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22/08/2016 1 NOMENCLATURA ZOOLÓGICA Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE Disciplina – Zoologia Agrícola Profª. Jozélia Correia ZOOLOGIA AGRÍCOLA Compreensão da zoologia como ciência,considerando a sua estrutura e basesconceituais, incluindo o estudo da morfologia,fisiologia, ecologia e sistemática dos animais,com ênfase para os grupos de importância paraa Agronomia, destacando a importânciaeconômica e ecológica destes animais, bemcomo sua relação com o homem. OBJETIVO • Morfologia – estrutura do corpo animal • Fisiologia – funcionamento dos órgãos • Ecologia – relação dos animais entre si, com outros organismos e com o meio ambiente • Sistemática – classificação e identificação dos animais Zoologia Básica Zoologia Aplicada • Agrícola, Veterinária, Medicina, Zootecnia INTRODUÇÃO • O mundo animal contempla uma vastidão de mais de 1 milhão e 500 mil espécies conhecidas. • A diversidade de seres épossível graças, aheterogeneidade dosambientes da terra queoferecem condiçõespróprias e vários nichosecológicos. Filos Nº espécies descritas Artrópodes Quelicerados (35.000) Crustáceos (25.000) Insetos (800.000) 900.000 Moluscos 104.000 Cordados 60.000 Protozoários 30.000 Nematelmintos 12.000 Equinodermos 5.000 Anelídeos 7.000 Cnidários 9.000 Poríferos 5.000 • Protozoologia• Espongologia• Celenterologia• Helmintologia• Malacologia• Carcinologia• Aracnologia• Entomologia• Echinodermatologia Divisão da Zoologia • Ictiologia• Herpetologia• Ornitologia• Mastozoologia Divisão da Zoologia 22/08/2016 2 SISTEMÁTICA = TAXONOMIA • Sistemática – Estudo científico das formas dosorganismos, sua diversidade e as relaçõesentre eles.• Taxonomia – Estudo teórico da classificaçãoincluindo as respectivas bases, princípios,normas e regras.• Nomenclatura Zoológica - diz respeito àsregras que dão nomes aos grupos animaisorganizados pela taxonomia . Classificação dos animais Classificação Antiga (Lineu) Classificação ModernaCritérios Semelhanças e diferenças entre os organismos, levando-se em consideração poucas características Visão evolucionista –procura indicar o grau de parentesco entre os organismos empregando todas as características disponíveis: morfologia, anatomia, genética, bioquímica,... Categorias Hierárquicas (5) – Reino, Classe, Ordem, Gênero e Espécie (7) – Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e EspécieReinos (2) – Animal e Vegetal (5) – Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia Táxon X Categorias Taxonômicas • Na classificação dos animais, eles são distribuídosconforme seus caracteres, em grupos denominadostáxons. Os táxons são distribuídos em níveisdenominados categorias taxonômicas. TáxonNome dado a um determinado grupo de organismos. Ex. Chordata, Elaenia... Categorias TaxonômicaÉ a determinação do nível hierárquico em que os táxons são classificado Reino, Filo, subfilo, Superclasse, Classe, subclasse, Superordem, Ordem, Subordem, Superfamília, Família, Subfamília, Tribo, Subtribo, Gênero, Subgênero, Espécie e Subespécie. Nos sistemas de classificação filogenéticos, as categorias taxonómicas são constituídas deforma a refletir linhagens evolutivas. Assim, considera-se que dois seres vivos são tantomais próximos quanto maior for o número de taxa comuns a que pertencem. Este é um sistema de ordenação em que os seres vivos são agrupados numa série ascendente de Espécie ao Reino, onde a espécie constitui a unidade básica de classificação CÃO RATO CASCAVEL MOSCA REINO: Metazoa ou Animalia Metazoa ou Animalia Metazoa ou Animalia Metazoa ou Animalia FILO: Chordata (cordados) Chordata (cordados) Chordata (cordados) Arthopoda (invertebrados) CLASSE: Mammalia (mamíferos) Mammalia (mamíferos) Reptilia (répteis) Insecta (insetos) ORDEM: Carnivora (carnívoros) Rodentia (roedores) Squamata (lagartos e cobras) Diptera (com duas asas) FAMÍLIA: Canidae (cão,lobo) Muridae (ratos) Crotalidae (cascavéis) Muscidae (moscas) GÊNERO: Canis Mus Crotalus Musca ESPÉCIE: Canis familiaris Mus musculus Crotalus terrificus Musca domestica 22/08/2016 3 Táxon X Categorias Taxonômicas DipteraGastropoda Chordata Bothrops Ara ararauna Boa constrictor amarali Mollusca Cebidae NOMENCLATURA ZOOLÓGICA • Em 1758, Carlos Lineu formalizou o Sistema Binomial, onde cada ser vivo é identificado por 2 nomes: um genérico (Gênero) e outro específico (Espécie). Ex. Homo sapiens Sistema de nomes aplicados aos táxons animais. É regida pelo Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN, 1985) que disciplina o nome dos táxons dos grupos:Família ( Tribo, Superfamília e subfamília) Gênero (Gênero e Subgênero) Espécie (Espécie e subespécie) Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) • Conceito - é um sistema de regras e recomendações acerca da maneiracorreta de compor e aplicar os nomes zoológicos. É um documentoadotado pela comunidade zoológica internacional. • Objetivo – promover a estabilidade e a universalidade dos nomescientíficos dos animais, e assegurar que o nome de cada táxon seja único edistinto. • Requisitos (4) – unicidade, distinção, estabilidade e universalidade Unicidade: que é um e um sóDistinção: distinto de qualquer outroEstabilidade: o nome correto não deve ser alterado injustificadamente.Universalidade: é válido em qualquer parte OS NOMES DOS TÁXONS • Os nomes zoológicos são palavras latinas ou latinizadas (maioria provêm da língua Grega Clássica). • Número de palavras: os nomes podem ser uninomiais, binomiais, trinominais, tetranominais, isto é, são nomes compostos de uma, duas, três ou quatro palavras. • Grafia das letras: os nomes específicos e subespecíficoescrevem-se sempre com letra inicial maiúsculas. • Destaque no texto: os nomes genéricos, subgenéricos,específicos e subespecíficos costumam ser escritos de formaque fiquem destacados do restante do texto em queaparecem (negrito, itálico, sublinhados). OS NOMES DOS TÁXONS • Número de palavras: os nomes podem ser uninomiais, binomiais, trinominais, tetranominais, isto é, são nomes compostos de uma, duas, três ou quatro palavras. Binominais - Nome das espécies ex. Pitangus sulphuratus Trinominais - Nome das subespécies ex. Boa constrictor amarali Tetranominais – Gênero, Subgênero, Espécie, Subespécie ex. Partamona (Partamona) cupira helleri Uninominais - Demais categorias (Filo a Subtribo) ex. Tupinanbis OS NOMES DOS TÁXONS • Grafia das letras: os nomes específicos e subespecíficoescrevem-se sempre com letra inicial maiúscula.Ex.Gryllus assimilis,Ata sexdens piriventris • Destaque no texto: os nomes genéricos, subgenéricos,específicos e subespecíficos costumam ser escritos de formaque fiquem destacados do restante do texto em queaparecem (negrito, itálico, sublinhados). TytoAnopheles (Nyssorhynchus) argyritarsisApis melliferaAedes aegypti formosus 22/08/2016 4 OS NOMES DOS TÁXONS Categoria Terminação Exemplo Superfamília OIDEA Tephritoidea Família IDAE Tephritidae Subfamilía INAE Tephritinae Tribo INI Tephritini Mosca das frutasEx . HomemHominoideaHominidaeHomininae • Para citar o subgênero a que pertence uma espécie, cita-se o nome entre parênteses, com letra inicial maiúscula. O nome do subgênero não faz parte do nome da espécie. Aedes (Stegomyia) aegypti • Grupo de Familia: São exemplares nos quais se fundamentaram descriçõesde espécies.. TIPOS Holótipo – tipo mais usado, no qual o autor se baseia paradescrever a espécie.Parátipos – demais exemplares uma amostra na qual o autorse baseou para descrever uma nova espécie.Síntipo – nome dado a cada exemplar de uma amostraquando o autor não designe um como holótipo.Lectótipo – escolha posterior de um exemplar de uma série desíntipo para ser o fixador do nome.Paralectótipos – demais exemplares de uma de síntipo depoisda escolha do lectótipo.Neótipo – exemplar que substitui um holótipo ou lectótipoperdidosTIPOS Categorias de tipos: "Soldadinho-do-araripe" Antilophia bokermanni Coelho & Silva 1998 Holótipo •Homonímia – quando um mesmo nome é aplicado a doisou mais táxons do mesmo grupo (mesmo nome para dois oumais táxons). •Sinonímia – quando um táxon tem dois ou mais nomesdistintos (dois ou mais nomes para o mesmo táxon). HOMONÍMIA, SINONÍMIA, PRIORIDADE Para resolver casos de homonímia e sinonímia, o Código lança mão do princípio da prioridade. Princípio da PrioridadeToda a determinação de prioridade deve ser estabelecidapela averiguação das datas de publicação. Nos sinônimosou homônimos, vale o mais antigo. Ex. Colax Hubner, 1816 (gênero de lepidopteros) Colax Wiedemann, 1824 (gênero de dípteros) Wandolleck (1897) descobridor da homonímia atribuiu ao gênero díptero o nome de Atriadops. Homonímia Homônimo Sênior / Homônimo Júnior O táxon que tem o homônimo sênior é privilegiado e fica de posse do nome, o táxon que possui um homônimo júnior deve receber um novo nome. 22/08/2016 5 Sinonímia Em caso de sinonímia, o sinônimo sênior é o nome válido e todo sinônimo júnior deve ser descartado. Sinônimo Sênior / Sinônimo Júnior Ex. Prionus Fabricius, 1798Saperda Dalman, 1840Tomopterus Bates, 1900 Todo nome zoológico, para ser válido, deve ser devidamente publicado,em algum periódico especializado. O código não aceita dissertações demestrado ou teses de doutorado como publicações nesse sentido. • O autor de um nome é a pessoa que o publicou pela primeira vez comonome de um táxon. • Todo nome publicado tem autor e data da publicação. A autoria e datanão fazem parte do nome de um táxon, mas podem ser citados emconjunto. Ex. Melanosuchus niger Spix, 1825 PUBLICAÇÃO, AUTORIA E DATA Ex. Melanosuchus niger Spix, 1825 Ex. Lepidothrix vilasboasi (Sick, 1959) • Uma espécie ou uma subespécie podem ser transferidas deum gênero para outro, nesses casos, cita-se o nome do autore a data entre parênteses. Originalmente essa espécie de tangará foi descrita por Helmut Sick no ano de 1959 como Pipra vilasboasi, COLEÇÃO TAXONÔMICA Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPEDisciplina: Zoologia Agrícola Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPEDisciplina: Zoologia Agrícola Profª. Jozélia CorreiaProfª. Jozélia Correia • Pré-História coleta de animais para alimentação e a produção de vestimentas; Histórico das Coleções Zoológicas • Caráter recreativo: caça esportiva mamíferos e aves (troféus); Os troféus apodreciam... • Surgiram técnicas de preservação (conservação) permitindo a manutenção ossos e peles; Taxidermização (empalhamento) 22/08/2016 6 “Gabinetes de curiosidades” antepassados dos grandes museus de história natural. Se colecionava uma multiplicidade de objetos raros ou estranhos dos três ramos da biologia considerados na época: animalia, vegetalia e mineralia; Resultado das grandes explorações e descobrimentos dos séculos XVI e XVII Desapareceram durante os séculos XVIII e XIX: Sistemática Lineana, séc. XVIII, a coleta de animais passou a ter um caráter científico. Coleção Taxonômica A coleção taxonômica é a reunião ordenada deespécimes mortos ou partes corporais desses espécimes,devidamente preservados para estudos. Diversidade Zoológica: Mais de 1.500.000 espécies. Importância das coleções É imprescindível para estudos taxonômicos – toda a classificação animal se fundamenta em estudo comparativo de caracteres morfológicos que podem ser analisados em espécimes preservados. Oferece os elementos para comprovação de toda pesquisa pregressa – todo material utilizado por pesquisadores para publicação dos resultados de seus estudos há que estar devidamente preservado e será utilizado, posteriormente, em confrontações. Coleções Didáticas Coleções de Pesquisa Destinadas ao ensino, demonstrações e treinamento Destinada a pesquisa científica: estudos taxonômicos, biogeográficos, ecológicos... Curta duração, necessitando renovação permanente Longa duração Manuseio por pessoas leigas (estudantes) Manuseio por pessoas credenciadas (pesquisadores) Pode conter exemplares parcialmente danificados e com informações incompletas (procedência, data, coletor) Exemplares íntegros com o maior número de informações disponíveis Ocupam pequenos espaços Necessitam de grandes espaços Tipos de Coleções 22/08/2016 7 Tipos de Coleções • Coleções didáticas: Tem por objetivo o ensino, treinamento e demonstrações. • Coleções Científicas: pesquisa científica. Entomológica Ornitológica • Coleções de interesse econômico: insetos pragas de lavouras, vetores, animais peçonhentos, etc Fontes de material para Coleção • Permuta; • Retenção; • Expedições zoológicas ou viagens de coleta; • Doações Técnicas de coleta Depende do material zoológico que se deseja coletar. Puçás Equipamentos seletivos para captura de peixes Espinhel 22/08/2016 8 Tarrafas Rede de espera Rede de arrasto Matapi (corvo, armadilha de convergência) Preparação do material coletado (campo) a. Laço de vara de bambu; b. Laço para captura de jacarés; c. Pinção; d. Gancho para serpentes. Equipamentos seletivos para captura de répteis 22/08/2016 9 Lagartos e serpentes na armadilha Armadilha de Interceptação e Queda (Pitfall trap) usadas para capturar anfíbios e répteis Equipamentos seletivos para captura de aves e mamíferos voadores – rede de neblina ou mistnet. Trilha Busca ativa de Anfíbios e Serpentes Armadilha fotográfica Crânio de anta (T. terrestris) recém morta por caçadores na trilha do Cachoeirinha Bando de quatis (Nasua nasua) Veado-mateiro (Mazama americana) Anta (Tapirus terrestris) Queixada (Tauassu pecari) 22/08/2016 10 Pegada de mão-pelada (Procyon cancrivorus) Buraco de tatu (Dasypus kapplen) Vestígios: fezes de anta (Tapirus terrestris)Vestígios: fezes de veado (Mazama sp.) Organização e Manutenção da Coleção Manutenção da Coleção • Exames periódicos da coleção. • Evitar incidência de luz, umidade e pó. • Acrescentar ou substituir periodicamente produtos defensivos, repelentes ou preservativos nas coleções a seco. • Manter o álcool nas coleções úmidas. Preservação em Via-líquida • Em álcool 70% (30% de água destilada e 70% de álcool); • Formol 10% (90% de água destilada e 10% de formol); • Duração: vários anos; • Não recomendado para alguns grupos: Lepidoptera (borboletas e mariposas) em geral e Diptera- Culicidae (mosquitos) – são frágeis e possuem escamas e cerdas importantes para a identificação. Preservação • Vertebrados • Invertebrados (álcool a 70%) pequenos álcool a 70% (Conservação); demais formol a 10% (Fixação). Preservação em Via-Seca • Alfinetagem - insetos de corpo duro; • Envelopes ou triângulos • Ossos, conchas, exoesqueletos, peles (taxidermia). Preservação Preservação Preservação em Via-Seca Taxidermia artística Taxidermia científica