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CURSO DE DIREITO ADMINISTRATIVO (TEORIA E EXERCÍCIOS) 
DECIFRANDO A FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS - FABIANO PEREIRA 
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1 
Prof. Fabiano Pereira www.pontodosconcursos.com.br 
Olá! 
 
Depois de algumas semanas juntos, conhecendo e entendendo o Direito 
Administrativo brasileiro, chegou o momento de começarmos a tratar de 
alguns assuntos mais “espinhosos”, a exemplo do controle e da 
responsabilidade civil do Estado. 
Ao analisar o conteúdo da aula, perceba que as bancas examinadoras 
têm o hábito de cobrar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e 
Supremo Tribunal Federal em suas questões, já que não existe uma lei 
específica regulando os citados temas. 
Assim, encontrando qualquer dificuldade na assimilação do conteúdo, 
fique à vontade para recorrer ao fórum de dúvidas, pois, certamente, todas as 
perguntas enviadas serão respondidas. 
No mais, bons estudos! 
Conte comigo sempre que precisar! 
 Fabiano Pereira 
fabianopereira@pontodosconcursos.com.br 
"O sonho e a esperança são dois calmantes que a natureza concede ao ser 
humano." 
(Frederico I) 
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CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
1. Considerações iniciais ............................................................. 03 
2. Conceito .................................................................................. 03 
3. Classificação ........................................................................... 04 
3.1. Quanto à extensão do controle .................................... 04 
3.2. Quanto à natureza do controle .................................... 04 
3.3. Quanto ao âmbito da Administração ............................ 06 
3.4. Quanto à oportunidade ................................................ 07 
3.5. Quanto à iniciativa ....................................................... 08 
4. Controle administrativo ........................................................... 08 
4.1. Instrumentos ............................................................... 09 
5. Controle legislativo ................................................................. 14 
5.1. Controle político ........................................................... 14 
5.2. Controle Financeiro ...................................................... 17 
6. Controle Judicial ...................................................................... 22 
7. Revisão de véspera de prova – “RVP”...................................... 28 
8. Questões comentadas ........................................................... 57 
9. Questões com gabaritos ........................................................ 90 
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1. Considerações inicias
A atuação do agente público na materialização das atividades 
administrativas não pode se pautar em sua vontade pessoal. É necessário que 
os atos e condutas provenientes dos agentes públicos sejam pautados na lei 
(princípio da legalidade) e amparados por uma fundamentação fática e 
jurídica que permita o respectivo controle e fiscalização (motivação). 
Essa necessidade decorre do próprio texto constitucional, mais 
precisamente do parágrafo único, artigo 1º, ao declarar que “todo o poder 
emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou 
diretamente, nos termos desta Constituição”. 
Apesar de o poder originar-se do povo, é necessário esclarecer que não 
é o povo que administra diretamente o Estado. Em regra, o poder é exercido 
indiretamente, através de representantes eleitos para o exercício de funções 
legislativas e administrativas. Assim, é imprescindível que o “povo” tenha 
acesso às informações e às condutas administrativas de seus representantes 
com o objetivo de fiscalizá-las e realizar o respectivo controle, que pode ser 
exercido através da provocação dos órgãos públicos competentes e da 
utilização de instrumentos jurídicos criados com essa finalidade. 
Apesar da possibilidade de participação do povo no controle e fiscalização 
da Administração Pública, esta se caracteriza por ser uma atribuição 
essencialmente estatal, constituindo verdadeiro poder-dever dos órgãos a 
que a lei atribui essa função, sejam eles integrantes do próprio Poder 
Executivo, ou, ainda, dos Poderes Legislativo e Judiciário. 
2. Conceito
O professor José dos Santos Carvalho Filho denomina de controle da 
Administração Pública “o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos 
por meio dos quais se exerce o poder de fiscalização e de revisão da atividade 
administrativa em qualquer das esferas de poder”. 
No mesmo sentido, a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro define o 
controle da Administração como “o poder de fiscalização e correção que sobre 
ela exercem os órgãos dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, com o 
objetivo de garantir a conformidade de sua atuação com os princípios que lhe 
são impostos pelo ordenamento jurídico”. 
Analisando-se os conceitos apresentados pelos mencionados professores, 
conclui-se que o controle da Administração Pública não se restringe apenas 
ao próprio Poder Executivo, sendo exercido também pelos Poderes Legislativo 
e Judiciário. Ademais, alcança todos os atos editados no exercício da função 
administrativa, independentemente do Poder responsável pela edição. 
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3. Classificação
Os doutrinadores brasileiros apresentam várias classificações para o 
controle da Administração Pública, mas, para fins de concursos públicos, é 
importante destacar as seguintes: 
3.1. Quanto à extensão do controle 
3.1.1. Controle interno 
É aquele exercido internamente, por cada um dos Poderes, em relação 
aos seus próprios atos. Podemos citar como exemplo o controle exercido 
pela Corregedoria de Justiça em relação aos atos praticados pelos servidores 
do Poder Judiciário, ou, ainda, o controle exercido por um Gerente Executivo 
do INSS em relação aos seus subordinados. 
Assim, é correto afirmar que o controle interno de seus próprios atos é 
exercido pelo Poder Legislativo, pelo Poder Judiciário e pelo próprio Executivo, 
sempre amparados no poder-dever de autotutela. 
(FCC/Executivo Público – Casa Civil/2010) Controle interno é todo 
aquele realizado pela entidade ou órgão responsável pela atividade 
controlada, no âmbito da própria Administração. 
3.1.2. Controle externo 
Ocorre quando o controle dos atos administrativos é exercido por um 
Poder diferente daquele responsável pela sua edição. Essa possibilidade está 
amparada no artigo 2º da Constituição Federal de 1988, ao afirmar que “são 
poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o 
Executivoe o Judiciário”. 
São vários os exemplos que podem ser apresentados, entre eles a 
anulação de um ato administrativo do Poder Executivo pelo Poder Judiciário; o 
controle realizado pelos Tribunais de Contas sobre os atos do Executivo e do 
Judiciário; o julgamento anual, pelo Congresso Nacional, das contas prestadas 
pelo Presidente da República (artigo 49, V, CF/88), entre outros. 
O controle externo de maior abrangência certamente é aquele exercido 
pelo Poder Judiciário, pois este tem a prerrogativa de analisar a legitimidade e 
a legalidade dos atos editados pelos demais poderes, em caráter de 
definitividade (coisa julgada material). 
(FCC/Executivo Público – Casa Civil/2010) Controle externo é o que se 
realiza por um Poder ou órgão constitucional, independente 
funcionalmente, sobre a atividade administrativa de outro Poder 
estranho à administração responsável pelo ato controlado. 
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3.2. Quanto à natureza do controle
3.2.1. Controle de legalidade ou legitimidade 
Controle de legalidade ou legitimidade é aquele em que se verifica a 
conformidade da conduta ou ato administrativo com o direito vigente. 
Constatando-se a incompatibilidade da ação ou omissão administrativa com a 
lei ou princípios gerais do Direito, a revisão da conduta ou do ato é medida 
que se impõe. 
Quando os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estão analisando a 
legalidade de seus próprios atos, tem-se o controle interno de legalidade. 
Por outro lado, quando a legalidade dos atos editados por um poder está sendo 
analisada por outro poder, ocorre o controle externo de legalidade. 
Exemplo: Quando o Poder Judiciário julga mandado de segurança 
impetrado em face de ato administrativo supostamente ilegal, editado por 
agente do Poder Executivo, exerce o controle externo. Entretanto, quando a 
Corregedoria de Justiça anula ato administrativo praticado por autoridade 
judiciária, ocorre o controle interno de legalidade. 
3.2.2. Controle de mérito 
No controle de mérito, não se analisa a conformidade da edição do ato 
com a lei, mas sim a conveniência e a oportunidade da conduta 
administrativa. O objetivo é verificar se aquilo que é mais conveniente, 
oportuno, mais adequado ou mais justo está sendo adotado para que a 
Administração Pública possa alcançar os seus fins. 
Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas: O controle de 
mérito do ato administrativo, em regra, é exercido pelo próprio Poder 
responsável pela sua edição. Assim, somente o Poder Executivo pode exercer o 
controle de mérito dos atos editados pelos seus agentes, o que também 
acontece em relação aos demais poderes. 
Exemplo: Se um determinado servidor do Poder Legislativo deseja 
usufruir de férias no mês de janeiro e, contrariando o seu interesse, o superior 
imediato entende que o mais conveniente e oportuno para a Administração é o 
gozo no mês de dezembro, de nada adiantará recorrer ao Poder Judiciário para 
mudar a data. 
Por se tratar de ato discricionário, o Poder Judiciário somente está 
autorizado a analisar a legalidade do ato, mas não o mérito administrativo 
(conveniência e oportunidade). Neste caso, compete exclusivamente ao Poder 
Legislativo (no exercício da função administrativa) decidir em qual mês o 
servidor irá usufruir do período de férias (já imaginou se todos os servidores 
decidissem sair de férias no mês de janeiro?). 
É importante destacar que a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro 
afirma que somente em caráter excepcional, e quando expressamente 
previsto no texto constitucional, será assegurado a outro poder exercer o 
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controle de mérito sobre os atos praticados pelo Poder Executivo, a exemplo 
da previsão contida no art. 49, X, da CF/88. 
Nos termos do citado dispositivo constitucional, compete exclusivamente 
ao Congresso Nacional “fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de 
suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração 
indireta”. 
ATENÇÃO: Quando a Administração Pública efetua o controle de 
mérito e entende que não é mais conveniente ou oportuno manter a produção 
de efeitos de um determinado ato administrativo, poderá então revogá-lo. 
É incorreto afirmar que a Administração poderá anular um ato em 
razão da inexistência de conveniência ou oportunidade, pois a anulação é 
consequência do controle de legalidade, e não de mérito. 
3.3. Quanto ao âmbito da Administração
3.3.1. Controle por subordinação ou hierárquico 
Essa forma de controle é consequência das relações hierárquicas
existentes no interior da Administração entre os diversos órgãos e agentes 
públicos. Ocorre tipicamente no Poder Executivo, caracterizando-se como um 
controle interno, pois, em regra, os órgãos públicos integram uma mesma 
pessoa jurídica. 
Como exemplo, podemos citar o controle que uma Secretaria Municipal 
de Saúde exerce em relação aos Postos de Saúde do Município, que são órgãos 
públicos. 
Informam os professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino que, em 
razão de sua natureza, o controle hierárquico é pleno (irrestrito), 
permanente e automático (não depende de norma específica que o 
estabeleça ou autorize). 
Como consequência do controle por subordinação decorrem as 
faculdades de supervisão, coordenação, orientação, fiscalização, aprovação, 
revisão e avocação das atividades administrativas pelos órgãos ou agentes 
superiores em relação aos órgãos ou agentes subordinados. 
ATENÇÃO: O controle hierárquico ou por subordinação será exercido no 
âmbito do Poder Executivo da União, Estados, Distrito Federal, Municípios, e, 
ainda, nas entidades da Administração Pública Indireta. Também irá ocorrer no 
interior dos órgãos administrativos que compõem a estrutura do Poder 
Judiciário e Legislativo, mas nunca em relação ao exercício das respectivas 
funções típicas (judiciária e legislativa). 
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3.3.2. Controle por vinculação ou controle finalístico 
É o controle exercido externamente pelas entidades da Administração 
Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) em relação às entidades 
da Administração Indireta (autarquias, fundações públicas, empresas 
públicas e sociedades de economia mista). 
Conforme estudamos anteriormente, não existe relação de 
subordinação entre as entidades da Administração Direta e entidades da 
Administração Indireta, pois estas estão apenas vinculadas às primeiras. 
Assim, não há como se falar em controle hierárquico, mas sim em controle 
por vinculação (que é a relação existente entre Administração Direta e 
Indireta). 
Podemos citar como exemplos de controle finalístico ou por vinculação o 
exercido pelo Ministério da Fazenda (órgão integrante da estrutura da União) 
em face do Banco do Brasil (sociedade de economia mista federal); o exercido 
peloMinistério do Meio Ambiente em face do IBAMA (autarquia federal); o 
exercido pelo Ministério da Previdência sobre o INSS (autarquia federal), etc. 
(FCC/Executivo Público – Casa Civil/2010) O controle no âmbito da 
administração direta decorre da subordinação hierárquica, e, no campo 
da administração indireta, resulta da vinculação administrativa, nos 
termos da lei instituidora das entidades que a compõem. 
3.4. Quanto à oportunidade
3.4.1. Controle prévio 
Controle prévio (ou a priori) é aquele exercido antes da consumação do 
ato administrativo, possuindo natureza preventiva. Como exemplo, podemos 
citar a aprovação, pelo Senado Federal, da escolha do Procurador-Geral da 
República (artigo 52, III, “e”, da CF/88). 
Assim, antes de o Procurador-Geral da República ser empossado no 
cargo é necessário um controle prévio do Senado Federal, que irá aprovar a 
indicação efetuada pelo Presidente da República mediante o quorum de maioria 
absoluta. Caso os Senadores entendam que a pessoa indicada pelo Presidente 
da República não preenche as condições necessárias para o exercício do cargo, 
será rejeitada a indicação. 
3.4.2. Controle concomitante 
É aquele que acontece ao mesmo tempo em que o ato administrativo 
ou a atividade da Administração estão sendo executados, permitindo-se, 
assim, tanto o controle preventivo quanto o repressivo, conforme o andamento 
do ato ou atividade. 
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Como exemplo, podemos citar o acompanhamento de um concurso 
público por uma comissão de servidores especialmente constituída com essa 
finalidade, que irá controlar todas as etapas do certame, desde a elaboração 
do edital até a homologação do concurso. 
3.4.3. Controle subsequente ou posterior (a posteriori) 
Controle subsequente é aquele efetuado após a conclusão do ato ou 
atividade administrativa com o objetivo de confirmá-los ou corrigi-los, a 
exemplo do que ocorre na homologação de um procedimento licitatório ou no 
controle judicial de atos administrativos. 
Exemplo: Suponha que o edital de um concurso público para o TRT da 
3ª Região tenha sido publicado com a oferta de 100 (cem) vagas para o cargo 
de Técnico Judiciário. Entretanto, imaginemos que o referido edital não tenha 
reservado uma vaga sequer para os candidatos portadores de deficiência. 
Sendo assim, caso a Associação dos Portadores de Deficiência do Estado de 
Minas Gerais ingresse com uma ação civil pública para tentar corrigir o 
problema, estará sendo exercido um controle preventivo, concomitante ou 
posterior? 
É claro que posterior, pois o edital do referido concurso público (ato 
administrativo) já havia sido publicado e estava produzindo os seus efeitos 
normalmente. 
3.5. Quanto à iniciativa 
3.5.1. Controle de ofício 
É aquele praticado pela própria Administração, no exercício do poder de 
autotutela, independentemente da provocação de terceiros. Ocorre, por 
exemplo, quando uma autoridade administrativa anula ou revoga um ato 
administrativo praticado por subordinado. 
Nesse caso, nenhum “terceiro” solicitou a revogação ou anulação do ato 
administrativo. A própria Administração Pública, através de seu agente, 
entendeu que o ato administrativo deveria ser anulado (caso ilegal) ou 
revogado (caso inconveniente ou inoportuno). 
3.5.2. Controle provocado 
Controle provocado é aquele que tem o seu início mediante o 
acionamento ou provocação de terceiros, a exemplo do que acontece nos 
recursos administrativos. 
Se a Administração Pública proferiu uma decisão que não é de interesse 
do particular, por exemplo, este poderá recorrer à autoridade superior com o 
objetivo de tentar rever a decisão. 
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4. Controle administrativo
É possível definir como controle administrativo (ou autocontrole) o poder 
de fiscalização e correção exercido pelo Poder Executivo e pelos órgãos de 
administração (no exercício da função administrativa) do Poder Judiciário e 
Legislativo sobre os seus próprios atos e atividades. 
Através do controle administrativo, o Poder Executivo e os órgãos de 
administração dos demais Poderes exercem um controle de legalidade e de 
mérito sobre seus atos e atividades, confirmando-os ou desfazendo-os. 
A prerrogativa de anular os seus próprios atos, quando ilegais (controle 
de legalidade), ou revogá-los, quando inconvenientes ou inoportunos 
(controle de mérito), está fundamentada no dever-poder de autotutela e 
encontra amparo na Súmula 473 do STF, que é expressa ao afirmar: 
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que 
os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por 
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e 
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
ATENÇÃO: Perceba que o controle administrativo é interno, ou seja, 
ocorre no interior da própria Administração ou nos órgãos de administração
dos demais Poderes, sempre inserido em uma relação hierárquica entre 
órgãos e agentes públicos. 
O controle administrativo ocorre, por exemplo, quando é revogada uma 
licença para tratar de assuntos particulares concedida a um servidor do 
Senado Federal (Legislativo). Nesse caso, o controle administrativo foi exercido 
no âmbito do Poder Legislativo, porém em relação à função administrativa 
(concessão da licença), que é atípica. Da mesma forma acontece quando o 
Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Judiciário), por exemplo, anula de 
ofício um ato administrativo realizado no âmbito de um procedimento licitatório 
realizado pelo próprio tribunal. 
Em ambos os casos, o controle ocorreu internamente, no exercício da 
função administrativa. 
(FCC/Analista Judiciário TRE-RS/2010) Está correto afirmar que, o 
controle administrativo deriva do poder-dever de autotutela que a 
Administração tem sobre seus próprios atos e agentes. 
 
4.1. Instrumentos
São vários os instrumentos previstos em lei e no próprio texto 
constitucional com o objetivo de permitir à Administração Pública e aos órgãos 
de administração do Poder Judiciário e Legislativo o controle de seus atos e 
decisões. Cada um desses instrumentos possui características específicas e por 
isso passemos à análise individual dos principais deles: 
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4.1.1. Direito de petição 
O inciso XXXIV, “a”, artigo 5º, da CF/88, declara expressamente que são 
a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas, o direito 
de petição aos poderes públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade 
ou abuso de poder. 
O direito de petição é um instrumento que possibilita a qualquer pessoa 
(física ou jurídica) dirigir-se formalmente a uma autoridade do Poder 
Público com o intuito de fazer uma reivindicação, queixa, solicitar 
esclarecimentos ou simplesmente manifestara sua opinião sobre algo que seja 
de seu próprio interesse ou de interesse da coletividade. 
Através do exercício do direito de petição, o interessado irá provocar a 
Administração Pública a fim de que se manifeste sobre um assunto específico 
ou adote determinada providência interna. 
Peticionar significa pedir, requerer e, portanto, esse direito tem como 
objetivo assegurar ao interessado a obtenção de informações ou providências 
junto a determinada autoridade pública a fim de que sejam tomadas as 
providências cabíveis em relação ao assunto informado. 
Trata-se de um instrumento desprovido de maiores formalidades. As 
únicas exigências referem-se ao fato de que a petição administrativa deve ser 
escrita e identificado o peticionário (aquele que está efetuando o pedido). 
Assim, não é necessário ser advogado ou contratar os serviços deste para que 
seja apresentada uma petição administrativa perante a autoridade 
competente. 
O professor José Afonso da Silva destaca que “o direito de petição não 
pode ser destituído de eficácia. Não pode a autoridade a que é dirigido 
escusar-se de pronunciar sobre a petição, quer para acolhê-la quer para 
desacolhê-la com a devida motivação”. 
Exemplo: Suponhamos que você tenha sido aprovado em um concurso 
público para o cargo de agente administrativo no Município de Fabianópolis, na 
1ª colocação. Entretanto, alguns meses depois, chegou ao seu conhecimento 
que o 2º colocado já havia sido nomeado, enquanto você, 1º colocado, ainda 
aguardava a nomeação. 
Nesse caso, antes de recorrer ao Poder Judiciário, é assegurado 
constitucionalmente o direito de protocolar uma petição administrativa 
solicitando esclarecimentos do Senhor Prefeito e requerendo uma solução para 
a situação. 
 
4.1.2. Pedido de reconsideração 
Trata-se de um pedido escrito, dirigido pelo interessado à autoridade 
responsável pela edição do ato, pleiteando a extinção ou a alteração do ato 
em conformidade com as suas pretensões. 
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É importante esclarecer que o pedido de reconsideração não é um 
recurso propriamente dito. Este é destinado à autoridade ou órgão superior
com o objetivo de que seja reexaminado ato ou decisão proferida por 
autoridade ou órgão inferior, enquanto aquele é direcionado à própria 
autoridade responsável pelo ato ou decisão proferida. 
Na esfera federal, o pedido de reconsideração encontra previsão 
expressa no artigo 65 da Lei nº 9.784/99: 
Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão 
ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem 
fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a 
inadequação da sanção aplicada. 
Mesmo que o prazo para a propositura de recursos administrativos já 
tenha se esgotado, o interessado poderá ainda apresentar pedido de 
reconsideração quando estiver embasado na suposta existência de fatos 
novos ou circunstâncias relevantes que possam justificar a inadequação da 
decisão proferida, ou ainda a existência de vícios que tornem ilegal o ato 
administrativo. 
Assim, o pedido de reconsideração deve ser recebido e analisado pela 
autoridade administrativa, não como recurso, mas sim como uma revisão do 
ato a pedido da parte interessada. 
4.1.3. Reclamação administrativa 
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro define a reclamação 
administrativa como “o ato pelo qual o administrado, seja particular ou 
servidor público, deduz uma pretensão perante a Administração Pública, 
visando obter o reconhecimento de um direito ou a correção de um ato que lhe 
cause lesão ou ameaça de lesão”. 
Em termos gerais, a reclamação administrativa encontra-se prevista no 
Decreto Federal 20.910/32. Entretanto, é importante destacar que o referido 
decreto não especifica as modalidades e as hipóteses de cabimento da 
reclamação administrativa, restringindo-se a informar o prazo prescricional 
para a apresentação da reclamação, que é de 01 (um) ano, contado do ato ou 
atividade lesiva, se outro prazo não for fixado em lei. 
O professor Diógenes Gasparini, sem especificar as modalidades ou 
espécies de reclamações administrativas, as define como “a oposição solene, 
escrita e assinada, a ato ou atividade pública que afete direitos ou interesses 
legítimos do reclamante. Dessas reclamações são exemplos a que impugna 
certo lançamento tributário e a que se opõe a determinada medida punitiva”. 
Informa ainda o autor que se trata de “faculdade exercitável por pessoa 
física ou jurídica, que tenha direitos ou interesses legítimos afetados ou em via 
de afetação por ato ou atividade pública. Pode, assim, ser repressiva ou 
preventiva”. 
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4.1.4. Recursos administrativos ou hierárquicos 
Recursos administrativos são instrumentos formais de controle 
administrativo através dos quais o interessado pleiteia perante órgão ou 
autoridade superior a reapreciação de atos ou decisões de órgãos ou 
agentes inferiores. 
Os recursos administrativos são propostos no interior da própria 
Administração, não sofrendo interferência direta do Poder Judiciário em sua 
tramitação e decisão. Entretanto, caso a decisão proferida no recurso 
administrativo não seja favorável ao interessado, este poderá ainda acionar o 
Poder Judiciário com o objetivo de que seja reapreciada a mesma questão, em 
respeito ao princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional (artigo 
5º, XXXV, da CF/88). 
Os recursos administrativos são instrumentos formais de impugnação
de atos e decisões administrativas e, por isso, devem ser interpostos através 
de petição escrita e devidamente protocolada na repartição administrativa 
competente. 
ATENÇÃO: A possibilidade de recorrer a órgãos ou autoridades 
superiores com o objetivo de solicitar a reapreciação de atos ou decisões de 
órgãos ou autoridades inferiores está amparada no inciso LV, artigo 5º, da 
Constituição Federal de 88. 
O referido inciso declara expressamente que “aos litigantes, em processo 
judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o 
contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. 
4.1.4.1. Classificação 
Para fins de concursos públicos, é necessário que você saiba que os 
recursos administrativos podem ser classificados de várias formas e maneiras 
diferentes. Todavia, a mais importante delas é a que divide os recursos em 
próprios e impróprios. 
a) Recursos hierárquicos próprios: São aqueles dirigidos a 
autoridades ou órgãos imediatamente superiores aos responsáveis pelo ato 
ou decisão impugnados. Assim, o recurso dirigido ao Superintendente da 
Receita Federal do Brasil, em face de um ato praticado por Delegado da 
Receita Federal, pode ser considerado um recurso hierárquico próprio, pois o 
segundo está subordinado ao primeiro em uma relação de hierarquia. 
Os recursos hierárquicos próprios podem ser interpostos mesmo 
inexistindo disposição legal expressa, pois derivam do controle hierárquico
que os órgãos e autoridades superiores devem realizar em face dos atos e 
atividades administrativas exercidos pelos seus subordinados. 
O controle efetuado pelos órgãos e autoridades superiores é pleno e 
permanente.Pleno porque abrange tanto os aspectos de mérito quanto os 
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de legalidade, sendo possível revogar, anular, modificar, convalidar ou praticar 
quaisquer atos que importem em controle dos atos praticados pelos 
subordinados. Por outro lado, é permanente porque pode ser exercido a 
qualquer momento, independentemente de provocação. 
 
b) Recursos hierárquicos impróprios: São aqueles endereçados a 
autoridades ou órgãos que não são hierarquicamente superiores àqueles 
responsáveis pela edição do ato ou decisão que se deseja impugnar. Podemos 
citar como exemplo um recurso interposto perante uma Secretaria Estadual de 
Governo em face de decisão proferida por entidade integrante da 
Administração Indireta daquele mesmo Estado (autarquias, fundações 
públicas, sociedades de economia mista ou empresas públicas). 
Nesse caso, entre a Secretaria de Estado (Administração Direta) e as 
entidades integrantes da Administração Indireta não existe relação de 
hierarquia ou subordinação, mas somente uma vinculação. 
Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas: A propositura 
de recursos hierárquicos impróprios depende de expressa previsão legal, já 
que não existe relação de hierarquia entre os órgãos ou autoridades que 
analisarão o pedido de reapreciação da decisão ou ato praticado. 
4.1.5. Prescrição administrativa
É possível analisar a prescrição administrativa sob duas vertentes 
distintas: em relação à Administração e em relação aos administrados. 
Sob a ótica do administrado a prescrição administrativa ocorre quando 
o particular “perde” o prazo para recorrer de decisão administrativa, ou seja, 
ocorre o transcurso do prazo legal sem que o particular impugne a decisão 
contrária aos seus interesses. 
Na esfera federal, o artigo 59 da Lei 9.784/99 estabelece que, “salvo 
disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso 
administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão 
recorrida”. Assim, não apresentado o recurso no prazo legal de 10 dias, 
ocorrerá a denominada prescrição administrativa. 
A Administração Pública também possui prazos fixados em lei para 
rever os seus próprios atos ou manifestar-se em relação a situações ocorridas 
em seu âmbito de atuação, a exemplo dos prazos previstos no artigo 142 da 
Lei 8.112/90 para a aplicação de penalidades a servidores públicos federais: 
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: 
I - em 05 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, 
cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em 
comissão; 
II - em 02 (dois) anos, quanto à suspensão; 
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III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência. 
Assim, transcorridos os prazos acima sem que a Administração se 
manifeste sobre a eventual aplicação de penalidade a servidor público federal, 
ocorrerá a prescrição administrativa, e a Administração não mais poderá 
puni-lo pela suposta infração disciplinar. 
4.1.6. O silêncio da Administração Pública 
Quando a Administração deixa de se pronunciar sobre um pedido que lhe 
é apresentado pelo administrado na defesa de seus interesses, tem-se o 
silêncio administrativo, que é um fato jurídico. 
A falta de pronunciamento dentro do prazo fixado pode significar o 
deferimento ou indeferimento do pedido, concordância ou oposição ao ato 
controlado, e as consequências devem ser analisadas no caso em concreto. 
Se não existir prazo específico para a manifestação da Administração e o 
silêncio persistir, não restará outra alternativa ao interessado que não seja 
recorrer ao Poder Judiciário. Este decidirá em favor do interessado se entender 
que entre o seu pedido e a data da invocação da tutela judicial decorreu um 
prazo razoável, isto é, em período de tempo suficiente para que a 
Administração se pronunciasse sobre o pedido. 
É importante destacar que a negligência do servidor público que cause 
prejuízos ao administrado deve ensejar a responsabilização civil do Estado, nos 
termos do § 6º, artigo 37, da CF/88. Da mesma forma, deverá ser punido o 
servidor que se omitiu, quando estava obrigado legalmente a se pronunciar 
sobre o pedido apresentado. 
5. Controle legislativo
O controle legislativo, também denominado de controle parlamentar, é 
exercido pelos órgãos do Poder Legislativo em relação a determinados atos 
praticados pela Administração Pública. Ao contrário do controle administrativo, 
que é interno, o controle legislativo caracteriza-se por ser um controle 
externo, exercido nos exatos termos e limites previstos no texto 
constitucional. 
Em termos gerais, o controle do Poder Legislativo sobre os atos 
praticados pelo Poder Executivo está fundamentado no inciso X, artigo 49, da 
Constituição Federal de 1988, ao declarar que “compete ao Congresso Nacional 
fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do 
Poder Executivo, incluídos os da administração indireta”. 
O professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que o controle 
legislativo é exercido sobre atividades bastante diferenciadas e, por isso, 
possui dupla natureza: o controle político e o controle financeiro. 
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5.1. Controle político 
O controle político está amparado na possibilidade de fiscalização e 
decisão sobre atos exercidos no âmbito da função administrativa e de 
organização dos Poderes Executivo e Judiciário. 
São vários os aspectos de controle, mas, para fins de concursos públicos, 
destacam-se os seguintes: 
5.1.1. Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) 
As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de 
investigação próprios das autoridades judiciais, estão previstas no § 3º, 
art. 58, da CF/88. Além de outros poderes previstos nos regimentos das 
respectivas Casas Legislativas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e 
pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante 
requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato 
determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, 
encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil 
ou criminal dos infratores. 
As CPI´s não se restringem à esfera federal, pois podem ser criadas no 
âmbito dos Estados (pelas Assembléias Legislativas) e dos Municípios (Câmara 
de Vereadores), com regulamentação prevista nas Constituições Estaduais e 
Leis Orgânicas (respectivamente). 
Os professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, respaldados em 
entendimento do Supremo Tribunal Federal, apresentam uma relação de 
prerrogativas asseguradas às CPI´s, desde que motivadamente: 
(a) Convocar investigados e testemunhas a depor, incluindo autoridades 
públicas federais, estaduais e municipais; 
(b) Determinar as diligências que entender necessárias (é muito comuma 
solicitação de diligências ao Tribunal de Contas da União, à Secretaria 
da Receita Federal e à Polícia Federal, nas respectivas áreas de 
competência); 
(c) Requisitar de repartições públicas informações e documentos de seu 
interesse; 
(d) Determinar a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico das pessoas 
por ela investigadas; 
(e) Convocar juízes para depor, desde que a respeito de sua atuação como 
administrador público (função não-jurisdicional). 
Além disso, apresentam também as proibições impostas às CPI´s pela 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: 
(a) Decretar a busca e a apreensão domiciliar de documentos; 
(b) Determinar a indisponibilidade de bens do investigado; 
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(c) Decretar a prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de 
flagrância; 
(d) Determinar a interceptação (escuta) telefônica (não confundir com a 
quebra do sigilo dos registros telefônicos); 
(e) Convocar magistrados para depor a respeito de sua atuação típica, na 
função jurisdicional. 
5.1.2. Pedido de informação 
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão 
encaminhar pedidos escritos de informação a Ministros de Estado ou a 
quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da 
República, bem como aos dirigentes máximos das entidades integrantes da 
Administração Pública Indireta sobre fatos ou atividades administrativas 
ocorridos em seu âmbito de atuação. 
Os pedidos também poderão ser formulados pelas Assembléias 
Legislativas, Câmara Distrital e Câmara de Vereadores com o objetivo de 
fiscalizar e controlar as atividades administrativas em âmbito municipal, 
distrital e estadual, respectivamente. 
A recusa ou não-atendimento ao pedido de informações no prazo de 
trinta dias, bem como a prestação de informações falsas, importará em crime 
de responsabilidade, nos termos do § 2º, artigo 50, da Constituição Federal. 
5.1.3. Convocação de autoridades 
O caput do artigo 50 da CF/88 estabelece que “a Câmara dos Deputados 
e o Senado Federal, ou qualquer de suas comissões, poderão convocar
Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados 
à Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre 
assunto previamente determinado, importando em crime de 
responsabilidade a ausência sem justificação adequada”. 
5.1.4. Participação na função administrativa 
Em vários dispositivos constitucionais, está prevista a obrigatoriedade da 
participação do Poder Legislativo nas funções administrativas típicas do Poder 
Executivo, autorizando ou aprovando competências privativas do Presidente 
da República. 
Podemos citar como exemplo as seguintes competências atribuídas com 
exclusividade ao Congresso Nacional e que estão previstas expressamente 
no artigo 49 da CF/88: resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou 
atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao 
patrimônio nacional; autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a 
celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território 
nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos 
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previstos em lei complementar; autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da 
República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias, 
entre outros. 
Da mesma forma, compete privativamente ao Senado Federal, nos 
termos do artigo 52 da CF/88: aprovar previamente, por voto secreto, após 
arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de 
caráter permanente; autorizar operações externas de natureza financeira, de 
interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos 
Municípios; aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de 
ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato, 
entre outras atribuições. 
5.1.5. Poder de sustação do Congresso Nacional 
Prevê o artigo 49, V, da Constituição Federal, que cabe ao Congresso 
Nacional “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do 
poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”. Trata-se de um 
mecanismo criado pelo próprio texto constitucional com o objetivo de conter 
eventuais excessos do Presidente da República na edição de decretos 
regulamentares ou leis delegadas. 
Assim, o Congresso irá suspender os efeitos dos dispositivos do decreto 
ou lei delegada que tenha exorbitado a competência normativa do Chefe do 
Executivo. Não se trata de revogação, mas sim de uma suspensão da eficácia 
do decreto ou lei delegada,que ocorre no exercício do controle externo. 
5.2. Controle Financeiro
Controle financeiro é aquele exercido externamente pelo Poder 
Legislativo em relação aos Poderes Executivo e Judiciário, bem como sobre a 
sua própria administração no que se refere à receita, à despesa e à gestão dos 
recursos públicos. 
Trata-se de controle externo exercido pelo Poder Legislativo em 
relação aos demais Poderes, nos termos do artigo 70 da Constituição Federal, 
que estabelece ainda a obrigatoriedade de que o Poder Legislativo tenha o seu 
próprio sistema de controle interno, não ficando, portanto, imune a 
controle e fiscalização. 
Assim, é correto afirmar que o controle financeiro alcança todos os 
poderes da República, seja em âmbito federal, estadual, distrital ou municipal, 
abrangendo cinco áreas básicas de atuação: contábil, financeira (em sentido 
estrito), orçamentária, operacional e patrimonial. 
José dos Santos Carvalho Filho afirma que a área contábil é aquela em 
que se formalizam os registros das receitas e despesas. Na área financeira 
strictu sensu, o controle se executa sobre os depósitos bancários, os 
empenhos, o pagamento e o recebimento de valores, etc. O controle 
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orçamentário visa ao acompanhamento do orçamento e à fiscalização dos 
registros nas rubricas adequadas. 
Restam os controles operacional e patrimonial. No primeiro, a 
fiscalização incide sobre a execução das atividades administrativas em geral, 
verificando-se notadamente a observância dos procedimentos legais para cada 
fim, bem como a necessidade de sua adequação à maior celeridade, eficiência 
e economicidade. O controle patrimonial recai sobre os bens do patrimônio 
público, exigindo-se que sejam fiscalizados os almoxarifados, os bens em 
estoque, os bens de uso, os bens consumíveis etc. 
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro, analisando o artigo 70 da 
Constituição Federal de 1988, afirma a possibilidade de se inferir algumas 
normas básicas sobre o controle financeiro, sendo elas: 
“1. Quanto à atividade controlada, a fiscalização abrange a contábil, a 
financeira, a orçamentária, a operacional e a patrimonial; isso permite a 
verificação da contabilidadedas receitas e despesas, da execução do 
orçamento, dos resultados e dos acréscimos e diminuições patrimoniais; 
2 – Quanto aos aspectos controlados, compreende: 
I – controle de legalidade dos atos de que resultem a 
arrecadação de receita ou a realização da despesa, o nascimento ou a 
extinção de direitos e obrigações; 
II – controle de legitimidade, que a Constituição tem como 
diverso da legalidade, de sorte que parece assim admitir exame de 
mérito a fim de verificar se determinada despesa, embora não ilegal, fora 
legítima, tal como atender a ordem de prioridade, estabelecida no plano 
plurianual; 
III – controle da economicidade, que envolve também questão 
de mérito, para verificar se o órgão procedeu, na aplicação da despesa 
pública de modo mais econômico, atendendo, por exemplo, uma 
adequada relação custo-benefício; 
IV – controle de fidelidade funcional dos agentes da 
Administração, responsável por bens e valores públicos; 
V – controle de resultado de cumprimento de programa de 
trabalho e de metas, expresso em termos monetários e em termos de 
realização de obras e prestação de serviços”. (cf. José Afonso da Silva. 
2000:727) 
3. quanto às pessoas controladas, abrange União, Estados, Municípios, 
Distrito Federal e entidades da Administração Direta e Indireta, bem 
como qualquer pessoa física ou entidade publica, que utilize, arrecade, 
guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou 
pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma 
obrigações de natureza pecuniária; 
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4. a fiscalização compreende os sistemas de controle externo, e compete 
ao Poder Legislativo, com auxílio do Tribunal de Contas, e de controle 
interno exercido por cada um dos Poderes”. 
5.2.1. Tribunal de Contas 
A Constituição Federal de 1988 concedeu ao Tribunal de Contas da 
União poderes para, no auxílio ao Congresso Nacional, exercer a 
fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da 
União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, 
à legitimidade e à economicidade e à fiscalização da aplicação das subvenções 
e da renúncia de receitas. 
Qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, 
arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou 
pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de 
natureza pecuniária tem o dever de prestar contas ao TCU. 
As normas previstas no texto constitucional e que tratam do Tribunal de 
Contas da União aplicam-se, no que couber, à organização, à composição e à 
fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem 
como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. 
As competências do Tribunal de Contas da União estão arroladas 
expressamente no artigo 71 da CF/88, abaixo apresentadas: 
“Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será 
exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: 
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da 
República, mediante parecer prévio, que deverá ser elaborado em 
sessenta dias a contar de seu recebimento; 
 II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por 
dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, 
incluídas as fundações e as sociedades instituídas e mantidas pelo poder 
público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio 
ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; 
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de 
admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e 
indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público, 
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem 
como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, 
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento 
legal do ato concessório; 
 IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do 
Senado Federal, de comissão técnica ou de inquérito, inspeções e 
auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e 
patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, 
Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; 
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 V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de 
cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos 
termos do tratado constitutivo; 
 VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela 
União, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos 
congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; 
 VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por 
qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas comissões, 
sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e 
patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; 
 VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa 
ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que 
estabelecerão, entre outras cominações, multa proporcional ao dano 
causado ao erário; 
 IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as 
providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada 
ilegalidade; 
 X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, 
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; 
 XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou 
abusos apurados. 
 § 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente 
pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo 
as medidas cabíveis. 
§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de 
noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o 
Tribunal decidirá a respeito. 
 § 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou 
multa terão eficácia de título executivo. 
§ 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e 
anualmente, relatório de suas atividades”. 
(FCC/Auditor TCE Rondônia/2010) De acordo com as disposições da 
Constituição Federal, o controle exercido pelo Tribunal de Contas 
compreende, dentre outras hipóteses, sustar, caso não atendido, a 
execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos 
Deputados e ao Senado Federal. 
 
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A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro informa que o controle 
externo foi consideravelmente ampliado na atual Constituição, conforme se 
constata em seu artigo 71, compreendendo as funções de: 
1. fiscalização financeira propriamente dita, quando faz ou recusa o 
registro deatos de admissão de pessoal (excetuadas as nomeações para 
cargo em comissão) ou de concessão inicial de aposentadoria, reforma 
ou pensão; quando faz inquéritos, inspeções e auditorias; quando 
fiscaliza a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, 
mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a 
Estado, ao distrito Federal ou a Município; 
2. de consulta, quando emite parecer prévio sobre as contas prestadas 
anualmente pelo Presidente da República; 
3. de informação, quando as presta ao Congresso Nacional, a qualquer 
de suas Casas, ou a qualquer das respectivas Comissões, sobre a 
fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial 
e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas; 
4. de julgamento, quando “julga” as contas dos administradores e 
demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos e as contas 
daqueles que derem causa à perda, extravio ou outra irregularidade de 
que resulte prejuízo ao Erário Público; embora o dispositivo fale em 
“julgar” (inciso II do art. 71), não se trata de função jurisdicional, porque 
o Tribunal apenas examina as contas, tecnicamente, e não aprecia a 
responsabilidade do agente público, que é de competência exclusiva do 
Poder Judiciário; por isso se diz que o julgamento das contas é uma 
questão prévia, preliminar, de competência do Tribunal de Contas, que 
antecede o julgamento do responsável pelo Poder Judiciário; 
5. sancionatórias, quando aplica aos responsáveis, nos casos de 
ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas 
em lei, que estabelecerão, entre outras cominações, multa proporcional 
ao dano causado ao erário; 
6. corretivas, quando assina prazo para que o órgão ou entidade adote 
as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada 
ilegalidade; e quando susta, se não atendido, a execução do ato 
impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao 
senado Federal; nos termos do § 1º do artigo 71, no caso de contrato, o 
ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que 
solicitará, de imediato, ao poder Executivo,as medidas cabíveis; pelo § 
2º, se o Congresso ou o Poder Executivo, no Prazo de 90 dias, não 
efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a 
respeito; isso constitui inovação da Constituição de 1998, já que, na 
anterior, a decisão final, de natureza puramente política, ficava com o 
Congresso Nacional; 
7. de ouvidor, quando recebe denúncia de irregularidades ou 
ilegalidades, feita pelos responsáveis pelo controle interno ou por 
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qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato, nos termos 
do art. 74, §§ 1º e 2º. 
Alguns tópicos envolvendo a atuação e competência dos Tribunais de 
Contas são frequentemente cobrados em concursos e, por isso, é importante 
destacar os principais: 
1º) O TCU somente possui competência para apreciar as contas 
prestadas anualmente pelo Presidente da República (art. 71, I, CF/88), mas 
não para julgá-las, pois esta é uma prerrogativa do Congresso Nacional (art. 
49, I, CF/88); 
2º) As Constituições Estaduais e Leis Orgânicas podem estabelecer a 
competência das Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores, 
respectivamente, para julgar as contas dos Tribunais de Contas Estaduais e 
Municipais, onde houver; 
3º) As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa 
terão eficácia de título executivo, nos termos do § 3º do artigo 71; 
4º) Os Tribunais de Contas, no exercício de suas atribuições, podem 
apreciar a constitucionalidade das leis e atos do Poder Público, apesar de 
não integrarem o Poder Judiciário. Entretanto, destaca-se que as decisões 
proferidas pelos Tribunais de Contas podem ser revistas pelo Poder Judiciário; 
5º) Aplica-se o instituto da tomada de contas especial a todas as 
sociedades de economia mista, prestadoras de serviços públicos ou 
exploradoras de atividade econômica. A tomada de contas especial é um 
instrumento de que dispõe a Administração Pública para ressarcir-se de 
eventuais prejuízos que lhe forem causados, sendo o processo revestido de rito 
próprio e somente instaurado depois de esgotadas as medidas administrativas 
para reparação do dano. 
(FCC/Analista Judiciário TRT 3ª Região/2009) A decisão do Tribunal 
de Contas que julga as contas dos administradores e demais 
responsáveis pelos dinheiros, bens e valores da administração direta e 
indireta, nos termos da competência estabelecida pelo inciso II, do 
artigo 71, da Constituição Federal, vincula a autoridade administrativa 
ao seu cumprimento, somente sendo passível de revisão ou rescisão, 
na esfera administrativa, pelo próprio Tribunal de Contas. 
 
6. CONTROLE JUDICIAL 
Declara o inciso XXXV, artigo 5º, da CF/88, que “a lei não excluirá da 
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Trata-se do princípio 
da inafastabilidade da jurisdição ou princípio do amplo acesso ao Poder 
Judiciário. Assim, sempre que alguém tiver um direito violado ou ameaçado de 
violação, poderá recorrer ao Poder Judiciário requerendo providências de modo 
a afastar uma lesão ou possibilidade de lesão a direito. 
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Todos os atos prejudiciais aos interesses individuais e coletivos podem 
ser apreciados pelo Poder Judiciário, inclusive os atos e condutas da 
Administração Pública, que não são imunes ao controle jurisdicional. 
Todavia, é importante destacar que o Poder Judiciário deve ser provocado
pelo interessado ou legitimado a fim de que possa se manifestar. 
 
6.1. Conceito e objetivo 
O controle judicial pode ser conceituado como o controle de legalidade
exercido pelo Poder Judiciário em relação aos seus próprios atos e condutas 
administrativas, bem como em relação aos atos e atividades administrativas 
oriundos do Poder Executivo e Legislativo. O direito brasileiro adotou o sistema 
de jurisdição una, que concede ao Poder Judiciário o monopólio da função 
jurisdicional (somente ele pode decidir em caráter definitivo). 
O professor Diógenes Gasparini informa que o controle judicial é 
externo, provocado e direto. “É externo por se realizar por órgão que não 
integra a mesma estrutura organizacional da Administração Pública. É 
provocado porquanto só excepcionalmente o Judiciário atua de ofício. É 
direto porque incide, precípua e imediatamente, sobre os atos e atividades 
administrativas. Além disso, é, notadamente, repressivo, dado incidir sobre 
medida que já produziu ou está produzindo efeitos. Extraordinariamente, pode 
ser preventivo. É o que ocorre, por exemplo, com a ação declaratória, o 
habeas corpus e o mandado de segurança preventivos. Por essas medidas 
previne-se a atuação da Administração Pública havida por ilegal”. 
O controle judicial tem por objetivo efetuar o exame de legalidade do 
ato ou atividade administrativa, confirmando aqueles que estão em 
conformidade com a legislação vigente e anulando os que violam o 
ordenamento jurídico ou princípios gerais do Direito. 
Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas: lembre-se 
sempre de que o Poder Judiciáriojamais poderá revogar atos editados pelo 
Poder Executivo ou pelo Legislativo (no exercício da função administrativa), 
mas somente anulá-los, quando forem ilegais ou contrariarem princípios 
gerais do Direito. 
A revogação de atos administrativos restringe-se ao Poder responsável 
pela sua edição, pois essa possibilidade está relacionada diretamente à 
conveniência e à oportunidade. Portanto, aos Poderes Executivo e Legislativo 
compete a revogação de seus próprios atos quando forem inconvenientes ou 
inoportunos. Da mesma forma, é correto afirmar que o Poder Judiciário 
poderá revogar os seus próprios atos, mas jamais os atos praticados pelo 
Poder Executivo e Legislativo, pois, nesse caso, estaria exercendo um controle 
de mérito, o que lhe é vedado. 
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(FCC/Executivo Público – Casa Civil/2010) Nem mesmo os atos 
discricionários refogem do controle judicial, porque quanto à 
competência, constituem matéria de legalidade, tão sujeita ao 
confronto da Justiça como qualquer outro elemento vinculado. 
6.1. Controle judicial em espécie 
Inicialmente, é importante esclarecer que são várias as ações judiciais 
que podem ser propostas perante o Poder Judiciário com o objetivo de 
materializar o controle dos atos praticados pela Administração Pública. 
Todavia, as bancas examinadoras não exigem que você conheça as 
características e condições de cada uma dessas ações nas provas de Direito 
Administrativo. 
Pode até ser que você encontre uma questão mais aprofundada sobre 
mandado de segurança ou habeas data em um determinado concurso, mas na 
prova de Direito Constitucional ou Direito Processual Civil. Assim, não irei 
detalhar os principais instrumentos de controle judicial das atividades 
administrativas, mas apenas apresentar uma noção geral. 
6.1.1. Mandado de segurança 
O inciso LXIX, artigo 5º, da CF/88, declara expressamente que 
“conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e 
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o 
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou 
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público”. 
Trata-se de uma ação judicial de natureza civil que tramita pelo rito 
sumário (mais rápido) e que tem por objetivo proteger direito líquido e certo 
violado ou ameaçado de violação. 
Direito líquido e certo é aquele que pode ser demonstrado de imediato, 
mediante provas pré-constituídas que já serão apresentadas no momento da 
propositura da ação (documentos ou fotos, por exemplo). Hely Lopes Meirelles 
afirma que "direito líquido e certo é direito comprovado de plano", o que afasta 
a denominada dilação probatória (que nada mais é que apresentar as provas 
posteriormente, a exemplo do que acontece com as famosas “testemunhas”). 
Qualquer pessoa física ou jurídica pode impetrar um mandado de 
segurança, desde que tenha um direito líquido e certo lesado ou ameaçado de 
lesão. Assim, o mandado de segurança pode ser repressivo (contra ato ou 
omissão que já aconteceram) ou preventivo (contra uma ameaça de lesão a 
direito) e deverá ser proposto no prazo máximo de 120 dias contados do 
conhecimento oficial da lesão ao direito líquido e certo. 
O sujeito passivo (contra quem será impetrado o mandado de 
segurança) será uma autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no 
exercício de atribuições do poder público, que tenha praticado ilegalidade ou 
abuso de poder. 
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O mandado de segurança poderá ser impetrado na forma individual ou 
coletiva. Entretanto, em relação à última hipótese, somente são legitimados 
pela Constituição Federal os partidos políticos com representação no Congresso 
Nacional, organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente 
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos 
interesses de seus membros ou associados (artigo 5º, LXX, da CF/88). 
6.1.2. Mandado de Injunção 
“Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma 
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades 
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à 
cidadania” (artigo 5º, LXXI, CF/88). 
O mandado de injunção é uma ação constitucional de natureza civil e rito 
especial, que tem por objetivo combater a omissão do Poder Público em sua 
obrigação de legislar. Poderá ser impetrado sempre que a ausência de uma 
norma regulamentadora (em função da omissão do Poder Público) inviabilizar o 
pleno exercício de direitos e prerrogativas inerentes à nacionalidade, à 
soberania e à cidadania. 
Dois são os requisitos básicos para a propositura de um mandado de 
injunção: que o direito esteja consagrado no texto constitucional e que esse 
direito não possa ser exercido em virtude da ausência de uma lei que o 
regulamente. 
6.1.3. Habeas data 
Outro importante instrumento de controle dos atos e omissões da 
Administração Pública é o habeas data, previsto no inciso LXXI do artigo 5º da 
CF/88: 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do 
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo 
sigiloso, judicial ou administrativo; 
Alexandre de Moraes conceitua o habeas data como “uma ação 
constitucional, de caráter civil, conteúdo e rito sumário, que tem por objeto a 
proteção do direito líquido e certo do impetrante em conhecer todas as 
informações e registros relativos à sua pessoa e constantes de repartições 
públicas ou particulares acessíveis ao público, para eventual retificação de seus 
dados pessoais”. 
É necessário que você fique atento ao conceito apresentado, 
principalmente em relação à expressão “direito líquido e certo” (mesmo que 
isso não seja objeto de provas objetivas de Direito Administrativo, mas sim de 
Constitucional). 
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Em regra, para a proteção de direito líquido e certo o instrumento 
constitucional utilizado é o mandado de segurança. Todavia, quando o objetivo 
for acessar informações e registros relativos à própria pessoa do 
impetrante, o instrumento cabível será o habeas data. 
Assim, caso o meu direito líquido e certo ao acesso de informações 
coletivas ou de terceiros, constantes em bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público, tenha sido negado, o instrumento 
judicial cabível para combater esse abuso será o mandado de segurança. 
Entretanto, caso as informações constantes de registros ou bancos de 
dados de entidades governamentais ou de caráter público sejam relativas à 
minha pessoa (informações particulares) e, mesmo assim, sejam negadas, o 
instrumento processual cabível será o habeas data.6.1.4. Ação popular 
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro define a ação popular como 
uma "ação civil pela qual qualquer cidadão pode pleitear a invalidação de 
atos praticados pelo poder público ou entidades de que participe, lesivos ao 
patrimônio público, ao meio ambiente, à moralidade administrativa ou ao 
patrimônio histórico e cultural, bem como a condenação por perdas e danos 
dos responsáveis pela lesão". 
A ação popular também está prevista expressamente no texto 
constitucional, mais precisamente em seu artigo 5º, LXXIII, nos seguintes 
termos: 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise 
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado 
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio 
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento das custas 
judiciais e do ônus da sucumbência. 
Trata-se de um instrumento disponibilizado a todos os cidadãos (eleitor 
que esteja em dia com as suas obrigações eleitorais) a fim de que possam 
fiscalizar a moralidade administrativa, a prática de atos que possam ser lesivos 
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, a proteção ao 
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. 
Além disso, também pode ser utilizada com a finalidade de promover a 
restituição de bens ou o ressarcimento de danos em relação às pessoas que, 
por ação ou omissão, causaram ou deram oportunidade à lesão, bem como em 
relação aos beneficiários do fato (art. 5º, LXXIII, da CF). 
6.1.5. Ação civil pública 
A ação civil pública constitui certamente um dos mais importantes 
instrumentos de controle da Administração Pública Brasileira, ao lado do 
mandado de segurança, do habeas data, da ação popular e outras ações 
judiciais. A exemplo dos demais instrumentos processuais citados, também 
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possui amparo constitucional (artigo 129) e está regulamentada pela Lei 
7.347/85. 
Tem por objetivo afastar ou evitar lesões a interesses coletivos e difusos, 
a exemplo do meio ambiente, a ordem urbanística, a defesa do consumidor, a 
proteção ao patrimônio histórico e cultural, entre outros, e pode ser proposta 
pelos legitimados do artigo 5º da Lei 7.347/85, que assim dispõe: 
Art. 5° Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
I - o Ministério Público; 
II - a Defensoria Pública; 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; 
V - a associação que, concomitantemente: 
a) esteja constituída há pelo menos 01 (um) ano nos termos da lei civil; 
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao meio ambiente, ao 
consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio artístico, 
estético, histórico, turístico e paisagístico. 
Bem, conforme informei anteriormente, vários outros instrumentos 
judiciais podem ser utilizados com o objetivo de se fazer o controle dos atos e 
atividades da Administração Pública, a exemplo da ação direta de 
inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade (ADI e ADC), 
habeas corpus, ações possessórias (artigos 920 a 933 do Código de Processo 
Civil) e várias outras ações judiciais. 
Todavia, como o nosso objetivo aqui está relacionado ao controle da 
Administração Pública, é suficiente que você conheça as informações que 
foram apresentadas, pois são suficientes para responder às questões de Direito 
Administrativo em provas da Fundação Carlos Chagas. 
 
Simbora agora estudar o tópico “Responsabilidade civil do 
Estado”! 
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 SUPER R.V.P
1. Quando os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estão analisando a 
legalidade de seus próprios atos, tem-se o controle interno de legalidade. 
Por outro lado, quando a legalidade dos atos editados por um poder está sendo 
analisada por outro poder, ocorre o controle externo de legalidade; 
2. O controle de mérito do ato administrativo, em regra, é exercido pelo 
próprio Poder responsável pela sua edição. Assim, somente o Poder Executivo 
pode exercer o controle de mérito dos atos editados pelos seus agentes, o que 
também acontece em relação aos demais poderes; 
3. O controle hierárquico ou por subordinação será exercido no âmbito do 
Poder Executivo da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e ainda nas 
entidades da Administração Pública Indireta. Também irá ocorrer no interior 
dos órgãos administrativos que compõem a estrutura do Poder Judiciário e 
Legislativo, mas nunca em relação ao exercício das respectivas funções típicas 
(judiciária e legislativa); 
4. Controle por vinculação ou controle finalístico é o controle exercido 
externamente pelas entidades da Administração Direta (União, Estados, 
Municípios e Distrito Federal) em relação às entidades da Administração 
Indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de 
economia mista); 
5. Controle prévio (ou a priori) é aquele exercido antes da consumação do 
ato administrativo, possuindo natureza preventiva. Como exemplo, podemos 
citar a aprovação, pelo Senado Federal, da escolha do Procurador-Geral da 
República (artigo 52, III, “e”, da CF/88); 
6. Controle concomitante é aquele que acontece ao mesmo tempo em que 
o ato administrativo ou a atividade da Administração estão sendo executados, 
permitindo-se, assim, tanto o controle preventivo quanto o repressivo, 
conforme o andamento do ato ou atividade; 
7. Controle subsequente ou posterior (a posteriori) é aquele efetuado 
após a conclusão do ato ou atividade administrativa com o objetivo de 
confirmá-los ou corrigi-los, a exemplo do que ocorre na homologação de um 
procedimento licitatório ou no controle judicial de atos administrativos; 
8. Controle de ofício é aquele praticado pela própria Administração, no 
exercício do poder de autotutela, independentemente da provocação de 
terceiros. Ocorre, por exemplo, quando uma autoridade administrativa anula 
ou revoga um ato administrativo praticado por subordinado; 
9. Os recursos hierárquicos próprios são aqueles dirigidos a autoridades ou 
órgãos imediatamente superiores aos responsáveis pelo ato ou decisão 
impugnados. Podem ser interpostos mesmo inexistindo disposição legal 
expressa, pois derivam do controle hierárquico que os órgãos e autoridades 
superiores devem realizar em face dos atos e atividades administrativas 
exercidos pelos seus subordinados; 
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10. Recursos hierárquicos impróprios são aqueles endereçados a 
autoridades ou órgãos que não são hierarquicamente superiores àqueles 
responsáveis pela edição do ato ou decisão que se deseja impugnar. Podemos 
citar como exemplo um recurso interposto peranteuma Secretaria Estadual de 
Governo em face de decisão proferida por entidade integrante da 
Administração Indireta daquele mesmo Estado (autarquias, fundações 
públicas, sociedades de economia mista ou empresas públicas); 
11. A propositura de recursos hierárquicos impróprios depende de expressa 
previsão legal, já que não existe relação de hierarquia entre os órgãos ou 
autoridades que analisarão o pedido de reapreciação da decisão ou ato 
praticado; 
12. O TCU somente possui competência para apreciar as contas prestadas 
anualmente pelo Presidente da República (art. 71, I, CF/88), mas não para 
julgá-las, pois esta é uma prerrogativa do Congresso Nacional (art. 49, I, 
CF/88); 
13. Os Tribunais de Contas, no exercício de suas atribuições, podem apreciar a 
constitucionalidade das leis e atos do Poder Público, apesar de não 
integrarem o Poder Judiciário. Entretanto, destaca-se que as decisões 
proferidas pelos Tribunais de Contas podem ser revistas pelo Poder Judiciário; 
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RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
1. Considerações iniciais ............................................................. 31 
2. Evolução histórica .................................................................... 32 
3. A responsabilidade objetiva prevista no art. 37, § 6º, CF/1988 35 
4. Causas excludentes da responsabilidade do Estado ................. 38 
5. A responsabilidade civil do Estado em virtude da omissão dos seus 
agentes ........................................................................................ 43 
6. Situações especiais abrangidas pela responsabilidade objetiva 45 
6.1. Responsabilidade por dano nuclear ............................... 45 
6.2. Danos de obra pública ................................................... 45 
6.3 Atos legislativos ............................................................. 46 
6.4. Atos judiciais ................................................................. 47 
6.5. Coisas ou pessoas sob a responsabilidade do Estado .... 48 
7. Responsabilidade civil e prazo qüinqüenal ............................... 48 
8. Ação regressiva em face do agente público .............................. 50 
9. Responsabilidade administrativa, civil e penal dos agentes públicos 
causadores do dano ao particular ................................................. 52 
10. Super Revisão de Véspera de Prova ........................................ 56 
11. Questões comentadas ........................................................... 58 
12. Questões para fixação do conteúdo ........................................ 90 
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RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Conforme consagra o caput, artigo 1º, da CF/1988, a República 
Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e, portanto, 
todos nós (inclusive o próprio Estado) somos regidos por leis que foram criadas 
para atender às necessidades do povo. 
Tais leis são necessárias para que as relações jurídicas entre os 
indivíduos possam ocorrer de forma harmônica, já que todos saberão, com 
antecedência, quais são os direitos e deveres inerentes a cada um para que 
possamos viver em sociedade. 
Nesse contexto, o Código Civil brasileiro declara expressamente, em seu 
artigo 186, que “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente 
moral, comete ato ilícito”. Já o artigo 927, também do Código Civil, prevê que 
“aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica 
obrigado a repará-lo”. 
Analisando-se os citados artigos, conclui-se que as vítimas de atos ilícitos 
podem exigir a reparação dos danos morais e/ou materiais que porventura 
sofrerem em virtude de omissões ou ações praticadas por outros particulares. 
Caso não seja possível efetuar a reparação do dano de forma “amigável”, 
a vítima poderá, então, recorrer ao Poder Judiciário, exigindo providências do 
Estado, ou seja, o cumprimento da lei. 
A obrigação de reparar os danos/prejuízos causados a terceiros não é 
exclusiva dos particulares, pois incide também em relação ao Estado. 
Entretanto, tal obrigação não é proveniente de contratos celebrados 
pelo Estado com terceiros, denominada responsabilidade contratual, pois, 
nesses casos, os possíveis prejuízos se resolvem com base nos próprios termos 
contratuais. Também não se refere à obrigação de indenizar em virtude do 
legítimo exercício de poderes em face do direito de terceiros, como ocorre 
frequentemente no caso da desapropriação e, algumas vezes, no caso de 
servidões. 
Conforme afirma o professor Celso Antônio Bandeira de Mello, tal 
obrigação deriva da responsabilidade EXTRACONTRATUAL do Estado face a 
comportamentos unilaterais, comissivos ou omissivos, legais ou ilegais, 
materiais ou jurídicos, que a ele são atribuídos. 
É por isso que, em alguns livros, você irá encontrar o presente tópico 
com o nome de “Responsabilidade Extracontratual do Estado”, 
“Responsabilidade patrimonial do Estado” ou, ainda, “Responsabilidade civil da 
Administração Pública”, o que em nada irá interferir no conteúdo que será 
apresentado. 
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Antes de passarmos para o próximo item, é necessário chamar a sua 
atenção para o fato de que a responsabilidade civil do Estado, pelos danos 
que seus agentes causem a terceiros, não se confunde com a responsabilidade 
civil, penal ou administrativa dos agentes públicos responsáveis pelo dano. 
Além da responsabilização do Estado, que irá ocorrer exclusivamente 
na esfera civil, o agente público também poderá ser responsabilizado, mas 
em três esferas distintas: civil, penal e administrativa, se for o caso. 
As responsabilidades civil, penal e administrativa, em regra, são 
independentes entre si, podendo, ainda, cumular-se, conforme veremos mais a 
frente. 
Em alguns casos, além de o Estado ser obrigado a reparar 
financeiramente (civilmente) o particular pelos danos causados pelos seus 
agentes, estes ainda podem responder simultaneamente na esfera penal (caso 
a conduta ou omissão seja tipificada como crime ou contravenção), 
administrativa (caso o ato omissivo ou comissivo seja praticado no 
desempenho do cargo ou função e previsto como infração funcional) e civil, 
sendo obrigados a devolver aos cofres públicos os valores que foram utilizados 
pelo Estado para indenizar os danos causados aos particulares. 
2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Conforme veremos a seguir, vigora no Brasil a responsabilidade 
objetiva do Estado pelos danos que seus agentes causarem a terceiros, sob a 
modalidade do risco administrativo. 
Entretanto, nem sempre foi assim, pois em outras épocas não era 
possível responsabilizar civilmente o Estado, vejamos: 
2.1.Irresponsabilidade do Estado 
Historicamente, por muitos anos, vigorou a máxima de que “O Rei nunca 
erra” (The King can do no wrong) ou “O Rei não pode fazer mal” (Le roi ne 
peut mal faire). 
Durante esse período, notadamente nos regimes absolutistas, o Estado 
NÃO PODIA SER RESPONSABILIZADO pelos danos que causasse aos 
particulares no exercício das funções estatais. 
Entretanto, mesmo durante esse período, os indivíduos não ficavam 
totalmente desamparados de proteção em virtude dos danos sofridos, pois 
existia a possibilidade de responsabilização individual dos agentes públicos
que, atuando com dolo ou culpa, acarretassem danos a terceiros. A 
responsabilidade, nesse caso, recaía sobre o próprio agente e não sobre o 
Estado. 
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Conforme nos informa o professor Diógenes Gasparini, o princípio da 
responsabilidade do agente público, em lugar da responsabilidade do Estado, 
estava previsto na Constituição de 1824, no item 29, artigo 179. 
No item 29 do artigo 179, o próprio Imperador fazia a ressalva de que 
não estava submetido a qualquer responsabilidade. 
Apesar da necessidade de você ter conhecimento dessa teoria para 
responder às questões de concursos, destaca-se que ela está inteiramente 
superada, mesmo nos Estados Unidos e na Inglaterra, que foram os últimos 
países a abandoná-las, em 1946 e 1947, respectivamente. 
(FCC/Assessor Jurídico TJ PI/2010) A teoria da irresponsabilidade do 
Estado, adotada na época dos Estados absolutos, repousava 
fundamentalmente na ideia de soberania, tendo os Estados Unidos e a 
Inglaterra abandonado tal teoria respectivamente em 1946 e 1947. 
2.2. Responsabilidade subjetiva do Estado ou Teoria da “culpa civil” 
Segundo essa teoria, o Estado seria equiparado ao particular para fins 
de indenização. Em regra, como os particulares somente podem ser 
responsabilizados pelos seus atos quando atuam com dolo (desejo de causar o 
dano) ou culpa (negligência, imprudência ou imperícia), tais requisitos 
também deveriam ser demonstrados a fim de que se pudesse responsabilizar o 
Estado. 
Tanto o Estado quanto o particular eram tratados de forma igualitária e, 
sendo assim, ambos respondiam nos termos do direito privado, sendo 
imprescindível a demonstração do dolo ou culpa para que ocorresse a 
responsabilização. 
Essa teoria passou a vigorar no Brasil com o advento do Código Civil, de 
1916 e, somente em 1946, com a promulgação da Constituição, deixou de 
existir. 
2.3. Teoria da Culpa Administrativa ou da faute du service 
Essa teoria relaciona-se à possibilidade de responsabilização do Estado 
em virtude do serviço público prestado de forma insatisfatória, defeituosa
ou ineficiente. 
Não é necessário que ocorra uma falta individual do agente público, mas 
uma deficiência no funcionamento normal do serviço, atribuível a um ou 
vários agentes da Administração, que não lhes seja imputável a título pessoal. 
Nesse caso, a vítima tem o dever de comprovar a falta do serviço (ou a 
sua prestação insuficiente ou insatisfatória) para obter a indenização, além de 
ser obrigada a provar ainda uma “culpa especial” do Estado, ou seja, provar 
que o Estado é responsável por aquela “falta” do serviço público. 
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O professor Diógenes Gasparini cita alguns exemplos em que ocorrerá a 
culpa do serviço e, portanto, a obrigação de o Estado indenizar o dano 
causado: 
1º ) Caso devesse existir um serviço de prevenção e combate a incêndio 
em prédios altos, mas não houvesse (o serviço não funcionava, não 
existia); 
2º) O serviço de prevenção e combate a incêndio existisse, mas ao ser 
demandado ocorresse uma falha, a exemplo da falta d´água ou do 
emperramento de certos equipamentos (o serviço funcionava mal); 
3º) O serviço de prevenção e combate a incêndio existisse, mas 
chegasse ao local do evento depois que o fogo já consumira tudo (o 
serviço funcionou atrasado). 
Sendo assim, gostaria que ficasse bem claro que a teoria francesa da 
faute du service se enquadra como hipótese de responsabilidade 
subjetiva, já que compete à vítima provar a “falta do serviço” e a 
responsabilidade do Estado pela sua prestação, posicionamento também 
defendido pelo professor Celso Antônio Bandeira de Mello. 
Esse também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça que, ao 
julgar o Recurso Especial 703741, declarou que “[...] A responsabilidade civil 
por omissão, quando a causa de pedir a ação de reparação de danos assenta-
se no faute du service publique, é subjetiva, uma vez que a ilicitude no 
comportamento omissivo é aferido sob a hipótese de o Estado deixar de agir 
na forma da lei e como ela determina”. 
2.4. Teoria do risco administrativo 
Essa é a teoria adotada pela Constituição Federal de 1988 e, portanto, 
iremos estudá-la com mais detalhes nos próximos itens. De qualquer forma, 
você já deve ter em mente que nesta modalidade de responsabilização não se 
exige a culpa ou dolo do agente público, nem a demonstração da “falta do 
serviço”. 
Para que o indivíduo seja indenizado, basta que comprove a existência 
do fato danoso e injusto ocasionado por ação do Estado. 
O professor Hely Lopes Meirelles esclarece que tal teoria baseia-se no 
risco que a atividade pública gera para os administrados, bem como na 
possibilidade de acarretar danos a certos membros da comunidade, impondo-
lhes um ônus que não é suportado pelos demais. 
Sendo assim, para compensar essa desigualdade individual, criada pelo 
próprio Estado, todos os outros componentes da coletividade devem concorrer 
para a reparação do dano. 
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2.5. Teoria do risco integral 
Com base em tal teoria, o Estado é responsável por qualquer dano 
causado ao indivíduo na gestão de seus serviços, independentemente da culpa 
da própria vítima, caso fortuito ou força maior. 
Para que o Estado seja obrigado a indenizar, basta que esteja envolvido 
no dano causado. Exemplo: se um indivíduo se jogar na frente de um 
caminhão de lixo que está realizando o serviço de limpeza urbana, 
objetivando um suicídio, ainda sim o Estado estaria obrigado a indenizar a 
família da vítima, pois o caminhão que “passou por cima” do suicida pertence 
ao Estado. 
É fácil perceber que a teoria do risco integral escapa ao bom senso, pois 
não prevê qualquer hipótese de exclusão ou redução da 
responsabilidade do Estado em relação ao evento danoso, ao contrário 
do que ocorre, por exemplo, na teoria do risco administrativo, como veremos 
adiante. 
3. A RESPONSABILIDADE OBJETIVA PREVISTA NO ARTIGO 37, § 6º DA 
CF/88 
O nosso ordenamento jurídico pátrio, durante muito tempo, oscilou 
entre as doutrinas subjetiva e objetiva da responsabilidade civil do Estado. 
Entretanto, a Constituição Federal de 1988 decidiu pela responsabilidade 
civil objetivado Estado, sob a modalidade do risco administrativo. 
Sendo assim, para que o Estado seja obrigado a indenizar o dano 
causado por seus agentes, é suficiente que o particular prejudicado comprove 
o dano existente e o nexo causal entre a ação do agente e o evento danoso. 
Não é necessário que o particular comprove que o agente público agiu com 
dolo ou culpa, pois isso é irrelevante para efeitos de indenização estatal. 
O professor Alexandre de Moraes afirma ser necessária a presença dos 
seguintes requisitos para que o Estado seja obrigado a indenizar: ocorrência do 
dano; ação administrativa; existência de nexo causal entre o dano e a ação 
administrativa e ausência de causa excludente da responsabilidade estatal. 
A possibilidade de responsabilizar o Estado pelos danos que seus agentes 
causarem a terceiros possui amparo no próprio texto constitucional, mais 
precisamente no artigo 37, § 6º, da CF/1988, que assim declara: 
§ 6º. As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado 
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus 
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de 
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 
Para que possamos responder mais facilmente às questões elaboradas 
pelas bancas examinadoras, principalmente da Fundação Carlos Chagas, é 
necessário que façamos um detalhamento das informações que podem ser 
extraídas do § 6º, do artigo 37, da CF/88. Avante! 
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3.1. A abrangência da expressão “as pessoas jurídicas de direito 
público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos” 
Na expressão destacada acima, devemos incluir como pessoas jurídicas 
de direito público a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal, as 
autarquias e as fundações públicas regidas pelo Direito Público. 
Como pessoas jurídicas de Direito Privado prestadoras de serviços 
públicos, incluímos as empresas públicas e sociedades de economia mista, 
desde que prestadoras de serviços públicos, e também as empresas 
privadas, mesmo não integrantes da Administração Pública, desde que 
prestem serviços públicos, a exemplo das concessionárias, permissionárias
e autorizatárias de serviços públicos. 
Até o mês de agosto de 2009, prevalecia no Supremo Tribunal Federal 
o entendimento de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos
não poderiam ser responsabilizadas objetivamente pelos danos causados 
pelos seus agentes aos terceiros que não fossem usuários do serviço público 
prestado. 
No julgamento do Recurso Extraordinário 262.651/SP, em 16/11/2004, 
de relatoria do Ministro Carlos Veloso, o STF decidiu que “a responsabilidade 
objetiva das prestadoras de serviço público não se estende a terceiros não-
usuários, já que somente o usuário é detentor do direito subjetivo de receber 
um serviço público ideal, não cabendo ao mesmo, por essa razão, o ônus de 
provar a culpa do prestador do serviço na causação do dano.” 
Desse modo, se um ônibus pertencente a uma concessionária de serviço 
público de transporte coletivo urbano colidisse com um automóvel particular, a 
responsabilidade civil daquela seria de natureza subjetiva, isto é, o particular 
somente seria indenizado pelos prejuízos sofridos se provasse o dolo ou a 
culpa do motorista da empresa, já que não estava usufruindo dos serviços 
prestados pela mesma. 
Todavia, no julgamento do Recurso Extraordinário 591.874, em 
26/08/2009, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal 
Federal decidiu que “a Constituição Federal não faz qualquer distinção sobre a 
qualificação do sujeito passivo do dano, ou seja, não exige que a pessoa 
atingida pela lesão ostente a condição de usuário do serviço”. 
Desse modo, passou a vigorar no Supremo Tribunal Federal o 
entendimento de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos 
respondem objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a 
terceiros, inclusive aqueles que não estejam usufruindo dos serviços 
prestados, a exemplo do particular que tem o seu carro atingido por um 
ônibus pertencente a concessionária prestadora de serviços públicos. 
Além disso, não se esqueça de que as empresas públicas e sociedades de 
economia mista, exploradoras de atividades econômicas, não são 
alcançadas pelo § 6º, do artigo 37, da CF/1988. 
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As empresas públicas e sociedades de economia mista, exploradoras de 
atividades econômicas (podemos citar como exemplo a Petrobrás, a Caixa 
Econômica Federal, o Banco do Brasil etc.), respondem pelos danos que seus 
agentes causarem a terceiros de acordo com as regras do Direito Privado, 
assim como acontece com os seus concorrentes no mercado. 
Em virtude de responderem pelos danos causados pelos seus agentes em 
conformidade com as regras de direito privado, desde já, é necessário que 
você saiba que a responsabilidade de tais pessoas jurídicas será SUBJETIVA, 
ao contrário daquela preconizada no do § 6º, do artigo 37, da CF/1988, que é 
OBJETIVA, em regra. 
(FCC/Procurador PGE AM/2010) O regime de responsabilidade 
previsto no art. 37, § 6°, da Constituição Federal brasileira alcança os 
atos praticados por particulares prestadores de serviços públicos, em 
relação a usuários e também a não-usuários, desde que existente nexo 
causal entre o evento causador do dano e a atividade objeto de 
delegação estatal. 
3.2. A abrangência da expressão “pelos danos que seus agentes, 
nessa qualidade, causarem a terceiros” 
A denominada “teoria do órgão”, elaborada pelo professor alemão Otto 
Friedrich von Gierke, declara que os atos praticados pelos agentes públicos são 
imputados ao Estado, já que este não possui condições de se expressar por 
conta própria e, portanto, se manifesta através de seus agentes. 
Sendo assim, quando um agente público, no exercício de suas funções 
administrativas, pratica um ato lesivo a outrem, é como se o próprio Estado o 
tivesse praticado e, por isso, deve então ser obrigado a indenizar. 
Para que o ato praticado pelo agente público possa ser imputado ao 
Estado, é necessário que exista uma relação entre o ato e o serviço, ou seja, é 
essencial que o ato ou ação lesiva tenham sido praticados para o serviço ou 
durante a prestação do serviço público. Se a condição de agente público tiver 
contribuído de algum modo para a prática do ato danoso, ainda que 
simplesmente lhe proporcionando a oportunidade para o comportamento ilícito, 
responde o Estado pela obrigação de indenizar. 
Ao referir-se a “agentes”, o constituinte não restringiu o alcance do 
texto constitucional somente aos servidores estatutários, incluindo também 
os celetistas (empregados das empresas públicas, sociedades de economia 
mista e das concessionárias, permissionárias e autorizatárias de serviços 
públicos), os contratados temporariamente em razão de necessidade 
temporária de excepcional interesse público, bem como todos aqueles que 
exercem funções públicas, ainda que transitoriamente e sem remuneração, 
incluindo-se os agentes delegados (oficiais de cartório, por exemplo). 
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Fato importante, e que deve ser lembrando no momento da prova, é que 
os agentes públicos devem ter atuado na “condição de agente” ao causar o 
dano, pois, caso contrário, não será possível responsabilizar o Estado. 
Exemplo: suponhamos que um servidor do Ministério da Fazenda tenha 
acabado de sair do trabalho, chegado em casa estressado e, ao encontrar a 
empregada doméstica, tenha lhe desferido vários “tabefes” na cara alegando 
que precisava descarregar em alguém o desgastante dia de trabalho. 
Pergunta para não zerar a prova: nesse caso, a União poderá ser 
responsabilizada pelos danos que o seu agente causou ao particular? 
É lógico que não, pois o servidor do Ministério da Fazenda, naquele 
momento, não estava no exercício da função de agente público. Era apenas 
uma pessoa como outra qualquer. 
Pergunta: e se o servidor, no dia seguinte, mas ainda estressado, 
tivesse se deslocado em um veículo da União para fazer um trabalho externo 
e, a 180 km por hora, colidisse com um veículo particular. Neste caso, como o 
servidor dirigia a 180km/h, a União poderá ser responsabilizada? 
É claro, pois o servidor estava no exercício de suas funções, 
independentemente da velocidade de condução do veículo. 
Os professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino chamam a atenção 
para o fato de que é irrelevante se o agente atuou dentro, fora ou além de 
sua competência legal, pois se o ato foi praticado por alguém que se 
encontrava na condição de agente público já é suficiente para a caracterização 
da responsabilidade objetiva. 
(FCC/Agente Legislativo ALSP/2010) A regra da responsabilidade 
objetiva do Estado exige, segundo a previsão constitucional 
correspondente, que o dano seja causado por agente público que atue 
nessa qualidade, sendo considerados agentes públicos os servidores 
públicos, os agentes políticos e os particulares que atuam em 
colaboração com o poder público. 
4. CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE DO ESTADO
A responsabilidade civil do Estado, conforme apresentada no item 
anterior, apesar de objetiva, poderá ser abrandada ou afastada 
integralmente em algumas situações, vejamos: 
(FCC/Procurador TCE RO /2010) O Estado responde objetivamente 
pelos danos causados a terceiros por seus agentes. Isto significa dizer 
que se considera presumida a culpa do agente público envolvido, 
passível de demonstração, no entanto, da ocorrência de pelo menos 
uma das excludentes de responsabilidade, como culpa exclusiva da 
vítima. 
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4.1. Culpa exclusiva da vítima 
Ocorre a culpa exclusiva da vítima quando o dano existente é 
consequência de omissão ou ação do próprio particular que sofreu o dano, ou 
seja, sem a ação ou omissão da vítima do dano, não existiria o dano. Ora, 
se o particular deu causa ao dano que sofreu, deverá suportar sozinho o 
prejuízo. 
Exemplo: Imaginemos um indivíduo que, após terminar um longo 
relacionamento amoroso, desgostoso da vida, decide se jogar na frente de um 
trator de propriedade do município, que estava recapeando algumas ruas na 
cidade. Como consequência de tal ato, quebra as duas pernas e tem 10 dentes 
arrancados da boca. 
Pergunta: Quem deverá ser responsabilizado civilmente pelo tratamento 
médico e as demais despesas provenientes do ato insano praticado pelo 
particular? O próprio particular, é claro! Ademais, este ainda pode ser obrigado 
a ressarcir ao Município os possíveis danos causados ao trator. 
Lembre-se de que no citado exemplo será afastada a obrigatoriedade de 
o Município indenizar o particular porque foi rompido o NEXO CAUSAL, ou 
seja, o Município não deu CAUSA ao dano, pois foi o particular que se JOGOU 
embaixo do trator. 
O ônus de provar que a culpa é exclusiva do particular ou que este 
contribuiu com o evento danoso recai sobre o Estado (aqui a expressão inclui 
todas as entidades políticas). Caso este não consiga provar, deverá indenizar o 
dano sofrido pelo particular, mesmo não tendo sido o responsável direto pelo 
prejuízo 
 Em outras circunstâncias, em vez de ser afastada a responsabilidade 
civil do Estado, poderá ocorrer apenas um “abrandamento” em virtude da 
culpa concorrente do particular. 
A culpa concorrente ocorre quando o particular também contribui para o 
evento danoso, e, portanto, é responsabilizado proporcionalmente ao seu grau 
de participação no prejuízo causado. 
Exemplo: Suponhamos que, em uma via municipal, cuja velocidade 
máxima seja de 60km/h, um particular esteja conduzindo o seu veículo a 
130km/h. De repente, o particular depara-se com um bueiro destampado no 
meio da via e, na tentativa de desviar-se do buraco, perde a direção do veículo 
e colide-se contra um muro, destruindo completamente o veículo. 
Pergunta: Neste caso, se o particular ingressar com uma ação judicial 
exigindo o pagamento integral do prejuízo referente ao veículo, o Município 
teria que pagar a integralidade, somente parte ou não poderia ser 
responsabilizado pelo dano? 
 É claro que nós não conhecemos todos os detalhes do caso, mas, de 
qualquer forma, já sabemos que o Município foi omisso ao permitir que o 
bueiro ficasse sem tampa de proteção, devendo, portanto, ser responsabilizado 
por isso. Por outro lado, o particular estava conduzindo o veículo em 
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velocidade superior ao dobro da permitida para aquela via urbana. 
Provavelmente, se o particular estivesse em velocidade compatível para o 
local, o acidente sequer teria ocorrido. 
Sendo assim, o mais sensato é dividir o prejuízo proporcionalmente à 
participação de cada um no evento danoso, já que, nesse caso, existiu a 
denominada culpa concorrente. 
4.2. Caso fortuito e força maior 
Não existe consenso doutrinário ou mesmo jurisprudencial sobre as 
definições de caso fortuito e força maior. E para dificultar ainda mais a vida do 
concurseiro, a divergência também se estende à possibilidade de tais 
acontecimentos serem capazes ou não de excluir a responsabilidade civil do 
Estado. 
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça disponibilizou em seu site 
(www.stj.gov.br) um breve texto através do qual deixou claro que a existência 
de caso fortuito ou força maior devem ser analisadas em cada caso e, 
somente após tal análise, seria possível decidir sobre a possibilidade de tais 
eventos afastarem ou não a responsabilidade do Estado. 
Analisemos um exemplo citado no referido texto apresentado no site do 
STJ: um motorista está dirigindo em condições normais de segurança. De 
repente, um raio atinge o automóvel no meio da rodovia e ele bate em outro 
carro. O raio é um fato natural. Se provar que a batida aconteceu devido ao 
raio, que é um acontecimento imprevisível e inevitável, o condutor não pode 
ser punido judicialmente, ou seja: não vai ser obrigado a pagar indenização ao 
outro envolvido no acidente. 
Ao demonstrar que a causa da batida nãoestá relacionada com o 
veículo, como problemas de manutenção, por exemplo, fica caracterizada a 
existência de caso fortuito ou força maior. 
No exemplo anterior, destaca-se que o STJ reuniu o caso fortuito e a 
força maior dentro de um único conceito, como se fossem expressões 
sinônimas, posicionamento também defendido pelo professor José dos Santos 
Carvalho Filho, ao afirmar que “são fatos imprevisíveis aqueles eventos que 
constituem o que a doutrina tem denominado de força maior e de caso 
fortuito. Não distinguiremos estas categorias, visto que há grande divergência 
doutrinária na caracterização de cada um dos eventos. Alguns autores 
entendem que a força maior é o acontecimento originário da vontade do 
homem, como é o caso da greve, por exemplo, sendo o caso fortuito o evento 
produzido pela natureza, como os terremotos, as tempestades, os raios e os 
trovões”. 
Repita-se: De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de 
Justiça, bem como do Professor José dos Santos Carvalho Filho, caso fortuito 
e força maior representam a mesma coisa, ou seja, um acontecimento 
imprevisível e inevitável. 
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A doutrina tradicional entende que a FORÇA MAIOR caracteriza-se por 
um evento da natureza, imprevisível, irresistível e inevitável, tais como 
enchentes, terremotos, furacões, entre outros. 
Por outro lado, o CASO FORTUITO estaria relacionado a condutas 
culposas ou dolosas de terceiros, da mesma forma, imprevisíveis, 
irresistíveis, inevitáveis e independentes da vontade das partes. Podemos citar 
como exemplo os criminosos arrastões, guerras, greves ou invasões a locais 
públicos. 
Independente da corrente conceitual que se adote, existe consenso em 
um único ponto: o caso fortuito e o evento de força maior são acontecimentos 
externos à atuação administrativa, o que faz com que a sua ocorrência, 
numa situação em que houve alguma atuação administrativa causando dano 
para o particular, exclua o nexo causal entre a atuação e o dano. 
Voltemos ao exemplo do automóvel que foi atingido por um raio. 
Suponhamos que o veículo integrasse o patrimônio da União e que, no 
momento que um agente se dirigia para uma fiscalização em uma empresa 
privada, tenha sido atingido por um raio, fato que fez com que o motorista 
perdesse o controle e atingisse outro veículo. 
Ora, neste caso, a União não poderia ser responsabilizada civilmente, 
pois foi o evento natural (raio) que deu origem ao acidente, quebrando-se 
assim o nexo causal entre a atuação do Estado e o dano causado ao veículo do 
particular. 
Se alguém tem que ser responsabilizado pelo dano, esse seria São Pedro 
(sem comentários ...), pois foi o responsável pelo envio do raio que caiu no 
veículo do Estado e que, consequentemente, causou o acidente. Se o veículo 
não tivesse sido atingido pelo raio, o acidente não teria acontecido. 
Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas: Nesse caso, 
você não precisa se preocupar em definir o evento como de força maior ou 
caso fortuito. Volto a repetir: basta que você entenda que o prejuízo ao veículo 
do particular ocorreu em virtude do raio e não de um “querer” do Estado, pois 
este não teve como evitá-lo. 
Como se não bastassem todas as divergências apresentadas até o 
momento, é necessário ainda que você tenha conhecimento das definições dos 
professores Celso Antônio Bandeira de Mello e Maria Sylvia Zanella Di Pietro, 
citadas no livro dos professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino: 
Os professores acima entendem que podem ser incluídos como eventos 
de FORÇA MAIOR os eventos da natureza e também os atos de terceiros, 
desde que imprevisíveis, irresistíveis e inevitáveis e que não tenham relação 
com a atuação do Estado. Sendo assim, poderiam ser citados como exemplos 
de força maior uma enchente, um terremoto, um arrastão, uma guerra, etc. 
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Como o Estado não deu causa aos citados exemplos, não há nexo causal 
que ligue o Estado aos danos sofridos pelos particulares. Portanto, caso o 
particular tenha sofrido um dano proveniente de força maior, não há 
possibilidade de atribuir ao Estado tal responsabilidade. 
Sobre o CASO FORTUITO, os professores entendem que se trata de um 
evento interno à própria atuação administrativa, mas que, pela sua 
imprevisibilidade e inevitabilidade, gerou um resultado também totalmente 
imprevisto e imprevisível. 
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo esclarecem que o caso fortuito seria 
sempre um evento interno, ou seja, decorrente de uma atuação da 
Administração. O resultado dessa atuação é que seria inteiramente anômalo, 
tecnicamente inexplicável e imprevisível. Assim, na hipótese de caso fortuito, 
todas as normas técnicas, todos os cuidados relativos à segurança, todas as 
providências exigidas para a obtenção de um determinado resultado foram 
adotadas, mas, não obstante isso, inexplicavelmente, o resultado ocorre de 
forma diversa da prevista e previsível. 
Analisando-se o posicionamento apresentado pelos professores, conclui-
se que o caso fortuito não teria o condão de afastar a reponsabilidade 
civil do Estado, pois o dano teria ocorrido diretamente de sua atuação, 
apesar de inexistir qualquer culpa no dano existente. 
Tenho certeza de que você deve estar se perguntando: e para 
responder às questões da Fundação Carlos Chagas, qual posicionamento devo 
adotar? 
Essa é uma pergunta difícil de responder. Para ser sincero, não tenho 
visto questões de Direito Administrativo exigindo a diferença entre esses dois 
institutos. De qualquer forma, já está pacificado o entendimento de que o 
evento de força maior exclui a responsabilidade civil do Estado. A Fundação 
Carlos Chagas, por exemplo, já cobrou esse entendimento: 
(TRE-SE / Analista Judiciário – 2007 / FCC) A respeito da 
responsabilidade civil do Estado é correto afirmar: 
A) em razão da adoção da responsabilidade objetiva do Estado, a culpa 
exclusiva da vítima não afasta a responsabilidade civil do Estado. 
B) a responsabilidade civil do Estado decorre dos danos causados a 
terceiros por seus agentes, ainda que não estejam atuando no exercício 
de suas funções. 
C) o Estado não será responsável pela reparação do dano 
decorrente exclusivamente de força maior. 
D) em razão da adoção da responsabilidade objetiva do Estado, a 
Administração Pública não tem direito de regresso em relação ao agente 
público que agiu com culpa. 
E)a entidade de Administração Pública Indireta, que desempenha 
qualquer atividade, nunca responderá pelos danos causados a terceiros 
por seus agentes. 
 
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Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas: Aconselho que 
você vá para a prova sabendo que tanto o caso fortuito, quanto o evento de 
força maior, dependendo da análise concreta, podem afastar a 
responsabilidade do Estado, conformeentende o Superior Tribunal de Justiça. 
Entretanto, se a questão se referir ao entendimento do professor Celso 
Antônio Bandeira de Mello, você já sabe que tem que responder em 
conformidade com o que apresentei neste tópico. 
5. A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO EM VIRTUDE DA OMISSÃO 
DE SEUS AGENTES 
Tenha muita atenção ao responder às questões de concursos públicos, 
pois as bancas tendem a elaborar questões afirmando que a responsabilidade 
do Estado sempre será objetiva, o que está incorreto. 
Na prática, os particulares podem sofrer danos em virtude de condutas 
comissivas (ações) praticadas pelos agentes públicos, bem como em virtude de 
omissões (deixar de fazer) estatais. Ocorrendo quaisquer dessas hipóteses, o 
Estado estará obrigado a indenizar. 
Nos danos oriundos de uma ação praticada por agente público, incluindo 
os agentes delegados, a responsabilidade será OBJETIVA, mas, nos danos 
provenientes de uma omissão estatal, a responsabilidade passa a ser 
SUBJETIVA, ou seja, será necessário que o particular comprove o dolo e/ou a 
culpa do Estado na omissão a fim de que seja indenizado. 
Esse é o posicionamento defendido pelo professor Celso Antônio Bandeira 
de Mello, ao afirmar que a expressão "causarem" do artigo 37, parágrafo 6.º, 
da CF/88, somente abrange os atos comissivos, e não os omissivos, afirmando 
que estes últimos somente "condicionam" o evento danoso. 
O professor ainda destaca que “quando o dano foi possível em 
decorrência de uma omissão do Estado (o serviço não funcionou, funcionou 
tardia ou ineficientemente) é de aplicar-se a teoria da responsabilidade 
subjetiva. Com efeito, se o Estado não agiu, não pode, logicamente, ser o 
autor do dano. E se não foi o autor, só cabe responsabilizá-lo caso esteja 
obrigado a impedir o dano. Isto é, só faz sentido responsabilizá-lo se 
descumpriu dever legal que lhe impunha obstar o evento lesivo. 
Deveras, caso o Poder Público não estivesse obrigado a impedir o 
acontecimento danoso, faltaria razão para impor-lhe o encargo de suportar 
patrimonialmente as conseqüências da lesão. Logo, a responsabilidade estatal 
por ato omissivo é sempre responsabilidade por comportamento ilícito. E sendo 
responsabilidade por ilícito, é necessariamente responsabilidade subjetiva, pois 
não há conduta ilícita do estado que não seja proveniente de negligência, 
imprudência ou imperícia (culpa) ou, então, deliberado propósito de violar a 
norma que o constituía em dada obrigação (dolo). Culpa e dolo são justamente 
modalidades de responsabilidade subjetiva. 
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Diante desse contexto, é possível citar vários exemplos em que a 
responsabilidade do Estado será subjetiva em virtude de omissões constatadas 
e provadas: 
Exemplo: Imaginemos o caso de uma árvore centenária, com vinte 
metros de altura e dez metros de diâmetro, localizada em uma praça no centro 
da cidade. Suponhamos agora que, há vários meses, os moradores próximos à 
praça estão reivindicando o corte da árvore em virtude de estar infestada de 
cupins e ameaçando cair. Para tanto, foram protocoladas diversas petições 
administrativas individuais e coletivas, mas o Município nunca tomou qualquer 
providência. Ressalta-se ainda que o risco de queda da árvore também tenha 
sido noticiado em jornais escritos e televisivos de toda a região, mas, apesar 
disso, o Município continuou inerte. 
Imaginemos agora que, num certo dia, um turista resolve parar o seu 
veículo debaixo dessa árvore e, para a sua surpresa, a árvore “desaba” em 
cima de seu carro. 
Ora, nesse exemplo, está claro que a árvore somente caiu em cima do 
carro do turista porque o Município foi omisso. Apesar de todas as 
manifestações dos moradores exigindo providências, o Município nada fez. 
Sendo assim, para que o turista seja ressarcido dos prejuízos causados 
ao seu veículo, deverá provar a omissão do Estado, ou seja, deverá comprovar 
o dolo e/ou a culpa (negligência, imprudência ou imperícia) do Município no 
evento danoso. 
Pergunta: Mas como deverá proceder o turista para provar tal fato? 
Ora, nesse caso ele terá que bater de porta em porta, em toda a vizinhança, 
para saber se alguém possui cópia das petições administrativas que foram 
protocoladas perante o Município, cópia dos jornais noticiando o risco de 
queda, entre outros, além de poder ainda colher o nome de alguns moradores 
para servirem de testemunhas (prova) no desenvolvimento do processo. 
Outro exemplo bastante comum em prova é o caso de danos 
provenientes de enchentes, conseqüência de chuvas acima da média. 
Pergunta: Nesse caso, o Estado poderá ser responsabilizado civilmente 
pelos danos que a enchente causar aos particulares? Depende. 
Se ficar comprovado que o Estado foi omisso, ou seja, que não efetuou 
a limpeza dos bueiros de escoamento da água, permitindo o acúmulo de lixo e, 
consequentemente, o seu entupimento, poderá, sim, ser responsabilizado, 
desde que o particular lesado comprove o dolo e/ou a culpa do Estado. Nessa 
hipótese, a responsabilidade do Estado será SUBJETIVA. 
Entretanto, se os danos provenientes da enchente ocorreram em virtude 
do real excesso de chuvas, já que recentemente o Estado havia efetuado a 
limpeza de todo o sistema de escoamento de água, mantendo-o em perfeitas 
condições de funcionamento, teremos então a hipótese de FORÇA MAIOR (já 
que se trata de um evento EXTERNO, estranho a qualquer atuação do Estado) 
e, portanto, será excluída a responsabilidade estatal. 
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(FCC/Analista Judiciário TRF 1ª Região/2011) No início do ano, é 
comum a ocorrência de fortes tempestades, que, conforme têm 
mostrado os noticiários, estão causando consequências avassaladoras 
em diversas regiões do país. Quando chuvas dessa natureza 
provocarem enchentes na cidade, inundando casas e destruindo 
objetos, o Estado responderá se, aliado ao fato narrado, ocorreu 
omissão do Poder Público na realização de determinado serviço. 
 
6. SITUAÇÕES ESPECIAS ABRANGIDAS PELA RESPONSABILIDADE 
OBJETIVA 
6.1. Responsabilidade por dano nuclear 
O artigo 21, XXI, da Constituição de 1988, declara expressamente que 
compete à União explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer 
natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o 
enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de 
minérios nucleares e seus derivados. 
Todavia, na alínea “d” do mesmo dispositivo, consta que a 
responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa, 
ou seja, trata-se de responsabilidade objetiva. 
Informação importante e que deve ser assimilada para responder às 
questões de prova, refere-se ao fato de que, apesar de a Constituição Federal 
de 1988 não estabelecer expressamente, a responsabilidade civil daqueles que 
causarem danos nucleares a outrem será regida pela teoria do risco 
integral. 
Isso significa que permanecerá a obrigação de indenizar até mesmo nos 
casos de inexistência de nexo causal entre a ação/omissão do Estado ou 
particular e o dano causado. 
Trata-se de uma hipótese excepcional e extremada de responsabilização 
civil, pois não prevê excludentesde responsabilidade, nem mesmo nos casos 
de culpa exclusiva de terceiros, da vítima, caso fortuito ou de força maior. 
Outra informação importante é o fato de que até mesmo o 
PARTICULAR, mesmo não sendo prestador de serviços públicos, 
responderá objetivamente pelos danos nucleares que causar a terceiros. 
Apesar de ser um tema novo e instigante, penso que essas são as únicas 
informações que você precisa saber para acertar as questões de concursos 
relativas a este item. 
6.2. Danos de obra pública 
A responsabilidade do Estado por danos decorrentes de obras públicas 
pode ser do tipo OBJETIVA ou SUBJETIVA. 
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Quando o dano ao particular ocorrer em função do só fato da obra, a 
responsabilidade do Estado será do tipo OBJETIVA, na modalidade do risco 
administrativo, independentemente se a obra está ou estava sendo realizada 
pelo próprio Estado ou por particulares contratados. 
 Ocorre dano pelo só fato da obra quando o prejuízo é proveniente da 
própria natureza da obra, seja pela sua duração, execução ou extensão. Como 
o Estado foi o responsável pela decisão governamental que originou a 
realização da obra, ele deve ser o responsável por eventuais danos advindos 
de sua execução. 
Conforme esclarece o professor Hely Lopes Meirelles, se na abertura de 
um túnel ou de uma galeria de águas pluviais, o só fato da obra causa danos 
aos particulares (erro de cálculo, por exemplo), por estes danos, responde 
objetivamente a Administração que ordenou os serviços; se, porém, o dano é 
produzido pela imperícia, imprudência ou negligência do construtor na 
execução do processo, a responsabilidade originária é da Administração, como 
dona da obra, mas pode ela haver do executor culpado tudo quanto pagou à 
vítima. 
Esse é um ponto importante e que merece uma maior atenção: se o 
dano puder ser atribuído ao EXECUTOR da obra, em virtude da má-
execução do contrato administrativo, a responsabilidade será SUBJETIVA, 
ou seja, deverá ser comprovada a negligência, imprudência ou imperícia do 
EXECUTOR para que ocorra a sua responsabilização civil. 
Contudo, se o Estado, por algum motivo, decidir indenizar o particular 
pelo dano sofrido, poderá propor ação regressiva em face do executor para 
reaver os recursos financeiros utilizados no pagamento. Veja o exemplo de 
uma questão que confirma o que acabou de ser exposto: 
(Procurador Judicial do Município de Recife/2003) Durante a execução 
de obra pública, um particular contratado para a realização da 
construção provoca danos a prédio vizinho, de propriedade do próprio 
Poder contratante. Nessa hipótese, a responsabilidade civil do 
particular 
(A) é objetiva, pois a atividade prestada é equiparada a serviço público. 
(B) depende da comprovação de seu dolo ou culpa. 
(C) apenas se caracteriza se não for comprovada omissão na fiscalização da 
obra, pelo Poder Público. 
(D) não se configura, cabendo ao Poder Público executar as garantias 
contratuais. 
(E) depende da constatação de vícios que comprometam a solidez e segurança 
da edificação. 
6.3. Atos Legislativos 
Como estudamos anteriormente, o Estado responde pelos 
comportamentos lícitos e ilícitos praticados pelos agentes do Poder Executivo 
que causarem danos a terceiros. Todavia, em regra, os atos legislativos 
editados pelos representantes do povo não geram responsabilidade para o 
Estado. 
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Os autores que defendem esse posicionamento afirmam que a aceitação 
da possibilidade de responsabilizar o Estado por atos legislativos implicaria em 
retirar a soberania desse Poder. Entretanto, entendo que a soberania do 
Legislativo não deixa de existir, da mesma forma que o Executivo também é 
Poder e não se cogita de falta de soberania quando o Estado responde pelos 
atos praticados pelos seus agentes. 
Isso porque o Estado é UNO e as funções estatais são apenas 
instrumentos utilizados pelo povo a fim de que o poder possa ser exercido de 
forma igualitária e mais ágil. 
Dessa forma, o Estado pode sim ser responsabilizado, em algumas 
situações especiais, pelos atos danosos oriundos do Legislativo, da mesma 
forma que já o é pelos atos do outros dois Poderes. 
Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas: Segundo o 
entendimento da doutrina dominante para “fins de concursos públicos”, 
atualmente o Estado somente pode ser responsabilizado pela edição de leis 
inconstitucionais ou leis de efeitos concretos. 
Apesar de o Poder Legislativo exercer parcela da soberania do Estado ao 
legislar, é necessário que tais atos legislativos sejam editados em 
conformidade com as normas constitucionais, pois, caso contrário, ocorrendo o 
desrespeito ao texto constitucional, surge a obrigação de indenizar. 
É válido ressaltar que, para que o particular possa pleitear indenização 
em virtude de lei inconstitucional, é necessário que exista pronunciamento 
expresso do Supremo Tribunal Federal. 
Da mesma forma, as leis de efeitos concretos (aquelas que não 
possuem caráter normativo, generalidade, impessoalidade ou abstração – 
citam-se como exemplos aquelas famosas leis municipais que modificam 
nomes de ruas), se causarem danos aos particulares, geram para o Estado o 
dever de indenizar. 
(FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) Os atos legislativos, em 
regra, não acarretam responsabilidade extracontratual do Estado. 
6.4. Atos judiciais 
Assim como ocorre em relação aos atos legislativos, a regra é a de que 
não será possível responsabilizar o Estado pelos atos jurisdicionais 
praticados pelos juízes, desde que no exercício de suas funções típicas (a de 
julgar). 
Entretanto, o próprio inciso LXXV, do artigo 5º, da CF/88, apresenta 
duas exceções, ao estabelecer que o “Estado indenizará o condenado por 
erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na 
sentença”. 
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O erro judiciário e o excesso de prisão acarretarão indenização por danos 
materiais (danos emergentes e lucros cessantes), devendo recompor a 
situação anterior do prejudicado, e também por danos morais, uma vez que 
são óbvios os seus efeitos psicológicos, em face do ferimento frontal do direito 
à liberdade e à honra, conforme ressalta o professor Alexandre de Moraes. 
É válido ressaltar que a exceção prevista no texto constitucional alcança 
somente a esfera penal, excluindo a esfera cível. Contudo, a fim de ser 
indenizado pelos danos sofridos na esfera penal, o particular deverá pleitear o 
seu direito na esfera cível, através de ação judicial própria. 
6.5. Coisas ou pessoas sob a responsabilidade do Estado 
Eis aqui outro ponto polêmico e que já tem despertando a atenção das 
bancas examinadoras no momento da elaboração de questões. 
Sabemos que, em diversos momentos, o Estado assume a 
responsabilidade pela “guarda” de pessoas, animaisou coisas, como se 
verifica, por exemplo, em relação aos indivíduos que cumprem pena em 
presídios, àqueles que estão internados em manicômios, aos alunos de uma 
escola pública, às mercadorias que foram retidas por algum órgão ou entidade 
pública e que se encontram em depósitos públicos etc. 
Sendo assim, o Estado possui responsabilidade OBJETIVA pelos danos 
que as pessoas, coisas ou animais sofrerem enquanto estiverem sob a sua 
“guarda”, exceto se tal dano ocorrer em virtude de caso fortuito ou 
força maior, já que esses são eventos imprevisíveis e irresistíveis, que fogem 
ao controle do Estado. 
O professor Celso Antônio Bandeira de Mello exemplifica tal 
responsabilidade afirmando que, se um detento fere outro, o Estado 
responde objetivamente, pois cada um dos presidiários está exposto a uma 
situação de risco inerente ao ambiente em que convivem e, portanto, o Estado 
deve zelar pela integridade física e moral de cada um deles. 
Mas, se um raio vier a matar um detento, a responsabilidade desloca-se 
para o campo da culpa administrativa, deixando de ser objetiva, por inexistir 
conexão lógica entre o evento raio e a situação de risco vivida pelo 
desafortunado. A responsabilidade advirá se eventualmente ficar comprovado 
que as instalações capazes de impedir o evento (pára-raios) não existiam, 
foram mal projetadas ou estavam mal conservadas. 
 
7. RESPONSABILIDADE CIVIL E PRAZO QUINQUENAL 
Apesar de o Estado poder ser responsabilizado pelos danos que seus 
agentes causarem a terceiros, a ação judicial que pode ser proposta com tal 
finalidade prescreve em cinco anos, contados da ocorrência do ato ou fato. 
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Tal previsão está expressa no artigo 1º do Decreto 20.910/32: “As 
dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e 
qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja 
qual for a sua natureza, prescrevem em (cinco) anos, contados da data do 
ato ou fato do qual se originarem”. 
(FCC/Analista Judiciário TRE AM/2010) Sobre a reparação do dano 
decorrente da responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar que 
prescreve em cinco anos o direito de obter indenização dos danos 
causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público. 
Apesar de o particular possuir apenas o prazo de 05 (cinco) anos para 
pleitear indenização em virtude de danos causados pelo Estado, este não 
possui prazo para cobrar o ressarcimento de prejuízos ou danos causados ao 
seu patrimônio em virtude de comportamento culposo ou doloso de seus 
agentes, servidores ou não, conforme estabelece o § 5º do artigo 37 da 
CF/88: 
§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados 
por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, 
ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. 
O Superior Tribunal de Justiça, em dezembro de 2008, reafirmou que as 
ações de ressarcimento ao erário por danos decorrentes de atos de 
improbidade administrativa são imprescritíveis. A conclusão da Segunda 
Turma foi tomada durante o julgamento do recurso especial nº 1069779, 
seguindo, por unanimidade, o entendimento do ministro Herman Benjamin, 
que foi o relator (o primeiro juiz do Tribunal a emitir a sua opinião sobre o 
processo) da questão. 
Para o relator, o artigo 23 da Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 
8.429/1992) - que prevê o prazo prescricional de cinco anos para a aplicação 
das sanções previstas nessa lei - disciplina apenas a primeira parte do 
parágrafo 5º, do artigo 37, da Constituição Federal, já que, em sua parte final, 
a norma constitucional teve o cuidado de deixar ressalvadas as respectivas 
ações de ressarcimento, o que é o mesmo que declarar a sua 
imprescritibilidade. 
Dessa forma, concluiu-se que prescreve em cinco anos a punição do ato 
ilícito, mas a pretensão de ressarcimento pelo prejuízo financeiro (pecuniário) 
causado ao erário é imprescritível. 
O entendimento é de que o prazo de cinco anos é apenas para aplicação 
de pena (suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, proibição 
de contratar com o Poder Público, etc), não para o ressarcimento dos danos 
financeiros aos cofres públicos. 
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(FCC/Procurador PGE RO/2011) Desgovernado, o ônibus de uma 
concessionária de transporte intermunicipal de passageiros, acabou 
por atropelar um pedestre, sendo que ambos - ônibus e pedestre - 
trafegavam por estrada federal. Nessa situação, constata-se a 
responsabilidade objetiva direta da concessionária, sendo que a ação 
de reparação de danos deve ser proposta no prazo de cinco anos a 
partir do evento danoso. 
 
8. AÇÃO REGRESSIVA EM FACE DO AGENTE PÚBLICO RESPONSÁVEL 
PELO DANO 
Conforme já foi exposto, o Estado pode ser responsabilizado civilmente 
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Sendo 
assim, caso o particular tenha sofrido algum prejuízo em razão de uma ação 
ou omissão de agente público estatal, deverá exigir o respectivo ressarcimento 
diretamente do Estado, e não do agente público. 
Como o Estado responderá objetivamente pelos danos causados pelos 
seus agentes, a própria CF/1988 assegura, na parte final do § 6º, do artigo 37, 
o direito de o Estado tentar reaver o valor indenizatório que foi pago ao 
particular, podendo propor contra o agente público a denominada ação 
regressiva. 
Apesar de tal possibilidade estar prevista diretamente no texto 
constitucional, é necessário que o Estado comprove em juízo que o agente 
público agiu com DOLO ou CULPA ao causar o dano ao particular, pois, caso 
contrário, o agente não será obrigado a devolver aos cofres públicos o valor 
pago ao particular pelo Estado, já que responde SUBJETIVAMENTE. 
Para que o Estado possa propor a referida ação regressiva, 
primeiramente, é necessário que comprove já ter indenizado o particular, 
pois essa é uma condição obrigatória. Trata-se de um requisito lógico, pois, se 
o Estado ainda não pagou ao particular qualquer tipo de indenização, como 
poderá exigir do agente público o ressarcimento de um prejuízo que nem 
experimentou ou sequer sabe o valor? 
Muito cuidado ao responder às questões de concursos, pois a simples 
existência do trânsito em julgado de sentença condenando o Estado a pagar ao 
particular a indenização, por si só, não é suficiente para fundamentar a 
propositura da ação regressiva. Além do trânsito em julgado, é necessário 
ainda que já tenha ocorrido o efetivo pagamento ao particular. 
Vamos citar um exemplo simples, capaz de explicar melhor o que acaba 
de ser exposto: 
Exemplo: Suponhamos que uma ambulância do Estado, conduzida por 
um agente público, que trafegava normalmente por uma avenida, tenha se 
envolvido em um acidente com um veículo particular, no qual ambos tiveram 
danos materiais. Como a discussão entre os motoristas começou a ficar 
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acalouradada, ambos decidiram contactar a Perícia de Trânsito a fim de que 
fosse emitido um laudo pericial, declarando as razões que motivaram tal 
acidente e pudesse ser definida a culpa pelo mesmo. 
Na data combinada para a entrega do laudo pericial oficial, foi divulgado 
o resultado, todavia, ao analisá-lo, verificou-se a impossibilidade de 
definição da culpa pelo acidente “em razão das circunstâncias do evento”. 
De posse do referido laudo pericial, o particular ingressou com uma ação 
judicial pleiteando do Estado o ressarcimento dos danos causados ao seu 
automóvel. 
Pergunta 1: Neste caso, com base no laudo pericial apresentado pelo 
Perito, o particular teria direito a receber indenização pelos danos sofridos? 
Sim, pois a responsabilidade do Estado pelos danos que seus agentes 
causarem a terceiros, em regra, é OBJETIVA, ou seja, dispensa a comprovação 
de DOLO ou CULPA. Sendo assim, como o laudo pericial não afirmou que a 
culpa era exclusiva do particular, ou melhor, sequer definiu de quem seria a 
culpa, presume-se que seja do Estado. 
Pergunta 2: Suponhamos que o Estado tenha sido condenado a pagar 
ao particular R$ 10.000,00 (dez mil reais) em virtude do dano causado pelo 
motorista da ambulância. Nesse caso, o Estado conseguirá êxito em uma 
possível ação de ressarcimento proposta em face do agente público? 
Não, pois, conforme expresso no laudo pericial, não é possível 
determinar qual dos motoristas foi o responsável pelo acidente, muito menos 
se o agente agiu com dolo ou culpa, e, sendo assim, o Estado é que assumirá 
integralmente o prejuízo. 
Pergunta 3: Suponhamos que, ao ser citado para responder à ação de 
indenização proposta pelo particular, o Estado tenha decidido denunciar à lide 
(incluir no processo) o motorista da ambulância, alegando que ele foi o 
responsável pelo acidente e, portanto, deveria participar do processo e ser 
responsabilizado pelo pagamento do prejuízo causado ao particular. Nesse 
caso, o Estado estaria agindo de forma correta, em conformidade com o 
entendimento majoritário da doutrina e da jurisprudência? 
Não. Segundo entendimento da doutrina e jurisprudência majoritárias 
(adotada pelas bancas examinadoras), não pode haver denunciação à lide do 
agente público, já que o pedido do particular em face do Estado está amparado 
na RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Já a responsabilidade do agente em 
face do Estado, está amparada na RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. 
O próprio Estatuto dos Servidores Públicos Federais (Lei 8.112/90) 
declara que, ocorrendo danos causados a terceiros, o servidor deverá 
responder perante a Fazenda Pública mediante AÇÃO REGRESSIVA (artigo 
122, § 2º) e, portanto, não há que se falar em denunciação à lide. 
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Outro ponto que merece destaque é o fato de que a ação regressiva, nos 
termos do artigo 5º, XLV, da CF/88, transmite-se aos herdeiros, até o limite 
da herança recebida, ou seja, mesmo após a morte do agente público, o seu 
patrimônio responde pela dano. 
(FCC/Analista Judiciário TRE AC/2010) Com relação à 
responsabilidade civil do Estado, a ação regressiva é uma ação judicial 
de natureza civil que a Administração tem contra o agente público ou o 
particular prestador de serviços públicos causador do dano a terceiros. 
 
9. RESPONSABILIDADES ADMINISTRATIVA, CIVIL E PENAL DOS 
AGENTES PÚBLICOS 
Quando o agente público, no exercício de suas funções, praticar alguma 
irregularidade, algum ato violador do ordenamento jurídico vigente, poderá ser 
obrigado a responder a um processo administrativo, um processo cível e outro 
na esfera penal, simultaneamente, já que essas esferas são independentes 
entre si. 
Em regra, não há vinculação entre as sanções administrativas, civis e 
penais e, portanto, elas poderão cumular-se. Da mesma forma, os processos 
em cada esfera poderão tramitar isoladamente, não sendo necessário, por 
exemplo, aguardar o julgamento da esfera judicial cível a fim de que seja 
proferida a decisão administrativa. 
É possível que exista a responsabilidade civil sem que haja 
responsabilidade penal ou administrativa. Pode ainda haver a responsabilidade 
administrativa, sem que ocorra conjuntamente a responsabilidade penal ou 
civil. 
Em razão da independência das instâncias, a Administração pode aplicar 
a penalidade administrativa de demissão ao servidor, por exemplo, mesmo 
antes de ter sido julgada a ação penal. Entretanto, caso o servidor seja 
absolvido posteriormente por sentença penal que negue que ele seja o autor 
do possível crime (negativa de autoria) ou, ainda, que declare a inexistência do 
fato criminoso, deverá ser reintegrado ao cargo anteriormente ocupado, com 
direito à recepção de todas as vantagens financeiras a que teria direito se 
estivesse trabalhando. 
9.1. Responsabilidade Civil 
Segundo o professor José dos Santos Carvalho Filho, a responsabilidade 
civil é a imputação, ao servidor, da obrigação de reparar o dano que tenha 
causado à Administração ou a terceiros, em decorrência de conduta dolosa ou 
culposa, de caráter comissivo ou omissivo, tratando-se de responsabilidade 
SUBJETIVA. 
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A obrigação de o servidor reparar pecuniariamente o dano causado pode 
lhe ser exigida de uma só vez ou de forma parcelada, sendo possível o 
desconto de cada parcela nos vencimentos mensais do servidor, desde que 
com a sua expressa concordância e nos termos previstos em lei. 
O Estatuto dos Servidores Públicos Federais (Lei 8.112/90) estabelece 
que, nos casos de parcelamento, o valor de cada parcela não poderá ser 
inferior ao correspondente a dez por cento da remuneração, provento ou 
pensão do agente público. 
9.2. Responsabilidade penal 
A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas 
ao servidor, nessa qualidade. Existe a possibilidade, conforme informado 
acima, de o servidor ser condenado apenas na esfera penal. 
Entretanto, se o ilícito penal acarretar prejuízos à Administração, poderá 
também ser condenado na esfera cível pela prática do mesmo ato, que 
repercutiu em outra esfera. 
9.3. Responsabilidade administrativa 
A responsabilização administrativa poderá ocorrer em consequência de 
condutas comissivas ou omissivas que configurem violação às normas 
previstas no estatuto dos próprios servidores, a exemplo da Lei 8.112/90. 
Antes de ser condenado na esfera administrativa, deverá ser assegurado 
ao servidor o direito ao contraditório e a ampla defesa, garantias previstas 
expressamente no texto constitucional, em processo administrativo próprio. 
É válido destacar ainda que o servidor condenado na esfera 
administrativa tem o direito de rediscutir a penalidade aplicada no âmbito do 
poder judiciário, que está restrito à análise da legalidade, pois não pode ter 
ingerência nos critérios de conveniência, oportunidade ou justiça dos atos 
punitivos da Administração. 
9.4. Efeitos da decisão penal nas esferas civil e administrativa 
Certamente, este é um dos tópicos mais cobrados em concursos 
públicos, independentemente da banca responsável pela elaboração das 
questões. Sendoassim, é necessário que você tenha bastante atenção aos 
detalhes que serão narrados a seguir, para não correr o risco de errar uma 
questão em prova. 
1º) A decisão penal condenatória só causa reflexo na esfera civil da 
Administração se o fato ilícito penal se caracterizar também como fato ilícito 
civil. Exemplo: Se um servidor for condenado pela prática do crime de dano 
(artigo 163 do CP) contra bem público, tal decisão provocará reflexo na esfera 
civil, pois a Administração teve um prejuízo real ao seu patrimônio e, portanto, 
o servidor estará obrigado a reparar o dano. 
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- É válido ressaltar que, em regra, a esfera penal não vincula a esfera 
administrativa. 
2º) Em se tratando de decisão penal condenatória por crime funcional
(aquele que tem relação com os deveres administrativos), sempre haverá 
reflexo na esfera administrativa, já que tal conduta deverá ser considerada 
também um ilícito administrativo. Exemplo: Se o servidor é condenado pelo 
crime de corrupção passiva (art. 317 do CP), terá implicitamente cometido um 
ilícito administrativo, como aquele previsto no artigo 117,XII, da Lei 8.112/90 
(receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em 
razão de suas atribuições) e, portanto, deverá ser condenado nas duas 
esferas. 
- Nesse caso, a esfera penal irá vincular obrigatoriamente a esfera 
administrativa. 
3º) Se a decisão na esfera penal afirmar a INEXISTÊNCIA DO FATO
atribuído ao servidor ou a NEGATIVA DE AUTORIA (declarar que o servidor 
não foi o autor do crime), deverá ser reproduzida necessariamente na esfera 
administrativa, ou seja, caso o servidor seja absolvido na esfera penal nas 
duas situações citadas, deverá também ser absolvido na esfera administrativa, 
OBRIGATORIAMENTE. 
- Caso o servidor já tenha sido demitido administrativamente no 
momento do trânsito em julgado da decisão penal, deverá ser reintegrado ao 
cargo anteriormente ocupado, após a anulação da demissão. 
4º) Se a decisão na esfera penal absolver o servidor por 
INSUFICIÊNCIA DE PROVAS quanto à autoria, por exemplo, não ocorrerá
a vinculação da esfera administrativa e, se as provas existentes forem capazes 
de configurar um ilícito administrativo, poderá então ser condenado na 
esfera administrativa. É o que a doutrina denomina de conduta residual. 
 - EXEMPLO: Se um servidor for absolvido da suposta prática de crime 
de peculato (artigo art. 312 do CP), por insuficiência de provas quanto à sua 
participação no fato criminoso, nada impede, porém, que seja punido na esfera 
administrativa por ter atuado de forma desidiosa, ilícito administrativo 
previsto no artigo 117, XV, da Lei 8.112/90, que constitui conduta residual 
independente do crime de peculato. 
5º) Se o servidor é condenado a crime que não tenha relação com a 
função pública, nenhuma influência haverá na esfera administrativa quando a 
pena não impuser a perda da liberdade. Se a privação da liberdade ocorrer, 
surgem duas hipóteses distintas: 
- Se a privação da liberdade for por tempo inferior a 04 (quatro) 
anos, o servidor ficará afastado de seu cargo ou função, assegurado o direito 
de a família receber o auxílio-reclusão; 
- Se a privação da liberdade é superior a 04 (quatro) anos, ocorrerá a 
perda do cargo, função pública ou mandato eletivo. Com relação a este último, 
é válido ressaltar que devem ser observadas as regras do artigo 55, VI, 
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combinadas com a regra do § 2º do mesmo artigo, todos eles da Constituição 
Federal de 1988. 
A decisão final sobre a perda do mandato eletivo fica sob a 
responsabilidade da Câmara dos Deputados ou Senado Federal, dependendo 
do caso. 
No mais, esses são os principais tópicos que você deve saber 
sobre a responsabilidade civil do Estado. Depois de assimilado o 
conteúdo ministrado, penso que dificilmente você errará uma questão 
de concurso público sobre o assunto. 
Simbora para o fórum de dúvidas! 
Bons estudos! 
Fabiano Pereira 
fabianopereira@pontodosconcursos.com.br 
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SUPER R.V.P.
1. A CF/88 adotou a teoria do risco administrativo e não a do risco integral; 
2. A teoria do risco administrativo admite excludentes de responsabilidade 
em relação ao Estado, tais como a culpa exclusiva da vítima, o caso fortuito e 
força maior; 
3. A teoria do risco integral não admite excludentes de responsabilidade; 
4. A responsabilidade civil do Estado pelos danos que seus agentes causarem a 
terceiro é de natureza OBJETIVA; 
5. As pessoas jurídicas de direito privado, desde que prestadoras de serviços 
públicos (como as concessionárias, por exemplo), respondem objetivamente
pelos danos que seus agentes causarem aos usuários ou não-usuários do 
serviço prestado; 
6. As pessoas jurídicas de direito privado, quando prestadoras de serviços 
públicos (como as concessionárias, por exemplo), respondem objetivamente
pelos danos que seus agentes causarem aos não-usuários do serviço 
prestado; 
7. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tanto o caso 
fortuito quanto o evento de força maior excluem a responsabilidade civil do 
Estado; 
8. A responsabilidade civil do Estado, em virtude de omissões que causaram 
danos aos particulares, é de natureza subjetiva, sendo necessária a 
comprovação do dolo e/ou culpa a fim de que o Estado seja obrigado a 
indenizar; 
9. A responsabilidade do Estado, ou mesmo do particular, em virtude de 
danos nucleares, será sempre objetiva, na modalidade do risco integral; 
10. Quando o Estado causar danos ao particular em função da obra pública em 
si (só fato da obra), a responsabilidade civil será de natureza objetiva; 
11. O Estado responde civilmente pelos danos causados aos particulares 
provenientes de leis inconstitucionais e leis de efeitos concretos; 
12. A CF/88, em seu artigo 5º, LXXV, assegura que Estado poderá ser 
responsabilizado civilmente por atos jurisdicionais em duas hipóteses: erro do 
judiciário e quando o indivíduo ficar preso além do tempo fixado na 
sentença. 
13. A responsabilidade do Estado, em relação aos bens, coisas e pessoas sob a 
sua guarda, é de natureza objetiva; 
14. A prazo para o particular propor ação de indenização em face do Estado 
prescreve em cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se 
originarem. Todavia, é IMPRESCRITÍVEL o prazo da Administração Pública para 
cobrar o ressarcimento de prejuízos ou danos causados ao seu patrimônio em 
virtude de comportamento culposo ou doloso de seus agentes, servidores ou 
não, conforme estabelece o § 5º do artigo 37 da CF/88; 
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15. O Estado tem o direito de regresso contra o agente público se foi 
obrigado a pagar indenização proveniente de dano causado a particular em 
virtude de ação/omissão do agente público; 
16. A responsabilidade civil do agente público, em face do Estado, é de 
natureza subjetiva, portanto, deve ser comprovado que o agente agiu com 
culpa e/ou dolo; 
17. O entendimento da doutrina majoritária é no sentido de não ser 
permitida a nomeação à lide, pelo Estado, do servidor responsável pelo 
dano ao particular; 
18. Pela prática de ato irregular, o servidor pode responder na esfera penal, 
civil e administrativa, já que são independentes entre si, entretanto, as 
sanções aplicáveis nessas esferas podem cumular-se; 
19. A absolvição do servidor, na esfera penal, por insuficiência de provas, 
não exclui a possibilidade de condenação na esfera administrativa em virtude 
de falta residual. 
20. A absolvição do servidor na esfera penal, por negativa de autoria ou 
inexistência do fato, obriga à absolvição do servidor também na esfera 
administrativa. 
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QUESTÕES COMENTADAS 
01. (FCC/Procurador PGE RO/2011) Desgovernado, o ônibus de uma 
concessionária de transporte intermunicipal de passageiros, acabou 
por atropelar um pedestre, sendo que ambos - ônibus e pedestre - 
trafegavam por estrada federal. Nessa situação, constata-se a 
responsabilidade 
a) subjetiva direta da concessionária, sendo que a ação de reparação 
de danos deve ser proposta no prazo de cinco anos a partir do evento 
danoso. 
b) objetiva direta do Estado-concedente, sendo que a ação de 
reparação de danos deve ser proposta no prazo de cinco anos a partir 
do evento danoso. 
c) objetiva direta da concessionária, sendo que a ação de reparação de 
danos deve ser proposta no prazo de três anos a partir do evento 
danoso. 
d) objetiva subsidiária da União, titular da estrada federal em que 
ocorreu o acidente, sendo que a ação de reparação de danos deve ser 
proposta no prazo de três anos a partir do evento danoso. 
e) objetiva direta da concessionária, sendo que a ação de reparação de 
danos deve ser proposta no prazo de cinco anos a partir do evento 
danoso. 
Comentários 
Nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição Federal, “as pessoas 
jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços 
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, 
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável 
nos casos de dolo ou culpa”. 
No caso em questão, constata-se que o dano (atropelamento do 
pedestre) foi causado por uma concessionária de transporte intermunicipal 
de passageiros (pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços 
públicos), portanto, a própria empresa deve assumir todos os ônus de uma 
eventual responsabilização, que será de natureza objetiva. 
Por outro lado, destaca-se que o art. 1º do Decreto Federal nº 
20.910/1932 dispõe que “as dívidas passivas da União, dos Estados e dos 
Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda 
federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 
(cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem”. 
Desse modo, o pedestre deverá observar o prazo de 5 (cinco) anos para 
propor uma eventual ação de reparação dos danos sofridos, sob pena de 
prescrição de seus direitos. 
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GABARITO: LETRA E. 
02. (FCC/Analista Judiciário TRF 1ª Região/2011) No início do ano, é 
comum a ocorrência de fortes tempestades, que, conforme têm 
mostrado os noticiários, estão causando consequências avassaladoras 
em diversas regiões do país. Quando chuvas dessa natureza 
provocarem enchentes na cidade, inundando casas e destruindo 
objetos, o Estado 
a) responderá, por se tratar de exemplo em que se aplica a 
responsabilidade objetiva do Estado. 
b) responderá se, aliado ao fato narrado, ocorreu omissão do Poder 
Público na realização de determinado serviço. 
c) jamais responderá, por se tratar de hipótese de força maior, causa 
excludente da responsabilidade estatal. 
d) jamais responderá, por se tratar de hipótese de caso fortuito. 
e) responderá, com fundamento na teoria do risco integral. 
Comentários 
Se ficar comprovado que o Estado foi omisso, ou seja, que não efetuou 
a limpeza dos bueiros de escoamento da água, permitindo o acúmulo de lixo e, 
consequentemente, o seu entupimento, poderá, sim, ser responsabilizado, 
desde que o particular lesado comprove o dolo e/ou a culpa do Estado. Nessa 
hipótese, a responsabilidade do Estado será SUBJETIVA. 
Entretanto, se os danos provenientes da enchente ocorreram em virtude 
do real excesso de chuvas, já que recentemente o Estado havia efetuado a 
limpeza de todo o sistema de escoamento de água, mantendo-o em perfeitas 
condições de funcionamento, teremos então a hipótese de FORÇA MAIOR (já 
que se trata de um evento EXTERNO, estranho a qualquer atuação do Estado) 
e, portanto, será excluída a responsabilidade estatal. 
GABARITO: LETRA B. 
 
03. (FCC/Analista Judiciário TRT 8ª Região/2011) Um motorista 
dirigindo em uma estrada estadual cai com o veículo em um buraco 
próximo a uma obra de recapeamento do asfalto, do que resulta danos 
de grande monta no veículo e lesões graves no motorista. O acidente 
ocorreu por deficiência de sinalização, que era de responsabilidade de 
funcionário do Estado, responsável pela obra. Nesse caso, 
a) o Estado responde pelos danos causados ao veículo, mas não pelas 
lesões corporais suportadas pela vítima. 
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b) a vítima pode acionar judicialmente o Estado para reparação dos 
danos porque ele responde, objetivamente, pelos atos dos seus 
agentes. 
c) a vítima não pode acionar o Estado porque está evidente a culpa do 
agente, que é quem deve ser acionado. 
d) se o Estado for acionado e pagar os danos, ele não pode processar o 
agente que deu causa ao acidente porque este estava no cumprimento 
do seu dever. 
e) não cabe ação para reparação dos danos porque a estrada estava 
sendo recapeada e o motorista deveria tomar cuidado, mesmo sem 
existência de sinalização adequada. 
Comentários 
Perceba que o próprio texto da assertiva afirmou que os prejuízos ao 
motorista (administrado) foram causados em decorrência de um buraco 
próximo a uma obra de recapeamento do asfalto. Ademais, informou ainda que 
o agente público não havia providenciado a devida sinalização do local. 
Nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição Federal,não restam 
dúvidas de que a vítima pode acionar judicialmente o Estado para reparação 
dos danos sofridos, pois, nesse caso, a responsabilidade estatal será de 
natureza objetiva. 
GABARITO: LETRA B. 
04. (FCC/Procurador Prefeitura de Teresina/2010) Marque a opção 
incorreta em relação à responsabilidade extracontratual do Estado. 
a) Quando chuvas provocarem enchentes na cidade, causando danos, o 
Estado não responderá, ainda que fique demonstrado que a realização 
de determinados serviços de limpeza teria impedido a enchente. 
b) Sociedade de economia mista, prestadora de serviço público, 
mesmo sendo pessoa jurídica de direito privado, se sujeita à regra da 
responsabilidade objetiva do Estado. 
c) Para caracterizar a responsabilidade objetiva do Estado, um dos 
requisitos é que o dano seja causado por agente do Estado, o que 
abrange todas as categorias de agentes públicos, como agentes 
políticos, servidores públicos ou mesmo particulares em colaboração. 
d) Para caracterizar a responsabilidade objetiva do Estado, faz-se 
necessário que o agente, ao causar o dano, aja nessa qualidade, ou 
seja, não basta ter a qualidade de agente público, pois, ainda que não 
o seja, não acarretará a responsabilidade estatal se, ao causar o dano, 
não estiver agindo no exercício de suas funções. 
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e) Quando ocorrer culpa concorrente da vítima, estar-se-á diante de 
hipótese atenuante da responsabilidade do Estado, vez que esta se 
repartirá com a da vítima. 
Comentários 
 a) Errado. Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas, 
lembre-se sempre de que o Estado também pode ser responsabilizado 
civilmente pelos danos causados a terceiros em virtude da omissão estatal. 
Todavia, a responsabilidade será de natureza subjetiva, isto é, o interessado 
deverá comprovar a omissão estatal a fim de que seja indenizado pelos danos 
sofridos. 
Desse modo, deve ficar claro que o Estado poderá ser civilmente 
responsabilizado caso o administrado lesado comprove que os danos sofridos 
poderiam ter sido evitados se o serviço de escoamento das águas das chuvas 
estivesse em perfeito estado de funcionamento, impedindo, assim, eventuais 
enchentes. 
 b) Correto. O art. 37, § 6º, da Constituição Federal, preceitua que “as 
pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de 
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa 
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa”. Nesse caso, a responsabilidade 
realmente será de natureza objetiva. 
 c) Correto. Ao referir-se a “agentes”, o constituinte não restringiu o 
alcance do texto constitucional somente aos servidores estatutários, incluindo 
também os celetistas (empregados das empresas públicas, sociedades de 
economia mista e das concessionárias, permissionárias e autorizatárias de 
serviços públicos), os contratados temporariamente em razão de 
necessidade temporária de excepcional interesse público e todos aqueles que 
exercem funções públicas, ainda que transitoriamente e sem remuneração, 
a exemplo dos mesários eleitorais. 
 d) Correto. Para ensejar a responsabilidade estatal, é essencial que os 
agentes públicos tenham atuado na “condição de agente” ao causar o dano, 
isto é, no exercício de suas respectivas funções públicas. 
e) Correto. A culpa concorrente fica caracterizada quando o particular 
também contribui para o evento danoso, sendo responsabilizado 
proporcionalmente ao seu grau de participação no prejuízo causado. Assim, a 
responsabilidade estatal acaba sendo atenuada (amenizada). 
GABARITO: LETRA A. 
05. (FCC/Procurador TCE AP/2010) Nos termos do que dispõe o artigo 
37, parágrafo 6º da Constituição Federal, no que concerne à 
responsabilidade civil do Estado, este responde sob a modalidade 
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a) objetiva pelos atos comissivos ilícitos e sob a modalidade subjetiva 
pelos atos comissivos lícitos. 
b) subjetiva, quando envolver a imputação de danos morais. 
c) subjetiva, quando envolver imputação de responsabilidade 
subsidiária. 
d) subjetiva, quando envolver a prática de atos omissivos lícitos 
praticados por delegação. 
e) objetiva, quando se tratar de atos comissivos lícitos ou ilícitos. 
Comentários 
 a) Errado. O Estado responderá objetivamente pelos danos causados ao 
particular em virtude de atos comissivos (por ação), sejam eles lícitos (em 
conformidade com a lei) ou ilícitos (em desconformidade com a lei). 
 b) Errado. Ainda que se trate de danos morais, a responsabilidade 
estatal também será de natureza objetiva. 
 c) Errado. Nos casos de eventual imputação de responsabilidade 
subsidiária ao Estado (o que acontece, por exemplo, quando a concessionária 
de serviço público não possui patrimônio suficiente para assegurar o 
ressarcimento do prejuízo causado), esta também será de natureza objetiva, 
ao contrário do que foi afirmado pela assertiva. 
 d) Errado. Eventual responsabilização pela prática de atos omissivos 
ilícitos praticados por agente delegado realmente será de natureza subjetiva. 
Todavia, o texto da assertiva induz à afirmação de que o Estado seria 
responsável pela prática de atos praticados por delegação, o que não é 
verdade. O próprio agente delegado é responsável pelas conseqüências dos 
atos praticados no exercício da delegação. 
 e) Correto. Em razão dos atos comissivos praticados pelos seus 
agentes públicos, sejam eles lícitos ou ilícitos, a responsabilidade estatal será 
sempre objetiva. 
GABARITO: LETRA E. 
06. (FCC/Procurador TCE RO /2010) O Estado responde objetivamente 
pelos danos causados a terceiros por seus agentes. Isto significa 
a) afirmar que responde sempre que verificada a ocorrência de danos, 
prescindindo da demonstração de nexo causal ou de culpa do servidor. 
b) dizer que se considera presumida a culpa do agente público 
envolvido, passível de demonstração, no entanto, da ocorrência de 
pelo menos uma das excludentes de responsabilidade, como culpa 
exclusiva da vítima. 
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c) dizer que mesmo nos casos de excludentes de responsabilidade o 
Estado responde integralmente pelos danos materiais potenciais. 
d) afirmar que a responsabilização do Estado não depende da 
demonstração da conduta culposa ou de nexo causal, mesmo em casos 
de ato lícito. 
e) dizer que o Estado responde sempre e por qualquer ato de seus 
agente, sejam atos comissivos lícitos ou ilícitos. 
Comentários 
O nosso ordenamento jurídico pátrio, durante muito tempo, oscilou 
entre as doutrinas subjetiva e objetiva daresponsabilidade civil do Estado. 
Entretanto, a Constituição Federal de 1988 decidiu pela segunda, sob a 
modalidade do risco administrativo. 
Desse modo, para que o Estado seja obrigado a indenizar o dano 
causado por seus agentes é suficiente que o particular prejudicado comprove o 
dano existente e o nexo causal entre a ação do agente e o evento danoso. O 
dolo ou culpa do agente público na conduta danosa não precisam ser 
comprovados pelo administrado, pois são presumidos. 
Todavia, admite-se que o Estado demonstre a existência de 
acontecimentos externos capazes de excluir a sua responsabilidade, a exemplo 
da culpa exclusiva da vítima, fato de terceiros, caso fortuito ou evento de força 
maior. 
GABARITO: LETRA B. 
07. (FCC/Analista Judiciário TRE AC/2010) Com relação à 
responsabilidade civil do Estado, a ação regressiva é uma 
a) medida de natureza administrativa de que dispõe a Administração 
para obrigar o agente, manu militari, a ressarcir o valor da indenização 
que pagou a terceiros em decorrência de conduta daquele. 
b) medida administrativa que o lesado tem contra o agente público 
causador do dano. 
c) ação judicial que o agente público tem contra a vítima de dano se 
não agiu com culpa. 
d) ação judicial que o lesado tem contra o agente público causador do 
dano para buscar indenização. 
e) ação judicial de natureza civil que a Administração tem contra o 
agente público ou o particular prestador de serviços públicos causador 
do dano a terceiros. 
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Comentários 
O art. 37, § 6º, da Constituição Federal, preceitua que “as pessoas 
jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços 
públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, 
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável 
nos casos de dolo ou culpa”. 
Isso significa que se o Estado for condenado a indenizar algum 
administrado em razão de danos causados por seus agentes, poderá propor 
uma ação judicial contra aquele que realmente foi responsável pelo evento 
danoso (agente público ou particular no exercício de função pública) com o 
objetivo de restituir aos cofres públicos o valor efetivamente pago. Nesse caso, 
deverá comprovar que a conduta do agente causador do dano foi dolosa ou 
culposa, sob pena de não lograr êxito na ação judicial. 
GABARITO: LETRA E. 
08. (FCC/Procurador PGE AM/2010) O regime de responsabilidade 
previsto no art. 37, § 6°, da Constituição Federal brasileira 
a) alcança os atos praticados por particulares prestadores de serviços 
públicos, em relação a usuários e também a não-usuários, desde que 
existente nexo causal entre o evento causador do dano e a atividade 
objeto de delegação estatal. 
b) alcança os atos praticados por pessoa de direito público ou de 
direito privado prestadora de serviços públicos e atividades 
econômicas de relevante interesse coletivo. 
c) não se aplica aos particulares, mesmo aos que prestam serviços 
públicos, visto que esses têm sua responsabilidade regulada pelo 
Código Civil. 
d) exclui os atos praticados no exercício da função legislativa e 
jurisdicional. 
e) adota a teoria do risco integral, em que não se admitem causas 
excludentes ou mitigadoras da responsabilidade estatal. 
Comentários 
 a) Correto. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 591.874, em 
26/08/2009, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo 
Tribunal Federal decidiu que “a Constituição Federal não faz qualquer 
distinção sobre a qualificação do sujeito passivo do dano, ou seja, não exige 
que a pessoa atingida pela lesão ostente a condição de usuário do serviço”. 
Desse modo, passou a vigorar no Supremo Tribunal Federal o 
entendimento de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos 
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respondem objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a 
terceiros, inclusive aqueles que não estejam usufruindo dos serviços 
prestados (não-usuários), a exemplo do particular que tem o seu carro 
atingido por um ônibus pertencente a concessionária de serviços públicos. 
 b) Errado. As pessoas jurídicas de direito privado que exploram 
atividades econômicas de relevante interesse coletivo, a exemplo da Caixa 
Econômica Federal, respondem subjetivamente pelos danos que seus 
agentes causarem a terceiros. 
 c) Errado. Aos particulares que prestam serviços públicos, a exemplo 
dos concessionários e permissionários, aplicam-se as regras da 
responsabilidade civil objetiva prevista no art. 37, § 6º, da Constituição 
Federal de 1988. 
 d) Errado. O art. 37, § 6º, da Constituição Federal, também abrange os 
atos praticados no exercício da função legislativa e jurisdicional. 
 e) Errado. A Constituição Federal de 1988 adotou a teoria do risco 
administrativo, admitindo, assim, que o Estado demonstre e comprove a 
existência de excludentes de responsabilidade, a exemplo da culpa exclusiva 
da vítima, o caso fortuito e o evento de força maior. 
GABARITO: LETRA A. 
09. (FCC/Técnico Judiciário TRE RS/2010) É certo que, pelos danos 
que o agente público, nessa qualidade, causar a terceiros 
a) não cabe ação regressiva contra agente, mesmo que tenha agido 
com culpa ou dolo, se o Estado reparou os danos. 
b) o Estado somente responde pelos danos se o agente agiu com dolo 
ou culpa. 
c) a ação para reparação dos danos deve ser movida direta e 
unicamente contra o agente causador do dano. 
d) o Estado responde objetivamente, isto é, independentemente de 
culpa ou dolo do agente. 
e) não cabe indenização porque naquele momento o agente representa 
o Estado. 
Comentários 
a) Errado. A possibilidade de o Estado propor ação regressiva contra o 
agente causador do dano está assegurada expressamente no art. 37, § 6º, da 
Constituição Federal, desde que comprovado o dolo e culpa na conduta do 
responsável. 
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 b) Errado. A responsabilidade estatal independe de dolo ou culpa do 
agente no momento da prática do ato causador do dano. Somente no 
momento da propositura de ação regressiva pelo Estado em face do agente 
público é que se discute a eventual existência de dolo ou culpa deste. 
 c) Errado. A ação judicial para reparação dos danos eventualmente 
sofridos pelo administrado deverá ser proposta em face do Estado. Somente o 
ente estatal poderá acionar judicialmente o agente público causador do dano, 
após o pagamento da indenização ao administrado, exigindo o ressarcimento 
do respectivo valor aos cofres públicos. 
 d) Correto. Para que o Estado seja obrigado a indenizar o dano causado 
por seusagentes, é suficiente que o particular prejudicado comprove o dano
existente e o nexo causal entre a ação do agente e o evento danoso. Não é 
necessário que o particular comprove que o agente público agiu com dolo ou 
culpa, pois isso é irrelevante para efeitos de indenização estatal. 
 e) Errado. É justamente o fato de o agente público ter atuado em nome 
do Estado que enseja a responsabilidade estatal, nos termos do art. 37, § 6º, 
da Constituição Federal. 
GABARITO: LETRA D. 
10. (FCC/Assessor Jurídico TJ PI/2010) No que diz respeito à 
responsabilidade civil da Administração é INCORRETO afirmar: 
a) A ação regressiva da Administração contra o agente causador direto 
do dano transmite-se aos herdeiros e sucessores do servidor culpado, 
podendo ser instaurada mesmo após a cessação do exercício no cargo 
ou na função. 
b) A teoria da irresponsabilidade do Estado, adotada na época dos 
Estados absolutos, repousava fundamentalmente na ideia de 
soberania, tendo os Estados Unidos e a Inglaterra abandonado tal 
teoria respectivamente em 1946 e 1947. 
c) Às sociedades de economia mista e empresas públicas não se 
aplicará a regra constitucional atinente à responsabilidade do Estado, 
mas sim a responsabilidade disciplinada pelo direito privado, quando 
não desempenharem serviço público. 
d) Para que a Administração indenize prejuízos causados a 
particulares por atos predatórios de terceiros ou por fenômenos 
naturais, faz-se necessária a prova da culpa da Administração. 
e) No Brasil, a Constituição Federal de 1934 acolheu o princípio da 
responsabilidade solidária entre Estado e funcionário. Já a 
Constituição de 1946 adotou a teoria da responsabilidade subjetiva do 
Estado. 
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Comentários 
 a) Correto. O fato de o agente não exercer mais a função ou cargo 
público não impede a propositura de ação regressiva pela Administração 
Pública. Nesse caso, o patrimônio deixado pelo agente público, se for o caso, 
poderá ser penhorado pelo Poder Judiciário para assegurar o eventual 
ressarcimento aos cofres públicos. 
 b) Correto. É importante esclarecer que mesmo durante a vigência da 
teoria da irresponsabilidade estatal, os indivíduos não ficavam totalmente 
desamparados de proteção em virtude dos danos sofridos, pois existia a 
possibilidade de responsabilização individual dos agentes públicos que, 
atuando com dolo ou culpa, acarretassem danos a terceiros. A 
responsabilidade, nesse caso, recaía sobre o próprio agente e não sobre o 
Estado. 
 c) Correto. Nos termos do art. 173, § 1º, II, da Constituição Federal, as 
empresas públicas e sociedades de economia mista estão sujeitas ao regime 
jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e 
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários. 
 d) Correto. Nesse caso, a responsabilidade estatal será de natureza 
subjetiva, isto é, eventual indenização somente será cabível no caso de 
demonstração e comprovação da omissão estatal em relação ao seu dever 
legal de agir. 
 e) Errado. A primeira parte da assertiva realmente está correta, pois a 
Constituição Federal de 1934, em seu art. 171, assim preceituava: “os 
funcionários públicos são responsáveis solidariamente com a Fazenda 
Nacional, Estadual ou Municipal por quaisquer prejuízos decorrentes de 
negligência, omissão ou abuso no exercício dos seus cargos”. 
Entretanto, é importante esclarecer que a Constituição Federal de 1946 
passou a estabelecer a responsabilidade de natureza objetiva e não 
subjetiva, o que invalida a assertiva. 
 
GABARITO: LETRA E. 
11. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) Tendo ocorrido uma 
enchente causada por chuvas, com danos a moradores locais, foi 
comprovado que os serviços prestados pela Administração municipal 
foram ineficientes, alem do que os bueiros de escoamento das águas 
estavam entupidos e sujos, principalmente pelo depósito acumulado 
de terra e argila. Nesse caso, a Administração 
a) não será responsável porque o fato não ocorreu pela conduta de 
seus agentes. 
b) deverá indenizar os moradores por força da responsabilidade 
objetiva. 
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c) responderá pelos danos causados face à responsabilidade subjetiva. 
d) não será responsável face à culpa exclusiva dos moradores por 
eventual depósito de lixo no local. 
e) responderá pelos danos causados por culpa objetiva concorrente. 
Comentários 
Se ficar comprovada a omissão ou ineficiência dos serviços do Estado, 
este responderá subjetivamente pelos danos causados aos moradores locais 
em razão da enchente causada pelas chuvas. 
Entretanto, se os danos provenientes da enchente ocorrerem em virtude 
do real excesso de chuvas (já que o Estado havia efetuado a limpeza de 
todo o sistema de escoamento de água, mantendo-o em perfeitas condições de 
funcionamento), ficará caracterizada então a hipótese de força maior, 
isentando-o de qualquer responsabilidade. 
GABARITO: LETRA C. 
12. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) Em matéria de 
responsabilidade civil da Administração Pública, é correto afirmar: 
a) A responsabilidade civil prevista constitucionalmente, seja por ação 
ou por omissão, está fundada na Teoria do Risco Integral. 
b) Os atos jurisdicionais são absolutamente isentos de 
responsabilidade civil. 
c) A responsabilidade civil da Administração é do tipo subjetiva se o 
dano causado decorre só pelo fato ou por má execução da obra. 
d) Os atos legislativos, em regra, não acarretam responsabilidade 
extracontratual do Estado. 
e) A reparação do dano causado pela Administração ao particular deve 
ser sempre por meio judicial, vedada a forma amigável. 
Comentários 
a) Errado. A responsabilidade civil objetiva, prevista no art. 37, § 6º, da 
Constituição Federal, foi estruturada sob a modalidade do risco 
administrativo, admitindo hipóteses que podem excluir a responsabilidade 
estatal, a exemplo da culpa exclusiva da vítima. 
b) Errado. A regra é a de que não será possível responsabilizar o 
Estado pelos atos jurisdicionais praticados pelos juízes, desde que no exercício 
de suas funções típicas (a de julgar). Entretanto, o próprio inciso LXXV, do 
artigo 5º, da CF/88, apresenta duas exceções, ao estabelecer que o “Estado 
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indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso 
além do tempo fixado na sentença”. 
c) Errado. Quando o Estado causar danos ao particular em função da 
obra pública em si (só fato da obra), a responsabilidade civil será de 
natureza objetiva. 
d) Correto. Da mesma forma que acontece em relação aos atos 
jurisdicionais,em regra, não existe a possibilidade de responsabilizar o Estado 
por um dano causado a particular proveniente de ato legislativo. A 
responsabilização somente será possível, em caráter excepcional, quando o 
dano foi causado em virtude de uma lei declarada inconstitucional pelo 
Poder Judiciário, ou, ainda, em virtude de leis de efeitos concretos (que não 
são dotadas de generalidade e abstração). 
e) Errado. A reparação do dano decorrente da responsabilidade civil do 
Estado pode ser feita tanto no âmbito administrativo (de forma amigável) 
quanto no âmbito judicial. É importante destacar que o fato de a 
Administração indenizar o particular na esfera administrativa não a impede de 
ingressar com uma ação regressiva contra o servidor responsável pelo prejuízo 
causado aos cofres públicos 
GABARITO: LETRA D. 
13. (FCC/Agente Legislativo ALSP/2010) A regra da responsabilidade 
objetiva do Estado exige, segundo a previsão constitucional 
correspondente, que o dano seja causado por agente público que atue 
nessa qualidade, sendo considerados agentes públicos 
a) os servidores públicos, os agentes políticos e os particulares que 
atuam em colaboração com o poder público. 
b) apenas aqueles que atuam investidos em cargos, funções, mandatos 
ou comissões, por nomeação, eleição, designação ou delegação. 
c) apenas aqueles que possuem vínculo estatutário com a 
Administração pública. 
d) apenas aqueles detentores de mandato eletivo. 
e) apenas aqueles com vínculo laboral com a Administração, celetista 
ou estatutário, e os detentores de mandato eletivo. 
Comentários 
Ao referir-se a “agentes”, o constituinte não restringiu o alcance do 
texto constitucional somente aos servidores estatutários, incluindo também 
os celetistas (empregados das empresas públicas, sociedades de economia 
mista e das concessionárias, permissionárias e autorizatárias de serviços 
públicos), os contratados temporariamente em razão de necessidade 
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temporária de excepcional interesse público e, ainda, todos aqueles que 
exercem funções públicas, ainda que transitoriamente e sem remuneração, 
incluindo-se os agentes delegados (oficiais de cartório, por exemplo). 
Fato importante e que deve ser lembrando no momento da prova é que 
os agentes públicos devem ter atuado na “condição de agente” ao causar o 
dano, pois, caso contrário, não será possível responsabilizar o Estado. 
GABARITO: LETRA A. 
14. (FCC/Analista Judiciário TRE AL/2010) A responsabilidade objetiva 
do Estado 
a) existe em qualquer hipótese de dano, inclusive decorrente de força 
maior e caso fortuito. 
b) implica reparação do dano mesmo que a lesão decorra de culpa 
exclusiva da vítima. 
c) resta caracterizada desde que presentes o fato administrativo, o 
dano e o nexo causal. 
d) somente se caracteriza se o agente público agiu com dolo ou culpa. 
e) não impede a ação regressiva contra o agente responsável pelo 
dano, qualquer que tenha sido a conduta deste. 
Comentários 
a) Errado. Caso sejam demonstrados e comprovados o caso fortuito
ou evento de força maior, o Estado estará desobrigado de indenizar eventuais 
danos causados a particulares. 
b) Errado. Ocorre a culpa exclusiva da vítima quando o dano existente é 
consequência da omissão ou ação do próprio particular que sofreu o dano. Sem 
a ação ou omissão da vítima o dano simplesmente não existiria. Ora, se o 
particular deu causa ao dano que sofreu, deverá suportar sozinho o prejuízo, 
afastando-se a responsabilidade estatal. 
c) Correto. O professor Alexandre de Moraes afirma ser necessária a 
presença dos seguintes requisitos para que o Estado seja obrigado a indenizar: 
ocorrência do dano; ação administrativa (fato administrativo); existência de 
nexo causal entre o dano e a ação administrativa e ausência de causa 
excludente da responsabilidade estatal. 
d) Errado. A existência de dolo ou culpa não interfere na 
obrigatoriedade estatal de indenizar os danos causados pelos seus agentes no 
exercício da função pública. 
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e) Errado. A ação regressiva contra o agente público causador do dano 
somente será cabível se a conduta for dolosa ou culposa, nos termos do art. 
37, § 6º, da Constituição Federal. 
GABARITO: LETRA C. 
15. (FCC/Analista Judiciário TRE AM/2010) Sobre a reparação do dano 
decorrente da responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar que 
a) não pode ser feita no âmbito administrativo em razão do direito de 
regresso que o Estado tem contra o seu agente. 
b) o prazo de prescrição do direito de obter indenização dos danos 
causados por agentes de pessoas jurídicas de direito privado 
prestadoras de serviços públicos é de dez anos. 
c) prescreve em cinco anos o direito de obter indenização dos danos 
causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público. 
d) a Constituição Federal determina que seja formado litisconsórcio 
necessário entre o Estado e o seu agente causador do dano. 
e) a ação deve, necessariamente, ser proposta contra o Estado e o 
agente causador do dano, a fim de ser apurada a responsabilidade 
deste. 
Comentários 
a) Errado. A reparação do dano decorrente da responsabilidade civil do 
Estado pode ser feita tanto no âmbito administrativo quanto no âmbito 
judicial. O fato de a Administração indenizar o particular na esfera 
administrativa não a impede de ingressar com uma ação regressiva contra o 
servidor responsável pelo prejuízo causado aos cofres públicos. 
b) Errado. O art. 1º-C da Lei 9.494/1997 dispõe que prescreverá em 
cinco anos o direito de obter indenização dos danos causados por agentes de 
pessoas jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas de direito 
privado prestadoras de serviços públicos. 
c) Correto. Esse é o entendimento apresentado no art. 1º-C da Lei 
9.494/1997. 
d) Errado. A ação judicial para a reparação de eventuais danos sofridos 
pelo particular deverá ser proposta exclusivamente em face do Estado, nos 
termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
e) Errado. A responsabilidade do agente público será apurada no âmbito 
da ação regressiva proposta pelo Estado, conforme preceitua o art. 37, § 6º, 
da Constituição Federal. 
GABARITO: LETRA C. 
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16. (FCC/Analista Judiciário TRT 3ª Região/2009) A responsabilidade 
extracontratual do Estado 
a) pode decorrer de atos ou comportamentos que, embora lícitos, 
causem a pessoas determinadas ônus maior que o imposto aos demais 
membros da coletividade. 
b) só incide quando o agente público pratica algum ato ilícito.c) pode decorrer de comportamentos comissivos e omissivos, desde 
que presente o elemento doloso na conduta do agente público. 
d) somente se verifica em face de comportamentos comissivos. 
e) somente é admitida excepcionalmente, tendo em vista o princípio 
da supremacia do interesse público sobre o privado. 
Comentários 
a) Correto. Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas, 
lembre-se sempre de que até mesmo os atos lícitos podem ensejar a 
responsabilização estatal, desde que causam danos a terceiros. 
b) Errado. A responsabilidade extracontratual do Estado abrange os 
atos lícitos e ilícitos praticados pelos agentes públicos no exercício da função 
pública. 
c) Errado. Apesar de a responsabilidade extracontratual do Estado 
decorrer de comportamentos comissivos (por ação) ou omissivos, lembre-se 
sempre de que não é necessário demonstrar a existência de dolo ou culpa nos 
respectivos comportamentos a fim de que fique configurada a obrigação de o 
Estado indenizar o administrado lesado. 
d) Errado. Conforme destacado na assertiva anterior, a 
responsabilidade extracontratual decorre de comportamentos lícitos ou ilícitos 
dos agentes públicos. 
e) Errado. Sempre que agentes públicos, no exercício da função pública, 
causarem danos a terceiros, ficará caracterizada a obrigatoriedade de indenizar 
por parte do Estado. 
GABARITO: LETRA A. 
17. (FCC/Procurador PGE SP/2009) Em matéria de responsabilidade 
civil do Estado, 
a) o Estado não é objetivamente responsável pelos danos causados 
por ato de funcionário de fato, irregularmente investido no exercício 
de função pública. 
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b) o Estado não pode ser responsabilizado, nem diretamente, nem em 
caráter subsidiário, pelos danos causados por entidade autárquica a 
ele vinculada. 
c) a culpa exclusiva da vítima é causa excludente da responsabilidade 
do Estado ou, na visão de parte da doutrina, é hipótese que impede a 
formação do nexo causal entre o dano e a conduta do agente público. 
d) a empresa indevidamente excluída de certame licitatório pode ser 
indenizada a título de lucros cessantes pelos valores que lhe seriam 
devidos se tivesse celebrado o contrato com a Administração. 
e) a responsabilidade objetiva do Estado pelo só fato da obra pública 
não elide o direito de regresso contra o empreiteiro. 
Comentários 
 a) Errado. “Funcionário de fato” é aquele que exerce uma função 
pública investido irregularmente no cargo ou emprego público. Isso ocorre, por 
exemplo, em relação àquele que foi nomeado e empossado em cargo público 
e, posteriormente, teve a sua nomeação anulada em virtude de fraude na 
realização do concurso público. Como a anulação possui efeitos ex tunc
(retroativos), todos os atos produzidos pelo agente deveriam ser 
desconstituídos. Entretanto, em virtude do princípio da impessoalidade, os atos 
praticados pelo agente são imputados à Administração (é como se ela própria 
tivesse editado o ato) e não ao agente, o que justifica a respectiva 
manutenção de seus efeitos, mesmo com a anulação do ato de nomeação. 
Para fins de responsabilização estatal, não importa se o agente estava 
regular ou irregularmente investido na função pública, sendo suficiente que 
tenha praticado o comportamento comissivo ou omissivo no exercício de suas 
atribuições administrativas. 
 b) Errado. A doutrina majoritária entende que o Estado pode ser 
responsabilizado subsidiariamente pelos danos que os agentes de entidades 
integrantes da Administração Pública Indireta causarem a terceiros, desde que 
o patrimônio destas entidades administrativas não sejam suficientes para 
garantir o pagamento de eventual indenização. 
 c) Correto. Se a vítima foi a única responsável pelo próprio dano 
sofrido, não há como imputar ao Estado as conseqüências civis provenientes 
do evento danoso, já que foi rompido o nexo causal entre a conduta estatal e 
o dano em si. 
 d) Errado. Como não era possível prever se a empresa poderia ser 
declarada vencedora do procedimento licitatório, não há que se falar em 
indenização. 
 e) Errado. O professor Hely Lopes Meirelles afirma que, se na abertura 
de um túnel ou de uma galeria de águas pluviais, o só fato da obra causa 
danos aos particulares (erro de cálculo, por exemplo), por estes danos, 
responde objetivamente a Administração que ordenou os serviços, não 
havendo possibilidade de ação regressiva em face da empresa executora; se, 
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porém, o dano é produzido pela imperícia, imprudência ou negligência do 
construtor na execução do processo, a responsabilidade originária é da 
Administração, como dona da obra, mas pode ela haver do executor culpado 
tudo quanto pagou à vítima. 
GABARITO: LETRA C. 
18. (FCC/Analista Judiciário TJ SE/2009) Nos casos de 
responsabilidade objetiva, o Estado só se exime de responder se 
a) o seu agente agiu com dolo, caso em que a responsabilidade é do 
agente. 
b) faltar o nexo entre o seu comportamento e o dano. 
c) o seu agente não agiu com culpa em sentido estrito. 
d) houver culpa concorrente do lesado. 
e) o dano foi de pequena monta. 
Comentários 
Para que o Estado seja obrigado a indenizar a vítima de um dano 
supostamente causado por agente público, é necessário que o interessado 
lesado comprove os seguintes requisitos: o dano oriundo de um fato 
administrativo (prejuízo suportado); que o ato foi causado por um agente 
público no exercício da função pública e o nexo de causalidade entre a ação 
do agente público e o dano causado. 
Assim, não basta que o administrado tenha sofrido um dano para que 
tenha direito à respectiva indenização, é necessário ainda que demonstre que 
o dano seja proveniente de um ato estatal (deve existir o nexo causal). 
GABARITO: LETRA B. 
19. (FCC/Analista Judiciário TRE PI/2009) Sobre a reparação do dano 
no âmbito da responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar que 
a) os agentes das entidades particulares prestadoras de serviço 
público não estão sujeitos à ação regressiva. 
b) a ação regressiva, no caso de culpa do servidor público, transmite-
se aos herdeiros e sucessores. 
c) a reparação não abrange o dano moral. 
d) é cabível mesmo que o evento decorra de culpa exclusiva da vítima, 
por se tratar de responsabilidade objetiva. 
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e) paga a indenização por morte, não cabe pensão alimentícia às 
pessoas a quem o falecido a devia. 
Comentários 
a) Errado. A ação regressiva pode ser proposta pelo Estado em face do 
agente público responsável pelo comportamento comissivo ou omissivo que 
gerouo dano ao particular, seja ele servidor público ou agente de entidade 
particular prestadora de serviço público. 
b) Correto. O art. 122, § 3º, da Lei 8.112/1990, por exemplo, dispõe 
que “a obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles 
será executada, até o limite do valor da herança recebida”. 
c) Errado. A reparação abrange tanto os danos materiais quanto os 
danos morais comprovadamente sofridos pelo administrado. 
d) Errado. Ocorre a culpa exclusiva da vítima quando o dano existente é 
consequência de omissão ou ação do próprio particular que sofreu o dano, ou 
seja, sem a ação ou omissão da vítima, não existiria o dano. Nesse caso, 
não há que se falar em responsabilidade estatal, pois, se o particular deu 
causa ao dano que sofreu, deverá suportar sozinho o prejuízo. 
e) Errado. O pagamento de indenização fixada judicialmente não exime 
o Estado de também pagar pensão alimentícia a quem o falecido devia, se for 
o caso. 
GABARITO: LETRA B. 
20. (FCC/Especialista em Políticas Públicas Gov. SP/2009) Em 
conformidade com a jurisprudência dominante, para a configuração da 
responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público e as 
de direito privado prestadoras de serviço público 
a) a apuração da culpa da vítima é impertinente, com base no risco 
administrativo. 
b) não é necessário que o ato praticado pelo agente público seja ilícito. 
c) o nexo de causalidade entre a ação do Poder Público e o dano 
verificado é dispensável. 
d) o agente público deve estar no efetivo exercício do cargo ao praticar 
o ato causador do dano. 
e) o prejudicado ser usuário do serviço público é condição necessária. 
Comentários 
a) Errado. A apuração da culpa da vítima é extremamente relevante, 
pois, dependendo do caso em concreto, pode até mesmo afastar a 
responsabilização estatal. Entretanto, deve ficar claro que o ônus de provar 
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que a culpa é exclusiva do particular ou que este contribuiu com o evento 
danoso recai sobre o Estado, que, se não lograr êxito, deverá indenizar o dano 
sofrido pelo particular, mesmo não tendo sido o responsável direto pelo 
prejuízo. 
 b) Correto. Até mesmo os atos lícitos podem ensejar a 
responsabilização estatal, desde que causem danos a terceiros. 
 c) Errado. É imprescindível que fique demonstrado o nexo causal entre 
a conduta estatal e o dano causado ao particular, sob pena de ser afastada a 
responsabilidade estatal. 
 d) Errado. Não é necessário que o agente público causador do dano 
esteja no efetivo exercício de cargo público para que fique caracterizada a 
responsabilidade estatal. Nesse caso, basta que o agente público esteja 
exercendo uma função pública, a exemplo da função de mesário eleitoral. 
e) Errado. Até o mês de agosto de 2009, prevalecia no Supremo 
Tribunal Federal o entendimento de que as pessoas jurídicas prestadoras de 
serviços públicos não poderiam ser responsabilizadas objetivamente pelos 
danos causados pelos seus agentes aos terceiros que não fossem usuários do 
serviço público prestado. 
No julgamento do Recurso Extraordinário 262.651/SP, em 16/11/2004, 
de relatoria do Ministro Carlos Veloso, o STF decidiu que “a responsabilidade 
objetiva das prestadoras de serviço público não se estende a terceiros não-
usuários, já que somente o usuário é detentor do direito subjetivo de receber 
um serviço público ideal, não cabendo ao mesmo, por essa razão, o ônus de 
provar a culpa do prestador do serviço na causação do dano.” 
Desse modo, se um ônibus pertencente a uma concessionária de serviço 
público de transporte coletivo urbano colidisse com um automóvel particular, a 
responsabilidade civil daquela seria de natureza subjetiva, isto é, o particular 
somente seria indenizado pelos prejuízos sofridos se provasse o dolo ou a 
culpa do motorista da empresa, já que não estava usufruindo dos serviços 
prestados pela mesma. 
Todavia, no julgamento do Recurso Extraordinário 591.874, em 
26/08/2009, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal 
Federal decidiu que “a Constituição Federal não faz qualquer distinção sobre a 
qualificação do sujeito passivo do dano, ou seja, não exige que a pessoa 
atingida pela lesão ostente a condição de usuário do serviço”. 
Desse modo, passou a vigorar no Supremo Tribunal Federal o 
entendimento de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos 
respondem objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a 
terceiros, inclusive aqueles que não estejam usufruindo dos serviços 
prestados, a exemplo do particular que tem o seu carro atingido por um 
ônibus pertencente a concessionária prestadora de serviços públicos. 
GABARITO: LETRA B. 
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21. (FCC/Técnico Judiciário TRE-AC/2010) O dever do Administrador 
Público de prestar contas 
a) aplica-se a todos os órgãos e entidades públicas, exceto aos 
Tribunais de Contas por serem os órgãos encarregados da tomada de 
contas dos administradores. 
b) aplica-se apenas aos agentes responsáveis por dinheiro público. 
c) não alcança os particulares, mesmo que estes recebam subvenções 
estatais. 
d) não se aplica aos convênios celebrados entre a União e os 
Municípios, por se tratar de acordo entre entidades estatais. 
e) é imposto a qualquer agente que seja responsável pela gestão e 
conservação de bens públicos. 
Comentários 
O art. 70, parágrafo único, da Constituição Federal, dispõe que “prestará 
contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, 
arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou 
pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de 
natureza pecuniária”. 
GABARITO: LETRA E. 
 
22. (FCC/Analista Judiciário TRE-RS/2010) Está correto afirmar que, o 
controle administrativo 
a) é exercido por meio de fiscalização hierárquica, apenas. 
b) dos atos do Poder Executivo é exercido pelo Poder Legislativo. 
c) permite a anulação dos atos administrativos por conveniência e 
oportunidade. 
d) deriva do poder-dever de autotutela que a Administração tem sobre 
seus próprios atos e agentes. 
e) não pode ser exercido pelos Poderes Judiciário e Legislativo. 
Comentários 
 a) Errado. O controle administrativo pode ser realizado sobre entidades 
que não estão hierarquicamente subordinadas ao ente fiscalizador, a exemplo 
do que ocorre no controle finalístico exercido pelos Ministérios (Administração 
Direta) em relação às entidades da Administração Indireta (nesse caso existe 
apenas uma relação de vinculação administrativa). 
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O professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que o controle 
ministerial (controle finalístico) é o exercido pelos Ministérios sobre os órgãos 
de sua estrutura administrativa e também sobre as pessoas da Administração 
Indireta Federal. Naquele caso o controle é interno e por subordinação e 
neste é externo e por vinculação. 
 b) Errado. O controle administrativo dos atos editados pelo Poder 
Executivo é realizado no âmbito de sua própria estrutura administrativa, 
através de seus órgãos de controle interno. 
 c) Errado. A anulação de atos administrativos somente pode ocorrer 
em razão de ilegalidade. Atos que não sejam mais convenientes ou oportunos 
devem ser revogados e não anulados. 
 d) Correto. A prerrogativa assegurada à Administração Pública de 
anular os seus próprios atos, quando ilegais (controle de legalidade), ou 
revogá-los, quando inconvenientes ou inoportunos (controle de mérito), 
está fundamentada no dever-poder de autotutela e encontra amparo nas 
Súmulas 346 e 473 do STF. 
e) Errado. O controle administrativo é interno, ou seja, ocorre no 
interior da própria Administração ou nos órgãos de administração dos 
Poderes Legislativo e Judiciário, sempre inserido em uma relação hierárquica
entre órgãos e agentes públicos. 
GABARITO: LETRA D. 
 
23. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) No que se refere à 
forma de controle da Administração Pública, considere: 
I. O controle exercido pela Administração direta sobre as pessoas 
jurídicas integrantes da Administração indireta deriva do poder de 
tutela. 
II. O controle que visa verificar a oportunidade e conveniência 
administrativas do ato controlado, como regra, compete 
exclusivamente ao próprio Poder que, atuando na função de 
Administração Pública, editou o ato administrativo. 
Essas formas, conforme a amplitude e o aspecto controlado, 
denominam-se, respectivamente, 
a) de mérito e subsequente. 
b) de legalidade e finalístico. 
c) finalístico e de mérito. 
d) hierárquico e de legalidade. 
e) subsequente e preventivo. 
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Comentários 
Item I – Controle finalístico realmente é aquele exercido pelas 
entidades da Administração Direta (União, Estados, Municípios e Distrito 
Federal) em relação às entidades da Administração Indireta (autarquias, 
fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas), 
fundamentado em relação de vinculação administrativa. 
Item II – Controle de mérito é aquele que se consuma pela 
verificação da conveniência e da oportunidade da conduta administrativa. 
Nesse controle, nada se questiona sobre a legalidade da conduta; afere-se 
apenas se uma conduta anterior merece prosseguir ou se deve ser revista. 
GABARITO: LETRA C. 
24. (FCC/Executivo Público – Casa Civil/2010) Em tema de controle da 
Administração Pública, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) Controle externo é o que se realiza por um Poder ou órgão 
constitucional independente funcionalmente sobre a atividade 
administrativa de outro Poder estranho à administração responsável 
pelo ato controlado. 
b) Nem mesmo os atos discricionários refogem do controle judicial, 
porque quanto à competência, constituem matéria de legalidade, tão 
sujeita ao confronto da Justiça como qualquer outro elemento 
vinculado. 
c) Controle interno é todo aquele realizado pela entidade ou órgão 
responsável pela atividade controlada, no âmbito da própria 
Administração. 
d) No âmbito do controle legislativo, encaminhada a proposta de 
rejeição de contas da administração pelo Tribunal de Contas é 
desnecessário novo contraditório e eventual defesa antes do parecer 
legislativo para a rejeição. 
e) O controle no âmbito da administração direta decorre da 
subordinação hierárquica, e, no campo da administração indireta, 
resulta da vinculação administrativa, nos termos da lei instituidora das 
entidades que a compõem. 
Comentários 
a) Correto. Ocorre quando o controle dos atos administrativos é 
exercido por um Poder diferente daquele responsável pela sua edição. Essa 
possibilidade está amparada no artigo 2º da Constituição Federal de 1988, ao 
afirmar que “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o 
Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. 
b) Correto. Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas, 
lembre-se sempre de que todos os atos administrativos estão sujeitos ao 
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controle de legalidade exercido pelo Poder Judiciário, principalmente em 
relação aos requisitos de competência, forma e finalidade. 
c) Correto. É aquele exercido internamente, por cada um dos Poderes, 
em relação aos seus próprios atos. Podemos citar como exemplo o controle 
exercido pela Corregedoria de Justiça em relação aos atos praticados pelos 
servidores do Poder Judiciário, ou, ainda, o controle exercido por um Gerente 
Executivo do INSS em relação aos seus subordinados. 
d) Errado. Nesse caso, será necessário garantir ao administrador nova 
oportunidade para exercer o contraditório e a ampla defesa em relação aos 
fundamentos fáticos e jurídicos utilizados pelo Tribunal de Contas na 
elaboração de seu parecer. 
e) Errado. Lembre-se sempre de que as relações de hierarquia
existem tanto no interior da Administração Direta quanto no interior da 
Administração Indireta. O que não existe é relação de hierarquia entre a 
Administração Direta e Indireta. 
GABARITO: LETRA C. 
25. (FCC/Analista Judiciário TRT 3ª Região/2009) A participação 
popular no controle da legalidade e moralidade da atividade 
administrativa pode ser exercida 
a) mediante denúncia perante a Assembléia Legislativa ou ao Tribunal 
de Contas, por qualquer pessoa que venha a tomar conhecimento de 
irregularidades ou ilegalidades praticadas em detrimento da 
Administração, sob pena de tornar-se solidariamente responsável. 
b) mediante representação perante a própria Administração ou ao 
órgão do Ministério Público que tiver competência para apurar a 
prática da irregularidade ou ilegalidade apontada; mediante denúncia 
perante a Assembléia Legislativa ou Tribunal de Contas e mediante 
propositura de Ação Popular. 
c) somente pela via judicial, através da Ação Popular. 
d) mediante denúncia ao Ministério Público, à Assembléia Legislativa 
ou ao Tribunal de Contas, bem como mediante propositura de Ação 
Popular, somente sendo assegurado o direito de representar à 
autoridade administrativa aqueles cujos direitos subjetivos tenham 
sido atingidos pelo ato impugnado. 
e) perante a própria Administração ou pela via judicial, mas apenas 
nas situações de lesão ou ameaça de lesão a direito individual. 
Comentários 
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a) Errado. Se determinado cidadão teve conhecimento de 
irregularidades ocorridas no âmbito da Administração Pública e não as 
denunciou aos órgãos competentes (Ministério Público e Tribunais de Contas, 
por exemplo), o seu silêncio deve ser respeitado, não podendo ser 
solidariamente responsável por prejuízos que não praticou. 
 b) Correto. O professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que, 
modernamente, as normas jurídicas constitucionais e legais “têm contemplado 
a possibilidade de ser exercido controle do Poder Público, em qualquer de suas 
funções, por segmentos oriundos da sociedade. É o que se configura como 
controle social, assim denominado justamente por ser uma forma de controle 
exógeno do Poder Público nascido das diversas demandas dos grupos sociais”. 
 c) Errado. O controle da legalidade e da moralidade administrativa pode 
ser exercido através de vários instrumentos administrativos e jurídicos, a 
exemplo da ação civil pública, recurso administrativo, pedido de 
reconsideração, entre outros. 
 d) Errado. Qualquer pessoa pode representar perante autoridade 
administrativa denunciando irregularidades existentes no âmbito da 
Administração Pública brasileira. 
 e) Errado. Além de lesões ou ameaças de lesões a interesse individual, 
o cidadão pode também denunciar a violação ou ameaça de violação a 
interesses coletivos ou difusos. 
GABARITO: LETRA B. 
26. (FCC/Analista Judiciário TRT 3ª Região/2009) A decisão do 
Tribunal de Contas que julga as contas dos administradores e demais 
responsáveis pelos dinheiros, bens e valores da administração direta e 
indireta, nos termos da competência estabelecida pelo inciso II, do 
artigo 71, da Constituição Federal, 
a) possui eficácia de título executivo, exceto em relação à parcela 
correspondente a eventual imposição de multa. 
b) não possui natureza jurisdicional, somente podendo ser executada 
após processo judicial em que se assegure ampla defesa aos 
administradores ou responsáveis. 
c) constitui atividade jurisdicional atípica, exercida por órgão auxiliar 
do Poder Legislativo, não sendo passível de revisão pelo Poder 
Judiciário. 
d) vincula a autoridade administrativa ao seu cumprimento, somente 
sendo passível de revisão ou rescisão, na esfera administrativa, pelo 
próprio Tribunal de Contas. 
e) na hipótese de julgar as contas irregulares, somente produz efeito 
após confirmada em processo administrativo disciplinar instaurado no 
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âmbito do órgão próprio da Administração, em que seja assegurada 
ampla defesa ao administrador ou responsável. 
Comentários 
a) Errado. O art. 71, § 3º, da Constituição Federal, dispõe que “as 
decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão 
eficácia de título executivo”. 
b) Errado. Não é necessário que o Poder Judiciário se pronuncie em 
relação às decisões dos Tribunais de Contas para que elas comecem a produzir 
efeitos jurídicos. 
c) Errado. As decisões proferidas pelos Tribunais de Contas podem ser 
revistas pelo Poder Judiciário, único órgão capaz de proferir decisões com força 
de coisa julgada material (insuscetível de recurso). 
d) Correto. No âmbito administrativo, a decisão proferida pelo Tribunal 
de Contas é soberana, ou seja, não pode ser revista por outro ente 
administrativo. 
e) Errado. A decisão que julgar as contas irregulares não precisa ser 
confirmada através de processo administrativo, produzindo todos os seus 
efeitos imediatamente. 
GABARITO: LETRA D. 
27. (FCC/Analista Judiciário TRT 23ª Região/2011) Sobre o controle e 
responsabilização da Administração Pública, é INCORRETO afirmar: 
a) Ao Poder Judiciário é vedado apreciar o mérito administrativo e, ao 
exercer o controle judicial, está restrito ao controle da legitimidade e 
legalidade do ato impugnado. 
b) Controle Administrativo é o poder de fiscalização e correção que a 
Administração Pública exerce sobre sua própria atuação, sob os 
aspectos de legalidade e mérito, por iniciativa própria ou mediante 
provocação. 
c) O Controle que o Poder Legislativo exerce sobre a Administração 
Pública tem que se limitar às hipóteses previstas na Constituição 
Federal, sob pena de afronta ao princípio de separação de poderes. 
d) No Controle Judicial, o Poder Judiciário exerce o poder fiscalizador 
sobre a atividade administrativa do Estado, alcançando, além dos atos 
administrativos do Executivo, atos do Legislativo e do próprio 
Judiciário quando realiza atividade administrativa. 
e) O Controle Legislativo alcança os órgãos do Poder Executivo, as 
entidades da Administração Indireta, mas jamais o Poder Judiciário, 
mesmo quando este último executa função administrativa. 
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Comentários 
a) Correto. Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas, 
lembre-se sempre de que no controle de legitimidade o Poder Judiciário pode 
analisar o mérito do ato administrativo em conformidade com os princípios da 
moralidade, razoabilidade e proporcionalidade, anulando-o, se for o caso. 
b) Correto. É possível definir como controle administrativo (ou 
autocontrole) o poder de fiscalização e correção exercido pelo Poder 
Executivo e pelos órgãos de administração (no exercício da função 
administrativa) do Poder Judiciário e Legislativo sobre os seus próprios atos 
e atividades. 
c) Correto. Em termos gerais, o controle do Poder Legislativo sobre os 
atos praticados pelo Poder Executivo está fundamentado no inciso X, artigo 49, 
da Constituição Federal de 1988, ao declarar que “compete ao Congresso 
Nacional fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os 
atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta”. 
d) Correto. O controle judicial pode ser conceituado como o controle de 
legalidade exercido pelo Poder Judiciário em relação aos seus próprios atos e 
condutas administrativas, bem como em relação aos atos e atividades 
administrativas oriundos do Poder Executivo e Legislativo. O direito brasileiro 
adotou o sistema de jurisdição una, que concede ao Poder Judiciário o 
monopólio da função jurisdicional (somente ele pode decidir em caráter 
definitivo). 
e) Errado. O controle legislativo também alcança os atos praticados pelo 
Poder Judiciário, a exemplo 
GABARITO: LETRA E. 
28. (FCC/Analista Judiciário TRF 1ª Região/2011) Nos termos da 
Constituição Federal, a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, 
operacional e patrimonial da União e das entidades da administração 
direta e indireta, será exercida pelo 
a) Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, mediante auxílio do 
Tribunal de Contas da União, e pela Controladoria Geral da União. 
b) Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, mediante auxílio do 
Tribunal de Contas da União, e pela Secretaria Federal de Controle 
Interno. 
c) Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de 
controle interno de cada Poder.d) Congresso Nacional, mediante auxílio do Tribunal de Contas da 
União, e pela Controladoria Geral da União. 
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e) Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio do Tribunal de 
Contas da União, pelo sistema de controle interno e pelo Ministério 
Público. 
Comentários 
O art. 70 da Constituição Federal preceitua que a fiscalização contábil, 
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades 
da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, 
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida 
pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de 
controle interno de cada Poder. 
GABARITO: LETRA C. 
29. (FCC/Analista Judiciário TRT 8ª Região/2011) O controle 
legislativo dos atos do Poder Executivo, em matéria contábil, 
financeira e orçamentária, é exercido pelo Poder Legislativo 
a) por meio de seus auditores. 
b) com autorização do Poder Judiciário. 
c) com auxílio do Tribunal de Contas. 
d) com auxílio do Ministério Público. 
e) por meio de comissões parlamentares de inquérito. 
Comentários 
O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o 
auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete, dentre outros, 
julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, 
bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as 
fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as 
contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de 
que resulte prejuízo ao erário público. 
GABARITO: LETRA C. 
30. (FCC/Analista Judiciário TRT 22ª Região/2011) No que concerne 
ao controle judicial dos atos da Administração Pública: 
a) O Poder Judiciário pode examinar os atos administrativos, inclusive 
os discricionários, mas sempre sob o aspecto da legalidade, não 
podendo analisar o aspecto da moralidade e tampouco o mérito 
administrativo. 
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b) Não é possível a revisão dos motivos do ato administrativo pelo 
Poder Judiciário, ainda que definidos em lei como vinculadores do ato, 
isto porque os motivos determinantes correspondem ao mérito 
administrativo. 
c) Contra ato administrativo que contrarie súmula vinculante do 
Supremo Tribunal Federal, caberá reclamação ao Supremo Tribunal 
Federal, o qual, julgando- a procedente, anulará o ato administrativo e 
determinará que outro seja praticado. 
d) Os atos normativos do Poder Executivo, como regulamentos, 
resoluções, portarias não podem ser invalidados pelo Judiciário, a não 
ser por via de ação direta de inconstitucionalidade e através da ação 
direta de constitucionalidade. 
e) Equiparam-se às autoridades coatoras, para efeitos da Lei do 
Mandado de Segurança, pessoas naturais no exercício de atribuições 
do Poder Público, nesta hipótese, a ação mandamental será cabível 
ainda que o ato impugnado não seja proveniente das referidas 
atribuições. 
Comentários 
a) Errado. O controle judicial dos atos administrativos discricionários 
realmente se restringe aos aspectos de legalidade e legitimidade. Entretanto, é 
importante esclarecer que, neste último caso, a apreciação pode abranger a 
análise do mérito do ato com os princípios da moralidade, proporcionalidade e 
razoabilidade. 
 b) Errado. Se os motivos foram previamente definidos pelo texto legal 
(ato vinculado), o Poder Judiciário poderá realizar a apreciação do ato 
administrativo com o objetivo de verificar se o agente público responsável o 
editou nos moldes determinados legalmente. 
 c) Correto. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação 
fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à 
autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que 
deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, 
sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e 
penal. 
 d) Errado. Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas, 
lembre-se sempre de que ao Poder Judiciário é assegurada a prerrogativa de 
anular os atos administrativos editados em desconformidade com o Direito, 
sendo desnecessária a propositura de ADI ou ADC. 
 e) Errado. O art. 1º, § 1º, da Lei 12.016/2009, dispõe que são 
equiparados às autoridades, para os efeitos de seu texto, os representantes ou 
órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, 
bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no 
exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a 
essas atribuições. 
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GABARITO: LETRA C. 
31. (FCC/Analista Judiciário TRT 9ª Região/2011) No que diz respeito 
ao controle da Administração, é CORRETO afirmar: 
a) Controle administrativo é o poder de fiscalização e correção que a 
Administração Pública exerce sobre sua própria atuação, assim 
ocorrendo apenas mediante provocação do administrado. 
b) O controle legislativo é exercido, no âmbito estadual, pela 
Assembléia Legislativa, vedada a instituição de Comissão Parlamentar 
de Inquérito. 
c) O mandado de injunção tem recebido nova interpretação 
constitucional, não se limitando à declaração da existência da mora 
legislativa para a edição da norma regulamentadora, admitindo-se ao 
Judiciário assegurar, concretamente, o exercício do direito 
individualizado pela falta da norma. 
d) A Constituição atribuiu à CPI poderes de investigação, como 
convocar e obrigar testemunhas a comparecerem para depor e ordenar 
a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, esta última (quebra do 
sigilo telefônico) sujeita à prévia autorização judicial. 
e) É cabível mandado de segurança contra atos de gestão comercial 
praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedades 
de economia mista e de concessionárias de serviço público. 
Comentários 
 a) Errado. Para Hely Lopes Meirelles, o controle administrativo é “todo 
aquele que o Executivo e os órgãos de administração dos demais Poderes 
exercem sobre suas próprias atividades, visando a mantê-las dentro da lei, 
segundo as necessidades do serviço e as exigências técnicas e econômicas de 
sua realização, pelo que é um controle de legalidade e de mérito”. 
Ao contrário do que consta no texto da assertiva, deve ficar claro que o 
controle administrativo pode ocorrer de ofício ou mediante provocação do 
interessado. 
 b) Errado. Em âmbito estadual, o controle legislativo realmente é 
exercido pelas Assembléias Legislativas com o auxílio dos respectivos Tribunaisde Contas. Todavia, é importante destacar que as Comissões Parlamentares de 
Inquérito (CPI´s) também podem ser instituídas pelos poderes legislativos 
estaduais e municipais. 
 c) Correto. No julgamento do Mandado de Injunção nº 708/DF, pelo 
Supremo Tribunal Federal, o Ministro relator Gilmar Mendes ressaltou “que a 
Corte, afastando-se da orientação inicialmente perfilhada no sentido de estar 
limitada à declaração da existência da mora legislativa para a edição de norma 
regulamentadora específica, passou, sem assumir compromisso com o 
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exercício de uma típica função legislativa, a aceitar a possibilidade de uma 
regulação provisória pelo próprio Judiciário”. 
 d) Errado. O art. 58, § 3º, da Constituição Federal, realmente dispõe 
que as comissões parlamentares de inquérito terão poderes de investigação 
próprios das autoridades judiciais, podendo, inclusive, determinar a quebra do 
sigilo telefônico de pessoa sob investigação (mesmo sem autorização 
judicial). 
O erro da assertiva está no fato de ter afirmado que a CPI precisará de 
autorização judicial para quebrar o sigilo telefônico do investigado (ter 
acesso aos números de telefone para os quais ligou nos últimos meses, por 
exemplo), quando, na verdade, essa obrigatoriedade somente se impõe nos 
casos de interceptação telefônica (para ouvir a conversa entre os 
interlocutores). 
 e) Errado. O art. 1º, § 2º, da Lei 12.016/2009, dispõe que não cabe 
mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos 
administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de 
concessionárias de serviço público. 
GABARITO: LETRA C. 
32. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) No que diz respeito 
ao controle da Administração, analise: 
I. O controle administrativo é um controle de legalidade e de mérito 
derivado do poder-dever de autotutela da Administração. 
II. O controle legislativo configura-se, sobretudo, como um controle 
político, podendo ser controlados aspectos relativos à legalidade e à 
conveniência pública dos atos do Poder Executivo. 
III. O controle judicial, regra geral, é exercido a priori e de ofício, 
concernente à legalidade e à conveniência dos atos administrativos, 
produzindo efeitos ex nunc. 
IV. Dentre outros, são instrumentos de controle judicial a ação 
popular, a representação, o mandado de segurança e os processos 
administrativos em geral. 
Nesses casos, é correto o que consta APENAS em 
a) I, II e IV. 
b) II e III. 
c) I e II. 
d) II, III e IV. 
e) I, III e IV. 
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Comentários 
Item I – Correto. Para o professor Hely Lopes Meirelles, controle 
administrativo é todo aquele que “o Executivo e os órgãos de administração 
dos demais Poderes exercem sobre suas próprias atividades, visando a mantê-
las dentro da lei, segundo as necessidades do serviço e as exigências técnicas 
e econômicas de sua realização, pelo que é um controle de legalidade e de 
mérito”. 
Item II – Correto. O controle legislativo, também denominado de 
controle parlamentar, é exercido pelos órgãos do Poder Legislativo em 
relação a determinados atos praticados pela Administração Pública. Ao 
contrário do controle administrativo, que é interno, o controle legislativo 
caracteriza-se por ser um controle externo, exercido nos exatos termos e 
limites previstos no texto constitucional. 
Item III – Errado. O professor Diógenes Gasparini informa que o 
controle judicial é externo, provocado e direto. “É externo por se realizar 
por órgão que não integra a mesma estrutura organizacional da Administração 
Pública. É provocado porquanto só excepcionalmente o Judiciário atua de 
ofício. É direto porque incide, precípua e imediatamente, sobre os atos e 
atividades administrativas. Além disso, é, notadamente, repressivo, dado 
incidir sobre medida que já produziu ou está produzindo efeitos. 
Extraordinariamente, pode ser preventivo. É o que ocorre, por exemplo, com 
a ação declaratória, o habeas corpus e o mandado de segurança preventivos. 
Por essas medidas previne-se a atuação da Administração Pública havida por 
ilegal”. 
Item IV – Errado. Os processos administrativos não podem ser 
classificados como instrumentos de controle judicial dos atos administrativos, 
pois não são ações judiciais e tramitam apenas no âmbito administrativo 
(interno). 
GABARITO: LETRA C. 
33. (FCC/Auditor TCE Rondônia/2010) De acordo com as disposições 
da Constituição Federal, o controle exercido pelo Tribunal de Contas 
compreende, dentre outras hipóteses, 
a) sustar, caso não atendido, a execução do ato impugnado, 
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. 
b) analisar e aprovar as concessões de aposentadoria, reformas e 
pensões dos servidores da Administração Direta e Indireta. 
c) fiscalizar e providenciar a liberação de recursos repassados pela 
União aos Estados e destes para os Municípios. 
d) julgar as contas do Presidente da República e os atos de admissão 
de pessoal da Administração Direta e Indireta. 
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e) aplicar diretamente aos responsáveis as sanções previstas em lei, 
excluída a imposição de multa, que depende de aprovação do Senado 
Federal. 
Comentários 
a) Correto. Trata-se de hipótese prevista expressamente no art. 71, X, 
da Constituição Federal de 1988. 
b) Errado. Nos termos do art. 71, III, da Constituição Federal, compete 
ao Tribunal de Contas da União apreciar, para fins de registro, a legalidade 
dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e 
indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, 
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como 
a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as 
melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório. 
Perceba que em nenhum momento o texto constitucional se refere à 
“aprovação” de concessões de aposentadoria por parte do TCU, o que invalida 
a assertiva. 
 c) Errado. A fiscalização do TCU se restringe à aplicação de recursos 
repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros 
instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município. Se o 
recurso é repassado do Estado para determinado Município, a fiscalização de 
sua aplicação não é mais do TCU (em regra, será dos Tribunais de Contas dos 
Estados). 
 d) Errado. As contas do Presidente da República são julgadas pelo 
Congresso Nacional, nos termos do art. 49, IX, da Constituição Federal. A 
competência do TCU se limita à elaboração de um parecer prévio, que servirá 
de subsídio para o julgamento pelo Congresso Nacional.e) Errado. Na atuação do TCU está compreendida a aplicação aos 
responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, 
as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa 
proporcional ao dano causado ao erário. 
GABARITO: LETRA A. 
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RELAÇÃO DE QUESTÕES COMENTADAS – COM GABARITO 
01. (FCC/Procurador PGE RO/2011) Desgovernado, o ônibus de uma 
concessionária de transporte intermunicipal de passageiros, acabou 
por atropelar um pedestre, sendo que ambos - ônibus e pedestre - 
trafegavam por estrada federal. Nessa situação, constata-se a 
responsabilidade 
a) subjetiva direta da concessionária, sendo que a ação de reparação 
de danos deve ser proposta no prazo de cinco anos a partir do evento 
danoso. 
b) objetiva direta do Estado-concedente, sendo que a ação de 
reparação de danos deve ser proposta no prazo de cinco anos a partir 
do evento danoso. 
c) objetiva direta da concessionária, sendo que a ação de reparação de 
danos deve ser proposta no prazo de três anos a partir do evento 
danoso. 
d) objetiva subsidiária da União, titular da estrada federal em que 
ocorreu o acidente, sendo que a ação de reparação de danos deve ser 
proposta no prazo de três anos a partir do evento danoso. 
e) objetiva direta da concessionária, sendo que a ação de reparação de 
danos deve ser proposta no prazo de cinco anos a partir do evento 
danoso. 
02. (FCC/Analista Judiciário TRF 1ª Região/2011) No início do ano, é 
comum a ocorrência de fortes tempestades, que, conforme têm 
mostrado os noticiários, estão causando consequências avassaladoras 
em diversas regiões do país. Quando chuvas dessa natureza 
provocarem enchentes na cidade, inundando casas e destruindo 
objetos, o Estado 
a) responderá, por se tratar de exemplo em que se aplica a 
responsabilidade objetiva do Estado. 
b) responderá se, aliado ao fato narrado, ocorreu omissão do Poder 
Público na realização de determinado serviço. 
c) jamais responderá, por se tratar de hipótese de força maior, causa 
excludente da responsabilidade estatal. 
d) jamais responderá, por se tratar de hipótese de caso fortuito. 
e) responderá, com fundamento na teoria do risco integral. 
03. (FCC/Analista Judiciário TRT 8ª Região/2011) Um motorista 
dirigindo em uma estrada estadual cai com o veículo em um buraco 
próximo a uma obra de recapeamento do asfalto, do que resulta danos 
de grande monta no veículo e lesões graves no motorista. O acidente 
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ocorreu por deficiência de sinalização, que era de responsabilidade de 
funcionário do Estado, responsável pela obra. Nesse caso, 
a) o Estado responde pelos danos causados ao veículo, mas não pelas 
lesões corporais suportadas pela vítima. 
b) a vítima pode acionar judicialmente o Estado para reparação dos 
danos porque ele responde, objetivamente, pelos atos dos seus 
agentes. 
c) a vítima não pode acionar o Estado porque está evidente a culpa do 
agente, que é quem deve ser acionado. 
d) se o Estado for acionado e pagar os danos, ele não pode processar o 
agente que deu causa ao acidente porque este estava no cumprimento 
do seu dever. 
e) não cabe ação para reparação dos danos porque a estrada estava 
sendo recapeada e o motorista deveria tomar cuidado, mesmo sem 
existência de sinalização adequada. 
04. (FCC/Procurador Prefeitura de Teresina/2010) Marque a opção 
incorreta em relação à responsabilidade extracontratual do Estado. 
a) Quando chuvas provocarem enchentes na cidade, causando danos, o 
Estado não responderá, ainda que fique demonstrado que a realização 
de determinados serviços de limpeza teria impedido a enchente. 
b) Sociedade de economia mista, prestadora de serviço público, 
mesmo sendo pessoa jurídica de direito privado, se sujeita à regra da 
responsabilidade objetiva do Estado. 
c) Para caracterizar a responsabilidade objetiva do Estado, um dos 
requisitos é que o dano seja causado por agente do Estado, o que 
abrange todas as categorias de agentes públicos, como agentes 
políticos, servidores públicos ou mesmo particulares em colaboração. 
d) Para caracterizar a responsabilidade objetiva do Estado, faz-se 
necessário que o agente, ao causar o dano, aja nessa qualidade, ou 
seja, não basta ter a qualidade de agente público, pois, ainda que não 
o seja, não acarretará a responsabilidade estatal se, ao causar o dano, 
não estiver agindo no exercício de suas funções. 
e) Quando ocorrer culpa concorrente da vítima, estar-se-á diante de 
hipótese atenuante da responsabilidade do Estado, vez que esta se 
repartirá com a da vítima. 
05. (FCC/Procurador TCE AP/2010) Nos termos do que dispõe o artigo 
37, parágrafo 6º da Constituição Federal, no que concerne à 
responsabilidade civil do Estado, este responde sob a modalidade 
a) objetiva pelos atos comissivos ilícitos e sob a modalidade subjetiva 
pelos atos comissivos lícitos. 
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b) subjetiva, quando envolver a imputação de danos morais. 
c) subjetiva, quando envolver imputação de responsabilidade 
subsidiária. 
d) subjetiva, quando envolver a prática de atos omissivos lícitos 
praticados por delegação. 
e) objetiva, quando se tratar de atos comissivos lícitos ou ilícitos. 
06. (FCC/Procurador TCE RO /2010) O Estado responde objetivamente 
pelos danos causados a terceiros por seus agentes. Isto significa 
a) afirmar que responde sempre que verificada a ocorrência de danos, 
prescindindo da demonstração de nexo causal ou de culpa do servidor. 
b) dizer que se considera presumida a culpa do agente público 
envolvido, passível de demonstração, no entanto, da ocorrência de 
pelo menos uma das excludentes de responsabilidade, como culpa 
exclusiva da vítima. 
c) dizer que mesmo nos casos de excludentes de responsabilidade o 
Estado responde integralmente pelos danos materiais potenciais. 
d) afirmar que a responsabilização do Estado não depende da 
demonstração da conduta culposa ou de nexo causal, mesmo em casos 
de ato lícito. 
e) dizer que o Estado responde sempre e por qualquer ato de seus 
agente, sejam atos comissivos lícitos ou ilícitos. 
07. (FCC/Analista Judiciário TRE AC/2010) Com relação à 
responsabilidade civil do Estado, a ação regressiva é uma 
a) medida de natureza administrativa de que dispõe a Administração 
para obrigar o agente, manu militari, a ressarcir o valorda indenização 
que pagou a terceiros em decorrência de conduta daquele. 
b) medida administrativa que o lesado tem contra o agente público 
causador do dano. 
c) ação judicial que o agente público tem contra a vítima de dano se 
não agiu com culpa. 
d) ação judicial que o lesado tem contra o agente público causador do 
dano para buscar indenização. 
e) ação judicial de natureza civil que a Administração tem contra o 
agente público ou o particular prestador de serviços públicos causador 
do dano a terceiros. 
08. (FCC/Procurador PGE AM/2010) O regime de responsabilidade 
previsto no art. 37, § 6°, da Constituição Federal brasileira 
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a) alcança os atos praticados por particulares prestadores de serviços 
públicos, em relação a usuários e também a não-usuários, desde que 
existente nexo causal entre o evento causador do dano e a atividade 
objeto de delegação estatal. 
b) alcança os atos praticados por pessoa de direito público ou de 
direito privado prestadora de serviços públicos e atividades 
econômicas de relevante interesse coletivo. 
c) não se aplica aos particulares, mesmo aos que prestam serviços 
públicos, visto que esses têm sua responsabilidade regulada pelo 
Código Civil. 
d) exclui os atos praticados no exercício da função legislativa e 
jurisdicional. 
e) adota a teoria do risco integral, em que não se admitem causas 
excludentes ou mitigadoras da responsabilidade estatal. 
09. (FCC/Técnico Judiciário TRE RS/2010) É certo que, pelos danos 
que o agente público, nessa qualidade, causar a terceiros 
a) não cabe ação regressiva contra agente, mesmo que tenha agido 
com culpa ou dolo, se o Estado reparou os danos. 
b) o Estado somente responde pelos danos se o agente agiu com dolo 
ou culpa. 
c) a ação para reparação dos danos deve ser movida direta e 
unicamente contra o agente causador do dano. 
d) o Estado responde objetivamente, isto é, independentemente de 
culpa ou dolo do agente. 
e) não cabe indenização porque naquele momento o agente representa 
o Estado. 
10. (FCC/Assessor Jurídico TJ PI/2010) No que diz respeito à 
responsabilidade civil da Administração é INCORRETO afirmar: 
a) A ação regressiva da Administração contra o agente causador direto 
do dano transmite-se aos herdeiros e sucessores do servidor culpado, 
podendo ser instaurada mesmo após a cessação do exercício no cargo 
ou na função. 
b) A teoria da irresponsabilidade do Estado, adotada na época dos 
Estados absolutos, repousava fundamentalmente na ideia de 
soberania, tendo os Estados Unidos e a Inglaterra abandonado tal 
teoria respectivamente em 1946 e 1947. 
c) Às sociedades de economia mista e empresas públicas não se 
aplicará a regra constitucional atinente à responsabilidade do Estado, 
mas sim a responsabilidade disciplinada pelo direito privado, quando 
não desempenharem serviço público. 
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d) Para que a Administração indenize prejuízos causados a 
particulares por atos predatórios de terceiros ou por fenômenos 
naturais, faz-se necessária a prova da culpa da Administração. 
e) No Brasil, a Constituição Federal de 1934 acolheu o princípio da 
responsabilidade solidária entre Estado e funcionário. Já a 
Constituição de 1946 adotou a teoria da responsabilidade subjetiva do 
Estado. 
11. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) Tendo ocorrido uma 
enchente causada por chuvas, com danos a moradores locais, foi 
comprovado que os serviços prestados pela Administração municipal 
foram ineficientes, alem do que os bueiros de escoamento das águas 
estavam entupidos e sujos, principalmente pelo depósito acumulado 
de terra e argila. Nesse caso, a Administração 
a) não será responsável porque o fato não ocorreu pela conduta de 
seus agentes. 
b) deverá indenizar os moradores por força da responsabilidade 
objetiva. 
c) responderá pelos danos causados face à responsabilidade subjetiva. 
d) não será responsável face à culpa exclusiva dos moradores por 
eventual depósito de lixo no local. 
e) responderá pelos danos causados por culpa objetiva concorrente. 
12. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) Em matéria de 
responsabilidade civil da Administração Pública, é correto afirmar: 
a) A responsabilidade civil prevista constitucionalmente, seja por ação 
ou por omissão, está fundada na Teoria do Risco Integral. 
b) Os atos jurisdicionais são absolutamente isentos de 
responsabilidade civil. 
c) A responsabilidade civil da Administração é do tipo subjetiva se o 
dano causado decorre só pelo fato ou por má execução da obra. 
d) Os atos legislativos, em regra, não acarretam responsabilidade 
extracontratual do Estado. 
e) A reparação do dano causado pela Administração ao particular deve 
ser sempre por meio judicial, vedada a forma amigável. 
13. (FCC/Agente Legislativo ALSP/2010) A regra da responsabilidade 
objetiva do Estado exige, segundo a previsão constitucional 
correspondente, que o dano seja causado por agente público que atue 
nessa qualidade, sendo considerados agentes públicos 
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a) os servidores públicos, os agentes políticos e os particulares que 
atuam em colaboração com o poder público. 
b) apenas aqueles que atuam investidos em cargos, funções, mandatos 
ou comissões, por nomeação, eleição, designação ou delegação. 
c) apenas aqueles que possuem vínculo estatutário com a 
Administração pública. 
d) apenas aqueles detentores de mandato eletivo. 
e) apenas aqueles com vínculo laboral com a Administração, celetista 
ou estatutário, e os detentores de mandato eletivo. 
14. (FCC/Analista Judiciário TRE AL/2010) A responsabilidade objetiva 
do Estado 
a) existe em qualquer hipótese de dano, inclusive decorrente de força 
maior e caso fortuito. 
b) implica reparação do dano mesmo que a lesão decorra de culpa 
exclusiva da vítima. 
c) resta caracterizada desde que presentes o fato administrativo, o 
dano e o nexo causal. 
d) somente se caracteriza se o agente público agiu com dolo ou culpa. 
e) não impede a ação regressiva contra o agente responsável pelo 
dano, qualquer que tenha sido a conduta deste. 
15. (FCC/Analista Judiciário TRE AM/2010) Sobre a reparação do dano 
decorrente da responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar quea) não pode ser feita no âmbito administrativo em razão do direito de 
regresso que o Estado tem contra o seu agente. 
b) o prazo de prescrição do direito de obter indenização dos danos 
causados por agentes de pessoas jurídicas de direito privado 
prestadoras de serviços públicos é de dez anos. 
c) prescreve em cinco anos o direito de obter indenização dos danos 
causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público. 
d) a Constituição Federal determina que seja formado litisconsórcio 
necessário entre o Estado e o seu agente causador do dano. 
e) a ação deve, necessariamente, ser proposta contra o Estado e o 
agente causador do dano, a fim de ser apurada a responsabilidade 
deste. 
16. (FCC/Analista Judiciário TRT 3ª Região/2009) A responsabilidade 
extracontratual do Estado 
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a) pode decorrer de atos ou comportamentos que, embora lícitos, 
causem a pessoas determinadas ônus maior que o imposto aos demais 
membros da coletividade. 
b) só incide quando o agente público pratica algum ato ilícito. 
c) pode decorrer de comportamentos comissivos e omissivos, desde 
que presente o elemento doloso na conduta do agente público. 
d) somente se verifica em face de comportamentos comissivos. 
e) somente é admitida excepcionalmente, tendo em vista o princípio 
da supremacia do interesse público sobre o privado. 
17. (FCC/Procurador PGE SP/2009) Em matéria de responsabilidade 
civil do Estado, 
a) o Estado não é objetivamente responsável pelos danos causados 
por ato de funcionário de fato, irregularmente investido no exercício 
de função pública. 
b) o Estado não pode ser responsabilizado, nem diretamente, nem em 
caráter subsidiário, pelos danos causados por entidade autárquica a 
ele vinculada. 
c) a culpa exclusiva da vítima é causa excludente da responsabilidade 
do Estado ou, na visão de parte da doutrina, é hipótese que impede a 
formação do nexo causal entre o dano e a conduta do agente público. 
d) a empresa indevidamente excluída de certame licitatório pode ser 
indenizada a título de lucros cessantes pelos valores que lhe seriam 
devidos se tivesse celebrado o contrato com a Administração. 
e) a responsabilidade objetiva do Estado pelo só fato da obra pública 
não elide o direito de regresso contra o empreiteiro. 
18. (FCC/Analista Judiciário TJ SE/2009) Nos casos de 
responsabilidade objetiva, o Estado só se exime de responder se 
a) o seu agente agiu com dolo, caso em que a responsabilidade é do 
agente. 
b) faltar o nexo entre o seu comportamento e o dano. 
c) o seu agente não agiu com culpa em sentido estrito. 
d) houver culpa concorrente do lesado. 
e) o dano foi de pequena monta. 
19. (FCC/Analista Judiciário TRE PI/2009) Sobre a reparação do dano 
no âmbito da responsabilidade civil do Estado, é correto afirmar que 
a) os agentes das entidades particulares prestadoras de serviço 
público não estão sujeitos à ação regressiva. 
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b) a ação regressiva, no caso de culpa do servidor público, transmite-
se aos herdeiros e sucessores. 
c) a reparação não abrange o dano moral. 
d) é cabível mesmo que o evento decorra de culpa exclusiva da vítima, 
por se tratar de responsabilidade objetiva. 
e) paga a indenização por morte, não cabe pensão alimentícia às 
pessoas a quem o falecido a devia. 
20. (FCC/Especialista em Políticas Públicas Gov. SP/2009) Em 
conformidade com a jurisprudência dominante, para a configuração da 
responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público e as 
de direito privado prestadoras de serviço público 
a) a apuração da culpa da vítima é impertinente, com base no risco 
administrativo. 
b) não é necessário que o ato praticado pelo agente público seja ilícito. 
c) o nexo de causalidade entre a ação do Poder Público e o dano 
verificado é dispensável. 
d) o agente público deve estar no efetivo exercício do cargo ao praticar 
o ato causador do dano. 
e) o prejudicado ser usuário do serviço público é condição necessária. 
21. (FCC/Técnico Judiciário TRE-AC/2010) O dever do Administrador 
Público de prestar contas 
a) aplica-se a todos os órgãos e entidades públicas, exceto aos 
Tribunais de Contas por serem os órgãos encarregados da tomada de 
contas dos administradores. 
b) aplica-se apenas aos agentes responsáveis por dinheiro público. 
c) não alcança os particulares, mesmo que estes recebam subvenções 
estatais. 
d) não se aplica aos convênios celebrados entre a União e os 
Municípios, por se tratar de acordo entre entidades estatais. 
e) é imposto a qualquer agente que seja responsável pela gestão e 
conservação de bens públicos. 
22. (FCC/Analista Judiciário TRE-RS/2010) Está correto afirmar que, o 
controle administrativo 
a) é exercido por meio de fiscalização hierárquica, apenas. 
b) dos atos do Poder Executivo é exercido pelo Poder Legislativo. 
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c) permite a anulação dos atos administrativos por conveniência e 
oportunidade. 
d) deriva do poder-dever de autotutela que a Administração tem sobre 
seus próprios atos e agentes. 
e) não pode ser exercido pelos Poderes Judiciário e Legislativo. 
 
23. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) No que se refere à 
forma de controle da Administração Pública, considere: 
I. O controle exercido pela Administração direta sobre as pessoas 
jurídicas integrantes da Administração indireta deriva do poder de 
tutela. 
II. O controle que visa verificar a oportunidade e conveniência 
administrativas do ato controlado, como regra, compete 
exclusivamente ao próprio Poder que, atuando na função de 
Administração Pública, editou o ato administrativo. 
Essas formas, conforme a amplitude e o aspecto controlado, 
denominam-se, respectivamente, 
a) de mérito e subsequente. 
b) de legalidade e finalístico. 
c) finalístico e de mérito. 
d) hierárquico e de legalidade. 
e) subsequente e preventivo. 
24. (FCC/Executivo Público – Casa Civil/2010) Em tema de controle da 
Administração Pública, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) Controle externo é o que se realiza por um Poder ou órgão 
constitucional independentefuncionalmente sobre a atividade 
administrativa de outro Poder estranho à administração responsável 
pelo ato controlado. 
b) Nem mesmo os atos discricionários refogem do controle judicial, 
porque quanto à competência, constituem matéria de legalidade, tão 
sujeita ao confronto da Justiça como qualquer outro elemento 
vinculado. 
c) Controle interno é todo aquele realizado pela entidade ou órgão 
responsável pela atividade controlada, no âmbito da própria 
Administração. 
d) No âmbito do controle legislativo, encaminhada a proposta de 
rejeição de contas da administração pelo Tribunal de Contas é 
desnecessário novo contraditório e eventual defesa antes do parecer 
legislativo para a rejeição. 
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e) O controle no âmbito da administração direta decorre da 
subordinação hierárquica, e, no campo da administração indireta, 
resulta da vinculação administrativa, nos termos da lei instituidora das 
entidades que a compõem. 
25. (FCC/Analista Judiciário TRT 3ª Região/2009) A participação 
popular no controle da legalidade e moralidade da atividade 
administrativa pode ser exercida 
a) mediante denúncia perante a Assembléia Legislativa ou ao Tribunal 
de Contas, por qualquer pessoa que venha a tomar conhecimento de 
irregularidades ou ilegalidades praticadas em detrimento da 
Administração, sob pena de tornar-se solidariamente responsável. 
b) mediante representação perante a própria Administração ou ao 
órgão do Ministério Público que tiver competência para apurar a 
prática da irregularidade ou ilegalidade apontada; mediante denúncia 
perante a Assembléia Legislativa ou Tribunal de Contas e mediante 
propositura de Ação Popular. 
c) somente pela via judicial, através da Ação Popular. 
d) mediante denúncia ao Ministério Público, à Assembléia Legislativa 
ou ao Tribunal de Contas, bem como mediante propositura de Ação 
Popular, somente sendo assegurado o direito de representar à 
autoridade administrativa aqueles cujos direitos subjetivos tenham 
sido atingidos pelo ato impugnado. 
e) perante a própria Administração ou pela via judicial, mas apenas 
nas situações de lesão ou ameaça de lesão a direito individual. 
26. (FCC/Analista Judiciário TRT 3ª Região/2009) A decisão do 
Tribunal de Contas que julga as contas dos administradores e demais 
responsáveis pelos dinheiros, bens e valores da administração direta e 
indireta, nos termos da competência estabelecida pelo inciso II, do 
artigo 71, da Constituição Federal, 
a) possui eficácia de título executivo, exceto em relação à parcela 
correspondente a eventual imposição de multa. 
b) não possui natureza jurisdicional, somente podendo ser executada 
após processo judicial em que se assegure ampla defesa aos 
administradores ou responsáveis. 
c) constitui atividade jurisdicional atípica, exercida por órgão auxiliar 
do Poder Legislativo, não sendo passível de revisão pelo Poder 
Judiciário. 
d) vincula a autoridade administrativa ao seu cumprimento, somente 
sendo passível de revisão ou rescisão, na esfera administrativa, pelo 
próprio Tribunal de Contas. 
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e) na hipótese de julgar as contas irregulares, somente produz efeito 
após confirmada em processo administrativo disciplinar instaurado no 
âmbito do órgão próprio da Administração, em que seja assegurada 
ampla defesa ao administrador ou responsável. 
27. (FCC/Analista Judiciário TRT 23ª Região/2011) Sobre o controle e 
responsabilização da Administração Pública, é INCORRETO afirmar: 
a) Ao Poder Judiciário é vedado apreciar o mérito administrativo e, ao 
exercer o controle judicial, está restrito ao controle da legitimidade e 
legalidade do ato impugnado. 
b) Controle Administrativo é o poder de fiscalização e correção que a 
Administração Pública exerce sobre sua própria atuação, sob os 
aspectos de legalidade e mérito, por iniciativa própria ou mediante 
provocação. 
c) O Controle que o Poder Legislativo exerce sobre a Administração 
Pública tem que se limitar às hipóteses previstas na Constituição 
Federal, sob pena de afronta ao princípio de separação de poderes. 
d) No Controle Judicial, o Poder Judiciário exerce o poder fiscalizador 
sobre a atividade administrativa do Estado, alcançando, além dos atos 
administrativos do Executivo, atos do Legislativo e do próprio 
Judiciário quando realiza atividade administrativa. 
e) O Controle Legislativo alcança os órgãos do Poder Executivo, as 
entidades da Administração Indireta, mas jamais o Poder Judiciário, 
mesmo quando este último executa função administrativa. 
28. (FCC/Analista Judiciário TRF 1ª Região/2011) Nos termos da 
Constituição Federal, a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, 
operacional e patrimonial da União e das entidades da administração 
direta e indireta, será exercida pelo 
a) Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, mediante auxílio do 
Tribunal de Contas da União, e pela Controladoria Geral da União. 
b) Senado Federal e pela Câmara dos Deputados, mediante auxílio do 
Tribunal de Contas da União, e pela Secretaria Federal de Controle 
Interno. 
c) Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de 
controle interno de cada Poder. 
d) Congresso Nacional, mediante auxílio do Tribunal de Contas da 
União, e pela Controladoria Geral da União. 
e) Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio do Tribunal de 
Contas da União, pelo sistema de controle interno e pelo Ministério 
Público. 
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29. (FCC/Analista Judiciário TRT 8ª Região/2011) O controle 
legislativo dos atos do Poder Executivo, em matéria contábil, 
financeira e orçamentária, é exercido pelo Poder Legislativo 
a) por meio de seus auditores. 
b) com autorização do Poder Judiciário. 
c) com auxílio do Tribunal de Contas. 
d) com auxílio do Ministério Público. 
e) por meio de comissões parlamentares de inquérito. 
30. (FCC/Analista Judiciário TRT 22ª Região/2011) No que concerne 
ao controle judicial dos atos da Administração Pública: 
a) O Poder Judiciário pode examinar os atos administrativos, inclusive 
os discricionários, mas sempre sob o aspecto da legalidade, não 
podendo analisar o aspecto da moralidade e tampouco o mérito 
administrativo. 
b) Não é possível a revisão dos motivos do ato administrativo pelo 
Poder Judiciário, ainda que definidos em lei como vinculadores do ato, 
isto porque os motivosdeterminantes correspondem ao mérito 
administrativo. 
c) Contra ato administrativo que contrarie súmula vinculante do 
Supremo Tribunal Federal, caberá reclamação ao Supremo Tribunal 
Federal, o qual, julgando- a procedente, anulará o ato administrativo e 
determinará que outro seja praticado. 
d) Os atos normativos do Poder Executivo, como regulamentos, 
resoluções, portarias não podem ser invalidados pelo Judiciário, a não 
ser por via de ação direta de inconstitucionalidade e através da ação 
direta de constitucionalidade. 
e) Equiparam-se às autoridades coatoras, para efeitos da Lei do 
Mandado de Segurança, pessoas naturais no exercício de atribuições 
do Poder Público, nesta hipótese, a ação mandamental será cabível 
ainda que o ato impugnado não seja proveniente das referidas 
atribuições. 
31. (FCC/Analista Judiciário TRT 9ª Região/2011) No que diz respeito 
ao controle da Administração, é CORRETO afirmar: 
a) Controle administrativo é o poder de fiscalização e correção que a 
Administração Pública exerce sobre sua própria atuação, assim 
ocorrendo apenas mediante provocação do administrado. 
b) O controle legislativo é exercido, no âmbito estadual, pela 
Assembléia Legislativa, vedada a instituição de Comissão Parlamentar 
de Inquérito. 
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c) O mandado de injunção tem recebido nova interpretação 
constitucional, não se limitando à declaração da existência da mora 
legislativa para a edição da norma regulamentadora, admitindo-se ao 
Judiciário assegurar, concretamente, o exercício do direito 
individualizado pela falta da norma. 
d) A Constituição atribuiu à CPI poderes de investigação, como 
convocar e obrigar testemunhas a comparecerem para depor e ordenar 
a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, esta última (quebra do 
sigilo telefônico) sujeita à prévia autorização judicial. 
e) É cabível mandado de segurança contra atos de gestão comercial 
praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedades 
de economia mista e de concessionárias de serviço público. 
32. (FCC/Analista Judiciário TRF 4ª Região/2010) No que diz respeito 
ao controle da Administração, analise: 
I. O controle administrativo é um controle de legalidade e de mérito 
derivado do poder-dever de autotutela da Administração. 
II. O controle legislativo configura-se, sobretudo, como um controle 
político, podendo ser controlados aspectos relativos à legalidade e à 
conveniência pública dos atos do Poder Executivo. 
III. O controle judicial, regra geral, é exercido a priori e de ofício, 
concernente à legalidade e à conveniência dos atos administrativos, 
produzindo efeitos ex nunc. 
IV. Dentre outros, são instrumentos de controle judicial a ação 
popular, a representação, o mandado de segurança e os processos 
administrativos em geral. 
Nesses casos, é correto o que consta APENAS em 
a) I, II e IV. 
b) II e III. 
c) I e II. 
d) II, III e IV. 
e) I, III e IV. 
33. (FCC/Auditor TCE Rondônia/2010) De acordo com as disposições 
da Constituição Federal, o controle exercido pelo Tribunal de Contas 
compreende, dentre outras hipóteses, 
a) sustar, caso não atendido, a execução do ato impugnado, 
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. 
b) analisar e aprovar as concessões de aposentadoria, reformas e 
pensões dos servidores da Administração Direta e Indireta. 
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c) fiscalizar e providenciar a liberação de recursos repassados pela 
União aos Estados e destes para os Municípios. 
d) julgar as contas do Presidente da República e os atos de admissão 
de pessoal da Administração Direta e Indireta. 
e) aplicar diretamente aos responsáveis as sanções previstas em lei, 
excluída a imposição de multa, que depende de aprovação do Senado 
Federal. 
GABARITO 
01.E 02.B 03.B 04.A 05.E 06.B 07.E 08.A 
09.D 10.E 11.C 12.D 13.A 14.C 15.C 16.A 
17.C 18.B 19.B 20.B 21.E 22.D 23.C 24.D 
25.B 26.D 27.E 28.C 29.C 30.C 31.C 32.C 
33.A

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