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HTP 
Público-alvo: Indivíduos de 6 a 90 anos. 
Aplicação: Individual e presencial. 
Tempo de aplicação: Aproximadamente 30 minutos. 
 
Proposto por John Buck (1948), solicita o desenho de temas simples, conhecidos pela maioria 
das pessoas. A experiência tem demonstrado que os temas árvore, casa e pessoa são os preferidos 
pelas crianças quando solicitados a desenhar livremente. Por meio desses desenhos, é possível 
explorar diferentes níveis de projeção da personalidade: aspectos mais arcaicos, no desenho da 
árvore, e aspectos menos arcaicos, no desenho da pessoa; o desenho da casa fica em algum ponto 
entre esses dois extremos. No Brasil, destaca-se o uso no processo psicodiagnóstico em 
clínicas-escola, porte de arma, disputa de guarda, tomada de decisão de psicólogos em avaliação 
psicológica e psicologia jurídica. O HTP é um teste projetivo tendo por objetivo avaliar a 
personalidade, visão de si e visão do mundo em seus ambientes, interações e conflitos. A casa, a 
árvore e a pessoa são representações (conscientes ou não) da imagem que o indivíduo tem de si. 
Os desenhos são analisados a partir das perspectivas adaptativa (adequação à tarefa), expressiva 
(estilo próprio do sujeito) e projetiva (aspectos psicodinâmicos). 
Perspectiva adaptativa: avalia a adequação do examinando à tarefa, considerando a 
qualidade da produção tanto em termos formais de correspondência ao grupo etário e sociocultural 
ao qual o indivíduo pertence, quanto à compatibilidade entre o que foi solicitado e o que foi 
produzido. De modo geral, os problemas de adaptação se devem a recursos intelectuais 
insuficientes, problemas orgânicos, patologias mais graves ou problemas emocionais intensos. 
Perspectiva expressiva: analisa o estilo próprio do examinando. A análise se volta para a 
expressão psicomotora do indivíduo, levando em conta também os comportamentos não-verbais 
apresentados durante a realização da tarefa. Os aspectos expressivos revelam características 
estáveis do indivíduo, como as atitudes básicas em relação a si e ao ambiente, o grau de energia de 
que dispõe e como o investe, o controle na expressão dos impulsos e os recursos cognitivos 
potenciais e efetivamente usados para dar conta das tarefas propostas (Hammer, 1991). 
Perspectiva projetiva: se concentra no modo como o tema é tratado, e avalia a atribuição de 
qualidades às situações e objetos representados, o que permite identificar áreas de conflito mais 
significativas (Van Kolck, 1984). Aqui a atenção se volta para as diferentes partes representadas e a 
análise se fundamenta no aspecto simbólico dos elementos analisados. 
As três perspectivas e os três desenhos devem ser analisados em conjunto, procurando-se 
padrões característicos da produção do examinando considerado em sua singularidade. 
Aplicação: deve ser aplicado individualmente, em local iluminado podendo ser uma avaliação 
inicial ou intervenção terapêutica. Pode também servir como rapport e não pode ter a presença e 
interferência de ninguém. Tendo que ficar claro para pais e/ou responsáveis, em caso de 
necessidade, a outra pessoa tem que ficar afastada do avaliando para não ter nenhum tipo de 
intervenção. Na sala não pode ter nenhuma imagem, fotografia, nada que possa ser utilizado como 
modelo. A aplicação deve acontecer com o avaliando estando descansado e sem interesses 
concorrentes, principalmente quando feito com crianças. 
Material: Manual de teste, protocolo de avaliação, lápis nº:2, folha de ofício (sulfite) e borracha. 
SEMPRE TER MATERIAIS EXTRAS. 
Instruções: CASA - HORIZONTAL; ÁRVORE - VERTICAL; PESSOA - VERTICAL; 
Inquérito: No contexto clínico, após a conclusão dos três desenhos, pode-se dar ao 
examinando a oportunidade de expressar pensamentos e sentimentos associados aos desenhos 
realizados. Trata-se de um procedimento opcional. O objetivo do inquérito é contribuir para a 
compreensão da dinâmica psicológica do indivíduo e esclarecer aspectos do desenho que pareçam 
obscuros ou que chamem a atenção (Buck, 2009). Ele deve ser sucinto, e os dados obtidos devem 
ser considerados complementares aos elementos gráficos. 
Desenhos complementares: Pode-se solicitar o desenho de uma pessoa do sexo oposto ao 
desenhado espontaneamente, como uma tarefa de caráter complementar que pode ser utilizada 
pelo psicólogo de modo a contribuir, no contexto clínico, para a interpretação da psicodinâmica do 
avaliado. 
Avaliação gráfica: Verifica se o desenho está de acordo com a evolução geral do grafismo, 
ou seja, se é compatível com a idade do indivíduo em termos de presença e organização dos 
detalhes e do desenho com um todo, controle do lápis, qualidade da produção. A produção de 
acordo com o esperado indica bom controle motor, nível intelectual satisfatório e capacidade de 
adaptação às demandas do ambiente. A produção acima do esperado pode dever-se a treinamento 
específico (aulas de desenho), facilidade para desenhar e presença de bons recursos intelectuais. A 
produção abaixo do esperado revela desajuste, que pode ser decorrente de: 
=> Resistência e evasão: o indivíduo evita expor-se e apresenta desenhos apenas com as 
partes essenciais. A produção caracteriza-se pela homogeneidade; todos os desenhos são pobres, 
com poucos detalhes, embora organizados. 
=> Recursos intelectuais limitados: a produção caracteriza-se pela homogeneidade; todos os 
desenhos são pobres, indicando que o indivíduo tem um repertório restrito de respostas, poucos 
detalhes ou organização inadequada, muitas vezes com tendência à estereotipia. 
=> Aspectos afetivo-emocionais: nesses casos, a produção é heterogênea. Os desenhos 
apresentam qualidade satisfatória, mas, eventualmente, um dos desenhos ou uma de suas partes 
tem sua qualidade comprometida pela dificuldade em controlar a ansiedade. 
=> Perturbações da motricidade: caracterizam-se por linhas trêmulas, dificuldade com os 
ângulos (tendência a desenhá-los arredondados ou muito abertos) e no controle das linhas 
(interrompendo-as antes de uma interseção ou ultrapassando o ponto em que deveriam parar). 
Deve-se observar o modo como o indivíduo segura o lápis e se a lateralidade está ou não 
definida. Os instrumentos projetivos gráficos levantam a hipótese de problemas de psicomotricidade, 
que devem ser investigados por técnicas elaboradas para essa finalidade. Alcoolismo, uso de drogas 
e determinados medicamentos também podem prejudicar o controle motor e, consequentemente, a 
qualidade do grafismo. 
Adaptação temática: Verificar, de acordo com o tema do desenho proposto pelo aplicador, se 
a produção está de acordo com as instruções e se pode ser considerada: 
=> Convencional: indica que o indivíduo captou o consenso social, é capaz de ver e entender 
o mundo como os outros, tem capacidade de adaptação. 
=> Original: o indivíduo é capaz de captar o consenso, mas tem mais recursos criativos, 
permitindo uma abordagem mais pessoal e diferenciada. 
=> Fantasista: há uma ligação entre a produção do indivíduo e o que foi solicitado, mas a 
ligação não é direta ou desvia-se demais do padrão. Indica uso da fantasia como fuga da realidade e 
forte gratificação. 
=> Bizarra: não há ligação entre o que o examinando desenhou e o que foi solicitado, ou a 
ligação é muito remota ou estranha. 
 Aspectos expressivos do desenho: Referem-se à expressão psicomotora, ao modo como 
o examinando, utilizando o lápis, se coloca no ambiente-folha que lhe é oferecido. A maneira como o 
examinando se coloca na folha revela como ele se coloca no mundo. Os aspectos expressivos 
traduzem as atitudes básicas do indivíduo em relação a si mesmo e ao ambiente, além do modo 
como lida com seus impulsos. 
Posição da folha: Representa o ambiente “imposto”, o espaço delimitado pelas bordas do 
papel e o modo como o indivíduo reage a essa imposição. Desenhar na folha conforme apresentada 
indica aceitação dessa limitação, capacidade de se adaptar. Modificar radicalmente a posição da 
folha pode indicar curiosidade e iniciativa, quando eventual,ou espírito de oposição, negativismo e 
tendências agressivas, quando a rejeição é sistemática. 
=> Localização do desenho: Considerando que a folha em branco representa o ambiente 
delimitado e imposto ao examinando, a análise do modo como o indivíduo ocupa o espaço 
disponível revela sua orientação geral em relação ao mundo e a si próprio, ou seja, seu espaço 
existencial. 
=> Centro: sugere comportamento adaptativo, segurança. 
=> Primeiro quadrante (Q1, canto superior direito): contato ativo com a realidade, projetos 
para o futuro. 
=> Segundo quadrante (Q2, canto inferior direito): força dos desejos, dos impulsos; 
obstinação e teimosia. 
=> Terceiro quadrante (Q3, canto inferior esquerdo): conflitos, regressão, fixação em estágio 
primitivo. 
=> Quarto quadrante (Q4, canto superior esquerdo): passividade, atitude contemplativa, 
nostalgia, desejo de permanecer absorto na fantasia. 
=> Metade superior: satisfação na fantasia, objetivos muito altos. 
=> Metade inferior: atitude mais pragmática, voltada ao concreto. Com desenhos pequenos, 
pode indicar depressão. 
=> Metade direita: (primeiro e segundo quadrantes): extroversão, predomínio da ação e do 
futuro, socialização. 
=> Metade esquerda (terceiro e quarto quadrantes): introversão, predomínio da afetividade e 
do passado. 
=> Apoiar o desenho na borda da folha: indica dependência emocional do ambiente (Figura 
24); é bastante comum em crianças. 
Tamanho em relação à folha: O tamanho do desenho é um indicador de autoestima realista 
ou de uma supervalorização compensatória de si. Representa quando o examinando se coloca no 
ambiente. Desenhos pequenos (inferiores a 1/16 da folha): sentimentos de inadequação e 
inferioridade, tendência ao retraimento. 
=> Desenhos médios (entre 1/3 e 1/8 da folha): nada a interpretar. 
=> Desenhos grandes (superiores a 2/3 da folha): sentimentos de expansão, falta de inibição. 
Pode ser uma tentativa de encobrir uma autoestima baixa. 
Pressão do lápis: É uma indicação do nível de energia que o examinando investe nas trocas 
com o ambiente. Trata-se de um dado bastante estável na maioria dos examinandos. 
=> Pressão mais forte: é encontrada em indivíduos tensos, agressivos. Crianças também 
tendem a desenhar com pressão mais forte. 
=> Pressão mais leve: é comum em pessoas inseguras e com sentimentos de inadequação. 
Indivíduos mais adaptados tendem a apresentar pressão variável e compatível com o motivo do 
desenho. 
Sombreado: Indica área de sensibilidade e ansiedade, e deve ser interpretado de acordo 
com o conteúdo da área sombreada. Um sombreado leve, que enriquece o desenho sem torná-lo 
pesado ou excessivamente escuro, pode estar associado a inteligência e sensibilidade. 
Predomínio de linhas retas ou curvas: Retas e curvas são esperadas nos desenhos do 
HTP, considerando que a casa tende a ter mais linhas retas, a árvore mais linhas curvas, e a 
pessoa, ambos os tipos de linha. As linhas retas estão associadas ao predomínio dos aspectos 
racional-volitivos, destacando-se a atenção, bem como a precisão e a agudeza da percepção. A falta 
de linhas retas indica falta de consistência, de determinação ou de persistência diante dos 
obstáculos. O excesso indica rigidez e intransigência. Enquanto linhas curvas estão relacionadas à 
emotividade, à flexibilidade e à capacidade de ajustamento. Excesso de linhas curvas indica 
deficiência de controle e propensão à excitabilidade. 
Traçado: Traços contínuos estão associados a decisão, rapidez e esforço dirigido. Traços 
interrompidos estão associados a incerteza, temor e mesmo tendências psicóticas. Linhas 
interrompidas ou contínuas somente porque foram reforçadas indicam insegurança ou ansiedade. 
=> Traços de avanços e recuos: em princípio indicam emotividade, ansiedade e também 
sensibilidade e intuição. Deve-se ponderar, entretanto, que pessoas com treino artístico 
frequentemente utilizam esse tipo de traçado. Nos estudos brasileiros, estavam mais associados à 
sensibilidade. 
=> Traçado trêmulo: sugere medo, insegurança e nervosismo, mas pode estar associado a 
problemas neurológicos, fadiga ou intoxicação por substância ou medicação. No estudo brasileiro, 
apareceu em idosos. 
Detalhes 
Para serem considerados completos, os desenhos devem ter, pelo menos: 
Na casa: telhado, paredes, uma porta e uma janela; 
Na árvore: tronco e copa; 
Na pessoa: cabeça com feições, tronco e membros, com pés e mãos. 
Esses são os elementos essenciais para considerar que o tema foi representado “inteiro”. 
 Pessoas perfeccionistas, minuciosas, poderão sobrecarregar o desenho de detalhes, 
tornando-se excessivamente pesado ou carregado. Esse tipo de produção é comum em pessoas 
rígidas, de tipo obsessivo-compulsivo. Pessoas pouco envolvidas com a tarefa poderão fazer 
desenhos com o mínimo de detalhes necessários, porém, suficientes. Esse seria o padrão das 
pessoas ajustadas e de inteligência concreta. A ausência de detalhes adequados expressa 
sentimento de vazio e energia reduzida, por vezes, indicativos de depressão. Detalhes irrelevantes 
para o desenho podem indicar insegurança e, se em grau muito elevado, ansiedade. Deslocamentos 
espaciais, deformações e perda de esquema indicam desde desatenção e labilidade até 
perturbações graves, como a esquizofrenia. 
Organização: Perturbações na integração do desenho são indicativas de acentuada 
dificuldade emocional. Assim, psicóticos tendem a produzir desenhos desorganizados, com detalhes 
bizarros ou que não são integrados adequadamente; dificuldades de integração podem ser 
encontradas também em idosos. A presença de transparências implica falha na função crítica e no 
teste de realidade. A relevância de sua presença deverá ser avaliada considerando número e 
gravidade (Figuras 35 e 36). Preocupação exagerada com a simetria (desenhos nos quais um dos 
lados da representação é exatamente igual ao outro) expressa necessidade de segurança e 
equilíbrio internos, apego a esquemas fixos, falta de adaptação intelectual, obstinação e rigidez. 
 Aspectos projetivos do desenho: A casa, árvore e pessoa desenhadas são 
representações da imagem que o indivíduo tem de si. Os aspectos projetivos referem-se ao 
conteúdo do desenho e ao tratamento dado ao tema. A análise permite identificar necessidades e 
qualidades do indivíduo atribuídas ao que foi desenhado. 
Casa: A casa suscita associações com a vida familiar e doméstica, tanto para crianças 
quanto para adultos. O clima geral (ou atmosfera) do desenho é bastante indicativo de como o 
indivíduo sente seu ambiente social e, no caso de crianças, particularmente o familiar. A casa 
representa mais frequentemente o autorretrato, contendo elementos de fantasia, ego, contato com a 
realidade, acessibilidade e a percepção da situação doméstica. O grau de uso da fantasia e da 
ideação pode ser indicado pela proporção entre a área do corpo da casa e a do telhado. As 
aberturas para o mundo, representadas pelas portas e janelas, são boas indicações da 
disponibilidade do indivíduo para a interação social. Os elementos acessórios, como chaminés, 
jardineiras, grades de proteção, também devem ser considerados em seus aspectos simbólicos, 
procurando compreender para que servem e identificar os conflitos ou necessidades que podem ter 
motivado sua inclusão. Por ser o primeiro da série, muitas vezes o desenho da casa apresenta 
poucos detalhes, tem tamanho pequeno ou é desenhado no canto superior esquerdo da folha. Essas 
produções podem indicar uma atitude de cautela do examinando diante da tarefa, decorrente da falta 
de referências quanto ao que virá em seguida. Caso essas características apareçam somente no 
primeiro desenho, a importância da produção no quadro geral será menor, sendo necessário 
enfatizar a própria atitude do indivíduo em uma situação que desconhece e sobre a qual não tem 
controle. 
Relação realidade-fantasia e integridade do ego: A estrutura visível da casa apresenta dois 
elementos distintos: a parte de baixo, constituída por paredesque devem ser fortes e firmes, e o 
telhado, composto de material menos robusto, sustentado pelas paredes. 
Paredes: Por sua constituição sólida e por estarem na parte “de baixo”, mais em contato com 
a realidade concreta, as paredes estão associadas à integridade do ego. Espera-se que sejam 
desenhadas com linhas contínuas, sólidas e retilíneas, que aparentem capacidade de sustentar o 
telhado. Paredes frágeis em vias de desmoronar, foram observadas em pacientes psiquiátricos com 
evidente desintegração de ego. Paredes reforçadas foram observadas naqueles que empregam 
visíveis esforços, conscientes ou não, para manter a integridade do ego. Linhas leves, interrompidas 
ou que, de outro modo, indiquem fragilidade das paredes podem indicar fraco controle do ego, sem 
uso de defesas compensatórias. Transparências nas paredes, em desenhos de adultos, apontam 
evidente violação do teste de realidade. 
Telhado: Constitui a parte “de cima” da casa e é menos sólido que as paredes. Por esse 
motivo, está associado ao pensar, ao imaginar, à atividade ideacional voluntária, por natureza fluida 
e intangível. Assim, os telhados grandes indicam excesso de imersão na fantasia, por atividades de 
devaneio, busca de gratificação ou elaboração mental. O trabalho na superfície do telhado pode 
trazer dados quanto à natureza dessa atividade – vazia para a fuga, algum tipo de tratamento para 
elaboração, traçado pesado ou confuso para presença de conteúdo ansiogênico. A produção 
minuciosa e repetitiva das telhas pode indicar presença de mecanismos obsessivos. Telhados 
pequenos em relação às paredes indicam personalidades mais constritas ou voltadas à realidade 
concreta. Telhados unidimensionais sugerem escasso envolvimento em atividades ideacionais. O 
reforço das linhas periféricas indicam esforço do indivíduo para manter a fantasia sob controle. 
Abertura para trocas interpessoais: Pode ser verificada pelo tamanho, quantidade, 
posicionamento e qualidade de portas e janelas. Esperam-se pelo menos uma porta e uma janela de 
tamanho proporcional à parede em que estão localizadas. É importante avaliar a facilidade com que 
o examinando desenha esses elementos, em oposição à dedicação de atenção excessiva a eles, o 
que caracterizaria desde ansiedade diante das trocas interpessoais até hipervigilância. 
Quanto maior o número de detalhes que protegem ou adornam portas e janelas, maior a 
ansiedade ou a cautela nas trocas interpessoais. A perspectiva da casa também revela a atitude do 
indivíduo diante das relações interpessoais. 
Porta: É a parte da casa que dá acesso direto a seu interior. Também pode ser aberta e 
fechada, desde que tenha maçaneta. Assim, portas grandes indicam abertura a trocas interpessoais 
e dependência. Portas abertas são raras e sugerem dependência excessiva dos outros. Portas 
pequenas apontam timidez e relutância em estabelecer relações. Elementos como olho mágico, 
maçaneta enfatizada e reforço do batente destacam a necessidade de controle sobre os 
relacionamentos e, eventualmente, hipervigilância. É importante verificar, também, se a porta é 
acessível, ou seja, se está no nível do solo ou acima dele ou, ainda, se é necessário subir escadas, 
abrir um portão, atravessar o jardim ou uma varanda, seguir por um caminho específico para chegar 
a ela. Todos esses obstáculos que retardam o acesso de outras pessoas ou exigem delas certo 
esforço para acessar o examinando. 
Janela: Representa uma forma secundária de se relacionar com o ambiente. Nelas, a 
presença de grades, cortinas e venezianas podem indicar obstáculos á interação e atitude defensiva, 
comum nas orientações hipervigilantes. Cortinas e venezianas podem indicar ansiedade, que se 
apresenta como tato nas relações interpessoais. Janelas absolutamente nuas indicam pouco tato 
nas relações. O posicionamento incorreto ou desequilibrado das janelas aponta problemas de 
organização, comuns entre as pessoas com esquizofrenia, mas não apenas entre elas. 
Perspectiva: A representação mais comum é da casa bifrontal, ou seja, dois planos vistos de 
frente. Uma atitude de rejeição aos valores tradicionais, e eventualmente associados a sentimentos 
compensatórios de superioridade, é indicada pela casa desenhada em “visão de pássaro”, isto é, 
vista de cima, à distância. Perfil absoluto (apenas a parede lateral da casa representada) é comum 
nas personalidades retraídas ou inacessíveis. Isso aparece de maneira ainda mais intensa nas 
representações que se limitam aos fundos da casa – equivalente a desenhar a pessoa de costas. 
Casas de fachada indicam que o examinando adota uma “máscara social” nos contatos 
interpessoais. 
Linha de solo: Em todos os desenhos, a presença da linha de solo reflete o grau de contato 
do examinando com a realidade concreta. “É uma pessoa que tem os pés no chão” é uma expressão 
que reforça essa interpretação, indicando, também, estabilidade e autonomia. 
Outros elementos 
Chaminé: A chaminé desenhada com facilidade, sem distorção ou ênfase, permite supor 
maturidade e equilíbrio sensual satisfatórios. A omissão da chaminé não é particularmente 
significativa, a menos que possa ser relacionada a outros elementos dos desenhos. A ênfase 
excessiva pode indicar preocupações ou conflitos relacionados à sexualidade (Figura 7). Chaminé 
pequena pode indicar sentimentos de impotência. 
Fumaça: Indica um escape das tensões internas. Assim, sua densidade e seu sombreamento 
podem revelar tensão interna ou ansiedade excessivas ou, caso ausente, inibição dessa tensão. 
Árvore: Por sua condição mais básica, esse desenho favorece a projeção de sentimentos 
mais profundos da personalidade e do self em um nível mais primitivo. Como a relação entre o 
indivíduo e a árvore não é tão evidente, esse desenho favorece a atribuição de sentimentos mais 
profundos, negativos ou perturbadores, com menos exigência de manobras defensivas do ego. 
Tronco: Assim como as paredes da casa, o tronco constitui sua porção mais sólida e, por 
isso, revela a força e a integridade da personalidade. Quando desenhado com linhas periféricas 
reforçadas, pode indicar esforço do examinando em manter sua integridade contra risco de 
desorganização. Linhas frágeis no tronco em oposição a linhas mais firmes na copa indicam 
sentimentos de risco de colapso da personalidade, quase sempre acompanhado de outros sinais de 
ansiedade. A presença de buraco no tronco deve ser analisada em termos do grau em que 
compromete o tronco e sua função (p. ex. moradia de animais). Marcas como cicatrizes no tronco 
podem indicar eventos traumáticos que “marcaram” o indivíduo. 
Copa: Assim como o telhado da casa, a copa é a porção “de cima” da árvore, mais dinâmica 
e fluida, associada à imaginação e ao pensamento. O grau de uso da fantasia e da ideação pode ser 
indicado pela proporção entre tronco e copa. Como no telhado, copas muito grandes indicam 
excesso de imersão na fantasia, por atividades de devaneio, busca de gratificação ou elaboração 
mental. O trabalho na superfície da copa pode trazer dados sobre a natureza dessa atividade – vazia 
para fuga, algum tipo de tratamento para elaboração, traçado pesado ou confuso para presença de 
conteúdo ansiogênico, produção minuciosa e repetitiva das folhas ou camadas podem indicar 
presença de mecanismos obsessivos. Copa pequena em relação ao tronco indica personalidade 
mais constrita ou voltada à realidade concreta ou com pouca perspectiva de obter gratificação no 
ambiente. Ausência da copa pode ser encontrada em examinandos que usam defesas intensas e se 
encontram alienados de sua vida interior, e também em examinandos depressivos. A linha externa 
da copa é o ponto de contato com o ambiente, a zona dos relacionamentos, das trocas entre o “de 
dentro” e o “de fora”. O modo como é conformada revela a atitude do indivíduo diante do ambiente: 
controlada, tensa, agressiva, etc. Linhas fluidas indicam espontaneidade e capacidade de 
adaptação. Quanto maior a tensão ao traçar a linha da copa, maior o controleque o indivíduo exerce 
sobre sua expressão no ambiente. 
Galhos: Representam os “braços” da árvore. Suas ramificações indicam as diferentes 
possibilidades de interagir com o mundo. O direcionamento dos galhos indica a fonte de gratificação 
preferencial do indivíduo: fantasia (para cima); ambiente (para fora); de modo egocêntrico, narcísico 
(para dentro); de modo desorganizado (confuso). As pontas dos galhos podem indicar a natureza 
dos impulsos predominantes na personalidade do examinando. A representação mais frequente é a 
de galhos em duas dimensões, de ponta aberta, na copa. Galhos pontiagudos, com espinhos ou em 
forma de clava indicam intensa agressividade. Galhos cujas pontas estão podadas (fechadas) 
indicam tendências bloqueadas e inibição da expressão. Galhos cujas pontas estão ocultas por 
ramos indicam mascaramento das próprias intenções. 
Raízes: Não são elementos essenciais da árvore e nem sempre estão presentes. Elas 
representam os impulsos básicos. Raízes que penetram o solo como garras podem sugerir atitudes 
agressivas e paranoides. Preocupação exagerada com as raízes pode indicar receio em perder o 
contato com a realidade. Raízes vistas através do solo (transparência) foram muito comuns nos 
estudos feitos com amostras brasileiras, o que contradiz a interpretação geralmente aceita de que 
seriam indicativas de possível esquizofrenia. 
Outros elementos: Elementos acessórios, como folhas, flores e frutos, também devem 
ser considerados em seus aspectos simbólicos, procurando-se compreender para que 
servem e identificar os conflitos ou necessidades que podem ter motivado sua inclusão. As 
folhas indicam crescimento, mas também preocupação com a aparência. Se miúdas e 
repetidas, denotam tendências obsessivas. Folhas caídas ou caindo indicam perdas, renúncia 
e dificuldade em se conformar às demandas do ambiente 
Flores geralmente estão associadas à presença de afetos mais superficiais e preocupação 
com a aparência, vaidade. Frutos costumam estar associados a desejos de realização (“colher os 
frutos”); para mães, podem representar os filhos; para crianças, é comum que representem os 
membros da família. 
Algumas considerações sobre características específicas da árvore: O tronco formado 
por linhas paralelas que não se fecham, dando a impressão de serem duas árvores separadas, ou o 
tronco “cindido” (partido ao meio) são indicativos de esquizofrenia. Árvores do tipo salgueiro, com 
galhos voltados para baixo, sugerem depressão. Árvores com copas em forma de saco sobre o 
tronco são comuns em pessoas paralisadas pela emoção. 
Árvores do tipo “buraco de fechadura”: indicam evasão da situação, forte resistência a se 
mostrar. Galhos unidimensionais ligados a tronco unidimensional podem ser indicativos de 
organicidade. O uso da borda do papel como apoio para a árvore é uma representação comum entre 
examinandos inseguros e com sentimentos de inadequação. Cabe destacar, entretanto, que é 
comum entre crianças. 
Pessoa: Esse desenho tem características de “humanidade” evidentes, com as quais o 
indivíduo prontamente se identifica. A solicitação desse desenho costuma gerar protestos e 
reclamações por parte de examinandos adultos. Não se pode negar que se trata de um desenho 
mais difícil de fazer que o de uma casa ou de uma árvore: há mais detalhes, e as dificuldades com 
as proporções ficam mais evidentes. Porém, é preciso considerar que, como o desenho da pessoa 
mobiliza conflitos mais próximos da consciência, é natural que a ansiedade aumente, assim como as 
manobras defensivas para contorná-la. Por esses motivos, o desenho da pessoa tende a ter uma 
qualidade inferior à dos desenhos anteriores. Esse desenho manifesta mais prontamente a visão de 
si mesmo mais próximo da consciência e a relação com o ambiente. Ao analisar o desenho da 
pessoa, é importante avaliar, de início, a impressão global transmitida pelo desenho: integridade, 
integração das partes, estabilidade, harmonia entre todas as partes que a compõem, indicações 
emocionais. Pessoas saudáveis tendem a produzir desenhos mais equilibrados, harmoniosos e 
integrados. 
Cabeça: Costuma ser a primeira parte da figura a ser desenhada. Isso faz sentido, pois se 
trata da região identificada como centro do “eu” e do controle intelectual sobre os impulsos inferiores. 
Nesse sentido, a cabeça aproxima-se do significado do telhado e da copa: é a “parte de cima”, 
dentro das funções superiores do pensamento e da imaginação. Cabeças grandes estão associadas 
a refúgio na fantasia ou valorização dos aspectos intelectuais – neste último caso, principalmente se 
um trabalho cuidadoso no desenho da cabeça contrastar com uma produção relativamente pouco 
elaborada do restante do corpo. O tamanho pequeno pode estar associado a neurose, depressão ou 
sentimentos de inadequação social ou intelectual. 
Feições: Identificam as pessoas e tendem a ser desenhadas logo que o contorno da cabeça 
esteja definido. Pessoas tímidas podem desenhar feições pouco elaboradas ou deixar para 
desenhá-las após a definição de outras partes do corpo. A ausência de elementos essenciais na 
face aponta dificuldades emocionais significativas e não costuma ocorrer na população normal. Os 
olhos são essenciais para o contato com o mundo exterior, mas também com o mundo interior. 
Olhos grandes são comuns em indivíduos cautelosos e hipervigilantes em relação às outras 
pessoas. Olhos pequenos ou mesmo puntiformes (com aparência de ponto) podem indicar 
resistência em entrar em contato com o mundo interior. Detalhes como sobrancelhas e cílios têm 
significado pouco claro, mas indicam atenção aos olhos. Olhos fechados estão associados a uma 
atitude de recusa de contato com o mundo exterior ou de absorção do indivíduo em seu próprio 
mundo. Olhos sem pupila estão associados ao egocentrismo, percepção indiferenciada do mundo. A 
ausência dos olhos é bastante rara e, em geral, ocorre em casos gravemente patológicos. O nariz 
pode representar um estereótipo social ou evocar aspectos fálicos. Nariz grande costuma ser 
compensatório a sentimentos de insegurança no plano da sexualidade. Sua omissão é rara e sugere 
acentuado conflito psicológico, sentimentos de desamparo e possível deterioração. A boca é um 
órgão associado a comunicação e oralidade, e suas representações remetem a essas áreas. Bocas 
unidimensionais e pequenas, que dão a impressão de tensão podem indicar dificuldade ou 
impossibilidade de expressão. Bocas abertas em formato oval apontam para oralidade acentuada, 
dependência. Lábios carnudos podem indicar sensualidade. A omissão da boca é rara e costuma 
estar associada a patologias. A presença de dentes indica agressão oral ou sadismo. Os cabelos 
são elementos de sedução e valorização pessoal. Costumam ser abundantes em pessoas vaidosas 
e narcisistas, mas também indicam vitalidade sexual. Quando escassos, apontam sentimentos de 
inadequação e autodesvalorização e autoimagem negativa. Presença de bigode e barba indica 
afirmação da virilidade, possivelmente como compensação diante de sentimentos de insegurança. 
Queixo e testa são aspectos pouco significativos em termos de comunicação interpessoal. Queixo 
acentuado remete ao estereótipo de força, determinação e tendências agressivas. Quando muito 
avantajado, pode indicar uso de mecanismos compensatórios mediante sentimentos de fraqueza e 
indecisão. As orelhas são pouco significativas e costumam ser ocultadas pelos cabelos, 
principalmente em figuras femininas. Quando exageradas, podem estar associadas a alucinações 
auditivas ou a preocupações quanto ao efeito estético das próprias orelhas ou a problemas 
auditivos. 
Pescoço: Como elemento de ligação entre cabeça e tronco, remete à organização temporal e 
ao controle intelectual sobre os impulsos. Pescoço longo sugere dificuldades do indivíduo para 
controlar e direcionar os impulsos. Curto e grosso sugere conduta mais guiada pelos instintos. 
Pescoço fino indica controle rígido. Cortado por decote, joia ou colarinho indicacontrole 
racionalizado . Linha cortando o pescoço enfatiza a separação entre controle e instinto. A omissão 
do pescoço aponta perda de controle e regressão. 
Tronco: Contém as vísceras, motivo pelo qual remete à vida instintiva e emocional. 
Ombros: Estão associados a sentimentos de força e resistência. Ombros em linhas curvas, 
por sua flexibilidade e adaptabilidade, sugerem maior passividade e submissão; ombros em linhas 
retas sugerem mais agressividade e crítica, mas também rigidez. 
Braços: O tronco remete à potência física, mas os braços estão associados à capacidade de 
ação e à confiança na própria produtividade. Braços curtos ou finos sugerem falta de confiança na 
própria capacidade. Braços longos indicam confiança na capacidade de realização e agressividade, 
se longos demais. Braços colados ao longo do corpo sugerem rigidez, passividade. A omissão dos 
braços é rara e remete a fortes sentimentos de incapacidade e impossibilidade de lidar com as 
pressões do ambiente. 
Mãos: São instrumentos mais refinados de contato com o ambiente, com ênfase nas relações 
interpessoais. Mãos ocultas (nos bolsos, atrás das costas) podem indicar evasão. Mãos pequenas 
são uma representação direta de sentimentos de inadequação no plano interpessoal, de modo mais 
acentuado em caso de mãos omitidas. Mãos grandes, principalmente com dedos longos e pontudos 
ou com unhas em garras, apontam agressividade. Caso seja um punho fechado, indica repressão da 
agressividade. Os dedos representam os pontos reais de contato, e a qualidade da representação 
sugere sentimentos de adequação ou inadequação no plano interpessoal. Preocupação exagerada 
com articulações e unhas pode indicar mecanismos obsessivos ou dificuldades em relação ao 
conceito corporal, como ocorre em pessoas diagnosticadas com esquizofrenia. Dedos sem a palma 
da mão são uma realização infantil. Pontiagudos indicam agressividade. 
Cintura: A cintura divide o corpo entre as zonas superior e inferior do tronco e pode ser 
considerada a coordenadora dos impulsos de poder (parte superior do tronco) e dos impulsos 
sexuais (parte inferior). Remete ao controle dos impulsos sexuais identificados com a porção inferior. 
Cintura apertada indica esforço exagerado em controlar esses impulsos; ênfase na cintura por meio 
de sombreado ou cinto indica ansiedade diante dos impulsos sexuais. 
Genitais: Estão diretamente relacionados à sexualidade. Espera-se que seu espaço esteja 
indicado, mas desenhá-los explicitamente é raro. Assim, a representação explícita ou simbólica de 
genitais é indicativa de exibicionismo ou preocupação com a sexualidade e está associada a 
patologias diversas. 
Pernas: Mantêm a estabilidade do corpo, são meios de locomoção e compartilham a esfera 
sexual com a parte inferior do tronco. Quando pequenas, curtas ou frágeis, podem indicar 
sentimentos de deficiência. Quando incompletas, por não caberem no papel, podem apontar desejo 
de autonomia sem condições concretas para isso.A omissão simples está associada a patologias 
diversas, como sentimentos de constrição e castração, esquizofrenia. Na figura feminina, cobertas 
por um longo vestido ou firmemente apertadas uma contra a outra, indicam conflito em relação à 
sexualidade. 
Pés: São extremidades e pontos de contato, representando a base de apoio do indivíduo, o 
“estar no mundo”. Podem ser, também, instrumentos de agressividade (dão chutes). Pés pequenos 
indicam dependência e pouca segurança (Figura 16), o que é mais acentuado no caso de omissão 
simples. Figura na ponta dos pés indica contato tênue com a realidade. A representação de pés 
descalços ou dos dedos dos pés é rara e remete a agressividade. 
Roupas e outros acessórios: Em geral a pessoa é desenhada com roupas, e a ênfase em 
certos elementos do vestuário parece ter implicações específicas. O desenho de nus pode apontar 
sensibilidade artística, narcisismo ou consciência de conflitos sexuais, dependendo da qualidade do 
desenho e de atributos como proporcionalidade e presença de sombreado. Cinto, por estar na 
cintura, está associado à ansiedade quanto ao controle dos impulsos sexuais; gravata, pelo formato, 
pode ser entendida como símbolo fálico. A representação de botões ao longo da linha mediana do 
tronco sugere dependência e infantilidade (necessidade de eixo). 
 
CAT - A 
Público-alvo: Crianças entre 5 e 10 anos. 
Aplicação: Individual. 
Tempo de aplicação: Livre (as aplicações levam em média 45 minutos). 
 
O CAT (Children’s Apperception Test – Animal Figures) é um dos mais importantes 
instrumentos para diagnóstico psicológico e psicoterapia, desde a sua publicação em 1949 por 
Leopold Bellak e Sonia S. Bellak. Trata-se de um método projetivo temático que tem como objetivo 
revelar a estrutura da personalidade da criança e sua maneira de reagir a, e lidar com as questões 
de crescimento. Para isso, os autores elaboraram estímulos padronizados que permitissem 
investigar as diferenças individuais diante das questões comuns da infância. Em sua versão original, 
os estímulos apresentam figuras de animais. A utilização de cartões com animais foi sugerida por 
Ernst Kris, para quem seria de se esperar que crianças se identificassem mais prontamente com 
animais do que com pessoas, como as apresentadas nos estímulos do Teste de Apercepção 
Temática – TAT, de Henry Murray (1943). 
Nas técnicas projetivas temáticas, o clínico desenvolve suas habilidades de análise 
aprofundada de cada caso fundamentado em sistemas teóricos – via de regra, a psicanálise – e a 
partir de sua experiência, para realizar uma análise idiográfica e qualitativa. O esquema utilizado nos 
estudos da adaptação do CAT-A para o Brasil foi submetido a uma ficha de sistematização que 
possibilita análise possíveis de tratamento estatístico, sem desrespeitar a proposta original dos 
autores nem cair na armadilha da simplificação excessiva. 
Objetivos do CAT-A: Captar o mundo vivencial da criança a partir da interpretação das 
histórias narradas aos estímulos apresentados. Procura-se conhecer a estrutura afetiva da criança, a 
dinâmica de suas reações diante dos problemas que enfrenta e de seus desejos, assim como o 
modo como procura resolver essas questões. É uma técnica destinada ao uso no contexto clínico e 
privilegia a compreensão do indivíduo em sua singularidade. 
Descrição dos cartões e temas frequentemente evocados do CAT-A: Os temas 
frequentemente evocados pelos estímulos de uma técnica temática contribuem para a compreensão 
da “demanda” de cada estímulo, ou seja, dos temas mais claramente sugeridos pelos cartões. 
Administração do CAT-A: Antes de iniciar a administração do CAT-A é necessário ter 
estabelecido um bom rapport com o examinando. Isso costuma ser mais difícil com crianças 
menores ou menos adaptadas. É altamente recomendável explicar para a criança que não há 
histórias certas ou erradas, e que o mais importante é ela inventar uma história para cada figura. As 
instruções podem ser retomadas sempre que necessário de forma sucinta e adaptada à idade e aos 
recursos da criança. 
Descrição dos cartões e temas frequentemente evocados 
● Cartão 1: Três pintinhos estão sentados à mesa, um deles sem guardanapo. No fundo, 
há uma figura sombreada de um galináceo de sexo indefinido. 
As respostas mais típicas envolvem referências à figura materna, geralmente percebida como 
objeto que nutre e gratifica. Temas referentes ao ato de comer, de ser ou não ser alimentado, e 
atitudes diante da alimentação predominam nesse cartão. Eventualmente podem ser percebidas 
referências à rivalidade fraterna (quem recebe mais comida, quem se comporta bem ou mal, quem 
não tem guardanapo). O papel da comida como recompensa ou punição e problemas gerais de 
oralidade podem se revelar nas narrativas. 
● Cartão 2: Três ursos puxam uma corda, um pequeno e um médio de uma lado, um 
grande do outro. 
A percepção do conflito edípico costuma se manifestar no cartão 2. É interessante observar 
com quem o ursinho coopera (paiou mãe). O estímulo também sugere temas relacionados à 
competitividade que podem revelar a segurança ou insegurança da criança quanto à própria 
capacidade. A situação pode ser vista como uma luta, acompanhada de medo da agressividade, 
expressão da agressividade da própria criança ou autonomia, ou como uma brincadeira (cabo de 
guerra, por exemplo). A ruptura da corda pode revelar preocupação com castigo ou, simbolicamente, 
medo da castração. 
● Cartão 3: Um leão está sentado em uma cadeira, segurando um cachimbo; uma 
bengala pode ser vista, apoiada na cadeira. Ao fundo há um ratinho, dentro de um 
buraco na parede. 
O leão costuma ser associado à figura paterna, dado seu papel de “rei” e a posse de símbolos 
de poder como o cachimbo e a bengala. A bengala pode ser percebida como instrumento de 
agressividade ou para depreciação, nesse caso a figura do leão é vista como velha e impotente, 
alguém que não se precisa temer (o que pode ser fruto de uma manobra defensiva). É importante 
observar se a figura é uma força benigna ou ameaçadora. O ratinho costuma ser visto como a figura 
de identificação. É interessante observar a interação entre o leão e o ratinho (ameaçadora, de 
amizade, de ajuda mútua, de consolo) e confirmá-la como projeção da relação da criança com a 
figura paterna por meio de dados de outras histórias e de outras fontes. Algumas crianças alternam 
a identificação com o leão e o ratinho ao longo da narrativa, o que pode indicar confusão de papeis, 
conflito entre submissão e autonomia, por exemplo. 
● Cartão 4: A mãe canguru leva um bebê em sua bolsa e uma cesta na mão direita. O 
bebê segura uma bexiga. Um pequeno canguru segue atrás, de bicicleta. 
O estímulo evoca situações de lazer e relação com a figura materna. Questões de rivalidade 
fraterna ou preocupações com a origem dos bebês podem se revelar; em ambos os casos, a relação 
com a mãe é um aspecto importante. Podem ser identificados desejos de autonomia (ênfase no 
pequeno canguru que vai de bicicleta) ou de regressão para ficar mais perto da mãe (identificação 
com o bebê). A cesta pode sugerir temas relacionados à alimentação. Eventualmente são sugeridos 
temas de fuga do perigo. 
● Cartão 5: Um quarto escuro no qual se observa uma cama de casal, com volumes sob 
as cobertas. No primeiro plano há um berço com dois ursinhos. 
Aqui são comuns narrativas relativas à cena primária em todas as suas variações. Temas 
referentes ao medo de abandono, fuga da situação (os ursinhos estão dormindo e os pais estão 
fora) e necessidades orais (os ursinhos têm fome ou são alimentados) também podem ser 
evocados. Referências à manipulação dupla entre crianças, observada por Bellak e Abrams (1998), 
não foram frequentes nos estudos com as amostras brasileiras. 
● Cartão 6: Numa caverna, dois ursos grandes dormem. No primeiro plano, um ursinho 
está deitado, de olhos abertos. 
Como o cartão 5, o cartão 6 elicia histórias relacionadas à cena primária. A prática tem 
demonstrado que frequentemente o cartão 6 amplia o que ficou retido na resposta ao cartão anterior. 
Temas como ciúmes, castigos, necessidades orais (o ursinho está com fome ou é alimentado), 
ameaças (fantasmas, lobo), necessidade de proteção e medo de perder a mãe. Referências à 
masturbação noturna, observada por Bellak e Abrams (1998), não foram frequentes nos estudos 
com amostras brasileiras. 
● Cartão 7: Numa floresta, um tigre avança em direção a um macaquinho. 
As respostas mais típicas se referem à figura que ataca, geralmente percebida como 
masculina, hostil, persecutória e ameaçadora. O cartão favorece a expressão do medo da 
agressividade e de modos de lidar com ela. Defesas contra a ansiedade da criança diante de 
situações ameaçadoras que envolvam expressão da agressividade podem se revelar pela rejeição 
do cartão, histórias inócuas (o tigre e o macaco brincam ou são amigos) ou irrealistas (o macaco é 
mais forte do que o tigre). 
● Cartão 8: Vários macacos tomam chá e interagem em uma sala. No primeiro plano, 
um macaco adulto conversa com um macaco pequeno. Na parede do fundo 
observa-se um retrato de uma macaca anciã. 
Temas referentes à identificação com a figura parental e a sentimentos de proteção e 
aceitação por parte dessa figura costumam surgir no cartão 8. A figura do adulto em primeiro plano 
pode ser percebida tanto como figura materna quanto paterna. O estímulo costuma revelar qual é o 
papel da criança na constelação familiar, assim como aspectos da dinâmica da família. 
● Cartão 9: Em um quarto escuro, com a porta aberta, observa-se um coelhinho 
acordado no berço. 
Os temas mais frequentes nesse cartão referem-se a medo do escuro, de ser deixado só ou 
de abandono pelos pais. Temas relacionados a pesadelos, agressividade e castigo também foram 
observados. Eventualmente as narrativas giram em torno do que se passa no ambiente ao lado, 
provavelmente devido à interferência de mecanismos de defesa diante da ansiedade mobilizada 
pelos temas mais comuns. Desejo de independência e crescimento também podem se revelar nas 
histórias. 
● Cartão 10: Um cachorro grande e um cachorro pequeno estão em um banheiro. O 
cachorro maior está com uma das mãos sobre o cachorrinho, cujo olhar está voltado 
para o examinando. 
Esse cartão sugere narrativas que podem revelar as concepções morais da criança. Histórias 
sobre treinamento esfincteriano e controle dos impulsos podem ser observadas. Pela temática 
sugerida e por ser o último estímulo da série, tendências regressivas e controles frágeis são 
revelados mais claramente nesse cartão do que em qualquer outro. Eventualmente foram 
observados temas de carinho e cuidado entre as personagens, que podem estar associados a 
relações gratificantes ou a defesas contra a ansiedade mobilizada pelo estímulo (agressividade, 
punição). 
 Tema principal 
A análise do tema principal tem como objetivo levar a uma proposição que explicite o conteúdo 
latente do relato e o modo como o examinando o elabora. Por conteúdo latente, entende-se o 
conteúdo psicológico subjacente ao conteúdo manifesto, ou seja, a narrativa em seu estado bruto. 
 Autoimagem 
Baseia-se nas características do herói principal – a figura central do relato, em torno da qual gira a 
trama. O herói é considerado a figura de identificação, na qual o examinando projeta suas 
características reais ou ideais (Silva, 1989). As personagens menos parecidas com o narrador 
podem representar aspectos menos conscientes e mais latentes de sua personalidade (Bellak & 
Abrams, 1998). 
 Relações objetais 
Investiga-se como a criança percebe as outras pessoas e o tipo de relação que estabelece com elas: 
pais, irmãos, amigos, rivais. As relações podem ser percebidas como de apoio, rivalidade ou outras. 
 Concepção do ambiente 
Considera-se como ambiente todo o contexto que envolve o herói, incluindo as demais personagens 
mencionadas no relato. Como destacam Bellak e Abrams (1998), quanto mais coerente for a visão 
do ambiente mostrada nas histórias ao CAT-A, mais motivos existem para considerá-lo um elemento 
importante da personalidade do examinando e uma indicação útil de suas reações na vida diária. 
Geralmente dois ou três termos descritivos são suficientes (provedor, hostil, ameaçador, indiferente, 
etc). 
 Necessidades e conflitos 
A identificação das necessidades se dá a partir dos comportamentos do herói ou de afirmações 
explícitas do que ele procura, deseja ou quer. Os conflitos se referem a desejos incompatíveis e 
concomitantes, revelados a partir das necessidades do herói, ou a impulsos que se opõem ao 
superego ou ao ambiente. A identificação dos conflitos expressos na narrativa constitui um passo 
para a identificação das ansiedades subjacentes e das defesas mobilizadas para enfrentá-las 
(Montagna, 1989; Silva, 1989). 
 Ansiedades 
Referem-se ao que está por trás dos conflitos, àquilo do qual a criança realmente se defende, o 
motivo fundamental da configuração dos conflitos. Como destacam Bellak e Abrams (1998), as 
ansiedadesmais importantes são as relacionadas a danos físicos, abandono (solidão, falta de 
apoio), castigos e medo de não ter ou de perder amor (desaprovação). 
 Mecanismos de defesa 
Os mecanismos destacados por Haworth (1963) nas respostas ao CAT-A são explicitados a seguir. 
O modo como podem ser identificados nos relatos é descrito no Formulário de mecanismos 
adaptativos nas respostas ao CAT, da mesma autora. 
 => Descrição dos mecanismos de defesa adaptativos 
Formação reativa 
Um impulso indesejável é mantido inconsciente por meio da adoção de seu oposto. É adotada uma 
atitude rígida que impede a expressão de impulsos contrários. 
Anulação e ambivalência 
Anulação: uma ação visa ao cancelamento ou à negação do que foi expresso anteriormente. 
Ambivalência: expressão de atitudes ou sentimentos contraditórios em relação a um objeto, pessoa 
ou ato. 
Isolamento 
Consiste na ruptura de conexões associativas de um comportamento ou pensamento a outros atos 
ou pensamentos – particularmente os que os antecede ou sucede no tempo –, de modo a excluí-los 
do consciente e evitar o autoconhecimento. 
Repressão e negação 
Repressão: é a operação psíquica que visa fazer desaparecer da consciência um conteúdo 
indesejável (ideia, afeto ou outro). 
Negação: utilizado quando outros mecanismos não foram suficientes para barrar o desejo reprimido. 
O sujeito admite intelectualmente o recalcado, mas defende-se negando que lhe pertença. É uma 
defesa menos radical do que a repressão. 
Falseamento 
Trata-se de uma distorção da realidade decorrente da dificuldade em aceitá-la conforme se 
apresenta. 
Simbolização 
Uso de símbolos que representam um grupo complexo de objetos e atos associados a desejos 
reprimidos que podem envolver aspectos inaceitáveis para o indivíduo. 
Projeção e introjeção 
Projeção: o impulso inaceitável é atribuído a outra pessoa, objeto ou evento externo. O indivíduo 
expulsa de si qualidades, sentimentos, desejos ou objetos que não aceita em si mesmo e os localiza 
no outro. 
Introjeção: visa resolver as dificuldades emocionais do indivíduo por meio da atribuição, a si mesmo, 
de determinadas características de outras pessoas ou objetos. 
 Descrição dos mecanismos fóbicos, imaturos ou desorganizados 
Referem-se essencialmente ao fracasso de proteção ao ego. Os conteúdos se manifestam 
acompanhados de afetos intensos e de natureza desagradável. 
Medo e ansiedade 
Os conteúdos ansiógenos se expressam explicitamente. O discurso permanece relativamente 
organizado, mas não há possibilidade de enfrentamento ou solução do conflito subjacente. 
Regressão 
Trata-se de um retorno a formas de gratificação de fases anteriores diante de conflitos que surgem 
em estágios posteriores do desenvolvimento. 
Controles frágeis ou ausentes 
Indicam comprometimento do processo secundário, o que dá origem à expressão de conteúdos 
primitivos e intensos, com perda de qualidade do discurso (falhas na lógica e articulação). 
 Superego 
Verifica-se aqui se existe alguma punição pelos comportamentos inadequados do herói, e, se 
houver, se é proporcional à gravidade do deslize cometido (o que indica presença de superego 
atuante), exagerado em relação à gravidade da falha (o que indica interferência de um superego 
rígido) ou leve demais ou inexistente (o que indica superego frágil). Nem todos os relatos permitem 
verificar diretamente o superego. 
 Integração do ego 
Basicamente o que se verifica aqui é como o examinando deu conta da tarefa. É uma das 
dimensões mais importantes porque indica o nível geral de funcionamento da criança. Alguns 
aspectos a considerar são: a) Até que ponto a criança consegue conciliar a expressão dos impulsos 
e as demandas da realidade e do superego? 
O grau de adequação do herói para lidar com os problemas presentes na trama são uma boa 
indicação disso. A plausibilidade e a qualidade (positiva ou negativa) do desenlace são 
esclarecedoras nesse sentido. Uma boa integração do ego é indicada por desenlaces realistas que 
apresentam soluções adequadas. Desenlaces negativos, omitidos ou irrealistas indicam baixa 
integração do ego. 
b) O quanto a criança mantém o controle da ansiedade, preservando tanto a adaptação à realidade 
quanto a imaginação e a criatividade? 
Considera-se a qualidade do relato em termos de riqueza de conteúdo, coerência da história e 
adequação ao estímulo. Uma boa integração de ego é indicada por coerência e boa qualidade do 
relato, com uso de defesas que não impedem a emergência de aspectos pessoais. 
 
 
CAT - H 
Público-alvo: Crianças entre 7 e 12 anos e 11 meses. 
Aplicação: Individual. 
Tempo de aplicação: Livre (as aplicações levam em média 45 minutos). 
 
Objetivo: 
O objetivo da CAT-H é captar o mundo vivencial da criança a partir da interpretação das histórias 
narradas aos estímulos apresentados. 
 
Descrição dos cartões e temas frequentemente evocados 
● Cartão 1: Três crianças estão sentadas em volta de uma mesa, sobre a qual está uma tigela 
grande de comida. Mais para o canto, pode ser vista uma figura humana adulta difusa. 
Necessidades orais e gratificação oral são os temas que costumam ser evocados por esse estímulo. 
O adulto pode ser percebido como pai ou mãe. 
● Cartão 2: Uma pessoa puxa uma corda em uma ponta, enquanto outras duas pessoas, sendo 
uma bem menor, puxam na outra ponta. 
A cena geralmente é percebida como uma brincadeira e não como um embate. A criança menor 
costuma ser identificada como menino. 
● Cartão 3: Um homem, portando um cachimbo e uma bengala, está sentado em uma cadeira; 
à direita, uma criança sentada no chão olha para ele. 
O estímulo explora a relação com a figura paterna, que costuma ser vista como alguém que ajuda a 
criança ou a ignora. A criança tende a ser vista como do sexo masculino. 
● Cartão 4: Uma mulher leva uma cesta com uma garrafa de leite em uma das mãos, enquanto 
segura um bebê com a outra; em uma bicicleta, está uma criança um pouco maior. 
Esse cartão costuma produzir histórias positivas nas quais as personagens vão fazer um piquenique 
ou passeio. A mulher é identificada como a mãe, a criança na bicicleta costuma ser vista como um 
menino e o bebê, quando mencionado, tende a ser percebido de modo positivo. 
● Cartão 5: Um quarto escuro, com uma cama de casal ao fundo; no primeiro plano pode-se 
ver um berço com duas crianças. 
O sono é o principal tema evocado por esse estímulo. As crianças tendem a ser vistas como 
dormindo. Os pais na cama costumam ser mencionados. O estímulo remete à cena primária. 
● Cartão 6: Uma tenda na qual dormem duas pessoas, em segundo plano; no primeiro plano 
pode-se ver uma criança acordada que olha para fora. 
O cenário costuma ser identificado como acampamento e a temática mais frequente é a do sono. 
Temas de ameaças reais ou temidas podem ser evocados. A criança tende a ser vista como do sexo 
masculino. 
● Cartão 7: Uma figura humana grande e assustadora inclina-se em direção a uma criança. Um 
caldeirão fumegante encontra-se presente. 
O tema de ameaça é frequentemente evocado por esse estímulo. A criança, quase sempre 
identificada como um menino, é atacada ou foge. 
● Cartão 8: Dois adultos estão sentados em um sofá, tomando chá. Um adulto no primeiro 
plano, sentado em um pufe, está falando com uma criança. 
O tema da repreensão é o mais comum nesse cartão. A criança costuma ser percebida como um 
menino e a figura que repreende como a mãe. 
● Cartão 9: Um quarto escuro é visto por uma porta aberta, a partir de um ambiente iluminado. 
No quarto há uma cama, na qual há uma criança que olha para a porta. 
Histórias em que a criança está com medo ou assustada ou não consegue dormir costumam ser 
evocadas por esse estímulo. As ameaças podem ser temidas ou reais. A criança quase sempre é 
identificada como um menino. 
● Cartão 10: Uma criança está deitada no colo de um adulto que está sentado; as duas figuras 
têm expressão neutra e estão em um banheiro. 
O estímulo evoca temas associados à higiene e ao controle esfincteriano.A figura do adulto costuma 
ser vista como a mãe, que ensina ou repreende. 
Fundamentos para a interpretação do CAT-H 
É fundamental que, antes de dar início à análise de cada relato, o profissional leia o protocolo de 
respostas várias vezes, a fim de familiarizar-se com o conteúdo e o tom emocional geral das 
narrativas. 
Elaboração da síntese do CAT-H 
No contexto clínico, o objetivo último da análise é chegar a uma compreensão global do 
funcionamento da criança, que articule as evidências dos recursos de que ela dispõe e suas 
dificuldades, de modo a fundamentar o encaminhamento recomendado. 
Aspectos intelectuais: considerar a amplitude do vocabulário, a riqueza do discurso, a diversidade de 
temas abordados, levando em conta a idade e o nível sociocultural do examinando. Essa apreciação 
depende de conhecimento de psicologia do desenvolvimento e se volta à produção na qualidade de 
discurso. São particularmente úteis as informações da dimensão Integração do ego. 
Autoimagem: abordar como a criança se percebe e o quanto confia em sua própria capacidade de 
resolver as dificuldades que enfrenta (adequação e participação do herói nos desenlaces; tipo de 
desenlace). 
Concepção do ambiente e relações objetais: indicar como a criança percebe o ambiente e as 
pressões que exerce sobre ela, assim como suas interrelações de modo geral. Particular atenção 
deve ser dedicada às representações das figuras parentais em suas interações com os heróis dos 
relatos. 
Principais necessidades, conflitos e ansiedades: apontar quais são as necessidades e conflitos mais 
recorrentes; particular atenção deve ser dada aos que levam à queda na qualidade da produção 
(seja pelo empobrecimento, seja pela desorganização do discurso). 
Defesas e elaboração dos conflitos: identificar quais são as defesas mais usadas e suas 
consequências em termos de facilitar ou dificultar a elaboração dos conflitos expressos nos relatos. 
Considerar aqui dados referentes ao superego e ao grau de integração do ego. 
 
Encaminhamento: considerar a necessidade (ou não) de intervenções e as possíveis alternativas 
que ajudem a criança no enfrentamento de suas dificuldades, seja em relação à família ou ambiente 
em geral (orientação para os pais, por exemplo), ou em relação à própria criança (psicoterapia, 
atividades em grupo ou outras). São úteis as informações das categorias Integração do ego e Total 
do formulário.

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