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<p>Conteudista: Prof.ª M.ª Silvana Feliciano Pereira Gomes</p><p>Revisão Textual: Esp. Anna Carolina Guimarães</p><p>Objetivos da Unidade:</p><p>Conhecer aspectos históricos, políticos e assistenciais em saúde mental e suas</p><p>influências na realidade de atendimento atualmente;</p><p>Compreender a política atual e as abordagens legais, assim como entender as</p><p>instituições nos diferentes níveis de assistência em saúde mental e através da</p><p>comunicação terapêutica amenizar o sofrimento físico e mental.</p><p>📄 Material Teórico</p><p>📄 Material Complementar</p><p>📄 Referências</p><p>História da Psiquiatria, Conceitos, Política de</p><p>Saúde Mental e Comunicação Terapêutica</p><p>Um Breve Histórico da Psiquiatria</p><p>Por muito tempo, os portadores de doenças mentais foram considerados alienados.</p><p>Eram vistos como pessoas que viviam fora da realidade, sem capacidade para entender</p><p>ou exercer seus direitos. Hoje, essa história já mudou bastante e a luta diária é para que</p><p>os usuários de serviços de Saúde Mental possam ter um tratamento diferenciado e para</p><p>que a sociedade os respeite como seres humanos comuns, mesmo com capacidades</p><p>restritas e algumas limitações. Apesar dos avanços do modelo assistencial e da</p><p>humanização do atendimento, a história mostra que as atitudes em relação aos</p><p>portadores de transtornos mentais nem sempre foram as mais adequadas.</p><p>Na Grécia Antiga, acreditavam que os loucos possuíam poderes divinos. Na Idade</p><p>Média, eram associados ao demônio e vistos como entes possuídos e, por isso,</p><p>passavam seus dias acorrentados e expostos ao frio e à fome ou, em casos extremos,</p><p>queimados em fogueiras como hereges. Esse tipo de tratamento se estendeu até o</p><p>século XVIII.</p><p>Nessa época, ainda não se falava em doença mental e, como sempre, o desleixo com as</p><p>pessoas acometidas de transtornos mentais persistia. Todos que apresentavam um</p><p>comportamento diferente, sobretudo quando agitados e agressivos, eram</p><p>considerados loucos. A sociedade, preocupada apenas com a sua segurança,</p><p>permanecia com a mesma conduta: jogava os loucos em prisões e eles lá ficavam ao</p><p>lado de outros excluídos à espera da morte.</p><p>Página 1 de 3</p><p>📄 Material Teórico</p><p>As reformas políticas e sociais, na virada do século XVIII para o século XIX, inspiraram</p><p>o francês Philippe Pinel a dar o primeiro passo para mudar a vida dessas pessoas. A</p><p>loucura tornou-se uma questão médica e passaria a ser vista como uma doença que</p><p>poderia e deveria ser tratada. Surgiram a clínica, como local de internação, e os estudos</p><p>sobre psiquiatria. Com essa nova estrutura, coube aos enfermeiros os cuidados com os</p><p>loucos. Na constante tentativa de dominar a loucura e defender-se de tudo o que o</p><p>desconhecido representava, as instituições psiquiátricas no mundo inteiro se</p><p>transformaram em locais de repressão, onde o paciente era isolado da família que</p><p>desconhecia ou ignorava o que se passava com ele.</p><p>A partir dessas mudanças, o médico que se especializava no tratamento dos alienados</p><p>era chamado de alienista e, após essas transformações, grandes nomes se destacaram</p><p>na medicina por suas pesquisas e inovações nessa área. Nesse período, pode-se</p><p>destacar o trabalho de Esquirol, aluno e seguidor de Pinel, precursor da psiquiatria, que</p><p>integrou, juntamente com Morel (1809-1873) e Edouard Séguin (1812-1880), a escola</p><p>francesa iniciada por Pinel. No século XIX, Emil Kraepelin, integrante da corrente</p><p>organicista alemã, que após cuidadosa descrição de sintomas clínicos, a evolução e a</p><p>análise anatomopatológica, formula uma nova doutrina que serve de referência às</p><p>próximas gerações de especialistas.</p><p>No século XX, Freud cria a psicanálise que se populariza em todo o mundo e se impõe</p><p>como marco no campo da Saúde Mental. Apesar de toda a evolução dos estudos sobre a</p><p>mente, entre 1940 e 1960 algumas terapias beiravam à barbárie. Havia o eletrochoque</p><p>(ainda usado, nos dias atuais, em casos graves com laudo de junta médica), a</p><p>malarioterapia (contaminação do paciente com o protozoário da malária na tentativa</p><p>de criar distúrbios), a insulinoterapia (coma diabético provocado por meio de injeção</p><p>de insulina) e o uso do cardiazol (droga para provocar convulsões).</p><p>Na década de 1960, Kaplan e sua psiquiatria preventiva e as experiências das</p><p>comunidades terapêuticas da Inglaterra criaram outros paradigmas até as ideias de</p><p>Franco Basaglia, lançadas na Itália, em 1968, e influentes até hoje no cuidado com o</p><p>paciente psiquiátrico. O Brasil passou por um desafio de implementar um processo de</p><p>desospitalização no tratamento de portadores de sofrimento psíquico. O objetivo dos</p><p>partidários da Reforma Psiquiátrica é transformar o quadro da Saúde Mental em uma</p><p>nova realidade, que tenha como lema “Cuidar, sim, excluir, não.”</p><p>As palavras de Octávio Inácio, um paciente do Centro Psiquiátrico Pedro II, agora</p><p>conhecido como Instituto Municipal Nise da Silveira, capturam de maneira poderosa a</p><p>essência da experiência de um interno diante das barreiras físicas de uma instituição.</p><p>Ele expressou: “O muro pode parecer bonito para quem está do lado de fora, mas para</p><p>quem está aqui, é horrível. Esse muro serve para fechar nossa vida para o lado de fora,</p><p>nós nunca poderemos ser considerados gente com um muro desses tapando a nossa</p><p>visão” (BRASIL, 2008, n. p.).</p><p>Hoje, boa parte desse muro foi substituída por uma grade e os doentes podem circular</p><p>dentro do hospital e, inclusive, fora dele. Esses esforços já dão sinais positivos,</p><p>especialmente pela forma com que o problema é enfrentado.</p><p>Nesse mesmo hospital, está sendo construída uma nova realidade: a Casa d’Engenho.</p><p>Criado em 1990, esse espaço não se parece com um hospital. Dentro dele o que há é</p><p>muito trabalho e calor humano. Pessoas portadoras de transtorno mental que são</p><p>tratadas corretamente e vivem com dignidade participam da sociedade como qualquer</p><p>outro cidadão. E são vários os exemplos de instituições que, mudando a forma de tratar</p><p>seus usuários, vêm transformando a vida de muita gente. Muitos ambulatórios</p><p>especializados em Saúde Mental só recorrem à internação em último caso e</p><p>desenvolvem várias atividades, não só com o usuário, mas também com suas famílias,</p><p>oferecendo assistência ambulatorial de consultas e oficinas terapêuticas.</p><p>A cidade de Santos, no litoral de São Paulo, foi a pioneira na transformação da Saúde</p><p>Mental no Brasil. Foi a primeira cidade brasileira e a quarta do mundo a construir uma</p><p>rede de serviços que substituía inteiramente o asilo e o manicômio. No Instituto</p><p>Philippe Pinel, no Rio de Janeiro, também se realiza um trabalho diferenciado. Trata-se</p><p>da TV Pinel, um espaço em que os usuários têm a possiblidade de se expressar por</p><p>meio da televisão. Em Volta Redonda, também no Rio de Janeiro, existe uma</p><p>experiência muito interessante: A Usina dos Sonhos. Nesse ambulatório especializado,</p><p>os usuários dão asas à sua criatividade e transformam sonhos em realidade. Fazem</p><p>artesanato, jardinagem, pintura; escrevem em um jornal e possuem até um conjunto</p><p>musical, os “Mágicos do Som”.</p><p>Com a implementação da Lei n. 36.570, de 1989, que consolida a substituição dos</p><p>serviços de natureza manicomial para serviços abertos na comunidade, surgem os</p><p>Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre outros (BRASIL, 1989). Essas unidades</p><p>de tratamento intensivo para portadores de sofrimento psíquico precisam contar com,</p><p>no mínimo, um psiquiatra, um enfermeiro e mais três profissionais de nível superior,</p><p>podendo ser clínico geral, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, entre</p><p>outras categorias, além de quatro profissionais de nível médio como auxiliar de</p><p>enfermagem, artesão, técnico administrativo e educacional, entre outros, de acordo</p><p>com a proposta do centro.</p><p>Nessas equipes é enfatizada a busca de autonomia, emancipação, liberdade e o direito</p><p>de expressão dos usuários. A luta pela melhoria da atenção à Saúde Mental é uma</p><p>bandeira do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pela quase totalidade do</p><p>tratamento psiquiátrico. No Brasil, experiências bem-sucedidas não faltam e podem</p><p>ser reproduzidas. A conscientização</p><p>política se faz presente para a ampliação desses</p><p>serviços, de forma igualitária e humanizada, proporcionando aos portadores de</p><p>transtornos mentais a possibilidade de reinserção social.</p><p>Philippe Pinel nasceu em 20 de abril de 1745, em Saint-André, Tam, França, e faleceu</p><p>em 25 de outubro de 1826, em Paris. Filho de médico, formou-se em medicina em</p><p>Toulouse no ano de 1773. Mudou-se para Paris em 1778 e, para se sustentar, traduzia</p><p>obras de medicina, ao mesmo tempo em que lecionava matemática. Nessa época, Pinel</p><p>visitava doentes mentais confinados e escrevia artigos sobre suas observações. Em</p><p>1792, tornou-se médico-chefe do asilo para homens, em Bicêtre. Em 1794, passou a</p><p>ocupar idêntico posto no Hospital La Salpêtrière, para mulheres. Em 1803, foi eleito</p><p>membro do Institut de France e, mais tarde, professor de patologia da Escola de</p><p>Medicina de Paris. Sob sua direção, o Hospital La Salpêtrière tornou-se um dos mais</p><p>conhecidos estabelecimentos neuropsiquiátricos do mundo, sendo que, mais tarde,</p><p>com acertada justiça, lá seria erguida uma estátua em sua memória.</p><p>Costuma-se falar de Philippe Pinel como um homem dotado de generosidade</p><p>incomum à sua época, conhecida por sua filantropia. O libertador dos alienados, aquele</p><p>que lhes quebrou as correntes e lhes deu dignidade, que os retirou das celas nas quais</p><p>estavam confinados há anos, atos que deixaram a sociedade e a classe médica</p><p>estarrecidas. Pinel, como se vê, teve fartas razões para ser considerado pioneiro no</p><p>tratamento de doentes mentais, sendo um dos precursores da psiquiatria moderna,</p><p>ramo da medicina a que ele se dedicou após a tragédia ocorrida com um amigo seu –</p><p>conta-se que tendo enlouquecido, o amigo fugiu para a floresta onde foi devorado por</p><p>lobos. Sem dúvida, foi um revolucionário no método de tratamento dos doentes</p><p>mentais.</p><p>Para a França Revolucionária, era de profundo interesse que seus cientistas se</p><p>sobressaíssem, e Pinel se constituiu, na área da medicina e da psicologia, em um dos</p><p>seus principais expoentes. Seus escritos privilegiam o refinamento literário,</p><p>característico da Europa do século XVIII e início do século XIX, em que predominaram</p><p>as concepções de humanismo e liberalismo, de forte influência iluminista. Pinel elevou</p><p>a categoria dos doentes mentais, antes tratados como criminosos ou endemoniados, à</p><p>condição de homo paciens e essa doença, como resultado de uma exposição excessiva a</p><p>estresses sociais e psicológicos e, em certa medida, a danos hereditários, sendo que</p><p>tais enfermidades decorriam de alterações patológicas no cérebro.</p><p>Com isso, baniu tratamentos antigos, tais como sangrias, vômitos, purgações e</p><p>ventosas, preferindo terapias que incluíssem a aproximação e o contato amigável com</p><p>o paciente, proporcionando-lhe, ainda, um programa de atividades ocupacionais, no</p><p>qual o tratamento digno e respeitoso foi a tônica.</p><p>O século XVIII na Europa foi aquele em que reinou, de forma absoluta, a razão, emanada</p><p>do pensamento de Descartes e entronizada pelos iluministas. Dessa forte tradição,</p><p>procedeu o pensamento de Philippe Pinel, em que o psíquico se tornou matéria de</p><p>conhecimento objetivo e quantitativo. Pinel foi o primeiro a elaborar uma classificação</p><p>para as doenças mentais, fato este que constituiu extraordinário avanço da psiquiatria.</p><p>Utilizou como principal método a observação e a análise de seus pacientes. Em sua</p><p>primeira obra, Nosographié Philosophique (1798), destinada à classificação das</p><p>doenças, distinguiu várias psicoses e descreveu, entre outros fenômenos, alucinações,</p><p>isolamentos e uma variedade de outros sintomas, o que lhe rendeu grande projeção.</p><p>Seu principal livro, um dos clássicos da psiquiatria, Traité Médico-Philosophique sur</p><p>l’Aliénation Mentale ou la Manie (1801), discutiu sua abordagem psicologicamente</p><p>orientada.</p><p>É possível dizer que Philippe Pinel distinguiu-se pelas inovações que introduziu. Sua</p><p>orientação foi visivelmente psicológica, suas ideias características de sua época, do</p><p>Iluminismo e das tendências promovidas pela Revolução Francesa: igualdade,</p><p>liberdade e fraternidade.</p><p>A psicologia, tendo em vista o momento em que as ciências físico-químicas e</p><p>biológicas monopolizavam as atenções, adotou, com a contribuição de Pinel, um</p><p>modelo de cientificidade, inspirado no marco referencial Galileico-Baconiano, uma</p><p>nova epistemologia e uma nova visão do homem que, em determinadas circunstâncias</p><p>da vida e de sua conflitualidade, expressa o sofrimento humano por meio da mente e</p><p>da alma.</p><p>Foi dessa forma que a psicologia, na metade do século XIX, aprendeu a considerar o seu</p><p>material de estudo como parte da natureza e a tentar explicá-lo em termos naturais, ou</p><p>seja, a psicologia tornou-se capaz de construir uma ciência, tanto na matéria como no</p><p>método, faltando pouco para passar a ser experimental, tarefa empreendida por</p><p>Wundt, em Leipzig, ao criar o primeiro laboratório de psicologia.</p><p>Assim, por qualquer lado que se olhe a vida e a obra desse extraordinário psiquiatra e</p><p>psicólogo, encontrar-se-á sempre a marca de alguém que revolucionou a concepção</p><p>de loucura de um tempo e promoveu um caminho de humanização e de libertação para</p><p>o enfermo mental, inscrevendo-o nos mais nobres ideários da modernidade:</p><p>dignidade e liberdade! O moderno movimento de humanização dos manicômios, a que</p><p>estão engajados os organismos de ponta da evolução social, não pode esquecer, na sua</p><p>trajetória de luta, que o seu representante primeiro foi, sem sombra de dúvida, Philippe</p><p>Pinel.</p><p>Aspectos Conceituais sobre Saúde e Doença Mental</p><p>Stefanelli (2004) define saúde mental como o equilíbrio e o bem-estar psicológico que</p><p>as pessoas cultivam e sustentam para uma convivência saudável na sociedade. Isso</p><p>envolve interações contínuas com outros indivíduos e o ambiente que os rodeia. A</p><p>saúde mental permite que as pessoas descubram e explorem suas metas e capacidades,</p><p>além de serem capazes de fazer ajustes quando necessário, considerando a diversidade</p><p>do mundo em que vivem. Ao mesmo tempo, a saúde mental implica a capacidade de</p><p>considerar e aceitar suas próprias limitações.</p><p>Já a doença mental é o estado que surge quando as pessoas não conseguem</p><p>desenvolver ou manter-se em funcionamento harmônico para viver com seu grupo</p><p>cultural ou em sociedade, não conseguindo transformar suas possibilidades em</p><p>realidade.</p><p>Aspectos Conceituais sobre Enfermagem em Saúde</p><p>Mental e Psiquiatria</p><p>Em 1978, Hildegard Peplau delineou as responsabilidades do enfermeiro que trabalha</p><p>na área de assistência psiquiátrica, bem como as funções do enfermeiro especializado</p><p>em enfermagem de saúde mental e psiquiatria.</p><p>A enfermagem em saúde mental e psiquiatria engloba uma ampla gama de contextos</p><p>de atendimento e grupos de pacientes, incluindo o cuidado prestado em casa, na escola</p><p>e em serviços que oferecem atenção altamente especializada às necessidades</p><p>emocionais e mentais das pessoas.</p><p>Esta especialidade de enfermagem concentra-se, principalmente, no cuidado da saúde</p><p>mental das pessoas e de suas famílias em todos os projetos de assistência, incluindo</p><p>promoção da saúde mental, manutenção, recuperação, prevenção de recaídas e na</p><p>preparação para a reintegração social ou reabilitação. Tudo isso é feito com respeito</p><p>aos direitos e deveres civis das pessoas atendidas (STEFANELLI, 2008).</p><p>O Papel do Enfermeiro</p><p>Segundo Stefanelli (2008), o papel do enfermeiro na área de enfermagem em saúde</p><p>mental e psiquiatria é caracterizado por uma parceria com os pacientes e suas famílias,</p><p>abordando todas as facetas dos distúrbios mentais. Isso exige que o enfermeiro esteja</p><p>comprometido com o trabalho em equipe interdisciplinar e tenha um conhecimento</p><p>abrangente para atuar de maneira adequada nos diversos serviços de saúde mental</p><p>disponíveis na comunidade, adaptando-se a cada situação e às necessidades das</p><p>pessoas que buscam ajuda.</p><p>O enfermeiro nesta área desempenha diferentes funções, dependendo das situações.</p><p>Isso inclui a preservação e promoção da saúde mental, a intervenção em crises quando</p><p>os recursos habituais das pessoas não são suficientes para lidar com situações</p><p>estressantes e novas. Além disso, o enfermeiro cuida de pessoas com transtornos</p><p>mentais em diversos níveis de gravidade, abrangendo desde casos de níveis até agudos</p><p>e crônicos.</p><p>No exercício de sua profissão, o enfermeiro se dedica ao cuidado de crianças,</p><p>adolescentes, adultos e idosos, acompanhando as diferentes experiências que esses</p><p>indivíduos enfrentam ao longo de suas vidas.</p><p>A Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiátrica se dedica ao bem-estar mental, tanto</p><p>individual quanto familiar, abrangendo desde a promoção e a preservação da saúde até</p><p>a recuperação. Além disso, atua na prevenção e na preparação para a reintegração</p><p>social, sempre respeitando os direitos e os deveres do indivíduo como cidadão.</p><p>Política e Saúde Mental</p><p>Hospital Psiquiátrico</p><p>O início do século XIX assinala o momento em que o hospital é percebido como fator</p><p>patogênico, causa de doença e de morte e, portanto, incompatível com a medicina</p><p>moderna.</p><p>Até então, o hospital não é uma instituição médica; é uma entidade religiosa destinada</p><p>à assistência a doentes pobres, forasteiros, soldados, marinheiros e outros. Não tem</p><p>por objetivo a saúde, mas a salvação: o plantão, por exemplo, é do “capelão da agonia”.</p><p>Sua arquitetura não obedece a um plano médico. Não há médico em sua administração.</p><p>A assistência hospitalar é, portanto, menos uma assistência à doença do que à miséria</p><p>na hora da morte, parte de uma ação criativa da Santa Casa da Misericórdia que inclui</p><p>crianças abandonadas, indigentes e prisioneiros. É nesse espaço que se encontram os</p><p>loucos, quando não vagam pelas ruas, ou no caso dos ricos são contidos pelas famílias.</p><p>E, no hospital, ele está como em uma prisão: trancado e até mesmo preso a um tronco</p><p>de escravos. Não é considerado um doente; não recebe tratamento; não tem médico ou</p><p>enfermeiro específico; vive sem condições higiênicas. Pode ser louco, mas ainda não é</p><p>doente mental.</p><p>No século XIX, a medicina coloniza o hospital. Ruptura com o passado que pode ser</p><p>compreendida não só a partir de transformações médicas, mas também econômicas</p><p>— advindas da abertura dos portos, da intensificação do comércio, da implantação de</p><p>manufaturas — e políticas que modificarão o Rio de Janeiro depois de 1808 e integrarão</p><p>ainda mais o Brasil na nova ordem capitalista internacional.</p><p>Nesse contexto, o papel que desempenham os médicos tem um objetivo claro:</p><p>combater a desordem social, o perigo dos homens e das coisas decorrente da não</p><p>planificação da distribuição e do funcionamento da cidade.</p><p>A medicina começa a se interessar por tudo o que diz respeito ao social. Deixa de ter</p><p>fronteiras. Peça integrante da nova estratégia política de controle dos indivíduos e da</p><p>população, vai pouco a pouco – não sem lutas e obstáculos – impregnar o aparelho de</p><p>Estado e se interessar por instituições como a escola, o quartel, a prisão, o cemitério, o</p><p>bordel, a fábrica, o hospital, o hospício... Sua política em relação ao hospital é clara:</p><p>dominar o perigo que grassa no seu interior. E, para isso, não basta expulsar o hospital</p><p>do centro da cidade; é necessário transformar o seu espaço, para capacitá-lo a realizar</p><p>a cura. O hospital é um operador terapêutico, uma “máquina de curar”.</p><p>Essa política orientou, em 1841, a criação, no Rio de Janeiro, do primeiro hospital</p><p>psiquiátrico brasileiro. Resultado de uma crítica higiênica e disciplinar às instituições</p><p>de reclusão, o Hospício de Pedro II significou a possibilidade de inserir, como doente</p><p>mental, uma população que se começa a perceber como desviante nos dispositivos da</p><p>medicina social nascente. De que forma? Realizando os seguintes objetivos: isolar o</p><p>louco da sociedade; organizar o espaço interno da instituição, possibilitando uma</p><p>distribuição regular e ordenada dos doentes; vigiá-los em todos os momentos e em</p><p>todos os lugares, por meio de uma “pirâmide de olhares” composta por médicos,</p><p>enfermeiros, serventes...; distribuir seu tempo, submetendo-os ao trabalho como</p><p>principal norma terapêutica. Terrível máquina de curar, que levou Esquirol a afirmar:</p><p>no hospício o que cura é o próprio hospício. Por sua estrutura e funcionamento, deve</p><p>ser um operador de transformação dos indivíduos. Em suma, é uma nova máquina de</p><p>poder, resultado de uma luta médica e política que impõe, cada vez com mais peso, a</p><p>presença normalizadora da medicina como uma das características essenciais da</p><p>sociedade capitalista.</p><p>Mas o hospital psiquiátrico não está isento de críticas. Elas o acompanham desde a sua</p><p>origem. E não só críticas externas. Principalmente críticas internas: de seus médicos</p><p>ou seus diretores. Como os ilustres Nuno de Andrade, Teixeira Brandão, Juliano</p><p>Moreira que atacam a sua organização arquitetônica, a subordinação do médico ao</p><p>pessoal religioso, a ignorância ou a maldade dos enfermeiros, o processo não médico</p><p>de internação, a falta de uma lei nacional para alienados e de um serviço de assistência</p><p>organizado pelo Estado.</p><p>Essas críticas, hoje ainda mais virulentas, são importantíssimas para fazer pensar não</p><p>só no fracasso real da psiquiatria como instância terapêutica, mas, principalmente, na</p><p>exigência de medicalização cada vez maior do espaço social que ela representa. Por um</p><p>lado, se a medicina mental apresenta a cura como sua aquisição científica, até hoje</p><p>nunca deixou de reconhecer o seu lado negro: só se entra no hospício para não sair ou,</p><p>na melhor das hipóteses, para logo depois voltar.</p><p>Por outro lado, essa reconhecida incapacidade terapêutica, longe de pôr em questão a</p><p>própria psiquiatria, serve fundamentalmente de apoio a uma exigência de maior</p><p>medicalização. A crítica faz a psiquiatria, cada vez mais, refinar seus conceitos para</p><p>atingir novas faixas da população – em uma evolução que vai do doente mental ao</p><p>anormal e do anormal ao próprio normal –, tornando a sociedade uma espécie de asilo</p><p>sem fronteiras.</p><p>Formas de Tratamento e Instrumentos Utilizados</p><p>Camisa de Força</p><p>A prática de usar camisas de força como forma de contenção em pacientes</p><p>psiquiátricos por um longo período foi uma realidade preocupante e controversa na</p><p>história da saúde mental. O tratamento que envolvia a imobilização física de pacientes</p><p>por meio de restrições extremas, como camisas de força e celas fortes, em um esforço</p><p>para controlar comportamentos violentos ou perturbadores. O uso de camisas de força</p><p>e outras formas de contenção física era uma abordagem que frequentemente resultava</p><p>em tratamento desumano e violência institucional. Ao prender os pacientes de forma</p><p>tão severa, muitas vezes por longos períodos, a prática não apenas negava a dignidade</p><p>básica dos pacientes, mas também pode causar danos físicos e psicológicos</p><p>significativos.</p><p>Figura 1 – Camisa de força</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>#ParaTodosVerem: ilustração da prática de usar a camisa de força como forma</p><p>de restringir os braços dos pacientes com transtornos mentais, permitindo-</p><p>lhes manter a mobilidade. A figura mostra uma camisa feita de tecido do tipo</p><p>“lona”, resistente, com mangas muito compridas e fechadas, que ultrapassam</p><p>as pontas dos dedos do paciente. A camisa permitia que os braços se cruzassem</p><p>contra o peito e as extremidades das mangas fossem apertadas atrás das costas,</p><p>com firmeza, com o objetivo de imobilizar, restringindo os seus movimentos.</p><p>Fim da descrição.</p><p>Uma camisa de força é uma prática histórica utilizada para restringir pacientes em</p><p>estados de gravidade extrema, excitação, furor ou agressividade, seja contra outras</p><p>pessoas ou contra si mesmas. Era empregada quando se fazia necessário impor limites</p><p>aos pacientes.</p><p>Pacientes com distúrbios mentais são restritos apenas nos braços, permitindo-lhes</p><p>manter a mobilidade. No entanto, essa forma de contenção não garante que eles não</p><p>agredissem outros, uma vez que os membros dos seus inferiores estivessem livres e</p><p>pudessem ser usados para esse fim. Além disso, essa prática aumentava o risco de</p><p>quedas e lesões, especialmente no rosto,</p><p>devido ao desequilíbrio resultante da punição.</p><p>Em caso de queda, muitas vezes era necessária uma sutura para tratar ferimentos.</p><p>O uso de camisa de força e reclusão não podia ser aplicado sem a autorização de um</p><p>médico, e, em geral, estava limitado a um período de no máximo dois dias por vez.</p><p>Com o avanço da Psiquiatria científica, a introdução de psicofármacos, o</p><p>desenvolvimento da psicoterapia e a diversificação das abordagens terapêuticas,</p><p>principalmente em países desenvolvidos, como Portugal, a utilização da camisa de</p><p>força foi completamente abandonada. No entanto, é importante observar que, em</p><p>alguns países, ainda persistem algumas dessas abordagens.</p><p>Convulsoterapias</p><p>Na evolução das práticas de tratamento de transtornos mentais ao longo dos séculos,</p><p>destaca-se a busca por métodos eficazes, mesmo que muitas vezes controversos e</p><p>arriscados. A história reflete a tentativa contínua da comunidade médica de encontrar</p><p>maneiras de tratar doenças mentais. Desde o uso da inalação de cânfora nos</p><p>tratamentos dos quadros psicóticos para induzir convulsões até a introdução de</p><p>terapias como a febre prolongada, a terapia da malária, o choque insulínico, as</p><p>convulsões provocadas com o cardiazol eficientes nas psicoses maníaco depressivas e</p><p>em algumas esquizofrenias e, finalmente, a terapia eletroconvulsiva (eletrochoque),</p><p>diferentes abordagens foram experimentadas com a esperança de aliviar o sofrimento</p><p>dos pacientes.</p><p>Eletroconvulsoterapias</p><p>Em 1937, os pesquisadores italianos Ugo Cerletti e Lucio Bini conseguiram substituir</p><p>as injeções endovenosas de cardiazol pela passagem, através do cérebro, de uma</p><p>corrente elétrica que provocava uma convulsão generalizada. Por ser de fácil aplicação,</p><p>o método foi imediatamente adotado pelas instituições psiquiátricas, fazendo com que</p><p>o período subsequente fosse chamado, na história da Psiquiatria, de Era dos</p><p>Eletrochoques. A utilização indiscriminada do tratamento fez com que esse recurso, a</p><p>despeito de suas possibilidades terapêuticas, ficasse associado ao castigo físico e ao</p><p>controle disciplinar. A terapia eletroconvulsiva desapareceu, na Europa, com o fim da</p><p>Segunda Guerra, enquanto, no Brasil, foi abolida, na rede pública de Saúde Mental,</p><p>somente na década de 1980. Apesar disso, continua a ser utilizada como recurso</p><p>extremo no tratamento da catatonia e da depressão.</p><p>A eletroconvulsoterapia é uma técnica de neuromodulação que consiste em causar</p><p>convulsões controladas para ajudar a restabelecer o fluxo de neurotransmissores. O</p><p>tratamento é feito por meio de sessões nas quais são colocados eletrodos na cabeça do</p><p>paciente de acordo com as necessidades de seu tratamento.</p><p>Figura 2 – Procedimento da Eletroconvulsoterapia</p><p>Fonte: Reprodução</p><p>#ParaTodosVerem: ilustração do procedimento da eletroconvulsoterapia em um</p><p>adulto em que a figura mostra um paciente do sexo masculino deitado em uma</p><p>mesa operatória e dois profissionais em pé ao seu redor para realizar o</p><p>procedimento (provavelmente o médico e o anestesista). Ao lado da mesa</p><p>operatória, existe uma mesinha com rodinha com os materiais e medicações a</p><p>serem utilizadas no procedimento. A imagem mostra o aparelho de</p><p>eletrochoque com os fios e os eletrodos já na cabeça do paciente. Tem uma</p><p>informação onde está escrito: A convulsão dura de meio minuto até 1 minuto.</p><p>Lembrando que este procedimento consiste em causar convulsões controladas</p><p>para ajudar a restabelecer o fluxo de neurotransmissores. Fim da descrição.</p><p>A Eletroconvulsoterapia (ECT) é um tratamento psiquiátrico que envolve a</p><p>administração de estímulos elétricos sob anestesia para induzir convulsões</p><p>terapêuticas. A preparação inclui avaliação psiquiátrica, anestésica e exames clínicos. O</p><p>paciente deve estar em jejum de acordo com as instruções do médico devido à</p><p>anestesia. As aplicações podem ser feitas em ambulatório, com acompanhamento de</p><p>psiquiatra e anestesista. Após a anestesia, relaxantes musculares são administrados</p><p>para evitar contrações musculares e fraturas, especialmente em pacientes idosos e</p><p>com problemas ósseos. O paciente recebe oxigenação e monitoramento cardíaco,</p><p>cerebral e de pressão arterial. Eletrodos são colocados para a passagem do estímulo</p><p>elétrico, que é controlado por um monitor. O procedimento dura cerca de 30 minutos.</p><p>Após a recuperação da anestesia, o paciente pode voltar para casa. A terapia,</p><p>geralmente, ocorre até três vezes por semana. Devido à anestesia, o paciente não se</p><p>lembra das aplicações e pode ter lapsos de memória temporários durante o tratamento,</p><p>que passam em seguida.</p><p>Saiba Mais</p><p>A discussão em torno do uso do eletrochoque, também conhecido</p><p>como Eletroconvulsoterapia (ECT), no contexto da saúde mental no</p><p>Brasil é complexa e multifacetada. O ressurgimento dessa terapia,</p><p>agora com uma abordagem mais atualizada e criteriosa, levanta</p><p>várias considerações importantes como roupagem mais humanizada</p><p>e critérios de indicação mais rigorosos. A promessa é intervir</p><p>diretamente no cérebro, a fim de tratar sintomas psiquiátricos</p><p>graves, persistentes e refratários a outros recursos terapêuticos.</p><p>Lobotomia</p><p>A técnica cirúrgica conhecida como lobotomia envolve a destruição ou desconexão da</p><p>substância branca dos lobos frontais ou temporais do cérebro. A lobotomia foi</p><p>desenvolvida no início do século XX como uma tentativa de tratar várias condições</p><p>psiquiátricas, incluindo transtornos de humor, ansiedade e até esquizofrenia. No</p><p>entanto, a prática foi posteriormente associada a sérias consequências negativas. A</p><p>lobotomia frequentemente resultava em mudanças na personalidade e no</p><p>comportamento dos pacientes. Alguns indivíduos experimentaram uma diminuição na</p><p>agressividade ou na ansiedade, mas muitas vezes isso foi acompanhado por uma apatia</p><p>geral, falta de emoção e motivação e, até mesmo, uma perda de capacidades cognitivas.</p><p>No Brasil, o emprego da lobotomia foi abolido em 1955. Já pensou como os pacientes</p><p>sofriam nessa época?</p><p>Figura 3 – Esculturas de Lúcio Noeman, antes e depois da</p><p>lobotomia</p><p>Fonte: Acervo Instituto Municipal Nise da Silveira (IMNS)</p><p>#ParaTodosVerem: ilustração do procedimento da Lobotomia. Lúcio Noeman</p><p>foi um escultor brasileiro que foi submetido a lobotomia, na figura acima duas</p><p>das suas esculturas, uma antes e outra depois do procedimento ter sido</p><p>realizado nele. A figura antes da cirurgia nele mostra uma cabeça e tronco com</p><p>alta qualidade nas moldagens em gesso, as emoções que sentia deu forma a</p><p>guerreiros prontos para a luta, mostra um guerreiro egípcio bem detalhado os</p><p>olhos, o nariz e a boca e ao redor da cabeça os detalhes do cone e no pescoço e</p><p>tronco um gorjal. A figura depois da cirurgia mostra um guerreiro egípcio</p><p>apenas com o nariz, só um abaulamento que aparentou ser que iria iniciar com</p><p>os olhos e um risco representando a boca, no pescoço e tronco apenas moldou</p><p>com gesso, sem gorjal ou roupa alguma. Fim da descrição.</p><p>Psicofarmacologia</p><p>Saiba Mais</p><p>Técnica cirúrgica que, ao destruir a substância branca dos lobos</p><p>temporais do cérebro, provoca uma alteração da personalidade. Essa</p><p>prática, recomendável em casos definidos como extremos no que</p><p>concerne à agressividade e à dor, provoca uma deterioração cerebral</p><p>irreversível.</p><p>O uso de medicamentos psicotrópicos a partir da década de 1950, como a</p><p>clorpromazina, trouxe uma revolução significativa no campo da psiquiatria e no</p><p>tratamento de doenças mentais. A Inovação Terapêutica trouxe uma descoberta e</p><p>introdução de medicamentos como a clorpromazina marcando um avanço importante</p><p>na abordagem das doenças mentais. Antes disso, muitos tratamentos eram limitados a</p><p>abordagens não específicas, terapias conversacionais e intervenções invasivas como a</p><p>lobotomia.</p><p>Níveis de Atenção à Saúde Mental</p><p>Prevenção Primária</p><p>Segundo Stefanelli (2008), a prevenção primária em saúde mental está voltada para a</p><p>população saudável, abrangendo a promoção e a manutenção da saúde, bem como a</p><p>prevenção de doenças mentais. Apesar dos objetivos na psiquiatria ainda não terem</p><p>sido totalmente alcançados devido</p><p>à falta de compreensão completa das causas de</p><p>todos os transtornos mentais, existem diversos fatores, condições e vulnerabilidades</p><p>descobertas que estão associadas a esses transtornos. A atuação nesses elementos</p><p>pode contribuir para a prevenção ou a redução das manifestações de alguns</p><p>transtornos mentais, representando um passo importante na promoção do bem-estar</p><p>psicológico da população.</p><p>A autora descreve ainda que o enfermeiro da saúde mental atua na prevenção primária</p><p>para reduzir a suscetibilidade a transtornos mentais em indivíduos, famílias e</p><p>comunidades. Suas atividades incluem educação e orientação sobre princípios de saúde</p><p>mental, melhores condições de vida, direitos e deveres, crescimento e</p><p>desenvolvimento normais, desenvolvimento sexual, promoção e manutenção da saúde</p><p>mental, e prevenção de transtornos mentais em hospitais gerais. Além disso, realiza a</p><p>identificação e a avaliação de grupos vulneráveis, fatores de risco e potencial para</p><p>enfrentamento de situações estressantes, participando em ações comunitárias e</p><p>políticas de saúde mental para promover o bem-estar psicológico na comunidade.</p><p>Esse profissional também desempenha atividades tanto de forma independente como</p><p>em colaboração com equipes interdisciplinares. Exemplos de grupos comunitários</p><p>para educação em saúde mental, conscientização sobre cidadania em escolas e centros</p><p>de saúde, implementação de mudanças no ambiente de serviços de saúde mental e na</p><p>comunidade, além da participação em sistemas sociais de apoio. Essas ações, contadas</p><p>com os recursos da rede de apoio social de cada comunidade, podem promover o bem-</p><p>estar mental e a conscientização em diversos contextos (STEFANELLI, 2008).</p><p>Prevenção Secundária</p><p>Segundo Stefanelli (2008), a prevenção secundária em saúde mental engloba</p><p>atividades externas para a detecção precoce e assistência imediata a indivíduos em</p><p>situação de crise ou com transtorno mental. Isso envolve diversas funções, tais como</p><p>gerenciamento e avaliação de serviços de enfermagem em saúde mental, criação e</p><p>manutenção de ambientes terapêuticos em diferentes serviços, estabelecimento de</p><p>unidades para atendimento pós-alta, oferta de assistência pós-alta para clientes e suas</p><p>famílias, implementação de serviços de interconsulta em enfermagem em saúde</p><p>mental e psiquiatria, incluindo atendimento a emergências psiquiátricas em hospitais</p><p>gerais.</p><p>Além disso, a prevenção secundária abrange o planejamento e avaliação de unidades</p><p>psiquiátricas em hospitais gerais, assim como a avaliação do cuidado oferecido nessas</p><p>unidades. O desenvolvimento da terapia do cotidiano, baseado nas relações</p><p>interpessoais entre enfermeiros e clientes, a intervenção em crises, a atuação na</p><p>comunidade e em organizações relacionadas à saúde mental também fazem parte</p><p>desse contexto. Em resumo, a prevenção secundária visa identificar precocemente</p><p>problemas de saúde mental e oferecer assistência imediata, abrangendo diversos</p><p>aspectos do cuidado e da intervenção.</p><p>A autora ainda descreve que o enfermeiro desempenha um papel ativo em diversas</p><p>estratégias de prevenção secundária em saúde mental. Isso inclui o envolvimento em</p><p>grupos comunitários e familiares de pessoas com transtornos mentais, bem como em</p><p>grupos de autoajuda dedicados a diferentes transtornos, como dependência química,</p><p>epilepsia, autismo e transtorno bipolar. Além disso, o enfermeiro pode coordenar e</p><p>participar ativamente de programas psicoeducacionais abertos, conduzindo</p><p>encontros, realizando palestras e orientando sobre cuidados domiciliares. Esses</p><p>programas são considerados estratégias complementares e interdisciplinares que</p><p>promovem uma parceria entre o cliente, a família, os amigos e os profissionais,</p><p>fornecendo informações para facilitar a convivência com a doença, adesão ao</p><p>tratamento e enfrentamento dos desafios, melhorando a qualidade de vida. Estimular a</p><p>formação de associações de familiares e amigos na comunidade é crucial, pois</p><p>desempenham um papel essencial no apoio ao cliente, na prevenção secundária e na</p><p>reintegração social, estabelecendo parcerias com diferentes serviços para um trabalho</p><p>conjunto.</p><p>Prevenção Terciária e Reabilitação Social</p><p>A prevenção terciária e a reabilitação social em saúde mental visam reduzir as</p><p>incapacidades decorrentes de transtornos mentais e promover a reintegração do</p><p>cliente à sociedade. O enfermeiro desempenha diversas funções nesse contexto, como</p><p>o encaminhamento para serviços comunitários, a organização e a participação em</p><p>programas de inserção na comunidade, esclarecimento sobre recursos disponíveis, e a</p><p>promoção da reabilitação social do cliente. Além disso, o enfermeiro realiza atividades</p><p>indiretas que abrangem os três níveis de prevenção, incluindo educação continuada,</p><p>gerenciamento de serviços de enfermagem em saúde mental, supervisão do pessoal de</p><p>enfermagem, consulta com colegas, pesquisas e participação nas políticas de saúde.</p><p>Essas ações visam proporcionar um cuidado abrangente e integrado, contribuindo</p><p>para o bem-estar e reintegração dos indivíduos na sociedade após experienciarem</p><p>transtornos mentais (STEFANELLI, 2008).</p><p>Transformações da Assistência da Enfermagem</p><p>Psiquiátrica: Suportes Legais</p><p>No campo da saúde, as transformações a partir da Reforma Psiquiátrica e a lógica da</p><p>desinstitucionalização norteiam a Política Nacional de Saúde Mental. Essa política</p><p>reverteu o Modelo Manicomial para o de Atenção Psicossocial, onde o acesso, o</p><p>acolhimento, o vínculo e o acompanhamento das pessoas em situações-limite têm</p><p>sido por serviços territorizados.</p><p>Em virtude do movimento que questionava o modelo tradicional de assistência</p><p>psiquiátrica no Brasil, o Ministério da Saúde destacou a importância da promulgação</p><p>da Lei Federal n. 10.216 em 2001, após um período de 12 anos de tramitação no</p><p>Congresso Nacional. Esta legislação, também conhecida como Lei Paulo Delgado ou Lei</p><p>da Reforma Psiquiátrica, reflete uma mudança significativa no paradigma de cuidados</p><p>em saúde mental no país. Esta lei redireciona a assistência em saúde mental,</p><p>privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária. Dispõe,</p><p>ainda, sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, na qual se</p><p>incluem os dependentes de substâncias psicoativas.</p><p>Em 2001, a Política de Saúde Mental é instituída tendo como diretrizes a</p><p>desinstitucionalização, com a redução progressiva de leitos em hospitais psiquiátricos;</p><p>a expansão e a consolidação da rede de atenção especializada, priorizando-se os</p><p>Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); a inclusão das ações de saúde mental na</p><p>atenção básica; a atenção integral ao usuário de crack, álcool e outras drogas; a</p><p>implantação de um programa permanente de formação de profissionais para Reforma</p><p>Psiquiátrica; a promoção dos direitos de usuários e familiares e, por fim, a implantação</p><p>de um programa de geração de renda e trabalho.</p><p>Em consonância com a Lei n. 10.216, entra em vigor a Portaria n. 336 de fevereiro de</p><p>2002, que estabelece as funções, as modalidades e as composição das equipes dos</p><p>CAPS. Esta Portaria, até o ano de 2011, direcionou a atenção em saúde mental tendo o</p><p>CAPS como ordenador da entrada da pessoa com transtorno mental no SUS e como</p><p>articulador da rede de cuidados.</p><p>Em 2011, no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial</p><p>(RAPS) para pessoas com sofrimento ou transtorno psíquico, por meio da Portaria n.</p><p>3.088, de 23 de dezembro de 2011, cria, amplia e articula pontos de atenção à saúde para</p><p>estas pessoas.</p><p>Entende-se que a complexidade da atenção em saúde mental só pode ser atendida se</p><p>houver articulação entre serviços e dispositivos sociais existentes na comunidade,</p><p>seguindo a lógica da atenção territorial, para favorecer a inclusão social com vistas à</p><p>promoção de autonomia e aos exercícios da cidadania.</p><p>Desta forma, a RAPS é constituída pelos seguintes componentes: I – atenção básica em</p><p>saúde, II – atenção psicossocial especializada, III – atenção de urgência e emergência,</p><p>IV – atenção residencial de caráter transitório, V – atenção hospitalar, VI – estratégias</p><p>de desinstitucionalização e VII – reabilitação psicossocial.</p><p>Vale lembrar que, na construção desta concepção de rede e de linhas de cuidado,</p><p>apontada pela Portaria n.º 3.088/11, a Enfermagem possui um papel significativo, uma</p><p>vez que em todos os componentes da RAPS preconizam a presença do profissional</p><p>enfermeiro.</p><p>Considerando a importância crucial da Enfermagem nos contextos de cuidado,</p><p>enfatizando a necessidade de incorporar abordagens de saúde mental em todas as</p><p>áreas da assistência de enfermagem. Essa abordagem holística não apenas registra a</p><p>complexidade da saúde mental, mas também realça a responsabilidade dos</p><p>profissionais de enfermagem em fornecer um cuidado integral e sensível às</p><p>necessidades emocionais dos pacientes. Vamos analisar os principais pontos que você</p><p>abordou:</p><p>Acolhimento e Valorização da Pessoa:</p><p>Novos Integrantes da RAPS (a partir do ano de 2017)</p><p>Ambulatório Multiprofissional de Saúde Mental. Equipes no qual o objetivo é a atenção</p><p>multiprofissional em saúde mental, com atendimento à necessidade especializada</p><p>identificado pela atenção básica, integrando aos demais serviços das redes de atenção</p><p>à saúde, amparada nos comandos da Lei n. 10.216 de 2001 onde são organizadas a</p><p>A prática de acolhimento é fundamental para criar um ambiente</p><p>de confiança e respeito mútuo entre o profissional de</p><p>enfermagem e o paciente;</p><p>Valorizar uma pessoa como um ser humano único e digno é</p><p>essencial para estabelecer um relacionamento de cuidado</p><p>genuíno.</p><p>partir da atenção básica, avalia-se os riscos e assim referencia os casos entre as</p><p>equipes. (HUMES, 2019).</p><p>A Importância da Comunicação Terapêutica no</p><p>Cuidado do Sofrimento Psíquico</p><p>Stefanelli (1983) destaca a importância da comunicação na prática de enfermagem</p><p>psiquiátrica e ressalta como essa comunicação desempenha um papel crucial no</p><p>estabelecimento do relacionamento terapêutico com os pacientes. Além disso,</p><p>observa-se a ênfase na necessidade de a enfermeira adquirir habilidades de</p><p>comunicação efetiva para atender às necessidades dos pacientes de forma holística.</p><p>Destaca-se:</p><p>Importância da Comunicação na Enfermagem Psiquiátrica: a</p><p>introdução do relacionamento terapêutico na prática de</p><p>enfermagem psiquiátrica se baseia na importância da</p><p>comunicação. A comunicação é uma ferramenta essencial para</p><p>estabelecer confiança, compreensão e empatia com pacientes que</p><p>muitas vezes enfrentam dificuldades para interagir de maneira</p><p>satisfatória com os outros;</p><p>Comunicação como Componente da Saúde Mental: a</p><p>comunicação não é apenas relevante para a saúde mental, mas</p><p>também é vista como um aspecto importante no contexto de</p><p>distúrbios mentais. O entendimento da doença mental pode ser</p><p>enquadrado sob o prisma dos distúrbios na comunicação,</p><p>enfatizando ainda mais a necessidade de uma comunicação</p><p>efetiva na assistência psiquiátrica;</p><p>Uso Consciente da Comunicação para Atender Necessidades</p><p>Humanas: a comunicação consciente deve ser empregada para</p><p>atender às necessidades do paciente como um todo. Isso enfatiza</p><p>a abordagem holística da enfermagem, considerando os pacientes</p><p>não apenas como portadores de doenças, mas como seres</p><p>humanos com necessidades físicas, emocionais e psicológicas;</p><p>Em suma, observa-se a relevância crítica da comunicação na enfermagem psiquiátrica,</p><p>destacando a sua influência no relacionamento terapêutico e na promoção da saúde</p><p>mental dos pacientes. Também enfatiza a importância de a enfermeira adquirir</p><p>habilidades de comunicação efetiva para melhor atender às necessidades holísticas</p><p>dos pacientes e contribuir para o desenvolvimento da área expressiva da enfermagem.</p><p>Transformação de Momentos de Comunicação em Terapêuticos:</p><p>a enfermeira deve aproveitar cada oportunidade de comunicação</p><p>com o paciente para torná-la terapêutica. Isso significa que, além</p><p>de fornecer informações médicas, a enfermeira deve abordar o</p><p>paciente de maneira que promova conforto, confiança e um</p><p>ambiente propício à cura;</p><p>Desenvolvimento da Área Expressiva da Enfermagem: ao adquirir</p><p>habilidades de comunicação efetiva e conduzir pesquisas sobre o</p><p>tema, a enfermeira pode contribuir para o desenvolvimento pleno</p><p>da área expressiva da enfermagem. Isso ressalta a importância da</p><p>comunicação como uma competência essencial para a prática do</p><p>enfermeiro.</p><p>Para expandir os conhecimentos dessa Unidade, acesse aos</p><p>conteúdos complementares abaixo:</p><p>Livros</p><p>Compendio de Clínica Psiquiátrica</p><p>FORLENZA, O. V; MIGUEL, E. C. (Org). Compêndio de Clínica Psiquiátrica. Barueri:</p><p>Manole, 2012.</p><p>Clínica Psiquiátrica</p><p>MIGUEL, E. C.; GENTIL, V.; GATTAZ, W. F. (Org). Clínica Psiquiátrica. 1 ed. Barueri:</p><p>Manole, 2011.</p><p>Psiquiatria na Prática Clínica</p><p>MARI, J. J.; KIELING, C. Psiquiatria na prática clínica. Barueri: Manole, 2013.</p><p>Página 2 de 3</p><p>📄 Material Complementar</p><p>Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiatria</p><p>VIDEBECK, S. L. Enfermagem em saúde mental e psiquiatria. 5. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2012.</p><p>Leituras</p><p>O que é Doença Mental? E Saúde Mental?</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Entenda como Funciona a Eletroconvulsoterapia</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Saúde Mental</p><p>Cadernos HumanizaSUS – Volume 5.</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>https://www.abrata.org.br/14546-2/</p><p>https://apsiquiatra.com.br/eletroconvulsoterapia-entenda/</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_mental_volume_5.pdf</p><p>A Psiquiatria em Portugal. Protagonistas e História</p><p>Conceitual (1884-1924)</p><p>PEREIRA, J. M. M. Tese de Doutoramento.</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/29514/1/A%20Psiquiatria%20em%20Portugal.pdf</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a</p><p>Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e</p><p>com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 dez. 2011. Seção</p><p>1, p. 82.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPE. Coordenação Geral</p><p>de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Brasília,</p><p>DF: OPAS, 2005. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos</p><p>Serviços de Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Subsecretaria de Assuntos</p><p>Administrativos. Memória da loucura: apostila de monitoria/Ministério da Saúde,</p><p>Secretaria-Executiva, Subsecretaria de Assuntos Administrativos. – Brasília:</p><p>Ministério da Saúde, 2008. 88 p.: il. – (Série I. História da Saúde no Brasil).</p><p>BRASIL. Projeto de Lei n. 3657, de 11 de dezembro de 1989. Dispõe sobre a extinção</p><p>progressiva dos manicômios e sua substituição por outros recursos assistenciais e</p><p>regulamenta a internação compulsória. Brasília: Câmara Federal. Recuperado de:</p><p>. Acesso em 11/11/2023.</p><p>ESPERIDIÃO, E. I. et al. A Enfermagem Psiquiátrica, a ABEn e o Departamento Científico</p><p>de Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental: avanços e desafios. Revista Brasileira de</p><p>Enfermagem, Florianópolis, SC, v. 66, n. esp, p. 171-176, 2013.</p><p>Página 3 de 3</p><p>📄 Referências</p><p>GARCIA, P. T.; REIS, R. S. (org.). Redes de atenção à saúde: Rede de Atenção Psicossocial</p><p>– RAPS. São Luís: EDUFMA, 2018.</p><p>HUMES, E. C. et al. Clínica Psiquiátrica: consulta rápida. In: VIEIRA, M. E. B. (org.). Uma</p><p>estrutura de acesso à saúde. Barueri, SP: Manole, 2019. p. 582-585.</p><p>STEFANELLI, M. C. Relacionamento terapêutico enfermeira-paciente. Rev. Esc. Enf.</p><p>USP., São Paulo, v. 17, 1, p. 39-45, abr. 1983.</p><p>STEFANELLI, M. C; FUKUDA, I. M. K.; ARANTES, E. C. Enfermagem Psiquiátrica em suas</p><p>Dimensões Assistenciais. Barueri, SP: Manole, 2008. (Série de Enfermagem).</p><p>STEFANELLI, M. C; CARVALHO, E. C. A comunicação nos diferentes contextos da</p><p>enfermagem. Barueri, SP:</p><p>Manole, 2004. (Série de Enfermagem).</p><p>SILVA, M. C. P.; STEFANELLI, M. C. Perspectiva cultural da doença mental. In: GUALDA,</p><p>D. M. R.; BERGAMASCO, R. B. (orgs.). Enfermagem, cultura e o processo saúde-doença.</p><p>São Paulo: Ícone, 2004. p. 315-328.</p>