidas de urgência em que o acesso ao Poder Judiciário seja 
necessário para evitar o perecimentode direito. 
 
Partes podem ser acompanhadas por advogado ou Defensor Público na 
mediação: As partes poderão ser assistidas por advogados ou Defensores 
Públicos na reunião da mediação. Se uma das partes comparecer 
acompanhada de advogado ou Defensor Público e a outra estiver sem 
assistência jurídica, o mediador suspenderá o procedimento até que todas 
estejam devidamente assistidas (art. 10, parágrafo único da Lei). Em outras 
palavras, ou as duas partes participam da reunião sem advogado ou Defensor 
Público ou ambas deverão estar assistidas. Não pode uma das partes estar 
acompanhada e a outra não. 
 
b) Judiciais: mediador designado entre os inscritos no correspondente 
cadastro oficial para tanto (art. 168, §º2 do CPC), se as partes não elegerem, 
escolha que pode até recair entre os não cadastrados (art. 168, §1º do CPC). 
 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Lei 13.140: Dos Mediadores Judiciais 
 
Art. 11. Poderá atuar como mediador judicial a pessoa capaz, graduada há pelo menos dois anos em curso de ensino 
superior de instituição reconhecida pelo Ministério da Educação e que tenha obtido capacitação em escola ou 
instituição de formação de mediadores, reconhecida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de 
Magistrados - ENFAM ou pelos tribunais, observados os requisitos mínimos estabelecidos pelo Conselho Nacional de 
Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça. 
 
Art. 12. Os tribunais criarão e manterão cadastros atualizados dos mediadores habilitados e autorizados a atuar em 
mediação judicial. 
§ 1o A inscrição no cadastro de mediadores judiciais será requerida pelo interessado ao tribunal com jurisdição na área 
em que pretenda exercer a mediação. 
§ 2o Os tribunais regulamentarão o processo de inscrição e desligamento de seus mediadores. 
 
Art. 13. A remuneração devida aos mediadores judiciais será fixada pelos tribunais e custeada pelas partes, observado 
o disposto no § 2o do art. 4o desta Lei. 
 
Explicando cada ponto desses artigos: 
 
• Mediação judicial: é a mediação que se dá após a ação já ter sido proposta, 
quando, então, as partes tentam um acordo facilitado pelo mediador. 
 
• Cadastro nacional e cadastros de cada Tribunal com nomes de mediadores: 
Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e 
mediação serão inscritos em cadastro nacional e em cadastros dos Tribunais 
de Justiça ou dos Tribunais Regionais Federais, que manterão registro de 
profissionais habilitados, com indicação de sua área profissional (art. 167 do 
CPC 2015). Em outras palavras, os TJs e TRFs terão nomes de conciliadores e 
mediadores em uma espécie de cadastro. 
 
Dados de cada conciliador ficarão disponíveis para a população: No cadastro 
do Tribunal constarão todos os dados relevantes para a atuação dos 
conciliadores e mediadores, tais como o número de processos de que 
participaram, o sucesso ou insucesso da atividade, a matéria sobre a qual 
versou a controvérsia, bem como outros dados que o tribunal julgar relevantes. 
Tais dados serão classificados sistematicamente pelo tribunal, que os 
publicará, ao menos anualmente, para conhecimento da população e para fins 
estatísticos e de avaliação da conciliação, da mediação, das câmaras privadas 
de conciliação e de mediação, dos conciliadores e dos mediadores. 
 
• Quais são os requisitos para ser mediador judicial? 
a)Ser civilmente capaz; 
b)Possuir graduação há pelo menos 2 anos em curso de ensino superior de instituição 
reconhecida pelo MEC; 
c)Ter feito curso de capacitação em escola ou instituição de formação de mediadores, 
reconhecida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados - 
ENFAM ou pelos Tribunais, observados os requisitos mínimos estabelecidos pelo CNJ 
em conjunto com o Ministério da Justiça. 
Cumpridos esses requisitos, o conciliador ou o mediador poderá requerer sua 
inscrição no cadastro nacional e no cadastro do TJ ou TRF. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
• PONTO POLÊMICO: As partes poderão escolher o mediador no caso de 
mediação judicial? 
 
→ Segundo o CPC 2015, SIM! 
Art. 168. As partes podem escolher, de comum acordo, o conciliador, o 
mediador ou a câmara privada de conciliação e de mediação. 
§ 1º O conciliador ou mediador escolhido pelas partes poderá ou não estar 
cadastrado no tribunal. 
* Não explicita o termo “mediador judicial”, abrangendo, portanto, tais 
condições ao mediador judicial e ao mediador extrajudicial. 
→ Segundo a Lei 13.140/2015, NÃO! 
Art. 25. Na mediação judicial, os mediadores não estarão sujeitos à prévia 
aceitação das partes, observado o disposto no art. 5º desta Lei. 
 
Pela redação dos dois dispositivos, percebe-se que o CPC 2015 permite que 
as partes escolham livremente o mediador judicial, dispensando até mesmo 
que ele esteja previamente cadastrado no Tribunal. A Lei da Mediação, ao 
contrário, na redação do seu art. 25, impõe o mediador judicial às partes, sendo 
este designado pelo Tribunal mediante distribuição. 
 
A doutrina deverá, portanto, resolver esse impasse. Particularmente, apesar de 
a regra do CPC 2015 ser melhor e mais consentânea com os princípios da 
mediação, penso que, tecnicamente, deve prevalecer a Lei n.° 13.140/2015 
considerando que se trata de lei específica em detrimento ao CPC (que é 
norma geral), além do fato de que o art. 25 da Lei n.° 13.140/2015 derrogou o § 
1º do art. 168 do CPC 2015 ainda durante a vacatio legis. Sobre este ponto, 
vale ressaltar que é perfeitamente possível que uma lei revogue outra que nem 
entrou em vigor, ou seja, que ainda está em vacatio legis. 
 
• Existe algum critério para a escolha dos mediadores que irão atuar nos 
processos judiciais? SIM. Será feita uma lista com os nomes dos 
conciliadores e mediadores que atuam naquela comarca/seção judiciária e, 
sempre que for necessário algum profissional, será selecionado um nome 
dessa lista, sendo que essa escolha deverá ser feita de forma alternada e 
aleatória, respeitado o princípio da igualdade dentro da mesma área de 
atuação profissional (§ 2º do art. 167 do CPC 2015). 
 
Essa parte final em cinza revela que a designação do mediador que irá atuar 
no processo deverá respeitar a área de atuação do profissional. Assim, por 
exemplo, em um processo que trate sobre disputa societário entre duas 
empresas, não irá ser designado um mediador que tenha atuação profissional 
em direito de família (psicólogo, assistente social etc.). Deverá ser escolhido 
um dos mediadores que atue na área de direito societário. 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
• Auxiliar da justiça: Se a mediação ocorre judicialmente, o mediador é 
considerado um auxiliar da justiça. 
 
• Em vez de cadastrar conciliadores e mediadores externos, o Tribunal 
poderá ter um corpo próprio desses profissionais? SIM. O Tribunal poderá 
optar pela criação de quadro próprio de conciliadores e mediadores, a ser 
preenchido por concurso público de provas e títulos (§ 6º do art. 167 do CPC 
2015). 
 
• O trabalho do mediador judicial é remunerado? REGRA: SIM. 
Se o conciliador ou mediador for servidor concursado do Tribunal (§ 6º do art. 
167 do CPC 2015), ele receberá remuneração mensal pelo exercício do cargo. 
Se o conciliador ou mediador for profissional externo, cadastrado no banco de 
dados do Tribunal: deverá receber por cada trabalho que realizar, com 
remuneração prevista em tabela fixada pelo Tribunal, conforme parâmetros 
estabelecidos pelo CNJ (art. 169 do CPC 2015). 
 
A remuneração devida aos mediadores judiciais será custeada pelas partes. 
Obs: deverá ser assegurada a gratuidade da mediação para os litigantes que 
forem economicamente necessitados (§ 2º do art. 4º da Lei). 
 
Obs: EXCEÇÃO: a mediação e a conciliação podem serrealizadas como 
trabalho voluntário, observada a legislação pertinente e a regulamentação do 
Tribunal (§ 1º do art. 169 do CPC 2015). 
 
■ Função do mediador: “conduzirá o procedimento de comunicação entre as 
partes, buscando o entendimento e o consenso e facilitando a resolução do 
conflito” (art. 4, §1º da Lei 13.140). 
 
■ Produto final exitoso: Acordo. 
 
AUTOCOMPOSIÇÃO POR MEIO DA ADVOCACIA 
PUBLICA (Lei nº 13.140 de 20.06.2015). 
 
■ Objeto: conflitos extrajudiciais entre sujeitos de: 
 • Direito público x Direito público: para dirimir os conflitos entre eles. 
São os casos entre qualquer Sujeito de Direito Público x União. A Agu entra 
para evitar que dois sujeitos de direito público briguem entre si. 
 • Direito público x Direito privado: para “avaliar a admissibilidade dos 
pedidos de resolução de conflitos, por meio de autocomposição” (art. 32, II), à 
luz da existência de autorização legal para tanto, em razão da indisponibilidade 
ôntica do direio conflituoso. 
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UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Para que a Agu entre para defender a União em tais casos, é preciso que a lei 
permita. 
 
■ Produtos finais: composição e termo de ajustamento de conduta. 
 
Atualmente, existe uma série de atos normativos que regulamentam a 
possibilidade de conciliação, e os seus limites, pelos membros da Advocacia 
Geral da União, superando-se a idéia de que os entes públicos não podem 
transigir (fazer um acordo) sobre os direitos em litígio. Com efeito, a AGU vem 
difundindo, cada vez mais, a prática conciliatória aos seus membros, 
recebendo amplo respaldo, também, do Poder Judiciário. 
 
A edição de súmulas pela AGU, com efeitos vinculantes aos seus membros, no 
sentido de estabelecer orientações sobre as demandas em que se deve desistir 
ou propor acordos, é um exemplo contundente da superação da concepção de 
uma advocacia de Estado (sobretudo no âmbito federal) preocupada em 
estender litígios e procrastinar o pagamento de condenações pecuniárias. 
 
Hodiernamente está consolidado no âmbito da AGU o entendimento de que a 
prática conciliatória, em diversos casos, é a solução mais adequada e menos 
dispendiosa à solução dos conflitos. Não há dúvidas de que a conciliação 
contribui para um encerramento mais célere da demanda, o que implica na 
redução da incidência de juros e correção monetária, sendo que a sua prática 
pelos advogados públicos federais tem servido também como importante 
instrumento de defesa econômica dos entes públicos. 
 
Em decorrência dessa nova postura institucional, tem sido possível a prática de 
conciliação em questões já consolidadas na esfera jurisprudencial, evitando-se 
assim o prolongamento desnecessário e dispendioso de demandas judiciais. 
 
REGRAS GERAIS SOBRE A AUTOCOMPOSIÇÃO DE CONFLITOS SENDO 
UMA DAS PARTES PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO 
 
• Conflitos envolvendo a Administração Pública: Os órgãos e entidades da 
Administração Pública também podem se envolver em conflitos. Esses conflitos 
podem ser tanto com particulares (situação mais comum) como também com 
outros órgãos ou entidades da própria Administração Pública (ex: dois órgãos 
disputando a posse de um imóvel). 
 
Pela visão tradicional do Direito Administrativo, em caso de conflitos 
envolvendo em um dos polos uma pessoa jurídica de direito público, a questão 
deveria ser, obrigatoriamente, resolvida por meio de sentença judicial. Isso 
porque, segundo a posição clássica, o princípio da indisponibilidade do 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
interesse público impediria que a Administração Pública se submetesse à 
conciliação, mediação ou arbitragem. 
 
!Essa visão tradicional está atualmente superada! 
O art. 1º, § 1º da Lei n.° 9.307/96 de Arbitragem (com redação dada pela Lei 
n.°13.129/2015) prevê que a administração pública direta e indireta poderá 
utilizar-se da ARBITRAGEM para dirimir conflitos relativos a direitos 
patrimoniais disponíveis. 
A Lei n.° 13.140/2015, nesse mesmo sentido, autoriza e incentiva que a 
Administração Pública preveja e resolva seus conflitos por meio da conciliação 
e mediação (art. 32). 
 
• Câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos: A Lei 
n.° 13.140/2015 e o CPC 2015 afirmam que a União, os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios poderão criar câmaras de prevenção e resolução 
administrativa de conflitos. Essas câmaras de mediação funcionarão dentro 
dos órgãos da Advocacia Pública (AGU, PGE e PGM) e terão competência 
para: I - dirimir conflitos entre órgãos e entidades da administração pública; 
II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por 
meio de composição*, no caso de controvérsia entre particular e pessoa 
jurídica de direito público; 
III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento 
de conduta*. 
* São os produtos finais, como disposto no segundo ponto do tópico de Autocomposição 
pela Advocacia Pública. 
 
x Não se incluem na competência das referidas câmaras: controvérsias que 
somente possam ser resolvidas por atos ou concessão de direitos sujeitos à 
autorização do Poder Legislativo. Em outras palavras, se a providência 
necessária depender de autorização do Parlamento, não é possível que a 
questão seja levada à câmara porque o sucesso do acordo ainda precisaria da 
concordância de outro Poder independente. 
 
PONTO DE DESTAQUE : Discussão sobre equilíbrio econômico-financeiro de 
contratos. É possível que sejam resolvidas por meio de acordo 
(autocomposição) na câmara os conflitos que envolvam a discussão sobre o 
equilíbrio econômico-financeiro de contratos celebrados pela administração 
com particulares. Ex: se uma empresa contratada pela Administração Pública 
alega que está havendo um desequilíbrio do contrato, em vez de buscar 
diretamente o Poder Judiciário, essa empresa poderá pedir que a câmara 
decida o conflito por meio de autocomposição (acordo). 
 
 
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UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
PONTO DE DESTAQUE : Mediação coletiva de conflitos envolvendo prestação 
de serviços públicos. A Advocacia Pública da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios poderá instaurar, de ofício ou mediante provocação, 
procedimento para mediação coletiva de conflitos relacionados à prestação de 
serviços públicos. Ex: foi constatado que centenas de moradores estão com 
problemas no serviço municipal de coleta de lixo domiciliar; diante disso, a fim 
de evitar que inúmeras ações judiciais sejam propostas contra o Município, a 
PGM poderá instaurar, na câmara de mediação administrativa, uma mediação 
coletiva para resolver os conflitos relacionados com a prestação desse serviço. 
 
• Facultativa: A submissão do conflito às câmaras é facultativa. As partes 
podem preferir ir direto ao Poder Judiciário. 
 
• Título executivo extrajudicial: Se as partes chegarem a um consenso, o 
acordo será reduzido a termo e constituirá título executivo extrajudicial. 
 
• Suspensão da prescrição: A instauração de procedimento administrativo para 
a resolução consensual de conflito no âmbito da administração pública 
suspende a prescrição (art. 34 da Lei). 
 
Considera-se instaurado o procedimento quando o órgão ou entidade pública 
emitir juízo de admissibilidade, retroagindo a suspensão da prescrição à data 
de formalização do pedido de resolução consensual do conflito (art. 34, § 1º da 
Lei). Em se tratando de matéria tributária, a suspensão da prescrição deverá 
observar o disposto no CTN (art. 34, § 2º da Lei). 
 
• Enquanto não forem criadas as câmaras de mediação: Enquanto não forem 
criadas as câmaras de mediação, os conflitos poderão ser dirimidos nos termos 
do procedimento de mediação previsto na Lei n.°13.140/2015. 
 
REGRAS ESPECÍFICAS PARA OS CONFLITOS ENVOLVENDOA 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL 
 
A Lei n.° 13.140/2015 fixou regras gerais sobre a câmara de mediação 
administrativa e deixou para os que os Estados, DF e Municípios 
complementassem as normas segundo suas realidades regionais e locais. No 
entanto, quanto aos conflitos envolvendo a Administração Pública Federal, a 
Lei n.° 13.140/2015 previu regras mais detalhadas, que serão estudadas a 
seguir: 
 
• Transação por adesão ou Transação por adesão: A Lei 
n.° 13.140/2015 previu a figura da “transação por adesão”. Isso significa que, 
em determinados temas que estão gerando muitos conflitos envolvendo a 
Administração Pública federal, poderá o órgão ou entidade propor, de forma 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
geral, ou seja, para todos os interessados que façam um acordo com o Poder 
Público, nas condições por ele oferecidas. Em outras palavras, é uma proposta 
de acordo com os parâmetros fechados. Daí ser chamada de “transação por 
adesão” (a parte aceita ou não; não havendo margem ampla para negociação). 
 
Restrita à administração pública federal direta, suas autarquias e fundações 
(Lei 13.140/2015). 
 
■ Objeto: apenas conflitos extrajudiciais. 
■ Pressuposto de admissibilidade (art. 35). 
 - Ou por “autorização do Advogado-Geral da União, com base na 
jurisprudência pacífica do STF ou de tribunais superiores” (Inciso I) 
 - Ou por “parecer do Advogado-Geral da União, aprovado pelo 
Presidente da República” (Inciso II) 
■ Produtos finais: composição e termo de ajustamento de conduta. 
 
Exemplo: diversos servidores públicos federais aposentados estão ingressando 
com ações judiciais pedindo o pagamento de uma gratificação que está sendo 
concedida aos servidores ativos. A jurisprudência é amplamente favorável ao 
pleito dos servidores. A AGU poderá formular uma proposta de acordo 
prevendo o pagamento imediato dessa gratificação com deságio (desconto) de 
20%. Os servidores que concordarem aceitam a transação por adesão e 
recebem o valor sem precisar recorrer ao Poder Judiciário. 
 
Requisitos para que haja a transação por adesão 
As controvérsias jurídicas que envolvam a administração pública federal direta, 
suas autarquias e fundações poderão ser objeto de transação por adesão, com 
fundamento em: 
I - autorização do Advogado-Geral da União, com base na jurisprudência 
pacífica do Supremo Tribunal Federal ou de tribunais superiores; ou 
II - parecer do Advogado-Geral da União, aprovado pelo Presidente da 
República. 
 
Os demais requisitos e as condições da transação por adesão serão definidos 
em resolução administrativa própria. Ao fazer o pedido de adesão, o 
interessado deverá juntar prova de atendimento aos requisitos e às condições 
estabelecidos na resolução administrativa. 
 
A resolução administrativa terá efeitos gerais e será aplicada aos casos 
idênticos, tempestivamente habilitados mediante pedido de adesão, ainda que 
solucione apenas parte da controvérsia. 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Parte que aceita a transação renuncia ao direito: A parte que aceita a 
transação por adesão, renuncia ao direito sobre o qual se fundamenta a ação 
ou o recurso, eventualmente pendentes, de natureza administrativa ou judicial. 
Em outras palavras, a parte não poderá mais questionar, judicial ou 
administrativamente, os pontos que foram objeto da resolução e do acordo. Se 
o interessado for parte em processo judicial inaugurado por ação coletiva, a 
renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta a ação deverá ser expressa, 
mediante petição dirigida ao juiz da causa (§ 5º do art. 36). 
 
PONTO DE DESTAQUE : O fato de a Administração Pública propor a transação 
não interfere no prazo prescricional, que continua correndo normalmente. 
O § 6º do art. 35 da Lei n.° 13.140/2015 é importantíssimo e preconiza o 
seguinte: § 6º A formalização de resolução administrativa destinada à 
transação por adesão não implica a renúncia tácita à prescrição nem sua 
interrupção ou suspensão. 
 
Vamos explicar esse dispositivo com um exemplo: Imagine que a União tenha 
deixado de pagar, em fevereiro de 2012, uma verba que seria devida a todos 
os servidores públicos do Ministério da Saúde. Isso significa que, nesta data, 
surgiu o direito de os servidores públicos cobrarem o pagamento da quantia 
pela Administração Pública federal. A partir daqui começa a correr o prazo 
prescricional para que os lesados ajuízem ação pleiteando a verba. Vale 
ressaltar que o prazo prescricional contra a Administração Pública é de 5 anos, 
nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32. Logo, a prescrição se consumará 
em fevereiro de 2017. Suponha, no entanto, que, em fevereiro de 2015, a AGU 
tenha formalizado uma resolução administrativa propondo transação por 
adesão aos servidores públicos para que eles recebam, sem precisar ingressar 
na Justiça, a verba devida com desconto de 40%. Segundo determinou o § 6º 
do art. 35 da Lei n.° 13.140/2015, essa resolução administrativa não interfere 
no curso do prazo prescricional que continua a correr normalmente. A Lei 
afirmou que o fato de a Administração Pública ter proposto o acordo não 
significa que ela está renunciando ao seu prazo prescricional nem que isso 
possa ser caracterizado como interrupção ou suspensão desse prazo. Logo, 
mesmo tendo havido a proposta de transação, o prazo prescricional para 
aqueles que não aceitarem terminará em fevereiro de 2017. Se não houvesse 
essa previsão do § 6º do art. 35, o ato da Administração Pública poderia ser 
encarado como reconhecimento da procedência do direito dos servidores e 
seria classificado pela jurisprudência como renúncia ao direito à prescrição ou, 
no mínimo, como ato interruptivo do prazo, nos termos do art. 202, VI, do 
Código Civil. 
 
PONTO DE DESTAQUE : Conflitos envolvendo dois órgãos ou entidades da 
administração pública federal. No caso de conflitos que envolvam 
controvérsia jurídica entre órgãos ou entidades de direito público que integram 
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UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
a administração pública federal, a Advocacia-Geral da União deverá realizar 
composição extrajudicial do conflito, observados os procedimentos previstos 
em ato do Advogado-Geral da União. Se não houver acordo quanto à 
controvérsia jurídica, caberá ao Advogado-Geral da União dirimi-la, com 
fundamento na legislação. 
Nos casos em que a resolução da controvérsia implicar o reconhecimento da 
existência de créditos da União, de suas autarquias e fundações em face de 
pessoas jurídicas de direito público federais, a Advocacia-Geral da União 
poderá solicitar ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão a 
adequação orçamentária para quitação das dívidas reconhecidas como 
legítimas. 
 
Se não houver acordo e o AGU não dirimir a questão, é possível imaginar ação 
judicial envolvendo órgãos/entidades da Administração Pública federal, um 
contra ou outro? SIM. É possível, mas a propositura de ação judicial em que 
figurem concomitantemente nos polos ativo e passivo órgãos ou entidades de 
direito público que integrem a administração pública federal deverá ser 
previamente autorizada pelo Advogado-Geral da União (art. 39 da Lei). 
 
Apuração das responsabilidades do servidor responsável pelo dano: A 
composição extrajudicial do conflito não afasta a apuração de responsabilidade 
do agente público que deu causa à dívida, sempre que se verificar que sua 
ação ou omissão constitui, em tese, infração disciplinar. 
 
Se o tema estiver sendo discutido em ação de improbidade ou em processo no 
TCU: Nas hipóteses em que a matéria objeto do litígio estiver sendo discutida 
em ação de improbidade administrativa ou sobre ela haja decisão do Tribunal 
de Contas da União, a conciliação dependerá da anuência expressa do juiz da 
causa ou do MinistroRelator. 
 
Se o conflito envolver, de um lado, órgão/entidade federal e de outro 
órgão/entidade estadual ou municipal, ele poderá ser resolvido por meio de 
mediação feita pela AGU? SIM. É facultado aos Estados, ao Distrito Federal e 
aos Municípios, suas autarquias e fundações públicas, bem como às empresas 
públicas e sociedades de economia mista federais, submeter seus litígios com 
órgãos ou entidades da administração pública federal à Advocacia-Geral da 
União, para fins de composição extrajudicial do conflito (art. 37). 
 
Responsabilidade dos servidores e empregos que participarem do acordo: Os 
servidores e empregados públicos que participarem do processo de 
composição extrajudicial do conflito, somente poderão ser responsabilizados 
civil, administrativa ou criminalmente quando, mediante dolo ou fraude, 
receberem qualquer vantagem patrimonial indevida, permitirem ou facilitarem 
sua recepção por terceiro, ou para tal concorrerem (art. 40). 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
COLABORAÇÃO PREMIÁVEL (Lei 12.850/2013): Acordo 
celebrado entre autoridade policial, investigado, seu defensor e MP, 
homologado judicialmente, que torna viável perdão judicial, redução de pena, 
substituição da penalidade de restrição de liberdade por restritiva de direito “a 
quem colaborar efetiva e voluntariamente com a invetigação ou com o 
processo penal, desde que dessa colaboração advenha resultados 
significativos para a Justiça criminal”. 
 
Consiste em ato do acusado que, admitindo a participação no delito, fornece às 
autoridades informações eficazes, capazes de contribuir para a resolução do 
crime. Ele só fará jus aos benefícios da delação premiada se suas informações 
forem efetivamente eficazes para a resolução do delito. 
 
PERDÃO DO OFENDIDO (desistência) : No plano Penal, nos 
crimes de ação privada2, o perdão do ofendido, aceito pelo ofensor, extingue a 
punibilidade (arts. 105, 106 e 107, V, do CP e arts. 51, 52, 53, 58 e 59 do 
CPP). Este mesmo fenômeno, pelas lentes da Teoria Processual, é uma forma 
de autocomposição. É um ato blateral, pelo qual o ofendido ou seu 
representante legal desiste de prosseguir com o andamento do processo já em 
curso, desculpando o ofensor pela prática do crime, 
dependendo de aceitação do ofendido. 
 
 
 
2 * Só ocorrem nos crimes de ação penal privadas, que são aquelas de iniciativa da vítima ou de seu representante 
legal. Embora o direito de punir continue sendo do Estado, a iniciativa se tranfere ao ofendido quando os delitos 
atingem sua intimidade, de forma que pode optar por não levar a questão a juizo. 
 
■ QUERELANTE = ACUSADOR 
■ QUERELADO = ACUSADO 
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UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
 
RECONHECIMENTO JURÍDICO DO PEDIDO PELO 
RÉU (submissão), nos processos cíveis (art. 487, III, “a” do CPC). Quando o 
réu demandado (que está no polo passivo da relação processual) é certificado 
da pretensão de tutela contra ele ajuizadp, ele lê a petição inicial e os 
documentos que as instruem, reconhece que realmente não tem o direito, mas 
que quem tal direito é, realmente, o demandante. Assim, o demandado 
consulta seu advogado, que constata que ele realmente não tem o direito. O 
advogado entra com um pedido de reconhecimento jurídico do pedido do autor. 
O juiz homologa e extingue o processo. 
 
Tal reconhecimento é a submissão do réu à pretensão materual formulada pelo 
autor. A aceitação é unilateral e provoca a extinção do processo com 
julgamento de mérito, porque o reonheimento vincula o juiz que deve 
pronunciar sentença favorável ao autor. Reconhecer o pedido é se submeter a 
toda consequência da pretensão do autor. 
 
Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: 
I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; 
III - homologar: 
a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
b) a transação; 
c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. 
 
 
RENÚNCIA AUTORAL A DIREITO FUNDANTE: O 
autor ajuíza a demanda, o réu faz a sua defesa e demole argumento por 
argunebto da petição inicial de forma fundamentada em documentos. O juiz 
recebe, sem dizer sim ou não, e solicita a réplica. O autor, ao invés de 
impugnar a contestação do réu, é por imposição moral levado ao 
convencimento de que o réu tem razão. 
 
A renúncia, como aprendido no Direito Civil, é irretratável (manifestada a 
renúncia, não pode mais desistir dela). Não se renuncia ao processo, as ao 
direito que dá fundamento ao pedido. Desistir do processo significa que, por 
exemplo, João ajuizou um processo contra Maria e, antes dela tomar ciência 
dele, João percebe que nele há um defeito grave. João, assim. Desiste do 
processo, para depois repropor aquela mesma demanda. 
 
Exemplo 1: Locador e Locatário – Ação de despejo. Bruno pediu o despejo de 
José da sua propriedade alugada por esse último, alegando que José conratou 
o imóve para residir e o transformou em estabelecimento comercial, um bar. Na 
contestação, José alegu que Bruno aceitou tacitamente a mudança de 
destinação. Quando há a replica, Bruno renuncia o direito de propor uma ação 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
de despejo com fundamento na mudança de destinação do imóvel. Ele 
poderá propor tal ação de novo, porém, com outro fundamento, no futuro. 
Poderá, por exemplo, propor a ação de despejo se José atrasar o pagamento. 
Bruno só renunciou à ação com fundamento da destinação, e o novo 
fundamento é a falta de pagamento. 
 
Exemplo 2: Ação anulatória de casamento civil. João entra com uma ação 
anulatória de casamento civil com base na coação. Após a contestação, 
quando João vai replicar, ele percebe que não foi coagido, ou seja, que foi livre 
para tomar a decisão de se casar ou não. Assim, sabendo que vai perder, ele 
renuncia. Nada impede que no futuro ele possa propor uma ação anulatória do 
mesmo casamento civil com base no erro, dolo, simulação ou fraude, visto que 
se trata de outro fundamento. 
 
Desistência do processo, assim, é ato distinto da 
renúncia ao direito sore que se funda a demanda. 
Ambos são atos processuais dispositivos, que exigem 
do advogado poder especial para agir, mas a 
desistência não se refere ao direio demandado, mas 
apenas ao prosseguimento do processo (implica 
decisão terminativa); a renúncia dis respeito ao próprio 
direio em que se pauta a demanda (implica a extinção do processo com 
julgamento de mérito). 
 
 
DESISTÊNCIA 
(renúncia via processual) 
- O autor desiste de prosseguir com 
a ação naquele processo. 
- Após o juiz homologar a 
desistência, o autor poderá repropor 
a mesma ação. 
- Se o réu já tiver apresentado 
contestação, é obrigatório que o réu 
consinta com a desistência. 
- A sentença que homologa a 
desistência é terminativa (extingue o 
processo sem resolução do mérito – 
art. 267, VIII). 
- A sentença faz apenas coisa 
julgada formal. 
- Produz efeitos meramente 
processuais. 
RENÚNCIA 
(ao direito que se funda a ação) 
- O autor abre mão do direito 
material que alegava possuir. 
- O autor não poderá propor nova 
ação fundada naquele direito 
material que foi objeto de renúncia. 
- Não existe obrigatoriedade legal 
de ouvir o réu sobre a renúncia do 
direito manifestada pelo autor. 
- A sentença que reocnhece a 
renúncia é definitiva (extingue o 
processo com resolução do mérito – 
art. 269, V). 
- A sentença faz coisa julgada 
formal e material. 
- Produz efeitos materiais. 
 
■ Atos dispositivos são 
aqueles por meio dos quais 
as partes renunciam a algum 
direito ou vantagem 
processual,tais como a 
desistência da ação e a 
renúncia ou desistência do 
recurso, a transação e a 
desistência de algum prazo 
ou de certa prova já proposta 
e admitida pelo juiz. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Pode ser Renuncia de Direito de Pretensão: 
-PENAL (antes da queixa: arts. 104 e 107, V, do CP e arts. 49, 50, 57 do CPP). 
-CIVEL (art. 487, III, “c” do CPC). 
 
TRANSAÇÃO ou ACORDO 
 
ACORDO: Consenso vindo de fora do processo judicial e a ele trazido para ser 
homologado pelo juiz (art. 487, III, b do CPC). 
 
Pode ser: 
 
a) Civel: solução dada pelas partes, por concessões recíprocas – no curso do 
processo judicial, extinguindo-o (art. 487, III, “b” do CPC) – em decorrência do 
êxito da mediação ou da conciliação. 
 
Diferente da conciliação que é feita diante do juiz em audiência, a transação é 
feita extra-autos (fora dos autos), ou seja, na ausência do juiz, e depois é 
trazida aos autos. Exemplo: o processo está no TJ e as partes resolvem fazer 
um acordo, as partes assinam e o juiz homologa, extinguindo o processo por 
decisão das partes. Se amanhã uma das partes descumprir o acordo, reabre-
se o processo para a execução da decisão, solucionando do conflito: 
execuçãoo constritiva (forçada). 
 
b) Internacional: entre estados soberanos e/ou organismos internacionais: 
solução dada em tratado internacional. 
 
A diplomacia não consegue num primeiro momento solucionar o 
desentendimento entre os países, o que ocasiona uma crise diplomática. Os 
países, então, se reunem e celebram um tratado internacional. Exemplo: O 
conflito do Brasil com a Bolívia, ocasionado pela disputa da região hoje 
conhecima como o Estado do Acre, que pertencia à Bolívia, mas que era 
ocupada predominantemente por brasileiros. Após intenso conflito, chegou-se à 
solução atraves do tratado de Petrópolis, em que o Brasil comprou a região. 
 
c) Penal: Lei 9.099/2015. Diferente do processo civil, em que a transação é 
fora dos autos e trazida para os autos; no processo penal, acontece dentro dos 
autos. 
 
Em matéria criminal, abriu-se novas perspectiva com a CF/88 que instituiu os 
“juizados especiais, competentes para a conciliação, o julgamento e a 
execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de 
menor potencial ofensivo” (art. 98, I – CF). Tal permissão foi ratificada pela Lei 
nº. 9099/95, que dispôs sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais nos 
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Estados. Contudo, não há possibilidade de ocorrer conciliação extraprocessual 
em matéria penal; sendo exigido, neste caso, o controle jurisdicional. 
 
Nos delitos de competência dos Juizados Especiais Criminais, a lei permite que 
o Promotor de Justiça faça um acordo com o autor do fato, propondo para este 
uma pena alternativa, antes de oferecer a denúncia. Caso o autor do fato e seu 
Advogado aceitem a proposta de transação penal e seja cumprida a pena 
aceita, o processo acaba sem se discutir se o autor do fato é culpado ou 
inocente. Se não forem cumpridos os termos da transação penal, o Ministério 
Público (Promotor de Justiça) poderá oferecer denúncia e o processo ser 
reiniciado. A transação penal pode ser proposta pelo Promotor quando houver 
indícios de que o autor do fato praticou um delito de menor potencial ofensivo e 
ele for primário e preencher os demais requisitos legais. O autor de fato só 
poderá fazer um acordo desse a cada cinco anos. 
 
 - Ausência de representação da vítima para 
processar por lesão corporal leve e culposa (art. 
88). A transação penal surgiu com a lei 9.099, que 
disciplina os juizados especiais e instituiu que as 
lesões corporais culposas e leves passam a 
depender de representação. Antes tratava-se de 
ação penal pública incondicionada, mas o artigo 
88 dessa lei condicionou a ação à representação da vítima. Com isso, se a 
vítima não representa, é como se tivessem feito um acordo silencioso por 
omissão da vítima de não representar. Em outras palavras, se não há a 
representação da vítima, o eloquente silêncio dela significa, em última 
análise, uma transação. 
 
 - Proposta do MP aceita pelo acusado, após exame judicial, nos crimes 
de competência dos Juizado Especiais (art. 61): apenas nas situações 
expressamente previstas (art. 76). 
 
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções 
penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. 
Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de 
arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, 
a ser especificada na proposta. 
§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade. 
§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado: 
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença definitiva; 
II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena restritiva ou multa, nos 
termos deste artigo; 
III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as 
circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida. 
§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação do Juiz. 
§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena restritiva de 
direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo 
benefício no prazo de cinco anos. 
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei. 
■ Consiste a representação do 
ofendido em uma espécie de 
pedido-autorização por meio do 
qual o ofendido ou seu 
representante legal expressam o 
desejo de instauração da ação, 
autorizando a persecução penal. 
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§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes criminais, salvo 
para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no 
juízo cível. 
 
 - Suspensão condicional do processo de crime com pena mínima 
cominada não superior a dois anos: mediante proposta do MP aceita pelo 
acusado (art. 89). Esse instituto é um acordo entre o acusado e o ministério 
público que, se o acusado aceita e cumpre as condições do acordo até o final 
do período estabelecido, faz cessar a suspensão e extingue a punibilidade, 
ficando o acusado fora do rol dos condenados, visro que não houve 
condenação. 
 
Não é a mesma coisa que a suspensão condicional da pena (SURSIS), pois 
esse pressupõe sentença penal condenatória e, como a pena é pequena, não é 
conveniente, por questões de política criminal, mandar o condenado para a 
prisão. 
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
 
Para finalizar a autocomposição, vale a crítica feita por Niceto Alcalá-Zamora e 
Castillo: “A espontaneidade, que deveria ser o requisito essencial de toda 
modalidade autocompositiva, pode estar ausente; muitas vezes, a desigual 
resistêcia econômica dos litigantees, a lentidão e a carestia dos procedimentos, 
entre outras causas, conduzem as partes a autocomposições que são, no 
fundo, verdadeiras rendições, nas quais a decisão altruísta de composição dos 
conflitos poderia parecer a mais recomendável mas não o é porque, além daas 
razões apontadas, oculta ou dissimula atos de autodefesa em que o litigante 
mais raco, não podendo resistir, prefere renunciar”. 
 
- - - - - - - - - - - - - - - -- - - - - - - - - 
 
 
 
Apreensão conceitual: solução resultante de decisão proferida por terceiro 
alheio ao conflito. 
 
A heterocomposição é um modo de composição de conflitos no qual existe a 
figura de um terceiro imparcial que tem autoridade para impor uma solução 
para as partes em conflitos. Assim, enquanto na autocomposição mediada o 
terceiro limita-se a orientar as partes e não tem o poder de suprimir a 
autonomia dos envolvidos no conflito, na heterocomposição existe um terceiro 
que toma decisões que podem ser impostas às partes. 
 
Se, por exemplo, A e B não chegassem a um acordo sobre a divisão dos bens 
que pertenciam a ambos, eles poderiam convidar um amigo comum e solicitar 
a ele que fizesse a divisão, comprometendo-se a aceitar as escolhas feitas pelo 
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amigo. Como o amigo não foi chamado simplesmente para opinar, nem apenas 
para mediar, mas para tomar uma decisão imponível às partes, não se trata de 
autocomposição mediada, mas de heterocomposição. 
 
As formas heterônomas são a arbitragem e a jurisdição. O que há de comum 
entre elas é o fato de que quem se apropria do conflito é um terceiro, não é 
nenhuma das partes envolvidas no litígio. Em consequência disso, elas têm 
uma característica que é a impárcialidade da decisão. A solução vem, então, 
imparcial, de alguém distante dos interesses conflitantes. 
 
Características: imparcialidade da solução. 
 
Tipologia: 
 
ARBITRAGEM ou JUÍZO ARBITRAL (Lei 9.307/1996 com 
as atualizações introduzidas pela Lei nº 13.129/2015). 
 
Apreensão conceitual: solução decisória por julgamento de tercceiro 
escolhido pelos sujeitos do embate. É uma técnica de solução de conflitos 
mediante a qual os conflitantes buscam em uma terceira pessoa, de confiança, 
a solução amigável e imparcial (pois não é feita pelas partes, diretamente) do 
litígio. 
 
“Cláusula de compromisso” = O árbitro pode ser escolhido no momento em que 
o negócio é celebrado. Essa cláusula é a convencão em que as partes 
resolvem que as divergências oriundas de certo negócio jurídico serão 
resolvidas pela arbitragem previa e abstratamente; as partes, antes do litígio 
ocorrer, determinam que, ocorrendo, a sua colução, qualquer que seja, desde 
que decorra de certo negocio jurídico, serão resolvidas pela arbitragem. Na 
cláusula arbitral, a qual as partes submetem ao julgamento do árbitro conflitos 
futuros. 
 
Exemplo: No contrato de locação, as partes decidem a partir de cláusulas que, 
se houver algum litígio decorrente desse contrato, a solução será pelo juízo 
arbitral, que será exercido por “fulano de tal”. 
 
“Compromisso arbitral” = Ou então, decide-se que será resolvido tal conflito por 
juizo arbitral, mas deixa para escolher o árbitro somente no momento em que 
surgir o conflito, se esse surgir. O compromisso arbitral é a segunda maneira 
de manifestar a convenção arbitral. Aqui, as partes submetem ao julgamento 
do árbitro um conflito atual. 
 
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A decisão do árbitro tem o mesmo valor da decisão judicial. Ele dará a sua 
decisão e se a parte vencida não aceitar cumprir o que o árbitro decidiu, a parte 
vencedora vai em juízo exigir o cumprimento, a execução forçada da decisão 
arbitral, como se fosse uma decisão judicial qualquer. É “exequível 
constritivamente”. O árbitro, porém, não tem poder de coerção. É preciso que o 
juiz ajuize ação de cumprimento. 
 
A decisão não vai ser contestada (não cabe recurso) e nem precisará ser 
homologada em juizo. Antes da lei de arbitragem, era necessário levar a 
decisão para o juiz homologar. Agora, as partes confiam tanto no árbitro, que 
não existe uma instância superior a quem recorrer, ou seja, não há revisão 
(duplo grau). O judiciário pode anular a decisão, porém, se, posteriormente, 
descobrir que houve algum tipo de fraude. 
 
Os árbitros não trabalham de graça, há remuneração arcada pelas partes (a 
parte que perder). A associação brasileira de arbitragem fixa os parâmetros 
para a cobrança de honorários. Não é preciso ser formado em Direito para ser 
árbitro: basta que seja alguém que goze da confiança das partes. Geralmente, 
as partes procuram alguém experiente e especializado na área do conflito para 
que possa resolvê-lo com maior propriedade. 
 
Exemplo: Uma casa recém-construída está com rachaduras na parede. As 
partes envolvidas (construtora e comprador) resolvem, então, indicar um 
engenheiro civil como árbitro para que ele decida qual foi o motivo das 
rachaduras: se foi culpa realmente da construtora, a outra parte receberá a 
indenização. Se ficar decidido que não foi culpa da construtora, mas sim de um 
pequeno terremoto ocorrido na região, não caberá a indenização. 
 
Na Zona Franca de Manaus usa-se muito a arbitragem, visto haver muitas 
empresas multinacionais. Esse tipo de resolução de conflitos é usado, na 
maioria das vezes, em relações jurídicas entre empresas ou entre particulares 
e empresários. 
 
Vantagens: 1. Publicidade restrita: O processo é, por definição, público. No 
juizo arbitral, porém, não é público. Só quem tem acesso aos autos são as 
partes. Há certa privacidade e problemas de empresas, por exemplo, não ficam 
expostos, não abalando a sua imagem. 
2. Menos tempo, o julgamento também é mais rápido. 
 
Justificativas: 
a) Vontade dos sujeitos da relação jurídica passíveis de conflito. São as partes 
que decidem se querem ou não a arbitragem. 
b) Contribuição para desafogar o Poder Judiciário. 
 
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Modalidades: 
a) Arbitragem de Direito; 
b) Arbitragem de Equidade; 
c) Princípios Gerais de Direito; 
d) Regras internacionais de comércio; 
e) Usos e costumes. 
 
As partes escolhem se a arbitragem vai ser por direito (arbitragem de Direito), 
em que o árbitro vai aplicar as leis do país, ou se será por equidade 
(arbitragem de equidade), em que o árbitro vai usar o seu critério pessoal de 
justiça para decidir. 
 
(LEI 9.307/1996) 
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes. 
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, 
desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. 
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos 
princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. 
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da 
publicidade. 
 
Observação de crítica sociológica: restrita eficácia do juízo arbitral porque a 
ele, culturalmente, muito pouco se recorre. 
 
Pressuposto de admissibilidade: apenas nos conflitos de direitos 
patrimoniais disponíveis, estando previsto que também “a administração 
pública direita e indireta poderá utilizar-se da arbitragem” (art. 1º, § 1º), que 
“será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade (art. 2º, § 3º). 
Infere-se portanto que, embora um direito seja disponível, mas não tenha 
vinculação econômica, não poderá ser objeto de arbitragem. 
 
Exemplo: Reconhecimento de paternidade, alimentação e guarda dos filhos 
não podem ir à arbitragem, enquanto Relações de trabalho pode. 
 
Produto final: sentença arbitral cujo descumprimento pelo vencido reclama 
ajuizamento pelo vitorioso de ação judicial para seu cumprimento coercitivo da 
condenação correspondente (arts. 18, § 3º, 22, 23, 26, 29 e 31 da Lei 
9.307/1996, e art. 515, VII do CPC). 
 
Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo 
Poder Judiciário. 
 
Art. 22. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das partes, ouvir testemunhase determinar a 
realização de perícias ou outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício. 
 
Art. 26. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: 
I - o relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio; 
II - os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, 
expressamente, se os árbitros julgaram por eqüidade; 
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III - o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o 
cumprimento da decisão, se for o caso; e 
IV - a data e o lugar em que foi proferida. 
 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal 
arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante 
comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. 
 
Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos 
órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. 
 
 
JURISDIÇÃO 
 
►NOCÕES GERAIS◄ 
 
Apreensão conceitual: solução decisória produto de julgamento por juiz 
designado pelo Estado. 
 
Aqui, também há um tereiro que decide, por isso que a solução é imparcial. 
Porém, ele não é escolhido pelas partes; ele é indicado pelas leis do Estado da 
cmunidade política. Alguns doutrinadores mais modernos chamam a jurisdição 
de “arbitragem pública”. Essa expressão, porém, não faz sentido, visto que as 
partes não resolvem o juiz, nem o juizo, como ocorre na arbitragem. 
 
Justificativas: 
 
a) Meio democrático de solução de conflitos: Na tripartição dos poderes, uma 
das funções do Estado é a da justiça. Foi uma conquista muitro grande da 
civilização democrática todos serem julgados pelo judiciário, pelos agentes 
estatais encarregados. 
 
b) Conquista da civilização: Quando havia conflito entre os Hebreus 
escravizados no Egito, quem resolvia era o chefe da comunidade religiosa, na 
figura do Faraó e de seus representantes. Com o surgimento de Moisés, na 
fuga para a terra prometida, ele passou a ser o grande juiz, tanto que, na 
Bíblia, há um livro chamado “os juízes”. Essa ideia foi evoluindo ao longo da 
história da humanidade e culminou com a ideia consagrada da “tripartição das 
funções estatais”, com o modelo na França. Já hávia rudimentos disso na Polis 
Grega e a força da cultura se encarregou de difundir esse modelo, que chegou 
ao estágio que se encontra nos dias atuais. 
 
Objeto: 
 
a) Regra geral: Direitos, disponíveis e indisponíveis, passíveis de controle 
judicial, materialização do princípio constitucional da inafastabilidade 
jurisdicional (art. 5º, XXXV). 
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Na autotutela, autocomposição e na arbitragem há grandes limites no seu 
objeto. Na jurisdição, a princípio, não há restrições. Mas, ao observar a 
expressão “direitos passíveis de controle judicial”, infere-se que há direitos que 
não são passíveis de controle judicial e, portanto, não são objetos da jurisdição; 
há atividades lícitas e jurídicas que não são apreciadas pelo judiciário. 
 
b) Exceções/ressalvas: objetos que não são objetos de apreciação 
jurisdicional. 
 
► Em razão da própria vontade das partes: convenção de arbitragem (art. 
485, VII do CPC); 
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer 
sua competência; 
 
► Em razão do bom senso: direitos não passíveis de controle judicial, 
informados – por construção doutrinária – pelo princípio da afastabilidade 
ou da impossibilidade ou da inadmissibilidade ou da insindicabilidade ou da 
insuscetibilidade de controle jurisdicional dos atos discricionários ou atos 
interna corporis ou questões internas. 
 
Os atos administrativos possuem elementos vinculados e elementos livres. Os 
primeiros, obrigatórios, dizem respeito à competência, forma e finalidade, ou 
seja, tratapse de elementos de legalidade. O judiciário investiga a legalidade 
desses elementos, mas o que diz respeito a conveniência do ato (quando ele é 
praticado, se é conveniente pratica-lo, qual o conteudo, quanto ao momento 
etc) é mérito dos atos administrativos. Assim, toda agência estatal no exercício 
de suas atribuições públicas deve obedecer a essas exigências que a lei 
impõe, se ela não as obedece, o judiciário pode anular. Nessa parte livre, 
porém, as agências contam com uma discricionariedade, que diz resspeito as 
medidas de conteudo administrativo e o momento de sua prática. 
 
Os cargos públicos são preenchidos ou por concurso público, chamados de 
cargos efetivos, em que há mais elementos vinculados do que discricionários, 
ou por cargos de livre nomeação, em que mesmo assim deve-se obedecer 
elementos vinculados, o que muda é que poderá se escolher quem vai escolher 
e o momento que vai fazer isso. Se o presidente da República nomear para 
Ministro da saúde um estatístico, e os profissionais de saúde irem questionar 
em juízo essa escolha, inconformados, essa questão será dada como fora do 
controle jurisdicional, visto que é escolha de conteúdo político. Se, porém, 
houver uma norma em determinado município, que determine que o secretário 
de saúde deverá ser um profissional da área, terá esse elemento como 
vinculado. 
 
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Exemplificação: 
 
 Afastamento, ou não, de chefia do executivo decidido pela 
Câmara Legislativa competente; 
 
 Aprovação ou rejeição de proposta legislativa consoante a 
Constituição; 
 
× Só é passível de controle de legalidade do processo, 
pelo poder judiciário. 
 
 Cassação do mandato de parlamentar por seus pares; 
 
 Conveniência de exercício de atividade administrativa: mérito do 
ato administrativo; 
 
 Distribuição do lucro empresarial; 
 
× Esse ato também está fora do controle judiciário, pois 
apenas a empresa vai saber o que é melhor pra ela. Trata-
se de uma decisão interna corporis. Se nessa reunião 
deliberativa de distribuição de lucros, porém, houver agum 
vício de legalidade (tinha gente que votou e que não podia 
tervotado, quem era pra ser convocado não foi, por 
exemplo), o judiciário se limita a anular a decisão. 
 
 Eleição de direitoria de empresa; 
 
 Dispensa imotivada de empregado celetista não estável; 
 
 Jus variandi laboral: mudança, determinada pelo empregador, de 
função de empregado, sem redução salarial, que não se adaptou 
ao ofício para o qual foi admitido; 
 
× No direito do trabalho, há esse tipo de ato interna 
corporis, chamado de jus variandi, que é o direito que o 
empregador tem de, tendo admitido uma pessoa para 
determinada função, e esse empregado não ter se 
adaptado àquela função, ou no caso de o empregado ter se 
adaptado, mas a empresa precisar dele em outro ofício, a 
empresa pode mudar essa pessoa de função, desde que 
não implique em diminuição do salário e desde que se exija 
para a outra função as mesmas habiidades da outra, o 
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mesmo preparo etc. Se a nova função tiver maior 
remuneração antes do ingresso do funcionário, ele deverá 
receber esse maior valor. A mudança de lugar de trabalho 
será passível de controle judicial se for uma distância 
considerável. 
 
 Mera revisão de nota de prova escolar (mérito do ato acadêmico) 
e de nota de prova de conhecimento prestada em concurso 
público (mérito da avaliação); 
 
× O mérito do ato acadêmico e da avaliaçãoserá feito na 
instância administrativa. Se for para o judiciário, não haverá 
o aumento ou diminuição de nota, pois isso é um ato 
interna corporis de julgamento. O que acontece com muita 
frequência é o judiciário anular uma questão, por ferir o 
princípio da legalidade (elementos vinculados), como nos 
casos em que o assunto não estava no programa, por 
exemplo. A anulação e a modificação da nota ocorrerá 
apenas para aquela pessoa que foi pedir tal anulação. 
Pode ocorrer de a autoridade administrativa, 
discricionariamente, estender tal anulação para o concurso 
inteiro, mas não está obrigado. 
 
 Oportunidade de exercício de atividade administrativa: mérito do 
ato administrativo; 
 
 Questionamento de assunto apenas de natureza 
substancialmente religiosa: mérito do ato religioso. 
 Precedentes: 
- Bíblico: At. 18, 12-16; 
- Pretorianos: STF: RE nº 31.170 – DF, rel. Hahnemann 
Guimarães, j. em 08.04.1958; TJSP: Ap. Civ. Nº 0146802-
60.2006.8.26.0000 – Comarca de Sertãozinho, rel. Des. 
João Pazine Neto, j. em 16.08.2011. 
 
× Exemplo: Um homem quer se batizar, mas o padre diz 
que ele não pode se batizar naquele momento pois precisa 
de um curso de preparação espiritual. O homem, 
indignado, diz que tem direito subjetivo ao batismo, que vai 
mover uma ação contra a comunidade religiosa para 
condenar o padre e o obrigue a realizar o batismo. Isso não 
existe! É um ato interna corporis, está fora do judiciário.. Se 
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ele quiser questionar a decisão do padre, deverá procurar 
uma instância superior da igreja, como o bispo. 
Se, porém, a arquidiocese não pagar o salário de um dos 
seus empregados, ele poderá ir à justiça do trabalho para 
mover uma reclamação trabalhista contra a arquidiocese. 
Não há ato religioso nesse caso, mas um vínculo 
empregatício como outro qualquer. 
 
Regime jurídico do funcionamento da Jurisdição: 
 
a) Constituição da Repúlica; 
b) Código de Processo Civil; 
c) Código de Processo Penal; 
d) Código de Processo Penal Militar; 
e) Matérias Processuais existentes. 
 - Leis esparsas ou extravagantes. 
 - Consolidação das Leis de Trabalho. 
 - Código de Defesa do Consumidor. 
 - Código Eleitoral. 
 
Resenha crítica: dificultoso acesso dos mais pobres à justiça, maioria 
esmagadora da população, é evidência axiomática que compromete, por si só, 
essa civilizada conquista democrática da jurisdição. 
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
 
ONTOLOGIA JURÍDICA DOS MEIOS NÃO JURISDICIONAIS 
SOLUCIONADORES DE CONFLITOS 
 
Em outras palavras, a natureza jurídica da autotutela, autocomposição e da 
arbitragem: 
 
-Substitutivos jurisdicionais ou equivalentes jurisdicionais: Francesco 
Carnelutti, propagado por Frederico Marques. Visão que prevalece. 
 
-Meios alternativos (informais) de solução de conflitos: autores da doutrina 
sobre “o acesso à justiça”. 
 
Nos dias atuais, utiliza-se a expressão equivalentes jurisdicionais para designar 
os mecanismos que conduzem as partes conflitantes a uma composição 
amistosa, através das próprias partes, com o auxílio de um terceiro imparcial, 
denominado conciliador. 
 
Carnellutti desenvolveu uma noção para os equivalentes jurisdicionais, 
entendendo-os como certos atos, que mesmo sem determinado interesse do 
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Estado, contam com idoneidade e visam atingir o mesmo objetivo da jurisdição. 
Nada impede que os conflitos submetidos aos equivalentes jurisdicionais ou os 
conflitos por eles resolvidos possam ser apreciados, posteriormente, também 
pelo Estado, mas em geral não há tal necessidade. 
 
Diversas novas formas de resolver conflitos por vias alternativas vêm 
reforçando a idéia de equivalência entre o Estado (jurisdição) e estes métodos 
(equivalentes jurisdicionais). O interessante em relação ao assunto é a busca 
pela pacificação de pessoas e grupos, no sentido de resolver conflitos. 
 
Atualmente, diversas espécies de mecanismos de resolução que eram 
consideradas extraprocessuais e portanto tipicamente equivalentes da 
jurisdição, foram inseridas no texto legal, de forma a serem utilizadas durante 
um processo judicial, como a conciliação, por exemplo. 
 
 “No Brasil, esses tribunais especiais nasceram do esforço de buscar 
alternativas ao aparato inoperante das instâncias jurisdicionais oficiais do 
Estado, recorrendo aos juizados informais de conciliação e arbitragem, mais 
ágeis, práticos e informais, propiciando estímulo às formas extrajudiciais de 
resolução de conflitos e almejando assegurar concretamente o acesso à justiça 
de grandes massas populares”. (WOLKMER, 2001, p. 301). 
 
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
 
JURISDIÇÃO 
 
►NOCÕES APROFUNDADAS◄ 
 
Significação etimológica do termo jurisdição: poder, função e atividade. 
 
Como poder, a jurisdição é a manifestação do poder estatal, conceituado como 
capacidade de decidir imperativamente e impor decisões. Como função, 
expressa o encargo que têm os órgãos estatais de promover a pacificação de 
conflitos interindividuais, mediante a realização do direito justo e através do 
processo. E, como atividade, a jurisdição é entendida como o complexo de 
atos ao juiz no processo, exercendo o poder e cumprindo a função que a lei lhe 
comete. Esses três atributos somente transparecem legitimamente através do 
processo devidamente estruturado (devido processo legal). Jurisdição é, pois, 
ato de soberania. Consiste em um poder-dever do Estado, através do Poder 
Judiciário, de declarar e fazer efetivo o direito, aplicando a lei aos casos 
concretos. 
 
 
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JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA 
- O agente público representa o Estado. 
- O conflito não é pressuposto de atuação. 
- Não existe coisa julgada na jurisdição 
administrativa. 
- O produto final da atividade administrativa 
é passível de controle (mutável), pelo 
judiciário e pelas autoridades legislativas. 
- Existe atos administrativos discricionários. 
- O escopo imediatista do gestor público é 
o interesse coletivo. 
- Não precisa ser provocado. 
 
JURISDIÇÃO NO JUDICIÁRIO 
- O juiz é um terceiro estranho na solução 
do embate. 
- Precisa agir no conflito, que faz parte da 
autoridade administrativa. 
- O produto final da autoridade judicial é a 
solução da lide. 
- O juiz não tem escolha, seu ato é 
vinculado. 
- O juiz aplica uma lei preexistente ao caso 
concreto. 
- O juiz só age quando provocado. 
 
ATIVIDADE LEGISLATIVA 
- O produto final da atividade legislativa é a 
lei, que tem que explicar a generalidade 
dos fenômenos. 
- Inova na ordem jurídica, o gestor 
público só age se estiver legal de agir. 
 
 
 
 
 
ATIVIDADE JUDICIAL 
- Efiicácia subjetiva da norma é universal, 
para todos, com algumas exceções de 
estatutos. 
- Aplica-se direito preexistente. 
- Princípio da singularidade: só diz respeito 
às partes do processo. 
- O único julgamento que não precisa de 
motivação é o juri, que tem decisão 
discricionária.
 
Função judicial e demais funções estatais: distinções. 
 
• Administrativa 
 
- Atuação funcional da autoridade 
a) Administrativa: parcialidade 
b) Judicial: imparcialidade 
 
- Existência de conflito 
a) Administrativa: independe 
b) Judicial: pressuposto 
 
- Ato final 
a) Administrativa: mutável 
b) Judicial: imutável 
 
- Discricionariedade 
a) Administrativa: possível 
b) Judicial: Impossível 
 
No julgamento da lide, o juiz não só aplica o direito preexistente, como também 
dá justificativa à motivação. No ato de administrar a justiça não há 
discricionariedade, mas há discricionariedade em alguns atos administrativos, 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP –UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
nos atos não-vinculados. O administrador, o gestor, não precisa justificar o seu 
ato. Exemplo: Uma pessoa será nomeadaa um determinado cargo por questão 
de conveniência, e quem nomeou não deverá justificativa sobre esse ato. Por 
isso, está fora da esfera jurisdicional. Está ligada a uma questão de gestão. 
 
Exemplo: Há um surto de dengue em Ouricuri, onde não tem médicos 
suficientes ou com formação de tecnologia sobre essa doença. Em 
contrapartida, há excesso de profissionais com tal qualificação em um posto de 
saúde em outra região. Os médicos, assim, não teriam o direito de escolher se 
queriam ou não trabalhar em Ouricuri. O governador, simplesmente, baixaria 
um ato e mandaria uma determinada quantidade desses profissionais para lá. 
Se houver excesssos, deverão ser provados para que vá a juízo. 
 
- Finalidade ou escopo imediato 
a) Administrativa: promoção do bem comum/interesse público 
b) Judicial: solução da lide 
 
- Iniciativa 
a) Administrativa: possível de ofício 
b) Judicial: impossível 
 
O juiz só age quando provocado, tanto no processo civil, quanto no processo 
penal. O gestor público, porém, pode agir sem provocação. Um gerente de uma 
loja, por exemplo, ao prever que algo pode dar errado, já toma a iniciativa de 
agir antes, sem esperar a provocação. 
 
Exemplo: O fiscal da secretaria de saúde vai no mercado da Encruzilhada 
comprar verduras e vê exposta para venda uma carne de animal abatida. 
Como ele é veterinário, identifica que a maneira que aquela carne está sendo 
preservada é inadequada e que aquele animal nãao foi cortado em um 
mataduro público. Ele, assim, apreende a mercadoria sem ser necessária a 
provocação. Então, em nome do interesse público, ele apreende, incinera e 
lavra o auto de apreensão. O vendedor quer provar que o fiscal agiu com 
abuso de poder. Não procede pois protege-se primeiro o interesse coletivo, 
para depois aender o interess individual. Em suma, a autoridade administrativa 
pode agir com ou sem a provocação; enquanto o judiciário só pode agir quando 
provocado. 
 
Antigamente o judiciário agia sem provocação. O princípio informador da 
atividade do juiz era o PRINCÍPIO INQUISITIVO, em que a autoridade tmava 
conhecimento de um crime através da imprensa, baixava uma portaria e 
instalava inquérito polícial. Isso não deu certo pois, na hora que o juiz tomava 
a iniciativa de acusar alguém, ele tinha interesse de condenar e, portanto, 
perdia a sua imparcialidade. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Atualmente, o principio informador do judiciário é o PRINCIPIO DISPOSITIVO, 
em que quem dispõe quando e onde vai provocar a tutela jurisdicional é o 
ameaçado, e o juiz vai solucionar o conflito. 
 
- Motivação do ato 
a) Administrativa: dispensável em alguns casos 
b) Judicial: obrigatória 
 
A motivação, ou seja, a justificativa do ato é obrigatória para a jurisdição. 
Quando a lide é solucionada, quando o caso é julgado, o ordenamento jurídico 
brasileiro sempre obrigou o juiz de motivar sua decisão. O juiz não vai apenas 
dizer “julgo procedente o pedido”, “absorvo”, “condeno”, “anulo”. Ele tem que 
dar as razões pelas quais chegou a esse entendimento, enquanto o ato 
administrativo discricionário poderá ser um ato desmotivado, sem requerer 
justificação quando não existir uma regra determinando. 
 
O artigo 93, IX, da CF, determina que “todos os julgamentos dos órgãos do 
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena 
de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às 
próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a 
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o 
interesse público à informação”. 
 
Depreende-se desse artigo que, embora exista a publicidade do processo, 
existem alguns que correm em segredo de justiça e que, em todos os casos 
(públicos ou não) o julgamento do juiz precisa ser justificado. 
 
Na esfera administrativa, a justificativa de um ato pode ser dispensável quando 
não existe exigencia na lei para tal. Quando o administrador público motiva o 
ato que não é obrigado a motivar, ele se vincula à motivação. É raro de 
acontecer, visto que nesses casos ele se sujeita ao controle de legalidade da 
motivação. Se ele não motivar quando é obrigado a fazer isso, o ato é nulo. 
 
• Legislativa 
 
A eficácia subjetiva da norma é universal. A lei tem que ser genérica. Para ser 
ato legislativo, também, é preciso inovar na ordem jurídica: inovabilidade. 
 
LEI ≠ ATO ADMINISTRATIVO, pois esse último não tem eficácia subjetiva 
universal. 
 
- Ato final 
a) Legislativa: mutável 
b) Judicial: imutável 
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UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
A lei modifica a lei anterior, como através da reforma ou revogação. O judiciário 
pode alterar via controle de constitucionalidade, não revogando, contudo, a 
norma em si, mas suspendendo a sua eficácia. 
 
No âmbito judicial, a decisão chega a um momento do processo em que não 
cabe mais alteração, não cabe recurso. 
 
- Motivação do ato 
a) Legislativa: desnecessária 
b) Judicial: obrigatória 
 
A motivação do ato trata-se da justificação da decisão. No juri não há tal 
justificação; se for pela decisão do juiz, há justificação obrigatoriamente. Se 
não houver a motivação pelo juiz, a nulidade deve ser pedida pela parte que se 
sentiu prejudicada. A lei, diferentemente, quando é sancionada, não traz as 
motivações expressas. Quem vai procurar a justificativa, nesses casos, é a 
doutrina. 
 
- Efeito na ordem jurídica 
a) Legislativa: inovação 
b) Judicial: apenas declara o direito preexistente e o aplica ao caso sub judice. 
 
- Eficácia subjetiva do ato 
a) Legislativa: genérica (princípio da universalidade), vinculando, por isso, a 
todos, indistintamente ou, apenas, um grupo de sujeitos (impessoalidade). 
Esse grupo de sujeitos em questão são indeterminados / não identificados. 
b) Judicial: singular (princípio da singularidade) obrigando somente os sujeitos 
da lide (indetermináveis ou de difícil determinação, entretanto, nos julgados 
proferidos nas ações civis de tutela de direito coletivo difuso). Os sujeitos são 
conhecidos desde o início. 
 
PONTO IMPORTANTE : Quando a tutela é de direito individual, a eficácia é 
interpartes (singular); quando é de direito coletivo, se o titular for de direito 
difuso (quando não da para identificar), a eficácia é a mesma da lei, ou seja, 
universal. Mesmo que se diga que o judiciário tem decisão interpartes, nesses 
casos em específico de conflitos de massa a eficária é erga omnes, com efeito 
de lei. Embora seja universal, não é papel do legislativo, pois não inova na 
ordem jurídica: o direito aplicado é preexistente; se o titular for identificável, a 
eficácia será singular. 
 
Características: 
 
a) Indelegabilidade: Diferentemente da atividade administrativa, que é 
delegável, a judicial é indelegável. O juiz não pode optar por julgar ou não um 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
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caso. A jurisdição é indelegável, o juiz não poderá delegá-la a outro órgão, 
exceto nos casos permitidos por lei. 
 
b) Inércial inicial: 
 - Nemo iudex sine actore: Não há juiz sem autor. A justiça não 
funcionará se não for provocada, ou seja, se alguém, um agente, não lhe exigir 
que atue. 
 - Ne procedat iudex ex officio: O processo deve contar com a 
imparcialidade do juiz (até mesmo para que outros princípios constitucionais 
sejam preservados) e, para isso, a Jurisdição é inerte, devendo o processo 
ser iniciado por provocação das partes: Ministério Público, nas ações penais 
públicas e querelante, nas ações penais privadas. 
 
Dispõe o art. 2º, do Código de Processo Civil que “nenhum juiz prestará a 
tutelajurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos 
casos e forma legais”. Vê-se, portanto, a necessidade de um prévio 
requerimento e o impedimento do juiz de atuar de ofício. Também quer este 
princípio evitar a imparcialidade do juiz, que ficaria comprometida caso este, na 
qualidade de representante do Estado, indicado pela lei para julgar a demanda, 
tomasse a iniciativa de iniciar um processo. 
 
c) Exceções: Casos em que o juiz age de oficio, independentemete de 
provocação. 
 
 • Processo civil 
 
 Arrecadação dos bens integrantes de herança jacente (art. 738 do 
CPC): feito, entretanto, não contencioso. 
 
× Herança jacente é aquela quando não há herdeiro certo e 
determinado, quando não se sabe da existência dele, ou quando o 
mesmo existe, mas a repudia. 
 
Não sendo o Estado herdeiro, para que o bem se incorpore ao domínio 
público, é indispensável a declaração judicial da vacância, não obstante 
o prazo de cinco anos corra da data da abertura da sucessão. 
 
Nessa ordem de idéias, primeiramente será feita a arrecadação dos 
bens da herança jacente. Chegando ao conhecimento do juiz da 
comarca, onde tinha domicílio o de cujus, de que este não deixou 
sucessores conhecidos, o próprio magistrado, de ofício, instaura o 
procedimento de arrecadação da herança então considerada jacente. 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
O Ministério Público, a Fazenda Pública ou qualquer outra pessoa 
interessada também pode comunicar ao juiz para que seja instaurado o 
referido procedimento. 
 
Feita a arrecadação da herança jacente, os bens da herança ficarão sob 
a guarda e administração de um curador. Se, no curso dos trabalhos, 
houver notícia de sucessor ou testamentário em lugar certo, o 
procedimento é suspenso e far-se-á a sua citação pessoal; ou, se 
publicado o edital acima referido, comparecer algum interessado 
(herdeiro, cônjuge ou testamenteiro), o juiz mandará ouvir o curador, o 
Ministério Público e a Fazenda Pública. Após as manifestações, se 
reconhecer a qualidade de herdeiro, cônjuge ou testamenteiro, 
converterá o processo em inventário, colocando fim à herança jacente. 
 
Art. 738. Nos casos em que a lei considere jacente a herança, o juiz em cuja comarca tiver 
domicílio o falecido procederá imediatamente à arrecadação dos respectivos bens. 
 
 Arrecadação dos bens pertencentes a ausente (art. 744 do CPC): 
feito, entretanto, não contencioso. Obs: Não existe morte civil, mas 
ausência. 
 
Art. 744. Declarada a ausência nos casos previstos em lei, o juiz mandará arrecadar os bens do 
ausente e nomear-lhes-á curador na forma estabelecida na Seção VI, observando-se o disposto 
em lei. 
 
 Falência, como sanção (arts. 53, 56 § 4º, 61 § 1º, 72 parágrafo único e 
73 da Lei “de recuperação judicial, recuperação extrajudicial, falência 
empresário e de sociedade empresária” nº 11.101/2005), decretada no 
curso de processo existente com objetivo distinto. 
 
× Diante da falência, a empresa pode, por iniciativa própria, entrar com 
uma ação de recuperação. Se for de má-fé, o juiz pode decretar a 
falencia de oficio. 
 
• Processo Laboral: (Falta a explicação) 
 
 Execução de sentença favorável ao empregado (art. 878 a CLT). 
 Execução de sentença relativa a contribuição previdenciária (ao 
INSS) incidente sobre a condenação, imposta ao vencido de 
verbas trabalhistas (arts. 114, VIII da CF e 876 da CLT). 
 
• Processo Penal: habeas corpus (art. 654, § 2º do CPP). Art. 654. O habeas 
corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério 
Público. § 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem 
de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na 
iminência de sofrer coação ilegal. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
d) Intangibilidade / imodificabilidade / imutabilidade / inalterabilidade / caso 
julgado: coisa julgada (parte final do inciso XXXVI do art. 5º da CF): “A lei não 
prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. A coisa 
julgada não pode ser alterada nem mesmo pelo próprio judiciário. 
 
Funções não judicantes dos órgãos jurisdicionais: Servem para assegurar 
o funcionamento da atividade-fim. 
 
• Administrativas 
 
■ Constitucionais: art. 96, I, “b”, “c”, “e”, “f”. 
 
Art. 96. Compete privativamente: 
I - aos tribunais: 
b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados, 
velando pelo exercício da atividade correicional respectiva; 
c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva 
jurisdição; 
e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no art. 169, 
parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança assim 
definidos em lei; 
f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que 
lhes forem imediatamente vinculados; 
 
Obs: A alínea “a” é função legislativa do judiciári, que se verá adiante. 
 
■ Legais: exemplos 
 
► Realização de procedimentos licitatórios para aquisição de bens e 
contratação de obras e serviços; * 
 
► Suspensão por ato monocrático de presidente de tribunal – por critério de 
mera conveniência administrativa – de decisões judiciais desfavoráveis ao 
poder público não definitivas. 
 Mandados de segurança: Leis 12.016/2009 (revogou a Lei 
4.348/1964) e 8.039/90 (arts. 15 e 25). 
 Demais ações: Lei 8.437/1992 (art. 4º). 
 
× Quando o juiz, ou o próprio tribunal, em decisão precária (decisão não 
definitiva, provisória, que pode ser cancelada) condena o poder público – quer 
seja numa liminar, numa antecipação de tutela, num acordão, numa sentença 
etc – a decisão ainda cabe recurso. O procurador do poder público pode tentar 
convencer o presidente do tribunal que a execução daquela decisão, antes da 
coisa julgada, não é conveniente administrativamente. O presidente do tribunal, 
então, em juizo discricionário, em conveniência justificativa, pode suspender a 
execução da decisão, da qual o poder público sucumbiu até a coisa julgada, 
quando transitar em julgado será executado mediante alguns pressupostos. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Isso é função meramente administraiva do presidente do tribunal. As 
vezes acontece de haver uma decisão de 5 desembargadores e o presidente 
do Tribunal, sozinho, suspender a decisão. Ele não diz se o julgamento está 
certo ou errado, ele não entra nesse mérito, mas diz se é conveniênte ou não a 
execução daquela decisão. Isso é, portanto, matéria administrativa. Exemplo 
prático: O juiz de Barreiros dá uma decisão contra o município de Barreiros. Tal 
decisão é implicativa de incoveniência administrativa. O procurador, então, 
mostra ao presidente do Tribubal, por meio de documentos, que se terá um 
prejuízo muito grande na administração, e que será muito inconveniente de 
executar tal decisão. O presidente, assim, se convence e, sozinho, suspende a 
execução da decisão. Será uma decisão do próprio tribunal; ele decidirá como 
autoridade administrativa, e não como autoridade jurisdicional. 
 
(LEI 8.039/90) Art. 25 - Salvo quando a causa tiver por fundamento matéria constitucional, compete ao 
Presidente do Superior Tribunal de Justiça, a requerimento do Procurador-Geral da República ou da 
pessoa jurídica de direito público interessada, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e 
à economia pública, suspender, em despacho fundamentado, a execução de liminar ou de decisão 
concessiva de mandado de segurança, proferida, em única ou última instância, pelos Tribunais 
Regionais Federais ou pelosTribunais dos Estados e do Distrito Federal. 
 
(LEI 8.437/92) Art. 4° - Compete ao presidente do tribunal, ao qual couber o conhecimento do 
respectivo recurso, suspender, em despacho fundamentado, a execução da liminar nas ações 
movidas contra o Poder Público ou seus agentes, a requerimento do Ministério Público ou da pessoa 
jurídica de direito público interessada, em caso de manifesto interesse público ou de flagrante 
ilegitimidade, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas. § 1° Aplica-
se o disposto neste artigo à sentença proferida em processo de ação cautelar inominada, no processo de 
ação popular e na ação civil pública, enquanto não transitada em julgado. 
 
• Legislativas 
 
■ Elaboração de regimentos internos: art. 96, I, “a”, da CF? SIM 
 
× As normas de processo de cada tribunal são tratados pelos regimentos 
internos, seguindo o que está posto na Constituição. O Código de Processo 
Civil e o Código Civil são usados subsidiariamente. 
 
Art. 96. Compete privativamente: 
I - aos tribunais: 
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de 
processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos 
respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos; 
 
Assim, cabe ao tribunal, por causa dessa autorização constitucional para 
legislar, editar seu regimento interno, que diz como o tribunal funciona etc. 
Cada tribunal tem suas peculiaridades, por exemplo: não faz sentido querer 
que o Tribunal de Justiça de São Paulo funcione como o Tribunal de Justiça de 
Alagoas, visto a diferença de tamanho e de demandas. Tal regimento interno 
tem eficária subjetiva de ressalva e inova na ordem juridica. Trata-se, 
portanto, de atividade materialmente legislativa autônoma de cada 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
tribubal. No tribunal, a lei processual, a fonte processual primária, não é o 
Código de Processo, mas sim o regimento interno. 
 
■ Edição de súmulas vinculantes? DEPENDE, apenas é ato legislativo se a 
súmula inovar no ordenamento jurídico (raridade). 
 
× Súmula, em uma linguagem mais abrangente, significa “resumo”, “síntese”. A 
súmula da jurisprudência dos tribunais é o resumo da compreensão dos 
tribunais, sobre o que eles aplicam no direito; é o 
resumo das teses do tribunal. Serve, nesses casos, 
como caráter orientativo para facilitar a vida de quem 
é usuário dos serviços jurisdicionais do tribunal. As 
súmulas de cada tribunal são criadas de acordo com o 
número de casos decididos com mesma matéria, quando o tribunal está 
“maduro” sobre tais teses, quando decidiram muito sobre tal assunto. 
 
Tem-se o exemplo da Súmula 498 do STJ: Não incide imposto de renda sobre 
a indenização por danos morais. Justificativa: O imposto de renda é feito sobre 
os acréscimos patrimoniais, sobre a renda que é incorporada ao patrimônio; 
indenização, por sua vez, não é renda, mas a reparação de um dano, não faz 
crescer o patrimônio, muito pelo contrário, ele foi diminuido. O STJ, assim, 
sumulou tal tese, mas ela não é vinculante, ou seja, irá orientar as decisões 
do STJ, mas um juiz de uma instância abaixo poderá decidir de outro modo, 
pois tal súmula só orienta o STJ. Por isso, não é vinculante! 
 
A súmula vinculante foi introduzida pela emenda constitucional nº 45 de 2004, 
que acrescentou o artigo 103-A, na CF. 
 
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de 
dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucio nal, aprovar súmula 
que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos 
do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, 
bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 
 § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca 
das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que 
acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. 
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula 
poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. 
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a 
aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato 
administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou 
sem a aplicação da súmula, conforme o caso. 
 
As súmulas são “enunciados que, sintetizando as decisões assentadas pelo 
respectivo tribunal em relação a determinados temas específicos de sua 
jurisprudência, servem de orientação a toda a comunidade jurídica." Ou seja, 
com o fim de tornar público e conhecido seu modo reiterado de entendimento 
■ Decisão: 
1ª Instância (juiz singular) 
= Sentença 
2ª Instância Superior = 
Acórdão 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
sobre determinado assunto, os tribunais editam uma súmula que serve de 
referencial não-obrigatório sobre o mundo jurídico. 
 
Quanto as súmulas vinculantes, são as mesmas súmulas editadas pelos 
tribunais, porém com um efeito vinculante que as torna obrigatórias à 
comunidade jurídica e a Administração Pública no geral, uma vez que possuem 
força de lei. Além disso, cabe apenas ao Supremo Tribunal Federal a edição de 
tais súmulas. A Súmula Vinculante não é ato normativo que inova no 
ordenamento jurídico, da mesma forma que não cria direito, além de que não 
resolve demandas judiciais com o revestimento de imutabilidade das decisões, 
requisitos indispensáveis à conformação das funções legislativa e jurisidiconal. 
 
A Súmula Vinculante não é atividade sujeita ao regime jurídico legislativo. Vale 
notar, inclusive, que a súmula “perde o objeto” quando a lei que embasa sua 
edição é alterada ou revogada. Através da Súmula Vinculante, não há criação 
primária de direito, ainda que se tenha em mira o atingimento de um número 
indeterminado de pessoas sujeitas a certa previsão sumulada, mesmo que o 
enunciado desta possua fundamento diretamente extraído da Constituição. 
 
Uma coisa é a lei; outra, a súmula. A lei emana do Poder Legislativo. A súmula 
é uma apreciação do Poder Judiciário, que interpreta a lei em sua aplicação 
aos casos concretos. Por isso a súmula pressupõe sempre a existência da 
lei e a diversidade de sua exegese. A lei tem caráter obrigatório; a súmula 
revela-lhe o seu alcance, o sentido e o significado, quando ao seu respeito se 
manifestam simultaneamente dois ou mais entendimentos. Ambas têm caráter 
geral. Mas o que distingue a lei da súmula é que esta tem caráter jurisdicional e 
interpretativo. É jurisdicional, porque emana do Poder Judiciário; é 
interpretativo, porque revela o sentido da lei. A súmula não cria, não inova, não 
elabora lei; cinge-se a aplicá-la, o que significa que é a própria voz do 
legislador. 
 
Súmula 2 do STF: É inconstitucional a lei ou ato normativo Estadual ou Distrital 
que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e 
loterias. Justificativa: art. 22, XX, CF. “Compete privativamente à União legislar 
sobre sistemas de consórcios e sorteios”. 
 
Alguns Estados e o DF começaram a legislar sobre jogos de azar. Como isso é 
uma atividade que, além do aspecto moral não ser, de maneira legislativa, 
recomendável a União, os Estados começaram a invadir a esfera de 
competência legislativa da União. Quando tal entendimento tornou-se súmula 
vinculante, todos os processosabaixo do STF tiveram que aplicar tal decisão, 
julgando procedente a ação da polícia federal de fechar tais estabelecimentos. 
Quem planejava entrar com uma ação nesse sentido foram proibídos. Vale 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
pontuar, também, que só cabe ao STF rever, revisar e cancelar as súmulas 
vinculantes. 
 
A súmula vinculante possui eficácia subjetiva universal, embora não inove na 
ordem jurídica. Se, porém, eventualmente ocorrer de uma súmula específica 
vier a inovar, essa súmula será atividade materialmente legislativa; é muito raro 
de acontecer, e o supremo é extremamente cauteloso, sendo difícil eles tirarem 
a competência de outro poder. 
 
Súmula e jurisprudência: As decisões reiteradas têm uma unificação sobre o 
mesmo tema, formando uma jurisprudência, que é o conjunto de várias 
decisões reiteradas com o mesmo conteúdo. O tribunal, assim, para facilitar a 
compreensão dessas jurisprudências, estabelece a súmula, ou seja, sumulam 
as jurisprudências, sendo a súmula a conclusão das jurisprudências. 
 
Resumindo: Edição de súmula vinculante não é ato materialmente 
legislativo visto que falta o requisito da inovabilidade, mesmo que tenha a 
eficácia universal. 
 
■ Julgado das ações diretas de constitucionalidade e 
inconstitucionalidade? DEPENDE, apenas é ato legislativo se as decisões 
forem pela incostitucionalidade. 
 
× Quando o Supremo decide (portanto, trata-se de controle 
abstrato/concentrado) que uma norma é constitucional, ele confirma a 
presunção de constitucionalidade licita a todas as normas; quando decide que 
uma norma afronta a constituição, em sede de controle abstrato, a decisão 
tornará definitiva aquela norma inconstitucional, tendo a decisão eficácia 
universal e, portanto, suspendendo a eficácia da norma. Não há a revogação 
da norma, pois o Supremo não tem essa competência: apenas suspende-se a 
sua eficácia. 
 
- Quando a ADC é procedente, há a confirmação da presunção de 
constitucionalidade. Tem eficácia subjetiva universal, embora não inove no 
ordenamento jurídico. Não é, portanto, ato legislativo. 
- Quando a ADC é improcedente, significa que tal norma é inconstitucional. 
Quem estava obrigado a pagar tal taxa, por exemplo, agora não está mais. 
Tem eficácia subjetiva universal e inova na ordem 
jurídica. Trata-se, portanto, de ato materialmente 
legislativo. 
- Quando a ADIN é improcedente, confirma-se a 
constitucionalidade da norma. A eficácia continuará 
sendo aplicada a todos, não muda muita coisa. 
Portanto, não inovará na ordem jurídica. É a mesma 
■ Ação Direta de 
Constitucionalidade = 
ADC 
■ Ação Direta de 
Incostitucionalidade = 
ADIN 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
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lógica da ADC procedente. Não se trata, portanto, de ato legislativo. 
- Quando a ADIN é procedente, confirma-se a inconstitucionalidade e 
suspende-se a eficácia da norma. Há eficácia subjetiva universal da decisão e 
inova-se na ordem jurídica. É a mesma lógica da ADC improcedente. Trata-se, 
portanto, de ato materialmente legislativo. 
 
RESUMINDO: 
 
Nos casos em que há a inconstitucionalidade, diz-
se que é tanto ato jurisdicional, como ato 
legislativo. É, portanto, um ATO HÍBRIDO. É 
jurisdicional porque alguém precisou provocar o 
supremo e há decisão de coisa julgada, e é 
legislativo pois inovou e tem eficácia universal. 
 
Nos casos em que a decisão do supremo é feita pela constitucionalidade, tudo 
fica como era antes, pois só houve a confirmação de constitucionalidade. Não 
há inovação quando a decisão é pela constitucionalidade e pelo controle 
concentrado. É apenas ato jurisdicional. 
 
Obs: Na linguagem constitucional, diz que “fica sustada a execução do preceito 
reputado inconstitucional. 
 
■ Julgado das ações civis de tutela de direito (coletivo) difuso? NÃO 
 
× Aqui, a decisão judicial aplica o direito já existente, não inovou na ordem 
jurídica, mesmo a eficácia sendo universal. É um ato jurisdicional com eficácia 
universal. Não é ato legislativo. 
 
PONTO IMPORTANTE: Lembrar que, quando a tutela é de direito coletivo, e o 
titular for difuso (quando não da pra identificar) a eficácia é universal. Assim, 
nesses casos, a eficácia é a mesma da lei, erga omnes. Porém, não se trata de 
ato legislativo pelo judiciário, pois não inova na ordem juridica, embora seja de 
eficácia subjetiva universal. 
Quando é direito coletivo, com titular coletivo propriamente dito, com 
titulariedade identificável, a eficácia será singular (interpartes). 
 
Direitos difusos constituem direitos transindividuais, ou seja, que ultrapassam a esfera de um 
único indivíduo, caracterizados principalmente por sua indivisibilidade, onde a satisfação do direito 
deve atingir a uma coletividade indeterminada, porém, ligada por uma circunstância de fato. Por 
exemplo, o direito a respirar um ar puro, a um meio ambiente equilibrado, qualidade de vida, entre 
outros que pertençam à massa de indivíduos e cujos prejuízos de uma eventual reparação de dano 
não podem ser individualmente calculados. 
Direitos coletivos constituem direitos transindividuais de pessoas ligadas por uma relação 
jurídica base entre si ou com a parte contrária, sendo seus sujeitos indeterminados, porém 
determináveis. Há também a indivisibilidade do direito, pois não é possível conceber tratamento 
diferenciado aos diversos interessados coletivamente, desde que ligados pela mesma relação 
■ CONTROLE DIFUSO = 
CONCRETO = INDIRETO = VIA 
DE DEFESA = DE EXCEÇÃO 
 
■ CONTROLE CONCENTRADO = 
ABSTRATO = DIRETO = VIA 
PRINCIPAL = DE AÇÃO 
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jurídica. Como exemplo, citem-se os direitos de determinadas categorias sindicais que podem, 
inclusive, agir por meio de seus sindicatos. Trata-se do interesse de uma categoria. 
 
■ Julgado dos dissídios coletivos do trabalho (sentença-normativa)? SIM 
 
× Quando o tribunal analisa o conflito e julga alguma mudança, essa decisão 
vai atingir a todos os trabalhadores dessa categoria, seja de profissional como 
de empregadores. Além disso, a decisão vai inovar, ou seja, vai haver 
mudança. Ocorre quando uma categoria econômica entra em greve, como 
professores, rodoviários, bancários, comerciários, etc. Vale-se lembrar que a 
greve é uma forma de autotutela (lide trabalhista coletiva). Se a greve for ilegal, 
encerra-se o conflito; se legal, os pedidos são julgados. 
 
Exemplo: mudança do salário mínimo do bancário de R$880,00 para 
R$1000,00. Todos os demais trabalhadores vão continuar ganhando R$788,00, 
mas os bancários, por conta da decisão, vão ganhar a mais. Isso inova na 
ordem jurídica e é de eficácia universa para todos daquela categoria 
(bancários), vinculando tanto os bancários como os banqueiros. 
 
A decisão do tribunal nessas matérias não tem o nome de acórdão, mas de 
sentença-normativa (materialmente judicial e substancialmente legislativa). É 
uma locução pois “sentença” só atinge as partes, e normativas atinge todo 
mundo. É, portanto, um ATO HÍBRIDO, tanto ato legislativo como ato 
jurisdicional. 
 
Obs: A decisão do TRT é de mesma natureza das decisões do Supremo. 
 
Funções jurisdicionais de órgãos não integrantes da estrutura do poder 
judiciário: 
 
Antes de entrar no assunto, faz-se necessário os seguintes questionamentos: 
Será que existe função jurisdicional fora do judiciário? É monopólio do poder 
judiciário a função jurisdicional? Ou há função jurisdicional fora dele? Para 
responder, faz-se necessário pontuar as características do ato jurisdicional: a 
inércia inicial da jurisdição e a definitividade. Sendo assim, há julgamento fora 
do judiciário com essas características? SIM! Como se verá adiante. 
 
a) Cassação de mandato de parlamentar por sua própria câmara 
legislativa.× Esse julgamento tem todas as características substanciais do ato 
jurisdicional, como se verá a seguir. Nesses casos, a Câmara é provocada 
(portanto há inércia inicial), instaura-se o proccesso e o político em questão se 
defende. Se a casa legislativa, seja a Câmara dos Deputados ou Senado, 
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entender que o político não agiu com decoro parlamentar (que é a conduta 
individual exemplar que se espera ser adotada pelos políticos), o mandato é 
cassado e quem assume é o suplente. Essa decisão é um julgamento 
político, ou seja, está fora do controle do poder judiciário. Trata-se de um ato 
interna corporis. É, mesmo assim, uma decisão definitiva. Portanto, trata-se de 
um ato materialmente, substancialmente e ontologicamente jurisdicional, assim 
como a decisão do juri que condena ou absolve alguém que praticou homicídio. 
A diferença entre esses dois casos é que no juri cabe recurso, e na decisão da 
cassação não cabe. 
 
Obs: Pode caber a apreciação do judiciário, mas há um controle de legalidade 
do processo, e não do conteúdo em si da decisão. 
 
b) Julgamento político de crime de responsabilidade por casas 
parlamentares. 
 
× Trata-se de julgamento jurisdicional em sentido rigoroso, como por exemplo o 
impeachment. Pode acontecer no plano estadual, municipal e federal. É a 
mesma lógica do ponto anterior. 
 
A decisão nas duas hipóteses, pelo Congresso Nacional, através de suas duas 
casas, é um julgamento político irretomável, imodificável, intangível, 
insuscetível de modificação: é ato materialmente jurisdicional. 
 
Obs: Não há atividade jurisdicional pelo Poder Executivo. 
 
Exemplo: MS 23388 DF: Item 8. “Não cabe, no âmbito do mandado de 
segurança, também discutir deliberação, interna corporis, da Casa Legislativa. 
Escapa ao controle do Judiciário, no que concerne a seu mérito, juízo sobre 
fatos que se reserva, privativamente, à Casa do Congresso Nacional formulá-
lo”. O judiciário não pode rever esse julgamento mas trata-se, mesmo assim, 
de ato jurisdicional. É ato interna corporis. 
 
Sistemas de jurisdição: 
 
Não faz sentido perguntar qual é o melhor sistema, pois isso é fruto de um 
processo histórico: há vantagens e desvantagens em ambos. 
 
► Dualidade: modelo francês, onde há o contencioso administrativo. 
 
× Esse sistema surgiu após a Revolução Francesa, quando os juizes do antigo 
regime começaram a se perguntar se iriam começar a julgar de acordo com o 
novo regime, ou pelo novo. Os novos juizes que chegaram começaram a ser 
vistos como objeto de desconfiança (“Será que esse pessoal vai julgar com 
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justiça?). Então, uma das medidas revolucionárias foi instituir a justiça 
administrativa para permitir que não fossem julgados pelos antigos uizes, que 
julgavam de forma arbitrária durante o antigo regime. 
 
Nesse modelo há dois conjuntos de órgãos para prestar atividades 
jurisdicionais paralelos, simultâneos. É chamado, na França, de “controle 
contencioso administrativo” ao lado do “controle jurisdicional ou judicial”. Esse 
último, vale dizer, é como o nosso, em que na base há os juizos de direito e no 
ápice há Suprema Core (STF e STJ, ou “Suprema Corte de Cassação, como é 
chamada na Itália). No contencioso administrativo, ao invés dos juizos de 
Direito, há os juizos ou conselhos administrativos e no ápice tem o Conselho de 
Estado. É claro que, entre a base e o ápice, existem tribunais intermediários 
(como os TJ’s no Brasil). 
 
Os tribunais administrativos a atividade judicial é prestada quando o Estado e 
suas expressões são páfias. Então, o Estado francês nãoo vai a juizo aqui 
como o nosso, mas, quer como demandante, quer como demandado, ficará no 
contencioso administrativo. As outras ações, por exclusão, residualmente, são 
da competência da magistratura judicial. O c.a julga com a mesma qualidade 
do contencioso judicial, embora não sejam os mesmos juizes nem os mesmos 
cursos. Tais deciões no c.a não cabe recurso no Conselho de Estado, nem na 
Suprema Corte. 
 
Nesse modelo, portanto, o poder judiciário não toma conhecimento dos atos 
ilícitos praticados pela Admnistração Pública, ficando esses atos sujeitos 
apenas à jurisdição especial do contencioso administrativo. A justiça comum só 
tem legitimidade para apreciar a atividade da Administração com algumas 
ressalvas, como nos casos em que envolvem capacidade de pessoas, 
repressão penal e litígios que envolvem propriedade privada, por exemplo. 
 
Em suma: 
Instâncias do Contencioso Judicial: Suprema Corte, STJ, TRFs/TJs e Juizes de 
Direito (assim como no Brasil). 
Instâncias do Contencioso Administrativo: Conselho de Estado, Tribunal 
Administrativo e Juizes Administrativos. 
 
► Unidade: modelo inglês de jurisdição única, seguido pelo Brasil. 
 
× Nesse sistema, todas as demandas desaguam em um único órgão 
jurisdicional, incluindo nos casos em que a demanda é contra o poder público, 
ou quando o poder público é o demandante. Em outras palavras, todos os 
litífios, sejam administrativos ou privados, podem ser levados à justiça comum, 
ou seja, ao Poder Judiciário, que é o único com competência para dizer o 
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direito aplicável aos casos litigiosos, de forma definitiva, com força de coisa 
julgada. 
 
Princípios regentes (para se entender o funcionamento da jurisdição): 
 
• Juiz natural / juizo constitucional : (arts. 5º, XXXVII, LIII, 92 e 98 da CF). 
 
Tal princípio significa que todos os acusados que vão provocar a jurisdição tem 
direito a um juiz, como previsto na CF: “XXXVII - não haverá juízo ou tribunal 
de exceção; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela 
autoridade competente”. Em outras palavras, só é órgão jurisdicional aquele 
que for criado pela CF, pois é matéria de reserva constitucional. Não pode a 
lei infraconstitucional criar um órgão jurisdicional se a Constituição não tiver 
autorizado previamente. Por isso, esse princípio também é chamado de Juizo 
constitucional. 
 
Obs: “Tribunais de exceção” seriam aqueles que não são previstos na 
constitução ou que a constituição não autorizou a sua formação através de lei 
infraconstitucional. 
 
Obs: Deixar que uma lei infraconstitucional (ordinária ou complementar, por 
exemplo) criasse um órgão jurisdicional seria como deixar que um órgão 
infraconstitucional criasse uma Assembleia Legislativa, um Senado. Como o 
órgão jurisdicional diz respeto a uma das funções básicas do Estado, órgãos 
que exerçam essa função devem ser criados por decisão constituinte, seja do 
originário ou derivado. 
 
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: 
Supremo Tribunal Federal; Conselho Nacional de Justiça; Superior Tribunal de Justiça; Tribunal Superior 
do Trabalho; Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; Tribunais e Juízes do Trabalho; Tribunais e 
Juízes Eleitorais; Tribunais e Juízes Militares; Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e 
Territórios. 
 
Esse princípio se desdobra em três conceitos: só são órgãos jurisdicionais os 
instituídos pela Constituição; ninguém pode ser julgado por órgão constituído 
após a ocorrência do fato; entre os juízes pré-constituidos, vigora uma ordem 
imperativa de competências que exclui qualquer alternativa deferida à 
discricionariedade de quem quer que seja. 
 
O art. 92 trata dos órgãos jurisdicionais e qual a composição de cada um. Há, 
também, nesse artigo, órgãos administrativos. O Conselho Nacional de Justiça, 
incluído no rol do art. 92 pela EC 45, por exemplo, é um órgão administrativo 
que fiscaliza o exercício a contento da magistratura. As decisões do CNJ são 
passiveis de controle do poder judiciário pelo STF. Cada órgão previsto na CF 
tem exposto a sua composiçãoe o que se deve julgar. Ex: o art. 101 diz sobre 
a composição do STF; o art. 102 fala das competências do STJ. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
 
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão: 
 
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o 
julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial 
ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a 
transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau; 
 
II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com 
mandato de quatro anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos, verificar, de ofício ou 
em face de impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem 
caráter jurisdicional, além de outras previstas na legislação. 
 
§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça Federal. 
 
§ 2º As custas e emolumentos serão destinados exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às 
atividades específicas da Justiça. 
 
O art. 98 é o único caso em que o legislador constituinte delegou uma lei para 
criar um órgão jurisdicional. É o único caso em que a constituição autoriza a 
criação de um órgão jurisdicional pela lei infraconstitucional. Trata-se de uma 
permissão para os Estados membros e para a União criar os juizados 
especiais para julgar uma matéria específica. A Constituicao, ao invés de 
criar os juizados ela mesma, autorizou a criação pelos Estados Membros se 
quisessem. 
 
De nada adiantará a criação de um órgão que não funcione a contento. Nai 
basta apenas ter órgãos criados por decisão constituinte, é necessário que 
seus ocupates, os agentes jurisdicionais, exerçam a função jurisdicional a 
contento, com independência, sem medo. Entao é preciso que tenham 
garantias para isso, que são as garantias apresentadas pela doutrina como 
decorrência do principio do juízo natural. 
 
 Corolário: garantias de independência da magistratura. 
(Corolários são os princípios decorrentes – consequências - de tal princípio principal). 
 
a. Independência Jurídica: princípio da plenitude hermética (art. 140 do 
CPC). 
 
Trata-se da garantia de independência jurídica. O juiz tem obrigação de 
decidir usando o ordenamento jurídico, mesmo que haja lacunas nesse. 
Usa-se a lei como base, primeiramente. Se lacunosa, usa-se as 
analogias, costumes e princípios. 
 
Em outras palavras, na solução de um conflito, só deve ser levado em 
consideração o direito como matéria-prima, e não “achismos”. Se não 
houvesse esse limite, a sentença seria uma caixa de surpresas. Se o 
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UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
juiz fizer uma interpretação diferente do que está exposto na norma, a 
instância superior pode corrigir. 
 
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou 
obscuridade do ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei. 
 
 Não há lacuna no direito, mas sim na norma. No julgamento da lide, 
cabe ao juiz aplicar normas legais. Não havendo tais normas, ele deverá 
recorrer à analogia, aos costumes e aos princípios gerais do direito 
(nessa ordem). O juiz nada deve inventar; ele não pode dizer que não 
vai decidir porque ao tem lei que regule a matéria. 
 
Essa garantia é uma consequência da plenitude hermética do direito, 
pois todas as condutas humanas possíveis estão reguladas pelo Direito. 
O princípio da plenitude hermética da ordem jurídica enuncia que a 
ordem jurídica não tem lacunas, eis que ela mesma contêm os meios de 
as resolver. 
 
Significa dizer que os jurisdicionados têm a garantia de que o juiz, na 
solução da lide, vai aplicar apenas o Direito. O Direito é a única matéria-
prima que ele irá utilizar nesse processo de “fabricação”; não irá julgar 
com história, economia, religião, subjetivismos. Ele poderá até agir 
assim, mas a decisão sera passível de controle, de revisão, pela 
instancia hierarquicamente superior. 
 
b. Independência Política: princípios da inamovibilidade, irredutibilidade, 
vitaliciedade (art. 95 CF). 
 
A garantia de independência politica do magistrado esta previsto na 
constituição, pontuando que o juiz tenha o dever de decidir aplicando o 
direito e que ele é politicamente independente. Serve para que os 
jurisdicionados tenham um julgamento de qualidade. 
 
Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: 
 
I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de 
exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do 
tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial 
transitada em julgado; 
 
II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, 
VIII; 
 
III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 
39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Para se entender a Vitaliciedade faz-se necessário ter uma noção do 
regime jurídico constitucional dos servidores públicos. Os cargos 
públicos podem ser em comissão, que é ato discricionário da autoridade 
administrativa tanto paraa admitir quando para dispensar (ex: o 
presidente da república escolhe o ministro da fazenda que ele quiser, e 
também pode dispensá-lo a hora que quiser), ou estáveis, que tem o 
acesso por meio de concurso público. A estabilidade, aqui, não é 
adquirida na hora da posse, mas é preciso passar por um estafio 
probatório de três anos (exemplo: uma pessoa faz concurso publico e 
depois de três anos ela atinge a estabilidade). 
 
Estabilidade não significa que ele não poderá ser demitido, mas que 
para ele ser demitido deve ser não por um ato discricionário, mas por um 
ato vinculado consequente de um inquérito administrativo apurador da 
falta que levou a exclusão. Desse processo administrativo, ainda, é 
assegurado a ampla defesa e o contraditório. 
 
A vitaliciedade não significa que o juiz só sairá do cargo quando morrer, 
até porque o juiz (ou membro do MP) é dispensado do cargo quando 
completa 70 anos. A vitaliciedade significa que depois de dois anos de 
estágio probatório, ele pode ser excluído, mas não por inquérito 
administrativo, e sim por sentença transitada em julgado. Pela mesma 
razão da independência politica de atuação, que era exclusivados juízes, 
a vitaliciedade foi estendida aos membros do Ministerio Publico. 
 
Essa regra serve não para proteger a pessoa do juiz, mas a função do 
julgador. Isso se dá pelo fato de ser o juiz uma das poucas pessoas 
que tem condições de enfrentar e afastar os que exercem mal alguma 
função pública. Se houver alguma pessoa poderosa que está abusando 
deste poder, é o juiz quem pode impedir esse malfeitor. 
 
Em síntese: Geralmente o juiz substituto é promovido para juiz de 
primeiro grau e só depois adquire a vitaliciedade. Significa dizer que, 
no exercício de dois anos após passar no concurso para se tornar juiz, 
ele terá a vitaliciedade. Não precisa ser promovido, necessariamente, 
para ter a vitaliciedade. Geralmente o juiz substituto é promovido (antes 
de dois anos) e quando completar o prazo de dois anos ele adquire. 
 
Os dois anos não começam a contar a partir da promoção para juiz de 
primeiro grau. Já começa a contar a partir da efetivação dele no cargo 
de juiz substituto mesmo. 
 
 1º GRAU DE JURISDIÇÃO: Juiz substituto → Nos juizos 
2º GRAU DE JURISDIÇÃO: Desembargador ou Juiz de Direito → Nos tribunais. 
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Cabe ao juiz substituto atuar não só em situações de ausência do juiz 
titular, mas também em conjunto com este último para adquirir 
experiência. Geralmente um juiz substituto acaba tendo atuação em 
conjunto com vários outros magistrados dentro de uma circunscrição, 
que é a divisão territorial de atuação do Poder Judiciário. Um juiz 
deixa de ser substituto quando é promovido, e passa a ser juiz de 
Direito de 1ª entrância, quando atuam em cidades de menor porte e 
são responsáveis por todos os processos da localidade. Após são 
promovidos para juiz de Direito de 2ª entrância, em que, em cidades de 
maior porte, atuam com outros juízes, mas cada um com determinada 
área especializada e assim sucessivamente. 
 
Vitaliciedade ≠ Estabilidade. A primeira é assegurada apenas aos 
magistrados e aos membros do Ministério Público e do Tribunal de 
Contas. A segunda diz respeito aos demais funcionários públicos, que 
consiste em não poder perder o cargo senão por sentença judiciária ou 
por procedimento administrativo. Ex: O professor tem estabilidade 
na função, mas pode ser mudado de lugar; é estabilidade na função e 
não no local. Os servidores públicos só podem perder a função em 
razão de uma falta grave funcional apurada em inquérito administrativo 
com ampla defesa. 
 
Obs: Não são privilégios, mas garantias à própria sociedade; seria mais 
oportuno que o caput do artigo fosse “Os usuários da justiça têm direito 
que os magistrados sejam: vitalícios, inamovíveis e seus subsídios 
sejam irredutíveis”. 
 
A inamovibilidade, que é o contrário de mobilidade (movível de um 
canto para outro). Todo servidor publico é, por jurisdição, dotado de 
mobilidade funcional. O cargo desses servidores, que hoje está aqui, 
amanhã pode estar em outro lugar. 
 
Exemplo: Um concurso regionalizado (Estado de Pernambuco) para 
medico dentista com vagas para Palmares, Ouricuri e Recife. João se 
candidatou e passou para a vaga de Recife. Quando já estava 
trabalhando, surgiu uma carência de medico dentista em Ouricuri, o 
governador, então, pode mover João para Ouricuri, pois ele não tem 
direito subjetivo de permanecer na capital, visto que ele é servidor 
publico, logo o interesse público vem em primeiro lugar. 
 
Exemplo: Há um surto de uma determinada moléstia no interior do 
Estado de Pernambuco, sendo que esse lugar não tem nenhum edico 
infectologista. O governador pode remover de oficio um servidor (medico 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
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infectologista) de outra parte do Estado para aquele luga com surto. 
Acontece isso pois fazer outro concurso é inviável, levaria muito tempo. 
 
Para esses servidores, ainda, quando a mudança é definitiva, o servidor 
recebe uma ajuda de cuto para a mudança (a lei prevê que é um mês de 
salário). O servidor não pode se recusar a ser movido, pois se não for 
equivale a um tipo penal: abandono de cargo público. 
 
JÁ QUANTO A REMOÇÃO DE JUIZES E MEMBROS DO MINISTÉRIO 
PUBLICO, é diferente. A regra geral é a de que essa remoção, essa 
mobilidade, não é possível, pois ambos exercem uma função de Estado 
que precisa da tranquilidade psicológica de que os poderoses não irão 
afrontá-los, enm mesmo com uma promoção para mascarar sua 
remoção. Aqui, os juízes só mudam de lugar se pedir, quando tiver vaga. 
Ele postula a remoção a pedido, não a remoção de oficio. Quando há um 
cargo para juiz, o tribunal publica o edital no diário oficial para quem tiver 
interesse se candidate. 
 
Em suma: Primeiro alguém é removido, se não houver pedido de 
remoção para essa vaga que surgiu, será aberto um edital para qem 
quiser ser promovido. Entre os candidatos, é escolhido alguém para 
promover, sendo então mudado para aquela comarca que se 
candidatou. É a chamada “remoção a pedido”. 
 
Obs: Poderá haver a remoção também como pena, ou a pedido do 
próprio juiz, e não por interesse público. 
 
Há, porém, exceções a essa regra. Se o juiz sofrer um processo 
administrativo em razão de uma falta funcional, dendendo da intensidade 
da falta, da gradação da falta, o tribunal pode entender que uma boa 
punição será a sua remoção. Exemplo: O juiz que gosta de praia é 
removido para Araripina. O juiz pode sofrer várias sanções, como prevê 
o artigo 93, VIII CF. 
 
Art. 93. VIII - o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do 
magistrado, por interesse público, fundar-se-á em decisão por voto da 
maioria absoluta do respectivo tribunal ou do Conselho Nacional de 
Justiça, assegurada ampla defesa. 
 
Obs: Quando se escuta que o juiz foi colocado em “disponibilidade” não 
quer dizer que ele foi aposentado, mas que ele foi penalizado 
(disponibilidade é pena). Ele continuará recebendo seu vencimento 
proporcional ao tempo de contribuição. 
 
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Quando uma pessoa faz o concurso para juiz, ela ingressa como juiz 
substituto, não possuindo, ainda, a garantia da inamovibilidade. Depois 
que passa do período probatório (2 anos), ele passa a ter tal garantia. 
Isso significa dizer que quando ele for titularizado em uma Vara, ele não 
pode ser transferido de uma comarca para outra se ele não quiser. Tal 
imovibilidade abrange o grau, a sede, a comarca ou a seção judiciária, o 
cargo, o tribunal e a câmara. A inamovibilidade garante a permanência 
do juiz na unidade judiciária em que formalmente lotado, salvo por 
motivo de interesse público, reconhecido em decisão da maioria 
absoluta do STF ou do CNJ. 
 
O magistrado precisa da garantia de que, se ele der uma decisão que 
desagrade o prefeito/governador, por exemplo, não irá sofrer o risco de 
sair de tal região. Ele vai decidir sem medo de pressões. (≠ dos 
servidores públicos, como médicos e professores, que podem ser 
movidos para outro lugar se requisitados). Essa garantia abrange, 
inclusive, a possibilidade de recusar promoção na carreira, quando 
referida benesse camuflar uma manobra contra o juiz. Ou seja, uma vez 
titular do respectivo cargo, o juiz somente poderá ser removido ou 
promovido por iniciativa própria, nunca ex officio de qualquer outra 
autoridade. 
 
O juiz substituto que ainda não atingiu a vitaliciedade é “nômade”. Ele 
receberá ajuda de custo quando não estiver na sua região. Para que o 
juiz substituto seja movido para a segunda entrância, faz-se necessário 
que ele passe ao menos dois anos na primeira; ele só sera movido para 
a segunda, passado esse tempo, se ele quiser. 
 
A irredutibilidade de subsídio diz respeito a não redução do salário do 
juiz. Os usuários da justiça tem o direito a um juiz que não sofra ameaça 
de redução de salário. Essa garantia tem o objetivo de manter a 
dignidade e independência dos juízes, porque os salários integrais dos 
juizes estariam absolutamente assegurados durante o período de suas 
funções, não podendo ser reduzido mesmo que suas sentenças não 
satisfaçam o desejo de pessoas importantes. 
 
Não é só o juiz que recebe subsídios, mas todos os agentes estatais que 
integram a estrutura das três funções básicas e do Ministério Público. A 
remuneração do juiz, prefeito, presidente da republica, governador, 
vereadores, deputados, senadores e membros do MP chama-se 
“subsídios”. Os demais agentes públicos recebem “vencimento”. 
 
Na Constituição pretérita, a irredutibilidade servia apenas à magistratura. 
A CF/88 estendeu ao Ministério Público e aos trabalhadores em geral 
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(públicos e privados). Hoje, trata-se de uma garantia constitucional: 
nenhum trabalhador publico ou privado pode ter seu salário reduzido. 
 
→ Corolário: garantias de imparcialidade e insuspeitabilidade do juiz: arts. 144 
e 145 do CPC). 
 
Outra ordem de garantias e corolários são as chamadas GarantiasPsicológicas 
para assegurar um juiz imparcial, desempedido, desembaraçado, insuspeito. 
Essa matéria não é prevista na Constituição, mas sim em lei infraconstitucional, 
nos Códigos de Processo. 
 
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado 
exercer suas funções no processo: 
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou 
como perito, funcionou como membro do Ministério 
Público ou prestou depoimento como testemunha; 
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, 
tendo proferido decisão; 
III - quando nele estiver postulando, como defensor 
público, advogado ou membro do Ministério Público, 
seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, 
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até 
o terceiro grau, inclusive; 
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu 
cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo 
ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, 
inclusive; 
V - quando for sócio ou membro de direção ou de 
administração de pessoa jurídica parte no processo; 
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou 
empregador de qualquer das partes; 
VII - em que figure como parte instituição de ensino 
com a qual tenha relação de emprego ou decorrente 
de contrato de prestação de serviços; 
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de 
advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, 
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até 
o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por 
advogado de outro escritório; 
IX - quando promover ação contra a parte ou seu 
advogado. 
§ 1o Na hipótese do inciso III, o impedimento só se 
verifica quando o defensor público, o advogado ou o 
membro do Ministério Público já integrava o processo 
antes do início da atividade judicante do juiz. 
§ 2o É vedada a criação de fato superveniente a fim de 
caracterizar impedimento do juiz. 
§ 3o O impedimento previsto no inciso III também se 
verifica no caso de mandato conferido a membro de 
escritório de advocacia que tenha em seus quadros 
advogado que individualmente ostente a condição 
nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente 
no processo. 
 
Art. 145. Há suspeição do juiz: 
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou 
de seus advogados; 
II - que receber presentes de pessoas que tiverem 
interesse na causa antes ou depois de iniciado o 
processo, que aconselhar alguma das partes acerca 
do objeto da causa ou que subministrar meios para 
atender às despesas do litígio; 
III - quando qualquer das partes for sua credora ou 
devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de 
parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, 
inclusive; 
IV - interessado no julgamento do processo em favor 
de qualquer das partes. 
§ 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de 
foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões. 
§ 2o Será ilegítima a alegação de suspeição quando: 
I - houver sido provocada por quem a alega; 
II - a parte que a alega houver praticado ato que 
signifique manifesta aceitação do arguido. 
 
Se o juiz funcionar nessas situações, o processo será nulo. Em suma: 
I. No processo em que for parte: O juiz não pode julgar ele mesmo, pois por 
mais equilibrado que ele seja, ninguém vai aceditar na lisura e correção desse 
julgamento. Exemplo: uma pessoa faz concurso publico para juiz da justiça do 
trabalho. Quando chega na vara para trabalhar, econtra um processo da sua ex 
empregada doméstica. Ele é impedido de atuar naquele processo. 
II. Em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, 
funcionou como órgão do Ministério Público, ou prestou depoimento 
como testemunha. Nesse inciso é possível ver o nível de sofisticação que 
chegao o nosso direito processual. Uma pessoa que foi membro do MP, e 
depois passou no concurso para a magistratura não pode atuar nos processos 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
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em que funcionou como membro do MP. Isso porque, no Ministério Publico, há 
uma atuaccao apaixonada, ousada, até atrevida, animus acusandi. Então, para 
não contaminar o julgamento, o antigo membro do MP não pode atuar nos 
casos em que funcionou como MP: o processo irá para outro juiz. Outra 
situação de impedimento é quando ele atuou como testemunha, pois o juiz viu 
o fao, mas não pode não atuar com independência. 
 
• Inafastabilidade (exceções: atos interna corporis que estão fora do controle 
jurisdicional). 
 
Art. 5º, XXXV. “A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 
ameaça a direito”. Quem se sentir lesado ou ameaçado tem o direito de ir à 
justiça. Uma lei infraconstitucional não pode impedir essa ida à jurisdição. É 
como se o legislador constituinte dissesse que é proibido proibir que se vá à 
jurisdição. A parte tem o direito a ver apreciadas pelo juízo competente as suas 
razões e a ver fundamentadas as decisões que lhes negam conhecimento. 
 
Esse principio é destinado a regular conduta de quem tem esse mister de 
produzir lei infraconstitucional. Assim, os destinatários são os agentes do Poder 
Legislativo e Executivo, que participa também do processo legislativo não só 
propondo leis, mandando projetos para o Congresso, mas também 
sancionando ou vetando. Esse principio, portanto, tem destinatário certo. 
 
• Indeclinabilidade (art. 140 do CPC). 
 
Esse princípio significa que o juiz não pode declinar do seu oficio, deixando de 
atender quem deduza em juízo uma pretensão, pedindo a tutela jurisdicional. 
Nem mesmo a lacuna ou a obscuridade da lei exime o juiz de proferir decisão 
ou sentençaa, devendo, nesses casos, valer-se dos costumes, analogia e dos 
princípios gerais do direito, como visto. É um princípio considerado implícito. 
 
O juiz tem a obrigação de julgar. Se nem a lei pode proibir a ida a jurisdição, 
quem exerce o ofício tem a obrigação constitucional de dizer e declarar o 
direito aplicado, de processar e jugar a lide. Regula a conduta não dos agentes 
legislativos, mas dos agentes jurisdicionais. Esse principio regula a conduta de 
quem tem o oficio constitucional para declarar o direito aplicável no caso 
concreto, portanto, os destinatários são os magistrados. 
 
• Inevitabilidade / irrecusabilidade 
 
A inevitabilidade significa que ninguém pode fugir aos atos dos órgãos 
jurisdicionais, que o poder do Estado atua independente da vontade ddas 
partes, no âmbito do processo; esse principio decorre diretamente da garantia 
da inafastabilidade. 
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Uma parte da doutrina o considera implícito, e outra parte considera 
decorrente. A doutrina diz que a atividade jurisdicional é tao importante para a 
sociedade que a lei não pode excluir a ida ao judiciário e que o juiz não pode 
deixar de julgar, ou seja, que o julgamento é de cumprimento obrigatório, 
inevitável. 
 
Não se confunde com o principo da indeclinabilidade? NÃO! “Declinar” significa 
declarar. Portanto, juiz não pode recusar-se a aplicar o direito aplicável ao caso 
concreto (principio da indeclinabilidade). Já aqui, diz respeito ao cumprimento 
do julgado, sendo destinado a regular a conduta das partes, primeiramente da 
parte vencida, que tem que cumprir o julgado. Isso dá direito a parte vencedora 
de exigir o cumprimento do julgado. O cumprimento não pode ser recusado. 
 
As partes estarão sujeitas ao magistrado fornecido pelo Estado, não podendo, 
conforme sua conveniência, escolher o juiz que apreciará o caso 
concreto. Diante disso, este princípio quer dizer que as partes não podem 
recusar o juiz designado pelo Estado, ou seja, as partes não podem recusar o 
julgador que lhes ofertou o Estado. Exceto nos casos de suspeição, 
impedimento e incompetência, em que deverá ser propostas as respectivas 
exceções. 
 
A decisão, também, é inevitável. A parte que sucumbiu tem que cumpriro 
julgado (execução coativa do julgado). Regula a conduta do subumbido. Em 
outras palavras, o julgado é de cumprimento inevitável depois da coisa julgada; 
é irrecusável. 
 
• Investidura peculiar (v. artigo do Prof. Celso Antônio Bandeira de Melo, 
publicado na Folha de São Paulo de 04.08.1999). 
 
Contexto: A chefia do executivo e das funções legislativas se da depois de um 
processo seletivo (as eleições). A investidura das funções legislativas, do 
município até a União, se da por mandato eletivo. As funções, os cargos e 
empregos públicos e funções publicas da Administracao Publica, inclusive do 
Judiciario, mas não para o oficio jurisdicional, são providas po um modus 
operandi previstos na Constituição. Se é emprego ou cargo publico, faz 
concurso; se é função sem cargo ou cargo em comissão, o provimento é ato 
administrativo discricionário, de livre escolha. Quanto aos cargos que 
dependem de aprovação previa de provas, ou provas e títulos, sera 
determinado pela Constituição ou Lei infraconstitucional. 
 
A exigência para ter acesso à função jurisdicional, há a exigência de títulos; é 
imposição constitucional para a magistratura. 
 
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A função jurisdicional somente poderá ser exercida por quem for legalmente 
investido no cargo. Assim, só as pessoas aprovadas em concurso público, e 
legalmente nomeadas, são detentoras do poder de julgar. Isto é, só pode 
exercer a função jurisdicional quem tiver investido nela na forma da lei. 
 
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da 
Magistratura, observados os seguintes princípios: 
I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e 
títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se do 
bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à 
ordem de classificação; 
 
Em suma: Todo cargo público tem uma maneira estabelecida no ordenamento 
de investidura. Se for cargo eletivo, o ingresso será por meio de eleição, por 
exemplo. Pode também o emprego público ter sua investidura por meio de 
concurso público; há cargos que se dão por meio de nomeação, se for 
comissão. A investidura, assim, é um ato administrativo discricionário. A 
investidura é um procedimento (começa com o edital, inscrições, exames, 
homologação dos candidatos, nomeação e posse). Quando ocorre a posse, 
termina-se o procedimento administrativo de investidura. 
 
Art. 37. II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público 
de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na 
forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre 
nomeação e exoneração. 
 
• Territorialidade / aderência ao território 
 
Significa que a jurisdição pressupõe um território sobre o qual é exercida, não 
se podendo falar em jurisdição, senão enquanto correlata com determinada 
área territorial do Estado. É também chamado de principuio da 
improrrogabilidade da jurisdição. Estabelece, inclusive, limites às atividades 
jurisdicionais dos juízes que, fora do território sujeitos por lei à sua jurisdição, 
não podem exercê-las, não passando de um cidadão como qualquer outro. 
 
O exercício da jurisdição é delimitado a um determinado espaço físico. Todo 
órgão jurisdicional exerce seu poder nos limites de uma base física 
predeterminada. O juiz de Direito de Itamaracá, por exemplo, não tem 
jurisdição ao chegar em Itapissuma. A jurisdição do STF, porém, é todo o 
território brasileiro, inclusive o território marítimo até 200 milhas náuticas. 
 
As vezes, a comarca é território de dois municípios, sendo um sede e outro 
apêndice. A comarca de Vitória de Santo Antão, por exemplo, era a de Vitória + 
Pombos. Posteriormente, foi criada uma comarca em Pombos. 
 
Exemplo: Há um processo tramitando em Caruaru e uma testemunha que vai 
ser arrolada não mora mais lá, mora em Petrolina. O juiz de Caruaru não pode 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
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arrolar em Petrolina, pois ele só tem jurisdição sobre os habitantes de Caruaru. 
O juiz de Caruaru oficia o juiz de Petrolina pedindo que ele ouça/intime essa 
testemunha, para que ela compareça a fórum de Petrolina, para que o juiz a 
escute, e depois de colher o depoimento, esse juiz passa o material para o juiz 
de Caruaru. Trata-se de uma carta precatória (instrumento utilizado pela 
Justiça quando existem indivíduos em comarcas diferentes, é um pedido que 
um juiz envia a outro de outra comarca). 
 
Qual é a base territorial do Tribunal de Justiça de Pernambuco? É o território 
continental do Estado + territ´prios insulares de Fernado de Noronha e 
Itamaracá. 
 
Qual a base territorial do STF, TRT...? Todo território nacional, incluindo as 200 
milhas náuticas. 
 
Obs: O juiz de Olinda não mandava o oficial de justiça para o Recife. Antes, 
havia uma carta precatória para isso. Como a realidade geoeconômica mudou, 
chamada Região Metropolitana, isso teve que sofrer uma adaptação. Houve 
uma mudança em relação ao artigo 230 do CPC: “Nas comarcas contiguas e 
de fácil comunicação, e nas que se situem na mesma região metropolitana, o 
oficial de justiça poderá efetuar citações ou intimações em qualquer delas”. 
 
• Duplo grau de jurisdição ou de cognição 
→ Justificativas 
a. Falibilidade humana do juiz 
b. Inconformismo psicológico dos vencidos 
→ Conteúdo: reexame, geralmente feito por órgãos colegiados (vários juízes 
discutindo sobre o assunto). 
→ Modalidades 
a. Facultativo / voluntário: mediante impugnação recursal/recursos. 
b. Obrigatório / necessário: arts. 496 do CPC, 574 do CPP e 14 § 1º da Lei 
de MS nº 12.016/2009. 
 
Esse principio significa que todos que procuram o judiciário têm o direito a um 
duplo grau de julgamento no mesmo processo; têm direito de um rejulgamento 
da causa, tem direito a um novo julgamento em uma instância superior, basta 
que o recorrente tenha pedido processo total ou parcialmente. Só pode pedir 
revisão do julgado quem sucumbiu em sua pretensão de tutela, ou seja, quem 
perdeu o processo completamente ou parte dele. 
 
Exemplo: Alguém entrou com um processo civil e pediu uma indenização de 5 
mil reais; o juiz só deu 3 mil. Significa dizer que ambos perderam: o autor 
perdeu 2 mil e o demandado perdeu 3 mil. A mesma coisa ocorre no processo 
penal: ajuizou-se uma demanda criminal, pediu-se a pena máxima, o juiz deu 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
10 anos com duas agravantes, sendo distante da pena máxima. O MP pode 
recorrer para aumentar a pena e o sucumbente que dizia que era inocente vai 
recorrer ao Tribunal, vai pedir ao Tribunal que reconheça a sua inocência. Há, 
aqui, a sucumbência recíproca (as duas partes estão insatisfeitas), pois 
ambos sucumbiram, então ambos vão ajuizar um recurso e vao contrarrazoar o 
recurso da parte contraria: é o chamado duplo grau voluntário, que é aquele 
exercido em consequência do inconformismo voluntaario do sumbente que 
pede um mero julgamento. Nas demandas entre dois particulares, para haver 
revisão tem que haver recurso = impugnação voluntária. 
 
Sucumbência Recíproca: Processo → Sentença em primeiro grau → Recurso 
de uma parte + Recurso da outra parte (São 2 recursos). As duas partes serão 
recorrentes e recorridas, simultaneamente. 
 
Com base em que se instituiu o duplo grau de jurisdição? Por duas realidades 
antropológicas pungentes, inafastáveis: a falibilidade humana do juiz, um juiz 
preparado, comprometido com seu oficio, e o inconformismo psicológico, 
raramente o vencido aceita a derrota. 
 
Podehaver também o reexame obrigatório (também chamado de “recursos 
de oficio”) pois, dependendo do teor do julgamento, ou quem é parte do 
processo, a decisão judicial tem que ser obrigatoriamente mandada para o 
Tribunal, para ser vista mesmo sem recursos voluntários. São as seguintes 
situações: 
 
Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de 
jurisdição, não produzindo efeito senão depois 
de confirmada pelo tribunal, a sentença: 
 
I - proferida contra a União, os Estados, o 
Distrito Federal, os Municípios e suas 
respectivas autarquias e fundações de direito 
público; 
 
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, 
os embargos à execução fiscal. 
 
§1 Nos casos previstos neste artigo, não 
interposta a apelação no prazo legal, o juiz 
ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se 
não o fizer, o presidente do respectivo tribunal 
avocá-los-á. 
 
§2 Em qualquer dos casos referidos no § 1o, o 
tribunal julgará a remessa necessária. 
 
§3 Não se aplica o disposto neste artigo 
quando a condenação ou o proveito econômico 
obtido na causa for de valor certo e líquido 
inferior a: 
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e 
as respectivas autarquias e fundações de direito 
público; 
II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os 
Estados, o Distrito Federal, as respectivas 
autarquias e fundações de direito público e os 
Municípios que constituam capitais dos Estados; 
III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os 
demais Municípios e respectivas autarquias e 
fundações de direito público. 
 
§ 4o Também não se aplica o disposto neste 
artigo quando a sentença estiver fundada em: 
I - súmula de tribunal superior; 
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal 
Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em 
julgamento de recursos repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de 
resolução de demandas repetitivas ou de 
assunção de competência; 
IV - entendimento coincidente com orientação 
vinculante firmada no âmbito administrativo do 
próprio ente público, consolidada em 
manifestação, parecer ou súmula administrativa. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
 
Exemplo: todas as vezes eu a fazenda publica estiver em juízo, o que esta em 
discussão é o direito da coletividade x direito de parte individual. Então, no 
confronto entre esses direitos coletivo x privado, prevalece um tratamento 
processual diferente à administração pública, por causa da gestão do direito 
que é encarregada de gerenciar. Se a fazenda publica perder um processo, 
mesmo que não haja recurso voluntário, o processo não produz eficácia nem 
feito nenhumquando não for confirmada pelo Tribunal. A pessoa ganha, “sente 
o cheiro”, mas ainda não pode executar. É preciso que o tribunal confirme o 
acórdão. Nada impede que, mesmo tendo o reemxame necessário, o 
procurador publico também apresente o seu recurso voluntário. 
 
Esse reexame necessário também acontece em termos de Mandado de 
Segurança. O MS é para questionar ato administrativo próprio ou delegado a 
particular. Como coloca a lei de MS, toda vez que o juiz concede a segurança 
(só direito público, contra ato de autoridade), a lei exige que o tribunal reveja a 
matéria, para ver se o juiz não esta sendo muito bonzinho com a coisa pública. 
Precisa passar pelo crido do tribunal. 
 
A lei de MS não coloca “não produzindo efeito senão depois de confirmada 
pelo tribunal” como no artigo 496 do CPC. Na lei de mandado de segurança, 
não tem essa revisão. Quem obtem a segurança já produz efeito e manda o 
processo para o tribunal. Se o tribunal confirmar a decisão, ótimo. Se ele 
modificar a decisão, a pessoa que estava exercendo o direito deixa de exercer. 
Há efeitos, mas não tem coisa julgada. Quem obtem a prestaao jurisdicional, 
aqui, a obtem precariamente / provisoriamente. 
 
O Direito Penal também conta com o duplo grau de jurisdição. Toda vez que 
um juiz concede o habeas corpus, a decisão concessiva não fica submetida à 
eficácia do tribunal: já produz efeito desde a primeira decisão. Quando o juiz 
concede o HC ele já termina dizendo: Expeça-se o alvará. 
 
Art. 574. Os recursos serão voluntários 3, excetuando-se os seguintes casos, em que 
deverão ser interpostos, de ofício, pelo juiz: 
I - da sentença que conceder habeas corpus; 
II - da que absolver desde logo o réu com fundamento na existência de circunstância 
que exclua o crime ou isente o réu de pena, nos termos do art. 411. 
 
Se o tribunal, porém, reformar essa decisão, expede-se um novo mandado de 
prisão, da mesma maneira do incisoII, quando absolve o acusado com 
fundamento de inesistencia que exclua o crime. 
 
 
3 O ideal seria a expressão “Os recursos serão de reexame obrigatório (....)”. 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
O inciso II refere-se a casos de isenção de pena por crime típico mas com 
excludente de ilicitude. 
 
Obs: Não significa que diante da instancia superior, mantendo ou reformando a 
primeira decisão, não caberá mais recurso. Cabe a uma instância ainda mais 
superior, não sendo mais duplo grau obrigatório, mas duplo grau facultativo. 
Exemplo: O Estado de Pernambuco perdeu uma demanda perante um juiz de 
direito da vara de fazenda pública. Houve recurso para o TJ, que reformou. 
Diante da nova decisão, o Estado de Pernambuco ganhou. A parte contrária, 
então, que antes tinha sido a vitoriosa e sucumbiu, vai recorrer para o STJ. O 
reexame necessário não é a última palavra, o processo ainda está fluindo. 
 
 
Espécies: classificação para fins meramente didáticos 
 
► Quanto a eficácia subjetiva da decisão jurisdicional 
 
 Jurisdição Singular : 
 
a) Tutela de direitos individuais: vincula apenas as partes da lide (princípio 
da singularidade), isto é, os sujeitos determinados presentes no processo. 
 
b) Tutela de direitos coletivos não difusos: alcança somente sujeitos 
determináveis ou identificáveis. Exemplo: titulares de direitos individuais 
homogêneos (principio da singularidade). 
Obs: Princípio da singularidade: sujeitos determinados presentes no processo. 
 
Toda demanda individual (ação de despejo, ação de reconhecimento paternal), 
as demandas penais e a maioria das demandas civis cuidam de tutela de 
direito individual. 
 
Exemplo: João demandando contra Maria, Jose demandando contra a União, 
Estado demandando contra um Município. Ou seja, são tutela de direitos 
individuais e a eficácia só alcança as partes do processo. 
 
Também há processos que envolvem tutela de direitos coletivos, mas que não 
são difusos, determinando também uma eficácia singular. Exemplo: em uma 
ação contra a UNICAP, onde serão tutelados os direitos de todos os alunos de 
direito, o processo é coletivo, mas os sujeitos são identificáveis. Então, a 
eficácia subjetiva da decisão será singular, atingindo pessoas determinadas. 
 
 
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UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
Jurisdição Universal : 
 
a) Tutela de direitos coletivos difusos: atine sujeitos indetermináveis ou de 
muito difícil determinação (princípio da universalidade: exceção). 
 
Aqui, envolve-se ações civis públicas que são de tutela universal. Exemplo: 
Uma tutela relativa ao meio ambiente, para que um agente poluidor se 
abstenha de poluir, ou que só libere os resíduos na atmosfera depois de 
tratamentos químicos. Esse tipo de tutela serial universal porque vai beneficiar 
tanta gente que é impossível indentifica-las. Quem é que tem direito à boa 
qualidade do ar? Todos nós! Portanto, trata-se de direitos coletivos difusos. 
 
► Quanto a eficácia temporal da decisão judicial solucionadora do litígio 
 
 Definitiva : após a preclusão recursal. Quando ela está amparada pela coisa 
julgada, então ela é perene, constante, definitiva.É diferente da manifestaçãoo da jurisdição ainda sujeita a recurso, mesmo 
que seja sentença (abaixo). 
 
A Preclusão é um instituto do processo equivalente a prescrição e 
decadência. É quando uma pessoa não recorreu porque perdeu o prazo (foi 
omisso) ou aceitou “em silêncio” a decisão, ou quando não tem mais para 
onde correr. 
 
 Provisória ou Precára : demais situações. 
 
Se a sentença ainda é passível de recurso ou reexame necessário, então a 
decisão é chamada de jurisdição precária, provisória, temporária. Quando o 
juiz concede a liminar, quando defere o pedido de antecipação de tutela, 
quando o juiz sentencia o caso, mas ainda estpa sujeita a recurso. 
 
► Quanto a matéria a ser aplicada na solução da lide 
 
 Jurisdição Penal (e não apenas criminal). 
Ao falar Jurisdição Criminal, exclui-se as contravenções. Quem disciplina o 
funcionamento da Jurisdição Penal é o CPP. Tem por objetivo as lides de 
natureza penal. 
 Jurisdição Civil ou Cível : 
Quem disciplina o funcionamento da Jurisdição Civil é o CPP. Compreende as 
causas de natureza extrapenal, como as civis, comerciais,, administrativas, 
tributárias, constitucionais, trabalhistas etc. 
 
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► Quanto a natureza dos órgãos competentes para o serviço judicial 
 
 Jurisdição especial ou especializada em razão da matéria aplicável ao conflito: 
A Jurisdição Especial tem o seu campo de atuação assinalado pela lei. Qual é, 
então, a matéria especializada no direito brasileiro, para qual o julgamento 
procede de órgãos especializados? São as seguintes: 
 
a) Jurisdição Trabalhista: Sempre julgou apenas conflitos trabalhistas 
(dissídios do trabalho), mas desde a CF/88 que ela julga, também, 
matérias não trabalhistas determinadas pela CF. (reduzidamente). 
 
b) Jurisdição Eleitoral: TSE. É mista, servindo tanto para matérias penais 
(crimes eleitorais) como civis (condições de elegibilidade, anulação de 
um voto, cancelamento do título de eleitor etc). Só julga direito material 
eleitoral. 
 
c) Jurisdição Militar: A justiça militar, tradicionalmente, julga direito penal 
especializado. Recentemente, houve uma alteração na Constituição em 
que a Justiça Militar Federal só aplica Direito Penal. A Justiça Militar 
Estadual, por sua vez, aplica direito penal e administrativo. 
 
OBS: Essas matérias têm codificações específicas, mas não exaurem toda a 
disciplina. Essas codificações só regulam o que é peculiar, o que se faz 
necessário o uso do CPP e CPC subsidiariamente. 
 
Jurisdição Comum ou Ordinária 
 
As outras expressões do Poder Judiciário, que não é matéria especializada 
(não são as matérias acima) serão, por exclusão, matérias comuns, 
remanescentes. 
 
a) Jurisdição Distrital e Territorial 
b) Jurisdição Estadual 
c) Jurisdição Federal 
 
A Jurisdição Ordinária está ligada ao sentido de não ser especializada, ou seja, 
não julga matéria específica. É uma “clínica geral”. É como o juiz do Estado, 
que julga tudo de matéria que não é especializado. 
 
OBS: Os juizados especiais, de especial só tem o nome, pois julga tudo (exceto 
matéria eleitoral, militar e do trabalho). Também pode julgar matéria civil e 
penal. 
 
ALUNA: JULIANA AGUIAR LEAL C. DE AZEVEDO 
UNICAP – UBIRATAN (TGP) 2016.2 – I GQ 
► Quanto ao vínculo institucional dos órgãos jurisdicionais 
 
Com a União : Os órgãos Jurisdicionais têm vínculos e são por ela mantidos. 
a) Justiça do Distrito Federal e dos Territórios 
b) Justiça Eleitoral 
c) Justiça Federal 
d) Justiça Federal Militar 
e) Justiça Trabalhista 
f) STF 
g) STJ 
 
Com os Estados membros da Federação 
a) Justiça Estadual 
b) Justiça Estadual Militar 
 
► Quanto ao objeto da incidência da atividade estatal 
 
 Jurisdição Contenciosa 
a) Jurisdição de cognição (ou conhecimento) ou de declaração (no 
processo de conhecimento). 
- Jurisdição de tutela condenatória 
- Jurisdição de tutela constitutiva 
- Jurisdição de tutela meramente declaratória ou apenas declaratória 
 
b) Jurisdição executiva ou executória (no processo de execução) 
c) Jurisdição de cautela ou acautelatória 
 Jurisdição Voluntária : tutela estatal de direitos privados indisponíveis.

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