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Questões resolvidas

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Crimes contra a pessoa
Você vai estudar os aspectos gerais dos crimes contra a pessoa.
Profª. Renata Saggioro
1. Itens iniciais
Propósito
Os crimes contra a pessoa inauguram a Parte Especial do Código Penal e possuem grande importância no
ordenamento jurídico penal. Portanto, é fundamental conhecer os tipos penais e suas especificidades
elementares e refletir sobre o papel que ocupam no ordenamento.
Preparação
Antes de iniciar seu estudo, tenha o Código Penal e a Constituição Federal para acompanhar a leitura do tema.
Objetivos
Analisar os crimes contra a vida em suas modalidades dolosa e culposa.
 
Identificar as espécies de crimes referentes à periclitação da vida e da saúde, bem como os tipos de
lesão corporal.
 
Reconhecer os principais conceitos sobre os crimes contra a honra e o crime de rixa.
 
Classificar os tipos penais contra a liberdade individual.
Introdução
Neste conteúdo, estudaremos os crimes contra a pessoa. São eles que inauguram a parte especial do Código
Penal e são trazidos pelo título I nos artigos 121 a 154-B. Trata-se de crimes que atingem diretamente a vida
humana, seja em sua integridade física, na sua honra ou em sua liberdade.
 
O título Dos crimes contra a pessoa é dividido em seis capítulos: 1 Crimes contra a vida; 2 Lesões Corporais; 3
Periclitação da vida e da saúde; 4 Rixa; 5 Crimes contra a honra e 6 Crimes contra a liberdade individual,
separado em quatro seções: 6.1 Crimes contra a liberdade pessoal; 6.2 Crimes contra a inviolabilidade do
domicílio; 6.3 Crimes contra a inviolabilidade de correspondência; e 6.4 Crimes contra a inviolabilidade dos
segredos.
• 
• 
• 
• 
1. Crimes contra a vida
Primeiras palavras
O Código Penal traz quatro modalidades de crimes contra a vida: 
Homicídio Participação em suicídio
Infanticídio Aborto
A maioria dos crimes são previstos apenas na forma dolosa, com exceção do homicídio, que se apresenta
também na forma culposa. Isso se mostra relevante desde já, pois, conforme o artigo 5º, XXXVIII da
Constituição, apenas os crimes dolosos contra a vida são julgados pelo Tribunal do Júri. Ou seja, o homicídio
culposo, diferentemente dos demais crimes contra a vida, será julgado por uma Vara Criminal Comum.
Crimes contra a vida são todos de ação penal pública incondicionada, sem exceção.
Homicídio
A especialista Renata Saggioro, mestre em Direito, discorre a seguir sobre o homicídio e suas diferentes
figuras. Vamos asssitir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Homicídio (art. 121, CP)
Consiste na destruição da vida extrauterina. O núcleo do tipo objetivo é o verbo matar e, necessariamente,
deve-se tratar de outrem. Dessa maneira, o bem jurídico protegido é a vida humana alheia. Isso significa que
tanto a vida intrauterina quanto a vida própria não são abrangidos pelo tipo penal do art. 121 quando atingidas.
 
Duas ponderações são importantes, a que diz respeito ao momento do início da vida extrauterina e ao
momento da morte. São concepções que variam conforme o contexto histórico, cultural, político e social de
cada lugar. Observe!
Vida extrauterina
Começa com o parto, marcado pelo início das
contrações expulsivas (Prado, 2019, p. 757).
Morte
É marcada pelo fim da atividade encefálica, nos
termos do art. 3º da Lei nº 9.434/1997, que
versa sobre o transplante de órgãos.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa e o sujeito passivo também, desde que este, obviamente, com vida
(crime comum). Como o crime só se consuma com a morte, estamos diante de um crime material, ou seja, sua
consumação ocorre com o resultado morte. Também é considerado um crime de dano, pois exige a efetiva
lesão do bem jurídico para sua concretização. Admite-se a modalidade tentada (art. 14, II, CP), pois seu iter
criminis pode ser fracionado.
Exemplo
João desferiu um tiro contra José com a intenção de matá-lo, mas em razão da assistência médica
recebida, José sobreviveu. 
Quanto à tipicidade subjetiva, estamos diante de um crime doloso, em que o sujeito ativo precisa ter
consciência e vontade de praticar os elementos do tipo, possuindo a intenção de ceifar a vida de outra pessoa
(animus necandi).
A sanção penal (preceito secundário) para o crime de homicídio simples é de 6 a 20 anos de
reclusão. 
O art. 121, §1º prevê o homicídio privilegiado com redução de pena. Este também ocorre com a destruição da
vida extrauterina, porém, o sujeito ativo pratica o crime impelido de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima. Estamos diante de uma causa
especial de diminuição de pena, pois não está prevista nas causas de diminuição de pena trazidas na parte
geral.
 
Para compreender melhor os fatores que podem levar à redução da pena no homicídio privilegiado, veja o
significado dos termos a seguir.
Relevante valor social
É aquilo que diz respeito ao interesse coletivo.
Relevante valor moral
É de ordem subjetiva.
Violenta emoção
Trata-se de um sentimento intenso e momentâneo que altera o estado psicológico do indivíduo
(Prado, 2019, p. 762). No contexto do homicídio privilegiado, essa emoção deve ocorrer
imediatamente após uma provocação injusta da vítima.
Dessa maneira, temos a seguinte equação: Injusta provocação, seguida da violenta emoção, com a
consequente reação.
 
No artigo 121, §§ 2º e 2º-A, encontram-se as modalidades de homicídio qualificado. As qualificadoras
adicionam novas elementares ao tipo penal, razão pela qual são acompanhadas de um novo preceito
secundário. No homicídio, oito grupos de circunstâncias qualificam o crime (incisos I ao VIII), estabelecendo
uma sanção penal que varia de 12 a 30 anos. Essas circunstâncias dizem respeito aos meios e modos de
execução do crime, aos motivos do agente, aos fins pretendidos ou à qualidade da vítima.
 
Com relação ao motivo de o agente ter cometido o crime, há duas classificações possíveis:
Motivo torpe
Desprezível, repugnante, tal como a inveja e a ganância. Para o legislador, o pagamento ou a
promessa de recompensa são exemplos dessa motivação, e entende-se, majoritariamente, que o
pagamento deve ter conteúdo econômico.
Motivo fútil
Insignificante, exageradamente desproporcional, e que não se confunde com a ausência de motivo.
Por serem qualificadoras relativas à motivação, a motivação fútil e a torpe não podem ser aplicadas no mesmo
caso.
 
Os meios de execução do crime podem ser classificados em diversas categorias, cada uma com suas
particularidades. Veja!
Insidioso
É aquele meio disfarçado, dissimulado.
Cruel
É o que provoca grave e desnecessário sofrimento para a vítima (ROIG, 2011, p. 38).
Perigo comum
É o que coloca em risco um número indeterminado de pessoas, sendo certo que o efetivo dano não
precisa ocorrer para a configuração da qualificadora. A Lei nº 13.964/2019 incluiu o inciso VIII
passando a qualificar o crime de homicídio, o emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
Quanto ao meio de execução cruel, o legislador traz um rol de exemplos não taxativos: emprego de veneno,
explosivo, asfixia, tortura.
 
Recurso que dificulta ou impossibilita a defesa do ofendido diz respeito ao modo de execução do crime e o
legislador traz alguns exemplos também em rol não taxativo, como a traição, a emboscada e a dissimulação.
A prática de homicídio para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime qualifica o crime pela conexão.
Nesses casos, presume-se a existência de dois crimes, não sendo o
homicídio o crime-fim da empreitada delituosa. É o caso, por exemplo,
do agente que mata a testemunha de um crime anterior.
A Lei nº 13.104/2015 trouxe a figura do 
feminicídio, que é o homicídio praticado
contra mulheres pelo simples fato de
serem mulheres. O Brasil possui altas
taxas de feminicídio e só em 2020 uma
mulher foi assassinada a cada 6 horas e
meia (Fórum Brasileiro de Segurança
Pública, 2021).
 A desigualdade de gênero é,
portanto, o que fundamenta a
qualificadora devido à maior
reprovabilidade.Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	ReferênciasO §2º-A é
uma norma explicativa, pois
informa o que seriam as
razões de condição do sexo
feminino.
A Lei nº 13.142/2015 acrescentou a qualificadora nos casos de homicídio de agentes de segurança pública e
penitenciária. Para o legislador, a condição especial da vítima que exerce atividade relacionada à segurança
pública ou é familiar de quem exerce, resulta em maior reprovabilidade da conduta. Lembrando que é preciso
que o fato esteja relacionado à função exercida pela vítima.
 
O art. 121, §§3º e 5º versam sobre o homicídio culposo, que acontece quando o agente, violando o dever de
cuidado, provoca o resultado morte, embora esta não fosse sua vontade. A finalidade, portanto, é alcançar um
fim lícito, mas em razão da inobservância do dever de cuidado objetivamente exigível, a cadeia causal
esperada é rompida, consequentemente produzindo o resultado indesejado.
Exemplo
Agente manuseando uma arma de fogo dispara sem querer e atinge um amigo. Veja que sua finalidade
não é a de praticar o crime, mas, por violar o dever de cuidado, responderá pela modalidade culposa. O
Código Penal atribui pena de detenção de 1 a 3 anos para essas hipóteses. E lembre-se, crime culposo
nunca admite tentativa! 
O Código prevê hipótese de perdão judicial em seu §5º, ou seja, o juiz
pode deixar de aplicar a pena se as consequências da infração
atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se
torne desnecessária.
No exemplo anterior, caso a vítima do homicídio culposo fosse filha do
agente, seria plenamente cabível o perdão judicial.
Por fim, o art. 121, §§4º, 6º e 7º trouxe as causas de aumento de pena.
Para fins didáticos, iremos distingui-las entre as do homicídio culposo e doloso:
A Lei n.º 14.994, de 2024, conhecida como Pacote antifeminicídio, trouxe alterações para algumas legislações
penais (a saber: Código Penal, Lei das Contravenções Penais, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes
Hediondos e na Lei Maria da Penha) e para o Código Penal. Além disso, a nova lei tornou o feminicídio crime
autônomo (art. 121-A do CP) e estabeleceu outras medidas para prevenir e coibir a violência contra a mulher.
 
Na legislação anterior, o feminicídio era caracterizado como uma modalidade de homicídio qualificado. Com a
nova lei, ele passa a ser um tipo penal autônomo, sujeito à pena mais severa. Dessa maneira, não há mais a
necessidade de qualificá-lo para impor sanções mais rígidas. Assim, a pena, que antes variava de 12 a 30
anos, agora passa a ser de 20 a 40 anos de reclusão.
Por fim, a Lei n.º 14.994/2024 também estabelece circunstâncias agravantes para o crime de feminicídio, nas
quais a pena será aumentada de 1/3 até a metade. São elas:
 
Quando o feminicídio é cometido durante a gestação, nos três meses posteriores ao parto ou se a
vítima é mãe ou responsável por criança.
 
Quando é contra menor de 14 anos, ou maior de 60 anos, ou mulher com deficiência, ou doença
degenerativa.
 
Homicídio culposo 
Segundo o §4º – 1ª parte, a pena é aumentada
em 1/3 se o crime resulta de inobservância de
regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se
o agente deixa de prestar imediato socorro à
vítima, não procura diminuir as
consequências do seu ato, ou foge para evitar
prisão em flagrante.
Homicídio doloso 
A pena é
aumentada de
1/3 se o crime
for praticado
contra pessoa
menor de 14
ou maior de
60 anos (§4º,
2ª parte).
O §6º prevê um
aumento de 1/3 até a
metade se o crime for
praticado por milícia
privada, sob o pretexto
de prestação de
serviço de segurança,
ou por grupo de
extermínio.
1. 
2. 
Quando é cometido na presença de pais ou filhos da vítima.
 
Quando é cometido em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da
Penha.
 
No caso de emprego de veneno, tortura, emboscada ou arma de uso restrito contra a vítima.
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a
automutilação (art. 122, CP)
O crime do art. 122 consiste na ajuda material ou moral no suicídio ou
na automutilação de outra pessoa. Apenas com a edição da Lei nº
13.968/2019 que a ajuda na automutilação foi abrangida pelo tipo penal
e esta consiste em causar lesões em si próprio. O núcleo do tipo são,
portanto, os verbos induzir, instigar e prestar auxílio. 
O suicídio e a automutilação não configuram ilícito penal por si só.
Estamos diante de um crime doloso, pois o sujeito ativo deve possuir vontade livre e consciente de contribuir
para o suicídio ou a automutilação de outrem e não há previsão da modalidade culposa. E lembre-se, o tipo
não abrange o induzimento genérico, ele deve ser direcionado.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum) e a conduta deve ser comissiva, isto é, o agente deve
praticar uma ação. 
Atenção
O suicídio e a automutilação em si são praticados pela vítima e não pelo sujeito ativo. O sujeito passivo
também pode ser qualquer pessoa, sendo imperativo, contudo, que se trate de pessoa determinada e
que possua capacidade de compreensão. 
Diante da inovação legislativa, o art. 122 caput passou a prever um crime formal, ou seja, basta a prática dos
verbos nucleares para a consumação do delito. 
O eventual resultado de morte ou
lesão grave, tornou-se
qualificadora do delito no §1º,
como veremos a seguir.
A tentativa pode se dar de forma
indireta, como um bilhete com a
instigação que fora extraviado antes
do recebimento.
A pena para a forma simples do tipo penal é de reclusão de 6 meses a 2 anos. Quanto às formas qualificadas,
há duas hipóteses. Se a automutilação ou a tentativa de suicídio resultarem em:
3. 
4. 
5. 
Lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima
A pena é de reclusão de 1 a 3 anos (art. 122,
§1º).
Morte
A pena é de 2 a 6 anos (art. 122, §2º).
O art. 122 também traz causas de aumento. A pena será:
1
Duplicada
Se o crime for praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; e se a vítima for menor ou tiver
diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência (art. 122, §3º).
2
Aumentada até o dobro
Se a conduta for realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em
tempo real (art. 122, §4º).
3
Aumentada em metade
Se o agente for líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual (art. 122, §5º).
Agora vejamos a determinação no caso de suicídio ou automutilação praticados contra menores de 14 anos,
ou contra quem não tiver o necessário discernimento para a prática do ato, por enfermidade ou deficiência
mental, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. Se o resultado for:
Lesão corporal gravíssima
O §6º dispõe que se do suicídio ou da automutilação resultar lesão corporal gravíssima e for praticada
contra menores de 14 anos, ou contra quem não tiver o necessário discernimento para a prática do
ato, por enfermidade ou deficiência mental, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência, o agente não irá responder pelo tipo penal do art. 122, mas sim pelo crime previsto §2º do
art. 129, do CP, isto é, lesão corporal qualificada, cuja pena é reclusão de 2 a 8 anos.
Morte
O §7º indica que se o resultado morte for produzido contra menor de 14 anos ou contra quem por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que,
por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, o agente irá responder pelo tipo penal de
homicídio, previsto no art. 121.
Infanticídio (art. 123, CP)
O crime de infanticídio consiste na conduta da mãe que, sob influência do estado puerperal, mata o próprio
filho, durante ou logo após o parto. O núcleo do tipo, portanto, é o verbo matar.
Saiba mais
Estado puerperal é uma perturbação fisiopsíquica, que atenua a magnitude da culpabilidade (PRADO,
2019, p. 791) e, por isso, implica pena atenuada em comparação à do homicídio, com detenção de 2 a 6
anos. Veja que o estado puerperal não se confunde com a inimputabilidade do art. 26, CP, em que não
há culpabilidade por completo. O infanticídio é uma espécie de homicídio privilegiado. 
Estamos diante de um crime próprio, visto que apenas amãe pode ser sujeito ativo do crime. Por isso,
entende-se, majoritariamente, pela impossibilidade de concurso de pessoas. O estado puerperal é
circunstância pessoal que não se comunica com terceiros. O sujeito passivo é o recém-nascido, desde que
viável a vida.
 
O crime é material, pois consuma-se com o resultado morte ou lesão corporal grave, sendo admitida a
tentativa. Além disso, trata-se de um crime doloso, sem previsão da modalidade culposa na legislação.
Aborto (arts. 124 a 128, CP)
O aborto é
a
interrupção
da
gestação
com a
morte do
feto.
 Apesar de
haver
discussões
sobre o
tema,
prevalece
que a
gestação se
inicia com a
implantação
do óvulo na
cavidade
uterina
(Prado,
2019 p.
804).
 Vamos às
modalidades
de aborto
previstas
no CP!
 A gestante
é o sujeito
ativo do
art. 124,
que ocorre
quando ela
provoca ou
consente
que outra
pessoa
provoque o
aborto. A
pena
cominada é
de
detenção
de 1 a 3
anos.
 O terceiro também
responde criminalmente
se provocar aborto sem
o consentimento da
gestante, com pena de
reclusão de 3 a 10 anos
(art. 125). Caso o aborto
seja feito com o
consentimento dela, a
pena será de reclusão
de 1 a 4 anos (art. 126).
Neste último caso, o
terceiro responde na
forma do art. 126 e a
gestante na forma do
art. 124, 2 ª parte.
 Se a gestante
que consentir o
aborto for
menor de 14
anos, alienada,
ou incapaz, ou
ainda, se o
consentimento
for obtido
mediante
fraude, grave
ameaça ou
violência, a
pena é a do art.
125: reclusão de
3 a 10 anos (art.
126, § único).
O sujeito ativo varia de acordo com o tipo penal, podendo ser tanto a gestante (crime próprio),
quanto qualquer pessoa que provoca o aborto. Quanto ao sujeito passivo, além da gestante, quando
vítima do delito, há quem entenda que o feto possa ser sujeito passivo (PRADO, 2019, p. 801).
A forma qualificada pelo resultado está prevista no art. 127 e ocorre se, em consequência do aborto ou dos
meios empregados:
 
A gestante sofrer lesão corporal grave (a pena é aumentada em ⅓).
 
A gestante falecer em decorrência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo (a pena é
duplicada).
1. 
2. 
Atenção
A forma qualificada não abrange a gestante como sujeito ativo. Nesses casos, o resultado não é
provocado de forma intencional (crime preterdoloso). Caso isso ocorra, haverá concurso de crimes entre
o aborto e a lesão ou o homicídio. 
Estamos diante de crimes dolosos (não há previsão de nenhuma hipótese culposa), em que há vontade e
consciência de praticar a interrupção da gestação e a consumação se dá com a morte do feto. A tentativa é
admitida.
 
A legislação brasileira apresenta algumas hipóteses em que o aborto não é criminalizado, são as hipóteses de
aborto legal (art. 128):
 
Se não houver outro meio de salvar a vida da gestante (aborto necessário).
 
Se a gravidez resultar de estupro e a gestante consente o aborto (aborto humanitário).
Saiba mais
Em 2012, no julgamento da ADPF 54, o STF autorizou expressamente a interrupção da gravidez em
casos de anencefalia do feto, ou seja, quando as estruturas cerebrais não são corretamente
desenvolvidas, implicando inviabilidade extrauterina. Trata-se de uma causa excludente de ilicitude não
prevista em lei. Nesses casos, havendo consentimento da gestante, o aborto pode ser realizado. 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Infanticídio
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Aborto
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
1. 
2. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
Com relação aos crimes contra a pessoa, previstos no Código Penal, é correto afirmar que
A todos os crimes do Capítulo I são julgados pelo Tribunal do Júri, sem exceção.
B enquanto o crime doloso contra a vida de mulher é denominado feminicídio, o praticado contra a vida
do homem é denominado homicídio.
C o homicídio praticado contra policial militar de férias, em que o agente desconhecia a profissão da
vítima, enquadra-se na forma qualificada.
D o homicídio culposo pode se dar tanto de forma consumada quanto de forma tentada.
E o homicídio não pode ser qualificado pela motivação fútil e torpe simultaneamente.
A alternativa E está correta.
Os crimes dolosos contra a vida, previstos no Capítulo I, são todos julgados pelo Tribunal do Júri conforme
mandamento constitucional. A exceção fica nos casos dos crimes culposos, que serão julgados pela Vara
Criminal Comum. Ainda sobre os crimes culposos, sabemos que não admitem tentativa, pois não há uma
ação direcionada a uma finalidade determinada. Para a configuração da qualificadora do art. 121, VII, é
imperioso que o agente aja sabendo da condição especial da vítima.
Questão 2
Em relação aos crimes de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou à automutilação e de aborto,
assinale a alternativa correta:
A Os crimes do artigo 122 não admitem tentativa.
B A pena é duplicada se induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou à automutilação forem
praticados por motivo egoístico.
C Para a atribuição de pena, é irrelevante se o suicídio ou a automutilação ocorreram.
D A anencefalia é uma hipótese de excludente da ilicitude, que passou a ser prevista expressamente em
lei.
E O aborto não é considerado crime contra a vida já que feto não é pessoa.
A alternativa B está correta.
Com a reforma legislativa trazida pela Lei nº 13.968/2019, que trouxe as figuras qualificadas, a possibilidade
de tentativa passou deixou de ser controversa, tendo trazido, ainda, uma graduação de pena a depender
da materialização do resultado. Quanto à causa excludente de ilicitude nos casos de interrupção de
gravidez de feto anencéfalo, trata-se de inovação trazida pelo STF por meio de mecanismos de
interpretação da Constituição que não importam em novas figuras legislativas necessariamente. Por fim,
apesar de haver discussão quanto ao sujeito passivo nos crimes de aborto, não se discute que são
considerados crimes contra a vida, sendo julgados pelo Tribunal do Júri, nos termos do § 3º, I, do art. 122,
CP.
2. Lesões corporais e periclitação da vida e da saúde
Lesão corporal (art. 129, CP)
A especialista Renata Saggioro, mestre em Direito, discorre a seguir sobre a lesão corporal e suas diferentes
figuras. Vamos assistir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O legislador previu espécies de lesões corporais, sendo algumas classificadas de forma gradativa. É o caso do
caput (lesão de natureza leve), o §1º (lesão de natureza grave) e o §2º (lesão de natureza gravíssima). 
O que vai diferenciá-las é o resultado que produzirão, que são apresentados nos seus incisos. Perceba que a
lesão leve tem caráter residual, isto é, caso a conduta não se amolde a nenhuma das outras previsões, o caput
prevalecerá. 
Atenção
 Não confunda lesão leve com a contravenção penal prevista no art. 21 da Lei de Contravenções Penais,
conhecida como vias de fato. Nesse caso, há o uso de violência, mas sem a intenção de causar lesão. O
exemplo mais comum é um tapa no rosto. 
Em razão da gradação das lesões, penas distintas foram atribuídas pelo legislador. Veja!
Lesão leve
Pena de detenção de 3 meses a 1 ano.
Lesão grave
Pena de reclusão de 1 a 5 anos.
Lesão gravíssima
Pena de reclusão de 2 a 8 anos.
Aqui, os sujeitos ativo e passivo podem ser qualquer pessoa (crime comum). São crimes materiais e, como já
sabemos, só se consumam com o resultado, admitindo também a forma tentada.
 
Lembrando que nem toda lesão corporal é criminalizada, tendo em vista que em alguns casos, o exercício
regular do direito (art. 23, III, CP) afasta a incidência do crime.
Exemplo
As lesões que decorrem de intervenção estética e da prática de esportes, como o boxe. 
O §3º traz uma hipótese de crime preterdoloso, isto é, há dolo no antecedente mas não no resultado
produzido. A morte decorrente da lesão não foi produzida voluntariamente pelo agente e ele tampouco
assumiu o risco de produzi-la. Caso assim o fosse, estaríamosdiante de um crime de homicídio. Portanto, em
razão da menor reprovabilidade da conduta, a pena cominada é de reclusão de 4 a 12 anos, sendo certo que
qualquer pessoa pode ser sujeito ativo ou passivo.
Crime preterdoloso não admite tentativa.
O §4º traz a hipótese de lesão corporal privilegiada com as circunstâncias idênticas ao do homicídio
privilegiado e, consequentemente, com diminuição de pena. Além disso, o legislador dispõe que a pena de
reclusão, nesses casos, pode ser substituída por multa, desde que as lesões não sejam graves (§5º, I). Essa
substituição de pena vale para casos de lesões recíprocas (§5º, II).
 
A modalidade culposa é admitida no §6º e para ela, assim como no homicídio culposo, é autorizada a
concessão do perdão judicial (§8º). Os §§7º e 12 preveem causas de aumento de pena.
 
Agora, vamos destacar as lesões corporais envolvendo a violência doméstica em que o legislador entendeu se
tratar de condutas com maior reprovabilidade, uma vez que o agente se vale das relações domésticas
presentes ou pretéritas para perpetrar a ação danosa.
Relações domésticas podem ser entendidas como aquelas que se
“travam entre os membros de uma mesma família, frequentadores
habituais da casa, amigos, empregados domésticos, a coabitação é um
estado de fato, pelo qual duas ou mais pessoas convivem no mesmo
lugar; a hospitalidade é a coabitação temporária, mediante
consentimento tácito ou expresso do hospedeiro” (PRADO, 2019, p.
849-850).
A recente Lei nº 14.994/2024 alterou a dinâmica das lesões corporais em contextos domésticos. Vejamos:
 
Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º
do art. 121-A deste Código, a pena será de reclusão, de 2 a 5 anos.
 
Nos demais casos (por exemplo, vítima homem), a conduta continua sendo tipificada no §9° do artigo
129, com pena de 3 meses a 3 anos.
 
Esses dois parágrafos trazem novos preceitos secundários e, por isso, são considerados qualificadoras da
lesão corporal.
• 
• 
Atenção
O §13 não pune apenas as lesões praticadas no âmbito doméstico, mas também em razão da condição
do sexo feminino, e isso não necessariamente vai se dar no contexto doméstico.Se a mulher for
lesionada no contexto doméstico em situação que não diz respeito à sua condição de mulher, aplica-se o
§9º. É o caso, por exemplo, de duas irmãs que moram juntas e brigam por questões de herança. Mas se
a lesão contra a mulher ocorrer (estando no contexto doméstico ou não) pela questão de gênero, aplica-
se o §13. 
Por fim, inovações legislativas trouxeram novas causas de aumento. 
Se a lesão for grave, gravíssima ou seguida de morte (§10), ou a vítima for pessoa com deficiência
(§11), a pena será aumentada em 1/3 se praticados no contexto doméstico. 
Sobre as ações penais, as lesões leves e culposas são julgadas pelo rito dos Juizados Especiais Criminais, nos
termos da Lei nº 9.099/1995. Os crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher são julgados nos
Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (art. 14, da Lei nº 11.340/2006), mas caso eles
ainda não estejam estruturados, o julgamento se dará em Vara Criminal Comum. Conforme a Súmula 536, do
STJ, não são cabíveis, nestes casos, (violência doméstica contra mulheres) a suspensão condicional do
processo e a transação penal. 
Quanto à natureza da ação penal,
ela será pública condicionada à
representação nos casos de lesão
leve, culposa e de violência
doméstica.
 No caso de violência doméstica, se
praticada contra mulher, a ação será
pública incondicionada (SUM 542,
STJ), bem como nos casos
restantes.
Periclitação da vida e da saúde 
Perigo de contágio venéreo (art. 130, CP)
 
Embora existam críticas à existência de crimes de perigo abstrato, prevalece o entendimento de que a simples
exposição ao contágio de moléstia venérea já caracteriza a consumação do crime. O núcleo do tipo é o verbo 
expor, abrangendo tanto relações sexuais quanto atos libidinosos.
Comentário
 Moléstia venérea é um elemento normativo extrajurídico do tipo, já que a lei penal não define
exatamente no que consiste. Sífilis, cancro mole são alguns exemplos. Mas não se esqueça de que a
norma penal tem interpretação restritiva em respeito ao princípio da legalidade. A AIDS não é
considerada moléstia venérea para os fins deste crime. 
O sujeito ativo aqui é qualquer pessoa contaminada com moléstia venérea, homem ou mulher (crime comum).
O sujeito passivo também, desde que, evidentemente, já não esteja contaminado pela moléstia, o que
configuraria crime impossível (art. 17, CP), ou que consinta com o ato, sabendo da moléstia. O exercício da
prostituição não afasta a possibilidade de ser vítima desse crime.
 
O crime em comento só existe na modalidade dolosa, podendo ser:
Dolo direto
O agente sabe que está contaminado, vez que
consciente e voluntariamente cria o perigo de
contágio.
Dolo eventual
O agente deveria saber que está contaminado.
Estamos diante de um crime instantâneo que se consuma no ato sexual, sendo certo que o contágio efetivo
vai influir na quantidade de pena, mas não na consumação. E a tentativa é admitida.
 
Caso o agente tenha a intenção de contaminar seu parceiro, estaremos diante da modalidade qualificada, com
pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa (§1º) e o dolo passará a ser de dano e não mais de perigo.
 
O crime do caput possui menor potencial ofensivo e é julgado nos juizados especiais criminais. O crime
qualificado é julgado na vara criminal comum. E ambos só se procedem mediante representação (§2º).
Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131)
O crime do art. 131 tem como núcleo do tipo praticar ato capaz de produzir contágio. E repare que o elemento
subjetivo do tipo abrange, necessariamente, a finalidade de transmissão de moléstia grave. O dolo consiste,
portanto, em transmitir a moléstia. Por isso, estamos diante de um crime formal (não se exige o resultado
contaminação) com dolo de dano e não dano de perigo, embora o legislador tenha erroneamente assim o
caracterizado.
Moléstia grave, como a venérea, também é elemento normativo extrajurídico do tipo e quem as define é o
saber das ciências médicas. 
Exemplo
Podemos citar AIDS, febre amarela, lepra, difteria, cólera, sarampo, e demais doenças transmissíveis por
contágio. 
O crime é comum, já que qualquer pessoa pode ser sujeito ativo e passivo. E a mesma observação sobre
crime impossível feita acima vale aqui também, isto é, se a vítima já está contaminada, a conduta é atípica por
impropriedade absoluta do meio.
 
Não existe previsão de modalidade culposa e a tentativa é admitida.
 
Por fim, destacamos que a ação penal é incondicionada. E como a pena cominada é de reclusão de 1 a 4 anos
e multa, o julgamento é feito pela vara criminal comum.
Perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132)
O art. 132 traz previsão expressa de um crime subsidiário, pois se o fato constituir crime mais grave, haverá
subsunção a outro tipo penal. O núcleo do tipo penal é o verbo expor, que pode ser realizado tanto de forma
positiva (ação comissiva) quanto de forma negativa (ação omissiva).
Também temos aqui um crime comum, em que qualquer pessoa pode ser sujeito ativo ou passivo, sendo
certo, porém, que a vítima (ou mais de uma) deve ser pessoa certa e determinada. Se assim não o for, o
agente incidirá no crime de perigo comum previsto no art. 250 e seguintes do CP.
Quanto ao elemento subjetivo, note que o dolo é de perigo e que consiste na vontade do agente de expor a
vida ou a saúde de outra pessoa. Ele pode ser: 
Direto
Vontade dirigida à produção do perigo.
Eventual
O agente é indiferente à produção do perigo.
Aqui, também, a tentativa é plenamente possível. 
A pena cominada é de detenção de 3 meses a 1 ano, desde que o fato não seja punível de forma mais grave.
Além disso, há previsão de uma causa especial de aumento no § único, nos casos em que o perigo é
produzido em decorrência do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de
qualquernatureza, em desacordo com as normas legais. Para todos esses casos, a ação penal é pública
incondicionada e julgada nos Juizados Especiais Criminais. 
Abandono de incapaz (art. 133, CP)
No crime do art. 133, o núcleo do tipo é o
verbo abandonar, sendo necessário que
a pessoa abandonada esteja sob
cuidado, guarda, vigilância ou autoridade
do agente.
 O bem jurídico protegido aqui
é a vida e a saúde daqueles
que não podem se defender
do perigo causado pelo
abandono.
Para configuração do crime é necessário que se prove que o abandono deixou a vítima em situação
de perigo efetivo. 
Sujeito ativo só pode ser aquele que tem uma relação especial de custódia ou autoridade para com o sujeito
passivo, por isso, trata-se de um crime próprio. Entenda que essa relação jurídica entre sujeitos ativo e
passivo pode ser oriunda de preceitos da lei, de contrato ou até mesmo de certos fatos lícitos e ilícitos, não
sendo exigido que a incapacidade seja aquela do Direito Civil. Mas a inexistência desse vínculo pode implicar
o delito de omissão de socorro do art. 135, como veremos a seguir.
O crime se consuma instantaneamente com produção do perigo
concreto à vida ou à saúde, ainda que nada ocorra efetivamente com a
vítima. E isso pode se dar tanto de forma positiva (crime comissivo)
quanto de forma negativa (crime omissivo). De toda forma, a pena é de
detenção de 6 meses a 3 anos.
Quanto ao elemento subjetivo, o dolo pode ser tanto direto quanto eventual, e a forma culposa não é admitida
por lei. A tentativa, por outro lado, é admitida. 
Os §§1º e 2º trazem figuras típicas qualificadas e ambos são crimes preterdolosos. Aqui, a pena será de
reclusão de 1 a 5 anos se resultar lesão corporal grave, e de 4 a 12 anos se resultar a morte. Já no §3º,
observe que temos três causas de aumento.
Todas essas modalidades são de ação penal incondicionada e julgadas pela Vara Criminal Comum. 
Exposição ou abandono de recém-nascido (art. 134)
O art. 134 prevê uma espécie privilegiada de abandono em razão da motivação do sujeito ativo. Isso porque,
embora o núcleo do tipo sejam abandonar e expor, a finalidade de ocultar desonra própria veio insculpida no
tipo penal. 
Trata-se, portanto, de um delito especial próprio, pois
apenas a mãe que concebeu a criança fora do casamento
ou o pai adulterino, ou incestuoso podem ser sujeitos
ativos do crime. O sujeito passivo é, obviamente, o
recém-nascido, cuja vida e saúde são protegidas pelo
bem jurídico tutelado.
 Quanto ao
elemento
subjetivo, o
dolo pode
ser das
seguintes
formas:
Direto
Quando o agente possui consciência e vontade de expor o recém-nascido a perigo concreto e com o
especial fim de agir de ocultar desonra própria.
Eventual
Quando o agente assume o risco de produzir o perigo.
Mais uma vez, a modalidade culposa não é prevista em lei. 
O delito pode se dar tanto de forma positiva (crime comissivo) quanto de forma negativa (crime omissivo),
com pena cominada de detenção de 6 meses a 2 anos. Também é admitida a tentativa.
Como no crime anterior, os §§1º e 2º trazem figuras típicas qualificadas pelo resultado (ambos são crimes
preterdolosos). A pena será de detenção de 1 a 3 anos se resultar lesão corporal grave e de 2 a 6 anos se
resultar a morte, lembrando que, nesses casos, a lesão e a morte são produzidas a título de culpa.
Por fim, a ação penal será pública incondicionada para todas as figuras típicas. Mas o crime do caput será
julgado nos Juizados Especiais Criminais, por ser de menor potencial ofensivo, enquanto as espécies
qualificadas na Vara Criminal Comum.
Omissão de socorro (art. 135)
Como nos demais crimes deste capítulo, a previsão do art. 135 visa proteger a vida e a saúde humana,
sobretudo da pessoa necessitada de auxílio. Como a omissão de socorro se funda no dever de solidariedade,
o núcleo do tipo é deixar de prestar (assistência).
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum), mas conforme as circunstâncias, poderá se
configurar o abandono de incapaz, anteriormente visto (art. 133), ou até mesmo abandono material (art. 244).
O sujeito passivo é aquele que se encontra nas situações descritas no tipo penal. 
Atenção
Se várias pessoas não prestam assistência, todas respondem pelo art. 135; entretanto, se ao menos uma
delas assistir à vítima, não há que se falar em crime. Além disso, a atuação só é exigida se não causar
risco pessoal. 
Estamos diante de um crime omissivo próprio (há somente a omissão de um dever de agir), em que o crime se
consuma no momento da omissão. E como podemos perceber, o dolo aqui é o de perigo, que o sujeito ativo
deve conhecer. A tentativa não é admitida, pois é incompatível com o crime omissivo. 
O legislador também
previu causa de
aumento para a
omissão de socorro no
§ único.
 
Veja que novamente temos uma modalidade de
crime preterdoloso, em que só há dolo na
omissão, e o resultado é obtido a título de
culpa, seja a lesão grave ou a morte.
A ação penal é pública incondicionada para todos os casos e o julgamento realizado pelos Juizados Especiais
Criminais.
Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial
Em 2012, diante dos inúmeros casos em que pacientes chegavam em
situação de emergência aos hospitais e só conseguiam atendimento
após realização de pagamento ou promessa de pagamento, o legislador
decidiu criminalizar esse comportamento, indicando que a vida e a
saúde humana se sobrepõem a interesses patrimoniais.
O sujeito ativo aqui pode ser qualquer pessoa (crime comum), desde que responda pelos interesses dos
estabelecimentos médicos. O sujeito passivo é aquele que necessita de atendimento.
O elemento subjetivo é o dolo, consistente na consciência e vontade de exigir pagamento como condição para
prestação do atendimento médico-hospitalar em situação emergencial e o delito se consuma com a simples
exigência de pagamento (crime de mera atividade). A tentativa, apesar de difícil configuração no caso
concreto, é admitida.
Os crimes são julgados pelos Juizados Especiais Criminais e a ação penal é pública incondicionada. 
Maus-tratos (art. 136)
Neste caso, também se protege a vida e a saúde, tendo como núcleo do tipo o verbo expor (a perigo).
 
O sujeito ativo só pode ser quem tenha pessoa sob autoridade, guarda ou vigilância (crime próprio), enquanto
o sujeito passivo é quem esteja submetido a ela. Mas atenção, o tipo exige uma finalidade específica, isto é, a
exposição a perigo tem por finalidade educação, ensino, tratamento ou custódia e isso pode ser executado de
diferentes formas, trazidas na parte final do tipo.
Maus-tratos é um crime doloso (direto ou eventual), em que o agente
produz com consciência e vontade o perigo para obter a finalidade
específica. A consumação se dá, portanto, com a exposição ao perigo,
e a conduta pode ser tanto positiva (comissiva) quanto negativa
(omissiva). A modalidade tentada é admitida e a pena atribuída é de 2
meses a 1 ano, ou multa.
Atenção
Se a intimidação ou o castigo importarem em intenso sofrimento, o crime é o de tortura (art. 1º, I, Lei nº
9.455/1997). Se a criança ou adolescente forem submetidos a vexame ou constrangimento por quem lhe
tem autoridade, incidirá nas penas do art. 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 
A ação penal é pública incondicionada para todos os casos, mas a conduta do caput é julgada pelos Juizados
Especiais Criminais e pelas demais pelas Varas Criminais Comuns.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Abandono de incapaz
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Omissão de socorro
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(Delegado de Polícia Civil – RN / 2021) Saulo se desentendeu, na fila do caixa de um supermercado, com outra
consumidora, Viviane, que estava no 8º mês de gestação, e lhe desferiu um fortíssimo soco no rosto. Em
razão do golpe, Viviane perdeu o equilíbrio e caiu com a barriga no chão. Ao ser levadaao hospital, foi
constatado que Viviane apresentava lesão leve na face, mas que havia perdido o bebê em decorrência da
queda. Considerando o estado gravídico evidente de Viviane, a conduta praticada por Saulo configura o crime
de
A lesão corporal seguida de morte.
B lesão corporal qualificada pelo aborto.
C aborto na modalidade dolo eventual, apenas.
D aborto culposo, ficando a lesão corporal absorvida.
E lesão corporal leve em concurso formal com aborto na forma culposa.
A alternativa B está correta.
A questão narra um crime qualificado pelo resultado (crime preterdoloso), ou seja, o agente possui dolo na
lesão corporal, porém, não tinha consciência e vontade de praticar o aborto na gestante, que se dá na
forma culposa. O Código Penal traz essa figura expressamente no art. 129, § 2º, V.
Questão 2
(Analista Jurídico do Ministério Público – SP / 2018) A respeito dos crimes contra a periclitação da vida e da
saúde, previstos no Código Penal, é correto afirmar que
A o crime de abandono de incapaz somente se configura se o dever de cuidado do autor para com o
incapaz decorre de relação familiar.
B o crime de contágio de moléstia grave, para se configurar, exige que a exposição a contágio ocorra por
relação sexual ou qualquer outro ato libidinoso.
C o crime de condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial é próprio de médico, não se
configurando se a condição é imposta por pessoa diversa.
D o crime de omissão de socorro se caracteriza pela conduta de deixar de prestar assistência, quando
possível, ainda que o agente peça socorro à autoridade pública.
E todos, sem exceção, não admitem a modalidade culposa.
A alternativa E está correta.
O crime de abandono de incapaz não exige que a relação entre os sujeitos ativo e passivo seja familiar. O
crime de contágio de moléstia grave não se dá apenas por relações sexuais, apesar de também ser
possível. Apenas o perigo de contágio venéreo que ocorre pela via sexual. Já o crime do art. 135-a não
restringe o sujeito ativo apenas ao médico, sendo certo que qualquer pessoa que responda pelo
estabelecimento médico-hospitalar pode ser também sujeito ativo (ex.: recepcionista). A omissão de
socorro abrange duas possibilidades de forma alternativa, ou seja, se o agente não prestou assistência,
mas pediu socorro, o crime não se configura.
3. Rixa e crimes contra a honra
Rixa (art. 137)
Rixa é um crime que também visa proteger o bem jurídico da vida e da
saúde humana e consiste na participação em briga entre mais de duas
pessoas, envolvendo vias de fato recíprocas de forma desorganizada
(ROIG, 2011, p. 76). Ou seja, é preciso que ao menos três pessoas
participem (crime plurissubjetivo), excluindo, evidentemente, aquela
que entra para separar os contendores.
O núcleo do tipo é participar e, para fins do artigo, pouco importa o momento em que o agente ingressou na
rixa, se desde o início ou não. Além disso, estamos diante de um crime comum, já que os sujeitos ativo e
passivo podem ser qualquer pessoa. Mas perceba a peculiaridade desse tipo penal, pois os participantes são
sujeitos ativo e passivo ao mesmo tempo. 
E o inimputável?
Ele é contabilizado para fins de enquadramento da rixa, mas não é considerado sujeito ativo, pois sua
culpabilidade é excluída (arts. 26 e 27, CP).
A rixa se consuma com a prática do embate violento que causa perigo de dano, não havendo previsão da
modalidade culposa. A tentativa só é admitida na rixa combinada (ex proposito), e não na rixa de improviso (ex
improviso).
 
O § único traz para nós a figura qualificada pelo resultado (crime preterdoloso), em caso de lesão grave ou
morte.
 
O agente só responde pela modalidade qualificada se tiver ingressado na rixa antes do resultado ocorrer.
 
A ação penal nesses casos é pública incondicionada e tanto o fato típico do caput quanto do § único são
julgados pelo rito dos juizados especiais criminais, por serem infrações de menor potencial ofensivo.
Crimes contra a honra
Vejamos agora os crimes contra a honra e suas espécies. Com a palavra, a especialista Renata Saggioro,
mestre em Direito. Vamos lá!
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Crimes contra a honra (arts. 138 a 145)
Os crimes deste capítulo visam proteger a honra das pessoas e, para a doutrina, ela é dividida em duas
espécies (PRADO, 2019, p. 931). Confira!
Objetiva
É a reputação do indivíduo dentro de sua
comunidade.
Subjetiva
Diz respeito ao decoro, ao sentimento de
dignidade próprio.
O Código Penal prevê três modalidades de crimes contra a honra: 
Calúnia Difamação
Injúria
Já adiantamos que a calúnia e a difamação vão atingir a honra objetiva da pessoa, e a injúria atingirá a
subjetiva.
Calúnia (art. 138, CP)
Consiste na falsa imputação de fato definido como crime, isto é, atribui-se falsamente a terceiro a prática de
um delito.
Atenção
Em homenagem ao princípio da legalidade, o crime não se configura se a imputação falsa for de
contravenção penal, tampouco uma imputação genérica. 
Perceba que os verbos centrais do tipo penal são caluniar e imputar, e tanto o sujeito ativo quanto o passivo
podem ser qualquer pessoa (crime comum). Além disso, a lei penal também pune quem, sabendo que a
imputação é falsa, ainda assim a divulga (§1º).
 
O crime é comisso e admitido na modalidade dolosa (dolo direto ou eventual).
Como a calúnia atinge a honra objetiva, o crime se consuma apenas se a falsa imputação chegar ao
conhecimento de um terceiro que não a vítima.
A calúnia é um crime formal, pois não se exige o efetivo dano à reputação do ofendido. A tentativa só é
admitida na forma escrita, visto que não há como tentar caluniar alguém oralmente.
 
O §2º dispõe ser punível a calúnia contra mortos, mas neste caso, o sujeito passivo não é o morto, e sim seus
familiares. O §3º, por sua vez, admite a exceção da verdade, isto é, se o acusado apresentar prova de que diz
a verdade, ele não responderá pela calúnia. Os incisos I, II, e III, no entanto, dispõem hipóteses em que a 
exceptio veritatis não será aceita.
 
O crime de calúnia será julgado pelo rito dos juizados especiais criminais.
Difamação (art. 139, CP)
Diferentemente da calúnia, difamar significa imputar fato ofensivo (e não crime) à reputação da vítima, de
forma a atingir sua honra objetiva. O núcleo do tipo é o verbo imputar e os sujeitos ativo e passivo podem ser
qualquer pessoa (crime comum).
Trata-se de crime comissivo que só admite a modalidade dolosa cuja finalidade é ofender outra pessoa e que
se consuma quando a imputação ofensiva chega ao conhecimento de terceiro, que não a vítima. 
É também um crime formal, pois basta que a ofensa seja feita, isto é,
não importa, para fins de consumação, que a honra tenha sido
efetivamente atingida. Mas lembre-se, é preciso que a imputação seja
feita de forma séria (animus diffamandi), sendo certo que a intenção de
brincar (animus jocandi) não é punível. 
Só se admite a tentativa na forma escrita e, ao contrário dela, não há previsão de crime para a difamação de
mortos. Quanto à exceção da verdade (§ único), a regra geral é não ser cabível nos casos de difamação, salvo
se o ofendido for funcionário público e a ofensa for relativa ao exercício de suas funções.
A competência é dos Juizados Especiais Criminais. 
Injúria (art. 140, CP)
Consiste na atribuição de qualidade negativa ou imputação de um fato genérico, ofensivo à honra subjetiva.
Difere da difamação em que se atribui um fato ofensivo.
 
Veja esses dois exemplos.
Trata-se de um crime comissivo doloso, cuja finalidade do agente é
ofender a honra subjetiva da vítima, sendo certo que basta que o
próprio ofendido tome ciência da ofensa para que o delito ocorra
(formal). Também estamos diante de um crime comum, visto que os
sujeitos ativo e passivo podem ser qualquer pessoa. E como nos
demais crimes contra a honra, a tentativa só é admitida na forma
escrita.
A injúria não admite a exceção da verdade.
Difamação 
“João está devendo todo o bairro.”
Injúria 
“João é um pilantra.”O §1º admite duas hipóteses de perdão judicial. Os §§2º e 3º trazem modalidades de injúria qualificada.
Vejamos!
Injúria real
Poderá absorver a contravenção de vias de fato. É o caso, por exemplo, de alguém que dá um tapa no
rosto de alguém com a intenção de humilhar a pessoa.
Injúria discriminatória 
Relativa à utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem.
É importante não confundir injúria racial e racismo. O crime de racismo (art. 20, Lei nº 7.7716/1989) tem uma
pregação genérica contra determinada raça etnia, religião ou origem, ou seja, são ofensas que atingem a toda
uma coletividade, um número indeterminado de pessoas. No caso da injúria racial, a intenção é de ofender,
especificamente, a honra de alguém determinado (Roig, 2011, p. 84). A pena da injúria qualificada é de
reclusão de 1 a 3 anos e multa.
Disposições comuns aos crimes contra a honra
Para aprofundar a compreensão das disposições comuns aos crimes contra a honra, vejamos o que a doutrina
especializada nos apresenta.
Artigo 141
Traz causas de aumento relacionadas ao sujeito passivo (incisos I, II e IV), ao modo de execução
(inciso III e §2º) e ao meio de execução (§1º).
Artigo 142
Traz hipóteses de exclusão do crime de injúria e difamação (não abrange a calúnia).
Artigo 143
Prevê a retratação nos casos de calúnia e difamação (não abrange a injúria).
Destacamos também que, em razão dos crimes contra a honra ocorrerem de forma livre, é possível que a
vítima peça explicações em juízo, no intuito de melhor compreender determinadas ambiguidades e esclarecer
o ocorrido (art. 144).
 
A ação penal para todos os crimes contra a honra será privada, procedida assim, mediante queixa, e julgada
pelos juizados especiais criminais.
 
Há, contudo, exceções:
 
A injúria real que resulta lesão corporal (ação penal pública incondicionada).
 
1. 
Quando o ofendido for o presidente da República ou chefe de governo estrangeiro (mediante
requisição do Ministro da Justiça).
 
Quando o ofendido for funcionário público ou se tratar de injúria qualificada do §3º (mediante
representação).
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Rixa
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Injúria qualificada
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Quanto ao crime de rixa, assinale a alternativa correta:
A Constitui um crime plurissubsistente e comissivo, em que o concurso de agentes é eventual.
B Não se exige qualquer fim especial de agir. Pune-se a troca de agressões, independentemente de
qualquer dos participantes resultar ferido.
C Caracteriza-se pela ocorrência de agressões recíprocas generalizadas, mesmo estando claramente
definida a posição dos contendores.
D É possível a modalidade culposa da rixa.
E O inimputável não é contabilizado para a configuração da rixa.
A alternativa B está correta.
2. 
3. 
No crime de rixa, o concurso de agentes é necessário, por isso, ele é plurissubsistente. Além disso, a
posição dos contendores não precisa ser definida, pois as agressões são generalizadas. A lei não previu a
modalidade culposa e o inimputável, apesar de não culpável, pode ser contabilizado para fins de atingir o
mínimo de três pessoas exigido. Pois não há fim especial de agir e tampouco se exige a existência de
lesões para incidência do caput, do art. 137, CP.
Questão 2
No que se refere aos crimes contra a honra, assinale a alternativa correta:
A A difamação e a injúria são crimes contra a honra, sendo que a injúria atinge a honra objetiva da vítima,
e a difamação, a honra subjetiva.
B Nos crimes contra a honra, a retratação do ofensor somente é possível nos crimes de calúnia e
difamação.
C
Maria, proprietária de um supermercado, sabendo que seu próprio filho praticara furto em seu
estabelecimento, atribuiu ao empregado José tal responsabilidade, dizendo ser ele o autor do delito.
Maria cometeu o crime de calúnia.
D Nos crimes de calúnia ou difamação, se o querelado se retratar antes da sentença será condenado
com atenuante de pena.
E É cabível a exceção da verdade na difamação e na injúria.
A alternativa B está correta.
Calúnia e difamação atingem a honra objetiva, já a injúria, a honra subjetiva.
Imputar falsamente fato criminoso a outra pessoa configura crime de calúnia. A retratação, cabível apenas
nos crimes de calúnia e difamação, se anterior à sentença, isenta o acusado de pena. E a exceção da
verdade não é cabível para injúria.
4. Crimes contra a liberdade individual
Crimes contra a liberdade pessoal (arts. 146 a 149-A, CP)
Vejamos agora as diversas espécies de crimes contra a liberdade pessoal. Com a palavra, a especialista
Renata Saggioro, mestre em Direito. Vamos lá!
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Constrangimento ilegal (art. 146, CP)
O crime consiste em obrigar alguém a não fazer o que a lei permite ou fazer o que ela não manda, por meio do
emprego de violência, grave ameaça ou redução da capacidade de resistência. Trata-se de um crime que é
para ser lido em conjunto com o art. 5º, II, CF, pois sabemos que o indivíduo pode fazer tudo o que a lei não
proíbe expressamente. Por isso, o núcleo do tipo é o verbo constranger e abrange diversas condutas
diferentes.
 
Sujeitos ativo e passivo podem ser qualquer pessoa (crime comum). Atente-se, contudo, que se o agente for
funcionário público, vai incidir o art. 322, CP ou art. 4º, b, da Lei nº 4.898/1965 (abuso de autoridade).
O crime de constrangimento ilegal é previsto na modalidade dolosa e se consuma quando o
ofendido faz ou deixa de fazer alguma coisa (crime material). A tentativa é admissível.
A ação penal é pública incondicionada e seu processo e julgamento são realizados nos Juizados Especiais
Criminais.
Ameaça (art. 147, CP)
O núcleo do tipo é o verbo ameaçar, que pode se dar por diferentes meios e, para configuração do crime, não
se exige que a vítima de fato tenha se sentido ameaçada. 
Atente-se que na ameaça se
promete um mal injusto. A
promessa de ajuizamento de
ação, por exemplo, não é
ameaça, pois a conduta é
lícita. Diferentemente do
constrangimento ilegal, a
ameaça aqui é um fim em si
e não meio para constranger
a vítima.
 Sujeitos ativo e passivo podem
ser qualquer pessoa (crime
comum), mas o ofendido deve
possuir entendimento da
ameaça. Temos aqui um crime
doloso e a consumação se dá
no momento em que a vítima
toma conhecimento da ameaça
(crime formal). A tentativa é
admitida.
 Procede-se
mediante
representação
(§ único) e é
julgado pelo
rito dos
Juizados
Especiais
Criminais.
Perseguição (art. 147-A, CP)
Trata-se de recente inovação legislativa (Lei nº 14.132/2021) e prevê o
crime também conhecido por stalking (vigiar, perseguir). O núcleo do
tipo é perseguir e para configuração do crime exige-se reiteração
(habitualidade). Quanto ao meio de execução, não há nenhuma
exigência determinada, podendo se dar, inclusive, fora do contexto das
redes sociais (cyberstalking).
O sujeito ativo é qualquer pessoa e o sujeito passivo também (crime comum). Todavia, o legislador previu
causas de aumento a depender da qualidade da vítima (§1º, I e II). A pena também aumenta se praticado em
concurso de pessoas ou com emprego de arma (§1º, III). As penas relativas à violência também são aplicadas,
indicando o cúmulo material obrigatório (§2º).
A perseguição é um crime doloso e formal, pois a consumação ocorre com a reiteração da
perseguição. Mas por se tratar de um crime habitual (exige a reiteração) a tentativa não é admitida.
A pena de perseguição é de reclusão de 6 meses a 2 anos e multa, sendo, portanto, uma infração de menor
potencial ofensivo, julgada e processada nos Juizados Especiais Criminais. No entanto, só se procede
mediante representação (§3º).
Violência psicológica contra a mulher (art. 147-B)
Outra figura típica trazida pela recente Lei nº 14.188/2021, responsável também pela nova modalidadede lesão
corporal qualificada (art. 129, §3º, CP).
O art. 147-B passou a
prever, assim, o crime de
violência psicológica contra
a mulher, cuja descrição já
existia no art. 7º, II, da Lei nº
11.340/2006, mas sem o
tipo penal correspondente.
O legislador, portanto, quis
proteger a liberdade
psíquica da mulher.
 Sujeito ativo pode ser
qualquer pessoa, mas
o sujeito passivo
necessariamente deve
ser a mulher,
abrangendo,
evidentemente, as
mulheres transexuais,
ainda que sem cirurgia
de redesignação
sexual.
 O crime é doloso,
porém, a
consciência e
vontade são
exigidas nas
condutas de
ameaça,
constrangimento,
humilhação etc.,
sendo irrelevante o
desígnio de causar
dano emocional.
Violência psicológica é crime material, pois, para sua consumação, é exigido o dano emocional. E,
apesar de ser possível a modalidade tentada, esta é de difícil configuração.
A pena cominada é de reclusão de 6 meses a 2 anos e multa, se a conduta não constituir crime mais grave. A
ação penal é incondicionada e será julgada nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher,
lembrando que, em sua ausência, nas Varas Criminais Comuns (Súmulas 536, 542 e 588, STJ).
Sequestro e cárcere privado (art. 148, CP)
O crime consiste em
privar alguém de sua
liberdade, em especial a
de ir e vir. O art. 148 não
demanda vantagem
econômica (art. 159,
CP), sendo assim, o dolo
consiste apenas na
intenção de privar
alguém de se locomover
e o crime pode se
configurar tanto pela
conduta positiva
(comissão) quanto pela
negativa (omissão).
 Sujeitos ativo e
passivo podem ser
qualquer pessoa
(crime comum) e só
existe a modalidade
dolosa. Além disso,
estamos diante de
um crime material,
em que é preciso a
restrição de
liberdade para a
consumação do
crime, admitindo,
inclusive, a
modalidade
tentada.
 A pena do caput para
sequestro e cárcere
privado é de reclusão de 1
a 3 anos. Já os §§1º e 2º
trazem figuras típicas
qualificadas com novos
preceitos secundários
(reclusão de 2 a 5 anos e
reclusão de 2 a 8 anos,
respectivamente). Para
todas as hipóteses, a
ação penal será
incondicionada e
tramitará pelo rito dos
Juizados Especiais
Criminais.
Redução à condição análoga à de escravo (art. 149, CP)
O crime do art. 149 consiste na submissão de uma pessoa de forma
absoluta ao domínio de outra (ROIG, 2011, p. 93). Trata-se de um crime
bastante comum na área rural e nos grandes centros urbanos e o
legislador quis proteger a liberdade e a dignidade da pessoa humana.
O crime é comum, pois os sujeitos ativo e passivo podem ser qualquer pessoa e o crime só tem previsão em
sua forma dolosa. Assim como o crime anterior, é classificado como permanente, pois sua consumação se
protrai no tempo e é também material, pois se dá quando a condição análoga à de escravo se materializa. Por
isso, admite tentativa.
Trata-se de crimes de ação penal pública incondicionada com processo e julgamento pelas Varas Criminais
Comuns. 
Tráfico de pessoas (art. 149-A, CP)
Também visando proteger a liberdade e a dignidade humana, o crime do art. 149-a visa coibir a objetificação
de um ser humano por outro. Para tanto, traz diversos comportamentos no caput (tipo misto alternativo) que
se aplicam às situações descritas nos cinco incisos.
Os sujeitos ativo e passivo podem ser qualquer
pessoa e só há previsão para a modalidade dolosa
(direto ou eventual). A consumação se dá no
momento efetivo de tráfico, sem a exigência da
produção dos resultados dos incisos. Sendo assim,
estamos diante de um crime formal em que se
admite a tentativa.
 Trata-se de ação
penal
incondicionada. O
processo e o
julgamento são
feitos nas Varas
Criminais
Comuns.
Crimes contra a inviolabilidade do domicílio (art. 150, CP)
Violação de domicílio (art. 150, CP)
O tipo penal protege a liberdade individual, em especial a tranquilidade doméstica e a paz íntima, sendo o
núcleo do tipo os verbos entrar ou permanecer. 
Atenção
A leitura do art. 150 mostra que o consentimento do morador exclui a tipicidade da conduta. Vale
destacar que se trata de um crime subsidiário, ou seja, caso seja elemento de outro crime, como o furto,
será absorvido. 
O que se entende por casa? O legislador explica nos §§4º e 5º.
 
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, já o sujeito passivo é o morador. Isso significa que a entrada e
permanência em residências desabitadas não caracterizam o crime.
Perceba que quanto ao elemento subjetivo, o
legislador apenas previu a modalidade dolosa
(dolo direto ou eventual) e para fins de
consumação, basta a entrada ou a permanência do
agente no domicílio alheio (crime de mera
conduta), admitindo, portanto, a tentativa.
 A ação penal é
pública
incondicionada e o
processo e
julgamento feitos
pelos Juizados
Especiais Criminais.
Crimes contra a inviolabilidade de correspondência (arts.
151 e 152)
Violação de correspondência (art. 151)
O tipo penal traz três espécies de crime (caput; §1º, I; e §1º, II, III, IV), e visa proteger a liberdade individual sob
o aspecto da liberdade de manifestação do pensamento (PRADO, 2019, p. 1034). O tipo penal do caput,
contudo, foi revogado pelo art. 40 da Lei nº 6.538/1978. 
O núcleo do tipo para todos os crimes é o verbo devassar e a definição de correspondência vem trazida no
art. 47 da Lei nº 6.538/1978. 
E a correspondência eletrônica?
A doutrina diverge sobre sua possibilidade de enquadramento no art. 151 (Roig, 2011, p. 96; Prado,
2019, p. 1036).
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa,
com exceção, evidentemente, do
remetente e do destinatário, os sujeitos
passivos do crime. Quanto ao elemento
subjetivo, só há previsão legal de crime
doloso e este se consuma quando o
agente toma conhecimento do conteúdo
da correspondência. Por isso é um crime
de mera atividade que admite tentativa.
 Os crimes do
caput e §1º
são de
competência
dos juizados
especiais
criminais e os
demais das
Varas
Criminais
Comuns.
 Por fim, a
ação penal é
condicionada
à
representação
em todos os
casos, salvo
nos casos do
art., §1º, IV, e
do §3º.
Crimes contra a inviolabilidade dos segredos (arts. 153 a
154-B)
O tipo penal visa proteger a intimidade (art. 5º, X, CF), mais precisamente, o segredo cuja divulgação pode
causar dano a outrem. O núcleo consiste no verbo divulgar, isto é, tornar público, o que exige,
necessariamente, que seja divulgado a um número indeterminado de pessoas.
 
O sujeito ativo é aquele que detém a correspondência confidencial ou seu destinatário, por isso, é um delito
próprio. O sujeito passivo é a pessoa sujeita ao dano com a divulgação do segredo.
 
O legislador só previu a modalidade dolosa e sendo um crime de mera conduta, basta a divulgação, ou seja,
não é necessária a materialização de efetivo dano. Admite-se, assim, a tentativa.
A conduta do caput tem pena cominada de
detenção de 1 a 6 meses ou multa, e a ação
penal é pública condicionada à
representação (§1º). Já o §1º-a prevê a
figura qualificada, sendo certo que se
houver prejuízo para a Administração
Pública, a ação penal será incondicionada.
 Lembre-se de que a
conduta do caput é julgada
pelos juizados especiais
criminais e a modalidade
qualificada pela vara
criminal, podendo ser tanto
estadual quanto federal.
Violação de segredo profissional (art. 154, CP)
O crime do art.
154 visa proteger
os segredos que
são obtidos em
razão de
atividade
profissional em
homenagem à
confiança para
seu exercício.
 O sujeito ativo é
aquele que tem
conhecimento do
segredo, em razão de
sua atuação (crime
próprio) e o sujeito
passivo aquele que
pode sofrer algum
dano com sua
divulgação.
 O crime só é
previsto na
modalidade
dolosa e se
consuma com
a divulgação
(crime formal),
sendo admitida
a forma
tentada.
 A ação é
pública
condicionada à
representação
(§ único), com
processo e
julgamento
feitos pelos
juizados
especiais
criminais.
Invasão de dispositivo informático (art. 154-A, CP)
Trata-se de
crime
incluído
pela Lei nº
12.737/2012
(Lei
Carolina
Dieckmann),
e alterado
pela recente
Lei nº
14.155/2021.
 
O núcleo
do tipo
consiste
em invadir
dispositivo
informático
de uso
alheio e o
bemjurídico
tutelado é
a
privacidade
alheia.
 Sujeitos
ativo e
passivo
podem ser
qualquer
pessoa
(crime
comum) e
só é
admitida a
modalidade
dolosa, com
consumação
no momento
da invasão.
 O §1º traz
uma forma
equiparada,
e os §§2º e
5º, as
causas de
aumento. Já
o §3º é a
forma
qualificada
que pode ter
a pena
aumentada
na hipótese
do §4º.
 Do art. 154-b extrai-se
que a ação se procede
mediante representação,
mas será pública
incondicionada se os
crimes forem praticados
contra a administração
pública direta ou indireta
de qualquer Poder da
União, dos estados, do
Distrito Federal ou dos
municípios, ou contra
empresas concessionárias
de serviços públicos.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Violação de domicílio
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Divulgação de segredo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(Delegado de Polícia/SP – 2018) No que concerne ao crime de constrangimento ilegal (CP, art. 146), é correto
afirmar que
A tipifica-se o crime, apenas, pela ação violenta, não havendo previsão legal para punição por mera
grave ameaça.
B qualifica o tipo a concorrência de 3 (três) ou mais agentes.
C tipifica o crime a coação exercida para impedir suicídio, o que se explica pelo fato de o suicídio não ser
penalmente relevante.
D tipifica o crime a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu
representante legal, mesmo se justificada por iminente perigo de vida.
E consuma-se quando a vítima, sem norma legal que a obrigue a tanto, faz ou deixa de fazer, cedendo à
determinação do agente.
A alternativa E está correta.
O crime do art. 146 consiste no ato de constranger alguém a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que
ela não manda. Lembre-se de que a lei não prevê a modalidade qualificada para esse crime e a grave
ameaça também pode ser o meio de exercício do constrangimento.
Questão 2
(Agente de Polícia Civil/AC – 2017) O delito de sequestro ou cárcere privado é classificado como crime
A continuado e de perigo.
B permanente e de dano.
C permanente e de perigo.
D continuada e de dano.
E habitual e de perigo.
A alternativa B está correta.
Sequestro e cárcere privado são um crime permanente e de dano. Permanente, pois a consumação se
protrai no tempo; de dano, pois há uma efetiva lesão ao bem jurídico que, no caso, se trata da liberdade
individual de locomoção. O crime continuado corresponde ao concurso de crimes em que o agente pratica
dois ou mais crimes da mesma espécie, mediante duas ou mais condutas, os quais, pelas condições de
tempo, lugar, modo de execução e outras, podem ser tidos uns como continuação dos outros. O crime
habitual consiste na prática reiterada e uniforme de vários atos que revelam um criminoso estilo de vida do
agente.
5. Conclusão
Considerações finais
Os crimes contra a pessoa são bastante variados e, ao longo do tempo, têm incorporado diversas inovações
legislativas à redação original do Código Penal, de 1940.
 
O estudo da parte especial do Código Penal não deve ser separada do estudo da parte geral, pois é de lá que
tiraremos as ferramentas para sua aplicação. Sabemos que o direito penal promove forte intervenção na
esfera individual e, por isso, demanda aplicação cautelosa e individualizada. Não podemos esquecer que o
que está em jogo é a liberdade e, em última análise, a dignidade humana.
Podcast
Para finalizar, a especialista Renata Saggioro trata de forma sintética dos crimes contra a pessoa. Vamos
ouvir!
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Sobre o tema feminicídio e os limites da criminalização de condutas como forma de enfrentar a violência de
gênero, leia o artigo O feminicídio nas fronteiras da América Latina: um consenso? de Aline Passos, publicado
na revista Ecopolítica, n. 12, mai-ago, p. 70-92, em 2015.
 
Para uma reflexão sobre o aborto, leia a Pesquisa nacional de aborto 2016, de Debora Diniz, Marcelo Medeiros
e Alberto Madeiro, publicada na revista Ciência e Saúde Coletiva, v. 22, n. 2, p. 653-660, em fevereiro de 2017.
 
A respeito dos crimes contra a honra, leia o livro Crimes contra a honra, de Frederico Abrahão de Oliveira,
publicado pela Livraria do Advogado, edição de 1994.
 
Para pensar a respeito do crime de homicídio, ouça o podcast Praia dos Ossos, disponível em vários
aplicativos de áudio.
Referências
PRADO, L. R. Curso de Direito Penal Brasileiro. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
ROIG, R. D. E. Direito Penal 2: parte especial. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ano 15, 2021.
Consultado na internet em: 13 out. 2021.
	Crimes contra a pessoa
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Crimes contra a vida
	Primeiras palavras
	Homicídio
	Participação em suicídio
	Infanticídio
	Aborto
	Homicídio
	Conteúdo interativo
	Homicídio (art. 121, CP)
	Vida extrauterina
	Morte
	Exemplo
	Relevante valor social
	Relevante valor moral
	Violenta emoção
	Motivo torpe
	Motivo fútil
	Insidioso
	Cruel
	Perigo comum
	Exemplo
	Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação (art. 122, CP)
	Atenção
	Lesão corporal de natureza grave ou gravíssima
	Morte
	Duplicada
	Aumentada até o dobro
	Aumentada em metade
	Lesão corporal gravíssima
	Morte
	Infanticídio (art. 123, CP)
	Saiba mais
	Aborto (arts. 124 a 128, CP)
	Atenção
	Saiba mais
	Vem que eu te explico!
	Infanticídio
	Conteúdo interativo
	Aborto
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Lesões corporais e periclitação da vida e da saúde
	Lesão corporal (art. 129, CP)
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Lesão leve
	Lesão grave
	Lesão gravíssima
	Exemplo
	Atenção
	Periclitação da vida e da saúde
	Perigo de contágio venéreo (art. 130, CP)
	Comentário
	Dolo direto
	Dolo eventual
	Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131)
	Exemplo
	Perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132)
	Direto
	Eventual
	Abandono de incapaz (art. 133, CP)
	Exposição ou abandono de recém-nascido (art. 134)
	Direto
	Eventual
	Omissão de socorro (art. 135)
	Atenção
	Condicionamento de atendimento médico-hospitalar
 emergencial
	Maus-tratos (art. 136)
	Atenção
	Vem que eu te explico!
	Abandono de incapaz
	Conteúdo interativo
	Omissão de socorro
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Rixa e crimes contra a honra
	Rixa (art. 137)
	E o inimputável?
	Crimes contra a honra
	Conteúdo interativo
	Crimes contra a honra (arts. 138 a 145)
	Objetiva
	Subjetiva
	Calúnia
	Difamação
	Injúria
	Calúnia (art. 138, CP)
	Atenção
	Difamação (art. 139, CP)
	Injúria (art. 140, CP)
	Injúria real
	Injúria discriminatória
	Disposições comuns aos crimes contra a honra
	Artigo 141
	Artigo 142
	Artigo 143
	Vem que eu te explico!
	Rixa
	Conteúdo interativo
	Injúria qualificada
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Crimes contra a liberdade individual
	Crimes contra a liberdade pessoal (arts. 146 a 149-A, CP)
	Conteúdo interativo
	Constrangimento ilegal (art. 146, CP)
	Ameaça (art. 147, CP)
	Perseguição (art. 147-A, CP)
	Violência psicológica contra a mulher (art. 147-B)
	Sequestro e cárcere privado (art. 148, CP)
	Redução à condição análoga à de escravo (art. 149,
 CP)
	Tráfico de pessoas (art. 149-A, CP)
	Crimes contra a inviolabilidade do domicílio (art. 150, CP)
	Violação de domicílio (art. 150, CP)
	Atenção
	Crimes contra a inviolabilidade de correspondência (arts. 151 e 152)
	Violação de correspondência (art. 151)
	E a correspondência eletrônica?
	Crimes contra a inviolabilidade dos segredos (arts. 153 a 154-B)
	Violação de segredo profissional (art. 154, CP)
	Invasão de dispositivo informático (art. 154-A, CP)
	Vem que eu te explico!
	Violação de domicílio
	Conteúdo interativo
	Divulgação de segredo
	Conteúdo interativo

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