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AUTISMO E DIFICULDADE DE COMUNICAÇÃO 
 
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Sumário 
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 
O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E A COMUNICAÇÃO .................. 7 
COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E ALTERNATIVA (CSA) ............................ 13 
COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA ......................................... 19 
SISTEMAS AUMENTATIVOS E ALTERNATIVOS DE COMUNICAÇÃO ...... 22 
Sistema De Comunicação Por Troca De Figuras - Pecs ........................... 23 
Sistema Alternativo De Comunicação Bliss ............................................... 26 
SISTEMA REBUS ..................................................................................... 29 
SISTEMA PIC (PICTOGRAMAS) .............................................................. 30 
SÍMBOLOS PICTOGRÁFICOS PARA A COMUNICAÇÃO (SPC) ............. 31 
SISTEMA PICSYMS WIDGIT (COMUNICAR COM SÍMBOLOS) ............. 33 
REFERENCIAS ................................................................................................ 34 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é oficialmente classificado como 
um transtorno do neurodesenvolvimento pelo Manual Diagnóstico e Estatístico 
de Transtornos Mentais (DSM V-TR). É caracterizada por desafios persistentes 
na comunicação e interação social, bem como padrões restritivos e repetitivos 
de comportamento, interesses ou atividades. 
A American Psychiatric Association (2023) fornece esta classificação. O 
transtorno é objeto de ampla discussão, abrangendo fatores relacionados à sua 
causa, sua descrição e diversas abordagens de intervenção. Além disso, devido 
à natureza diversa da doença, as origens das dificuldades de comunicação 
permanecem pouco compreendidas. 
No entanto, é amplamente reconhecido que as deficiências de 
comunicação e linguagem são características proeminentes do PEA, 
desempenhando um papel crucial na sua identificação precoce. Essas 
deficiências podem afetar as habilidades de comunicação verbal e não verbal 
em graus variados (Zanon; Backes; Bosa, 2014). 
Atrasos na aquisição e desenvolvimento da linguagem são alterações 
linguísticas proeminentes observadas em crianças com TEA. Essas mudanças 
podem resultar em prejuízos em vários aspectos da linguagem, incluindo 
morfologia, fonologia, sintaxe, semântica e pragmática. Tanto a compreensão 
quanto a expressão podem ser afetadas por essas alterações linguísticas (Reis; 
Pereira; Almeida, 2016). 
O aspecto funcional do uso da linguagem fica comprometido em 
indivíduos com TEA, levando a dificuldades em iniciar e manter a comunicação. 
Isso inclui comportamentos como ecolalia, uso de jargões e prosódia atípica na 
fala. Além disso, os indivíduos com TEA podem ter dificuldade em compreender 
aspectos sutis da linguagem, como piadas, sarcasmo, humor e significados 
figurativos. Eles também podem ter dificuldades na interpretação da linguagem 
corporal, gestos e expressões faciais. 
 
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Ao avaliar as habilidades de comunicação, é importante considerar a 
comunicação não verbal, os elementos prosódicos da fala, o conteúdo e a 
iniciativa conversacional, a sintaxe, a semântica e a fonologia, bem como a 
reciprocidade e as regras conversacionais. Contudo, vale ressaltar que no 
contexto do TEA, as manifestações de linguagem verbal e não verbal são muitas 
vezes interpretadas apenas como sintomas. 
Para obter uma compreensão abrangente, é essencial reconhecer a 
singularidade de cada caso individual e ouvir atentamente manifestações como 
fala ecolálica, estereotipias, interesses e até mesmo casos de gritos e agitação. 
Ao observar e avaliar essas manifestações, torna-se possível traçar um perfil de 
comunicação, que informa o estabelecimento de objetivos e estratégias de 
intervenção. 
Sem dúvida, a linguagem facilita o processo de comunicação, 
proporcionando um meio para os indivíduos transmitirem mensagens através de 
sinais e símbolos. Este aspecto fundamental da sociedade leva os humanos a 
explorar e desenvolver continuamente várias formas de linguagem e 
comunicação. No entanto, há casos em que uma comunicação eficaz pode não 
ser alcançada, como observado em indivíduos com Transtorno do Espectro 
Autista (TEA) (Brasil, 2015; Faé et al., 2018). 
Meneses e Silva (2020) apontam que indivíduos com TEA enfrentam 
desafios na comunicação, especificamente na capacidade de se envolverem em 
comunicação utilitária. Apesar de terem um vasto vocabulário e a capacidade de 
construir frases complexas, os indivíduos autistas lutam para colocar as suas 
palavras dentro de um contexto significativo, resultando na falta de troca 
coerente de mensagens necessárias para a interação social. 
O estabelecimento de uma comunicação eficaz desempenha um papel 
vital no reforço das ligações sociais e o desenvolvimento da linguagem serve 
como o meio mais eficaz de consegui-lo. Normalmente, o desenvolvimento da 
linguagem começa nas primeiras fases da infância e qualquer atraso neste 
processo indica um problema que pode ser atribuído a transtornos como o 
Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Reis; Pereira; Almeida, 2016). 
 
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Uma barreira significativa para a socialização e interação de crianças com 
TEA é a utilização limitada da linguagem para comunicação funcional. Dominar 
as regras necessárias para uma comunicação eficaz é uma tarefa desafiadora, 
mesmo para indivíduos sem quaisquer transtornos, muito menos para aqueles 
com TEA. A comunicação bem-sucedida envolve a transmissão, recepção, 
assimilação, compreensão e resposta à informação por parte do ouvinte (Faé et 
al., 2018). 
Os primeiros anos de desenvolvimento de uma criança, principalmente 
nos primeiros três anos, são marcados pelo aparecimento de sinais e sintomas. 
É crucial que os pais desempenhem um papel fundamental no reconhecimento 
destes indicadores, uma vez que são os principais indivíduos que interagem com 
os seus filhos. Além disso, os professores têm importância no acompanhamento 
da progressão de competências e habilidades com base nas faixas etárias, 
garantindo o alinhamento com as normas de desenvolvimento (Meneses e Silva, 
2020). 
Ao realizar um diagnóstico precoce, a probabilidade de melhorar a 
comunicação, maximizar o potencial das crianças, e explorar suas habilidades é 
significativamente aumentado. Crianças com TEA possuem padrões de 
comunicação distintos que diferem de seus pares. A sua compreensão do 
significado da comunicação na formação da identidade completa é limitada. 
Portanto, torna-se imperativo educar as crianças com TEA sobre o valor da 
autoexpressão e da compreensão (Pereira, 2022). 
Embora existam crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) 
capazes de verbalizar, a comunicação que realizam não é considerada funcional, 
pois carece de significado para os destinatários. O desafio na promoção de uma 
comunicação eficaz reside na seleção de estratégias adequadas que priorizem 
as necessidades das crianças e priorizem a comunicação funcional em 
detrimento da adesão estrita às regras gramaticais (Meneses e Silva, 2020). 
Para facilitar o envolvimento de crianças com Transtorno do Espectro 
Autista (TEA), diversas técnicas têm sido exploradas, incluindo a utilização de 
LIBRAS, dispositivos digitais e PECS. A seleção da abordagem mais adequada 
 
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deve considerar as características e capacidades únicas de cada criança, com o 
objetivo final de promover a socialização (Meneses e Silva, 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E A COMUNICAÇÃO 
 
Conforme mencionado anteriormente, o Transtorno do Espectro Autista 
(TEA) é um dos transtornos que afetam vários aspectos da vida social, 
principalmente as habilidades de comunicação. A incapacidade de usar estaferramenta de forma eficaz é uma característica fundamental do TEA. 
Os sinais e sintomas do TEA normalmente tornam-se aparentes durante 
o início do desenvolvimento humano, geralmente nos primeiros três anos. Isso 
porque nesse período as interações sociais com diversos grupos fora da família 
tornam-se mais frequentes, sendo necessário o estabelecimento de 
comunicação (Meneses e Silva, 2020). 
Portanto, o desenvolvimento das habilidades de fala e escrita é crucial. 
Quando estas competências não são desenvolvidas ou não são utilizadas de 
uma forma que facilite a integração social, torna-se evidente que houve 
obstáculos ao longo do caminho. Esses desafios podem ser atribuídos a 
dificuldades de aprendizagem ou à incapacidade de processar informações 
devido a uma condição neurológica (Meneses e Silva, 2020). 
Os desafios semânticos e pragmáticos associados ao Transtorno do 
Espectro Autista (TEA) manifestam-se de várias maneiras, incluindo a repetição 
de palavras ou frases ouvidas recentemente, erros de pronome (como referir-se 
a si mesmo na terceira pessoa) e erros na conjugação verbal e no uso de 
adjetivos. . A ecolalia, repetição de palavras ou frases, é uma característica bem 
conhecida do TEA (Barros; Melo; Carvalho, 2013). 
O caráter repetitivo da ecolalia é caracterizado pela repetição mecânica 
de palavras por crianças com TEA, independentemente do contexto em que são 
pronunciadas. Embora a ecolalia esteja frequentemente associada ao TEA, 
deve-se ter cautela ao associá-la diretamente ao transtorno, pois também é 
comumente observada em crianças menores de dois anos que estão nos 
estágios iniciais de aquisição da linguagem e reconhecimento de palavras 
(Barros; Melo; Carvalho, 2013). 
 
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A repetição de palavras ou frases pode servir como meio de memorização 
ou como forma de transmitir emoções ou desejos, indicando uma sensação de 
foco (Mergl; Azoni, 2015). A ecolalia é classificada como uma característica do 
Transtorno do Espectro Autista (TEA) se persistir além do que normalmente é 
esperado, o que significa que uma criança continua a repetir palavras ouvidas 
sem contexto apropriado além dos dois anos de idade. 
Ao conversar com uma criança que apresenta falta de interação, fica 
evidente que suas respostas consistem apenas em repetir exatamente o que 
ouviram. Essa repetição, conhecida como ecolalia, é categorizada como 
estereotipia, pois não tem finalidade funcional ou comunicativa. Nesses casos, é 
fundamental atribuir significado às repetições da criança, como enfatizam Mergl 
e Azoni (2015). Se se tornar evidente que a criança está a usar palavras fora do 
contexto, é importante interpretar a mensagem pretendida, estabelecendo uma 
ligação entre o que foi repetido e o seu significado real. 
Criar situações que favoreçam o crescimento das crianças com autismo e 
promover a sua independência é uma responsabilidade crucial dos adultos, 
especialmente dos educadores, como sublinha Oliveira (2009). Ao nutrir as suas 
ligações interpessoais, estes indivíduos podem melhorar as capacidades de 
comunicação das crianças com autismo, levando, em última análise, a uma 
melhor qualidade de vida. 
Para abordar eficazmente a ecolalia, é importante evitar colocar questões 
que tenham apenas uma resposta possível. Por exemplo, se uma criança deseja 
comida e suco, apresente-lhe água e suco e pergunte: "Você quer suco ou 
água?" permite que eles associem sua solicitação ao objeto correspondente. Se 
recusarem a água e pedirem suco na tentativa seguinte, suas habilidades de 
pensamento crítico estarão sendo estimuladas. Por outro lado, quando apenas 
uma opção é oferecida, como perguntar “Quer suco?”, e a criança responde com 
“suco”, isso reforça o uso da ecolalia. Ao oferecer duas opções, incentivamos o 
desenvolvimento da capacidade da criança de pensar criticamente. 
Um déficit linguístico significativo observado em indivíduos com 
Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a utilização inadequada de pronomes. 
 
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Em vez de usar o pronome de primeira pessoa “eu” para se referir a si mesmas, 
as crianças com TEA geralmente empregam pronomes de segunda pessoa 
como “você” ou pronomes de terceira pessoa como “ele”, falhando em se 
posicionar como sujeito ativo de seus próprios discurso (Brasil, 2015; Oliveira, 
2009). 
Segundo Barros (2011), muitas vezes os indivíduos com autismo se 
distanciam dos outros referindo-se a si mesmos pelo nome. Isso cria uma 
sensação de separação e reserva. Nesse processo, há uma mudança do uso de 
“eu/você” para o uso de “ele” ao falar sobre si mesmo, como se o autista fosse 
uma entidade externa em discussão. 
Para promover o uso de pronomes apropriados, recomenda-se dirigir-se 
consistentemente à criança como “você” em vez de usar o nome dela. Além 
disso, é importante usar gestos que apontem para a criança e esclareçam quem 
está falando como “eu” e quem está sendo chamado de “você”. Por exemplo, se 
a criança disser: “Maria quer comer”, o interlocutor deve responder dizendo: 
“Quer comer?” Essa abordagem ajuda a criança a participar ativamente das 
conversas e a aprender gradativamente a usar o pronome da primeira pessoa 
(Barros, 2011). 
Crianças com TEA também exibem o uso de uma linguagem única e de 
palavras recém-criadas. Essa linguagem idiossincrática é caracterizada pela 
repetição de palavras que não têm finalidade comunicativa, mas são utilizadas 
de forma distanciada, conhecidas apenas pelos familiares imediatos (Onzi; 
Gomes, 2015). 
Em 2013, foi lançada a linha Care, que oferece atendimento integral aos 
indivíduos com Transtorno do Espectro Autista. Esta publicação oferece diversas 
estratégias para melhorar a comunicação de indivíduos com TEA, incluindo a 
implementação de métodos de comunicação suplementar e alternativa (CAA) e 
a utilização de recursos digitais. A utilização da CAA, que engloba elementos 
clínicos e educacionais, visa enfrentar desafios na comunicação expressiva e 
receptiva, introduzindo diversas ferramentas como fotografias, objetos e gestos. 
Esses recursos servem como meios de comunicação complementares ou 
 
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alternativos, daí o nome. Essa abordagem, conhecida como CSA, é altamente 
recomendada para promover o desenvolvimento independente em indivíduos 
que enfrentam dificuldades de comunicação (Brasil, 2015; Nunes; Santos, 2015). 
O CSA implementa diversas técnicas, incluindo o Sistema de 
Comunicação por Troca de Imagens (PECS), a Língua Brasileira de Sinais 
(LIBRAS) e dispositivos tecnológicos avançados (Brasil, 2015). O PECS envolve 
a troca de imagens para comunicar objetos ou atividades desejadas. Os alunos 
recebem cartões com imagens de atividades como tomar banho, lavar as mãos 
ou brincar com um brinquedo, e trocam esses cartões para expressarem as suas 
preferências (Meneses e Silva, 2020). 
A progressão do PECS envolve etapas distintas nas quais as crianças 
adquirem a capacidade de trocar itens desejados por imagens correspondentes. 
Esse processo gradual facilita o desenvolvimento das habilidades linguísticas, 
incluindo a formação adequada das frases. À medida que as crianças aprendem 
a generalizar e a construir afirmações básicas, as suas capacidades de 
comunicação são bastante melhoradas (Meneses e Silva, 2020). 
Apresentada na Figura 1 está uma ilustração que mostra modos 
alternativos de comunicação projetados especificamente para indivíduos com 
autismo. 
Figura 1 - Comunicação alternativa para autista 
 
 
Fonte: profisiocenter.com.br (2024). 
 
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A utilização da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) serve como um meio 
valioso de melhorar a comunicação entre crianças com diagnóstico de TEA. 
Dado que o desenvolvimento da linguagem tende a ocorrer mais tarde para 
essas crianças, a LIBRAS oferece uma alternativa viável ao permitir que elas se 
baseiem em pistas visuais para estabelecer conexões significativas (Brasil, 
2015).Ajudar indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em sua 
comunicação é possível através da utilização de dispositivos tecnológicos 
avançados. Esses dispositivos desempenham um papel crucial na expansão do 
vocabulário, componente essencial na construção de frases. Além disso, a 
tecnologia permite o registro de narrações e histórias, muitas vezes 
acompanhadas de recursos visuais, o que auxilia muito na memorização. A 
seleção do dispositivo mais adequado depende de um diagnóstico preciso e 
abrangente, que é inicialmente determinado pela observação cuidadosa dos 
sinais e sintomas apresentados pelas crianças durante os primeiros estágios de 
desenvolvimento (Brasil, 2015). 
Segundo Onzi e Gomes (2015), os pais desempenham um papel crucial 
na identificação de alterações e na procura imediata de assistência. Quando 
confrontadas com um diagnóstico de transtorno do espectro do autismo, as 
famílias tendem a procurar ativamente informações relacionadas à doença. 
Reconhecendo que o diagnóstico e a intervenção precoces oferecem um maior 
potencial para o crescimento global e as capacidades cognitivas da criança, 
torna-se imperativo que os pais tomem medidas proativas. 
O intrincado processo de comunicação abrange conexões interpessoais 
e a transmissão de informações, sejam elas transmitidas por meios falados ou 
não-verbais. Crianças com perturbações do neurodesenvolvimento, como o 
TEA, enfrentam dificuldades de comunicação, mas é crucial reconhecer que 
estes desafios podem ser ultrapassados. É essencial reconhecer que o TEA é 
uma condição vitalícia e deve ser gerida de forma adequada, permitindo que os 
indivíduos prosperem na sociedade em toda a extensão possível (Meneses e 
Silva, 2020). 
 
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O aprimoramento das conexões sociais é o objetivo principal por trás de 
vários tipos de comunicação e expressão linguística. Alcançar uma comunicação 
eficaz entre crianças com TEA requer um esforço colaborativo envolvendo 
fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas que se esforçam incansavelmente para 
descobrir o meio de comunicação mais eficaz (Meneses e Silva, 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, a 
professora Maria Eduvirges quais estratégias pode auxiliar no aluno no 
processo de desenvolvimento da comunicação 
 
COMO O AUTISMO AFETA A COMUNICAÇÃO?. Disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=A-94HX2VYVE. Acesso em 21 de julho de 
2024. 
. 
 
 
 
 
 
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COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E ALTERNATIVA (CSA) 
 
A Comunicação Suplementar Alternativa (CSA) é um campo de estudo e 
aplicação em ambientes clínicos e educacionais. Tem como foco encontrar 
soluções para as dificuldades de comunicação enfrentadas por indivíduos com 
deficiência de linguagem oral. A CSA utiliza uma variedade de ferramentas e 
estratégias para facilitar interações significativas e expressão de ideias. Isso 
abrange crianças e adultos que necessitam de apoio em suas habilidades de 
comunicação. 
As ferramentas CSA abrangem uma gama de recursos adaptados para 
comunicação alternativa. Esses recursos consistem em conjuntos de signos 
gráficos projetados especificamente para esse fim e são categorizados com base 
em suas funções sintáticas e semânticas. 
Além disso, as ferramentas CSA também incorporam o uso de fotos, 
palavras escritas e o alfabeto. Os símbolos gráficos podem ser organizados 
utilizando vários níveis de tecnologia, desde opções de baixa tecnologia, como 
uma folha de papel básica, até soluções de alta tecnologia, como computadores 
e tablets. Através de intervenções clínicas, terapêuticas e pedagógicas, bem 
como da implementação de estratégias eficazes de criação e acesso de 
símbolos, estas ferramentas tecnológicas são efetivamente transformadas em 
poderosos meios de comunicação. 
O conceito central da CSA gira em torno da ideia de que a comunicação 
pode ir além da fala verbal, abrangendo várias formas, como sinais não-verbais, 
linguagem escrita, gestos simbólicos, recursos visuais e até voz sintetizada 
assistida por tecnologia, permitindo uma interação significativa. 
Segundo Carvalho et al (2020), a comunicação é um aspecto essencial 
da existência humana. Para atender às necessidades de indivíduos com 
distúrbios de comunicação, a comunicação suplementar e/ou alternativa (CSA) 
emergiu como uma área crucial da tecnologia assistiva. Esses transtornos são 
 
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caracterizados por dificuldades na produção e/ou compreensão da comunicação 
escrita e falada. 
Carvalho et al (2020) descobriram que apesar da disponibilidade de 
tecnologia, inúmeras barreiras ainda impedem os indivíduos de acessar tanto 
recursos de baixa tecnologia, como placas de comunicação, quanto recursos 
mais avançados, como adaptações de computador. A falta de disponibilidade 
pode ser atribuída ao alto custo dos serviços e recursos, bem como à falta de 
conscientização dos usuários, familiares e profissionais. 
O impacto da experiência em comunicação suplementar e/ou alternativa, 
bem como da presença de profissional especialista em comunicação, como 
fonoaudiólogo, no sucesso e na qualidade da implementação foi reconhecido 
pelos autores. Observaram que o apoio fonoaudiológico não só estimula a 
linguagem do paciente, mas também capacita e qualifica os demais profissionais 
envolvidos no cuidado. Os resultados ressaltaram a importância da colaboração 
multidisciplinar, que por sua vez afeta a eficácia da implementação da 
comunicação suplementar e/ou alternativa (CARVALHO et al, 2020). 
Em estudo realizado por Chun (2010), foi examinada a utilização da 
Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) em indivíduos com afasia. Os 
resultados revelaram que a CSA facilita processos distintos de significado. No 
geral, os resultados demonstraram que a CSA melhorou o envolvimento dos 
participantes em diversas situações discursivas e desempenhou um papel na 
melhoria da qualidade geral das interações linguísticas e sociais dentro do grupo 
sob investigação. Parece que a CSA não só promove o desenvolvimento da 
linguagem nos seus aspectos multifacetados, mas também serve como um 
valioso auxílio visual para indivíduos com afasia. 
Em seu estudo sobre intervenção em afasia por meio de Comunicação 
Suplementar e/ou Alternativa, Franco e colegas (2015) forneceram uma 
explicação sobre a intervenção fonoaudiológica. Destacaram o uso da 
Comunicação Suplementar e/ou Alternativa como uma abordagem benéfica para 
indivíduos com afasia, melhorando suas habilidades de comunicação. Ao 
combinar os resultados de Chun (2010) e Franco et al. (2015), ficou evidente que 
 
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a CSA é necessária nos casos de afasia e oferece vantagens em ambos os 
casos, ressaltando sua importância para os pacientes. 
Segundo Franco e cols. (2015), Comunicação Suplementar e/ou 
Alternativa (CSA) refere-se à utilização de métodos não-verbais de comunicação 
como meio de aprimorar ou substituir a linguagem oral. No caso de indivíduos 
com afasia, o uso da CSA normalmente serve como ferramenta complementar, 
beneficiando tanto a eficácia da comunicação do usuário quanto o seu processo 
de reabilitação. 
Bahia (2014) explorou as consequências da utilização de métodos de 
comunicação suplementares e/ou alternativos para indivíduos com afasia não 
fluente. O estudo constatou que a implementação da CSA pode ampliar as 
capacidades linguísticas dos indivíduos com afasia, levando a transformações 
na interação e nos relacionamentos sociais. Em última análise, isso incentiva um 
maior envolvimento e participação desses indivíduos. 
A implementação da CSA provou ser altamente benéfica no reforço do 
envolvimento e envolvimento de indivíduos dentro do grupo. Isto, por sua vez, 
teve um impacto positivo nas suas capacidades linguísticas e nas interações 
sociais. Esses achados são consistentes com estudos anteriores que também 
enfatizaramos efeitos positivos da CSA nos aspectos cognitivos e psicológicos, 
levando, em última análise, à melhoria das habilidades de comunicação e ao 
aumento da participação nas atividades diárias (Bahia, 2014). 
Independentemente da gravidade da sua afasia, todos os indivíduos podem 
beneficiar do uso da CSA. Galli et al. (2009) realizaram um estudo que destacou 
as inúmeras vantagens da CSA, incluindo maior autonomia, qualidade de 
comunicação e eficácia, desempenhando assim um papel crucial no processo 
de reabilitação. 
Segundo Bahia e Chun (2014), no acompanhamento da afasia na 
Fonoaudiologia é fundamental avaliar as condições de produção discursiva, seja 
ela oral ou não oral. Este exame deve levar em conta diálogos e narrativas numa 
perspectiva dialógica e contextualizada, ao mesmo tempo que considera o papel 
do sujeito social na (re)constituição da sua linguagem. 
 
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Em estudo realizado por Ferreira et al. (2011) sobre a evolução da 
comunicação alternativa na pragmática de adultos com autismo, o objetivo 
principal foi descrever o impacto da utilização simultânea de dois métodos de 
comunicação alternativa - Fala Sinalizada e Símbolos de Comunicação por Troca 
de Figuras (PECS) - na expansão da comunicação pragmática. habilidades de 
um adulto com autismo. 
Alguns indivíduos com autismo necessitam do apoio de métodos 
alternativos de comunicação para interagir e comunicar de forma eficaz. Esses 
métodos, sejam alternativos ou complementares, facilitam a comunicação ao 
integrar símbolos, recursos, estratégias e técnicas. Os resultados do estudo 
indicam que houve um progresso notável no perfil de comunicação pragmática 
quando os dois métodos alternativos de comunicação foram usados em 
conjunto, como evidenciado pelo aumento das interações sociais entre os 
indivíduos. 
A pesquisa conduzida por Montenegro et al (2021) concentrou-se em 
examinar o papel da comunicação alternativa na progressão das habilidades de 
comunicação em crianças com diagnóstico de transtorno do espectro do 
autismo. O estudo teve como objetivo ilustrar como a implementação de um 
sistema sofisticado de comunicação alternativa pode influenciar positivamente o 
desenvolvimento de habilidades comunicativas em crianças com TEA. As 
conclusões do estudo forneceram evidências do impacto significativo da CSA 
nas crianças com TEA, particularmente na melhoria das suas capacidades de 
interação social e na qualidade geral da comunicação. 
A utilização da CSA em indivíduos com diagnóstico de Transtorno do 
Espectro Autista (TEA) tem um objetivo claro: fornecer meios alternativos de 
comunicação e potencializar suas interações sociais. O objetivo final é capacitar 
esses indivíduos para expressarem suas preferências, desejos e emoções, 
facilitando assim uma aprendizagem mais eficaz e promovendo a autonomia. 
Isto foi apoiado pelos resultados dos estudos conduzidos por Montenegro et al. 
(2021) e Ferreira et al. (2011). 
 
 
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Em um estudo recente realizado por Assef e colegas (2021), o foco esteve 
na população idosa e na sua utilização de Comunicação Suplementar e/ou 
Alternativa (CSA) em relação às suas atividades diárias. As conclusões deste 
estudo indicam que a CSA é uma grande promessa ao permitir que os indivíduos 
expressem os seus desejos e vontades com maior independência. Os autores 
enfatizam a importância da comunicação como componente vital da interação 
social, destacando que sem ela os indivíduos perdem um grau significativo de 
autonomia na expressão das suas emoções e preferências. O uso da CSA 
demonstrou ter um impacto positivo em indivíduos com necessidades complexas 
de comunicação. 
O impacto positivo da Comunicação Suplementar e/ou Alternativa no 
desenvolvimento, relacionamento e aprendizagem de indivíduos com 
 
 
Em um estudo separado, Andrade et al. (2014) exploraram o uso da 
comunicação suplementar e/ou alternativa na abordagem da morfossintaxe em 
adolescentes com síndrome de Down. O estudo destacou a expansão mais 
lenta do vocabulário observada em crianças com síndrome de Down em 
comparação com crianças com desenvolvimento típico, bem como os desafios 
que enfrentam na combinação de palavras e no domínio de regras 
morfossintáticas, que impactam diretamente a estrutura das frases. Os 
resultados demonstraram que a incorporação da CSA nas intervenções 
fonoaudiológicas para adolescentes com síndrome de Down mostrou-se uma 
ferramenta eficaz para melhorar as habilidades morfossintáticas. Além disso, 
facilitou o uso de estruturas frasais e a incorporação de elementos com funções 
sintáticas, como conjuntos e preposições, que muitas vezes são desafiadores 
para indivíduos com síndrome de Down. 
 
 
 
 
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necessidades complexas de comunicação é uma conclusão bem estabelecida. 
A CSA serve como um caminho que vai além da fala, proporcionando vantagens 
significativas ao indivíduo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA 
 
Em contextos de comunicação face a face, comunicação alternativa 
refere-se a qualquer meio de comunicação que não envolva discurso verbal. 
Indivíduos que não conseguem falar podem utilizar formas alternativas de 
comunicação, como sinais gestuais e gráficos, código Morse, escrita e muito 
mais. 
A comunicação complementar ou de apoio é abrangida pela comunicação 
aumentativa. O termo "aumentativo" enfatiza o duplo propósito de ensinar 
métodos alternativos de comunicação: melhorar e reforçar a fala e, ao mesmo 
tempo, garantir um meio alternativo de comunicação se a fala não for adquirida. 
 
 
 
O conceito de comunicação assistida abrange a utilização de diversos 
métodos de comunicação que envolvem a utilização de ferramentas ou 
instrumentos externos, como computadores, mesas de comunicação e 
dispositivos equipados com fala digitalizada, para expressar a linguagem. Os 
sistemas de comunicação que envolvem assistência dependem de símbolos que 
necessitam do uso de ajudas técnicas ou outras formas de suporte, como papel, 
lápis e quadros de comunicação. Nestes sistemas, os símbolos não são gerados, 
mas sim escolhidos, necessitando sempre do auxílio de ferramentas técnicas 
para transmitir mensagens. Exemplos de tais ferramentas incluem bandejas de 
 
 
A comunicação aumentativa é também definida como um meio facilitador do 
desenvolvimento da fala e/ou das competências cognitivas e de comunicação 
necessárias para a aquisição da linguagem. 
 
 
 
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comunicação e quadros com símbolos pictográficos, bem como digitalizadores. 
Os indivíduos que necessitam de um sistema de comunicação alternativa 
podem ser divididos em três categorias distintas: crianças, adultos e aqueles que 
necessitam de comunicação alternativa ou aumentativa. É importante 
reconhecer as disparidades significativas que existem entre estes grupos. 
1. Indivíduos que têm dificuldade em compreender a linguagem e articular os 
seus pensamentos e, portanto, necessitam de uma forma alternativa de 
comunicação. 
2. Servindo como forma complementar de comunicação, não se alinha a um 
estado fixo, nem suplanta a expressão verbal, mas antes incentiva a sua 
utilização. 
3. As circunstâncias ao longo da vida de certos indivíduos exigem o uso de uma 
língua alternativa, resultando numa dependência limitada ou nula da 
comunicação falada para a interação interpessoal. 
 
 
 
 
 
Também é possível distinguir três grupos para definir a população que necessita de 
formas alternativas de comunicação: 
1. Linguagem expressiva – refere-se aos indivíduos que compreendem a linguagem 
oral, mas que apresentam dificuldades na fala devido a problemas fona articulatórios, 
devendo por isso recorrer a outras formas de comunicação. 
2. Linguagem de apoio – estão os indivíduos com atraso no desenvolvimento da 
fala, que apresentam dificuldades, como paralisia cerebral,Síndrome de Down e 
outros, que pode utilizar os recursos alternativos de comunicação temporariamente, 
apenas servindo de “trampolim” para alcançá-la. 
3. Linguagem alternativa – engloba os indivíduos que pouco ou nada comunicam 
através da fala, como autistas, pessoas com deficiência mental severa, surdos. 
Nestes casos é necessária comunicação alternativa para ajudar a atenuar essa 
dificuldade. 
 
 
 
 
 
21 
 
 
 
Quando um indivíduo carece de qualquer outro meio de comunicação, sua 
comunicação é categorizada como alternativa. Por outro lado, se o indivíduo 
possui alguma forma de comunicação mas esta é inadequada para manter 
ligações sociais e participar em trocas, a sua comunicação é considerada 
alargada. Vários sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa estão 
acessíveis no mercado, proporcionando aos profissionais de educação e saúde 
a escolha de recursos de baixa ou alta tecnologia. 
Meios de comunicação acessíveis, conhecidos como Recursos de Baixa 
Tecnologia, são utilizados quando a linguagem falada não está disponível. Esses 
recursos abrangem uma variedade de métodos, incluindo gestos manuais, 
expressões faciais, código Morse e sinais gráficos, como escrita, desenhos, 
gravuras e fotografias. Além disso, sistemas como o Bliss Symbol System, 
Pictogram Ideogram Communication System (PIC) e Picture Communication 
Symbols (PECS) podem ser empregados. Esses sistemas utilizam símbolos que 
podem ser exibidos em quadros, painéis, carteiras ou outros formatos acessíveis 
aos usuários. 
 
 
 
 
 
 
O Sistema de Comunicação Bliss, foi criado e estudado por Charles Bliss, tendo 
sido desenvolvido com o objetivo de ser utilizado como sistema de comunicação 
internacional; 
O Sistema de Comunicação PIC (Pictogram Ideogram Communication), designado 
em português por pictogramas, teve origem no Canadá, sendo concebido em 1980 
por um terapeuta da fala chamado Subhas Maraj; 
O Sistema de Comunicação SPC, Símbolos Pictográficos para a Comunicação é 
de origem americana (PECS, Picture Communication Symbols), concebido pela 
terapeuta da fala, Roxana Mayer Johnson, em 1951. 
. 
 
 
 
 
 
22 
 
 
 
SISTEMAS AUMENTATIVOS E ALTERNATIVOS DE COMUNICAÇÃO 
 
Segundo Soro-Camats (2013), ao considerar o uso da CSA, não basta 
considerar apenas os indivíduos que não conseguem utilizar a comunicação 
verbal. Em vez disso, a ênfase deve estar na identificação dos indivíduos com 
quem a CAA pode ser utilizada de forma eficaz. Uma vez determinado isso, 
técnicas e estratégias adequadas podem ser definidas para cada caso 
específico. 
De acordo com Rosell e Basil (1998), gestos que são comumente usados 
como meios naturais de comunicação possuem um valor significativo nos 
estágios iniciais de intervenção e são normalmente utilizados em conjunto com 
sistemas de comunicação mais abrangentes e intrincados. É crucial reconhecer 
que estes gestos precisam de ser cultivados em indivíduos, especificamente 
crianças e jovens, que têm Necessidades Complexas de Comunicação. 
Ao lado desses gestos, existem também os SAAC idiossincráticos, que 
são tipicamente desenvolvidos por indivíduos com déficits de comunicação e 
servem como meio de comunicação com os familiares. Por exemplo, uma 
criança pode fechar os olhos com força para indicar sonolência ou mover 
repetidamente a mão para solicitar a continuação de uma atividade (Rosell; 
Basil, 1998). 
 Para apoiar e melhorar eficazmente um sistema de comunicação mais 
complexo, é imperativo defender e fortalecer estes gestos. Isto é particularmente 
importante quando se consideram intervenções de comunicação aumentativa. 
Os sistemas de comunicação assistida, que necessitam da utilização de meios 
físicos ou tecnológicos para transmitir mensagens, merecem a nossa atenção. 
Estas ajudas podem assumir a forma de sinais tangíveis, como objetos ou 
miniaturas que simbolizam a comunicação pretendida (Rosell; Basil, 1998), ou 
sinais gráficos. No caso dos sinais gráficos, os indivíduos contam com diversos 
dispositivos, incluindo placas de comunicação, cadernos de comunicação, 
dispositivos eletrônicos ou mesmo computadores. 
 
23 
 
 
 
Ao comunicar as necessidades e desejos de uma criança, o uso de 
símbolos tangíveis pode ser altamente eficaz. Por exemplo, uma criança faminta 
pode entregar um babador ao interlocutor, enquanto uma criança que deseja 
passear pode presentear um carro em miniatura. Os sinais tangíveis são 
particularmente benéficos para crianças que enfrentam desafios como transtorno 
do espectro do autismo, deficiência visual, dificuldades intelectuais graves, 
deficiência motora e dificuldades de compreensão da linguagem. Este método é 
especialmente útil para crianças que têm dificuldade em aprender gestos, mas 
têm capacidade de manipular objetos (Rosell; Basil, 1998). 
Uma menção adicional deve ser feita aos Sistemas Pictográficos, que 
consistem em desenhos lineares simples, menos complexos e neutros em 
comparação com as imagens. Estes sistemas são altamente icónicos, tornando-
os facilmente memoráveis para crianças com deficiência motora, que são o 
principal público-alvo. Outros SAAC que merecem destaque incluem o sistema 
de comunicação de troca de figuras conhecido como PECS, o Sistema Bliss 
(Sinais Gráficos), o Sistema Rebus, o Sistema PIC (Pictogramas), o Sistema 
SPC (Símbolos Pictográficos para Comunicação) e o Sistema Picsyms Widgit. 
(Comunique-se com símbolos). 
 
Sistema De Comunicação Por Troca De Figuras - Pecs 
 
PECS é um sistema de comunicações alternativo/aprimorado exclusivo 
desenvolvido nos Estados Unidos em 1985 por Andy Bondy e Lori Frost. O PECS 
foi implementado pela primeira vez em um programa de autismo de Delaware 
com crianças pré-escolares diagnosticadas com autismo. Desde então, o PECS 
foi implementado com sucesso em todo o mundo com milhares de estudantes 
de todas as idades com diversas dificuldades cognitivas, físicas e de 
comunicação (Barbosa; Dutra, 2022). 
O protocolo de ensino PECS é baseado no livro Verbal Behavior and 
Broad-Spectrum Applied Behavior Analysis de B.F. Skinner. Estratégias 
específicas de estimulação e reforço que levam à comunicação independente 
 
24 
 
 
 
foram utilizadas ao longo do protocolo. O protocolo também inclui procedimentos 
sistemáticos de correção de erros para promover o aprendizado quando ocorrem 
erros. Sem o uso de dicas verbais, estabeleça uma ativação imediata e evite a 
dependência. 
 
 
 
O PECS consiste em seis etapas que primeiro ensinam um indivíduo a 
fornecer uma única imagem de um item ou ação desejada a um “parceiro de 
comunicação” que imediatamente atende à solicitação de troca. O sistema 
continua ensinando a identificação de números e como combiná-los em frases. 
Em estágios mais avançados, os indivíduos aprenderão como usar o iniciador, 
responder perguntas e comentar. O objetivo principal do PECS é ensinar 
comunicação funcional (Barbosa; Dutra, 2022). 
 
 
 
 
 
 
 
Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, é 
explicado o PECS como uma alternativa excelente para muitos dos casos de 
pessoas com Autismo que são não-verbais.. 
Comunicação Alternativa Robusta e o PECS no Autismo Não-Verbal. 
Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=R2PdkbXx-Sk. Acesso em 
06 de julho de 2024. 
. 
 
 
 
 
 
25 
 
 
 
Figura 2 - As seis fases do PECS 
Fonte: https://pecs-brazil.com, 2024. 
Os personagens PCS são símbolos gráficos de comunicação que 
representam sentimentos, objetos, ações, lugares e pessoas. Cada personagem 
tem o que representa escrito na parte superior, e é laminado e preso com velcro 
para que o usuário possa fixá-los no álbum. Diferentemente do PECS original 
com 6 etapas, o PECS adaptado possui apenas 5 etapas conforme descrito 
abaixo (Walter; Nunes; Togashi, 2011): 
 
26 
 
 
 
Etapa 1 (troca de figuras com assistência máxima): Nestaetapa, 
quando os alunos virem o professor segurando algo que lhes interessa, deverão 
pegar a figura de forma independente e entregá-la ao professor. 
Fase 2 (aumentar a espontaneidade): Na segunda fase, o aluno deve 
pegar o gráfico desejado na lousa ou no álbum de comunicação, caminhar em 
direção ao objeto que contém o que deseja e solicitá-lo espontaneamente e de 
forma autônoma. . 
Fase 3 (Personagens Distintivos): Na Fase 3, os alunos deverão 
escolher entre outros personagens do quadro ou do álbum de comunicação, 
caminhando até a pessoa que possuirá o objeto de sua preferência. O objeto 
desejado pode ou não estar próximo do aluno. Esta fase é dividida em duas 
etapas, sendo que na etapa 3 B o valor será reduzido em dois centímetros e dois 
centímetros. 
Etapa 4 (Construção de Frases Simples): Nesta etapa o aluno deverá 
solicitar o item que deseja, esteja ele no ambiente ou não. Além disso, você deve 
expressar seus sentimentos por meio de frases ilustradas que aparecerão com 
destaque no álbum da sua newsletter e de forma que permita formar frases. 
O PECS-Adaptado pode ser utilizado por familiares, professores e 
profissionais clínicos em diversos ambientes, pois permite a portabilidade do 
sistema - as pessoas carregam seus próprios álbuns de comunicação, o que 
facilita o processo de comunicação com seus interlocutores (Walter; Nunes; 
Togashi, 2011). 
 
Sistema Alternativo De Comunicação Bliss 
 
Charles Bliss desenvolveu o sistema de comunicação alternativa Bliss 
como um meio de estabelecer uma linguagem universal que seja simples de 
adquirir e utilizar. Composto por 100 símbolos fundamentais, esses sinais podem 
ser combinados de diversas maneiras para gerar aproximadamente 2.500 
símbolos distintos. Esses símbolos apresentam desenhos lineares, altamente 
 
27 
 
 
 
simplificados, pictóricos, ideográficos ou arbitrários, permitindo a criação de 
novas palavras baseadas em hieróglifos conceituais. Além disso, o sistema 
incorpora técnicas gráficas de incorporação de partículas e modificações, 
superando as limitações da comunicação telegráfica. 
Temos assim uma estrutura composta por linhas pretas sobre fundo 
branco, constituída por símbolos geométricos fundamentais com essência 
pictórica e ideográfica. Esses símbolos podem ser organizados em gráficos de 
comunicação, seguindo regras sintáticas, para transmitir ideias simples e 
complexas. 
Este sistema possui uma natureza fluida, permitindo a representação de 
ideias abstratas. O significado de cada símbolo é adquirido através da 
compreensão da lógica abrangente que governa o sistema. Existem vários 
métodos para utilizar este sistema como meio de autoexpressão, incluindo 
declarações diretas, frases intrincadas e mensagens telegráficas concisas. A 
proficiência do usuário e o contexto de comunicação determinam o nível em que 
ele se envolve com o sistema. 
As condições frequentemente enfatizadas pelos autores para alcançar o 
sucesso na aprendizagem do Bliss incluem: 
 
(I) a capacidade de discriminação visual; 
(II) capacidades cognitivas ao nível das operações concretas; e 
(III) compreensão auditiva boa ou moderada. 
 
A capacidade de discriminar visualmente é crucial para distinguir entre 
símbolos de diversos tamanhos, configurações e orientações. As capacidades 
cognitivas, especificamente aquelas associadas ao desenvolvimento pré-
operatório ou às primeiras operações concretas, desempenham um papel 
significativo. Por último, ter compreensão auditiva proficiente ou satisfatória é 
essencial para o processamento auditivo. 
A capacidade de discriminação visual é importante para se diferenciar a 
dimensão, a configuração e a orientação dos símbolos. As capacidades 
 
28 
 
 
 
cognitivas nomeadamente encontrar-se no último nível do desenvolvimento pré-
operatório ou das primeiras operações concretas. Quanto à audição é importante 
haver boa ou moderada compreensão auditiva. 
O sistema Bliss apresenta-se como um meio de comunicação ideal para 
crianças e jovens com necessidades educativas especiais (NEE) que carecem 
de linguagem oral. Seus símbolos são projetados para serem facilmente 
compreendidos e lembrados, tornando-se uma opção viável para crianças que 
podem ter dificuldades com a ortografia convencional, mas possuem a 
capacidade de adquirir um amplo vocabulário. Isto inclui indivíduos com paralisia 
cerebral (PC) que demonstram fortes capacidades intelectuais, mas enfrentam 
desafios na fala e na leitura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
 
 
SISTEMA REBUS 
 
Woodcock et al. (1969), conforme citado por Rosell e Basil (1998), 
desenvolveram o sistema Rebus Reading Series como uma ferramenta para 
indivíduos com deficiências intelectuais e de desenvolvimento leves adquirirem 
habilidades de leitura. 
Em 1979, Jones expandiu ainda mais a sua aplicação para incluir a 
comunicação alternativa. Semelhante ao Bliss, este sistema consiste em 
símbolos hieroglíficos, totalizando aproximadamente 950, que podem ser 
combinados entre si, com palavras ou com letras para formar novas palavras. 
Segundo Rosell e Basil (1998), os pictogramas possuem um alto nível de 
iconografia, tornando-os facilmente compreensíveis e memoráveis para 
inúmeras crianças. Essas representações visuais foram criadas especificamente 
para melhorar a comunicação de indivíduos com deficiência motora e seu léxico 
é adaptável a diversas classificações gramaticais. Fotocopiar, cortar e integrar 
diversas tecnologias assistivas são opções viáveis para a utilização desses 
pictogramas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
 
SISTEMA PIC (PICTOGRAMAS) 
 
No Canadá, Maharaj (1980), fonoaudiólogo, desenvolveu o sistema PIC, 
também conhecido como pictogramas. Com um total de 800 símbolos, apenas 
metade deles foi traduzida para o português. Este sistema é amplamente 
utilizado nos países nórdicos e em Portugal. 
A intenção por trás dessas ilustrações é criar figuras brancas sobre um 
fundo preto, acompanhadas de texto branco. Esta escolha de design baseia-se 
na crença de que esta apresentação visual será mais acessível para crianças 
com desenvolvimento cognitivo limitado ou com dificuldades de percepção 
visual. Para facilitar a compreensão de quem não conhece o sistema, a palavra 
escrita está posicionada na parte superior. 
Esses pictogramas, conhecidos como PIC, têm semelhanças com 
símbolos gráficos padronizados comumente vistos na comunidade, como placas 
de cafés, restaurantes ou hotéis ao longo de rodovias. Esta qualidade aumenta 
a sua eficácia como ferramentas de comunicação. Segundo Gonçalves (2011), 
os símbolos representam objetos ou situações que podem ser simplificados 
utilizando características altamente icônicas. 
Os vários pictogramas são categorizados com base em temas 
específicos, incluindo pessoas, partes do corpo, roupas e itens pessoais, casa, 
banheiro, cozinha, comida e guloseimas. Estes símbolos são particularmente 
benéficos para crianças com deficiência visual, uma vez que o símbolo branco 
no preto fornece um nível mais alto de contraste. Este contraste ajuda a aliviar 
quaisquer desafios na distinção entre a imagem e o seu fundo. 
Para enfrentar este desafio, Von Tetzchner e Martinsen (2000) propõem a 
integração gradual de sistemas de sinalização alternativos que proporcionam 
melhores oportunidades. Além disso, os custos de fotocópia são elevados devido 
aos símbolos representados em um fundo preto. A principal desvantagem deste 
sistema reside na sua capacidade limitada de gerar novos significados através 
da combinação de símbolos, que também são difíceis de desenhar, impedindo 
assim a eficácia dos profissionais. 
 
31 
 
 
 
SÍMBOLOS PICTOGRÁFICOS PARA A COMUNICAÇÃO (SPC) 
 
Criado por Roxana Mayer Johnson em 1981, o sistema SPC apresenta 
uma linha preta ousada contra um fundo branco imaculado. Este sistema 
inovador foi traduzidopara 12 idiomas distintos, incluindo o português. Dentro 
desta linguagem, existem impressionantes 3.200 sinais disponíveis em formatos 
impressos e informatizados. Esses sinais podem ser acessados através da 
biblioteca de símbolos Boardmaker, que é compatível com os sistemas 
operacionais Macintosh e Windows. 
Para melhorar a compreensão da estrutura das frases e o impacto 
potencial no significado, os símbolos são organizados em seis categorias 
distintas e organizados de acordo com o sistema codificado por cores de 
Fitzgerald. Este sistema atribui amarelo às pessoas, verde aos verbos, azul aos 
adjetivos, laranja aos substantivos, branco aos diversos e rosa aos sociais. 
Segundo diversos autores, o sistema de Comunicação por Apontamento 
Simbólico (SPC) pode ser utilizado tanto por crianças que necessitam de 
linguagem simples e frases curtas, quanto por aquelas que necessitam de um 
vocabulário mais amplo e estruturas de frases mais complexas. 
O sistema SPC é incrivelmente adaptável, capaz de evoluir junto com as 
necessidades de comunicação de seus usuários. Devido à sua versatilidade e 
aplicabilidade em todas as faixas etárias, tornou-se um dos sistemas mais 
utilizados entre os indivíduos que dependem da Comunicação Aumentativa e 
Alternativa (CAA) em todo o mundo. Este sistema provou ser excepcionalmente 
benéfico para indivíduos com diversas deficiências, incluindo afasia, apraxia, 
transtorno do espectro do autismo, deficiência intelectual e paralisia cerebral. 
Segundo Von Tetzchner e Martinsen (2000), não há exigência de aderir 
apenas a um único sistema, razão pela qual apoiam a ideia de combinar vários 
sistemas de símbolos visuais. Em termos práticos, se as limitações dos 
pictogramas PIC ou SPC se tornarem evidentes para os utilizadores, podem ser 
introduzidos sinais mais complexos para melhorar o seu progresso. 
 
 
32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como referido o SPC pode ser potenciado por meio da utilização de um 
software específico, que possibilita a execução rápida e simples de 
tabelas e quadros de comunicação ou a utilização desses símbolos, com 
um conjunto de programas de comunicação existentes no mercado, 
sendo exemplo o programa Speaking Dinamically, o qual, é de fácil 
manuseamento e possibilita criar muitas atividades interativas 
educacionais e de comunicação com acessibilidade total, bem como 
pranchas de comunicação interligadas, com funções programáveis nas 
suas células. Esta função permite interligar as pranchas entre si (como 
links das páginas da Internet), fazendo com que uma célula/tecla abra 
uma nova prancha temática, no ecrã do computador. O mesmo autor 
refere ainda que o programa Speaking Dinamically tem mais de cem 
funções programáveis, que possibilitam escrever e editar textos na área 
de mensagem, abrir programas, exibir filmes e reproduzir arquivos de 
som, fala e música. 
 
 
 
 
33 
 
 
 
SISTEMA PICSYMS WIDGIT (COMUNICAR COM SÍMBOLOS) 
 
Em 1980, Carlston e James introduziram o sistema Picsyms Widgit, que 
compartilha semelhanças com outros sistemas de sinalização. Seu principal 
objetivo é atingir um alto nível de Iconicidade e, ao mesmo tempo, manter a 
flexibilidade para acomodar efetivamente os indivíduos que dependem do SAAC 
para o desenvolvimento do idioma. 
A mão humana pode facilmente replicar os sinais, que são derivados de 
uma grade padronizada. Os criadores desses signos compilaram 
meticulosamente um manual composto por aproximadamente 840 signos, cada 
um acompanhado de uma explicação concisa, instruções para reprodução e 
orientações sobre como gerar novos signos. 
 
 
 
Dado o impacto da competência dos utilizadores e das estratégias 
utilizadas pelos seus círculos sociais na emergência comunicativa, torna-se 
crucial aprofundar este assunto. Explorar especificamente o papel da 
comunicação aumentativa e alternativa na interação com crianças e jovens com 
necessidades educacionais especiais que não possuem habilidades de 
linguagem oral. 
 
 
 
 
A grande vantagem deste sistema consiste na possibilidade de criar facilmente 
signos para as necessidades específicas dos utilizadores e ser bastante útil como 
um sistema de introdução ao processo de desenvolvimento de leitura e da escrita. 
 
 
 
 
 
34 
 
 
 
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