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Prof. Gilberto Figueiredo 
UNIDADE IV – CARGA E DEMANDA 
 
 
4.1. INTRODUÇÃO 
 
 
Determinar a potência de alimentação necessária para atender as cargas da instalação 
elétrica é essencial para a concepção econômica e segura de uma instalação. Deve-se sempre 
garantir que a especificações dos componentes estejam, quando em operação, dentro de limites 
adequados de queda de tensão e de elevação de temperatura tanto dos condutores quanto dos 
dispositivos de proteção e seccionamento. 
Devem ser considerados os equipamentos de uso final a serem alimentados, de acordo 
com as suas respectivas potências nominais para calcular a potência de alimentação de uma 
instalação ou de parte desta. Adicionalmente, deve-se aplicar os fatores de não-simultaneidade 
de funcionamento das cargas, assim como considerar uma demanda reprimida de reserva para 
futuras ampliações. 
 
 
4.2. PREVISÃO DE CARGAS 
 
 
A ABNT NBR 5410:2004 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão define as considerações 
gerais e específicas para a determinação da carga de uma instalação elétrica. De forma geral, a 
carga considerada de um aparelho de uso final deve ser a potência nominal absorvida pelo 
mesmo, indicada pelo fabricante ou calculada a partir dos valores nominais de 
corrente/tensão/fator de potência. Caso o fabricante disponibilize somente a potência de saída 
do equipamento, como é o caso dos motores, por exemplo, deve-se considerar ainda a eficiência 
(rendimento) do mesmo. 
Na ABNT NBR 5410:2004 também há prescrições especiais aplicáveis a locais específicos 
utilizados como banheiro, piscina, compartimentos condutivos e locais com aquecedores de 
sauna. 
Além disso, há definições aplicáveis aos locais utilizados como habitação, as quais serão 
tratadas aqui. Essas habitações podem ser fixas ou temporárias e compreendem as unidades 
residenciais como um todo. No caso de hotéis, motéis, flats, apart-hotéis, casas de repouso, 
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condomínios, alojamentos e similares, dizem respeito às acomodações destinadas aos hóspedes, 
aos internos e aquelas que servem de moradia aos trabalhadores do estabelecimento. 
 
4.2.1. Cargas de iluminação 
 
Como regra geral, as cargas de iluminação devem ser determinadas como resultado da 
aplicação, por exemplo, da ABNT NBR ISSO/CIE 8995-1:2013 - Iluminação de ambientes de 
trabalho – Parte 1: Interiores. Para os aparelhos fixos de iluminação a descarga, a potência 
nominal a ser considerada deve incluir a potência das lâmpadas, as perdas e o fator de potência 
dos equipamentos auxiliares. 
Como alternativa, a ABNT NBR 5410:2004 define que as cargas de iluminação em 
unidades residenciais, hotéis e similares podem ser determinadas utilizando-se os seguintes 
critérios: 
• Em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m² deve ser prevista 
uma carga mínima de 100 VA; 
• Em cômodos ou dependências com área superior a 6 m² deve ser prevista uma carga 
mínima de 100 VA para os primeiros 6 m² e um acréscimo de 60 VA para cada 
aumento de 4 m² inteiros. 
Exemplo: Para uma área com 29 m², deve-se considerar: 
 
100 VA para os primeiros 6 m². 
23 
4
= 5,75 para os 23 m² restantes. Considerando-se somente o inteiro, tem-se: 
5 x 60 VA= 300 VA. 
Desse modo, a carga total a ser considerada será de 400 VA. 
 
Os valores mostrados correspondem à potência dedicada aos equipamentos de 
iluminação de interiores para fins de dimensionamento do circuito de alimentação dessas cargas 
e não necessariamente refletem à potência nominal das lâmpadas a serem utilizadas. Nesse 
contexto, os valores bases indicados na ABNT NBR 5410:2004 estão defasados, uma vez que 
foram concebidos a partir da previsão de uso de iluminação incandescente. Desde 2016 as 
lâmpadas incandescentes com potência superior a 40 W estão proibidas de serem 
comercializadas no país, com base na PORTARIA INTERMINISTERIAL MME-MCT-MDIC nº 
1007/2010. 
No caso de se utilizar carga de iluminação baseada em LED’s (Light Emitting Diode) e 
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lâmpadas fluorescentes, sugere-se reduzir os valores de potência definidos neste tópico, uma vez 
que os LED’s e as lâmpadas fluorescentes são mais eficientes do que as incandescentes. Como 
regra geral, pode-se atribuir ¼ da potência para essas cargas de iluminação mais eficientes. 
Devem ser previstos pontos de luz para todos os cômodos e dependências da 
edificação, inclusive em as áreas externas descobertas como jardins, quintais, áreas de lazer, etc. 
Os requisitos especiais demandados pela ABNT NBR 5410:2004 em termos do Índice de Proteção 
(IP) das instalações terminais, da tensão de operação e do nível de proteção elétrica requerida 
devem ser atendidos. 
 
4.2.2. Pontos de tomada 
 
Devem ser previstos pontos de tomada para atendimento de cargas gerais e específica 
da instalação. Tais pontos são utilizados para alimentar os aparelhos e máquinas em residências, 
escritórios, oficinas e outros. Podem ser divididas em duas categorias: 
✓ Tomadas de uso geral (TUG’s): são aquelas projetadas para alimentar outros 
aparelhos em geral, que não sejam os fixos e os estacionários. 
✓ Tomadas de uso específico (TUE’s): são aquelas projetadas para atender 
aparelhos fixos ou estacionários, que, embora possam ser removidos, 
trabalham sempre em um determinado local (Exemplos: Chuveiros elétricos, 
aparelhos de ar condicionado e máquinas de lavar roupa). Devem ser 
instaladas a no máximo 1,5m de distância do local previsto para a colocação 
do aparelho. Os pontos de tomada destinados a alimentar mais de um 
equipamento devem ser providos com a quantidade adequada de tomadas. 
Todo ponto de utilização previsto para alimentar, de modo exclusivo ou 
virtualmente dedicado, equipamento com corrente nominal superior a 10 A 
deve constituir um circuito independente. 
 
O número mínimo de pontos de tomada TUG adequado para o projeto depende do uso 
do cômodo. Para as instalações residenciais tem-se que: 
• Salas e dormitórios: pelo menos um ponto de tomada para cada 5 m ou fração de 
perímetro, uniformemente distribuídos pelo cômodo. Deve-se evitar localizar TUG’s 
atrás de portas e janelas. 
• Cozinhas ou copas-cozinhas: um ponto de tomada para cada 3,5 m ou fração de 
perímetro. Acima de cada bancada com largura superior a 30 cm devem ser 
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previstos, pelo menos, dois pontos de tomada na altura da bancada. 
• Banheiros: um ponto de tomada perto da pia 
• Subsolos, sótãos, garagens e varandas: no mínimo uma tomada. 
• Outros cômodos ou dependências: pelo menos um ponto de tomada a cada 5 m ou 
fração de perímetro quando a área do cômodo for maior que 6 m². Se a área do 
cômodo for igual ou inferior a 6 m² e superior a 2,25 m² deve ser previsto, pelo 
menos, um ponto de tomada. No caso de área inferior a 2,25 m², deve ser previsto, 
no mínimo, um ponto de tomada, admitindo-se que, em função das dimensões 
reduzidas desse local, o ponto possa ser posicionado externamente à dependência 
a até 80 cm, no máximo, da sua porta de acesso. 
No caso de instalações comerciais, tem-se que: 
• Escritório com área ≤ 40 m²: uma tomada para cada 3 m ou fração de perímetro, ou 
uma tomada para cada 4 m² ou fração de área (adota-se o critério que resultar no 
maior número de tomadas). 
• Escritório com área > 40 m²: dez tomadas para os primeiros 40 m²; uma tomada para 
cada 10 m² ou fração de área restante. 
• Lojas: uma tomada para cada 30 m² ou fração, não computadas as tomadas 
destinadas a lâmpadas, vitrines e demonstração de aparelhos. 
 
Em relação à potência prevista em cada ponto de tomada, deve-se analisar o fim a que 
se destina o ponto considerando as seguintes circunstâncias: 
• Em halls de serviço, salas de manutenção e salas de equipamentos,tais como casas 
de máquinas, salas de bombas, barriletes e locais análogos, deve ser previsto no 
mínimo um ponto de tomada de uso geral. Aos circuitos terminais respectivos deve 
ser atribuída uma potência de no mínimo 1000 VA; 
• quando um ponto de tomada for previsto para uso específico, deve ser a ele 
atribuída uma potência igual à potência nominal do equipamento a ser alimentado 
ou à soma das potências nominais dos equipamentos a serem alimentados. Quando 
valores precisos não forem conhecidos, a potência atribuída ao ponto de tomada 
deve seguir um dos dois seguintes critérios: 
✓ potência ou soma das potências dos equipamentos mais potentes que o 
ponto pode vir a alimentar, ou 
✓ potência calculada com base na corrente de projeto e na tensão do circuito 
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respectivo. 
 
• No caso de instalações residenciais, deve-se considerar em banheiros, cozinhas, 
copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais semelhantes: 600 VA 
por tomada para as três primeiras tomadas; 100 VA para as demais. Quando o total 
de tomadas, no conjunto desses ambientes, for superior a seis pontos, admite-se 
que o critério de atribuição de potências seja de, no mínimo, 600 VA por ponto de 
tomada até dois pontos e 100 VA por ponto para os excedentes, sempre 
considerando cada um dos ambientes separadamente. 
• Em outros cômodos ou dependências residenciais se deve considerar 100 VA por 
TUG. 
• Quando se trata de instalações elétricas comerciais, deve-se prever 200 VA por TUG. 
 
Devem ser previstos pontos de tomadas para todos os cômodos e dependências da 
edificação, inclusive em as áreas externas descobertas como jardins, quintais, áreas de lazer, etc. 
Os requisitos especiais demandados pela ABNT NBR 5410:2004 em termos do Índice de Proteção 
(IP) das instalações terminais, da tensão de operação e do nível de proteção elétrica requerida 
devem ser atendidos. 
 
 
4.3. PREVISÃO DA CARGA INSTALADA 
 
 
As informações de todas as dependências da instalação podem ser organizadas em uma 
tabela onde são indicadas as respectivas áreas e perímetros, além das quantidades de pontos de 
luz e tomadas de cada cômodo. A carga instalada é a soma das potências alocadas para os pontos 
luz e TUG’s mais a soma das potências nominais dos equipamentos elétricos instalados na 
unidade consumidora, em condições de entrar em funcionamento. Ela é expressa em 
quilovolt ampère (kVA) ou em quilowatts (kW), considerando-se o fator de potência presumível 
para a instalação. 
A definição da carga instalada auxilia na elaboração da divisão da instalação em circuitos 
e, posteriormente, no dimensionamento das linhas elétricas e das proteções dos circuitos. Para 
algumas concessionárias de energia, a demanda calculada para fins de definição do padrão de 
entrada é definida a partir dos valores atribuídos para a carga instalada, aplicando-se um fator de 
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demanda que depende da natureza da carga. A Figura 4.1 mostra um exemplo de planilha que 
auxilia na memória de cálculo da carga instalada presumida em uma instalação elétrica. 
 
 
Cômodo Área Perímetro N° de pts Pot. Unit Ptotal (VA) N° de pts P (VA) Ptotal (VA) Aparelho P (VA)
Estar/jantar 29,3075 22,3 2 200 400 5 100 500
Ar condicionado 1500
Computador 600
Ar condicionado 1500
Computador 600
2X600
2X100
2X600
1X100
Banheiro S1 2,47 6,35 1 100 100 1 600 600 Chuveiro elétrico 4500
Banheiro S2 2,47 6,35 1 100 100 1 600 600 Chuveiro elétrico 4500
Banheiro serviço 2,7 6,6 1 100 100 1 600 600
Lavabo 2,05 6,1 1 100 100 1 600 600
Pátio 3,96 9,4 1 100 100 1 100 600
Circulação 8,45 18,9 3 40 120 1 100 600
14 1600 24 7400 15000
Total (kVA)
600100 3 1300 máquina de lavarÁrea de serviço 1
12,47
Cozinha 13,42 13
Suite 2
100
1
5 9,7
3
160
12,47 14,9
1200160 4 1400 Microondas
300
300
1 160 160
24
3 100
TUGs
160
Dimensões
14,9 160Suite 1
100
TUEsPontos de Luz
1
 
Figura 4.1 - Quadro com a memória de cálculo da carga instalada. 
 
No caso das TUE’s, quando não se tem a potência exata do equipamento de uso final 
ser utilizado, é indicado considerar a potência média dos aparelhos domésticos e de 
aquecimento, e a potência nominal dos aparelhos de ar condicionado. A Figura 4.2 apresenta a 
potência aparente típica de alguns eletrodomésticos. 
 
 
 
 
 
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Ar-condicionados tipo janela 
 
Figura 4.2 - Potência média de alguns aparelhos eletrodomésticos. (Adaptado de ND-5.1) 
 
 
4.4. CÁLCULO DA DEMANDA DA INSTALAÇÃO 
 
 
Define-se a Demanda (D) de uma instalação como a carga requerida pelos circuitos 
terminais tomada em um valor médio dado num determinado intervalo de tempo. Entende-se 
como carga a aplicação que está sendo aferida em termos de potência, seja aparente, ativa ou 
reativa. No nosso caso, abrangeremos as análises em termos da demanda aparente. O período 
no qual é tomado o valor médio é designado como intervalo de demanda, sendo que quando 
este tende a zero, temos a demanda instantânea. Já a Demanda Máxima (Dmáx) é definida como 
a maior demanda registrada no intervalo de demanda. 
Em uma instalação elétrica, raramente todos os pontos de luz e tomadas serão 
utilizados ao mesmo tempo em valores nominais, ou seja, a demanda instantânea de uma 
instalação dificilmente será igual à sua carga instalada. É mais provável que isso ocorra em 
pequenas residências do que em grandes moradias. Para equacionar isso, define-se Fator de 
Demanda (fD) como a razão entre a demanda máxima registrada em um intervalo e a carga 
instalada, como mostra a Equação 4.1. O fD é adimensional e geralmente menor que a unidade, 
mas quando fD for maior do que 1 significa que o sistema analisado está operando em sobrecarga. 
 
𝑓𝐷 =
𝐷𝑚á𝑥
∑𝐷𝑛𝑜𝑚
 
Equação 4.1 
 
Em relação aos alimentadores das instalações (ou de partes da mesma), percebe-se que 
o mesmo opera com carga variável ao longo do dia, portanto o alimentador deve ser avaliado 
para a condição de demanda máxima, uma vez que nesta o alimentador estará sujeito às 
condições mais severas de perdas ôhmicas, queda de tensão e de aquecimento. Quando se trata 
de alimentadores conectados a um conjunto de consumidores (ou conjunto de cargas específicas 
em uma instalação), a demanda máxima do conjunto não será igual à soma de suas demandas 
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máximas, uma vez que há diversidade entre os consumidores (ou cargas). 
Assim, define-se Demanda Diversificada (DDIV) de um conjunto de consumidores 
(cargas) como a somatória das demandas individuais dos consumidores (cargas) em um dado 
instante. O Fator de Diversidade (fdiv) é então definido como a razão entre a soma das demandas 
máximas dos consumidores (cargas) e a demanda diversificada máxima, conforme mostra a 
Equação 4.2. O fdiv é adimensional e geralmente maior que a unidade, mas quando for igual a 1 
significa que as demandas máximas dos consumidores (cargas) do conjunto ocorreram no mesmo 
instante. 
 
𝑓𝑑𝑖𝑣 =
∑ 𝐷𝑚á𝑥,𝑖
𝑛
𝑖=1
𝐷𝑑𝑖𝑣,𝑚á𝑥
 
Equação 4.2 
 
O procedimento de determinação da demanda da instalação define os critérios de 
cálculo de demanda para se especificar o ramal de ligação, o ramal de entrada e tipo de medição 
individual ou coletiva. Devem-se abranger as modalidades residencial, comercial e industrial, com 
fornecimento de energia em baixa tensão, na área de concessão da empresa concessionária de 
distribuição de energia elétrica. 
As concessionárias de distribuição energia devem definir e tornar público quais são os 
procedimentos adequados para o cálculo da demanda dependendo do tipo de consumidor 
(residencial, comercial e industrial). Algumas concessionárias estabelecemquais os fatores de 
demanda e de diversidade que devem ser aplicados às cargas instaladas para se definir a 
demanda da(s) unidade(s) consumidora(s), como é o caso da Light em sua Regulamentação para 
o Fornecimento de Energia Elétrica a Consumidores em Baixa Tensão, versão 2019. 
A Enel Rio de Janeiro, através da Instrução de Trabalho n° 263/2018 - Cálculo de 
Demanda para Medição de Cliente em Baixa Tensão, estabelece os critérios para o cálculo da 
demanda da instalação elétrica a ser submetida à aprovação da concessionária, seja para 
instalações novas ou para mudança de categoria de fornecimento de instalações pré-existentes. 
O documento descreve os métodos para a determinação das demandas residenciais, comerciais 
e industriais, além do procedimento de cálculo para a determinação da demanda para medição 
agrupada. 
A Enel RJ define que para unidades consumidoras residenciais, sejam as individuais ou 
agrupadas, a demanda é definida a partir da composição de módulos de demanda, indicados para 
cada cômodo da instalação, e considerando o fator de diversidade, o fator de localização, além 
das cargas especiais, se previstas, considerando a diversidade das mesmas. Já para unidades 
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consumidoras comerciais, industriais e até mesmo para as áreas comuns de condomínios 
residenciais (serviços), a demanda é calculada com base na carga instalada, aplicando-se os 
fatores de demanda e de diversidade para cada tipo de carga analisada. 
 
4.4.1. Determinação da Demanda Residencial 
 
São definidos módulos de demanda cujos valores dependem do tipo de cômodos da 
residência. Nos módulos já estão incluídas as potências de uso diário das cargas mais usuais da 
unidade consumidora residencial, conforme pode ser visto na Figura 4.3. 
 
 
 
Figura 4.3 - Módulos de demanda para unidades consumidoras residenciais. (Adaptado de IT-263, Enel RJ). 
 
Os fatores de diversidade, mostrado na Tabela 4.1, e o fator de localização devem ser 
aplicados após a definição dos módulos de demanda. O somatório dos módulos de demanda deve 
ser dividido por fdiv e multiplicado fator de localização. Este último tem a ver com a densidade 
energética do bairro onde a instalação está localizada, varia de 0,55 a 1 e é definido pela área 
comercial da distribuidora de energia, cabendo ao projetista consultar a mesma para definir a 
demanda final da instalação. 
 
Tabela 4.1 - Fatores de diversidade aplicáveis aos módulos de demanda UC residencial. (Adaptado de IT-263, Enel) 
Residências com Fator de Diversidade (fdiv) 
1 quarto 1,4 
2 ou mais quartos 1,2 
 
Adicionalmente devem ser consideradas as cargas especiais que não estão incluídas na 
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contabilização dos módulos de demanda: aparelhos de aquecimento, motores e iluminação 
especial. Considera-se iluminação especial aquelas utilizadas em jardins e fachadas, além de 
iluminação decorativa. Nesses casos, deve ser considerado fator de potência de 0,9 indutivo para 
lâmpadas à vapor de mercúrio, sódio e vapor metálico. A IT-263 é omissa em relação à iluminação 
LED e fluorescente. Nesses casos é indicado consultar o manual do fabricante do equipamento, 
pois o fator de potência dessas lâmpadas pode variar de 0,7 a 0,9 capacitivo. Para o cálculo da 
demanda de iluminação especial, considera-se unitários tanto fd quanto fdiv. 
Em relação à demanda dos aparelhos especais de aquecimento (sauna para banheiro, 
sauna convencional, hidro com aquecimento, fogão ou forno elétrico, aquecedor elétrico 
residencial e fritadeira elétrica), deve-se consultar a Figura 4.4 para obter o fator de demanda a 
ser aplicado, o qual depende da quantidade e da potência dos equipamentos especiais de 
aquecimento previstos para a instalação. No cálculo da demanda prevista de aquecimento se 
deve considerar fator de potência unitário. 
 
 
 
Figura 4.4 - Fatores de demanda aplicáveis às cargas especiais de aquecimento. (Adaptado de IT-263, Enel). 
 
São consideradas cargas motoras as bombas, os motores padrões e as hidromassagens 
sem aquecimento. O projetista deve informar à concessionária a quantidade, a potência e o tipo 
de ligação de todos os motores instalados. Para o cálculo da demanda dos motores, deve-se 
utilizar as demandas máximas mostradas na Figura 4.5. Caso haja motores de potências 
diferentes, deve-se aplicar os seguintes fatores de demanda: unitário para a maior demanda dos 
motores de mesma potência e 0,7 para o somatório das demandas dos motores restantes. A 
demanda final de motores é a soma dessas demandas diversificadas. 
 
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Demanda Residencial - ENEL 
 
 
Figura 4.5 - Determinação da demanda máxima de motores monofásicos em kVA. (Adaptado de Enel IT-263). 
 
A Demanda do Consumidor (Dc) final definida para a instalação é uma composição dos 
módulos de demanda e das cargas especiais e deve ser calculada com a Equação 4.3. 
 
𝐷𝐶 = 𝑎 + (100% 𝑑𝑎 𝑚𝑎𝑖𝑜𝑟 𝑑𝑒𝑚𝑎𝑛𝑑𝑎 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑏, 𝑐, 𝑑) + (70% ∑ 𝑏, 𝑐, 𝑑 𝑒𝑥𝑐𝑙𝑢𝑖𝑛𝑑𝑜 𝑎 𝑚𝑎𝑖𝑜𝑟) 
Equação 4.3 
Onde: 
𝐷𝐶: Demanda do Consumidor [kVA]; 
a: módulos de demanda incluindo os fatores de diversidade e localização [kVA]; 
b: demanda final dos aparelhos de aquecimento [kVA]; 
c: demanda final dos motores elétricos [kVA]; 
d: demanda final das iluminações especiais [kVA]. 
 
Após a determinação da demanda do consumidor residencial, deve-se consultar a 
Figura 4.6 para determinar o tipo de fornecimento e o padrão de entrada da instalação. 
 
 
 
Figura 4.6 - Padrão de entrada de unidades consumidoras com medição individual. (Adaptado de IT-263, Enel). 
 
 
 
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4.4.2. Determinação das Demandas Comerciais e Industriais 
 
A demanda das unidades consumidoras comerciais e industriais são determinadas a 
partir da carga instalada, sendo aplicados fatores de demanda e de diversidade dependendo do 
uso final da carga. A demanda final é obtida com a Equação 4.4. 
 
𝐷𝑐𝑜𝑚/𝑖𝑛𝑑 = 𝑎 + 𝑏 + 𝑐 + 𝑑 + 𝑒 
Equação 4.4 
Onde: 
𝐷𝑐𝑜𝑚/𝑖𝑛𝑑: Demanda final comercial/industrial [kVA]; 
a: demanda final de aquecimento calculada com a Figura 4.4 [kVA]; 
b: demanda final dos aparelhos de refrigeração de acordo com a IT-263 [kVA]; 
c: demanda final de iluminação e tomada aplicando os fd da Figura 4.7 [kVA]; 
d: demanda dos motores elétricos e soldas de acordo com a Figura 4.5 [kVA]. 
e: Demanda das máquinas de solda a transformador: 100 % da potência do maior 
aparelho + 70 % da potência do 2º maior aparelho + 40 % da potência do 3º maior 
aparelho + 30 % da potência dos demais [kVA]. 
 
 
Figura 4.7 - Fatores de demanda para iluminação e tomada de UC comerciais e industriais. (Adaptado de IT-263, Enel) 
 
A Figura 4.6 deve ser consultada após a determinação da demanda do consumidor 
comercial/industrial. para se indicar o tipo de fornecimento e o padrão de entrada da instalação 
 
As orientações contidas nesta unidade são resumidas em relação ao conteúdo da Enel 
IT-263, a qual deve ser consultada para se obter outras informações e para o entendimento mais 
amplo dos procedimentos de cálculo da demanda. Além disso, na Enel IT-263, há orientações 
para a determinação da demanda para unidades consumidoras com medição agrupada, que é o 
caso dos condomínios residenciais. Caso o objeto do projeto esteja área de abrangência de outra 
concessionária de distribuição, deve-se consultar os documentos disponibilizados pela própria 
concessionária. 
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Exemplo: Medição residencial - Casa no bairro de Santa Rosa / Niterói com: 
3 Quartos 
2 Salas 
3 Banheiros com chuveiro 
1 Área de serviço 
1 Cozinha– tipo 2 
4 Outros – Varanda, circulação, quarto de empregada e banheiro sem chuveiro 
Potências Especiais: 
1 Hidromassagem com aquecimento – 4400 W 
1 Fritadeira Elétrica – 1500 W 
2 Motores de 1/4 CV 
2 Bombas de 1/3 CV 
1 Bomba para piscina 2 CV 
6 Lâmpadas VM – 250 W para iluminação de jardim 
 
O procedimento de cálculo para determinação da demanda residencial e do padrão de 
entrada é mostrado a seguir 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
ABNT NBR 5410: 2004 - Instalações Elétricas de Baixa Tensão. 
 
 
ABNT NBR 16819:2020 - Instalações Elétricas de Baixa Tensão - Eficiência Energética. 
 
 
CREDER, H. Instalações Elétricas. Editora LTC, 16a edição, 2018. 
 
 
CARVALHO, C. C. M. M. Notas de aula de instalações elétricas. Instituto de Tecnologia, 
Universidade Federal do Pará. 2008. 
 
 
Especificação Técnica n°165 – Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Secundária. 
Enel RJ. Versão 02. 2018. 
 
 
Instrução de Trabalho nº 263 – Cálculo de Demanda para Medição de Cliente de Baixa 
Tensão. Enel RJ. Versão 01. 2018. 
 
 
NISKIER, J. Manual de Instalações Elétricas. Editora LTC, 2a edição, 2015. 
 
RECON-BT - Regulamentação para o Fornecimento de Energia Elétrica a Consumidores 
em Baixa Tensão. Light. Versão 2019. 
 
ND 5.1 - Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Secundária - Rede de Distribuição 
Aérea Edificações Individuais. CEMIG. Versão 2017

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