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ATITUDES E HABILIDADES 
PARA PRÁTICA DE 
ENFERMAGEM II 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Johannes Abreu de Oliveira 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá! Hoje vamos mergulhar em um dos pilares da prática de enfermagem: 
o cuidado com a pele, com as feridas e com os dispositivos cirúrgicos. Esses 
cuidados não são apenas procedimentos técnicos, eles também representam o 
compromisso ético e humano que temos com o bem-estar, a segurança e a 
recuperação dos nossos pacientes. 
Começamos com aquilo que é mais básico, mas também mais essencial: 
os cuidados de higiene e conforto. São ações que, quando bem executadas, 
promovem dignidade, aliviam o sofrimento e criam as condições ideais para que 
o corpo se recupere. A partir daí, avançamos para o entendimento da pele como 
estrutura viva e complexa, que protege, comunica e responde às agressões 
externas. 
Com esse conhecimento, vamos explorar as feridas, como se formam, 
como se classificam e como devem ser cuidadas com atenção e técnica. 
Também vamos entender as lesões por pressão, que muitas vezes surgem 
silenciosamente, mas podem causar grandes impactos se não forem prevenidas 
com responsabilidade e olhar clínico. 
Por fim, vamos abordar os drenos cirúrgicos, dispositivos que auxiliam na 
cicatrização e exigem do enfermeiro uma atuação precisa, cuidadosa e vigilante. 
Saber como avaliar, trocar curativos e monitorar a drenagem é parte fundamental 
do cuidado integral. 
Ao longo da aula, você será convidado a refletir, analisar casos reais e 
aplicar raciocínio clínico. Mais do que decorar conteúdos, o objetivo é 
desenvolver competências que farão diferença na sua prática profissional. 
Vamos juntos transformar conhecimento em cuidado? 
TEMA 1 – CUIDADOS DE HIGIENE E CONFORTO 
A Sra. Eunice, de 79 anos, reside em uma instituição de longa 
permanência e foi submetida recentemente a uma ressecção de cólon. Sua 
história clínica é marcada por múltiplas comorbidades, como artrite reumatoide, 
diabetes melito, hipertensão arterial e obesidade grau III, com índice de massa 
corporal de 40. As deformidades articulares causadas pela artrite resultam em 
dor crônica e significativa limitação funcional, especialmente nas mãos e nos 
joelhos, dificultando a realização de atividades de autocuidado. Embora viva 
 
 
3 
sozinha, conta com o apoio da neta Jamie, estudante de enfermagem, que 
assumirá parte dos cuidados no domicílio após a alta hospitalar. 
A higiene corporal é um aspecto central no cuidado de enfermagem, pois 
contribui para o conforto, a segurança e o bem-estar do paciente. Além de 
manter a limpeza e a aparência física, o cuidado com a higiene está relacionado 
à prevenção de complicações, ao fortalecimento da autoestima e à promoção da 
saúde. Esses cuidados são influenciados por fatores físicos, emocionais, sociais, 
econômicos e culturais, devendo sempre ser adaptados às condições e 
necessidades individuais. Em pacientes com limitações funcionais, como no 
caso da Sra. Eunice, o enfermeiro deve avaliar a capacidade de autocuidado e 
propor estratégias que preservem a privacidade, promovam a independência e 
respeitem a dignidade (Potter et al., 2024). 
O planejamento dos cuidados deve ser centrado na paciente, 
considerando suas limitações físicas e preferências pessoais. O uso da 
comunicação terapêutica é essencial para criar um vínculo de confiança, 
permitindo que a paciente participe ativamente das decisões e do processo de 
cuidado. No ambiente domiciliar, a cuidadora deve ser orientada sobre técnicas 
seguras e eficazes, prevenindo riscos e garantindo a continuidade dos cuidados. 
Devido à limitação motora e ao risco de fadiga, o banho parcial no leito é 
o mais indicado para a Sra. Eunice. Esse tipo de banho prioriza a limpeza das 
áreas que acumulam maior sujidade ou geram desconforto, como mãos, face, 
axilas e região perineal. O uso de toalhas umedecidas com solução de 
clorexidina pode ser um recurso eficaz para reduzir o risco de infecções 
associadas à assistência à saúde. 
Os cuidados com a pele são indispensáveis, especialmente em pacientes 
com diabetes e obesidade, que apresentam maior risco de lesões cutâneas e 
cicatrização mais lenta. A pele deve ser inspecionada regularmente, observando 
alterações de cor, textura, hidratação e integridade. O uso de sabonetes suaves, 
loções hidratantes e a evitação de água muito quente são medidas importantes. 
Além disso, uma alimentação equilibrada e hidratação adequada contribuem 
para a manutenção da saúde cutânea. 
A higiene oral deve ser realizada, no mínimo, duas vezes ao dia, utilizando 
creme dental fluoretado. Em pacientes com dificuldade de segurar ou manusear 
a escova, é possível utilizar dispositivos adaptados. Em situações de risco 
 
 
4 
aumentado para infecções, como no caso de pacientes imunossuprimidos, 
recomenda-se o uso de enxaguantes bucais com clorexidina a 0,12%. 
O cuidado com a higiene íntima deve ser conduzido com sensibilidade e 
profissionalismo, respeitando a privacidade da paciente e utilizando técnica 
adequada. A limpeza com clorexidina é segura para a região perineal e ajuda na 
prevenção de infecções, sendo fundamental a inspeção regular para identificar 
sinais de irritação, infecção ou lesões. 
Os pés e unhas também merecem atenção especial, principalmente em 
pacientes diabéticos. Não é recomendada a imersão prolongada dos pés, a fim 
de evitar a maceração da pele. As unhas devem ser cortadas de forma reta, 
preferencialmente com orientação médica, e a inspeção diária é essencial para 
prevenir úlceras e infecções. 
Após o banho, uma massagem suave na região dorsal pode promover 
relaxamento muscular, reduzir o desconforto e contribuir para o bem-estar geral. 
Técnicas como o effleurage auxiliam na redução da ansiedade e na melhora da 
circulação, devendo-se sempre observar contraindicações clínicas antes da 
aplicação. 
Os aspectos psicossociais e culturais também desempenham papel 
importante no cuidado de higiene. A percepção que o paciente tem de seu corpo, 
suas crenças, valores e condições socioeconômicas influenciam diretamente na 
aceitação e adesão às práticas de autocuidado. Por isso, a equipe de 
enfermagem deve manter uma postura acolhedora, livre de julgamentos, 
promovendo educação em saúde e incentivando a paciente a participar 
ativamente do processo de cuidado (Potter et al., 2024). 
1.1 Higiene: banho e cuidados íntimos 
A avaliação da pele, do nível de dor e da amplitude de movimento (ADM) 
é de responsabilidade exclusiva do enfermeiro e não pode ser delegada. 
O procedimento de banho e cuidados íntimos pode ser delegado ao 
técnico ou auxiliar de enfermagem, desde que sejam orientados a: 
• Não massagear áreas avermelhadas da pele. 
• Verificar contraindicações para imersão dos pés. 
• Relatar qualquer alteração na integridade da pele ao enfermeiro. 
 
 
5 
• Posicionar corretamente pacientes com limitações musculoesqueléticas 
ou com sondas e linhas intravenosas. 
• Comunicar se o paciente apresentar fadiga, falta de ar ou dor durante a 
higiene. 
 
Crédito: Johannes Abreu de Oliveira/OpenAI/IA. 
Materiais: 
• Toalhas de rosto e de banho; 
• Lençol de banho; 
• Sabonete ou CHG (2%–4%); 
• Itens de toalete (desodorante, loção aprovada pela instituição); 
• Lenços umedecidos descartáveis; 
• Água morna; 
• Camisola hospitalar ou roupa pessoal do paciente; 
• Saco para roupas sujas; 
• Luvas de procedimento; 
• Bacia exclusiva para banho; 
 
 
6 
• Oclusor/tampão ocular e esparadrapo não alergênico (pacientes 
inconscientes). 
 
Crédito: Johannes Abreu de Oliveira/OpenAI/IA. 
Etapas do procedimento: 
A. Histórico e avaliação inicial 
1. Identificar o paciente com dois identificadores (nome e data de 
nascimento, por exemplo). 
2. Consultar o prontuário para verificar precauções e necessidade de 
banho terapêutico. 
3. Revisar registros anteriores para saber comoo paciente tolera a 
atividade. 
4. Verificar risco de lesão cutânea associada a adesivos médicos. 
5. Avaliar a segurança do ambiente (piso seco, cama travada). 
6. Checar letramento em saúde do paciente e do familiar cuidador. 
7. Higienizar as mãos e avaliar risco de queda. 
 
 
7 
 
Créditos: StockLite/Shutterstock. 
 
Crédito: Johannes Abreu de Oliveira/OpenAI/IA. 
B. Avaliação específica 
8. Avaliar tolerância à atividade, conforto, função cognitiva e 
musculoesquelética. 
9. Em casos de déficit cognitivo, aplicar testes e observar o 
comportamento. 
10. Avaliar visão, capacidade de sentar-se e ADM. 
11. Observar presença e posição de dispositivos (cateter, oxigênio, 
linhas IV). 
12. Identificar preferências do paciente (horário, produtos, frequência). 
13. Questionar sobre alterações na pele ou genitália (umidade, 
inflamação, secreção). 
14. Avaliar riscos para danos na pele (idade, imobilidade, atrito, má 
nutrição). 
 
 
8 
C. Antes do banho 
15. Observar a condição da pele (ressecamento, rachaduras, 
vermelhidão). 
16. Avaliar nível de dor (0 a 10). 
17. Verificar conhecimento do paciente sobre higiene e prevenção de 
problemas cutâneos. 
18. Confirmar preferências sobre como o banho será realizado. 
 
Créditos: EgudinKa/Shutterstock. 
Planejamento: 
• Ajustar temperatura e ventilação do quarto. 
• Garantir privacidade (portas, cortinas). 
• Explicar o procedimento e benefícios (se usar CHG). 
• Organizar materiais antes de iniciar. 
• Garantir segurança (campainha ao alcance). 
Implementação: 
1. Oferecer comadre ou urinol. 
2. Calçar luvas para auxiliar, se necessário, e higienizar as mãos após. 
3. Elevar o leito para altura ergonômica e posicionar o paciente 
confortavelmente. 
4. Se a pele estiver suja ou não íntegra, usar luvas e verificar alergia a látex. 
5. Colocar lençol de banho sobre o paciente, retirando cobertas com 
privacidade. 
6. Retirar camisola ou pijama conforme técnica segura. 
7. Em pacientes com acesso IV, retirar a roupa sem desconectar o 
dispositivo, seguindo o protocolo. 
 
 
9 
TEMA 2 – ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE 
Mariana é uma estudante de enfermagem do primeiro ano designada a 
cuidar da Dona Joana. A Dona Joana, uma paciente de 86 anos, caiu em sua 
casa e fraturou o quadril esquerdo. Antes dessa queda, ela era independente 
nas atividades da vida diária, gostava de receber as pessoas para refeições em 
casa e participava de atividades sociais. Ela foi submetida à cirurgia de 
artroplastia de quadril há dois dias, e suas atividades de fisioterapia pós-
operatória estão progredindo lentamente. Ela fica relutante em se movimentar 
ou participar da fisioterapia devido à dor e ao medo de cair. Quando convidada 
a participar do reposicionamento, ela desliza seu corpo para cima e para baixo 
no leito enquanto protege seu quadril. Ela não quer que a equipe use um lençol 
de sustentação para reposicioná-la no leito e tem medo de ajudar por causa da 
dor. Seus problemas clínicos mais importantes incluem insuficiência cardíaca, 
hipertensão e diabetes melito tipo 2. Ela fica levemente diaforética quando se 
move, fazendo com que sue ao se movimentar. Mariana observa suor no roupão 
sobre a área do quadril esquerdo. 
Mariana analisa o prontuário da Dona Joana. As observações dos 
enfermeiros descrevem a relutância da paciente em se reposicionar ou participar 
ativamente das atividades de reabilitação na fisioterapia. Embora a Dona Joana 
tenha prescrição de medicação para dor, ela raramente a toma, por ter “medo de 
se viciar”. O enfermeiro da noite documentou uma área bolhosa hiperemiada no 
quadril direito e uma área hiperemiada na região sacral (com base em Potter e 
Perry, 2024). 
2.1 Formação da pele 
A pele é formada por duas camadas principais: epiderme e derme (Figura 
1). Entre elas, localiza-se uma estrutura denominada junção dermoepidérmica, 
que atua como interface de sustentação e comunicação. A epiderme, camada 
mais externa, organiza-se em diversas subcamadas, sendo o estrato córneo a 
mais superficial e composta por células mortas, achatadas e ricas em queratina 
(Potter; Perry, 2024). 
As células epidérmicas originam-se na camada basal, situada na porção 
mais profunda da epiderme. Nessa região, ocorre intensa atividade de divisão e 
proliferação celular. À medida que as células recém-formadas migram em 
 
 
10 
direção à superfície, passam por um processo de maturação, achatamento e 
queratinização, culminando em sua morte ao atingirem o estrato córneo. Esse 
contínuo ciclo celular assegura a renovação constante da epiderme, substituindo 
as células eliminadas durante a descamação fisiológica (Potter; Perry, 2024). 
O estrato córneo exerce funções essenciais de proteção, formando uma 
barreira que evita a perda excessiva de água e dificulta a penetração de agentes 
químicos potencialmente nocivos. Ainda assim, permite certa evaporação de 
água e possibilita a absorção percutânea de medicamentos administrados 
topicamente (Potter; Perry, 2024). 
Figura 1 – Camadas da pele 
 
Crédito: Elias Aleixo. 
A derme, localizada abaixo da epiderme, representa a camada mais 
profunda da pele e desempenha funções cruciais de suporte mecânico, 
resistência à tração e proteção estrutural para os tecidos subjacentes, como 
músculos, ossos e órgãos internos. Diferentemente da epiderme, sua 
constituição é predominantemente de tecido conjuntivo, com baixa densidade de 
células cutâneas (Potter; Perry, 2024). 
Entre seus principais componentes destacam-se: 
• Colágeno, uma proteína fibrosa responsável pela firmeza e elasticidade 
tecidual; 
 
 
11 
• Vasos sanguíneos, que promovem a nutrição e oxigenação dos tecidos; 
• Terminações nervosas, fundamentais para a percepção sensorial; 
• Fibroblastos, células especializadas na síntese de colágeno e na 
manutenção da matriz extracelular. 
O conhecimento detalhado da anatomia e fisiologia da pele permite 
compreender os fatores de risco que comprometem sua integridade e orientam 
as práticas de prevenção e manejo das feridas. Em condições normais, a pele 
íntegra atua como uma barreira protetora contra agressões químicas, mecânicas 
e microbiológicas. Quando ocorre uma lesão, a epiderme participa da 
reepitelização, recuperando a barreira contra infecções, enquanto a derme 
contribui na restauração da arquitetura estrutural, especialmente por meio da 
produção de colágeno (Potter; Perry, 2024). 
Cabe destacar que o processo natural de envelhecimento provoca 
modificações importantes na pele, como redução da elasticidade, afinamento 
das camadas e diminuição da capacidade regenerativa, tornando-a mais 
suscetível a lesões e dificultando a cicatrização (Potter; Perry, 2024). 
TEMA 3 – FERIDAS: CLASSIFICAÇÃO E CUIDADOS 
Uma ferida corresponde à ruptura da integridade anatômica e funcional 
dos tecidos corporais (Baranoski; Ayello, 2016). Pode ter origem traumática — 
como lacerações, perfurações ou contusões — ou ser decorrente de 
intervenções cirúrgicas. De acordo com as características da pele e dos tecidos 
subjacentes, as feridas podem ser classificadas como fechadas ou abertas 
(Potter; Perry, 2024). 
• Feridas fechadas: a pele permanece íntegra externamente, mas há dano 
nos tecidos internos. Exemplos incluem contusões, hematomas e lesões 
por pressão em estágio 1. 
• Feridas abertas: caracterizam-se pela ruptura da pele, expondo as 
camadas profundas ao ambiente externo, o que eleva o risco de infecção. 
O tratamento de qualquer ferida deve ser individualizado, considerando a 
história clínica completa do paciente, as características da ferida e os objetivos 
terapêuticos estabelecidos. Compreender a etiologia da ferida é essencial, uma 
vez que o manejo adequado dependerá do mecanismo patológico envolvido 
(Potter; Perry, 2024). 
 
 
12 
3.1 Classificação das feridas 
As feridas podem ser classificadas baseando-se em: 
• Tempo de evolução (agudaou crônica); 
• Causa (cirúrgica, traumática, por pressão, térmica etc.); 
• Gravidade e extensão do dano tecidual. 
A classificação da ferida permite ao enfermeiro identificar os riscos 
associados ao caso e escolher as intervenções apropriadas para promover a 
cicatrização (Potter; Perry, 2024). 
Outro critério importante de classificação é a profundidade da lesão 
(Potter; Perry, 2024): 
• Feridas de espessura parcial: envolvem apenas a epiderme e parte da 
derme superficial. São geralmente mais úmidas, dolorosas e apresentam 
base hiperemiada. Cicatrizam predominantemente por regeneração 
celular. 
• Feridas de espessura total: envolvem a perda completa da epiderme e da 
derme, podendo atingir o tecido subcutâneo ou estruturas mais profundas. 
A cicatrização ocorre por formação de novo tecido (reparo), sendo mais 
lenta e complexa. 
3.2 Processos de cicatrização 
O processo fisiológico de cicatrização é determinado pela profundidade e 
extensão da lesão (Potter; Perry, 2024). 
 
3.2.1 Cicatrização por intenção primária 
• Ocorre quando as bordas da ferida são aproximadas e fechadas 
(exemplo: suturas em incisões cirúrgicas limpas). 
• Apresenta baixo risco de infecção e formação mínima de cicatriz. 
• A cicatrização costuma ser rápida, com bom resultado funcional e 
estético. 
 
 
 
13 
3.2.2 Cicatrização por intenção secundária 
• Caracteriza feridas com perda significativa de tecido (exemplos: 
queimaduras, lesões por pressão em estágio 2, lacerações extensas). 
• A ferida permanece aberta e preenche-se gradativamente por tecido de 
granulação e cicatricial. 
• O processo é mais demorado e apresenta maior risco de infecção e de 
perda funcional, especialmente em lesões profundas. 
Figura 2 – A. Cicatrização de ferida por intenção primária, como uma incisão 
cirúrgica. As bordas da ferida são unidas e aproximadas com suturas ou 
grampos, e a cicatrização ocorre pelo depósito de tecido conjuntivo; B. 
Cicatrização de ferida por intenção secundária. As bordas da ferida não são 
aproximadas, e a cicatrização ocorre pela formação de tecido de granulação e 
contração das bordas da ferida 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
A correta identificação do tipo e do processo de cicatrização é 
fundamental para o planejamento adequado do cuidado de enfermagem (Calis; 
Harding; Price, 2019). 
Ao identificar a presença de uma ferida ou lesão por pressão, torna-se 
essencial realizar uma avaliação criteriosa para orientar o planejamento 
adequado do cuidado. Essa avaliação permite identificar tanto o tipo de tecido 
presente na base da ferida quanto os fatores que podem comprometer o 
processo de cicatrização (Potter; Perry, 2024). 
 
 
14 
Durante a inspeção, é importante observar: 
• Quantidade (em percentual) de cada tipo de tecido no leito da ferida; 
• Aparência e coloração do tecido, que indicam o estágio do processo de 
cicatrização e orientam as condutas terapêuticas. 
Os principais tipos de tecido encontrados na avaliação do leito da ferida 
incluem: 
• Tecido de granulação: caracteriza-se por ser vermelho, úmido e brilhante, 
composto por novos vasos sanguíneos. A presença desse tecido indica 
que o processo de cicatrização está em andamento. 
• Tecido de esfacelo (slough): apresenta-se geralmente como material 
amarelo ou branco, de consistência macia, fibrosa ou viscosa, aderido ao 
leito da ferida. Esse tecido é formado por restos celulares e exsudato 
acumulado. Sua presença pode impedir a cicatrização e, por isso, 
necessita ser removido (desbridamento) por profissional capacitado ou 
por meio de curativos específicos que favoreçam sua eliminação. 
• Tecido de escara (necrose seca): caracteriza-se por áreas de coloração 
negra, marrom ou bronze, com aspecto endurecido ou seco. Assim como 
o esfacelo, a escara impede o avanço da cicatrização e, na maioria dos 
casos, requer remoção controlada para permitir o desenvolvimento de 
tecido saudável. 
A correta identificação e documentação do tipo e proporção de tecidos 
presentes orientam a escolha das intervenções terapêuticas e auxiliam na 
monitorização da evolução clínica da ferida (Potter; Perry, 2024). 
 
3.3 Tempo de cicatrização 
A ferida aguda ocorre quando há ruptura da vascularização com 
desencadeamento imediato do processo de hemostasia. Na reação inflamatória 
aguda, as modificações anatômicas dominantes são vasculares e exsudativas, 
podendo determinar manifestações localizadas no ponto de agressão ou ser 
acompanhadas de modificações sistêmicas. A contração das margens inicia-se 
em cerca de cinco dias após a lesão e tem seu pico em duas semanas. Se a 
 
 
15 
ferida não fechar até três semanas após a ruptura da pele, a contração cessa, 
caracterizando então a ferida como crônica. 
Ferida crônica é quando há desvio na sequência do processo cicatricial 
fisiológico. A inflamação crônica pode resultar em um longo processo de cura e 
evoluir com resposta muito diferente das manifestações clássicas da inflamação 
aguda. 
Figura 3 – Tecidos diversos em uma mesma ferida 
 
Crédito: Magnon Almeida. 
3.4 Conteúdo bacteriano 
A ferida pode apresentar conteúdo bacteriano, sendo caracterizada em 
diferentes formas: 
• Limpa: lesão feita em condições assépticas e isenta de microrganismos; 
• Limpa contaminada: lesão com tempo inferior a seis horas entre o trauma 
e o atendimento, sem contaminação significativa; 
• Contaminada: lesão com tempo superior a seis horas entre o trauma e o 
atendimento, com presença de contaminantes, mas sem processo 
infeccioso local; 
• Infectada: presença de agente infeccioso local e lesão com evidência de 
intensa reação inflamatória e destruição de tecidos, podendo haver pus; 
• Odor: produzido por bactérias e tecidos em decomposição. 
 
 
16 
3.5 Presença de exsudato 
O exsudato é um material fluido composto por células que escapam de 
um vaso sanguíneo e se depositam nos tecidos ou nas superfícies teciduais, 
usualmente como resultado de um processo inflamatório. Sua coloração 
depende do tipo de exsudato e pode ser característica do pigmento específico 
de algumas bactérias. 
Características do exsudato: as colorações mais frequentes são as 
esbranquiçadas, as amareladas, as avermelhadas, as esverdeadas e as 
achocolatadas. 
• Exsudato seroso: caracterizado por uma extensa liberação de líquido com 
baixo conteúdo proteico. Esse tipo de exsudato inflamatório é observado 
precocemente nas fases de desenvolvimento da maioria das reações 
inflamatórias agudas, encontradas nos estágios iniciais da infecção 
bacteriana. 
• Exsudato sanguinolento: decorrente de lesões com ruptura de vasos ou 
de hemácias. 
• Exsudato purulento: líquido composto por células e proteínas, produzido 
por um processo inflamatório asséptico ou séptico. Alguns 
microrganismos (estafilococos, pneumococos, meningococos, 
gonococos, coliformes e algumas amostras não hemolíticas dos 
estreptococos) produzem de forma característica supuração local e, por 
isso, são chamados de bactérias piogênicas (produtoras de pus). 
• Exsudato fibrinoso: extravasamento de grande quantidade de proteínas 
plasmáticas, incluindo o fibrinogênio, e participação de grandes massas 
de fibrina. 
3.6 Métodos de desbridamento de feridas 
O desbridamento é o processo de remoção de tecido desvitalizado 
(necrótico) do leito da ferida, com o objetivo de promover um ambiente favorável 
à cicatrização (Brasil, 2021). Existem diferentes métodos de desbridamento, 
cada um com indicações específicas, vantagens e limitações: 
A. Desbridamento instrumental (conservador e cirúrgico) 
 
 
17 
Este método utiliza instrumentos cortantes, como tesouras, bisturis ou 
lâminas, sendo realizado por médicos ou enfermeiros devidamente treinados e 
habilitados. É indicado quando há: 
• Grande quantidade de tecido necrótico; 
• Necessidade de remoção rápida e precisa; 
• Situações de emergência ou complicação infecciosa; 
• Tentativade transformar uma ferida crônica em uma ferida aguda, 
favorecendo o reinício do processo cicatricial. 
O desbridamento cirúrgico pode envolver incisões em tecido viável, 
exigindo critério clínico rigoroso. 
B. Desbridamento mecânico 
Consiste na remoção física do tecido desvitalizado por meio de diferentes 
técnicas, tais como: 
• Curativos úmido-secos (aplicação de compressas umedecidas que, ao 
secarem, aderem ao tecido necrosado e o removem durante a troca de 
curativo); 
• Fricção (remoção manual com gaze estéril); 
• Irrigação pressurizada (lavagem com soluções sob pressão controlada); 
• Hidroterapia (banho de turbilhão). 
É especialmente indicado para feridas com excesso de tecido necrótico e 
baixa quantidade de exsudato. Exige cuidados técnicos rigorosos para evitar 
lesão ao tecido viável. 
C. Desbridamento autolítico 
Neste método, o próprio organismo realiza a digestão do tecido 
desvitalizado por meio da ação de enzimas endógenas, quando a ferida é 
mantida em ambiente úmido e controlado. Características: 
• Processo lento, porém indolor; 
• Facilmente aplicável, podendo ser realizado com o uso de curativos 
oclusivos (exemplos: hidrocoloides, hidrogéis); 
• Indicado para pacientes com baixa tolerância a procedimentos invasivos; 
• Contraindicado em feridas infectadas ou com grande quantidade de 
necrose, devido ao risco de proliferação bacteriana. 
 
 
18 
D. Desbridamento químico (enzimático) 
Consiste na aplicação tópica de agentes enzimáticos específicos, que 
atuam seletivamente fragmentando o tecido necrosado, preservando o tecido 
saudável. 
Considerações importantes: 
• As enzimas atuam apenas sobre o tecido desvitalizado. 
• Requer controle rigoroso das condições de aplicação, respeitando as 
instruções do fabricante quanto à dosagem, frequência e modo de uso. 
• O tratamento deve ser suspenso assim que o leito da ferida apresentar 
tecido de granulação viável. 
A escolha do método de desbridamento deve considerar o estado clínico 
do paciente, o tipo e quantidade de tecido desvitalizado, o nível de dor tolerado 
e o risco de infecção. Muitas vezes, uma combinação de métodos pode ser 
necessária ao longo da evolução da ferida. 
Estratégias de prevenção de LP 
1. Utilizar placas de espuma em proeminências ósseas, nos pacientes de risco; 
2. Reduzir áreas de pressão utilizando colchão caixa de ovo ou de ar; orientar mudanças de 
decúbito frequentemente; 
3. Usar coxins e travesseiros para amenizar áreas de pressão; 
4. Manter panturrilhas e tornozelos apoiados em almofadas (com calcanhar livre); 
5. Realizar higiene íntima e/ou corporal quando necessário; sempre promover hidratação da pele; 
6. Não realizar massagem em proeminências ósseas e áreas de pressão. 
Recomendações do Manual de Feridas (2021) 
9 critérios do tratamento de feridas 
1. Avaliar a ferida (avaliação da ferida, fase da 
cicatrização da ferida, qual é o objetivo do 
tratamento). 
2. Limpeza da ferida. 
3. Remoção dos tecidos necróticos. 
4. Identificar e tratar a infecção. 
5. Preencher o espaço morto. 
6. Gerenciar exsudato. 
7. Manter um ambiente úmido no leito da ferida. 
8. Fornecer isolamento térmico. 
9. Proteger a ferida. 
Como avaliar a ferida: todas as lesões devem 
ser avaliadas e documentadas, atendendo aos 
seguintes critérios: 
1. Localização, tamanho, estágio: incluindo 
comprimento, largura, profundidade, forma e 
bordas: 
o Espessura parcial: estágio 1 (somente 
epiderme, inclui escoriações); estágio 2 
(em camada dérmica); 
o Espessura total: estágio 3 (envolvendo 
tecido subcutâneo); estágio 4 (tecido 
subcutâneo e estruturas subjacentes). 
2. Área perilesional (dentro de 4 cm de bordas 
de ferida), edema, eritema, dor, maceração, 
erupção cutânea, bordas ressecadas, 
corpos estranhos (drenos, suturas etc.); 
3. Aparência e cor da base da ferida: 
o Tecido saudável: granulação/epitelização 
(vermelho/rosa); 
 
 
19 
o Tecido necrosado: necrose de liquefação 
(amarelo, bronzeado); necrose (preto, 
marrom). 
4. Evidência de túneis, passagem sob a pele 
estendendo-se em qualquer direção através 
de tecido mole que cria um espaço morto 
com potencial para formação de abscesso 
ou área de destruição tecidual ao longo das 
margens da ferida subjacente à pele intacta; 
5. Exsudato: quantidade, cor, tipo 
(serossanguinolento, sangramento vivo, 
fibrina, purulento). 
 
Fonte: Manual de Padronização de Curativos. 
 
Fonte: Manual de Padronização de Curativos. 
 
 
20 
3.7 Sistema de avaliação de feridas por cores: método RYB 
O sistema de classificação RYB (Red-Yellow-Black) é amplamente 
utilizado no cuidado de feridas crônicas, especialmente em lesões por pressão, 
por oferecer uma abordagem visual prática e de fácil aplicação para a avaliação 
do leito da ferida e planejamento terapêutico (Brasil, 2021). 
A sigla RYB corresponde às cores em inglês: 
• Red (vermelho); 
• Yellow (amarelo); 
• Black (preto). 
Cada cor representa um tipo específico de tecido presente na ferida, 
indicando o estágio de cicatrização e a conduta mais apropriada: 
• R — vermelho (Red): tecido de granulação 
o Representa tecido viável e saudável, composto por novos capilares 
sanguíneos, fibroblastos e matriz extracelular. 
o Indica que a cicatrização está em processo ativo. 
o O objetivo principal do cuidado é proteger esse tecido e manter a 
umidade ideal no leito da ferida, favorecendo a regeneração. 
• Y — amarelo (Yellow): presença de exsudato e esfacelo 
o Refere-se à presença de tecido desvitalizado (esfacelo), secreção 
purulenta ou restos celulares. 
o Indica necessidade de remoção do tecido não viável e controle da 
carga bacteriana. 
o As intervenções incluem desbridamento apropriado, controle do 
exsudato e prevenção de infecção. 
• B — preto (Black): tecido necrótico (escara) 
o Corresponde a áreas de necrose seca, endurecida e desidratada. 
o A escara impede a cicatrização e, geralmente, requer desbridamento 
(quando clinicamente indicado e após avaliação do risco/benefício). 
Este sistema fornece uma forma rápida e dinâmica de orientar a equipe 
multidisciplinar no direcionamento das condutas clínicas, sendo especialmente 
útil em serviços com grande volume de pacientes e múltiplos profissionais 
envolvidos na assistência. 
 
 
21 
A metáfora do tomate é frequentemente utilizada para ilustrar a fragilidade 
da pele, destacando sua vulnerabilidade frente a traumas e lesões, como 
proposto pela SOBENFeE (Sociedade Brasileira de Enfermagem em Feridas e 
Estética) (Brasil, 2021). 
 
Crédito: Flávio Oliveira. 
3.8 Técnicas de curativos (Manual de Feridas, 2021) 
• Estéril: curativo realizado na unidade de saúde, com material estéril 
(pinças ou luvas), solução fisiológica 0,9% aquecida e cobertura estéril. 
• Limpa: curativo realizado no domicílio, pelo usuário e/ou familiar. 
Realizado com material limpo, água corrente ou soro fisiológico 0,9% e 
cobertura estéril. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
Figura 4 – Qual curativo utilizar 
 
Fonte: Manual de Padronização de Curativos. 
Figura 5 – Guia de avaliação e escolha do produto 
 
Fonte: Manual de Padronização de Curativos. 
 
 
23 
 
Fonte: Manual de Padronização de Curativos. 
Saiba mais 
Acesse o “Manual de Feridas”, do Ministério da Saúde, e tenha mais 
informações. Disponível em: 
. Acesso em: 24 out. 2025. 
3.9 Tipos de coberturas e curativos 
A escolha adequada das coberturas e dos curativos é um componente 
essencial no cuidado com feridas, devendo sempre ser individualizada de acordo 
com o tipo de ferida, a fase de cicatrização e as condições clínicas do paciente. 
De forma geral, as coberturas podem ser classificadas em: 
1. Coberturas passivas: 
o Têm como principal função proteger a ferida contra agressões externas 
e contaminação. 
o Não exercem ação direta sobreo ambiente da ferida. 
o São frequentemente utilizadas em incisões cirúrgicas com bordas 
aproximadas e cicatrização por primeira intenção, quando a proteção 
inicial já foi estabelecida. 
2. Coberturas interativas: 
o Criam um microambiente ideal para a cicatrização. 
 
 
24 
o Promovem o equilíbrio da umidade, favorecem o desbridamento 
autolítico e estimulam a formação de tecido de granulação. 
o São indicadas para feridas abertas, exsudativas e em processo ativo 
de reparação. 
3. Coberturas bioativas: 
o Atuam de maneira ativa no processo cicatricial, liberando ou 
estimulando substâncias que aceleram a regeneração tecidual. 
o Alguns exemplos incluem curativos impregnados com colágeno, 
fatores de crescimento, membranas biológicas e outros agentes 
bioativos. 
3.10 Tipos de curativos segundo o tipo de ferida 
1. Feridas cirúrgicas (cicatrização por primeira intenção): 
o Após 24 horas da cirurgia, quando já há formação de rede de fibrina 
protetora, a incisão pode permanecer exposta. 
o Caso o paciente deseje manter a incisão coberta, pode-se optar por um 
curativo passivo simples. 
2. Feridas abertas: 
o Devem ser irrigadas com solução fisiológica 0,9% aquecida (aprox. 37 
°C) para favorecer a limpeza atraumática. 
o Recomenda-se o uso de seringa de 20 ml com agulha 40 × 12, 
aplicando pressão controlada (≤ 15 psi) para não lesionar o tecido 
recém-formado. 
3. Feridas fechadas: 
o Realiza-se o curativo tradicional utilizando pinças estéreis, respeitando 
as técnicas assépticas. 
4. Curativos em presença de drenos: 
o Considerados curativos complexos, já que o dreno tem a função de 
remover fluidos (sangue, exsudato, bile, entre outros), prevenindo 
acúmulo e formação de coleções na cavidade. 
 
 
 
 
 
25 
3.11 Princípios fundamentais na escolha do curativo 
• A seleção da cobertura deve ser apenas parte do plano de cuidado 
integral. 
• Não existe produto universal: cada ferida requer avaliação individualizada 
e dinâmica. 
• A equipe deve basear-se em princípios científicos sólidos e seguir 
protocolos institucionais. 
O curativo ideal deve: 
• Promover o desbridamento autolítico quando indicado; 
• Manter o equilíbrio da umidade; 
• Favorecer a angiogênese (formação de novos vasos); 
• Estimular a formação de tecido de granulação saudável; 
• Proteger as terminações nervosas (aliviando a dor); 
• Facilitar a reepitelização sem trauma à borda da ferida; 
• Oferecer barreira contra infecções; 
• Ser impermeável à água, mas permeável ao vapor, permitindo a 
transpiração da pele; 
• Ser de fácil remoção, sem lesar o tecido neoformado. 
Cabe ao profissional de enfermagem realizar avaliação criteriosa da ferida 
em cada troca de curativo, adaptando a conduta conforme a evolução clínica. 
TEMA 4 – LESÕES POR PRESSÃO E PREVENÇÃO 
Os termos lesão por pressão, úlcera por pressão, úlcera de decúbito e 
escara têm sido historicamente utilizados para descrever o comprometimento da 
integridade da pele associado à exposição prolongada à pressão não aliviada. 
Atualmente, o termo lesão por pressão (LP) é o mais adequado e recomendado, 
em conformidade com as diretrizes do National Pressure Ulcer Advisory Panel 
(NPUAP) (Edsberg et al., 2016). 
A lesão por pressão caracteriza-se por um dano localizado na pele e nos 
tecidos moles subjacentes, comumente situado sobre proeminências ósseas ou 
em áreas sujeitas à pressão exercida por dispositivos médicos ou outros tipos 
de equipamentos. Essas lesões podem apresentar-se de formas variadas, desde 
pele íntegra com alterações visíveis (como eritema persistente) até formação de 
 
 
26 
bolhas ou úlceras abertas, frequentemente acompanhadas de dor (Potter; Perry, 
2024). 
O desenvolvimento da lesão decorre da exposição à pressão intensa e/ou 
prolongada, podendo ainda estar associado ao cisalhamento (Figura 6) — força 
que distorce os tecidos ao deslizarem sobre planos fixos. A tolerância do tecido 
a essas forças pode ser influenciada por diversos fatores locais e sistêmicos. 
Além disso, diversos fatores de risco aumentam a vulnerabilidade para o 
desenvolvimento de lesões por pressão (Quadro 1). 
O reconhecimento precoce dos fatores de risco e a implementação de 
medidas preventivas individualizadas são essenciais para reduzir a incidência e 
a gravidade das lesões por pressão, constituindo uma das principais 
responsabilidades do enfermeiro na assistência integral ao paciente (Potter; 
Perry, 2024). 
Figura 6 – Cisalhamento exercido na área sacral 
 
Crédito: Flávio Oliveira. 
Quadro 1 – Fatores de risco para o desenvolvimento de lesões por pressão 
Categoria Fatores de risco específicos 
Mobilidade reduzida 
Imobilidade, restrição ao leito ou cadeira, uso 
prolongado de dispositivos médicos 
Alterações sensoriais 
Diminuição ou ausência da percepção de dor e 
desconforto (exemplos: lesão medular, neuropatias) 
Alterações nutricionais 
Desnutrição, hipoalbuminemia, perda de peso não 
intencional 
 
 
27 
Categoria Fatores de risco específicos 
Alterações vasculares e perfusão 
Hipotensão, hipoperfusão tecidual, doenças 
vasculares periféricas 
Alterações do microclima cutâneo 
Umidade excessiva (incontinência urinária e fecal, 
sudorese), hipertermia local 
Idade avançada 
Redução da elasticidade cutânea, afinamento da pele, 
menor capacidade regenerativa 
Comorbidades 
Diabetes mellitus, infecções sistêmicas, doenças 
crônicas (insuficiência cardíaca, renal ou hepática) 
Condições agudas e críticas 
Pacientes em cuidados intensivos, pós-operatório 
prolongado, cuidados paliativos 
Fonte: Oliveira, 2025. 
A pressão constitui o fator central no desenvolvimento das lesões por 
pressão. O suprimento sanguíneo é responsável por fornecer oxigênio e 
nutrientes essenciais às células, além de remover os resíduos metabólicos 
gerados pelas suas atividades. Quando ocorre pressão sobre determinado ponto 
do corpo, especialmente de forma intensa e prolongada, o fluxo sanguíneo local 
pode ser parcial ou totalmente comprometido (Potter; Perry, 2024). 
Essa interrupção do fluxo sanguíneo compromete o metabolismo celular, 
prejudicando a oxigenação e o funcionamento normal das células. Se a pressão 
for mantida por tempo prolongado, a redução progressiva da perfusão leva à 
isquemia tecidual — situação em que o tecido não recebe oxigênio suficiente — 
e, na ausência de alívio, evolui para necrose (morte celular) (Potter; Perry, 2024). 
Portanto, a intensidade e a duração da pressão são determinantes críticos 
na gravidade da lesão. Quanto maior a pressão e mais prolongado seu efeito, 
maior o risco de dano irreversível ao tecido. 
4.1 Mecanismos de desenvolvimento das lesões por pressão 
As lesões por pressão podem resultar de diferentes mecanismos de 
agressão tecidual. De forma didática, podemos classificar os danos em 
superficiais e profundos, de acordo com a direção e profundidade da lesão: 
• Danos superficiais (de cima para baixo): geralmente associados a 
cisalhamento e atrito, manifestam-se clinicamente como áreas de 
vermelhidão na pele (lesão por pressão estágio 1). 
 
 
28 
• Danos profundos (de baixo para cima): estão relacionados à pressão 
aplicada de forma intensa e/ou prolongada, comprometendo a perfusão 
dos tecidos subjacentes (Potter; Perry, 2024). 
4.2 Intensidade da pressão 
A intensidade da pressão é fator determinante para o colapso do fluxo 
capilar. Estudos clássicos apontam que, quando a pressão aplicada excede o 
chamado limite de fechamento capilar (aproximadamente 15 a 32 mmHg), ocorre 
o colapso dos capilares sanguíneos, interrompendo o fornecimento de oxigênio 
e nutrientes (Potter; Perry, 2024). Se o paciente não possui sensibilidade 
preservada para perceber o desconforto gerado pela isquemia, a pressão não é 
aliviada e o tecido sofre isquemia persistente, evoluindo para necrose (Potter; 
Perry, 2024). 
Clinicamente, a interrupção e o retorno do fluxo sanguíneo podem seravaliados pela presença de hiperemia (vermelhidão). Quando a pressão é 
aliviada e a pele torna-se avermelhada pela vasodilatação reativa, temos a 
hiperemia branqueável — caracterizada pelo clareamento momentâneo da pele 
à digitopressão, com retorno rápido da coloração ao soltar o dedo, indicando que 
a lesão ainda é reversível (Potter; Perry, 2024). 
Por outro lado, quando o eritema não branqueia à pressão, há forte 
suspeita de dano tecidual mais profundo. Em pacientes com pele preta ou parda, 
a avaliação deve incluir comparação com áreas adjacentes e análise de 
alterações como: 
• textura (mais firme, mole ou edematosa); 
• sensibilidade (presença de dor ou desconforto); 
• temperatura (mais quente ou mais fria que a área circundante). 
4.3 Duração da pressão 
Tanto a pressão leve e contínua quanto a pressão intensa e breve são 
capazes de provocar danos teciduais. O tempo de exposição é crítico: períodos 
prolongados de oclusão vascular resultam em hipóxia, acúmulo de metabólitos 
e, progressivamente, morte celular (Potter; Perry, 2024). 
Na prática clínica, torna-se essencial avaliar: 
 
 
29 
• a intensidade da pressão aplicada; 
• o tempo de exposição; 
• a capacidade de recuperação do tecido após o alívio da pressão. 
4.4 Tolerância do tecido 
A tolerância tecidual refere-se à capacidade dos tecidos de suportar a 
pressão sem sofrer danos, e essa tolerância depende da integridade estrutural 
da pele e dos tecidos subjacentes. Fatores extrínsecos como cisalhamento, atrito 
e umidade comprometem a resistência da pele e aumentam sua vulnerabilidade 
(Potter; Perry, 2024). Fatores intrínsecos relacionados ao paciente também 
influenciam essa tolerância, incluindo: 
• nutrição inadequada; 
• envelhecimento cutâneo; 
• estado de hidratação; 
• hipotensão arterial; 
• comprometimento da rede vascular e do colágeno. 
A combinação desses fatores contribui para o risco e a gravidade das 
lesões por pressão. 
4.5 Cisalhamento 
O cisalhamento ocorre quando há deslizamento interno entre as camadas 
da pele e os tecidos subcutâneos, enquanto as estruturas musculares e ósseas 
permanecem fixas (Bryant, 2016). Um exemplo clássico acontece quando a 
cabeceira do leito é elevada: o esqueleto do paciente tende a deslizar para baixo 
devido à gravidade, mas a pele permanece em contato com o leito, aderida pela 
fricção. Esse deslocamento oposto entre os planos teciduais gera tensão nas 
camadas profundas (Potter; Perry, 2024). 
O cisalhamento também é frequente durante transferências inadequadas 
de pacientes, como ao arrastar o paciente do leito para a maca sem o uso de 
dispositivos de redução de atrito. Nessas situações, enquanto a pele e o tecido 
subcutâneo aderem à superfície, as camadas musculares e ósseas deslocam-
se no sentido do movimento corporal, resultando em estiramento e angulação 
 
 
30 
dos capilares profundos, especialmente nas áreas de proeminência óssea 
(Potter; Perry, 2024). 
Como consequência, ocorre necrose nas camadas profundas do tecido, 
particularmente na fáscia e nos tecidos musculares, com possível afrouxamento 
da derme. Esse processo favorece o desenvolvimento de lesões por pressão 
profundas, muitas vezes difíceis de serem detectadas nos estágios iniciais, pois 
a pele superficial pode permanecer aparentemente íntegra enquanto o dano 
progride internamente (Cooper; Nix; Pieper, 2020). 
4.6 Atrito 
O atrito refere-se à força mecânica gerada pelo contato e movimento de 
duas superfícies uma contra a outra. No contexto clínico, ocorre, por exemplo, 
quando a pele do paciente é arrastada sobre superfícies ásperas, como lençóis 
ou roupas de cama (WOCN, 2016). 
Diferentemente do cisalhamento, o atrito lesiona primariamente a 
epiderme, causando perda superficial de pele. As áreas afetadas apresentam-
se avermelhadas, dolorosas e podem ser descritas como “queimaduras de 
lençol”. Esse tipo de lesão é comum em pacientes inquietos, com movimentos 
involuntários (espasticidade) ou em situações de manejo inadequado durante 
trocas de posição e transferências — quando o paciente é arrastado em vez de 
ser suspenso corretamente (Potter; Perry, 2024). 
Embora o atrito não seja classificado como LP (NPUAP, 2016), sua 
presença aumenta a vulnerabilidade da pele ao desenvolvimento de lesões 
profundas, especialmente quando ocorre em associação ao cisalhamento 
(Potter; Perry, 2024). 
Além disso, tanto o atrito quanto o cisalhamento podem ser exacerbados 
pelo uso prolongado de dispositivos hospitalares, como talas, sondas, máscaras 
ou cintos de contenção. Nessas situações, além da agressão mecânica direta, 
pode haver comprometimento da perfusão e alteração do microclima da pele — 
com aumento da umidade e temperatura na interface pele-dispositivo, fatores 
que favorecem a fragilidade cutânea e aumentam o risco de dano tecidual 
(Cooper; Nix; Pieper, 2020). 
 
 
 
 
31 
4.7 Classificação das lesões por pressão 
Existe um sistema de classificação por estágios amplamente utilizado na 
avaliação e no manejo das lesões por pressão. A correta determinação do 
estágio da lesão exige conhecimento detalhado sobre a anatomia das camadas 
da pele, uma vez que o estadiamento se baseia principalmente na profundidade 
do comprometimento tecidual (Potter; Perry, 2024). 
Um dos desafios desse sistema é a limitação na classificação de lesões 
cobertas por tecido necrótico (esfacelo ou escara), pois a presença desse 
material impede a visualização da profundidade real da lesão. Nesses casos, o 
desbridamento — quando indicado dentro do plano terapêutico — é necessário 
para expor a base da ferida e permitir uma avaliação precisa (Potter; Perry, 
2024). 
Apesar dessas limitações, o sistema de estadiamento é extremamente 
útil, pois orienta o profissional de enfermagem na seleção de tratamentos tópicos 
apropriados, escolha de superfícies de alívio de pressão e definição de 
estratégias específicas para favorecer o processo de cicatrização, conforme a 
gravidade da lesão. 
É importante destacar que o estágio atribuído à lesão por pressão 
permanece fixo ao longo de sua evolução clínica. Ou seja, uma lesão classificada 
como estágio 3 manterá essa denominação mesmo após apresentar sinais de 
cicatrização. Assim, uma ferida em melhora não é reclassificada em estágios 
inferiores; descreve-se como: “lesão por pressão em estágio 3 em processo de 
cicatrização.” Esse princípio evita confusões e assegura a continuidade 
adequada do registro clínico e do monitoramento da evolução da ferida (Potter; 
Perry, 2024). 
• Lesão por pressão de estágio 1: pele íntegra com uma área localizada de 
eritema não branqueável, mas pode apresentar uma aparência diferente 
em peles pretas ou pardas. 
o A presença de eritema branqueável ou alterações de sensibilidade, 
temperatura ou firmeza pode preceder as alterações visuais. 
o Mudanças de cor não incluem manchas roxas ou castanhas; estas 
podem indicar lesão tecidual profunda por pressão (Potter; Perry, 
2024). 
 
 
32 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
• Lesão por pressão de estágio 2: perda de espessura parcial de pele com 
exposição da derme. 
o O leito da ferida é viável, rosa ou vermelho e úmido, e também pode se 
apresentar como uma bolha íntegra ou rompida, contendo soro. O 
tecido adiposo (gordura) não é visível, e os tecidos mais profundos 
também não são visíveis. 
o Ausência de tecido de granulação, descamação e escara. Essas lesões 
normalmente resultam de microclimas adversos e cisalhamento na pele 
sobre a pelve e de cisalhamento no calcanhar (Potter; Perry, 2024). 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
33 
 
Crédito: Magnon Almeida. 
• Lesão por pressão de estágio 3: perda de pele em sua espessura total. 
o Perda de pele em sua espessura total, na qual o tecido adiposo 
(gordura) é visível na ulceração e, geralmente, há presença de tecido 
de granulação e epíbole (ferida com bordas enroladas). Descamaçãoe/ou escara podem ser visíveis. 
o A profundidade do dano tecidual varia de acordo com a localização 
anatômica; áreas de adiposidade significativa podem se desenvolver 
em feridas profundas. Podem ocorrer erosão e tunelização. 
o Não há exposição das fáscias, músculos, tendões, ligamentos, 
cartilagem e/ou ossos. Se uma descamação ou escara ocultar a 
extensão da perda de tecido, a classificação será de lesão por pressão 
não classificável. 
 
Crédito: Magnon Almeida. 
 
 
34 
• Lesão por pressão de estágio 4: perda de pele em sua espessura total e 
de tecido, com fáscias, músculos, tendões, ligamentos, cartilagem ou 
ossos expostos ou diretamente palpáveis na úlcera. 
o Descamação e/ou escara podem ser visíveis. Geralmente ocorrem 
epíbole (bordas enroladas), erosão e/ou tunelização. 
o A profundidade varia de acordo com a localização anatômica. Se uma 
descamação ou escara não deixar visível a extensão da perda de 
tecido, a classificação será de lesão por pressão não classificável. 
• Lesão por pressão não classificável: perda obscurecida de pele em sua 
espessura total e de tecido. 
o Perda obscurecida de pele em sua espessura total e de tecido, na qual 
a extensão do dano tecidual dentro da úlcera não pode ser confirmada 
por estar obscurecida por descamação ou escara. Se a descamação 
ou escara forem removidas, uma lesão por pressão de estágio 3 ou 4 
será revelada. Escara estável (ou seja, seca, aderente, íntegra, sem 
eritema ou flutuação) no calcanhar ou membro isquêmico não deve ser 
amolecida ou removida. 
• Lesão por pressão tecidual profunda: pele íntegra ou não, com área 
localizada de persistente coloração vermelha, castanha ou roxa profunda 
não branqueável, ou separação epidérmica revelando um leito de ferida 
escura ou uma bolha de sangue. 
o Dor e mudanças de temperatura geralmente precedem as alterações 
na cor da pele. 
o As manchas podem ter uma aparência diferente em peles com 
pigmentação preta ou parda. Essa lesão resulta de pressão intensa 
e/ou prolongada e de forças de cisalhamento na interface 
osteomuscular. 
o A ferida pode evoluir rapidamente até revelar a extensão real da lesão 
tecidual ou se resolver sem perda de tecido. Se tecido necrótico, tecido 
subcutâneo, tecido de granulação, fáscia, músculo ou outras estruturas 
subjacentes estiverem visíveis, isso indica lesão por pressão em sua 
espessura total (não classificável, estágio 3 ou estágio 4). 
o Não use a classificação de lesão por pressão tecidual profunda para 
descrever condições vasculares, traumáticas, neuropáticas ou 
dermatológicas. 
 
 
35 
4.8 Lesão por pressão relacionada a dispositivo médico 
A lesão por pressão relacionada a dispositivo médico (LPRDM) refere-se 
a um subtipo de lesão por pressão cuja causa direta é o uso de dispositivos 
aplicados com finalidade diagnóstica ou terapêutica. Esses dispositivos incluem, 
por exemplo, máscaras de oxigênio, cânulas nasais, sondas, talas, colares 
cervicais, dispositivos de imobilização e tubos endotraqueais. Uma característica 
distintiva dessa lesão é que ela geralmente reproduz o formato ou contorno do 
próprio dispositivo na área de contato com a pele, facilitando a identificação de 
sua etiologia (Figura 7) (Potter; Perry, 2024). 
Embora a causa esteja associada ao uso do dispositivo, a LPRDM deve 
ser classificada de acordo com o sistema convencional de estadiamento das 
lesões por pressão (estágios 1 a 4, lesão tissular profunda ou não classificável), 
com base na profundidade e nas características da lesão no momento da 
avaliação. A correta identificação desse tipo de lesão é fundamental para orientar 
intervenções específicas, como ajustes no posicionamento do dispositivo, uso 
de protetores de pele, monitoramento frequente e adoção de superfícies de alívio 
de pressão (Potter; Perry, 2024). 
Figura 7 – A. Proeminências ósseas mais frequentemente associadas à lesão 
por pressão; B. Locais de lesão por pressão 
 
Fonte: Copyright European Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), 2018. 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
36 
Pense nisso na prática 
Pensando no caso da Dona Joana, responda às questões a seguir: 
1. Quais são os dados subjetivos e objetivos identificados na avaliação da 
Dona Joana? 
2. Quais fatores da história clínica de Dona Joana aumentam o risco de 
desenvolvimento de lesões por pressão? 
3. Que sinais indicam que Dona Joana já apresenta comprometimento da 
integridade cutânea? 
4. Identifique, com base nos dados coletados, pelo menos três 
diagnósticos de enfermagem para este caso, utilizando a taxonomia NANDA-I. 
5. Qual diagnóstico de enfermagem melhor descreve a recusa de Dona 
Joana em utilizar a medicação para dor? 
6. Qual seria um objetivo de curto prazo para o diagnóstico de “dor 
aguda”? 
7. Quais intervenções de enfermagem podem ser implementadas para 
prevenir lesão por pressão relacionada ao cisalhamento no caso de Dona 
Joana? 
8. Cite ao menos duas estratégias para promover segurança e confiança 
na mobilização da paciente durante a fisioterapia. 
9. Por que é importante administrar a medicação analgésica antes da 
fisioterapia? 
10. Como o enfermeiro pode avaliar se as intervenções propostas estão 
sendo eficazes? 
11. Como registrar a evolução de uma lesão por pressão de estágio 3 que 
apresenta melhora? 
12. Imagine que Dona Joana continue com medo de movimentar-se 
mesmo após a explicação inicial. Como você, como enfermeiro, poderia intervir 
de forma terapêutica para ajudá-la a superar essa barreira emocional? 
13. Pense sobre as informações da escala Braden. Como isso impactará 
seu conhecimento sobre identificação de riscos de LP e possíveis intervenções? 
 
 
 
 
 
37 
TEMA 5 – DRENOS CIRÚRGICOS: CUIDADOS DE ENFERMAGEM 
Os drenos são dispositivos utilizados para remover fluidos ou sangue que 
possam se acumular no interior de uma ferida, facilitando a cicatrização 
adequada. Eles podem ser inseridos durante ou após a cirurgia por médicos ou 
radiologistas intervencionistas, principalmente quando há previsão de grande 
quantidade de secreção (Potter; Perry, 2024). 
5.1 Função principal dos drenos 
• Evitar o acúmulo de líquidos no leito da ferida. 
• Promover a cicatrização de dentro para fora, mantendo o leito limpo e livre 
de pressão excessiva por líquidos retidos. 
5.2 Tipos e fixação 
• Alguns drenos são fixados por sutura para evitar deslocamento. 
• O dreno de Penrose, por exemplo, é um tipo de dreno flexível, colocado 
parcialmente sob o curativo. Costuma-se fixar um alfinete ou grampo no 
dreno para impedir que ele deslize para dentro da ferida. 
• Ao realizar trocas de curativo em drenos não suturados, é fundamental ter 
cuidado para não puxar acidentalmente o dreno. 
5.3 Técnica de curativo 
• O curativo geralmente é dividido (fenda em “Y” ou “V”) para acomodar o 
dreno. 
• Remova os curativos em etapas, sempre observando o dreno durante o 
procedimento. 
5.4 Avaliação de enfermagem 
Durante o cuidado com drenos, o profissional deve monitorar: 
• Número e tipo de drenos em uso. 
• Posicionamento adequado do dreno. 
• Fixação correta e segura. 
• Volume e aspecto da drenagem (cor, odor, quantidade). 
 
 
38 
• Funcionamento do sistema de coleta: o sistema deve estar pérvio (sem 
bloqueios). 
• Caso ocorra redução súbita da drenagem, pode ser sinal de obstrução, 
devendo o médico ser informado (Potter; Perry, 2024). 
Figura 9 – Dreno de Penrose com curativo 
 
Crédito: Flávio Oliveira. 
Figura 10 – Dreno de sucção (Portovac) 
 
Crédito: Magnon Almeida. 
 
 
39 
NA PRÁTICA 
Imagine que você está no setor de clínica médica de um hospital e é 
responsável pelo cuidado de um paciente adulto, internado há 7 dias, utilizando 
um cateter urinário de demora para monitoramento rigoroso da diurese. Além 
disso, o paciente está em uso contínuo de máscara de oxigênio tipo Venturi e 
possui uma sonda nasoenteral para suporte nutricional.Durante a visita de enfermagem, você observa que: 
• A pele ao redor da narina onde está fixada a sonda apresenta leve 
hiperemia. 
• Há uma marca de pressão visível na face devido ao uso contínuo da 
máscara de oxigênio. 
• A região do meato uretral apresenta discreta vermelhidão e queixa de 
ardor local. 
• Com base nessas observações e nos conteúdos estudados nesta aula, 
descreva e justifique: 
1. Riscos de ruptura da integridade da pele 
o Análise, para cada dispositivo (cateter urinário, máscara de oxigênio e 
sonda nasoenteral), de quais fatores mecânicos, químicos ou de 
microclima podem favorecer o surgimento de lesão por pressão 
relacionada a dispositivo médico (LPRDM). 
2. Avaliação clínica detalhada 
o Explique como você avaliaria a pele e tecidos adjacentes a cada 
dispositivo, incluindo inspeção, palpação e comparação com áreas 
adjacentes. 
o Indique quais parâmetros da Escala de Braden seriam impactados pela 
presença desses dispositivos. 
3. Diagnósticos de enfermagem 
o Elabore pelo menos três diagnósticos de enfermagem segundo a 
NANDA-I relacionados à integridade da pele e risco de infecção nesse 
caso. 
4. Planejamento de cuidados preventivos e terapêuticos 
o Descreva cinco intervenções de enfermagem (NIC) que podem ser 
aplicadas para prevenir a evolução para uma lesão por pressão grave. 
 
 
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o Inclua medidas específicas para o manejo do microclima da pele, 
redistribuição de pressão e uso de dispositivos de proteção cutânea. 
5. Objetivos de curto prazo (NOC) 
o Defina objetivos mensuráveis para monitorar a eficácia das 
intervenções, considerando parâmetros como ausência de hiperemia 
persistente, integridade da pele preservada e melhora da sensação de 
conforto do paciente. 
6. Registro de enfermagem 
o Redija como seria a anotação de enfermagem após a avaliação e as 
intervenções realizadas, utilizando linguagem técnica adequada e 
seguindo o padrão institucional. 
FINALIZANDO 
O cuidado com a pele e o manejo de feridas representam competências 
essenciais para a atuação segura e eficaz do enfermeiro. Nesta aula, vimos que 
a pele, como maior órgão do corpo humano, desempenha papel fundamental na 
proteção contra agressões externas, e que qualquer comprometimento de sua 
integridade exige avaliação criteriosa, raciocínio clínico apurado e intervenções 
individualizadas. Exploramos desde a anatomia e fisiologia da pele, passando 
pela classificação e fatores de risco das lesões por pressão, até as estratégias 
de prevenção, os tipos de curativos e coberturas e o manejo de dispositivos que 
podem gerar danos cutâneos. Discutimos ainda os processos de cicatrização, a 
importância da correta identificação do tipo de tecido presente na ferida e a 
necessidade de alinhar o cuidado às evidências científicas e protocolos 
institucionais. Mais do que técnicas, compreendemos que o cuidado com a 
integridade da pele exige um olhar humanizado, capaz de unir ciência, 
prevenção e empatia. A atuação do enfermeiro não se limita a tratar lesões já 
existentes, mas também a antecipar riscos, educar o paciente e a equipe e criar 
condições que favoreçam a cicatrização e evitem complicações. 
Ao prosseguir para a aula prática no laboratório, leve consigo a 
compreensão de que cada passo, da avaliação inicial ao registro das 
intervenções, é parte de um processo contínuo que impacta diretamente a 
recuperação, o conforto e a qualidade de vida do paciente. 
 
 
 
41 
REFERÊNCIAS 
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Guanabara Koogan, 2024. 
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Mount Laurel, NJ: The Society, 2016. (WOCN Clinical Practice Guideline Series).

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