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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL UNINTER ESCOLA SUPERIOR POLITÉCNICA BACHARELADO EM ENGENHARIA DA ELÉTRICA DISCIPLINA DE SISTEMAS DE POTÊNCIA ATIVIDA PRÁTICA DE SISTEMAS DE POTÊNCIA ALUNO: JOÃO MARTINS DA SILVEIRA NETO PROFESSORA: MA. ELIANE SILVA CUSTÓDIO UBERABA - MG 2026 SUMÁRIO RESUMO ................................................................................................................................... I INTRODUCAO ................................................................................................................ 1 1.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 2 1.2 OBJETIVOS ................................................................................................................... 3 1.2.1 Objetivo geral ......................................................................................................... 3 1.2.2 Objetivos específicos .............................................................................................. 3 METODOLOGIA ............................................................................................................. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................................................... 5 3.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DE UMA USINA HIDROELÉTRICA ..................................... 5 3.2 FUNCIONAMENTO DA USINA ITAIPU.................................................................................. 6 3.3 SISTEMA DE GERAÇÃO DA ITAIPU ..................................................................................... 9 3.4 SISTEMA DE TRANSMISSÃO DA ITAIPU ............................................................................ 12 3.5 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA EM UBERABA – MG ........................................... 13 3.5.1 Tensões de fornecimento em Uberaba.................................................................. 13 3.5.2 Principais subestações em Uberaba .................................................................... 14 3.5.3 Rede de distribuição ............................................................................................. 16 CONCLUSÕES ............................................................................................................... 17 AGRADECIMENTOS ................................................................................................... 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 19 i RESUMO Este relatório apresenta um estudo aprofundado sobre o funcionamento da Usina Hidre- létrica de Itaipu, abordando desde os princípios básicos de geração hidrelétrica até os sistemas de transmissão e distribuição de energia. O trabalho descreve as características técnicas da usina, seu sistema de geração com 20 unidades geradoras e potência instalada de 14.000 MW, bem como o complexo sistema de transmissão que conecta a usina aos sistemas elétricos do Brasil e do Paraguai, composto por linhas em corrente alternada de 765 kV e corrente contínua de ±600 kV. Adicionalmente, o estudo investiga o sistema de distribuição de energia elétrica na cidade de Uberaba – MG, operado pela Cemig, detalhando os níveis de tensão utilizados, as principais subestações e a estrutura da rede de distribuição local. O trabalho foi desenvolvido com base em pesquisa bibliográfica em fontes confiáveis, incluindo o site oficial da Itaipu Bi- nacional, literatura especializada e normas técnicas da Cemig. Palavras-chave: Itaipu, Hidrelétrica, Geração de energia, Transmissão, Distribuição. 1 INTRODUCAO A energia elétrica é um dos insumos mais importantes para o desenvolvimento econômico e social de qualquer nação. No Brasil, a matriz energética é predominantemente renovável, com destaque para a geração hidrelétrica, que responde por uma parcela significativa da energia consumida no país. Entre as usinas hidrelétricas brasileiras, destaca-se a Usina Hidrelétrica de Itaipu, um empreendimento binacional localizado no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, que se consolidou como uma das maiores e mais eficientes usinas do mundo (ITAIPU BINACIONAL, 2026). A Usina de Itaipu é operada pela empresa Itaipu Binacional, constituída em 17 de maio de 1974 com igual participação no capital por parte da Eletrobras e da Ande (entidade responsável pelos serviços de energia elétrica no Paraguai). Sua construção teve início em 1975, e a primeira unidade geradora entrou em operação em maio de 1984. Desde então, a usina vem desempe- nhando papel fundamental no suprimento de energia elétrica para ambos os países, fornecendo cerca de 17% da energia consumida no Brasil e 75% no Paraguai (ITAIPU BINACIONAL, 2026). A escolha da Usina de Itaipu como objeto de estudo justifica-se por sua relevância estraté- gica para o sistema elétrico brasileiro, por sua complexidade tecnológica e por seus recordes mundiais de produção de energia limpa e renovável. Compreender o funcionamento de Itaipu permite aos estudantes de engenharia elétrica conectar os conceitos teóricos de sistemas de po- tência com a realidade de um dos maiores empreendimentos hidrelétricos do planeta. Este relatório tem como objetivo aprofundar os conhecimentos sobre os sistemas de potên- cia, por meio do estudo detalhado do funcionamento da Usina de Itaipu, abrangendo seus prin- cípios de operação, sistemas de geração, transmissão e distribuição, bem como a correlação com o sistema elétrico local da cidade de Uberaba – MG. 2 1.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As usinas hidrelétricas são instalações de engenharia destinadas à produção de energia elé- trica a partir do aproveitamento da energia hidráulica dos rios. O princípio de funcionamento baseia-se na transformação da energia potencial gravitacional da água armazenada em um re- servatório em energia cinética, que é convertida em energia mecânica pelas turbinas e, final- mente, em energia elétrica pelos geradores (BRASIL ESCOLA, 2026). A potência gerada por uma usina hidrelétrica pode ser expressa pela equação fundamental da potência hidráulica: P = η × ρ × g × Q × H Onde: P = potência gerada (W) η = eficiência do sistema (adimensional) ρ = densidade da água (kg/m³) g = aceleração da gravidade (m/s²) Q = vazão (m³/s) H = altura de queda (m) Os principais componentes de uma usina hidrelétrica incluem o reservatório (formado pela barragem), o circuito hidráulico (que conduz a água até as turbinas), a casa de força (onde estão instalados os geradores) e o canal de fuga (que devolve a água ao rio). A eficiência do processo depende de diversos fatores, como a altura de queda d'água, a vazão e as características dos equipamentos empregados. A geração, transmissão e distribuição de energia elétrica constituem as três etapas funda- mentais do sistema elétrico de potência. A geração ocorre nas usinas, onde a energia é produzida em níveis de tensão relativamente baixos (geralmente entre 11 kV e 25 kV). A transmissão é responsável pelo transporte da energia em alta tensão por longas distâncias, minimizando as perdas. Por fim, a distribuição entrega a energia aos consumidores finais em níveis de tensão adequados ao consumo residencial, comercial e industrial (WIKIPÉDIA, 2026a). 3 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo geral Compreender o funcionamento da Usina Hidrelétrica de Itaipu, desde o princípio de geração até os sistemas de transmissão e distribuição de energia, correlacionando os conceitos teóricos de sistemas de potência com um empreendimento real de grande porte. 1.2.2 Objetivos específicos Descrever o princípio de funcionamento de uma usina hidrelétrica, detalhandoas transformações de energia envolvidas; Caracterizar o funcionamento da Usina de Itaipu, incluindo sua história, capaci- dade instalada e importância para o sistema elétrico brasileiro e paraguaio; Analisar o sistema de geração da Itaipu, com ênfase nas unidades geradoras, turbinas e transformadores; Estudar o sistema de transmissão da Itaipu, abordando as linhas de transmissão em corrente alternada e corrente contínua; Investigar o sistema de distribuição de energia elétrica na cidade de Uberaba – MG, identificando as tensões e a estrutura da rede local. 4 METODOLOGIA A presente pesquisa foi desenvolvida por meio de metodologia de pesquisa bibliográfica e documental, com base em fontes primárias e secundárias de informação. Foram consultados documentos oficiais da Itaipu Binacional, disponíveis no site institucional da usina, além de artigos técnicos, normas de distribuição de energia e publicações especializadas no setor elé- trico. A pesquisa bibliográfica concentrou-se na coleta de informações sobre os princípios de funcionamento de usinas hidrelétricas, as características técnicas da Usina de Itaipu, seus siste- mas de geração e transmissão, bem como os sistemas de distribuição de energia elétrica. Para a investigação do sistema de distribuição da cidade de Uberaba, foram consultadas as normas técnicas da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica no município, além de notícias e comunicados oficiais sobre investimentos e modernizações no sistema elétrico local. As informações coletadas foram organizadas e sistematizadas conforme a estrutura deste relatório, com o objetivo de responder às questões propostas na atividade prática e pro- porcionar uma visão integrada do sistema elétrico de potência, desde a geração até o consumo final. 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DE UMA USINA HIDROELÉTRICA Uma usina hidrelétrica opera a partir da conversão da energia potencial gravitacional da água em energia elétrica. O processo inicia-se com a água armazenada em um reservatório, criado pela construção de uma barragem. Quando a comporta é aberta, a água é liberada e escoa por dutos denominados condutos forçados, ganhando velocidade e transformando a energia po- tencial em energia cinética (BRASIL ESCOLA, 2026). Ao atingir a casa de força, a água em alta pressão incide sobre as pás das turbinas hi- dráulicas, fazendo-as girar. Esse movimento rotacional converte a energia cinética da água em energia mecânica. As turbinas, por sua vez, estão acopladas a geradores elétricos, que transfor- mam a energia mecânica em energia elétrica por meio do princípio da indução eletromagnética. A Figura 1 apresenta um diagrama simplificado do princípio de funcionamento de uma usina hidrelétrica, ilustrando as etapas de transformação de energia. Figura 1 – Diagrama esquemático do funcionamento de uma usina hidrelétrica. - Fonte: Adaptado de Brasil Escola (2026). 6 A potência gerada por uma usina hidrelétrica pode ser calculada pela seguinte equação: P = η × ρ × g × Q × H Aplicando-se valores típicos para uma usina de grande porte (η = 0,90, ρ = 1000 kg/m³, g = 9,81 m/s²), verifica-se que a potência gerada é diretamente proporcional à vazão e à altura de queda. Esse princípio fundamenta o dimensionamento de usinas hidrelétricas, que buscam aproveitar ao máximo os recursos hídricos disponíveis. A energia elétrica gerada nas usinas hidrelétricas é produzida em níveis de tensão rela- tivamente baixos (geralmente entre 11 kV e 25 kV). Em seguida, transformadores elevadores aumentam essa tensão para níveis adequados à transmissão (138 kV, 230 kV, 500 kV ou supe- riores), permitindo o transporte da energia por longas distâncias com perdas reduzidas. As turbinas utilizadas em usinas hidrelétricas podem ser de diferentes tipos: Turbina Francis: adequada para médias e altas quedas d'água, é a mais comum em usinas de grande porte, como Itaipu, apresentando alta eficiência e capacidade de operar em uma ampla faixa de vazões; Turbina Kaplan: utilizada em baixas quedas e altas vazões, com pás ajustáveis que permitem operação eficiente em diferentes condições; Turbina Pelton: empregada em altas quedas e baixas vazões, utilizando a energia ci- nética de jatos d'água que incidem sobre conchas acopladas à roda. 3.2 FUNCIONAMENTO DA USINA ITAIPU A Usina Hidrelétrica de Itaipu está localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, nos municípios de Foz do Iguaçu (PR) e Hernandarias (Paraguai). O nome "Itaipu" tem origem na língua tupi e significa "pedra na qual a água faz barulho". O empreendimento foi implantado com base no Tratado de Itaipu, celebrado em 26 de abril de 1973, que estabeleceu a decisão de realizar o aproveitamento hidrelétrico dos recursos hídricos do Rio Paraná, pertencentes em condomínio aos dois países. O Tratado determina que a energia produzida seja dividida igualmente entre Brasil e Paraguai, cabendo a cada país o direito de adquirir a energia não utilizada pelo outro (ITAIPU BINACIONAL, 2026). 7 As obras de construção foram iniciadas em 1975 e, em maio de 1984, entrou em opera- ção a primeira unidade geradora. Em abril de 1991, a usina atingiu a capacidade de 12.600 MW, com nove unidades geradoras em cada uma das frequências (50 Hz e 60 Hz). Em 2006 e 2007, foram instaladas duas unidades geradoras adicionais de 700 MW, elevando a potência instalada para 14.000 MW (ITAIPU BINACIONAL, 2026). A barragem de Itaipu tem 196 metros de altura, o equivalente a um prédio de 65 andares, e seu vertedouro tem capacidade máxima de vazão de 62,2 mil metros cúbicos de água por segundo. Essa estrutura imponente permitiu a formação de um reservatório com área alagada de 1.350 km². Figura 2 – Vista panorâmica da Usina Hidrelétrica de Itaipu - Fonte: Itaipu Binacional (2026). 8 Figura 3 – Vista panorâmica da Usina Hidrelétrica de Itaipu - Fonte: Itaipu Binacional (2026). A usina detém recordes mundiais de produção de energia limpa e renovável. Em 2016, estabeleceu sua maior produção anual, com 103.068.366 MWh. Ao longo de sua operação, já produziu mais de 2,5 bilhões de MWh, consolidando-se como a maior produtora de energia elétrica acumulada do planeta (ITAIPU BINACIONAL, 2026). A Tabela 1 apresenta um resumo das principais características técnicas da Usina de Itaipu. Tabela 1 – Principais características da Usina de Itaipu Característica Valor Potência instalada 14.000 MW Número de unidades geradoras 20 Altura da barragem 196 m 9 Característica Valor Área do reservatório 1.350 km² Vazão máxima do vertedouro 62.200 m³/s Início da operação 1984 Produção recorde anual 103.068.366 MWh (2016) Fonte: Itaipu Binacional (2026). 3.3 SISTEMA DE GERAÇÃO DA ITAIPU O sistema de geração da Usina de Itaipu é composto por 20 unidades geradoras, distri- buídas igualmente entre as duas frequências elétricas: 10 unidades operam na frequência de 50 Hz, atendendo ao sistema elétrico paraguaio, e 10 unidades operam na frequência de 60 Hz, atendendo ao sistema elétrico brasileiro (ITAIPU BINACIONAL, 2026). As turbinas utilizadas são do tipo Francis, com potência nominal de 715 MW e vazão nominal de 690 m³ de água por segundo. Cada turbina é acoplada a um gerador que opera com tensão nominal de 18 kV. Os geradores de 50 Hz possuem potência nominal de 823,6 MVA com fator de potência de 0,85, enquanto os geradores de 60 Hz têm potência nominal de 737,0 MVA com fator de potência de 0,95 (ITAIPU BINACIONAL, 2026). A Tabela 2 apresenta as especificações técnicas detalhadas das unidades geradoras. Tabela 2 – Especificações das unidades geradoras de Itaipu Característica 50 Hz (Paraguai) 60 Hz (Brasil) Quantidade10 unidades 10 unidades Potência nominal 823,6 MVA 737,0 MVA Fator de potência 0,85 0,95 10 Característica 50 Hz (Paraguai) 60 Hz (Brasil) Tensão nominal 18 kV 18 kV Peso do gerador 3.343 t 3.242 t Tipo de turbina Francis Francis Fonte: Itaipu Binacional (2026). Para cada grupo gerador, existe um banco de transformadores monofásicos que elevam a tensão de 18 kV para 500 kV, permitindo a transmissão da energia gerada para os sistemas elétricos. A subestação da usina utiliza tecnologia de blindagem em gás SF₆ (hexafluoreto de enxofre), que proporciona grande compactação do projeto e maior segurança operacional. A Figura 4 ilustra o esquema de uma unidade geradora típica da Usina de Itaipu. 11 Figura 4 – Esquema de uma unidade geradora da Usina de Itaipu. - Fonte: Adaptado de Itaipu Binacional (2026). A capacidade total instalada de 14.000 MW faz de Itaipu a segunda maior usina hidre- létrica do mundo em potência instalada, perdendo apenas para a Usina de Três Gargantas, na China. Em termos de produção anual, Itaipu já superou Três Gargantas em diversos anos, man- tendo o recorde de maior produtora de energia limpa do planeta. 12 3.4 SISTEMA DE TRANSMISSÃO DA ITAIPU O sistema de transmissão associado à Usina de Itaipu é um dos mais complexos e ino- vadores do mundo, operado e mantido por Furnas Centrais Elétricas. O sistema é composto por cinco linhas de transmissão que cruzam aproximadamente 900 km entre os estados do Paraná e São Paulo (FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS, 2026). A configuração do sistema de transmissão é híbrida, refletindo a peculiaridade de Itaipu gerar energia em duas frequências distintas (50 Hz e 60 Hz). As linhas estão distribuídas da seguinte forma: a) Três circuitos em corrente alternada (CA) de 765 kV: Essas linhas transpor- tam a energia gerada pelas unidades de 60 Hz, destinadas ao sistema elétrico brasileiro. Partindo da Subestação de Foz do Iguaçu (PR), a energia segue por três circuitos de corrente alternada passando pelas subestações de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP), até a subestação terminal Tijuco Preto (SP) (FURNAS CEN- TRAIS ELÉTRICAS, 2026). b) Dois circuitos em corrente contínua (CC) de ±600 kV (HVDC): Essas linhas transportam a energia gerada pelas unidades de 50 Hz, que corresponde à parcela de energia pertencente ao Paraguai ou adquirida pelo Brasil. A energia em 50 Hz é retificada para corrente contínua e transmitida por dois bipolos até a Su- bestação de Ibiúna (SP), onde é reconvertida para corrente alternada em 60 Hz e injetada no sistema brasileiro (WIKIPÉDIA, 2026b). O sistema HVDC Itaipu foi o primeiro empreendimento nacional a utilizar a tecnologia de corrente contínua em alta tensão para transmissão de energia. Cada bipolo opera com tensão de ±600 kV e potência nominal de 3.150 MW, com linhas aéreas de aproximadamente 800 km de extensão. Quando o primeiro bipolo foi concluído em 1985, tornou-se o maior sistema HVDC do mundo em capacidade de transmissão e tensão, título mantido por 25 anos (WIKI- PÉDIA, 2026b). A escolha da corrente contínua de alta tensão (CCAT) se deu porque esta técnica permite linhas de transmissão longas com poucas perdas em comparação com outros sistemas (como a CA) e também permite a interconexão entre a rede paraguaia de 50 Hz e a rede brasileira de 60 Hz (WIKIPÉDIA, 2026b). 13 O sistema de transmissão como um todo é sustentado por mais de 9.000 torres, e as quadriválvulas dos conversores CA/CC presentes nas subestações de Foz do Iguaçu e Ibiúna têm até 14 metros de altura. Essa infraestrutura impressionante garante a entrega confiável da energia gerada por Itaipu aos centros consumidores, contribuindo significativamente para a se- gurança energética do Brasil. O HVDC já transportou mais de 1,3 bilhão de megawatts-hora, o equivalente a 43% de toda a produção acumulada da usina (FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS, 2026). 3.5 SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA EM UBERABA – MG O sistema de distribuição de energia elétrica em Uberaba – MG é operado pela Compa- nhia Energética de Minas Gerais (Cemig), concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em grande parte do estado de Minas Gerais. A energia fornecida à cidade de Uberaba tem origem no Sistema Interligado Nacional (SIN), recebendo contribuições de diversas fontes de geração, incluindo a Usina de Itaipu. A energia chega ao município por meio de linhas de transmissão e subtransmissão, sendo então distribuída aos consumidores finais através da rede de distribuição da Cemig. 3.5.1 Tensões de fornecimento em Uberaba De acordo com as normas técnicas da Cemig (ND-5.3), o fornecimento de energia elé- trica em média tensão na área de concessão da empresa é realizado em níveis de tensão padro- nizados, que incluem 13,8 kV, 23 kV e 34,5 kV. Em Uberaba, os principais níveis de tensão utilizados são: 14 Tabela 3 – Níveis de tensão no sistema de distribuição de Uberaba Nível de Tensão Classificação Aplicação 138 kV Subtransmissão / Alta Tensão Alimentação de subestações de distribuição 34,5 kV Média Tensão Distribuição primária para grandes consumido- res 13,8 kV Média Tensão Distribuição primária para consumidores comer- ciais e industriais 220/127 V Baixa Tensão Distribuição secundária para consumidores resi- denciais Fonte: Cemig (2023). 3.5.2 Principais subestações em Uberaba A cidade de Uberaba conta com um sistema de subestações de distribuição estrategica- mente distribuídas, que realizam a transformação da tensão de subtransmissão (138 kV) para os níveis de média tensão (13,8 kV ou 34,5 kV). Entre as principais subestações, destacam-se: Subestação Uberaba 1: uma das principais subestações do município, com ca- pacidade instalada significativa, recebeu investimentos para ampliação de sua capacidade (GOVERNO DE UBERABA, 2012); Subestação Uberaba 2: localizada na área central, passou por modernizações e adequações ao longo dos anos; Subestação Uberaba 3: localizada no Distrito Industrial 1, recebeu adequações em seu sistema de proteção e motorização de chaves (CANALENERGIA, 2021); 15 Subestação Uberaba 4: localizada às margens da BR-050, recebeu investimen- tos de R$ 1,2 milhão para modernização em 2026, com instalação de novo dis- juntor de 138 kV e substituição de religadores (AMBIENTAL MERCANTIL, 2026); Subestação Uberaba 7: construída no Residencial Parque das Laranjeiras, com estrutura modular híbrida, duas entradas de linha de distribuição em 138 kV, 14 saídas de alimentadores em média tensão e 50 MVA de capacidade, suficiente para atender cerca de 50 mil residências (G1, 2021; CANALENERGIA, 2021); Subestação Crown: conectada ao sistema elétrico em 138 kV, atende à fábrica da Crown Embalagens (CANALENERGIA, 2022). Em 2012, a capacidade instalada total do município era de 130 MVA, com previsão de expansão para 180 MVA, garantindo um crescimento de 5% ao ano pelos cinco anos seguintes (GOVERNO DE UBERABA, 2012). Figura 5 – Exemplo de transformador de distribuição em poste – Uberaba/MG. - Fonte: Acervo pessoal (2026). 16 3.5.3 Rede de distribuição A distribuição primária em média tensão é realizada por meio de redes aéreas, que per- correm as vias públicas da cidade, alimentando transformadores de distribuição instalados em postes. Esses transformadores reduzem a tensão de 13,8 kV ou 34,5 kV para 220/127 V, que é a tensão fornecida aos consumidores residenciais e comerciais de pequeno porte. Os transformadores de distribuição instalados ao longo da rede urbana são equipamen- tos de pequeno porte, geralmente montados em postes, com capacidades que variam entre 15 kVA e 75 kVA, dependendo da densidade de carga da área atendida. Esses equipamentos são responsáveis pela etapa final do processo de distribuição, entregando aenergia elétrica aos con- sumidores em níveis de tensão seguros e adequados ao uso residencial. A Cemig realiza investimentos contínuos para modernizar a rede e melhorar a continui- dade do fornecimento. As ações de manutenção e reforço das redes de distribuição de Uberaba e região incluem inspeções preventivas em 2.400 km de linhas, podas de 5.000 árvores e ma- nutenção em 45.000 estruturas (GOVERNO DE UBERABA, 2012). 17 CONCLUSÕES O estudo do funcionamento da Usina Hidrelétrica de Itaipu permitiu uma compreensão aprofundada dos sistemas de potência, desde os princípios fundamentais de geração até os com- plexos sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica. A Usina de Itaipu representa um marco da engenharia nacional e internacional, com seus 14.000 MW de potência instalada e produção anual que já superou a marca de 103 milhões de MWh. Sua operação binacional, com unidades geradoras em duas frequências distintas (50 Hz e 60 Hz), demonstra a complexidade técnica envolvida no aproveitamento dos recursos hídricos compartilhados entre Brasil e Paraguai. O sistema de transmissão associado à usina, com suas linhas em corrente alternada de 765 kV e corrente contínua de ±600 kV, é um exemplo notável de inovação tecnológica, permitindo o transporte eficiente da energia por centenas de quilômetros com perdas reduzidas. A utiliza- ção da tecnologia HVDC, pioneira no Brasil, possibilitou a integração dos sistemas elétricos de dois países com frequências diferentes. A análise do sistema de distribuição de energia em Uberaba – MG evidenciou a estrutura hierárquica do sistema elétrico, desde a subtransmissão em 138 kV até a distribuição secundária em 220/127 V. A atuação da Cemig como concessionária responsável pela distribuição garante o fornecimento de energia elétrica à população, com níveis de tensão adequados a cada tipo de consumidor. As subestações Uberaba 1, 2, 3, 4, 7 e Crown formam a espinha dorsal do sistema elétrico local, garantindo a confiabilidade e a qualidade do fornecimento. Em síntese, este estudo permitiu correlacionar os conceitos teóricos de sistemas de potência com a realidade de um dos maiores empreendimentos hidrelétricos do mundo, demonstrando a importância do planejamento integrado da geração, transmissão e distribuição de energia elé- trica para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida da sociedade. 18 AGRADECIMENTOS Agradeço à Professora Ma. Eliane Silva Custódio pela orientação e pelos conhecimentos transmitidos ao longo da disciplina de Sistemas de Potência, que fundamentaram a realização deste trabalho. Agradeço também à UNINTER – Centro Universitário Internacional, por proporcionar uma formação acadêmica de qualidade na modalidade a distância, com recursos e suporte ade- quados para o desenvolvimento das atividades práticas. Por fim, agradeço à minha família pelo apoio e incentivo durante toda a trajetória aca- dêmica. 19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, Celicina Borges. Metodologia científica ao alcance de todos. 2. ed. Barueri-SP: Manole, 2009. Internet: AMBIENTAL MERCANTIL. Cemig moderniza subestação em Uberaba. 2026. Disponível em: https://noticias.ambientalmercantil.com/2026/05/cemig-moderniza-subesta- cao-em-uberaba/. Acesso em: 28 jul. 2026. BRASIL ESCOLA. Usina hidrelétrica: o que é, como funciona, tipos. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/o-principio-funcionamento-uma-usina-hidrele- trica.htm. Acesso em: 28 jul. 2026. CANALENERGIA. Cemig inicia construção de SE em Uberaba. 2021. Disponível em: https://www.canalenergia.com.br/noticias/53196962/cemig-inicia-construcao-de-se-em- uberaba. Acesso em: 28 jul. 2026. CANALENERGIA. Cemig energiza subestação em Uberaba. 2022. Disponível em: https://www.canalenergia.com.br/noticias/53205046/cemig-energiza-subestacao-em-uberaba. Acesso em: 28 jul. 2026. CEMIG. ND-5.3 – Fornecimento de Energia Elétrica em Média Tensão – Rede de Distribuição Aérea ou Subterrânea. Belo Horizonte: Cemig, 2023. FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS. Recorde de transmissão de energia. Disponí- vel em: https://furnas.com.br/subsecao/439. Acesso em: 28 jul. 2026. G1. Nova subestação da Cemig em Uberaba poderá gerar energia para atender cerca de 50 mil residências. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noti- cia/2021/12/17/nova-subestacao-da-cemig-em-uberaba-podera-gerar-energia-para-atender- cerca-de-50-mil-residencias.ghtml. Acesso em: 28 jul. 2026. 20 GOVERNO DE UBERABA. Cemig apresenta plano de investimentos para Ube- raba. 2012. Disponível em: https://uberaba.mg.gov.br/portal/conteudo,25709. Acesso em: 28 jul. 2026. ITAIPU BINACIONAL. Principais características técnicas. Foz do Iguaçu: Itaipu Binacional. Disponível em: https://www.itaipu.gov.br. Acesso em: 28 jul. 2026. PORTAL EDUCAÇÃO. O Crime de Plágio. Disponível em: https://www.portale- ducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/o-crime-de-plagio/50044. Acesso em: 11 jun. 2018. WIKIPÉDIA. Distribuição de energia elétrica. Disponível em: https://pt.wikipe- dia.org/wiki/Distribuição_de_energia_elétrica. Acesso em: 28 jul. 2026a. WIKIPÉDIA. HVDC Itaipu. Disponível em: https://pt.wikipe- dia.org/wiki/HVDC_Itaipu. Acesso em: 28 jul. 2026b. WIKIPÉDIA. Usina Hidrelétrica de Itaipu. Disponível em: https://pt.wikipe- dia.org/wiki/Usina_Hidrelétrica_de_Itaipu. Acesso em: 28 jul. 2026c.