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GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Crítica ao mito do Estado passivo Baseado em The Entrepreneurial State Estado como agente inovador e tomador de risco em Mariana Mazzucato (2014) GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Reavaliando o papel do Estado na inovação e criação de mercados GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Problema central O que Mazzucato contesta ➢ A oposição automática entre setor privado dinâmico e setor público burocrático. ➢ A ideia de que o Estado apenas corrige falhas de mercado e “prepara o terreno”. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O Estado Empreendedor Mazzucato desafia a visão de Estado passivo. Ele não só corrige falhas, mas cria ativamente novos mercados, assumindo riscos que o capital privado evita. Essa tese revela a origem de inovações disruptivas.O Estado Empreendedor: JK e o desenvolvimento industrial brasileiro. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O que Mazzucato contesta ➢ A narrativa segundo a qual os grandes saltos tecnológicos seriam obra quase exclusiva de empreendedores privados. ➢ A separação entre socialização dos riscos e privatização das recompensas Problema central GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO ➢ Mito criticado ➢ O Estado seria lento, corretivo e secundário no processo inovativo. ➢ Tese central ➢ O Estado pode liderar, orientar e financiar trajetórias tecnológicas de alto risco. Problema central GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Mito Comum Realidade Mazzucato Tradicionalmente, o Estado é percebido como um regulador passivo ou corretor de falhas de mercado. Sua função seria secundária, apenas intervindo quando o setor privado falha em prover bens ou serviços. Contrariamente, o Estado é um investidor inicial proativo, assumindo riscos elevados onde o capital privado hesita. Ele impulsiona inovações de ponta e cria novos mercados, agindo como um catalisador fundamental. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO ➢ Foco analítico ➢ Inovação radical, pesquisa de fronteira, missões e coordenação público-privada. ➢ Questão normativa ➢ Quem assume o risco deve participar também dos retornos gerados. Problema central GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Da falha de mercado ao Estado empreendedor ➢ Visão convencional ➢ O governo financia ciência básica, corrige externalidades, reduz riscos para o investimento privado e evita “interferir demais”. ➢ Nesse enquadramento, a inovação relevante viria depois, já no mercado, puxada pelo lucro. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO A Cadeia da Inovação: O Papel Fundamental do Estado 1 2 3 Pesquisa Básica Pesquisa Aplicada Comercialização O Estado provê financiamento massivo para a pesquisa fundamental em laboratórios públicos e universidades, estabelecendo o conhecimento científico basilar que, por sua natureza, possui retorno incerto e longo prazo, desencorajando o investimento privado inicial. A partir das descobertas da pesquisa básica, o setor público continua a apoiar o desenvolvimento de protótipos e tecnologias viáveis. Esta etapa, crucial para a transição do laboratório para o mercado, ainda carrega riscos substanciais que o Estado está mais apto a assumir. Nesta fase, o setor privado tipicamente intervém, aproveitando as bases tecnológicas e as inovações estabelecidas e amadurecidas pelo investimento estatal. Sem a anterior intervenção pública, muitas dessas inovações de alto risco não teriam alcançado o estágio de viabilidade comercial. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Da falha de mercado ao Estado empreendedor ➢ Proposta de Mazzucato ➢ O Estado não apenas corrige: ele cria mercados, formula direções, financia incerteza profunda e organiza ecossistemas de inovação. ➢ O setor público entra onde o horizonte é longo, o fracasso é provável e o capital privado tende a hesitar. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O Estado como tomador de risco 1. Visão Define áreas estratégicas antes que seu potencial comercial esteja claro. 2. Financiamento Aporta recursos nas fases mais incertas da cadeia de inovação. 3. Coordenação Conecta universidades, laboratórios, agências públicas, startups e grandes firmas. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O acidentado cenário de risco A história mostra que essas áreas do cenário de risco (dentro dos setores, em qualquer momento; e no início, quando novos setores estão surgindo), que são definidas pelo grande investimento financeiro, alto nível tecnológico e grande risco mercadológico, tendem a ser evitadas pelo setor privado e têm exigido grandes montantes de financiamento (de diferentes tipos) do setor público, assim como a visão e o espírito de liderança do setor público para decolar (Mazzucato, 2014, p.42). GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O Estado como tomador de risco 4.Missões Mobiliza inovação orientada por objetivos públicos, não apenas por incentivos difusos. 5. Persistência Suporta fracassos parciais porque trabalha com portfólios e horizontes longos. 6. Retorno público Abre a discussão sobre mecanismos para socializar parte dos ganhos. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Exemplos usados por Mazzucato Internet e computação ➢ A autora destaca o papel da DARPA e de outras agências públicas no financiamento e coordenação das bases tecnológicas da revolução digital. ➢ Biotecnologia e fármacos ➢ Laboratórios e programas públicos assumiram custos altos e incerteza elevada antes da entrada mais decisiva do capital privado. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Exemplos usados por Mazzucato ➢ SBIR e apoio a pequenas firmas ➢ Instrumentos públicos ajudaram a mover tecnologia do laboratório ao mercado em múltiplos setores. ➢ Nanotecnologia ➢ A aposta pública ocorreu antes da consolidação comercial, mostrando Estado como investidor pioneiro. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O iPhone e o Estado O iPhone é o exemplo claro de como a Apple se beneficiou do financiamento estatal. Quase todas as suas tecnologias inteligentes, como GPS e Internet, foram desenvolvidas por agências públicas. Isso demonstra o papel crucial do Estado na inovação, inclusive em produtos de consumo. Componentes do iPhone: um exemplo de inovação impulsionada pelo Estado. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Tecnologia Agência Financiadora Original Propósito Inicial Microprocessadores Força Aérea dos EUA Mísseis e Aeronáutica Algoritmo do Google National Science Foundation (NSF) Pesquisa Acadêmica Biotecnologia National Institutes of Health (NIH) Saúde Pública Internet DARPA Comunicação Militar GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Agências Dinâmicas de Inovação DARPA: Pioneirismo Tecnológico A DARPA (EUA) é um modelo de agência que financia tecnologias disruptivas. Atua com alta autonomia, impulsionando avanços que o setor privado hesita em iniciar. NIH: Inovação Farmacêutica O NIH (EUA) é responsável por 75% das novas entidades moleculares inovadoras. Diferentemente da Big Pharma, foca em pesquisa fundamental, não apenas em variantes. BNDES: Direcionamento Estratégico O BNDES (Brasil) é citado por Mazzucato como banco de desenvolvimento crucial. Ele pode atuar na direção estratégica do crescimento econômico nacional. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Exemplos usados por Mazzucato Socialização dos riscos, privatização das recompensas "Quando o Estado financia as etapas mais arriscadas da inovação, mas os lucros finais ficam quase integralmente nas mãos privadas, produz-se um arranjo assimétrico: o público absorve perdas potenciais; o privado captura ganhos extraordinários". GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Privatização de Lucros A lógica é "Socializar os riscos e privatizar os lucros". O Estado salva empresas (ex: Tesla via DOE), mas raramente obtém equity ou royalties. Isso causa subfinanciamento crônico da pesquisa e uma crise de legitimidade na inovação. Diálogo para construir um Estado que inova e compartilha riscos. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Exemplos usados por Mazzucato Problema distributivo ➢ O êxito privado frequentemente repousa sobre investimento coletivo prévio. Problema político ➢ O Estado aparece como ineficiente,embora tenha sustentado a fase decisiva do risco. Problema de política pública ➢ Sem retorno público, reduz-se a capacidade futura de reinvestir em novas missões. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Leitura didática em três ideias-força 1. Estado molda mercados ➢ Não atua apenas ex post; também abre caminhos tecnológicos e produtivos. 2. Inovação exige missão ➢ Ecossistemas inovadores precisam de direção estratégica, coordenação e investimento paciente. 3.Risco deve gerar retorno social ➢ Política pública não pode apenas desonerar; precisa também construir capacidade estatal futura. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO O Papel do Estado: Orientação por Missões Criação de Mercados O Estado lidera ativamente a direção do crescimento econômico, moldando novos setores. Isso vai além de apenas facilitar, como na Economia Verde. Assunção de Risco O Estado absorve a incerteza estrutural inerente às novas tecnologias. Este capital paciente é crucial para a inovação radical, conforme mencionado anteriormente. Coordenação Estratégica Há um alinhamento de diversos setores da economia, focando em objetivos sociais e tecnológicos complexos. Essa coordenação é vital para missões ambiciosas. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Retornos Diretos? Royalties Mazzucato propõe o pagamento de uma porcentagem sobre vendas de produtos derivados de patentes estatais. Este mecanismo assegura ao Estado a recuperação do valor gerado por sua inovação fundamental. Participação Acionária O Estado deve deter fatias de empresas que recebem investimentos massivos em estágio inicial. Essa participação acionária (equity) permite ao setor público capitalizar financeiramente o sucesso empresarial. Condicionalidades Exigir que empresas beneficiadas mantenham empregos no país ou reinvestam em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) local. As condicionalidades visam garantir que o investimento público gere benefícios socioeconômicos diretos e duradouros. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Estado Empreendedor: Síntese Final O Estado Empreendedor é fundamentalmente sobre o papel e dinamismo do setor público, não apenas seu tamanho. A inovação exige coragem estatal e visão de longo prazo, moldando o mercado como resultado de investimentos, não uma força natural isolada. É crucial reconhecer o Estado como criador de valor para um crescimento inclusivo e sustentável. O Estado Empreendedor: o prédio do governo e sua importância. GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Mapa mental do Estado Empreendedor GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO "A história da inovação tecnológica demonstra que o setor privado só entra em cena após o Estado ter feito os investimentos de alto risco e incerteza necessária." - Mariana Mazzucato, Economista e Pesquisadora GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Pergunta ➢ Se o Estado foi decisivo nas fases iniciais da inovação, por que ele costuma ser lembrado apenas como regulador ou obstáculo? GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Resposta à pergunta O Estado é lembrado sobretudo como regulador ou obstáculo porque o debate público foi dominado por uma “batalha discursiva” que naturalizou a imagem do mercado como inovador e do setor público como pesado, burocrático e apenas corretor de falhas, apagando seu papel de investidor arrojado e criador de mercados (Mazzucato, 2014, p. 31–38). GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Resposta à pergunta Mazzucato mostra que, historicamente, o Estado esteve por trás das principais tecnologias de propósito geral (internet, TIC, biotecnologia, nanotecnologia, energia nuclear, tecnologias verdes), assumindo os estágios mais arriscados e incertos do investimento, enquanto o capital de risco privado só entrou muitos anos depois, quando a incerteza já havia sido reduzida (Mazzucato, 2014, p. 61–68; 115–120; 181–190). GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Resposta à pergunta Contudo, como a fase visível e lucrativa da inovação é protagonizada por grandes empresas privadas, e porque há socialização dos riscos e privatização das recompensas (o investimento público é invisível, mas o lucro privado é muito visível), constrói-se uma narrativa em que o mérito fica com o empreendedor privado e o Estado aparece apenas como quem tributa, regula ou “atrapalha” (Mazzucato, 2014, p. 265–275). GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO Resposta à pergunta Essa narrativa é reforçada por interesses privados e por políticas que escondem a “política industrial” efetiva (por exemplo, o “Estado desenvolvimentista oculto” dos EUA), alimentando a ideologia do fundamentalismo de mercado; o resultado é que, mesmo onde o Estado age como principal investidor e catalisador da inovação, ele continua descrito só como regulador ou fardo para a economia (MAZZUCATO, 2014, p. 40–45; 150–160; 280–290). GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO REFERÊNCIA: MAZZUCATO, Mariana. O Estado empreendedor: desmascarando o mito do setor público vs. setor privado. São Paulo: Portfolio-Penguin, 2014.