Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Capítulo 3
Envelhecimento e Periodonto
Ian Needleman
Sumário do capítulo
EFEITOS DO ENVELHECIMENTO NO PERIODONTO
Epitélio Gengival
Tecido Conjuntivo Gengival
Ligamento Periodontal
Cemento
Osso Alveolar
Placa Bacteriana
Respostas Imunes e Inflamatórias
EFEITOS DO ENVELHECIMENTO NA PROGRESSÃO DAS DOENÇAS
PERIODONTAIS
ENVELHECIMENTO E RESPOSTA AO TRATAMENTO DO PERIODONTO
O aumento da consciência sobre saúde e os avanços na odontologia preventiva
levaram à diminuição da perda de dentes em todos os grupos etários. Os efeitos dessa
mudança na retenção dos dentes devem ser considerados cuidadosamente.
Particularmente, o aumento na expectativa de vida e as melhores condições de saúde
da população idosa podem levar a uma alteração na demanda de tratamento
periodontal por pessoas mais velhas e, potencialmente, um aumento substancial para
a terapia periodontal de suporte. Consequentemente, um entendimento do impacto
do envelhecimento no periodonto é crítico. Este capítulo faz uma revisão da literatura
sobre os aspectos fundamentais do envelhecimento nos tecidos periodontais e, depois,
examina aspectos mais amplos do envelhecimento, bem como os possíveis efeitos nos
resultados do tratamento.
A base de evidência apresenta muitos problemas que tornam difícil tirar
conclusões sobre os efeitos do envelhecimento. Alguns destes problemas incluem
inconsistência na definição de um grupo verdadeiramente “envelhecido”, inadequada
exclusão de adultos com doenças sistêmicas que podem modificar os achados do
estudo e tentativas de extrapolar resultados de pesquisas com animais. Para o
106
propósito deste capítulo, o efeito de envelhecimento será limitado a uma revisão
restrita de possíveis mudanças biológicas e microbiológicas.* O leitor deve estar
plenamente advertido de que isso exclui muitos fenômenos importantes associados à
idade, como a redução na habilidade cognitiva e na função motora do indivíduo, que
podem ter um impacto direto na conduta periodontal. O Capítulo 39 discutirá essas
questões detalhadamente.
Desde que este capítulo foi escrito pela primeira vez, há 10 anos, o número de
pesquisas sobre envelhecimento e o periodonto não aumentou substancialmente.
Novas técnicas moleculares estão sendo empregadas em pesquisa laboratorial
relacionada, e estas técnicas estão começando a dar uma nova percepção aos efeitos
relacionados à idade. Provavelmente, estas abordagens se mostrarão frutíferas no
futuro. Apesar dos dados limitados sobre a investigação direta sobre o periodonto,
muitos esforços e recursos vêm sendo empregados na pesquisa de questões
parcialmente relacionadas a este tópico. Estas incluem o efeito da infecção
periodontal sobre a saúde em geral (Cap. 28) e o impacto da osteoporose na condição
periodontal (Cap. 38).
Efeitos do envelhecimento no periodonto
Epitélio Gengival
Afinamento e diminuição na queratinização do epitélio gengival foram relatados com
a idade.43 O significado desses achados pode indicar aumento na permeabilidade
epitelial para antígenos bacterianos, resistência diminuída ao trauma funcional ou
ambos. Caso ocorram, essas alterações podem influenciar o resultado periodontal em
longo prazo. Entretanto, outros estudos não encontraram diferenças relacionadas à
idade no epitélio gengival de humanos ou cães.8,19 Outras alterações relatadas com a
idade incluem o achatamento das invaginações epiteliais para o conjuntivo (rete pegs)
e densidade celular alterada. Dados conflitantes a respeito do tempo de regeneração
cirúrgica para o epitélio gengival têm sido atribuídos a problemas na metodologia de
pesquisa.48
O efeito do envelhecimento na localização do epitélio juncional tem sido objeto
de muita especulação. Alguns investigações mostram a migração do epitélio juncional
de sua posição em indivíduos saudáveis (isto é, sobre esmalte) para uma posição mais
apical na superfície radicular, com simultânea retração gengival.8 Entretanto, em
outros estudos em animais, não foi notada migração apical.22 Com a progressão da
retração gengival, seria esperado que a largura da gengiva inserida diminuísse com a
idade, mas o oposto parece ser verdade.2,3 Contrariamente, a migração do epitélio
juncional para a superfície radicular poderia ser causada pela erupção dentária
através da gengiva, numa tentativa de manter o contato oclusal com o dente
107
antagonista (erupção passiva) como resultado da perda de superfície dentária
decorrente da atrição (Fig. 3-1). O consenso é que a retração gengival não é um
processo fisiológico inevitável do envelhecimento, mas explicada pelos efeitos
cumulativos da inflamação ou trauma sobre o periodonto6,8 (veja discussão adiante)
(Fig. 3-2).
Figura 3-1 Diagrama mostrando a relação da margem gengival com a coroa e a superfície
radicular. A, Relação normal com a margem gengival de 1 a 2 mm acima da junção esmalte-cemento.
B, Desgaste da borda incisal e erupção dentária contínua. A margem gengival permanece na mesma
posição de A; portanto, a raiz dentária é exposta e a retração clínica fica evidente. A largura da
gengiva inserida não se altera. C, Desgaste da borda incisal e erupção dentária contínua. A margem
gengival moveu-se com o dente; assim, todo o complexo dentogengival moveu-se coronariamente, com
um aumento resultante na largura da gengiva inserida. D, Sem desgaste evidente da borda incisal. A
gengiva moveu-se apicalmente e a retração clínica é evidente. A largura da gengiva inserida está
reduzida.
108
Figura 3-2 Três situações ilustram a variação da posição da margem gengival com a idade. A,
Extrusão fisiológica com retração em um indivíduo idoso (mulher, 68 anos de idade), com retração
generalizada e histórico prévio de periodontite (tratada). Note um pouco de sobrerupção dos dentes
anteriores inferiores e desgaste de dentes relacionado a medidas de higiene oral. B, Radiografias da
paciente em A. C, Extrusão fisiológica sem retração em um indivíduo mais velho (mulher, 72 anos de
idade) sem periodontite, mas com desgaste marcante e extrusão dos incisivos inferiores. Note como a
margem gengival migrou coronariamente com a erupção dos dentes. D, Retração extensa em
indivíduo jovem (homem, 32 anos de idade) com retração marcante e sem histórico de periodontite. A
retração resultou de uma combinação de tecidos anatomicamente finos associadas a trauma de
escovação.
 Transferência científica
Os tecidos periodontais são programados para proporcionar apoio saudável para a dentição durante
a vida do paciente. Apesar de haver algumas preocupações de que os pacientes idosos tenham maior
suscetibilidade à doença periodontal, o papel da idade na progressão da doença é mínimo. Com
apropriada terapia dental e manutenção de baixos níveis de placas, os clínicos podem assegurar aos
pacientes idosos que eles são capazes de manter uma dentição funcional, ainda que possa haver uma
resistência ligeiramente menor à inflamação periodontal induzida por bactérias e um risco maior de
níveis elevados de supostas bactérias patogênicas periodontais, como Tanerella forsythia, Treponema
denticola, Porphyromonas gingivalis e Aggregatibacter actinomycetemcomitans.
Em resposta ao tratamento da periodontite, os pacientes idosos geralmente têm todos os
mecanismos celulares e moleculares necessários para assegurar a cicatrização e o reparo, mas estes
mecanismos podem ser mais lentos e, de certa forma, inferiores aos dos pacientes jovens. Entretanto,
com as interações celulares mais complexas que ocorrem com a cicatrização das cirurgias
periodontais regeneradoras avançadas, envolvendo enxertos ósseos, regeneração tecidual guiada e
uso de agentes bioativos, a expectativa é a de que os resultados do tratamento em pacientes idosos
não sejam tão favoráveis quanto em jovens. Dessa forma, os clínicos podem decidir usar abordagens
mais simples para tratar lesões avançadas nesses pacientes. Os procedimentos não cirúrgicos podem
ser preferidos, nos casos em que se acredita que a idade dos pacientes é significativa.
A distinção entre a idade real em anos e o estado biológico é uma habilidadeclínica que os
profissionais precisam avaliar. Com as melhoras nos históricos do estado de saúde dos pacientes
idosos, podem ser implementados, para estes pacientes, planos mais exigentes de tratamento do que
os de décadas anteriores. As habilidades motoras dos pacientes e as capacidades cognitivas podem
estar desgastadas pela idade, assim o dentista precisa modificar as técnicas de ensino de higiene oral
com base na avaliação do potencial de aprendizagem de cada paciente e aplicar técnicas
individualizadas para remoção da placa. O uso de antissépticos bucais antibacterianos e os aparelhos
para higiene oral têm um papel especial para esses pacientes.
Tecido Conjuntivo Gengival
O aumento da idade resulta em um tecido conjuntivo gengival mais grosseiro e
109
denso.51 Alterações qualitativas e quantitativas do colágeno têm sido relatadas. Elas
incluem aumento da taxa de conversão do colágeno solúvel em insolúvel, aumento da
resistência mecânica e elevação da temperatura de desnaturação. Esses resultados
indicam maior estabilização do colágeno, causada por alterações na conformação
macromolecular.26 De maneira não surpreendente, um conteúdo maior de colágeno é
encontrado na gengiva de animais mais velhos, apesar de um menor grau na síntese
de colágeno que diminui com a idade.8,26,48
Ligamento Periodontal
Alterações no ligamento periodontal são reportadas com o envelhecimento, incluindo
diminuição no número de fibroblastos e uma estrutura mais irregular acompanhando
as mudanças no tecido conjuntivo gengival.8,26,48 Outros achados abrangem a
diminuição da produção de matriz orgânica e restos de células epiteliais e aumento na
quantidade de fibras elásticas.48 Resultados conflitantes foram relatados sobre
alterações na largura do ligamento periodontal em humanos e modelos animais.
Apesar de uma variação verdadeira poder existir, esse achado provavelmente reflete a
condição funcional dos dentes nos estudos, porque a largura do espaço irá diminuir se
o dente estiver sem antagonista (hipofunção) ou irá aumentar com a sobrecarga
oclusal.26,48 Ambas as situações podem ser antecipadas como resultado da perda
dentária na população em questão. Esses efeitos também podem explicar a
variabilidade dos estudos que relatam alterações qualitativas no ligamento
periodontal.
O reconhecimento de que o ligamento periodontal tem importante papel no
metabolismo do osso alveolar levou a um interesse maior em investigar este papel em
relação à manutenção da saúde periodontal e à patogênese da periodontite. Uma
abordagem para investigar este papel é o exame dos mediadores da homeostase
óssea, como o ligante do receptor ativador do fator nuclear kB (RANKL) e da
osteoprotegerina (OPG). O RANKL é amplamente reconhecido por seu papel na
ativação de osteoclastos, enquanto a OPG antagoniza a ligação de RANKL, ajudando
assim a manter o equilíbrio. A interação das citocinas, em particular da família da
interleucina, também tem sido amplamente pesquisada na patogênese periodontal.
Algumas das interleucinas são potentes mediadores de inflamação (p. ex.,
interleucina-1 [IL-1]), enquanto outras mostraram que fazem a regulação descendente
deste processo (p. ex., IL-4 e IL-10). Portanto, parece que a determinação do
equilíbrio entre os processos homeostáticos seria de grande mérito na avaliação de
possíveis alterações negativas no periodonto. Tal estratégia parece ser preditiva da
destruição de tecido duro na artrite reumatoide.15 Achados recentes, comparando as
células de ligamento periodontal em indivíduos idosos (>60 anos de idade) versus
jovens (15 a 20 anos de idade), sugeriram maior expressão genética para citocinas
pró-inflamatórias.7 Este efeito é citado de forma mais ampla como uma alteração
110
associada à idade, embora não esteja claro se como causa ou como efeito.35 Contudo,
além da maior expressão de IL-1 e IL-6, a OPG também aumentou, sugerindo que este
aumento de OPG poderia ser uma resposta homeostática à regulação ascendente da
inflamação.7 Se este mecanismo homeostático fosse efetivo, ele poderia explicar por
que um aumento na inflamação não resultou em maior dano tecidual com a idade. A
proliferação de células do ligamento periodontal estava diminuída com a idade,
sugerindo comprometimento do potencial de reparo, embora tal impacto não pareça
se manifestar clinicamente.50 Outras pesquisas investigando as células do ligamento
periodontal dos indivíduos diagnosticados com periodontite serão importantes para a
compreensão da relação potencialmente importante entre envelhecimento e as células
do ligamento periodontal.
Cemento
Existe algum consenso a respeito dos efeitos do envelhecimento sobre o cemento. Um
aumento na largura do cemento é um achado comum; esse aumento pode ser de cinco
a 10 vezes com o decorrer da idade.8 Esse achado não é surpreendente devido à
deposição contínua após a erupção dos dentes. O aumento na espessura é maior
apicalmente e na face lingual.48 Apesar de o cemento ter uma capacidade limitada
para remodelação, um acúmulo de sítios de reabsorção explica o achado de aumento
de irregularidade de superfície.16
Osso Alveolar
As alterações morfológicas relacionadas à idade relatadas no osso alveolar espelham
aquelas que ocorrem em outros sítios ósseos. Achados mais específicos ao periodonto
são superfície óssea periodontal mais irregular e menor inserção regular de fibras
colágenas.48 Apesar da idade ser um fator de risco para redução da massa óssea na
osteoporose, ela não é causadora e, portanto, deve ser distinguida do processo
fisiológico de envelhecimento.18 Passando por cima das diversas observações de
alterações ósseas com a idade está o importante achado que o grau de cicatrização
óssea em alvéolos de extração parece não ser afetado pela idade.4 De fato, o sucesso
de implantes dentários osteointegrados, que depende das respostas de cicatrização
intactas, não parece estar relacionado à idade.9 Entretanto, contrapõe-se a essa visão
a observação recente de que preparados de enxerto ósseo (osso liofilizado) de
doadores com mais de 50 anos de idade possuiam um potencial osteogênico
significativamente menor do que o material de enxerto de doadores mais jovens.42 O
possível significado desse fenômeno nas respostas normais de cicatrização precisa ser
investigado.
Placa Bacteriana
111
Sugeriu-se que o acúmulo da placa dentogengival aumenta com a idade.17 Isso pode
ser explicado pelo aumento da superfície de tecidos duros resultante da retração
gengival e pelas características da superfície radicular exposta como um substrato
para a formação da placa diferente do esmalte. Outros estudos não demonstraram
diferenças na quantidade da placa com a idade. Essa contradição poderia refletir as
diferentes faixas etárias dos grupos experimentais como graus variáveis de retração
gengival e exposição radicular. Para a placa supragengival, não foram demonstradas
diferenças qualitativas reais para a composição da placa.17 Para a placa subgengival,
um estudo demonstrou uma microbiota subgengival semelhante à microbiota normal,
enquanto outro estudo relatou um aumento no número de bacilos entéricos e
pseudomonas em adultos mais velhos.31,46 Mombelli sugere cautela na interpretação
desse achado, devido à transmissão aumentada destas espécies entre indivíduos
adultos.29 Especula-se que uma mudança ocorra na importância de certos patógenos
periodontais com a idade, especificamente um aumento no papel da Porphyromonas
gingivalis e uma diminuição no papel do Aggregatibacter actinomycetemcomitans.
Entretanto, diferenciar os verdadeiros efeitos do envelhecimento das alterações nos
determimantes ecológicos para as bactérias bucais será difícil.Este tópico é
considerado mais detalhadamente em uma recente revisão.29
Uma outra abordagem para investigar microbiologia é conduzir estudos
intervencionistas e examinar seu impacto sobre a microbiota. Em indivíduos de 60 a
75 anos de idade, a prevalência de P. gingivalis, Tanerella forsythia, T. denticola, A.
actinomycetemcomitans, e Prevotella intermedia foi alta e não serelacionou claramente
à profundidade de sondagem.39 O achado de altos níveis dos organismos poderia estar
relacionado à amostra de indivíduos, visto que em sua maioria eram indivíduos de
baixa renda e sem cuidados dentais recentes. O uso prolongado (cinco anos) de um
colutório de clorexidina a 0,12% não promoveu reduções nas proporções dos
organismos em indivíduos com perda óssea alveolar, comparados com o colutório
placebo, possivelmente devido a rotina de uso do colutório ter sido menos frequente
que o uso diário.
Respostas Imunes e Inflamatórias
Avanços recentes nos estudos dos efeitos do envelhecimento sobre as respostas imunes
(imunofluorescência) alteraram a compreensão desse fenômeno. Particularmente,
estudos mais recentes determinaram controles mais rígidos para a exclusão de
indivíduos com condições sistêmicas que sabidamente afetam a resposta imune. Como
resultado, reconheceu-se que a idade possui muito menos efeito na alteração das
respostas do hospedeiro do que se pensa.20,27 Diferenças entre indivíduos jovens e
idosos podem ser demonstradas nas células T e B, citocinas e células natural killer, mas
não para células polimorfonucleares e atividade macrofágica. McArthur concluiu:
“A mensuração de indicadores da competência imune e inflamatória sugere que,
112
dentro dos parâmetros testados, não houve evidência de mudanças relacionadas à
idade nas defesas do hospedeiro correlacionando-se com periodontite em um grupo de
indivíduos idosos (65 a 75 anos de idade), com e sem a doença.”27 As diferenças
referentes à idade na resposta inflamatória na gengivite foram claramente
demonstradas e são discutidas adiante neste livro.
Em relação às respostas inflamatórias sistêmicas, a proteína C reativa (PCR) é
uma proteína de fase aguda e amplamente considerada como um marcador de carga
inflamatória e resposta à infecção bacteriana.44 Ao investigar os níveis séricos de PCR
em indivíduos de 60 a 75 anos de idade, comparados àqueles com periodontite
progressiva contra doença estável, os níveis de PCR estavam aumentados naqueles
com periodontite progressiva e sem outra condição sistêmica.47 Isso pode indicar que
a carga inflamatória pode ser investigada com o uso da PCR, embora haja crescente
evidência de que a PCR sozinha pode não ser um marcador muito confiável em
pessoas idosas.40
Outro modulador das respostas imunes e inflamatórias é a nutrição. O interesse
neste campo está crescendo rapidamente em medicina e periodontologia.11 A nutrição
tem sido extensamente estudada em medicina geriátrica devido às alterações na
ingestão nutricional com a idade. O impacto como um fator de risco em potencial
para doenças periodontais e sua progressão é, portanto, de interesse. Começaram a
surgir dados que sugerem a associação negativa entre folato sérico e a periodontite
(isto é, após controlar os principais fatores de confusão, o folato sérico diminuído em
adultos com dentes (>60 anos de idade) está associado a níveis mais altos de
periodontite).53 Estes dados transversais podem não demonstrar apenas a
causalidade, mas a reconhecida relação entre a proteção do folato para doenças
inflamatórias crônicas, como a doença cardiovascular,28 oferece plausibilidade
biológica para uma relação em potencial e merece mais investigações por estudos
prospectivos.
Em resumo, apesar da existência de muitas contradições, uma pesquisa na
literatura demonstrou que algumas mudanças relacionadas à idade são evidentes no
periodonto e na resposta do hospedeiro. A seguir será discutido se essas alterações são
significativas na mudança da progressão das doenças periodontais ou na resposta de
adultos idosos para o tratamento periodontal.
Efeitos do envelhecimento na progressão das doenças
periodontais
Em um estudo clássico de gengivite experimental, restituiu-se a condição livre de
placa e livre de inflamação nos indivíduos por meio de limpezas profissionais
frequentes. Uma vez atingidos esses objetivos, os indivíduos abstinham-se das
medidas de higiene bucal por um período de três semanas para permitir o
113
desenvolvimento da gengivite.25 Nesse modelo experimental, uma comparação do
desenvolvimento da gengivite em indivíduos jovens e idosos demonstrou uma
resposta inflamatória maior nos indivíduos idosos, tanto em humanos como em
cães.8,12,13,17 No grupo mais velho (65 a 80 anos), os achados incluíram maior
quantidade de infiltrado no tecido conjuntivo, aumento do fluxo do fluido gengival e
aumento no índice gengival.12,13 Outros estudos não demonstraram diferenças entre
os indivíduos; isso pode estar relacionado a diferenças menores entre as idades dos
grupos experimentais jovem e idoso.52 De maneira intrigante, mesmo no início, com
saúde gengival ótima antes do início do acúmulo da placa, podem existir diferenças
entre os dois grupos, com o grupo idoso demonstrando mais inflamação.12,13
A frase “getting long in the tooth” (ficando um velho desdentado) expressa uma
crença disseminada de que a idade está inevitavelmente associada ao aumento da
perda de inserção conjuntiva. Entretanto, essa observação pode igualmente refletir a
exposição cumulativa para um número de processos potencialmente destrutivos. Essas
exposições podem incluir periodontite associada à placa, trauma mecânico crônico da
escovação e danos iatrogênicos de uma odontologia restauradora desfavorável ou
repetidas raspagem e alisamentos aumentada. Os efeitos da exposição aos fatores
descritos atuam em uma única direção (perda de inserção).49
Nas tentativas de diferenciar os efeitos da idade desses outros processos, vários
estudos foram delineados para eliminar temas que causam confusão e abordem mais
claramente a questão da idade como um fator de risco para a periodontite. Um fator
de risco é definido como “qualquer característica, comportamento ou exposição
associado a uma determinada doença. A relação não é de natureza necessariamente
causal … Alguns fatores de risco, se causais, podem ser modificados para reduzir o
risco de início ou de progressão da doença em um indivíduo, como o tabagismo ou a
melhora da higiene oral … enquanto outros fatores podem ser modificados, como os
fatores genéticos”14 As conclusões desses estudos são notavelmente consistentes e
mostram que o efeito da idade ou não existe ou leva a um aumento clinicamente
insignificante no risco de perda de suporte periodontal.10,24,32,36,37 De fato, em
comparação com a relação de chances de 20,52 para condição de higiene bucal
precária e periodontite, a relação de chances para a idade foi de apenas 1,241 e o
tabagismo tem mais influência do que a idade.32 Portanto, foi sugerido que a idade
não é um fator de risco verdadeiro, mas um fato associado com a periodontite.36 Além
do mais, esclarecimentos de base genética para a suscetibilidade a formas graves de
periodontite enfatizam a grande importância da placa, do tabagismo e da
suscetibilidade na explicação da maioria das variações de gravidade da doença
periodontal entre indivíduos.21 Contudo, um longo estudo de periodontite
essencialmente não tratada em uma população japonesa idosa (pelo menos 70 anos
de idade) indicou que 296 de 394 indivíduos (75%) tiveram pelo menos um sítio com
perda de inserção de 3mm ou mais ao longo de um período de dois anos.33 Tabagismo
114
e nível de inserção inicial de 6mm ou mais foram associados de modo significativo
com a progressão da doença.
Envelhecimento e resposta ao tratamento do periodonto
O tratamento bem-sucedido da periodontite exige tanto controle meticuloso da placa
pelo paciente, por meio de cuidados caseiros, quanto limpeza meticulosa
supragengival e subgengival feita pelo terapeuta.30 Infelizmente, só alguns estudos
têm comparado diretamente tal abordagem entre pacientes de grupos etários
diferentes. Os poucos estudos que o fizeram demonstraram claramente que, apesar
das mudanças histológicas no periodonto com o envelhecimento, não houve diferença
na resposta para tratamento cirúrgico da periodontite versus tratamento não
cirúrgico.5,23,50 Porém, se o controle de placa não for ideal, a perdade inserção é
inevitável. Além do mais, sem uma efetiva terapia periodontal, a progressão da
doença deve avançar com a idade.38 Tentativas de controle da placa por meios
químicos também foram descritas.45
Uma revisão puramente biológica ou fisiológica indica que o envelhecimento tem
certo impacto na estrutura e função do periodonto, assim como na função da resposta
imune e na natureza tanto da placa supragengival como subgengival. Entretanto,
essas mudanças apresentam um impacto desprezível na resposta individual ao
tratamento. O envelhecimento pode afetar outros aspectos do tratamento das doenças
periodontais, como o risco de cárie radicular41 (Cap. 39), e as dificuldades resultantes
não devem ser menosprezadas. Curiosamente, um estudo recente identificou maior
tendência à manutenção de suporte em indivíduos mais velhos do que em pacientes
mais jovens.34
As referências bibliográficas estão disponíveis no site em
www.elsevier.com.br/odontoconsult.
* Para leitura adicional sobre os efeitos do envelhecimento no paciente dentado e periodontal, o leitor deve consultar
Lamster IB, Northridge ME: Improving oral health for the elderly: an interdisciplinary approach, New York, 2008,
Springer.
115
http://www.elsevier.com.br/odontoconsult
Parte 2
Classificação e Epidemiologia das
Doenças Periodontais
116
Parte 2: Classificação e Epidemiologia das Doenças
Periodontais
Michael G. Newman
A classificação das doenças periodontais é útil para ajudar no estabelecimento do
diagnóstico, determinar o prognóstico e facilitar o plano de tratamento. Diferentes
classificações das doenças periodontais utilizadas ao longo dos anos foram
substituídas assim que novos conhecimentos melhoraram nossa compreensão sobre a
etiologia e a patologia das doenças do periodonto, conforme discutido no Capítulo 4.
Também, como discutido no Capítulo 5, a Parte 2 inclui informações sobre a
epidemiologia das doenças periodontais que irão ajudar o estudante e o clínico a
analisar a doença e basear seu diagnóstico e decisões terapêuticas na sua prevalência,
incidência e distribuição em grandes populações ou grupos. O conhecimento da
epidemiologia da doença melhora nosso entendimento e aguça nossas decisões em
casos individuais.
117