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Interno - Restrito aos colaboradores do Paraná Banco, 4UM ou PBTech. COMÉRCIO ELETRÔNICO E MÍDIAS DIGITAIS AULA 3 Prof.ª Adriana Bastos da Costa 2 CONVERSA INICIAL Uma das dificuldades de alguns consumidores quando estão experimentando uma compra eletrônica é a falta da “sensação de tato” com o processo de compra. Essa sensação está relacionada com o fato do ser humano precisar interagir socialmente. Para superar esse aspecto é preciso uma forte e grande atividade de convencimento que não é tão fácil de ser executada em um ambiente virtual. O atendimento online traz certo nível de incômodo aos consumidores, principalmente pela aversão que muitas pessoas possuem ao desenvolver atividades de conversação com elementos não humanos. O apoio da inteligência artificial mais humanizada no contato pode suavizar a má impressão, mas ainda assim ela não é facilmente superável. Deve-se buscar sempre minimizar o fato de agentes não humanos poderem não estar preparados para respostas a perguntas inesperadas, em que uma resposta incorreta pode colocar a perder todo o processo de negociação. Além disso, a necessidade de um processo de logística perfeito, na entrega e no acompanhamento, aliada à possibilidade de arrependimento do consumidor, caso ela não seja a mais próxima do ideal, está muitas vezes ligada à desistência, que pode acarretar custos que devem ser bancados pelo lojista. Nesta aula vamos estudar alguns aspectos relacionados com a logística necessária para garantir a entrega adequada dos produtos adquiridos por um cliente em uma compra em um comércio eletrônico. Para um cliente, a experiência da compra está muito relacionada com a velocidade e qualidade da entrega dos produtos adquiridos. Esta aula está dividia em cinco temas principais, sendo eles: • Principais processos de logística • Outsourcing, fulfillment e sistemas de gestão • A logística como diferencial competitivo • Frete como ferramenta de venda • Novos modais e ferramentas de integração Vamos explorar o mundo da logística, e entender como ele ajuda na experiência de compra digital dos clientes. 3 CONTEXTUALIZANDO Os hábitos de consumo mudaram e com isso, os negócios precisam evoluir para acompanhar as novas exigências dos consumidores. Atualmente é possível comprar de qualquer lugar, de qualquer dispositivo eletrônico e em qualquer horário do dia ou da noite. Mas a experiência de compra não é completa até que se receba o produto comprado ou se possa utilizar o serviço adquirido. Dessa forma, receber o produto ou serviço e a qualidade do serviço de entrega é algo fundamental para completar a experiência de compra. E quanto mais rápido isso acontecer, melhor será a experiência como um todo. A paciência continua sendo uma virtude, mas a agilidade é algo mais urgente para os consumidores. Por conta da necessidade de agilidade é que a Amazon e a Google criaram mecanismos de aceleramento de entrega. Os mecanismos chegam a impressionar, pela velocidade em que a entrega pode ser feita. Mercadorias adquiridas na parte da manhã de um dia, chegam a ser entregues na parte da tarde do mesmo dia. Claro que o custo para que essa agilidade seja possível, ainda é alto e representa um elemento de desvantagem a ser considerado. Os consumidores querem comprar por meio de um e-commerce assim como compram em canais tradicionais, ou seja, querem bom atendimento e apoio em caso de imprevistos, e também querem tirar dúvidas, sobre produtos e processos de compra rapidamente. É por isso que a estruturação de processos e ferramentas de pós-venda é essencial. Um consumidor insatisfeito se torna um potencial problema para a difamação da marca, colocando em xeque a credibilidade, a qualidade e até mesmo a sobrevivência do negócio. Por outro lado, um bom atendimento faz com que os clientes se tornem fiéis e propaguem as boas qualidades de forma positiva para a empresa. E na internet, tudo se torna muito grande rapidamente, as recomendações boas ou ruins são facilmente divulgadas para um número extremamente alto de consumidores ou potenciais consumidores. No quesito logística, o e-commerce deve propiciar uma boa variedade de opções de frete, desde os mais rápidos e mais caros, até os mais em conta e, consequentemente, mais demorados. Também é importante oferecer possibilidades de retirada em pontos físicos e ter uma política clara de devolução de produtos. 4 Vamos entender um pouco mais sobre isso. TEMA 1 – PRINCIPAIS PROCESSOS DE LOGÍSTICA Atualmente, um dos maiores desafios do comércio eletrônico está associado com a logística de entrega dos produtos. Isso porque é preciso equilibrar o tempo de entrega com um custo aceitável para o serviço oferecido. Há pouco tempo, um dos maiores problemas do e-commerce era dar a devida segurança aos clientes e a confiança que o produto chegaria até seu comprador com a qualidade esperada. Não que esse problema tenha sido completamente solucionado, mas essa barreira foi aos poucos sendo minimizada em função do hábito cada vez maior das compras online, da maior quantidade de pessoas com acesso à web e da evolução dos mecanismos de segurança, sem contar leis e normas regulamentadoras. Dessa forma, a área de logística foi aperfeiçoada, tornando os processos melhores, com mais informações e comunicação. Os processos de logística passaram, inclusive, a ser um item na decisão de compra. Como tudo evolui, o desafio do momento é o atendimento ao cliente. É esse o diferencial que muitos lojistas procuram garantir para manter clientes fiéis e satisfeitos. O ponto fundamental desta satisfação é ter consumidores que sejam embaixadores da empresa na internet, divulgando a marca e os produtos por meio de recomendações positivas sobre as comprar realizadas. A tecnologia permite que as lojas virtuais que se comuniquem com os clientes por vários canais: chats, redes sociais etc. O atendimento se envolve essencialmente com a logística, já que grande parte do contato dos compradores com as empresas se dá por questões de entrega ou devoluções de pedidos. Se o e-commerce é feito essencialmente por tecnologia, o atendimento é o que dá uma dimensão humana aos negócios eletrônicos, por isso precisa ser bem estruturado. O artigo disponível no site (acesso em 5 abr. 2024) reforça que uma das etapas mais importantes na gestão de um e-commerce é a logística, pois o processo envolve desde a organização do estoque até o envio de um produto ou serviço, comprado em uma loja virtual. 5 Portanto, para que o negócio conquiste um lugar de destaque no mercado e também ofereça uma excelente experiência de compra para seus clientes, é preciso investir na logística para e-commerce. A gestão de entregas é um processo com diversas etapas. Do momento em que o cliente realiza a compra até o recebimento do pedido, o produto passa por diferentes fases e a área de logística deve ter o controle de todas elas. Um conceito muito importante de ser entendido é o conceito da logística inbound e outbound. • Logística inbound – está relacionada ao fluxo de materiais, dados e informações desde os fornecedores de matéria-prima até o recebimento das mercadorias pela fábrica. • Logística outbound – se faz presente quando a mercadoria está pronta para ser entregue ao mercado. Portanto, é a responsável pela distribuição dos itens ao consumidor. A variedade de opções de entrega, quando falamos da logística outbound, pode ser um diferencial que agrada a vários consumidores, mas que deve ser bastante planejada pelo negócio. Vamos analisar alguns tipos de opções de entrega disponíveis em vários e-commerces. 1.1 Logística própria A primeira decisão a se tomar, quando estamos planejandoa logística do comércio eletrônico é se o serviço será próprio ou terceirizado. Em ambos os casos existem vantagens e desvantagens. É preciso analisar a melhor opção para a estratégia do negócio. A logística própria é a que envolve uma frota própria, ou seja, a empresa possui veículos próprios, contrata os motoristas e controla todo processo de entrega. A grande vantagem, neste caso, é que os motoristas estão sempre à disposição da empresa, não sendo necessário agendamento com empresas terceiras de dia e horário para as entregas. A desvantagem principal é quanto à necessidade de roteirização para otimizar o custo com as entregas. A opção de logística própria deve ser escolhida caso a empresa queira ofertar, como diferencial estratégico, a opção de entregas mais rápidas e personalizadas. Toda a gestão do processo de logística fica centralizado na empresa, facilitando o gerenciamento de atendimento de clientes VIP. 6 Por outro lado, a logística terceirizada envolve a contratação de uma empresa terceira para cuidar de suas entregas, que atenderá em dias e horários pré-definidos, para entregar um determinado volume de carga e com um serviço padronizado e igual para todo tipo de produto. A vantagem de contar com uma frota terceirizada é que a empresa pode ter vários parceiros para atender sua demanda, mantendo, inclusive, contingência para entregas mais ou menos urgentes. Trata-se de um modelo mais flexível, que proporciona melhores custos de frete, pela otimização que o parceiro consegue quando está gerenciando muitas entregas ao mesmo tempo. Como desvantagem, pode-se dizer que a empresa contratante tem menos controle sobre os processos de entrega, sobre a qualidade dos motoristas empregados e pouco ou nenhum poder de decisão. A decisão não é simples, pois envolve vários fatores, mas deve estar alinhada com a estratégia da empresa e com a experiência de compra que se quer oferecer aos clientes. 1.2 Dropshipping Dropshipping é uma modalidade de entrega utilizada pelos maiores e-commerces do mundo, tais como Amazon, eBay e Mercado Livre, que se apropriam do estoque de produtos de terceiros para realizar suas vendas. Isso mesmo, alguns produtos vendidos por estes gigantes do comércio eletrônico não saem de seus próprios armazéns. O que é muito interessante para a empresa, pois não há investimento em estoque físico e nem em local de armazenagem, além de ajudar outras empresas menores a crescer no mercado. Vamos detalhar esta modalidade de logística. A palavra dropshipping nasceu da junção de duas outras palavras em inglês: drop, que significa largar, e shipping, que pode ser traduzida como remessa. Ou seja, baseado na origem da palavra, podemos entender que a utilidade da técnica para as lojas virtuais é delegar a entrega e o estoque dos produtos por conta da empresa parceira. Com o dropshipping, o e-commerce faz a venda do produto e envia a ordem dessa transação para o fornecedor parceiro, que se torna o responsável por enviar o item para o cliente em nome da loja virtual de origem. O lucro da empresa parceira pode ser fixo, de acordo com a localidade da entrega e o peso do produto, ou um percentual sobre o preço do produto, acordado com o e-commerce que o contratou. O e-commerce precisar inserir no 7 valor do produto cobrado do cliente final o custo do parceiro para realizar o serviço de entrega. Essa modalidade de logística faz com que o e-commerce se preocupe com a venda, sem a necessidade de investir em estoque e transporte para entrega para o consumidor. 1.3 Crossdocking Com a evolução do comércio eletrônico e a necessidade de uma logística cada vez mais ágil e aderente às necessidades das empresas e dos clientes, novas modalidades de serviços de entrega estão surgindo no mercado. E nesse caso, envolve até mesmo a estratégia de lançar um novo produto no e-commerce para testar a aceitação pelo mercado. Crossdocking é uma expressão de origem inglesa que pode ser traduzida como “cruzamento de docas”. De forma prática, trata-se de um sistema diferenciado para a distribuição de mercadorias utilizando centros de distribuição. A principal vantagem no uso do crossdocking é aproveitar toda a infraestrutura já existentes nos centros de distribuição para que as cargas sejam separadas e enviadas a seus destinatários imediatamente, ou no máximo em 24 horas. Os fornecedores entregam os produtos nos centros de distribuição e não para o cliente final, e a gestão logística da entrega para a ser do centro de distribuição. Essa configuração vem ganhando bastante espaço entre os comércios eletrônicos que dispensam uma estrutura física mais robusta, um grande investimento em estoque e, consequentemente, reduz o custo de manutenção e gerenciamento da logística. Ou seja, com essa modalidade é possível lançar novos produtos do e-commerce para testar a aceitação do consumidor final. Se o produto for vendido, a empresa aciona o fornecedor. Este entrega o produto em um centro de distribuição, que será o responsável pela entrega ao consumidor final. Pode-se ainda fazer crossdocking sem a intermediação de um centro de distribuição, com o fornecedor entregando o produto no e-commerce, que deve estão se responsabilizar pela entrega ao consumidor final. A desvantagem dessa modalidade é que o tempo de recebimento do produto pelo consumidor final pode ser um pouco maior, devido ao formato do processo, que depende de um fornecedor para disponibilizar o produto. Porém, o lojista só terá desembolso financeiro se o produto for vendido. Novamente, é 8 uma decisão baseada em custo X benefício, de acordo com a estratégia do negócio. Saiba mais Para se aprofundar mais no conceito, leia o artigo disponível no site . Acesso em: 4 nov. 2021. E para se aprofundar da diferença entre as modalidades de dropshipping e crossdocking, assista o vídeo disponível no link do Youtube: . Acesso em: 4 nov. 2021. O Mercado Livre é um grande marketplace, que dá muita visibilidade para produtos de e-commerce não conhecidos no mercado. Assista ao vídeo a seguir e veja como iniciar um negócio por meio da estrutura do Mercado Livre: . Acesso em: 4 nov. 2021. TEMA 2 – OUTSOURCING, FULFILLMENT E SISTEMAS DE GESTÃO A decisão do melhor processo de logística é fundamental em um e-commerce, pois faz parte da identidade da empresa e de como a empresa quer que o mercado a veja. Vimos no tema anterior que a importância da entrega dos produtos tem criado várias formas de organizar o processo de logística. A primeira decisão do e-commerce é definir entre manter um processo próprio de entrega ou contratar o serviço de um terceiro. Se a decisão for manter um processo de logística próprio, é preciso investir em um bom sistema de gestão, que apoie o processo como um, garantindo a agilidade e a eficiência do processo. Se a decisão for terceirizar o serviço de entrega, é preciso decidir também como será feita a terceirização. Pensando nisso, vamos discutir conceitos como outsourcing e fulfillment, que estão relacionados com a estratégia de terceirização que pode ser adotada em um comércio eletrônico. 9 2.1 Outsourcing Como em qualquer negócio, no e-commerce também é fundamental buscar eficiência por meio de boas estratégias e um planejamento completo no negócio. O outsourcing logístico pode ser definido como uma modalidade de gestão que contrata profissionais terceirizados para a realização de atividades que não dizem respeito à atividade principal do e-commerce. Ao utilizar o outsourcing é possível terceirizar partes do processo de logística, dependendo da decisão de negócio e da estratégia adotada, sempre pensando em vantagens e desvantagense, custo X benefício. Um exemplo de terceirização de logística é a escolha por trabalhar contratando transportadoras para a entrega dos produtos, ao invés de manter uma frota própria com motoristas contratados para realização das entregas. Essa é uma decisão que depende de características específicas do negócio, por exemplo, quando o perfil de carga é fracionado ou ocorre em pequenas quantidades, não ocupando integralmente um veículo, gerando, portanto, o ônus do espaço ocioso, que as transportadoras trabalham para reduzir. Além disso, o custo com frota própria é fixo, enquanto que o contrato de terceirização pode ser feito por transação de venda, ou seja, é possível pagar quando utilizar o serviço. Esta modalidade está diretamente relacionada com o dropshipping e o crossdocking, discutidos no tema anterior desta aula. É nesse cenário que o outsourcing logístico vem se destacando e está sendo integrado ao cotidiano de negócios de todos os segmentos. A terceirização permite que tarefas sejam executadas com mais agilidade e eficiência, o que traz benefícios significativos e proporciona uma melhoria expressiva nos resultados da empresa. A chamada quarteirização, ou seja, um parceiro que gerencia terceiros também vem crescendo sua inserção na estratégia corporativa. A decisão, novamente, depende da estratégia que se deseja adotar, lembrando que um serviço terceirizado pode não atender aos requisitos de tempo de entrega e qualidade do serviço que se deseja oferecer aos consumidores. Para se aprofundar neste assunto, leia o artigo disponível no link: acesso em: 19 jul. 2022. 10 2.2 Fulfillment O fulfillment funciona como uma ‘corrente de ligação’ fundamental para que a cadeia de suprimentos foque na experiência do consumidor, buscando um processo de atendimento que seja preciso, contínuo e confiável. O termo fulfillment é originário do inglês e significa, em tradução livre, cumprimento, realização, preenchimento. Na logística, o fulfillment é terceirização completa do processo agrupando todas as operações cruciais para atender às necessidades do cliente. Por conta disso, o fulfillment exige uma atuação integrada de diversos setores para garantir a excelência do serviço prestado, envolvendo, além da logística, a tecnologia utilizada, o atendimento prestado ao cliente e o marketing. O fulfillment tem crescido muito no mercado e se justifica pela necessidade do negócio em focar no atendimento do cliente buscando a excelência, que nem sempre é obtida com profissionais menos especializados no assunto. Muitas vezes, o custo de contratar empresas especializadas na logística ou no marketing digital é melhor do que investir em contratação e gerenciamento de profissionais próprios, exigindo cargos de gestão e uma área de RH mais robusta para reter os colaboradores. A terceirização pode simplificar o dia a dia de uma empresa. Mas é preciso de atentar para outros pontos, fundamentais na gestão de fornecedores, que é ter um contrato bem escrito e com cláusulas claras de atendimento e de níveis de serviço, para garantir a qualidade desejada na experiência proporcionada ao cliente final. Para conhecer mais sobre as vantagens e desvantagens de se adotar um modelo de fulfillment, leia o artigo disponível no link: acesso em: 28 fev. 2023. 2.3 Sistemas de gestão Se o foco da empresa for manter a gestão do processo de logística internamente, será necessário investir em um sistema que apoie e organize todos os processos envolvidos. É de extrema importância a entrega do produto para a satisfação do cliente em sua jornada de compra. Com isso, o sistema de gestão escolhido deve 11 manter um controle eficiente do processo logístico, que mantenha a informação sobre a venda e sobre os clientes centralizada e organizada. Com o aumento no volume de transações, um e-commerce possui um grande fluxo de dados que são gerados todos os dias pelos mais diversos setores da empresa. Com isso, ter um sistema que automatize, minere e ofereça informações de forma clara e objetiva para a gestão logística é essencial para garantir a eficiência do processo de compra como um todo. A decisão pelo sistema de gestão não é fácil, e deve ser feita com cuidado. Se a empresa já possui um ERP e um CRM, é importante que o sistema de gestão converse com os demais, buscando sempre a integração do todo. Alguns ERPs já possuem módulos de logística, o que pode ser bastante atraente tanto na parte financeira, quanto na parte de integração de funcionalidades. TEMA 3 – A LOGÍSTICA COM DIFERENCIAL COMPETITIVO A pandemia vivida com a disseminação do covid-19 trouxe novos hábitos para a sociedade, incluindo o aumento das compras on-line de produtos e serviços, dispensando deslocamento e o contato social físico com outros indivíduos. Essa nova realidade impulsionou ainda mais o comércio eletrônico, fazendo com que empresa que não eram digitais, rapidamente investissem nesse canal de vendas. A internet é um mundo altamente competitivo, pois permite aos consumidores serem mais críticos e exigentes, pela facilidade de busca por informações. Isso leva as empresas a buscarem novos diferenciais para seus negócios, a fim de atrair e conquistar clientes. A logística entra como um diferencial exatamente por poder oferecer custos mais baixos para os produtos e agilidade de entrega para os clientes. A empresa que consegue oferecer diferenciais como estes, consegue cativar seus clientes e conquistar novos. Algumas empresas investem, planejam e coordenam suas ações gerenciais de forma integrada, do fornecimento da matéria-prima até a certeza do perfeito atendimento ao cliente. A experiência do cliente faz toda a diferença em continuar como cliente ou não de um e-commerce. Além do preço, o cuidado com a embalagem do produto e com o cumprimento do prazo acordado fazem toda a diferença no processo de compra. 12 Especialistas do mercado de e-commerce garantem que a logística é um alavancador de resultados, de custos, também, de atendimento aos clientes, contribuindo para a sua fidelização, como reforçado pelo artigo disponível no link , acesso em: 4 nov. 2021. A logística pode envolver vários aspectos, como: o transporte em si, a gestão do estoque, a embalagem de apresentação do produto e a estrutura física de armazenagem, que pode influenciar na qualidade do produto entregue ao cliente. Desta forma, o gerenciamento da logística pode ser considerado como sendo uma ferramenta capaz de garantir a melhoria do nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes finais por meio de um planejamento específico de adequado à estratégia da empresa. Um outro fator relacionado com a logística é o fato de que o aumento das vendas on-line, proporcionalmente, também houve um aumento no número de devoluções dos produtos. Dessa forma, a logística deve garantir não só a entrega dos produtos, mas também sua retirada e possível troca. A devolução e troca também deve ser considerada como parte da experiência da compra online, podendo gerar satisfação ou insatisfação dos clientes, de acordo com o serviço que é fornecido. A complexidade do mundo está diretamente relacionada à complexidade dos negócios e à velocidade de adaptação que as empresas precisam garantir para se manterem competitivas no mercado. TEMA 4 – FRETE COMO FERRAMENTA DE VENDAS Seguindo o mesmo pensamento descrito no tema anterior, todos os passos da experiência de compra devem ser encarados como um diferencial competitivo para o negócio. As oportunidades de ofertas e serviços são enormes e disponíveis muito facilmente paraos consumidores na internet. O diferencial que faz um cliente comprar na loja A ou B pode ser as opções de frete, por exemplo. Por isso, todo o cuidado com o processo de vendas é fundamental para garantir o sucesso ou o fracasso de um e-commerce. Quem nunca usou o filtro de “frete grátis” do Mercado Livre para selecionar se o produto seria comprado do fornecedor A ou B? Esse é um 13 exemplo que como as vendas podem ser alavancadas a partir da estratégia de frete adotada. Uma ação de marketing do tipo que oferece frete grátis em compras acima de um determinado valor tem como objetivo atrair público, e consequentemente, aumentar as vendas. Quando falamos de e-commerce, questões relacionadas ao frete sempre chamam a atenção do consumidor, pois este é um custo que gera “dor” no processo de compra. A facilidade da compra por meio eletrônico e contrabalanceada pelo desta experiência. E um dos principais vilões deste ponto negativo é o frete. Tanto que a pesquisa do E-commerce Trends de 2021, disponível em: (acesso em: 4 nov. 2021), mostrou que cerca de 80% dos abandonos de carrinho são causados pelo valor da entrega no total da compra. Pela pesquisa, fica claro que o frete é uma das maiores dores do cliente de e-commerce, e usá-lo como uma maneira de destacar positivamente a loja virtual é uma ação estratégica cada vez mais utilizada. Algumas estratégias estão sendo usadas pelos comércios eletrônicos quando o assunto é frete. Vamos analisar algumas delas. 4.1 Implementando lockers e pickup store Cada vez mais a satisfação do cliente é o foco principal do e-commerce e as estratégias de vendas e de entregas criadas possuem o foco de dar mais opções para o consumidor. Um locker é popularmente conhecido como armário, ou, no sentido dado pela logística, o locker é definido por um espaço em que uma ou mais empresas disponibilizam os produtos comprados pelos clientes. Esses produtos podem ser retirados pelos clientes apresentando algum comprovante da compra, como o QR code gerado pelo website da empresa que realizou a venda ou com o código recebido por e-mail, após o pagamento concluído. A vantagem em se optar pela entrega feita por meio de um locker é reduzir o tempo de espera para que o cliente receba o produto comprado. O locker precisa tem comodidades como estar disponível para acesso 24hs por dia e ser bem localizado, facilitando o acesso dos clientes. Já o conceito de pickup store faz a integração da entrega física a partir de uma venda on-line. Ou seja, dá ao cliente a opção de retirar o produto em uma loja própria, mesmo comprando o produto em um website. Lojas como Renner, 14 Tok&Stok e C&A, por exemplo, oferecem essa modalidade de frete para o cliente. O Mercado Livre também possui a opção de entrega no endereço informado pelo cliente ou a retirada do produto em um ponto de entrega próprio. A diferença no valor do frete entre uma opção ou outra pode ser considerável. São opções que oferecem oportunidade de escolha para o cliente e, consequentemente, aumenta a probabilidade de novas vendas. 4.2 Geolocalização de pedidos Como aumento do uso dos smartphones para a realização de compras on-line, novas tendências foram criadas e inovações surgem o tempo todo, sempre com o foco de melhorar a experiência do cliente. A geolocalização é mais uma destas tendências inovadoras do e- commerce que estão ganhando o mercado. Os smartphones de hoje em dia já contam com sistemas automaticamente incorporados para determinar a localização do aparelho conectado a uma rede de telefonia móvel. A geolocalização permite um constante monitoramento da localização e do trajeto de bilhões de pessoas pelo mundo. O uso de geolocalização depende da autorização do dono do celular, mas é vantajoso tanto para o cliente quanto para o e-commerce. Para o e-commerce é a possibilidade de ofertar seus produtos e opções de preços diferenciados a partir da localização do consumidor. E para o consumidor, é a facilidade de receber informações sobre produtos com preços atraentes em determinados locais onde estejam. Atualmente, a geolocalização é a base de muitos serviços on-line que fazem parte da rotina de várias pessoas, tais como o aplicativo do Uber, do Waze, do IFood e até mesmo games como o Pokémon Go. Esses aplicativos coletam informações sobre hábitos e comportamentos e traduzem esse conhecimento em melhorias para a experiência do usuário, além de oferecer diferenciais exclusivos segundo a sua localidade. É a tecnologia influenciando hábitos e necessidades. 15 4.3 Real time tracking A necessidade de controlar o trajeto e o tempo das entregas leva lojistas e buscar o controle e previsibilidade do processo de entrega dos produtos para os compradores. O real time tracking, ou rastreamento em tempo real, permite rastrear onde está um pedido de compra, ajudando a prever, com mais precisão, o tempo de entrega, podendo chegar até a identificar o dia da entrega ao cliente final. Essa possibilidade ajuda na gestão da entrega para o cliente, gerando uma sensação de controle, tanto para o lojista quanto para o cliente. São facilidades oferecidas que melhoram a experiência do cliente com o processo de compra. TEMA 5 – NOVOS MODAIS E FERRAMENTAS DE INTEGRAÇÃO A logística é baseada em modais de transporte muito bem estruturados, como o transporte rodoviário, aéreo ou marítimo, por exemplo. Cada modal possui vantagens e desvantagens, como custo e tempo de entrega. Com a evolução da tecnologia, novos modais estão surgindo, diversificando ainda mais as opções de entrega que podem ser oferecidas aos clientes. Não é mais algo absurdo pensar em entregas feitas por carros autônomos ou por drones. Aliás, são opções que já estão sendo testadas em alguns lugares do mundo. Mais uma vez é a tecnologia influenciando a economia e a forma de se fazer negócios. O artigo disponível no link (acesso em: 4. nov. 2021) explora algumas dessas inovações e tendências que transformam as opções de entrega de produtos para o cliente final. Mesmo com a tecnologia emergente possibilitando novas oportunidades de oferta de serviços, a experiência do cliente e a sua percepção do mundo continua sendo o motor que impulsiona as tendências que vão virar realidade no e-commerce. Pensando nisso, a sustentabilidade tem aparecido como um fator influenciador para venda de marcas e produtos que usam estes conceitos. A 16 preocupação com o futuro do planeta é algo que está cada dia mais nas decisões de consumo de vários consumidores brasileiros e mundiais. Vamos entender como a sustentabilidade pode influenciar comércio eletrônico. 5.1 Logística reversa A logística reversa envolve a preocupação com o destino dado a embalagens utilizadas pelos produtos que compramos. Conforme a Lei Federal 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a logística reversa é caracterizada “por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada” (Cetesb, [S.d.]). A logística reversa é realizada por meio de sistemas organizados que promovem a coleta, reuso, reciclagem, tratamento e disposição final dos resíduos gerados após o consumo de diversos produtos, envolvendo o próprio produto já sem uso e as embalagens descartadas destes produtos. A preocupação com a logística reversa envolve o tratamento correto dos resíduos, reaproveitando tudo o que pose ser reaproveitado, gerando possibilidade de renda para várias pessoas. A Logística Reversa é uma estratégia de diferenciação e tudocomeça pela elaboração de um plano de negócio delimitando as ações, da coleta à reutilização, reciclagem ou desmanche. Como em qualquer planejamento de negócio, o segredo do sucesso está na implantação gradativa das medidas, avaliando os resultados periodicamente (Mundo Logística, [S.d.]). Empresas como a Nespresso e Quem disse Berenice promovem ações de marketing baseadas na logística reversa, reciclando as embalagens de seus produtos e oferecendo incentivos a seus clientes para a realização da prática de devolução das embalagens. Essas medidas geram uma visão positiva sobre a marca, pois o mercado entende que a sustentabilidade é algo bom para a sociedade e a empresa que investe nisso é uma empresa de valor. 17 TROCANDO IDEIAS Como você se sente com as inovações tecnológicas cada vez mais avançadas no atendimento das empresas? Você, enquanto cliente de um e-commerce, se importa com tipo de atendimento que recebe? Acha que a tecnologia desumaniza o relacionamento das empresas com seus consumidores? Que vantagens e desvantagens você enxerga no cenário atual? A inteligência artificial é um aliado ou um problema para os negócios eletrônicos. Pense sobre estes pontos e sobre a sua própria experiência de compra on-line. Participe dessa discussão e aumente seu conhecimento sobre o assunto. NA PRÁTICA O foco desta aula será, partir da importância da logística para o comércio eletrônico, praticar um pouco a logística reversa. São muitos os motivos que podem levar um produto a retornar para o lojista, por isso o processo de devolução precisa estar bem organizado, para ser o mais rápido e custar o menos possível para a empresa. Use a internet e a nossa biblioteca virtual disponível para você, para pesquisar sobre a logística reversa. Após a pesquisa e entendimento do seu funcionamento, responda às seguintes perguntas: 1. A logística reversa, apesar de ser encarada como algo negativo, pode ser um diferencial competitivo nos negócios eletrônicos? Se sim, como? Aqui a resposta deve conter algo como: a logística reversa, apesar de envolver custo para o lojista, pode ser visto como um diferencial competitivo por conta da imagem de sustentabilidade que passa para e da preocupação com a satisfação dos consumidores. Reforça a marca pelo envolvimento com o meio ambiente e com o cuidado pós-venda. 2. Quais são os principais pontos para que a loja virtual tenha uma boa logística reversa? Aqui a resposta deve conter algo como: a loja deve pensar em oferecer forma de descarte das embalagens e até mesmo uma forma de programa de fidelidade para quem descarta corretamente, com desconto em produtos, ou algo parecido. E deve pensar em como facilitar a devolução de produtos, que tenham satisfeito a necessidade do cliente. 18 3. É possível usar a logística reversa como indicador de negócios no comércio eletrônico? Se sim, de que formas? Aqui a resposta deve conter algo como: Sim, é possível usar a logística reversa como indicador. Seja acompanhando a quantidade de devoluções X quantidade de compras realizadas. Seja acompanhando a satisfação dos consumidores com campanhas de descarte adequado de embalagens, por exemplo. Compartilhe com a turma as suas opiniões sobre as questões propostas aqui. Ouça as opiniões dos outros e aumente o seu conhecimento sobre o assunto. FINALIZANDO Nesta aula discutimos sobre as dificuldades que um e-commerce sofre quando falamos da falta de experiência social do consumidor no processo de compra on-line. Para minimizar esse sentimento de isolamento, é preciso se colocar no lugar do consumidor e proporcionar o maior e mais humanizado contato possível ao longo do processo de compra e até mesmo depois dele, na entrega do produto adquirido. Essa preocupação com o atendimento personalizado e de qualidade para o cliente é um diferencial competitivo para o e-commerce e um ponto de fidelização dos consumidores, além de garantir boas recomendações nas redes sociais. 19 REFERÊNCIAS CETESB. Logística reversa. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 4 nov. 2021. MUNDO LOGÍSTICA. O que é logística reversa? [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 4 nov. 2021.