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Logística Reversa Perspectivas da logística reversa Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Enrico D’Onofro Revisão Textual: Prof. Ms. Claudio Brites V1. 1 5 • Introdução • Logística empresarial • Introdução a logística reversa Para facilitar o processo de ensino aprendizagem, é importante a realização das atividades propostas bem como o acompanhamento e a leitura do material complementar e de apoio relacionadas as perspectivas da logística reversa. Falaremos aqui sobre o conceito de logística reversa e sua evolução, bem como ela se configura no Brasil. Por meio do conhecimento desses conceitos, você será capaz de responder e entender de forma adequada as necessidades do mercado; mas para que você possa aproveitar todo o conteúdo, não deixe de interagir e ler o material complementar proposto Perspectivas da logística reversa • Logística Reversa no Brasil • Estratégia empresarial e logística reversa 6 Unidade: Perspectivas da logística reversa Contextualização O aumento do consumo e a redução do ciclo de vida dos produtos fazem com que a quantidade de resíduos sólidos de diversos tipos gerados aumente significativamente. O retorno e a disposição final do resíduo sólido tornaram-se problemas mundiais e vêm despertando a necessidade de discussões e buscas de soluções para que se possa atender as legislações em vigor. De acordo como o aumento do consumo e por conta da grande concorrência, fez-se necessário dar ao cliente suporte após a realização da venda como forma de manter a sobrevivência das organizações e de realizar o descarte adequado dos bens não mais utilizáveis. Os fatores econômicos de imagem e legais, como o Código de Defesa do Consumidor, contribuíram no fortalecimento do serviço de pós-venda, Entender os canais reversos de pós-venda e pós-consumo se torna um ponto importante na garantia de atendimento e serviço de qualidade, bem como de estratégia corporativa, pois envolve fatores econômicos, ecológicos e de imagem. A logística reversa é fundamental para a sobrevivência e diferenciação das organizações modernas. 7 Introdução A explosão do consumismo iniciada na década de 50 nos Estados Unidos da América e a evolução dos conceitos de produção mundial promoveram,por meio das práticas empresarias, a disponibilidade de produtos nos pontos de venda e consumo. Os produtos que anteriormente eram projetados para longos ciclos de vida útil acabaram sendo modificados para ciclos de vida cada vez mais curtos, fomentando cada vez mais o consumismo e, conseqüentemente, o descarte. Os produtos vendidos no Brasil a partir da década de noventa começaram a ser supervisionados por órgãos competentes após a implantação do código de Defesa do Consumidor e o estabelecimento de normas de padronização e regulamentação. Esses esforços foram movidos para colocar as empresas nacionais em um patamar mais alto de competitividade em relação às empresas multinacionais. Os Objetivos desta Unidade estão relacionados ao entendimento das definições de Logística Empresarial e Logística Reversa bem como os seus desdobramentos no que se refere a objetivos operacionais e estratégicos. Para melhor entendimento do assunto primeiramente subdividiremos a Logística Reversa em logística reversa de pós-venda e logística reversa de pós-consumo. A logística reversa de pós-venda está diretamente ligada ao suporte ou ao apoio que as empresas oferecem para o cliente após realizada a venda – entendendo que a satisfação do cliente não se encerra após a finalização da venda, mas sim no suporte que é fornecido depois da entrega do produto. As questões relacionadas ao meio ambiente estão diretamente ligadas à logística reversa de pós-consumo, sendo ela importante para viabilizar o retorno de resíduos sólidos que necessitam de disposição final adequada, reciclagem ou reuso (como veremos nas unidades subsequentes). Logística empresarial A logística empresarial ganhou força a partir da década de noventa no Brasil,por conta daabertura dos mercados e estabilização da economia. As atividades primárias e principais de logística são aquelas focadas em atingir os objetivos logísticos de custo e nível de serviço,como transporte, manutenção de estoque e processamento de pedidos – sendo o transporte considerado a parte da logística que representa maior parcela do custo,e obteve maior atenção na década de noventa (BALLOU, 2012, p.24). Segundo Ballou (2012),a logística empresarial trata de todas as atividades de movimenta- ção e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria prima até o consumo final. Trata tambémdos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a custo razoável. 8 Unidade: Perspectivas da logística reversa O transporte assumiu um papel tão importante que em alguns momentos foi confundido com a própria definição delogística. A evolução nos armazéns ocorreu posteriormente,por conta da necessidade que as empresas tinham em responder rápido ao mercado com um nível de serviço que fosse adequado a sua percepção. Os estudos para a implantação dos sistemas de informação e das estruturas para os ar- mazéns ocorreram de modo mais intenso também a partir da década de noventa, pois as empresas precisavam integrar processos físicos que fossem fortalecidos e consolidados pela integração das informações. Toda a estrutura de canal direto de distribuição foi desenvolvido para atender ao mercado em suas necessidades relacionadas à venda de mercadorias na hora certa, no momento certo, no local; porém, não houve um estudo profundo da logística até então que retratasse o retorno do produto. Segundo Ballou (2012, p.23),a missão da logística é colocar as mercadorias ou serviços certos, no lugar certo, no instante correto e na condição desejada, ao menor custo possível. A tarefa de movimentar produtos não termina com a aquisição dos bens pelo cliente e nem com a sua chegada no lugar em que é desejado. A devolução da mercadoria pode ocorrer por diversos motivos, seja por dano, produto comprado errado, oumudança de idéia de compra. Estabelecer o processo de retorno dos bens devolvidos ou dos que ficaram obsoletos ainda quando armazenados, liquidando ou devolvendo à fábrica para retrabalho, é papel do adminis- trador logístico (BALLOU, 2012, p. 42). Figura 1: Distribuição Física Fonte: BALLOU, 2012 Os motivos e as razões que discriminam o retorno faz parte de uma primeira visão acer- ca do assunto para quem considera a logística reversa apenas como retorno de produtos. A evolução dos conceitos de logística ocorreram de acordo com a necessidade de ajustes 9 nos processos e de refinamento das formas de execução. Nos processos de retorno não foi diferente, pois,devido ao grande volume de compras, acabamos por ter também um volume considerável de retorno. O aumento da competitividade entre as organizações fez com que se criasse um grande interesse das organizações modernas em buscarem o diferencial que podia ser obtidocom os ganhos gerados pelo retorno adequado de produtos – seja após a venda realizada ou por conta da não utilização desses produtos. Esses ganhos serão abordados posteriormente, antes precisamos entender os motivos pelos quais fazemos logística reversa. Introdução a logística reversa A logística reversa possui algumas definições que foram evoluindo de acordo com a ne- cessidade dos usuários.A evolução das definições pode ser percebida por diversos ângulos, fazendo correlação com questões importantes da sociedade – como economia, preservação do ambiente, manutenção da imagem corporativa. A logística reversa pode ser definida de acordo com Rogers e Tibben Lembke (1999, p.2) como o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência e do custo efetivo do fluxo de materiais, estoque em processo, produto acabado e informações correspondentes, do ponto de consumo ao pontode origem, com o propósito de recapturar o valor ou destinar a apropriada disposição. Nessa definição, a logística reversa está ligada aos aspectos empresarias, muito parecida com a própria definição de logística empresarial, porém invertendo a ordem do fluxo opera- cional – tratando do ponto de consumo ao ponto de origem. De acordo com Leite (2009, p.17),a logística reversa é a área da logística empresarial que pla- neja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo. Isso feito por meio dos canais de distribuição reversos, agregando para empresa valor de diversas naturezas: econô- mico,de prestação de serviços, ecológicos, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. Conseguimos observar na definição de Leite que a logística reversa não mais trata apenas de retorno, mas trata dos motivos pelos quais ele ocorre.Além disso, alogística reversa apre- senta uma gama de valores agregadospor conta de sua operacionalização.Na definição de Leite, podemos também observar a divisão entre logística reversa de pós-venda e de pós-con- sumo. Esse autor trata a pós-venda como parte importante da logística reversa, diferente dos demais autores, que não a mencionam. Segundo a Lei 12305/10 Art. 3°,alogística reversa é instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios desti- nados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial – para rea- proveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou, ainda, outra destinação final ambientalmente adequada. 10 Unidade: Perspectivas da logística reversa Na Lei 12.305/10, a definição de logística reversa está atrelada a resíduos sólidos apenas, uma vez que a lei que regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos também os define como instrumentos de desenvolvimento econômico e social, gerado a partir da destinação adequada dos resíduos. As discussões acerca da logística reversa nos países desenvolvidos – tais como Europa, Ja- pão e Estados Unidos – são mais profundas por conta da evolução de seus mercados e de suas economias. Esses países pensam sobre as necessidades de reutilização, reciclagem e descarte bem antes do Brasil, em função do volume consumido e descartado. Segundo Leite (2009, p. 17),alogística reversa ocorre por meio de sistemas operacionais diferentes em cada categoria de fluxo reverso, tem como objetivo tornar possível o retorno dos bens ou de seus materiais constituintes ao ciclo produtivo ou de negócios. Ao retornar o produto, pode-se obter diversos tipos de valores, tais como: econômico, de serviço ecológico, legal, de imagem corporativa, entre outros. Figura 2: Fluxo de Retorno de pós-venda e pós-consumo Fonte:Adaptado de LEITE, 2009 De acordo com a Figura 1, os produtos de pós-consumo são aqueles que por qualquer motivo não possuem valor após adquiridos e utilizados,e devem retornar de alguma forma à cadeia direta para os fins adequados.Os de pós-venda são aqueles que voltam por algumarazão relacionadaao respaldo dado após a venda – seja por alguma garantia dada pela empresa ou pela legislação – como forma de beneficiar ou proteger o consumidor, dando-lhes a garantia de receber o produto nas condições prometidas. Logística Reversa no Brasil Ao considerarmos o pós-venda e sua parte que se relaciona diretamente coma logística reversa, podemos dizer que no Brasil a logística reversa se torna mais divulgada a partir da abertura dos mercados, da expansão de legislações relacionadas ao meio ambiente e do surgimento de órgãos de defesa do consumidor. 11 O CDC – Código de Defesa do Consumidor – define em diversas etapas formas de restituir o consumidor no caso da geração de algum tipo de perda, sendo uma delas a substituição do produto que apresenta vício por outro que esteja em condições de uso. A logística reversa de pós-venda está atrelada ao serviço de qualidade da área comercial, que por questões de sobrevivência já se aplica com maior intensidade em todo o território nacional, oferecendo apoio a assistência técnica e desenhando e monitorando as devoluções dentro das empresas e entre elas. A partir do crescimento do poder econômico obtido pela classe média em meados de 2009, foi gerado um aumento do consumo dos produtos duráveis e não duráveis e, conse- quentemente, um aumento nos resíduos sólidos gerados. A Lei 12305/10 foi sancionada com o objetivo de regulamentar a disposição e o descarte dos resíduos sólidos, denominada de PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos. No Art. 32° da Lei 12.305/10, podemos observar alguns itens que têm como obrigatórios o retorno, como: pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes e seus resíduos e embalagens, produtos eletrônicos e lâmpadas fluorescentes. As discussões quanto aos principais motivos para a realização da logística reversa estão diretamente ligadas a fatores legais e econômicos (que serão posteriormente discutidos). A logística reversa no Brasil está em desenvolvimento,por conta do crescimento econômico e do volume na geração de resíduos. Existem diversos tipos de resíduos sólidos gerados em diversas fontes. Segundo a Lei 12305/10 no Art. 13°, a principais origens de resíduos são: a) Resíduos domiciliares: originários de diversas atividades domésticas; b) Resíduos de limpeza urbana: originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públi- cas, entre outros serviços de limpeza das cidades; c) Resíduos sólidos urbanos: englobados nos itens a eb; d) Resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: gerados nessas ativi- dades, excetuados os referidos nos itens b,e, g, h e j; e) Resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: gerados nessas atividades, excetu- ados os referidos no item c; f) Resíduos industriais: gerados nos processos produtivos e nas instalações industriais; g) Resíduos de serviços de saúde: gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do sistema e do SNVS; h) Resíduos da construção civil: gerados nas construções, reformas, nos reparos e nas de- molições de obras da construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis; i) Resíduos agrossilvopastoris: gerados nas atividades agropecuárias e silviculturas, incluí- dos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades; j) Resíduos de serviços de transportes: originários de portos, aeroportos, terminais alfan- degários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; 12 Unidade: Perspectivas da logística reversa k) Resíduos de mineração: gerados em atividades de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios. Alguns dos ganhos obtidos por meio da logística reversa no retorno de resíduos serão abordados posteriormente, faremos uma relação entre a fonte geradora, os tipos de resíduos gerados e a forma de descarte adequada após o esgotamento das possibilidades de uso e reuso. Estratégia empresarial e logística reversa As áreas relacionadas com a logística reversa possuem um ponto de convergência entre essa e a estratégia empresarial. Para traçar a estratégia empresarial é importante definir primeiramente os aspectos internos e externos do cenárioempresarial. Figura 3: Adaptação da Análise SWOT de Albert Humphrey Ambiente Interno No ambiente interno, temos os recursos e fatores que podemos controlar: máquinas, recursos humanos, capacidade produtiva, eficiência, entre muitos outros. Mapear e delimitar a capacidade interna se torna significativo quando a empresa deseja manter clientes, buscar novos clientes e realizar processos que antes não executava, pois, para conseguir atender a demanda, antes é necessário saber e conhecer a capacidade desse atendimento. Ambiente Externo O ambiente externo ou macroambiente é formado por todos os agentes externos: sociedade, concorrentes,governos, fatores climáticos, ou seja, todos aqueles que não podemos controlar de forma direta. Eles nos ajudam a identificar as oportunidades e as ameaças que cercam a empresa. É por meio da análise do ambiente externo que conseguimos antecipar fatores que possam comprometer diretamente o resultado das organizações. 13 A partir da análise ambiental organizacional, podemos definir os objetivos estratégicos e operacionais dalogística reversa, ou seja, a partir da definição das fraquezas e forças empresa- riais, bem como das ameaças e oportunidades relacionadasa sua implantação Os objetivos estratégicos da logística reversa são: Segundo Leite (2009, p.17),refere-se às decisões de logística reversa no macroambiente empresarial constituído pela sociedade e pelas comunidades locais, pelos governos e pelo am- biente concorrencial, com os objetivos empresariais:seguimento de legislações, recuperação de valor financeiro e reforço de imagem. Os objetivos estratégicos permitem, de acordo com a capacidade da organização, a possibi- lidade de alavancagem, tendo a logística como fator central da tomada de decisão. Os objetivos operacionais da logística reversa são: Segundo Leite (2009, p.17), refere-se as decisões de logística reversa ligadas diretamente aos modais de transporte, fluxo operacional, localizações de armazéns, localização de origens e destinos, gestão de estoque e sistemas de informações. As questões de operacionalização da logística reversa e seus objetivos estão ligados aos as- pectos internos das organizações, bem como à junção com os aspectos estratégicos e externos para a viabilização da logística reversa como um todo. Tanto os aspectos internos ou externos são fatores fundamentais para a decisão da realiza- ção da logística reversa, ou seja,para definir os aspectos de estrutura e de análise do mercado e os itens necessários para a implantação de logística reversa de pós-venda ou pós-consumo A relação da sustentabilidade está atrelada aos aspectos econômicos, sociais e ambientais. Os três fatores para se obter a sustentabilidade serão discutidos posteriormente, demons- trando como a logística reversa se torna importante para parte do processo de viabilização da sustentabilidade. 14 Unidade: Perspectivas da logística reversa Material Complementar • Vídeo: A História das Coisas. https://youtu.be/7qFiGMSnNjw?si=nlWluOejxPkJz2ER • Site: Conselho de Logística Reversa do Brasil. http://www.clrb.com.br/site/ • Artigo: Logística reversa: importância, fatores para a aplicação e contexto brasileiro. https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos06/616_Logistica_Reversa_SEGeT_06.pdf https://youtu.be/7qFiGMSnNjw?si=nlWluOejxPkJz2ER http://www.clrb.com.br/site/ https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos06/616_Logistica_Reversa_SEGeT_06.pdf 15 Referências BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transporte/administração de materiais/dis- tribuição física. São Paulo: Atlas, 2012 BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Brasília, DF: [s.n], 2010. acesso em 20/05/2014. LEITE, P.R. Logística Reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2009. ROGERS D., TIBBEN-LAMBKE R. Going Backwards: Reverse Logistics Trends and Practices, Reverse Logistics Executive Council. 1999. pp. 2-33. https://youtu.be/7qFiGMSnNjw?si=nlWluOejxPkJz2ER