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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIAS - CARAÚBAS FUNDAÇÕES E ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO BRUNO SANTIAGO ARCANJO DÉBORA ARAUJO GOIS DIEGO JOSE DE SÁ BEZERRA BRITO AVALIAÇÃO E ALTERNATIVAS PARA SISTEMAS DE FUNDAÇÃO EM EDIFICAÇÕES EM FLORIANÓPOLIS – SC CARAÚBAS 2026 1. INTRODUÇÃO As fundações constituem a base do sistema estrutural de qualquer edificação, sendo responsáveis por transferir ao solo as cargas provenientes da superestrutura de forma segura, estável e compatível com a capacidade do terreno. A definição do tipo de fundação depende diretamente do conhecimento das condições geológicas e geotécnicas do local, uma vez que a interação solo–estrutura influencia o comportamento da edificação, especialmente no que se refere à ocorrência de recalques e à durabilidade da construção. O trabalho tem como intuito apresentar a área de estudo e discutir, de forma crítica, as soluções de fundação mais adequadas para uma edificação situada em Florianópolis/SC. A região apresenta subsolo heterogêneo, com presença de aterros e sedimentos recentes nas camadas superficiais, níveis elevados de água subterrânea e espessas camadas de argila orgânica de baixa resistência, sobrejacentes a materiais mais competentes em maiores profundidades. Essas condições tornam uma análise criteriosa da capacidade de suporte do solo e dos sistemas de fundação que melhor se adaptam a esse contexto geotécnico. Com base nos conteúdos abordados na disciplina de Fundações, o estudo analisa as diferentes soluções de fundação, considerando suas características executivas, comportamento estrutural e adequação às condições do terreno investigado. Para isso, são avaliados aspectos como capacidade de carga, controle de recalques, viabilidade construtiva e desempenho ao longo da vida útil da edificação. A metodologia adotada envolve a caracterização do terreno por meio de dados de sondagem, a descrição da edificação e de suas cargas atuantes e, por fim, a justificativa técnica da solução de fundação mais adequada. 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Investigar as características geológicas e geotécnicas de Florianópolis, reconhecendo os principais tipos de solo e examinando de que forma seus parâmetros condicionam a escolha do tipo de fundação para edificações urbanas. 2.2 Objetivos específicos • Caracterizar as unidades geotécnicas predominantes no município, com destaque para a unidade AQsq1 • Examinar as propriedades físicas e mecânicas do subsolo relacionadas à capacidade de suporte, drenagem e deformabilidade; • Relacionar o comportamento dos solos ao potencial erosivo e às limitações construtivas presentes na região; • Avaliar a influência das condições geotécnicas na seleção do sistema de fundação mais adequado; • Descrever a edificação estudada e verificar a compatibilidade das soluções de fundação adotadas com as características do terreno. • Analisar o tipo de fundação mais adequada para a execução da obra, com base nas cargas de projeto e no custo final dessas fundações. 3. INFORMAÇÕES DO PROJETO 3.1 localização do terreno O lote selecionado situa-se às margens da Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral, em Florianópolis/SC, tendo como limite a Rua Almirante Lamego. A área ao redor é formada por edificações de uso residencial e comercial, além de espaços de lazer, como a Praia da Arataca e o Parque da Luz. As Figuras 1 e 2apresentam a localização do terreno. Figura 1 – Localização do terreno Fonte: Google (2026). Figura 2 – Visão 3D Fonte: Google (2026). A área demarcada tem aproximadamente 25x20 metros, representando em escala, permitindo uma melhor percepção espacial do lote. 3.2 Descrição da obra O empreendimento corresponde a um edifício residencial multifamiliar composto por cinco pavimentos, incluindo um nível destinado à garagem, três andares tipo e a cobertura. A edificação possui aproximadamente 280 m² de área construída, com estrutura em concreto armado e vedações executadas em alvenaria de blocos cerâmicos. A figura 3 mostra a locação dos pilares. Figura 3 – Locação dos pilares Fonte: Silva (2017). A edificação possui 24 pilares divididos em dois grupos. O primeiro grupo, formado pelos pilares P1 a P6 e seus simétricos P19 a P24, apresenta seções de 20×60 cm e 60×20 cm, com cargas verticais variando de 70,6 kN até 813,2 kN no topo. Na base (trecho 4), as cargas efetivamente transmitidas ao solo resultam em média entre 350 e 420 kN por pilar. O segundo grupo, composto pelos pilares P7 a P12 e seus simétricos P13 a P18, também com seção 20×60 cm, apresenta solicitações menores. As cargas variam de aproximadamente 83,2 kN nos pilares menos solicitados até 829,5 kN no topo dos mais carregados, com valores na base em torno de 150 a 300 kN por pilar. De forma geral, considerando todos os 24 pilares, a carga média transmitida ao solo situa-se entre 250 e 350 kN por pilar, sendo os pilares P2, P5, P8 e P11 os mais solicitados e, portanto, os mais relevantes para o dimensionamento das fundações. A figura 4 e 5 mostra como está distribuído as cargas totais de cada pilar, Figura 4 – Quadro de cargas dos pilares Fonte: Silva (2017). Figura 5 – Quadro de cargas dos pilares Fonte: Silva (2017). Os esforços atuantes nos pilares apresentam valores entre 70,6 kN e 829,5 kN, mostrando uma boa distribuição, ainda assim os elementos localizados no centro recebem solicitações mais elevadas, o que torna necessária a adoção de fundações profundas para garantir a adequada transferência de cargas ao solo e o controle de recalques. 3.3 Tipo do solo A unidade de solo analisada para esse trabalho é o AQsq1, o perfil indica a presença de nível d’água raso, observado a pequena profundidade, evidenciando condições de solo saturado ao longo de grande parte da sondagem. Os valores do ensaio SPT mostram baixa resistência nas camadas superficiais, com aumento gradual apenas na camada arenosa intermediária e nova redução na argila orgânica mais profunda, caracterizando um subsolo heterogêneo e de baixa capacidade de suporte. A figura 6 mostra o perfil do solo e o ensaio SPT. Figura 6– Perfil do solo Fonte: Andrade (2003). Nos primeiros metros do perfil, até cerca de 4 m de profundidade, observa-se material superficial associado a aterros e sedimentos recentes, com baixa a média compacidade e valores reduzidos de NSPT, indicando comportamento pouco resistente e elevada suscetibilidade a deformações. Observa-se também presença de uma camada superficial composta por areia fina siltosa, com espessura variando entre aproximadamente 4 e 6 m, apresentando resistência média e valores de NSPT em torno de 15 golpes, o que indica um solo granular com capacidade de suporte moderada. Em profundidades maiores, destacam-se as areias quartzosas hidromórficas da Baía Sul, que exigem análise criteriosa por se encontrarem sob condições geotécnicas particulares em relação ao restante da unidade mapeada. Pela leitura da coluna de valores NSPT do perfil, os números permanecem muito baixos entre 1 e 4 golpes ao longo da camada de argila orgânica até a transição depois de 15 m de profundidade, logo abaixo dessa cota ocorre a mudança para o material mais resistente, silte arenoso/areias mais compactas, onde os valores sobem para cerca de 29 a 40 golpes. 3.4 Fundações rasas A adoção de fundações rasas (sapatas ou radier) para este empreendimento não se mostra adequada em função das cargas transmitidas pelos pilares e das condições geotécnicas características do subsolo local. Com a atualização do quadro de cargas, verifica-se que a carga média transmitida ao solo é da ordem de 330 kN por pilar, valor que ainda demanda áreas de apoio consideráveis quando associado a solosNas fundações rasas, os estudos realizados com base nos métodos semiempíricos e nas recomendações da ABNT NBR 6122 indicaram que as camadas de areia fina siltosa apresentaram boa capacidade de suporte, resultando em uma pressão admissível de 537 kPa. A partir desses resultados, foi possível padronizar as sapatas isoladas em dois modelos principais, com dimensões de 100 cm × 140 cme 150 cm × 190 cm, facilitando a execução e a organização do canteiro de obras. O recalque imediato calculado foi de apenas 0,54 mm, valor muito inferior ao limite de 25 mmestabelecido pela norma, demonstrando boas condições de estabilidade e segurança para a estrutura. Por outro lado, para os pilares submetidos a maiores carregamentos e em regiões com solos mais compressíveis, tornou-se necessário o uso de fundações profundas. Nesse contexto, a Estaca Hélice Contínua Monitorada (HCM) mostrou-se a solução mais adequada devido à sua elevada produtividade, menor geração de vibrações e maior segurança executiva em solos saturados. O comprimento das estacas foi definido em 16 m, atingindo uma camada de solo resistente identificada pelos resultados do ensaio SPT. A capacidade de carga das estacas foi verificada pelos métodos de Aoki-Velloso e Décourt-Quaresma, adotando-se o menor valor obtido entre os métodos como critério de segurança. Além disso, a análise dos recalques das fundações profundas demonstrou que o aumento do diâmetro das estacas reduziu os recalques do solo, enquanto o encurtamento elástico do fuste apresentou crescimento gradual. Mesmo assim, todos os recalques totais calculados permaneceram em valores milimétricos e abaixo dos limites admissíveis da ABNT NBR 6122, confirmando o bom desempenho e a estabilidade do sistema adotado. Dessa forma, conclui-se que as soluções de fundação escolhidas atenderam aos critérios de segurança, desempenho estrutural e viabilidade econômica, destacando a importância da integração entre investigação geotécnica, dimensionamento estrutural e planejamento executivo para garantir a eficiência e a durabilidade da obra. 9. REFERÊNCIAS AOKI, N.; CINTRA, J. C. A. Fundações – Teoria e Prática. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122: Projeto e execução de fundações. Rio de Janeiro: ABNT, 2019. SANTOS, Glaci Trevisan. Integração de Informações Pedológicas, Geológicas e Geotécnicas Aplicadas ao Uso do Solo Urbano em Obras de Engenharia. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1997. SILVA, Elisabete da Cunha Martins. Dimensionamento Estrutural de Edifício de Múltiplos Pavimentos em Concreto Armado. 2017. 152 f. TCC (Graduação) – Curso de Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Macaé, 2017.de baixa capacidade de suporte nas camadas superficiais. Em terrenos com presença de aterros, areias pouco compactas e camadas espessas de argila mole, como observado no perfil geotécnico, a utilização de fundações superficiais poderia resultar em tensões admissíveis insuficientes e deformações excessivas. Ainda de acordo com a NBR 6122, a definição do tipo de fundação deve ser baseada na investigação geotécnica do subsolo, no caso de Florianópolis e comum solos com baixa resistência nas primeiras camadas, que são incompatíveis com o carregamento previsto. Nessas condições, o risco de recalques, especialmente os diferenciais, torna-se significativo, podendo ocasionar fissuras em elementos de vedação, desaprumo de pilares e prejuízos ao desempenho estrutural e funcional da edificação, recomenda-se a adoção de fundações profundas, como estacas hélice contínua ou estacas raiz, capazes de transferir as cargas para camadas mais resistentes em maiores profundidades. 4. FUNDAÇÕES INDIRETAS As fundações indiretas, também denominadas fundações profundas, são aquelas em que a transmissão das cargas estruturais ao maciço de solo ocorre por meio de elementos estruturais esbeltos, como estacas ou tubulões, que atravessam camadas superficiais de baixa capacidade de suporte até atingir níveis mais competentes ou mobilizar resistência ao longo de seu comprimento. Esse tipo de fundação é adotado quando o solo superficial apresenta baixa resistência, elevada compressibilidade ou condições que resultem em recalques incompatíveis com o desempenho da estrutura, inviabilizando tecnicamente o emprego de fundações rasas. O mecanismo de transferência de cargas nessas fundações ocorre por meio da combinação de duas parcelas resistentes: a resistência de ponta, correspondente às tensões transmitidas na base do elemento ao solo de apoio, e a resistência lateral, decorrente do atrito e/ou adesão mobilizados ao longo do fuste. A predominância de cada parcela depende das características geotécnicas do solo, do tipo de elemento de fundação e do método executivo. As estacas constituem o principal tipo de fundação indireta, podendo ser classificadas conforme o processo de execução (cravadas ou escavadas) e o material empregado. As fundações profundas são amplamente utilizadas em obras de médio e grande porte, especialmente em situações envolvendo solos compressíveis, elevados carregamentos ou restrições de recalque, garantindo níveis adequados de segurança, estabilidade e desempenho estrutural. 4.1 Estaca Franki A Figura 7 ilustra a estaca Franki que é um tipo de fundação profunda moldada in loco, executada por deslocamento do solo, sendo amplamente empregada em obras que demandam elevada capacidade de carga. Seu processo executivo consiste na cravação de um tubo metálico de revestimento, cuja extremidade inferior é inicialmente vedada por uma bucha de concreto seco, a qual permite a transmissão de energia durante a cravação e promove o deslocamento lateral do solo. Ao atingir a profundidade de projeto, essa bucha é expulsa por meio de golpes de pilão, e, em seguida, realiza-se a apiloação de concreto para a formação de uma base alargada, denominada bulbo, responsável por aumentar significativamente a resistência de ponta da estaca. Na sequência, procede-se à concretagem do fuste, também por apiloamento, com a retirada gradual do tubo metálico, garantindo a adequada compactação do concreto e boa interação com o solo adjacente. função de seu processo executivo e do alargamento da base, à estaca Franki apresenta elevada capacidade resistente, sendo especialmente indicada para solos com baixa resistência superficial e para estruturas que exigem controle de recalques e elevado desempenho estrutural. Figura 7– Estaca Franki Fonte: Google imagens, 2026. A estaca Franki apresenta viabilidade técnica para o perfil de solo em estudo, uma vez que possui elevada capacidade de carga, bom desempenho em solos compressíveis e pode ser executada mesmo na presença de nível d’água elevado, garantindo adequada transferência de esforços por meio da base alargada e do atrito lateral. No entanto, seu processo executivo envolve a cravação por meio de golpes de pilão, o que gera níveis elevados de ruído e vibração. Dessa forma, apesar de tecnicamente adequada do ponto de vista geotécnico, sua utilização não é recomendada para a situação em análise, devido à proximidade de uma edificação existente, que pode ser afetada negativamente pelas vibrações induzidas durante a execução, comprometendo sua integridade estrutural e o conforto dos usuários. A Figura 8, ilustra as características gerais para uso da estaca de Franki. Figura 8 - Quadro Resumo (Estaca Franki) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.2 Estaca Strauss A Figura 9 representa a estaca Strauss que é uma fundação profunda moldada in loco, executada por meio de escavação manual ou mecânica, simultaneamente à introdução de revestimento com tubos metálicos rosqueáveis, que garantem a estabilidade das paredes do furo. A concretagem é realizada com compactação do concreto, seguida da retirada gradual do revestimento. Esse tipo de estaca apresenta diâmetros usuais entre 25 e 45 cm, com capacidade de carga variando aproximadamente de 196,13 kN a 882,6 kN. Entre suas principais vantagens, destaca-se a ausência de vibrações durante a execução, o que a torna adequada para áreas sensíveis, como regiões urbanas densamente ocupadas ou próximas a edificações existentes. Além disso, o equipamento utilizado é leve e de pequeno porte, permitindo sua aplicação em locais de difícil acesso ou com restrições de espaço. Por outro lado, sua utilização deve ser evitada em solos com presença significativa de lençol freático, devido ao risco de instabilidade do furo e prejuízos à qualidade da concretagem. Em situações com pequena presença de água no fundo da escavação, pode-se lançar inicialmente um volume de concreto seco; entretanto, nesse caso, a contribuição da resistência de ponta deve ser desconsiderada no dimensionamento. Figura 9 - Execução estaca Strauss Fonte: Google imagens, 2026 A utilização da estaca Strauss não é recomendada para o perfil de solo em estudo devido às condições geotécnicas desfavoráveis, especialmente pela presença de camadas de argila orgânica muito mole e nível d’água elevado. Esse tipo de estaca depende da estabilidade do furo durante a escavação, o que se torna crítico em solos saturados e de baixa resistência, podendo ocorrer desmoronamento das paredes e comprometimento da qualidade do concreto. Além disso, a presença de água dificulta a execução adequada da concretagem, podendo resultar em segregação do material e redução da capacidade resistente da estaca. Dessa forma, apesar de apresentar a vantagem de não gerar vibrações, a estaca Strauss não se mostra tecnicamente adequada para esse tipo de solo, sendo mais indicado o uso de soluções que garantam maior estabilidade durante a execução, como estacas cravadas ou executadas com controle do furo. A Figura 10, ilustra as características gerais para uso da estaca. Figura 10 - Quadro Resumo (Estaca Strauss) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.3 Estaca Hélice Contínua A Figura 11 representa a estaca hélice contínua monitorada que é amplamente empregada no Brasil devido à sua versatilidade e eficiência executiva, permitindo sua aplicação em diferentes tipos de solo, especialmente em ambientes urbanos. Contudo, sua utilização não é recomendada em terrenos que apresentem a presença de rochas ou matacões, devido à dificuldade de perfuração. O processo executivo consiste na perfuração do solo por meio da rotação de uma hélice contínua, que aplica torque até atingir a profundidade prevista em projeto. Após alcançar a cota de projeto, inicia-se a concretagem porinjeção, realizada através da haste central oca do trado. O concreto é bombeado sob pressão enquanto a hélice é retirada do solo, sem rotação, garantindo a formação do fuste da estaca. Durante a execução, é fundamental o controle rigoroso da velocidade de extração da hélice e da pressão de injeção do concreto, uma vez que esses parâmetros estão diretamente relacionados ao consumo de material e à qualidade final da estaca, assegurando sua integridade estrutural e adequada interação com o solo. Figura 11- Execução da estaca hélice contínua Fonte: Google imagens, 2026 A estaca hélice contínua monitorada apresenta-se como uma solução adequada para o perfil de solo em estudo, especialmente em função da presença de camadas moles e do nível d’água elevado. Seu processo executivo, realizado sem a necessidade de revestimento e com injeção contínua de concreto durante a retirada da hélice, garante a estabilidade do fuste e evita o colapso das paredes do furo, mesmo em solos saturados. Além disso, trata-se de uma técnica que não gera vibrações significativas nem elevados níveis de ruído, sendo, portanto, indicada para áreas urbanas e locais próximos a edificações existentes. Outro fator relevante é o controle tecnológico durante a execução, uma vez que parâmetros como profundidade, torque, velocidade de avanço e consumo de concreto são monitorados em tempo real, assegurando maior confiabilidade e qualidade à fundação executada. Dessa forma, a estaca hélice contínua se mostra uma alternativa eficiente, segura e compatível com as condições geotécnicas e ambientais do local. A Figura 12 representa as principais características desse tipo de estaca, evidenciando seu processo executivo e os elementos envolvidos na perfuração e concretagem. Figura 12- Quadro resumo (Estaca Hélice Contínua) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.4 Estaca Broca A estaca tipo broca (Figura 13) é uma fundação profunda moldada in loco, executada por meio de perfuração do solo com trado manual ou mecânico, sendo indicada para cargas moderadas e solos com boa estabilidade. Seu processo executivo consiste na escavação do terreno até a profundidade de projeto, seguida da limpeza do fundo do furo e posterior concretagem, geralmente sem a utilização de revestimento. Em alguns casos, pode-se empregar armadura, conforme as solicitações estruturais. Esse tipo de estaca apresenta como principais vantagens o baixo custo, a simplicidade de execução e o uso de equipamentos leves, o que facilita sua aplicação em locais de difícil acesso ou com restrições de espaço. Além disso, não gera vibrações nem ruídos significativos, sendo uma alternativa interessante para áreas urbanas. Entretanto, sua utilização deve ser restrita a solos coesivos e estáveis, sendo desaconselhada em terrenos com presença de lençol freático elevado ou solos muito moles e arenosos, devido ao risco de desmoronamento das paredes do furo e comprometimento da qualidade da concretagem. Figura 13 - Execução da estaca broca Fonte: Google imagens, 2026 A estaca tipo broca não se apresenta como uma solução adequada para o perfil de solo em estudo. Isso se deve, principalmente, à presença de uma camada espessa de argila orgânica muito mole, com baixa resistência (Nspt ≈ 1), associada a um nível d’água elevado. Nessas condições, a execução da broca torna-se crítica, pois esse tipo de estaca depende da estabilidade das paredes do furo, que dificilmente é mantida em solos saturados e de baixa coesão, podendo ocorrer desmoronamentos e perda de seção. Além disso, a presença de água no interior da escavação compromete a concretagem, podendo provocar segregação do concreto e reduzir a capacidade resistente da estaca. Dessa forma, apesar de ser uma solução econômica e de fácil execução em solos estáveis, à estaca broca não é recomendada para esse tipo de terreno, sendo mais indicado o uso de estacas que garantam maior controle executivo e estabilidade. A Figura 14 ilustra as principais características da estaca broca. Figura 14 - Quadro Resumo (Estaca Broca) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.5 Estaca escavada com perfuratriz sem fluido estabilizante A estaca escavada com perfuratriz sem fluido estabilizante (Figura 15) é uma fundação profunda moldada in loco, executada por meio de perfuração mecanizada do solo, sem a utilização de lama bentonítica ou polímeros para estabilização das paredes do furo. Nesse método, a estabilidade da escavação depende exclusivamente das características geotécnicas do solo, sendo mais indicada para terrenos coesivos e estáveis, com baixa ou nenhuma presença de água. O processo executivo consiste na perfuração do solo até a profundidade de projeto com o uso de trados ou ferramentas rotativas, seguida da limpeza do fundo da escavação e posterior colocação da armadura, quando necessária. Em seguida, realiza-se a concretagem do fuste, geralmente de forma direta, preenchendo o furo aberto. Entre as principais vantagens, destacam-se a simplicidade do processo, a ausência de vibrações e ruídos significativos e a dispensa do manejo de fluidos estabilizantes, o que reduz a complexidade e os custos operacionais. No entanto, esse tipo de estaca apresenta limitações importantes, pois não deve ser utilizado em solos pouco coesivos, muito moles ou com presença de nível d’água elevado, devido ao risco de instabilidade das paredes do furo, desmoronamento e comprometimento da qualidade da concretagem. Figura 15 - Estaca escavada sem fluído estabilizante Fonte: Google imagens, 2026 A estaca escavada com perfuratriz sem fluido estabilizante não é adequada para o perfil de solo em estudo. Isso se deve à presença de uma camada espessa de argila orgânica muito mole, associada a um nível d’água elevado, condições que comprometem diretamente a estabilidade das paredes do furo durante a escavação. Como esse tipo de estaca depende exclusivamente da resistência natural do solo para manter o furo aberto, há um alto risco de desmoronamento, estrangulamento da seção e perda de material. Além disso, a presença de água no interior da escavação dificulta a concretagem, podendo provocar contaminação e segregação do concreto, o que reduz significativamente a capacidade resistente da estaca. Dessa forma, apesar de ser uma solução simples e econômica em solos estáveis e secos, à estaca escavada sem fluido estabilizante não se mostra tecnicamente viável para esse tipo de terreno, sendo mais indicado o uso de métodos que garantam a estabilidade do furo, como estacas com fluido estabilizante ou executadas por cravação. 4.6 Estaca escavada com perfuratriz com fluido estabilizante (Lama Bentonítica ou Polímero) A estaca escavada com fluido estabilizante (Figura 16) é um tipo de fundação profunda moldada in loco, executada por meio de perfuração mecanizada com o uso de fluidos como lama bentonítica ou polímeros sintéticos, cuja principal função é garantir a estabilidade das paredes do furo durante a escavação. Esse método é especialmente indicado para solos pouco coesivos, instáveis ou saturados, bem como em situações com nível d’água elevado, onde há risco de desmoronamento. O processo executivo inicia-se com a perfuração do terreno utilizando equipamentos rotativos, mantendo-se o furo preenchido com o fluido estabilizante, que exerce pressão lateral sobre as paredes e evita seu colapso. Após atingir a profundidade de projeto, realiza-se a limpeza do fundo da escavação para remoção de materiais soltos. Em seguida, procede-se à instalação da armadura e à concretagem submersa por meio do método do tubo tremonha, permitindo que o concreto substitua gradualmente o fluido, garantindo a integridade do fuste sem contaminação significativa. Esse tipo de estaca possibilitaa execução de elementos com grandes diâmetros e elevadas capacidades de carga, sendo amplamente utilizado em obras de grande porte, como edifícios altos, pontes e estruturas industriais. Além disso, apresenta como vantagens a baixa geração de ruído e vibração, o que a torna adequada para áreas urbanas e locais com restrições ambientais. Por outro lado, sua execução requer equipamentos especializados, mão de obra qualificada e controle tecnológico rigoroso, especialmente no que se refere às propriedades do fluido estabilizante, como densidade, viscosidade e teor de areia. Também envolve custos mais elevados em comparação a métodos mais simples, além da necessidade de manejo e descarte adequado do fluido utilizado. Em síntese, à estaca escavada com fluido estabilizante constitui uma solução segura e eficiente para condições geotécnicas adversas, garantindo estabilidade durante a execução e bom desempenho estrutural mesmo em solos de baixa resistência e presença de água. Figura 16 - Estaca escavada com fluído estabilizante Fonte: Google imagens, 2026 A estaca escavada com fluido estabilizante mostra-se plenamente adequada para o perfil de solo em estudo. A presença de uma camada espessa de argila orgânica muito mole, associada a um nível d’água elevado e a condições de solo em adensamento, inviabiliza a utilização de métodos que dependem da estabilidade natural do furo. Nesse contexto, o uso de fluido estabilizante, como lama bentonítica ou polímero, é essencial, pois garante a contenção das paredes da escavação, evitando desmoronamentos mesmo em solos saturados e de baixa resistência. Além disso, a concretagem submersa por meio do tubo tremonha assegura a adequada formação do fuste, minimizando riscos de segregação e contaminação do concreto, mesmo na presença de água. Outro aspecto favorável é a baixa geração de ruído e vibração durante a execução, o que torna essa solução apropriada para áreas urbanas e próximas a edificações existentes. Dessa forma, a estaca escavada com fluido estabilizante constitui uma alternativa tecnicamente viável, segura e eficiente para esse tipo de solo, sendo especialmente indicada quando se busca garantir estabilidade durante a execução e elevado desempenho estrutural, ainda que com maior custo e necessidade de controle tecnológico rigoroso. 4.7 Estaca de Madeira A estaca de madeira (Figura 17) é um tipo de fundação profunda pré-moldada, executada por cravação no terreno, sendo tradicionalmente utilizada em obras de pequeno a médio porte. Geralmente é confeccionada a partir de troncos de madeira roliça, devidamente tratados para aumentar sua durabilidade e resistência à ação de agentes biológicos. O processo executivo consiste na cravação da estaca no solo por meio de equipamentos de percussão, promovendo o deslocamento do solo ao seu redor. A transmissão de cargas ocorre principalmente por atrito lateral ao longo do fuste, podendo também haver contribuição da ponta, dependendo das características do solo de apoio. As estacas de madeira apresentam como principais vantagens o baixo custo, a facilidade de execução e a boa adaptação a solos moles e saturados, especialmente quando permanecem permanentemente submersas, condição que reduz o risco de deterioração. Por isso, são frequentemente utilizadas em regiões alagadas, obras provisórias, passarelas, pontes leves e fundações de baixa solicitação. Entretanto, possuem limitações importantes, como baixa capacidade de carga quando comparadas a outros tipos de estacas, variabilidade nas propriedades do material e sensibilidade à variação do nível d’água. Quando expostas alternadamente ao ar e à água, podem sofrer deterioração por ataque de fungos e insetos, comprometendo sua durabilidade. Dessa forma, embora sejam uma solução econômica e funcional em determinadas condições, as estacas de madeira são mais indicadas para obras de menor porte e com controle adequado do ambiente de exposição. Figura 17- Estacas de Madeira Fonte: Google imagens, 2026 A estaca de madeira não se apresenta como uma solução adequada para o perfil de solo em estudo. Apesar de possuir bom desempenho em solos moles e saturados, especialmente quando permanece constantemente submersa, sua aplicação é limitada a estruturas de pequeno porte e a carregamentos reduzidos. No caso em análise, a edificação apresenta cargas que podem atingir valores relativamente elevados, o que excede a capacidade resistente usual desse tipo de estaca, tornando sua utilização tecnicamente inadequada. Além disso, a presença de variações no nível d’água e a necessidade de maior confiabilidade estrutural comprometem ainda mais o uso desse material, uma vez que a madeira pode sofrer deterioração quando exposta a ciclos de umedecimento e secagem. Dessa forma, embora seja uma alternativa econômica em situações específicas, a estaca de madeira não atende aos requisitos de desempenho e segurança exigidos para esse tipo de solo e carregamento. A Figura 18 ilustra as características gerais para uso da estaca de madeira. Figura 18- Quadro Resumo (Estaca de Madeira) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.8 Estaca de Aço (Perfis Metálicos) A estaca de aço apresentada na Figura 19 consiste em um elemento de fundação profunda pré-fabricado, geralmente constituído por perfis metálicos do tipo H ou por tubos de aço, cravados no terreno por meio de percussão ou vibração. Esse tipo de estaca é amplamente utilizado em obras que exigem elevada capacidade de carga, sendo capaz de atravessar camadas de solo de baixa resistência até atingir estratos mais competentes. A transmissão de cargas ocorre por meio da combinação entre atrito lateral ao longo do fuste e resistência de ponta, dependendo das características do solo e da profundidade atingida. Devido à sua elevada resistência estrutural, as estacas metálicas podem suportar esforços significativos, tanto de compressão quanto de tração, além de permitirem emendas para alcançar maiores profundidades. Entre suas principais vantagens destacam-se a rapidez de execução, a facilidade de cravação em solos moles e saturados e o bom controle de qualidade durante a instalação. Entretanto, como desvantagens, apresentam elevados níveis de ruído e vibração durante a execução, além da necessidade de proteção contra corrosão em ambientes agressivos. Figura 19 - Estacas Metálicas Fonte: Google imagens, 2026 A estaca de aço mostra-se tecnicamente adequada para o perfil de solo em estudo. Considerando a presença de uma camada espessa de argila orgânica muito mole, associada a um nível d’água elevado, esse tipo de estaca apresenta bom desempenho, pois é executada por cravação, não dependendo da estabilidade do furo e, portanto, não sendo afetada pela presença de água no solo. Além disso, as estacas metálicas possuem elevada capacidade de carga e são capazes de atravessar camadas compressíveis até atingir níveis mais resistentes, garantindo uma adequada transferência de esforços por atrito lateral e resistência de ponta. Sua elevada resistência estrutural também permite suportar os carregamentos previstos para a edificação com segurança. Entretanto, deve-se considerar como desvantagem os elevados níveis de ruído e vibração gerados durante a cravação, o que pode ser um fator limitante em áreas urbanas ou em locais próximos a edificações existentes. Dessa forma, a estaca de aço constitui uma solução viável e eficiente para esse tipo de solo, desde que sejam avaliadas as condições do entorno quanto aos efeitos de vibração e ruído durante sua execução. A Figura 20, ilustra as características gerais para uso da estaca metálica Figura 20 - Quadro Resumo (Estaca de Aço) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.9 Estaca Ômega A estaca Ômega (Figura 21) é um tipo de fundaçãoprofunda moldada in loco, executada por meio de perfuração com uma hélice contínua especial do tipo deslocamento, na qual não ocorre retirada de solo, pois este é apenas deslocado lateralmente durante a execução. Após atingir a profundidade de projeto, realiza-se a concretagem sob pressão simultaneamente à retirada da ferramenta, garantindo o preenchimento contínuo e adequado do fuste, além de promover uma melhor compactação do solo ao redor. Esse método apresenta como principais vantagens a ausência de vibrações significativas, a elevada produtividade e o bom desempenho em solos moles e saturados, sendo especialmente indicado para áreas urbanas e locais próximos a edificações existentes. Além disso, a não retirada de solo contribui para a estabilidade do processo executivo e reduz a geração de resíduos. Por outro lado, a estaca Ômega requer equipamentos específicos e controle rigoroso dos parâmetros de execução, além de apresentar limitações em solos muito resistentes ou na presença de matacões e rochas. Figura 21 - Execução da estaca ômega Fonte: Google imagens, 2026 Embora a estaca Ômega possa ser executada abaixo do nível d’água, conforme indicado na Figura 22, sua aplicação em solos com elevada saturação deve ser avaliada com cautela. Isso porque, apesar de o método permitir a execução nessas condições, o controle da concretagem sob pressão torna-se mais sensível, podendo haver dificuldades no preenchimento adequado do fuste em solos muito moles e com presença significativa de água. No caso do perfil em estudo, além do nível d’água elevado, há a presença de argila orgânica muito mole, o que pode comprometer o desempenho do método executivo e aumentar os riscos de falhas na formação da estaca. Dessa forma, ainda que tecnicamente seja possível sua execução abaixo do nível d’água, à estaca Ômega não é a alternativa mais indicada para essas condições específicas, sendo mais recomendadas soluções que ofereçam maior controle e segurança na presença de solos saturados, como estacas escavadas com fluido estabilizante ou hélice contínua monitorada. Figura 22 - Quadro Resumo (Estaca Ômega) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.10 Estaca Raiz A estaca raiz (Figura 23) é uma fundação profunda moldada in loco, com armadura ao longo de todo o comprimento, apresentando elevada capacidade de carga e podendo atingir grandes profundidades (acima de 50 m), tanto em solos quanto em rochas. É indicada para situações especiais, como terrenos difíceis, presença de matacões, necessidade de estacas inclinadas e locais onde não se admitem vibrações ou ruídos. Entre suas vantagens, destacam-se a alta resistência, baixos recalques, execução em qualquer tipo de terreno e aplicação em áreas de difícil acesso. Por outro lado, apresenta custo elevado, execução mais lenta, necessidade de controle rigoroso e maior consumo de materiais, além de impactos ambientais durante a execução. Figura 23- Estaca Raiz Fonte: Google imagens, 2026 A estaca raiz mostra-se adequada para o solo em estudo, especialmente devido à presença de argila orgânica muito mole e nível d’água elevado. Esse tipo de estaca pode ser executado abaixo do nível freático, não depende da estabilidade do solo durante a perfuração e não gera vibrações significativas, sendo indicado para áreas com edificações próximas. Além disso, apresenta elevada capacidade de carga, baixos recalques e capacidade de atravessar camadas compressíveis até atingir solos mais resistentes, podendo inclusive perfurar matacões. Contudo, apesar de suas vantagens técnicas, deve- se considerar que sua execução possui custo mais elevado, é mais lenta e exige rigoroso controle tecnológico. Dessa forma, a estaca raiz constitui uma solução viável e segura para as condições geotécnicas do terreno analisado. A Figura 24, ilustra as características gerais para uso. Figura 24 - Quadro Resumo (Estaca Raiz) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.11 Estaca Pré-moldada de concreto A estaca pré-moldada de concreto (Figura 25) é um tipo de fundação profunda pré-fabricada, produzida em concreto armado ou protendido e cravada no solo por meio de percussão, vibração ou prensagem. Sua principal função é transferir as cargas da estrutura para camadas mais profundas e resistentes do terreno, por meio da combinação de resistência de ponta e atrito lateral ao longo do fuste. Esse tipo de estaca apresenta elevada capacidade de carga, bom controle de qualidade (por ser fabricada previamente) e rapidez na execução. Além disso, é adequada para solos moles e saturados, pois sua instalação não depende da estabilidade do furo, sendo amplamente utilizada em regiões com nível d’água elevado. Entre as vantagens, destacam-se a durabilidade, a possibilidade de controle tecnológico rigoroso, a padronização dos elementos e a facilidade de cravação em diferentes tipos de solo. Por outro lado, apresenta como desvantagens a geração de ruídos e vibrações durante a execução, o que pode limitar seu uso em áreas urbanas ou próximas a edificações sensíveis, além da necessidade de equipamentos pesados para cravação. Figura 25 - Estaca pré-moldada de concreto Fonte: Google imagens, 2025. A estaca pré-moldada de concreto é adequada para o solo em estudo. Considerando a presença de argila orgânica muito mole e nível d’água elevado, esse tipo de estaca apresenta bom desempenho, pois é executada por cravação, não dependendo da estabilidade do solo durante a execução. Além disso, permite atravessar camadas compressíveis até atingir estratos mais resistentes, garantindo uma adequada transferência de carga. Entretanto, deve-se considerar como limitação os elevados níveis de ruído e vibração gerados durante a cravação, o que pode ser um fator desfavorável pois existe edificações próximas. A Figura 26, ilustra as características gerais para uso. Figura 26 - Quadro Resumo (Pré-moldada de concreto) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 4.12 Estaca Mega A estaca Mega (Figura 27) é um tipo de fundação profunda pré-moldada, geralmente de concreto, executada por meio de cravação por prensagem hidráulica, utilizando a própria estrutura ou um sistema de reação como apoio. Diferentemente das estacas cravadas por impacto, esse método não gera vibrações nem ruídos significativos, sendo especialmente indicado para áreas urbanas e locais com edificações próximas. A transmissão de carga ocorre por atrito lateral e resistência de ponta, semelhante às estacas convencionais, podendo atingir camadas mais resistentes do solo. Esse tipo de estaca é muito utilizado em reforço de fundações e obras onde há restrição de acesso ou necessidade de intervenção em estruturas já existentes. Entre suas principais vantagens, destacam-se a execução silenciosa, a ausência de vibração, o bom controle de carga durante a cravação e a possibilidade de aplicação em locais confinados. Por outro lado, apresenta limitações como a necessidade de estrutura de reação, menor produtividade em comparação a outros métodos e restrições em grandes obras com altas cargas. Figura 27 - Estaca Mega Fonte: Google imagens, 2025. A estaca Mega não se apresenta como solução adequada para o solo em estudo, uma vez que o perfil geotécnico apresenta uma espessa camada de argila orgânica muito mole, com aproximadamente 10 m de espessura, sobrejacente a um solo mais resistente. Considerando que a profundidade máxima desse tipo de estaca é limitada, em torno de 10 m, existe o risco de que a fundação não atinja uma camada competente, permanecendo apoiada em solo compressível, o que pode resultar em recalques excessivos. Dessa forma, apesar de suas vantagens quanto à ausência de vibração e possibilidade de execução em presença de nível d’água, à estaca Mega não é recomendada para esse caso, sendo maisindicadas soluções que alcancem maiores profundidades e garantam melhor desempenho geotécnico. A Figura 28, ilustra as características gerais para uso. Figura 28 - Quadro Resumo (Estaca Mega) Fonte: Notas de Aula professor Wilker 5. DEFINIÇÃO DA SOLUÇÃO DE FUNDAÇÃO Com base na análise das características geotécnicas do terreno em Florianópolis/SC, nas cargas da edificação e nas restrições do entorno, a solução de fundação selecionada como a mais adequada é a Estaca Hélice Contínua Monitorada (HCM). Esta escolha fundamenta-se no equilíbrio entre eficiência técnica, segurança estrutural e viabilidade econômica, conforme detalhado nos tópicos a seguir. 5.1 Justificativa Técnica da Escolha Estaca (HCM) A HCM destaca-se pelas seguintes vantagens técnicas para o solo AQsq1 (argila orgânica muito mole e nível d’água raso): • Estabilidade do Furo: O trado helicoidal mantém a pressão lateral e o concreto é injetado sob pressão durante a subida, impedindo o desmoronamento em solos saturados. • Ausência de Vibrações: Não gera impactos que poderiam comprometer as edificações vizinhas. • Monitoramento: Controle rigoroso de torque e pressão, garantindo a integridade do fuste em camadas de argila mole. 5.2 Inviabilidade Técnica das Demais Soluções As demais soluções de fundação analisadas no capítulo anterior apresentam limitações que as tornam inadequadas ou de alto risco para este cenário específico: • Estaca Franki / Estaca de Aço / Estaca Pré-moldada de Concreto: Embora possua alta capacidade de carga, sua execução por percussão gera vibrações excessivas que podem causar danos estruturais às edificações vizinhas no centro de Florianópolis. • Estaca Strauss: Inadequada devido ao nível d’água elevado. O risco de estrangulamento do fuste e segregação do concreto em solos saturados e moles é extremamente alto. • Estaca Broca / Escavada sem Fluido: Inviáveis por dependerem da estabilidade natural das paredes do furo, o que é impossível na camada de argila orgânica saturada (Nspt ≈ 1). • Estaca de Madeira: Capacidade de carga insuficiente para as solicitações da edificação de 5 pavimentos e riscos de deterioração por variações do nível freático. • Estaca Mega: Limitada a profundidades de cerca de 10 metros, sendo insuficiente para atravessar a camada compressível de 15 metros e atingir o solo resistente. • Estaca Ômega: O solo mole pode invadir a seção da estaca antes da cura do concreto, comprometendo a estrutura e a injeção sob pressão em solos de baixa resistência gera bulbos indesejados e desperdício de material. 5.3 Análise de Custos e Viabilidade Econômica Considerando as alternativas tecnicamente seguras (HCM, Raiz e Escavada com Fluido), a HCM apresenta o melhor custo-benefício: Tipo de Estaca Custo Relativo Produtividade Análise Econômica Hélice Contínua Médio Alta Menor custo por metro linear e alta produtividade, reduzindo custos fixos de canteiro. Estaca Raiz Muito Elevado baixa Processo lento e caro, justificado apenas em locais de acesso restrito ou rocha. Escavada com Fluido Elevado Media Custos adicionais com manejo e descarte de fluidos estabilizantes. • Estaca Raiz e Escavada com Fluido: São tecnicamente viáveis, porém descartadas por apresentarem custos significativamente superior e menor produtividade que a HCM. Portanto, à Estaca Hélice Contínua Monitorada é a melhor solução que atende simultaneamente aos critérios de segurança geotécnica (solo AQsq1), preservação da vizinhança e otimização de custos para este empreendimento. 5.4 Estimativa de Custos Unitários e Totais (SINAPI-SC) Abaixo apresenta-se a estimativa detalhada de custos unitários e totais para a execução das 24 estacas (HMC) de 16 metros de profundidade e 24 blocos de coroamento, utilizando como referência a tabela SINAPI para o estado de Santa Catarina. Item / Descrição Quantidade V. Unitário (R$ V. Total (R$) Mobilização e Desmobilização de Perfuratriz 1 un 15.000,00 15.000,00 Execução de Estaca HCM (Ø 40cm 384 m 145,00/m 55.680,00 Blocos de Coroamento (Escav., Fôrma, Aço, Conc. 24 un 1.200,00/un 28.800,00 Bombeamento de Concreto e Serviços Auxiliares 1 un 5.000,00 5.000,00 6 CONCLUSÃO A elaboração deste trabalho permitiu uma análise aprofundada das complexas condições geológicas e geotécnicas de Florianópolis/SC, especificamente para a unidade de solo AQsq1. A presença de camadas espessas de argila orgânica de consistência muito mole, associada a um nível d’água elevado e à proximidade de edificações existentes, impõe restrições severas à escolha do sistema de fundação, exigindo soluções que garantam não apenas a capacidade de carga, mas também a integridade do entorno. Nesse cenário, a Estaca Hélice Contínua Monitorada (HCM) consolidou-se como a solução mais equilibrada. Sua capacidade de manter a estabilidade do furo em solos saturados através do trado helicoidal, aliada ao monitoramento eletrônico em tempo real, garante a segurança necessária para atravessar a camada de argila mole até o estrato resistente. Além disso, a análise comparativa demonstrou que a HCM oferece o melhor custo-benefício, com alta produtividade e menor valor por metro linear executado. Em suma, a escolha da fundação para o edifício residencial de cinco pavimentos seguiu critérios rigorosos de desempenho estrutural, respeito às normas técnicas vigentes (NBR 6122) e otimização financeira. O estudo reforça a importância de uma interação criteriosa entre geotecnia e planejamento de execução, assegurando que a fundação cumpra seu papel fundamental de transferir as cargas ao solo com segurança, durabilidade e viabilidade econômica para o empreendedor. Nas fundações rasas, as análises realizadas pelos métodos semiempíricos e pelas recomendações normativas indicaram que o solo apresentou boa capacidade de suporte, especialmente nas camadas de areia fina siltosa, resultando em uma pressão admissível de projeto de 537 kPa. Com base nesses resultados, foi possível padronizar as sapatas isoladas em dois modelos principais, com dimensões de 100 cm × 140 cme 150 cm × 190 cm. Essa padronização facilita a execução da obra, reduz o uso de diferentes formas e melhora a organização das atividades no canteiro. Além disso, a análise dos recalques indicou um recalque imediato estimado de apenas 0,54 mm, valor muito inferior ao limite de 25 mmestabelecido pela ABNT NBR 6122. Dessa forma, conclui-se que as fundações apresentam condições adequadas de segurança e estabilidade, com baixo risco de problemas estruturais causados por deformações excessivas do solo. 7. DIMENSIONAMENTO DAS FUNDAÇÕES 7.1 Fundações Rasas Antes do dimensionamento das fundações rasas, foi necessário realizar o levantamento das cargas atuantes na base dos pilares, bem como definir as dimensões de suas seções transversais (B x L). Essa etapa é fundamental, pois permite calcular corretamente as tensões transmitidas ao solo, garantindo maior segurança estrutural e evitando problemas como recalques excessivos ou dimensionamentos inadequados. Os valores das cargas verticais e as dimensões geométricas dos pilares da edificação foram organizados e apresentados na Tabela 1. Tabela 1- Cargas verticais e dimensões nominais dos pilares CARGAS DOS PILARES PILARES CARGA (kN) B (cm) L (cm) P9/P15 = P10/P16 415,7 20 60 P4/P22 = P3/P21 370,2 20 60 P12/P18 = P7/P13 363,2 20 60 P8/P14 = P11/P17 829,5 20 60 P2/P20 = P5/P23 813,2 20 60 Fonte: Autoria própria, 2026 7.1.1 Método Semi-Empírico Os métodos semiempíricos utilizados no dimensionamento de fundações rasas combinam conceitos teóricos da Mecânica dos Solos com dados obtidos em campo por meio do ensaio SPT (Standard Penetration Test). Esses métodos relacionam os valores de resistência à penetração do soloNSPT com a capacidade de suporte do terreno, utilizando fatores de correção baseados em resultados experimentais e no desempenho de obras já executadas. Dessa forma, é possível estimar a tensão admissível do solo de maneira prática, rápida e segura, obtendo resultados compatíveis com o comportamento real das fundações, conforme demonstrado na Tabela 2. Tabela 2– Método semi-empírico Métodos Semiempíricos TENSÃO ADIMISSÍVEL TIPO DE SOLO AREIA FINA SILTOSA Nspt 2 26 ϒ1 (kN/m³) 17 h (m) 1 q (Mpa) 0,017 σa (Mpa) 0,537 σa (kpa) 537 Fonte: Autoria própria, 2026 Com base nas cargas verticais características dos pilares e na pressão admissível do solo de fundação, foi realizado o dimensionamento das sapatas isoladas da edificação. Essa etapa teve como objetivo definir a área mínima necessária das bases das fundações, garantindo que as tensões transmitidas ao solo permanecessem dentro do limite de resistência admissível do terreno. A área estimada das sapatas foi calculada a partir da relação entre a carga aplicada pelo pilar e a tensão admissível do solo. Para facilitar os cálculos e padronizar a execução da obra, os pilares com cargas e características semelhantes foram agrupados em conjuntos. Os valores obtidos para as dimensões dos lados A e B bem como as respectivas áreas das sapatas, estão apresentados na Tabela 3. Tabela 3- Dimensionamento das sapatas a partir das cargas e da tensão admissível Fonte: Autoria própria, 2026 A Figura 1 apresenta a disposição e o detalhamento geométrico das sapatas isoladas projetadas para os pilares da edificação. Observa-se a padronização das dimensões das fundações, com predominância de sapatas de 1,40 × 1,00 me 1,90 × 1,50 m, definidas de acordo com as cargas atuantes em cada pilar e com a capacidade de suporte do solo. Os elementos estruturais foram dimensionados de forma a garantir a distribuição adequada das tensões ao terreno, proporcionando segurança e estabilidade à estrutura. Além disso, a adoção de dimensões padronizadas contribui para facilitar a execução no canteiro de obras, otimizar o consumo de materiais e melhorar o controle construtivo durante a concretagem e armação das fundações. Figura 1- Representação dos pilares Fonte: Autoria própria, 2026 7.1.2 MÉTODO RECOMENDAÇÃO DA NBR 6122 (1995) Essa metodologia utiliza uma abordagem prática para determinar as tensões admissíveis do solo (Tabela 4) relacionando as características das camadas do terreno, os valores obtidos no ensaio NSPT e a profundidade de assentamento da fundação. A norma técnica estabelece valores orientativos para diferentes tipos de solo, como areias, siltes e argilas, além de considerar fatores de correção de acordo com a profundidade da fundação e o estado de compacidade ou consistência do solo. A aplicação desse método é relativamente simples. Com base na análise do perfil do subsolo e nos resultados do ensaio NSPT, o projetista identifica as camadas de solo e utiliza os parâmetros indicados pelas normas técnicas para estimar a capacidade de suporte do terreno. Nesse contexto, a ABNT NBR 6122 fornece orientações importantes para o dimensionamento seguro das fundações. Entretanto, é fundamental que o engenheiro responsável faça uma análise criteriosa dos dados, principalmente em solos com camadas heterogêneas ou com características mecânicas diferentes ao longo da profundidade. Tabela 4 – Recomendações da NBR 6122 (2022) Método 01: Recomendação da NBR 6122 (2022) TIPO DE SOLO AREIA FINA SILTOSA Nspt 26 σa (Mpa) 0,28 σa (kpa) 280 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.1.3 Método Recomendação de Berberian (2010) Diferente de métodos mais conservadores, o método semiempírico de Berberian utiliza dados obtidos em obras reais para definir valores de tensões admissíveis do solo. Essa metodologia foi desenvolvida a partir da análise do desempenho de fundações que apresentaram resultados satisfatórios ao longo do tempo, tornando o método mais próximo das condições práticas encontradas na engenharia geotécnica. O método relaciona diretamente os valores do ensaio NSPT, o tipo de solo identificado no perfil geotécnico e a profundidade de assentamento da fundação. Com base nessas informações, são utilizadas tabelas técnicas (Tabela 5) que fornecem faixas de tensões admissíveis compatíveis com a prática atual da engenharia de fundações. Dessa forma, o projetista consegue estimar parâmetros seguros para o dimensionamento das fundações de maneira prática e eficiente, sem a necessidade de análises muito complexas ou ensaios laboratoriais de alto custo, especialmente em obras de pequeno e médio porte. Tabela 5 – Recomendações de Berberian (2010) Método 02: Recomendação de Berberian (2010) TIPO DE SOLO AREIA FINA SILTOSA Nspt 13 K 5,89 σa (Mpa) 2,207 σa (kpa) 220,71 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.1.4 Método Recomendação de Albiero & Cintra (1996) Essa metodologia é baseada em estudos experimentais e observações realizadas em campo, buscando representar o comportamento real do solo quando submetido às cargas da estrutura. O método utiliza os resultados do ensaio NSPT como principal parâmetro de cálculo, permitindo estimar as tensões admissíveis do solo de forma mais próxima das condições reais encontradas na obra. Além disso, o modelo considera fatores de correção relacionados ao tipo de solo e à profundidade de assentamento da fundação, proporcionando resultados mais seguros e adequados para o dimensionamento das fundações, Tabela 6. Tabela 6 – Recomendações de Albieiro & Cintra (1996) Método 03: Recomendação de Albieiro & Cintra (1996) TIPO DE SOLO AREIA FINA SILTOSA Nspt 13 σa (Kgf/cm²) 2,600 σa (kpa) 254,9729 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.1.5 Recomendações de Milton Vargas O método proposto por Vargas (Tabela 7) é considerado uma das abordagens clássicas da engenharia geotécnica, pois relaciona os princípios da resistência dos solos ao comportamento do terreno sob carregamentos estruturais. Mesmo utilizando uma formulação matemática simplificada, o método busca representar de forma adequada o comportamento mecânico do solo próximo à condição de ruptura. A abordagem considera parâmetros importantes do solo, como o peso específico (𝛾) e a coesão (𝑐), permitindo estimar a pressão admissível de fundações rasas por meio de equações teóricas associadas às condições observadas na prática de campo. Dessa forma, o método contribui para o dimensionamento seguro e eficiente das fundações. Tabela 7- Recomendações de Milton Vargas (1906) Método 04: Recomendação de Milton Vargas (1960) TIPO DE SOLO AREIA FINA SILTOSA Nspt 13 K 5 σa (Mpa) 0,260 σa (kpa) 260,00 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.1.6 Recomendações Por Teixeira A metodologia desenvolvida por Teixeira Tabela 8, utiliza correlações empíricas obtidas a partir de ensaios de campo, principalmente do ensaio NSPT, com o objetivo de representar o comportamento do solo de forma prática e eficiente. Com base nesses dados experimentais, foram elaboradas equações simplificadas capazes de estimar a pressão admissível de fundações rasas, auxiliando o projetista no dimensionamento seguro das fundações. Devido à sua praticidade e facilidade de aplicação, essa metodologia é amplamente utilizada na engenharia civil, tanto em estudos preliminares quanto em projetos executivos, fornecendo uma alternativa rápida e eficiente para o cálculo de fundações diretas. Tabela 8- Recomendações de Teixeira (1906) Método 05: Recomendação de Teixeira (1996) TIPO DE SOLO AREIA FINA SILTOSA Nspt 13 σa (Kgf/cm²) 2,600 σa (kpa) 254,9729 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.1.7 Recomendações de Victor de Mello (1975) A metodologia desenvolvida por Victor de Mello Tabela 9 baseia-se na análise do comportamento global do solo e na consideraçãoda variabilidade natural dos materiais presentes no terreno. O método propõe a utilização de fatores de segurança diferentes conforme o tipo de fundação adotado e o grau de confiabilidade das informações geotécnicas disponíveis. Além disso, a metodologia valoriza a experiência prática de campo e o acompanhamento do desempenho das fundações após a execução da obra. Dessa forma, busca-se obter um dimensionamento mais seguro, econômico e compatível com as condições reais do terreno. Tabela 9- Recomendações de Victor de Mello (1975) Método 06: Recomendação de Victor de Mello (1975) TIPO DE SOLO AREIA FINA SILTOSA Nspt 13 σa (Mpa) 2,606 σa (kpa) 255,5172942 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.8 Estimativa de Recalques Imediato na Fundação Além da verificação da capacidade de suporte do solo, o dimensionamento de fundações rasas também exige a análise dos estados limites de serviço (ELS), principalmente em relação aos recalques da estrutura. No caso da obra estudada, considerando a presença predominante de areia fina siltosa, foi realizado o cálculo do recalque imediato da fundação com base na teoria da elasticidade e nos parâmetros obtidos pelo ensaio SPT. Para isso, determinou-se inicialmente o módulo de deformabilidade do solo (Es) e, em seguida, aplicou-se o modelo matemático utilizado para estimar o recalque imediato da fundação. Os resultados obtidos estão apresentados na Tabela 10. Tabela 10- Parâmetros de elasticidade do solo e estimativa do recalque imediato. Areia fina Es= α*k*Nspt 𝜌i 𝜌=𝜇0∗𝜇1 (𝜎*𝐵) /𝐸𝑠 Es= 25,2 𝜌i (m) 0,005462226 IƤ= 0,99 𝜌i (mm) 0,546222553 Fonte: Autoria própria, 2026. Analisando os resultados apresentados na Tabela 10, verifica-se que o recalque imediato calculado para a sapata foi de 0,54mm. Segundo a ABNT NBR 6122, o limite admissível de recalque para fundações rasas em estruturas convencionais é de até 25mm (2,5 cm). Como o valor obtido ficou muito abaixo desse limite, conclui-se que o solo apresenta boas condições de rigidez e estabilidade, indicando que a fundação possui desempenho satisfatório e baixo risco de problemas estruturais relacionados a deformações excessivas, como trincas ou fissuras. 7.9 Estimativa de Recalques por adensamento na Fundação Não foi possível realizar o cálculo do recalque por adensamento do solo devido à ausência de parâmetros geotécnicos específicos obtidos em ensaios laboratoriais, como a tensão de pré-adensamento. Esse parâmetro é fundamental para avaliar o comportamento deformacional do solo ao longo do tempo quando submetido a carregamentos. Para determinar a tensão de pré-adensamento, os dados obtidos apenas pelo ensaio NSPT não são suficientes, sendo necessária a coleta de amostras indeformadas do solo e a realização de ensaios de adensamento unidimensional em laboratório de geotecnia. 7.2 FUNDAÇÕES PROFUNDAS Quando as camadas superficiais do solo não possuem capacidade suficiente para suportar as cargas da estrutura, ou quando há necessidade de reduzir os recalques da fundação, torna-se necessário o uso de fundações profundas. No empreendimento analisado, optou-se pela utilização de estacas do tipo Hélice Contínua Monitorada, amplamente empregadas na construção civil devido à sua alta produtividade, menor geração de vibrações e possibilidade de acompanhamento eletrônico durante a perfuração e concretagem. A definição do comprimento e da profundidade das estacas foi realizada com base na identificação de uma camada de solo mais resistente, obtida por meio das sondagens geotécnicas executadas no local. Os principais parâmetros geométricos e executivos adotados para essa fundação profunda estão apresentados na Tabela 11. Tabela 11- Parâmetros de projeto e execução das estacas hélice contínua. DADOS: Estaca Helice continua L(m) 16 Cota Parada(m) -17 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.2.1 Método Aoki e Velloso (1995) O método de Aoki e Velloso é uma metodologia semiempírica amplamente utilizada no dimensionamento de fundações profundas, especialmente estacas. O método baseia-se nos resultados obtidos pelo ensaio NSPT, correlacionando os índices de resistência à penetração do solo com a capacidade de carga da fundação. A metodologia considera separadamente as parcelas de resistência de ponta e de atrito lateral da estaca, permitindo estimar a carga admissível suportada pelo elemento de fundação. Para isso, são utilizados coeficientes específicos que variam de acordo com o tipo de solo e o tipo de estaca executada, tornando o método mais compatível com as condições reais encontradas em campo. Uma das principais vantagens do método de Aoki e Velloso é sua praticidade de aplicação, já que utiliza dados obtidos diretamente nas sondagens geotécnicas, reduzindo a necessidade de ensaios laboratoriais complexos. Por esse motivo, a metodologia é amplamente empregada em projetos de fundações profundas de pequeno, médio e grande porte, proporcionando resultados confiáveis e compatíveis com o comportamento do solo e da estrutura. A equação de Aoki Velloso expressa na Figura 2, mostra resistência total estaca como a soma da resistência de ponta e resistência por atrito lateral Figura 2- Equação Aoki Velloso Fonte: Notas de aula prof. Neto,2026. Essa equação é utilizada para calcular a capacidade de carga de estacas em fundações profundas. Por meio dela, é possível determinar a resistência total da estaca (𝑅), considerando tanto a resistência de ponta quanto a resistência por atrito lateral ao longo do fuste. No método de Aoki e Velloso, os coeficientes 𝐾e 𝛼são parâmetros fundamentais utilizados para estimar a capacidade de carga das estacas a partir dos resultados do ensaio SPT. O coeficiente 𝐾está relacionado à resistência de ponta da estaca. Seu valor varia conforme o tipo de solo e representa a capacidade resistente do terreno na região da ponta da fundação. Solos mais resistentes apresentam valores de 𝐾maiores, enquanto solos menos resistentes possuem valores menores. Esse coeficiente é utilizado em conjunto com o valor de 𝑁𝑆𝑃𝑇para determinar a tensão de ponta mobilizada pela estaca. Já o coeficiente 𝛼está associado à resistência lateral por atrito ao longo do fuste da estaca. Ele também varia de acordo com o tipo de solo e tem a função de representar a parcela de atrito entre o solo e a superfície lateral da fundação profunda. Quanto maior a aderência entre o solo e a estaca, maior será o valor de 𝛼.Ambos estão apresentados na Tabela 12. Tabela 12- Coeficientes K e α para diferentes tipos de solo segundo o Método de Aoki-Velloso (1975). Método de Aoki-Velloso (1975) Tipo de solo K (MPa) α (%) Areia 1 0,014 Areia siltosa 0,8 0,02 Areia silto-argilosa 0,7 0,024 Areia argilosa 0,6 0,03 Areia argilo-siltosa 0,5 0,028 Silte 0,4 0,03 Silte arenoso 0,55 0,022 Silte areno-argiloso 0,45 0,028 Silte argiloso 0,23 0,034 Silte argilo-arenoso 0,25 0,03 Argila 0,2 0,06 Argila arenosa 0,35 0,024 Argila areno-siltosa 0,3 0,028 Argila siltosa 0,22 0,04 Argila silto-arenosa 0,33 0,03 Fonte: Autoria própria, 2026. Os coeficientes 𝐹1e 𝐹2 Tabela 13 são fatores de correção utilizados para ajustar os valores das resistências de ponta e lateral das estacas, levando em consideração o tipo de fundação executada. Tabela 13- Os coeficientes F1 e F2 Método de Aoki-Velloso (1975) Tipo de Estacas F1 F2 Escavada com lama Bentonítica 3,5 4,5 FRANKI fuste apiloado 2,3 3 FRANKI fuste vibrado 2,3 3,2 Hélice contínua (CFA) 3 3,8 Microestaca 2,2 2,5 Raiz 2,2 2,4 Presso ancoragem 2,2 2,1 Metálica 1,75 3,5 Pré-moldada de concreto cravada à percussão 2,5 3,5 Pré-moldada de concreto cravada com prensagem 1,2 2,3 Strauss 4,2 3,9 VibroFRANKI 2,4 3,2 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.2.2 Método Décourt-Quaresma (1975) A metodologia de Décourt-Quaresma consideraque a resistência total da estaca é composta por duas parcelas principais: a resistência de ponta e a resistência lateral por atrito ao longo do fuste. A partir dos valores de NSPT, o método permite estimar essas resistências de forma prática e eficiente, utilizando coeficientes obtidos experimentalmente. Uma das principais características do método Décourt-Quaresma é sua simplicidade de aplicação e sua boa compatibilidade com as condições geotécnicas encontradas em campo. Por utilizar dados de sondagem normalmente disponíveis nos projetos, o método se tornou bastante difundido na engenharia civil brasileira para o dimensionamento de fundações profundas. A sua equação é representada abaixo. R = αCNpAp + β10 ( NL 3 + 1) Antes de iniciar os cálculos pelo método Décourt-Quaresma, é necessário definir alguns parâmetros fundamentais para o dimensionamento da fundação. Entre eles, destacam-se os valores do ensaio NSPT, o tipo de solo identificado ao longo do perfil geotécnico, as dimensões da estaca e a profundidade de assentamento da fundação. Apresentados na Tabela 14 e 15. Tabela 14- Coeficientes característicos do solo Método de Décourt-Quaresma Tipo de Solo C (kPa) C (mPa) Argila 120 0,12 Silte argiloso 200 0,2 Silte arenoso 250 0,25 Areia argilosa 400 0,4 Areia 400 0,4 Fonte: Autoria própria, 2026. Tabela 15- valores de α e β Fonte: Autoria própria, 2026. Os resultados apresentados na Tabela 16 correspondem ao cálculo da carga admissível geotécnica (𝑃𝑎) das estacas para diferentes diâmetros adotados no projeto. Os valores foram obtidos a partir da comparação entre os métodos de Aoki-Velloso e Décourt- Método de Décourt-Quaresma Valores típicos de α Tipo de solo Escavada a seco Escavada (bentonita) Hélice contínua Injetadas (raiz) Injetadas (sob pressão) Argilas 0,85 0,85 0,3 0,85 1 Siltes** 0,6 0,6 0,3 0,6 1 Areias 0,5 0,5 0,3 0,5 1 Valores típicos de β Tipo de solo Escavada a seco Escavada (bentonita) Hélice contínua Injetadas (raiz) Injetadas (sob pressão) Argilas 0,8 0,9 1 1,5 3 Siltes** 0,65 0,75 1 1,5 3 Areias 0,5 0,6 1 1,5 3 Quaresma, sendo considerada, para fins de segurança, a menor capacidade de carga entre os dois métodos (𝑃𝑎,geo = min(𝑃𝑎(Aoki), 𝑃𝑎(Decourt)). Observa-se que a carga admissível aumenta gradativamente com o aumento do diâmetro da estaca, devido à maior área de ponta e ao aumento da superfície lateral de contato com o solo. Dessa forma, estacas com maiores diâmetros apresentam maior capacidade resistente, permitindo suportar cargas mais elevadas da estrutura com maior segurança geotécnica. Tabela- 16 Cálculo da Carga Admissível Cálculo da Carga Admissível (Pa) D(cm) Pa,geo=min(Pa(Aoki),Pa(Decourt)) 30 404,961875 40 580,3766667 50 776,0052083 60 991,8475 70 1227,903542 Fonte: Autoria própria, 2026. 7.2.3. Estimativa de Recalques em fundações profundas Para a determinação do recalque final, o fenômeno foi dividido em etapas sucessivas de cálculo, permitindo avaliar separadamente as deformações elásticas das estacas e as deformações do solo ao longo do fuste e na região da ponta. O procedimento adotado para a estimativa do recalque encontra-se descrito a seguir: O encurtamento elástico foi calculado a parcela correspondente ao encurtamento elástico do fuste da estaca (𝜌𝑒), que representa a deformação sofrida pelo concreto da estaca quando submetido às cargas verticais transmitidas pela estrutura. Esse comportamento ocorre devido à compressão axial do elemento estrutural, provocando uma pequena redução no comprimento da estaca durante a transferência de esforços ao solo. Sua equação está expressa na Figura 3. Figura 3- recalque por encurtamento elástico do fuste da estaca Fonte: Notas de aula prof. Neto,2026. Já o recalque imediato do solo Figura 4, ocorre devido à compressão das camadas situadas ao redor do fuste e abaixo da ponta da estaca durante a transferência das cargas estruturais. Sua estimativa é importante para avaliar o desempenho da fundação em serviço e verificar se as deformações permanecem dentro dos limites admissíveis estabelecidos pelas normas técnicas. Figura 4- Estimativa do recalque elástico imediato do solo Fonte: Notas de aula prof. Neto,2026. A equação apresentada na Figura 5 é utilizada para calcular o acréscimo de tensão vertical no solo (Δ𝜎𝑝) causado pela carga transmitida pela ponta da estaca. Esse aumento de tensão ocorre nas camadas localizadas abaixo da fundação e é fundamental para a estimativa do recalque imediato do solo. Figura 5- Acréscimo de tensão vertical na cota de ponta Fonte: Notas de aula prof. Neto,2026 O acréscimo de tensão (Δ𝜎) (Figura 6) no solo representa a distribuição das cargas de uma estrutura nas camadas do terreno abaixo da fundação. Em outras palavras, esse conceito mostra como o peso da edificação se propaga pelo solo, aumentando as tensões internas do maciço terroso. A análise desse acréscimo é fundamental na engenharia geotécnica, pois permite estimar deformações e recalques que podem ocorrer após a construção da estrutura. Figura 6- Acréscimo de tensão vertical total Fonte: Notas de aula prof. Neto,2026. Após a realização de todos os cálculos analíticos incluindo o encurtamento elástico do fuste da estaca, a distribuição dos acréscimos de tensão no solo e a análise das deformações das camadas do terreno foi possível elaborar a Tabela 17, que apresenta a estimativa dos recalques para os diferentes diâmetros de estacas analisados no projeto. Tabela – 17 Recalque Total D(m) Ec Ap 𝜌𝑒(m) 𝜌𝑒(mm) 𝜌s(mm) 𝜌t(mm) 0,3 2100000 0,07065 0,000114756 1,147557857 2,465677241 3,613235099 0,4 2100000 0,1256 0,00024754 2,475396571 2,360113343 4,835509915 0,6 2100000 0,2826 0,001007805 10,07805429 2,012151114 12,0902054 Fonte: Autoria própria, 2026. O recalque total calculado (𝜌𝑡), obtido pela soma do encurtamento elástico da estaca (𝜌𝑒) com o recalque do solo (𝜌𝑠), apresentou o menor valor para a estaca com diâmetro de 0,40 m, resultando em apenas 2,61 mm. De modo geral, todos os diâmetros analisados apresentaram recalques muito baixos, na ordem de milímetros, permanecendo bem abaixo dos limites admissíveis estabelecidos pela ABNT NBR 6122. Esses resultados demonstram que o sistema de fundação adotado apresenta bom desempenho, segurança e estabilidade para as condições de serviço da estrutura. A análise apresentada na Tabela 17 demonstra o comportamento do sistema de fundação profunda sob condições de serviço. Observa-se que o aumento do diâmetro das estacas proporcionou uma redução gradual do recalque do solo (𝜌𝑠), passando de 2,47 mmpara 2,01 mm. Esse comportamento ocorre porque estacas com maiores diâmetros possuem maior área de contato com o solo, distribuindo melhor as tensões e reduzindo os efeitos das cargas nas camadas inferiores do terreno. Por outro lado, o encurtamento elástico do fuste da estaca (𝜌𝑒) apresentou aumento conforme o crescimento do diâmetro. Como resultado da soma dessas parcelas, o recalque total (𝜌𝑡) variou entre 3,61 mme 12,09 mm. Mesmo com essa variação, todos os valores obtidos permaneceram muito abaixo dos limites admissíveis estabelecidos pela ABNT NBR 6122, demonstrando que as fundações apresentam desempenho satisfatório, segurança estrutural e estabilidade adequada para as condições de carregamento da edificação. 8. CONCLUSÃO Este trabalho permitiu analisar as condições geotécnicas do solo de Florianópolis/SC, com foco na unidade AQsq1, caracterizada pela presença de camadas de argila orgânica muito mole, nível de água elevado e proximidade de edificações vizinhas. Essas condições exigem atenção especial na escolha do sistema de fundação, buscando garantir segurança estrutural, controle de recalques e preservação das construções próximas.