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Desenho da Figura Humana 
Uergs 
Artes Visuais 
Desenho
Desenho da Figura Humana 
O corpo e o desenho 
 
“O corpo é o ente físico e palpável, o órgão de nossa atenção e 
intenção. A figura pertence ao universo simbólico e 
representativo. (. ..) A noção de si mesmo é assentada na 
experiência da vida num corpo. (...) O corpo é mediador entre o 
dentro e o fora. A figura cria o seu espaço de representação. Ao 
se inserir na esfera da História, a imagem construída ecoa na 
atitude dos homens.” 
 
(DERDYK, Edith, O desenho da figura humana. São Paulo: Scipione, 1990, pp.29-31) 
• “São milhares de maneiras de representar a figura humana, 
as quais provavelmente, estiveram associadas às condições 
e circunstâncias de uma certa época, bem como 
interligadas à relação que o homem mantém com seu 
próprio corpo: reflexos de uma determinada visão do 
mundo. 
• (...) são várias as tendências dominantes que acabam por nos 
revelar os múltiplos significados que o corpo assumiu dentro 
de cada cultura. Inclusive, as várias formas e posturas 
corporais que os próprios artistas assumiram ao desenhar 
refletem toda uma maneira de estar no mundo (...) 
• (a figura do corpo) humano traduz, em seu íntimo, nosso 
desejo de perpetuação”. (DERDYK, p.31) 
• Os egípcios elaboraram um sistema para construir as medidas do corpo. 
Construíram uma rede mecânica para acomodar a figura (18 quadrados do pé à 
testa), sem se preocupar com a relação desta rede com as junções orgânicas do 
corpo humano, seguindo um princípio de identidade mecânica com um módulo 
abstrato. 
• Concretizam assim uma visão cosmológica de realização da eternidade.
• Pintura sobre parede Rainha 
Nefertari, esposa de Ramsés II, 
Dinastia XIX, que reinou de 1279 a.C. 
e 1213 a.C. 
• Cânone segundo José M. Parramón (2002, p.6) é 
a norma que estabelece as dimensões ideais da 
figura humana. 
• Um dos primeiros cânones escritos foi o de 
Policleto na Grécia antiga (século V antes de 
Cristo). 
• O cânone foi entretanto questionado 
posteriormente, e um novo estudo (Praxíteles) 
apontou como medida ideal um corpo de 8 
cabeças. Cem anos depois, o escultor Leócares 
utilizaria a medida de 8 ½ cabeças. 
 Imagem: Cânone grego de Policleto das 7 ½ cabeças. 
No Renascimento, 2000 anos depois 
de Policleto, os artistas passam a 
estudar novamente os cânones 
gregos. 
Os três estudos não são 
abandonados: 
- Michelangelo escolhe 7 ½ cabeças; 
- Leonardo, 8 cabeças; 
- Botticelli, 9 cabeças.
Michelangelo ("Miguel Ângelo") di Ludovico 
Buonarroti Simoni 
(Itália, 1475-1564) 
David, 1504, mármore de Carrara 
7 ½ cabeças
Sandro Botticelli (Itália, 1445-1510) 
São Sebastião, c.1473, 195 × 75 cm, têmpera 
 9 cabeças
 
Leonardo da Vinci (Itália, 1452-1519) 
 
 
Homem Vitruviano, 1490, lápis e tinta, 
 
34 x 24 cm 
8 cabeças 
• Rascunho das proporções do corpo humano baseado em Arquitetura 
de Vitrúvio. O tratado do romano Vitrúvio foi o único desta espécie que 
chegou até a modernidade. Seu autor trata o tema da arquitetura e do 
urbanismo baseando-se nas noções gregas. No conceito grego de que 
“o homem é a medida de todas as coisas” se fundamentou uma útil 
doutrina da proporção, em que arquitetos posteriores, renascentistas 
especialmente, baseariam suas concepções. 
• O desenho de Leonardo demonstra seu interesse pelos estudos de 
Alberti (1404-1472) sobre os sistemas de proporção, para estabelecer 
uma conexão entre as formas geométricas primárias e aquelas do 
corpo humano. Estes estudos se baseavam na afirmação platônica 
segundo a qual o Universo seria composto de sólidos geométricos. 
Encerrando o corpo humano em um círculo, Vitrúvio estava também 
afirmando o divino de suas proporções, já que o círculo é símbolo da 
divindade e de perfeição. 
• (SMITH, Stan; WHEELER, Linda. Dibujar y pintar la figura. Madri, Hermann Blume, 1985, p. 15)
• Um palmo é a largura de quatro dedos 
• Um pé é a largura de quatro palmos 
• Um antebraço é a largura de seis palmos 
• A altura de um homem é quatro antebraços (24 palmos) 
• Um passo é quatro antebraços 
• A longitude dos braços estendidos de um homem é igual à altura dele 
• A distância entre o nascimento do cabelo e o queixo é um décimo da altura de 
um homem 
• A distância do topo da cabeça para o fundo do queixo é um oitavo da altura de 
um homem 
• A distância do nascimento do cabelo para o topo do peito é um sétimo da 
altura de um homem 
• A distância do topo da cabeça para os mamilos é um quarto da altura de um 
homem 
• A largura máxima dos ombros é um quarto da altura de um homem 
• A distância do cotovelo para o fim da mão é um quinto da altura de um homem 
• A distância do cotovelo para a axila é um oitavo da altura de um homem 
• A longitude da mão é um décimo da altura de um homem 
• A distância do fundo do queixo para o nariz é um terço da longitude da face 
• A distância do nascimento do cabelo para as sobrancelhas é um terço da 
longitude da face 
• A altura da orelha é um terço da longitude da face
• Em Leonardo da Vinci, o desenho tem uma função 
científica (instrumento de conhecimento científico) 
mas sem perder sua expressividade. 
• No Renascimento, o desenho passa a ter prestígio, 
servindo tanto à arte, como à ciência. Meio para 
investigação e análise.
Estudos de embrião, pena e carvão, 
1510-1513, 30,5 × 20 cm
Crânio, vista interior, 1489, tinta sobre papel Cortes de uma cebola e de uma cabeça humana, por volta de 1490, tinta sobre papel
• Muitos estudos continuaram sendo realizados até o século XIX 
para estipular qual cânone utilizar na representação da figura. 
As propostas mais utilizadas seriam: 
• Um cânone de sete cabeças e meia é o mais "comum" entre 
diferentes pessoas; 
• Entretanto, caso selecione-se indivíduos dentro de um ideal de 
beleza ocidental “atlético e proporcional”, obtém-se o modelo 
idealizado das oito cabeças baseado no Renascimento; 
• E finalmente, no caso de uma figura estereotipada, heroica, de 
acordo com as intenções do desenhista, a medida pode ser 
aquela de oito cabeças e meia.
• Lembremo-nos de que cânones são convenções, esquemas de corpos humanas 
que não contemplam exatamente todos os corpos existentes. 
Cada corpo tem suas especificidades! 
Cânones de 7 ½ ; 8 e 8 ½ cabeças
- Figura idealizada de 8 cabeças, com a 
medida de uma cabeça de cada lado; 
- Cada módulo é igual a uma cabeça; 
- A altura do rosto é igual a da palma da 
mão; 
- O centro do corpo coincide com o púbis; 
- O comprimento do pé corresponde ao 
antebraço (entre punho e cotovelo); 
-O tamanho total do braço corresponde a 
três módulos e meio (ou 3 ½ cabeças); 
- De perfil, a panturrilha ultrapassa a linha 
das nádegas e escápula (costas). 
• No corpo feminino, as 
representações da cabeça 
são levemente menores; 
• A estatura um pouco mais 
baixa; 
• Os quadris mais largos; 
• A cintura mais estreita; 
• O umbigo localiza-se 
ligeiramente mais abaixo; 
• O púbis mantém-se no 
centro; 
• Os seios iniciam mais 
abaixo; 
• De perfil, as nádegas 
sobressaem-se à linha das 
panturrilhas e da escápula 
(costas).
• A criança: 2 anos (cinco módulos), 6 anos (seis módulos) e 12 anos (sete módulos)
Cânone de criança de 2 anos como utilizava Rubens (1577-1640) em Cristo e São João com anjos
Albrecht Dürer (Alemanha, 1471-1528)
• Série Homem inscrito em um 
círculo, 1521, desenho aprox. 
29x20cm 
• Faz parte do livro Quatro livros 
sobre a proporção humana, 
construído segundo o cânone do 
arquiteto romano Vitrúvio 
(relatado por Alberti) no qual o 
comprimento do pé corresponde 
a um sexto da altura do homem.
 Autorretrato com travesseiro, 1491-92 
Retrato da mãe do artista, 1514
 Mãos que oram (estudo para Apóstolo 
do altar “Heller”, em Frankfurt, nanquim 
sobre papel azulado, 1508 
 
 
Hans Holbein, O Jovem 
 
(Alemanha, 1497-1543) 
 
Retrato de Dorothea, 1516, 38,5x31cm 
• Holbein no final da vida trabalhou 
para o rei Henrique VIII da 
Inglaterra.• “Neste retrato, Holbein unificou a 
figura ao fino papel através da 
suave mistura de cores do 
vestuário e do rosto, contornou o 
nariz e não o lábio superior, que, 
levemente corado, se encosta ao 
tecido que lhe envolve o rosto.” 
Notar que as bordas do papel 
delimitam exatamente a figura, e 
que os braços ‘cruzados suportam 
e emolduram todo o peso acima’”. 
(SIMBLET, p. 133)
Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669) 
 
Autorretrato, boca aberta, c. 1629, 12,7 x 9,5cm e Autorretrato, c. 1630, 12,3 x 13,7cm
Aguste Rodin (França, 1840-1917) Duas mulheres abraçam-se 1911 
320x229mm, lápis e aquarela 
• Este é um dos cerca de 7000 
desenhos do acervo do 
Museu Rodin em Paris. Rodin 
fazia diversos estudos 
rápidos de nus a partir de 
modelos que se 
movimentavam livremente em 
seu atelier. 
• Traços leves e ágeis do lápis 
em articulação com a 
aquarela.
Mulher nua em seus véus 
(1892-1895) desenho à pena, 
nanquim, guache, 15,8x10cm 
Edgar Degas (Paris, 1834-1917)
A banheira, 1886, pastel
Depois do banho: nu se secando c. 1896 (foto) 
Dançarinas atando as sapatilhas, cerca de 1893-1898 
Busto de mulher, 1880-85 
 
 
Egon Schiele 
 
(Áustria, 1890-1918) 
 
Mulher nua, 1910 
 
guache, aquarela e giz preto, 
 
44,3x30,6cm 
Autorretrato, 1910 
guache, aquarela e carvão 
62,7 × 44,5cm 
Mulher deitada, guache e lápis, 1914, 31,7 x 48,2 cm 
https://www.youtube.com/watch?v=BN73JesYJhc
Käthe Kollwittz 
 
(Alemanha, 1867-1945) 
 
Autorretrato, 1934, litografia 
Autorretrato, 1924, litografia 
Flávio de Carvalho 
 
 
(Brasil, 1879-1973) 
 
 
Série trágica I, 1947, carvão sobre 
papel, 69,9 x 51 cm 
Alberto Giacometti 
 
 
(Itália, 1901-1966) 
 
 
Retrato de Marie-Laure de Noailles, 
 
c.1948, 20x15cm, giz preto 
Joseph Beuys (Alemanha, 1921-1986) 
 
 
O bloco secreto para uma pessoa secreta 
na Irlanda 
s/ data, lápis, 29,7x21cm 
A morte e a menina, 1957, nanquim e aquarela sobre envelope, 17,6 x 25,2cm 
Quatro meninas, 1953, cloreto de ferro e lápis, 21,1x32,9cm
David Hockney (Inglaterra, 1937-) 
 
Henry, Sétima Avenida, 1972, (43,2 x 35,6 cm), lápis de cor e Mulher com peles, 1972 
(43,18 x 35,56 cm) lápis de cor
William Kentridge (África do Sul, 1955) 
 
 
Drawing for Stereoscope (Felix Crying), 1998-99, carvão, pastel e lápis de cor sobre papel 
120x160cm 
A esperança na nuvem de carvão (detalhe), 2019
Link para vídeo animação a partir de flip book. 
Exposição "William Kentridge: Fortuna" | Flipbook, Instituto Moreira Salles e 
Fundação Iberê Camargo 
 https://www.youtube.com/watch?v=nxGrazdl9WY
https://www.youtube.com/watch?v=nxGrazdl9WY
Elizabeth Peyton (EUA, 1965)
 Spencer, 1999 
 Lápis de cor sobre papel 
22,2 x 15,2 cm 
Chloe, 2000, lápis de cor sobre papel, 21,8 x 15,2 cm 
Kiki Smith (EUA, 1954) 
Onda, 2010 
Tinta sobre papel do Nepal 
com lápis de cor 
179,1 x 157,5 cm
Aqui, 2010 
Nanquim sobre papel do Nepal 
com lápis de cor 
143,5 x 119,4 cm 
Deitada com o Lobo, 2001, tinta e lápis sobre papel, 183,5 x 223,5 cm
https://www.youtube.com/watch?v=AT7jKNlgbBI
Kenturah Davis (EUA, 1984) 
Todas imagens do site: http://www.kenturah.com/ 
Limen II 
Texto impresso à mão, esfregando 
lápis sobre papel kozo; desenho com 
papel artesanal shifu (tecelagem de 
papel), moldura, 38 x 38 polegadas
http://www.kenturah.com/
Tenor Drift Pt. I, II, III (2020) 
Desenho / livro de artista: Texto com inscrição à mão com lápis esfregando folhas de papel kozo 
112 painéis: 11 x 10 polegadas cada 
140 x 80 polegadas no total
Conhecimento em forma de pausa, 
2019 
Tinta a óleo aplicada com letras de 
carimbo de borracha e grafite em 
papel kozo Igarashi em relevo 
60 x 40 polegadas
https://www.youtube.com/watch?v=5WN1WHa7qz4
Chloe Piene (EUA, 1972)
Cleo, 2009, carvão sobre papel, 167,6 x 111,8 cm 
Fingerling (brinquedos enroladinhos, ou algo muito 
brinquedo, ou movimentar os dedos), 2008, carvão 
sobre papel, 30,5 x 22,9 cm 
 
https://www.youtube.com/watch?v=6EM_ky_hkZg
Leonilson (José, Brasil, 1957-1993) 
 
 
Longo caminho de um rapaz apaixonado, 1989, nanquim e guache sobre papel, 12,5x18cm 
 
Fábio Noronha (Brasil, 1970-) 
 
 
S/ título, autorretratos, série Acidez, 1999, óleo e grafite sobre papel, 32x 24cm e 29,8x 21cm 
 
Giuseppe Penone (Itália, 1947-) 
 
 
Paisagem do cérebro, 1990, vinagre e nanquim sobre papel 
 
Folhas do cérebro, 1986, grafite e carvão, 32,8x47,8cm 
Dennis Oppenheim (EUA, 1938-) 
A feedback situation (Uma situação de retorno/feedback) , filme a partir de performance, 1971 
Two Stage Transfer Drawing (Advancing to a 
Future State) 
Desenho de transferência em duas etapas 
(avançando para um estado futuro) 
Chandra para Dennis Oppenheim. 
“Enquanto Chandra passa um marcador 
pelas minhas costas, tento duplicar o 
movimento na parede. Sua atividade estimula 
uma resposta cinética do meu sistema 
sensorial. Ela está, portanto, desenhando 
através de mim. O retardo sensorial compõe 
a discrepância entre os dois desenhos e 
pode ser visto como elementos ativados 
durante este procedimento. Como Chandra é 
minha descendência e compartilhamos 
ingredientes biológicos semelhantes, minhas 
costas (como superfície) podem ser vistas 
como uma versão madura dela ... em certo 
sentido, ela faz contato com um estado 
futuro." 
(Dennis Oppenheim. Explorations. Milano 2001). IN: 
http://www.medienkunstnetz.de/works/two-stage-
advancing/
Link para o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=7A-mowlXVMI
https://www.youtube.com/watch?v=7A-mowlXVMI
• Bibliografia: 
• AGASSI, Nelly ; MAOR, Hadas . Nelly Agassi. Tel Aviv: Dvir Gallery, 2002. 
• BORER, Alain. Joseph Beuys. São Paulo: Cosac e Naify, 2001. 
• BURTON, Johanna. Vitamin D: New Perspectives in Drawing. Londres: Phaidon Press, 2005. 
• DERDYK, Edith. O desenho da figura humana. São Paulo: Scipione, 1990. 
• DIDI-HUBERMAN. Être crane: lieu, contact, pensée, sculpture. Paris: Les Éditions de 
Minuit, 2000. 
• GROSENICK, Uta; RIEMSCHNEIDER, Burkhard. Art now: 137 artistas no limiar do novo 
milênio. Colônia: Taschen, 2002. 
• KOLLWITZ, Käthe. Gravuras, esculturas. Sttugart: Institut für Auslandsbeziehungen, 1986. 
• LEONILSON, José. Leonilson: use, é lindo, eu garanto. São Paulo: Cosac & Naify, 1997. 
• NORONHA, Fábio. Fábio Noronha. Curitiba: Galeria Casa da Imagem, 2001. 
• PARRAMÓN, José M. Cómo dibujar la figura humana. Barcelona: Parramón, 2002. 
• SCHIMMEL, Paul; STILES, Kristine. Out of Actions: Between Performance and the Object, 
1949-1979. Los Angeles: Museum of Contemporary Art,1998. 
• SIMBLET, Sarah. Desenho. Porto: Dorling Kindersley, 2004. 
• SMITH, Stan; WHEELER, Linda. Dibujar y pintar la figura. Madri, Hermann Blume, 1985. 
• STEINER, Reinhard. Egon Schiele: a alma noturna do artista. Colônia: Taschen, 1993. 
• Sites 
• http://www.artstudio.org/kikismith/ 
• www.drawingcenter.org 
• www.casatriangulo.com.br 
• www.centrepompidou.fr 
• www.harvard.edu 
• http://www.kenturah.com/ 
• www.proa.org 
• pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_da_Vinci 
http://www.artstudio.org/kikismith/
http://www.drawingcenter.org
http://www.casatriangulo.com.br
http://www.proa.org

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