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Apostila CPV NI 2007 02 L ngua[1]

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

A primeira questão que pode ser discutida no momento em que se lê uma fábula é a seguinte: como sabemos que, apesar de a história tratar de bichos, se refere, na verdade, a gente e não a animais?
Uma das possíveis respostas seria que nos ensinaram, na escola, que as fábulas contam histórias dos seres humanos representados por animais. Contudo, há de se perguntar: como é que os estudiosos chegaram a essa conclusão?

O autor do texto brinca com a linguagem, usando uma música muito conhecida por todos os brasileiros e inserindo, nela, marcas de produtos também bastante conhecidos por nós.
A que música o texto faz referência?

Por que foi possível produzir um efeito cômico nesse texto?
E se nós não conhecêssemos o texto original a que se faz referência? Explique.

As palavras “novas” empregadas pelo criativo autor só puderam ser utilizadas devido a semelhanças profundas entre elas e o texto original, que se dão nos níveis fonético e morfológico.
Aponte, pelo menos, uma semelhança e dê exemplos.

O verso “Silenciosamente”, na segunda estrofe, produz algum efeito sonoro e rítmico que mereça destaque?
Releia a estrofe em voz alta e comente.

Infelizmente, devo dizer que sim. Não se trata de discriminação ou marginalização pelo fato de ser brasileiro, porém. Trata-se de uma dificuldade (talvez natural) que tem um “imigrante” em penetrar na “elite” da sociedade local, que controla as posições de poder.
A alternativa cujo elemento sublinhado desempenha essa mesma função é:
(A) “Já se sentiu vítima de algum tipo de marginalização (...)?”
(B) “que pertencem ao mesmo partido político etc. e que se apóiam mutuamente.”
(C) “Mas, verdade seja dita, trata-se de uma hostilidade.”
(D) “e continua apoiando as reformas que instituí em minha gestão.”

O que significa estar “dormindo profundamente”. Na terceira estrofe do poema? E na última estrofe?

No fim de um ano de trabalho, João obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. João era moço. Aquele era seu primeiro emprego.
O advérbio acima destacado é um marcador de pressuposição: sua presença indica, para o leitor, a existência de um conteúdo implícito. Aponte-o.

A palavra destacada foi utilizada com o valor morfológico de adjetivo ou de advérbio?
Respirou descompensado...

O que sei somente é que você é um ente que mente inconscientemente, mas finalmente, não sei porque eu gosto imensamente de você.
Aponte o efeito expressivo relacionado com o tempo e com a rima, que o emprego de advérbios como somente, inconscientemente, etc., produz na letra de Noel Rosa.

Agora responda:
Quem são “os filhos” a que o narrador se refere?

De acordo com o narrador, não se pode falar em felicidade completa no lugar em que os bichos convivem.
Que palavra justifica essa afirmativa?

O sentimento mais forte presente no texto.
Qual o sentimento mais forte presente no texto?

Pode-se afirmar que a casa materna é sinônimo de amor e segurança?
Por que?

A VARIAÇÃO NA ORDEM DOS ADJETIVOS: A ordem dos adjetivos está ligada a diversos fatores/critérios que devem ser levados em consideração. Entre estes, destacamos um parâmetro na ordem dos adjetivos.
Qual o significado dos adjetivos destacados nas frases a seguir?
a. O príncipe era um grande homem.
b. O príncipe era um homem grande.
c. O porteiro não era um homem pobre.
d. O porteiro não era um pobre homem.
e. Entregou o documento ao funcionário competente.
f. Entregou o documento ao competente funcionário.
g. O mendigo tomou um longo gole de bebida.
h. O mendigo tomou um gole longo de bebida.
i. Maria era uma boa professora.
j. Maria era uma professora boa.

Na frase: “Se você tem se decepcionado com amigos cachorros, arrume um cachorro amigo.”, comente o efeito de sentido criado no texto pela inversão da ordem das palavras marcadas.

Numa placa, está escrita a seguinte mensagem: “SEJA PACIENTE NO TRÂNSITO PARA NÃO SER PACIENTE NO HOSPITAL.” Discorra sobre a alteração de sentido entre as palavras sublinhadas nas duas frases.

(A. D. CARNEIRO) Classifique os adjetivos dos segmentos, numerando os parênteses segundo o esquema: (1) qualificação (2) característica (3) informação (4) restrição.
( ) O bom leitor faz o livro bom.
( ) A grande tragédia do mundo é que não cultiva a memória.
( ) Teus olhos verdes sempre me encantaram a vida.
( ) Convém repetir as palavras úteis.
( ) O melhor profeta do futuro é o passado.
( ) O homem é o único animal que ri.
( ) O homem é o único animal que tem vergonha do próprio cheiro.
( ) Uma pintura é um poema sem palavras.
( ) A imprensa é a opinião pública.
( ) O jornalismo é uma profissão fácil: só diz o que dizem os outros.

Observando uma descrição do autor Aluízio de Azevedo, grife a ideia núcleo e justifique, de maneira resumida, a presença dos adjetivos nela.
“Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor. Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam; as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes; as paredes tinham reverberações de prata polida; as folhas das árvores nem se mexiam; as carroças d’água passavam ruidosas.”

Que efeito de sentido os verbos provocam nos textos?

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Questões resolvidas

A primeira questão que pode ser discutida no momento em que se lê uma fábula é a seguinte: como sabemos que, apesar de a história tratar de bichos, se refere, na verdade, a gente e não a animais?
Uma das possíveis respostas seria que nos ensinaram, na escola, que as fábulas contam histórias dos seres humanos representados por animais. Contudo, há de se perguntar: como é que os estudiosos chegaram a essa conclusão?

O autor do texto brinca com a linguagem, usando uma música muito conhecida por todos os brasileiros e inserindo, nela, marcas de produtos também bastante conhecidos por nós.
A que música o texto faz referência?

Por que foi possível produzir um efeito cômico nesse texto?
E se nós não conhecêssemos o texto original a que se faz referência? Explique.

As palavras “novas” empregadas pelo criativo autor só puderam ser utilizadas devido a semelhanças profundas entre elas e o texto original, que se dão nos níveis fonético e morfológico.
Aponte, pelo menos, uma semelhança e dê exemplos.

O verso “Silenciosamente”, na segunda estrofe, produz algum efeito sonoro e rítmico que mereça destaque?
Releia a estrofe em voz alta e comente.

Infelizmente, devo dizer que sim. Não se trata de discriminação ou marginalização pelo fato de ser brasileiro, porém. Trata-se de uma dificuldade (talvez natural) que tem um “imigrante” em penetrar na “elite” da sociedade local, que controla as posições de poder.
A alternativa cujo elemento sublinhado desempenha essa mesma função é:
(A) “Já se sentiu vítima de algum tipo de marginalização (...)?”
(B) “que pertencem ao mesmo partido político etc. e que se apóiam mutuamente.”
(C) “Mas, verdade seja dita, trata-se de uma hostilidade.”
(D) “e continua apoiando as reformas que instituí em minha gestão.”

O que significa estar “dormindo profundamente”. Na terceira estrofe do poema? E na última estrofe?

No fim de um ano de trabalho, João obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. João era moço. Aquele era seu primeiro emprego.
O advérbio acima destacado é um marcador de pressuposição: sua presença indica, para o leitor, a existência de um conteúdo implícito. Aponte-o.

A palavra destacada foi utilizada com o valor morfológico de adjetivo ou de advérbio?
Respirou descompensado...

O que sei somente é que você é um ente que mente inconscientemente, mas finalmente, não sei porque eu gosto imensamente de você.
Aponte o efeito expressivo relacionado com o tempo e com a rima, que o emprego de advérbios como somente, inconscientemente, etc., produz na letra de Noel Rosa.

Agora responda:
Quem são “os filhos” a que o narrador se refere?

De acordo com o narrador, não se pode falar em felicidade completa no lugar em que os bichos convivem.
Que palavra justifica essa afirmativa?

O sentimento mais forte presente no texto.
Qual o sentimento mais forte presente no texto?

Pode-se afirmar que a casa materna é sinônimo de amor e segurança?
Por que?

A VARIAÇÃO NA ORDEM DOS ADJETIVOS: A ordem dos adjetivos está ligada a diversos fatores/critérios que devem ser levados em consideração. Entre estes, destacamos um parâmetro na ordem dos adjetivos.
Qual o significado dos adjetivos destacados nas frases a seguir?
a. O príncipe era um grande homem.
b. O príncipe era um homem grande.
c. O porteiro não era um homem pobre.
d. O porteiro não era um pobre homem.
e. Entregou o documento ao funcionário competente.
f. Entregou o documento ao competente funcionário.
g. O mendigo tomou um longo gole de bebida.
h. O mendigo tomou um gole longo de bebida.
i. Maria era uma boa professora.
j. Maria era uma professora boa.

Na frase: “Se você tem se decepcionado com amigos cachorros, arrume um cachorro amigo.”, comente o efeito de sentido criado no texto pela inversão da ordem das palavras marcadas.

Numa placa, está escrita a seguinte mensagem: “SEJA PACIENTE NO TRÂNSITO PARA NÃO SER PACIENTE NO HOSPITAL.” Discorra sobre a alteração de sentido entre as palavras sublinhadas nas duas frases.

(A. D. CARNEIRO) Classifique os adjetivos dos segmentos, numerando os parênteses segundo o esquema: (1) qualificação (2) característica (3) informação (4) restrição.
( ) O bom leitor faz o livro bom.
( ) A grande tragédia do mundo é que não cultiva a memória.
( ) Teus olhos verdes sempre me encantaram a vida.
( ) Convém repetir as palavras úteis.
( ) O melhor profeta do futuro é o passado.
( ) O homem é o único animal que ri.
( ) O homem é o único animal que tem vergonha do próprio cheiro.
( ) Uma pintura é um poema sem palavras.
( ) A imprensa é a opinião pública.
( ) O jornalismo é uma profissão fácil: só diz o que dizem os outros.

Observando uma descrição do autor Aluízio de Azevedo, grife a ideia núcleo e justifique, de maneira resumida, a presença dos adjetivos nela.
“Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor. Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam; as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes; as paredes tinham reverberações de prata polida; as folhas das árvores nem se mexiam; as carroças d’água passavam ruidosas.”

Que efeito de sentido os verbos provocam nos textos?

Prévia do material em texto

2007 - Caderno 2 1
LÍNGUA PORTUGUESA
ORGANIZADORES
Adriana Aloiza (drikatj@bol.com.br)
 Margareth Morais (magamorais@hotmail.com)
 Márcia Morais (marcialatim@hotmail.com)
 Natália Rocha (natalia_roliveira@yahoo.com.br)
 Sinézio Gomes (sineziogomesdasilva@yahoo.com.br)
ORIENTADORES
 Filomena Varejão
Professora Adjunta de Língua Portuguesa da
 Faculdade de Letras – UFRJ (fi lomenavarejao@uol.com.br)
Sumário
• Paródia e Ironia
• Morfologia: verbo, adjetivo e advérbio.
• Para gostar de ler: “Uma vela para Dario”, Dalton Trevisan.
As várias possibilidades de
leitura de um texto
Leiamos o texto abaixo, uma das fábulas de La Fontaine:
Vamos mostrar que a razão do mais forte é sempre melhor.
Um cordeiro matava a sede numa corrente da água pura, quando 
chega um lobo cuja fome o levava a buscar caça.
– Que atrevimento é esse de sujar a água que estou bebendo? – diz 
enfurecido o lobo. – Você será castigado por essa temeridade.
– Senhor _ responde o cordeiro –, que Vossa Majestade não se 
encolerize e leve em conta que estou bebendo vinte passos mais abaixo 
que o Senhor. Não posso, pois, sujar a água que está bebendo.
_ Você a suja – diz o cruel animal. – Sei que você falou mal de 
mim no ano passado.
_ Como eu poderia tê-lo feito, se não havia sequer nascido? – res-
ponde o cordeiro. – Eu ainda mamo.
– Se não foi você, foi sei irmão.
Eu não tenho irmãos.
– Então, foi alguém dos seus, porque todos vocês, inclusive pas-
tores e cães, não me poupam. Disseram-me isso e, portanto, preciso 
vingar-me.
Sem fazer nenhuma outra forma de julgamento, o lobo pegou o 
cordeiro, estraçalhou-o e devorou-o.
(LA FONTAINE. Fables. Tours: Alfred Mame et Fils, 
1918. v. 1, p. 10. In: FIORIN, 1997:125.)
 A primeira questão que pode ser discutida no momento em que 
se lê uma fábula é a seguinte: como sabemos que, apesar de a história 
tratar de bichos, se refere, na verdade, a gente e não a animais? Uma das 
possíveis respostas seria que nos ensinaram, na escola, que as fábulas 
contam histórias dos seres humanos representados por animais. Con-
tudo, há de se perguntar: como é que os estudiosos chegaram a essa 
conclusão? Certamente, há, nos textos, uma reiteração de traços semân-
ticos, isto é, de elementos que compõem o signifi cado das palavras, que 
obriga a ler o texto de uma dada maneira.
 Podemos perceber, por exemplo, nesta fábula, que são atribuídos aos 
animais – o lobo e o cordeiro – procedimentos próprios dos seres humanos 
(dizer, castigar, responder, encolerizar-se, falar mal, não poupar, vingar-se), 
qualidades e estados exclusivos dos homens (enfurecido, temeridade, ter 
irmãos), formas de tratamento utilizadas nas relações sociais estabeleci-
das entre humanos (Senhor, Vossa Majestade, você). Essa repetição, essa 
recorrência, essa reiteração do traço semântico humano desencadeia um 
novo plano de leitura. Como afi rmam Platão e Fiorin, o primeiro plano de 
leitura é a história de animais, porém, à medida que elementos com traço 
humano se repetem, não se pode mais ler a fábula como uma história de 
bichos. Esses traços são responsáveis por desencadear outro plano de lei-
tura: o de uma história de homens. Nesse novo plano, portanto, o lobo é o 
homem forte que oprime o mais fraco, representado pelo cordeiro.
 Isso nos mostra que a recorrência de traços semânticos é que es-
tabelece que leituras devem ou podem ser feitas de um texto. Ou seja, 
uma leitura não pode ter origem no desejo do leitor de interpretar o texto 
de uma dada maneira, mas no que está realmente inscrito no texto como 
possibilidade. O texto pode até parecer um aglomerado sem sentido de 
frases a que o leitor atribui o signifi cado que bem entender. Entretanto, 
há leituras que não estão de acordo com o texto e, por isso, não podem 
ser feitas. É bom lembrar que um texto não pode admitir todas as inter-
pretações, embora possa aceitar muitas delas. As leituras que não estão 
de acordo com os traços de signifi cados repetidos, recorrentes ao longo 
do texto não devem ser admitidas. Os textos que possibilitarem mais de 
uma leitura apresentarão fi guras com mais de uma interpretação, confor-
me o plano de leitura em que forem analisadas. Vejamos um exemplo.
 A professora passou a lição de casa: fazer uma redação com o tema 
“Mãe só tem uma”. No dia seguinte, cada aluno leu sua redação. To-
dos dizendo mais ou menos as mesmas coisas: a mãe nos amamenta, 
é carinhosa conosco, é a rosa mais linda do nosso jardim etc. etc. etc. 
Portanto, mãe só tem uma.
Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu2
 Aí chegou a vez de Juquinha ler sua redação:
 “Domingo foi visita lá em casa. As visitas fi caram na sala. Elas 
fi caram com sede e minha mãe pediu para mim ir buscar coca-cola na 
cozinha. Eu abri a geladeira e só tinha uma coca-cola. Aí eu gritei para 
minha mãe: «Mãe, só tem uma!»”.
(Apud ABAURRE, Maria Bernadet Marques et POSSENTI, Sírio. Vestibular Unicamp; 
língua portuguesa. São Paulo: Globo, 1993. p. 91. In: FIORIN, 1997: p. 125-129.)
 Um texto pode ter várias leituras, bem como pode jogar com lei-
turas distintas para criar efeitos humorísticos. É o que acontece neste 
texto da Unicamp. Ele contém marcas de possibilidade de mais de um 
plano de signifi cação. Essas marcas estão, justamente, na frase “Mãe só 
tem uma”, possibilitadora de um novo plano de signifi cado no contexto 
vivido por Juquinha – o menino emprega o tema proposto pela profes-
sora em uma situação totalmente inesperada. Esse disparate acaba por 
produzir um efeito cômico, mostrando as múltiplas facetas da semântica. 
Todavia, é preciso lembrar que não podemos conferir ao texto o signifi -
cado que bem queremos. O leitor cauteloso abandona interpretações que 
não estejam apoiadas no texto e em suas recorrências.
(Texto adaptado de FIORIN, 1997: 125-129.)
Vejamos agora um recurso lingüístico muito interessante,
 a paródia.
PARÓDIA. é imitação cômica ou sarcástica de certo texto, isto 
é, uma reescrita distorcida, que tem como objetivo desviar-se da 
leitura original – não totalmente, mas o sufi ciente para transgredi-
la, produzindo, com isso, efeitos diversos, entre eles, o humor. O 
que proporciona uma interessante intertextualidade entre os dois 
textos, visto que dialogam entre si. É o que acontece com a música 
a seguir. Bem, vamos, então, aproveitar o maior evento do plane-
ta: imagine-se, agora, como um publicitário que precisa criar uma 
propaganda sobre uma bola de futebol. Para isto, faça uma paródia. 
Você pode criar cenas, textos, músicas e etc; de acordo com sua 
criatividade.
Exercícios propostos
1. 
“Num posto da IPIRANGA, às margens plácidas,
De um VOLVO heróico BRAHMA retumbante
SKOL da liberdade em RIDER fúlgido
Brilhou no SHELL da Pátria nesse instante.
Se o KNORR dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço FORD
Em teu SEIKO, ó liberdade
Desafi o nosso peito à MICROSOFT
O PARMALAT, MASTER CARD, Salve a SHARP
AMIL um sonho intenso, um rádio PHILIPS
De amor e LUFTANSA a TERRA desce
INTEL formoso céu risonho OLYMPICUS
A imagem do BRADESCO resplandece
GILLETTE pela própria natureza
És belo FORD impávido colosso
E o teu futuro espelha essa GRENDENE
CERPA gelada
Entre outras mil é SUVENIL, COMPAQ amada.
Do PHILCO deste Solo és mãe DORIL,
COCA-COLA, BOM BRIL.
 (Autor Desconhecido)
a. O autor do texto brinca com a linguagem, usando uma música muito 
conhecida por todos os brasileiros e inserindo, nela, marcas de pro-
dutos também bastante conhecidos por nós. A que música o texto faz 
referência?
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b. Por que foi possível produzir um efeito cômico nesse texto? E se nós 
não conhecêssemos o texto original a que se faz referência? Explique.
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c. As palavras “novas” empregadas pelo criativo autor só puderam ser 
utilizadas devido a semelhanças profundas entre elas e o texto original, 
que se dão nos níveis fonético e morfológico. Aponte, pelo menos, uma 
semelhança e dê exemplos.
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d. Procure uma música bem conhecida e tente fazer a mesma brincadei-
ra, de modo que se extraia, dela, efeito cômico.
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2. As palavras abaixo mostram que há um jogo de signifi cações, criado, 
também, pela coincidência fonética dessas palavras em relação a expres-
sões e frases, as quais nada têm a ver com o signifi cado denotativo dos 
vocábulos apresentados pelo autor. Isso provoca um efeito inesperado e 
cômico. Vejamos:
1. Abreviatura – ato de abrir um carro da polícia.
2. Açucareiro – revendedor de açúcar que vende acima da tabela.
3. Alopatia – dar um telefonema para tia.
4. Amador – o mesmo que masoquista.
5. Armarinho – vento proveniente do mar.
6. Aspirado – carta de baralho completamente maluca.
7. Assaltante – um “A” que assalta.
8. Barbicha – boteco para gays.
9. Barganhar – ganhar um botequim como herança.
10. Barracão – proíbe a entrada de caninos.
 2007 - Caderno 2 3
11. Bimestre – mestre em duas artes marciais.
12. Biscoito – fazer sexo duas vezes.
13. Ministério – aparelho de som de dimensões muito reduzidas.
14. Novamente – diz-se de indivíduos que renovam sua maneira de 
pensar.
15. Pornográfi co – o mesmo que colocar no desenho.
16. Ratifi car – transformar em rato.
17. Sexólogo – sexo apressado.
18. Simpatia – concordância com a irmã da mãe.
19. Talento – anda devagar.
20. Típica – o que o mosquito faz.
21. Unção – erro de concordância verbal. O certo seria “UM É”.
22. Violentamente – viu com lentidão.
23. Volátil – sobrinho avisando ao tio aonde vai.
24. Caçador – indivíduo que procura sentir dor.
25. Catálogo – ato de apanhar as coisas rapidamente.
26. Cerveja – é o sonho de toda revista.
27. Democracia – sistema de governo do inferno.
28. Destilado – aquilo que está deste lado de cá.
29. Desviado – uma dezena de homossexuais.
30. Diabetes – as dançarinas do Diabo.
31. Halogênio – forma de cumprimentar as pessoas muito inteligentes.
Tente, com base no que foi falado, mostrar outra explicação para o jogo 
de sentidos criado pelo autor.
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3. (UNICAMP. In: FIORIN, 1997: 135) A questão que se segue, extra-
ída do vestibular da Unicamp, explora a dupla possibilidade de leitura 
como recurso humorístico. 
 Para entender a tira do Hagar reproduzida na prova da UNICAMP, 
é necessário dar-se conta de que a pergunta de Helga pode ter duas 
interpretações.
 (Helga, com um bule na mão, fala para Hagar)
 – CAFÉ?
 (Hagar, destampando o bule, responde) 
 – SIM... ACHO QUE É!!
a. No contexto, como deve ser interpretada a fala de Helga?
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b. Como Hagar interpretou a fala de Helga?
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c. Explique por que o comportamento lingüístico da Hagar não corres-
ponde ao de um falante comum.
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4. Muitas vezes, a dupla possibilidade de leitura de um texto não é o 
resultado de um programa ou de estratégia intencional do autor, mas 
de um descuido, um cochilo que, se fosse percebido, seria corrigido. 
Nesses casos, diferentemente dos anteriores, não se trata de um recurso 
de construção textual, mas de defeito a ser evitado pelo seu caráter per-
turbador. Observe o texto que segue, publicado na Folha Sudeste, de 6 
de junho de 1992, e utilizado num vestibular da Unicamp.
 “As videolocadoras de São Carlos estão escondendo suas fi tas de 
sexo explícito. A decisão atende a uma portaria de dezembro de 91, do 
Juizado de Menores, que proíbe que as casas de vídeo aluguem, expo-
nham e vendam fi tas pornográfi cas a menores de 18 anos. A portaria 
proíbe ainda os menores de 18 anos de irem a motéis e rodeios sem a 
companhia ou autorização dos pais.”
(Folha Sudeste, 6 de junho, 1992.)
a. Transcreva a passagem que produz efeito de humor.
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b. Qual a situação engraçada que essa passagem permite imaginar?
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c. Reescreva o trecho de forma a impedir tal interpretação.
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Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu4
Gramática do texto: 
O estudo dos Advérbios
 A palavra advérbio apresenta, assim como a palavra adjetivo, o 
prefi xo ad-, que indica noções como “proximidade”, “contigüidade”. É, 
assim, o nome de outra classe de palavras que se caracteriza principal-
mente pelas relações que estabelece nas orações: o advérbio é, basi-
camente, a palavra capaz de caracterizar o processo verbal, indicando 
circunstâncias em que esse processo se desenvolve. É o caso, por exem-
plo, da palavra profundamente, que, no poema de Manuel Bandeira, que 
veremos abaixo, caracteriza o processo verbal expresso por dormir.
 A função básica dos advérbios é, portanto, relacionar-se com os 
verbos da língua, caracterizando os processos expressos por esses ver-
bos. Essa caracterização pode ter fi nalidades descritivas, procurando 
representar objetivamente os dados da realidade: dizer, por exemplo, que 
todos estavam “dormindo profundamente”, na primeira estrofe do poe-
ma, é descrever a maneira intensa como todos dormiam.
 A caracterização adverbial pode, no entanto, traduzir a subjetivi-
dade de quem observa o processo verbal: o advérbio deixa de ter papel 
descritivo e passa a traduzir sentimentos e julgamentos de valor de quem 
escreve ou fala. O “profundamente” da estrofe inicial do poema é um 
bom exemplo dessa outra faceta dos advérbios: em vez de descrever, e 
se advérbio transmite uma forte carga emocional. Note que as emoções 
do sujeito lírico combinam saudade e isolamento com uma forte sensa-
ção de irremediabilidade. Tudo isso de maneira sóbria, contida, simples, 
sincera.
Advérbio é a palavra que caracteriza o processo verbal, exprimindo 
circunstâncias em que esse processo se desenvolve. Observe:
“Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo. (circunstâncias de 
tempo, negação e tempo, respectivamente)
Os balões passavam silenciosamente. (circunstância de modo)
Alguns advérbios podem intensifi car ou caracterizar as noções 
transmitidas por adjetivos ou por outros advérbios. Isso ocorre 
principalmente com os advérbios que exprimem intensidade e 
modo:
“Essa é a atitude menos correta para alguém que pretende ser po-
liticamente correto”. 
“Você agiu bastante mal”.
Em alguns casos, os advérbios podem se referir a uma oração 
inteira; nessa situação, normalmente transmitem a avaliação de 
quem fala ou escreve sobre o conteúdo da oração:
“Infelizmente, os deputados não aprovarão as emendas”.
“As providências tomadas foram infrutíferas, lamentavelmente”.
5. PROFUNDAMENTE
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
 *
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fi m da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
(BANDEIRA, Manuel. Antologia Poética. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 81.)
a. A primeira estrofe nos fala de “alegria e rumor”. Aponte os elementos 
da organização sonora e da pontuação dessa estrofe capazes de sugerir 
essas noções e comente-os.
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b. O verso “Silenciosamente”, na segunda estrofe, produz algum efeito 
sonoro e rítmico que mereça destaque? Releia a estrofe em voz alta e 
comente.
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c. O que signifi ca estar “dormindo profundamente”. Na terceira estrofe 
do poema? E na última estrofe?
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 2007 - Caderno 2 5
6. (UERJ)
TEXTO I
 Infelizmente, devo dizer que sim. Não se trata de discriminação 
ou marginalização pelo fato de ser brasileiro, porém. Trata-se de uma 
difi culdade (talvez natural) que tem um “imigrante” em penetrar na “eli-
te” da sociedade local, que controla as posições de poder. Essa elite é 
constituída por pessoas que estudaram juntas na escola, que fi zeram o 
serviço militar juntas, que pertencem ao mesmo partido político etc. e 
que se apóiam mutuamente. Tive a oportunidade de sentir esse tipo de 
hostilidade quando fui eleito diretor da Faculdade de Ciências Humanas. 
Cheguei mesmo a ouvir expressões como “a máfi a latino-americana em 
nossa faculdade”, quando somos nada mais que dois professores titula-
res de precedência latino-americana. Mas, verdade seja dita, trata-se de 
uma hostilidade proveniente dos que estavam habituados ao poder e não 
se conformavam em perdê-lo.
 A maioria não só me elegeu, mas também me apoiou e continua 
apoiando as reformas que instituí em minha gestão.”
(DASCAL, Marcelo. Entrevista publicada no caderno Mais
/ Folha de São Paulo. 18/05/2003.)
TEXTO II
Já se sentiu vítima de algum tipo de marginalização e/ou discriminação 
dentro de sua universidade?
“Infelizmente, devo dizer que sim.” O advérbio “infelizmente”, na respos-
ta do entrevistado, exprime um ponto de vista ou julgamento a respeito 
dos fatos relatados. A alternativa cujo elemento sublinhado desempenha 
essa mesma função é:
(A) “Já se sentiu vítima de algum tipo de marginalização (...)?”
(B) “que pertencem ao mesmo partido político etc. e que se apóiam 
mutuamente.”
(C) “Mas, verdade seja dita, trata-se de uma hostilidade.”
(D) “e continua apoiando as reformas que instituí em minha gestão.”
7. O ARQUIVO
 No fi m de um ano de trabalho, João obteve uma redução de quinze 
por cento em seus vencimentos. João era moço. Aquele era seu primeiro 
emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos 
contemplados. Afi nal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. 
Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centrada 
cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor. Passou 
a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava sa-
tisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
 Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
 O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
 Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução 
foi um pouco maior: dezessete por cento. Novos sorrisos, novos agrade-
cimentos, nova mudança.
 Agora João acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. 
Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se 
menos rosada. O contentamento aumentou. Prosseguiu a luta.
 Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
 (...)
 A vida foi passando, com novos prêmios.Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. 
O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma 
raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais proble-
mas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescan-
tes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo. 
 O corpo era um monte de rugas sorridentes.
 Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho.
 Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela 
chefi a:
 – Seu João. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não ha-
verá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de 
nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido 
tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfi m, atingi-
ra todos os objetivos. Tentou sorrir:
 – Agradeço tudo que fi zeram em meu benefício. Mas desejo reque-
rer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
 –Mas seu João, logo agora que o senhor está desassalariado? Por 
quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer 
em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O 
senhor ainda está forte. Que acha?
 A emoção impediu qualquer resposta. 
 João afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, 
fi cou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas 
desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. 
Tornou-se cinzento.
João transformou-se num arquivo de metal.
(GIUDICE, Victor. Contos jovens. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1976, p.35-37.)
a. “Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda 
está forte. Que acha?” O advérbio acima destacado é um marcador de 
pressuposição: sua presença indica, para o leitor, a existência de um 
conteúdo implícito. Aponte-o.
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b. “Respirou descompensado...” A palavra destacada foi utilizada com o 
valor morfológico de adjetivo ou de advérbio?
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8. (VUNESP)
Não espero mais você,
Pois você não aparece
Creio que você se esquece
Das promessas que me faz
E depois vem dar desculpas,
Inocentes e banais
É porque você bem sabe
Que em você desculpo
Muitas coisas mais...
O que sei somente
É que você é um ente
Que mente inconscientemente,
Mas fi nalmente,
Não sei porque
Eu gosto imensamente de você.
Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu6
E invariavelmente,
sem ter o menor motivo
Em um tom de voz altivo.
Você, quando fala, mente
Mesmo involuntariamente,
Faço cara de inocente
Pois sua maior mentira, 
È dizer à gente 
Que você não mente.
O que sei somente
É que você é um ente
Que mente inconscientemente,
Mas fi nalmente,
Nao sei por que
Eu gosto imensamente de você.
(In: Noel pela primeira vez. Coleção organizada por Miguel Jubran.
São Paulo: MEC/FUNARTE/Velas, 2000, Vol 4, CD 7, Faixa 1.)
Aponte o efeito expressivo relacionado com o tempo e com a rima, que 
o emprego de advérbios como somente, inconscientemente, etc., produz 
na letra de Noel Rosa.
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9 (UFRJ) 
LONGE DE TUDO
És livre, livre desta vã matéria,
longe, nos claros astros peregrinos
que havemos de encontrar os dons divinos
e a grande paz, a grande paz sidérea.
Cá nesta humana e trágica miséria,
nestes surdos abismos assassinos
teremos de colher de atros destinos
a fl or apodrecida e deletéria.
O baixo mundo que troveja e brama
só nos mostra a caveira e só a lama,
ah! só a lama e movimentos lassos...
Mas as almas irmãs, almas perfeitas,
hão de trocar, nas Regiões eleitas,
largos, profundos, imortais abraços!”
 (SOUSA, Cruz e. Poesias completas. 
Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981, p. 158.)
O poema de Cruz e Sousa Longe de tudo confronta dois espaços para 
marcar a oposição “corpo e alma”.
a. Retire do texto dois advérbios que explicitam esses dois espaços.
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b. Transcreva duas expressões formadas por adjetivo(s) e substantivo 
que caracterizam esse espaço, identifi cando a que espaço cada um se 
refere.
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Gramática aplicada aos
textos Substantivos
 “É como eu disse. De dia somos uma família feliz. Mais tarde, antes 
de escurecer, alguém vem trazer o nosso milho. Os cachorros e o gato 
também recebem suas rações; Eu me recolho com meus fi lhos. Os ca-
chorros fi cam por aí, vigiando. O gato desaparece, vai a outra espécie de 
caçada. Às vezes, escutamos os miados, é um namoro sofrido e gritado 
aos quatro ventos. Ainda bem que são só alguns dias por mês, se fosse 
sempre, ninguém agüentava. No dia seguinte ele aparece todo lanhado, 
mas feliz. Dois meses depois haverá em algum lugar da vizinhança uma 
gata com ninhada nova.
 Por essas e outras é que nunca vai faltar gato no mundo. Nem 
cachorro. Nem galinha. Amém.”
(José J. Veiga)
Agora responda:
a. Quem é o narrador do texto?
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b. A que outros bichos ele se refere?
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c. Quem são “os fi lhos” a que o narrador se refere?
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d. De acordo com o narrador, não se pode falar em felicidade com-
pleta no lugar em que os bichos convivem. Que palavra justifi ca essa 
afi rmativa?
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OBS.: Como podemos perceber no texto, algumas palavras como 
gato, cachorro e galinha, nos remetem a seres do mundo real. Des-
ta forma, formamos imagens em nossa mente, como se fossem 
gravuras representando tais seres. Todo ser, real ou imaginário, 
tem um nome. A essas palavras que designam seres damos o 
nome de substantivos.
 2007 - Caderno 2 7
Interpretação Textual
A CASA MATERNA
 Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As 
grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se encontra num 
lugar que só a mão fi lial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e 
úmido que os demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias, que a 
mão fi lial, fi el a um gesto de infância, desfolhaao longo da haste.
 É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando 
as mãos fi liais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma 
antiga imagem. Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido 
repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda 
escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas 
e o mesmo taco solto de outras primaveras. As coisas vivem como em 
preces, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quan-
do eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a 
se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma 
longa tira de fl anela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de 
quando as mãos maternas careciam sonhar.
 A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que o 
olhar fi lial admirava ao tempo em que tudo era belo: o licoreiro magro, 
a bandeja triste, o absurdo bibelô. E tem um corredor à escuta, de cujo 
teto à noite pende uma luz morta, com negras aberturas para os quartos 
cheios de sombra. Na estante junto à escada há um Tesouro da juventude 
com o dorso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar fi lial primeiro 
viu a forma gráfi ca de algo que passaria a ser para ele a forma suprema 
da beleza: o verso.
 Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos maternos 
a presença dos passos fi liais. Pois a casa materna se divide em dois 
mundos: o térreo, onde se processa a vida presente, e o de cima, onde 
vive a memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no 
armário da copa: roquefort amassado, ovos frescos, mangas-espadas, 
untuosas compotas, bolos de chocolate, biscoitos de araruta - pois não 
há lugar mais propício do que a casa materna para uma boa ceia noturna. 
E porque é uma casa velha, há sempre uma barata que aparece e é morta 
com uma repugnância que vem de longe. Em cima fi cam os guardados 
antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno oratório em frente 
ao qual ninguém, a não ser a fi gura materna, sabe porque queima às 
vezes uma vela votiva. E a cama onde a fi gura paterna repousava de sua 
agitação diurna. Hoje, vazia.
 A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu violão 
dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como que se marca ainda na 
velha poltrona da sala e como que se pode ouvir ainda o brando ronco de 
sua sesta dominical. Ausente para sempre de sua casa materna, a fi gura 
paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos 
maternas se fazem mais lentas e as mãos fi liais ainda mais unidas em 
torno à grande mesa, onde já agora vibram também vozes infantis.
(MORAES, Vinicius de. Antologia poética. Rio de Janeiro: Sabiá, 1964.)
a. Qual o sentimento mais forte presente no texto?
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b. O autor busca reviver a presença do pai e da mãe, compondo uma 
página de recordação. Você concorda com tal afi rmação, caso concorde, 
comprove-a com elementos textuais.
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c. Pode-se afi rmar que a casa materna é sinônimo de amor e segurança? 
Por que?
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OBS.: Todo texto é um tecido de palavras. O modo como Vinicius 
de Moraes tece a sua crônica segue o caminho da conexão entre 
substantivos e adjetivos, passando para o leitor a bela imagem da 
casa de sua infância, parada no tempo. Há um jogo entre os nomes 
e suas qualidades: casa materna, piano fechado, olhar fi lial, bande-
ja triste, e, em alguns trechos, a qualidade antecede o nome: velha 
ferrugem, brando ronco, passadas valsas, entre outros.
Gramática aplicada aos textos:
Adjetivos
OPERAÇÃO DE ATRIBUIÇÃO
 Para que servem os adjetivos? Na verdade, os adjetivos não são 
empregados exclusivamente para atribuir qualidades aos substantivos 
– bom homem, funcionário incompetente, mas também para atribuir ca-
racterísticas – livro verde, quadro da esquerda, para dar informações 
– livro que comprei na cidade – ou para restringir o alcance do signifi ca-
do dos substantivos – suco de laranja. Além do seu aspecto semântico, 
os adjetivos têm grande importância no desenvolvimento textual e é a 
esse aspecto que vamos dirigir nossa atenção de forma mais destacada.
I. AS FORMAS DOS ADJETIVOS: a adjetivação pode assumir 
várias formas.
Ex.:
• livro verde (adjetivo)
• livro de política (locução adjetiva)
• livro que trata de teatro (oração adjetiva)
• livrão (sufi xação)
• livro agenda (substantivo)
II. A POSIÇÃO DOS ADJETIVOS
Os adjetivos podem aparecer antepostos ou pospostos:
EX.:
• livro verde
• bom livro
- Em geral, os adjetivos antepostos apresentam maior carga subjeti-
va, são qualifi cações dos substantivos que acompanham, depen-
dentes das opiniões dos falantes:
- pobre homem. Ex.: grande sujeito.
- Já os adjetivos pospostos trazem uma carga mais objetiva, repre-
sentando mais características dos substantivos. Ex.: homem pobre 
/ homem grande.
III. OS TIPOS DOS ADJETIVOS
- As qualifi cações: o falante pode atribuir aos substantivos quali-
dades, que são traços dependentes de suas opiniões sobre o objeto 
Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu8
adjetivado: livro interessante. Na dependência do tipo de texto em 
que estão inseridos, os adjetivos qualifi cativos podem vir expli-
citados ou não: “O restaurante era modesto e pouco freqüentado, 
com mesinhas ao ar livre espalhadas debaixo das árvores. Sobre 
as mesinhas um abajur de garrafa projetava sobre a toalha... (A ceia 
– Lygia Fagundes Telles). O adjetivo modesto é uma qualifi cação 
do restaurante, que aparece explicitada no restante do parágrafo; já 
o adjetivo pouco freqüentado, por não ser uma qualifi cação, mas 
uma informação sobre o restaurante, de caráter objetivo, não ne-
cessita de qualquer explicitação.
 Nos textos publicitários, de claro caráter manipulador, geralmente 
os adjetivos qualifi cativos não aparecem explicitados, como se as quali-
dades atribuídas aos produtos anunciados tivessem caráter universal, ou 
seja, fossem evidentes para todos. Ex.: Camisas Fernandinho, as mais 
elegantes do planeta!
- As características: são traços que são inerentes a essas realida-
des representadas pelos substantivos, como sua cor, sua forma, 
sua dimensão, sua posição, seu material etc.: livro verde, livro 
quadrado, livro grosso, livro de cima. Como essas características 
são frutos de observação, geralmente não vêm acompanhadas de 
explicitações.
- As informações: algumas vezes, anexamos aos substantivos de 
um texto dados que sabemos sobre eles, que não dependem nem 
de nossas opiniões, nem de nossa observação – livro de meu pai, 
roupa importada da Alemanha etc.
- As restrições: restringem os substantivos a que estão ligados, 
limitando o seu alcance signifi cativo. Secretaria de Educação, porta 
da sala etc. (Agostinho Dias Carneiro)
A VARIAÇÃO NA ORDEM DOS ADJETIVOS:
 A ordem dos adjetivos está ligada a diversos fatores/critérios que 
devem ser levados em consideração. Entre estes, destacamos um parâ-
metro na ordem dos adjetivos.
 A diferença semântica entre os adjetivos – adjetivos com valor afe-
tivo e adjetivos com valor intelectual.
 A opção pela posição do adjetivo parece obedecer a restrições de 
caráter semântico. Quando o adjetivo está após o substantivo (nome),tende a manter o valor próprio, objetivo, intelectual; quando antes, tende 
a perder o próprio valor e adquirir um sentido afetivo.
 Ex.: uma pessoa bela X uma bela pessoa.
 Por fi m, reparem que, na primeira frase, o adjetivo tem um sentido 
‘real’(beleza física), enquanto, na segunda, ele possui um caráter afetivo 
(beleza moral).
Exercícios de Fixação
1. Qual o signifi cado dos adjetivos destacados nas frases a seguir?
a. O príncipe era um grande homem._____________________
_______________________________________________
b. O príncipe era um homem grande._____________________
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c. O porteiro não era um homem pobre.___________________
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d. O porteiro não era um pobre homem.___________________
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e. Entregou o documento ao funcionário competente.__________
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f. Entregou o documento ao competente funcionário.__________
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g. O mendigo tomou um longo gole de bebida.______________
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h. O mendigo tomou um gole longo de bebida.______________
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i. Maria era uma boa professora ________________________
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j. Maria era uma professora boa.________________________
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2. Na frase: “Se você tem se decepcionado com amigos cachorros, ar-
rume um cachorro amigo.”, comente o efeito de sentido criado no texto 
pela inversão da ordem das palavras marcadas.
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3. Numa placa, está escrita a seguinte mensagem: “SEJA PACIENTE NO 
TRÂNSITO PARA NÃO SER PACIENTE NO HOSPITAL.”
 Discorra sobre a alteração de sentido entre as palavras sublinhadas 
nas duas frases.
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4. (A. D. CARNEIRO) Classifi que os adjetivos dos segmentos, numeran-
do os parênteses segundo o esquema:
(1) qualifi cação
(2) característica
(3) informação
(4) restrição
( ) O bom leitor faz o livro bom.
( ) A grande tragédia do mundo é que não cultiva a memória.
( ) Teus olhos verdes sempre me encantaram a vida.
( ) Convém repetir as palavras úteis.
( ) O melhor profeta do futuro é o passado.
( ) O homem é o único animal que ri.
( ) O homem é o único animal que tem vergonha do próprio cheiro.
( ) Uma pintura é um poema sem palavras.
( ) A imprensa é a opinião pública.
( ) O jornalismo é uma profi ssão fácil: só diz o que dizem os outros. 
5. Observando uma descrição do autor Aluízio de Azevedo, grife a idéia 
núcleo e justifi que, de maneira resumida, a presença dos adjetivos nela.
“Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Ma-
ranhão parecia entorpecida pelo calor. Quase que se não podia sair à rua: 
as pedras escaldavam; as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como 
enormes diamantes; as paredes tinham reverberações de prata polida; as 
folhas das árvores nem se mexiam; as carroças d’água passavam ruido-
 2007 - Caderno 2 9
samente, abalando os prédios, e os aguadeiros, em mangas de camisa 
e pernas [calças] arregaçadas, invadiam sem cerimônia as casas para 
encher as banheiras e os potes. Em certos pontos não se encontrava viva 
alma na rua: tudo estava concentrado, adormecido; só os pretos faziam 
as compras para o jantar, ou andavam no ganho.” (Aluízio de Azevedo)
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6. ADÃO E EVA EM CONFLITO NO PARAÍSO
 Adão chega tarde em casa e encontra Eva furiosa:
 Arrá! Então você anda saindo com outra mulher!
 Qual é, Eva? Que ciúme doentio, amor! Você é a única mulher 
sobre a face da terra!
 Eva se cala e eles vão dormir. De madrugada, Adão acorda com 
alguma coisa cutucando o seu peito: é ela.
 Ei, que diabo você está fazendo, mulher?
 O que você acha? Contando suas costelas!
(Jornal Extra, fevereiro de 2007.)
a. De acordo com nosso conhecimento de mundo, o que se pode espe-
rar do título do texto?
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b. O que possibilita o efeito de humor na piada?
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c. A forma como Adão se dirige a Eva (mulher) é pouco comum em 
nossa cultura, chegando a ter um valor até mesmo negativo. Substitua o 
vocábulo por outro de valor positivo conforme nossa cultura propõe. 
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Adjetivos e produção de textos
 A adjetivação é um dos elementos estruturadores de um texto. 
Quando é excessiva e voltada à obtenção de efeitos retóricos, prejudica 
a qualidade do texto um texto e evidencia o despreparo ou a má-fé de 
quem escreve. Quando é feita com sobriedade e sensibilidade, contribui 
para a efi ciência comunicativa do texto. 
 Nos textos dissertativos, os adjetivos normalmente explicitam a 
posição de quem escreve em relação ao assunto tratado. É muitas vezes 
por meio de adjetivos que os juízos e avaliações do produtor do texto 
vêm à tona, transmitindo ao leitor atitudes como aprovação, reprova-
ção, aversão, admiração, indiferença. Analisar a adjetivação de um texto 
dissertativo é, portanto, um bom caminho para captar com segurança a 
opinião de quem o produziu. Lembre-se sempre de que é a sua adjetiva-
ção eu passa a cumprir esse papel quando você escreve.
Gramática Aplicada aos textos: 
Verbos
ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU
Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fi m das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medoe da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
 (Carlos Drummond de Andrade)
a. Aponte detalhes expressivos da organização sonora do texto.
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b. O texto nos fala de um espaço privilegiado, aonde nos convida a ir. 
Aponte as características desse espaço, comentando as imagens que o 
descrevem. No texto, o que signifi ca “conjugar” um verbo?
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 Conjugar verbos é algo que tem feito parte de sua vida escolar 
há muito tempo; no entanto, é pouco provável que você tenha pensado 
nesse processo como algo dotado de um sentido mais profundo. Na ver-
dade, os verbos desempenham uma função vital na língua portuguesa: 
é em torno deles que se organizam as orações. O estudo de uma classe 
gramatical dessa importância representa, obviamente, um passo signifi -
cativo para um desempenho lingüístico mais satisfatório”. 
 Verbo signifi ca, originariamente, “palavra”. Esse signifi cado pode 
ser percebido em expressões como abrir o verbo ou deitar o verbo, utili-
zadas para indicar o uso farto das palavras. As palavras que pertencem à 
Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu10
classe gramatical dos verbos receberam esse nome justamente porque, 
devido à sua importância nas orações da língua, foram consideradas as 
palavras por excelência pelos gramáticos. Conjugar um verbo é, por-
tanto, exercer o direito pleno de empregar a palavra; no caso de verbos 
como sempreamar e pluriamar, é, segundo o poeta, realizar-se em sua 
própria humanidade. 
 Verbo é a palavra que se fl exiona em número, pessoa, modo, tempo 
e voz. Pode fi car, entre outros processos: ação (correr, pular); estado 
ou mudança de estado (ser, fi car); fenômeno natural (chover, anoitecer); 
ocorrência (acontecer, suceder); desejo (querer, aspirar).
 Nas orações, o verbo sempre faz parte do predicado; você pode 
obter mais informações sobre o papel sintático dos verbos no estudo dos 
termos essenciais da oração. 
O que caracteriza o verbo são as suas fl exões, e não os seus possíveis 
signifi cados. Observe que palavras como corrida, pulo, chuva, aconte-
cimento e aspiração têm conteúdo muito próximo ao de alguns verbos 
mencionados acima, mas não apresentam, porém, todas as possibilida-
des de fl exão que esses verbos possuem.
Textos para análise
Texto I
O VERDE DA MODA
Muita gente acha que clorofi la
faz bem à saúde. Os estudiosos
dizem que é bobagem
 (Paula Beatriz Neiva)
Texto II
As cápsulas do desodorante havaiano: a última invenção
Suco de clorofi la: há também cremes e loções
TEXTO III
 Todo mundo aprende na escola que a clorofi la, aquele pigmento 
que dá cor verde às plantas, está na base da fotossíntese – o processo 
pelo qual os vegetais, na presença de luz solar, absorvem o gás car-
bônico da atmosfera e liberam oxigênio. Fundamental na natureza, a 
clorofi la desde há muito tem o papel de coadjuvante nos produtos de 
higiene pessoal. É adicionada a pastas de dentes e desodorantes, por 
causa da sensação de frescor que propicia. De uns tempos para cá, no 
entanto, os naturebas começaram a divulgar que a substância é capaz de 
operar verdadeiros milagres também nos corpinhos que não têm caule, 
folhas e frutos. Ela limparia a corrente sanguínea, fortaleceria o sistema 
imunológico, revitalizaria o cérebro, diminuiria a depressão, retardaria 
o envelhecimento, evitaria a ressaca e – pasme – até ajudaria no trata-
mento de doenças como o câncer e a Aids. Como há quem acredite em 
tudo (e também quem ganhe dinheiro com tudo), o consumo de clorofi la 
não tardou a virar moda. Ela passou a ser vendida na forma de sucos, 
sorvetes e cremes e loções para o corpo. A última novidade vem do 
Havaí. Uma empresa daquele Estado americano lançou o primeiro deso-
dorante em comprimido à base de clorofi la. Uma pastilha pela manhã, 
outra à noite e tchan, tchan, tchan: em no máximo quatro dias, o usuário 
já sentiria uma mudança incrível. Qual seria ela? “Todos os odores do or-
ganismo desaparecem”, diz Eddie Onouye, um dos donos do laboratório 
que fabrica o tal desodorante.
 Essa história de clorofi la está deixando verdes de raiva os estudio-
sos mais sérios. Eles afi rmam que tudo não passa de mais uma bobagem 
destinada a enganar quem tem QI de pterodófi ta. “O consumo de clorofi la 
não serve para nada”, esclarece a professora Ursula Lanfer Marquez, da 
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. O 
motivo é simples: as moléculas da substância não são absorvidas pelo 
organismo. Os defensores do modismo argumentam que, uma vez inge-
rida, a molécula de clorofi la se quebra e libera magnésio, mineral impor-
tante para os ossos, dentes, músculos e para a transmissão de impulsos 
nervosos. “Nem sempre há essa liberação de magnésio e, quando há, as 
suas quantidades são tão pequenas que não têm nenhum efeito”, explica 
Ursula. Para ingerir magnésio, basta comer bem. O mineral é encontrado 
na maioria dos alimentos – laticínios, peixes, carne, frutos do mar, maçã, 
abacate, banana, feijão, rúcula, batata e agrião, entre outros. 
 (Revista Veja, Agosto de 2006.)
a. No trecho marcado acima, substitua “clorofi la” por “clorofi la e inha-
me” e reescreva o texto fazendo as adaptações necessárias em outros 
elementos do texto.
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b. Observe o papel dos verbos no futuro do pretérito no texto e indique 
que efeito de sentido esse tempo verbal causa.
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c. No subtítulo do anúncio, há uma contradição. Identifi que-a.
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 2007 - Caderno 2 11
d. O fato de esse texto ter sido publicado em uma revista como a Veja 
causa que impressão no leitor? Justifi que sua resposta.
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e. Substitua o futuro do pretérito pelo presente do indicativo e observe 
que efeito de sentido isso causa.
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f. Com essa mudança de tempo verbal, é necessário fazer mais alguma 
alteração para deixar o texto mais coerente com o efeito de sentido pre-
tendido? Qual(is)?
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g. Se substituíssemos “naturebas” por “cientistas” e fi zéssemos as alte-
rações que fossem necessárias para que o texto mantivesse uma unida-
de, como fi caria o novo texto? Apenas leiam.
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h. Um texto como esse poderia ter sido publicado em uma revista de 
divulgação científi ca? Justifi que sua resposta.
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i. O recurso lingüístico “tchan,tchan,tchan” nos remete a que outra situ-
ação comunicativa?
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TEXTO IV
ESTROGONOF DE CHOCOLATE E NOZES
INGREDIENTES:
2 latas de leite condensado
2 latas de creme de leite
1 lata de leite
3 gemas 
3 claras em neve
5 colheres de chocolate
1 cálice de rum
200g de nozes picadas
200g de chocolate ao leite ralado
200g de chocolate meio amargo ralado
MODO DE PREPARAR:
Faça um brigadeiro mole com leite condensado, o chocolate em 
pó, o leite e as gemas.
Deixe esfriar;
Junte o creme de leite, rum, chocolates ralados e nozes;
Bata as claras em neve, misture e leve a geladeira;
Enfeite com chocolate picado e nozes;
Detalhe: bata a mistura de brigadeiro no liquidifi cador, antes de 
levar ao fogo.
TEXTO V
MIL-FOLHAS COM FOIE GRAS
INGREDIENTES:
200g de beterraba
200g de massa folhada
2 escalopes de foie gras
MODO DE PREPARAR:
Cozinhe as beterrabas no vapor por 10’;
Corte em lâminas fi ninhas;
Deixe secar e frite em óleo quente;
Asse a massa folhada em camadas de mais ou menos meio cm;
Doure o foie grãs em pouquíssimo azeite;
Fatie em lâminas de 1cm;
Grelhe rapidamente as lâminas de foie gras e salgue. Ao servir, 
intercale, em forma de torre, a massa folhada e as lâminas de 
foie gras;
Decore com os chips de beterraba.
Vamos dialogar com os textos:
a. A que gênero textual esse texto pertence?
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b. O que marca esse gênero? Por quê?
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c. Que efeito de sentido os verbos provocam nos textos?
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Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu12
d. Se trocássemos o modo (imperativo por subjuntivo) dos verbos no 
texto, que efeito de sentido teríamos com o novo modelo?
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e. Baseado apenas no modo de preparar, escreva um parágrafo coerente, 
usando os elementos de ligação, formando a unidade do parágrafo.
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Texto 1
MULHER GOSTA DE APANHAR?
 Brasília - É um dos documentos mais chocantes já produzidos no 
congresso sobre nossa barbárie - há relatos capazes de virar o estômago 
das pessoas mais insensíveis. Deveria ser leitura obrigatória para quem 
coloca direitos humanos na sua agenda de preocupações. Está em fase 
de redação fi nal um texto sobre a violência contra a mulher no Brasil a 
ser divulgado nos próximos dias. E, mais uma vez, comprova-se a lei da 
covardia social: quanto mais frágil um cidadão maior a crueldade.
 Resultado da investigação promovida pela CPI da Violência 
contra a Mulher, o documento mostra como está enraizada em nossa 
sociedade a agressão e, no caso das mulheres, acrescente-se a agres-
são sexual. A cada dia são registradas, em média, 337 reclamações 
de vítimas. Como a maioria não tem coragem ou informações sobre 
seus direitos para ir à uma delegacia, tal número é apenas uma pálida 
projeção sobre a realidade.
 De todos esses casos, 50% referem-se à lesão corporal, na maioria 
das vezes, segundo a CPI, baseada em estatísticas fornecidas por 20 Es-
tados, são provocadas pela recusa do sexo forçado. São as mais variadas 
manifestações de violência. O documento apresenta nomes de empresas 
que humilham suas funcionárias. Outras que induzem ao aborto ou à 
esterilização, proibindo a gravidez.
 É uma coleção interminável de pequenas e grandes crueldades. 
O estupro continua prática comum - 50% praticados dentro da própria 
família. Como não podia deixar de ser, apanha mais quem pode menos. 
Quanto mais ignorante e pobre a vítima maior a violência. É sabido, sa-
bidíssimo, aliás, que policiais, supostos guardiões da ordem, exploram 
sexual e fi nanceiramente as prostitutas - o controle é mantido na surra.
São esses tipos de informação que revelam, de fato, nosso perfi l político. 
Estranho país, o Brasil: consegue dar uma lição de democracia ao tirar 
um presidente, servindo como exemplo mundial. E, ao mesmo tempo, 
não se libertou da Casa-Grande e, muito menos, da Senzala. 
A verdade é que, socialmente, estamos na Pré-História. E a prova disso 
é que documentos, como o da CPI da Mulher, estão fadados a gerar 
repercussão inversamente proporcional à sua importância. 
(DIMENSTEIN, Gilberto. Folha de SãoPaulo, 29 novembro 1992.)
a. Qual a estratégia adotada no primeiro parágrafo para expor o tema do 
texto? De que forma o segundo parágrafo se relaciona com o primeiro?
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b. No terceiro parágrafo, amplia-se o conceito de violência. Explique.
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c. A que se refere o texto quando fala em Casa-Grande e em Senzala? 
Explique.
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d. Você concorda com a conclusão a que chega o texto? Por quê?
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e. O que indicam os verbos presentes no texto, como eles se relacionamcom o modo de organização do texto acima?
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Texto 2
O COVEIRO
 “Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profi ssão coveiro era 
cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que 
cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para 
cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. 
Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de es-
bravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. 
A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da 
madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o 
cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só 
pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. Deitado no fundo 
da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria 
apareceu lá em cima, perguntou o que havia: “O que é que há?”
 O coveiro então gritou, desesperado:
 “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!”
 ” Mas, coitado!” condoeu-se o bêbado “Tem toda razão de estar 
com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho!” E, 
pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.
 Moral: Nos momentos graves, é preciso verifi car muito bem para 
quem se apela.”
(Millôr Fernandes)
a. A que tipo textual esse texto pertence?
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 2007 - Caderno 2 13
b. O que causa o humor no texto?
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c. Qual é o ponto do tempo inicial da ação, passado, presente ou futuro?
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d. O que indicam os verbos presentes no texto, como eles se relacionam 
com o modo de organização do texto acima?
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e. Comparando esse texto com o texto anterior, como podemos explicar 
a diferença dos tempos verbais empregados?
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Texto 3 (UFRJ- 2006)
“Na contramão dos carros ela vem pela calçada, solar e musical, pára 
diante de um pequeno jardim, uma folhagem, na entrada de um prédio, 
colhe uma fl or inesperada, inspira e ri, é a própria felicidade – passando 
a cem por hora pela janela. Ainda tento vê-la no espelho, mas é tarde, o 
eterno relance. Sua imagem quase embriaga, chego no trabalho e hesito, 
por que não posso conhecer aquilo?- a plenitude, o perfume inusitado 
no meio do asfalto, oculto e óbvio. Sempre minha cena favorita.
Ela chegaria trazendo esquecimentos, a fl or no cabelo. Eu estaria à 
espera, no jardim.
E haveria tempo.”
(CASTRO, Jorge Viveiros de. De todas as únicas maneiras & outras.
 Rio de Janeiro: 7 Letras, 2002. p. 113.)
1. Ao longo do texto 3, utilizam-se dois tempos verbais. Identifi que-os 
e justifi que o emprego de cada um, considerando a experiência narrada 
no texto.
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2. No decorrer do texto, o autor apresenta um modo verbal que normal-
mente mostra clareza em relação ao contexto. Identifi que-o e explique-o.
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Interpretação textual
SEI LÁ A VIDA TEM SEMPRE RAZÃO
Tem dias que eu fi co pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação
Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão
A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fi ngindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta fi car-se de fora
A hora do sim é o descuido do não
Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão
 (Vinicius de Morais e Toquinho)
a. No verso 1, a locução verbal fi co pensando poderia ser substituída 
por um único verbo – pensar – no presente do indicativo que o sentido 
do enunciado seria mantido.
Sabendo que o emprego do presente do indicativo não só aponta um fato 
que ocorre no momento da enunciação, (aponta um fato que ocorre no 
momento da enunciação, mas também tem outros papéis textuais,) que 
valor de sentido podemos atribuir ao enunciado do verso 1 ao empregar-
mos o verbo pensar no presente do indicativo.
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b. Como podemos observar, Vinícius de Moraes apresenta a VIDA como 
plano de fundo de sua canção. Considerando o título “Sei lá a vida tem 
sempre razão” e os fragmentos “(...) mal nasce e começa a morrer”, “(...) 
nada renasce antes que se acabe” e “(...) o sol que desponta tem que 
anoitecer”, como podemos explicar os ciclos da vida e do tempo presen-
te nos trechos destacados?
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Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu14
c. Antítese (substantivo feminino) – Figura pela qual se salienta a oposi-
ção entre duas palavras ou idéias. (Dicionário Aurélio).
No decorrer da música, Vinicius e Toquinho apresenta algumas 
contradições. Transcreva três contradições presentes no texto.
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d. Na primeira estrofe da canção, os autores revelam uma queda na nos-
sa vida devido a vários aspectos. Aponte o momento que os músicos 
retratam esse fato. (momentos em que parece não haver esperança, devi-
dos a vários aspectos.Selecione os versos em que isso ocorre).
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e. O prefi xo des- pode aparecer com valor de negação às vezes. Na 
composição, há duas palavras – “desponta e descuido”. Responda:
1. Baseado no texto, aponte em qual dos vocábulos o termo des- 
expressa o valor de negação.
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2. Dê um sinônimo para o vocábulo que não tem o des- com valor 
negativo.
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f. Identifi que na letra da música dois vocábulos (dois versos em que há 
ação contínua) que indicam ação contínua de um fato.
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EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
1. (RURAL - 2004) “Vivemos numa cultura marcada pelo individualismo 
afetivo e prático. Vivemos sob um sistema socioeconômico globalizado 
que prioriza o lucro e a produtividade em prejuízo das pessoas. As conse-
qüências são sentidas por todos nós, e mais duramente pelos pobres.
 A lógica do mercado decreta friamente que eles são um estorvo, não 
deveriam ter fi lhos e melhor seria se simplesmente não existissem. Seus 
rostos famintos nos incomodam, seus fi lhos miseráveis nos revoltam.”
(MIRANDA, Mário de F. Promover a vida. O Globo, 12/12/2002, p. 06.)
Os dois primeiros períodos do texto iniciam-se com verbos na primeira 
pessoa do plural - vivemos. Está estratégia utilizada pelo autor serve 
para indicar que, tanto ele (autor) quanto (nós) leitores,
(A) somos cúmplices na situação descrita pelo autor.
(B) sentimo-nos impotentes diante da situação descrita pelo texto.
(C) temos um compromisso com a mudança histórica.
(D) dependemos do estado de coisas descrito para sobreviver.
(E) convivemos com um estado de coisas que combatemos neces-
sariamente.
2. (RURAL 2004) “Substituiu-se esse conceito verdadeiro pela idéia de 
“dever” imposição exterior, a que se satisfaz por atos materiais, superfi -
ciais, faltos de toda substância ética, pois eles serão negados ou defrau-
dados quando falte o olho policial.”
Sobre a oração grifada, é correto afi rmar que:
(A)se trata de uma oração temporal, não sendo possível acrescentar 
a esta idéia de tempo nenhuma outra.
(B) a presença do subjuntivo na oração pode fazer com que a idéia 
de tempo se complemente com a de fi nalidade.
(C) a presença do subjuntivo na oração contribui para a certeza de 
que, no tempo futuro, as ações enunciadas na oração anterior serão 
realizadas.
(D) a idéia de futuro e o uso subjuntivo dão à oração um sentido de 
incerteza, tornando também possível uma interpretação de condição.
(E) a idéia de futuro e o uso do subjuntivo dão à oração um sentido 
de conseqüência que se deve seguir às explicações.
3. (RURAL 2004) “Eugênia coxeava um pouco, tão pouco, que eu che-
guei a perguntar-lhe se machucara o pé.”
A forma verbal destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, 
pela forma composta:
(A) teria machucado
(B) tivesse machucado
(C) tinha machucado
(D) tem machucado
(E) teve machucado
4. (UERJ - 2006)
Texto I. PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
(...)
Não faças poesia com o corpo,
excelente, completo e confortável corpo,
tão infenso à efusão lírica.
(...)
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
(...)
Não dramatizes, não invoques,
indagues. Não percas tempo em mentir.
(...)
Não recomponhas
sepultada e merencória infância.
(...)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(...)
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
 2007 - Caderno 2 15
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
(...)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.)
Ao construir as frases, às vezes fazem-se escolhas gramaticais que alte-
ram o estilo, mas não interferem no signifi cado. Em Procura da poesia, 
algumas dessas escolhas incidem nas categorias gramaticais do verbo.
a. Reescreva o verso “Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provo-
cam.” (v. 14), adaptando-o ao tratamento você.
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b. Transcreva a forma de futuro do subjuntivo empregada entre os versos 
12 e 23 do texto I e indique outra forma do mesmo verbo apta a substituí-
la sem provocar alteração relevante de sentido no poema.
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5. (UERJ - 2006) 
TEXTO II. AS PALAVRAS
“Estão soltas, em férias. Nada signifi cam ainda. E enquanto esperam ser 
chamadas ao silêncio do poema, adejam livres na luz de limbo, anterio-
res ao mistério que ainda vão gerar.”
(MACHADO, Aníbal. Cadernos de João. Rio de Janeiro, 1957.)
A forma verbal esperam ocorre no texto I (v.11) e no fragmento de Aní-
bal, porém em uma delas pode apresentar duas interpretações. Indique 
em qual dos textos o verbo esperar apresenta dois sentidos possíveis e 
explicite esse duplo sentido.
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6. (UERJ - 2006)
TEXTO III. A ESCOLHA DAS PALAVRAS
 A efi ciência de uma comunicação lingüística depende, em última 
análise, da escolha adequada das palavras, e a arte de bem falar e escre-
ver é chamada, com razão, a arte da palavra.
Essa escolha é, em regra, muito mais delicada e muito menos simples do 
que à primeira vista poderia parecer.
 O sentido de uma palavra não é essencialmente uno, nitidamente 
delimitado e rigorosamente privativo dela, à maneira de um símbolo ma-
temático.
 Há uma complexidade imanente, que se apresenta sob diversos 
aspectos.
 (...)
 Em matéria de sinonímia, é preciso, antes de tudo, ressalvar que 
não há a rigor o que muitas gramáticas chamam os sinônimos perfeitos: 
eles só existem como tais nas listas dessas gramáticas.
 Todos decorrem das signifi cações diversas que adquire uma mes-
ma coisa, de acordo com os diversos interesses que tem para nós; um 
conceito “neutro”se concretiza em duas ou mais denominações, segun-
do valores específi cos, e é assim que a palavra construção, que nos faz 
ver o conjunto arquitetônico, cede lugar a prédio para objetivar o bem 
imóvel. É o interesse, e também a incerteza das apreciações, que explica 
o fato de nos parecer haver muitas vezes à nossa escolha duas palavras 
sinônimas, como justo e equitativo ou castigar e punir para qualifi car 
uma ação ou um procedimento.
(CÂMARA JR., J. M. Manual de expressão oral e escrita. Rio de Janeiro: J. Ozon, 1961.)
a. Os textos I e II tratam da palavra e de seus sentidos. O texto II aborda o 
fato semântico conhecido como sinonímia. No trecho, “Espera que cada 
um se realize e consume” (v. 15), indique o infi nitivo correspondente à 
forma verbal sublinhada e reescreva o verso, substituindo esse verbo por 
um sinônimo adequado ao contexto.
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7. (UNICAMP)
A breve tira abaixo fornece um bom exemplo de como o contexto 
pode afetar a interpretação e até mesmo a análise gramatical de uma 
seqüência lingüística.
Homem
 mente
Curso Pré-Vestibular de Nova Iguaçu16
a. Supondo que a fala da moça fosse lida fora do contexto dessa tira, 
como você a entenderia?
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b. Se a fala da moça fosse considerada uma continuação da fala do rapaz, 
poderia ser entendida como uma única palavra, de derivação não previs-
ta na língua portuguesa. Que palavra seria e o que signifi caria? 
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c. As duas leituras possíveis para a fala da moça não estão em contradi-
ção; ao contrário, reforçam-·se.
O que signifi cará essa fala, se fi zermos, simultaneamente, as duas lei-
turas?
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8.
TEXTO I. MORTE E VIDA SEVERINA
Esta cova em que estás, com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho, nem largo, nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais amplo que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo, te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
(É a terra que querias ver dividida)
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas a terra dada não se abre a boca
 (João Cabral de Melo Neto)
TEXTO II
Naquela terra querida,
Que era sua e não era,
Onde sonhara com a vida
Mas nunca viver pudera,
Ia morrer sem comida
Aquele que de cuja lida
Tanta comida nascera.
(GULLAR, Ferreira. João Boa-Morte, cabra marcado pra morrer, 1964. In: AGUIAR, F., 
org. Com palmos medida. Terra, trabalho e confl ito na literatura brasileira. São Paulo, 
Fundação Perseu Abramo, 1999, p. 309.)
Nos trechos abaixo, está sublinhado um sintagma formado por dois ter-
mos (um substantivo e um adjetivo).
Assinale a alternativa na qual a inversão das duas palavras também 
poderia inverter sua classe gramatical:
(A) É a conta menor que tiraste em vida;
(B) É de bom tamanho, nem largo, nem fundo;
(C) É uma cova grande pra teu pouco defunto;
(D) É uma cova grande pra teu defunto parco.
9. O texto “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, e o 
texto de Ferreira Gullar tematizam a relação do trabalhador com a terra. 
Aponte a alternativa que melhor expressa esta semelhança temática entre 
os textos.
(A) Ambos os textos traduzem o vínculo do homem urbano com 
seus espaços;
(B) Os dois textos tratam da questão do retirante que emigra do 
nordeste para tentar sobreviver na metrópole;
(C) Os textos sugerem a libertação do homem aos bens materiais já 
que os dois textos relatam o abandono da terra natal;
(D) Ambos os textos relativizam a questão da posse da terra e do 
trabalhador que se dedica ao cultivo de uma terra que é sua, mas 
não é.
10. DESAFIO
 A revista TV de fevereiro de 2007 do Jornal do Brasil traz uma 
curiosa matéria sobre a mais recente novela de Manoel Carlos: “é a no-
vela que mais extrapola em número de traições e casamentos frustra-
dos”. Para chamar a atenção do leitor, foi usado o recurso da paródia 
com o poema “Quadrilha”, já conhecido por nós, de Carlos Drummond 
de Andrade.
 
 QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili ue não ama-
va ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria fi cou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
 (Carlos Drummond de Andrade)
 NINGUÉM É DE NINGUÉM
 Greg, ex-marido de Helena, namorado de Carmem, é amante de 
Sandra. Sílvio, marido de Olívia, se envolve com Tônia. Léo, noivo de 
Alice, se apaixona por Olívia. Renato, casado com Lívia, é louco por Isa-
bel. Camila seduz Horácio, marido de Cecília...
- Contudo, se observarmos a estrutura sintática dos 2 textos, veremos 
que ambos recorreram a recursos gramaticais diferentes para produzirem 
a mesma sensação de troca-troca, de paixões fugazes.
 2007 - Caderno 2 17
a. Mostre as diferenças de estrutura gramatical entre os dois textos, 
exemplifi cando. Depois de observar cada detalhe, diga qual efeito pro-
duzido por cada um.
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PARA GOSTAR DE LER
UMA VELA PARA DARIO
Por Dalton Trevisan
 Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim 
que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à pa-
rede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda 
úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.
 Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia 
bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O 
senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.
 Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o 
cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos
outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o 
colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario 
roncou feioe bolhas de espuma surgiram no canto da boca.
 Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não 
o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, 
as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor 
gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça 
do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via 
guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.
 A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um 
grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, 
protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a 
ambulância. Dario conduzido de volta e recostado á parede - não tinha 
os sapatos nem o alfi nete de pérola na gravata.
 Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario 
além da esquina; a farmácia no fi m do quarteirão e, além do mais, muito 
pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe 
cobriu o rosto, sem que fi zesse um gesto para espantá-las.
 Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o inci-
dente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delicias da noite. Dario 
fi cou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de 
pulso.
 Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados - 
com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. 
Ficaram sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na car-
teira era de outra cidade.
 Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa 
hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro 
investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que 
foi pisoteado dezessete vezes.
 O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identifi cá-lo — os 
bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele pró-
prio quando vivo - só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou 
decidido que o caso era com o rabecão.
 A última boca repetiu — Ele morreu, ele morreu. A gente começou 
a se dispersar. Dario levara duas horas para morrer, ninguém acreditou 
que estivesse no fi m. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um 
defunto.
 Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a 
cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a 
boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a 
multidão se espalhou, as mesas do café fi caram vazias. Na janela alguns 
moradores com almofadas para descansar os cotovelos.
 Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao 
lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um 
morto desbotado pela chuva.
 Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava 
Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o 
dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade e apagou-se às 
primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.
(TREVISAN Dalton. Vinte contos menores. Rio de Janeiro: Editora Record, 1979, p.20.)
Bibliografi a
CAMPEDELLI, Samira & SOUZA, Jésus. Gramática do texto e texto da 
gramática. São Paulo: Saraiva, 2002.
FARACO, Carlos Emílio & MOURA, Francisco Marto. Gramática escolar. 
São Paulo: Ática, 2003.
INFANTE, Ulisses. Curso de gramática aplicada aos textos. São Paulo: 
Scipione, 2003.
TREVISAN, Dalton. Vinte contos menores. Rio de Janeiro: Record, 
1979, p.20.

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