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Perfil e Personalidade
Empreendedora
Capítulo 3 - Apostila Completa
Empreendedorismo Governamental | Prof. Evandro Tsufa
Introdução ao Capítulo 3
• Foco: Compreender quem é o empreendedor
• Análise: Perfil e características comportamentais
• Conceitos: Empreendedor, intraempreendedor e suas diferenças
• Ferramentas: Canvas como suporte ao empreendedorismo
• Objetivo Final: Identificar o potencial empreendedor
Perfil e Personalidade Empreendedora
• Perfil: Conjunto de características comportamentais observáveis
• Personalidade: Traços psicológicos duráveis do indivíduo
• Integração: Perfil + personalidade = empreendedor identificado
• Variação: Cada empreendedor é único em sua combinação
• Desenvolvimento: Pode ser aprendido e desenvolvido ao longo do tempo
Atitudes Inovadoras e Inquietas
• Saem do estado de homeostasia: Não se contentam com status quo
• Buscam novos horizontes: Exploram oportunidades contínuamente
• Potencial empreendedor: Quanto maior, maior capacidade de inovar
• Impacto ambiental: Modificam o lugar onde vivem
• Consequência: Geram transformação e desenvolvimento local
Características Principais do Empreendedor
• Visão clara e intuição aguçada
• Criatividade e espírito inovador
• Capacidade de assumir riscos calculados
• Motivação intrínseca e determinação
• Liderança efetiva e comunicação clara
• Flexibilidade e capacidade de adaptação
• Orientação para resultados e ação
Motivações do Empreendedor
Intrínsecas
Realização pessoal, autonomia, independência
Econômicas
Geração de renda, riqueza, lucro
Sociais
Impacto comunitário, transformação social
Empreendedor vs Intraempreendedor
Empreendedor
• Cria novo negócio
• Assume todos os riscos
• Controla decisões
• Busca lucro próprio
• Independente
Intraempreendedor
• Inova dentro da organização
• Risco compartilhado
• Restrições hierárquicas
• Resultado para empresa
• Integrado à estrutura
O Mito do Empreendedor
• Mito 1: Empreendedor nasce, não se faz
• Realidade: Habilidades empreendedoras podem ser desenvolvidas
• Mito 2: Precisam de ideias brilhantes e únicas
• Realidade: Excelência em execução importa mais que originalidade
• Mito 3: Vão ganhar muito dinheiro rapidamente
• Realidade: Sucesso exige tempo, dedicação e paciência
Atributos Psicológicos do Empreendedor
• Necessidade de Realização (Nach): Busca por desafios e conquistas
• Locus de Controle Interno: Creem que controlam seu destino
• Tolerância ao Risco: Calculada e não irresponsável
• Criatividade: Pensam diferente e geram soluções inovadoras
• Otimismo: Confiança nas possibilidades de sucesso
O Empreendedor, o Gerente e o Técnico
Tipologia de Ações Organizacionais
• Técnico: Executa tarefas especializadas com expertise
• Gerente: Organiza, controla e otimiza recursos
• Empreendedor: Cria, inova e transforma
• Integração: Organizações precisam dos três tipos
Diferenças Funcionais: Foco e Visão
Técnico
Foco na tarefa e qualidade técnica
Gerente
Foco em processos e eficiência
Empreendedor
Foco em oportunidades e crescimento
O Empreendedor Estratégico
• Definição: Combina visão empreendedora com pensamento estratégico
• Característica: Enxerga além do imediato, planeja o futuro
• Ação: Cria estratégias sustentáveis, não apenas ideias isoladas
• Foco: Crescimento sistematizado e escalável
• Resultado: Construção de organizações duráveis e competitivas
Visão Estratégica do Empreendedor
• Identifica tendências de mercado e mudanças
• Alinha recursos com oportunidades
• Pensa em cenários futuros possíveis
• Comunica visão de forma inspiradora
• Constrói modelos de negócios sustentáveis
• Adapta estratégia conforme contexto muda
Escola Empreendedora de Mintzberg
• Enfoque: Intuição, julgamento, sabedoria, experiência
• Processo: Descritivo, não prescritivo
• Liderança: Visão pessoal do empreendedor como motor
• Estratégia: Emerge da visão e se implementa gradualmente
• Flexibilidade: Responde a mudanças do ambiente rapidamente
Visão: Joseph Schumpeter e Destruição Criativa
• Conceito-chave: Destruição Criativa
• Significado: Inovações radicais que destroem estruturas antigas
• Empreendedor como: Criador de inovações que mudam mercados
• Ação: Fazer coisas novas ou velhas de forma inovadora
• Impacto: Transformação completa de setores ou mercados
O Canvas como Ferramenta de Apoio
• Definição: Ferramenta visual para modelar negócios
• Objetivo: Simplificar e estruturar ideias empreendedoras
• Vantagem: Análise rápida de viabilidade antes de implementação
• Formato: Tela única com componentes principais
• Uso: Empresas iniciantes a grandes corporações
Origens do Business Model Canvas
• Criador: Alexander Osterwalder
• Publicação: 2008 - "Business Model Generation"
• Inspiração: Simplificar planos de negócios complexos
• Evolução: De conceito acadêmico a ferramenta universal
• Adoção: Startups, corporações, órgãos públicos e ONGs
Os Nove Componentes do Canvas
• 1. Segmento de Clientes: Quem você atende?
• 2. Proposta de Valor: O que você oferece de único?
• 3. Canais: Como você distribui/comunica?
• 4. Relacionamento com Cliente: Como você se relaciona?
• 5. Fluxo de Renda: Como você ganha dinheiro?
Os Nove Componentes - Continuação
• 6. Recursos Principais: O que você precisa para operar?
• 7. Atividades Principais: O que você faz principalmente?
• 8. Parcerias-Chave: Com quem você se alinha?
• 9. Estrutura de Custos: Quais são seus custos principais?
• Integração: Esses 9 elementos formam um sistema equilibrado
Estrutura Visual do Canvas
Lado Esquerdo: Como criamos valor
Centro: A proposta de valor
Lado Direito: Como geramos e capturamos valor• Formato visual único em uma página
• Facilita comunicação entre stakeholders
• Permite iterações rápidas e testes
• Reduz tempo de planejamento
Segmentação de Clientes no Canvas
• Questão Central: Para quem estou criando valor?
• Segmentação: Diferentes grupos com necessidades distintas
• Importância: Nem todo cliente tem mesma relevância
• Estratégia: Focar em 1-3 segmentos principais inicialmente
• Validação: Entender profundamente o comportamento dos clientes
Proposta de Valor no Canvas
• Essência: Por que o cliente escolhe você?
• Componentes: Benefícios + Diferenciação
• Tipos de Valor: Quantitativo (preço, velocidade) e Qualitativo (design, marca)
• Avaliação: Resolve problemas reais dos clientes?
• Comunicação: Deve ser clara, simples e memorável
Canais de Distribuição no Canvas
• Objetivo: Como chegar até o cliente?
• Canais Diretos: Venda direta, e-commerce, própria loja
• Canais Indiretos: Distribuidores, revendedores, parceiros
• Canais Digitais: Internet, redes sociais, plataformas
• Mix de Canais: Combinação estratégica para máximo alcance
Relacionamento com Cliente no Canvas
• Tipos: Pessoal dedicado, autoatendimento, comunidade, automatizado
• Objetivos: Atrair, reter e aumentar valor do cliente
• Personalização: Customização conforme necessidade do segmento
• Retenção: Custo menor reter que conquistar novo cliente
• Feedback Loop: Contínua melhoria baseada em feedback
Fluxo de Renda (Revenue Streams)
• Modelos de Preço: Venda por unidade, subscrição, freemium, leilão
• Diversificação: Múltiplas fontes de receita reduz risco
• Elasticidade: Como os clientes querem pagar?
• Viabilidade: Receitas devem cobrir custos e gerar lucro
• Escalabilidade: Modelo deve permitir crescimento
Recursos Principais no Canvas
• Tipos: Físicos (fábricas, estoques), Intelectuais (patentes, marca)
• Continuação: Humanos (equipe, expertise), Financeiros (dinheiro, crédito)
• Identificação: O que é absolutamente necessário para funcionar?
• Propriedade: Próprios vs. alugados/parcerias
• Criticalidade: Diferenciam você da concorrência?
Atividades Principais no Canvas
• O que fazemos: Produção, resolução de problemas, plataforma
• Processos Críticos: Quais atividades geram diferenciação?
• Alocação de Recursos: Onde investe a maioriado tempo/dinheiro?
• Cadeia de Valor: Como as atividades se conectam?
• Eficiência: Pode ser melhorada ou automatizada?
Parcerias-Chave no Canvas
• Tipos: Fornecedores, competidores (coopetição), alianças estratégicas
• Benefícios: Reduz custos, compartilha riscos, acesso a expertise
• Complementaridade: Parceiros preenchem lacunas de capacidade
• Win-Win: Parcerias precisam ser mutuamente benéficas
• Seleção: Escolher parceiros alinhados com valores
Estrutura de Custos no Canvas
• Custos Fixos: Aluguel, salários, infraestrutura (não variam)
• Custos Variáveis: Matéria-prima, comissões (variam com produção)
• Economia de Escala: Custos unitários diminuem com volume
• Equilíbrio: Relação custos vs. receitas define viabilidade
• Otimização: Buscar reduzir custos sem sacrificar qualidade
Aplicação Prática do Canvas
• Fase 1: Preenchimento inicial com hipóteses
• Fase 2: Validação com clientes reais
• Fase 3: Iteração e ajustes conforme feedback
• Fase 4: Refinamento do modelo para implementação
• Contínuo: Revisão periódica conforme mercado evolui
Aplicação do Canvas no Setor Público
• Adaptação: "Cliente" = "Cidadão"
• Proposta de Valor: Impacto social, bem-estar público
• Fluxo de Renda: Orçamento público, arrecadação, taxas
• Parcerias: Com outras instituições públicas e setor privado
• Benefício: Clarifica como governo cria valor público
Desafios na Aplicação do Canvas
• Excesso de Simplicidade: Pode ocultar complexidades importantes
• Validação Adequada: Hipóteses devem ser testadas com rigor
• Adaptação Contínua: Não é documento estático, é vivo
• Foco Múltiplo: Difícil equilibrar 9 componentes simultaneamente
• Execução: Canvas é começar, não o fim do processo
Ferramentas Complementares ao Canvas
• Lean Canvas: Versão simplificada focada em riscos
• Value Proposition Canvas: Aprofunda proposta de valor
• Matriz SWOT: Análise interna e externa
• Análise de Cenários: Preparação para futuros possíveis
• Plano Financeiro: Detalha viabilidade econômica
Conclusão: Desenvolvendo Potencial
O perfil empreendedor não é fixo — é um conjunto de habilidades
que pode ser desenvolvido e aprimorado continuamente
Combine intuição, estratégia e ferramentas como o Canvas
para transformar ideias em realidade de impacto
Referência
TSUFA, Evandro. Empreendedorismo governamental. 4. ed. rev.,
atual. e ampl. Florianópolis: Departamento de Ciências da
Administração, UFSC; Brasília: CAPES; UAB, 2016.

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