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1 de 7gran.com.br Tutelas Provisórias DIREITO PROCESSUAL CIVIL TUTELAS PROVISÓRIAS Dando continuidade ao estudo dos temas de Processo Civil, passa-se à análise de um assunto de extrema relevância no CPC: as tutelas provisórias. Trata-se de tema frequentemente cobrado em provas, para o qual o legislador destinou capítulo específico no CPC, abrangendo os arts. 294 a 311, que serão analisados individualmente. Inicialmente, para a devida compreensão da tutela provisória, é necessário entender a tutela definitiva, que representa o objetivo do processo. Ao ajuizar uma demanda, o objetivo da parte é a obtenção de uma tutela jurisdicional, que, em regra, visa alcançar uma tutela definitiva. Esta tutela definitiva é aquela proferida pelo magistrado mediante julgamento de certeza, com base em cognição exauriente. Por sua vez, a tutela provisória, como o próprio termo indica, contrapõe-se à tutela definitiva. Trata-se de medida que antecipa, de forma provisória, os efeitos da tutela que seria obtida ao final do processo, após o exaurimento da cognição, quando o juiz julga com certeza. Exatamente por essa razão, a profundidade da cognição é distinta. TUTELAS PROVISÓRIASTUTELAS PROVISÓRIAS • Características: − Cognição sumária: caracteriza-se por um juízo de probabilidade. Logo, enquanto a tutela definitiva se fundamenta em cognição exauriente, que corresponde a um juízo de certeza – sendo apta, inclusive, a gerar coisa julgada material –, a tutela provisória se sustenta em um juízo de probabilidade, exigindo menor profundidade na análise dos fatos e do direito. Quando se ajuíza uma ação com a finalidade de obter tutela definitiva, o juiz, após esgotar a produção de provas e ouvir todas as partes necessárias, decide de forma definitiva, em sede de cognição exauriente. Contudo, é possível, desde que preenchidos os requisitos legais, obter uma tutela provisória, ou seja, aquilo que se alcançaria ao final do processo, de forma antecipada e provisória. Essa característica provisória pressupõe uma cognição sumária, baseada apenas em probabilidade, sem a necessidade de um juízo de certeza. Consequentemente, não se opera coisa julgada material sobre a decisão que concede a tutela provisória, uma vez que sua própria natureza é transitória. − Revogabilidade: Art. 296. A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada. 2 de 7gran.com.br Tutelas Provisórias DIREITO PROCESSUAL CIVIL Parágrafo único. Salvo decisão judicial em contrário, a tutela provisória conservará a eficácia durante o período de suspensão do processo. Tal característica decorre de sua própria natureza provisória, permitindo que, uma vez deferida, a tutela possa ser revogada ou alterada, desde que presentes elementos que justifiquem tal alteração. No âmbito doutrinário, entende-se que a revogação ou modificação da tutela provisória deve estar fundamentada em elementos novos, sejam eles de fato ou de direito, não se admitindo, portanto, que ocorra por mera mudança de entendimento do magistrado. Em outras palavras, o juiz que concede uma tutela provisória pode revogá-la ou modificá-la, desde que fundamente sua decisão em fatos supervenientes ou em alterações na situação jurídica, e não simplesmente em uma alteração subjetiva de sua interpretação anterior. Isso significa que os elementos que justificaram a concessão da medida devem ter desaparecido ou se modificado, sob pena de não se admitir a revogação pura e simples da decisão. − Poder geral de cautela: é analisado pela doutrina sob duas perspectivas. A primeira refere-se à possibilidade de o magistrado conceder medidas não expressamente previstas em lei, denominadas medidas atípicas. A segunda diz respeito à possibilidade de o juiz conceder medidas de ofício (ex officio), isto é, independentemente de requerimento da parte, quando entender necessárias à preservação do direito. Nesse sentido, o art. 297 do CPC estabelece: Art. 297. O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas para efetivação da tutela provisória. Parágrafo único. A efetivação da tutela provisória observará as normas referentes ao cumprimento provisório da sentença, no que couber. A interpretação desse dispositivo, especialmente à luz da jurisprudência do STJ, reconhece que tal previsão normativa materializa o poder geral de cautela conferido ao magistrado. O poder geral de cautela, positivado no art. 798 do CPC/1973 (art. 297 do CPC/2015), autoriza que o magistrado defira medidas cautelares ex officio, no escopo de preservar a utilidade de provimento jurisdicional futuro (AgInt no AREsp 2244318 / DF, 4ª Turma, Rel. Min. ANTONIO CARLOS FERREIRA, DJe 12/05/2023) Assim, uma das vertentes do poder geral de cautela reside na possibilidade de concessão de medidas independentemente de provocação da parte, sempre que necessárias para a preservação do direito. Além disso, cumpre destacar que o poder geral de cautela também permite a concessão de medidas específicas sem previsão legal expressa, desde que idôneas para assegurar o direito ameaçado. O art. 301 do CPC, ao tratar da tutela de urgência de natureza cautelar, exemplifica algumas das medidas que podem ser deferidas: 3 de 7gran.com.br Tutelas Provisórias DIREITO PROCESSUAL CIVIL Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito. Dessa forma, ao estudar o poder geral de cautela, é imprescindível compreender suas duas dimensões fundamentais: a possibilidade de concessão de medidas cautelares de ofício e a possibilidade de concessão de medidas cautelares atípicas, não previstas expressamente em lei. Ambas as hipóteses estão inseridas no contexto das tutelas provisórias, compondo elementos essenciais à efetividade da prestação jurisdicional. • Espécies: − Tutela antecipada: possui, como característica central, a sua natureza satisfativa. Embora o termo “satisfativa” não conste formalmente nos dicionários, trata-se de uma construção consolidada no âmbito da doutrina processual. Diferentemente do termo “satisfatório”, “satisfativa” refere-se à função de satisfazer, ainda que provisoriamente, o bem da vida pretendido pela parte requerente. Dessa forma, a tutela antecipada tem por objetivo entregar, de forma provisória, o próprio bem da vida ou uma parcela do pedido formulado. Sua principal finalidade consiste, portanto, na satisfação provisória do direito material pleiteado, razão pela qual recebe a classificação de tutela de natureza satisfativa. − Tutela cautelar: é dotada de natureza assecuratória. Enquanto a tutela antecipada tem como finalidade satisfazer, ainda que provisoriamente, o direito material, a tutela cautelar visa assegurar, proteger e conservar esse direito, sem, contudo, promovê-lo de forma imediata. Trata-se, portanto, de medida voltada à preservação do resultado útil do processo, conferindo-lhe segurança até a decisão definitiva. A tutela cautelar não entrega nem satisfaz diretamente o bem da vida. Sua função é garantir que, futuramente, o direito pleiteado possa ser efetivamente satisfeito. Essa natureza assecuratória confere-lhe, ainda, a característica de acessoriedade, uma vez que sua existência está vinculada à necessidade de proteger o resultado útil de outra tutela, seja ela satisfativa, seja ela de natureza específica. Além de sua característica provisória, a tutela cautelar distingue-se também por seu caráter temporário. Isso significa que ela possui duração limitada no tempo, subsistindo apenas enquanto necessária à conservação, proteção ou asseguramento do direito. Exemplo clássico dessa modalidade é a medida cautelar de arresto de bens do devedor, cujo objetivo é garantir futura execução por quantia certa. Neste caso,os bens do devedor são apreendidos e permanecem protegidos até que se torne possível a conversão do arresto em penhora, permitindo a expropriação e, consequentemente, a satisfação do crédito. 4 de 7gran.com.br Tutelas Provisórias DIREITO PROCESSUAL CIVIL Portanto, a tutela cautelar, além de provisória, é temporária, característica que a diferencia da tutela antecipada. A tutela antecipada, diferentemente, não possui caráter necessariamente temporário, uma vez que pode ser confirmada na sentença definitiva, tornando-se, assim, definitiva desde que preenchidos os requisitos legais. Para fins didáticos, é possível comparar a tutela cautelar a um andaime utilizado durante uma obra: cumpre sua função de suporte enquanto necessário, mas, uma vez concluída a obra, torna-se dispensável. Outra analogia frequentemente utilizada é a comparação com uma geladeira, cujo propósito é conservar, preservar. Assim como nada permanece indefinidamente armazenado em uma geladeira, a tutela cautelar não se destina à perpetuidade, mas sim à preservação temporária do direito. Ambas podem fundamentar-se na urgência ou, no caso específico da tutela antecipada, também na evidência. É imprescindível, contudo, para a concessão de qualquer uma delas, o preenchimento dos requisitos legais pertinentes. Ressalta-se que, no exercício prático, ao se pleitear uma tutela provisória, seja ela antecipada, seja ela cautelar, estando presentes os requisitos específicos, o juiz poderá aplicar o princípio da fungibilidade, ou seja, poderá conceder uma tutela diversa daquela originalmente postulada, caso entenda ser mais adequada ao caso concreto. Essa possibilidade está expressamente prevista no ordenamento jurídico, especialmente no parágrafo único do art. 305 do Código de Processo Civil: Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o caput tem natureza antecipada, o juiz observará o disposto no art. 303. Portanto, o parágrafo único do art. 305 concretiza, de forma clara, a possibilidade de fungibilidade entre as espécies de tutelas provisórias, assegurando a efetividade da prestação jurisdicional, independentemente da classificação inicial conferida pela parte requerente. A fungibilidade das tutelas provisórias refere-se à possibilidade de concessão de uma espécie de tutela diversa daquela que foi inicialmente requerida, desde que preenchidos os requisitos legais. Portanto, quando a parte formula um pedido de tutela provisória, mas, na realidade, o caso exige outra espécie, o magistrado poderá concedê-la, desde que estejam presentes os requisitos legais. Não se admite o indeferimento do pedido unicamente em razão de eventual erro na nomenclatura utilizada. Por exemplo, se a parte requer uma tutela antecipada, mas o caso é de tutela cautelar, o juiz poderá deferir a tutela cautelar, desde que presentes os seus requisitos. O mesmo se aplica de forma inversa: caso seja requerida uma tutela cautelar, 5 de 7gran.com.br Tutelas Provisórias DIREITO PROCESSUAL CIVIL mas o magistrado entenda que o adequado seria uma tutela antecipada, esta poderá ser concedida, desde que preenchidos os requisitos específicos. • Fundamentos: Para fundamentar a concessão de uma tutela provisória, faz-se imprescindível apresentar uma justificativa específica. Conforme previsão legal, os fundamentos que autorizam a concessão de tutela provisória são a urgência e a evidência. O fundamento da urgência encontra-se disciplinado nos arts. 300 a 310 do Código de Processo Civil, enquanto o fundamento da evidência está previsto no art. 311 do mesmo diploma. O próprio art. 294 dispõe expressamente que a tutela provisória pode fundamentar-se na urgência ou na evidência: Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência. Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental. − Urgência: exige-se o preenchimento de dois requisitos cumulativos: probabilidade do direito e perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. Esses requisitos estão expressamente previstos no caput do art. 300 do Código de Processo Civil, que assim dispõe: Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. No que se refere à probabilidade do direito, este requisito corresponde ao conceito clássico de fumus boni iuris, ou seja, à fumaça do bom direito. Já o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo equivale ao periculum in mora. A probabilidade do direito não exige a demonstração plena da certeza do direito alegado, mas sim a apresentação de elementos que evidenciem uma plausibilidade jurídica. Trata- se de um juízo de cognição sumária, adequado ao caráter provisório da tutela requerida. Portanto, não se exige que a parte exiba todas as provas capazes de demonstrar de forma exauriente o seu direito, mas é imprescindível que apresente elementos mínimos que revelem a probabilidade de sua existência. Em diversas situações, a parte se encontra na posse apenas de elementos iniciais, os quais, se suficientes, podem justificar a concessão da tutela provisória. Há, inclusive, doutrinadores que sustentam uma ponderação entre os requisitos, segundo a qual, quanto maior for o periculum in mora, menor pode ser a exigência relativa à probabilidade do direito, e, de forma inversa, quanto menor o periculum in mora, maior deve ser a demonstração da probabilidade do direito. Apesar dessa ponderação, é fundamental ressaltar que, para a concessão da tutela de urgência, ambos os requisitos devem estar presentes. Não se admite a concessão da tutela 6 de 7gran.com.br Tutelas Provisórias DIREITO PROCESSUAL CIVIL de urgência com base exclusiva em um deles. Assim, não é possível a concessão da tutela fundada unicamente no periculum in mora, tampouco exclusivamente na probabilidade do direito, quando se trata de tutela provisória de urgência. No que se refere ao perigo de dano, a doutrina estabelece uma diferenciação entre esse conceito e o risco da demora. O perigo de dano constitui, para alguns autores, o fundamento para a concessão da tutela antecipada, estando, portanto, relacionado ao campo fático. Trata-se do risco efetivo de que a parte sofra um prejuízo concreto e imediato em razão da situação discutida no processo. Por outro lado, o risco da demora, também denominado perigo da demora, corresponde ao requisito necessário para a concessão da tutela cautelar. Nesse contexto, entende-se como o risco de que o decurso do tempo comprometa a utilidade do provimento jurisdicional futuro. Parte da doutrina defende que não haveria, em termos principiológicos, uma diferenciação rigorosa entre perigo de dano e risco da demora, uma vez que ambos derivam de uma mesma noção de perigo. Inclusive, o requisito legal previsto para a concessão tanto da tutela antecipada quanto da tutela cautelar é o mesmo. Contudo, parcela relevante da doutrina sustenta que o perigo de dano, vinculado ao campo fático, corresponde ao requisito específico da tutela antecipada, enquanto o risco da demora, ou perigo da demora, é característico da tutela cautelar. No direito italiano, utilizam-se as expressões pericolo di tardività e pericolo infruttuosità. O primeiro refere-se ao perigo da tutela tardia, associado à tutela antecipada, isto é, ao perigo de dano. O segundo se relaciona ao perigo da tutela infrutífera, próprio da tutela cautelar, voltado à proteção contra o risco da demora. O perigo da tutela tardia, ou seja, aquele que afeta diretamente a esfera fática, refere- seà tutela antecipada. Ilustra-se com situações em que, caso determinada providência não seja adotada de imediato, ocorrerá a perda irreversível do direito, como no exemplo de uma pessoa que necessita realizar uma cirurgia urgentemente, sob pena de falecimento. Por sua vez, o perigo da tutela infrutífera diz respeito à tutela cautelar, cujo objetivo é conservar a utilidade do processo principal, evitando que a decisão final se torne ineficaz. Um exemplo clássico seria a indisponibilidade de bens do devedor no momento da execução, caso não haja o devido arresto previamente. Portanto, a doutrina reconhece a existência de uma diferenciação quanto à natureza do perigo envolvido: perigo de dano, atinente à tutela antecipada, e risco da demora, atinente à tutela cautelar. Apesar dessa distinção doutrinária, verifica-se que, sob a ótica legislativa, ambos os institutos exigem, quando fundamentados na urgência, a demonstração da existência de perigo. 7 de 7gran.com.br Tutelas Provisórias DIREITO PROCESSUAL CIVIL Sempre que a tutela for requerida com fundamento na urgência, impõe-se a comprovação de elementos que revelem um perigo iminente, atual e concreto ao direito material, seja na forma de um risco de dano efetivo, seja na forma de risco de um processo futuro infrutífero. Diante disso, reafirma-se que o requisito da urgência é imprescindível tanto para a tutela antecipada quanto para a tutela cautelar, quando fundadas nesse elemento. Dessa forma, é possível pleitear tanto uma tutela antecipada quanto uma tutela cautelar com base na urgência, desde que preenchidos os requisitos legais específicos. �� � � � � � � � � � � � �Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Gustavo Alves�����������. �A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclusiva deste material.