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ROTEIRO DO LABORATÓRIO MORFOFUNCIONAL CURSO DE MEDICINA Orientadores: Profª Arannadia Barbosa Prof. Matheus Alves Profª Maiara Marques Profª Roberta Carvalho ÁCIDOS NUCLÉICOS OBJETIVOS: ● Compreender conceitos básicos de genética ● Conhecer as características estruturais e funções da molécula de DNA e RNA. ● Conhecer a função dos diferentes tipos de RNAs ● Conhecer o fluxo da informação genética. 1) COM O AUXÍLIO DE LIVROS, ARTIGOS E SITES (VIDE REFERÊNCIA), CONCEITUE O TERMOS ELENCADOS ABAIXO. A) GENOMA É o conjunto completo de material genético de um organismo. Pense nele como o "livro de instruções" completo de um ser vivo, contendo todas as informações necessárias para seu desenvolvimento, funcionamento, crescimento e reprodução. O que ele inclui? No caso da maioria dos organismos, o genoma é composto por DNA (Ácido Desoxirribonucleico). Em alguns vírus, pode ser RNA (Ácido Ribonucleico). Onde está localizado? Nas células eucarióticas, o genoma está predominantemente no núcleo, organizado em cromossomos. Uma pequena parte também pode ser encontrada nas mitocôndrias. Em células procarióticas (como bactérias), o genoma geralmente consiste em um único cromossomo circular localizado no citoplasma, em uma região chamada nucleoide. Importância: O estudo do genoma nos permite entender a hereditariedade, as bases genéticas de doenças e as relações evolutivas entre diferentes espécies. Analogia: Imagine o genoma como uma biblioteca inteira, onde cada livro contém informações sobre um aspecto específico do organismo. B) GENES São as unidades fundamentais da hereditariedade. Cada gene é um segmento específico do DNA (ou RNA, em alguns casos) que carrega a informação para produzir uma molécula funcional, geralmente uma proteína ou uma molécula de RNA. O que eles codificam? A maioria dos genes codifica proteínas, que são as "ferramentas" e "blocos de construção" essenciais para as funções celulares. Alguns genes codificam RNAs funcionais, como RNAs transportadores (tRNAs) e RNAs ribossômicos (rRNAs), que também desempenham papéis cruciais na célula. Como funcionam? A informação contida em um gene é "lida" e utilizada para sintetizar uma proteína através de processos como a transcrição e a tradução. Localização: Genes estão localizados em posições específicas nos cromossomos. Analogia: Se o genoma é a biblioteca, cada gene seria um capítulo específico dentro de um livro, descrevendo como fazer uma determinada "ferramenta" ou "componente" para o organismo. C) ÁCIDOS NUCLEICOS São macromoléculas essenciais para a vida, responsáveis pelo armazenamento, transmissão e expressão da informação genética. Existem dois tipos principais: o DNA e o RNA. DNA (Ácido Desoxirribonucleico): É a molécula que armazena a informação genética a longo prazo. Sua estrutura em dupla hélice confere estabilidade. RNA (Ácido Ribonucleico): Atua em diversas funções relacionadas à expressão gênica, como a cópia da informação do DNA (RNA mensageiro - mRNA), transporte de aminoácidos (RNA transportador - tRNA) e como componente estrutural e catalítico dos ribossomos (RNA ribossômico - rRNA). O RNA geralmente é uma molécula de fita simples. Estrutura: Ambos são polímeros, ou seja, longas cadeias de unidades menores chamadas nucleotídeos. Cada nucleotídeo é composto por três partes: um grupo fosfato, um açúcar (desoxirribose no DNA e ribose no RNA) e uma base nitrogenada (Adenina, Guanina, Citosina, Timina no DNA; Adenina, Guanina, Citosina, Uracila no RNA). Analogia: Os ácidos nucleicos são como os "documentos" que contêm as informações. O DNA é o documento original, seguro e estável, enquanto o RNA são cópias ou "mensageiros" que levam a informação para onde ela é necessária. D) TRANSCRITOS São moléculas de RNA que foram sintetizadas a partir de um molde de DNA através do processo de transcrição. Essencialmente, um transcrito é a "cópia" de um gene em RNA. O que são? O tipo mais comum de transcrito é o RNA mensageiro (mRNA), que carrega a informação genética do DNA no núcleo para os ribossomos no citoplasma, onde será traduzido em proteína. Outros tipos: Existem outros transcritos que não codificam proteínas, como os RNAs envolvidos na regulação gênica (microRNAs, siRNAs) ou os RNAs funcionais já mencionados (tRNAs, rRNAs). Processo: A transcrição é o primeiro passo na expressão gênica, onde uma enzima chamada RNA polimerase lê a sequência de DNA e sintetiza uma fita complementar de RNA. Analogia: Se o gene é a receita original para um prato, o transcrito (especialmente o mRNA) seria a cópia dessa receita que você leva para a cozinha para seguir os passos e preparar o prato. 2) OBSERVE A ESTRUTURA DE UM NUCLEOTÍDEO DE DNA E RNA, DESCREVA OS CITANDO OS TIPOS DE NUCLEOTÍDEOS, AS PARTES CONSTITUINTES E AS DIFERENÇAS APRESENTADAS ENTRE O DNA E RNA EM TERMOS DE COMPOSIÇÃO QUÍMICA. Fonte: GRIFFITHS, Anthony J F.; DOEBLEY, John; PEICHEL, Catherine; et al. Introdução à Genética. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. E-book. ISBN 9788527738682 ESTRUTURA GERAL DE UM NUCLEOTÍDEO Um nucleotídeo é a unidade básica dos ácidos nucleicos (DNA e RNA). Ele é composto por três partes principais: 1. Base Nitrogenada: Pode ser uma base púrica ou pirimídica. 2. Açúcar Pentose: Uma molécula de açúcar com cinco carbonos. 3. Grupo Fosfato: Ligado ao carbono 5' do açúcar. PARTES CONSTITUINTES DO NUCLEOTÍDEO Pentose: Representada no círculo em azul claro. No DNA, a pentose é a desoxirribose (falta um átomo de oxigênio no carbono 2’, comparado à ribose). No RNA, a pentose é a ribose. Base Nitrogenada: Ligada ao carbono 1’ do açúcar. Pirâmidicas (pirimidinas): Citosina, Uracila (somente RNA) e Timina (somente DNA). Púricas (purinas): Adenina e Guanina, comuns a DNA e RNA. TIPOS DE NUCLEOTÍDEOS DNA: Bases: Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Timina (T). Pentose: Desoxirribose. Grupo fosfato. RNA: Bases: Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Uracila (U). Pentose: Ribose. Grupo fosfato. IMPACTO DAS DIFERENÇAS QUÍMICAS ENTRE DNA E RNA NAS FUNÇÕES E ESTABILIDADE 1. Açúcar: Ribose (RNA) vs. Desoxirribose (DNA) Ribose (RNA) tem um grupo hidroxila (-OH) no carbono 2’. Desoxirribose (DNA) tem apenas um hidrogênio (-H) no carbono 2’, faltando o grupo OH. Impacto: O grupo OH no RNA torna a molécula mais reativa e menos estável quimicamente, pois é mais suscetível a ataques químicos e hidrólise. Isso faz com que o RNA tenha uma vida útil mais curta na célula, adequado para seu papel temporário como mensageiro ou catalisador. O DNA é mais quimicamente estável, o que é importante para sua função de armazenar a informação genética a longo prazo. 2. Bases Nitrogenadas: Timina (DNA) vs. Uracila (RNA) DNA usa timina (T), que tem um grupo metil, enquanto RNA usa uracila (U), que não tem esse grupo metil. Impacto: A presença do grupo metil na timina aumenta a estabilidade do DNA e ajuda a proteger contra mutações. A uracila torna o RNA mais flexível e menos estável, adequado para sua função temporária. Além disso, a timina ajuda os sistemas de reparo celular a diferenciar entre bases legítimas e mutações (desaminação de citosina produz uracila, que é reconhecida como erro no DNA). 3. Estrutura: fita dupla (DNA) vs. fita simples (RNA) O DNA sendo de fita dupla, com bases pareadas, forma uma estrutura estável (dupla hélice). O RNA geralmente é fita simples, o que o torna mais flexível e capaz de assumir várias conformações tridimensionais essenciais para funções como catalisar reações (ribozimas), tradução (rRNA), e regulação (miRNA). Impacto: Essa estrutura dupla do DNA protege a molécula contra danos e permite a replicação fiel. A estrutura flexível do RNA permite que ele exerça múltiplas funções além do armazenamento de informação, como catalisar reações e regulação gênica.3)UTILIZANDO AS REFERÊNCIAS DISPONIBILIZADAS, IDENTIFIQUE E EXPLIQUE A FUNÇÃO DOS TIPOS DE RNA ABAIXO. A) RNA MENSAGEIRO (MRNA) Mecanismo molecular: O mRNA é transcrito a partir do DNA no núcleo (em eucariotos) por uma enzima chamada RNA polimerase. Após o processamento (remoção de íntrons, adição de capa 5' e cauda poli-A), o mRNA maduro é transportado para o citoplasma. Na tradução, ele serve como molde para a síntese proteica. O ribossomo "lê" a sequência do mRNA em códons (grupos de 3 nucleotídeos). A tradução ocorre em três etapas: 1. Iniciação: A subunidade menor do ribossomo se liga ao mRNA próximo ao cap 5’ e localiza o códon de iniciação (AUG). O tRNA carregado com metionina reconhece esse códon e se liga. 2. Alongamento: O ribossomo avança codon a codon, com tRNAs adequados entrando no sítio A, trazendo aminoácidos específicos. O ribossomo catalisa a formação da ligação peptídica entre aminoácidos no sítio P, enquanto o tRNA vazio sai pelo sítio E. 3. Terminação: Quando chega a um códon de parada (UAA, UAG, UGA), fatores de liberação entram, provocando a liberação da cadeia polipeptídica e a dissociação do complexo ribossomal. Assim, o mRNA é a "mensagem" que determina a sequência aminoacídica da proteína.l B) RNA TRANSPORTADOR (TRNA) Mecanismo molecular: Cada tRNA possui um anticódon que é complementar a um códon do mRNA. Ele é ligado a um aminoácido específico por enzimas chamadas aminoacil-tRNA sintetases. Durante a tradução, o tRNA com seu aminoácido correspondente se liga ao códon complementar no mRNA no sítio A do ribossomo. O ribossomo movimenta o tRNA do sítio A para o sítio P, onde o aminoácido é incorporado na proteína em crescimento. Ao sair do sítio E, o tRNA fica livre para ser recarregado com outro aminoácido. O tRNA funciona como adaptador, traduzindo a "linguagem" do RNA (nucleotídeos) para a linguagem das proteínas (aminoácidos). C) RNA RIBOSSÔMICO (RRNA) Mecanismo molecular: O rRNA é componente estrutural e catalítico dos ribossomos. Ele forma as duas subunidades (menor e maior) que se associam durante a tradução. O rRNA interage diretamente com o mRNA e os tRNAs, posicionando-os corretamente para a síntese proteica. A subunidade maior do ribossomo contém a peptidil transferase, a atividade enzimática que forma as ligações peptídicas entre aminoácidos. O rRNA é essencial para a montagem dos ribossomos e a função precisa durante a tradução, embora não seja codificado para proteínas. D) PEQUENOS RNA NUCLEARES (SNRNA) Mecanismo molecular: snRNAs são componentes do spliceossomo, complexo responsável pelo splicing do RNA pré-mensageiro em eucariotos. Eles reconhecem sequências específicas nas extremidades dos íntrons e catalisam sua remoção, unindo os éxons para formar o RNA maduro. O spliceossomo é formado por snRNAs e proteínas associadas, funcionando com precisão para evitar erros na geração do mRNA funcional. Sem snRNAs, o processamento do RNA não ocorreria corretamente, prejudicando a síntese correta de proteínas. E) MICRORNA (MIRNA) Mecanismo molecular: miRNAs regulam a expressão gênica pós-transcricionalmente. Eles são transcritos como pré-miRNAs, processados em pequenas moléculas (~22 nucleotídeos) que se incorporam no complexo RISC (RNA-induced silencing complex). O miRNA guia o RISC para mRNAs alvo por complementaridade parcial, levando à inibição da tradução ou à degradação do mRNA. Essa regulação fina permite o controle da quantidade de proteínas, influenciando processos celulares como desenvolvimento, proliferação e apoptose. F) PEQUENOS RNA DE INTERFERÊNCIA (SIRNA) Mecanismo molecular: siRNAs são semelhantes aos miRNAs, mas geralmente possuem complementaridade total ou quase total com mRNAs alvo. Também incorporados no complexo RISC, eles promovem a clivagem e degradação específica do mRNA alvo, silenciando a expressão desse gene. Esse mecanismo é importante para defesa celular contra vírus e parasitas genéticos, assim como para regulação da expressão gênica. Pode ser utilizado experimentalmente para "desligar" genes específicos. G) RNA DE INTERAÇÃO PIWI (PIRNA) Mecanismo molecular: piRNAs são expressos principalmente em células germinativas e interagem com proteínas da família Piwi. Eles formam complexos que reconhecem transposons (elementos genéticos móveis) e promovem sua silenciação epigenética, protegendo o genoma contra mutações. Isso ocorre por degradação de RNAs transposon e modificações na cromatina, mantendo a estabilidade genômica na linhagem germinativa. O sistema piRNA é um mecanismo de defesa epigenética crucial para a integridade genética de descendentes 4) OBSERVE A IMAGEM ABAIXO E EXPLIQUE O FLUXO DA INFORMAÇÃO GENÉTICA. Fonte: GRIFFITHS, Anthony J F.; DOEBLEY, John; PEICHEL, Catherine; et al. Introdução à Genética. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. E-book. ISBN 9788527738682. O fluxo da informação genética é o processo pelo qual a informação contida no DNA é copiada, transmitida e expressa para formar proteínas, que controlam as funções e características das células e organismos. Esse fluxo segue uma sequência fundamental, conhecida como o Dogma Central da Biologia Molecular, resumida assim: DNA → RNA → Proteínas Esse fluxo ocorre em três etapas principais: 1. Replicação do DNA Antes da divisão celular, o DNA é duplicado para garantir que as células-filhas recebam o mesmo material genético. As duas fitas da dupla-hélice de DNA separam-se, e cada uma serve de molde para a síntese de novas fitas complementares, pela ação da enzima DNA polimerase. Esse processo assegura a fidelidade da informação genética para as gerações seguintes. 2. Transcrição (DNA → RNA) Uma das fitas do DNA serve de molde para a síntese de uma molécula de RNA mensageiro (mRNA). A enzima RNA polimerase liga-se a uma região regulatória do DNA chamada promotor, desenrola a dupla hélice e começa a sintetizar o RNA complementar. No RNA, a base timina (T) do DNA é substituída pela uracila (U). O mRNA produzido carrega a informação do DNA para o citoplasma (em células eucarióticas), onde será usada para a síntese de proteínas. Além do mRNA, outros tipos de RNA são produzidos, como o tRNA e o rRNA, que atuam na etapa seguinte. 3. Tradução (RNA → Proteínas) O mRNA liga-se aos ribossomos no citoplasma, iniciando a síntese proteica. O ribossomo "lê" o mRNA em grupos de três bases chamados códons. Cada códon corresponde a um aminoácido específico. O RNA transportador (tRNA) reconhece os códons do mRNA através de seu anticódon e transporta o aminoácido correspondente para o ribossomo. Os aminoácidos são unidos por ligações peptídicas, formando uma cadeia polipeptídica (proteína). O processo termina quando o ribossomo encontra um códon de parada no mRNA, liberando a proteína recém-sintetizada. Considerações adicionais: Em alguns casos, ocorre a transcrição reversa, onde o RNA é usado para produzir DNA, principalmente em certos vírus, com a ajuda da enzima transcriptase reversa. A informação genética pode ser regulada em diversos níveis, incluindo o controle da transcrição, processamento do RNA, estabilidade do RNA e eficiência da tradução. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTS B., JOHNSON A., LEWIS J., RAFF M., ROBERTS K., WALTER P. 2010. Biologia Molecular da Célula. 5ª Ed., Artmed: Porto Alegre. ISBN: 9788536320663. BORGES-OSÓRIO, Maria R L.; ROBINSON, Wanyce M. Genética humana. Porto Alegre: Grupo A, 2013. E-book. ISBN 9788565852906. GRIFFITHS, Anthony J F.; DOEBLEY, John; PEICHEL, Catherine; et al. Introdução à Genética. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2022. E-book. 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