Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Estomatite Vesicular – Bovinos e Equinos 
 INTRODUÇÃO 
 
A Estomatite Vesicular é uma doença infecciosa aguda causada por vírus (família 
Rhabdoviridae, gênero Vesiculovirus) que acomete animais ungulados e biungulados, 
em especial equinos, bovinos e suínos, mas também pode acarretar patologia em 
espécies de mamíferos silvestres (há indícios de que possam ser reservatórios 
naturais) e no homem, sendo, portanto, uma zoonose. Ovinos e caprinos são 
considerados relativamente mais resistentes, raramentre demonstrando sinais 
clínicos. 
 
ETIOLOGIA E TRANSMISSÃO 
 
O vírus em questão possui forma de projétil e seu comprimento varia de 100 a 430 
nanômetros, enquanto o diâmetro vai de 45 a 100 nanômetros (DE STEFANO et al., 
2002). É formado por 5 polipeptídeos principais, denominados L, G, N, NS e M com o 
ácido nucleico constituído por uma molécula linear de ácido ribonucleico de fita 
simples com polaridade negativa; o nucleocapsídeo possui simetria helicoidal e é 
arrodeado por uma camada lipoproteica, em que saem projeções de 5 a 10 
nanômetros e que formam a glicoproteína viral (MURPHY et al., 1995). Segundo DE 
STEFANO et al., 2002, essa região é a responsável pela interação com as células 
suscetíveis e na neutralização e diferenciação de sorotipo viral. Há dois tipos de vírus 
da Estomatite Vesicular imunologicamente distintos, classificados como New Jersey 
(NJ) e Indiana (Ind) (ALONSO FERNANDES & SONDHAL, 1985). De acordo com 
FEDERER et al., 1967, este último sorotipo apresenta ainda três subtipos com 
características antigênicas distintas, sendo eles: Indiana I (amostra clássica), Indiana II 
(Cocal e Argentina) e Indiana III (Alagoas). Além disso, há possibilidade de que os 
ciclos dos dois sorotipos sejam diferentes pois o Ind foi mais observado em animais 
silvestres arbóreos e semi-arbóreos (DE STEFANO et al., 2002) , enquanto TESH et al. 
(1969) demonstraram taxa de anticorpos mais elevada nestas espécies do quem em 
silvestres terrestres. Os animais infectados liberam o vírus no ambiente por meio de 
secreções e excreções, a exemplo da saliva e líquido vesicular, disseminando a 
infecção para outros animais suscetíveis pelo contato com a pele e mucosas 
lesionadas. Além disso, insetos hematófagos podem transmitir o vírus enquanto se 
alimentam, especialmente mosquitos do gênero Lutzomyia e moscas da família 
Simuliidae. 
 
SINAIS CLÍNICOS E PATOGENIA 
 
Quanto aos sinais clínicos, após um período de incubação de 24 a 72 horas, 
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B37_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B3_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B15_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B55_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B55_ref
primeiramente costuma haver salivação excessiva. As lesões características são 
vesículas esbranquiçadas nos lábios, narinas, cascos, tetos e na boca. Segundo 
LETCHWORTH et al., 1999, as lesões nos tetos acometem 2 a 10% das vacas, além de 
muitos animais biungulados apresentarem lesões no espaço interdigital e coroa do 
casco, que cicatrizam completamente em duas a três semanas. A febre costuma 
aparecer junto das vesículas ou um pouco antes. Após o rompimento das vesículas, os 
animais apresentam úlceras e erosões que podem causar anorexia, rejeição de bebida 
e claudicação. Entretanto, estudos demonstram que ao expor bovinos a aerossóis do 
vírus, não se formam vesículas na língua, lábios e mucosa bucal, e sim anticorpos 
neutralizantes; lesões vesiculares somente foram obtidas inoculando-se o vírus por via 
intradérmica ou subcutânea, na língua ou gengiva ou esfregando material contaminado 
na mucosa com abrasões (HANSON, 1952; JOHNSON et al., 1969), sugerindo que a 
penetração do vírus não ocorre em pele íntegra (KNIGHT & MESSER, 1983). A formação 
das vesículas que evoluem para úlceras acontecem devido à replicação do vírus nas 
células epiteliais da mucosa oral, língua, gengiva, lábios e tetos. Essa replicação viral 
causa degeneração celular e acúmulo de líquido seroso entre as camadas epiteliais, 
formando vesículas esbranquiçadas. Em seguida, a pressão interna das vesículas 
aumenta devido ao líquido formado, rompendo-as e expondo o tecido subjacente. 
Após o rompimento, surgem úlceras e erosões dolorosas que dificultam a alimentação 
e a locomoção. Ademais, o processo inflamatório com presença de neutrófilos, 
macrófagos e linfócitos gera a dor, salivação intensa e a febre. De acordo com ACHA & 
SZYFRES, 1986, a incidência da doença pode variar consideravelmente nos rebanhos 
afetados, sendo geralmente inaparente com somente 10-15% dos animais afetados 
apresentando sinais clínicos. A mortalidade é muito baixa em bovinos e equinos, 
sendo espécimes com menos de um ano de idade dificilmente afetadas de acordo com 
a Organização Mundial de Saúde Animal. Entretanto, suínos afetados pela variante 
imunológica New Jersey possuem alta taxa de mortalidade (OMSA, 2000). 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 
Em relação à epidemiologia, trata-se de uma enfermidade restrita às Américas, 
ocorrendo nos Estados Unidos, México, América Central e América do Sul. ACHA & 
SZYFRES, 1986, constataram que a Estomatite Vesicular possui ocorrência sazonal, 
ocorrendo no verão em climas temperados e imediatamente após as chuvas em climas 
tropicais. DE STEFANO et al., 2002, ao comparar os trabalhos de JOHNSON et al., 1969 
e TESH et al., 1970, verificou que ambos compartilham a hipótese de que o vírus 
supracitado seja um vírus de planta que sofre modificação ao ser ingerido por insetos 
que se alimentam destas, passando assim o vírus para outras plantas e animais que se 
alimentassem das plantas ou fossem picados pelos insetos, explicando a alta 
morbidade em determinadas regiões, especialmente em períodos de maior 
proliferação de vegetação, além da distribuição irregular da doença. No Brasil, surtos 
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B32_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B20_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B27_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B29_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B1_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B1_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B1_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B1_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B27_ref
https://www.scielo.br/j/aib/a/rMhC8QS3Pkjk8rXmyZwYnjM/?lang=pt#B56_ref
foram documentados desde 1964 com circulação do sorotipo Indiana, sendo os 
subtipos identificados Cocal e Alagoas (OLIVEIRA et al., 2023). Este primeiro caso foi 
relatado após análise de amostra de epitélio oral de equinos doentes no estado de 
Alagoas, com o subtipo que leva seu nome. Outros casos ocorreram em diferentes 
estados como São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Santa Catarina, Sergipe envolvendo 
também o subtipo Cocal. Ocorrências do New Jersey não foram verificadas devido à 
prevalência em clima temperado, divergindo do clima tropical brasileiro. 
 
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS E MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 
 
A Estomatite Vesicular apresenta sinais clínicos semelhantes a doenças vesiculares 
em bovinos, sendo a principal a Febre Aftosa. O cuidado é essencial pois de acordo 
com a Organização Mundial de Saúde Animal, o Brasil é totalmente livre da Febre 
Aftosa com vacinação desde 2018 e sem vacinação desde 2025. Pelos sinais clínicos 
idênticos, a diferenciação só é feita pelo isolamento viral ou PCR. Em regiões com 
presença de animais biungulados e equinos na mesma propriedade, observa-se se os 
equinos ficarão doentes ou não para auxiliar nessa diferenciação, uma vez que a Febre 
Aftosa apenas acomete biungulados. Outras doenças em bovinos também classificam 
diagnóstico diferencial para Estomatite Vesicular, incluindo a EstomatiteNecrótica (ou 
difteria dos terneiros), caracterizada por úlceras profundas e amareladas na cavidade 
oral, com odor fétido; Diarreia Viral Bovina, que causa erosões e úlceras não apenas na 
boca, mas por todo o trato digestivo e Dermatite Digital Bovina, que causa lesões 
ulcerativas nos cascos. Nos equinos, o Herpesvírus equino constitui um diagnóstico 
diferencial, uma vez que pode causar lesões vesiculares ou ulcerativas na mucosa oral 
e a Arterite Viral Equina, que causa febre, edema e afecções respiratórias, podendo 
também apresentar úlceras na mucosa bucal. Em ambas as espécies, traumatismos 
mecânicos, intoxicações e queimaduras térmicas e químicas que causem lesões 
vesiculares e úlceras também podem ser confundidas com a Estomatite Vesicular, 
sendo essencial análise do histórico clínico e anamnese bem feitas, além da 
realização de testes diretos e sorológicos. Os testes diretos detectam a presença do 
vírus, podendo ser através do isolamento viral, onde há inoculação em cultivo celular, 
ovos embrionados ou camundongos lactentes (incluindo método intracerebral em 
jovens), utilizando amostras de secreções orofaríngeas, fluídos vesiculares, epitélio 
oral e podal. Pode-se fazer a virusneutralização, onde se mistura vírus com soro e 
observa-se a neutralização em células, a partir de amostra de soro sanguíneo ou 
material das lesões. O ELISA (ensaio imunoenzimático ligado a enzimas) 
imunoenzimático pode ser feito com o mesmo tipo de amostra usado na 
virusneutralização, bem como para teste de fixação de complemento baseado em 
reação sorológica para identificar antígenos virais. Este primeiro constitui um ensaio 
para detectar antígenos virais e é rápido e muito aplicável na rotina. Já o RT-PCR 
(reação em cadeia de polimerase por transcriptase reversa) em tempo real baseia-se 
na amplificação do RNA viral, utilizando secreções orofaríngeas, fluído vesicular e 
fragmentos de epitélio. É considerado mais sensível que o isolamento, mas detecta 
apenas o RNA, e não o vírus vivo. Quanto aos testes de detecção de anticorpos, há o 
ELISA de bloqueio ou competição, caracterizado como ensaio enzimático para 
anticorpos específicos, utilizando soro sanguíneo e realizado como triagem rápida. A 
neutralização pode ser realizada para avaliar a capacidade do soro em neutralizar o 
vírus, com os anticorpos aparecendo entre 4-8 após o início da infecção e podendo 
persistir por até 3 anos. Por fim, há a fixação de complemento com reação sorológica 
para anticorpos, usado em complemento ao ELISA e neutralização. 
 
PROFILAXIA E CONTROLE 
 
Devido às características citadas anteriormente, a profilaxia e controle da Estomatite 
Vesicular baseiam-se em manejo sanitário e higiênico adequado: controle dos insetos 
vetores, desinfecção nos locais com maior concentração animal como estábulos, 
bretes e currais, visando reduzir as áreas contaminadas pelo vírus e destruição do leite 
proveniente de animais com sinais clínicos; considerando a alta sensibilidade do vírus 
ao calor, o leite de animais que não apresentam sinais clínicos poderá ser retirado da 
propriedade e enviado para pasteurização ou para processamento de produtos 
submetidos a tratamento térmico. 
IMPACTO SOCIOECONÔMICO E TRATAMENTO 
 
Além destes aspectos, a Estomatite Vesicular também apresenta alto impacto 
econômico, uma vez que os animais apresentam queda na produção de carne e leite, 
no caso dos bovinos e possui sintomatologia igual à Febre Aftosa, estando classificada 
como doença de notificação obrigatória de categoria 2 na lista do Ministério da 
Agricultura e Pecuária (MAPA), ou seja, qualquer caso suspeito deve ser notificado, 
assim como a Febre Aftosa. Ademais, a perda financeira está também relacionada aos 
casos de mastite com perda parcial ou completa da função mamária devido às lesões 
da doença. Nos equinos, lesões na coroa do casco podem evoluir até para 
descolamento, dificultando locomoção e impedindo participação em rodeios e 
competições. Somado a isso há o custo de tratamento, que no caso da Estomatite 
Vesicular é de suporte, com adaptação da alimentação para uma mais fácil de 
processar como concentrado pastoso em caso de lesões que estejam fazendo o 
animal parar de se alimentar voluntariamente. Em situações em que ele não esteja se 
hidratando, é possível realizar fluidoterapia intravenosa e, de modo geral, realizar 
antissepsia das lesões com iodo povidona, clorexidina 0,05% a 2%, água oxigenada ou 
permanganato de potássio. 
 
 
DISCUSSÃO E RESULTADOS 
 
ISOLAMENTOS VIRAIS PRIMORDIAIS NO BRASIL 
 
Os casos supracitados em São Paulo ocorreram em Rancharia em 1966, onde 
PUSTIGLIONE NETTO et al. (1967) relataram o primeiro isolamento do subtipo Ind 2 
Salto em equinos, utilizando-se amostras do epitélio de animais doentes e com a 
sorologia relevando alto título de anticorpos. Aconteceram também casos em 1979 em 
Ribeirão Preto, relatados por ARITA & ARITA (1983), que isolaram o subtipo Ind 2 Cocal 
em equinos. Surtos em 1986 ocorreram em bovinos e equinos no Vale da Paraíba, onde 
PITUCO et al. (1989) descreveram o primeiro isolamento do subtipo Ind 3 em bovinos. 
O estudo foi complementado por KOTAIT (1990) que estudou a sorologia de 2.181 
bovinos e 483 equinos, obtendo respectivamente 1,64% e 4,36% de prevalência. Vale 
ressaltar que o estudo verificou maior prevalência logo após o período de chuvas, 
reforçando a importância dos insetos como parte do ciclo da doença. Já em 2001 em 
Araçatuba, DE STEFANO (2001) realizou análise sorológica de 1.099 amostras de 
bovinos, observando prevalência de 28 animais com anticorpos contra o sorotipo 
Indiana. Em Minas Gerais, um estudo realizado em 1977 por ROCHA ARAÚJO et al. 
(1977) relataram o primeiro isolamento do subtipo viral Ind 3 em bovinos. No Ceará em 
1984, ARITA et al. (1985) descreveram o primeiro isolamento do subtipo Ind 3 Alagoas 
(cepa Canindé) em bovinos. Já em 1998 em Bela Vista, no estado de Santa Catarina, 
LOPES et al. (1999) isolaram o vírus Ind 3 em bovinos, porém não foram detectados 
anticorpos específicos nos soros analisados. Completando a análise de estudos 
primordiais sobre Estomatite Vesicular em território brasileiro, houve o caso de 1984 
em Sergipe, onde ALONSO FERNANDES & SONDAHL (1985) isolaram o subtipo Ind 3 
em equinos. Os estudos citados, realizados entre os anos de 1964 e 2001 são de 
extrema importância por serem pioneiros no isolamento de subtipos virais da 
Estomatite Vesicular no país, indicando uma tendência de prevalência e ocorrência em 
bovinos e equinos, demonstrando o que esperar do panorama futuro da doença e 
auxiliar na formação de inquéritos epidemiológicos. Desse modo, faz-se de 
imprescindível relevância compará-los com estudos mais atuais. 
 
PANORAMA CONTEMPORÂNEO DA EV 
 
O estudo de JESUS, Taile Katiele Souza de et al. (2020) aborda a presença de 
anticorpos contra a Estomatite Vesicular e identifica fatores de risco em equídeos das 
mesorregiões Leste e Oeste Potiguar, ou seja, no Rio Grande do Norte. A metodologia 
incluiu amostragem sanguínea de 809 equídeos de 90 propriedades em 16 municípios, 
sendo a coleta realizada entre julho de 2018 e fevereiro de 2019. O diagnóstico foi feito 
pela técnica de soroneutralização, enquanto um questionário foi aplicado para valiar 
os fatores de risco, submetido posteriormente à análise estatística com EpiInfo 3.5.2, 
obtendo 95% de confiabilidade. Os resultados demonstraram 24,6% de animais 
soropositivos, sendo, entre esses, 3,2% do Leste Potiguar e 45,7% no Oeste Potiguar. 
Em relação aos sorotipos, Ind 2 apresentou 3,8% de prevalência e Ind 3 24,5%. A 
coinfecção de Ind 2 e Ind 3 representou 15,1%. Os fatores de risco associados 
avaliados pela regressão logística multivariada incluíram: criação em áreas rurais da 
mesorregião Oeste, sistemas extensivo e semi-intensivo, pastagens alagadas, 
ausência de quarentena, falta de desinfecção das instalações e manutenção dos 
animais enfermos nos rebanhos. Outro estudo foi realizado por BEZERRA, Camila deSousa (2018), no estado da Paraíba. O objetivo do estudo foi semelhante ao realizado 
no Rio Grande do Norte, avaliando fatores de risco, prevalência da doença a nível de 
rebanho e animal e identificação de agrupamentos espaciais de rebanhos positivos. A 
metodologia utilizada dividiu o estado da Paraíba em três estratos para análise, sendo 
eles: Sertão, Borborema e Agreste/Zona da Mata. A amostragem foi realizada em 
rebanhos e vacas com idade maior ou igual a 24 meses. No total foram verificadas 
amostras de 2.279 animais de 468 propriedades com diagnóstico a partir da 
soroneutralização viral e com critério de positividade variando conforme tamanho do 
rebanho. A prevalência constatada nos rebanhos foi de 38,5% no estado inteiro, 80,6% 
no Sertão, 7,0% na Borborema e Agreste/Zona da Mata 2,6%. Em relação às vacas, 
houve prevalência de 26,2% no estado, 48,2% no Sertão, 6,3% na Borborema e 1,9% no 
Agreste/Zona da Mata. Dessa forma, Sertão e Borborema foram classificados como os 
dois clusters significativos. Ademais, os fatores de risco complementaram os 
identificados no estudo anteriormente citado, sendo eles: produção mista, rebanhos 
com mais de 23 animais, presença de cervídeos, aluguel de pastagens e 
compartilhamento de fontes de água. No Ceará, Antunes, João Marcelo Azevedo de 
Paula et al. (2019) investigaram a ocorrência de focos da Estomatite Vesicular a partir 
de casos suspeitos de síndrome vesicular notificados ao Serviço Veterinário Oficial do 
Ceará entre 2013 e 2015. Foram avaliadas 51 notificações, onde houve coleta de soro, 
epitélio e líquido esôfagofaríngeo conforme as lesões. Estas amostras foram enviadas 
ao Laboratório Nacional Agropecuário (LANAGRO) para diagnóstico e adicionado a 
isto, também foi feito levantamento epidemiológico para análise de fatores de risco. 
Como resultado, 24 propriedades foram confirmadas como foco, com presença do 
subtipo Ind 3 em 8 focos (fixação de complemento 50%). Quando levados em 
consideração os casos confirmados por laboratório, fatores de risco não puderam ser 
identificados, com diferenças significativas aparecendo em comparação de casos em 
focos e não focos. Os fatores de risco identificados foram tipo de criação, uso de 
instalações e equipamentos de vizinhos, mão de obra compartilhada entre 
propriedades, participação de animais em eventos de aglomeração, proximidade com 
rodovias, lixões, aeroportos, frigoríficos e entre outros, sendo esses fatores válidos 
para investigação epidemiológica de suspeitas e não fatores confirmados de 
transmissão. Os últimos dois estudos verificados ocorreram no estado do Maranhão. O 
primeiro foi realizado por DE ARRUDA, Roberto CN et al. (2015), analisando casos 
notificados ao Serviço Veterinário Oficial do Maranhão. Em levantamento dos sinais 
clínicos prevalentes nas suspeitas constatou-se sialorreia, perda do epitélio lingual, 
lesões abertas com bordas amareladas em gengivas, lábios, língua e mucosa oral em 
bovinos e sialorreia e lesões abertas em mucosa oral e lábios em equinos. Nestes 
animais com sintomas foram coletadas amostras de soro para realização de ELISA e 
soroneutralização viral, com diagnóstico diferencial para febre aftosa e fragmentos 
epiteliais de bovinos sendo enviados ao Instituto Biológico de São Paulo para PCR. 
Todos os animais apresentaram resultado negativo para febre aftosa, sendo todos na 
verdade reativos para Estomatite Vesicular nos testes sorológicos. O PCR confirmou o 
agente como subtipo Ind 3 Alagoas. Por fim, o artigo de ARAÚJO SOARES, José Wendel 
et al. (2025) aborda surtos de Estomatite Vesicular em bovinos da Amazônia 
Maranhense, mais especificamente nos municípios de Cururupu, Santa Helena e 
Turilândia. O fluxo investigativo acompanhou 16 bovinos avaliados como suspeitos de 
doença vesicular. Os sinais clínicos mais recorrentes foram: claudicação (75%), perda 
de peso (100%), sialorreia e lesões epiteliais na boca (100%), lesões na banda 
coronária (62%) e lesões entre os cascos (75%). Para diagnóstico, amostras de tecido 
epitelial foram submetidas a RT-qPCR, onde os resultados confirmaram Estomatite 
Vesicular em todos os animais, com diagnóstico diferencial de Febre Aftosa 
descartado. Além disso, verificou-se que um dos bovinos apresentou coinfecção por 
Parapoxvirus, vírus da Estomatite Papular Bovina. Os animais se recuperaram em um 
intervalo de tempo entre 3 e 4 semanas, espontaneamente ou com uso de antibióticos 
de amplo espectro como oxitetraciclina, enrofloxacina, florfenicol, amoxicilina e 
cefalexina. É importante ressaltar que, por se tratar de uma virose, os antibióticos não 
tratam a doença em si, mas sim ajudam a prevenir e tratar infecções bacterianas 
secundárias nas lesões ulceradas da boca, língua e cascos. O artigo destaca também 
a relevância de práticas de biosseguridade e manejo adequado para minimizar a 
disseminação do vírus, prevenir contaminação humana e evitar agravamento das 
lesões epiteliais. Na verdade, este ponto de boas práticas está presente em todos os 
estudos, demonstrando que muitos surtos poderiam ser evitados e minimizados com 
práticas de desinfecção, limpeza adequada de recintos e instalações, controle de 
trânsito, quarentena com novos animais e animais doentes, evitar eventos de 
aglomeração de animais, vigilância epidemiológica passiva e ativa de animais e seus 
produtos. Esses estudos mais recentes também convergem em outros aspectos, como 
o fato de todos confirmarem presença do vírus Indiana, especialmente o subtipo 3, 
com ênfase para a cepa Alagoas. Também reforçam a semelhança clínica com a Febre 
Aftosa, sendo o principal diagnóstico diferencial. Ainda em relação a esse tópico, 
destaca-se o papel do Serviço Veterinário Oficial como intermediário das notificações 
de síndrome vesicular em cada estado, sendo essencial juntamente à investigação 
epidemiológica que monitora as ocorrências e focos, tomando medidas para prevenir, 
controlar e erradicá-las, com especial cautela pois a Estomatite Vesicular é 
extremamente similar à Febre Aftosa, num cenário onde atualmente o Brasil é livre sem 
vacinação desta última enfermidade. Ademais, o impacto socioecônomico é 
igualmente enfatizado, pois devido à queda de produção e perda de peso pelos 
animais, impacta o comércio não somente nacional mas também internacional, 
perdendo credibilidade na visão de países compradores dos produtos. 
 
ANÁLISE COMPARATIVA – ESTUDOS PRIMORDIAIS E ATUAIS 
 
Comparando os artigos iniciais sobre a Estomatite Vesicular no Brasil (1964-2001) com 
os mais atuais (2015-2025), percebe-se a prevalência dos estudos antigos em regiões 
do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, com ênfase para São Paulo, Minas Gerais e Santa 
Catarina. Já os recentes, demonstram foco no Nordeste, incluindo Rio Grande do 
Norte, Paraíba, Ceará e Maranhão. Essa diferença ocorre por alguns fatores somados, 
como a maior concentração de rebanhos comerciais e centros de pesquisa presentes 
entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste principalmente na época em que os 
primeiros artigos foram escritos, principalmente considerando que eram esses 
estados que tinham infraestrutura laboratorial para realização de isolamento, que era o 
foco dos antigos estudos. Ainda hoje essas regiões concentram animais e tecnologias, 
porém com o tempo houve uma maior expansão da pecuário bovina e equina para o 
semiárido, com crescente relevância econômica da pecuária nordestina para o 
mercado nacional. As condições ambientais favoráveis à propagação da doença no 
Nordeste como alagamentos resultando em proliferação de insetos vetores contribui 
para a recente casuística e estudos na região, além da maior vigilância sanitária após a 
descentralização das ações do MAPA. É possível notar que os estudos retrógrados 
utilizam testes de sorologia básica como imunodifusão e soroneutralização, enquanto 
nos contemporâneos técnicas avançadas como ELISA, RT-qPCR e análise multivariada 
de risco são mais presentes. Os antigos eram pontuais e buscavam realizar os 
primeirosisolamentos virais da doença, enquanto os recentes abordam estudos 
epidemiológicos amplos com centenas ou milhares de animais, análise espacial e 
fatores de risco, além do fato de que nos antigos é possível observar uma variedade 
maior de agentes analisados, como Ind 2 (Salto e Cocal) e Ind 3 (Alagoas e Canindé), ao 
passo que os recentes estudos demonstram presença praticamente apenas do Ind 3 
Alagoas. Como Rocha, Célio Souza da et al. (2020) analisam em seu artigo, esse fato se 
deve ao desaparecimento ou substituição dos subtipos Ind 1 e Ind 2 , pois estes foram 
caracterizados por circulação restrita e surtos pontuais, possivelmente sendo 
eliminados por barreiras ecológicas como clima e sazonalidade, uma vez que estes 
tipos eram mais recorrentes nas regiões Sul e Sudeste, que são mais úmidas e frias e 
apenas o Ind 3 tendo se adaptado ao semiárido nordestino; a disponibilidade de 
vetores, já que mosquitos e flebotomíneos hematófagos proliferam majoritariamente 
em ambientes tropicais e semiáridos; presença de hospedeiros silvestres como 
cervídeos na região; competição viral com outros vírus vesiculares ou mesmo o 
Parapoxvirus, criando pressão seletiva, principalmente em relação ao subtipo Ind 3 
que se adaptou ao semiárido. Além disso, práticas de manejo intensivo no Sul e 
Sudeste aplicadas no passado favoreciam surtos pontuais do Ind 1 e Ind 2, com os 
atuais sistemas extensivo e semi-intensivo do Nordeste sendo adequados para a 
manutenção do Ind 3 e há também o papel da pressão sanitária, com vigilância atuante 
significativamente com mais relevância no passado concentrada nas regiões Sul e 
Sudeste, o que pode ter auxiliado na redução ou eliminação da circulação dos antigos 
subtipos. Devido a isto, o Nordeste recebia uma pressão sanitária consideravelmente 
inferior, o que possibilitou a permanência do Ind 3 na região, tornando-se, assim, 
endêmico no Nordeste. 
META-ANÁLISE SOBRE PREVALÊNCIA DE ANTICORPOS DA EV 
 
Sobre a prevalência de anticorpos contra a Estomatite Vesicular em bovinos e equinos, 
realizou-se meta-análise envolvendo os trabalhos de Rodriguez et al. (1990), De Anda 
et al. (1992), Atwill et al. (1993) e Mumford et al. (1998). De acordo com os resultados, o 
vírus NJ apresentou maior soroprevalência do que o Ind, com valores entre 36% e 
94,2% em bovinos e 37% em equinos, demonstrando ampla capacidade de circulação 
e manutenção em rebanhos. Sobre o Ind, os valores variaram de 13% a 21% e não 
apresentaram clara correlação com fatores ambientais, possuindo um ciclo 
diversificado e menos compreendido. Rodriguez et al. (1990), contribuiu com estudos 
demonstrando que a presença de anticorpos não impede reinfecção e que os títulos 
podem permanecer elevados por anos, porém sem proteção clínica eficiente. A análise 
de Atwill et al. (1993), foi determinante quanto à associação da prevalência dos 
sorotipos virais com fatores ambientais, concluindo que a altitude e tipo de bioma 
influenciam a soropositividade do NJ, sendo um estudo precursor da ideia de ciclos 
múltiplos de transmissão desse sorotipo. Mumford et al. (1998) contribuíram com 
estudos relacionados à idade dos animais, concluindo que a prevalência aumenta com 
a idade, indicando exposição cumulativa. Além disso, confirmaram ampla faixa etária 
de bovinos e equinos com anticorpos. Por fim, De Anda et al. (1992) observaram 
ausência de casos clínicos mesmo em regiões enzoóticas, demonstrando que o vírus 
da Estomatite Vesicular circula significativamente na forma subclínica.