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Fisiopatologia da Fala e da Audição Universidade Veiga de Almeida 2025.1 Unidade 1 1. Aspectos miofuncionais nos diferentes ciclos e vida 1.1 Desenvolvimento embriológico da face 1.2 Sistema Estomatognático e suas funções 1.3 Desenvolvimento e funções da fala - do bebê ao idoso Não há conflito de interesses. Todas as imagens usadas são de uso público não comercial. Material não pode ser comercializado. Apresenta um compilado de diversas referências citadas ao logo dos slides e no plano de ensino. Sistema Estomatognático Estruturas estáticas ou passivas São os constituintes do esqueleto ósseo: Mandíbula Hióide Coluna vertebral cervical Maxilar Base do crânio Relacionados entre si por articulações (ATM, coluna) Dentes Tendões Ligamentos Aponeuroses Mucosa Baixo gasto energético para funções específicas Do ponto de vista funcional o SE está constituído por 4 elementos: • Articulação temporomandibular • Componentes neuromusculares • Superfície e pressão oclusal • Periodonto (ancoragem dos dentes) Alto gasto energético para funções específicas e em conjunto Sistema Estomatognático Estruturas dinâmicas ou ativas Funções do Sistema Estomatognático Fisiologia da Articulação Temporomandibular • Articulação com o único osso móvel do crânio • Possui articulação sinovial, dupla bilateral (uma estrutura que se articula com dois ossos) • Movimentos sincronizados (deve se considerar na avaliação) • Entre as superfícies articulares forma-se um plano de deslizamento dos côndilos Fisiologia da Articulação Temporomandibular Fisiologia da Articulação Temporomandibular A ATM é recoberta em toda a sua extensão por uma cápsula fibrosa que se fixa na margem da área articular no osso temporal e em torno do colo da mandíbula A cápsula articular é altamente vascularizada e inervada, proporcionando uma grande quantidade de informações acerca de sua posição e movimento A cápsula mantem as estruturas unidas e não permite o extravasamento do líquido sinovial Articulação temporomandibular Cápsula Articular Articulação temporomandibular Cápsula Articular Membrana fibrosa (externa) - Membrana sinovial (interna) Fisiologia da Articulação Temporomandibular Disco articular é estrutura fibrocartilaginosa que possui 2 funções: • Melhorar a adaptação na articulação • Amortecimento dos impactos na articulação Articulação temporomandibular Disco Articular Articulação temporomandibular Disco Articular O disco é fixado na cabeça da mandíbula nos polos, na cápsula e nas fibras do músc. pterigóiddeo lateral. Ele divide ATM em dois compartimentos que não se comunicam (sup e inferior). Articulação temporomandibular Disco Articular Funcionais (Verdadeiros) • Ligamento lateral (temporomandibular) • Ligamento Capsular • Ligamento Condilar Acessórios • Ligamento estilomandibular • Ligamento esfenomandibular Auxiliam na sustentação da mandíbula Articulação temporomandibular Ligamentos Auxiliam na abertura, retrusão e protrusão da mandíbula • Capsular Envolve a cápsula articular evitando extravasamento do líquido sinusal • Lateral Impede que o côndilo se desloque lateralmente ou para trás • Condilar Impede que o côndilo mandibular se desloque lateralmente ou para trás • Estilomandibular Permite a protrusão da mandíbula • Esfenomandibular Limita os movimentos de abertura da boca e protrusão da mandíbula Articulação temporomandibular Ligamentos Articulação temporomandibular Ligamentos Ligamentos funcionais: estão localizados na ATM LATERAL CONDILAR CAPSULAR Articulação temporomandibular Ligamentos ESFENOMANDIBULARESTILOMANDIBULAR Ligamentos Acessórios: NÃO estão localizados na ATM Os movimentos mandibulares são determinados pelo deslizamento do côndilo dentro da cavidade condilar. As características morfofuncionais da articulação temporomandibular humana definem-se entre os 7 e 10 anos de idade. As características morfológicas conferem à ATM humana propriedades funcionais maiores, que permitem uma alimentação omnívera, ao apresentar eficiente rotação condilar e mais limitado deslizamento lateral e antero- posterior. Articulação temporomandibular Movimentos da mandíbula A articulação temporomandibular humana apresenta dois tipos de movimentos principais: translação e rotação Articulação temporomandibular Movimentos da mandíbula Rotação O côndilo gira em torno de um eixo de rotação Translação Lateral Deslocamento lateral do côndilo Anteroposterior O côndilo segue o plano do declive A ATM funciona de maneira síncrona e harmônica, funcionando como uma unidade. Sua fisiologia está intimamente relacionada à função neuromuscular mandibular, à função oclusal e periodontal, tanto nos movimentos vazios como nos friccionais. Todos os músculos da mastigação são inervados por fibras motoras do ramo mandibular do nervo trigêmeo, enquanto a irrigação sanguínea deriva de ramos da artéria maxilar. Articulação temporomandibular O que faz com que a ATM seja tão especial? Cartilagem articular – fibrocartilagem Interdependência com a oclusão dentária Movimentos de rotação e translação associados Impulsos proprioceptivos Disco articular Articulação temporomandibular Abaixamento da mandíbula (abertura da boca) • Músculo Digástrico anterior • Músculo Milo-hióideo • Músculo Pterigóideo lateral Articulação temporomandibular Movimentos da mandíbula Elevadores da mandíbula (fechamento da boca) • Músculo Temporal • Músculo Masseter • Músculo Pterigóideo medial Abaixamento da mandíbula DIGÁSTRICO ANTERIOR Pertence a um grupo de músculos chamado de supra- hiódeos Ação - Depressão da mandíbula - Elevação do osso hióide e da laringe Ventre posterior Ventre anterior Abaixamento da mandíbula MILO-HIÓIDEO Pertence a um grupo de músculos chamado de supra-hiódeos Ação - Eleva tanto o osso hioide quanto o assoalho da boca - Rebaixa a mandíbula Abaixamento da mandíbula PTERIGÓIDEO LATERAL Pertence ao grupo dos músculos mastigatórios Ação - Auxilia na mastigação movimentando a mandíbula pra frente, para baixo e para os lados Elevadores da mandíbula TEMPORAL Pertence ao grupo dos músculos mastigatórios Ação - Auxilia na mastigação e mordida, controlando os movimentos da mandíbula. Elevadores da mandíbula MASSETER Pertence ao grupo dos músculos mastigatórios Ação - Elevar a mandíbula, fechando a boca e encostando os dentes - Protrair a mandíbula, trazendo os dentes frontais inferiores para a frente dos superiores - Retrair a mandíbula Elevadores da mandíbula PTERIGÓIDEO MEDIAL Pertence ao grupo dos músculos mastigatórios Ação - Elevar, protuir e estender a mandíbula - Mover a mandíbula de um lado para o outro Movimentos da mandíbula • Protrusão • Retração • Elevação • Depressão Músculos não citados até aqui serão citados ao estudarmos as funções do SE Inervação NERVO TRIGÊMEO (V pc) É um nervo misto (sensorial e motor) 1: oftálmico 2: maxilar 3: mandibular Ramo Maxilar - V pc Consiste de fibras sensitivas aferentes, parassimpáticas e simpáticas. Em direção ao SNC Parassimpáticas: respostas lentas Simpáticas: respostas imediatas Ramo Mandibular - V pc NERVO TRIGÊMEO (V pc) informação sensitiva do terço inferior da face Também é responsável pela inervação motora dos músculos da mastigação, músculo milo-hióideo e ventre anterior do músculo digástrico. Jugular externa Art. Temporal superficial Veia Temporal superficial Art. Maxilar Veia Maxilar Art. Carótida Externa Vascularização da ATM Drenagem venosa ocorre por meio da veia temporal superficial e veia maxilar Exame clínico • Posicionar os dedos em frente às orelhas e abrir e fechar a boca • Palpar os músculos faciais durante os movimentos de abertura, desvio lateral, protrusão e retrusão • Avaliar a qualidade e amplitude dos movimentos Avaliação da ATM Exame de imagem - RM Exame de imagem - TCOclusão dentária Define-se oclusão dentária como a relação entre os dentes, a articulação temporomandibular, os maxilares, a língua e os músculos. Quando essa relação está adequada as funções do SE (mastigar, deglutir, falar e respirar) são realizadas com eficiência. Disfunção da ATM (DTM) - Síndrome de dor e disfunção da ATM e dos músculos da mastigação. A característica mais significativa da DTM é a dor, seguida de movimento mandibular restrito e possivelmente ruídos de “estalidos” ou “cliques”. A etiologia da DTM é multifatorial, atribuída a fatores musculoesqueléticos, psicológicos e/ou neuromusculares. A sintomatologia pode ser crónica e de difícil tratamento. O tratamento inclui analgésicos, fisioterapia e terapia cognitivo- comportamental. Relevância Clínica da ATM Trismo Amplitude de movimento limitada da mandíbula, que pode ser causada por um espasmo dos músculos da mastigação. O trismo afeta significativamente a qualidade de vida do paciente, interferindo na alimentação, fala e manutenção da higiene oral adequada. Pode provocar alteração da aparência facial e pode ser angustiante e dolorosa para o paciente. No entanto, na maioria dos casos é temporária. Relevância Clínica da ATM Trismo A abertura da boca fica menor do que 2,5 centímetros, ou seja, isso dificulta falar, alimentar e manter a higiene oral adequada. Relevância Clínica da ATM Etiologia - Trismo intra-articular: osteoartrite, luxação,... - Trismo extra-articular: infecções, hematomas, tétano, má oclusão, ... Tratamento Dependerá da causa Luxação da ATM Condição dolorosa que ocorre devido a trauma ou abertura excessiva da mandíbula (por exemplo, bocejo, procedimentos odontológicos). A luxação da ATM é frequentemente bilateral. Os espasmos subsequentes dos músculos masseter, temporal e pterigoideo interno podem resultar em trismo, impedindo o regresso do côndilo à fossa temporal. Relevância Clínica da ATM Luxação da ATM Relevância Clínica da ATM Artrite da ATM Doença degenerativa da ATM. Caracteriza-se por rutura da cartilagem articular, alterações no osso e degeneração dos tecidos sinoviais causando dor e/ou disfunção durante os movimentos funcionais da mandíbula, provocando estalidos articulares ou crepitação. Relevância Clínica da ATM Artrite reumatoide é uma doença autoimune, causada pela agressão do sistema imunológico ao próprio organismo - neste caso, as articulações sinoviais são os principais alvos. Deve-se atentar e avaliar de maneira cuidadosa a cavidade or al dos pacientes portadores de (AR) Tratamento é realizado com medicamentos, fisioterapia, repouso, aparelhos orais e, em casos mais graves, cirurgia. Relevância Clínica da ATM