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ENFERMAGEM
Profª. Lívia Bahia
ATENÇÃO BÁSICA E SAÚDE DA FAMÍLIA
Parte 11
Atenção Básica e Saúde da Família
Enfermagem no acompanhamento do Pré –Natal de 
baixo risco na Atenção Básica
Avaliação e Classificação do Risco Gestacional
 Devido a alguns fatores de risco, algumas gestantes podem apresentar
maior probabilidade de evolução desfavorável. São as chamadas
“gestantes de alto risco”;
Atenção Básica e Saúde da Família
 A caracterização de uma situação de risco, todavia, não implica
necessariamente referência da gestante para acompanhamento em pré-
natal de alto risco. As situações que envolvem fatores clínicos mais
relevantes (risco real) e/ou fatores evitáveis que demandem
intervenções com maior densidade tecnológica devem ser
necessariamente referenciadas, podendo, contudo, retornar ao nível
primário, quando se considerar a situação resolvida e/ou a intervenção já
realizada.
 De qualquer maneira, a unidade básica de saúde deve continuar
responsável pelo seguimento da gestante encaminhada a um diferente
serviço de saúde.
Atenção Básica e Saúde da Família
 Fatores de risco que permitem a realização do pré-natal pela equipe
de atenção básica
Fatores relacionados às características individuais e às condições
sociodemográficas desfavoráveis:
• Idade menor do que 15 e maior do que 35 anos;
• Ocupação: esforço físico excessivo, carga horária extensa, rotatividade de horário, exposiçãoa
agentes físicos, químicos e biológicos, estresse;
• Situação familiar insegura e não aceitação da gravidez, principalmente se tratando de
adolescente; Situação conjugal insegura;
• Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de estudo regular);
• Condições ambientais desfavoráveis;
• Altura menor do que 1,45m; IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade.
Atenção Básica e Saúde da Família
Fatores relacionados à história reprodutiva anterior:
• Recém-nascido com restrição de crescimento, pré-termo ou malformado;
• Macrossomia fetal; Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas;
• Intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos;
• Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos);
• Cirurgia uterina anterior; Três ou mais cesarianas;
Fatores relacionados à gravidez atual:
• Ganho ponderal inadequado;
• Infecção urinária;
• Anemia.
Atenção Básica e Saúde da Família
 Fatores de risco que podem indicar encaminhamento ao pré-natal
de alto risco
Fatores relacionados às condições prévias:
• Cardiopatias; Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica); Nefropatias graves (como
insuficiência renal crônica e em casos de transplantados); Doenças hematológicas (inclusive
doença falciforme e talassemia); Antecedente de trombose venosa profunda;
• Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo);
Hanseníase; Tuberculose; Dependência de drogas lícitas ou ilícitas;
• Hipertensão arterial crônica e/ou caso de paciente que faça uso de anti-hipertensivo
(PA>140/90mmHg antes de 20 semanas de idade gestacional – IG);
• Doenças neurológicas (como epilepsia); Doenças psiquiátricas que necessitam de
acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.); Doenças autoimunes (lúpus eritematoso
sistêmico, outras colagenoses); Portadoras de doenças infecciosas como hepatites,
toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal);
• Alterações genéticas maternas; Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, tumores);
Atenção Básica e Saúde da Família
Fatores relacionados à história reprodutiva anterior:
• Morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior, principalmente se for de causa
desconhecida; Abortamento habitual; Esterilidade/infertilidade;
• História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ou
perinatal (interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp,
eclâmpsia, internação da mãe em UTI);
Fatores relacionados à gravidez atual:
• Restrição do crescimento intrauterino; Polidrâmnio ou oligoidrâmnio; Gemelaridade;
• Malformações fetais ou arritmia fetal;
• Distúrbios hipertensivos da gestação; Diabetes mellitus gestacional; Evidência laboratorial de
proteinúria; Infecção urinária de repetição ou dois ou mais episódios de pielonefrite; NIC III;
Suspeita clínicade câncer de mama;
• Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de tratamento com sulfato ferroso;
Atenção Básica e Saúde da Família
 Fatores de risco que indicam encaminhamento à urgência/ emergência 
obstétrica;
• Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia),
independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional;
• Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos
de repouso, na posição sentada. Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usar o teste
rápido de proteinúria;
• Sinais premonitórios de eclâmpsia em gestantes hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia
típica occipital, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito;
• Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com pré-eclâmpsia);
• Crise hipertensiva (PA > 160/110);
• Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal (consistência líquida, em pequena ou grande
quantidade, mas de forma persistente), podendo ser observada mediante exame especular
com manobra de Valsalva e elevação da apresentação fetal;
Atenção Básica e Saúde da Família
• Isoimunização Rh;
• Anemia grave (hemoglobina = 37,8C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de Ivas;
• Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em gestantes; Suspeita/diagnóstico de pielonefrite,
infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar; Suspeita de
trombose venosa profunda em gestantes (dor no membro inferior, edema localizado e/ou
varicosidade aparente);
• Investigação de prurido gestacional/icterícia; Vômitos incoercíveis não responsivos ao
tratamento, com comprometimento sistêmico com menos de 20 semanas; Vômitos
inexplicáveis no 3º trimestre;
• Restrição de crescimento intrauterino;
• Oligodrâmnio;
Atenção Básica e Saúde da Família
Puerpério
 O retorno da mulher e do recém-nascido
ao serviço de saúde e uma visita
domiciliar, entre 7 a 10 dias após o parto,
devem ser incentivados desde o pré-natal,
na maternidade e pelos agentes
comunitários de saúde na visita domiciliar.
 Ter uma consulta puerperal até 42 dias
após o parto;
Atenção Básica e Saúde da Família
 Avaliação da Puérpera pela enfermagem:
• Verifique os dados vitais;
• Avalie o estado psíquico da mulher;
• Observe seu estado geral: a pele, as mucosas, a presença de edema, 
a cicatriz (parto normal com episiotomia ou laceração/cesárea) e os 
membros inferiores;
• Examine as mamas, verificando a presença de ingurgitamento, sinais 
inflamatórios, infecciosos ou cicatrizes que dificultem a 
amamentação;
• Examine o abdômen, verificando a condição do útero e se há dor à 
palpação;
Atenção Básica e Saúde da Família
• Examine o períneo e os genitais externos (verifique sinais de infecção,
a presença e as características de lóquios);
• Verifique possíveis intercorrências: alterações emocionais,
hipertensão, febre, dor no baixo ventre ou nas mamas, presença de
corrimento com odor fétido, sangramentos intensos. No caso de
detecção de alguma dessas alterações, solicite avaliação médica
imediata;
• Observe a formação do vínculo entre a mãe e o filho;
• Observe e avalie a mamada para a garantia do adequado
posicionamento e da pega da aréola.
• Em caso de ingurgitamento mamário, mais comum entre o terceiro e
o quinto dia pósparto, oriente a mulher quanto à ordenha manual, ao
armazenamento e à doação do leite excedente a um Banco de Leite;
Atenção Básica e Saúde da Família
 Orientações de enfermagem no Puerpério:
• Direitos da mulher (direitos reprodutivos,sociais e trabalhistas).
• Oriente a puérpera sobre o planejamento familiar;
• Dê a ela uma informação geral sobre os métodos que podem ser utilizados no
pós-parto;
• Aplique vacinas (a dupla tipo adulto e a tríplice viral), se necessário;
• Ofereça teste anti-HIV e VDRL, com aconselhamento pré e pós-teste, para as
puérperas não aconselhadas e testadas durante a gravidez e o parto;
• Prescreva suplementação de ferro: 40mg/dia de ferro elementar, até três
meses após o parto, para mulheres sem anemia diagnosticada;
• Cuidados com o recém-nascido;
Atenção Básica e Saúde da Família
Ações relacionadas ao RN
 Recomenda-se uma visita domiciliar na
primeira semana após a alta do bebê. Caso o
RN tenha sido classificado como de risco, a
visita deverá acontecer nos primeiros 3 dias
após a alta.
Atenção Básica e Saúde da Família
 Avaliação do RN pela Enfermagem
• Verificar se a Caderneta de Saúde da Criança está preenchida com os
dados da maternidade.
• Verificar se informações sobre o peso, o comprimento, o teste de Apgar,
a idade gestacional e as condições de vitalidade;
• Verificar as condições de alta da mulher e do RN;
• Observar e orientar a mamada, destacando a necessidade do
aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida do bebê, não
havendo a necessidade de oferecer água, chá ou qualquer outro alimento
ao RN;
• Observar e avaliar a mamada para a garantia do adequado
posicionamento e da pega da aréola;
Atenção Básica e Saúde da Família
 Avaliação do RN pela Enfermagem
• Observar a criança em geral: o peso, a postura, a atividade espontânea,
o padrão respiratório, o estado de hidratação, as eliminações e o
aleitamento materno, as características da pele (presença de palidez,
icterícia e cianose), o crânio, as orelhas, os olhos, o nariz, a boca, o
pescoço, o tórax, o abdômen (as condições do coto umbilical), a
genitália, as extremidades e a coluna vertebral.
• Realizar o teste do pezinho e registrar o resultado na Caderneta da
Criança;
• Verificar se foram aplicadas no RN, na maternidade, as vacinas BCG e de
hepatite B.
• Agendar as próximas consultas de acordo com o calendário previsto para
o seguimento da criança: no 2º, 4º, 6º, 9º, 12º, 18º e 24º meses;
Atenção Básica e Saúde da Família
Rede Cegonha
 No contexto atual, frente aos desafios citados, o Ministério da
Saúde, com os objetivos de qualificar as Redes de Atenção
Materno-Infantil em todo o País e reduzir a taxa, ainda elevada,
de morbimortalidade materno-infantil no Brasil, institui a Rede
Cegonha.
Atenção Básica e Saúde da Família
 É uma estratégia do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede
de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento
reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao
puerpério, bem como assegurar às crianças o direito ao nascimento
seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis;
 A Estratégia Rede Cegonha tem a finalidade de estruturar e
organizar a atenção à saúde materno-infantil no País e será
implantada, gradativamente, em todo o território nacional.
Atenção Básica e Saúde da Família
 São quatro os componentes da Rede Cegonha:
• Pré-Natal
• Parto e nascimento;
• Puerpério e atenção integral à saúde da criança;
• Sistema logístico (transporte sanitário e regulação).
Atenção Básica e Saúde da Família
 A Rede Cegonha representa um conjunto de iniciativas que
envolvem mudanças:
• no processo de cuidado à gravidez, ao parto e ao nascimento;
• na articulação dos pontos de atenção em rede e regulação
obstétrica no momento do parto;
• na qualificação técnica das equipes de atenção primária e no
âmbito das maternidades;
Atenção Básica e Saúde da Família
• na melhoria da ambiência dos serviços de saúde (UBS e
maternidades);
• na ampliação de serviços e profissionais, para estimular a prática
do parto fisiológico;
• na humanização do parto e do nascimento (Casa de Parto
Normal, enfermeira obstétrica, parteiras, Casa da Mãe e do
Bebê).
Atenção Básica e Saúde da Família
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco /
Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012.
Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Rede
Cegonha. Disponível em:
http://dab.saude.gov.br/portaldab/ape_redecegonha.php
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.351, de 05 de Outubro de
2011. Altera a Portaria nº 1.459/GM/MS, de 24 de junho de 2011, que
institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede Cegonha.
Brasília. 2011

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