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Movimentos sociais e o processo
educativo no Brasil
A construção dos movimentos sociais no Brasil e suas nuances no cenário da educação, da política e da
economia.
Prof. Nelson Lellis
1. Itens iniciais
Propósito
Entender como se organizam os movimentos sociais no Brasil é fundamental ao estudante de Serviço Social,
pois oferece a possibilidade de interpretar melhor o cenário de um país, suas demandas e possibilidades para
avançar em setores como educação, política, sociedade, economia.
Objetivos
Identificar os principais movimentos sociais no Brasil.
Reconhecer as motivações de sistematização e organização do movimento estudantil no Brasil.
Analisar as clivagens dos movimentos e das manifestações a partir de redes digitais.
Introdução
Veremos como se dá o envolvimento de determinados movimentos sociais com a educação e sobretudo,
como esses movimentos se posicionaram na história e no contexto brasileiro. A educação é um conceito bem
amplo e pode acontecer em ambientes diferentes. Você já deve ter percebido o quanto a formação de um
indivíduo pode ocorrer de maneiras bem diversas, pois as formas de educar variam de contexto para contexto.
O processo educacional informal está presente em cada parte da sociedade. Além disso, há o processo
formal, sistematizado, com metodologias próprias, que ocorrem tanto no setor público quanto no privado.
Aqui você terá acesso à interface movimentos sociais e educação, e perceberá como essa relação ocorre no
Brasil. Nosso objetivo é responder às questões: de que maneira nascem e se organizam os movimentos
sociais? Como identificar um movimento social? Quais os principais grupos que compõem esse quadro crítico
na sociedade? De que maneira as redes sociais influenciaram as manifestações?
• 
• 
• 
Estudantes protestaram contra os cortes anunciados
pelo MEC em todo o país em maio de 2019.
1. Movimentos sociais e educação
A relação entre movimentos sociais e educação
Inicialmente, é muito importante que saibamos como ocorre a relação entre movimento social e educação.
Essa relação é possível dentro das ações práticas de determinados grupos sociais e desses próprios
movimentos. E como isso se dá? De duas formas:
Na interação com instituições educacionais.
No interior do próprio movimento social, uma vez que já existe uma forte identidade educativa em suas
ações.
Antes de abordarmos melhor as formas supracitadas, outra pergunta se faz necessária neste primeiro
momento, diante de um grande preconceito que ainda está presente acerca do tema “movimentos sociais”,
devido a um estudo não aprofundado ou por questões ideológicas que distanciam a curiosidade,
possibilitando apenas o julgamento de valor. Segue a nossa questão:
Esses movimentos surgem para contribuir ou para atrapalhar a formação de indivíduos?
Na verdade, o surgimento de movimentos sociais ocorre com atores sociais que percebem que
determinados grupos acabam possuindo privilégios maiores do que outros, ou seja, quando o grupo
A consegue acessar mais direitos do que o grupo B. Isso pode resultar em passeatas, ações e
manifestações nas ruas, a fim de que o governo atente-se para as injustiças apresentadas e
considere a reparação.
Levando em consideração ao que nos propomos aqui e as duas formas destacadas acima, a Universidade
poderia ser identificada como uma articulação entre a atuação do Serviço Social e os movimentos sociais?
A resposta é positiva, pois a extensão
universitária (GUIMARÃES; MARQUES, 2019)
ajuda a lançar sobre a mesa questões acerca
do papel da função social da própria
Universidade. As ações produzidas pelos
movimentos sociais fazem com que a academia
insira em sua produção e em sua pauta
assuntos que correspondam à agenda de
reivindicações desses grupos.
Segundo Dalmagro (2016), essa agenda passa
impreterivelmente pela formação de uma nova
consciência de classe. Com isso, um dos
objetivos dos movimentos sociais é pensar a
realidade tal como ela é, observando a base na
qual os educandos vivem. 
Esse processo torna-se um grande desafio, pois, para aprofundar os temas sociais que os movimentos
desejam discutir, deve-se conquistar uma qualidade maior na esfera da educação, bem como um avanço
contra forças que ignoram os objetivos desses grupos:
1. 
2. 
No caso brasileiro, a precarização da escola pública e a propriedade dos meios de comunicação de
massa entre as elites são condições indispensáveis para manutenção deste sistema, uma das
sociedades mais desiguais do mundo. Com tantas e tamanhas contradições, o controle ideológico e da
informação são cada vez mais necessários, o que não dispensa, claro, o uso da força. Nos dois casos
temos muitos exemplos como o Projeto de Lei ‘Escola Sem Partido’, a condenação jurídica das greves e a
violência policial aos que denunciam e se manifestam contra esta situação.
(DALMAGRO, 2016, p. 71-72)
O que a autora destaca é que existe um controle ideológico que se utiliza da educação da escola pública e
dos meios de comunicação de massa para a manutenção de um sistema excludente que busca não apenas
bloquear as informações acerca dessa desigualdade, mas também desinformar. Essa tarefa constante é
estabelecida, inclusive, com o uso da força e de projetos capazes de inibir – ou até mesmo vetar – a
consciência crítica. 
Como a educação provém da realidade e das relações que vivemos, mudar a educação seria o mesmo que
mudar a realidade social. Os movimentos surgem como expressão das contradições sociais e atuam como
importantes pontos educativos ao questionarem as estruturas injustas e a educação que provém delas. Com
isso, os movimentos oferecem ferramentas e debates para uma outra, e mais inclusiva, forma de organização
da vida em sociedade e também da própria educação.
Note, portanto, que o processo educativo não pode ignorar o esforço em fazer com que os indivíduos,
independentemente do lugar que ocupam, sejam plenamente participantes da sociedade. E o que isso
significa? Que todos têm seus direitos!
Portanto, os movimentos sociais também auxiliam a concretizar um dos maiores objetivos da educação: a
inserção social de maneira histórica. E por que isso? Pelo simples fato de que a educação é um produto de
relações reais e não uma abstração.
Precarização da escola pública
Confira agora os elementos que marcaram o processo que levou à precarização da escola pública no país.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Movimentos sociais: grupos diversos e suas características
Os movimentos sociais foram marcados, sobretudo, por embates contra o autoritarismo – característica de
governos que colocavam a democracia e a liberdade em perigo, o que ocorre mais precisamente com a
democracia do século XX. Diga-se de passagem, os movimentos sociais começam a se fortalecer a partir da
ditadura civil-militar, iniciada em 1964. Mas trabalharemos esse enredo mais adiante. 
Interessa aqui apresentar algumas das principais características do movimento social. Existem literaturas
clássicas que abordam o tema de diferentes pontos de vista. Por um lado, temos pensadores que discutem o
assunto produzindo teorias com contornos mais conservadores, como:
Angela Davis.
Joseph-Marie de Maistre
O autor francês é também conhecido pela frase: “Cada nação tem o governo
que merece”. Ilustrando e contextualizando a frase acima, poderíamos dizer
que as pessoas que compõem o governo nascem do povo, isto é, se grande
parcela desse povo é conhecida por sonegar imposto, não emitir nota fiscal
no comércio, ultrapassar sinal vermelho no trânsito, “furar fila”, entre outras
questões do cotidiano, o que esperar do governo?
Gustave Le Bom
O autor, com o tema das “multidões”, descreverá como essas camadas
populares se comportam, como pensam e como sentem. Sua base
materialista e determinista antagoniza com a tradição democrática e de
partidos de esquerda, geralmente considerados com transformações
socioeconômicas.
Gabriel de Tarde
O autor, voltado à psicologia coletiva, tratará a questão do público como
multidão dispersa. Desenvolverápesquisas sobre como as relações em seu
universo micro atingem as esferas macro. Sua teoria e visão da sociedade
eram intelectualmente conservadoras.
José Ortega y Gasset
O autor espanhol tem grande expressão no Brasil, sobretudo na direita
política pela semelhança em relação ao pensamento conservador e por
propor um modelo aristocrático.
A pesquisa de grande parte desses autores aponta os movimentos sociais como ações irracionais com
tendência a prejudicar a ordem social. 
Por outro lado, os movimentos sociais são interpretados como uma articulação entre indivíduos que buscam
revolucionar a sociedade fazendo com que o distanciamento entre classes e oportunidades seja menor, bem
como a promoção da justiça e o cumprimento devido de leis que garantem os direitos de todos. É possível
encontrar esse outro aspecto dos movimentos sociais a partir de Karl Marx, Max Weber, Émile Durkheim, entre
outros.
Outros pesquisadores surgiram com o tempo
diante das demandas sociais reunindo grupos
identitários que buscavam (e ainda buscam)
realizar uma defesa de grupos minoritários.
Esses nomes apareceram não apenas como
pesquisadores, mas também militantes de
causas raciais e das mulheres, como a filósofa
estadunidense Angela Davis, fortemente
influenciada pela escola marxista.
Ainda nos EUA, tivemos o movimento que deu
origem à Parada do Orgulho Gay, em Nova
Iorque. O bar Stonewall Inn se tornou cenário
de protestos contra preconceito de gênero no final da década de 1960, e fez surgir o movimento LGBT+. 
No Brasil, temos registros de lutas populares desde o século XVI. Algumas delas são:
1562
Confederação dos Tamoios
1645
Insurreição Pernambucana
1789
Inconfidência Mineira
1896
Guerra de Canudos
1932
Revolução Constitucionalista
Na atualidade, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais
sem Terra (MST) são exemplos de localidade da luta social no país. É importante que você saiba que, mesmo
com esses movimentos, até hoje o Brasil nunca conseguiu efetivar uma reforma agrária eficaz. 
A própria Constituição Federal trata do assunto das terras, em seu art. 188:
A destinação de terras públicas e devolutas será compatibilizada com a política agrícola e com o plano
nacional de reforma agrária. § 1º A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com
área superior a dois mil e quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta
pessoa, dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional. § 2º Excetuam-se do disposto no
parágrafo anterior as alienações ou as concessões de terras públicas para fins de reforma agrária.
(BRASIL, 1988)
O número de pessoas sem acesso ao trabalho rural ou à moradia é considerável. Isso faz com que a pauta
desses movimentos se torne uma questão emergente. 
Monumento a Zumbi dos Palmares, Salvador, Bahia.
Portanto, você já deve ter notado que os movimentos se organizam de acordo com as demandas que cada
povo enfrenta. Isso faz com que seus funcionamentos também sejam diversificados. E não apenas as pautas
distintas, mas também o local, bem como sua atividade no tempo histórico ajudam a dar características
peculiares ao funcionamento dos movimentos.
Questão fundiária no Brasil
Confira agora o processo que levou à situação fundiária no país.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Movimentos sociais no Brasil
O que constitui um movimento social? 
A luta pela mesma causa, a maneira de sua organização acerca de uma demanda, a promoção de uma
militância social. Em outras palavras: não existe um movimento sem que haja antes uma causa comum.
O objetivo de um movimento social é reestruturar a sociedade e incluir, legitimamente, pessoas que
não são contempladas com direitos, que não foram reconhecidas em seus direitos ou que têm sido
desrespeitadas em seus direitos.
No Brasil, existem diversos movimentos sociais, como aqueles que levantam a bandeira do feminismo. No
período colonial do Brasil (1500-1822), as mulheres eram consideradas propriedade de seus pais, irmãos,
maridos. A luta das mulheres poderia, de certa forma, ser resumida ao direito à educação, à vida política, ao
divórcio e acesso ao mercado de trabalho. 
Já durante o Império (1822-1889), as mulheres passaram a ser reconhecidas em seu direito à educação. Para
isso, vale lembrar o nome de Nísia Floresta, que fundou a primeira escola para meninas no país, além de ser
ativista da emancipação da mulher na sociedade, uma vez que o cenário à época ainda proibia mulheres na
vida política (o sufrágio feminino ocorreu no governo de Getúlio Vargas, em 1932; já a candidatura plena de
mulheres, apenas na Constituição de 1946).
A partir da década de 1960, outros elementos foram incorporados na pauta do movimento, como: métodos
contraceptivos, equiparação salarial entre homens e mulheres, saúde preventiva, proteção contra violência
doméstica, discussão sobre assédio, descriminalização do aborto, entre outros.
O movimento negro também está presente no
Brasil, ainda que de forma praticamente
clandestina, desde o período escravagista. Um
dos personagens mais conhecidos nessa luta
foi Zumbi dos Palmares. Apenas em 1888 a Lei
Áurea surgiu como resultado de todo esse
esforço, encerrando, ao menos
documentalmente, o período escravagista.
Após essa lei, outro problema é somado à
questão do preconceito: a desigualdade. Como
sobreviver em uma terra em que nada se
possuía senão a força de seu trabalho? Um
importante nome que deixou pesquisas
substantivas sobre o assunto é Abdias do Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro, em 1944,
fazendo com que outros intelectuais brancos se aproximassem, como os sociólogos Alberto Guerreiro Ramos
e Roger Bastide. 
Vejamos alguns outros exemplos de movimentos sociais pelo Brasil (CÂMERA DOS DEPUTADOS, 2022):
 
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento Popular de Saúde (Frente Nacional contra a Privatização da Saúde)
Movimentos Antirracistas
Movimentos Ambientalistas (WWF, Greenpeace, entre outros)
Movimentos de união de comunidades e periferia (Nós do Morro)
Movimentos de luta contra a homofobia (LGBTQIA+)
Podemos perceber a variação de temáticas acima, como: questão social, de gênero, intolerância, raça,
território etc. Torna-se relevante enfatizar que existem, em meio a esses movimentos, projetos que visam
contribuir na qualificação de suas organizações. 
E será que o Brasil tem mesmo necessidade de movimentos como esses?
Cada país possui uma realidade que possibilita o surgimento de grupos a fim de lutarem por seus direitos e
por pautas que lhes sejam comuns. No Brasil, por exemplo, existem medidas políticas que buscam minimizar a
exclusão social, econômica e cultural. São as ações afirmativas.
O objetivo das ações afirmativas é atacar o problema da discriminação a indivíduos que pertencem a
grupos que sofrem algum tipo de preconceito, desigualdade etc. Elas contemplam grupos que
possuem, no processo histórico, a marca da discriminação, como questões raciais, religiosas,
étnicas, de gênero.
Portanto, a finalidade das ações afirmativas é combater a desigualdade e garantir ao indivíduo o acesso a
quaisquer posições na sociedade. Nesse caso, para fortalecer tais ações, temos as comunidades e os
movimentos de gênero, de etnia, de cor. 
Por fim, para responder à questão acima precisaríamos lançar outra pergunta: será que todos esses grupos
teriam condições de acessar determinados direitos básicos, como saúde, educação, cultura, da mesma
maneira que outros, se não fossem os auxílios característicos das ações e dos movimentos já mencionados?
Existem grupos que acreditam e defendem a meritocracia, em que o sucesso profissional e pessoal de alguém
depende exclusivamente de seu mérito e esforço próprios. Para pesquisadores como Chaves (2017), Sandel
(2020), entre outros, a meritocracia é avaliada a partir de critérios não apenas de desempenho ou
qualificações, mas sobretudo pelas fragilidades sociais históricas em que podem ser notadas as influênciasculturais, econômicas e políticas.
O movimento negro no Brasil
Confira agora o processo de desenvolvimento do movimento negro no Brasil e suas particularidades.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
No Brasil, existem diversos movimentos sociais com demandas distintas. Todavia, é importante que saibamos
como se constitui um movimento social. Entre as alternativas a seguir, quais correspondem às características
que sistematizam a organização de um movimento?
 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
I. Promoção de uma militância em torno de uma causa.
II. Luta por direitos iguais.
III. Organização a partir de uma demanda social.
IV. Pertencer à mesma classe social.
V. A luta por uma causa comum.
A
Somente estão corretas as alternativas I, II, III.
B
Somente estão corretas as alternativas I, III, IV.
C
Somente estão corretas as alternativas I, IV, V.
D
Somente estão corretas as alternativas I, II, III, V.
E
Somente estão corretas as alternativas I, III, IV, V.
A alternativa D está correta.
Quatro alternativas das cinco apresentadas estão corretas, pois trazem características que sistematizam a
organização dos movimentos sociais. A luta pela mesma causa, a maneira de sua organização acerca de
uma demanda, a promoção de uma militância social. Em outras palavras: não existe um movimento sem que
haja antes uma causa comum. Nesse sentido, está incorreta a opção em que há necessidade de que todos
os membros de um movimento social sejam da mesma classe. Alguém que tenha melhores condições
financeiras, por exemplo, pode ajudar, inclusive, a financiar determinados movimentos.
Questão 2
Os movimentos sociais não possuem características fixas. Existem diferentes autores que abordam o assunto.
Entre eles, pensadores mais conservadores que entendem que os movimentos sociais ou até revolucionários
podem ser danosos a um país. Aponte a alternativa que indique um desses autores.
A
Karl Marx.
B
Norbert Elias.
C
Max Weber.
D
Émile Durkheim.
E
Gustave Le Bom.
A alternativa E está correta.
Existe também uma visão conservadora que entende tais movimentos como um perigo iminente, capazes
de perturbarem a ordem vigente por meio de ações irracionais. Pensadores que enxergam os movimentos
sociais desta maneira são Joseph de Maistre, Gustave Le Bom, Gabriel de Tarde e José Ortega y Gasset.
Campanha da UNE “O Petróleo é Nosso”, em 1946.
2. Movimentos sociais na emancipação do movimento estudantil
O movimento estudantil
Confira agora o processo de desenvolvimento do movimento estudantil no Brasil e suas particularidades.
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Antes de falarmos sobre o movimento estudantil no Brasil, é importante que registremos brevemente o que o
antecede como cenário político. Na primeira década do século XIX, foi criado o primeiro curso superior no
Brasil com a chegada da Família Real. Era comum que nessa época o estudo fosse acessado apenas por
determinado grupo da sociedade. 
No século seguinte, com o aumento populacional, a presença da industrialização e o desenvolvimento das
cidades, a demanda de estudantes também aumentou. Já em 1901 foi criada a Federação dos Estudantes
Brasileiros. Nove anos depois, na cidade de São Paulo, foi sediado o I Congresso Nacional de Estudantes.
Esses movimentos estudantis possibilitaram a organização coletiva de jovens que traziam em suas
discussões, igualmente, pautas que envolviam questões sobre o país.
Na década de 1930, o assunto “política” começou a fazer parte com mais força entre as organizações.
Citamos duas delas nesse período: a Juventude Comunista, por um lado, e a Juventude Integralista, por outro.
A Juventude Comunista tinha esse nome porque os membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) se
reuniam inicialmente de forma clandestina. Dessa organização nasceu a União Nacional de Estudantes (UNE).
Ao contrário do que se possa pensar, a UNE nunca foi um aparelho dos comunistas, conforme
demonstra pesquisa de Rodrigues e Mattos (2014). Por outro lado, a Juventude Integralista (Levante
Integralista) defendia a extinção dos partidos e a queda de Getúlio Vargas.
Além dessa pluralidade de propostas, existia o interesse em formar uma entidade representativa dos
estudantes a fim de defenderem a justiça social, a qualidade do ensino e similares. Em 11 de agosto de 1937,
esse grupo passou a existir como União Nacional de Estudantes (UNE) durante reunião do Conselho Nacional
de Estudantes, que ocorreu na Casa do Estudante do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. A partir de então, a
UNE passou a frequentar congressos em diferentes lugares do país buscando articulação com ideias
progressistas. 
O primeiro presidente eleito da UNE foi o gaúcho Valdir Ramos Borges, no dia 22 de dezembro de 1938, ao
término do II Congresso Nacional dos Estudantes. Valdir também foi advogado e último ministro da Fazenda
de João Goulart.
A UNE acompanhou o surgimento da Segunda Guerra Mundial, entre os anos 1939-1945, e posicionou-se
contra o nazismo de Adolf Hitler. Getúlio Vargas foi pressionado a confrontar grupos brasileiros fascistas,
integralistas e demais apoiadores da ideologia que assolava a Alemanha.
Nessa época, chegaram a ocupar a sede do
Clube Germânia, da cidade do Rio de Janeiro,
frequentado por militantes nazifascistas. Vargas
concedeu a mesma sede à UNE, tornando esta
entidade, pela lei nº 4080 (de 3 de fevereiro de
1942), representação legítima dos universitários
brasileiros. Após esse período, a UNE ajudou a
fortalecer e a protagonizar o movimento social
brasileiro pela defesa do petróleo com a
campanha “O Petróleo é Nosso”, até a criação
da Petrobras, em 1953.
Mediante tantas mudanças no cenário político, com a renúncia de Jânio Quadros (1961) e a posse de João
Goulart, a UNE precisou transferir sua sede para Porto Alegre, onde realizou a Campanha da Legalidade, um
movimento de resistência que tinha por finalidade garantir a posse de João Goulart. Esse período foi também
de muita tensão, uma vez que militares tentavam impedir/intimidar as ações da UNE.
Um ano depois, a UNE formou a Frente de Mobilização Popular, que defendia mudanças estruturais no Brasil;
entre elas, a reforma nas universidades, a fim de ampliar o acesso à educação superior. Já em 1964, José
Serra, então presidente da UNE, discursou na Central do Brasil defendendo reformas sociais. Tal comício foi
um dos eventos que antecedeu o golpe civil-militar no país.
No início da ditadura, em 1964, após a deposição do presidente João Goulart, da noite de 31 de
março para 01 de abril, a sede da UNE no Rio de Janeiro foi metralhada e incendiada. A Lei Suplicy
de Lacerda foi implementada e retirou a legalidade da representatividade da UNE.
Como consequência, universidades passaram a ser vigiadas. Intelectuais e artistas que divulgassem,
lecionassem e pregassem quaisquer ideias que não as vigentes pela ditadura poderiam sofrer repressão. Com
esse monitoramento, a UNE passou a realizar congressos clandestinos.
Dos personagens do movimento estudantil
Os movimentos são feitos por pessoas. Por isso, a importância de reconhecê-las em seus ambientes de
trabalho e os pensamentos que as motivaram enquanto militantes no movimento estudantil. 
Para isso, vamos destacar nomes importantes nesse processo, tendo como objetivo principal observar como a
questão da educação – com suas demandas – está ligada diretamente à trajetória de cada um.
Arthur José Poener
Formado na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (hoje
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), começou sua jornada como
repórter em 1962 e foi diretor da Folha da Semana, um semanário do PCB. Em
1968 já trabalhava como repórter para o Correio da Manhã utilizando o
pseudônimo de Marco Antônio. Neste período foi dada a notícia sobre o Ato
Institucional nº 5, que teve como consequência, além de outras ações como
censura, tortura e mortes, a invasão de militares em redações de jornais. Em
abril de 1970, Poerner foipreso na redação do Correio da Manhã. Exilou-se na
Alemanha e retornou para o Brasil, após a anistia, em 1984.
Cacá Diegues
Cineasta brasileiro que se reunia com outros jovens em torno do Centro
Popular de Cultura da UNE. Um dos objetivos era discutir a sétima arte. Junto
dele, outros nomes como: Vinícius de Moraes, Carlos Lyra, Arnaldo Jabor e
Ferreira Gullar.
Comba Marques Porto
Iniciou sua militância no movimento estudantil em 1967 – mesmo ano em que
se filiou ao PCB, por influência de seu companheiro Raulino Aquino. Ingressou
na Faculdade Nacional de Direito em 1971 e reorganizou o movimento
estudantil buscando se alinhar com o pensamento de seu partido, tendo
como prioridade a política de massas. Como consequência dessa
reorganização, foi elaborada a representação estudantil com o Conselho de
Representantes de Turma. Também fez parte do movimento feminista do Rio
de Janeiro até a década de 1990. Foi membro do Conselho Nacional da
Mulher e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1992.
Daniel Aarão Reis
Iniciou sua militância política pelo PCB em 1965 juntamente com estudantes
universitários. Foi preso no período da ditadura civil-militar por causa de sua
atuação no movimento estudantil. Assumiu a presidência da União
Metropolitana dos Estudantes (UME) e também militou no Movimento
Revolucionário em 1969. Exilou-se na Argélia e retornou ao Brasil no início da
década de 1980, quando filiou-se ao PT, fazendo parte de um diretório
regional. Em 2000 lançou o livro Ditadura Militar, Esquerdas e Sociedade, que
discute como as ditaduras nascem de cima para baixo, com forte discurso de
elites, entre outras questões similares.
Marcelo Cerqueira
Filiou-se à Juventude Comunista em 1957 e foi um dos fundadores do Centro
Popular de Cultura e da revista Movimento da UNE. Foi vice-presidente da
UNE em 1964 e exilou-se na Bolívia, Chile e Europa no período da ditadura
civil-militar. Ao retornar ao Brasil um ano depois foi preso. Advogou para
pessoas que foram processadas pela Lei de Segurança Nacional sem cobrar
honorários. Em 1978 candidatou-se, pelo Partido do Movimento Democrático
Brasileiro (PMDB – sendo um dos fundadores) como deputado federal e
venceu. Filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e foi secretário geral.
José Gomes Talarico
Iniciou sua trajetória como jornalista em 1933 e participou da UNE, que
realizava, na época da Segunda Guerra Mundial, movimentos antifascistas.
Filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e também se candidatou
como deputado federal, exercendo seu mandato, pela primeira vez, nos anos
de 1956 e 1957. Talarico apoiou João Goulart em sua posse, bem como após
o golpe militar. Teve, por consequência de tais ações, seus direitos políticos e
seu mandato cassados (conforme Ato Institucional nº 1).
Certamente, você deve ter percebido o envolvimento político desses personagens. A verdade é que todos
eles caminham tendo como elo a informação sobre as reais demandas da sociedade e da ação, que se revela
com a postura política na sociedade. 
Campanha da UNE “Fora Collor”, em 1992.
A UNE, portanto, tem em seu histórico a participação de pessoas que entenderam que a luta por uma melhoria
na educação se faz por meio de um movimento político que começa com esse conjunto de estudantes e passa
pela formação crítica a fim de alcançar a concretização de suas pautas no setor que realmente pode modificar
algo na sociedade: o setor político.
A UNE após a Constituição de 1988
Movimento estudantil, esquerda e democracia
Confira agora como o movimento estudantil esteve ligado à luta pela democracia no país, ao mesmo tempo
que aos regimes e ideologia de esquerda não democráticas no mundo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Certamente você percebeu que o movimento estudantil esteve ligado às questões sociais no Brasil. Isso
ocorre por um motivo muito simples, conforme já sinalizamos: todos os movimentos nascem a partir de uma
pauta, uma demanda na sociedade. A partir dessa pauta comum, pessoas se reúnem para defendê-la. 
Em alguns casos, determinados membros desse movimento iniciam trajetória em partidos políticos porque
também entendem que a estrutura só é modificada a partir de leis, decretos e similares.
É no setor político que as transformações acontecem realmente.
Vimos também que personagens ligados à UNE se colocaram contra a ditadura civil-militar, uma vez que esta
impossibilitava uma educação emancipadora. Outro cenário que ajuda a compreender o avanço do movimento
estudantil é seu envolvimento com bandeiras que buscaram a democracia no país. 
Após a ditadura, a UNE esteve presente na
campanha das “Diretas Já” – movimento que
visava à retomada das eleições diretas para o
cargo de presidência da República. Além disso,
posicionou-se contra Fernando Collor de Melo
anos depois por este não defender as pautas
historicamente presentes em movimentos
sociais.
O movimento dos estudantes também lutou
contra o neoliberalismo e a privatização de
patrimônios nacionais na época de Fernando
Henrique Cardoso. Esse foi um período de
pouco diálogo entre a UNE e o Poder Executivo.
No setor da educação, houve uma forte tentativa de mercantilização, sucateamento de universidades públicas
e forte investimento em instituições privadas – o que levou a UNE a criticar as mensalidades altíssimas. 
Dando um grande salto na história, em 2002 houve uma coalização entre forças populares e o apoio do
movimento de estudantes ao candidato à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva. Durante seu
mandato, o diálogo com os estudantes retornou com o Governo Federal, possibilitando o avanço de
reivindicações e aumentando o número de alunos no ensino superior.
O debate junto ao Governo Federal abriu as portas para a criação de importantes programas como o
ProUni (programa que garante bolsas de estudo em universidades privadas para alunos de baixa
renda), pela Lei nº 11.096/2005, e Reuni (programa que aumenta vagas em universidades públicas).
Nona edição da Bienal da UNE, em 2015.
Você deve se lembrar que falamos da sede da UNE que fora demolida por militares. Em 2007, houve uma
grande manifestação e estudantes ocuparam o terreno da sede que estava sendo utilizado como
estacionamento. A Justiça concedeu a posse do local à UNE e o reconhecimento do Congresso Nacional. 
Para além dessas questões, a UNE ampliou seu foco de atuação neste novo milênio por meio de temáticas na
área do esporte e da tecnologia, questões de gênero, de cor, de ecologia, entre outros grupos. Qual o
resultado dessa ampliação? A integração de grupos diferenciados que articulam ações sociais a partir de
outros movimentos ajudaria a aumentar a força popular e a democratização no país.
No plano internacional, a UNE tem papel fundamental na Organização Continental Latino-Americana e
Caribenha de Estudantes (OCLAE). E o que seria essa organização? É uma maneira de conectar jovens
estudantes de países do continente diante de uma pauta comum, observando suas peculiaridades e
compartilhando ferramentas para o avanço de conquistas do movimento.
A UNE também apoiou a candidatura de Dilma
Rousseff, que fora militante estudantil,
tornando-se a primeira mulher a ocupar a
presidência da República no Brasil. Nesse
período, o movimento testemunhou a
aprovação da Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) da Juventude no Congresso
Nacional.
Em 2014, apoiou a então presidente à reeleição.
Um ano depois, realizou a nona edição da
Bienal com eventos na Fundição Progresso, no
Circo Voador, além de shows abertos no palco
livre dos Arcos da Lapa.
O que ainda podemos dizer dessa abertura da
UNE? 
Todos esses aspectos demonstram a pluralidade do movimento estudantil em diálogo crescente com
movimentos sociais. Tudo isso revela que a identidade desse trabalho de estudantes não se restringe apenas
à qualidade no ensino, a uma ampliação de vagas e maior oportunidade de entrada de estudantes no ensino
superior, mas, também, que a educação é um importante lugar para encontro dos diferentes movimentose da
conscientização política – em seu espectro macro.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O movimento estudantil no Brasil, bem como os demais movimentos sociais, passou por diversas fases. Muitas
foram as propostas que circundaram a formação de um movimento representativo dos estudantes. O que
surgiu em 11 de agosto de 1937, como fruto da reunião do Conselho Nacional de Estudantes, e realizou-se na
Casa do Estudante do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro?
A
Partido dos Estudantes Brasileiros (PEB).
B
Associação Brasileira de Estudantes (ABE).
C
União Nacional de Estudantes (UNE).
D
Confederação Estudantil Nacional (CEN).
E
União Federativa dos Estudantes (UFE).
A alternativa C está correta.
O movimento estudantil criado em 11 de agosto de 1937, no Rio de Janeiro, na sede do Conselho Nacional
de Estudantes, realizada na Casa do Estudante do Brasil, ficou denominado UNE (União Nacional dos
Estudantes). A partir de sua criação, o movimento passou a ter presença em vários estados do Brasil. Em
1938, a UNE elegeu o seu primeiro Presidente: Valdir Ramos Borges, no dia 22 de dezembro de 1938. As
demais denominações e siglas que aparecem nas opções não correspondem aos movimentos de
estudantes no Brasil.
Questão 2
Cada movimento social é organizado a partir de uma luta, de uma causa, de uma demanda real na sociedade.
Aponte as alternativas que correspondem à luta do movimento estudantil no Brasil.
 
I. Contra a criação de importantes programas como o ProUni.
II. Contra a privatização de patrimônios nacionais.
III. Contra o sucateamento de universidades públicas.
IV. Contra o neoliberalismo.
V. Contra a mercantilização da educação.
A
Somente estão corretas II, III, IV, V.
B
Somente estão corretas I, III, IV, V.
C
Somente estão corretas I, II, IV, V.
D
Somente estão corretas I, II, IV.
E
Somente estão corretas I, III, IV.
A alternativa A está correta.
A história do movimento estudantil no Brasil perpassa a luta contra os efeitos e consequências do
neoliberalismo, entre elas o sucateamento das Universidades Públicas, a expansão da privatização de
patrimônios nacionais e o mercantilismo educacional. O movimento estudantil acompanhou de perto a
criação de importantes programas, como o ProUni, sempre apoiando essas iniciativas sociais, pois foi uma
grande resposta e conquista estudantil.
Manifestação contra a ditadura militar no Rio de
Janeiro, 1968.
3. Movimentos sociais e seu papel político na sociedade
O engajamento na esfera política
Embora o foco até aqui tenha sido os movimentos estudantis, a partir de agora discutiremos, de forma mais
abrangente, a presença de diferentes movimentos e seu engajamento na esfera política. Qual seu papel? Que
tipo de contribuição têm dado para o país? 
Tomemos como início o cenário da ditadura civil-militar, em que não só o movimento estudantil (CARVALHO,
2004) esteve presente, mas também a classe operária, sindicatos, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e
pastorais.
Conceito de equidade na sociedade brasileira
Confira agora como se desenvolveu o conceito de equidade no país.
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Por que retomar esse período? 
Porque tratava-se de uma sociedade marcadamente
excludente, com baixíssimo índice de participação política
da população brasileira. A efervescência dos movimentos
sociais (GOHN, 2011) ocorreu exatamente nesse cenário,
pois aquela sociedade propiciou críticas e organização de
pessoas diante das demandas reais. Houve retirada de
direitos, censura, restrição de informação em escolas e
universidades, cooptação de igrejas pela ideologia
autoritária etc.
O papel dos movimentos nesse contexto foi essencial para
sinalizar os pontos críticos e urgentes. Além disso, a
contribuição dos movimentos sociais também teve eco na
nova Constituição Federal de 1988, na defesa de direitos essenciais à população brasileira, sobretudo na
defesa dos valores de um Estado democrático de direito. 
O século XX também foi palco para o movimento indígena, que trazia pautas importantes, tais como:
reconhecimento dos valores religiosos, culturais e tradição. Essa luta culminou em debate sobre o direito dos
indígenas e inserção na Constituição de 1988.
Percebe como esses movimentos influenciaram – e ainda influenciam – a política nacional? Cada um possui
sua identidade e discurso em que se tenta avolumar as discussões e decisões políticas. Trata-se de uma
participação efetiva da sociedade nesses blocos com a finalidade de afetar diretamente o direcionamento do
país.
E vale lembrar que o Estado Democrático de Direito ganhou força com a promulgação da Constituição Federal
de 1988, um período de vasto crescimento de ONGs e movimentos sociais distintos.
Os movimentos que emergiram na década de 1990 são fruto de outros movimentos, como:
Movimento de mulheres
Luta se estabelece mediante um cenário de
autoritarismo do Estado, bem como de uma
sociedade machista.
Movimento negro
Luta se estabelece mediante preconceito de
cor, de classe, violências contra negros,
dificuldades no acesso ao ensino superior.
Movimento LGBTQIA+
Luta se estabelece mediante preconceito de
gênero, violências (homofobia), direitos iguais.
Movimento indígena
Luta se estabelece mediante a necessária
discussão sobre etnia, demarcação de terra,
valores, ancestralidade etc.
Além desses grupos, existiriam outras contribuições para essa formação dos movimentos? 
Para Guimarães (2009), existem cinco tradições que também auxiliaram nessa organização:
Comunitarismo cristão (com as CEBs)
Nacional-desenvolvimentismo
Socialismo democrático
Liberalismo republicano
Cultura popular
Essas tradições não apenas abriram as portas para a criação de movimentos como fortaleceram e
fomentaram as ideias que fariam parte da formação de suas consciências. E o que podemos afirmar quanto a
esses movimentos e seu papel político na sociedade?
Vejamos alguns pontos:
 
Consciência crítica, não de forma isolada, mas comunitária, que exerce seus direitos em rede nacional
com um ideário político.
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
• 
 
Planejamento com participação popular por defesas com efeito constitucional para consolidação do
Estado Democrático de Direito.
 
Aprimoramento da democracia, uma vez que se trata de uma educação democrática inclinada ao
exercício da cidadania, da participação inclusiva e efetiva de grupos distintos da sociedade.
 
Revisão da relação entre educação, cidadania e participação política.
Portanto, o papel político de movimentos sociais no Brasil tende a produzir, primeiramente no indivíduo, uma 
consciência de cidadania, como compreensão de luta de classes; em segundo lugar, uma mudança estrutural
a partir de leis que garantam direitos e equidade.
Há que se fazer uma distinção entre igualdade e equidade. A igualdade aponta para a universalidade
das regras, ou seja, todos possuem os mesmos direitos e deveres. Quanto à equidade, existe o
reconhecimento de que a sociedade possui indivíduos que não estão em condições de igualdade e,
por isso, deve-se ajustar esse desequilíbrio.
Os críticos sobre o conceito de equidade na sociedade brasileira dirão que as oportunidades são as mesmas
para todos e que se deve zelar pela meritocracia, ou seja, pelo esforço próprio. Por outro lado, os movimentos
sociais demonstram exatamente o contrário: nem todos possuem o mesmo ponto de partida. Por isso, deve-
se lutar para que todos tenham garantidos seus direitos e suas oportunidades.
Movimentos sociais na contemporaneidade
Crise do capitalismo neoliberal e partidos políticos
Confira agora sobre como a crise do capitalismo neoliberal relacionou-se com os partidos políticos no Brasil
no início do século XXI.
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Neste atual cenário, é imprescindível tratarmos do tema movimentos sociais ligado aos assuntos das crises
política e econômica no Brasil. E por que realizar esse link entre os assuntos? Você já deve ter percebido a
forte ligação dos movimentossociais com as pautas da esquerda no Brasil; todavia, a gestão da economia do
governo do PT não alterou substantivamente a política econômica de Fernando Henrique, do PSDB. 
Como, por exemplo, foi mantida a política de exportação de produtos agrícolas, especialmente trigo e soja, e
de minério, produtos primários que sofrem forte influência de preço do mercado mundial. Além disso, os lucros
do capital financeiro e especulativo foram mantidos.
• 
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Campanha da UNE “Cotas abrem portas”, em 2022.
Embora mantendo uma política econômica
neoliberal, foram implementados ou ampliados
inúmeros mecanismos de distribuição de
direitos sociais e políticas públicas, como o
Bolsa Família, ampliação do Fundef para
Fundeb, renovação do ENEM e de novas
universidades federais, implementação do
sistema de cotas.
Ainda que o salário-mínimo tivesse aumentos
reais, bem como acesso ao crédito para
investimento, estimulando a economia nacional
com a participação de trabalhadores de
algumas categorias, além de aumento no
Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao governo anterior, tais iniciativas não contemplaram de maneira
satisfatória a massa dos trabalhadores. E por quê? 
Os empregos formais conquistados no país encontravam-se no setor de terceirização, com condições de
trabalho que não priorizavam, por exemplo, remuneração condizente.
Por outro lado, o país observou a ação do governo federal, à época, em ampliar o número de vagas no ensino
superior. Isso também ocorreu em escolas técnicas e no ensino médio. No setor da saúde, foram realizados
convênios para melhorias em hospitais públicos. Todavia, mesmo com o avanço em alguns setores, a massa
de empregos foi caracterizada, sobretudo, pela remuneração não condizente ao trabalho.
E o que podemos afirmar empiricamente sobre essas informações?
Mesmo com o investimento do governo federal, e sua atuação mais enfática nas chamadas políticas
sociais, não podemos garantir que as desigualdades provenientes do modelo neoliberal foram
totalmente eliminadas.
Podemos também registrar o aumento de greves e manifestações nas ruas realizadas por trabalhadores. Uma
pesquisa (TATAGIBA; GALVÃO, 2019) associa o contexto de crise do capitalismo neoliberal, inaugurado em
2008, às especificidades do arranjo político engendrado no Brasil pelo PT, baseado na conciliação de classes,
sem enfrentamento com o grande capital. Quanto às motivações dos movimentos e suas possíveis raízes,
também avaliam que os protestos evidenciam:
As queixas de um conjunto muito diverso de atores sociais e uma conflitividade social crescente que
extrapola a capacidade de incorporação política da coalização social capitaneada pelo ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
(TATAGIBA; GALVÃO, 2019, p. 72)
As autoras encontram correspondências empíricas no levantamento anual dos protestos no país. Veja o
quadro abaixo:
Ano Número de protestos
2011 108
2012 260
2013 445
Ano Número de protestos
2014 147
Tabela: Protestos no Brasil entre os anos 2011 e 2014.
Tatagiba; Galvão, 2019, p. 70.
Segundo a pesquisa em referência, 48,5% dos trabalhadores reivindicavam melhorias salariais, e; de todas as
razões para as manifestações, as duas primeiras foram: a crítica ao “governo e sistema político” (25,2%)
seguida por “salário e condições de trabalho” (17,6%) (TATAGIBA; GALVÃO, 2019, p. 78). 
Em relação às manifestações sobre salário e melhores condições de trabalho, os Sindicatos, associação
responsável por constatar e resolver problemas de trabalhadores, possuíam 44% de confiança da população
nos anos 2011 e 2012 e, no ano seguinte, 37% – números que apresentam certo descrédito e justificam a
presença de trabalhadores em manifestações.
Esses dados apontam que, além da ocupação criativa dos espaços, os movimentos sociais, embora tenham
ligação histórica com o posicionamento progressista, não deixaram de se manifestar durante o período em
que o PT esteve ocupando o Poder Executivo.
Ocupação criativa dos espaços
Alguns autores apontam que a participação de movimentos sociais em arenas participativas é um ponto
importante de defesa de causas e influência em políticas públicas. Diversas pesquisas apontam a
proliferação de dinâmicas participativas e arenas deliberativas desde a Constituição de 1988.
O que, por fim, podemos ainda destacar desse atual cenário? Maior avanço de coletivos, como um movimento
de diferentes artistas (teatro, música, artes plásticas, dança etc.), além da existência de um ativismo virtual
(em redes como Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp), descentralizado de movimentos organizados.
Movimentos sociais e as redes sociais
Confira agora como as redes sociais se tornaram instrumento de mobilização social.
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Como dito, temos visto um avanço nos protestos por meio de redes sociais por grupos distintos da sociedade:
artistas (no setor da música, do teatro, das artes plásticas), personalidades negras, LGBTQIA+, mulheres,
entre outros. Inclusive, existem atividades de protestos organizadas hoje por meio de redes sociais. 
Um dos autores que trabalham com redes é Manuel Castells (2013). Ele apresenta razões que motivam
movimentos sociais, além da pobreza e corrupção. Argumenta sobre a importância dos aspectos emocionais
como o entusiasmo, o medo, a raiva, que estão relacionados com a busca da justiça.
Outro fator é a informação que os grupos têm de outras formas de governo pelo mundo, gerando
autorreflexão e possibilitando associar tais sistemas políticos à realidade brasileira. Considerando outros
aspectos, Castells aprofunda as questões de partilha de sentimentos coletivos – de onde pode surgir um novo
modelo de participação cidadã.
Manifestação em Brasília, em junho de 2013.
No caso específico do Brasil, temos,
historicamente, o fenômeno das chamadas
Jornadas de Junho, de 2013. As manifestações
no Brasil serviram para confirmar a importância
das redes sociais para o debate político e
mobilização de grupos. Castells difere os
grupos de 2013 daqueles que foram às ruas em
2015, embora tivessem utilizado o mesmo
mecanismo para se organizarem: a internet.
O sociólogo afirma que a internet ajudou a 
subtrair o monopólio das informações dos
partidos políticos e mídias tradicionais. Esse
fato amplificou as trocas de informações
(muitos no Brasil utilizam o espaço virtual a fim de promoverem grupos de estudo ou de partilha de
informação com pessoas do mundo inteiro).
A participação dos cidadãos nas decisões políticas por meio de sites como Cidade Democrática, o Vote
na Web e portal e-Democracia, além do lançamento de consultas públicas.
(AZEVEDO, 2014, p. 153)
Por isso, considera-se que as novas gerações estão crendo cada vez menos no valor supremo ofertado pelo
modelo pregado por políticos, pela igreja e pela família – ainda que no Brasil a igreja permaneça uma
instituição muito influente. Por esse viés, haveria uma plataforma repleta de informações, mas uma ausência
notória de referência. 
Essa ausência de referência seria uma das marcas que levou os jovens às ruas em junho de 2013 – o que fora
considerado uma espécie de renascimento de alguns movimentos sociais urbanos (SANTOS, 2017, p. 262).
Ligado ao tema da ausência de referências está o distanciamento destes grupos específicos e minoritários de
religiosos às suas instituições sagradas, refletindo, de resto, a tendência de descrédito da maioria das
instituições.
As redes sociais, então uma novidade, não seriam apenas ferramentas para contatos e relações entre
amigos/contatos, mas sim de construção e reconstrução da realidade: buscam articular a teoria do
confronto político à teoria marxista, associando economia e política, classe e outros pertencimentos,
trabalho e movimentos sociais, o nacional e o global.
(TATAGIBA; GALVÃO, 2019, p. 64)
Nesse sentido, associam o contexto de crise do capitalismo neoliberal inaugurado em 2008 às especificidades
do arranjo político engendrado no Brasil pelo PT, baseado na conciliação de classes, sem enfrentamento como grande capital. Quanto às motivações dos movimentos e a suas possíveis raízes, também avaliam que os
protestos evidenciam queixas da coalizão capitaneada por Lula. 
Em síntese, pode-se considerar que o fenômeno verificado no Brasil em 2013 guarda similitudes e diferenças
com o conjunto de protestos que sacudiu o mundo no período correspondente. Trata-se de um fenômeno
ultrafragmentado em sua composição e em suas demandas, bem como hostil às instituições típicas das
democracias representativas – não apenas as que compõem o aparato estatal, como governos e Parlamento,
mas também as que se situam, por assim dizer, no polo da sociedade civil, como sindicatos, associações e
imprensa.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Para o autor Juarez Guimarães Rocha (2009), a formação de movimentos sociais também foi auxiliada por
alguns importantes vetores. Entre eles, estão:
 
I. Comunitarismo cristão (com as CEBs).
II. Nacional-desenvolvimentismo, com menor participação do Estado.
III. Socialismo democrático.
IV. Liberalismo republicano.
V. Cultura popular.
A
Estão corretas somente I, II, III.
B
Estão corretas somente I, III, IV, V.
C
Estão corretas somente I, II, III, IV.
D
Estão corretas somente I, III, IV, V.
E
Estão corretas somente I, II, IV.
A alternativa B está correta.
Muitos são os fatores que auxiliaram a formação dos movimentos sociais e muitos são os autores que se
debruçaram nas pesquisas para que esses fossem levantados. Para Juarez Guimarães Rocha (2009), em
seu livro Culturas brasileiras de participação democrática, cinco desses fatores são essenciais:
comunitarismo cristão (com as CEBs); nacional-desenvolvimentismo; socialismo democrático; liberalismo
republicano; cultura popular.
Questão 2
Castells é um dos importantes sociólogos que discute as redes sociais. O autor apresenta uma nova
característica que motiva a organização de movimentos sociais. Indique a alternativa que considera essa outra
razão.
A
Pobreza.
B
Corrupção.
C
Pauta comum.
D
Demanda que represente o sujeito socialmente.
E
Aspectos emocionais (entusiasmo, medo, raiva).
A alternativa E está correta.
Os movimentos sociais, bem como tantas outras questões sociais, são um grande e extenso objeto de
estudo e de pesquisa. Nesta temática, também está inserida a reflexão acerca das redes sociais.Um dos
autores que se dedicam a este campo é Manuel Castells, que em seu livro Redes de indignação e
esperança: movimentos sociais na era da internet (2013) apresenta o quanto os movimentos sociais, para
além de outras motivações, podem usufruir das redes sociais na busca da justiça social, incluindo a relação
com os aspectos emocionais como o entusiasmo e o medo.
4. Conclusão
Considerações finais
Chegamos ao final desse assunto tão importante e tão cheio de complexidades. Há aqueles que defendem e
até fazem parte de coletivos, movimentos sociais, movimentos estudantis, e há aqueles que, assim como
determinados autores mais conservadores, entendem que existem determinados grupos cuja função não é
contribuir tanto para a sociedade.
Todavia, ainda que haja discordância, o importante é compreender como esses grupos se organizam, sua
função e de que maneira avançam para outras formas de manifestação.
Como foi possível notar, os movimentos sociais partem de alguns princípios fundamentais: demandas sociais
que agreguem grupos de pessoas que se identifiquem com uma causa para sua formação.
E, no processo histórico, com o advento da internet e das redes digitais, os sentimentos também são
acionados para a organização, ou pelo menos a identificação e/ou sentimento de pertença, de grupos e
movimentos sociais com a capacidade de argumentarem em favor de suas lutas.
Os governos, sejam eles quais forem, com exceção dos ditatoriais, sempre serão procurados para manterem o
diálogo e demandados a atenderem as reais dificuldades da Nação com a finalidade de alcançar a equidade
entre todos na sociedade. Esperamos que você tenha desenvolvido a capacidade crítica de identificar desde a
gênese de um movimento social, passando por sua formação, até sua função principal.
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Ouça o podcast. Nele, faremos um panorama dos movimentos sociais e processo educativo.
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Para saber mais sobre as manifestações de movimentos na rua e na internet, assista ao depoimento do
pesquisador Tiago Pimentel: Pesquisador apresenta dados sobre relação entre manifestações de rua e
internet.
 
Para saber mais sobre o cenário em que movimentos sociais emergem no Brasil contemporâneo, leia o
artigo de Ana Targina Ferraz Rodrigues, Movimentos sociais no Brasil contemporâneo: crise econômica
e crise política. Revista de Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 135, 2019, p. 346-363.
 
Para saber mais sobre as Jornadas de Junho, assista ao documentário Jornadas de Junho de 2013.
 
Para saber mais sobre a relação entre Movimentos Sociais e Redes Sociais, leia o artigo de Wellington
Tavares e Ana Paula Paes de Paula, Movimentos Sociais em Redes Sociais Virtuais: Possibilidades de
Organização de Ações Coletivas no Ciberespaço. publicado na Revista Interdisciplinar de Gestão Social
– RIGS, v. 4, n.1, 2015, p. 213-234.
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Para perceber ainda mais a complexidade das mobilizações sociais, especialmente no âmbito do
Movimento Estudantil, assista à entrevista Estudante de Universidade Federal (UNIRIO) é alvo de
intolerância e ódio por ser conservadora, da aluna de História Julia de Casto, para a Gazeta do Povo,
relatando a dificuldade de ter pensamento divergente ao comum nas universidades brasileiras.
Referências
AZEVEDO, A. Marco civil na internet no Brasil. Rio de Janeiro: Alta Books, 2014.
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Casa Civil: Brasília, 1988.
 
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2022.
 
CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 5. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
 
CASTELLS, M. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro: Zahar,
2013.
 
CHAVES, N. Meritocracia: influência da cultura brasileira no desempenho e no mérito. Belo Horizonte-MG:
Faconi, 2017.
 
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Experiências nacionais de participação social. São Paulo: Cortez, 2009.
 
GUIMARÃES, M. C.; MARQUES, M. G. Movimentos sociais e serviço social: uma análise das publicações sobre
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NASCIMENTO, A. do. O Quilombolismo: documentos de uma militância Pan-africanista. São Paulo: Perspectiva,
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POERNER, A. J. O Poder Jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros. 2. ed. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
 
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RODRIGUES, A. L.; MATTOS, R. Uma história da UNE (1945-1964). São Paulo: Pontes, 2014.
 
SANDEL, M. J. A tirania do mérito: o que aconteceu com o bem comum? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
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SANTOS, Â. Política urbana no contexto federativo brasileiro: aspectos institucionais e financeiros. Rio de
Janeiro: EDUERJ, 2017.
 
TATAGIBA, L.; GALVÃO, A. Os protestos no Brasil em tempos de crise. Opinião Pública, Campinas, v.25, n.1, p.
63-95, 2019.
	Movimentos sociais e o processo educativo no Brasil
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Movimentos sociais e educação
	A relação entre movimentos sociais e educação
	Precarização da escola pública
	Conteúdo interativo
	Movimentos sociais: gruposdiversos e suas características
	Joseph-Marie de Maistre
	Gustave Le Bom
	Gabriel de Tarde
	José Ortega y Gasset
	Confederação dos Tamoios
	Insurreição Pernambucana
	Inconfidência Mineira
	Guerra de Canudos
	Revolução Constitucionalista
	Questão fundiária no Brasil
	Conteúdo interativo
	Movimentos sociais no Brasil
	O movimento negro no Brasil
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Movimentos sociais na emancipação do movimento estudantil
	O movimento estudantil
	Conteúdo interativo
	Dos personagens do movimento estudantil
	Arthur José Poener
	Cacá Diegues
	Comba Marques Porto
	Daniel Aarão Reis
	Marcelo Cerqueira
	José Gomes Talarico
	A UNE após a Constituição de 1988
	Movimento estudantil, esquerda e democracia
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Movimentos sociais e seu papel político na sociedade
	O engajamento na esfera política
	Conceito de equidade na sociedade brasileira
	Conteúdo interativo
	Movimento de mulheres
	Movimento negro
	Movimento LGBTQIA+
	Movimento indígena
	Movimentos sociais na contemporaneidade
	Crise do capitalismo neoliberal e partidos políticos
	Conteúdo interativo
	Movimentos sociais e as redes sociais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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