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1 CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA JOSERLAN GOIS DE AZEVEDO IMPACTOS DA CAPELANIA COMO FATOR DE RESILIÊNCIA E SAÚDE MENTAL E ESPIRITUAL NO SERVIÇO OPERACIONAL DA POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ PENTECOSTE – CE 2026 D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.016 2 IMPACTOS DA CAPELANIA COMO FATOR DE RESILIÊNCIA E SAÚDE MENTAL E ESPIRITUAL NO SERVIÇO OPERACIONAL DA POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ JOSERLAN GOIS DE AZEVEDO TCC apresentado a Faculdade Prisma como requisito para obtenção do título de Pós Graduação em Segurança Pública. PENTECOSTE – CE 2026 D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.017 3 SUMÁRIO 1 . INTRODUÇÃO.................................................................................................... 06 2 . A ATIVIDADE POLICIAL MILITAR E O SERVIÇO OPERACIONAL..................09 3 . O ESTRESSE OCUPACIONAL E OS IMPACTOS NA SAÚDE DO POLICIAL..10 4 O ESTIGMA INSTITUCIONAL E A CULTURA DO SILÊNCIO..............................11 5 . CAPELANIA MILITAR: CONCEITO E FINALIDADE...........................................12 6 . CAPELANIA MILITAR E ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL.......................................12 7 . CAPELANIA COMO FATOR DE RESILIÊNCIA..................................................13 8 . ESCUTA QUALIFICADA E ACOLHIMENTO.......................................................14 9 . MENTORIA PESSOAL E APOIO AO POLICIAL.................................................15 10 . O CAPELÃO COMO AGENTE DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL............16 11. CAPELANIA, SAÚDE MENTAL E PREVENÇÃO...............................................16 12. A CAPELANIA COMO REDE COMPLEMENTAR DE CUIDADO.......................17 13 . CAPELANIA E FAMÍLIA DO POLICIAL.......................................................... .17 14 . DESAFIOS E LIMITES DA CAPELANIA MILITAR...........................................18 15. METODOLOGIA.................................................................................................19 16. ANÁLISE E DISCUSSÃO...................................................................................19 17. PROPOSTAS PARA O FORTALECIMENTO DA CAPELANIA NA PMCE.......21 18. CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................22 19. REFERÊNCIAS..................................................................................................24 D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.018 4 RESUMO A função da polícia militar é marcada pela alta exposição a circunstâncias de risco, tensão, violência e imprevisibilidade, além da constante necessidade de tomar decisões. Durante as atividades operacionais, os policiais militares frequentemente lidam com situações que podem ser traumatizantes, incluindo conflitos, acidentes, mortes e violência, que acarretam impactos físicos, emocionais, psicológicos e espirituais. A isso se somam as exigências específicas da profissão, como disciplina, hierarquia, responsabilidade, longas cargas horárias e pressão institucional. Nesse cenário, promover a saúde integral do policial é uma estratégia essencial para preservar sua qualidade de vida e eficácia operacional. Este trabalho busca explorar os efeitos da Capelania Militar como um elemento de resiliência e promoção da saúde mental e espiritual para os policiais militares que atuam no serviço operacional da Polícia Militar do Ceará. A pesquisa é de natureza aplicada, com uma abordagem qualitativa, sendo de caráter bibliográfico e documental, com um objetivo exploratório-descritivo. A análise se fundamenta em conceitos como Capelania Militar, resiliência, saúde mental, espiritualidade, estresse ocupacional, acolhimento e escuta ativa. Os documentos analisados no estudo mostram que a Capelania Militar pode atuar como um suporte adicional na rede de cuidado aos policiais, proporcionando assistência espiritual, acolhimento, orientação, mentoria e escuta qualificada. Sua atuação pode ajudar a fortalecer a esperança, os valores, o sentido da vida e as estratégias de enfrentamento diante das dificuldades inerentes à atividade policial. É fundamental compreender a Capelania como um complemento aos serviços de saúde especializados, sem substituir o acompanhamento psicológico, médico ou psiquiátrico quando for necessário. A conclusão aponta que o fortalecimento de uma Capelania Militar bem estruturada, ética, inclusiva e integrada à rede de apoio institucional pode promover uma abordagem mais humanizada em relação ao cuidado, prevenção e valorização do policial militar. Palavras-chave: Capelania Militar. Polícia Militar do Ceará. Saúde Mental. Resiliência. Espiritualidade. Estresse Ocupacional. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.019 5 ABSTRACT The role of the military police is characterized by high exposure to risk, tension, violence, unpredictability, and the constant need for decision-making. During operational activities, military police officers frequently face potentially traumatic situations, including conflicts, accidents, deaths, and violence, which may have physical, emotional, psychological, and spiritual impacts. In addition, professional demands such as discipline, hierarchy, responsibility, extended working hours, and institutional pressure may contribute to occupational stress and affect overall well- being. In this context, promoting the comprehensive health of police officers is essential to preserving their quality of life and operational effectiveness. This study aims to investigate the effects of Military Chaplaincy as a factor of resilience and as a means of promoting mental and spiritual health among military police officersengaged in the operational service of the Military Police of Ceará. This is an applied study with a qualitative approach, characterized as bibliographic and documentary research, with an exploratory-descriptive objective. The analysis is based on concepts such as Military Chaplaincy, resilience, mental health, spirituality, occupational stress, emotional support, and active listening. The documents analyzed indicate that Military Chaplaincy can function as an additional resource within the support network available to police officers by providing spiritual assistance, emotional support, guidance, mentoring, and qualified listening. Its actions may contribute to strengthening hope, personal values, meaning in life, and coping strategies when facing the challenges inherent to police work. Military Chaplaincy should be understood as complementary to specialized health services and should not replace psychological, medical, or psychiatric care when required. The study concludes that strengthening a well-structured, ethical, inclusive, and institutionally integrated Military Chaplaincy can contribute to a more humanized approach to the care, prevention, and appreciation of military police officers. Keywords: Military Chaplaincy. Resilience. Mental Health. Spirituality. Military Police. Occupational Stress. 1. Artigo Apresentado ao Grupo Educacional FACPRISMA 2. Aluno do Curso de Pós-graduação em Segurança Pública do Grupo Educacional FACPRISMA 3. Professor Orientador do curso de Pós graduação em Segurança Pública do Grupo Educacional FACPRISMA D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.020 6 1 INTRODUÇÃO A atividade de policiamento militar desempenha um papel de significativa relevância social, pois está diretamente vinculada à manutenção da ordem pública, à proteção da sociedade e à intervenção em situações de conflito, violência, criminalidade e diversos riscos. Contudo, além da dimensão operacional dessa profissão, é fundamental considerar o ser humano que a exerce, contemplando suas emoções, relacionamentos, valores, crenças e necessidades de ordem física, psicológica, social e espiritual. O serviço operacional é caracterizado pela constante exposição a situações de elevada tensão, risco e imprevisibilidade. O policial militar pode ser requisitado para atuar em confrontos armados, homicídios, acidentes fatais, casos de violência doméstica, ocorrências envolvendo crianças, conflitos urbanos e outras situações potencialmente traumáticas. Essa realidade exige não apenas preparo técnico e físico, mas também um elevado equilíbrio emocional e a capacidade de tomar decisões sob pressão. A exposição contínua a fatores estressores pode ter repercussões negativas na saúde do profissional. O estresse ocupacional, o desgaste emocional, a ansiedade, a depressão, o esgotamento e outros problemas psicológicos podem afetar não somente a vida pessoal do policial, mas também seu desempenho profissional, os relacionamentos familiares e a qualidade do serviço prestado à sociedade. Um aspecto relevante relaciona-se ao estigma institucional. A cultura profissional policial pode valorizar intensamente características como força, resistência, controle emocional e capacidade de suportar adversidades. Embora essas características sejam importantes no exercício da função, quando interpretadas de forma inadequada, podem levar o policial a considerar a manifestação de sofrimento emocional como sinal de fraqueza ou incompetência profissional. O receio do julgamento pode contribuir para a ocultação de sintomas psicológicos. O profissional pode temer ser percebido como incapaz, perder oportunidades profissionais, ser afastado de determinadas funções ou enfrentar preconceitos dos próprios colegas. Assim, cria-se uma cultura de silêncio que dificulta a busca espontânea por assistência e pode permitir que situações inicialmente administráveis se agravem. Diante desse quadro, torna-se necessário D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.021 7 ampliar a compreensão sobre as estratégias institucionais voltadas ao cuidado com o policial militar. A promoção da saúde mental não deve ser vista apenas como tratamento de condições já instaladas, mas também como política preventiva que estimule o acolhimento, a identificação precoce das dificuldades e o acesso às redes de apoio. É nesse contexto que se insere a Capelania Militar. Tradicionalmente associada à assistência religiosa e espiritual, sua atuação pode adotar uma perspectiva mais ampla, envolvendo acolhimento, escuta qualificada, orientação, mentoria pessoal, acompanhamento familiar e apoio em momentos de crise. O capelão, por estar inserido no ambiente militar e compreender aspectos como hierarquia, disciplina, linguagem profissional e rotina operacional, pode estabelecer vínculos de confiança com os membros da corporação. A espiritualidade também pode se constituir em uma importante fonte de significado para o profissional frente às experiências difíceis da atividade policial. O contato com situações de violência, sofrimento, morte e injustiça pode suscitar questionamentos sobre a vida, existência, valores e o sentido da própria missão. Nesse sentido, a assistência espiritual pode contribuir para o fortalecimento da esperança, dos valores pessoais e do propósito de vida. Desta forma, este trabalho busca analisar os impactos da Capelania como fator de resiliência e promoção da saúde mental e espiritual no serviço operacional da Polícia Militar do Ceará, considerando sua contribuição como instrumento complementar de acolhimento e cuidado ao policial. 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA Quais são os efeitos da Capelania Militar na promoção da resiliência e da saúde mental e espiritual dos policiais militares atuantes nos serviços operacionais da Polícia Militar do Ceará? 1.2 HIPÓTESE Supõe-se que a Capelania Militar, através de assistência espiritual, acolhimento, escuta qualificada, orientação e acompanhamento em situações D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.022 8 críticas, possa fortalecer a resiliência e promover a saúde mental, emocional e espiritual dos policiais militares, servindo como um fator adicional de proteção contra os estressores tipicamente enfrentados no serviço operacional. 1.3 OBJETIVOGERAL Examinar os efeitos da Capelania Militar na promoção da resiliência e na saúde mental e espiritual no contexto operacional da Polícia Militar do Ceará. 1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Entender o conceito e finalidade da Capelania Militar no meio policial; b) Identificar os principais fatores de estresse associados ao serviço operacional da Polícia Militar; c) Analisar a conexão entre espiritualidade, saúde mental e resiliência; d) Avaliar a contribuição da assistência espiritual no fortalecimento dos valores, esperança e propósito de vida dos policiais; e) Analisar a importância da escuta qualificada e do acolhimento frente às dificuldades enfrentadas pelos policiais; f) Discutir a influência do estigma institucional na busca por assistência; g) Identificar as limitações da atuação da Capelania e sua necessidade de articulação com serviços especializados; h) Propor formas de fortalecer institucionalmente a Capelania Militar dentro da Polícia Militar do Ceará. 1.5 JUSTIFICATIVA O tema foi escolhido devido à necessidade de ampliar as discussões sobre a saúde integral dos profissionais de segurança pública. Os policiais militares desempenham um papel essencial na sociedade, mas estão constantemente expostos a situações que podem causar desgaste físico, emocional e psicológico. É importante cuidar desse profissional antes que o sofrimento se torne grave. Prevenção, acolhimento e identificação precoce são estratégias essenciais para preservar a saúde e a D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.023 9 performance do policial. Materiais analisados mostram que o sofrimento psicológico prolongado pode afetar concentração, tomada de decisões, comunicação, relacionamentos e desempenho operacional. Nesse contexto, a Capelania Militar aparece como uma forma complementar de apoio, oferecendo assistência espiritual que vai além de celebrações religiosas, incluindo orientação, escuta, apoio às famílias e suporte em momentos de crise. A relevância deste estudo reside em discutir a necessidade de uma abordagem integral para os policiais militares, considerando não apenas seu desempenho técnico e operacional, mas também seu bem-estar humano. 2 A ATIVIDADE POLICIAL MILITAR E O SERVIÇO OPERACIONAL A profissão policial militar apresenta características particulares que a diferenciam de diversas atividades profissionais. O policial está submetido a uma estrutura baseada na hierarquia e na disciplina e, simultaneamente, precisa responder a situações que podem envolver risco à própria vida e à vida de terceiros. A rotina operacional exige atenção constante, capacidade de reação, controle emocional e tomada de decisões rápidas. O policial pode enfrentar situações de confronto, violência, acidentes, mortes, conflitos familiares, ameaças e outros acontecimentos capazes de produzir impactos emocionais. A realidade operacional da Polícia Militar do Ceará insere-se nesse contexto. A atuação na preservação da ordem pública exige dos profissionais elevado preparo físico, técnico e psicológico. Entretanto, a preparação profissional não elimina a possibilidade de sofrimento diante de experiências adversas. O policial, antes de ser profissional de segurança pública, é um ser humano inserido em relações familiares e sociais. Possui expectativas, preocupações, valores, crenças e necessidades. Por essa razão, a valorização profissional deve considerar o indivíduo em sua integralidade. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.024 10 O cuidado com a saúde mental também possui relação direta com a própria qualidade do serviço operacional. Um profissional emocionalmente comprometido pode apresentar dificuldades de concentração, comunicação e tomada de decisões, elementos fundamentais para uma atividade na qual erros podem produzir consequências graves. Dessa maneira, investir na saúde integral do policial representa também investir na segurança institucional e na qualidade do atendimento oferecido à população. 3 O ESTRESSE OCUPACIONAL E OS IMPACTOS NA SAÚDE DO POLICIAL O estresse ocupacional constitui importante elemento de discussão quando se analisa a saúde dos profissionais de segurança pública. A atividade policial reúne diferentes fatores capazes de produzir tensão contínua, entre eles exposição à violência, risco de morte, jornadas prolongadas, pressão institucional, cobranças sociais e contato frequente com sofrimento humano. No serviço operacional, determinados eventos podem assumir caráter potencialmente traumático. A exposição repetida a situações de violência e sofrimento pode contribuir para o desgaste emocional, especialmente quando não existem espaços adequados para processamento dessas experiências. A saúde mental influencia aspectos fundamentais do trabalho policial, como tomada de decisão, controle emocional, relacionamento interpessoal e produtividade operacional. O sofrimento psicológico também pode repercutir sobre a vida familiar. A irritabilidade, o isolamento, a dificuldade de comunicação e o esgotamento emocional podem comprometer vínculos importantes e reduzir a qualidade de vida. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.025 11 Por essa razão, as ações de saúde ocupacional devem assumir caráter preventivo e permanente, evitando que o cuidado seja procurado somente quando o profissional já se encontra em situação de grave sofrimento. 4 O ESTIGMA INSTITUCIONAL E A CULTURA DO SILÊNCIO Um dos elementos centrais para compreender a saúde mental no ambiente policial é o estigma relacionado à manifestação de vulnerabilidades. A cultura profissional pode estimular a ideia de que o policial deve ser forte, resistente e emocionalmente preparado para qualquer situação. Entretanto, quando essa expectativa é interpretada como necessidade de ausência absoluta de sofrimento, pode dificultar a procura por ajuda. O medo do julgamento pode levar o policial a esconder seus sentimentos e sintomas. O profissional pode temer que colegas ou superiores questionem sua capacidade ou que a busca por atendimento produza consequências sobre sua carreira. Esse fenômeno contribui para a chamada cultura do silêncio. O policial continua trabalhando mesmo diante de sinais como irritabilidade, ansiedade, alterações do sono, isolamento social,dificuldade de concentração, desmotivação e esgotamento emocional. O problema não está na existência de procedimentos institucionais destinados a preservar a segurança do policial e da sociedade. A questão está na percepção de que procurar ajuda constitui punição ou demonstração de incapacidade. Nesse sentido, torna-se necessário promover uma mudança cultural. Buscar assistência deve ser compreendido como atitude de responsabilidade, prevenção e preservação da capacidade profissional. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.026 12 A construção de espaços seguros de escuta pode contribuir para romper esse ciclo. A existência de profissionais e serviços nos quais o policial possa falar sobre suas dificuldades sem julgamentos precipitados constitui importante estratégia preventiva. 5 CAPELANIA MILITAR: CONCEITO E FINALIDADE A Capelania Militar pode ser compreendida como serviço de assistência religiosa e espiritual destinado aos integrantes das instituições militares e, conforme as normas aplicáveis, aos seus familiares. A legislação brasileira contempla a assistência religiosa nas instituições militares, tendo a Lei nº 6.923, de 29 de junho de 1981, como importante referência para a estruturação do Serviço de Assistência Religiosa nas Forças Armadas. Entretanto, a Capelania Militar contemporânea pode ser compreendida sob uma perspectiva que ultrapassa a realização de cultos e celebrações. Sua atuação pode envolver aconselhamento, escuta, apoio emocional, assistência em crises, acompanhamento familiar, visitas e fortalecimento de valores. Essa perspectiva não significa abandonar a natureza religiosa da Capelania. Ao contrário, significa compreender que a dimensão espiritual pode estar associada a aspectos mais amplos do cuidado humano. O policial que procura um capelão pode apresentar uma questão espiritual, familiar, emocional, profissional ou existencial. Nesse contexto, a capacidade de acolher e ouvir torna-se fundamental. 6 CAPELANIA MILITAR E ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL A assistência espiritual constitui uma das principais dimensões da atuação da Capelania Militar. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.027 13 A atividade policial pode colocar o profissional diante de questionamentos relacionados à morte, ao sofrimento, à justiça, à violência e ao sentido de sua própria missão. Essas experiências podem provocar conflitos internos e questionamentos existenciais. A espiritualidade pode oferecer recursos para a construção de significado diante das adversidades. Valores, esperança, fé, propósito e sentido de vida podem auxiliar o indivíduo na interpretação de acontecimentos difíceis. Nesse sentido, a assistência espiritual pode contribuir para o fortalecimento moral e espiritual do policial, oferecendo um espaço para reflexão sobre suas convicções e princípios. É fundamental, entretanto, que essa assistência respeite a liberdade religiosa e a diversidade de crenças. O exercício da Capelania deve ser pautado pelo respeito, evitando qualquer forma de imposição religiosa. Assim, a espiritualidade pode ser apresentada como uma dimensão de cuidado, sem transformar a assistência capelânica em mecanismo de imposição de determinada crença. 7 CAPELANIA COMO FATOR DE RESILIÊNCIA A resiliência pode ser compreendida como a capacidade de enfrentar situações adversas preservando, dentro das possibilidades individuais, o equilíbrio e a capacidade de adaptação. No contexto policial, a resiliência possui importância especial porque o profissional está sujeito a acontecimentos críticos e precisa continuar exercendo suas funções mesmo após experiências emocionalmente difíceis. A resiliência não significa ausência de sofrimento. Ser resiliente não significa não sentir medo, tristeza, angústia ou dor. Significa possuir ou desenvolver recursos capazes de auxiliar o indivíduo a enfrentar as adversidades e reconstruir seu equilíbrio. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.028 14 Entre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da resiliência estão o apoio familiar, o apoio institucional, o suporte psicológico, a espiritualidade e o sentido de propósito. Nesse sentido, a Capelania pode atuar como elemento complementar de fortalecimento da resiliência. A assistência espiritual pode contribuir para a construção de significado; a escuta pode possibilitar a expressão de sentimentos; a mentoria pode auxiliar na reflexão sobre problemas concretos; e o acompanhamento pode favorecer a identificação precoce de dificuldades. Portanto, a Capelania não deve ser compreendida como mecanismo que elimina o sofrimento, mas como espaço que pode auxiliar o policial a encontrar recursos internos e externos para lidar com situações adversas. 8 ESCUTA QUALIFICADA E ACOLHIMENTO A escuta qualificada constitui uma das contribuições mais importantes da Capelania Militar. Ouvir de maneira qualificada significa prestar atenção, demonstrar respeito, empatia e disposição para compreender aquilo que está sendo comunicado. No ambiente policial, essa prática pode assumir especial relevância em razão das barreiras existentes para a manifestação de vulnerabilidades. O policial pode sentir receio de demonstrar fragilidade diante dos companheiros ou superiores. Dessa forma, um espaço de acolhimento pode facilitar a expressão de preocupações e dificuldades. A Capelania pode oferecer um ambiente no qual o profissional se sinta respeitado e ouvido. O capelão pode atuar como referência de acolhimento, desde que sua postura seja pautada pela ética, discrição, empatia e compreensão dos limites de sua atuação. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.029 15 A escuta, contudo, não substitui o atendimento especializado. Quando forem identificadas situações queultrapassem a competência da Capelania, deve ocorrer o encaminhamento aos profissionais adequados. Essa integração é fundamental para evitar que a Capelania seja responsabilizada por funções que pertencem a psicólogos, médicos, assistentes sociais ou outros profissionais habilitados. 9 MENTORIA PESSOAL E APOIO AO POLICIAL Outra dimensão relevante da Capelania é a mentoria pessoal. A vida profissional não está separada da vida pessoal. Problemas conjugais, dificuldades financeiras, conflitos familiares e questões interpessoais podem repercutir sobre a concentração, a motivação e o desempenho profissional. Nesse contexto, o capelão pode atuar como pessoa de confiança, proporcionando espaço de reflexão e orientação. A mentoria não deve ser confundida com psicoterapia ou atendimento psicológico. Sua finalidade é acolher, orientar e auxiliar o policial na reflexão sobre possíveis caminhos para enfrentar situações difíceis, reconhecendo os momentos em que se torna necessário o encaminhamento para atendimento especializado. A proximidade estabelecida entre capelão e efetivo pode permitir que determinadas dificuldades sejam identificadas antes de alcançarem níveis mais graves. Dessa forma, a mentoria pode integrar uma política mais ampla de valorização humana e prevenção. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.030 16 10 O CAPELÃO COMO AGENTE DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL A posição do capelão dentro da estrutura militar apresenta uma característica diferenciada: sua proximidade com a realidade institucional. O conhecimento da linguagem profissional, da hierarquia, da disciplina e das particularidades da carreira pode facilitar a comunicação com os policiais. Essa proximidade pode contribuir para a construção de vínculos de confiança. O policial pode perceber o capelão como alguém que compreende as especificidades de sua rotina e de suas experiências. A atuação capelânica pode envolver visitas às unidades, conversas individuais, acompanhamento de militares e familiares, momentos de reflexão, assistência em situações de crise e encaminhamento para outros serviços. A confiança, entretanto, precisa estar associada à ética. A credibilidade da Capelania depende de discrição, respeito, equilíbrio, empatia e clareza sobre os limites profissionais de sua atuação. 11 CAPELANIA, SAÚDE MENTAL E PREVENÇÃO A prevenção constitui importante dimensão da promoção da saúde mental. As ações preventivas podem ocorrer antes do aparecimento ou agravamento de problemas. No contexto da Capelania, podem incluir palestras, rodas de conversa, atendimentos individuais, acompanhamento familiar, visitas às unidades, apoio após ocorrências críticas e programas de fortalecimento espiritual. Essas ações podem contribuir para aproximar o policial da rede institucional de apoio. A prevenção também pode auxiliar na redução do estigma. Quando o cuidado é apresentado como parte normal da rotina profissional, a procura por ajuda pode deixar de ser associada à incapacidade. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.031 17 A Capelania, portanto, pode atuar como uma porta complementar de acolhimento, favorecendo a aproximação entre o policial e os demais serviços de saúde e assistência. 12 A CAPELANIA COMO REDE COMPLEMENTAR DE CUIDADO Um dos principais aspectos identificados na análise dos documentos é que a Capelania não deve atuar isoladamente. A complexidade das necessidades dos policiais exige uma rede de cuidado composta por diferentes áreas. Psicologia, medicina, assistência social, gestão de pessoas e assistência espiritual podem atuar de maneira complementar. A Capelania possui características próprias e não deve assumir funções técnicas que pertencem a outras profissões. Questões que demandem intervenção especializada devem ser encaminhadas aos serviços competentes. Essa articulação permite que a assistência espiritual seja fortalecida sem comprometer os limites éticos e profissionais. Dessa maneira, a Capelania pode funcionar como um elo dentro de uma rede institucional de cuidado. 13 CAPELANIA E FAMÍLIA DO POLICIAL A família constitui importante dimensão na vida do profissional de segurança pública. Os impactos da atividade operacional não necessariamente permanecem restritos ao ambiente de trabalho. O desgaste emocional pode repercutir nos relacionamentos familiares, enquanto problemas familiares também podem afetar o desempenho profissional. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.032 18 A Capelania pode contribuir por meio do acompanhamento familiar, visitas, orientação e acolhimento em momentos de crise, luto ou dificuldades. O fortalecimento da família pode representar importante fator protetivo para o policial, contribuindo para a construção de uma rede de apoio fora do ambiente profissional. Assim, pensar a saúde integral do policial exige considerar também o ambiente familiar no qual ele está inserido. 14 DESAFIOS E LIMITES DA CAPELANIA MILITAR Apesar das possibilidades de contribuição, a Capelania enfrenta desafios que precisam ser reconhecidos. O primeiro está relacionado à definição dos limites de sua atuação. O capelão não deve substituir psicólogos, médicos, psiquiatras, assistentes sociais ou outros profissionais especializados. O segundo desafio está relacionado à liberdade religiosa. A assistência deve respeitar a diversidade de crenças e a liberdade de consciência, evitando constrangimentos ou imposições. Outro desafio está relacionado à própria cultura institucional. Para que o policial procure espontaneamente a Capelania, é necessário que compreenda o atendimento como espaço seguro, ético e acolhedor. A liderança institucional também possui papel fundamental. Comandantes e gestores podem contribuir para uma cultura na qual procurar apoio seja entendido como atitude responsável e preventiva, e não como sinal de fraqueza. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .ce. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.033 19 15 METODOLOGIA O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem qualitativa, utilizando procedimentos bibliográficos e documentais e apresentando objetivo exploratório-descritivo. A pesquisa bibliográfica permite a utilização de livros, artigos científicos e demais produções acadêmicas relacionadas aos temas de saúde mental, espiritualidade, resiliência, estresse ocupacional e atividade policial. A pesquisa documental fundamenta-se na análise dos documentos relacionados à Capelania Militar, ao serviço operacional policial e ao estigma institucional, disponibilizados para elaboração deste trabalho. O método adotado é predominantemente dedutivo, partindo de conceitos gerais relacionados à saúde mental, resiliência, espiritualidade e assistência capelânica para analisar sua aplicação ao contexto específico do serviço operacional da Polícia Militar do Ceará. Não foram utilizados, nesta versão, dados de entrevistas, questionários ou levantamento estatístico com policiais. Portanto, as conclusões apresentadas correspondem à análise teórica e documental dos materiais disponíveis e não devem ser apresentadas como resultados de uma pesquisa de campo. 16 ANÁLISE E DISCUSSÃO A análise dos documentos permite identificar uma relação significativa entre três dimensões principais: os desafios do serviço operacional, as barreiras relacionadas à busca de ajuda e as possibilidades de atuação da Capelania Militar. O primeiro elemento é o próprio ambiente operacional. O policial encontra-se exposto a riscos, violência, sofrimento humano e situações imprevisíveis. Esses fatores podem produzir desgaste emocional e psicológico. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.034 20 O segundo elemento corresponde ao estigma institucional. A necessidade de demonstrar força e resistência pode dificultar a manifestação de vulnerabilidades. O medo do julgamento pode fazer com que o policial esconda sintomas e adie a busca por assistência. O terceiro elemento é a existência de mecanismos de acolhimento. Nesse ponto, a Capelania pode representar uma alternativa complementar, principalmente por meio da escuta qualificada, assistência espiritual, mentoria e acompanhamento. A relação entre esses elementos pode ser representada da seguinte forma: Exposição operacional → estresse e adversidades → possibilidade de sofrimento → estigma e silêncio → agravamento das dificuldades. Como estratégia preventiva, a existência de espaços de acolhimento pode contribuir para interromper esse ciclo: Exposição operacional → acolhimento → escuta → orientação → fortalecimento da resiliência → encaminhamento quando necessário → preservação da saúde e capacidade funcional. A Capelania pode atuar justamente nesse espaço intermediário, oferecendo acolhimento e apoio e, quando necessário, encaminhando o policial para profissionais especializados. Outro aspecto relevante é a dimensão espiritual. O trabalho policial pode provocar questionamentos sobre vida, morte, justiça, sofrimento e propósito. A espiritualidade pode oferecer recursos para a construção de significado diante dessas experiências. Entretanto, é necessário evitar uma interpretação simplista segundo a qual a espiritualidade, isoladamente, resolveria problemas de saúde mental. O próprio material analisado destaca que a Capelania deve ser complementar aos demais serviços especializados. A principal contribuição da Capelania, portanto, está na integração entre cuidado espiritual, acolhimento e encaminhamento adequado. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.035 21 17 PROPOSTAS PARA O FORTALECIMENTO DA CAPELANIA NA PMCE Com base na análise realizada, podem ser apresentadas algumas possibilidades de fortalecimento institucional: 17.1 Ampliação das ações preventivas Desenvolvimento de palestras, rodas de conversa, encontros de reflexão e atividades voltadas à prevenção e à promoção da saúde integral. 17.2 Maior presença nas unidades operacionais A aproximação do capelão com as unidades pode facilitar a criação de vínculos e reduzir barreiras relacionadas à procura espontânea por ajuda. 17.3 Fortalecimento da escuta qualificada Capacitação contínua dos capelães para práticas de acolhimento, escuta, identificação de situações de risco e encaminhamento. 17.4 Integração com a rede psicossocial Criação de fluxos institucionais que facilitem o encaminhamento entre Capelania, Psicologia, Serviço Social, Medicina e demais setores responsáveis pelo cuidado do efetivo. 17.5 Acompanhamento após ocorrências críticas Estabelecimento de estratégias de acompanhamento de policiais envolvidos em ocorrências potencialmente traumáticas, respeitando os limites éticos da Capelania. 17.6 Ações direcionadas às famílias Ampliação de atividades de orientação, acolhimento e apoio às famílias dos policiais. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.036 22 17.7 Combate ao estigma institucional Realização de campanhas e ações educativas que apresentem a busca por ajuda como atitude de responsabilidade, prevenção e preservação da capacidade profissional. 18 CONSIDERAÇÕES FINAIS A atividade policial militar apresenta características que submetem o profissional a elevados níveis de responsabilidade, risco, tensão e exposição a situações potencialmente traumáticas. No serviço operacional da Polícia Militar do Ceará, essas condições tornam necessária a adoção de estratégias permanentes de valorização e cuidado do policial. A análise dos documentos utilizados neste estudo permite compreender que a saúde do policial não deve ser observada apenas sob a perspectiva física ou operacional. A dimensão psicológica, emocional, social e espiritual também integra o ser humano que está por trás da farda. Nesse cenário, a Capelania Militar pode desempenhar papel relevante como instrumento complementar de acolhimento e cuidado. Sua contribuição não se limita às celebrações religiosas, podendo alcançar dimensões como assistência espiritual, mentoria pessoal, escuta qualificada, acompanhamento familiar e apoio em momentos de crise. A assistência espiritual pode contribuir parao fortalecimento da esperança, dos valores e do sentido de vida. A mentoria pode auxiliar o policial na reflexão sobre dificuldades pessoais, familiares e interpessoais. A escuta qualificada pode oferecer um espaço de acolhimento no qual o profissional consiga expressar suas dificuldades com respeito e sem julgamentos precipitados. Outro ponto fundamental é a relação entre Capelania e resiliência. O policial precisa desenvolver estratégias para enfrentar adversidades inerentes à profissão, e fatores como apoio institucional, suporte familiar, espiritualidade, propósito e acesso ao cuidado podem contribuir para esse processo. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.037 23 O estudo também evidencia a importância de enfrentar o estigma institucional. A ideia de que o policial deve ser permanentemente forte e emocionalmente inabalável pode contribuir para a ocultação de sintomas e para o adiamento da busca por ajuda. Romper com essa cultura do silêncio constitui importante estratégia de prevenção. Entretanto, a Capelania não deve ser compreendida como substituta dos serviços especializados de saúde. Sua atuação precisa estar integrada a uma rede institucional formada por psicólogos, médicos, assistentes sociais e demais profissionais habilitados. Dessa maneira, a principal contribuição da Capelania está na possibilidade de oferecer uma porta complementar de acolhimento, fortalecendo vínculos, esperança, valores, propósito e capacidade de enfrentamento. Conclui-se, portanto, que o fortalecimento da Capelania Militar no âmbito da Polícia Militar do Ceará pode contribuir para uma política institucional mais humanizada de valorização do policial. Ao integrar assistência espiritual, escuta qualificada, orientação e encaminhamento adequado, a Capelania pode colaborar para a prevenção, para o fortalecimento da resiliência e para a promoção da saúde mental e espiritual dos profissionais que atuam no serviço operacional. Investir no cuidado do policial não representa apenas uma ação voltada ao indivíduo. Representa também uma estratégia de fortalecimento institucional, uma vez que um profissional valorizado e cuidado possui melhores condições para desempenhar suas atribuições com equilíbrio, responsabilidade, segurança e eficiência. D oc um en to a ss in ad o el et ro ni ca m en te p or : D IE G O P O N T E S S IQ U E IR A e m 1 7/ 09 /2 02 6, à s 15 :3 1 (h or ár io lo ca l d o E st ad o do C ea rá ), c on fo rm e di sp os to n o D ec re to E st ad ua l n º 34 .0 97 , d e 8 de ju nh o de 20 21 . P ar a co nf er ir, a ce ss e o si te h ttp s: //s ui te .c e. go v. br /v al id ar -d oc um en to e in fo rm e o có di go 5 40 B -8 C 2F -0 A 94 -4 F A 1. NUP 10061.063039/2026-14 p.038 24 REFERÊNCIAS BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. BRASIL. Lei nº 6.923, de 29 de junho de 1981. Dispõe sobre o Serviço de Assistência Religiosa nas Forças Armadas. Brasília, DF, 1981. CEARÁ. Constituição do Estado do Ceará. Fortaleza: Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido. Petrópolis: Vozes. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas. KOENIG, Harold G. Medicina, religião e saúde. Porto Alegre: L&PM. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas. POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ. 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