Prévia do material em texto
09/06/2020 1 Professora Cristiane Dupret Tipicidade Processual Inobservância Nulidade A tipicidade corresponde à ideia de que o ato processual deve ser praticado em consonância com a Constituição Federal, com as Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos e com as leis processuais penais, garantindo o processo justo, o devido processo legal. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 2 NULIDADE Espécie de sanção aplicada ao ato processual defeituoso, do que deriva a inaptidão para a produção de seus efeitos regulares. Há uma segunda corrente, minoritária, que define a nulidade como o defeito do ato Forma do ato processual Baseada em uma finalidade Atingida a finalidade, o ato é válido Exemplo prático: Artigos 351 e 352 do CPP Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 3 Art. 351. A citação inicial far-se-á por mandado, quando o réu estiver no território sujeito à jurisdição do juiz que a houver ordenado. Art. 352. O mandado de citação indicará: I - o nome do juiz; II - o nome do querelante nas ações iniciadas por queixa; III - o nome do réu, ou, se for desconhecido, os seus sinais característicos; IV - a residência do réu, se for conhecida; V - o fim para que é feita a citação; VI - o juízo e o lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer; VII - a subscrição do escrivão e a rubrica do juiz. Tais previsões buscam garantir que o acusado possa tomar ciência da imputação e exercer o seu direito de defesa. Ainda que a citação não obedeça ao modelo típico, se o acusado tomou ciência da acusação, não há motivo para declarar a nulidade, pois a finalidade foi alcançada. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 4 Quanto à nulidade da citação, importante desatacar os artigos 570 do CPP, assim como os artigos 351 e seguintes, também do CPP. A citação, em regra, deve ser pessoal, apenas podendo ser feita por edital se todos os meios e tentativas de citação pessoal forem esgotados , consoante dispõe o artigo 361 e o artigo 363, §1º, CPP. Sendo assim, deve ser alegada a nulidade da citação por edital quando não esgotadas as tentativas de citação pessoal. Já quanto ao réu preso, quando este for citado por edital por processo em que o juiz competente possui jurisdição na mesma unidade da federação em que o acusado estiver preso, será nula a citação por edital, pois nesta hipótese, o réu deverá ser citado pessoalmente, consoante artigo 360 do CPP e Súmula 351 do STF. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 5 Súmula 351 do STF: É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em que o juiz exerce a sua jurisdição. Mas e se ainda frente à inexistência ou defeito na citação, o acusado toma ciência de outra forma e comparece sem que haja prejuízo? Em matéria de nulidade, aplica-se o princípio pas de nullité sans grief, segundo o qual não há nulidade sem que o ato tenha gerado prejuízo para a acusação ou para a defesa, o que, em alguns casos, pode ser evidente, por raciocínio lógico do julgador. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 6 Conclusão: Não se intenciona buscar um formalismo exarcebado. Vejamos o que dispõe o artigo 563 do CPP: Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Basicamente, devem ser analisados dois aspectos para se verificar se é caso de declarar a nulidade: 1. O ato atingiu a sua finalidade? 2. O ato causou prejuízo à parte? Podem ocorrer nulidades durante o inquérito? No inquérito policial podem ocorrer atos anuláveis e nulos, sem que com isso, causem reflexo na ação penal quanto à contaminação desta. Assim, os vícios ocorridos no inquérito, causam efeito nos atos apenas dele próprio, não alcançando a ação penal. Por isso, se a prisão em flagrante não obedeceu as formalidades legais, o que está prejudicada é a própria prisão, não a sequência procedimental decorrente desta. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 7 Consoante ADA PELEGRINI GRINOVER (e outros, As Nulidades no Processo Penal. 7. Ed. São Paulo: RT, 2001) : "Frise-se, entretanto, que o reconhecimento da nulidade do auto de prisão em flagrante atinge unicamente o seu valor como instrumento da coação cautelar, não tendo repercussão no processo-crime (STF, RHC 61.252-1, RT, 584/468; TAPR, RT 678/365, TJSP, RT 732/622), nem impede que o juiz, verificando a existência dos pressupostos do art. 312 do Código de Processo Penal, decrete a prisão preventiva". (p. 285). ESPÉCIES DE IRREGULARIDADES 1 – Irregularidades ou defeitos sem consequências 2 – Irregularidades ou defeitos que acarretam tão somente sanções extraprocessuais 3 – irregularidades ou defeitos que podem acarretar a invalidação do ato processual 4 – irregularidades ou defeitos que acarretam a inexistência jurídica Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 8 Esta classificação também exige o conhecimento sobre outra, relativa aos atos processuais, que podem ser: 1. Atos perfeitos 2. Atos meramente irregulares 3. Atos nulos 4. Atos inexistentes (também denominado como não ato) Atos Irregulares Citação que indica apenas o dispositivo legal (súmula 366 do STF) Falta de outorga do recibo de entrega do preso ao condutor Ausência de qualificação dos peritos no laudo cadavérico Ausência do juízo de retratação no RESE Inobservância do artigo 226 em caso de reconhecimento pessoal Sem consequências ou que acarretam apenas sanções extreprocessuais Atos Nulos, que deixam de observar formalidade essencial para a prática do ato São passíveis de declaração de nulidade absoluta ou relativa Geram efeitos até a declaração de nulidade Exemplo: Sentença sem fundamentação – Ofensa ao artigo 93, IX da CF Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 9 Atos inexistentesNão ato Defeito que antecede a análise de validade Sentença sem dispositivo Recurso interposto por advogado sem procuração Decisão por desembargad or cujo filho foi o promotor Sentença proferida por alguém não investido de jurisdição O ato inexistente jamais se convalida NULIDADE Absoluta O vício atenta contra o interesse público, com status constitucional, na existência de um processo penal justo Relativa O vício atenta contra norma infraconstitucional que tutela interesse preponderante das partes Características: Prejuízo presumido e arguição a qualquer tempo Por haver presunção, a parte que a alega não precisaria demonstrar prejuízo (Inversão do ônus previsto no artigo 156 do CPP) No entanto, o STF possui diversos julgados sustentando que mesmo na nulidade absoluta, é necessário demonstrar prejuízo. Características: Necessidade de comprovar prejuízo e Arguição oportuna (art. 571), sob pena de precusão e convalidação Em síntese, a presunção de prejuízo em caso de nulidade absoluta é uma presunção iuris tantum (relativa). Com isso, quem a alega não precisa demonstrar o prejuízo, mas a parte que quer ver o ato preservado pode demonstrar a inocorrência de prejuízo. Caso logre êxito, o vício processual não será declarado. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 10 A nulidade absoluta não é passível de preclusão temporal ou de preclusão lógica (caso em que a parte aceita os seus efeitos). Nulidade relativa pode ser arguida de ofício? O tema desafia controvérsia. Alguns, a exemplo de Renato Brasileiro, entendem que sim. Outros, a exemplo de Nucci entendem que não. Nulidade absoluta pode ser arguida após o trânsito em jugado? Em caso de sentença de absolvição própria, não. No entanto, em caso de sentença condenatória ou absolutória imprópria, é possível arguição após o trânsito em julgado. Vide Decreto 678/92, art. 8, n.4 (Pacto de San Jose da Costa Rica) Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 11 Nulidade absoluta pode ser arguida em sede de recurso especial ou extraordinário? Somente se a nulidade foi objeto de prequestionamento. Importante observar o disposto nos enunciados 211, 320 do STJ, 282 e 356 do STF. Vejamos: Enunciado 211 do STJ: Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo. Enunciado 320 do STJ: A questão federal somente ventilada no voto vencido não atende ao requisito do prequestionamento. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 12 Enunciado 282 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada. Enunciado 356 do STF: O ponto omisso da decisão, sobre a qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. Desta forma, na prática, é sempre importante, durante o processo e nas vias recursais ordinárias, apontar qualquer eventual ofensa à lei federal e/ou Constituição Federal. No entanto, é importante destacar que a ausência de prequestionamento não impede a concessão de ordem de habeas corpus de ofício, desde que não haja supressão de instância. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 13 Hipóteses de Nulidade Absoluta Nulidades cominadas no artigo 564 do CPP não sujeitas à sanação e convalidação (art. 572 do CPP) Exemplos: Incompetência, suspeição, suborno do juiz; ilegitimidade da parte Violação da CF ou de Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos (ainda que não previstos no art. 564) Exemplo: Princípio do Juiz Natural – Art. 5º, LIII da CF ou não reconhecimento de recurso por não se encontrar o réu preso (PSJCR – Art.8º. Par. 2º, h) Quando mesmo sem previsão legal expressa, houver violação de forma prevista em lei que visa à proteção de interesse de natureza pública Falta ou deficiência de defesa gera qual tipo de nulidade? Vejamos o disposto no enunciado 523 do STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. Art. 572. As nulidades previstas no art. 564, Ill, d e e, segunda parte, g e h, e IV, considerar-se-ão sanadas: I - se não forem argüidas, em tempo oportuno, de acordo com o disposto no artigo anterior; II - se, praticado por outra forma, o ato tiver atingido o seu fim; III - se a parte, ainda que tacitamente, tiver aceito os seus efeitos. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 14 Vejamos as hipóteses do artigo 564 do CPP: Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: I - por incompetência, suspeição ou suborno do juiz; (As hipóteses de suspeição estão elencadas de forma exemplificativa no art. 254. São fatos externos ao processo e subjetivos) Já o impedimento do juiz (causas objetivas relacionadas a fatos internos do processo) gera inexistência da decisão por ele proferida, vide rol taxativo do art. 252) II - por ilegitimidade de parte; III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes: a) a denúncia ou a queixa e a representação e, nos processos de contravenções penais, a portaria ou o auto de prisão em flagrante; b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art. 167; c) a nomeação de defensor ao réu presente, que o não tiver, ou ao ausente, e de curador ao menor de 21 anos; d) a intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime de ação pública; e) a citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório, quando presente, e os prazos concedidos à acusação e à defesa; f) a sentença de pronúncia, o libelo e a entrega da respectiva cópia, com o rol de testemunhas, nos processos perante o Tribunal do Júri; Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 15 g) a intimação do réu para a sessão de julgamento, pelo Tribunal do Júri, quando a lei não permitir o julgamento à revelia; h) a intimação das testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade, nos termos estabelecidos pela lei; i) a presença pelo menos de 15 jurados para a constituição do júri; j) o sorteio dos jurados do conselho de sentença em número legal e sua incomunicabilidade; k) os quesitos e as respectivasrespostas; l) a acusação e a defesa, na sessão de julgamento; m) a sentença; n) o recurso de oficio, nos casos em que a lei o tenha estabelecido; o) a intimação, nas condições estabelecidas pela lei, para ciência de sentenças e despachos de que caiba recurso; (vide art. 370)* Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 16 * Algumas observações importantes quanto a alínea o: - O advogado dativo tem que ser intimado pessoalmente - A intimação deve ser do réu E do advogado. Uma intimação não supre a outra. Não foi recepcionado o artigo 392, II (decisões de primeira instância) - Para decisões de segunda instância, não gera nulidade a ausência de intimação pessoal do acusado, isso porque o acusado não é dotado de capacidade postulatória autônoma para impugnar decisões proferidas por tribunais (Recurso extraordinário, embargos infringentes ou de nulidade etc) - Intimação de advogado falecido gera nulidade absoluta por ausência de defesa, desde que seja apenas um advogado no processo Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 17 - Havendo substabelecimento com reserva de poderes, é válida a intimação de qualquer dos advogados, exceto se houve pedido de intimação exclusiva - Especial atenção deve ser dada ao enunciado 431 do STF: É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem prévia intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus. - Atenção ainda aos enunciados 707 e 708 do STF: SÚMULA 707 Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contra-razões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 18 SÚMULA 708 É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro. Em relação ao procurador constituído e ao direito de defesa do acusado tem-se ainda os dispositivos das Súmulas 155, 431 e 712, ambas do STF, Súmula 273 do STJ e o artigo 222 do CPP. Voltando à redação do artigo 564: p) no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o quorum legal para o julgamento; (também se aplica ao STJ, TSE, TRFs e TREs) IV - por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 19 Obs.: Formalidade essencial é toda aquela sem a qual o ato não pode ser considerado válido e eficaz. Cabe destacar que neste ponto o artigo 572 não pode ser interpretado de maneira isolada, mas sim à luz da CF e do PSJCR, notadamente em relação à ampla defesa, contraditório e devido processo legal. Nestes casos, a nulidade será absoluta e não relativa. Alguns exemplos de falta de formalidade essencial ao ato e sua consequência: 1. Súmula 155 do STF: é relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha 2. Falta de fundamentação na sentença gera nulidade absoluta 3. Falta de assinatura do juiz na sentença gera ato inexistente Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 20 V - em decorrência de decisão carente de fundamentação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Parágrafo único. Ocorrerá ainda a nulidade, por deficiência dos quesitos ou das suas respostas, e contradição entre estas. Observação importante quanto ao inciso V: Declarada nula a sentença por ausência de fundamentação, desconstitui-se a causa interruptiva da prescrição correspondente. Quanto às nulidades relativas, para saber o momento de sua alegação, deve ser observado o artigo 571 do CPP: Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 21 Art. 571. As nulidades deverão ser argüidas: I - as da instrução criminal dos processos da competência do júri, nos prazos a que se refere o art. 406; (art. 411, par. 4º, 5º e 6º.) II - as da instrução criminal dos processos de competência do juiz singular e dos processos especiais, salvo os dos Capítulos V e Vll do Título II do Livro II, nos prazos a que se refere o art. 500; (art. 403, em caso de nulidades posteriores à resposta à acusação, introduzida pela Lei 11719/08) Obs.: Seja no caso do inciso I ou II, as nulidades relativas ocorridas entre o oferecimento da denúncia e a citação do acusado, devem ser alegadas em sede de resposta à acusação, sob pena de preclusão. Exemplo: Prática de crime de concussão, o juiz recebe a denúncia e cita o acusado para oferecer resposta à acusação, sem oportunizar a defesa preliminar de que cuida o procedimento especial. Tal vício deve ser arguido pela defesa ao apresentar a resposta à acusação (tal nulidade é considerada relativa pelos Tribunais Superiores), requerendo a anulação do processo a partir do recebimento da peça acusatória. III - as do processo sumário, no prazo a que se refere o art. 537, ou, se verificadas depois desse prazo, logo depois de aberta a audiência e apregoadas as partes; (o art. 537 se referia à antiga defesa prévia. Desta forma, ainda que no procedimento sumário, as nulidades relativas terão como limite para a sua alegação a resposta à acusação ou memoriais, a depender do momento em que ocorreram. Se entre o oferecimento da denúncia e a citação, devem ser alegadas em sede de resposta à acusação. Se posteriores, em sede de alegações finais). Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 22 IV - as do processo regulado no Capítulo VII do Título II do Livro II, logo depois de aberta a audiência; (referia-se às medidas de segurança por fato não criminoso. Encontra-se tacitamente revogado) V - as ocorridas posteriormente à pronúncia, logo depois de anunciado o julgamento e apregoadas as partes (art. 447); (Se a nulidade relativa ocorrer na própria decisão de pronúncia, sua alegação deve ocorrer no Recurso em Sentido Estrito, nos termos do artigo 581, IV do CPP) Com a extinção do libelo acusatório, à luz da reforma processual de 2008, o inciso V deve ser interpretado nos seguintes termos: As nulidades relativas ocorridas após a preparação do processo para julgamento em plenário deverão ser arguidas imediatamente depois de anunciadoo julgamento em plenário e apregoadas às partes. VI - as de instrução criminal dos processos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação, nos prazos a que se refere o art. 500; (frente a todo o cenário de mudanças legislativas, o inciso deve ser assim interpretado: As nulidades relativas da intrução criminal dos processos de competência originária dos Tribunais devem ser arguidas por ocasião da apresentação das alegações escritas (Lei 8038/90, art. 11, caput) ou no momento da sustentação oral (Lei 8038/90, art. 12, I), sob pena de preclusão. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 23 VII - se verificadas após a decisão da primeira instância, nas razões de recurso ou logo depois de anunciado o julgamento do recurso e apregoadas as partes; (no recurso também poderão ser alegadas as nulidades da própria decisão) VIII - as do julgamento em plenário, em audiência ou em sessão do tribunal, logo depois de ocorrerem.(Exemplo: Inversão da ordem de perguntas às testemunhas, na forma do art. 212, impugnação aos quesitos formulados pelo Juiz. Se o juiz rejeitar, a parte poderá voltar a alegar em preliminar de apelação) Não sendo observado o artigo 571 do CPP, a consequência será a preclusão e consequente convalidação da nulidade. Exemplo: Incompetência relativa, que precisa ser alegada no momento da resposta à acusação. Desta forma, a nulidade relativa se submete à preclusão temporal e à lógica. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 24 Logicamente, que o artigo 571 somente será observado em caso de nulidade relativa, eis que sendo ela absoluta, não está sujeita à preclusão, sequer temporal. Um exemplo disso diz respeito ao Inciso I. E se tratando de falta de quesito obrigatório, não há de se falar de preclusão, eis que a nulidade é absoluta, consoante enunciado 156, 162 e 206 do STF: Súmula 156 do STF: É absoluta a nulidade do julgamento, pelo júri, por falta de quesito obrigatório. Súmula 162 do STF: É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri, quando os quesitos da defesa não precedem aos das circunstâncias agravantes. Súmula 206 do STF: É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou em julgamento anterior do mesmo processo. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 25 Hipóteses de Nulidade Relativa Nulidades previstas no artigo 564 passíveis de sanação ou convalidação Exemplo:intimação do réu para a sessão de julgamento, pelo Tribunal do Júri, quando a lei não permitir o julgamento à revelia Hipóteses sem previsão legal em que a violação da forma prescrita em lei viola interesse preponderante das partes Exemplo: Ausência de intimação das partes em caso de expedição de carta precatória (Súmula 155 do STF) As nulidades podem ser reconhecidas em segunda instância? A princípio, as nulidades estão sujeitas ao tantum devolutum quantum appelatum, dependendo de ter sido o ato impugnado no recurso. Especial atenção deve ser dada à súmula 160 do STF: é nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício. Conclusões a serem extraídas da súmula 160: 1. Nos casos de recurso de ofício, o Tribunal é livre para reconhecer qualquer nulidade; 2. Em recurso da acusação, o Tribunal é livre para reconhecer, em prejuízo do acusado, nulidade, desde que o ato tenha sido impugnado pela acusação 3. Em recurso da acusação ou defesa, o Tribunal pode reconhecer qualquer nulidade em benefício do acusado Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 26 Importante destacar que sendo a nulidade relativa, esta já deve ter sido arguida em momento oportuno, sob pena de preclusão. Caso não tenha sido arguida, não poderá ser alegada ou reconhecida em segunda instância. Caso tenha sido arguida, ainda que rechaçada pelo juiz, poderá ser arguida em sede recursal. PRINCÍPIOS REFERENTE A NULIDADES 1. Princípio da tipicidade das formas 2. Princípio do prejuízo 3. Princípio da instrumentalidade das formas 4. Princípio da eficácia dos atos processuais 5. Princípio da restrição processual à decretação de ineficácia 6. Princípio da causalidade (efeito expansivo) 7. Princípio da conservação dos atos processuais (confinamento da nulidade) 8. Princípio do interesse (art. 565, in fine) – Aplicável apenas às nulidades relativas e não aplicável ao MP 9. Princípio da legalidade ou boa-fé (art 565, 1ª parte) – A parte não pode alegar nulidade a que tenha dado causa Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 27 10. Princípio da convalidação ALEGAÇÃO DAS NULIDADES As nulidades serão, em regra, arguidas em sede preliminar, em peças como resposta à acusação, alegações finais por memoriais ou ainda em alguns recursos, como o caso do recurso de apelação. Em sede de resposta à acusação, devem ser alegadas as nulidades que podem precluir ou que interessem à defesa para eventualmente encerrar o processo criminal. Atenção para aquelas nulidades que exijam forma própria para a sua alegação. Estas não devem ser alegadas meramente em preliminar de resposta à acusação. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com 09/06/2020 28 Art. 95. Poderão ser opostas as exceções de: I - suspeição; II - incompetência de juízo; III - litispendência; IV - ilegitimidade de parte; V - coisa julgada. Licenciado para - SEUFUTURO.COM ENSINO LTDA - ME - 29323377000163 - Protegido por Eduzz.com Anne Teste - annecosilva@gmail.com - IP: 191.212.228.217Licenciado para - Licenciado para: Valéria Alves Rodrigues | valeria_santosalves@hotmail.com | 37234352899 | Protegido - 37234352899 - Protegido por Eduzz.com