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AUTISMO E DIFICULDADE DE COMUNICAÇÃO 2 Sumário INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E A COMUNICAÇÃO .................. 7 COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E ALTERNATIVA (CSA) ............................ 13 COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA ......................................... 19 SISTEMAS AUMENTATIVOS E ALTERNATIVOS DE COMUNICAÇÃO ...... 22 Sistema De Comunicação Por Troca De Figuras - Pecs ........................... 23 Sistema Alternativo De Comunicação Bliss ............................................... 26 SISTEMA REBUS ..................................................................................... 29 SISTEMA PIC (PICTOGRAMAS) .............................................................. 30 SÍMBOLOS PICTOGRÁFICOS PARA A COMUNICAÇÃO (SPC) ............. 31 SISTEMA PICSYMS WIDGIT (COMUNICAR COM SÍMBOLOS) ............. 33 REFERENCIAS ................................................................................................ 34 3 INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é oficialmente classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V-TR). É caracterizada por desafios persistentes na comunicação e interação social, bem como padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A American Psychiatric Association (2023) fornece esta classificação. O transtorno é objeto de ampla discussão, abrangendo fatores relacionados à sua causa, sua descrição e diversas abordagens de intervenção. Além disso, devido à natureza diversa da doença, as origens das dificuldades de comunicação permanecem pouco compreendidas. No entanto, é amplamente reconhecido que as deficiências de comunicação e linguagem são características proeminentes do PEA, desempenhando um papel crucial na sua identificação precoce. Essas deficiências podem afetar as habilidades de comunicação verbal e não verbal em graus variados (Zanon; Backes; Bosa, 2014). Atrasos na aquisição e desenvolvimento da linguagem são alterações linguísticas proeminentes observadas em crianças com TEA. Essas mudanças podem resultar em prejuízos em vários aspectos da linguagem, incluindo morfologia, fonologia, sintaxe, semântica e pragmática. Tanto a compreensão quanto a expressão podem ser afetadas por essas alterações linguísticas (Reis; Pereira; Almeida, 2016). O aspecto funcional do uso da linguagem fica comprometido em indivíduos com TEA, levando a dificuldades em iniciar e manter a comunicação. Isso inclui comportamentos como ecolalia, uso de jargões e prosódia atípica na fala. Além disso, os indivíduos com TEA podem ter dificuldade em compreender aspectos sutis da linguagem, como piadas, sarcasmo, humor e significados figurativos. Eles também podem ter dificuldades na interpretação da linguagem corporal, gestos e expressões faciais. 4 Ao avaliar as habilidades de comunicação, é importante considerar a comunicação não verbal, os elementos prosódicos da fala, o conteúdo e a iniciativa conversacional, a sintaxe, a semântica e a fonologia, bem como a reciprocidade e as regras conversacionais. Contudo, vale ressaltar que no contexto do TEA, as manifestações de linguagem verbal e não verbal são muitas vezes interpretadas apenas como sintomas. Para obter uma compreensão abrangente, é essencial reconhecer a singularidade de cada caso individual e ouvir atentamente manifestações como fala ecolálica, estereotipias, interesses e até mesmo casos de gritos e agitação. Ao observar e avaliar essas manifestações, torna-se possível traçar um perfil de comunicação, que informa o estabelecimento de objetivos e estratégias de intervenção. Sem dúvida, a linguagem facilita o processo de comunicação, proporcionando um meio para os indivíduos transmitirem mensagens através de sinais e símbolos. Este aspecto fundamental da sociedade leva os humanos a explorar e desenvolver continuamente várias formas de linguagem e comunicação. No entanto, há casos em que uma comunicação eficaz pode não ser alcançada, como observado em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Brasil, 2015; Faé et al., 2018). Meneses e Silva (2020) apontam que indivíduos com TEA enfrentam desafios na comunicação, especificamente na capacidade de se envolverem em comunicação utilitária. Apesar de terem um vasto vocabulário e a capacidade de construir frases complexas, os indivíduos autistas lutam para colocar as suas palavras dentro de um contexto significativo, resultando na falta de troca coerente de mensagens necessárias para a interação social. O estabelecimento de uma comunicação eficaz desempenha um papel vital no reforço das ligações sociais e o desenvolvimento da linguagem serve como o meio mais eficaz de consegui-lo. Normalmente, o desenvolvimento da linguagem começa nas primeiras fases da infância e qualquer atraso neste processo indica um problema que pode ser atribuído a transtornos como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Reis; Pereira; Almeida, 2016). 5 Uma barreira significativa para a socialização e interação de crianças com TEA é a utilização limitada da linguagem para comunicação funcional. Dominar as regras necessárias para uma comunicação eficaz é uma tarefa desafiadora, mesmo para indivíduos sem quaisquer transtornos, muito menos para aqueles com TEA. A comunicação bem-sucedida envolve a transmissão, recepção, assimilação, compreensão e resposta à informação por parte do ouvinte (Faé et al., 2018). Os primeiros anos de desenvolvimento de uma criança, principalmente nos primeiros três anos, são marcados pelo aparecimento de sinais e sintomas. É crucial que os pais desempenhem um papel fundamental no reconhecimento destes indicadores, uma vez que são os principais indivíduos que interagem com os seus filhos. Além disso, os professores têm importância no acompanhamento da progressão de competências e habilidades com base nas faixas etárias, garantindo o alinhamento com as normas de desenvolvimento (Meneses e Silva, 2020). Ao realizar um diagnóstico precoce, a probabilidade de melhorar a comunicação, maximizar o potencial das crianças, e explorar suas habilidades é significativamente aumentado. Crianças com TEA possuem padrões de comunicação distintos que diferem de seus pares. A sua compreensão do significado da comunicação na formação da identidade completa é limitada. Portanto, torna-se imperativo educar as crianças com TEA sobre o valor da autoexpressão e da compreensão (Pereira, 2022). Embora existam crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) capazes de verbalizar, a comunicação que realizam não é considerada funcional, pois carece de significado para os destinatários. O desafio na promoção de uma comunicação eficaz reside na seleção de estratégias adequadas que priorizem as necessidades das crianças e priorizem a comunicação funcional em detrimento da adesão estrita às regras gramaticais (Meneses e Silva, 2020). Para facilitar o envolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), diversas técnicas têm sido exploradas, incluindo a utilização de LIBRAS, dispositivos digitais e PECS. A seleção da abordagem mais adequada 6 deve considerar as características e capacidades únicas de cada criança, com o objetivo final de promover a socialização (Meneses e Silva, 2020). 7 O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E A COMUNICAÇÃO Conforme mencionado anteriormente, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um dos transtornos que afetam vários aspectos da vida social, principalmente as habilidades de comunicação. A incapacidade de usar estaferramenta de forma eficaz é uma característica fundamental do TEA. Os sinais e sintomas do TEA normalmente tornam-se aparentes durante o início do desenvolvimento humano, geralmente nos primeiros três anos. Isso porque nesse período as interações sociais com diversos grupos fora da família tornam-se mais frequentes, sendo necessário o estabelecimento de comunicação (Meneses e Silva, 2020). Portanto, o desenvolvimento das habilidades de fala e escrita é crucial. Quando estas competências não são desenvolvidas ou não são utilizadas de uma forma que facilite a integração social, torna-se evidente que houve obstáculos ao longo do caminho. Esses desafios podem ser atribuídos a dificuldades de aprendizagem ou à incapacidade de processar informações devido a uma condição neurológica (Meneses e Silva, 2020). Os desafios semânticos e pragmáticos associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) manifestam-se de várias maneiras, incluindo a repetição de palavras ou frases ouvidas recentemente, erros de pronome (como referir-se a si mesmo na terceira pessoa) e erros na conjugação verbal e no uso de adjetivos. . A ecolalia, repetição de palavras ou frases, é uma característica bem conhecida do TEA (Barros; Melo; Carvalho, 2013). O caráter repetitivo da ecolalia é caracterizado pela repetição mecânica de palavras por crianças com TEA, independentemente do contexto em que são pronunciadas. Embora a ecolalia esteja frequentemente associada ao TEA, deve-se ter cautela ao associá-la diretamente ao transtorno, pois também é comumente observada em crianças menores de dois anos que estão nos estágios iniciais de aquisição da linguagem e reconhecimento de palavras (Barros; Melo; Carvalho, 2013). 8 A repetição de palavras ou frases pode servir como meio de memorização ou como forma de transmitir emoções ou desejos, indicando uma sensação de foco (Mergl; Azoni, 2015). A ecolalia é classificada como uma característica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) se persistir além do que normalmente é esperado, o que significa que uma criança continua a repetir palavras ouvidas sem contexto apropriado além dos dois anos de idade. Ao conversar com uma criança que apresenta falta de interação, fica evidente que suas respostas consistem apenas em repetir exatamente o que ouviram. Essa repetição, conhecida como ecolalia, é categorizada como estereotipia, pois não tem finalidade funcional ou comunicativa. Nesses casos, é fundamental atribuir significado às repetições da criança, como enfatizam Mergl e Azoni (2015). Se se tornar evidente que a criança está a usar palavras fora do contexto, é importante interpretar a mensagem pretendida, estabelecendo uma ligação entre o que foi repetido e o seu significado real. Criar situações que favoreçam o crescimento das crianças com autismo e promover a sua independência é uma responsabilidade crucial dos adultos, especialmente dos educadores, como sublinha Oliveira (2009). Ao nutrir as suas ligações interpessoais, estes indivíduos podem melhorar as capacidades de comunicação das crianças com autismo, levando, em última análise, a uma melhor qualidade de vida. Para abordar eficazmente a ecolalia, é importante evitar colocar questões que tenham apenas uma resposta possível. Por exemplo, se uma criança deseja comida e suco, apresente-lhe água e suco e pergunte: "Você quer suco ou água?" permite que eles associem sua solicitação ao objeto correspondente. Se recusarem a água e pedirem suco na tentativa seguinte, suas habilidades de pensamento crítico estarão sendo estimuladas. Por outro lado, quando apenas uma opção é oferecida, como perguntar “Quer suco?”, e a criança responde com “suco”, isso reforça o uso da ecolalia. Ao oferecer duas opções, incentivamos o desenvolvimento da capacidade da criança de pensar criticamente. Um déficit linguístico significativo observado em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a utilização inadequada de pronomes. 9 Em vez de usar o pronome de primeira pessoa “eu” para se referir a si mesmas, as crianças com TEA geralmente empregam pronomes de segunda pessoa como “você” ou pronomes de terceira pessoa como “ele”, falhando em se posicionar como sujeito ativo de seus próprios discurso (Brasil, 2015; Oliveira, 2009). Segundo Barros (2011), muitas vezes os indivíduos com autismo se distanciam dos outros referindo-se a si mesmos pelo nome. Isso cria uma sensação de separação e reserva. Nesse processo, há uma mudança do uso de “eu/você” para o uso de “ele” ao falar sobre si mesmo, como se o autista fosse uma entidade externa em discussão. Para promover o uso de pronomes apropriados, recomenda-se dirigir-se consistentemente à criança como “você” em vez de usar o nome dela. Além disso, é importante usar gestos que apontem para a criança e esclareçam quem está falando como “eu” e quem está sendo chamado de “você”. Por exemplo, se a criança disser: “Maria quer comer”, o interlocutor deve responder dizendo: “Quer comer?” Essa abordagem ajuda a criança a participar ativamente das conversas e a aprender gradativamente a usar o pronome da primeira pessoa (Barros, 2011). Crianças com TEA também exibem o uso de uma linguagem única e de palavras recém-criadas. Essa linguagem idiossincrática é caracterizada pela repetição de palavras que não têm finalidade comunicativa, mas são utilizadas de forma distanciada, conhecidas apenas pelos familiares imediatos (Onzi; Gomes, 2015). Em 2013, foi lançada a linha Care, que oferece atendimento integral aos indivíduos com Transtorno do Espectro Autista. Esta publicação oferece diversas estratégias para melhorar a comunicação de indivíduos com TEA, incluindo a implementação de métodos de comunicação suplementar e alternativa (CAA) e a utilização de recursos digitais. A utilização da CAA, que engloba elementos clínicos e educacionais, visa enfrentar desafios na comunicação expressiva e receptiva, introduzindo diversas ferramentas como fotografias, objetos e gestos. Esses recursos servem como meios de comunicação complementares ou 10 alternativos, daí o nome. Essa abordagem, conhecida como CSA, é altamente recomendada para promover o desenvolvimento independente em indivíduos que enfrentam dificuldades de comunicação (Brasil, 2015; Nunes; Santos, 2015). O CSA implementa diversas técnicas, incluindo o Sistema de Comunicação por Troca de Imagens (PECS), a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e dispositivos tecnológicos avançados (Brasil, 2015). O PECS envolve a troca de imagens para comunicar objetos ou atividades desejadas. Os alunos recebem cartões com imagens de atividades como tomar banho, lavar as mãos ou brincar com um brinquedo, e trocam esses cartões para expressarem as suas preferências (Meneses e Silva, 2020). A progressão do PECS envolve etapas distintas nas quais as crianças adquirem a capacidade de trocar itens desejados por imagens correspondentes. Esse processo gradual facilita o desenvolvimento das habilidades linguísticas, incluindo a formação adequada das frases. À medida que as crianças aprendem a generalizar e a construir afirmações básicas, as suas capacidades de comunicação são bastante melhoradas (Meneses e Silva, 2020). Apresentada na Figura 1 está uma ilustração que mostra modos alternativos de comunicação projetados especificamente para indivíduos com autismo. Figura 1 - Comunicação alternativa para autista Fonte: profisiocenter.com.br (2024). 11 A utilização da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) serve como um meio valioso de melhorar a comunicação entre crianças com diagnóstico de TEA. Dado que o desenvolvimento da linguagem tende a ocorrer mais tarde para essas crianças, a LIBRAS oferece uma alternativa viável ao permitir que elas se baseiem em pistas visuais para estabelecer conexões significativas (Brasil, 2015).Ajudar indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em sua comunicação é possível através da utilização de dispositivos tecnológicos avançados. Esses dispositivos desempenham um papel crucial na expansão do vocabulário, componente essencial na construção de frases. Além disso, a tecnologia permite o registro de narrações e histórias, muitas vezes acompanhadas de recursos visuais, o que auxilia muito na memorização. A seleção do dispositivo mais adequado depende de um diagnóstico preciso e abrangente, que é inicialmente determinado pela observação cuidadosa dos sinais e sintomas apresentados pelas crianças durante os primeiros estágios de desenvolvimento (Brasil, 2015). Segundo Onzi e Gomes (2015), os pais desempenham um papel crucial na identificação de alterações e na procura imediata de assistência. Quando confrontadas com um diagnóstico de transtorno do espectro do autismo, as famílias tendem a procurar ativamente informações relacionadas à doença. Reconhecendo que o diagnóstico e a intervenção precoces oferecem um maior potencial para o crescimento global e as capacidades cognitivas da criança, torna-se imperativo que os pais tomem medidas proativas. O intrincado processo de comunicação abrange conexões interpessoais e a transmissão de informações, sejam elas transmitidas por meios falados ou não-verbais. Crianças com perturbações do neurodesenvolvimento, como o TEA, enfrentam dificuldades de comunicação, mas é crucial reconhecer que estes desafios podem ser ultrapassados. É essencial reconhecer que o TEA é uma condição vitalícia e deve ser gerida de forma adequada, permitindo que os indivíduos prosperem na sociedade em toda a extensão possível (Meneses e Silva, 2020). 12 O aprimoramento das conexões sociais é o objetivo principal por trás de vários tipos de comunicação e expressão linguística. Alcançar uma comunicação eficaz entre crianças com TEA requer um esforço colaborativo envolvendo fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas que se esforçam incansavelmente para descobrir o meio de comunicação mais eficaz (Meneses e Silva, 2020). Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, a professora Maria Eduvirges quais estratégias pode auxiliar no aluno no processo de desenvolvimento da comunicação COMO O AUTISMO AFETA A COMUNICAÇÃO?. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=A-94HX2VYVE. Acesso em 21 de julho de 2024. . 13 COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E ALTERNATIVA (CSA) A Comunicação Suplementar Alternativa (CSA) é um campo de estudo e aplicação em ambientes clínicos e educacionais. Tem como foco encontrar soluções para as dificuldades de comunicação enfrentadas por indivíduos com deficiência de linguagem oral. A CSA utiliza uma variedade de ferramentas e estratégias para facilitar interações significativas e expressão de ideias. Isso abrange crianças e adultos que necessitam de apoio em suas habilidades de comunicação. As ferramentas CSA abrangem uma gama de recursos adaptados para comunicação alternativa. Esses recursos consistem em conjuntos de signos gráficos projetados especificamente para esse fim e são categorizados com base em suas funções sintáticas e semânticas. Além disso, as ferramentas CSA também incorporam o uso de fotos, palavras escritas e o alfabeto. Os símbolos gráficos podem ser organizados utilizando vários níveis de tecnologia, desde opções de baixa tecnologia, como uma folha de papel básica, até soluções de alta tecnologia, como computadores e tablets. Através de intervenções clínicas, terapêuticas e pedagógicas, bem como da implementação de estratégias eficazes de criação e acesso de símbolos, estas ferramentas tecnológicas são efetivamente transformadas em poderosos meios de comunicação. O conceito central da CSA gira em torno da ideia de que a comunicação pode ir além da fala verbal, abrangendo várias formas, como sinais não-verbais, linguagem escrita, gestos simbólicos, recursos visuais e até voz sintetizada assistida por tecnologia, permitindo uma interação significativa. Segundo Carvalho et al (2020), a comunicação é um aspecto essencial da existência humana. Para atender às necessidades de indivíduos com distúrbios de comunicação, a comunicação suplementar e/ou alternativa (CSA) emergiu como uma área crucial da tecnologia assistiva. Esses transtornos são 14 caracterizados por dificuldades na produção e/ou compreensão da comunicação escrita e falada. Carvalho et al (2020) descobriram que apesar da disponibilidade de tecnologia, inúmeras barreiras ainda impedem os indivíduos de acessar tanto recursos de baixa tecnologia, como placas de comunicação, quanto recursos mais avançados, como adaptações de computador. A falta de disponibilidade pode ser atribuída ao alto custo dos serviços e recursos, bem como à falta de conscientização dos usuários, familiares e profissionais. O impacto da experiência em comunicação suplementar e/ou alternativa, bem como da presença de profissional especialista em comunicação, como fonoaudiólogo, no sucesso e na qualidade da implementação foi reconhecido pelos autores. Observaram que o apoio fonoaudiológico não só estimula a linguagem do paciente, mas também capacita e qualifica os demais profissionais envolvidos no cuidado. Os resultados ressaltaram a importância da colaboração multidisciplinar, que por sua vez afeta a eficácia da implementação da comunicação suplementar e/ou alternativa (CARVALHO et al, 2020). Em estudo realizado por Chun (2010), foi examinada a utilização da Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) em indivíduos com afasia. Os resultados revelaram que a CSA facilita processos distintos de significado. No geral, os resultados demonstraram que a CSA melhorou o envolvimento dos participantes em diversas situações discursivas e desempenhou um papel na melhoria da qualidade geral das interações linguísticas e sociais dentro do grupo sob investigação. Parece que a CSA não só promove o desenvolvimento da linguagem nos seus aspectos multifacetados, mas também serve como um valioso auxílio visual para indivíduos com afasia. Em seu estudo sobre intervenção em afasia por meio de Comunicação Suplementar e/ou Alternativa, Franco e colegas (2015) forneceram uma explicação sobre a intervenção fonoaudiológica. Destacaram o uso da Comunicação Suplementar e/ou Alternativa como uma abordagem benéfica para indivíduos com afasia, melhorando suas habilidades de comunicação. Ao combinar os resultados de Chun (2010) e Franco et al. (2015), ficou evidente que 15 a CSA é necessária nos casos de afasia e oferece vantagens em ambos os casos, ressaltando sua importância para os pacientes. Segundo Franco e cols. (2015), Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) refere-se à utilização de métodos não-verbais de comunicação como meio de aprimorar ou substituir a linguagem oral. No caso de indivíduos com afasia, o uso da CSA normalmente serve como ferramenta complementar, beneficiando tanto a eficácia da comunicação do usuário quanto o seu processo de reabilitação. Bahia (2014) explorou as consequências da utilização de métodos de comunicação suplementares e/ou alternativos para indivíduos com afasia não fluente. O estudo constatou que a implementação da CSA pode ampliar as capacidades linguísticas dos indivíduos com afasia, levando a transformações na interação e nos relacionamentos sociais. Em última análise, isso incentiva um maior envolvimento e participação desses indivíduos. A implementação da CSA provou ser altamente benéfica no reforço do envolvimento e envolvimento de indivíduos dentro do grupo. Isto, por sua vez, teve um impacto positivo nas suas capacidades linguísticas e nas interações sociais. Esses achados são consistentes com estudos anteriores que também enfatizaramos efeitos positivos da CSA nos aspectos cognitivos e psicológicos, levando, em última análise, à melhoria das habilidades de comunicação e ao aumento da participação nas atividades diárias (Bahia, 2014). Independentemente da gravidade da sua afasia, todos os indivíduos podem beneficiar do uso da CSA. Galli et al. (2009) realizaram um estudo que destacou as inúmeras vantagens da CSA, incluindo maior autonomia, qualidade de comunicação e eficácia, desempenhando assim um papel crucial no processo de reabilitação. Segundo Bahia e Chun (2014), no acompanhamento da afasia na Fonoaudiologia é fundamental avaliar as condições de produção discursiva, seja ela oral ou não oral. Este exame deve levar em conta diálogos e narrativas numa perspectiva dialógica e contextualizada, ao mesmo tempo que considera o papel do sujeito social na (re)constituição da sua linguagem. 16 Em estudo realizado por Ferreira et al. (2011) sobre a evolução da comunicação alternativa na pragmática de adultos com autismo, o objetivo principal foi descrever o impacto da utilização simultânea de dois métodos de comunicação alternativa - Fala Sinalizada e Símbolos de Comunicação por Troca de Figuras (PECS) - na expansão da comunicação pragmática. habilidades de um adulto com autismo. Alguns indivíduos com autismo necessitam do apoio de métodos alternativos de comunicação para interagir e comunicar de forma eficaz. Esses métodos, sejam alternativos ou complementares, facilitam a comunicação ao integrar símbolos, recursos, estratégias e técnicas. Os resultados do estudo indicam que houve um progresso notável no perfil de comunicação pragmática quando os dois métodos alternativos de comunicação foram usados em conjunto, como evidenciado pelo aumento das interações sociais entre os indivíduos. A pesquisa conduzida por Montenegro et al (2021) concentrou-se em examinar o papel da comunicação alternativa na progressão das habilidades de comunicação em crianças com diagnóstico de transtorno do espectro do autismo. O estudo teve como objetivo ilustrar como a implementação de um sistema sofisticado de comunicação alternativa pode influenciar positivamente o desenvolvimento de habilidades comunicativas em crianças com TEA. As conclusões do estudo forneceram evidências do impacto significativo da CSA nas crianças com TEA, particularmente na melhoria das suas capacidades de interação social e na qualidade geral da comunicação. A utilização da CSA em indivíduos com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem um objetivo claro: fornecer meios alternativos de comunicação e potencializar suas interações sociais. O objetivo final é capacitar esses indivíduos para expressarem suas preferências, desejos e emoções, facilitando assim uma aprendizagem mais eficaz e promovendo a autonomia. Isto foi apoiado pelos resultados dos estudos conduzidos por Montenegro et al. (2021) e Ferreira et al. (2011). 17 Em um estudo recente realizado por Assef e colegas (2021), o foco esteve na população idosa e na sua utilização de Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) em relação às suas atividades diárias. As conclusões deste estudo indicam que a CSA é uma grande promessa ao permitir que os indivíduos expressem os seus desejos e vontades com maior independência. Os autores enfatizam a importância da comunicação como componente vital da interação social, destacando que sem ela os indivíduos perdem um grau significativo de autonomia na expressão das suas emoções e preferências. O uso da CSA demonstrou ter um impacto positivo em indivíduos com necessidades complexas de comunicação. O impacto positivo da Comunicação Suplementar e/ou Alternativa no desenvolvimento, relacionamento e aprendizagem de indivíduos com Em um estudo separado, Andrade et al. (2014) exploraram o uso da comunicação suplementar e/ou alternativa na abordagem da morfossintaxe em adolescentes com síndrome de Down. O estudo destacou a expansão mais lenta do vocabulário observada em crianças com síndrome de Down em comparação com crianças com desenvolvimento típico, bem como os desafios que enfrentam na combinação de palavras e no domínio de regras morfossintáticas, que impactam diretamente a estrutura das frases. Os resultados demonstraram que a incorporação da CSA nas intervenções fonoaudiológicas para adolescentes com síndrome de Down mostrou-se uma ferramenta eficaz para melhorar as habilidades morfossintáticas. Além disso, facilitou o uso de estruturas frasais e a incorporação de elementos com funções sintáticas, como conjuntos e preposições, que muitas vezes são desafiadores para indivíduos com síndrome de Down. 18 necessidades complexas de comunicação é uma conclusão bem estabelecida. A CSA serve como um caminho que vai além da fala, proporcionando vantagens significativas ao indivíduo. 19 COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA Em contextos de comunicação face a face, comunicação alternativa refere-se a qualquer meio de comunicação que não envolva discurso verbal. Indivíduos que não conseguem falar podem utilizar formas alternativas de comunicação, como sinais gestuais e gráficos, código Morse, escrita e muito mais. A comunicação complementar ou de apoio é abrangida pela comunicação aumentativa. O termo "aumentativo" enfatiza o duplo propósito de ensinar métodos alternativos de comunicação: melhorar e reforçar a fala e, ao mesmo tempo, garantir um meio alternativo de comunicação se a fala não for adquirida. O conceito de comunicação assistida abrange a utilização de diversos métodos de comunicação que envolvem a utilização de ferramentas ou instrumentos externos, como computadores, mesas de comunicação e dispositivos equipados com fala digitalizada, para expressar a linguagem. Os sistemas de comunicação que envolvem assistência dependem de símbolos que necessitam do uso de ajudas técnicas ou outras formas de suporte, como papel, lápis e quadros de comunicação. Nestes sistemas, os símbolos não são gerados, mas sim escolhidos, necessitando sempre do auxílio de ferramentas técnicas para transmitir mensagens. Exemplos de tais ferramentas incluem bandejas de A comunicação aumentativa é também definida como um meio facilitador do desenvolvimento da fala e/ou das competências cognitivas e de comunicação necessárias para a aquisição da linguagem. 20 comunicação e quadros com símbolos pictográficos, bem como digitalizadores. Os indivíduos que necessitam de um sistema de comunicação alternativa podem ser divididos em três categorias distintas: crianças, adultos e aqueles que necessitam de comunicação alternativa ou aumentativa. É importante reconhecer as disparidades significativas que existem entre estes grupos. 1. Indivíduos que têm dificuldade em compreender a linguagem e articular os seus pensamentos e, portanto, necessitam de uma forma alternativa de comunicação. 2. Servindo como forma complementar de comunicação, não se alinha a um estado fixo, nem suplanta a expressão verbal, mas antes incentiva a sua utilização. 3. As circunstâncias ao longo da vida de certos indivíduos exigem o uso de uma língua alternativa, resultando numa dependência limitada ou nula da comunicação falada para a interação interpessoal. Também é possível distinguir três grupos para definir a população que necessita de formas alternativas de comunicação: 1. Linguagem expressiva – refere-se aos indivíduos que compreendem a linguagem oral, mas que apresentam dificuldades na fala devido a problemas fona articulatórios, devendo por isso recorrer a outras formas de comunicação. 2. Linguagem de apoio – estão os indivíduos com atraso no desenvolvimento da fala, que apresentam dificuldades, como paralisia cerebral,Síndrome de Down e outros, que pode utilizar os recursos alternativos de comunicação temporariamente, apenas servindo de “trampolim” para alcançá-la. 3. Linguagem alternativa – engloba os indivíduos que pouco ou nada comunicam através da fala, como autistas, pessoas com deficiência mental severa, surdos. Nestes casos é necessária comunicação alternativa para ajudar a atenuar essa dificuldade. 21 Quando um indivíduo carece de qualquer outro meio de comunicação, sua comunicação é categorizada como alternativa. Por outro lado, se o indivíduo possui alguma forma de comunicação mas esta é inadequada para manter ligações sociais e participar em trocas, a sua comunicação é considerada alargada. Vários sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa estão acessíveis no mercado, proporcionando aos profissionais de educação e saúde a escolha de recursos de baixa ou alta tecnologia. Meios de comunicação acessíveis, conhecidos como Recursos de Baixa Tecnologia, são utilizados quando a linguagem falada não está disponível. Esses recursos abrangem uma variedade de métodos, incluindo gestos manuais, expressões faciais, código Morse e sinais gráficos, como escrita, desenhos, gravuras e fotografias. Além disso, sistemas como o Bliss Symbol System, Pictogram Ideogram Communication System (PIC) e Picture Communication Symbols (PECS) podem ser empregados. Esses sistemas utilizam símbolos que podem ser exibidos em quadros, painéis, carteiras ou outros formatos acessíveis aos usuários. O Sistema de Comunicação Bliss, foi criado e estudado por Charles Bliss, tendo sido desenvolvido com o objetivo de ser utilizado como sistema de comunicação internacional; O Sistema de Comunicação PIC (Pictogram Ideogram Communication), designado em português por pictogramas, teve origem no Canadá, sendo concebido em 1980 por um terapeuta da fala chamado Subhas Maraj; O Sistema de Comunicação SPC, Símbolos Pictográficos para a Comunicação é de origem americana (PECS, Picture Communication Symbols), concebido pela terapeuta da fala, Roxana Mayer Johnson, em 1951. . 22 SISTEMAS AUMENTATIVOS E ALTERNATIVOS DE COMUNICAÇÃO Segundo Soro-Camats (2013), ao considerar o uso da CSA, não basta considerar apenas os indivíduos que não conseguem utilizar a comunicação verbal. Em vez disso, a ênfase deve estar na identificação dos indivíduos com quem a CAA pode ser utilizada de forma eficaz. Uma vez determinado isso, técnicas e estratégias adequadas podem ser definidas para cada caso específico. De acordo com Rosell e Basil (1998), gestos que são comumente usados como meios naturais de comunicação possuem um valor significativo nos estágios iniciais de intervenção e são normalmente utilizados em conjunto com sistemas de comunicação mais abrangentes e intrincados. É crucial reconhecer que estes gestos precisam de ser cultivados em indivíduos, especificamente crianças e jovens, que têm Necessidades Complexas de Comunicação. Ao lado desses gestos, existem também os SAAC idiossincráticos, que são tipicamente desenvolvidos por indivíduos com déficits de comunicação e servem como meio de comunicação com os familiares. Por exemplo, uma criança pode fechar os olhos com força para indicar sonolência ou mover repetidamente a mão para solicitar a continuação de uma atividade (Rosell; Basil, 1998). Para apoiar e melhorar eficazmente um sistema de comunicação mais complexo, é imperativo defender e fortalecer estes gestos. Isto é particularmente importante quando se consideram intervenções de comunicação aumentativa. Os sistemas de comunicação assistida, que necessitam da utilização de meios físicos ou tecnológicos para transmitir mensagens, merecem a nossa atenção. Estas ajudas podem assumir a forma de sinais tangíveis, como objetos ou miniaturas que simbolizam a comunicação pretendida (Rosell; Basil, 1998), ou sinais gráficos. No caso dos sinais gráficos, os indivíduos contam com diversos dispositivos, incluindo placas de comunicação, cadernos de comunicação, dispositivos eletrônicos ou mesmo computadores. 23 Ao comunicar as necessidades e desejos de uma criança, o uso de símbolos tangíveis pode ser altamente eficaz. Por exemplo, uma criança faminta pode entregar um babador ao interlocutor, enquanto uma criança que deseja passear pode presentear um carro em miniatura. Os sinais tangíveis são particularmente benéficos para crianças que enfrentam desafios como transtorno do espectro do autismo, deficiência visual, dificuldades intelectuais graves, deficiência motora e dificuldades de compreensão da linguagem. Este método é especialmente útil para crianças que têm dificuldade em aprender gestos, mas têm capacidade de manipular objetos (Rosell; Basil, 1998). Uma menção adicional deve ser feita aos Sistemas Pictográficos, que consistem em desenhos lineares simples, menos complexos e neutros em comparação com as imagens. Estes sistemas são altamente icónicos, tornando- os facilmente memoráveis para crianças com deficiência motora, que são o principal público-alvo. Outros SAAC que merecem destaque incluem o sistema de comunicação de troca de figuras conhecido como PECS, o Sistema Bliss (Sinais Gráficos), o Sistema Rebus, o Sistema PIC (Pictogramas), o Sistema SPC (Símbolos Pictográficos para Comunicação) e o Sistema Picsyms Widgit. (Comunique-se com símbolos). Sistema De Comunicação Por Troca De Figuras - Pecs PECS é um sistema de comunicações alternativo/aprimorado exclusivo desenvolvido nos Estados Unidos em 1985 por Andy Bondy e Lori Frost. O PECS foi implementado pela primeira vez em um programa de autismo de Delaware com crianças pré-escolares diagnosticadas com autismo. Desde então, o PECS foi implementado com sucesso em todo o mundo com milhares de estudantes de todas as idades com diversas dificuldades cognitivas, físicas e de comunicação (Barbosa; Dutra, 2022). O protocolo de ensino PECS é baseado no livro Verbal Behavior and Broad-Spectrum Applied Behavior Analysis de B.F. Skinner. Estratégias específicas de estimulação e reforço que levam à comunicação independente 24 foram utilizadas ao longo do protocolo. O protocolo também inclui procedimentos sistemáticos de correção de erros para promover o aprendizado quando ocorrem erros. Sem o uso de dicas verbais, estabeleça uma ativação imediata e evite a dependência. O PECS consiste em seis etapas que primeiro ensinam um indivíduo a fornecer uma única imagem de um item ou ação desejada a um “parceiro de comunicação” que imediatamente atende à solicitação de troca. O sistema continua ensinando a identificação de números e como combiná-los em frases. Em estágios mais avançados, os indivíduos aprenderão como usar o iniciador, responder perguntas e comentar. O objetivo principal do PECS é ensinar comunicação funcional (Barbosa; Dutra, 2022). Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, é explicado o PECS como uma alternativa excelente para muitos dos casos de pessoas com Autismo que são não-verbais.. Comunicação Alternativa Robusta e o PECS no Autismo Não-Verbal. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=R2PdkbXx-Sk. Acesso em 06 de julho de 2024. . 25 Figura 2 - As seis fases do PECS Fonte: https://pecs-brazil.com, 2024. Os personagens PCS são símbolos gráficos de comunicação que representam sentimentos, objetos, ações, lugares e pessoas. Cada personagem tem o que representa escrito na parte superior, e é laminado e preso com velcro para que o usuário possa fixá-los no álbum. Diferentemente do PECS original com 6 etapas, o PECS adaptado possui apenas 5 etapas conforme descrito abaixo (Walter; Nunes; Togashi, 2011): 26 Etapa 1 (troca de figuras com assistência máxima): Nestaetapa, quando os alunos virem o professor segurando algo que lhes interessa, deverão pegar a figura de forma independente e entregá-la ao professor. Fase 2 (aumentar a espontaneidade): Na segunda fase, o aluno deve pegar o gráfico desejado na lousa ou no álbum de comunicação, caminhar em direção ao objeto que contém o que deseja e solicitá-lo espontaneamente e de forma autônoma. . Fase 3 (Personagens Distintivos): Na Fase 3, os alunos deverão escolher entre outros personagens do quadro ou do álbum de comunicação, caminhando até a pessoa que possuirá o objeto de sua preferência. O objeto desejado pode ou não estar próximo do aluno. Esta fase é dividida em duas etapas, sendo que na etapa 3 B o valor será reduzido em dois centímetros e dois centímetros. Etapa 4 (Construção de Frases Simples): Nesta etapa o aluno deverá solicitar o item que deseja, esteja ele no ambiente ou não. Além disso, você deve expressar seus sentimentos por meio de frases ilustradas que aparecerão com destaque no álbum da sua newsletter e de forma que permita formar frases. O PECS-Adaptado pode ser utilizado por familiares, professores e profissionais clínicos em diversos ambientes, pois permite a portabilidade do sistema - as pessoas carregam seus próprios álbuns de comunicação, o que facilita o processo de comunicação com seus interlocutores (Walter; Nunes; Togashi, 2011). Sistema Alternativo De Comunicação Bliss Charles Bliss desenvolveu o sistema de comunicação alternativa Bliss como um meio de estabelecer uma linguagem universal que seja simples de adquirir e utilizar. Composto por 100 símbolos fundamentais, esses sinais podem ser combinados de diversas maneiras para gerar aproximadamente 2.500 símbolos distintos. Esses símbolos apresentam desenhos lineares, altamente 27 simplificados, pictóricos, ideográficos ou arbitrários, permitindo a criação de novas palavras baseadas em hieróglifos conceituais. Além disso, o sistema incorpora técnicas gráficas de incorporação de partículas e modificações, superando as limitações da comunicação telegráfica. Temos assim uma estrutura composta por linhas pretas sobre fundo branco, constituída por símbolos geométricos fundamentais com essência pictórica e ideográfica. Esses símbolos podem ser organizados em gráficos de comunicação, seguindo regras sintáticas, para transmitir ideias simples e complexas. Este sistema possui uma natureza fluida, permitindo a representação de ideias abstratas. O significado de cada símbolo é adquirido através da compreensão da lógica abrangente que governa o sistema. Existem vários métodos para utilizar este sistema como meio de autoexpressão, incluindo declarações diretas, frases intrincadas e mensagens telegráficas concisas. A proficiência do usuário e o contexto de comunicação determinam o nível em que ele se envolve com o sistema. As condições frequentemente enfatizadas pelos autores para alcançar o sucesso na aprendizagem do Bliss incluem: (I) a capacidade de discriminação visual; (II) capacidades cognitivas ao nível das operações concretas; e (III) compreensão auditiva boa ou moderada. A capacidade de discriminar visualmente é crucial para distinguir entre símbolos de diversos tamanhos, configurações e orientações. As capacidades cognitivas, especificamente aquelas associadas ao desenvolvimento pré- operatório ou às primeiras operações concretas, desempenham um papel significativo. Por último, ter compreensão auditiva proficiente ou satisfatória é essencial para o processamento auditivo. A capacidade de discriminação visual é importante para se diferenciar a dimensão, a configuração e a orientação dos símbolos. As capacidades 28 cognitivas nomeadamente encontrar-se no último nível do desenvolvimento pré- operatório ou das primeiras operações concretas. Quanto à audição é importante haver boa ou moderada compreensão auditiva. O sistema Bliss apresenta-se como um meio de comunicação ideal para crianças e jovens com necessidades educativas especiais (NEE) que carecem de linguagem oral. Seus símbolos são projetados para serem facilmente compreendidos e lembrados, tornando-se uma opção viável para crianças que podem ter dificuldades com a ortografia convencional, mas possuem a capacidade de adquirir um amplo vocabulário. Isto inclui indivíduos com paralisia cerebral (PC) que demonstram fortes capacidades intelectuais, mas enfrentam desafios na fala e na leitura. 29 SISTEMA REBUS Woodcock et al. (1969), conforme citado por Rosell e Basil (1998), desenvolveram o sistema Rebus Reading Series como uma ferramenta para indivíduos com deficiências intelectuais e de desenvolvimento leves adquirirem habilidades de leitura. Em 1979, Jones expandiu ainda mais a sua aplicação para incluir a comunicação alternativa. Semelhante ao Bliss, este sistema consiste em símbolos hieroglíficos, totalizando aproximadamente 950, que podem ser combinados entre si, com palavras ou com letras para formar novas palavras. Segundo Rosell e Basil (1998), os pictogramas possuem um alto nível de iconografia, tornando-os facilmente compreensíveis e memoráveis para inúmeras crianças. Essas representações visuais foram criadas especificamente para melhorar a comunicação de indivíduos com deficiência motora e seu léxico é adaptável a diversas classificações gramaticais. Fotocopiar, cortar e integrar diversas tecnologias assistivas são opções viáveis para a utilização desses pictogramas. 30 SISTEMA PIC (PICTOGRAMAS) No Canadá, Maharaj (1980), fonoaudiólogo, desenvolveu o sistema PIC, também conhecido como pictogramas. Com um total de 800 símbolos, apenas metade deles foi traduzida para o português. Este sistema é amplamente utilizado nos países nórdicos e em Portugal. A intenção por trás dessas ilustrações é criar figuras brancas sobre um fundo preto, acompanhadas de texto branco. Esta escolha de design baseia-se na crença de que esta apresentação visual será mais acessível para crianças com desenvolvimento cognitivo limitado ou com dificuldades de percepção visual. Para facilitar a compreensão de quem não conhece o sistema, a palavra escrita está posicionada na parte superior. Esses pictogramas, conhecidos como PIC, têm semelhanças com símbolos gráficos padronizados comumente vistos na comunidade, como placas de cafés, restaurantes ou hotéis ao longo de rodovias. Esta qualidade aumenta a sua eficácia como ferramentas de comunicação. Segundo Gonçalves (2011), os símbolos representam objetos ou situações que podem ser simplificados utilizando características altamente icônicas. Os vários pictogramas são categorizados com base em temas específicos, incluindo pessoas, partes do corpo, roupas e itens pessoais, casa, banheiro, cozinha, comida e guloseimas. Estes símbolos são particularmente benéficos para crianças com deficiência visual, uma vez que o símbolo branco no preto fornece um nível mais alto de contraste. Este contraste ajuda a aliviar quaisquer desafios na distinção entre a imagem e o seu fundo. Para enfrentar este desafio, Von Tetzchner e Martinsen (2000) propõem a integração gradual de sistemas de sinalização alternativos que proporcionam melhores oportunidades. Além disso, os custos de fotocópia são elevados devido aos símbolos representados em um fundo preto. A principal desvantagem deste sistema reside na sua capacidade limitada de gerar novos significados através da combinação de símbolos, que também são difíceis de desenhar, impedindo assim a eficácia dos profissionais. 31 SÍMBOLOS PICTOGRÁFICOS PARA A COMUNICAÇÃO (SPC) Criado por Roxana Mayer Johnson em 1981, o sistema SPC apresenta uma linha preta ousada contra um fundo branco imaculado. Este sistema inovador foi traduzidopara 12 idiomas distintos, incluindo o português. Dentro desta linguagem, existem impressionantes 3.200 sinais disponíveis em formatos impressos e informatizados. Esses sinais podem ser acessados através da biblioteca de símbolos Boardmaker, que é compatível com os sistemas operacionais Macintosh e Windows. Para melhorar a compreensão da estrutura das frases e o impacto potencial no significado, os símbolos são organizados em seis categorias distintas e organizados de acordo com o sistema codificado por cores de Fitzgerald. Este sistema atribui amarelo às pessoas, verde aos verbos, azul aos adjetivos, laranja aos substantivos, branco aos diversos e rosa aos sociais. Segundo diversos autores, o sistema de Comunicação por Apontamento Simbólico (SPC) pode ser utilizado tanto por crianças que necessitam de linguagem simples e frases curtas, quanto por aquelas que necessitam de um vocabulário mais amplo e estruturas de frases mais complexas. O sistema SPC é incrivelmente adaptável, capaz de evoluir junto com as necessidades de comunicação de seus usuários. Devido à sua versatilidade e aplicabilidade em todas as faixas etárias, tornou-se um dos sistemas mais utilizados entre os indivíduos que dependem da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) em todo o mundo. Este sistema provou ser excepcionalmente benéfico para indivíduos com diversas deficiências, incluindo afasia, apraxia, transtorno do espectro do autismo, deficiência intelectual e paralisia cerebral. Segundo Von Tetzchner e Martinsen (2000), não há exigência de aderir apenas a um único sistema, razão pela qual apoiam a ideia de combinar vários sistemas de símbolos visuais. Em termos práticos, se as limitações dos pictogramas PIC ou SPC se tornarem evidentes para os utilizadores, podem ser introduzidos sinais mais complexos para melhorar o seu progresso. 32 Como referido o SPC pode ser potenciado por meio da utilização de um software específico, que possibilita a execução rápida e simples de tabelas e quadros de comunicação ou a utilização desses símbolos, com um conjunto de programas de comunicação existentes no mercado, sendo exemplo o programa Speaking Dinamically, o qual, é de fácil manuseamento e possibilita criar muitas atividades interativas educacionais e de comunicação com acessibilidade total, bem como pranchas de comunicação interligadas, com funções programáveis nas suas células. Esta função permite interligar as pranchas entre si (como links das páginas da Internet), fazendo com que uma célula/tecla abra uma nova prancha temática, no ecrã do computador. O mesmo autor refere ainda que o programa Speaking Dinamically tem mais de cem funções programáveis, que possibilitam escrever e editar textos na área de mensagem, abrir programas, exibir filmes e reproduzir arquivos de som, fala e música. 33 SISTEMA PICSYMS WIDGIT (COMUNICAR COM SÍMBOLOS) Em 1980, Carlston e James introduziram o sistema Picsyms Widgit, que compartilha semelhanças com outros sistemas de sinalização. Seu principal objetivo é atingir um alto nível de Iconicidade e, ao mesmo tempo, manter a flexibilidade para acomodar efetivamente os indivíduos que dependem do SAAC para o desenvolvimento do idioma. A mão humana pode facilmente replicar os sinais, que são derivados de uma grade padronizada. Os criadores desses signos compilaram meticulosamente um manual composto por aproximadamente 840 signos, cada um acompanhado de uma explicação concisa, instruções para reprodução e orientações sobre como gerar novos signos. Dado o impacto da competência dos utilizadores e das estratégias utilizadas pelos seus círculos sociais na emergência comunicativa, torna-se crucial aprofundar este assunto. Explorar especificamente o papel da comunicação aumentativa e alternativa na interação com crianças e jovens com necessidades educacionais especiais que não possuem habilidades de linguagem oral. A grande vantagem deste sistema consiste na possibilidade de criar facilmente signos para as necessidades específicas dos utilizadores e ser bastante útil como um sistema de introdução ao processo de desenvolvimento de leitura e da escrita. 34 REFERENCIAS AMERICAN PSYCHIATRY ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-V-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023. ASSEF, Carolina Avance; GARROS, Danielle dos Santos Cutrim; OLIVEIRA, Jáima Pinheiro de; ROCHA, Aila Narene Dahwache Criado. Comunicação suplementar e alternativa na população idosa e sua relação com as atividades de vida diária. 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