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ATITUDES E HABILIDADES 
PARA A PRÁTICA DE 
ENFERMAGEM I 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Johannes Abreu de Oliveira 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Imagine que você está em seu primeiro dia de estágio em uma unidade 
clínica. À sua frente, um paciente recém-internado, e a preceptora lhe 
orienta: "Antes de qualquer intervenção, precisamos conhecer esse paciente por 
completo. Vamos iniciar com o exame físico e garantir seu conforto com os 
cuidados de higiene.". 
Essa cena, simples à primeira vista, representa um dos momentos mais 
importantes da atuação do enfermeiro: a avaliação clínica inicial. Nesse 
momento, são lançadas as bases para um cuidado seguro, individualizado e 
humanizado. 
O exame físico geral permite identificar sinais precoces de alterações no 
estado de saúde, apoiar diagnósticos de enfermagem e monitorar a resposta às 
intervenções. Já os cuidados de higiene são mais do que apenas rotinas 
básicas – eles promovem dignidade, previnem infecções e fortalecem o vínculo 
terapêutico com o paciente. 
Nesta abordagem, vamos aprofundar os conhecimentos e habilidades 
necessários para realizar uma avaliação física eficaz e prestar cuidados de 
higiene com qualidade, ética e empatia. Mais do que aprender técnicas, o 
objetivo é desenvolver um olhar clínico atento e uma escuta sensível. 
Ao final desta abordagem, você deverá ser capaz de: 
1. Compreender a importância do exame físico geral no processo de 
avaliação de enfermagem no contexto clínico. 
2. Identificar as etapas do exame físico e as técnicas básicas de inspeção, 
palpação, percussão e ausculta. 
3. Realizar a coleta sistemática de dados sobre as condições gerais do 
paciente, como sinais vitais, estado nutricional, mobilidade e integridade 
da pele. 
4. Aplicar técnicas adequadas de higiene e conforto conforme a necessidade 
do paciente, respeitando princípios de segurança e privacidade. 
5. Desenvolver habilidades de comunicação terapêutica durante a avaliação 
e o cuidado direto com o paciente. 
 
 
3 
TEMA 1 – A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DE ENFERMAGEM NO EXAME 
FÍSICO 
Os enfermeiros realizam o exame físico por diversos motivos, como na 
triagem inicial em situações de urgência, em avaliações de rotina voltadas à 
promoção da saúde e prevenção de doenças, ou, ainda, na admissão em 
unidades hospitalares e instituições de longa permanência. 
A escolha entre um exame geral ou focado dependerá da condição clínica 
atual do paciente. Por exemplo, diante de uma crise asmática, o enfermeiro 
prioriza os sistemas respiratório e cardiovascular, a fim de iniciar intervenções 
imediatas e após estabilização do quadro, amplia-se a avaliação para os demais 
sistemas do corpo (Potter et al., 2024). 
Em ambientes hospitalares, os enfermeiros incorporam a avaliação física 
na rotina de cuidados, correlacionando os achados com o histórico clínico do 
paciente. Situações como observar expressões ou notar dificuldades em 
atividades comuns exemplificam essa integração entre exame e prática cotidiana 
(Potter et al., 2024). 
O exame físico tem múltiplos objetivos, entre os quais: 
• Coletar dados iniciais sobre o estado geral de saúde do paciente; 
• Confirmar, complementar ou questionar informações subjetivas 
previamente obtidas; 
• Sustentar e validar diagnósticos de enfermagem; 
• Apoiar decisões clínicas relacionadas a mudanças no quadro clínico e a 
intervenções necessárias; 
• Monitorar e avaliar os resultados das ações de cuidado implementadas. 
Ao realizar o exame físico, é essencial seguir uma sequência lógica e 
padronizada para garantir que nenhuma observação importante seja 
negligenciada. A abordagem sistemática, da cabeça aos pés, permite a 
avaliação completa de todos os sistemas do corpo e ajuda o profissional a 
manter a organização e a coerência durante o processo (Potter et al., 2024). 
Em adultos, inicia-se pela observação da cabeça e do pescoço, 
avançando de forma ordenada até os pés, integrando os diferentes sistemas 
corporais. Essa organização pode se alterar a depender do cenário que o 
enfoque do exame necessitar. Por exemplo, em uma situação de trabalho de 
parto, o exame físico será direcionado à necessidade daquele momento. 
 
 
4 
Para assegurar um exame eficiente, considere as seguintes orientações: 
• Compare ambos os lados do corpo em busca de simetria. Pequenas 
diferenças, como maior desenvolvimento muscular no braço dominante, 
podem ser anormais. 
• Priorize sistemas críticos quando o paciente estiver em estado grave. Por 
exemplo, em caso de dor no peito, avalie primeiro o sistema 
cardiovascular. 
• Ofereça pausas ao paciente, caso ele demonstre cansaço durante o 
exame. 
• Deixe os procedimentos dolorosos para o final, minimizando o 
desconforto durante a avaliação. 
• Registre as observações de maneira clara e objetiva, utilizando 
formulários padronizados que sigam a mesma ordem do exame físico. 
• Para o registro, use linguagem técnica apropriada e abreviações 
reconhecidas, mantendo os registros concisos e precisos. 
• Faça anotações rápidas durante a avaliação para não se esquecer de 
informações importantes. Evite realizar o exame exclusivamente com 
base em perguntas no computador; aplique as técnicas práticas 
corretamente e conclua o registro completo após finalizar a avaliação. 
TEMA 2 – TÉCNICAS PROPEDÊUTICAS NO EXAME FÍSICO 
As quatro técnicas utilizadas em exames físicos são inspeção, palpação, 
percussão e ausculta (Potter et al., 2024). 
2.1 Inspeção 
A inspeção consiste na observação cuidadosa, envolvendo também a 
audição e o olfato, a fim de identificar padrões normais e alterações. Esse 
processo acontece ao longo da interação com o paciente, quando se pode 
observar expressões faciais, comportamentos e aspectos físicos estruturais. A 
atenção aos detalhes é fundamental para uma inspeção eficaz. 
Para otimizar os resultados durante essa etapa, siga estas orientações: 
• Garanta iluminação apropriada, seja natural, seja artificial; 
• Use luz direta, como uma lanterna, para examinar áreas internas do 
corpo; 
 
 
5 
• Observe atentamente o tamanho, formato, coloração, simetria, 
localização e possíveis alterações de cada região corporal; 
• Exponha adequadamente as partes do corpo a serem examinadas, 
respeitando a privacidade do paciente; 
• Sempre que possível, compare os dois lados do corpo para verificar 
simetrias; 
• Confirme suas observações com o próprio paciente, quando pertinente. 
Durante o exame físico, esteja atento a possíveis odores corporais, pois 
cheiros incomuns podem sinalizar condições clínicas – por exemplo, um hálito 
adocicado pode sugerir cetoacidose diabética. A inspeção deve ser contínua ao 
longo de todo o exame físico, podendo ser realizada isoladamente ou em 
conjunto com a palpação. 
2.2 Palpação 
A palpação é a técnica de obtenção de informações por meio do toque, 
possibilitando ao enfermeiro avaliar características da pele, tecidos, músculos e 
estruturas ósseas. Pode-se, por exemplo, examinar a pele quanto à temperatura, 
umidade, textura, turgor, sensibilidade e espessura, ou ainda avaliar o abdome 
em busca de dor, distensão ou massas (Potter et al., 2024). 
Diferentes regiões das mãos são utilizadas conforme o objetivo da 
palpação (Figura 1): 
• A face palmar e os coxins dos dedos são mais eficazes para detectar 
textura, forma, tamanho, consistência, presença de líquido ou crepitação; 
• A face dorsal da mão é indicada para avaliação da temperatura; 
• Vibrações são mais bem percebidas com a palma da mão e os dedos. 
O toque deve ser respeitoso e cuidadoso, considerando o conforto e os 
limites do paciente. Antes de iniciar, aqueça suas mãos, mantenha as unhas 
curtas e adote uma abordagem suave. Avalie previamente a tolerância do 
paciente à palpação, com atenção especial a áreas sensíveis ou dolorosas. O 
ambiente deve estar seguro etranquilo para ambos. Realize a palpação de forma 
lenta, cuidadosa e progressiva. Estimule o relaxamento do paciente, orientando-
o a respirar profundamente e manter os braços ao longo do corpo. Solicite que 
ele indique áreas doloridas e fique atento a sinais não verbais de desconforto. 
As regiões mais sensíveis devem ser palpadas por último (Potter et al., 2024). 
 
 
6 
Figura 1 – (A) O pulso radial é detectado com os coxins da ponta dos dedos, 
parte mais sensível da mão; (B) o dorso da mão detecta variações de 
temperatura na pele; (C) a porção óssea da palma na base dos dedos detecta 
vibrações 
 
 (A) (B) (C) 
Créditos: New Africa/Shutterstock; PeopleImages.com – Yuri A/Shutterstock; Dragon 
Images/Shutterstock. 
Durante o exame físico, utilizam-se dois tipos principais de palpação: 
superficial e profunda. A palpação superficial aplica uma leve pressão (cerca de 
1 cm) sobre a área examinada, sendo útil para identificar regiões sensíveis – 
especialmente no abdome. O paciente deve ser questionado sobre possíveis 
desconfortos, que devem ser investigados com cuidado (Potter et al., 2024). Já 
a palpação profunda, usada para avaliar órgãos internos como as vísceras 
abdominais, exige uma pressão maior (aproximadamente 4 cm) e pode ser feita 
com uma ou ambas as mãos (Ball et al., 2019). Essa técnica deve ser aplicada 
com cautela, especialmente em áreas dolorosas, para evitar desconforto ou 
lesões. 
2.3 Percussão 
A percussão é uma técnica que consiste em aplicar leves toques com as 
pontas dos dedos sobre a pele para gerar vibrações nos tecidos e órgãos 
internos. O som produzido varia conforme a densidade do tecido: tecidos mais 
densos geram sons mais abafados. Essa técnica permite localizar órgãos, 
identificar massas, delimitar contornos e estimar tamanhos. Alterações no som 
esperado podem indicar a presença de ar, líquido ou massas anormais (Potter 
et al., 2024). 
 
 
7 
2.4 Ausculta 
A ausculta consiste em escutar os sons do corpo, com ou sem o auxílio 
de instrumentos. Para sons internos – como batimentos cardíacos, ruídos 
pulmonares e intestinais – utiliza-se o estetoscópio. Esses sons são gerados pelo 
movimento de ar, sangue ou conteúdos gastrointestinais dentro do corpo (Potter 
et al., 2024). 
Há dois tipos principais de ausculta com estetoscópio: 
• Campânula: ideal para sons de baixa frequência, como alguns ruídos 
cardíacos e vasculares. 
• Diafragma: melhor para sons de alta frequência, como ruídos respiratórios 
e intestinais. 
A qualidade da ausculta depende da sensibilidade auditiva, do domínio na 
técnica e do bom uso do estetoscópio. É importante reconhecer sons fisiológicos 
esperados em diferentes regiões do corpo e compará-los a sons anormais. 
Ruídos como atritos ou interferências do próprio estetoscópio também devem 
ser identificados para não comprometer a avaliação (Potter et al., 2024). Ao 
descrever um som auscultado, considere: 
• Frequência: quão agudo ou grave ele é; 
• Intensidade: volume (suave a forte); 
• Qualidade: tipo do som (ex.: sopro, borbulho); 
• Duração: tempo de permanência do som. 
O desenvolvimento da habilidade de ausculta exige prática, atenção e 
familiaridade com os sons normais de cada sistema corporal. 
2.5 Sinais vitais 
Após a avaliação geral do paciente, os sinais vitais devem ser verificados 
com o paciente ainda em repouso, antes de mudanças de posição ou 
movimentos, para garantir maior precisão. Se houver dúvida quanto aos valores 
obtidos, repita a verificação ao longo do exame. A dor deve sempre ser avaliada 
como o quinto sinal vital (Potter et al., 2024). 
 
 
8 
2.6 Altura e peso 
A relação entre altura e peso fornece informações importantes sobre o 
estado de saúde geral. Avaliações regulares ajudam a identificar se o paciente 
está em um peso adequado, com sobrepeso, abaixo do peso ou obeso. Em 
crianças e bebês, essa verificação é essencial para acompanhar o crescimento 
e o desenvolvimento. Em idosos, valores abaixo do ideal podem indicar 
dificuldades alimentares ou funcionais, sendo indicativo de risco para doenças 
crônicas. Portanto, além da medição, deve-se questionar o paciente sobre 
variações recentes e causas possíveis (Potter et al., 2024). 
Saiba mais 
Assista ao vídeo “Exame físico: inspeção, palpação, percussão e ausculta 
– atualizado”1, e conheça a técnica completa do exame físico. 
2.7 Pele, cabelos, pelos e unhas 
O sistema tegumentar compreende a pele, os cabelos, os pelos e as 
unhas. Para avaliá-lo adequadamente, é importante iniciar com a coleta da 
história de saúde do paciente, o que ajuda a direcionar o exame físico. A 
avaliação deve ser feita por meio de inspeção visual cuidadosa e palpação, a 
fim de identificar alterações na integridade, condições de higiene, cor, textura, 
temperatura, presença de lesões ou outras anormalidades nesses componentes 
(Potter et al., 2024). 
Comece a avaliação da pele explorando as informações fornecidas pelo 
paciente durante a anamnese, com base nas perguntas direcionadoras. Em 
seguida, observe cuidadosamente todas as áreas visíveis da pele. Regiões 
menos acessíveis devem ser examinadas conforme a avaliação de outros 
sistemas do corpo. Use a visão, o olfato e o tato para inspecionar e palpar a pele, 
atentando-se a características como coloração, integridade, textura, temperatura 
e presença de odores ou lesões (Potter et al., 2024). 
A observação dos cabelos e pelos deve ser feita ao longo de todo o exame 
físico. Existem dois tipos principais de pelos no corpo: os finos e macios, que 
cobrem a maior parte da pele, e os pelos terminais, mais espessos e longos, 
localizados no couro cabeludo, axilas, região pubiana e, nos homens, no rosto. 
 
1 Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2025. 
 
 
9 
Antes da inspeção, obtenha dados da história de saúde e prepare uma 
boa iluminação. Durante a avaliação, explique ao paciente que será necessário 
separar os fios de cabelo para visualizar possíveis alterações. Use luvas quando 
houver presença de lesões abertas ou infestação (como piolhos). 
Observe atentamente aspectos como cor, distribuição, quantidade, 
textura, espessura e lubrificação dos cabelos e pelos. O cabelo saudável 
costuma ser brilhante, macio e flexível. A cor pode variar naturalmente ou ser 
alterada por tinturas. Em pessoas idosas, é comum o surgimento de fios 
grisalhos, brancos ou amarelados (Potter et al., 2024). 
As unhas refletem aspectos da saúde geral, estado nutricional, ocupação 
e higiene pessoal. Antes da avaliação, obtenha um breve histórico. A placa 
ungueal é a parte visível da unha, cobrindo o leito ungueal, cuja vascularização 
define sua coloração. A lúnula, área esbranquiçada na base da unha, é a região 
de crescimento da placa (Potter et al., 2024). 
A inspeção e palpação devem considerar cor, formato, simetria, limpeza 
e integridade. Unhas saudáveis são transparentes, lisas, arredondadas e com 
curvatura suave (ângulo de cerca de 160°). Alterações nesse ângulo, como 
aumento e amolecimento do leito, podem indicar doenças crônicas relacionadas 
à oxigenação (Potter et al., 2024). As cutículas devem estar lisas e sem sinais 
de inflamação. Unhas roídas, lascadas ou com manchas podem indicar maus 
hábitos ou exposição a substâncias irritantes. Essas condições aumentam o 
risco de infecções (Potter et al., 2024). 
Durante a palpação, a base da unha deve ser firme e livre de sinais como 
vermelhidão ou inchaço. Em pacientes com problemas circulatórios, esteja 
atento a infecções ou lesões iniciais. A cor normal é rosada em pessoas de pele 
clara; em pessoas negras, pode haver coloração azulada, avermelhada ou faixas 
pigmentadas. Linhas ou hemorragias sob as unhas podem estar associadas a 
traumas, doenças hepáticas, diabetes ou alterações nutricionais (Potter et al., 
2024). 
TEMA 3 – ABORDAGEM SISTÊMICA NA AVALIAÇÃODE ENFERMAGEM 
O enfermeiro deve aplicar uma abordagem sistemática para o exame 
físico de diferentes sistemas corporais (cardíaco, respiratório, gastrointestinal 
etc.), identificando achados clínicos que indiquem alterações na saúde. Para 
isso, é fundamental uma abordagem sistemática e contínua do exame físico. 
 
 
10 
3.1 Cardíaco 
• Inspeção e palpação: Avalie a cor da pele, presença de cianose ou 
palidez, edema nas extremidades e alterações no padrão respiratório. 
Verifique a pulsação nas artérias principais (radial, femoral, carotídea) e 
na região torácica. A palpação da região torácica ajuda a detectar massas 
ou anormalidades. Durante a inspeção e a palpação, procure pulsações 
visíveis e exacerbadas e palpe o pulso apical e outras possíveis fontes de 
vibração (frêmitos). Siga uma sequência ordenada, iniciando a avaliação 
da base cardíaca (em cima) para depois chegar ao ápice (embaixo) 
(Potter et al., 2024). 
• Ausculta: Utilize o estetoscópio para ouvir os ruídos cardíacos. 
Identifique sons ou ritmos irregulares, que podem sugerir condições como 
sopros cardíacos, arritmias ou insuficiência cardíaca. O ciclo cardíaco é 
composto por duas fases: sístole, em que os ventrículos se contraem e 
impulsionam o sangue para a aorta e artéria pulmonar; e diástole, na qual 
os ventrículos relaxam e recebem sangue dos átrios. As bulhas cardíacas 
são sons produzidos por eventos desse ciclo: a primeira bulha (S1) ocorre 
com o fechamento das valvas mitral e tricúspide no início da sístole, 
enquanto a segunda bulha (S2) resulta do fechamento das valvas aórtica 
e pulmonar ao final da contração ventricular. Sons adicionais, como a 
terceira bulha (S3), indicam enchimento ventricular anormal e podem ser 
sinais de insuficiência cardíaca em adultos acima de 31 anos. Já a quarta 
bulha (S4), embora auscultada em crianças, atletas e idosos, pode indicar 
alterações cardíacas quando presente em adultos, devendo ser 
investigada (Potter et al., 2024). 
Figura 2 – Referências anatômicas para avaliação da função cardíaca 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
11 
Figura 3 – Palpação do pulso apical 
 
Crédito: Magnon Almeida. 
3.2 Respiratório 
• Inspeção: Observe a simetria da caixa torácica durante a respiração, 
presença de cianose ou uso de musculatura acessória. Fique atento a 
sinais de taquipneia ou dispneia. 
• Palpação: Palpe a caixa torácica para verificar a expansão simétrica dos 
pulmões e a presença de áreas de dor ou sensibilidade. Pode-se também 
avaliar a presença de frêmito torácico, que indica alterações pulmonares. 
• Percussão: A percussão do tórax ajuda a identificar áreas com alteração 
na densidade do pulmão, como em casos de derrame pleural ou 
pneumotórax. 
• Ausculta: Ouça os sons respiratórios (estertores, roncos, sibilos). Sons 
anormais podem indicar condições como asma, bronquite ou pneumonia. 
3.3 Gastrointestinal 
• Inspeção: Observe a forma do abdome, umbigo, sinais de distensão, 
presença de cicatrizes, erupções cutâneas ou alterações no padrão de 
movimentação. 
 
 
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• Palpação: Palpe o abdome para identificar áreas de dor, aumento do 
tamanho dos órgãos (como fígado ou baço), ou a presença de massas. 
• Percussão: Percuta o abdome para avaliar o som de timpanismo (indica 
a presença de ar, como em um intestino distendido) ou macicez (indica 
presença de líquidos ou massas). 
• Ausculta: Ausculte antes da palpação. Os movimentos de gases e 
líquidos no intestino produzem sons característicos (peristaltismo), como 
estalidos ou cliques suaves e irregulares, ocorrendo normalmente entre 5 
e 35 vezes por minuto – o que equivale a, em média, um som a cada 5 a 
20 segundos. Para uma avaliação precisa, a ausculta deve ser feita nos 
quatro quadrantes abdominais e, caso os sons não sejam imediatamente 
audíveis, é necessário manter a escuta por até 5 minutos antes de concluir 
sua ausência. O momento ideal para realizar a ausculta abdominal é entre 
as refeições, quando há menor interferência de processos digestivos 
ativos. Os ruídos geralmente são descritos como normais, audíveis, 
ausentes, hiperativos ou hipoativos (Potter et al., 2024). 
Figura 4 – (A) Vista anterior do abdome dividido em quadrantes; (B) vista 
posterior da secção abdominal (Potter et al., 2024) 
 
Crédito: Elias Aleixo. 
Identificar alterações na saúde requer atenção aos detalhes. O enfermeiro 
deve ser capaz de distinguir entre achados normais e anormais. A colaboração 
contínua com o paciente durante o exame, além de registrar corretamente as 
observações, é essencial para um diagnóstico adequado e intervenções 
eficazes. 
A comunicação durante o exame deve ser constante. Aproveitar esses 
momentos para oferecer orientações sobre promoção da saúde reforça o papel 
educativo do enfermeiro e incentiva o autocuidado. A avaliação pode ser 
 
 
13 
integrada às rotinas de cuidado, como durante o banho, quando é possível 
examinar a pele, observar a mobilidade e conversar com o paciente. 
TEMA 4 – EXAME FÍSICO E TÉCNICAS DE HIGIENE NA MANUTENÇÃO DA 
SAÚDE 
A higiene do paciente é um cuidado fundamental na prática de 
Enfermagem, pois promove conforto, bem-estar, prevenção de infecções e 
manutenção da integridade cutânea. Além disso, é um momento privilegiado 
para observação clínica detalhada e realização do exame físico, permitindo a 
identificação precoce de alterações que podem indicar agravos à saúde (Potter 
et al., 2024). 
Durante a higiene, o enfermeiro pode inspecionar a pele, mucosas, unhas 
e cabelo, observando coloração (palidez, cianose, icterícia), presença de lesões, 
alterações de textura, temperatura e umidade, além de sinais de desidratação 
ou edema. Também é possível avaliar o estado emocional, nível de consciência, 
mobilidade e resposta à manipulação (Smeltzer et al., 2021). 
O exame físico geral durante os cuidados de higiene é de extrema 
importância, tanto para a manutenção da saúde do paciente quanto para a 
prevenção de infecções e complicações. A higiene adequada ajuda a garantir 
um cuidado digno e seguro, refletindo a atenção e o respeito do profissional de 
saúde pela dignidade do paciente. 
4.1 Exame físico durante o banho e cuidados de higiene 
Em procedimentos como o banho de aspersão ou no leito, o olhar atento 
do enfermeiro é essencial para garantir um cuidado eficaz. Essa prática permite 
a avaliação cuidadosa da integridade da pele, a identificação de sinais de 
infecção ou alterações circulatórias, a prevenção de lesão por pressão e outras 
complicações associadas à assistência à saúde. O banho é, portanto, uma 
oportunidade valiosa para a inspeção detalhada da pele e a detecção precoce 
de alterações clínicas, favorecendo intervenções rápidas e adequadas. 
Durante o banho, é possível avaliar pés, unhas, couro cabeludo e outras 
áreas muitas vezes negligenciadas em avaliações rápidas. Essa observação 
detalhada contribui para a identificação de alterações como micoses, lesões, 
alterações de coloração, edema ou fragilidade ungueal, além de favorecer o 
 
 
14 
monitoramento das condições de higiene e autocuidado do paciente. 
Além disso, durante a higiene oral, também é um importante momento 
para que o enfermeiro avalie toda a mucosa bucal, de forma sistemática. A 
mucosa saudável é rosada, úmida, lisa e brilhante, mas pode apresentar 
variações pigmentares normais em idosos, especialmente em pessoas negras. 
Em contrapartida, mucosas pálidas ou amareladas podem indicar alterações 
sistêmicas, como anemia ou icterícia (Potter et al., 2024). 
A higiene oral deficiente, a idade avançada (com redução da salivação) e 
o uso de tabaco e álcool são fatores de risco para lesões como a leucoplasia – 
placas brancas espessas com potencial pré-cancerígeno. Logo, além da 
inspeção visual, o enfermeiro deve palpar possíveis lesões com cuidado, 
utilizando técnica apropriada. A atenção à saúde bucal, portanto, integraos 
cuidados de higiene e prevenção de doenças, sendo fundamental na prática de 
Enfermagem sistemática e contínua (Potter et al., 2024). 
4.2 Tipos de banho e indicações 
A escolha do tipo de banho deve considerar o estado clínico, a autonomia 
e as preferências do paciente: 
• Banho no leito: Realizado em pacientes acamados, permitindo inspeção 
detalhada da pele e prevenção de úlceras por pressão; 
• Banho de aspersão (chuveiro): Indicado para pacientes com mobilidade 
preservada, favorecendo autonomia e circulação; 
• Banho de imersão: Utilizado de forma terapêutica, sob prescrição, como 
banhos de assento; 
• Banho parcial: Limpeza de áreas específicas, indicado quando não há 
necessidade ou condições para um banho completo; 
• Higiene íntima: Fundamental após micção, evacuação ou manipulação de 
sondas, prevenindo infecções, irritações ou lesões. 
Cada modalidade requer cuidados como segurança, conforto térmico e 
manutenção da privacidade e dignidade do paciente (Costa; Eugenio, 2014). 
4.3 Materiais necessários para o banho 
Organizar previamente os materiais garante eficiência e segurança: 
 
 
15 
• Recipiente (bacia) com água morna (banho no leito); 
• Sabonete neutro ou solução antisséptica prescrita; 
• Toalhas limpas, luvas de banho de acordo com protocolos de 
padronização; 
• Luvas de procedimento; 
• Pente ou escova, creme dental, gaze para higiene oral; 
• Hidratantes corporais; 
• Roupas limpas e roupa de cama; 
• Materiais para troca de curativos, acessos periféricos; 
• Equipamentos de proteção individual (EPIs) conforme protocolos. 
4.4 Observação clínica durante o banho 
O banho é um momento propício para aplicar técnicas do exame físico, 
principalmente inspeção e palpação. O enfermeiro deve observar: 
• Pele: coloração, temperatura, umidade, integridade, lesões, hematomas, 
descamações; 
• Olhos e mucosas: coloração da conjuntiva, secreções, sinais de icterícia; 
• Cavidade oral: higiene, lesões, candidíase, halitose; 
• Membros: amplitude de movimento, força muscular, edemas, 
deformidades; 
• Sinais vitais indiretos: padrão respiratório, sudorese, tremores; 
• Aspecto geral: postura, nível de consciência, interação verbal e não 
verbal. 
A evolução de Enfermagem deve ser descrita de forma clara e objetiva, 
utilizando termos técnicos padronizados e adequados (Almeida et al., 2023). 
4.5 Papel do enfermeiro na manutenção da saúde 
O enfermeiro, além de executar a higiene, atua como educador, 
orientando o paciente e cuidadores sobre cuidados com a pele, hidratação, 
alimentação equilibrada e prevenção de lesões. Essa prática, aliada ao exame 
físico, permite intervenções precoces, reduzindo riscos e melhorando a 
qualidade de vida. 
 
 
16 
TEMA 5 – CUIDADO SEGURO, CULTURALMENTE SENSÍVEL E BASEADO EM 
EVIDÊNCIAS 
A higiene pessoal tem impacto direto no conforto, segurança e bem-estar 
do paciente. Envolve práticas de limpeza e cuidados que preservam a higiene e 
a boa aparência corporal. Diversos fatores – como aspectos pessoais, 
emocionais, sociais, econômicos, ambientais e culturais – influenciam esses 
hábitos (Potter et al., 2024). Como os cuidados de higiene exigem contato 
próximo com o paciente, é essencial aplicar habilidades de comunicação, como 
escuta ativa, empatia e foco, para fortalecer um vínculo terapêutico acolhedor e 
respeitoso. 
O pensamento crítico aliado ao julgamento clínico possibilita ao 
enfermeiro elaborar e executar um plano de cuidados de higiene (ver Figura 5) 
centrado nas necessidades do paciente. Ao ajustar as intervenções e 
abordagens, é fundamental garantir a privacidade, demonstrar respeito e 
incentivar a independência, a segurança e o conforto do paciente durante todo o 
processo (Potter et al., 2024). 
Oferecer um plano de cuidados de higiene culturalmente congruente é 
essencial para promover um cuidado ético, equitativo e centrado nas 
necessidades do paciente. A cultura influencia diretamente as práticas de 
higiene, podendo transformar esse momento em uma fonte de estresse ou 
conflito quando não há sensibilidade cultural por parte do profissional (Marion et 
al., 2017). O cuidado centrado no paciente requer que as intervenções estejam 
alinhadas aos valores, práticas, expectativas e necessidades individuais, 
respeitando as origens culturais de cada pessoa (Henderson et al., 2018). 
Durante os cuidados de higiene, o enfermeiro deve estar atento a fatores 
socioculturais, como o nível de escolaridade, o grau de desenvolvimento, a 
presença de deficiências físicas e a localização geográfica do paciente. Manter 
a privacidade é essencial – especialmente para mulheres de culturas que 
valorizam o recato –, bucando, sempre que possível, que os cuidados sejam 
realizados por profissionais do mesmo gênero (Giger; Haddad, 2021). 
Além disso, deve-se considerar a participação da família no cuidado, 
adaptando os horários das atividades de higiene quando necessário. Por 
exemplo, em algumas culturas, o banho deve ocorrer antes ou depois das 
 
 
17 
orações, e há práticas específicas em feriados religiosos (Giger; Haddad, 
2021). 
É fundamental reconhecer restrições culturais quanto ao toque e às 
preferências de espaço pessoal, uma vez que, para algumas culturas, o toque 
pode ter significados positivos, como cura, ou negativos, como desrespeito ou 
ameaça (Giger; Haddad, 2021). Também é importante respeitar práticas 
relacionadas ao cabelo – evitando cortá-lo ou barbeá-lo sem antes consultar o 
paciente ou seus familiares (Bowen; O’Brien-Richardson, 2017; O’Brien-
Richardson, 2019). As práticas de uso do banheiro variam amplamente entre 
culturas (Giger; Haddad, 2021), assim como as preferências por água fria ou 
quente, que podem estar ligadas a crenças sobre saúde e cura (Morgan-Consoli; 
Unzueta, 2018). 
Essas medidas reforçam o vínculo entre profissional e paciente, 
favorecem a adesão ao cuidado e garantem um ambiente de respeito e 
confiança. O cuidado completo de higiene exige uma abordagem clínica 
criteriosa e individualizada. Para isso, o enfermeiro precisa aplicar o pensamento 
crítico de forma integrada, combinando conhecimentos científicos, experiência 
prévia, atitudes profissionais, contexto ambiental e considerações culturais e 
desenvolvimentais (Potter et al., 2024). 
Tomar decisões clínicas acertadas exige avaliar cuidadosamente a 
condição do paciente, antecipar riscos potenciais, reunir dados precisos de 
avaliação com a prática baseada em evidências (PBE) e analisá-los com base 
em padrões intelectuais e éticos para formular diagnósticos de enfermagem 
adequados (Potter et al., 2024). 
Durante o planejamento e execução dos cuidados de higiene, é 
importante ter uma atitude flexível, criativa e livre de julgamentos. Por exemplo, 
ao cuidar de um paciente com baixa tolerância à atividade, deve-se planejar 
pausas e adaptar o ritmo das intervenções (Potter et al., 2024). Nessa 
perspectiva, a combinação de raciocínio clínico, empatia, sensibilidade cultural 
e planejamento cuidadoso permite prestar um cuidado de higiene 
individualizado, seguro e humanizado. 
 
 
 
 
18 
Figura 5 – Modelo de pensamento crítico para planejamento da higiene 
 
Fonte: Potter et al., 2024. 
NA PRÁTICA 
Você teve sua primeira experiência clínica de higienização de um paciente 
com diagnóstico de doença de Alzheimer que ficou aterrorizado e não 
cooperativo durante o banho. Utilizando as informações aqui apresentadas e 
seus conhecimentos, quais estratégias você poderia usar para fazer com que a 
higiene se torne uma experiência menos difícil e desagradável para o paciente? 
FINALIZANDO 
Nesta abordagem, vimos que a avaliação física geral é um processo 
essencial para compreender as necessidades de saúde do paciente e orientar 
condutas clínicas adequadas. Para que seja eficaz, é fundamental que o 
enfermeiro compreenda seu propósito, organizando o histórico e o exame físico 
deforma centrada nas queixas e prioridades do paciente. Esse planejamento 
direcionado torna o atendimento mais preciso e humanizado. 
Considerar a origem cultural do paciente é igualmente importante, pois 
crenças, práticas de saúde e hábitos alimentares influenciam tanto a percepção 
 
 
19 
do cuidado quanto as adaptações necessárias na abordagem. Uma avaliação 
respeitosa e sensível ao contexto sociocultural favorece a comunicação e 
fortalece o vínculo terapêutico. 
A preparação do paciente deve ocorrer tanto física quanto 
psicologicamente. Explicar detalhadamente os objetivos e os passos da 
avaliação proporciona segurança e cooperação. Usar perguntas abertas e 
direcionadas facilita a obtenção de um histórico rico, revelando como os 
sintomas afetam a vida do paciente e auxiliando na coleta de dados subjetivos. 
Já os dados objetivos decorrem das observações clínicas e comportamentais 
durante a entrevista e o exame. 
O ambiente também precisa ser preparado com antecedência: materiais 
organizados, temperatura confortável e privacidade adequada são cuidados que 
favorecem o bem-estar do paciente. As técnicas utilizadas em cada área do 
exame devem ser executadas corretamente para garantir a identificação de 
sinais normais e alterações, considerando as mudanças fisiológicas próprias do 
envelhecimento. 
Ainda, estudamos que a avaliação física pode e deve ser integrada às 
rotinas de higiene, momento em que o enfermeiro observa a pele, a mobilidade, 
o estado nutricional, sinais de dor ou desconforto, entre outros aspectos clínicos 
relevantes. O cuidado com a higiene, além de promover conforto e dignidade, 
também é uma oportunidade estratégica para a coleta de dados clínicos, 
aplicação de intervenções educativas e fortalecimento do vínculo com o 
paciente. Dessa forma, a prática da higiene deixa de ser apenas um 
procedimento rotineiro e passa a compor uma abordagem de cuidado integral, 
segura e centrada na pessoa. 
Por fim, a comunicação durante o exame deve ser constante. Aproveitar 
esses momentos para oferecer orientações sobre promoção da saúde reforça o 
papel educativo do enfermeiro e incentiva o autocuidado. 
 
 
 
20 
REFERÊNCIAS 
ALMEIDA, D. B. de et al. (Org.). Processo de enfermagem e sistematização 
da assistência: possibilidades e perspectivas de qualificação do cuidado. 
Salvador: EDUFBA, 2023. 
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activity, and obesity among urban African-American girls. Journal of the 
American Association of Nurse Practitioners, v. 29, n. 12, p. 754, 2017. 
COSTA, A. L. J C.; EUGENIO, S. C F. Cuidados de enfermagem. Porto Alegre: 
ArtMed, 2014. 
GIGER, J.; HADDAD, L. Transcultural nursing: assessment and intervention. 
8. ed. St. Louis: Elsevier, 2021. 
HENDERSON, S. et al. Cultural competence in healthcare in the community: a 
concept analysis. Health and Social Care in the Community, v. 26, n. 4, p. 590, 
2018. 
MARION, L. et al. Implementing the new ANA Standard 8: culturally congruent 
practice. Online Journal of Issues in Nursing, v. 22, n. 1, p. 1, 2017. 
MORGAN-CONSOLI, M. L.; UNZUETA, E. Female Mexican immigrants in the 
United States: cultural knowledge and healing. Women & Therapy, v. 41, n. 2, 
p. 165, 2018. 
O’BRIEN-RICHARDSON, P. The case for hair health in health education: 
exploring hair and physical activity among urban African American girls. 
American Journal of Health Education, v. 50, n. 2, p. 135, 2019. 
POTTER, P. A. et al. Fundamentos de enfermagem. 11. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2024. 
SMELTZER, S. C. et al. Brunner & Suddarth: Tratado de enfermagem médico-
cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.

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