Logo Passei Direto
Buscar

Esse resumo é do material:

Tanatologia e cronotanatognose forense
5 pág.

Medicina Legal Faculdade Metropolitana de ManausFaculdade Metropolitana de Manaus

Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

## Resumo sobre Tanatologia ForenseA Tanatologia Forense é o ramo da medicina legal que estuda a morte e os fenômenos cadavéricos para diagnosticar a morte (tanatognose) e determinar seu tempo (cronotanatognose). A tanatognose envolve o diagnóstico da morte, que é definida como a cessação definitiva das funções vitais, incluindo as funções cerebral, respiratória e circulatória. A morte cerebral é caracterizada pela parada irreversível das funções encefálicas, enquanto a morte circulatória ocorre com a parada cardíaca irreversível. O diagnóstico da morte pode ser classificado em duvidoso, provável ou certo, e a declaração de óbito formaliza a morte, determinando sua causa jurídica.A necrópsia ou autópsia é um procedimento fundamental para esclarecer a causa mortis, o tempo decorrido desde a morte e para identificar o corpo, sendo uma ferramenta essencial para a justiça civil, penal, política sanitária e para o avanço médico-científico. A necropsia pode ser solicitada por autoridades judiciais, sanitárias, policiais ou pelo médico assistente, sendo que, neste último caso, deve haver autorização dos representantes legais do falecido. A requisição da necropsia deve conter identificação, justificativa, histórico do caso, local, hora e condições da morte, além de informações sobre atendimento hospitalar, se houver. A perícia forense segue normas processuais e deve identificar se houve morte, sua causa, o instrumento ou meio que a produziu, e se a morte foi causada por meios insidiosos como veneno, fogo, asfixia ou tortura.Os fenômenos cadavéricos são divididos em imediatos, consecutivos e tardios, e podem ser abióticos (avital) ou transformativos. Os fenômenos abióticos imediatos incluem a perda da consciência, insensibilidade, imobilidade, face cadavérica, relaxamento dos esfíncteres e cessação da respiração. Os consecutivos envolvem desidratação da pele, resfriamento do corpo, hipóstase (manchas de sangue devido à gravidade), rigidez cadavérica (iniciando entre 2 a 3 horas após a morte e cessando em 24 horas, seguindo a Lei de Nysten) e espasmo cadavérico (rigidez abrupta e violenta sem relaxamento prévio). As manchas hipostáticas podem mudar de posição nas primeiras 12 horas, fixando-se depois, e são substituídas pela coloração verde-enegrecida da putrefação, causada pela reação do hidrogênio sulfídrico com a hemoglobina.Os fenômenos transformativos são processos de decomposição que ocorrem após a cessação dos fenômenos vitais. Eles podem ser destrutivos, como a autólise (decomposição celular sem participação bacteriana) e a putrefação (decomposição bacteriana iniciada no intestino, com fases de coloração, enfisema, liquefação e esqueletização), ou conservadores, que retardam a decomposição, como a mumificação (desidratação intensa), saponificação (transformação da gordura em uma substância cerosa), calcificação, corificação (conservação em urna hermética), congelamento e fossilização. A temperatura e o ambiente influenciam esses processos, com o calor e o ar seco favorecendo a mumificação, e a umidade favorecendo a saponificação ou maceração.### Diagnóstico e Provas de MortePara comprovar a morte, utilizam-se provas circulatórias, respiratórias e químicas. Entre as provas circulatórias destacam-se o sinal de De Bouchut (ausculta cardíaca), fundoscopia ocular (esvaziamento da artéria central da retina), sinal de Magnus (alteração da cor da extremidade digital), sinal de Ott (formação de bolha de gás na pele) e eletrocardiograma (ECG). As provas respiratórias incluem a ausência de murmúrio pulmonar, o sinal de Wislow (embaçamento do espelho diante das narinas, chama de vela e turvação da córnea). As provas químicas envolvem o uso de papel de tornassol para detectar acidez no globo ocular ou na pele escarificada.### Cronotanatognose: Determinação do Tempo da MorteA cronotanatognose é o estudo da cronologia da morte, fundamental para processos judiciais e civis, como a determinação da responsabilidade criminal e direitos sucessórios. Fenômenos cadavéricos usados para estimar o tempo da morte incluem o resfriamento do corpo (queda de 0,5 °C nas primeiras 3 horas e 1 °C por hora depois), rigidez cadavérica (início entre 2 a 3 horas, máxima em 8 horas e desaparecimento em 24 horas, seguindo a sequência crânio-caudal da Lei de Nysten), livores e hipóstase (manchas que surgem em 2 a 3 horas e fixam-se entre 8 a 12 horas), manchas verdes abdominais (aparecem cerca de 24 horas após a morte), gases de putrefação (sequência de gases liberados nos primeiros dias), decréscimo de peso, crioscopia do sangue, formação de cristais de sangue putrefato, crescimento dos pelos da barba e análise do conteúdo gástrico para estimar o tempo desde a última refeição.A fauna cadavérica, estudada pela entomologia médico-legal, é importante para estimar o tempo de morte em cadáveres expostos ao ar livre, pois os insetos surgem em sequência regular e preparam o terreno para outros grupos. A flacidez muscular surge entre 36 a 48 horas após a morte, seguindo a mesma sequência da rigidez cadavérica.### Lesões e Tipos de MorteA análise das lesões permite diferenciar aquelas produzidas em vida (in vitam) das post mortem, o que é crucial para a justiça. Lesões in vitam apresentam sinais vitais como hemorragias, coagulação, retração dos tecidos, reações inflamatórias e consolidação de fraturas. Já as lesões post mortem não apresentam essas características, como ausência de coagulação sanguínea (sinal de Donné), margens de ferimentos sem retração e ausência de variações cromáticas em equimoses. Lesões post mortem podem ser acidentais (arrasto, depredação por animais) ou intencionais (injeções, esquartejamento).Os tipos de morte são classificados em natural (causada por doença ou defeito congênito), violenta (ação externa como homicídio, suicídio ou acidente), súbita (imprevista e rápida), mediata (sobrevivência por algumas horas após a causa) e agônica (processo lento). A docimasia hepática e suprarrenal são testes que avaliam o acúmulo de glicogênio e a secreção de adrenalina para diferenciar morte súbita de morte agônica.---### Destaques- A Tanatologia Forense estuda a morte e os fenômenos cadavéricos para diagnóstico e determinação do tempo da morte.- Fenômenos cadavéricos incluem sinais imediatos, consecutivos e transformativos, como rigidez cadavérica, hipóstase e putrefação.- A necropsia é essencial para esclarecer a causa da morte e pode ser solicitada por autoridades judiciais, sanitárias, policiais ou médicas.- A cronotanatognose utiliza fenômenos cadavéricos e entomologia para estimar o tempo da morte, importante para processos judiciais.- A distinção entre lesões in vitam e post mortem é fundamental para a justiça, assim como a classificação dos tipos de morte.

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina