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Eu, nós, eles: a 
construção social das 
identidades
Nas últimas aulas, vimos que a gênese da reflexão antropológica é contemporânea à descoberta
do Novo Mundo. Nesse sentido, a antropologia buscou conhecer o ser humano enquanto seu
igual e, ao mesmo tempo, “Outro”.
Vimos também que a cultura era tomada em seu mais amplo sentido etnográfico, incluindo,
portanto, conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e
hábitos adquiridos pelo homem na condição de membro da sociedade.
Além disso, fizemos um exercício de pensar a identidade a partir de características físicas. Hoje,
a proposta é aprofundarmos o debate sobre identidade
A sociedade e os indivíduos 
De acordo com Clifford Geertz, a cultura deve ser considerada "não um complexo de
comportamentos concretos mas um conjunto de mecanismos de controle, planos, receitas,
regras, instruções (que os técnicos de computadores chamam programa) para governar o
comportamento". Assim, para Geertz, todos os homens são geneticamente aptos para
receber um programa, e este programa é o que chamamos de cultura. E esta formulação —
que consideramos uma nova maneira de encarar a unidade da espécie — permitiu a Geertz
afirmar que "um dos mais significativos fatos sobre nós pode ser finalmente a constatação de
que todos nascemos com um equipamento para viver mil vidas, mas terminamos no fim
tendo vivido uma só!" Em outras palavras, a criança está apta ao nascer a ser socializada em
qualquer cultura existente. Esta amplitude de possibilidades, entretanto, será limitada pelo
contexto real e específico onde de fato ela crescer.
Não se pode ignorar que o homem, membro proeminente ela ordem dos primatas, depende
muito de seu equipamento biológico. Para se manter vivo, independente do sistema cultural
ao qual pertença, ele tem que satisfazer um número determinado de funções vitais, como a
alimentação, o sono, a respiração, a atividade sexual etc. Mas, embora estas funções sejam
comuns a toda humanidade, a maneira de satisfazê-las varia de uma cultura para outra. E esta
grande variedade na operação ele um número tão pequeno ele funções que faz com que o
homem seja considerado um ser predominantemente cultural. Os seus comportamentos não
são biologicamente determinados. A sua herança genética nada tem a ver com as suas ações e
pensamentos, pois todos os seus atos dependem inteiramente de um processo de
aprendizado.
Processo de socialização
O processo de socialização diz respeito a dinâmica por meio da qual o indivíduo se integra à
sociedade, aprendendo e interiorizando as normas, valores, costumes, linguagens e
comportamentos necessários para a vida em coletividade.
É através desse processo que deixamos de ser seres estritamente biológicos para nos
tornarmos seres sociais, desenvolvendo nossa identidade e nossa consciência de
pertencimento a determinados grupos.
Processo de socialização
Socialização Primária: Ocorre na primeira infância. É a fase de maior carga afetiva, onde a
criança aprende as bases da linguagem, do comportamento e da percepção de mundo.
Socialização Secundária: Estende-se por toda a segunda infância, adolescência e vida adulta e
ocorre em instituições como a escola, o trabalho, grupos de amigos e instituições religiosas.
Nela, o indivíduo adquire conhecimentos específicos e papéis sociais variados conforme
transita por diferentes esferas da sociedade.
Diversidades somatológicas e mesológicas
Diferenças de comportamento entre os seres humanos não podem ser explicadas através das
diversidades somatológicas (determinismo biológico/físico) ou mesológicas (determinismo
geográfico/ambiente).
O comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo que chamamos
de endoculturação/processo de socialização. Um menino e uma menina agem diferentemente
não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada.
Não é possível admitir a ideia do determinismo geográfico, ou seja, a admissão da "ação
mecânica das forças naturais sobre uma humanidade puramente receptiva“.
Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura
A participação do indivíduo em sua cultura é sempre limitada; nenhuma pessoa é capaz de
participar de todos os elementos de sua cultura. (exemplos: sexo e idade)
A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a que
pertence.
Alguém na multidão
Em nossas interações sociais cotidianas, a aparência é exigida constantemente. Entre o que
queremos “aparentar” aos outros e o que os outros esperam que “aparentemos”, existe
uma margem de autonomia em que os indivíduos constroem uma forma própria,
singular, de ser e de estar no mundo. Assim, um penteado pode expressar valores, ideias,
sentimentos, enfim, características da personalidade dos indivíduos, dos grupos a que
pertencem, da posição social que ocupam, do estilo de vida que levam etc.
A identidade como processo
A identidade é um processo contínuo, aberto. Não é algo dado e definitivo, que sempre
existiu e que não pode ser transformado. A identidade transforma-se ao longo da vida, por
uma série de fatores envolvidos nas interações que estabelecemos. Dessa forma, nós nunca
somos, sempre estamos. Nossa identidade está o tempo inteiro sendo construída e
reconstruída.
O quão diferente você é hoje, em comparação a quando tinha apenas dez anos de idade? A
sua personalidade, o seu jeito de ser e expressar-se permanecem os mesmos?
Identidade Social
A construção da identidade apresenta dimensão individual e dimensão social. A dimensão
social envolve as características que os outros atribuem ao indivíduo. Essas características
indicam quem essa pessoa é, um “rótulo” sobre indivíduos que se assemelham pelos mesmos
atributos, como identidades sociais.
Repare que uma mesma pessoa pode ter várias identidades sociais. Isso porque ocupamos
diferentes lugares e desempenhamos diferentes papéis em nossas vidas. Quantas identidades
sociais lhe são atribuídas?
Interdependência 
A identidade é construída na relação do indivíduo com o outro. Baseia-se na marcação da
diferença entre o eu e o outro. Se, por um lado, a identidade diz respeito à semelhança entre
iguais, por outro lado, esses iguais só existem como tais porque existem aqueles que são
considerados diferentes. Podemos dizer, assim, que a identidade é relacional, pois seu
estabelecimento depende sempre da comparação com aqueles que são tidos como outros.
Distinguir os outros é uma forma de definir o eu e o nós, isto é, é uma forma de estabelecer
uma identidade, seja ela individual ou de grupo.
Alguém na multidão
Por um lado, a nossa personalidade e o nosso comportamento são condicionados pelos
processos de socialização e interação social, na medida em que internalizamos valores,
normas e crenças e papéis sociais. No entanto, não somos agentes passivos nesse
processo: nossas escolhas e nossas decisões também têm importância, pois permitem-nos
desenvolver a capacidade de pensar e agir de maneira independente, assim como
desenvolver uma identidade.
O que é identidade?
A identidade está relacionada ao entendimento de
quem somos e daquilo que consideramos
significativo para nós, a partir dos atributos
físicos, étnicos e culturais que nos são próprios.
Trata-se de uma construção, de um processo que
não nasce com o indivíduo, mas que resulta das
escolhas e das decisões que tomamos ao longo da
vida, nos contextos sociais que vivemos e
interagimos.
Jean-Michel Basquiat -Self-Portrait, 1983
Mostre-me seus cabelos que lhe direi quem você é, o 
que pensa, o que faz...
Amor ao cabelo (Hair love) https://www.youtube.com/watch?v=qXwWxRjrVA8
https://www.youtube.com/watch?v=qXwWxRjrVA8
Como os valores da identidade nacional se 
formam?
Contexto de formação dos Estados-nações.
Narrativas com a ênfase nas origens, na invenção de tradições de passado longínquo e na
atemporalidade.
Nas narrativas nacionais, escolhem-se certos traços e se omitemoutros, fundando a ideia
de um povo, com características singulares compartilhadas por todos os membros do
mesmo território nacional.
Identidade - Fernando Meirelles
https://www.youtube.com/watch?v=yKG8no8OKDg
https://www.youtube.com/watch?v=yKG8no8OKDg
• O que retratam os monumentos?
• São pessoas, objetos, símbolos?
• Quem eles homenageiam?
• Quem produziu esses monumentos e por que?
• Que espaço eles ocupam na cidade?
• Onde estão localizados?
• Quantas pessoas os veem cotidianamente?
• Existe um gênero predominante?
• Qual é a proporção de monumentos que homenageiam pessoas negras e indígenas?
Patrimônio, memória e diversidade
Um olhar antirracista sobre monumentos da cidade de São
Paulo - Instituto Pólis (2023)
Monumento ao Duque de Caxias, criado por Victor Brecheret e inaugurado 
em 1960. Localização: Pça. Princesa Isabel - Campos Elíseos, São Paulo
Monumento às Bandeiras, criado por Victor Brecheret e inaugurado em 1953. Localização Parque
do Ibirapuera
Obra Depois do Banho, do escultor Victor Brecheret, instalada em 1932 no Largo do Arouche
Índio Caçador, criada por João Batista Ferri e inaugurada em 1939. Localização: bairro República/SP. 
Monumento à Mãe Preta, inaugurado em 1955, no Largo do Paissandú em São Paulo.
Criação de Júlio Guerra sob o pseudônimo de Ibirapuera.
Estátua da escritora Carolina Maria de Jesus, criada por Néia Ferreira Martins, e inaugurada em 2022 na Praça 
Júlio César de Campos, em Parelheiros, zona sul de São Paulo
Tinha que acontecer (cabeça de bandeirante) - 2016 - Flávio Cerqueira
Para a próxima aula (31/03/2026)
Assistir: Globalização Milton Santos - O mundo global visto do lado de cá.
https://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM

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