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- Guia do CFFa Monitoria - Camila AvelarAVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA A avaliação audiológica tem como objetivo principal verificar a integridade do sistema auditivo processo de avaliação deve ser, obrigatoriamente, precedido por uma inspeção do meato acustico externo (MAE) e uma anamnese/entrevista. A anamnese deve constar apenas no prontuário e não na ficha audiológicaAVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA Importante conter as seguintes perguntas na anamnese: Qual sua queixa? Qual a história pregressa? Possui histórico de perda auditiva na família? Apresenta zumbido? Em qual orelha escuta melhor? Se tiver queixa de que esta com dificuldade em ouvir ou entender as pessoas, pergunte desde quando está com essa queixa. Se for criança, pergunte: gestação, possíveis indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA), desenvolvimento da fala e da linguagem, dados relacionados a escola e aprendizagem.AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA Na ficha audiológica devem constar: -Identificação, endereço e telefone da prestador(a) do serviço Identificação com nome e número de inscrição no CRFa conforme a resolução que "dispõe sobre a regulamentação de normas para 0 registro profissional no âmbito dos Conselhos Regionais de Fonoaudiologia e dá outras providências", bem como rubrica ou assinatura do profissional responsavel pelo exame (CFFa, 2021) - Dados pessoais do examinado, contendo: nome completo, data de nascimento, sexo e número do cadastro da pessoa física (CPF). No caso de avaliação auditiva ocupacional, incluir função do trabalhador/empregado Data de realização do exame Modelo, marca e data de calibração dos equipamentos - Achados sobre a inspeção do constando se há ou não impedimento para a realização da avaliação audiológica - Título que informe 0 tipo de exame que está sendo realizado Gráfico do audiograma Resultado audiológicoAUDIOMETRIA TONALAUDIOGRAMA E SIMBOLOGIA A audiometria tonal (limiar) é exame padrão-ouro para processo de diagnóstico audiológico A audiometria tonal tem como objetivo a mensuração à sensibilidade auditiva, que permite a determinação de tipo, grau e configuração da perda auditiva, fornecendo uma base para diagnóstico, acompanhamento e intervençãoAUDIOGRAMA E SIMBOLOGIA PROCEDIMENTO DE TESTE ORELHA DIREITA ORELHA ESQUERDA Presença de resposta não X mascarada Presença de resposta VIA AÉREA mascarada (FONES) Ausência de resposta não mascarada Ausência de resposta mascarada (Adaptado da ASHA 1990)AUDIOGRAMA E SIMBOLOGIA Presença de resposta não V V mascarada Presença de resposta [ VIA ÓSSEA mascarada ] (MASTÓIDE) Ausência de resposta não M M mascarada Ausência de resposta mascarada (Adaptado da ASHA 1990)AUDIOGRAMA E SIMBOLOGIA OD kHz OE kHz 25 5 1 2 3 4 6 8 5 1 2 3 4 6 8 0 0 10 10 X X X 20 20 30 30 40 40 50 50 dB 60 dB 60 70 70 80 80 90 90 100 100 110 110 120 120 Limiares Mascaramento Via Aérea X > Via Ossea Via Aérea Via Ossea [ ] Mostrar Ex. Ref. XAUDIOGRAMA E SIMBOLOGIA OE -10 -10 0 0 10 10 20 30 30 40 40 50 50 60 60 70 70 80 80 90 90 100 100 110 110 120 120 250 500 750 1k 1.5k 2k 3k 4k 6k 250 500 750 1k 1.5k 2k 3k 4k 6kAUDIOGRAMA E SIMBOLOGIA 500 1000 4000 5000 10 30 30 00 70 100 110RESULTADO AUDIOLÓGICO LAUDO AUDIOLÓGICO - - Audiometria Tonal a) Quando todos os limiares auditivos estiverem normais, deve-se mencionar resultado: "Limiares auditivos dentro padrão de normalidade (Referência, Ano)" b) No caso de limiares alterados em frequências onde não se realiza via óssea (250Hz, 6kHz, 8kHz), não se deve colocar tipo da perda auditiva. Colocar somente: "Perda auditiva na frequência XX (Referência, Ano)" Obs.: termo rebaixamento auditivo não deve ser utilizado nos laudos audiológicos.RESULTADO AUDIOLÓGICO LAUDO AUDIOLÓGICO - Audiometria Tonal Perda auditiva em que seja possível determinar tipo, grau e configuração Exemplos: c) Perda auditiva do tipo grau XXX e configuração XXX bilateralmente (Referência, Ano) d) Perda auditiva do tipo XXX a direita e XXX à esquerda (Referência, Ano), de grau XXX à direita e XXX à esquerda (Referência, Ano) e configuração XXX à direita e XXX à esquerda (Referência, Ano); OU e) Perda auditivado tipo XXX (Referência, Ano), grau XXX (Referêcia, Ano) e configuração XXX (Referência, Ano) à direita, e tipo XXX (Referência, Ano), grau XXX (Referêcia, Ano) e configuração XXX (Referência, Ano) à esquerda.RESULTADO AUDIOLÓGICO REFERÊNCIA - Classificação do tipo de perda auditva Tipo de perda Características Limiares de via óssea menores ou iguais a 15 dB NA Perda auditiva e limiares de via aérea maiores que 25 dB NA, com condutiva gap aéreo-ósseo maior ou igual a 15 dB Limiares de via óssea maiores do que 15 dB NA e Perda auditiva limiares de via aérea maiores que 25 dB NA, com neurossensorial gap aéreo-ósseo de até 10 dB Limiares de via óssea maiores do que 15 dB NA e Perda auditiva limiares de via aérea maiores que 25 dB NA, com mista gap aéreo-ósseo maior do que 10 dB Fonte: Silman e Silverman (1997).RESULTADO AUDIOLÓGICO REFERÊNCIA - Classificação do grau de perda auditva Quadro 3 - Classificação do grau da perda auditiva* Média tonal de 500 Hz, Denominação I kHz e 2 kHz Audição normal Menor que 26 dB NA Perda auditiva de grau leve 26 a 40 dB NA Perda auditiva de grau moderado 41 a 55 dB NA Perda auditiva de grau 56 a 70 dB NA moderadamente severo Perda auditiva de grau severo 71 a 90 dB NA Perda auditiva de grau profundo Maior que 90 dB NA * Nesse quadro de classificação, autores não mencionam relação entre grau de perda auditiva e habilidade para compreender a fala. Fonte: Lloyd e Kaplan (1978).RESULTADO AUDIOLÓGICO REFERÊNCIA - Classificação do grau de perda auditva Apresenta dificuldade em ouvir a maior Apresenta Quadro 7 Classificação do grau da perda auditiva* Perda parte de uma extrema 65 a menor conversa; auditiva de dificuldade em Média tonal que 80 dB dificuldade Desempenho Graus de Desempenho de 500 Hz, grau severo ouvir e participar auditivo em auditivo em para ouvir e de uma conversa perda I kHz, ambientes ambientes compreender auditiva 2 kHz e silenciosos ruidosos mesmo voz em 4 kHz forte intensidade Nenhuma Nenhuma Apresenta Audição Menor que ou mínima Perda dificuldade em dificuldade normal 20 dB dificuldade em auditiva 80 a menor ouvir sons A fala não pode extrema em ouvir ouvir sons de grau que 95 dB ser ouvida voz em forte Não apresenta Pode apresentar profundo Perda intensidade 20 a menor dificuldade em dificuldade em auditiva de que 35 dB ouvir o que é ouvir o que é grau leve Perda Não escuta Não escuta falado falado auditiva Maior ou conversa e a conversa e a Perda Pode apresentar Apresenta completa/ igual a 95 dB maioria dos sons maioria dos sons auditiva 35 a menor dificuldade em dificuldade em surdo ambientais ambientais de grau que 50 dB ouvir o que é participar de uma moderado falado conversa Pode não apresentar Pode apresentar Perda Apresenta Menor que dificuldade, a dificuldade em dificuldade em auditiva de Apresenta 20 dB na compreender a 50 a menor participar de Perda menos que o som grau dificuldade em melhor esteja próximo fala, participar uma conversa, moderada- que 65 dB ouvir e participar auditiva mas pode ouvir orelha, 35 dB da orelha com de uma conversa mente de uma conversa unilateral voz em forte ou mais na pior audição; e na localização severo intensidade pior orelha pode apresentar sonora dificuldade na localização sonora A classificação adotada pela OMS (2021) segue as recomendações da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) proposta pela OMS em 2001.RESULTADO AUDIOLÓGICO REFERÊNCIA - Classificação da configuração de perda auditiva Tipo de Características configuração Horizontal Limiares alternando melhora ou piora de 5 dB por oitava Ascendente Melhora igual ou maior que 5 dB por oitava em direção às frequências altas Descendente leve Piora de 5 a 10 dB por oitava* em direção às frequências altas Descendente Piora de 15 a 20 dB por oitava em direção às acentuada frequências altasRESULTADO AUDIOLÓGICO REFERÊNCIA - Classificação da confguração de perda auditiva Curva horizontal ou descendente leve com Curvas audiométricas que não se enquadram nas Descendente em piora maior ou igual a 25 dB por oitava em rampa configurações descritas no quadro, podem ser direção às frequências altas Limiares das frequências extremas melhores classificadas como "Traçado Irregular", conforme Em U que das frequências médias com diferença (Cahart, 1945) maior ou igual a 20 dB Limiares das frequências extremas piores que Em U invertido os das frequências média, com diferença maior ou igual a 20 dB Entalhe audiométrico - Coles, Lutman e Buffin (2000) Curva horizontal com descendência acentuada Em entalhe em uma frequência isolada com recuperação na definem como entalhe audiométrico quando frequência subsequente limiares auditivos em 3kHz e/ou 4kHz e/ou 6kHz são As oitavas de frequências são 250, 500, 1.000, 2.000, 4.000 e 8.000Hz. maiores que 10 dB se comparados com limiares de Fonte: Silman e Silverman (1997 apud Carhart, 1945; Lloyd; Kaplan, 1kHz ou 2kHz e 6kHz ou 8kHz 1978).HORIZONTAL HL125 250 500 1k 2k 4k -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k HzASCENDENTE HL125 250 500 1k 2k 4k 8k -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k 6k HzDESCENDENTE LEVE HL125 250 500 1k 2k 4k -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k 6k HzDESCENDENTE ACENTUADA HL125 250 500 1k 2k 4k -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k 6k HzDESCENDENTE EM RAMPA HL125 250 500 1k 2k 4k 8k -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k 6k HzZH 19 3k 1.5k 750 120 011 100 06 08 09 OS 40 20 01 0 01 - 18 4k 1k 250 HL125 nEM U INVERTIDO HL125 250 500 1k 2k 4k 8k -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k 6k HzEM ENTALHE HL125 250 500 1k 2k 4k 8k -10 0 X 10 20 30 40 X 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k 6k HzTRAÇADO IRREGULAR HL125 250 500 1k 2k 4k -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 750 1.5k 3k 6k HzRESULTADO AUDIOLÓGICO Classificação quanto a lateralidade Curvas da audição podem ser classificadas, de acordo com a lateralidade, em Bilateral e UnilateralRESULTADO AUDIOLÓGICO Classificação quanto à simetria De acordo com a ASHA (2015), a perda auditiva pode ser caracterizada em relação à simetria em: Simétrica: a que possui mesmo grau e a mesma configuração audiom étrica em cada orelha Assimétrica: a que possui grau e configuração audiometrica diferentes em cada orelhaWEBER AUDIOMETRICO teste do Weber audiométrico é fundamental no diagnóstico na audiometria clinica para verificar a presença de gap aéreo-ósseo, sendo mais eficaz para baixas frequências (Stach, 2010) Realiza-se na intensidade de 15dB acima do limiar de via óssea na frequência a ser testada (Portmann; Portmann, 1993), com 0 vibrador ósseo posicionado na linha média da fronte do paciente (Portmann; Portmann, 1993; Stach, 2010; Martin; Clark, 2012) No faz 500Hz, 1kHz, 2kHz e 4kHzINTERPRETAÇÃO DO RESULTADO DO WEBER AUDIOMÉTRICO Weber Audiométrico Neurossensorial/Sensorio-neural: Não ocorre Audição normal ou perdas auditivas simétricas lateralização lateraliza para lado de melhor cóclea Ocorre lateralização Perda auditiva condutiva unilateral para lado da perda Perda Condutiva/mista: Lateraliza para Ocorre lateralização lado da perda devido a quantidade de Perda auditiva neurossensorial unilateral para lado normal massa vibrante (fator condutivo) Fonte: Martin e Clark (2012).INTERPRETAÇÃO DO RESULTADO DO WEBER AUDIOMETRICO Lateralização para a direita: seta para Quadro 10 - Sugestão de registro do resultado do Weber Audiométrico direita ou D (em vermelho) Lateralização para a esquerda: seta 500 Hz 1.000 Hz 2.000 Hz 3.000 Hz 4.000 Hz para esquerda ou E (emazul) OD Indiferente: seta para os dois lados Legenda: ou I (em azul) (lateralização para a direita) (lateralização para a esquerda) (indiferente) Fonte: Adaptado de Portmann e Portmann (1993).AUDIOLOGIA INFANTILAUDIOLOGIA INFANTIL A avaliação audiológica infantil é baseada no princípio de cross-check, ou seja, é composta por procedimentos eletroacústicos, eletrofisiológicos e comportamentais, realizados conforme a idade cronológica, nível cognitivo e desenvolvimento neuropsicomotor da criança a ser avaliada Exames realizados: - - Observação do comportamento auditivo para sons instrumentais e sons de fala calibrados e não calibrados; - Audiometria de reforço visual (VRA); - Audiometria lúdica condicionada; - Medidas eletroacústicas e eletrofisiológicas, como: imitanciometria, emissões otoacusticas evocadas (EOA) e potenciais evocados auditivos (PEATE)AUDIOLOGIA INFANTIL diagnóstico audiológico na população infantil nunca deve ser definido pelo resultado de um único exame, seguindo-se princípio de cross-check.AUDIOLOGIA INFANTIL Para a classificação de grau de perda auditiva em crianças, Quadro 14 Classificação do grau de perda auditiva Média tonal para crianças de 500 Hz, Classificação I kHz, Desempenho auditivo 2 kHz e Média tonal de 4kHz que consegue ouvir Classificação 500 Hz, sem amplificação Menor que I kHz e 2 kHz Audição normal Nenhuma dificuldade para ouvir sons 20 dB Menor ou igual a Audição normal Todos os sons da fala Perda auditiva de 20 a menor Pode ter dificuldade para ouvir a fala 15 dB grau leve que 35 dB em ambientes ruidosos Sons das vogais ouvidos Pode ter dificuldade para acompanhar Perda auditiva de 35 a menor Perda auditiva de claramente; pode perder uma conversa, especialmente em 16 a 25 dB grau moderado que 50 dB grau discreto sons de consoantes ambientes ruidosos surdas Tem dificuldade em acompanhar Perda auditiva Perda auditiva de Ouve apenas alguns sons conversas, especialmente em 26 a 30 dB de grau 50 a menor grau leve da fala ambientes ruidosos; em geral, moderadamente que 65 dB consegue ouvir vozes em intensidade severo Quase nenhum som elevada sem dificuldade Perda auditiva de 31 a 50 dB da fala no nível de grau moderado Não consegue acompanhar conversas conversação normal e pode ter dificuldade de ouvir vozes Perda auditiva de 65 a menor Nenhum som da fala em intensidade elevada; tem extrema Perda auditiva de grau severo que 80 dB 51 a 70 dB no nível da conversação dificuldade para ouvir e acompanhar grau severo conversas em ambientes ruidosos normal Perda auditiva de 80 a menor Tem extrema dificuldade para ouvir Perda auditiva de Maior ou igual a Nenhum som da fala ou grau profundo que 95 dB vozes em intensidade elevada grau profundo 71 dB outros sons Perda auditiva Maior ou igual Não consegue ouvir a fala e a maior Fonte: Adaptado de Northern e Downs (2005). completa/surdez a 95 dB parte dos sons ambientais Fonte: OMS (2020).AUDIOLOGIA INFANTIL TERMOS IMPORTANTES: Condução por via óssea: transmissão do som para orelha interna mediada primariamente por vibração mecânica dos ossos cranianos. Os limiares de via óssea avaliam a integridade da cóclea. Efeito de oclusão: é uma melhora no nível da sensação de intensidade para as frequências baixas para sons conduzidos pela óssea quando a orelha está ocluída. efeito não ocorre nas orelhas com perda condutiva. Limiar auditivo: menor nível de pressão sonora ou força vibratória necessária para que uma pessoa em condições ideais de teste, detecte a presença de um sinal em aproximadamente 50% das vezes em que este é apresentado. Via aérea: denomina-se condução por via aérea a estimulação acústica apresentada via transdutores (de inserção, supra-aural e caixas acústicas) e que é transmitida através da orelha externa, média e interna para as estruturas nervosas superiores. Os limiares de via aérea refletem a integridade de todo sistema auditivo.REFERÊNCIAS Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia. GUIA DE ORIENTAÇÃO NA AVALIAÇÃO AUDIOLOGICA: VOLUME 1. Julho, 2023 MOMENSOHN-SANTOS, Teresa Maria; RUSSO, Iêda Chaves Pacheco. Prática da Audiologia Clínica. Cortez Editora. 8. ed. São Paulo. 2011.OBRIGADA!