Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Processo Decisório em 
Saúde e Enfermagem
Prof. Fabiana Dias 
Paciente idoso, polimedicado, com risco de queda... 
equipe decide usar grade lateral — decisão correta?
Erros comuns na tomada de decisão:
Viés cognitivo (ancoragem, confirmação) 
Decisão baseada em rotina (“sempre foi assim”)
Excesso de confiança 
Falha de comunicação 
O processo decisório é 
multidimensional, 
envolvendo técnica, 
ética, gestão e 
comunicação entre 
equipe e paciente.
É essencial integrar 
evidências científicas 
atualizadas à prática —
base da Evidence-
Based Practice (EBP).
O que é Evidence-
Based Practice (EBP)?
Modelo que utiliza: 
Melhor evidência científica disponível
Experiência clínica do profissional
Valores e preferências dos pacientes
Etapas da EBP
Fórmulação de pergunta clínica (PICO)
Busca por evidências
Avaliação crítica das evidências
Integração com expertise e valores do paciente
Avaliação dos resultados
Compartilhamento dos resultados
Pergunta Clínica (PICO)
Identificar o problema e estruturar a pergunta:
P: Paciente/Problema 
I: Intervenção 
C: Comparação 
O: Desfecho 
Define o foco da decisão clínica
Busca por Evidências
Pesquisar nas melhores fontes científicas:
PubMed, Cochrane, LILACS 
Diretrizes clínicas 
Selecionar evidências atualizadas e confiáveis
Avaliação Crítica
Analisar qualidade e validade:
Tipo de estudo 
Risco de viés 
Relevância clínica 
Nem toda evidência deve ser aplicada
Integração na Prática
Unir três pilares:
Evidência científica 
Experiência clínica 
Valores do paciente 
Momento real da tomada de decisão
Avaliação dos Resultados
Monitorar impacto da decisão:
Melhorou o desfecho? 
Houve eventos adversos? 
Garantia de qualidade e segurança
Compartilhamento
Disseminar conhecimento:
Equipe 
Protocolos 
Educação permanente 
Fortalece a prática baseada em evidências
P (Paciente/Problema) → Quem é 
o paciente ou qual é o problema 
de saúde em foco?
I (Intervenção) → Qual 
intervenção, conduta, exame ou 
tratamento será considerado?
C (Comparação) → Qual é a 
alternativa ou conduta 
comparativa (quando aplicável)?
O (Outcome/Desfecho) → Quais 
são os resultados ou efeitos 
esperados?
Enfermagem 
Clínica
P: Pacientes hospitalizados com 
risco de úlcera por pressão
I: Uso de colchões pneumáticos
C: Colchões convencionais
O: Redução da incidência de úlcera 
por pressão
Pergunta PICO: Em pacientes 
hospitalizados com risco de úlcera 
por pressão, o uso de colchões 
pneumáticos é mais eficaz do que 
colchões convencionais para reduzir 
a incidência dessas lesões?
Saúde Pública / APS
P: Idosos com hipertensão acompanhados em UBS:
I: Acompanhamento por enfermeiros em grupos educativos
C: Acompanhamento individual apenas médico
O: Melhor controle dos níveis pressóricos
Pergunta PICO: Em idosos hipertensos na APS, o acompanhamento
em grupos conduzidos por enfermeiros é mais eficaz do que o
acompanhamento médico individual para controle da pressão
arterial?
Emergência/UTI
• P: Pacientes em parada cardiorrespiratória intra-hospitalar
• I: Uso de capnografia contínua durante RCP
• C: Monitoramento apenas com checagem clínica
• O: Melhora da taxa de retorno da circulação espontânea (RCE)
• Pergunta PICO: Em pacientes em parada cardiorrespiratória, o
uso de capnografia contínua durante a RCP é mais eficaz que a
checagem clínica para melhorar o retorno da circulação
espontânea?
Busca por Evidências
Onde buscar?
Principais bases de dados
PubMed/MEDLINE → maior base biomédica mundial.
Cochrane Library → revisões sistemáticas de alta 
qualidade.
LILACS/BVS → produção científica latino-americana 
(em português e espanhol).
CINAHL → foco em enfermagem e ciências da saúde.
Scopus e Web of Science → bases multidisciplinares.
Diretrizes nacionais → Ministério da Saúde, 
Cofen/Coren, sociedades científicas.
Estratégia de busca
Usar palavras-chave e descritores padronizados (DeCS/MeSH).
Combinar termos com operadores booleanos:
AND → restringe (ex: “hipertensão AND enfermeiro”)
OR → amplia (ex: “lesão por pressão OR curativo”)
NOT → exclui (ex: “diabetes NOT tipo 1”)
Usar aspas para termos compostos: “enfermagem-baseado-
evidencias”.
Filtrar por tipo de estudo: ensaios clínicos, revisões sistemáticas, 
guidelines.
Níveis de evidência (hierarquia)
Do mais forte 
ao mais fraco:
Revisões 
sistemáticas e 
metanálises
Ensaios 
clínicos 
randomizados
Estudos de 
coorte e caso-
controle
Estudos 
observacionais
Relatos de 
caso e opinião 
de 
especialistas
Exemplo ... 
Pergunta PICO:
Em idosos com risco de quedas (P), o uso de grades laterais no leito (I)
comparado à ausência de grades (C) reduz a incidência de quedas (O)?
Estratégia de busca:
Base: PubMed
Termos: “Quedas AND idosos AND grades de cama AND enfermagem”
Filtros: últimos 5 anos, revisões sistemáticas
Resultado: Diretriz Cochrane mostra que o uso de grades pode reduzir quedas,
mas aumenta risco de lesões; recomenda-se associar com outras estratégias
de prevenção (ex: campainha, educação do paciente).
Dica prática
Sempre registrar: onde buscou, quais 
termos usou e quais filtros aplicou → isso 
garante rastreabilidade e transparência 
no processo decisório.
Avaliação Crítica das 
Evidências
É o processo de 
analisar a qualidade, 
validade e 
aplicabilidade dos 
estudos encontrados.
Nem toda evidência é 
confiável. 
O enfermeiro precisa 
filtrar antes de aplicar 
no cuidado.
Critérios principais
Validade interna → O estudo foi bem conduzido? (randomização, cegamento, 
controle de vieses).
Consistência → Resultados semelhantes em diferentes pesquisas?
Relevância clínica → O efeito encontrado é significativo para o cuidado?
Aplicabilidade → O estudo pode ser aplicado ao contexto do paciente/população 
local?
Precisão dos resultados → Intervalos de confiança, significância estatística.
Exemplo prático – Enfermagem 
Pergunta PICO: Em pacientes críticos (P), o uso de curativo impregnado
com clorexidina (I) comparado a curativo estéril simples (C) reduz
infecção relacionada ao cateter venoso central (O)?
Estudo encontrado: Revisão Cochrane (2022).
Avaliação crítica: Alta validade (ensaios randomizados incluídos).
Resultados consistentes em vários países.
Relevância clínica: redução significativa de infecção.
Aplicabilidade: viável em hospitais brasileiros, custo moderado.
Conclusão: Evidência forte para uso de curativos impregnados.
Implicações para 
a prática
A avaliação crítica dá 
segurança clínica e legal 
para a decisão do 
enfermeiro.
Evita condutas baseadas 
em achismo ou práticas 
ultrapassadas.
Fortalece a qualidade do 
cuidado e a segurança do 
paciente.
Integração com expertise e 
valores do paciente
Expertise clínica 
do enfermeiro
Envolve o conhecimento técnico-científico, as habilidades
adquiridas pela prática e a capacidade de julgamento clínico.
Permite reconhecer quando uma evidência científica é aplicável
(ou não) ao contexto específico.
Exemplo: mesmo que um guideline indique heparina profilática em
todos os pacientes pós-cirurgia, o enfermeiro deve identificar
contraindicações (ex.: risco elevado de sangramento).
Valores, 
preferências e 
cultura do 
paciente
O cuidado deve respeitar:
Preferências individuais (ex.: paciente que recusa
transfusão de sangue por motivos religiosos).
Valores culturais (ex.: aceitação de terapias integrativas).
Contexto social/econômico (ex.: prescrição de
medicamentos acessíveis).
Isso dá sentido ao conceito de cuidado centrado no
paciente.
A tríade da decisão baseada em evidências
Melhores 
evidências 
científicas
Expertise clínica 
do profissional
Valores e 
preferências do 
paciente
Todos os três 
devem se integrar 
para que a 
decisão seja 
segura, ética e 
eficaz.
Exemplos práticos
Enfermagem em Oncologia: paciente com câncer prefere cuidados paliativos 
domiciliares. A equipe avalia evidências sobre manejo da dor, integra com sua 
experiência em cuidados domiciliares e respeita a vontade da família.
Saúde da Mulher:gestante com diabetes gestacional prefere parto normal; o 
enfermeiro deve integrar evidências de segurança materno-fetal, experiência 
da equipe e desejo da paciente.
UTI: paciente idoso com doença crônica avançada → decisão compartilhada 
sobre medidas invasivas (ex.: ventilação mecânica prolongada), levando em 
conta prognóstico, evidências e valores familiares.
Tomada de Decisão 
no Leito 
Enfermeiro, médico, paciente 
(e família) no leito para 
decisões colaborativas e 
centradas no paciente.
Redução de erros de 
comunicação
Maior coordenação da 
equipe
Melhora do engajamento do 
paciente
Apoio 
Computacional à 
Decisão
Ferramentas 
computacionais que 
integram dados clínicos 
do paciente e fornecem 
alertas, lembretes, 
recomendações e 
resumos em tempo real 
para apoiar o processo 
decisório da equipe de 
saúde.
Benefícios
• Maior precisão diagnóstica e 
condutas mais seguras.
• Prevenção de eventos adversos 
→ ex.: úlceras por pressão, 
quedas, interações 
medicamentosas.
• Apoio à gestão clínica → controle 
glicêmico, prescrição segura, 
monitoramento de antibióticos.
• Agilidade → reduz tempo de 
decisão em situações críticas.
Desafios
Excesso de alertas → risco de dessensibilização da equipe.
Integração ao fluxo de trabalho clínico → sistemas pouco amigáveis podem
atrapalhar ao invés de ajudar.
Aceitação pela equipe multiprofissional → barreiras culturais e resistência a
mudanças.
Privacidade e segurança dos dados → necessidade de conformidade com LGPD
e normas de saúde digital.
Exemplo prático 
– Enfermagem
UTI adulto: CDSS em ventilação mecânica → gera alertas sobre 
parâmetros fora do esperado, sugerindo ajustes baseados em 
protocolos de desmame.
APS: CDSS integrado ao e-SUS → identifica pacientes com fatores de 
risco cardiovascular e sugere estratificação de risco conforme 
protocolos do Ministério da Saúde.
Oncologia: alerta para interação entre quimioterápicos e outros 
fármacos prescritos.
Simulação na Formação e 
Treinamento
Simulações de alta fidelidade 
elevam a competência técnica e a 
confiança diante de emergências.
Exemplo: treinamentos “just-in-
time” ajudam no preparo de turnos 
e transição para o leito, sem 
comprometer qualidade da 
assistência.
Clínicas Lideradas 
por Enfermeiro
Evidência mostra melhor controle 
de hipertensão e dislipidemia em 
pacientes com diabetes tipo II 
nessas clínicas.
Também aumentam satisfação do 
paciente e demonstram custo-
efetividade em doenças como 
artrite reumatoide.
Fatores que 
Influenciam a 
Tomada de 
Decisão
Influências relevantes: 
Qualidade das informações e comunicação na equipe
Contextos organizacionais dinâmicos e hospitalares 
administração
Exemplo real: enfermeiros em hospitais universitários 
enfrentam pressões por recursos, cultura e urgência.
Papel da 
Liderança e 
Gestão
Líderes de enfermagem são fundamentais para criar
uma cultura organizacional voltada para a prática
baseada em evidências.
Facilitam a tradução do conhecimento científico para a
prática clínica.
Garantem infraestrutura, recursos e motivação da
equipe para adotar novas práticas.
Estratégias de liderança 
observadas em estudos 
recentes (2025)
Reuniões de equipe: espaço para discussão de artigos, protocolos 
e melhores práticas.
Rondas clínicas: líderes estimulam decisões à beira-leito 
fundamentadas em evidências.
Mentorias e preceptoria: apoiam enfermeiros mais jovens na 
análise crítica da literatura.
Feedback contínuo: avaliação dos resultados alcançados e ajustes 
necessários.
Benefícios da 
liderança ativa
Maior adesão da equipe aos 
protocolos baseados em 
evidências.
Redução de variabilidade clínica 
e maior segurança do paciente.
Desenvolvimento profissional 
contínuo dos enfermeiros.
Compartilhamento de 
evidências em tempo real, 
favorecendo decisões rápidas e 
seguras.
Exemplo prático
Em um hospital universitário, enfermeiros líderes 
implantaram reuniões semanais de análise de 
incidentes críticos.
As condutas discutidas eram comparadas com 
guidelines internacionais (Cochrane, OMS).
Resultado: redução de 20% nas taxas de infecção 
associada a cateteres em 6 meses.
Processo Decisório dentro da SAE
• Coleta de dados → decisão diagnóstica
• Diagnóstico de enfermagem → decisão clínica
• Planejamento → decisão terapêutica
• Avaliação → decisão de continuidade
Tomada de decisão ética
O que envolve?
A decisão clínica não é apenas técnica — envolve:
Princípios éticos 
Valores do paciente 
Contexto clínico e prognóstico 
Comunicação com equipe e família 
Decidir é também um ato ético
Princípios Fundamentais
Autonomia → respeitar a vontade do paciente 
Beneficência → agir para o bem 
Não maleficência → evitar danos 
Justiça → equidade no cuidado 
Limitação Terapêutica
Decisão de não iniciar ou suspender intervenções invasivas:
Ventilação mecânica prolongada 
Reanimação em casos irreversíveis 
Terapias fúteis 
Foco: evitar sofrimento desnecessário
Cuidados Paliativos
Quando a cura não é possível:
Controle de dor e sintomas 
Conforto e dignidade 
Apoio à família 
Objetivo: qualidade de vida, não prolongamento do sofrimento
Autonomia do Paciente
Respeitar decisões mesmo quando:
Recusa tratamento 
Escolhe cuidados paliativos 
Tem crenças religiosas/culturais 
Decisão deve ser compartilhada e informada
Nem sempre fazer tudo que é 
possível é fazer o melhor.
O processo decisório ético exige
reconhecer limites da medicina e 
respeitar a dignidade do paciente
Conflitos Éticos Comuns
Equipe quer intervir × família quer conforto 
Protocolo × desejo do paciente 
Tecnologia disponível × benefício real 
Solução: decisão compartilhada + comunicação clara
Paciente idoso, com múltiplas comorbidades, em UTI, dependente de ventilação
mecânica, sem perspectiva de reversão. Família solicita “fazer tudo”.
Qual a melhor conduta?
A) Manter todas as intervenções
B) Suspender suporte imediatamente
C) Discutir limitação terapêutica com equipe e família
D) Decidir exclusivamente com base no protocolo
• Integra ética + evidência + comunicação 
• Respeita princípios bioéticos 
• Evita obstinação terapêutica 
Reflexão Final
O processo decisório na enfermagem é 
complexo, dinâmico e baseado em evidências.
Requer habilidades técnicas, comunicação, 
liderança e uso de tecnologia.
Toda decisão impacta a segurança, qualidade do 
cuidado e a experiência do paciente.
	Slide 1: Processo Decisório em Saúde e Enfermagem
	Slide 2
	Slide 3: Erros comuns na tomada de decisão:
	Slide 4
	Slide 5: O que é Evidence-Based Practice (EBP)? 
	Slide 6: Etapas da EBP 
	Slide 7: Pergunta Clínica (PICO)
	Slide 8: Busca por Evidências
	Slide 9: Avaliação Crítica
	Slide 10: Integração na Prática
	Slide 11: Avaliação dos Resultados
	Slide 12: Compartilhamento
	Slide 13
	Slide 14: Enfermagem Clínica
	Slide 15: Saúde Pública / APS
	Slide 16: Emergência/UTI
	Slide 17: Busca por Evidências
	Slide 18: Onde buscar?
	Slide 19: Estratégia de busca 
	Slide 20: Níveis de evidência (hierarquia) 
	Slide 21: Exemplo ... 
	Slide 22: Dica prática
	Slide 23: Avaliação Crítica das Evidências
	Slide 24
	Slide 25: Critérios principais
	Slide 26: Exemplo prático – Enfermagem 
	Slide 27: Implicações para a prática 
	Slide 28: Integração com expertise e valores do paciente
	Slide 29: Expertise clínica do enfermeiro 
	Slide 30: Valores, preferências e cultura do paciente 
	Slide 31: A tríade da decisão baseada em evidências 
	Slide 32: Exemplos práticos
	Slide 33: Tomada de Decisão no Leito 
	Slide 34: Apoio Computacional à Decisão
	Slide 35: Benefícios 
	Slide 36: Desafios 
	Slide 37: Exemplo prático – Enfermagem 
	Slide 38: Simulação na Formação e Treinamento 
	Slide 39: Clínicas Lideradas por Enfermeiro 
	Slide 40: Fatores que Influenciam a Tomada de Decisão 
	Slide 41: Papel da Liderança e Gestão
	Slide 42: Estratégias de liderança observadas em estudos recentes (2025) 
	Slide 43: Benefícios da liderança ativa 
	Slide 44: Exemplo prático 
	Slide 45: Processo Decisório dentro daSAE
	Slide 46: Tomada de decisão ética
	Slide 47: Princípios Fundamentais
	Slide 48: Limitação Terapêutica
	Slide 49: Cuidados Paliativos
	Slide 50: Autonomia do Paciente
	Slide 51: Nem sempre fazer tudo que é possível é fazer o melhor. O processo decisório ético exige reconhecer limites da medicina e respeitar a dignidade do paciente
	Slide 52: Conflitos Éticos Comuns
	Slide 53
	Slide 54: Reflexão Final

Mais conteúdos dessa disciplina