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FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS CURSO DE ENFERMAGEM ESTÁGIO SUPERVISIONADO EDGAR S. M. NEPOMUCENO RA: 202427664 ESTUDO DE CASO DO MÓDULO II: ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SAÚDE MENTAL Atividade avaliativa: estudo de caso referente ao módulo II do estágio supervisionado em saúde mental - paciente em internação voluntária para desintoxicação no Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental, CAISM PHILIPPE PINEL. Preceptor: MARIA ALICE ESTUDO DE CASO - PACIENTE EM INTERNAÇÃO VOLUNTÁRIA PARA DESINTOXICAÇÃO. 1. Identificação do Paciente · Iniciais: E.R.S · Idade: 38 anos · Sexo: Masculino · Estado civil: Separado · Ocupação: Porteiro · Procedência: Hub Cuidados em Crack e Outras Drogas 2. Histórico de Enfermagem · Queixa principal: Internação voluntária para desintoxicação · História da doença atual: Paciente do sexo masculino, 38 anos, natural de Pernambuco, residente em São Paulo desde os 9 anos. Relata uso de crack (principal), cocaína e álcool. Último uso em 27/09/2025. Iniciou uso de cocaína aos 13 anos, cigarro aos 13 e crack aos 20 anos. Nega fissura grave no momento e atribui estabilidade ao esquema medicamentoso atual. Apresenta boa adesão e relata vontade de permanecer internado · Antecedentes pessoais: · Tabagista desde 13 anos · Teve o primeiro contato com bebida alcoólica aos 12 anos de idade. · Iniciou o uso de cocaína aos 13 anos. · Aos 20 anos, iniciou o uso de crack. · Duas internações prévias. Ultima internação no Bezerra de Menezes em 2023, 45 dias, concluiu o tratamento. · História familiar: · Pai, mãe e irmã. Ferraz. Não sabem que está na rua. · Hábitos de vida: · Há 7 anos na rua, entre idas e vindas, albergues. · Recebe BF. Trabalha como autônomo. 3. Exame Físico de Enfermagem · Sinais vitais: · PA: 120/90mmHg · FC: 95 bpm · FR: 19irpm · Temp.: 35°C · SpO₂: 97% Estado geral: Neurológico: Vigil colaborativo, atenção e orientação preservadas, eutímico, juízo de realidade preservado, sensopercepção e psicomotricidade inalteradas, nega ideação suicida, crítica preservada. Respiratório: MV+ sem RA, expansibilidade simétrica Cardiovascular: BRNF 2t s/sopros; pulsos periféricos sem alterações; TECelevado de crack, álcool e cocaína. A interrupção súbita dessas substâncias pode desencadear manifestações graves, como agitação psicomotora, convulsões, alterações cardiovasculares e até risco de morte, exigindo vigilância rigorosa dos sinais vitais, utilização de escalas de abstinência (por exemplo, CIWA-Ar para álcool) e intervenção rápida da equipe (BRASIL, 2023). O risco de violência autodirigida também deve ser considerado. Embora o paciente negue ideação suicida no momento, o histórico de uso compulsivo e fissura intensa elevam a vulnerabilidade a comportamentos impulsivos. Nesse sentido, a atuação da enfermagem deve priorizar vigilância contínua, vínculo terapêutico e escuta ativa, medidas fundamentais para prevenção de eventos adversos (OLIVEIRA et al., 2021). No campo psicossocial, é necessário destacar o uso disfuncional de substâncias, que compromete não apenas a saúde física, mas também os aspectos sociais, laborais e familiares do paciente. O acompanhamento com equipe multiprofissional (psiquiatria, psicologia, serviço social, terapia ocupacional) é indispensável para fornecer suporte integral, promovendo tanto a desintoxicação quanto a reinserção social (GOMES; RODRIGUES, 2022). Por fim, o diagnóstico de disposição para enfrentamento melhorado evidencia um potencial a ser trabalhado pela equipe de enfermagem. A valorização da motivação do paciente, o estabelecimento de metas de abstinência e a integração em grupos de apoio (NA/AA) são estratégias que reforçam a autonomia e o fortalecimento do autocuidado (CARVALHO; TEIXEIRA; LOPES, 2024). Assim, o planejamento de enfermagem apresentado contempla não apenas o controle dos sintomas imediatos (dor e sono), mas também a prevenção de riscos iminentes (abstinência e autoagressão) e o estímulo a estratégias de longo prazo voltadas ao enfrentamento da dependência química. Esse tripé – controle clínico, vigilância de riscos e promoção de enfrentamento – constitui a base da assistência de enfermagem em saúde mental diante de pacientes com transtornos relacionados ao uso de substâncias. 10. Conclusão O caso apresentantado reforça a importancia da sistematização da assistencia de enfermagem em saúde mental, baseada na avaliação clínica, na prevenção de risco e no estímulo ao enfrentamento. O paciente demostra motivação e adesão ao tratamento, configurando prognóstico favoravel. A equipe de enfermagem deve atuar de forma integrada, promovendo cuidado continuo, escuta qualificada e suporte emocional, favorecendo a reinserção social e a manutenção da abstinencia. REFERÊNCIAS: BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para pessoas com problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Brasília: MS, 2024. CARVALHO, A. R.; TEIXEIRA, L. F.; LOPES, M. C. Estratégias de enfrentamento em dependência química: revisão integrativa. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, e20230567, 2024. GOMES, J. S.; RODRIGUES, F. R. Atuação multiprofissional no cuidado ao dependente químico: desafios e perspectivas. Saúde em Debate, v. 46, n. 134, p. 1120-1132, 2022. MARTINS, R. F. et al. Motivação e adesão ao tratamento da dependência química: revisão sistemática. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 38, e221102, 2022. OLIVEIRA, P. H. et al. Risco de suicídio em usuários de substâncias psicoativas: um olhar da enfermagem. Revista de Enfermagem UFPE, v. 15, e246789, 2021. SANTOS, D. C.; ALMEIDA, L. F. Sintomas físicos associados ao uso crônico de crack: implicações para a prática de enfermagem. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 41, n. esp, e20190477, 2020. SILVA, G. A.; MOURA, L. R.; PEREIRA, F. M. Fatores familiares e sociais associados ao início precoce do uso de drogas. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 9, p. 4403-4412, 2021. image1.jpeg