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CIÊNCIA DA CARNE Curso: Técnico em Agroindústria Componente Curricular: Tecnologia de Carne e Produtos Cárneos Docente: Daniela Maria Gerônimo Composição Química da Carne Animal Corte Água Proteína Gordura Cinzas SUÍNO Paleta 74,9 19,5 4,7 1,1 Lombinho 75,3 21,1 2,4 1,2 Chuleta 54,5 15,2 29,4 0,8 Presunto 75 20,2 3,6 1,1 Toucinho 40 11,2 48,2 0,6 BOVINO Coxa 76,4 21,8 0,7 1,2 Lombo 74,6 22,0 2,2 1,2 FRANGO Músculo 73,3 20,0 5,5 1,2 Peito 74,4 23,3 1,2 1,1 Composição química aproximada da carne Fonte: Ordoñez, J. A. Tecnologia de alimentos vol. 2 Perdas após processamento com temperatura Composição Nutricional Água • Cerca de 70% a 75% do músculo é constituído de água. • Em animais jovens essa proporção é maior; por outro lado, em músculos com maior teor de gordura essa proporção diminui. • A importância da água da carne não é direta, mas pela sua função transportadora, já que serve de veículo para muitas substâncias orgânicas e inorgânicas. • Além disso, ela é parte integrante das estruturas celulares. Minerais • A carne bovina possui todos os minerais, destacando-se a presença de ferro, fósforo, potássio, sódio, magnésio e zinco. • Todos os minerais essenciais ao ser humano estão presentes na carne bovina, sendo que esses estão mais ligados ao tecido magro. • Cabe destaque o fato de que a carne apresenta-se como fonte expressiva de ferro, onde ressalta-se que de 40% a 60% desse elemento é altamente absorvível. Vitaminas • A carne apresenta todas as vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), as hidrossolúveis do complexo B (tiamina, riboflavina, nicotinamida, piridoxina, ácido pantotênico, ácido fólico, niacina, cobalamina e biotina) e um pouco de vitamina C. • Existem variações do teor vitamínico em relação à idade. • Animais jovens apresentam níveis menores de B12, enquanto aqueles na fase de acabamento apresentam maiores teores de vitaminas lipossolúveis. • A principal importância das vitaminas se verifica pela sua participação nas enzimas do organismo humano. • Com relação às vitaminas lipossolúveis, destaca-se a importância da carne como fonte de vitamina A, pois os alimentos de origem animal são as únicas fontes de vitamina A biologicamente ativa. O grande mérito da carne como fonte de vitaminas é pela disponibilidade em vitaminas do complexo B, que exercem funções indispensáveis ao crescimento e à manutenção do corpo humano. Tecido Muscular • O colágeno responde por parte da dureza de um corte cárneo. • Quando o animal é muito jovem, a proporção de colágeno é maior, porém, a estrutura desse tecido é termo-lábil, ou seja, sob calor verifica-se sua transformação em gelatina, de forma que a carne torna-se tenra. • Em animais adultos a proporção de colágeno é menor, porém, com a idade ocorre a formação de ligações cruzadas nas moléculas de colágeno, o que confere uma termo-estabilidade, ou seja, não se observa sua transformação em gelatina com o calor, o que torna a carne menos macia. Proteínas • A proteína miofibrilar da carne apresenta elevado valor biológico pela disponibilidade em aminoácidos essenciais e pela digestibilidade dos mesmos, sendo que o tecido conjuntivo apresenta menor valor biológico. • A digestibilidade da fração protéica da carne varia de 95% a 100% e a proteína da carne contém todos os aminoácidos essenciais ao ser humano. Aminoácidos • Mistura de 20 aminoácidos; • Qualidade nutritiva da carne é alta: contém todos os aminoácidos essenciais em proporções bastante similares às requeridas para o desenvolvimento dos tecidos humanos; • Colágeno possui valor nutritivo baixo ou nulo: baixo conteúdo de aminoácidos essenciais. Lipídeos • Existe grande variação no teor de lipídeos presentes na carne bovina e essa é influenciada por vários fatores, tais como sexo, raça e alimentação do animal, assim como do corte cárneo. • O valor energético da gordura da carne é da ordem de 8,5 cal/g. • A gordura da carne, além do aspecto energético, é importante pelos ácidos graxos essenciais, colesterol e vitaminas lipossolúveis, sendo também indispensável para os aspectos organolépticos de sabor e uso culinário. • A digestibilidade da gordura varia em função dos ácidos graxos constituintes, sendo que a gordura interna (mais saturada) tem digestibilidade em torno de 77% enquanto a externa (peito) chega a 98%. Gorduras • Bastante variável • Presente em 4 depósitos: cavidade corporal, zona subcutânea, inter e intramuscular. Gorduras • Maioria: lipídeos neutros (triacilgliceróis) • Pequena quantidade de fosfolipídeos e lipídeos de membrana – formam as membranas celulares • Os ácidos graxos variam em sua extensão de cadeia: 4 a 24 cadeia par 15 a 21 cadeia ímpar • Ácidos graxos saturados: 12 a 20 carbonos • Ácidos graxos insaturados: 15 a 21 carbonos Lipídeos de armazenamento (lipídeos neutros) G li c e r o l Ác. graxos Ác. graxos Ác. graxos Triacilgliceróis Lipídeos de Armazenamento Triacilgliceróis são ésteres de ácidos graxos do glicerol glicerol 1-Estearoil, 2-linolenoil, 3-palmitoil glicerol. Um triacilglicerol misto Adipócitos de cobaia: enormes gotículas de gordura preenchem a célula Gotas de gordura Lipases liberam ác. graxos para serem transportados a sítios onde são necessários como combustívéis • Saturados: Palmítico (16:0)> Esteárico (18:0)> Mirístico (14:0) • Insaturados: Oléico (18:1)> Palmitoléico (16:1) Ácido linoléico (18:2) > ácido linolênico (18:3) > Araquidônico (20:4) Grau de saturação dos ácidos graxos Espécie % Saturados % Monoinsaturados % Polinsaturados Bovino 40 – 71 41 – 53 0 – 6 Suíno 34 – 49 43 – 70 3 – 18 Carneiro 46 – 64 36 – 47 3 – 5 Aves 28 – 33 39 – 51 14 – 23 Bacalhau 30 22 48 Cavalo 30 44 26 Porcentagem de gorduras em carnes de diferentes animais Suíno 5,25 % Cordeiro 6,6 % Bovino 2 -3,2 % Frango 2 -3,2 % Coelho 2 -3,2 % Peru 2 -3,2 % CAPACIDADE DE RETENÇÃO DE ÁGUA Capacidade da carne de reter sua umidade ou água durante a aplicação de forças externas • Corte; • Aquecimento; • Trituração e • Pesagem Entretanto, durante uma aplicação suave de qualquer desses tratamentos, há uma certa perda de umidade, devido uma parte da água presente na carne encontrar-se na forma livre. A capacidade de retenção de água do tecido muscular tem grande importância durante o armazenamento. Quando os tecidos tem pouca capacidade de retenção de água, as perdas de umidade e consequentemente de peso durante o armazenamento é grande. Esta perda ocorre geralmente nas superfícies musculares da carcaça exposta à atmosfera durante a estocagem CAPACIDADE DE RETENÇÃO DE ÁGUA Devido à distribuição de elétrons, as moléculas de água possuem carga neutra, mas são polares e podem associar-se à grupos reativos das proteínas musculares carregadas eletricamente. Do total de água no músculo, 4 a 5% se apresenta ligada. As moléculas de água livre se mantém unidas por forças capilares CAPACIDADE DE RETENÇÃO DE ÁGUA A formação de ácido lático e a consequente queda do pH post mortem são responsáveis pela diminuição da capacidade de reter água da carne. Essas reações causam uma desnaturação e perda da solubilidade das proteínas musculares, ou seja, o número de cargas negativas. A instalação do rigor-mortis também afeta a capacidade de retenção de água. A queda do ATP e as interações protéicas associadas ao rigor mortis são responsáveis pela formação de uma rede espessa das proteínas contrácteis. COR MIOGLOBIA A mioglobina é o pigmento muscular que retém o oxigênio nos tecidos. A cor da carne indica e concentração de mioglobina e a seu estado de oxigenação ou oxidação na superfície do músculo. O pigmento mioglobina, de cor vermelho púrpura, aparente em carnes recentes, é formada por um fração protéica denominada globina e um grupo protéstico denominado anel ou grupo heme. Cor A quantidade de mioglobina varia com a espécie, sexo, idade, localização anatômica do músculo e atividade física,o que explica a grande variação de cor na carne. Bovinos e ovinos possuem uma quantidade maior de hemoglobina do que suínos, pescado e aves. Cor As cores típicas da carne de algumas espécies são: • bovino adulto: vermelho cereja brilhante • equino: vermelho escuro • ovino: vermelho pálido a vermelho ladrilho • suíno: rosa acinzentado • aves: branco cinza a vermelho pálido Cor A formação de METAMIOGLOBINA é favorecida por baixas pressões de oxigênio, altas temperaturas (ativa enzimas que utilizam o oxigênio), sal (oxidante) e bactérias aeróbias (reduzem a tensão de oxigênio). Ao cortarmos a carne proveniente de um bovino recém abatido, observamos a cor vermelho púrpura, devido principalmente à MIOGLOBINA. Quando a carne fica em contato com o ar, os pigmentos reagem com o oxigênio molecular e formam um pigmento relativamente estável denominado OXIMIOGLOBINA - Quando não há praticamente oxigênio , como na carne empacotada a vácuo, ela mantém sua cor roxa da mioglobina - Quando o oxigênio está disponível em pequenas quantidades Características Organolépticas da Carne - Cor Na presença do oxigênio, os pigmentos reagem com o oxigênio molecular, formado o oximioglobina, pigmento relativamente estável vivo associado a carne fresca. A oximioglobina se forma após cerca de 35-40 minutos de exposição ao ar. Tanto a mioglobina como a oximioglobina podem sofrer oxidação formando a metamioglobina, que se associa a longo período de armazenamento. Características Organolépticas da Carne - Cor Na presença do oxigênio disponível apenas em pequenas quantidades para a carne, a metamioglobina é a forma favorecida quimicamente. E por isto que a superfície da carne exposta ao ar livre exibe o vermelho vivo da oximioglobina enquanto por baixo da carne, que é privada de oxigênio aos poucos vai ficando marrom. Características Organolépticas da Carne - Cor E por este motivo que na maioria dos mercados varejistas, a carne empacotada em bandejas de plástico rígido recobertas por um filme plástico especial, permeável ao oxigênio: - A superfície recebe bastante oxigênio e fica vermelha,com aspecto agradável. - Como o oxigênio só consegue se difundir um pouco para dentro: quanto mais fundo, mais marrom é a carne Características Organolépticas da Carne - Cor Mioglobina OXIGÊNIO → Oximioglobina OXIDAÇÃO → Marrom -- A predominância de um ou de outra depende da quantidade de oxigênio disponível para a carne. Em um corte transversal, é possível visualizar as três diferentes colorações, sendo: Uma externa de cor vermelha Intermediária de cor parda Uma mais interna de cor violácea Características Organolépticas da Carne - Cor . Mioglobina OXIGÊNIO → Oximioglobina OXIDAÇÃO → Marrom Um mercado de qualidade examinará cuidadosamente sua linha de SUPRIMENTOS DE CARNE MOÍDA, moendo e expondo apenas o necessário para atender a sua demanda. Desse modo ↓ Terá sempre terá oximioglobina vermelha . Se perder essa cor, os clientes tendem a rejeitar, mesmo que o escurecimento não tenha sido causado pela velhice, mas sim pela privação de oxigênio. Características Organolépticas da Carne - Cor . Mioglobina OXIGÊNIO → Oximioglobina OXIDAÇÃO → Marrom A carne embalada á vácuo tem cor mais escura em virtude da ausência de oxigênio na embalagem, que inibe a ação da Oximioglobina , responsável pela cor avermelhada da carne. Em apenas 20 minutos, após a abertura da embalagem, a cor readquire sua cor vermelho púrpura original. Características Organolépticas da Carne - Cor . A carne de animais novos ( vitela) é mais clara do que a de animais velhos(boi). Existem menos pigmentos nas carnes de porco , do que na de outros animais. No animal vivo, a mioglobina ( vermelho púrpura) existe em equilíbrio com a oximioglobina ( vermelho brilhante ), sua forma oxigenada. Após a morte do animal o oxigênio, como o oxigênio no tecido é rapidamente utilizado, a forma predominante é a mioglobina. A superfície da carne bovina, logo que é cortada e exposta ao oxigênio, apresenta uma coloração vermelho brilhante, decorrente da transformação da mioglobina e oximioglobina Características Organolépticas da Carne - Cor A COR DA CARNE Cocção: Quando na cocção, o coloridas das carnes vermelhas, varia de um rosa acinzentado ao vermelho escuro e marrom, dependendo da exposição ao calor, do tipo de cocção, armazenamento, e do processamento. ( o calor do cozimento não só escurece a carne em virtude das reações de Maillard, como estimula a conversão da oximioglobina em metamioglobina) Luminosidade do local onde as carnes estão expostas, influi na percepção da cor, podendo melhorar a aparência dos cortes mais velhos Cura: Nitritos reage com mioglobina, formando mioglobina de óxido nítrico Características Organolépticas da Carne - Cor Características Organolépticas da Carne – Odor e Sabor • O aroma da carne é uma sensação complexa que envolve a combinação de odor, sabor e pH. Por serem aspectos complementares, o odor e o sabor podem ser agrupados em um complexo denominado de flavor. • A ransificação das gorduras é o principal problema de sabor na carne. • Tempo x Temperatura: Quanto maior o tempo de cozimento maior a degradação protéica e perda de substâncias voláteis. • A carne tem mais sabor quando assada até 82°C internamente, com um forno a 288°C por 30 minutos, do que outra a 177°C por 2 horas. Características Organolépticas da Carne – Suculência • Segundo alguns autores a perda de suco durante a cocção é proporcional à falta de suculência da carne ao paladar. • A suculência depende da sensação de umidade nos primeiros movimentos mastigatórios, ou seja, da liberação de líquidos pela carne. Uma sensação de suculência é mantida pelo teor de gordura na carne que estimula a salivação e lubrifica o bolo mastigatório. • Animais jovens (mis suculenta no início da mastigação – falta gordura) • Tempo de congelamento afeta suculência • Carne que atinge 70 °C internamente mais rapidamente. • É o principal quesito de avaliação ou apreciação por parte do consumidor, inclusive, podendo suplantar aspectos como uma cor ou um flavor não muito agradáveis (atrativos). • Organolepticamente, a maciez de uma carne seria sentida como um conjunto de impressões: Características Organolépticas da Carne – Maciez Características Organolépticas da Carne – Maciez • Facilidade de fragmentação: capacidade dos dentes para cortar ou desagregar as fibras musculares. Podem acontecer dois extremos: a carne ser tão fragmentável que partículas aderem-se à língua e bochechas dando a sensação de secura; ou a carne apresentar fibras demasiadamente unidas, quase sempre em virtude de excesso de tecido conjuntivo. • Resíduo ou restos de mastigação: restos de carne que permanecem após o processo mastigatório, geralmente tecido conjuntivo originário de perimísio ou epimísio. • Consistência da carne: conforme o contato com a língua e bochechas podese sentir se a carne é mole ou firme. • Resistência à pressão dental: força necessária para a penetração dos dentes na carne. Características Organolépticas da Carne – Maciez • Muitos fatores interferem na maciez da carne, podendo ser divididos em inerentes (ante-mortem) ou não inerentes (post-mortem) ao animal. • Com a idade do animal há a formação de ligações cruzadas entre as moléculas de colágeno que as tornam indissolúveis e endurece a carne. ª • A deposição de maior ou menor teor de colágeno sob a forma de perimísio (grão da carne) promove diferenças raciais quanto à maciez da carne. • Animais inteiros apresentam carne menos macia!?! • O marmoreio (gordura intramuscular) ajuda na maciez por lubrificar a mastigação e diluir o teor de tecido conjuntivo da carne. Características Organolépticas da Carne – Maciez • Como fatores externos ao animal têm-se aspectos como uso ou não de processos visando ao amaciamento da carne e distúrbiosde refrigeração. • Encurtamento pelo frio: quando um músculo é resfriado imediatamente após o abate, apresenta energia para contrair-se fortemente sob ação do resfriamento, que, em geral, ocorre quando um músculo atinge 10°C em 10 horas post-mortem. • Rigor pelo descongelamento: quando um músculo congela antes de atingir o rigor mortis, posteriormente, quando do descongelamento ocorre o encurtamento pelo frio e uma excessiva perda de suco. • Posição de resfriamento: evita o encurtamento e o respectivo endurecimento, por ação física. ª Eletroestimulação: uma corrente elétrica que, provocando contrações, faz com que os músculos consumam energia e no momento do resfriamento não possam contrair-se demasiadamente. Características Organolépticas da Carne – Maciez • Maturação: mantendo-se os cortes cárneos em embalagem a vácuo e em temperatura de 1ºC a 2ºC por cerca de 14 dias, ocorre desnaturação protéica desagregando as fibras musculares e ocasionando maciez. A ação enzimática não é sobre o complexo acto- miosina, sendo o principal alvo o disco Z. Além da ação sobre a maciez, com a maturação ocorre desenvolvimento de sabor. Características Organolépticas da Carne – Maciez • Cocção: a maciez é dependente da temperatura e da velocidade de cozimento. Nas carnes bem cozidas ocorre uma maior rigidez por um fenômeno denominado "endurecimento protéico", que é devido à coagulação das proteínas, principalmente as miofibrilares, já que com o calor, o colágeno transforma-se em gelatina, favorecendo a maciez da carne. Enquanto a ação positiva do colágeno depende do fator tempo, o endurecimento miofibrilar tem na temperatura de cozimento, o ponto crítico. Entre 57ºC e 60ºC ocorre o amaciamento do tecido conjuntivo sem que haja ação sobre as proteínas miofibrilares, ou seja, sem endurecer a carne. Com base nisso é que se recomenda o cozimento prolongado a temperaturas baixas para a carne rica em tecido conjuntivo e o contrário para aquelas pobres em colágeno. Características Organolépticas da Carne – Maciez • Substâncias amaciantes da carne: pode-se fazer o amaciamento artificial da carne por uma série de ingredientes, como vinagre, suco de limão, sal e enzimas vegetais. A papaína proveniente do mamão, a bromelina proveniente do abacaxi e a ficina proveniente do figo possuem efetiva ação amaciante, sendo que o efeito não é apenas sobre as proteínas miofibrilares mas também sobre o tecido conjuntivo, principalmente sobre a fração de colágeno solubilizada pelo calor.