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Conversão DC/DC. Conversor elevador Conversores eletrónicos de potência ÍNDICE 1. Objetivos 2. Introdução 3. Conversor elevador (boost) 4. Conversor redutor-elevador (buck-boost) Modo de funcionamento contínuo Modo de funcionamento descontínuo 5. Conversor Cúk 6. Conversores com isolamento galvânico 7. Resumo 8. Bibliografia Conversão DC/DC. Conversor elevador | 3 T ON TOFF 0 t VO t VL IL ID IS t 0 T VS VO Vi 0 o u Objetivos • Abordar a configuração elevadora num conversor DC/DC e as suas aplicações. • Analisar as restantes topologias de conversores DC/DC e os seus modos de funcionamento contínuo e descontínuo. • Determinar os parâmetros de projeto para obter a tensão de saída adequada à carga a que se destina a aplicação. • Apresentar configurações de reguladores CC com isolamento galvânico. INTRODUÇÃO Nesta unidade, serão apresentadas as restantes topologias possíveis para realizar uma conversão DC/DC. A unidade começa por abordar a operação de elevação através do conversor elevador. Em seguida, serão abordados os conversores redutor-elevador e de Cúk, sendo que ambos resultam da combinação das duas configurações básicas: redutora e elevadora. Será indicada a aplicação mais comum de cada uma das topologias e será determinada a sua expressão de saída. Isto permitirá identificar os parâmetros mais importantes na conceção do conversor. Conversor Elevador (boost) Um conversor elevador será utilizado para aplicar a uma carga uma tensão contínua superior à tensão contínua fornecida por uma fonte de energia. Este tipo de conversores pode ser encontrado em fontes de alimentação comutadas e em sistemas de travagem regenerativa. Um sistema de travagem regenerativa não é mais do que um travão elétrico para veículos de tração alimentados por corrente contínua, como, por exemplo, um comboio ou um elétrico. Estes sistemas são implementados através de um conversor elevador que permite extrair energia do sistema mecânico para a devolver à rede de alimentação; a Figura 1 mostra o circuito de um conversor elevador: L D R O seu princípio de funcionamento é o seguinte: • Quando o interruptor se fecha, o díodo fica polarizado em inverso e não conduz. Assim, toda a corrente proveniente da fonte de tensão fica na bobina, fazendo com que esta armazene energia. • Quando o interruptor comuta e se abre, o díodo fica polarizado em sentido direto, permitindo que a energia armazenada na bobina seja transferida para a carga. Tal como já acontecia com o conversor redutor, a configuração elevadora também dispõe de dois modos de funcionamento: modo contínuo e modo descontínuo. Modo de FUNCIONAMENTO contínuo É designado por modo contínuo porque a corrente que atravessa a bobina flui continuamente e nunca se anula. Pode observar-se na figura 2 que a corrente IL oscila entre um valor mínimo (fim do intervalo TOFF) e um valor máximo (fim do intervalo TON), mas nunca se torna zero. Figura 2. Formas de onda num conversor elevador para o modo contínuo. Retirado de: CyrilB~commonswiki (2006). Enquanto o interruptor estiver fechado (intervalo TON), a tensão de entrada Ve aparece nos extremos da bobina: vL ON = Ve Provocando uma variação da corrente que a atravessa, durante o tempo TON, até atingir o seu valor máximo: Figura 1. Conversor DC/DC elevador. + Ve Vo - → ← - + Conversão DC/DC. Conversor elevador | 4 Quando o interruptor está aberto (intervalo TOFF), a corrente IL circula pelo díodo e, por conseguinte, a tensão nos extremos da bobina será a seguinte: vL OFF = Vo - Ve O díodo foi considerado ideal, sem queda de tensão. Será no final do intervalo TOFF que a corrente no Portanto: Ve · D + (Vo - Ve ) · (1 - D) = 0 Resolvendo para Vo: indutor atinge o seu valor mínimo, mas sempre positivo. Referindo-se à condição de regime permanente para uma bobina: a tensão média ao longo de um período será de 0 V. Portanto: Tendo em conta que o sinal de comutação do interruptor é um sinal quadrado, cuja largura de impulso é igual ao ciclo de trabalho (duty cycle), verifica-se que: TON = D TOFF = 1 - D Verifica-se que a tensão de saída será sempre superior à tensão de entrada (exceto para D = 0, caso em que Vo será igual a Ve). O valor de D é um número compreendido entre 0 (ciclo de trabalho de 0 %) e 1 (ciclo de trabalho de 100 %). Portanto, quanto maior for o tempo de ativação do interruptor, maior será a tensão na saída do conversor. Modo de FUNCIONAMENTO descontínuo Por vezes, as cargas exigem pouca energia, e pode acontecer que toda a energia seja transferida num tempo inferior ao ciclo de comutação do interruptor. Nestes casos, a corrente na bobina chega a anular-se durante alguns instantes e surgem três estados distintos, tal como se pode observar na figura 3: • Um primeiro estado, TON, em que o interruptor está a conduzir. • Um segundo estado, TOFF, no qual o díodo conduz. • Um terceiro estado em que toda a corrente se anula. Figura 3. Formas de onda num conversor elevador para o modo descontínuo. Retirado de: CyrilB~commonswiki (2006). TON TOFF 0 Off t VO t VL Imax ID IS I t L 0 D.T T VS Vi - VO VO Vi 0 LigadoLigado Co rr en t e Te ns ão Es ta do d o in te rr up to r Conversão DC/DC. Conversor elevador | 6 TOn A B t iC A B t L + - VL io e i ic O efeito da descarga total no indutor será visível na saída do conversor. Analisa-se a situação e conclui-se o seguinte: A tensão média na bobina será 0, pelo que: A expressão para a tensão Vo é mais complexa, mas, ao observar a expressão de Io, verifica-se que a saída no modo descontínuo depende não só do ciclo de trabalho D, mas também da indutância da bobina e da frequência de comutação. Eliminar a ondulação Com o objetivo de fornecer à carga uma tensão contínua, isenta de flutuações, o conversor incorpora Onde D é o ciclo de trabalho, T o período de comutação e Δ o intervalo em que a corrente no indutor é nula. Assim: um condensador que é acoplado em paralelo à carga. O seu funcionamento é semelhante ao de um circuito de filtragem a jusante de um retificador. Durante o tempo TOFF, a corrente flui a partir do díodo e atinge o condensador, permitindo a sua carga. Já no intervalo TON, a corrente no condensador é nula, provocando a libertação de toda a energia armazenada para a carga. Esta sequência está representada no gráfico da figura 4. A expressão para a tensão de ondulação: Io · D · T ∆V = C A corrente média de entrada é a mesma que atravessa a bobina: Isto demonstra que é possível minimizar a ondulação (reduzir o valor de ΔV) através de um condensador de elevada capacidade. Portanto: Conversor redutor- elevador (buck-boost) O conversor redutor-elevador tem a dualidade de fornecer à carga uma tensão que pode ser inferior ou superior à tensão de entrada. Além disso, a polaridade da tensão de saída é inversa à da entrada, razão pela qual também é conhecido como regulador inversor. Encontra-se principalmente em fontes de alimentação CC reguladas. iD iC V Vo ∆V V i TOn + Vo - TOff + Vo - Figura 4. Carregamento e descarregamento do condensador: tensão de ondulação (esquerda), análise do circuito (direita). + - VL iD io e ic Conversão DC/DC. Conversor elevador | 7 A configuração básica deste conversor é obtida através da ligação em cascata de um conversor redutor e de um conversor elevador. (Ver figura 5) R Figura 5. Circuito do conversor redutor-elevador. Durante o tempo de condução do interruptor (TON), o díodo encontra-se polarizado em inverso e, por conseguinte, toda a corrente de entrada é direcionada para a bobina, que se estará a carregar de energia. Entretanto, na saída, o condensador não está a receber corrente e descarrega a sua capacidade para a carga. Durante o tempo de desligamento do interruptor (TOFF), a corrente armazenada na bobina é devolvida ao condensador, ao díodo e à carga. O condensador estará em modo de carga e, portanto, atensão de saída resulta da descarga no indutor. Resume-se na seguinte tabela 1: Em conclusão, a tensão de saída de um conversor buck- boost, em modo contínuo, depende exclusivamente da tensão de entrada e do ciclo de trabalho (tempo de ativação do interruptor). Cumprindo que se o valor de D for: 0 ≤ D Ve Ou, por outras palavras, para ciclos de trabalho inferiores a 50 %, a tensão de saída será inferior à de entrada. Para ciclos de trabalho compreendidos entre 50 % e 100 %, a tensão de saída é superior à tensão de entrada. Modo de funcionamento descontínuo Quando a bobina se descarrega completamente e a corrente que a atravessa chega a anular-se, verifica- se que: vL ON · TON + vL OFF · TOFF = 0 Ve · D · T + (-Vo ) · ∆ · T = 0 Sendo T o período de comutação e Δ o intervalo em que a corrente no indutor é zero. Assim: Tabela 1. Análise do conversor redutor-elevador em função do estado do interruptor. Possui os mesmos modos de funcionamento que os conversores redutores e elevadores. Modo de funcionamento contínuo Quando a corrente circula de forma contínua pela bobina, a sua tensão média ao longo de um período será 0 V. Portanto: Transformando os tempos para o ciclo de trabalho D: Ve · D + (-Vo ) · (1 - D) = 0 Portanto: D Assim, a tensão de saída não depende apenas de D, mas, como seria de esperar, é também afetada pelo tempo de não condução da bobina. Conversor de Cúk Em homenagem ao seu inventor, o conversor de Cúk também fornece uma tensão CC variável na sua saída, que pode ser inferior ou superior à tensão de entrada. E, tal como no conversor anterior, a polaridade na saída estará invertida. Na figura 6 é apresentado o circuito para esta configuração, o condensador. O seu modo de funcionamento é tal que ocorre o seguinte: • Quando o interruptor está desligado (TOFF), a corrente da entrada e a corrente da bobina L2 fluem através do díodo. O condensador C1 carrega-se através da corrente de entrada e da energia libertada por L1. A tensão na saída durante este intervalo provém da energia libertada por L2. Vo = Ve · 1 - D D + + Ve L C Vo - - TON TOFF • Carga da bobina • Descarga do condensador • Descarga da bobina • Carregamento do condensador Conversão DC/DC. Conversor elevador | 9 L1 C1 L2 R Figura 6. Circuito do conversor de Cúk. • Quando o interruptor é ativado (TON), o condensador C1 liberta a sua energia, polarizando o díodo em inverso. Toda a tensão VC1 é fornecida à carga e à bobina L2, que armazenará energia. Entretanto, Por fim, obtém-se uma expressão válida para a tensão de saída: a corrente na entrada permite carregar a bobina L1. Para obter a expressão da saída, parte-se do princípio de que a tensão média nos indutores ao longo de um período é de 0 V. Portanto: No VL1, a tensão durante o estado ON será Ve (VL1 = Ve). E no estado OFF: VL1 = Ve - VC1. Assim, a expressão para a tensão média será: L1 : D · Ve + (1 - D) · (Ve - VC1 ) = 0 Resolvendo a equação L1 para a tensão no condensador: Corresponde à obtida no conversor redutor- elevador (buck-boost) para o modo contínuo. No entanto, a vantagem mais significativa que o conversor Cúk apresenta em relação ao seu antecessor é uma corrente de saída com muito poucas oscilações (baixa tensão de ondulação). Assim, o filtrado posterior não terá tantos requisitos. É de salientar que a capacidade do condensador C1 deve ser bastante elevada. Conversores COM isolamento galvânico Todos os reguladores abordados nesta unidade e na unidade anterior são implementados com um único interruptor, construído em • Em VL2, a tensão durante o estado ON será VL2 = ( -Vo + VC1). E no estado OFF: VL2 = -Vo. Assim, a expressão para a tensão média será: L2 : D · (-Vo + VC1 ) + (1 - D) · (-Vo ) = 0 Se se extrair da equação L2, o valor de VC1 será o seguinte: Dado que, no modo contínuo, a tensão no condensador é constante, ambas as expressões obtidas igualam-se: tecnologia BJT, MOSFET ou IGBT, apresentando na saída uma potência de dezenas de watts. Para correntes mais elevadas, são necessárias bobinas e condensadores maiores, o que provoca maiores perdas e reduz, por conseguinte, a eficiência. Mas há outro aspeto importante a considerar: a falta de isolamento galvânico entre a tensão de entrada e de saída. Em aplicações de alta potência, realizam-se conversões em várias etapas ou utilizam-se conversores que incorporam um transformador, o qual proporciona isolamento galvânico entre a entrada e a saída. Fala-se dos conversores forward e flyback. A. Conversor «forward» Recebe o nome de conversor forward porque a energia é transmitida à carga durante o intervalo de condução do interruptor. É, portanto, equivalente ao conversor redutor, com a vantagem do isolamento. A figura 7 mostra o circuito básico para esta topologia, onde o circuito de desmagnetização foi omitido. 2 1 + - Ve r D C Vo → ← - + Conversão DC/DC. Conversor elevador | Quando o interruptor é ativado, a tensão de entrada passa do primário do transformador para o secundário. O díodo D1 fica polarizado em sentido direto, permitindo alimentar a carga e a bobina, que se carregará de energia. Durante o intervalo de bloqueio do interruptor, o díodo D2, em modo de passagem livre, permitirá que a bobina se descarregue na carga e no condensador. B. Conversor flyback Trata-se de um conversor de acumulação em que a transferência de energia, da entrada para a carga, ocorre em duas fases, o que permite elevar a tensão de entrada, revelando-se muito útil em aplicações de alta tensão e baixa potência (televisores, monitores, etc.). Esta topologia com isolamento deriva do conversor redutor- elevador. A Figura 8 mostra a configuração do conversor flyback, em que a indutância de magnetização do transformador (Lm) é essencial para o seu funcionamento. 10 Durante o intervalo de condução do interruptor, a tensão proveniente de V permanece toda na bobina Lm, e a carga é alimentada pela energia libertada pelo condensador. No intervalo de bloqueio, a tensão na bobina é transferida do primário para o secundário, alimentando a carga e o condensador, que se encherá de energia para o ciclo seguinte. RESUMO Nesta unidade, foram analisadas diferentes topologias de reguladores de corrente contínua: conversor elevador, conversor redutor-elevador, conversor de Cúk e conversores com isolamento galvânico. Em todas as configurações, existe uma bobina que atua como mediadora para realizar a transferência de energia para a carga. E, como já foi referido anteriormente, será a capacidade desta indutância que determinará o modo de funcionamento do regulador de corrente contínua, seja ele contínuo ou descontínuo. BIBLIOGRAFIA Autoria própria de Marcos de la Rosa Prada. N1:N2 D1 L R VE Figura 7. Circuito do conversor forward. N1:N2 D L VE Figura 8. Circuito do conversor flyback. + Se g Se x - ← → - C Vo R + - + D2 C Vo Ve + - ← →