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ATITUDES E HABILIDADES PARA PRÁTICA DE ENFERMAGEM II AULA 6 Prof. Johannes Abreu de Oliveira 2 CONVERSA INICIAL Olá! Hoje vamos mergulhar em um dos pilares da prática de enfermagem: o cuidado com a pele, com as feridas e com os dispositivos cirúrgicos. Esses cuidados não são apenas procedimentos técnicos, eles também representam o compromisso ético e humano que temos com o bem-estar, a segurança e a recuperação dos nossos pacientes. Começamos com aquilo que é mais básico, mas também mais essencial: os cuidados de higiene e conforto. São ações que, quando bem executadas, promovem dignidade, aliviam o sofrimento e criam as condições ideais para que o corpo se recupere. A partir daí, avançamos para o entendimento da pele como estrutura viva e complexa, que protege, comunica e responde às agressões externas. Com esse conhecimento, vamos explorar as feridas, como se formam, como se classificam e como devem ser cuidadas com atenção e técnica. Também vamos entender as lesões por pressão, que muitas vezes surgem silenciosamente, mas podem causar grandes impactos se não forem prevenidas com responsabilidade e olhar clínico. Por fim, vamos abordar os drenos cirúrgicos, dispositivos que auxiliam na cicatrização e exigem do enfermeiro uma atuação precisa, cuidadosa e vigilante. Saber como avaliar, trocar curativos e monitorar a drenagem é parte fundamental do cuidado integral. Ao longo da aula, você será convidado a refletir, analisar casos reais e aplicar raciocínio clínico. Mais do que decorar conteúdos, o objetivo é desenvolver competências que farão diferença na sua prática profissional. Vamos juntos transformar conhecimento em cuidado? TEMA 1 – CUIDADOS DE HIGIENE E CONFORTO A Sra. Eunice, de 79 anos, reside em uma instituição de longa permanência e foi submetida recentemente a uma ressecção de cólon. Sua história clínica é marcada por múltiplas comorbidades, como artrite reumatoide, diabetes melito, hipertensão arterial e obesidade grau III, com índice de massa corporal de 40. As deformidades articulares causadas pela artrite resultam em dor crônica e significativa limitação funcional, especialmente nas mãos e nos joelhos, dificultando a realização de atividades de autocuidado. Embora viva 3 sozinha, conta com o apoio da neta Jamie, estudante de enfermagem, que assumirá parte dos cuidados no domicílio após a alta hospitalar. A higiene corporal é um aspecto central no cuidado de enfermagem, pois contribui para o conforto, a segurança e o bem-estar do paciente. Além de manter a limpeza e a aparência física, o cuidado com a higiene está relacionado à prevenção de complicações, ao fortalecimento da autoestima e à promoção da saúde. Esses cuidados são influenciados por fatores físicos, emocionais, sociais, econômicos e culturais, devendo sempre ser adaptados às condições e necessidades individuais. Em pacientes com limitações funcionais, como no caso da Sra. Eunice, o enfermeiro deve avaliar a capacidade de autocuidado e propor estratégias que preservem a privacidade, promovam a independência e respeitem a dignidade (Potter et al., 2024). O planejamento dos cuidados deve ser centrado na paciente, considerando suas limitações físicas e preferências pessoais. O uso da comunicação terapêutica é essencial para criar um vínculo de confiança, permitindo que a paciente participe ativamente das decisões e do processo de cuidado. No ambiente domiciliar, a cuidadora deve ser orientada sobre técnicas seguras e eficazes, prevenindo riscos e garantindo a continuidade dos cuidados. Devido à limitação motora e ao risco de fadiga, o banho parcial no leito é o mais indicado para a Sra. Eunice. Esse tipo de banho prioriza a limpeza das áreas que acumulam maior sujidade ou geram desconforto, como mãos, face, axilas e região perineal. O uso de toalhas umedecidas com solução de clorexidina pode ser um recurso eficaz para reduzir o risco de infecções associadas à assistência à saúde. Os cuidados com a pele são indispensáveis, especialmente em pacientes com diabetes e obesidade, que apresentam maior risco de lesões cutâneas e cicatrização mais lenta. A pele deve ser inspecionada regularmente, observando alterações de cor, textura, hidratação e integridade. O uso de sabonetes suaves, loções hidratantes e a evitação de água muito quente são medidas importantes. Além disso, uma alimentação equilibrada e hidratação adequada contribuem para a manutenção da saúde cutânea. A higiene oral deve ser realizada, no mínimo, duas vezes ao dia, utilizando creme dental fluoretado. Em pacientes com dificuldade de segurar ou manusear a escova, é possível utilizar dispositivos adaptados. Em situações de risco 4 aumentado para infecções, como no caso de pacientes imunossuprimidos, recomenda-se o uso de enxaguantes bucais com clorexidina a 0,12%. O cuidado com a higiene íntima deve ser conduzido com sensibilidade e profissionalismo, respeitando a privacidade da paciente e utilizando técnica adequada. A limpeza com clorexidina é segura para a região perineal e ajuda na prevenção de infecções, sendo fundamental a inspeção regular para identificar sinais de irritação, infecção ou lesões. Os pés e unhas também merecem atenção especial, principalmente em pacientes diabéticos. Não é recomendada a imersão prolongada dos pés, a fim de evitar a maceração da pele. As unhas devem ser cortadas de forma reta, preferencialmente com orientação médica, e a inspeção diária é essencial para prevenir úlceras e infecções. Após o banho, uma massagem suave na região dorsal pode promover relaxamento muscular, reduzir o desconforto e contribuir para o bem-estar geral. Técnicas como o effleurage auxiliam na redução da ansiedade e na melhora da circulação, devendo-se sempre observar contraindicações clínicas antes da aplicação. Os aspectos psicossociais e culturais também desempenham papel importante no cuidado de higiene. A percepção que o paciente tem de seu corpo, suas crenças, valores e condições socioeconômicas influenciam diretamente na aceitação e adesão às práticas de autocuidado. Por isso, a equipe de enfermagem deve manter uma postura acolhedora, livre de julgamentos, promovendo educação em saúde e incentivando a paciente a participar ativamente do processo de cuidado (Potter et al., 2024). 1.1 Higiene: banho e cuidados íntimos A avaliação da pele, do nível de dor e da amplitude de movimento (ADM) é de responsabilidade exclusiva do enfermeiro e não pode ser delegada. O procedimento de banho e cuidados íntimos pode ser delegado ao técnico ou auxiliar de enfermagem, desde que sejam orientados a: • Não massagear áreas avermelhadas da pele. • Verificar contraindicações para imersão dos pés. • Relatar qualquer alteração na integridade da pele ao enfermeiro. 5 • Posicionar corretamente pacientes com limitações musculoesqueléticas ou com sondas e linhas intravenosas. • Comunicar se o paciente apresentar fadiga, falta de ar ou dor durante a higiene. Crédito: Johannes Abreu de Oliveira/OpenAI/IA. Materiais: • Toalhas de rosto e de banho; • Lençol de banho; • Sabonete ou CHG (2%–4%); • Itens de toalete (desodorante, loção aprovada pela instituição); • Lenços umedecidos descartáveis; • Água morna; • Camisola hospitalar ou roupa pessoal do paciente; • Saco para roupas sujas; • Luvas de procedimento; • Bacia exclusiva para banho; 6 • Oclusor/tampão ocular e esparadrapo não alergênico (pacientes inconscientes). Crédito: Johannes Abreu de Oliveira/OpenAI/IA. Etapas do procedimento: A. Histórico e avaliação inicial 1. Identificar o paciente com dois identificadores (nome e data de nascimento, por exemplo). 2. Consultar o prontuário para verificar precauções e necessidade de banho terapêutico. 3. Revisar registros anteriores para saber comoo paciente tolera a atividade. 4. Verificar risco de lesão cutânea associada a adesivos médicos. 5. Avaliar a segurança do ambiente (piso seco, cama travada). 6. Checar letramento em saúde do paciente e do familiar cuidador. 7. Higienizar as mãos e avaliar risco de queda. 7 Créditos: StockLite/Shutterstock. Crédito: Johannes Abreu de Oliveira/OpenAI/IA. B. Avaliação específica 8. Avaliar tolerância à atividade, conforto, função cognitiva e musculoesquelética. 9. Em casos de déficit cognitivo, aplicar testes e observar o comportamento. 10. Avaliar visão, capacidade de sentar-se e ADM. 11. Observar presença e posição de dispositivos (cateter, oxigênio, linhas IV). 12. Identificar preferências do paciente (horário, produtos, frequência). 13. Questionar sobre alterações na pele ou genitália (umidade, inflamação, secreção). 14. Avaliar riscos para danos na pele (idade, imobilidade, atrito, má nutrição). 8 C. Antes do banho 15. Observar a condição da pele (ressecamento, rachaduras, vermelhidão). 16. Avaliar nível de dor (0 a 10). 17. Verificar conhecimento do paciente sobre higiene e prevenção de problemas cutâneos. 18. Confirmar preferências sobre como o banho será realizado. Créditos: EgudinKa/Shutterstock. Planejamento: • Ajustar temperatura e ventilação do quarto. • Garantir privacidade (portas, cortinas). • Explicar o procedimento e benefícios (se usar CHG). • Organizar materiais antes de iniciar. • Garantir segurança (campainha ao alcance). Implementação: 1. Oferecer comadre ou urinol. 2. Calçar luvas para auxiliar, se necessário, e higienizar as mãos após. 3. Elevar o leito para altura ergonômica e posicionar o paciente confortavelmente. 4. Se a pele estiver suja ou não íntegra, usar luvas e verificar alergia a látex. 5. Colocar lençol de banho sobre o paciente, retirando cobertas com privacidade. 6. Retirar camisola ou pijama conforme técnica segura. 7. Em pacientes com acesso IV, retirar a roupa sem desconectar o dispositivo, seguindo o protocolo. 9 TEMA 2 – ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE Mariana é uma estudante de enfermagem do primeiro ano designada a cuidar da Dona Joana. A Dona Joana, uma paciente de 86 anos, caiu em sua casa e fraturou o quadril esquerdo. Antes dessa queda, ela era independente nas atividades da vida diária, gostava de receber as pessoas para refeições em casa e participava de atividades sociais. Ela foi submetida à cirurgia de artroplastia de quadril há dois dias, e suas atividades de fisioterapia pós- operatória estão progredindo lentamente. Ela fica relutante em se movimentar ou participar da fisioterapia devido à dor e ao medo de cair. Quando convidada a participar do reposicionamento, ela desliza seu corpo para cima e para baixo no leito enquanto protege seu quadril. Ela não quer que a equipe use um lençol de sustentação para reposicioná-la no leito e tem medo de ajudar por causa da dor. Seus problemas clínicos mais importantes incluem insuficiência cardíaca, hipertensão e diabetes melito tipo 2. Ela fica levemente diaforética quando se move, fazendo com que sue ao se movimentar. Mariana observa suor no roupão sobre a área do quadril esquerdo. Mariana analisa o prontuário da Dona Joana. As observações dos enfermeiros descrevem a relutância da paciente em se reposicionar ou participar ativamente das atividades de reabilitação na fisioterapia. Embora a Dona Joana tenha prescrição de medicação para dor, ela raramente a toma, por ter “medo de se viciar”. O enfermeiro da noite documentou uma área bolhosa hiperemiada no quadril direito e uma área hiperemiada na região sacral (com base em Potter e Perry, 2024). 2.1 Formação da pele A pele é formada por duas camadas principais: epiderme e derme (Figura 1). Entre elas, localiza-se uma estrutura denominada junção dermoepidérmica, que atua como interface de sustentação e comunicação. A epiderme, camada mais externa, organiza-se em diversas subcamadas, sendo o estrato córneo a mais superficial e composta por células mortas, achatadas e ricas em queratina (Potter; Perry, 2024). As células epidérmicas originam-se na camada basal, situada na porção mais profunda da epiderme. Nessa região, ocorre intensa atividade de divisão e proliferação celular. À medida que as células recém-formadas migram em 10 direção à superfície, passam por um processo de maturação, achatamento e queratinização, culminando em sua morte ao atingirem o estrato córneo. Esse contínuo ciclo celular assegura a renovação constante da epiderme, substituindo as células eliminadas durante a descamação fisiológica (Potter; Perry, 2024). O estrato córneo exerce funções essenciais de proteção, formando uma barreira que evita a perda excessiva de água e dificulta a penetração de agentes químicos potencialmente nocivos. Ainda assim, permite certa evaporação de água e possibilita a absorção percutânea de medicamentos administrados topicamente (Potter; Perry, 2024). Figura 1 – Camadas da pele Crédito: Elias Aleixo. A derme, localizada abaixo da epiderme, representa a camada mais profunda da pele e desempenha funções cruciais de suporte mecânico, resistência à tração e proteção estrutural para os tecidos subjacentes, como músculos, ossos e órgãos internos. Diferentemente da epiderme, sua constituição é predominantemente de tecido conjuntivo, com baixa densidade de células cutâneas (Potter; Perry, 2024). Entre seus principais componentes destacam-se: • Colágeno, uma proteína fibrosa responsável pela firmeza e elasticidade tecidual; 11 • Vasos sanguíneos, que promovem a nutrição e oxigenação dos tecidos; • Terminações nervosas, fundamentais para a percepção sensorial; • Fibroblastos, células especializadas na síntese de colágeno e na manutenção da matriz extracelular. O conhecimento detalhado da anatomia e fisiologia da pele permite compreender os fatores de risco que comprometem sua integridade e orientam as práticas de prevenção e manejo das feridas. Em condições normais, a pele íntegra atua como uma barreira protetora contra agressões químicas, mecânicas e microbiológicas. Quando ocorre uma lesão, a epiderme participa da reepitelização, recuperando a barreira contra infecções, enquanto a derme contribui na restauração da arquitetura estrutural, especialmente por meio da produção de colágeno (Potter; Perry, 2024). Cabe destacar que o processo natural de envelhecimento provoca modificações importantes na pele, como redução da elasticidade, afinamento das camadas e diminuição da capacidade regenerativa, tornando-a mais suscetível a lesões e dificultando a cicatrização (Potter; Perry, 2024). TEMA 3 – FERIDAS: CLASSIFICAÇÃO E CUIDADOS Uma ferida corresponde à ruptura da integridade anatômica e funcional dos tecidos corporais (Baranoski; Ayello, 2016). Pode ter origem traumática — como lacerações, perfurações ou contusões — ou ser decorrente de intervenções cirúrgicas. De acordo com as características da pele e dos tecidos subjacentes, as feridas podem ser classificadas como fechadas ou abertas (Potter; Perry, 2024). • Feridas fechadas: a pele permanece íntegra externamente, mas há dano nos tecidos internos. Exemplos incluem contusões, hematomas e lesões por pressão em estágio 1. • Feridas abertas: caracterizam-se pela ruptura da pele, expondo as camadas profundas ao ambiente externo, o que eleva o risco de infecção. O tratamento de qualquer ferida deve ser individualizado, considerando a história clínica completa do paciente, as características da ferida e os objetivos terapêuticos estabelecidos. Compreender a etiologia da ferida é essencial, uma vez que o manejo adequado dependerá do mecanismo patológico envolvido (Potter; Perry, 2024). 12 3.1 Classificação das feridas As feridas podem ser classificadas baseando-se em: • Tempo de evolução (agudaou crônica); • Causa (cirúrgica, traumática, por pressão, térmica etc.); • Gravidade e extensão do dano tecidual. A classificação da ferida permite ao enfermeiro identificar os riscos associados ao caso e escolher as intervenções apropriadas para promover a cicatrização (Potter; Perry, 2024). Outro critério importante de classificação é a profundidade da lesão (Potter; Perry, 2024): • Feridas de espessura parcial: envolvem apenas a epiderme e parte da derme superficial. São geralmente mais úmidas, dolorosas e apresentam base hiperemiada. Cicatrizam predominantemente por regeneração celular. • Feridas de espessura total: envolvem a perda completa da epiderme e da derme, podendo atingir o tecido subcutâneo ou estruturas mais profundas. A cicatrização ocorre por formação de novo tecido (reparo), sendo mais lenta e complexa. 3.2 Processos de cicatrização O processo fisiológico de cicatrização é determinado pela profundidade e extensão da lesão (Potter; Perry, 2024). 3.2.1 Cicatrização por intenção primária • Ocorre quando as bordas da ferida são aproximadas e fechadas (exemplo: suturas em incisões cirúrgicas limpas). • Apresenta baixo risco de infecção e formação mínima de cicatriz. • A cicatrização costuma ser rápida, com bom resultado funcional e estético. 13 3.2.2 Cicatrização por intenção secundária • Caracteriza feridas com perda significativa de tecido (exemplos: queimaduras, lesões por pressão em estágio 2, lacerações extensas). • A ferida permanece aberta e preenche-se gradativamente por tecido de granulação e cicatricial. • O processo é mais demorado e apresenta maior risco de infecção e de perda funcional, especialmente em lesões profundas. Figura 2 – A. Cicatrização de ferida por intenção primária, como uma incisão cirúrgica. As bordas da ferida são unidas e aproximadas com suturas ou grampos, e a cicatrização ocorre pelo depósito de tecido conjuntivo; B. Cicatrização de ferida por intenção secundária. As bordas da ferida não são aproximadas, e a cicatrização ocorre pela formação de tecido de granulação e contração das bordas da ferida Crédito: Jefferson Schnaider. A correta identificação do tipo e do processo de cicatrização é fundamental para o planejamento adequado do cuidado de enfermagem (Calis; Harding; Price, 2019). Ao identificar a presença de uma ferida ou lesão por pressão, torna-se essencial realizar uma avaliação criteriosa para orientar o planejamento adequado do cuidado. Essa avaliação permite identificar tanto o tipo de tecido presente na base da ferida quanto os fatores que podem comprometer o processo de cicatrização (Potter; Perry, 2024). 14 Durante a inspeção, é importante observar: • Quantidade (em percentual) de cada tipo de tecido no leito da ferida; • Aparência e coloração do tecido, que indicam o estágio do processo de cicatrização e orientam as condutas terapêuticas. Os principais tipos de tecido encontrados na avaliação do leito da ferida incluem: • Tecido de granulação: caracteriza-se por ser vermelho, úmido e brilhante, composto por novos vasos sanguíneos. A presença desse tecido indica que o processo de cicatrização está em andamento. • Tecido de esfacelo (slough): apresenta-se geralmente como material amarelo ou branco, de consistência macia, fibrosa ou viscosa, aderido ao leito da ferida. Esse tecido é formado por restos celulares e exsudato acumulado. Sua presença pode impedir a cicatrização e, por isso, necessita ser removido (desbridamento) por profissional capacitado ou por meio de curativos específicos que favoreçam sua eliminação. • Tecido de escara (necrose seca): caracteriza-se por áreas de coloração negra, marrom ou bronze, com aspecto endurecido ou seco. Assim como o esfacelo, a escara impede o avanço da cicatrização e, na maioria dos casos, requer remoção controlada para permitir o desenvolvimento de tecido saudável. A correta identificação e documentação do tipo e proporção de tecidos presentes orientam a escolha das intervenções terapêuticas e auxiliam na monitorização da evolução clínica da ferida (Potter; Perry, 2024). 3.3 Tempo de cicatrização A ferida aguda ocorre quando há ruptura da vascularização com desencadeamento imediato do processo de hemostasia. Na reação inflamatória aguda, as modificações anatômicas dominantes são vasculares e exsudativas, podendo determinar manifestações localizadas no ponto de agressão ou ser acompanhadas de modificações sistêmicas. A contração das margens inicia-se em cerca de cinco dias após a lesão e tem seu pico em duas semanas. Se a 15 ferida não fechar até três semanas após a ruptura da pele, a contração cessa, caracterizando então a ferida como crônica. Ferida crônica é quando há desvio na sequência do processo cicatricial fisiológico. A inflamação crônica pode resultar em um longo processo de cura e evoluir com resposta muito diferente das manifestações clássicas da inflamação aguda. Figura 3 – Tecidos diversos em uma mesma ferida Crédito: Magnon Almeida. 3.4 Conteúdo bacteriano A ferida pode apresentar conteúdo bacteriano, sendo caracterizada em diferentes formas: • Limpa: lesão feita em condições assépticas e isenta de microrganismos; • Limpa contaminada: lesão com tempo inferior a seis horas entre o trauma e o atendimento, sem contaminação significativa; • Contaminada: lesão com tempo superior a seis horas entre o trauma e o atendimento, com presença de contaminantes, mas sem processo infeccioso local; • Infectada: presença de agente infeccioso local e lesão com evidência de intensa reação inflamatória e destruição de tecidos, podendo haver pus; • Odor: produzido por bactérias e tecidos em decomposição. 16 3.5 Presença de exsudato O exsudato é um material fluido composto por células que escapam de um vaso sanguíneo e se depositam nos tecidos ou nas superfícies teciduais, usualmente como resultado de um processo inflamatório. Sua coloração depende do tipo de exsudato e pode ser característica do pigmento específico de algumas bactérias. Características do exsudato: as colorações mais frequentes são as esbranquiçadas, as amareladas, as avermelhadas, as esverdeadas e as achocolatadas. • Exsudato seroso: caracterizado por uma extensa liberação de líquido com baixo conteúdo proteico. Esse tipo de exsudato inflamatório é observado precocemente nas fases de desenvolvimento da maioria das reações inflamatórias agudas, encontradas nos estágios iniciais da infecção bacteriana. • Exsudato sanguinolento: decorrente de lesões com ruptura de vasos ou de hemácias. • Exsudato purulento: líquido composto por células e proteínas, produzido por um processo inflamatório asséptico ou séptico. Alguns microrganismos (estafilococos, pneumococos, meningococos, gonococos, coliformes e algumas amostras não hemolíticas dos estreptococos) produzem de forma característica supuração local e, por isso, são chamados de bactérias piogênicas (produtoras de pus). • Exsudato fibrinoso: extravasamento de grande quantidade de proteínas plasmáticas, incluindo o fibrinogênio, e participação de grandes massas de fibrina. 3.6 Métodos de desbridamento de feridas O desbridamento é o processo de remoção de tecido desvitalizado (necrótico) do leito da ferida, com o objetivo de promover um ambiente favorável à cicatrização (Brasil, 2021). Existem diferentes métodos de desbridamento, cada um com indicações específicas, vantagens e limitações: A. Desbridamento instrumental (conservador e cirúrgico) 17 Este método utiliza instrumentos cortantes, como tesouras, bisturis ou lâminas, sendo realizado por médicos ou enfermeiros devidamente treinados e habilitados. É indicado quando há: • Grande quantidade de tecido necrótico; • Necessidade de remoção rápida e precisa; • Situações de emergência ou complicação infecciosa; • Tentativade transformar uma ferida crônica em uma ferida aguda, favorecendo o reinício do processo cicatricial. O desbridamento cirúrgico pode envolver incisões em tecido viável, exigindo critério clínico rigoroso. B. Desbridamento mecânico Consiste na remoção física do tecido desvitalizado por meio de diferentes técnicas, tais como: • Curativos úmido-secos (aplicação de compressas umedecidas que, ao secarem, aderem ao tecido necrosado e o removem durante a troca de curativo); • Fricção (remoção manual com gaze estéril); • Irrigação pressurizada (lavagem com soluções sob pressão controlada); • Hidroterapia (banho de turbilhão). É especialmente indicado para feridas com excesso de tecido necrótico e baixa quantidade de exsudato. Exige cuidados técnicos rigorosos para evitar lesão ao tecido viável. C. Desbridamento autolítico Neste método, o próprio organismo realiza a digestão do tecido desvitalizado por meio da ação de enzimas endógenas, quando a ferida é mantida em ambiente úmido e controlado. Características: • Processo lento, porém indolor; • Facilmente aplicável, podendo ser realizado com o uso de curativos oclusivos (exemplos: hidrocoloides, hidrogéis); • Indicado para pacientes com baixa tolerância a procedimentos invasivos; • Contraindicado em feridas infectadas ou com grande quantidade de necrose, devido ao risco de proliferação bacteriana. 18 D. Desbridamento químico (enzimático) Consiste na aplicação tópica de agentes enzimáticos específicos, que atuam seletivamente fragmentando o tecido necrosado, preservando o tecido saudável. Considerações importantes: • As enzimas atuam apenas sobre o tecido desvitalizado. • Requer controle rigoroso das condições de aplicação, respeitando as instruções do fabricante quanto à dosagem, frequência e modo de uso. • O tratamento deve ser suspenso assim que o leito da ferida apresentar tecido de granulação viável. A escolha do método de desbridamento deve considerar o estado clínico do paciente, o tipo e quantidade de tecido desvitalizado, o nível de dor tolerado e o risco de infecção. Muitas vezes, uma combinação de métodos pode ser necessária ao longo da evolução da ferida. Estratégias de prevenção de LP 1. Utilizar placas de espuma em proeminências ósseas, nos pacientes de risco; 2. Reduzir áreas de pressão utilizando colchão caixa de ovo ou de ar; orientar mudanças de decúbito frequentemente; 3. Usar coxins e travesseiros para amenizar áreas de pressão; 4. Manter panturrilhas e tornozelos apoiados em almofadas (com calcanhar livre); 5. Realizar higiene íntima e/ou corporal quando necessário; sempre promover hidratação da pele; 6. Não realizar massagem em proeminências ósseas e áreas de pressão. Recomendações do Manual de Feridas (2021) 9 critérios do tratamento de feridas 1. Avaliar a ferida (avaliação da ferida, fase da cicatrização da ferida, qual é o objetivo do tratamento). 2. Limpeza da ferida. 3. Remoção dos tecidos necróticos. 4. Identificar e tratar a infecção. 5. Preencher o espaço morto. 6. Gerenciar exsudato. 7. Manter um ambiente úmido no leito da ferida. 8. Fornecer isolamento térmico. 9. Proteger a ferida. Como avaliar a ferida: todas as lesões devem ser avaliadas e documentadas, atendendo aos seguintes critérios: 1. Localização, tamanho, estágio: incluindo comprimento, largura, profundidade, forma e bordas: o Espessura parcial: estágio 1 (somente epiderme, inclui escoriações); estágio 2 (em camada dérmica); o Espessura total: estágio 3 (envolvendo tecido subcutâneo); estágio 4 (tecido subcutâneo e estruturas subjacentes). 2. Área perilesional (dentro de 4 cm de bordas de ferida), edema, eritema, dor, maceração, erupção cutânea, bordas ressecadas, corpos estranhos (drenos, suturas etc.); 3. Aparência e cor da base da ferida: o Tecido saudável: granulação/epitelização (vermelho/rosa); 19 o Tecido necrosado: necrose de liquefação (amarelo, bronzeado); necrose (preto, marrom). 4. Evidência de túneis, passagem sob a pele estendendo-se em qualquer direção através de tecido mole que cria um espaço morto com potencial para formação de abscesso ou área de destruição tecidual ao longo das margens da ferida subjacente à pele intacta; 5. Exsudato: quantidade, cor, tipo (serossanguinolento, sangramento vivo, fibrina, purulento). Fonte: Manual de Padronização de Curativos. Fonte: Manual de Padronização de Curativos. 20 3.7 Sistema de avaliação de feridas por cores: método RYB O sistema de classificação RYB (Red-Yellow-Black) é amplamente utilizado no cuidado de feridas crônicas, especialmente em lesões por pressão, por oferecer uma abordagem visual prática e de fácil aplicação para a avaliação do leito da ferida e planejamento terapêutico (Brasil, 2021). A sigla RYB corresponde às cores em inglês: • Red (vermelho); • Yellow (amarelo); • Black (preto). Cada cor representa um tipo específico de tecido presente na ferida, indicando o estágio de cicatrização e a conduta mais apropriada: • R — vermelho (Red): tecido de granulação o Representa tecido viável e saudável, composto por novos capilares sanguíneos, fibroblastos e matriz extracelular. o Indica que a cicatrização está em processo ativo. o O objetivo principal do cuidado é proteger esse tecido e manter a umidade ideal no leito da ferida, favorecendo a regeneração. • Y — amarelo (Yellow): presença de exsudato e esfacelo o Refere-se à presença de tecido desvitalizado (esfacelo), secreção purulenta ou restos celulares. o Indica necessidade de remoção do tecido não viável e controle da carga bacteriana. o As intervenções incluem desbridamento apropriado, controle do exsudato e prevenção de infecção. • B — preto (Black): tecido necrótico (escara) o Corresponde a áreas de necrose seca, endurecida e desidratada. o A escara impede a cicatrização e, geralmente, requer desbridamento (quando clinicamente indicado e após avaliação do risco/benefício). Este sistema fornece uma forma rápida e dinâmica de orientar a equipe multidisciplinar no direcionamento das condutas clínicas, sendo especialmente útil em serviços com grande volume de pacientes e múltiplos profissionais envolvidos na assistência. 21 A metáfora do tomate é frequentemente utilizada para ilustrar a fragilidade da pele, destacando sua vulnerabilidade frente a traumas e lesões, como proposto pela SOBENFeE (Sociedade Brasileira de Enfermagem em Feridas e Estética) (Brasil, 2021). Crédito: Flávio Oliveira. 3.8 Técnicas de curativos (Manual de Feridas, 2021) • Estéril: curativo realizado na unidade de saúde, com material estéril (pinças ou luvas), solução fisiológica 0,9% aquecida e cobertura estéril. • Limpa: curativo realizado no domicílio, pelo usuário e/ou familiar. Realizado com material limpo, água corrente ou soro fisiológico 0,9% e cobertura estéril. 22 Figura 4 – Qual curativo utilizar Fonte: Manual de Padronização de Curativos. Figura 5 – Guia de avaliação e escolha do produto Fonte: Manual de Padronização de Curativos. 23 Fonte: Manual de Padronização de Curativos. Saiba mais Acesse o “Manual de Feridas”, do Ministério da Saúde, e tenha mais informações. Disponível em: . Acesso em: 24 out. 2025. 3.9 Tipos de coberturas e curativos A escolha adequada das coberturas e dos curativos é um componente essencial no cuidado com feridas, devendo sempre ser individualizada de acordo com o tipo de ferida, a fase de cicatrização e as condições clínicas do paciente. De forma geral, as coberturas podem ser classificadas em: 1. Coberturas passivas: o Têm como principal função proteger a ferida contra agressões externas e contaminação. o Não exercem ação direta sobreo ambiente da ferida. o São frequentemente utilizadas em incisões cirúrgicas com bordas aproximadas e cicatrização por primeira intenção, quando a proteção inicial já foi estabelecida. 2. Coberturas interativas: o Criam um microambiente ideal para a cicatrização. 24 o Promovem o equilíbrio da umidade, favorecem o desbridamento autolítico e estimulam a formação de tecido de granulação. o São indicadas para feridas abertas, exsudativas e em processo ativo de reparação. 3. Coberturas bioativas: o Atuam de maneira ativa no processo cicatricial, liberando ou estimulando substâncias que aceleram a regeneração tecidual. o Alguns exemplos incluem curativos impregnados com colágeno, fatores de crescimento, membranas biológicas e outros agentes bioativos. 3.10 Tipos de curativos segundo o tipo de ferida 1. Feridas cirúrgicas (cicatrização por primeira intenção): o Após 24 horas da cirurgia, quando já há formação de rede de fibrina protetora, a incisão pode permanecer exposta. o Caso o paciente deseje manter a incisão coberta, pode-se optar por um curativo passivo simples. 2. Feridas abertas: o Devem ser irrigadas com solução fisiológica 0,9% aquecida (aprox. 37 °C) para favorecer a limpeza atraumática. o Recomenda-se o uso de seringa de 20 ml com agulha 40 × 12, aplicando pressão controlada (≤ 15 psi) para não lesionar o tecido recém-formado. 3. Feridas fechadas: o Realiza-se o curativo tradicional utilizando pinças estéreis, respeitando as técnicas assépticas. 4. Curativos em presença de drenos: o Considerados curativos complexos, já que o dreno tem a função de remover fluidos (sangue, exsudato, bile, entre outros), prevenindo acúmulo e formação de coleções na cavidade. 25 3.11 Princípios fundamentais na escolha do curativo • A seleção da cobertura deve ser apenas parte do plano de cuidado integral. • Não existe produto universal: cada ferida requer avaliação individualizada e dinâmica. • A equipe deve basear-se em princípios científicos sólidos e seguir protocolos institucionais. O curativo ideal deve: • Promover o desbridamento autolítico quando indicado; • Manter o equilíbrio da umidade; • Favorecer a angiogênese (formação de novos vasos); • Estimular a formação de tecido de granulação saudável; • Proteger as terminações nervosas (aliviando a dor); • Facilitar a reepitelização sem trauma à borda da ferida; • Oferecer barreira contra infecções; • Ser impermeável à água, mas permeável ao vapor, permitindo a transpiração da pele; • Ser de fácil remoção, sem lesar o tecido neoformado. Cabe ao profissional de enfermagem realizar avaliação criteriosa da ferida em cada troca de curativo, adaptando a conduta conforme a evolução clínica. TEMA 4 – LESÕES POR PRESSÃO E PREVENÇÃO Os termos lesão por pressão, úlcera por pressão, úlcera de decúbito e escara têm sido historicamente utilizados para descrever o comprometimento da integridade da pele associado à exposição prolongada à pressão não aliviada. Atualmente, o termo lesão por pressão (LP) é o mais adequado e recomendado, em conformidade com as diretrizes do National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) (Edsberg et al., 2016). A lesão por pressão caracteriza-se por um dano localizado na pele e nos tecidos moles subjacentes, comumente situado sobre proeminências ósseas ou em áreas sujeitas à pressão exercida por dispositivos médicos ou outros tipos de equipamentos. Essas lesões podem apresentar-se de formas variadas, desde pele íntegra com alterações visíveis (como eritema persistente) até formação de 26 bolhas ou úlceras abertas, frequentemente acompanhadas de dor (Potter; Perry, 2024). O desenvolvimento da lesão decorre da exposição à pressão intensa e/ou prolongada, podendo ainda estar associado ao cisalhamento (Figura 6) — força que distorce os tecidos ao deslizarem sobre planos fixos. A tolerância do tecido a essas forças pode ser influenciada por diversos fatores locais e sistêmicos. Além disso, diversos fatores de risco aumentam a vulnerabilidade para o desenvolvimento de lesões por pressão (Quadro 1). O reconhecimento precoce dos fatores de risco e a implementação de medidas preventivas individualizadas são essenciais para reduzir a incidência e a gravidade das lesões por pressão, constituindo uma das principais responsabilidades do enfermeiro na assistência integral ao paciente (Potter; Perry, 2024). Figura 6 – Cisalhamento exercido na área sacral Crédito: Flávio Oliveira. Quadro 1 – Fatores de risco para o desenvolvimento de lesões por pressão Categoria Fatores de risco específicos Mobilidade reduzida Imobilidade, restrição ao leito ou cadeira, uso prolongado de dispositivos médicos Alterações sensoriais Diminuição ou ausência da percepção de dor e desconforto (exemplos: lesão medular, neuropatias) Alterações nutricionais Desnutrição, hipoalbuminemia, perda de peso não intencional 27 Categoria Fatores de risco específicos Alterações vasculares e perfusão Hipotensão, hipoperfusão tecidual, doenças vasculares periféricas Alterações do microclima cutâneo Umidade excessiva (incontinência urinária e fecal, sudorese), hipertermia local Idade avançada Redução da elasticidade cutânea, afinamento da pele, menor capacidade regenerativa Comorbidades Diabetes mellitus, infecções sistêmicas, doenças crônicas (insuficiência cardíaca, renal ou hepática) Condições agudas e críticas Pacientes em cuidados intensivos, pós-operatório prolongado, cuidados paliativos Fonte: Oliveira, 2025. A pressão constitui o fator central no desenvolvimento das lesões por pressão. O suprimento sanguíneo é responsável por fornecer oxigênio e nutrientes essenciais às células, além de remover os resíduos metabólicos gerados pelas suas atividades. Quando ocorre pressão sobre determinado ponto do corpo, especialmente de forma intensa e prolongada, o fluxo sanguíneo local pode ser parcial ou totalmente comprometido (Potter; Perry, 2024). Essa interrupção do fluxo sanguíneo compromete o metabolismo celular, prejudicando a oxigenação e o funcionamento normal das células. Se a pressão for mantida por tempo prolongado, a redução progressiva da perfusão leva à isquemia tecidual — situação em que o tecido não recebe oxigênio suficiente — e, na ausência de alívio, evolui para necrose (morte celular) (Potter; Perry, 2024). Portanto, a intensidade e a duração da pressão são determinantes críticos na gravidade da lesão. Quanto maior a pressão e mais prolongado seu efeito, maior o risco de dano irreversível ao tecido. 4.1 Mecanismos de desenvolvimento das lesões por pressão As lesões por pressão podem resultar de diferentes mecanismos de agressão tecidual. De forma didática, podemos classificar os danos em superficiais e profundos, de acordo com a direção e profundidade da lesão: • Danos superficiais (de cima para baixo): geralmente associados a cisalhamento e atrito, manifestam-se clinicamente como áreas de vermelhidão na pele (lesão por pressão estágio 1). 28 • Danos profundos (de baixo para cima): estão relacionados à pressão aplicada de forma intensa e/ou prolongada, comprometendo a perfusão dos tecidos subjacentes (Potter; Perry, 2024). 4.2 Intensidade da pressão A intensidade da pressão é fator determinante para o colapso do fluxo capilar. Estudos clássicos apontam que, quando a pressão aplicada excede o chamado limite de fechamento capilar (aproximadamente 15 a 32 mmHg), ocorre o colapso dos capilares sanguíneos, interrompendo o fornecimento de oxigênio e nutrientes (Potter; Perry, 2024). Se o paciente não possui sensibilidade preservada para perceber o desconforto gerado pela isquemia, a pressão não é aliviada e o tecido sofre isquemia persistente, evoluindo para necrose (Potter; Perry, 2024). Clinicamente, a interrupção e o retorno do fluxo sanguíneo podem seravaliados pela presença de hiperemia (vermelhidão). Quando a pressão é aliviada e a pele torna-se avermelhada pela vasodilatação reativa, temos a hiperemia branqueável — caracterizada pelo clareamento momentâneo da pele à digitopressão, com retorno rápido da coloração ao soltar o dedo, indicando que a lesão ainda é reversível (Potter; Perry, 2024). Por outro lado, quando o eritema não branqueia à pressão, há forte suspeita de dano tecidual mais profundo. Em pacientes com pele preta ou parda, a avaliação deve incluir comparação com áreas adjacentes e análise de alterações como: • textura (mais firme, mole ou edematosa); • sensibilidade (presença de dor ou desconforto); • temperatura (mais quente ou mais fria que a área circundante). 4.3 Duração da pressão Tanto a pressão leve e contínua quanto a pressão intensa e breve são capazes de provocar danos teciduais. O tempo de exposição é crítico: períodos prolongados de oclusão vascular resultam em hipóxia, acúmulo de metabólitos e, progressivamente, morte celular (Potter; Perry, 2024). Na prática clínica, torna-se essencial avaliar: 29 • a intensidade da pressão aplicada; • o tempo de exposição; • a capacidade de recuperação do tecido após o alívio da pressão. 4.4 Tolerância do tecido A tolerância tecidual refere-se à capacidade dos tecidos de suportar a pressão sem sofrer danos, e essa tolerância depende da integridade estrutural da pele e dos tecidos subjacentes. Fatores extrínsecos como cisalhamento, atrito e umidade comprometem a resistência da pele e aumentam sua vulnerabilidade (Potter; Perry, 2024). Fatores intrínsecos relacionados ao paciente também influenciam essa tolerância, incluindo: • nutrição inadequada; • envelhecimento cutâneo; • estado de hidratação; • hipotensão arterial; • comprometimento da rede vascular e do colágeno. A combinação desses fatores contribui para o risco e a gravidade das lesões por pressão. 4.5 Cisalhamento O cisalhamento ocorre quando há deslizamento interno entre as camadas da pele e os tecidos subcutâneos, enquanto as estruturas musculares e ósseas permanecem fixas (Bryant, 2016). Um exemplo clássico acontece quando a cabeceira do leito é elevada: o esqueleto do paciente tende a deslizar para baixo devido à gravidade, mas a pele permanece em contato com o leito, aderida pela fricção. Esse deslocamento oposto entre os planos teciduais gera tensão nas camadas profundas (Potter; Perry, 2024). O cisalhamento também é frequente durante transferências inadequadas de pacientes, como ao arrastar o paciente do leito para a maca sem o uso de dispositivos de redução de atrito. Nessas situações, enquanto a pele e o tecido subcutâneo aderem à superfície, as camadas musculares e ósseas deslocam- se no sentido do movimento corporal, resultando em estiramento e angulação 30 dos capilares profundos, especialmente nas áreas de proeminência óssea (Potter; Perry, 2024). Como consequência, ocorre necrose nas camadas profundas do tecido, particularmente na fáscia e nos tecidos musculares, com possível afrouxamento da derme. Esse processo favorece o desenvolvimento de lesões por pressão profundas, muitas vezes difíceis de serem detectadas nos estágios iniciais, pois a pele superficial pode permanecer aparentemente íntegra enquanto o dano progride internamente (Cooper; Nix; Pieper, 2020). 4.6 Atrito O atrito refere-se à força mecânica gerada pelo contato e movimento de duas superfícies uma contra a outra. No contexto clínico, ocorre, por exemplo, quando a pele do paciente é arrastada sobre superfícies ásperas, como lençóis ou roupas de cama (WOCN, 2016). Diferentemente do cisalhamento, o atrito lesiona primariamente a epiderme, causando perda superficial de pele. As áreas afetadas apresentam- se avermelhadas, dolorosas e podem ser descritas como “queimaduras de lençol”. Esse tipo de lesão é comum em pacientes inquietos, com movimentos involuntários (espasticidade) ou em situações de manejo inadequado durante trocas de posição e transferências — quando o paciente é arrastado em vez de ser suspenso corretamente (Potter; Perry, 2024). Embora o atrito não seja classificado como LP (NPUAP, 2016), sua presença aumenta a vulnerabilidade da pele ao desenvolvimento de lesões profundas, especialmente quando ocorre em associação ao cisalhamento (Potter; Perry, 2024). Além disso, tanto o atrito quanto o cisalhamento podem ser exacerbados pelo uso prolongado de dispositivos hospitalares, como talas, sondas, máscaras ou cintos de contenção. Nessas situações, além da agressão mecânica direta, pode haver comprometimento da perfusão e alteração do microclima da pele — com aumento da umidade e temperatura na interface pele-dispositivo, fatores que favorecem a fragilidade cutânea e aumentam o risco de dano tecidual (Cooper; Nix; Pieper, 2020). 31 4.7 Classificação das lesões por pressão Existe um sistema de classificação por estágios amplamente utilizado na avaliação e no manejo das lesões por pressão. A correta determinação do estágio da lesão exige conhecimento detalhado sobre a anatomia das camadas da pele, uma vez que o estadiamento se baseia principalmente na profundidade do comprometimento tecidual (Potter; Perry, 2024). Um dos desafios desse sistema é a limitação na classificação de lesões cobertas por tecido necrótico (esfacelo ou escara), pois a presença desse material impede a visualização da profundidade real da lesão. Nesses casos, o desbridamento — quando indicado dentro do plano terapêutico — é necessário para expor a base da ferida e permitir uma avaliação precisa (Potter; Perry, 2024). Apesar dessas limitações, o sistema de estadiamento é extremamente útil, pois orienta o profissional de enfermagem na seleção de tratamentos tópicos apropriados, escolha de superfícies de alívio de pressão e definição de estratégias específicas para favorecer o processo de cicatrização, conforme a gravidade da lesão. É importante destacar que o estágio atribuído à lesão por pressão permanece fixo ao longo de sua evolução clínica. Ou seja, uma lesão classificada como estágio 3 manterá essa denominação mesmo após apresentar sinais de cicatrização. Assim, uma ferida em melhora não é reclassificada em estágios inferiores; descreve-se como: “lesão por pressão em estágio 3 em processo de cicatrização.” Esse princípio evita confusões e assegura a continuidade adequada do registro clínico e do monitoramento da evolução da ferida (Potter; Perry, 2024). • Lesão por pressão de estágio 1: pele íntegra com uma área localizada de eritema não branqueável, mas pode apresentar uma aparência diferente em peles pretas ou pardas. o A presença de eritema branqueável ou alterações de sensibilidade, temperatura ou firmeza pode preceder as alterações visuais. o Mudanças de cor não incluem manchas roxas ou castanhas; estas podem indicar lesão tecidual profunda por pressão (Potter; Perry, 2024). 32 Crédito: Jefferson Schnaider. • Lesão por pressão de estágio 2: perda de espessura parcial de pele com exposição da derme. o O leito da ferida é viável, rosa ou vermelho e úmido, e também pode se apresentar como uma bolha íntegra ou rompida, contendo soro. O tecido adiposo (gordura) não é visível, e os tecidos mais profundos também não são visíveis. o Ausência de tecido de granulação, descamação e escara. Essas lesões normalmente resultam de microclimas adversos e cisalhamento na pele sobre a pelve e de cisalhamento no calcanhar (Potter; Perry, 2024). Crédito: Jefferson Schnaider. 33 Crédito: Magnon Almeida. • Lesão por pressão de estágio 3: perda de pele em sua espessura total. o Perda de pele em sua espessura total, na qual o tecido adiposo (gordura) é visível na ulceração e, geralmente, há presença de tecido de granulação e epíbole (ferida com bordas enroladas). Descamaçãoe/ou escara podem ser visíveis. o A profundidade do dano tecidual varia de acordo com a localização anatômica; áreas de adiposidade significativa podem se desenvolver em feridas profundas. Podem ocorrer erosão e tunelização. o Não há exposição das fáscias, músculos, tendões, ligamentos, cartilagem e/ou ossos. Se uma descamação ou escara ocultar a extensão da perda de tecido, a classificação será de lesão por pressão não classificável. Crédito: Magnon Almeida. 34 • Lesão por pressão de estágio 4: perda de pele em sua espessura total e de tecido, com fáscias, músculos, tendões, ligamentos, cartilagem ou ossos expostos ou diretamente palpáveis na úlcera. o Descamação e/ou escara podem ser visíveis. Geralmente ocorrem epíbole (bordas enroladas), erosão e/ou tunelização. o A profundidade varia de acordo com a localização anatômica. Se uma descamação ou escara não deixar visível a extensão da perda de tecido, a classificação será de lesão por pressão não classificável. • Lesão por pressão não classificável: perda obscurecida de pele em sua espessura total e de tecido. o Perda obscurecida de pele em sua espessura total e de tecido, na qual a extensão do dano tecidual dentro da úlcera não pode ser confirmada por estar obscurecida por descamação ou escara. Se a descamação ou escara forem removidas, uma lesão por pressão de estágio 3 ou 4 será revelada. Escara estável (ou seja, seca, aderente, íntegra, sem eritema ou flutuação) no calcanhar ou membro isquêmico não deve ser amolecida ou removida. • Lesão por pressão tecidual profunda: pele íntegra ou não, com área localizada de persistente coloração vermelha, castanha ou roxa profunda não branqueável, ou separação epidérmica revelando um leito de ferida escura ou uma bolha de sangue. o Dor e mudanças de temperatura geralmente precedem as alterações na cor da pele. o As manchas podem ter uma aparência diferente em peles com pigmentação preta ou parda. Essa lesão resulta de pressão intensa e/ou prolongada e de forças de cisalhamento na interface osteomuscular. o A ferida pode evoluir rapidamente até revelar a extensão real da lesão tecidual ou se resolver sem perda de tecido. Se tecido necrótico, tecido subcutâneo, tecido de granulação, fáscia, músculo ou outras estruturas subjacentes estiverem visíveis, isso indica lesão por pressão em sua espessura total (não classificável, estágio 3 ou estágio 4). o Não use a classificação de lesão por pressão tecidual profunda para descrever condições vasculares, traumáticas, neuropáticas ou dermatológicas. 35 4.8 Lesão por pressão relacionada a dispositivo médico A lesão por pressão relacionada a dispositivo médico (LPRDM) refere-se a um subtipo de lesão por pressão cuja causa direta é o uso de dispositivos aplicados com finalidade diagnóstica ou terapêutica. Esses dispositivos incluem, por exemplo, máscaras de oxigênio, cânulas nasais, sondas, talas, colares cervicais, dispositivos de imobilização e tubos endotraqueais. Uma característica distintiva dessa lesão é que ela geralmente reproduz o formato ou contorno do próprio dispositivo na área de contato com a pele, facilitando a identificação de sua etiologia (Figura 7) (Potter; Perry, 2024). Embora a causa esteja associada ao uso do dispositivo, a LPRDM deve ser classificada de acordo com o sistema convencional de estadiamento das lesões por pressão (estágios 1 a 4, lesão tissular profunda ou não classificável), com base na profundidade e nas características da lesão no momento da avaliação. A correta identificação desse tipo de lesão é fundamental para orientar intervenções específicas, como ajustes no posicionamento do dispositivo, uso de protetores de pele, monitoramento frequente e adoção de superfícies de alívio de pressão (Potter; Perry, 2024). Figura 7 – A. Proeminências ósseas mais frequentemente associadas à lesão por pressão; B. Locais de lesão por pressão Fonte: Copyright European Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), 2018. Crédito: Jefferson Schnaider. 36 Pense nisso na prática Pensando no caso da Dona Joana, responda às questões a seguir: 1. Quais são os dados subjetivos e objetivos identificados na avaliação da Dona Joana? 2. Quais fatores da história clínica de Dona Joana aumentam o risco de desenvolvimento de lesões por pressão? 3. Que sinais indicam que Dona Joana já apresenta comprometimento da integridade cutânea? 4. Identifique, com base nos dados coletados, pelo menos três diagnósticos de enfermagem para este caso, utilizando a taxonomia NANDA-I. 5. Qual diagnóstico de enfermagem melhor descreve a recusa de Dona Joana em utilizar a medicação para dor? 6. Qual seria um objetivo de curto prazo para o diagnóstico de “dor aguda”? 7. Quais intervenções de enfermagem podem ser implementadas para prevenir lesão por pressão relacionada ao cisalhamento no caso de Dona Joana? 8. Cite ao menos duas estratégias para promover segurança e confiança na mobilização da paciente durante a fisioterapia. 9. Por que é importante administrar a medicação analgésica antes da fisioterapia? 10. Como o enfermeiro pode avaliar se as intervenções propostas estão sendo eficazes? 11. Como registrar a evolução de uma lesão por pressão de estágio 3 que apresenta melhora? 12. Imagine que Dona Joana continue com medo de movimentar-se mesmo após a explicação inicial. Como você, como enfermeiro, poderia intervir de forma terapêutica para ajudá-la a superar essa barreira emocional? 13. Pense sobre as informações da escala Braden. Como isso impactará seu conhecimento sobre identificação de riscos de LP e possíveis intervenções? 37 TEMA 5 – DRENOS CIRÚRGICOS: CUIDADOS DE ENFERMAGEM Os drenos são dispositivos utilizados para remover fluidos ou sangue que possam se acumular no interior de uma ferida, facilitando a cicatrização adequada. Eles podem ser inseridos durante ou após a cirurgia por médicos ou radiologistas intervencionistas, principalmente quando há previsão de grande quantidade de secreção (Potter; Perry, 2024). 5.1 Função principal dos drenos • Evitar o acúmulo de líquidos no leito da ferida. • Promover a cicatrização de dentro para fora, mantendo o leito limpo e livre de pressão excessiva por líquidos retidos. 5.2 Tipos e fixação • Alguns drenos são fixados por sutura para evitar deslocamento. • O dreno de Penrose, por exemplo, é um tipo de dreno flexível, colocado parcialmente sob o curativo. Costuma-se fixar um alfinete ou grampo no dreno para impedir que ele deslize para dentro da ferida. • Ao realizar trocas de curativo em drenos não suturados, é fundamental ter cuidado para não puxar acidentalmente o dreno. 5.3 Técnica de curativo • O curativo geralmente é dividido (fenda em “Y” ou “V”) para acomodar o dreno. • Remova os curativos em etapas, sempre observando o dreno durante o procedimento. 5.4 Avaliação de enfermagem Durante o cuidado com drenos, o profissional deve monitorar: • Número e tipo de drenos em uso. • Posicionamento adequado do dreno. • Fixação correta e segura. • Volume e aspecto da drenagem (cor, odor, quantidade). 38 • Funcionamento do sistema de coleta: o sistema deve estar pérvio (sem bloqueios). • Caso ocorra redução súbita da drenagem, pode ser sinal de obstrução, devendo o médico ser informado (Potter; Perry, 2024). Figura 9 – Dreno de Penrose com curativo Crédito: Flávio Oliveira. Figura 10 – Dreno de sucção (Portovac) Crédito: Magnon Almeida. 39 NA PRÁTICA Imagine que você está no setor de clínica médica de um hospital e é responsável pelo cuidado de um paciente adulto, internado há 7 dias, utilizando um cateter urinário de demora para monitoramento rigoroso da diurese. Além disso, o paciente está em uso contínuo de máscara de oxigênio tipo Venturi e possui uma sonda nasoenteral para suporte nutricional.Durante a visita de enfermagem, você observa que: • A pele ao redor da narina onde está fixada a sonda apresenta leve hiperemia. • Há uma marca de pressão visível na face devido ao uso contínuo da máscara de oxigênio. • A região do meato uretral apresenta discreta vermelhidão e queixa de ardor local. • Com base nessas observações e nos conteúdos estudados nesta aula, descreva e justifique: 1. Riscos de ruptura da integridade da pele o Análise, para cada dispositivo (cateter urinário, máscara de oxigênio e sonda nasoenteral), de quais fatores mecânicos, químicos ou de microclima podem favorecer o surgimento de lesão por pressão relacionada a dispositivo médico (LPRDM). 2. Avaliação clínica detalhada o Explique como você avaliaria a pele e tecidos adjacentes a cada dispositivo, incluindo inspeção, palpação e comparação com áreas adjacentes. o Indique quais parâmetros da Escala de Braden seriam impactados pela presença desses dispositivos. 3. Diagnósticos de enfermagem o Elabore pelo menos três diagnósticos de enfermagem segundo a NANDA-I relacionados à integridade da pele e risco de infecção nesse caso. 4. Planejamento de cuidados preventivos e terapêuticos o Descreva cinco intervenções de enfermagem (NIC) que podem ser aplicadas para prevenir a evolução para uma lesão por pressão grave. 40 o Inclua medidas específicas para o manejo do microclima da pele, redistribuição de pressão e uso de dispositivos de proteção cutânea. 5. Objetivos de curto prazo (NOC) o Defina objetivos mensuráveis para monitorar a eficácia das intervenções, considerando parâmetros como ausência de hiperemia persistente, integridade da pele preservada e melhora da sensação de conforto do paciente. 6. Registro de enfermagem o Redija como seria a anotação de enfermagem após a avaliação e as intervenções realizadas, utilizando linguagem técnica adequada e seguindo o padrão institucional. FINALIZANDO O cuidado com a pele e o manejo de feridas representam competências essenciais para a atuação segura e eficaz do enfermeiro. Nesta aula, vimos que a pele, como maior órgão do corpo humano, desempenha papel fundamental na proteção contra agressões externas, e que qualquer comprometimento de sua integridade exige avaliação criteriosa, raciocínio clínico apurado e intervenções individualizadas. Exploramos desde a anatomia e fisiologia da pele, passando pela classificação e fatores de risco das lesões por pressão, até as estratégias de prevenção, os tipos de curativos e coberturas e o manejo de dispositivos que podem gerar danos cutâneos. Discutimos ainda os processos de cicatrização, a importância da correta identificação do tipo de tecido presente na ferida e a necessidade de alinhar o cuidado às evidências científicas e protocolos institucionais. Mais do que técnicas, compreendemos que o cuidado com a integridade da pele exige um olhar humanizado, capaz de unir ciência, prevenção e empatia. A atuação do enfermeiro não se limita a tratar lesões já existentes, mas também a antecipar riscos, educar o paciente e a equipe e criar condições que favoreçam a cicatrização e evitem complicações. Ao prosseguir para a aula prática no laboratório, leve consigo a compreensão de que cada passo, da avaliação inicial ao registro das intervenções, é parte de um processo contínuo que impacta diretamente a recuperação, o conforto e a qualidade de vida do paciente. 41 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Protocolo de Feridas (versão digital). Brasília: Ministério da Saúde, mar. 2021. Disponível em: . Acesso em: 23 out. 2025. CALIS, H. et al. Non-healing wounds: can it take different diagnosis? International Wound Journal, v. 17, p. 443-449, 2019. COOPER, K. D. et al. Prevention and treatment of device-related hospital- acquired pressure injuries. American Journal of Critical Care, v. 29, n. 2, p. 150-159, 2020. EDSBERG, L. E. et al. Revised National Pressure Ulcer Advisory Panel pressure injury staging system. Journal of Wound Ostomy and Continence Nursing, v. 43, n. 6, p. 585-597, 2016. EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL (EPUAP); NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL (NPIAP); PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE (PPPIA). Treatment of pressure ulcers/injuries: clinical practice guideline. The International Guideline. HAESLER, E. (ed.). EPUAP/NPIAP/PPPIA, 2019a. PIEPER, B. Pressure ulcers: impact, etiology, and classification. In: BRYANT, R. A.; NIX, D. P. (Eds.). Acute and chronic wounds: current management concepts. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2016. p. 126-140. POTTER, P. A. et al. Fundamentos de enfermagem. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2024. WOUND, OSTOMY, AND CONTINENCE NURSES SOCIETY (WOCN). Guideline for prevention and management of pressure ulcers (injuries). Mount Laurel, NJ: The Society, 2016. (WOCN Clinical Practice Guideline Series).