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Cirrose Introdução e aspectos iniciais - Mundo a fora, motorista com cirrose hepática avançada não renova a carteira, muito menos dirige - Há os riscos de complicações neurológicas e redução dos ciclos da Ureia - Injúria hepática severa é perigosa, fígado é o maior produtor de proteínas, principalmente de albuminas. Queda na lecitina colesterol aciltransferase. - Se a injúria for crônica, destruição progressiva do tecido hepático. - Na cirrose avançada, tem-se queda alarmante de TGO e TGP - O que é considerado etilismo? Consumo de duas doses por dia para M e três doses para H Uma dose consiste em 30 ml de destilados, 120 ml de vinho ou 360 ml de cerveja O fígado é um divo querido - Albumina é majoritária produzida no fígado (há quem diga que também tem nos rins). Ciclo da ureia e LCAT são exclusivas hepáticas - A molécula que nos livra da amônia é a ureia - As transaminases estão no citoplasma e na mitocôndria - Quase todos os fatores da coagulação e da fibrinólise são produzidos no fígado - Para ser declarada perda de função hepática é necessário comprometimento > 80% do tecido (rins são 75%) - LCAT, futuramente, pode ser um preditor interessante de lesão hepática, por ter maior sensibilidade O que é cirrose? - Processo difuso de dano hepático, considerável irreversível em seus estágios avançados - Estágio terminal da doença hepática crônica, a maioria do tecido hepático funcionante foi substituído por tecido fibrótico - Antes dele, temos fases anteriores, como a esteatose hepática (deposição de gordura do fígado) e a esteato-hepatite (esteatose + processo inflamatório + fibrose inicial) - A evolução é assintomática, mas pode haver alguns sintomas inespecíficos, como febre, fadiga, icterícia, hepatomegalia, dor no hipocôndrio direito, contratura de Dupuytren do dedo mínimo - As principais causas são hepatites virais, DHA e DHGNA Desenvolvimento da cirrose - Injúria hepática crônica, causa inflamação hepática e fibrose, independentemente se quem causa é um patógeno, gordura ou álcool - Há a formação de septos fibrosos e nódulos, colapso de estruturas do fígado, distorção do parênquima hepático e da vascularização - A variação no tamanho dos módulos representa o equilíbrio entre a regeneração e a fibrose constritiva Micronódulos são - O tecido fibroso forma feixes constritivos que bloqueiam o fluxo vascular (hipertensão portal) e o biliar (colestase), com a destruição dos hepatócitos - A esteatose hepática é deposição de gordura em pelo menos 5% dos hepatócitos. Há estímulos a de novo lipogênese, produção de ROS por disfunção mitocondrial, beta-oxidação peroxissomal e estresse oxidativo, produção extensa de VLD, mas sem exportação eficaz, devido a baixos níveis de Apo B- 100. Aumento do volume e esteatose macrovesicular - A esteato-hepatite é a esteatose com inflamação lobular e lesão tecidual, associada ou não à fibrose. Pode ser revertida, mesmo com inflamação. Consiste, a longo prazo, em: Tumefação dos hepatócitos e células de Kupffer (consequência direta da esteatose e, se escapar, sofre colestase); Formação de corpos de Mallory Denk (hepatócitos complexados com proteínas a partir de feixes de filamentos intermediários); Reação neutrofílica (inflamação descontrolada e persistente, rodeiam o lóbulo hepático), que se junta em agrupamentos dos hepatócitos tumefatos ou com CMD - Ao final, a esteato-hepatite ativa as células estreladas (armazenam gorduras e vitamina A) dos sinusoides e os fibroblastos do trato portal, iniciando o processo fibrótico. Alguns aspectos clínicos - Há aumento na bilirrubina e queda na produção de trombopoietina, sequestro de plaquetas esplênicas, desenvolvimento de varizes esofágicas, ascite, hipertensão portal e encefalopatia hepática - Após a estabilização da cirrose, o paciente pode ficar estável/compensado por anos, mas ascite, encefalopatia hepática, icterícia e sangramentos são sinais de descompensamento e gravidade - Temos vários sintomas e sinais para a cirrose, vamos lá: - De forma geral, reclamam de enfraquecimento muscular, confusão mental, sonolência, icterícia, ascite, ginecomastia, esplenomegalia, eritemas distais, petéquias e edema. - Contudo, há outros sinais mais específicos, como o fetor hepaticus (hálito alterado devido ao dimetil sulfeto), asterixe (tremor de punho quando em dorsiflexão c/ o MS estendido), icterícia escleral, angioma estelar (telangiectasia imeditamente abaixo da pele, geralmente na cabeça e no tórax), alargamento das parótidas, cabeças de medusa (veias epigástricas tortuosas e proeminentes radiando do umbigo), contratura de Dupuytren (fibrose progressiva da fáscia palmar, limita a extensão dos dedos), e unhas de Terry (placa esbranquiçada na metade proximal da unha). - Quando há suspeitas de doenças crônicas no fígado, o histórico deve ser solicitado: medicamentos hepatotóxicos, etilismo, histórico familiar - Solicitar contagem sanguínea, ALT, AST, albumina, PA, GGT, bilirrubinas totais, INR - O uso de USG é interessante, baixos custos, pode diagnosticar cirrose e suas complicações (esplenomegalia, hipertensão portal, ascite, carcinoma hepatocelular, encefalopatia hepática) Escores e prognóstico - A história natural envolve uma longa fase compensada e outra curta e descompensada, que possui diversas complicações, já citadas, que não possuem ordem - A fase inicial é caracterizada por mudança na matriz extracelular de colágeno sem ligações cruzadas, fibrilas - A irreversibilidade ocorre com a formação de ligações cruzadas subendoteliais de colágeno, proliferação de células mioepiteliais, nódulos de regeneração e distorção da arquitetura hepática Sistema Metavir Nível de fibrose Escore Sem fibrose F0 Cicatrização mínima F1 Presença de cicatrização periportal F2 Fibrose interconectada a outras áreas cicatrizadas F3 Cirrose F4 - Vale ressaltar que a fibrose pode ser secundária a um processo inflamatório ativado por resposta imune (hepatites B e C, esquistossomose), parte do processo de cicatrização de feridas (CCl4) ou como resposta a agentes que induzem a fibrogênese primária (etanol e ferro). - Estímulo a síntese de colágeno - Há outros escores menos invasivos para inferir o grau de fibrose hepática, estão no final Hipertensão portal - Aumento da resistência ao fluxo sanguíneo no sistema venoso portal e pressão sustentada na vv. porta. Gradiente de pressão venosa portal superior a 5 mmHg - Pode haver três tipos de obstrução, com hepática significando os lóbulos do fígado Pré-hepática: trombose da veia porta, compressão tumoral, linfonodomegalia Pós-hepática: qualquer obstrução do fluxo pelas vv. depois dos lóbulos do fígado, dentro do órgão ou nos segmentos distais. Síndrome de Budd-Chiari (congestão do fígado, trombose, Policitemia vera, tumores malignos, gestação, infecção bacteriana), síndrome de obstrução sinusoidal (quimioterápicos antineoplásicos) Intra-hepáticas: causas no fígado - Ocorre elevação da pressão e dilatação dos canais venosos antes da obstrução. Os vasos colaterais se formam para conectar a circulação portal aos vasos sanguíneos sistêmicos (a partir disso, surgem as varizes, a cabeça de medusa, hemorroidas) - Desenvolve ascite, esplenomegalia, encefalopatia hepática e formação de shunts portossistêmicos com sangramentos de varizes esofágicas - A vv. porta não tem válvulas, a pressão elevada é transmitida de volta para outros leitos vasculares Ascite - Manifestação clínica tardia da cirrose e da hipertensão portal: acúmulo de líquido na cavidade peritoneal. Comum 15 l de líquido ascítico - Aumento da circunferência abdominal,onda líquida, fígado com rebote e macicez móvel - Pode ser identificada pelo gradiente de albumina do soro para líquido ascítico: concentração de albumina no soro e no líquido ascítico e subtrair o segundo do primeiro. Se der ≥ 1,1 g/dL é ascite - Relaciona-se com elevação da pressão capilar (consequência da hipertensão portal e obstrução do fluxo venoso), retenção de sal e água pelos rins, diminuição da pressão coloidosmótica (síntese reduzida de albumina sérica) Enchimento insuficiente: redução do volume sanguíneo (os líquidos se acumulam na cavidade peritoneal) é sinal aferente p/ a retenção de sal e água pelos rins (ativação do SRAA). A pressão sinusoidal hepática elevada sequestra sangue no leito venoso esplâncnico subpreenchimento da veia central. Vasodilatação arterial periférica, derivação portossistêmica e maior disponibilidade de vasodilatadores na circulação sistêmica (ativa SRAA). O desequilíbrio entre pressão hidrostática e oncótica na vv. porta forma a ascite Enchimento excessivo: fígado incapaz de metabolizar aldosterona, aumento da retenção, ou, ainda, reflexo hepatorrenal, pressão sinusoidal elevada, aumento do tono simpático, secreção de endotelina-1 - O tratamento da ascite é restrição dietética da ingestão de sódio e usar diuréticos. Geralmente, diuréticos do segmento distal do néfron inibidores da reabsorção de Na+ e diurético de alça (furosemida). Paracentese, posição ortostática, shunt portossistêmico intra-hepático transjugular - Peritonite bacteriana espontânea também pode acontecer. Neutrófilos > 250/mm³. Geralmente, aparece Enterobacteriaceae, como a E. coli, enterococos, S. pneumoniae e S. viridans Shunts portossistêmicos - Hipertensão portal, vasos colaterais calibrosos entre a vv. porta e as vv. sistêmicas do segmento inferior do reto, do esôfago e as vv. umbilicais do ligamento falciforme (entre os lobos esq e dir) - Vasos colaterais entre as vv. ilíaca inferior e interna causam hemorroidas. Vv. umbilical fetal pode não estar totalmente fechada, forma um canal na parede anterior do abdome - Os vasos colaterais + significativos são os que interligam a vv. porta e coronária, inversão do fluxo e formação de dilatações varicosas de paredes finais na submucosa do esôfago - Surgem as varizes esofágicas, podem se romper, causar hemorragia e, como a maioria dos fatores de coagulação são de produção hepática, o sangramento não é bem controlado - O tratamento é evitar a primeira hemorragia, controlada a agudização e evitar o retorno. Usa bloqueadores β-adrenérgico (os lol), ocreotida (análogo de somatostatina), vasopressina, tamponamento por balão, criação de comunicação entre a vv. porta e uma sistêmica, stent entre um ramo da vv. hepática e a porta por meio de um cateter na vv. jugular interna Hipoalbuminemia e edema - ↓[albumina] = queda na pressão oncótica, desenvolvimento do edema periférico e ascite - Estado ávido de retenção de sódio, porque o sódio sérico está baixo como um resultado da retenção de água e liberação do ADH - Só surge manifestação clínica quando [Na+] 5 cm de diâmetro ou três nódulos com 6, para ser urgente, > 13