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AJES - FACULDADE DO VALE DO JURUENA BACHARELADO EM FISIOTERAPIA JHENNIFER CRISTINY DE SOUZA BERNARDO ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS E EQUOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO INTEGRATIVA Juína-MT 2024 AJES - FACULDADE DO VALE DO JURUENA BACHARELADO EM FISIOTERAPIA JHENNIFER CRISTINY DE SOUZA BERNARDO ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS E EQUOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO INTEGRATIVA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia da Faculdade AJES, como requisito obrigatório para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Prof. Esp. Katholeen Daiane de Faria Ridier. Juína-MT 2024 FACULDADE AJES BACHARELADO EM FISIOTERAPIA Linha de Pesquisa: BERNARDO, Jhennifer Cristiny de Souza Bernardo. ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS E EQUOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO INTEGRATIVA, Artigo Científico (Trabalho de Conclusão). Faculdade AJES. Juína – MT, 2024. Data de defesa: 19/11/2024 MEMBROS COMPONENTES DA BANCA EXAMINADORA: _____________________________________________________ Orientadora: Prof. Esp. Katholeen Daiane de Faria Ridier ______________________________________________________ Membro Titular: Prof. Me. Luís Fernando Moraes de Mello ______________________________________________________ Membro Titular: Prof. Esp. Dara Daiana da Silva Local: AJES - Faculdade do Vale do Juruena Juína - MT DECLARAÇÃO DE AUTOR Eu, JHENNIFER CRISTINY DE SOUZA BERNARDO, portadora da Cédula de Identidade – RG n° 31028241 SESP/MT, e inscrita no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda – CPF sob n° 078.375.491-47, DECLARO E AUTORIZO, para fins de pesquisa acadêmica, didática ou técnico-científica, que este Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS E EQUOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO INTEGRATIVA, pode ser parcialmente utilizado, desde que se faça referência à fonte e ao autor. Autorizo, ainda, a sua publicação pela AJES/ÁGORA, ou por quem dela receber a delegação, desde que também seja feita referência à fonte e ao autor. Juína – MT, 19 de novembro de 2024 ____________________________________________ Jhennifer Cristiny de Souza Bernardo ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS E EQUOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO INTEGRATIVA. PHYSIOTHERAPEUTIC APPROACHES AND RIDING THERAPY IN THE TREATMENT OF AUTISTIC SPECTRUM DISORDER: REVISION INTEGRATIVER. Jhennifer Cristiny de Souza Bernardo1 Katholeen Daiane de Faria Ridier2 RESUMO Este trabalho de revisão integrativa tem como objetivo investigar as intervenções de Fisioterapia e Equoterapia na melhoria da qualidade de vida de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A metodologia adotada envolveu a formulação de uma pergunta norteadora, uma seleção criteriosa da literatura e uma análise crítica dos estudos relevantes. Foram considerados artigos de diferentes bases de dados, o que proporcionou uma visão ampla sobre as práticas terapêuticas em questão. Os resultados evidenciam que a Equoterapia, ao promover a interação com cavalos, proporciona benefícios biopsicossociais significativos, incluindo melhorias nas habilidades motoras, cognitivas e sociais. Por sua vez, a Fisioterapia complementa essa abordagem, focando no desenvolvimento motor progressivo e nas habilidades funcionais essenciais para a autonomia dos pacientes. Contudo, a pesquisa também ressaltou a escassez de conteúdos que integram essas práticas terapêuticas, indicando a necessidade de mais estudos nessa área específica. Em conclusão, embora as intervenções de Fisioterapia no contexto da Equoterapia sejam fundamentais para o tratamento de pacientes com TEA, é crucial expandir as investigações para validar e aprimorar essas práticas, contribuindo para um atendimento mais eficaz e individualizado, que atenda às necessidades de cada paciente. Palavras-chaves: Equoterapia; Fisioterapia; Transtorno do Espectro Autista; Qualidade de vida. ABSTRACT This integrative review aims to investigate Physiotherapy and Hippotherapy interventions in improving the quality of life of individuals with Autism Spectrum Disorder (ASD). The methodology involves the formulation of a guiding question, a careful selection of literature and a critical analysis of relevant studies. Articles from different databases were considered, which provided a broad view of the therapeutic practices in question. The results show that Hippotherapy, by promoting interaction with horses, provides significant biopsychosocial benefits, including improvements in motor, cognitive and social skills. In turn, Physiotherapy 2 Fisioterapeuta, Professora Especialista do curso de Fisioterapia da Faculdade do Vale do Juruena - AJES. Juína, Mato Grosso. E-mail: katholeen.ridier@ajes.edu.br 1Acadêmico do curso de Fisioterapia da Faculdade do Vale do Juruena - AJES, Mato Grosso, Brasil. E-mail: jheny_cristiny@outlook.com complements this approach, focusing on progressive motor development and functional skills essential for patients' autonomy. However, the research also highlighted the scarcity of content that integrates these therapeutic practices, reducing the need for more studies in this specific area. In conclusion, although Physiotherapy interventions in the context of Hippotherapy are fundamental for the treatment of patients with ASD, it is crucial to expand investigations to validate and improve these practices, contributing to more effective and individualized care, which meets the needs of each patient. Keywords: Hippotherapy; Physiotherapy; Autism Spectrum Disorder;Quality of life. 6 1 - INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neuropsiquiátrica complexa, caracterizada por uma ampla gama de manifestações que justificam a denominação de "espectro" de transtornos (Masini et al., 2020). As principais características do TEA incluem déficits significativos na interação social, dificuldades na comunicação, interesses restritos e comportamentos repetitivos, além de estar frequentemente associado a disfunções sensoriais e distúrbios no desenvolvimento neurológico.A condição também pode se manifestar em conjunto com outras patologias neuropsiquiátricas, como distúrbios de ansiedade e déficit de atenção. Dada a diversidade dos sintomas e a complexidade do quadro clínico, a abordagem terapêutica deve ser abrangente, envolvendo intervenções que considerem tanto os aspectos comportamentais quanto os sensoriais. Assim, é fundamental que as estratégias terapêuticas sejam adaptadas às necessidades individuais dos pacientes, uma vez que a sintomatologia pode variar amplamente entre os afetados (Regieri, 2023). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2020), estima-se que uma em cada 160 crianças no mundo seja diagnosticada com TEA, o que evidencia a relevância global deste transtorno e seu impacto significativo nas famílias e comunidades. Este dado reforça a necessidade de uma abordagem cuidadosa e abrangente no cuidado dessas crianças, com o objetivo de garantir o suporte necessário para o seu desenvolvimento. Além disso, pesquisas recentes apontam que o TEA afeta mais meninos do que meninas, com uma proporção de quatro meninos para cada menina diagnosticada (Sá, 2023). Essa prevalência diferencial entre os sexos sugere a importância de investigações adicionais para compreender os fatores biológicos e ambientais que podem influenciar essa disparidade. Os indivíduos com TEA frequentemente apresentam déficits nas áreas de socialização, cognição, comunicação e desenvolvimento motor, o que demanda uma intervenção multidisciplinar para atender a essas múltiplas necessidades. Nesse sentido, a atuação de uma equipe integrada, composta por pediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, assistentes sociais, fisioterapeutas e educadores físicos, é fundamental para proporcionar um tratamento eficaz e abrangente.A colaboração entre esses profissionais é essencial para promover o desenvolvimento global das crianças, visando melhorar sua qualidade de vida e ampliar suas oportunidades de interação social e autonomia (Rodrigues et al., 2024). 7 Dentre as abordagens terapêuticas disponíveis, a Equoterapia tem se destacado como uma prática interdisciplinar que utiliza o cavalo como instrumento terapêutico. Esta modalidade de tratamento tem demonstrado ser uma ferramenta valiosa no desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência. A escolha do cavalo é realizada com base em suas características físicas e comportamentais, em consonância com os objetivos terapêuticos de cada paciente. A interação entre o praticante e o animal, mediada por um profissional capacitado, promove um desenvolvimento gradual e contínuo, com resultados positivos tanto no aspecto físico quanto emocional (Pedra & Celeste, 2022). No Brasil, a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-BRASIL), fundada em 1989, tem desempenhado um papel central na promoção e regulamentação dessa prática, com foco na reabilitação, educação e inclusão social de pessoas com deficiência. Atualmente, existem aproximadamente 450 centros de equoterapia registrados no país, o que reflete o crescimento e a consolidação dessa prática no contexto brasileiro (ANDE-BRASIL, 2019). A Fisioterapia e a Equoterapia são abordagens que desempenham papéis complementares no tratamento de pacientes com TEA. A Fisioterapia concentra-se no aprimoramento das funções motoras, promovendo melhorias na coordenação, equilíbrio, postura e força muscular. Já a Equoterapia, além dos benefícios físicos, oferece um ambiente lúdico e estimulante que favorece o desenvolvimento biopsicossocial, promovendo avanços na comunicação, na autoconfiança e nas habilidades motoras e sensoriais dos pacientes. Dessa forma, a combinação dessas duas modalidades terapêuticas pode ser extremamente benéfica, contribuindo para o desenvolvimento global do indivíduo, aumentando sua autonomia e, consequentemente, sua qualidade de vida (Rodrigues et al., 2024). Este estudo tem como objetivo principal analisar o impacto das intervenções da Fisioterapia e da Equoterapia na qualidade de vida de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa busca identificar como essas práticas terapêuticas contribuem para o desenvolvimento físico, emocional e social dos indivíduos, proporcionando melhorias em seu bem-estar geral. Além disso, o estudo explora as especificidades e complementaridades dessas abordagens, destacando a importância de uma intervenção terapêutica personalizada e interdisciplinar. Ao final, os resultados são discutidos à luz das evidências encontradas, e são propostas direções para futuras pesquisas na área, com o intuito de ampliar o conhecimento sobre o papel da Fisioterapia e da Equoterapia no tratamento de indivíduos com TEA. 8 2- METODOLOGIA Este estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura, conduzida por meio de seis etapas metódicas e sistemáticas, que seguiram os preceitos de rigor científico e objetividade necessários para a obtenção de resultados válidos e consistentes. A primeira etapa do processo envolveu a formulação de uma pergunta de pesquisa clara e bem delimitada, que serviu como guia para todas as fases subsequentes da investigação. A questão central estabelecida para este estudo foi: "Quais são os efeitos da equoterapia na qualidade de vida de pacientes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA)?" A definição dessa pergunta norteadora foi essencial para direcionar o foco da pesquisa e garantir que os dados coletados fossem pertinentes ao objetivo proposto, além de facilitar a delimitação do escopo da análise. A segunda etapa compreendeu a busca e seleção da literatura científica relacionada ao tema. Para garantir a amplitude e profundidade da revisão, a pesquisa foi realizada em diversas bases de dados de relevância internacional, como a Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), a Scientific Electronic Library Online (SciELO) e o portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O processo de busca incluiu a aplicação de critérios rigorosos de inclusão e exclusão, a fim de assegurar que somente estudos de alta qualidade e relevância fossem considerados. A aplicação desses critérios envolveu a seleção de artigos que abordassem diretamente os efeitos da equoterapia em indivíduos com TEA, com foco na melhoria da qualidade de vida. Estudos que não atendiam aos critérios estabelecidos, como aqueles que se concentravam apenas em aspectos psicológicos ou que não estavam disponíveis na íntegra, foram excluídos. A terceira etapa envolveu a coleta de dados dos artigos selecionados. Nesse momento, as informações foram extraídas de forma sistemática e organizada, permitindo a posterior análise e comparação entre os estudos. Os dados coletados incluíram informações sobre a metodologia empregada, os participantes, as intervenções realizadas, os resultados obtidos e as conclusões dos autores, o que facilitou a identificação de padrões e tendências nas pesquisas sobre equoterapia e TEA. A quarta etapa do estudo foi dedicada à análise crítica dos artigos selecionados. Cada estudo foi minuciosamente examinado para avaliar sua robustez metodológica, a validade dos resultados e a relevância das conclusões em relação à pergunta de pesquisa previamente definida. Esta fase incluiu a avaliação da qualidade das amostras, da adequação dos 9 instrumentos de medida utilizados e da coerência entre os objetivos e os resultados apresentados. O objetivo dessa etapa foi garantir que as conclusões extraídas fossem fundamentadas em evidências científicas sólidas e consistentes. Na quinta etapa, realizou-se a interpretação dos achados, comparando os resultados obtidos com a literatura existente sobre o tema. A discussão dos resultados foi conduzida de maneira detalhada, buscando não apenas descrever os efeitos da equoterapia sobre a qualidade de vida de indivíduos com TEA, mas também identificar possíveis lacunas no conhecimento e áreas que necessitam de maior investigação. Esta fase permitiu uma compreensão mais profunda sobre como a equoterapia contribui para o bem-estar físico, emocional e social dos pacientes, bem como sobre as limitações e desafios que ainda permeiam essa abordagem terapêutica. Por fim, a sexta etapa consistiu na elaboração do relatório final da revisão integrativa, em que todos os dados, análises e discussões foram consolidados em um documento coeso e claro. A apresentação dos resultados seguiu as diretrizes propostas por Souza, Silva e Carvalho (2010), que fornecem um modelo de referência para a condução de revisões integrativas. Essa estrutura garantiu que o processo de revisão fosse conduzido de forma sistemática e rigorosa, assegurando a transparência e a reprodutibilidade dos métodos empregados. A estratégia de busca foi orientada pela aplicação do método PICo (Problema e/ou paciente, Intervenção e Contexto), conforme descrito por Da Costa Santos, de Mattos Pimenta e Nobre (2007), que permitiu a formulação de palavras-chave e descritores adequados. As palavras-chave selecionadas – "Autismo", "Equoterapia", "Fisioterapia", "Qualidade de Vida" – conforme relatado na Tabela 01, foram utilizadas de forma estratégica para refinar a busca e assegurar que a literatura revisada estivesse diretamente relacionada ao tema proposto. A aplicação dessa estratégia garantiu que o estudo fosse capaz de identificar as melhores evidências disponíveis sobre os efeitos da equoterapia na qualidade de vida de indivíduos diagnosticados com TEA, proporcionando uma análise aprofundada e contextualizada dos achados. Dessa maneira, a revisão integrativa apresentada neste estudo segue um caminho metodológico rigoroso, que asseguraa confiabilidade dos resultados e a relevância das conclusões. Ao final, os achados oferecem importantes contribuições para a compreensão do impacto da equoterapia como uma modalidade terapêutica que pode promover avanços significativos na qualidade de vida de pessoas com TEA. 10 Tabela 1. Estratégia PICo P População/ paciente Autismo I Intervenção Fisioterapia/Equoterapia Co Contexto Qualidade de vida Fonte: Autoria própria Foi realizada uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e no portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O processo de busca foi conduzido de forma criteriosa, utilizando as palavras-chave "Autismo AND Equoterapia AND Fisioterapia AND Qualidade de Vida," conforme descrito na Tabela 2. A escolha desse tema justifica-se pela crescente demanda por práticas terapêuticas que promovam o bem-estar integral e a melhoria da qualidade de vida de indivíduos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dado o impacto significativo do TEA na vida dos pacientes e de suas famílias, identificar e analisar abordagens terapêuticas eficazes, como a equoterapia, é de extrema relevância para o campo da reabilitação. Os critérios de inclusão foram rigorosamente definidos para garantir a qualidade e a relevância dos estudos selecionados. Incluíram-se artigos publicados em língua portuguesa, que abordassem os efeitos da equoterapia em pacientes com autismo e que estivessem alinhados à estratégia PICo (Problema, Intervenção e Contexto), amplamente reconhecida na condução de revisões sistemáticas. Foram considerados elegíveis revisões de literatura, revisões sistemáticas, estudos de caso e revisões integrativas.Em contrapartida, os critérios de exclusão eliminaram artigos que não estavam disponíveis na íntegra, aqueles que não se adequavam aos objetivos da pesquisa, publicações com mais de 10 anos, duplicatas de outras plataformas e estudos que tratassem exclusivamente da avaliação psicológica associada à equoterapia, sem mencionar os aspectos físicos ou motores. A busca inicial nas bases de dados resultou na identificação de cinco artigos relevantes sobre os efeitos da equoterapia na qualidade de vida de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Após uma análise detalhada e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 11 três artigos foram descartados, restando dois que foram considerados adequados para os objetivos da pesquisa. Embora o número de estudos seja limitado, os dados extraídos revelaram evidências consistentes de que a equoterapia proporciona melhorias significativas nos aspectos físicos e emocionais dos pacientes, especialmente na socialização e coordenação motora. Contudo, a revisão destacou a necessidade de mais pesquisas para consolidar sua eficácia e superar limitações como a falta de padronização dos protocolos. Tabela 2 - Fluxograma de seleção Fonte: Autoria própria. 12 3- RESULTADOS Tabela 1. Resultados Título Autor/Ano Objetivo Metodologia Resultado Os efeitos da equoterapia em crianças com autismo. ARTIGO 1 RIBEIRO et al., 2019 Avaliar os efeitos das intervenções terapêuticas baseadas na equoterapia no desenvolviment o de crianças com autismo. O estudo, de caráter descritivo, realizou uma revisão bibliográfica para investigar os efeitos da equoterapia no desenvolvimento de crianças autistas. Foram analisados artigos científicos publicados entre 2016 e 2018, com buscas nas bases de dados Scielo, PubMed, PEDro e Lilacs. A equoterapia oferece diversos benefícios para crianças autistas, especialmente em relação ao desenvolvimento motor, cognitivo e psicológico. As atividades realizadas com cavalos promovem melhorias no equilíbrio, concentração e postura. Intervenções fisioterapêuticas no tratamento do Transtorno do Espectro Autista: Uma revisão integrativa. ARTIGO 2 RODRIGUES, C. L. S. et al.,2024 Este estudo teve como propósito revisar os principais tratamentos para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) descritos na literatura, com o intuito de oferecer suporte para que o fisioterapeuta desenvolva, de forma personalizada, um plano de tratamento adequado para cada criança. Esta revisão integrativa da literatura, de caráter não sistemático, é voltada para as intervenções fisioterapêuticas no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os artigos selecionados foram publicados entre 2019 e 2024, em bases de dados eletrônicas como PUBMED, SCIELO e PEDro, nos idiomas português, espanhol e inglês. Foram selecionados sete artigos que abordam os recursos fisioterapêuticos utilizados no tratamento do Autismo, como hidroterapia, equoterapia, atividade aeróbica, treinamento postural e terapia sensório-motora multimodal. Todos os estudos apresentaram melhorias significativas em cognição, estabilidade postural, marcha e sensibilidade, resultando em uma melhor qualidade de vida para as crianças. Fonte: Autoria própria. 13 A Tabela 1 apresenta um resumo abrangente dos resultados de dois artigos relevantes que exploram a temática da equoterapia e das intervenções fisioterapêuticas no tratamento de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O primeiro artigo, elaborado por Ribeiro et al. (2019), tem como objetivo principal avaliar os efeitos das intervenções terapêuticas realizadas por meio da equoterapia no desenvolvimento das crianças autistas. Para isso, os autores utilizaram uma metodologia descritiva que se baseou em uma revisão bibliográfica de artigos publicados entre 2016 e 2018. Os resultados obtidos neste estudo indicam que a equoterapia oferece benefícios significativos em várias áreas do desenvolvimento infantil, abrangendo aspectos motores, cognitivos e psicológicos. Dentre os benefícios destacados, observa-se uma melhora notável no equilíbrio, na concentração e na postura das crianças, o que evidencia a eficácia da prática na promoção de habilidades fundamentais para o desenvolvimento saudável. O segundo artigo, de Rodrigues et al. (2024), tem como objetivo revisar as principais intervenções fisioterapêuticas direcionadas ao tratamento de crianças com TEA, fornecendo suporte crucial para a personalização dos planos de tratamento por parte dos fisioterapeutas. Este estudo, que não adota uma abordagem sistemática, analisou artigos publicados entre 2019 e 2024, e identificou um total de sete intervenções fisioterapêuticas que se mostraram eficazes. Dentre essas intervenções, destacam-se a hidroterapia e a equoterapia, que resultaram em melhorias notáveis na cognição, na estabilidade postural e na qualidade de vida das crianças. Esses dois artigos, ao se complementarem, oferecem uma visão abrangente sobre a importância da equoterapia e das intervenções fisioterapêuticas no tratamento do TEA, sublinhando a necessidade de abordagens personalizadas que considerem as particularidades de cada paciente. Dessa forma, a Tabela 1 não apenas sintetiza informações cruciais, mas também serve como um ponto de partida para futuras investigações e práticas clínicas que visem aprimorar a qualidade de vida das crianças autistas. 4- DISCUSSÃO As atividades realizadas com os cavalos são responsáveis por melhorias notáveis em aspectos como equilíbrio, postura e concentração, elementos que são fundamentais para o desenvolvimento neurológico e a motricidade global das crianças. Ademais, a interação com os animais, associada aos movimentos rítmicos da equitação, estimula a coordenação motora e a atenção. O ambiente terapêutico propiciado pela prática contribui ainda para o fortalecimento da autoestima e da capacidade de socialização dos pacientes. Tais efeitos 14 conferem à equoterapia um papel valioso como intervenção complementar no tratamento de crianças autistas, promovendo avanços significativos naqualidade de vida e na integração social desses indivíduos (Ribeiro et al., 2019). Complementarmente, a revisão integrativa conduzida por Melo et al. (2023) enfatiza a aplicação de rigorosos critérios de inclusão e exclusão, resultando na seleção de 15 artigos para análise. O estudo destaca os efeitos positivos da equoterapia como uma modalidade terapêutica eficaz. De acordo com os achados, essa prática não apenas melhora o controle motor dos participantes, mas também facilita uma interação mais eficaz com o ambiente, promovendo o desenvolvimento de comportamentos funcionais que são essenciais para a integração social. Observou-se, adicionalmente, uma melhoria significativa no desempenho muscular dos participantes, o que reforça o potencial dessa prática na abordagem de diversas condições de saúde. Tais benefícios são particularmente relevantes para indivíduos que enfrentam dificuldades motoras e de interação social, contribuindo, assim, para uma melhor qualidade de vida e inclusão social (Bender & Guarany, 2016). O estudo realizado por Rodrigues et al. (2024) dedica-se a analisar as abordagens fisioterapêuticas que são aplicadas no tratamento de indivíduos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ressaltando, assim, a importância e a necessidade dessas intervenções no manejo das alterações motoras e funcionais que frequentemente acompanham essa condição. Os autores argumentam que a fisioterapia vai além do simples fortalecimento muscular, abrangendo também aspectos fundamentais como a coordenação motora e as habilidades funcionais, que são essenciais para promover a autonomia e a interação social dos pacientes. Em particular, programas terapêuticos lúdicos, que incluem jogos, atividades aquáticas e terapias assistidas por animais, mostraram-se altamente eficazes na promoção da adesão ao tratamento e na facilitação da socialização entre os indivíduos. Contudo, o artigo também discute os desafios que os profissionais enfrentam na prática clínica, como a necessidade de tratamentos individualizados que considerem as particularidades de cada paciente e a ausência de padronização nos protocolos de intervenção. A conclusão do estudo enfatiza que a fisioterapia, quando integrada a uma abordagem interdisciplinar, é essencial para o desenvolvimento funcional e a inclusão social dos indivíduos com TEA, garantindo uma intervenção mais holística e eficaz. Complementarmente, a pesquisa conduzida por Bhagwasia et al. (2022) dá continuidade a investigações anteriores, enfatizando a importância da incorporação do treinamento sensório-motor multimodal nos programas de fisioterapia direcionados a pacientes com TEA. Essa abordagem visa potencializar a eficácia do tratamento, 15 especialmente na redução de comportamentos estereotipados e movimentos repetitivos, que frequentemente comprometem a interação social e o aprendizado. A inclusão de elementos sensório-motores nas intervenções terapêuticas é considerada crucial para o desenvolvimento integral dos pacientes, pois promove uma maior consciência corporal e uma melhor adaptação ao ambiente. Assim, o trabalho de Bhagwasia et al. reforça a necessidade de práticas terapêuticas diversificadas e personalizadas, que atendam às múltiplas necessidades dos indivíduos com TEA e favoreçam seu desenvolvimento global. Em conjunto, essas pesquisas evidenciam a importância de um enfoque interdisciplinar e abrangente no tratamento do TEA, destacando a necessidade de uma maior exploração e padronização das intervenções fisioterapêuticas e da equoterapia. No artigo Santos et al. (2022) também ressalta os benefícios observados nos aspectos cognitivos, afetivos e motores de crianças com TEA, sublinhando que uma abordagem interdisciplinar é crucial para o sucesso das intervenções. A revisão dos estudos indicou que terapias como a equoterapia, fisioterapia motora, patinação, hidroterapia e orientações especializadas para os pais demonstraram ser eficazes, resultando em avanços significativos no tratamento dessas crianças. Essas estratégias mostram-se benéficas não apenas na redução das limitações funcionais, mas também na promoção de uma maior autonomia por parte das crianças (Teixeira et al., 2023). Finalmente, a revisão de literatura realizada por Gaia e Freitas (2022) categorizou as intervenções fisioterapêuticas em cinco grupos principais: (1) práticas de atividade física; (2) desenvolvimento de habilidades psicomotoras; (3) utilização da massoterapia; (4) efeitos das intervenções por meio de terapia assistida por animais; e (5) benefícios da terapia aquática. Entre as diversas possibilidades de intervenção, destacam-se atividades lúdicas, desenvolvimento de habilidades psicomotoras, uso de terapia manual e terapia aquática. Os resultados sugerem a existência de múltiplos efeitos positivos associados às diferentes técnicas utilizadas, incluindo melhorias no comportamento estereotipado, aprimoramento do perfil psicomotor e melhorias na função sensorial, equilíbrio e postura (Carmos et al., 2023). A revisão da literatura sobre a equoterapia e intervenções fisioterapêuticas no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) evidencia a eficácia dessas práticas na promoção do desenvolvimento motor, cognitivo e social. Estudos, como os de Ribeiro et al. (2019) e Rodrigues et al. (2024), demonstram que a equoterapia não apenas melhora aspectos fundamentais como equilíbrio e concentração, mas também fortalece a interação social e a autoestima dos pacientes. 16 Além disso, a integração de abordagens fisioterapêuticas, incluindo atividades lúdicas e terapias assistidas por animais, contribui para uma melhoria significativa na qualidade de vida dessas crianças. No entanto, há uma necessidade urgente de mais pesquisas que abordem as lacunas existentes, como a padronização de protocolos e a individualização do tratamento, a fim de consolidar a eficácia da equoterapia e promover uma abordagem interdisciplinar no manejo do TEA. Em suma, a combinação de métodos terapêuticos diversificados revela-se promissora para potencializar a autonomia e a inclusão social dos indivíduos diagnosticados com TEA. A prática de equoterapia, quando aliada às intervenções fisioterapêuticas, representa uma área de pesquisa promissora no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, a literatura atual sobre essa combinação terapêutica é escassa, limitando a compreensão plena de seus benefícios e eficácia. Embora existam evidências que apontam melhorias significativas no desenvolvimento motor, social e emocional dessas crianças, muitos estudos são pontuais e não oferecem uma visão abrangente sobre como a equoterapia pode ser integrada a outros métodos terapêuticos. Essa lacuna ressalta a necessidade urgente de investigação mais aprofundada, que explore as sinergias entre as intervenções, bem como o potencial transformador dessa abordagem interdisciplinar. Neste contexto, a realização de uma revisão integrativa se apresenta como uma estratégia fundamental para expandir a linha de pesquisa relacionada à equoterapia e às intervenções fisioterapêuticas em crianças com TEA. Um estudo mais abrangente poderá não apenas compilar e analisar as evidências existentes, mas também identificar áreas inexploradas e sugerir direções futuras para a pesquisa. Compreender as interações entre diferentes abordagens terapêuticas e seus impactos na qualidade de vida das crianças com TEA pode proporcionar uma base sólida para a implementação de protocolos de tratamento mais eficazes e personalizados. Assim, ampliar a investigação nesse campo é crucial para garantir que as intervenções sejam adequadas às necessidades individuais dos pacientes e, consequentemente, melhorem sua qualidade de vida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se, a relevância da investigação sobre o impacto das intervenções da Fisioterapia e da Equoterapia na qualidade de vida de crianças diagnosticadas com Transtornodo Espectro Autista (TEA). O estudo abordou a complexidade do TEA, destacando a necessidade de uma abordagem terapêutica abrangente e personalizada, que considere as 17 especificidades de cada paciente. Ao analisar os efeitos positivos da combinação dessas modalidades terapêuticas, foi possível constatar melhorias significativas nos aspectos físicos, emocionais e sociais das crianças, corroborando a importância de intervenções integradas que promovam seu desenvolvimento global e inclusão social. Diante das lacunas identificadas na literatura sobre a equoterapia e suas interações com as intervenções fisioterapêuticas, a realização de pesquisas mais amplas nesse campo é imperativa. Um aprofundamento nessa linha de investigação poderá não apenas enriquecer o conhecimento existente, mas também fornecer bases sólidas para a formulação de protocolos de tratamento mais eficazes e adaptados às necessidades individuais dos pacientes. Além disso, essa ampliação da pesquisa contribuirá para a padronização das práticas, potencializando os benefícios da equoterapia e das intervenções fisioterapêuticas, e assegurando uma abordagem multidisciplinar que atenda de maneira adequada às diversas facetas do TEA. Assim, a continuação desse trabalho investigativo se revela crucial para melhorar a qualidade de vida das crianças com TEA e oferecer um suporte mais eficaz às suas famílias. 18 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EQUOTERAPIA (ANDE-BRASIL). Uma equoterapia. Disponível em: https ://equoterapia .ou .br /artigos /índice /detalhe_do_artigo /135 /2019 . Acesso em: 16 out. 2024. BHAGWASIA, H.; KAUR, B. Efeito do treinamento sensório-motor multimodal no comportamento estereotipado em crianças com transtorno do espectro autista. Fisioterapia - The Journal of Indian Association of Physiotherapists , p. 43-47, 2023. DOI: 10.4103/pjiap.pjiap_40_22. 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