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<p>Acessibilidade, Metodologias</p><p>Ativas e Assistivas</p><p>Professora Aline Pedro Feza</p><p>Diretor Geral</p><p>Gilmar de Oliveira</p><p>Diretor de Ensino e Pós-graduação</p><p>Daniel de Lima</p><p>Diretor Administrativo</p><p>Eduardo Santini</p><p>Coordenador NEAD - Núcleo</p><p>de Educação a Distância</p><p>Jorge Van Dal</p><p>Coordenador do Núcleo de Pesquisa</p><p>Victor Biazon</p><p>Secretário Acadêmico</p><p>Tiago Pereira da Silva</p><p>Projeto Gráfico e Editoração</p><p>André Oliveira Vaz</p><p>Revisão Textual</p><p>Kauê Berto</p><p>Web Designer</p><p>Thiago Azenha</p><p>UNIFATECIE Unidade 1</p><p>Rua Getúlio Vargas, 333,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 2</p><p>Rua Candido Berthier</p><p>Fortes, 2177, Centro</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 3</p><p>Rua Pernambuco, 1.169,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 4</p><p>BR-376 , km 102,</p><p>Saída para Nova Londrina</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>www.fatecie.edu.br</p><p>As imagens utilizadas neste</p><p>livro foram obtidas a partir</p><p>do site ShutterStock</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>FACULDADE DE TECNOLOGIA E</p><p>CIÊNCIAS DO NORTE DO PARANÁ.</p><p>Núcleo de Educação a Distância;</p><p>FEZA, Aline Pedro.</p><p>Acessibilidade, Metodologias Ativas e Assistivas.</p><p>Aline. Pedro Feza.</p><p>Paranavaí - PR.: Fatecie, 2020. 93 p.</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária</p><p>Zineide Pereira dos Santos.</p><p>AUTORA</p><p>Professora Aline Pedro Feza</p><p>● Mestranda em Ciências da Educação pela FICS (Facultad Interamericana de</p><p>Ciencias Sociales em São Paulo).</p><p>● Licenciatura em Pedagogia pela UEM (Universidade Estadual de Maringá).</p><p>● Especialização em Educação Especial (Instituto Paranaense de Educação).</p><p>● Especialização em Psicopedagogia (Faculdade Eficaz).</p><p>● Conselheira Científica da Associação Brasileira de Psicopedagogia ABPp Nú-</p><p>cleo Paraná Norte (Triênio 2020-2023).</p><p>● Professora Conteudista do UniFCV.</p><p>● Professora Conteudista da DTCOM Consultoria.</p><p>● Professora Conteudista e de Pós-Graduação da Faculdade Eficaz.</p><p>● Professora de Pós-Graduação do UniFCV.</p><p>● Professora Bilingue (português/libras).</p><p>Atuações nas área de Educação, Educação Especial e Psicopedagogia, com</p><p>ênfase em Métodos e Técnicas de Ensino e Atendimentos Especializados, trabalhando</p><p>principalmente nos seguintes temas: língua brasileira de sinais, salas de recursos</p><p>multifuncionais, aquisição da linguagem, inclusão, ensino-aprendizagem de pessoas com</p><p>necessidades educacionais especiais, neurociência, psicopedagogia, psicomotricidade,</p><p>desenvolvimento humano.</p><p>Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/1028803403946189</p><p>APRESENTAÇÃO DO MATERIAL</p><p>Seja muito bem-vindo(a)!</p><p>Prezado(a) aluno(a), iniciamos hoje mais um estudo com a disciplina de</p><p>acessibilidade, metodologias ativas e assistivas. A disciplina apresenta extrema importância</p><p>para profissionais da área de humanas, bem como um tema atual na sociedade, por conta</p><p>do momento histórico e cultural vigente devido à inserção da pessoa com deficiência no</p><p>contexto escolar.</p><p>A Unidade I consiste em uma abordagem sobre a acessibilidade. Discutiremos o</p><p>conceito de acessibilidade, sobre o que ela se trata, além de compreender a sua base legal</p><p>e quais são suas dimensões de atuação. Remetemos você, aluno (a), a uma contextuali-</p><p>zação histórica que ajudará a entender que a acessibilidade, quando criada, destinava-se</p><p>ao atendimento de um único público, contudo sua abrangência demonstrou que todos nós</p><p>precisamos de acessibilidade.</p><p>Na Unidade II abordaremos o tema da tecnologia assistiva e inclusão. Nesse</p><p>momento retomaremos a contextualização sobre a inclusão, pois após esse processo de</p><p>busca por uma sociedade para todos, ocorreu paralelamente à globalização e avanços da</p><p>tecnologia, associou-se um ao outro, propiciando, assim, recursos que contribuem para</p><p>desenvolvimento humano da pessoa com deficiência.</p><p>Na Unidade III continuaremos a explorar sobre a tecnologia assistiva neste</p><p>momento, a valorização e desenvolvimento da vida e do meio ambiente. Além de verificar</p><p>quais os recursos tecnológicos que facilitariam o desenvolvimento e a experimentação do</p><p>sujeito em todos os espaços, são indagações que esclarecemos nessa unidade.</p><p>Por fim, na Unidade IV, discutiremos modelos e a apresentação da classificação de</p><p>funcionalidade, incapacidade, saúde e o desempenho universal nas perspectivas médicas</p><p>e sociais.</p><p>Assim, encerramos o estudo dessa disciplina na expectativa de ter acrescido em</p><p>seu conhecimento, neste tema atual, contudo, atemporal, pois sempre teremos alguém que</p><p>necessita ser incluído na sociedade.</p><p>Nesta perspectiva, desejo um bom aprendizado!</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE I ...................................................................................................... 6</p><p>Dimensões de Acessibilidade</p><p>UNIDADE II ................................................................................................... 25</p><p>Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>UNIDADE III .................................................................................................. 47</p><p>Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>UNIDADE IV .................................................................................................. 68</p><p>Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde</p><p>e o Desenho Universal</p><p>6</p><p>Plano de Estudo:</p><p>● Introdução aos conceitos;</p><p>● Contextualizando acessibilidade;</p><p>● Legislação de acessibilidade;</p><p>● Compreendendo as dimensões de acessibilidade.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar e contextualizar conceitos como acessibilidade, metodologias ativas e</p><p>assistivas.</p><p>• Compreender os tipos de acessibilidade destinadas às pessoas com deficiência.</p><p>• Estabelecer a importância da conscientização social sobre a necessidade de propor</p><p>acessibilidade em todos os âmbitos.</p><p>UNIDADE I</p><p>Dimensões de Acessibilidade</p><p>Professora Aline Pedro Feza</p><p>7UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá aluno(a), bem-vindo(a) à nossa primeira unidade. Aqui proponho a você um</p><p>aprofundamento dos conhecimentos e conceitos sobre o termo acessibilidade. Essa palavra</p><p>certamente já foi lida e pronunciada por você, aluno(a). Corriqueiramente, acessibilidade</p><p>é confundida como facilidade e, de imediato, já é utilizada para caracterizar a pessoa com</p><p>deficiência.</p><p>Pois bem, se você pensava assim, sinto lhe informar que é totalmente o contrário.</p><p>O termo acessibilidade surgiu na sociedade com o advento da inclusão da pessoa com</p><p>necessidades especiais, contudo, não se destina somente a esse público.</p><p>A população pode usufruir da acessibilidade – pessoas com mobilidade reduzida</p><p>temporariamente, idosos e crianças que necessitam de acessibilidade. O conceito não</p><p>significa somente uma facilitação, mas sim tornar aquele espaço, percurso, evento e comu-</p><p>nicação acessível e destinada a todos os públicos, independentemente de estarem ou não</p><p>usufruindo do benefício no momento.</p><p>É importante, aluno(a), ressaltar dois pontos: a acessibilidade não é para ser propi-</p><p>ciada somente quando há uma pessoa com necessidade de tê-la, ela deve ser uma prática</p><p>contínua e permanente em todos os âmbitos sociais. Por fim, é importante ressaltar que</p><p>a acessibilidade é um recurso conquistado após muitas lutas, sofrimento e segregação,</p><p>principalmente da pessoa com deficiência.</p><p>Agora, convido você a aprofundar seus conteúdos e conceitos sobre o assunto.</p><p>Bons estudos.</p><p>8UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>1 INTRODUÇÃO E CONCEITOS</p><p>Ao conceituar acessibilidade precisamos pensar na pessoa com deficiência, pois é</p><p>o público que comumente enfrenta limitações em sua vida diária. Essas limitações estão re-</p><p>lacionadas a problemas de falta de acessibilidade, ou seja, falta de condições que permitam</p><p>o exercício da autonomia, atuação e participação social da pessoa com deficiência. A falta</p><p>de acessibilidade nos diversos âmbitos pode prejudicar e atrapalhar o desenvolvimento</p><p>ocupacional, cognitivo e psicológico, gerando a exclusão social desse sujeito.</p><p>Foi por volta de 1940 que o termo acessibilidade surgiu no Brasil, com o intuito de</p><p>abordar o acesso da pessoa com deficiência em todos os espaços. Essa discussão cresceu</p><p>paralelamente</p><p>ensino e aprendizagem e, assim, o</p><p>aluno torna-se um agente ativo também desse processo.</p><p>As metodologias ativas visam levar o aluno a desenvolver todos os pilares da</p><p>educação da UNESCO, elaborados pelo educador francês Jacques Delors, em 1999, e pu-</p><p>blicado em um relatório denominado Educação: um tesouro a descobrir, também conhecido</p><p>como relatório Delors.</p><p>Conforme Delors (1999), a educação está pautada em quatro pilares ligados ao</p><p>processo do aprender, que são: o aprender a conhecer, o aprender a conviver, o aprender</p><p>a fazer e o aprender a ser. Faz-se essa relação com as metodologias ativas pois buscam</p><p>que o educando aprenda a ser e a fazer, que esse aluno passe a ser mais do que um mero</p><p>agente captador de informações, mas sim seja atuante e questionador dessas informações</p><p>e conhecimento. A prática de aprendizagem ativa visa levar o aluno a debater e a ser crítico</p><p>na sociedade que vive.</p><p>Pensar em uma educação igualitária, consiste em uma educação de qualidade,</p><p>independente da condição física e intelectual do aluno. Em busca de defender este objetivo</p><p>39UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>as tecnologias assistivas visam desenvolver recursos que assistem os alunos com mais</p><p>limitações, equiparando-os no processo do aprender. Por sua vez, as metodologias ativas</p><p>visam estabelecer autonomia aos alunos nas práticas educativas.</p><p>Assim encerramos nossos estudos, na expectativa de instigar você, aluno(a), a ser</p><p>ativo(a) nessa sociedade que busca a inclusão e que está permeada de tecnologias que</p><p>precisam ser destinadas a diminuir as diferenças entre as pessoas.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>As tecnologias permitem vários ambientes de aprendizagem para a procura de ativida-</p><p>des e aprimoramento de conteúdo a serem realizados pelo professor, como, por exem-</p><p>plo, o Banco Internacional de Recursos Educacionais, criado em 2010 pelo Instituto Na-</p><p>cional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC); Scielo Books;</p><p>FGV on-line; e-Aulas USP; Domínio Público. Consistem em recursos como sites de</p><p>complemento de conteúdo educacional nas diversas disciplinas do currículo, como fer-</p><p>ramentas de apoio pedagógico para professores com vídeos e links de curiosidades e</p><p>complementos curriculares e serviços (abas) de reforços de conteúdo, como a escola</p><p>Britânica (https://escola.britannica.com.br/) consiste em uma enciclopédia escolar gra-</p><p>tuita com os conteúdos separados por disciplinas.</p><p>Seguindo essa mesma ideia de recursos educacionais tecnológicos, temos Google for</p><p>Education (https://edu.google.com/intl/pt-BR/?modal_active=modal-video-c80cZMz-</p><p>0SOw), também de acesso gratuito. Consiste em um site com ferramentas de pesquisa</p><p>e interação promovendo recursos para professores e alunos no processo de aprendiza-</p><p>gem na educação básica e ensino superior. O mesmo site promove ferramentas como</p><p>G-Suite for Education, um conjunto de ferramentas desenvolvido para que professores</p><p>e alunos aprendam e inovem juntos, apresenta ainda possibilidades como: Google sala</p><p>de aula - possibilita organizar tarefas, Course kit - permite a criar coletar e avaliar as</p><p>atividades do curso, Chromebooks - uma ferramenta de compartilhamento de material,</p><p>Google Cloud - tecnologia de pesquisa avançada na nuvem do Google, Realidade vir-</p><p>tual e realidade aumentada - para todas escolas vivenciarem o conteúdo.</p><p>Citamos aqui dois exemplos de sites como recursos tecnológicos, entre tantos outros</p><p>que existem. Pesquise sobre eles e aprofunde seus conhecimentos!</p><p>Fonte: a autora.</p><p>https://escola.britannica.com.br/</p><p>https://edu.google.com/intl/pt-BR/?modal_active=modal-video-c80cZMz0SOw</p><p>https://edu.google.com/intl/pt-BR/?modal_active=modal-video-c80cZMz0SOw</p><p>40UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>REFLITA</p><p>As tecnologias assistivas tornam-se a voz de deficientes auditivos! As mídias e tecnolo-</p><p>gias vieram para romper barreiras e quebrar preconceitos. Com os avanços tecnológi-</p><p>cos, pessoas com necessidades especiais ganham a possibilidade de recursos comuni-</p><p>cativos mais eficazes. Um exemplo acontece com os surdos e os deficientes auditivos. A</p><p>simples tecnologia do telefone não se destinava a essas pessoas, pois com a ausência</p><p>do canal auditivo, o uso do telefone tornava-se inútil. Com os avanços, esse aparelho,</p><p>além de alcançar esse público, também se tornou importante para o processo de co-</p><p>municação deles, por meio de mensagem de SMS ou chamadas por vídeo, os surdos</p><p>somaram um recurso à eficácia da sua comunicação.</p><p>Você, enquanto ouvinte, já refletiu sobre a dificuldade da comunidade surda em comuni-</p><p>car-se? Como um surdo pode saber que seu filho se machucou na escola, por exemplo,</p><p>quando muitas vezes esses avisos são realizados por ligações telefônicas? Como o</p><p>surdo pode contactar um serviço de atendimento ao cliente (SAC) de uma loja ou banco,</p><p>quando são na grande maioria realizados via chamada telefônica?</p><p>Essas entre outras são questões, muitas vezes impensadas pelos ouvintes, são barrei-</p><p>ras que vêm sendo reduzidas com o acesso às tecnologias.</p><p>Fonte: a autora.</p><p>41UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Observou-se que o direito do aluno com necessidades educacionais especiais com</p><p>relação as políticas públicas tem caminhado rumo à educação de qualidade, no entanto,</p><p>sabemos da dificuldade que existe em operar essas leis no contexto escolar, devido a tantas</p><p>especificidades. A inclusão educacional exige que expliquemos dificuldades escolares, não</p><p>só tendo os alunos como foco, mas considerando-se as limitações existentes em nossos</p><p>sistemas de ensino e em nossas escolas. O desafio implica numa nova visão de necessida-</p><p>des educacionais especiais que, além das dos alunos, traduzem-se por necessidades das</p><p>escolas, dos professores e de todos os recursos humanos que nelas trabalham.</p><p>A educação inclusiva deve oportunizar um sistema educacional que respeite, va-</p><p>lorize e possibilite o acesso e a permanência de todas as pessoas, garantindo-lhes uma</p><p>escolarização com competência e qualidade e um aproveitamento do processo ensino-</p><p>-aprendizagem no seu rendimento escolar, demonstrando que a diversidade é inerente</p><p>à construção de toda e qualquer sociedade. Cabe ao professor constante atualização de</p><p>conhecimentos e competências na busca individual de novas ações necessárias para sua</p><p>formação tanto profissional como pessoal.</p><p>É imprescindível que o professor busque novas alternativas, como as tecnologias</p><p>assistivas e metodologias ativas apresentadas nesta unidade, que visam fortalecer dentro</p><p>desse novo quadro, devendo estar preparado para enfrentar as diversas situações que irão</p><p>surgir durante o processo educacional. Para tanto, o professor deve constituir e interpretar</p><p>sua prática pensando e analisando suas crenças, valores e teorias a respeito do processo</p><p>ensino-aprendizagem, principalmente junto às crianças com necessidades especiais, o que</p><p>lhe possibilitará reestruturar seu pensamento alicerçado numa base sólida de conhecimentos.</p><p>42UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Neste artigo é tratado o emprego das tecnologias assistivas nas metodologias ativas.</p><p>As metodologias ativas têm como objetivo promover no aluno uma concepção mais reflexiva</p><p>e crítica em que as suas habilidades e competências estarão sendo desenvolvidas para que</p><p>este encontre soluções adequadas para os problemas vivenciados na sua formação. Mas</p><p>também propor ao professor uma reflexão sobre a sua prática em sala de aula e uma refor-</p><p>mulação dos métodos utilizados para atender as especificidades dos alunos acompanhando</p><p>as mudanças sócio-políticas, financeiras e tecnológicas na sociedade moderna.</p><p>A Lei 13.146/16 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da</p><p>Pessoa com Deficiência), é destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade,</p><p>o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência. tecnologia</p><p>Assistiva é um novo conceito que contribui para proporcionar,</p><p>ampliar e facilitar algumas</p><p>habilidades funcionais de pessoas com deficiência e logo promover maior independência e</p><p>Inclusão, principalmente a comunicação alternativa.</p><p>Portanto, o objetivo geral desta pesquisa é utilizar das tecnologias assistivas nas me-</p><p>todologias ativas. E para melhor desenvolvimento do estudo foram elencados como objetivos</p><p>específicos: compreender as metodologias ativas; averiguar as tecnologias assistivas.</p><p>Esta pesquisa se justifica por ter sido observado que algumas escolas incluem os alu-</p><p>nos por força da lei e desta forma o aluno fica excluído e assim sendo através da metodologia</p><p>ativa utilizando as tecnologias assistivas esta situação seria revertida.</p><p>Com esta pesquisa pretende-se que tanto as escolas e como os profissionais de</p><p>educação tenham a oportunidade de apropriar-se de um ambiente de aprendizagem mais</p><p>adequado aos alunos com necessidades educativas especiais, sejam elas físicas, cognitivas,</p><p>intelectuais, afetivas ou sociais.</p><p>A relevância do artigo se faz tanto para a comunidade escolar, o sistema de ensino,</p><p>os educadores quanto para os alunos com necessidades educativas especiais, pois mostra</p><p>maneiras de remover os conflitos que impedem e dificultam no processo ensino aprendiza-</p><p>gem e na participação dos alunos na escola e na vida social.</p><p>METODOLOGIAS ATIVAS</p><p>As metodologias ativas (MA) apresentam-se como um instrumento para a cons-</p><p>trução do conhecimento usando procedimentos analíticos e dialógicos. É uma concepção</p><p>educativa que estimula processos de ensino-aprendizagem crítico-reflexivos, no qual o</p><p>43UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>educando participa e se compromete com seu aprendizado. As MA propõem uma edu-</p><p>cação centrada no aluno, em que este é orientado por um professor que irá proporcionar</p><p>experiências estimuladoras que o levarão a buscar recursos interiores para interagir com</p><p>as situações desafiadoras do cotidiano. Portanto segundo essa abordagem as informações</p><p>só serão absorvidas pelos alunos se tiverem um significado. Assim realizarão uma conexão</p><p>com as suas experiências, sofrendo a influência do meio onde estes estão inseridos e</p><p>promovendo mudanças nas suas percepções sobre o mundo. Nas bases teóricas destas</p><p>metodologias podemos identificar princípios análogos defendidos por Dewey e Freire nas</p><p>décadas precedentes. Dewey formulou um ideal pedagógico (da Escola Nova) onde a</p><p>aprendizagem acontecia pela ação, o aprender fazendo. Preconizava a iniciativa, a origi-</p><p>nalidade e cooperação que promoveria as potencialidades dos indivíduos na construção</p><p>de uma ordem social aprimorada. E explicava que as experiências concretas da vida se</p><p>apresentavam diante de problemas que mobilizam o ato de pensar, possibilitando estágios</p><p>de reflexão, elaboração de soluções e ações para a resolução. Paulo Freire incentiva o</p><p>desenvolvimento de uma Pedagogia problematizadora em que “educador e educando</p><p>aprendem juntos, numa relação dinâmica na qual a prática, orientada pela teoria, reorienta</p><p>essa teoria, num processo de constante aperfeiçoamento” (GADOTTI,2006,p.253) Nesta</p><p>práxis o conhecimento utilizado seria o da realidade do educando, em que este seria de-</p><p>senvolvida uma conscientização para a sua autonomia. A implantação das metodologias</p><p>ativas requer uma análise do currículo que se pretende trabalhar para a formação do aluno</p><p>enfatizando tanto os conhecimentos específicos como a colaboração, interdisciplinaridade,</p><p>habilidade para inovação, trabalho em grupo 3 e educação para o desenvolvimento susten-</p><p>tável, regional e globalizado.</p><p>Por isso a clareza e objetividade do Projeto Político Pedagógico (PPP) instituído</p><p>pelo estabelecimento de ensino será fundamental para a escolha das metodologias ativas</p><p>a serem utilizadas no trabalho educacional. É necessário um mapeamento da clientela que</p><p>será atendida para buscar professores com formação adequadas ao perfil traçado pela</p><p>instituição. A metodologia de ensino que tem como meta a combinação e concretização</p><p>dos seguintes aspectos: relações entre professores e alunos, o ensino-aprendizagem,</p><p>objetivos de ensino, finalidades educativas, conteúdos cognitivos, métodos e técnicas de</p><p>ensino, tecnologias educativas, avaliação, faixa etária do educando, nível de escolaridade,</p><p>conhecimentos que o aluno possui, sua realidade sociocultural, projeto político-pedagógico</p><p>da escola, sua pertença a grupos e classes sociais, além de outras dimensões societárias</p><p>em que se sustenta uma dada sociedade.</p><p>Seguiremos reiterando a proposta das metodologias ativas com uma maior partici-</p><p>pação do aluno, a liberdade de escolha e contextualização do conhecimento; estimulando</p><p>atividades em grupo e usando diversos recursos para a socialização do conhecimento.</p><p>Entre as metodologias pode-se destacar: A aprendizagem baseada em problemas inicia a</p><p>44UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>aprendizagem criando a necessidade de resolver um problema não estruturado. Durante</p><p>o processo, os alunos constroem o conhecimento do conteúdo e desenvolvem habilidades</p><p>de resolução de problemas, bem como as competências de aprendizagem auto-dirigida. A</p><p>aprendizagem baseada em projetos tem sido caracterizada como um processo dinâmico,</p><p>participativo e interdisciplinar centrado na aprendizagem do aluno. Tendo como procedi-</p><p>mento primordial a conscientização do discente sobre o que ele necessita aprender e a</p><p>motivação pela busca de informações relevantes. Promove o estímulo à aprendizagem,</p><p>trabalho em equipe, a escuta do outro e a responsabilidade por suas atitudes. Na metodo-</p><p>logia da sala de aula invertida os assuntos e as indicações são direcionados aos alunos</p><p>antes dele ir para sala de aula através de materiais on-line. O aluno estuda os conteúdos</p><p>antes da aula, que se torna o lugar de aprendizagem ativa, onde há perguntas, discussões</p><p>e atividades práticas. o foco é o aluno que terá as suas dificuldades trabalhadas, ao invés</p><p>de apresentações sobre o conteúdo das disciplinas pelo professor.</p><p>O estudo do caso é uma metodologia onde um caso será discutido pelos alunos que</p><p>desenvolvem habilidades no processo de argumentação, pois lidarão com informações ou</p><p>perguntas inesperadas, assim como na experimentação de ideias e soluções. É um desafio</p><p>para o professor que tem de dominar fatos, questões, cálculos e outros materiais do caso</p><p>em questão. O Peer instruction é focado no aluno como construtor do seu conhecimento</p><p>juntamente com outros alunos. Serão formuladas questões destinadas a envolver os alunos</p><p>e descobrir dificuldades com o material. Oferece um ambiente estruturado para os alunos</p><p>exporem suas ideias e solucionar mal-entendido, conversando com seus pares. Tem como</p><p>característica um ambiente cooperativo onde todos trabalham em conjunto para aprender</p><p>novos conceitos e habilidades. O Blended learnig pode ser definido como um programa de</p><p>educação formal que mescla os momentos em que o aluno estuda os conteúdos e instruções</p><p>usando recursos online, e outros em que o ensino ocorre em sala de aula, podendo interagir</p><p>com outros alunos e com o professor. O material usado é elaborado especificamente para</p><p>a disciplina. Neste método a parte presencial será supervisionada pelo professor que irá</p><p>valorizar as interações e complementar as atividades on-line, favorecendo um processo de</p><p>construção do conhecimento eficiente.</p><p>A educação à distância tem como ponto principal uma relação de aprendizagem</p><p>em que professor e aluno estão separados fisicamente no espaço e/ ou no tempo utilizando</p><p>como recursos as tecnologias de informação e comunicação podendo ou não apresentar</p><p>momentos presenciais. Isso contribui para o acesso a aqueles que vêm sendo excluídos</p><p>do processo educacional por morarem em locais de difícil acesso, tendo uma relevância</p><p>social fundamental que contribuirá para o desenvolvimento econômico. As tecnologias</p><p>educacionais são um conjunto de ferramentas didáticas utilizadas no processo de ensino</p><p>aprendizagem que permitem aplicabilidades pedagógicas inovadoras,</p><p>contribuindo para a</p><p>democratização do ensino.</p><p>45UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>Mas professor necessita de qualificação para manejar essas tecnologias, pois pode</p><p>utilizar desde a pesquisa em sites e plataformas educacionais. Segundo Amaral (2016), as</p><p>tecnologias de informação e comunicação estão proporcionando um novo campo de saber</p><p>para o mundo, caracterizando o corpo social pela globalização tecnológica e direcionando-a</p><p>para uma humanidade digital. Complementando a autora nos diz que o uso tecnológico no</p><p>ambiente educacional para a superação das dificuldades de aprendizagem, acentua-se</p><p>como um instrumento facilitador em sala de aula. O uso da tecnologia é um recurso que</p><p>modifica e transforma 5 o aprendizado, motivando a participação de todos da escola e</p><p>diminuindo a dificuldade que os alunos possuem em aprender.</p><p>TECNOLOGIAS ASSISTIVAS</p><p>De acordo com a definição proposta pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), tecno-</p><p>logia assistiva “é uma área do conhecimento”, de característica interdisciplinar, que engloba</p><p>produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover</p><p>a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, in-</p><p>capacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade</p><p>de vida e inclusão social (BRASIL, 2009). “Para as pessoas sem deficiência a tecnologia</p><p>torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas</p><p>possíveis” (RADABAUGH, 1993). Com a chegada das tecnologias assistivas, o educador</p><p>deixa de ser o detentor do saber, para ser um transformador de conquistas, um mediador.</p><p>Em algumas escolas podemos presenciar mudanças, tanto nos profissionais, quanto na</p><p>estrutura escolar, os Atendimento Educacional Especializado (AEE ) com as Salas de re-</p><p>cursos multifuncionais (SRMF).</p><p>Segundo o site Assistiva (2014) às salas de recursos são espaços físicos localiza-</p><p>dos nas escolas públicas onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado - AEE.</p><p>As SRMF possuem mobiliário, materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibili-</p><p>dade e equipamentos específicos para o atendimento dos alunos que são público alvo da</p><p>Educação Especial e que necessitam do AEE no contra turno escolar [...]</p><p>Fonte: Amaral et al. (2017).</p><p>46UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>Título: INCLUSÃO: Um Guia Para Educadores</p><p>Autores: Susan Stainback, William Stainback</p><p>Editora: Grupo A</p><p>Ano: 1999</p><p>Sinopse: O livro consiste em um guia para educadores em</p><p>geral, buscando contextualizar sobre a inclusão da pessoa com</p><p>deficiência no ambiente educacional. O livro apresenta uma</p><p>contextualização acerca da inclusão, define a inclusão educação</p><p>como uma mudança da perspectiva social. Segundo os autores, o</p><p>olhar educacional só irá contemplar a pessoa com deficiência se</p><p>a sociedade em geral também mudar seu ponto de vista, sabendo</p><p>que a pessoa com deficiência é tão capaz quanto qualquer outro</p><p>indivíduo, desde que seja proporcionado a ele as mesmas oportu-</p><p>nidades.</p><p>WEB</p><p>• O site Portal do professor do Ministério da Educação e da Cul-</p><p>tura visa proporcionar ideias para trabalhar com a temática da</p><p>deficiência, proporcionando, assim, uma compreensão dos alunos</p><p>acerca do tema, bem como uma maior aceitação da pessoa com</p><p>deficiência.</p><p>• Disponível em:</p><p>http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?au-</p><p>la=38670</p><p>47</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Novas tecnologias e desenvolvimento humano.</p><p>• Descrevendo as categorias da tecnologia assistiva.</p><p>• Tecnologia assistiva aplicada à vida diária.</p><p>• Tecnologias assistivas aplicada aos recursos educacionais.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Discutir os diversos recursos utilizados na tecnologia assistiva.</p><p>• Apresentar a importância da tecnologia assistiva na autonomia das</p><p>atividades diária.</p><p>• Apresentar alguns recursos de tecnologias assistiva em prol da pessoa com</p><p>deficiência.</p><p>UNIDADE III</p><p>Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>Professora Aline Pedro Feza</p><p>48UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá, aluno(a), bem-vindo(a) a mais uma unidade de nosso tema. Após conceituar-</p><p>mos brevemente a tecnologia assistiva, abordaremos neste estudo as aplicações desta</p><p>relacionadas ao desenvolvimento da pessoa com deficiência. A tecnologia assistiva visa</p><p>valorizar as habilidades da pessoa com deficiência para que esta possa ter a mesma auto-</p><p>nomia e desenvoltura que as demais pessoas da sociedade em geral.</p><p>Equiparar as capacidades das pessoas com deficiências com as das demais pes-</p><p>soas, atos simples do dia a dia, como se alimentar ou se locomover com autonomia, para</p><p>alguns deficientes, são limites quase impossíveis. Esse é um dos principais objetivos das</p><p>tecnologias assistivas.</p><p>Como os avanços da tecnologia, o homem tem criado instrumentos e sistemas</p><p>que têm possibilitado que essas atividades diárias da vida de uma pessoa com deficiência</p><p>sejam possíveis sem o auxílio de uma outra pessoa. Proporcionar autonomia ao deficiente</p><p>é proporcionar aumento da expectativa de sua vida, consiste em proporcionar capacidades</p><p>de se olhar na sociedade e se sentir igual aos demais com mesmas capacidades e possi-</p><p>bilidades.</p><p>Nessa unidade definiremos o conceito de novas tecnologias que têm possibilitado</p><p>avanços na autonomia dos deficientes, principalmente no que se refere ao aspecto educa-</p><p>cional.</p><p>Desejo bons estudos!</p><p>49UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>1 NOVAS TECNOLOGIAS E O DESENVOLVIMENTO HUMANO</p><p>A tecnologia acompanha a história humana. Desde a antiguidade, com a descoberta</p><p>e o manuseio do fogo, o homem não parou mais de criar e reinventar recursos que pudesse</p><p>proporcionar melhores condições de vida. Construiu moradias, confeccionou vestimentas,</p><p>descobriu a agricultura, a criação de animais e constitui-se como ser social.</p><p>Assim, desenvolveu estratégias, recursos e ferramentas que fundamentaram todo</p><p>o aparato tecnológico que se tem hoje (BADALOTTI et al., 2014, p. 6). Tal conhecimento era</p><p>passado de geração para geração através da oralidade, uma forma de ensino constituída</p><p>pela própria família. A linguagem oral predominou até a invenção da escrita, que possibilitou</p><p>avanços gigantescos na evolução social e cultural humana. Todavia não eram todos que</p><p>tinham acesso à cultura escrita; apenas as classes sociais mais favorecidas eram privile-</p><p>giadas de tal conhecimento.</p><p>No século XV, entretanto, com a invenção da imprensa, por Gutenberg, a divulgação</p><p>e circulação do conhecimento foi ampliada. Foi nessa época que a Ciência Moderna surgiu:</p><p>O avanço tecnológico caminhou a passos largos com o desenvolvimento</p><p>tecnológico e o aperfeiçoamento da fotografia, do cinema e dos recursos de</p><p>comunicação. As invenções do telégrafo, do telefone, do rádio e da televisão</p><p>revolucionaram a história. Mais tarde, a eletrônica, o fax, os computadores e a</p><p>criação de redes de comunicação a distância, como a Internet, trouxeram novos</p><p>avanços ao desenvolvimento da sociedade (BADALOTTI et al., 2014, p. 7).</p><p>A tecnologia está em função das necessidades criadas pelo homem, mas a tecnolo-</p><p>gia sozinha não altera a sociedade e a natureza, é o uso que se faz dela que se observa as</p><p>50UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>mudanças (BADALOTTI et al., 2014). As mudanças não ficam apenas nas esferas sociais,</p><p>elas estão presentes na vida das pessoas, na maneira de pensar, de ser, de agir etc. É por</p><p>meio da educação que esse conhecimento é transmitido, reconstruído e transformado. Eis</p><p>a importância, pois, da educação para a trajetória da humanidade.</p><p>O avanço tecnológico na educação ocorreu nas seguintes fases, observando as</p><p>necessidades e modificações de cada época, de acordo com Pedro Demo (2016, p.16,</p><p>apud BADALOTTI et al., 2014, p. 8):</p><p>A. comunicação simples face a face: é a forma mais antiga de ensinamento,</p><p>é a exposição oral.</p><p>B. introdução da representação simbólica (linguagem escrita): surge com</p><p>a escrita, são</p><p>os textos escritos, as representações matemáticas, os</p><p>gráficos, etc.</p><p>C. introdução de ferramentas comunicativas: como o telefone, o rádio e a</p><p>televisão.</p><p>D. introdução das redes de computadores: o uso dos computadores e da</p><p>internet.</p><p>E. surgimento da infraestrutura cibernética com as tecnologias participati-</p><p>vas: nela, o indivíduo participa ativamente no ambiente cibernético.</p><p>É uma característica da sociedade atual a rapidez das transmissões da informação.</p><p>É instantâneo o fato e a produção da informação/notícia. Há de se ressaltar que a tecnologia</p><p>não é neutra e não abrange a todos. É a chamada sociedade do conhecimento que exige do</p><p>ser humano diversas competências e atitudes (BADALOTTI et al., 2014). Essa sociedade</p><p>também requer atualização constante. Quem não se atualiza, não tem informação e fica</p><p>excluído socialmente.</p><p>A escola, como instituição responsável por perpetuar o conhecimento na tecnologia,</p><p>visa propiciar vias de acesso ao conhecimento. Contudo é importante lembrar que, muitas</p><p>vezes, somente na escola o acesso às tecnologias será possível para alguns estudantes,</p><p>já que nem todos as têm na sua vivência cotidiana.</p><p>51UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>2 DESCREVENDO AS CATEGORIAS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>O termo tecnologia assistiva, também conhecido como TA, está sendo utilizado</p><p>como recursos e serviços a fim de proporcionar e aumentar as habilidades e funcionalidade</p><p>da pessoa com deficiência e, dessa forma, proporcionar uma vida mais independente e</p><p>autônoma, atingindo a eficácia da inclusão.</p><p>Para Moran (2007), as TA difundiram-se após a evolução da tecnologia, propician-</p><p>do, ao alcance das mãos, constantes ferramentas que tornam as nossas atividades comuns</p><p>do cotidiano mais fáceis, mais rápidas e objetivas. Desta forma, a tecnologia, numa visão</p><p>geral, também buscou facilitar a vida da pessoa com deficiência.</p><p>Conforme Lima (2007), a tecnologia assistiva vem desenvolvendo inúmeros equi-</p><p>pamentos, estratégias, serviços e práticas que trabalham diretamente com a dificuldade e</p><p>a inabilidade da pessoa com deficiência, destacando suas potencialidades e equiparando</p><p>suas dificuldades.</p><p>O termo tecnologia assistiva chega ao Brasil em 16 de novembro de 2006, por meio</p><p>de uma Portaria nº 142, que instituiu um comitê de ajudas técnicas formado por profissionais</p><p>e órgãos do governo, com o intuito de apresentar políticas governamentais de assistência</p><p>à pessoa com deficiência.</p><p>A Secretaria Especial dos Direitos Humanos determinou, segundo a Portaria nº 142</p><p>(2006), que a oferta de tecnologia assistiva caberia a todas as esferas governamentais,</p><p>sendo elas federais, estaduais e municipais. Para tanto, cada uma dessas instituições</p><p>52UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>deveria criar e inserir cursos na área de tecnologia assistiva, para desenvolver estudos e</p><p>pesquisas relacionados sobre o assunto, e essas criações visavam subsidiar futuramente</p><p>políticas públicas brasileiras em prol desse conceito.</p><p>As bases teóricas utilizadas pelo Brasil, eram internacionais até o ano de (2006),</p><p>o conceito de tecnologia assistiva e ajudas técnicas criadas em prol das pessoas com</p><p>necessidade temporárias ou permanentes.</p><p>Os conceitos americanos trazidos ao Brasil, segundo Lima (2007), determinavam</p><p>que ajudas técnicas caracterizavam instrumentos e práticas de serviço utilizadas por pes-</p><p>soas com deficiência e pessoas idosas, visando evitar, compensar ou neutralizar a incapa-</p><p>cidade ou a desvantagem desses indivíduos.</p><p>Por sua vez, a tecnologia assistiva, por si só, incorporava-se em conceitos de equi-</p><p>pamentos físicos ou componentes técnicos, como aplicativos, software, entre outros para</p><p>equiparar as deficiências ou limitações.</p><p>Recursos são todos e quaisquer itens, equipamentos ou parte dele, produtos</p><p>ou sistemas fabricados em série ou sob-medida utilizado para aumentar,</p><p>manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência.</p><p>Serviços são definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa</p><p>com deficiência a selecionar, comprar ou usar os recursos acima definidos</p><p>(ADA - American with Disabilities ACT, 1994).</p><p>Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdis-</p><p>ciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas</p><p>e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade</p><p>e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade re-</p><p>duzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão</p><p>social (BRASIL - SDHPR. – Comitê de Ajudas Técnicas – ATA VII).</p><p>Vale ressaltar que todo ou qualquer equipamento, seja ele físico ou em sistema,</p><p>dentro do conceito de tecnologia assistiva, é produzido de maneira individual após analisar</p><p>cada pessoa. Em virtude disso não se encontra a tecnologia assistiva à venda no mercado.</p><p>Assim, entende-se que se encontram disponíveis ideias de tecnologias assistivas</p><p>já realizadas e destinadas a um ou outro padrão de pessoa. Mesmo que as dificuldades se</p><p>assemelham a mobilidades reduzidas, ausência de autonomia, independência, qualidade</p><p>de vida e comunicação social, há uma identidade única para cada deficiente. A busca pelas</p><p>tecnologias assistivas é a busca por uma liberdade, por uma autonomia, muitas vezes, em</p><p>atividades comuns do dia a dia.</p><p>53UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>3 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS APLICADA À VIDA DIÁRIA</p><p>Ao pensar na tecnologia assistiva precisamos pensá-la em todos os aspectos</p><p>que ela seconsiste, como nos aspectos da vida diária da pessoa com deficiência ou com</p><p>quaisquer limitações, também denominada AVD atividades de vida diária. Mantoan (2013),</p><p>apresenta as AVD como tarefas básicas, cuidados com o corpo, entre outras habilidades</p><p>essenciais e desenvolvidas na pessoa com todas as suas funções neurológicas e físicas</p><p>íntegras durante a infância.</p><p>Definir atividades de vida diária é muito mais do que enumerar atividades a serem</p><p>realizadas, pois possibilitam o desenvolvimento pleno e autonomia social de pessoas com</p><p>deficiência, pessoas idosas e pessoas com mobilidade reduzida. Entre as atividades de</p><p>vida diária destacam-se, conforme Mantoan (2013):</p><p>● Autocuidado, que consiste em cuidar-se e evitar expor-se a problemas e fatos</p><p>que podem lhe prejudicar a vida. O autocuidado vai desde ações simples, como</p><p>atravessar a rua em segurança, até atividades neurologicamente mais elabora-</p><p>das, como descartar um telefonema que possivelmente seria um trote.</p><p>● Mobilidade, que consiste na capacidade de se movimentar, sentar, levantar,</p><p>andar, pular, manter-se em pé e manter-se em equilíbrio.</p><p>● Alimentação, que consiste na habilidade de alimentar-se sozinho, no aspecto</p><p>motor de conduzir o talher até a boca, habilidades de selecionar o que deseja</p><p>comer, e de diferenciar os movimentos corretos de alimentação.</p><p>54UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>● Higiene pessoal, que consiste nas atividades de tomar banho e de controle de</p><p>esfíncteres com autonomia.</p><p>● Habilidade de vestir-se, bem como de despir-se, associada com a habilidade de</p><p>selecionar roupas adequadas para cada momento e para cada clima, habilidade</p><p>motora de fechar, abrir e abotoar cada roupa.</p><p>Para Magalhães et al. (1998), as atividades de vida diária, denominadas atividades</p><p>instrumentais da vida diária, são atividades que integram a pessoa a um convívio social,</p><p>bem como a capacidade de gerenciar uma casa e a sua própria vida com autonomia. Cor-</p><p>respondem a essas atividades:</p><p>● fazer compras;</p><p>● gerenciar o dinheiro;</p><p>● utilizar o telefone para receber ou para realizar chamadas e outros meios de</p><p>comunicação;</p><p>● limpar a casa e mantê-la organizada;</p><p>● cozinhar;</p><p>● utilizar transportes, sejam eles públicos ou particulares.</p><p>De posse desse conceito, podemos trabalhar com a inserção da tecnologia as-</p><p>sistiva dentro das atividades de vida diária. Para isso precisamos entender que estas são</p><p>classificadas de acordo com a sua função, ou seja,</p><p>de acordo com e para quem ela se</p><p>destina, bem como a sua finalidade.</p><p>Conforme Magalhães et al. (1998), o sistema de classificação das tecnologias</p><p>assistivas originou nos Estados Unidos, em 1998. As tecnologias assistivas voltadas a ativi-</p><p>dades de vida diária preveem autonomia de tarefas rotineiras e a independência de tarefas</p><p>sociais. Consistem em talheres modificados, suportes para utensílios e balcões adaptados,</p><p>roupas desenhadas para vestir e despir-se de forma diferenciada, com botões, maiores</p><p>velcros, zips com fechos maiores, promovendo, assim, independência em tarefas simples.</p><p>Outras tecnologias assistivas são direcionadas a independências comunicativas ou</p><p>de âmbito social. São os casos de sistemas instalados em casas de deficientes visuais, por</p><p>exemplo, que permitem a verbalização de relógios, calculadoras e termômetros corporais e</p><p>identificadores de luzes, se estão acesas ou apagadas, identificadores de cores de roupas,</p><p>entre outros sistemas.</p><p>55UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>Saussure (1970), destaca que outros sistemas a serem utilizados podem ser de</p><p>recursos para surdos, chamadas de telefones por vídeo, vídeos chamadas para órgãos</p><p>públicos com o auxílio on-line de tradutores intérpretes de língua de sinais, aplicativos e</p><p>dicionários on-line que captam a voz do ouvinte traduzido para língua de sinais por meio de</p><p>um avatar, por sua vez, o surdo irá digitar a sua pergunta ou resposta que será vocalizada</p><p>para o ouvinte no mesmo aplicativo; outros recurso são adaptações de campainhas e in-</p><p>terfones de sonoros para visuais, interligados ao sistema elétrico da residência da pessoa</p><p>com surdez</p><p>A comunicação e as tecnologias assistivas estão direcionadas também a pessoas</p><p>com autismo, que podem fazer o uso de aplicativos ou pranchas de comunicação instaladas</p><p>em tablets e celulares, capazes de transformar ícones em frases organizadas e verbaliza-</p><p>das. Tais meios ajudam autistas com limitações comunicativas a conviver melhor na família</p><p>e socialmente. Para Nunes (2001), o sistema de reconhecimento ocular, simbologia gráfica</p><p>de PCS vocalizadores, pranchas de produção de voz e outros equipamentos adaptados a</p><p>computadores, tablets e celulares constituem a tecnologia assistiva, também denominada</p><p>de comunicação alternativa.</p><p>56UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>4 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS APLICADA AOS RECURSOS EDUCACIONAIS</p><p>Ao pensarmos na tecnologia assistiva aplicada, nos deparamos como uma gama</p><p>de campos. Devido à proximidade com o tema e a relação com a atuação e a formação dos</p><p>profissionais, abordaremos a tecnologia assistiva aplicada a recursos educacionais.</p><p>São inúmeras as contribuições da tecnologia para a educação, começando pelos</p><p>aparelhos, como a televisão, os equipamentos multimídia (Datashow), os computadores,</p><p>tablets, a internet, para que a aula não fique apenas restrita ao quadrode giz. O uso dessas</p><p>tecnologias possibilita que o aluno adquira novas habilidades e competências essenciais na</p><p>sociedade do conhecimento.</p><p>Segundo Abbad, Zerbini e Souza (2010), os avanços da tecnologia permitiram o</p><p>acesso ao conhecimento a muitas pessoas através do ensino a distância (EAD), que demo-</p><p>cratiza a educação superior a uma grande parcela da população que não tinha condições</p><p>a esse ensino. A concepção do uso da tecnologia define que o aprendiz se torna ativo,</p><p>responsável pelo conhecimento que está construindo. Não é mais um aluno passivo que</p><p>apenas recebe o ensinamento, torna-se partícipe no processo de ensino-aprendizagem.</p><p>Deste modo, alguns paradigmas educacionais são quebrados. É necessário efetivar</p><p>um novo paradigma educacional, uma vez que os tempos são outros e é função da escola</p><p>garantir a todos um ensino de qualidade compatível com as exigências contemporâneas.</p><p>Segundo Badalotti et al. (2014), a escola deve conceber uma nova postura do professor e</p><p>da escola, mudar as formas de ensinar, rever o papel do professor e do aluno, bem como</p><p>57UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>se postar diante das novas tecnologias. Sampaio e Leite (1999, p. 15 apud BADALOTTI</p><p>et al., 2014, p. 24) afirmam que “O papel da educação deve voltar-se à democratização</p><p>do acesso ao conhecimento, produção e interpretação das tecnologias, suas linguagens e</p><p>consequências”.</p><p>O professor deve estar preparado para utilizar as tecnologias em sala de aula, deve</p><p>pensar, em seu planejamento, modos e possibilidades para inserir a tecnologia em suas au-</p><p>las, para que estas se tornem mais interativas, produtivas e dinâmicas, sempre observando</p><p>os recursos que a escola disponibiliza. Também não adianta o professor planejar suas</p><p>aulas sem as ferramentas necessárias, ou ter que comprar o que a escola tem a obrigação</p><p>de ter. Os velhos e novos paradigmas educacionais, de acordo com Badalotti et al., (2014,</p><p>p. 25), afirmam que a tecnologia pode ser utilizada com as seguintes ferramentas:</p><p>● Pesquisas na internet, seja em computadores ou em celulares;</p><p>● Jogos educativos;</p><p>● Uso do rádio em aulas de línguas estrangeiras;</p><p>● Uso de slides – Datashow;</p><p>● Uso de microscópios nas aulas de Ciências/Biologia;</p><p>● Softwares educativos – exemplo de confecção de Histórias em Quadrinhos;</p><p>● WebQuest;</p><p>● Chat;</p><p>● Fórum de discussões;</p><p>● Blog;</p><p>● Correio eletrônico (e-mail);</p><p>● Uso das redes sociais para divulgação de informações pertinentes à aprendiza-</p><p>gem;</p><p>● Produção de curtas-metragens (filmes);</p><p>● Uso da televisão (exibição de filmes, documentários, conteúdos etc.);</p><p>● Escrita de trabalhos escolares.</p><p>Ao observar a situação das escolas públicas brasileiras, nota-se que a educação</p><p>não é a prioridade maior dos governantes, pois as instituições públicas de ensino fun-</p><p>damental e médio encontram-se sucateadas, em estado de calamidade; muitas escolas</p><p>contam apenas com giz e quadro. Para Badalotti et al. (2014), o investimento na área da</p><p>educação ainda é tímido, sobretudo na aquisição de materiais e aparatos tecnológicos.</p><p>58UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>Segundo dados do Censo Escolar de 2019, apenas 43,3% das escolas de ensino</p><p>fundamental e 78,1% das instituições de ensino médio contam com laboratório de informá-</p><p>tica, por sua vez, contam com acesso à internet: 69,6% nas escolas de ensino fundamental</p><p>e 95,1% nas escolas de ensino médio (BRASIL, 2019). Contudo, ao compararmos ao</p><p>número de matrículas, de 48,5 milhões nas 181,9 mil escolas, entendemos que não há</p><p>computadores em quantidade suficiente para todos os educandos, na maioria dos casos os</p><p>computadores são compartilhados.</p><p>Sabe-se que inovar é preciso, é necessário acompanhar as mudanças que ocorrem</p><p>na sociedade e no mundo. O novo, em algumas circunstâncias, é encarado com receio.</p><p>Mas, conforme visto no tópico anterior, muitas são as possibilidades de enriquecer, diver-</p><p>sificar e fomentar a ação docente com os atuais recursos que a tecnologia oferta. Nesse</p><p>sentido, falta formação continuada para os profissionais da educação, para aprimoramento</p><p>dos saberes construídos e para os que não sabem, é um novo aprendizado.</p><p>Uma questão que deve ser pensada é o desalinhamento entre o planejamento do</p><p>professor e a prática docente. Para Abbad, Zerbini e Souza (2010), muitas vezes a equipe</p><p>pedagógica cobra a inserção das novas tecnologias no plano de trabalho docente, mas o</p><p>professor, em algumas situações, não está preparado para trabalhar com a tecnologia. Ou</p><p>ele planeja, mas encontra dificuldade para colocar em prática o que planejou, levando-o à</p><p>frustração, resultando em desmotivação. Assim, seja a falta de infraestrutura, de preparo</p><p>dos professores, de equipamentos atualizados, o Brasil precisa dar maior ênfase à educa-</p><p>ção, permitindo que seus alunos tenham um ensino de qualidade, compatível com o mundo</p><p>em que se vive hoje, multiconectado e informatizado.</p><p>Não adianta abordar o assunto de inserção tecnológica nas escolas públicas sem</p><p>falar em amplo investimento na aquisição, treinamento e manutenção de</p><p>equipamentos</p><p>tecnológicos. Como já foi afirmado anteriormente, grande parte das escolas contam com</p><p>aparelhos arcaicos, sem condições adequadas de funcionamento, pode, inclusive, gerar</p><p>risco de uso para os alunos e professores.</p><p>Deste modo, segundo Abbad, Zerbini e Souza (2010), é preciso ofertar compu-</p><p>tadores, impressoras, Datashows, acesso à internet de qualidade, microscópios, rádios,</p><p>televisores etc. Além disso, é importante que a escola conte com aparelhos suficientes</p><p>para que os alunos possam fazer mais uso dessas tecnologias, que elas façam parte do</p><p>cotidiano, não apenas serem usadas periodicamente.</p><p>Seguindo nesta linha de pensamento, os profissionais da educação precisam de</p><p>capacitação e formação continuada para que saibam utilizar as ferramentas tecnológicas.</p><p>59UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>Mesmo em pleno século XXI, muitos professores não sabem nem ligar um computador. Isto</p><p>gera o que se chama de conflito de gerações. A escola deve acompanhar os avanços da</p><p>sociedade, não pode ficar parada no tempo. Nas palavras de Kenski (apud BADALOTTI et</p><p>al., 2014, p. 33):</p><p>[…] não basta fornecer aos professores o simples conhecimento instrucional</p><p>e breve de como operar com os novos equipamentos para que se possa ter</p><p>condições suficientes para fazer do novo meio um precioso auxiliar na tarefa</p><p>de transformar a escola. Fica evidente também que, pela complexidade</p><p>do meio tecnológico, as atividades de treinamento e aproximação entre os</p><p>docentes e tecnologias deve ser realizada o quanto antes. O início desse</p><p>processo, de preferência, deve ocorrer nas licenciaturas e nos cursos de</p><p>pedagogia.</p><p>Como, todavia, muitos professores já são formados e não passaram pelo processo</p><p>de formação tecnológica, é preciso que se adequem às novas necessidades pedagógicas.</p><p>Assim, o professor deve incluir em seu plano de trabalho docente formas de trabalhar o</p><p>conhecimento, utilizando as novas tecnologias. Não se trata de subjugar o conhecimento</p><p>em face à tecnologia, mas fazer dela uma aliada para que o aluno consiga aprender mais</p><p>e melhor.</p><p>Entretanto o docente também deve ter o cuidado de não exagerar no uso dessas</p><p>tecnologias; ela é um meio e não um fim em si mesma. Em suma, é preciso haver infraes-</p><p>trutura e condições de trabalho, bem como formação pedagógica para que a escola se</p><p>transforme.</p><p>Conforme Nunes (2001), no aspecto da tecnologia assistiva não se difere da tec-</p><p>nologia em geral no contexto escolar. Há poucos profissionais que desconhecem e não</p><p>dominam os recursos da TA para trabalhar com o aluno, desta forma, muitos instrumentos</p><p>ficam ociosos nas escolas. Outro aspecto a ser analisado sobre a TA no contexto escolar</p><p>é que muitas vezes esses equipamentos são custeados pelos próprios pais dos alunos</p><p>devido a falta de verba nas instituições ou devido a especificidades do equipamento, sendo</p><p>assim, mais uma vez repete-se a não inclusão da pessoa com deficiência nesse contexto.</p><p>60UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Muitas pessoas não têm a possibilidade de ter acesso aos recurso de tecnologicos, en-</p><p>tre esses destacam-se equipamentos (infravermelho, FM), aparelhos para surdez, siste-</p><p>mas com alerta táctil-visual, celular com mensagens escritas e chamadas por vibração,</p><p>software que favorece a comunicação ao telefone celular, transformando em voz o texto</p><p>digitado no celular e em texto a mensagem falada. Livros, textos e dicionários digitais</p><p>em língua de sinais. Sistema de legendas, aplicativos em libras. Um desses aplicativos</p><p>é o Hand Talk que consiste em uma plataforma que traduz simultaneamente conteúdos</p><p>em português para língua de sinais. Saiba mais sobre essa tecnologia que permite aces-</p><p>sibilidade comunicativa para surdos e deficientes auditivos.</p><p>Para saber mais sobre o aplicativo Hand Talk, acesse: https://play.google.com/store/apps/details?id=br.</p><p>com.handtalk&hl=pt_BR ou https://www.handtalk.me/br</p><p>Fonte: a autora.</p><p>REFLITA</p><p>Discutir sobre tecnologia assistiva é discutir sobre a possibilidade de enxergar o outro</p><p>sem limitações, para tanto leia com atenção a citação:</p><p>Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdis-</p><p>ciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e</p><p>serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e</p><p>participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzi-</p><p>da, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social</p><p>(GALVÃO FILHO; DAMASCENO, 2009, p. 26).</p><p>Refletir sobre a importância da tecnologia assistiva é uma ação de empatia, é pensar</p><p>que muitas ações que consideramos simples podem ser complexas ao outro. Convido</p><p>você agora a refletir sobre a hipótese de necessitar de uma tecnologia para tarefas coti-</p><p>dianas, como, por exemplo, se alimentar.</p><p>Fonte: Galvão Filho e Damasceno (2009).</p><p>https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.handtalk&hl=pt_BR</p><p>https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.handtalk&hl=pt_BR</p><p>https://www.handtalk.me/br</p><p>61UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Os estudos realizados nesta unidade permitiram compreender que as tecnologias</p><p>assistivas estão inseridas diretamente no contexto pedagógico em busca do êxito da in-</p><p>clusão das pessoas com deficiência. As possibilidades pedagógicas de trabalho com as</p><p>ferramentas da tecnologia assistiva são amplas e permitem ao aluno uma experiência mais</p><p>rica, interativa, equiparada e dinâmica da aprendizagem, uma vez que o aluno de hoje é na-</p><p>tivo digital, ou seja, já nasceu na era digital. Quando o estudante se depara com atividades</p><p>em que a tecnologia está presente, a aula e a escola se tornam mais atrativas para ele, já</p><p>que a ponte sociedade-vida-escola é construída.</p><p>Nesse aspecto, o professor não é mais o único detentor do conhecimento, ele faz</p><p>a mediação entre o saber e o aluno. Mas isso não é algo ruim para o professor, significa</p><p>que o conhecimento não está mais restrito a uma parcela da população. Com o advento da</p><p>internet, o conhecimento se propagou ainda mais com a educação a distância, que permitiu</p><p>e permite a muitas pessoas estudarem sem saírem de casa e com um custo menor.</p><p>Portanto, há de se ressaltar que as tecnologias assistivas não são recursos passa-</p><p>geiros, mais sim, recursos que viabilizam igualdade a todos os alunos. Se elas não estão</p><p>mais presentes nas escolas é por falta de investimento nesta área, mas algum dia todas as</p><p>salas de aula terão computadores, datashows e outros recursos tecnológicos.</p><p>Assim sendo, os profissionais da educação não podem fugir ou se negar a aprender</p><p>as novas formas de trabalho com essas ferramentas. Parte-se do pressuposto que a es-</p><p>cola é um local de aprendizagem não somente dos alunos, mas também dos professores.</p><p>Não obstante, fazer uso por fazer da tecnologia. Ela deve fazer sentido ao se trabalhar</p><p>determinado conteúdo. Ademais, é necessário sonhar com uma escola melhor, com uma</p><p>sociedade melhor.</p><p>62UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Rita Bersch</p><p>1. Conceito e Objetivo</p><p>Tecnologia Assistiva - TA é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o</p><p>arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades</p><p>funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover vida independente e</p><p>inclusão. (BERSCH e TONOLLI, 2006).</p><p>Num sentido amplo, percebemos que a evolução tecnológica caminha na direção</p><p>de tornar a vida mais fácil. Sem nos apercebermos, utilizamos constantemente ferramentas</p><p>que foram especialmente desenvolvidas para favorecer e simplificar as atividades do coti-</p><p>diano, como os talheres, canetas, computadores, controle remoto, automóveis, telefones</p><p>celulares, relógio, enfim, uma interminável lista de recursos, que já estão assimilados à</p><p>nossa rotina e, num senso geral, “são instrumentos que facilitam nosso desempenho em</p><p>funções pretendidas”.</p><p>Introduzirmos</p><p>o conceito da TA com a seguinte citação: “Para as pessoas sem</p><p>deficiência a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a</p><p>tecnologia torna as coisas possíveis”. (RADABAUGH, 1993)</p><p>Cook e Hussey definem a TA citando o conceito do ADA - American with Disabilities</p><p>Act, como “uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas</p><p>e aplicadas para minorar os problemas funcionais encontrados pelos indivíduos com defi-</p><p>ciências”. (COOK & HUSSEY, 1995)</p><p>A TA deve ser entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma</p><p>habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se</p><p>encontra impedida por circunstância de deficiência ou pelo envelhecimento.</p><p>Então, Podemos dizer que o objetivo maior da TA é proporcionar à pessoa com de-</p><p>ficiência maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação de</p><p>sua comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente, habilidades de seu aprendizado</p><p>e trabalho.</p><p>63UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>2. Tecnologia Assistiva – Conceito Brasileiro</p><p>Em 16 de novembro de 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Pre-</p><p>sidência da República - SEDH/PR, através da portaria nº 142, instituiu o Comitê de Ajudas</p><p>Técnicas - CAT, que reuniu um grupo de especialistas brasileiros e representantes de órgãos</p><p>governamentais, em uma agenda de trabalho. O CAT foi instituído como objetivos principais</p><p>de: apresentar propostas de políticas governamentais e parcerias entre a sociedade civil e</p><p>órgãos públicos referentes à área de tecnologia assistiva; estruturar as diretrizes da área</p><p>de conhecimento; realizar levantamento dos recursos humanos que atualmente trabalham</p><p>com o tema; detectar os centros regionais de referência, objetivando a formação de rede</p><p>nacional integrada; estimular nas esferas federal, estadual, municipal, a criação de centros</p><p>de referência; propor a criação de cursos na área de tecnologia assistiva, bem como o</p><p>desenvolvimento de outras ações com o objetivo de formar recursos humanos qualificados</p><p>e propor a elaboração de estudos e pesquisas, relacionados com o tema da tecnologia</p><p>assistiva. (BRASIL – SDHPR, 2012)</p><p>Para elaborar um conceito de tecnologia assistiva que pudesse subsidiar as políti-</p><p>cas públicas brasileiras os membros do CAT fizeram uma profunda revisão no referencial</p><p>teórico internacional, pesquisando os termos Ayudas Técnicas, Ajudas Técnicas, Assistive</p><p>Tecnology, Tecnologia Assistiva e Tecnologia de Apoio. Alguns dos conceitos pesquisados</p><p>são citados e analisados no texto que segue.</p><p>De acordo com o Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pes-</p><p>soas com</p><p>Deficiência (SNRIPD) de Portugal afirma:</p><p>Entende-se por ajudas técnicas qualquer produto, instrumento, estratégia,</p><p>serviço e prática utilizada por pessoas com deficiência e pessoas idosas,</p><p>especialmente, produzido ou geralmente disponível para prevenir, compen-</p><p>sar, aliviar ou neutralizar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem e</p><p>melhorar a autonomia e a qualidade de vida dos indivíduos. (PORTUGAL,</p><p>2007, 135).</p><p>Nesta descrição percebemos a grande abrangência do tema, que extrapola a</p><p>concepção de produto e agrega outras atribuições ao conceito de ajudas técnicas como:</p><p>estratégias, serviços e práticas que favorecem o desenvolvimento de habilidades de pes-</p><p>soas com deficiência.</p><p>O conceito proposto no documento “Empowering Users Through Assistive Techno-</p><p>logy” - EUSTAT, elaborado por uma comissão de países da União Européia traz incorporado</p><p>ao conceito da tecnologia assistiva as várias ações em favor da funcionalidade das pessoas</p><p>com deficiência afirmando: “...em primeiro lugar, o termo tecnologia não indica apenas ob-</p><p>64UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>jetos físicos, como dispositivos ou equipamento, mas antes se refere mais genericamente</p><p>a produtos, contextos organizacionais ou modos de agir, que encerram uma série de princí-</p><p>pios e componentes técnicos”. (EUROPEAN COMMISSION - DGXIII, 1998)</p><p>Já os documentos de legislação nos Estados Unidos apresentam a TA como recur-</p><p>sos e serviços sendo que: “Recursos são todo e qualquer item, equipamento ou parte dele,</p><p>produto ou sistema fabricado em série ou sob-medida utilizado para aumentar, manter ou</p><p>melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. Serviços são definidos</p><p>como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar</p><p>ou usar os recursos acima definidos”. (ADA - American with Disabilities ACT 1994.)</p><p>A partir destes e outros referenciais o CAT - aprovou, em 14 de dezembro de 2007,</p><p>o conceito brasileiro de Tecnologia Assistiva:</p><p>Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdis-</p><p>ciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas</p><p>e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade</p><p>e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade re-</p><p>duzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão</p><p>social. (BRASIL - SDHPR. – Comitê de Ajudas Técnicas – ATA VII)</p><p>3. Classificação em categorias</p><p>Os recursos de tecnologia assistiva são organizados ou classificados de acordo</p><p>com objetivos funcionais a que se destinam.</p><p>Várias classificações de TA foram desenvolvidas para finalidades distintas e citamos</p><p>a ISO 9999/2002 como uma importante classificação internacional de recursos, aplicada</p><p>em vários países. O Sistema Nacional de Classificação dos Recursos e Serviços de TA,</p><p>dos Estados Unidos, diferencia-se da ISO ao apresentar, além da descrição ordenada dos</p><p>recursos, o conceito e a descrição de serviços de TA.</p><p>A classificação HEART, é apresentada de forma adaptada no documento EUSTA-</p><p>T-Empowering Users Through Assistive Technology, que foi elaborado por um grupo de</p><p>pesquisadores de vários países da União Européia e é considerada por eles, como sendo</p><p>a mais apropriada para a formação dos usuários finais de TA, bem como para formação de</p><p>recursos humanos nesta área.</p><p>Ao apresentar uma classificação de TA, seguida de redefinições por categorias,</p><p>destaca-se que a sua importância está no fato de organizar a utilização, prescrição, estudo</p><p>e pesquisa de recursos e serviços em TA, além de oferecer ao mercado focos específi-</p><p>cos de trabalho e especialização. A classificação que segue foi escrita em 1998 por José</p><p>Tonolli e Rita Bersch e foi atualizada por eles para corresponder aos avanços na área a</p><p>que se destina. Ela tem uma finalidade didática e em cada tópico, considera a existência</p><p>65UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>de recursos e serviços; foi desenhada com base em outras classificações utilizadas em</p><p>bancos de dados de TA e especialmente a partir da formação dos autores no Programa de</p><p>Certificação em Aplicações da Tecnologia Assistiva – ATACP da California State University</p><p>Northridge, College of Extended Learning and Center on Disabilities. 4 Recentemente esta</p><p>classificação foi utilizada pelo Ministério da Fazenda; Ciência, Tecnologia e Inovação e</p><p>pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República na publicação</p><p>da Portaria Interministerial Nº 362, de 24 de Outubro de 2012 que trata sobre a linha de</p><p>crédito subsidiado para aquisição de bens e serviços de Tecnologia Assistiva destinados às</p><p>pessoas com deficiência e sobre o rol dos bens e serviços.</p><p>4.Categorias de Tecnologia Assistiva</p><p>4.1 Auxílios para a vida diária e vida prática</p><p>Materiais e produtos que favorecem desempenho autônomo e independente em</p><p>tarefas rotineiras ou facilitam o cuidado de pessoas em situação de dependência de auxílio,</p><p>nas atividades como se alimentar, cozinhar, vestir-se, tomar banho e executar necessidades</p><p>pessoais. São exemplos os talheres modificados, suportes para utensílios domésticos, rou-</p><p>pas desenhadas para facilitar o vestir e despir, abotoadores, velcro, recursos para transfe-</p><p>rência,</p><p>barras de apoio, etc. Também estão incluídos nesta categoria os equipamentos que</p><p>promovem a independência das pessoas com deficiência visual na realização de tarefas</p><p>como: consultar o relógio, usar calculadora, verificar a temperatura do corpo, identificar</p><p>se as luzes estão acesas ou apagadas, cozinhar, identificar cores e peças do vestuário,</p><p>verificar pressão arterial, identificar chamadas telefônicas, escrever etc.</p><p>4.2 CAA - Comunicação Aumentativa e Alternativa</p><p>Destinada a atender pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem en-</p><p>tre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar, escrever e/ou compreender.</p><p>Recursos como as pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica (BLISS,</p><p>PCS e outros), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo usuário da CAA para expressar</p><p>suas questões, desejos, sentimentos, entendimentos. A alta tecnologia dos vocalizadores</p><p>(pranchas com produção de voz) ou o computador com softwares específicos e pranchas</p><p>dinâmicas em computadores tipo tabletes, garantem grande eficiência à função comunicati-</p><p>va. Prancha de comunicação impressa; vocalizadores de mensagens gravadas; prancha de</p><p>comunicação gerada com o software Boardmaker SDP no equipamento EyeMax (símbolos</p><p>são selecionados pelo movimento ocular e a mensagem é ativada pelo piscar) e pranchas</p><p>dinâmicas de comunicação no tablet.</p><p>66UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>4.3 Recursos de acessibilidade ao computador</p><p>Conjunto de hardware e software especialmente idealizado para tornar o compu-</p><p>tador acessível a pessoas com privações sensoriais (visuais e auditivas), intelectuais e</p><p>motoras. Inclui dispositivos de entrada (mouses, teclados e acionadores diferenciados) e</p><p>dispositivos de saída (sons, imagens, informações táteis). São exemplos de dispositivos de</p><p>entrada os teclados modificados, os teclados virtuais com varredura, mouses especiais e</p><p>acionadores diversos, software de reconhecimento de voz, dispositivos apontadores que</p><p>valorizam movimento de cabeça, movimento de olhos, ondas cerebrais (pensamento),</p><p>órteses e ponteiras para digitação, entre outros. Como dispositivos de saída podemos citar</p><p>softwares leitores de tela, software para ajustes de cores e tamanhos das informações</p><p>(efeito lupa), os softwares leitores de texto impresso (OCR), impressoras braile e linha</p><p>braille, impressão em relevo, entre outros.</p><p>4.4 Sistemas de controle de ambiente</p><p>Através de um controle remoto as pessoas com limitações motoras, podem ligar,</p><p>desligar e ajustar aparelhos eletroeletrônicos como a luz, o som, televisores, ventiladores,</p><p>executar a abertura e fechamento de portas e janelas, receber e fazer chamadas telefôni-</p><p>cas, acionar sistemas de segurança, entre outros, localizados em seu quarto, sala, escri-</p><p>tório, casa e arredores. O controle remoto pode ser acionado de forma direta ou indireta</p><p>e neste caso, um sistema de varredura é disparado e a seleção do aparelho, bem como a</p><p>determinação de que seja ativado, se dará por acionadores (localizados em qualquer parte</p><p>do corpo) que podem ser de pressão, de tração, de sopro, de piscar de olhos, por comando</p><p>de voz etc.</p><p>As casas inteligentes podem também se auto ajustar às informações do ambiente</p><p>como temperatura, luz, hora do dia, presença de ou ausência de objetos e movimentos,</p><p>entre outros. Estas informações ativam uma programação de funções como apagar ou</p><p>acender luzes, desligar fogo ou torneira, trancar ou abrir portas. No campo da Tecnologia</p><p>Assistiva a automação residencial visa a promoção de maior independência no lar e tam-</p><p>bém a proteção, à educação e o cuidado de pessoas idosas, dos que sofrem de demência</p><p>ou que possuem deficiência intelectual. [...]</p><p>Fonte: Bersch (2017).</p><p>67UNIDADE III Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>Título: Tecnologia Assistiva: A Inclusão na Prática</p><p>Autor: Eromi Izabel Hummel</p><p>Editora: Appris</p><p>Ano: 2015</p><p>Sinopse: O livro consiste em estabelecer um paralelo com a tecno-</p><p>logia assistiva e sua aplicação da inclusão no contexto educacional</p><p>e social. O livro faz uma descrição também sobre a formação de</p><p>professores que atuam nas salas de recursos multifuncionais para</p><p>o uso de tecnologia assistiva.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>•Título: Tecnologia Assistiva - Tv Brasil</p><p>• Ano: 2016</p><p>• Sinopse: A apresentadora Juliana Oliveira recebe três convida-</p><p>dos para conversar sobre tecnologia assistiva: o especialista em</p><p>informática Antonio Borges, que coordena projetos voltados para</p><p>pessoas com deficiência, na UFRJ; Lília Martins, a presidente do</p><p>Centro de Vida Independente (CVI-Rio), instituição que promove</p><p>qualidade de vida e independência para pessoas com deficiência;</p><p>e a arquiteta Leila Scaf, amputada que utiliza os serviços do CVI.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8z_HTGMxf6A</p><p>WEB</p><p>• Essa área do conhecimento, de característica interdisciplinar, en-</p><p>globa produtos, recursos, metodologias e atividade e participação</p><p>de pessoas com deficiência, incapacidades. O site apresenta uma</p><p>discussão sobre o termo da tecnologia assistiva e alguns exemplos</p><p>de recursos.</p><p>• Disponível em:</p><p>https://institutoitard.com.br/tecnologia-assistiva-o-que-e-e-como-</p><p>-usar-na-escola-sem-saber-informatica/</p><p>68</p><p>Plano de Estudo:</p><p>● Modelos conceituais médicos e sociais;</p><p>● Aprendendo o desempenho universal;</p><p>● Compreender a incapacidade e a funcionalidade.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>● Elaborar um panorama histórico sobre a nomenclatura da pessoa com deficiência;</p><p>● Apresentar os conceitos de deficiência na visão social e médica;</p><p>● Discutir conceitos de incapacidade e funcionalidade.</p><p>UNIDADE IV</p><p>Classificação Internacional de</p><p>Funcionalidade, Incapacidade, Saúde</p><p>e o Desenho Universal</p><p>Professora Aline Pedro Feza</p><p>69</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>Olá, aluno(a), bem-vindo(a) à última unidade de nosso tema. Após conceituarmos</p><p>tecnologia assistiva e acessibilidade ao longo de nossa unidade, fecharemos nossos estudos</p><p>fazendo um panorama de nomenclaturas vivenciadas ao longo da história pelas pessoas</p><p>com deficiência. Estas passaram de incapazes e amaldiçoadas para pessoas capazes e</p><p>aceitas socialmente e, em alguns ambientes, até reconhecidas pelas suas capacidades por</p><p>trás de suas limitações.</p><p>Ser deficiente socialmente, hoje consiste em ser reconhecido como cidadão em uma</p><p>sociedade na qual antes escondia, menosprezava e matava este. Faremos uma viagem no</p><p>tempo, percebendo os diferentes fatos históricos que influenciaram na educação especial.</p><p>Você perceberá que muitas concepções acerca das deficiências remetem a questões reli-</p><p>giosas e crenças populares que foram incorporadas ao longo do tempo.</p><p>Compreender a origem da educação especial significa repensar as formas de en-</p><p>sinar o aluno com deficiência e, consequentemente, aprender com ele, afinal ser professor</p><p>é ser um eterno aprendiz. Por isso, falaremos também sobre a formação do professor para</p><p>educação especial. Outra questão importante que presenciamos no nosso cotidiano é a</p><p>questão de acessibilidade, e aqui a abordaremos para além da questão arquitetônica.</p><p>Desta forma, desejo bons estudos!</p><p>70</p><p>1 MODELOS CONCEITUAIS MÉDICOS E SOCIAIS</p><p>A inclusão é permeada por fatos relacionados a concepções e crenças vinculadas</p><p>à pessoa com deficiência. Para Mantoan (2013), a deficiência concebida como algo so-</p><p>brenatural impedia a vida dessas pessoas, que eram marginalizadas e levadas à morte.</p><p>Um exemplo disso está nos livros A República, de Platão, e A Política, de Aristóteles, que</p><p>trataram do planejamento das cidades gregas, indicando as pessoas nascidas “disformes”</p><p>para a eliminação. A eliminação era por exposição, abandono ou, ainda, por serem atiradas</p><p>do aprisco de uma cadeia de montanhas chamada Taygetos, na Grécia.</p><p>Na idade média, a deficiência era considerada uma doença que precisava de tra-</p><p>tamento médico e a educação tinha como caráter disciplinar o sujeito. A questão</p><p>biológica</p><p>que provocava a deficiência, considerada por Philippe Pinel, a posicionava em diferentes</p><p>graus, havendo irrecuperabilidade.</p><p>As escolas tinham a mesma concepção de assistencialismo, ignorando possibili-</p><p>dades de uma educação efetiva. A educação para crianças com deficiência começa tomar</p><p>forma a partir dos estudos de Johann Heinrich Pestalozzi e Froebel, que acreditavam em</p><p>uma educação para todos. Criaram sistemas especiais de ensino adaptando materiais de</p><p>acordo com cada peculiaridade do sujeito, a busca pela autonomia do sujeito era algo</p><p>prioritário para esses autores.</p><p>Com a propagação de diferentes estudos envolvendo autores como Montessori, na</p><p>produção de materiais alternativos para aprendizagem, bem como novas pesquisas na área</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>71UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>da medicina sobre o tema, a vertente de uma educação inclusiva começa a surgir. O ensino</p><p>obrigatório a todos favoreceu também o processo de inclusão dos alunos com deficiência.</p><p>A medicina foi sendo substituída pela pedagogia e psicologia nos estudos refe-</p><p>rentes às deficiências e, com isso, surgiram novos olhares e propostas de intervenção</p><p>na busca por autonomia e educação desses sujeitos no ambiente escolar e em classes</p><p>especiais de ensino. Com a escola nova, na década de 30, novos avanços quanto a testes</p><p>de inteligência também puderam ser aplicados às crianças, verificando suas inteligências</p><p>e suas deficiências.</p><p>Para Mantoan (2013), a institucionalização das escolas especiais ocorreu de forma</p><p>gradativa, a partir do século XX. Instituições filantrópicas e organizações sociais também</p><p>iniciaram campanhas pela democratização do ensino para todos. Com o atendimento em</p><p>classes especiais houve uma segregação dos alunos com deficiência, o que de fato não</p><p>resultava no processo de inclusão almejado.</p><p>A partir das Diretrizes Curriculares para Educação Especial (BRASIL, 2001), salien-</p><p>tou-se o processo de inclusão na escola regular, onde o papel das classes especiais era</p><p>de apoiar o aluno com deficiência, sendo que este deveria retornar para escola regular. A</p><p>educação inclusiva é um processo contínuo de interação entre alunos ditos “normais” e alu-</p><p>nos com deficiências, em que se aprende através da diversidade e do apoio especializado.</p><p>A escola deve estar atenta ao processo de interação entre os alunos, pois isso fará</p><p>a diferença no processo de ensino e aprendizado de todos, indiscriminadamente. O con-</p><p>ceito de inclusão ficou ligado por muito tempo ao conceito de normalização, espera-se que</p><p>o sujeito consiga organizar-se na vida social e escolar estimulando suas potencialidades.</p><p>A definição das pessoas com deficiência que precisam de adaptações curriculares e de</p><p>atendimento diferenciado de ensino especificam-se nas políticas educacionais vigentes.</p><p>A Constituição Brasileira de 1988, no Capítulo III, Da Educação, da Cultura e do</p><p>Desporto, Artigo 205, prescreve: “A educação é direito de todos e dever do Estado e da</p><p>família”. Em seu Artigo 208 prevê: “[...] o dever do Estado com a educação será efetivado</p><p>mediante a garantia de: atendimento educacional especializado aos portadores de deficiên-</p><p>cia, preferencialmente na rede regular de ensino”.</p><p>O debate acerca da inclusão do aluno com deficiência está vinculado ao tipo de</p><p>comprometimento deste e como os professores em meio a tanta heterogeneidade de alu-</p><p>nos, conseguirá atender as necessidades especiais do aluno com deficiência.</p><p>Considerando as deficiências previstas no Decreto Federal nº 5.296, 02/12/2004</p><p>(Decreto de Acessibilidade), temos exemplos de deficiências: física, auditiva, visual, mental</p><p>72</p><p>e deficiência múltipla. A LDB 9394/96 trata a educação especial como uma modalidade</p><p>de ensino com garantia de didáticas, currículos e métodos adequados para atender as</p><p>deficiências.</p><p>A questão da terminalidade específica aos alunos que não atingiram os níveis de</p><p>ensino desejados, o texto deixa aberto os critérios para que a escola defina. Isso pode ser</p><p>perigoso quando não há conhecimento adequado sobre o tema.</p><p>A inclusão não é a fragmentação de currículos, mas a adaptação de conteúdos,</p><p>estratégias e metodologias que consigam ressignificar conceitos para o aprendizado eficaz.</p><p>Tratar a educação especial a margem da educação regular acarreta prejuízos ao processo</p><p>de inclusão dos alunos, pois segregam o atendimento.</p><p>Para o atendimento ser especializado a formação do professor torna-se imprescin-</p><p>dível. O conhecimento sobre as deficiências e o manejo de atividades e recursos possíveis</p><p>para a educação dos alunos atendidos, compreendem o compromisso de inclusão das</p><p>pessoas excluídas ao longo do tempo. O professor da educação especial deve ter domínio</p><p>sobre conteúdos e o desenvolvimento das deficiências, sejam elas intelectuais, físicas ou</p><p>motoras. Assim como a prática pedagógica deve ser adequada, a interação professor/aluno</p><p>e a avaliação também serão dirigidas de forma diferenciada.</p><p>Segundo Skliar (2001), a escola inclusiva se constitui num espaço de consenso, de</p><p>tolerância para com os indivíduos considerados diferentes. A experiência no dia a dia, ao</p><p>lado dos colegas normais, seria vista como elemento de integração. Parece mais importan-</p><p>te a convivência com os colegas normais do que a aquisição de conhecimento necessário</p><p>para sua inserção social. Assim, é oferecido o mesmo espaço escolar, a mesma escola</p><p>para todas as crianças, como se isso fosse suficiente ou o mesmo que oferecer igualdade</p><p>de condições de acesso aos saberes.</p><p>A evolução do aluno com deficiência é gradativa e não deve limitar-se a compara-</p><p>ções com outros alunos, afinal cada um tem seu ritmo e tempo de aprendizado. A relação</p><p>professor/aluno torna-se fundamental no aprendizado em que emoção e cognição estão</p><p>intimamente ligadas, pois a cada avanço do aluno com deficiência o trabalho do professor</p><p>é ressignificado.</p><p>Cabe, então, a formação constante desse profissional para que possa atuar com</p><p>clareza e convicção nas suas ações. As universidades e demais instituições de ensino</p><p>estão aprimorando as práticas pedagógicas vinculadas à educação especial, através de</p><p>formações, especializações e aperfeiçoamentos dados aos profissionais desta área. O</p><p>trabalho multidisciplinar entre diferentes profissionais, como pedagogos, psicólogos, psi-</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>73</p><p>quiatras, médicos, fonoaudiólogos, entre outros, facilitam o planejamento de ensino para</p><p>cada aluno, obtendo resultados grandiosos em termos de aprendizado deste.</p><p>Outro ponto fundamental está no apoio familiar. A presença da família na esco-</p><p>la, bem como as orientações emitidas a ela, é enriquecedora do processo de autonomia</p><p>e emancipação do aluno com deficiência, pois cria-se um elo de apoio fortalecedor de</p><p>relações e convicções acerca do aprendizado e desenvolvimento deste. Tornar a escola</p><p>acessível à família do aluno e disponibilizar materiais para que o ensino seja reforçado</p><p>também no ambiente familiar possibilita a integração entre ambos, criando um ambiente de</p><p>pertencimento.</p><p>A acessibilidade na visão social, como a própria palavra nos diz, corresponde tornar</p><p>algo acessível a alguém, como a educação e a sociedade. O aluno com deficiência faz</p><p>parte da sociedade e precisa inserir-se no mercado de trabalho, como qualquer cidadão</p><p>que luta pela sua independência financeira. Incentivar ações de acesso ao mercado de</p><p>trabalho pode ser mola propulsora para o desenvolvimento acadêmico do aluno.</p><p>Um bom exemplo disso é a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, lei de contratação</p><p>de Deficientes nas Empresas, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência e</p><p>dá outras providências a contratação de portadores de necessidades especiais.</p><p>Art. 93 - a empresa com 100 ou mais funcionários está obrigada a preencher</p><p>de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados, ou</p><p>pessoas portadoras de deficiência, na seguinte proporção: até 200 funcioná-</p><p>rios 2%, de 201 a 500 funcionários 3%, de 501 a 1000 funcionários 4% e de</p><p>1001 em diante funcionários 5% (BRASIL, 1991, s.p.).</p><p>Em dimensões de porcentagem, quanto a inclusão de pessoas com deficiência no</p><p>ambiente de trabalho ainda é uma margem pequena. A seleção e condução do trabalho</p><p>com esses funcionários também precisa ser diferenciada, por isso a necessidade de toda</p><p>sociedade estar preparada para integrar as pessoas de forma igualitária e democrática.</p><p>A Lei nº 10.098 de 19/12/2000, de Acessibilidade, colabora para inserção de pes-</p><p>soas no mercado de trabalho, mas ainda muitas vagas exigem qualificações o que dificulta</p><p>o ingresso do deficiente. A formação acadêmica e profissional deve fazer parte do contexto</p><p>da educação especial, pois uma efetiva inclusão se dá através de oportunidades de acesso</p><p>ao ensino. No Brasil, somente 0,9% de Pessoas com Deficiência (PCDs) estão empregadas</p><p>com carteira assinada. Isso representa muito pouco, sendo que cerca de 24% da população</p><p>possui deficiência, conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-</p><p>tica (IBGE) (2018). As pessoas com deficiência precisam de oportunidades, mas também</p><p>precisam de qualificação para trabalhar, o que por vezes dificulta a empregabilidade.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>74</p><p>As expectativas das pessoas com deficiência são iguais as das pessoas ditas “nor-</p><p>mais”, o que muda são as práticas de inserção no mercado de trabalho. Alguns limitadores,</p><p>como distância de casa e falta de acessibilidade para ir até o trabalho, são consideradas</p><p>barreiras para que mais pessoas possam ingressar no mercado de trabalho. Várias empre-</p><p>sas e ações governamentais para aprimoramento na infraestrutura e logística estão sendo</p><p>realizadas em alguns estados brasileiros para que essa realidade possa ser eliminada.</p><p>A cooperação é outro fator determinante na condução do trabalho com pessoas</p><p>deficientes, assim como treinamento e aperfeiçoamento constante realizado também aos</p><p>demais funcionários.</p><p>Dessa maneira, a escola e demais instituições educacionais precisam estar atentas</p><p>a formação do aluno deficiente. Conhecimentos significativos e úteis para o desempenho</p><p>de funções e profissões almejadas por esses alunos são fundamentais para que possam</p><p>estar qualificados para o emprego. O mapeamento de funções e habilidades específicas</p><p>para cada cargo devem ser realizadas pela empresa contratante, enquadrando o perfil do</p><p>funcionário ao cargo requerido.</p><p>Lidar com a inclusão no ambiente empresarial requer um processo de sensibili-</p><p>zação e desmistificação de preconceitos com gestores e funcionários, além de algumas</p><p>adaptações de acordo com a deficiência do funcionário. Esse é o novo cenário para uma</p><p>educação especial na contemporaneidade. Perceber que as deficiências fazem parte da</p><p>diversidade dos sujeitos, parte constituinte e da sociedade e como tal precisam ser consi-</p><p>deradas. O princípio da normalização instituído na sociedade, como se todas as pessoas</p><p>fossem homogêneas nas formas de aprender, conviver e se relacionar, não faz mais parte</p><p>do cenário atual.</p><p>É preciso delinear novos caminhos para a educação especial vinculada ao ensino</p><p>regular, compreendendo os aspectos relevantes no ensino aos deficientes e na sua inclusão</p><p>efetiva. Uma inclusão que não se limita aos muros escolares, mas que ultrapassa barreiras</p><p>históricas e sociais que limitavam o desenvolvimento desses sujeitos.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>75</p><p>2 APRENDENDO UM DESEMPENHO UNIVERSAL</p><p>Segundo o Manual de Transtornos Psiquiátricos (DSM-V) (2019), sobre os crité-</p><p>rios para a Deficiência Intelectual, além da avaliação cognitiva, é fundamental avaliar a</p><p>capacidade funcional adaptativa e de vida diária a qual implica na reação das atitudes do</p><p>indivíduo frente às novas e mais complexas tarefas e suas desenvolturas nas atividades de</p><p>socializados e autonomia diária. Por sua vez, a deficiência física define-se pela ausência ou</p><p>dificuldade de realizar uma habilidade motora, entre as diversas deficiências desta catego-</p><p>ria, existente a paralisia cerebral, a que atinge o maior número de indivíduos.</p><p>Por fim, encerramos esse tema falando da deficiência auditiva, caracterizada pela</p><p>ausência da compreensão sonora atrelada à dificuldade de comunicação oral. Uma das</p><p>peculiaridades dadas a estes deficientes é que eles se subdividem entre deficientes au-</p><p>ditivos e surdos, sendo os surdos marcados pelo uso da língua de sinais como meio de</p><p>comunicação.</p><p>Em pleno século XXI, são muitos os desafios de uma educação para todos, confor-</p><p>me é previsto na política nacional de educação inclusiva. Uma escola inclusiva pressupõe</p><p>o conhecimento de cada aluno, respeita as diferenças, assim como os limites individuais e</p><p>responde com uma intervenção pedagógica de qualidade.</p><p>Para que, de fato, uma escola se torne inclusiva, é necessário conhecer todos</p><p>os fatores que possam afetar o cenário educacional, tanto no que se refere à atuação</p><p>docente, quanto ao aprendizado discente, e só assim será possível uma intervenção que</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>76</p><p>atenda a diversidade, como é apresentada em documentos como a Declaração Universal</p><p>dos Direitos Humanos das pessoas com Deficiências, de 1948, e Declaração Universal dos</p><p>Direitos Humanos, de 1999 .</p><p>Verificamos que, para se chegar às atuais constatações a respeito dos portadores de</p><p>necessidades especiais, foi preciso passar por períodos históricos diferentes, que possuíam</p><p>diversos olhares sociais em relação ao deficiente. Por muito tempo o deficiente foi aban-</p><p>donado e rotulado. Atualmente, ele é reconhecido como um ser humano, que necessita de</p><p>cuidados e que, apesar das suas limitações, possui inúmeras potencialidades que precisam</p><p>apenas de estímulos para que se desenvolvam. Ao passo que essas potencialidades são</p><p>reconhecidas, percebemos o quão é importante o papel do educador, quantos benefícios</p><p>ele pode trazer a essas pessoas, e só é preciso conhecer um pouco mais a respeito das</p><p>deficiências e saber a forma adequada de se trabalhar.</p><p>2.1 Quais as Diferenças entre Doenças, Deficiências, Síndromes e Transtornos?</p><p>A questão das Necessidades Educacionais Especiais (NEE) ao longo da história</p><p>teve diferentes encaminhamentos. Costa (1995, p. 13) ressalta que:</p><p>Durante muito tempo, até um passado relativamente recente, a deficiência</p><p>mental foi considerada como um estado no qual as faculdades intelectuais</p><p>não se desenvolviam suficientemente, tornando a pessoa incapaz de adquirir</p><p>os conhecimentos necessários a uma vida normal [...] O olhar era voltado</p><p>para a deficiência e não sobre os graus de eficiência possíveis.</p><p>Segundo Amiralian (1986, p. 48), esse olhar diferenciado para com quem possuía</p><p>alguma deficiência está inteiramente associado com “os valores sociais, morais, filosóficos,</p><p>éticos e religiosos, isto é, relacionados ao modo pelo qual o homem é visto e considerado</p><p>nas diferentes culturas”. Desse modo, faz-se necessário realizar uma retomada histórica</p><p>para verificar como os deficientes eram vistos nos períodos da História da Humanidade.</p><p>Para ser inclusiva, a escola necessariamente tem que ser eficaz e competente na</p><p>sua tarefa de ensinar. Acreditamos que isso é possível por meio de uma prática mediadora,</p><p>que possibilite a apropriação da linguagem, dos signos e significados linguísticos, assim</p><p>como de informações contidas nos objetos e situações do meio no qual se vive.</p><p>Conforme estudos iniciais, o transtorno era resultado de uma “dinâmica familiar</p><p>problemática e de condições</p><p>com o surgimento de serviços profissionais especializados em reabilitar e</p><p>atender terapeuticamente esse público. Inicialmente a acessibilidade destinava-se somente</p><p>às questões de “mobilidade e eliminação das barreiras arquitetônicas e urbanísticas, numa</p><p>clara alusão às condições de acesso a edifícios e meios de transporte” (ARAÚJO, 2009, p.</p><p>79).</p><p>Contudo, muito além de quebrar barreiras físicas, a acessibilidade proporciona a</p><p>capacidade de a pessoa com deficiência ser cidadã ativa e atuar na sociedade em geral.</p><p>Assim, cada pessoa passa a ter equiparidade, ou seja, passa a ter as mesmas condições e</p><p>oportunidades que todos, conforme apresenta Araújo (2009).</p><p>O direito à acessibilidade fundamenta-se nos direitos humanos e de cidadania,</p><p>sendo regulamentado, no Brasil, pela Norma Brasileira 9.050 da Associação Brasileira de</p><p>9UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>Normas Técnicas (ABNT, 2004). A Associação define-se como um direito universal, defi-</p><p>nindo o modo constitucional de igualdade, representando uma concretização dos objetivos</p><p>determinados por Constituições, Declarações e Conferências de vários estados, desde a</p><p>Constituição de 1988.</p><p>Conforme Canotilho (2000, p. 45), “a igualdade não deve ser compreendida em um</p><p>sentido de igualdade formal, mas como uma isonomia de oportunidades sociais, acesso a</p><p>trabalho, educação e lazer”. Esse conceito de igualdade veio com os avanços da política</p><p>da inclusão social, bem como movimentos em prol da inserção e aceitação dos deficientes.</p><p>Pensar sobre aquele que apresenta limitações não consiste em uma prática social antiga.</p><p>Carvalho (2005), destaca que até a década de 90 as pessoas com deficiência eram</p><p>consideradas incapazes de atuar socialmente e sofriam com a segregação. Essa mudança</p><p>implica justamente a inclusão escolar, que, a partir daí, começou a se alavancar, afinal,</p><p>educação inclusiva é isso, mudanças significativas na estrutura e no funcionamento das</p><p>escolas, na formação humana dos professores e nas relações família-escola.</p><p>Para alcançar esse propósito da inclusão escolar, desde a educação infantil à</p><p>educação superior, a partir de 2003 foram implantadas estratégias para transformar “os</p><p>sistemas educacionais em sistemas educacionais inclusivos” (CARVALHO, 2005, p. 56).</p><p>Essas estratégias, como, por exemplo, políticas públicas e programas, são desenvolvidas</p><p>para atender as necessidades de aprendizagem de todas as crianças, disponibilizando</p><p>recursos à educação, de forma que a inclusão possa, de fato, acontecer.</p><p>10UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>2 CONTEXTUALIZAÇÃO DA ACESSIBILIDADE</p><p>A criança com necessidades especiais, como qualquer outra criança, tem o direito</p><p>de cursar uma escola e ter expectativas em relação ao seu futuro. Mantoan (2003) destaca</p><p>que, infelizmente, ainda existe um preconceito exagerado por parte da sociedade, e o mais</p><p>grave: por parte daqueles que deveriam lutar e dar exemplos dentro de uma sociedade,</p><p>que são os educadores. Isto ocorre em todo o segmento educacional brasileiro. Mas ainda</p><p>existem pessoas e profissionais que trabalham para minimizar essa vergonha que é o pre-</p><p>conceito por parte dos educadores.</p><p>Para Mantoan (2003), a inclusão faz parte de um grande movimento pela melhoria</p><p>do ensino, e o primeiro passo para que isso, de fato, aconteça é olhando a educação com</p><p>outros olhos. É preciso entender que a inclusão não é apenas para crianças deficientes,</p><p>mas para todos os excluídos ou discriminados, o que inclui todas as minorias.</p><p>Quando se pensa em que tipo de benefícios a inclusão pode gerar, surge sempre</p><p>aquele pensamento de que as pessoas com deficiência têm mais chances de se desen-</p><p>volver, mas, na verdade, todos ganham com a inclusão, pois aprendemos todos os dias a</p><p>exercitar a tolerância e o respeito ao próximo, seja ele quem for.</p><p>Carvalho (2005) destaca que existem muitos motivos para que uma criança com</p><p>Necessidades Especiais tenha uma oportunidade de frequentar uma escola de ensino</p><p>regular. Além disso, a inclusão traz benefícios tanto acadêmicos quanto sociais. A inclusão</p><p>11UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>bem-sucedida não acontece automaticamente, a atitude da escola como um todo é um fator</p><p>significativo nesse processo.</p><p>Uma das maiores barreiras para inclusão ainda é o preconceito, “geralmente o</p><p>preconceito é gerado por falta de informação, e até mesmo por insegurança por parte das</p><p>pessoas, o ser humano tende a temer aquilo que não conhece” (MANTOAN, 2003, p. 56).</p><p>É por esse motivo que a inclusão de crianças com deficiência nas escolas de ensino regular</p><p>é tão importante, pois essas pessoas serão introduzidas da maneira mais natural possível</p><p>na vida das crianças tidas como “normais”, assim criará um pensamento mais consciente.</p><p>Embora a ideia de ter uma sociedade mais consciente e com direitos iguais para</p><p>todos pareça uma utopia, estamos caminhando devagar, mas, aos poucos, os objetivos</p><p>vão sendo alcançando os objetivos. Carvalho (2005) fala que estamos passando por um</p><p>processo de conscientização e isso leva tempo. Mudar a ordem natural das coisas exige</p><p>comprometimento e esse comprometimento deve ser de toda a sociedade, a fim de que</p><p>todos se beneficiem por igual.</p><p>Nesse sentido, ressalto que é necessário repensar o espaço escolar. É necessário</p><p>haver conscientização de que para uma educação inclusiva não é o aluno que tenta se</p><p>adaptar à escola, mas a escola que tem essa função de se moldar para receber e manter os</p><p>alunos na escola, atendendo as necessidades de cada um, quer tenha deficiência ou não.</p><p>Quando as escolas respondem às diferenças individuais dos seus alunos, se ade-</p><p>quando e proporcionando atendimento especializado através de profissionais capacitados,</p><p>pode-se afirmar que a inclusão já está acontecendo. A fim de compreender melhor esse</p><p>conceito de acessibilidade, propomos o mapa conceitual a seguir:</p><p>12UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>FIGURA 1 - MAPA CONCEITUAL SOBRE ACESSIBILIDADE</p><p>Fonte: a autora.</p><p>Conforme a Constituição Brasileira, publicada em 1988, garante-se direitos sociais</p><p>à educação, moradia e cultura a todas as pessoas, inclusive àquelas com deficiência. Foi</p><p>somente em 24 de julho de 1991 que ocorreu a implantação da Lei de Cotas, que prevê co-</p><p>tas para pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Esta lei destina que as empresas</p><p>e comércios, que possuam entre 100 e 200 funcionários, reservem 2% de vagas a pessoas</p><p>com deficiência física, visual, auditiva, intelectual ou neuromotora.</p><p>Somente em 19 de dezembro de 2000 tivemos a implantação de uma lei totalmente</p><p>voltada à acessibilidade: a Lei 10.098, que estabelece “normas gerais e critérios básicos para</p><p>a promoção das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida” (BRASIL,</p><p>2000, s.p.). Passados quatro anos, temos um complemento que consiste no Decreto 5.296,</p><p>que reforça o conceito de acessibilidade, dando maior legitimidade à Lei 10.098 de 2000.</p><p>Conforme o Decreto 5.296 de 2004 reforça, a acessibilidade prevê a legislação</p><p>brasileira como um recurso que promove condição para utilização, com segurança e auto-</p><p>nomia, de maneira total ou assistida, dos “espaços, mobiliários e equipamentos urbanos,</p><p>das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comu-</p><p>13UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>nicação e informação, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida” (BRASIL,</p><p>2004, s.p.).</p><p>Dessa forma, podemos definir acessibilidade sobre dez dimensões: atitudinal,</p><p>arquitetônica, comunicacional, instrumental, metodológica, programática, instrumental,</p><p>comunicacional, de transporte e digitais. Trataremos mais a fundo sobre essas dimensões</p><p>no tópico quatro desta unidade.</p><p>Assim, terminamos o estudo do nosso tópico temático sobre os conceitos de aces-</p><p>sibilidade. Nosso próximo tópico destina-se a explicar e descrever os aspectos legais desse</p><p>conceito.</p><p>14UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>3 LEGISLAÇÃO</p><p>de ordem psicológica alteradas” (STAINBACK; STAINBACK,</p><p>2014, p. 65). Essa hipótese foi descartada. “A tendência atual é admitir a existência de</p><p>múltiplas causas para o autismo, entre elas, fatores genéticos, biológicos e ambientais.</p><p>No entanto, saber como o cérebro dessas pessoas funciona ainda é um mistério para a</p><p>ciência” (STAINBACK; STAINBACK, 2014, p. 68).</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>77</p><p>Assim, como não há uma certeza da causa do transtorno, não se conhece a sua</p><p>cura definitiva, como também não há um padrão de tratamento que possa ser aplicado</p><p>em todos os portadores do distúrbio. Cada paciente exige um tipo de acompanhamento</p><p>específico e individualizado que exige a participação dos pais, dos familiares e de uma</p><p>equipe profissional multidisciplinar visando à reabilitação global do paciente. “O uso de</p><p>medicamentos só é indicado quando surgem complicações e comorbidades” (STAINBACK;</p><p>STAINBACK, 2014, p. 68).</p><p>Geralmente, o diagnóstico de autismo traz sempre insegurança e sofrimento para</p><p>a família. “Por isso, as pessoas envolvidas, pais, irmãos, parentes, precisam conhecer as</p><p>características do espectro e aprender técnicas que facilitam a autossuficiência e a comu-</p><p>nicação da criança e o relacionamento entre todos que com ela convivem” (STAINBACK;</p><p>STAINBACK, 2014, p. 68). A intervenção precoce, intensiva e adequada facilitará, e muito,</p><p>o desenvolvimento da criança com o transtorno.</p><p>Na modalidade de educação especial inclusiva o professor ou o terapeuta precisa</p><p>entender bem o conceito de síndrome e transtornos. Pois bem: a síndrome é um conjunto de</p><p>sintomas que se desenvolvem durante o período pré-natal, ou seja, ocorreu uma alteração</p><p>genética no desenvolvimento do feto que está associado ao estado clínico associado com</p><p>um ou mais problemas de saúde. Os sintomas que compõem uma síndrome podem variar</p><p>de acordo com o quadro de desenvolvimento, podendo ser desde uma alteração discreta</p><p>na capacidade intelectual, até comprometimentos neurológicos, motores e intelectuais.</p><p>Segundo Stainback e Stainback (2014), com relação aos transtornos, pode-se de-</p><p>finir em termos genéricos, como um estado alterado da saúde normal e nem sempre está</p><p>vinculado à uma doença. Geralmente um transtorno está associado ao âmbito da saúde</p><p>mental, pois é nessa área que ele ocorre com mais incidência. Um transtorno mental pode</p><p>ser entendido como uma má adaptação que afeta os processos mentais.</p><p>Para Stainback e Stainback (2014), muitas vezes o termo distúrbio é utilizado como</p><p>uma forma de se referir a doenças cujas causas ainda não foram esclarecidas. No caso</p><p>dos transtornos mentais isso acontece muito, pois, na maioria das vezes, é difícil dizer se</p><p>o desequilíbrio químico causado por determinado transtorno é o que causa os sintomas ou</p><p>se são frutos da interação dinâmica entre a pessoa e o seu ambiente.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>78</p><p>3 COMPREENDER A INCAPACIDADE E A FUNCIONALIDADE</p><p>Você já parou para pensar sobre o que é ser diferente? A definição de diferença é</p><p>apresentada por meio de uma heterogeneidade de marcadores definidos pela sociedade,</p><p>tais como gênero, classe social, características físicas, intelectuais, culturais e suas respec-</p><p>tivas conotações.</p><p>A diferença pode estabelecer um estigma negativo, gerando exclusão ou margina-</p><p>lização das pessoas que são definidas como “os outros” ou “os diferentes”. Mas será que</p><p>as deficiências nos fazem diferentes? Você é uma daquelas pessoas que acredita que o</p><p>sujeito com deficiência é aquela pessoa incapacitada em realizar atividades, principalmente</p><p>atividades que exigem o intelecto.</p><p>Apresentaremos, durante esse tema, a definição conceitual de algumas deficiên-</p><p>cias, pois pessoas com deficiência constituem o público heterogêneo que marca a diversi-</p><p>dade, que pode ser vista como enriquecedora ou não, especialmente em uma sociedade</p><p>carregada de práticas exclusivas por séculos.</p><p>Por sua vez, é inevitável falar sobre “inclusão” sem remeter ao papel de uma escola</p><p>para todos. Ao revisitarmos o passado, poderemos perceber que a escola se caracterizou</p><p>como um espaço de privilégio de um grupo, excluindo indivíduos considerados fora dos</p><p>padrões de normatização estipulados.</p><p>Definir deficiência ainda gera controvérsias. A princípio, trata-se de uma definição</p><p>muito abrangente e complexa, devido à diversidade de conceitos presentes na literatura.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>79</p><p>Uma definição que tem perdurado consiste no conceito da deficiência atrelada à avaliação</p><p>do nível de inteligência do sujeito, conhecido como Quociente de Inteligência (QI). Trata-se</p><p>de um parâmetro para diagnosticar os déficits intelectuais e atrasos cognitivos, definindo,</p><p>assim, a deficiência como leve, moderada e profunda. A deficiência intelectual:</p><p>[...] se refere a limitações substanciais no funcionamento atual dos indivíduos,</p><p>sendo caracterizado por um funcionamento intelectual significativamente abai-</p><p>xo da média, existindo concomitante com relativa limitação associada a duas</p><p>ou mais áreas de condutas adaptativas, indicadas a seguir: comunicação,</p><p>autocuidado, vida no lar, habilidades sociais, desempenho na comunidade,</p><p>independência na locomoção, saúde e segurança, habilidades acadêmicas e</p><p>funcionais, lazer e trabalho (LUCKASSON et al., 1992, p. 39).</p><p>Sabe-se que as causas para a deficiência intelectual podem ocorrer durante três</p><p>etapas do desenvolvimento humano. O período do pré-natal pode apresentar fatores que</p><p>incidem, desde o momento da concepção do bebê até o início do trabalho de parto. Esses</p><p>fatores se caracterizam pelas alterações cromossômicas resultantes de erros inatos do</p><p>metabolismo. Outro fator que pode ocorrer no período pré-natal são situações materno/</p><p>fetal, ou seja, ações realizadas pela mãe que podem afetar o indivíduo.</p><p>Já a fase perinatal corresponde aos primeiros 30 dias de vida do bebê. Aspectos</p><p>que podem causar uma deficiência intelectual nesse período são a hipóxia ou anóxia (que</p><p>consiste na oxigenação cerebral insuficiente), no nascimento precoce ou prematuridade,</p><p>baixo peso referente à Idade Gestacional (PIG), bem como icterícia grave do recém-nascido.</p><p>Por fim, temos o período pós-natal, que vai até o final da adolescência. Desnutrição,</p><p>traumas e alterações metabólicas são fatores que podem provocar ou desenvolver uma</p><p>deficiência intelectual neste período de desenvolvimento do sujeito. Com o surgimento da</p><p>modalidade de Educação Inclusiva, o aluno com deficiência intelectual está inserido direta</p><p>ou indiretamente em todas as etapas educacionais, o que proporciona a socialização dos</p><p>conhecimentos adquiridos.</p><p>Atualmente temos a oportunidade de perceber a deficiência, um conceito formado</p><p>socialmente, atribuído a pessoas que apresentam qualidades que as tornam inaptas a de-</p><p>terminadas funções pré-estabelecidas pelo meio em que vivem. Teóricos, como Stainback</p><p>e Stainback (2014) e Mantoan (2013), afirmam que a deficiência pode ser culturalmente</p><p>estabelecida por meio das expectativas sociais pré-estabelecidas como normas, preconcei-</p><p>tos e valores evidentes na interação entre os sujeitos ditos normais e os deficientes.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>80</p><p>SAIBA MAIS</p><p>O termo comorbidade consiste na existência de duas ou mais doenças em simultâneo</p><p>na mesma pessoa. Uma das características da comorbidade é que existe a possibilidade</p><p>de as patologias se potencializam mutuamente, ou seja, uma provoca o agravamento da</p><p>outra e vice-versa. A comorbidade pode dificultar o diagnóstico preciso, tendo em vista</p><p>que o médico precisa avaliar muito bem para saber qual a deficiência base apresentada</p><p>pelo sujeito e quais as deficiências posteriores.</p><p>Exemplo: o autismo</p><p>é um dos transtornos mais estudados atualmente. Sabe-se que o</p><p>TEA apresenta em seu quadro comorbidades neurológicas. De acordo com pesquisas,</p><p>cerca de dois terços de pacientes diagnosticados com autismo apresentam transtornos</p><p>associados, como Transtorno de déficit de atenção, Transtorno Bipolar, Transtorno de-</p><p>safiador opositor entre outros.</p><p>Fonte: Brites (2020).</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>81</p><p>REFLITA</p><p>A idade antiga foi marcada por negligência e falta de atendimento aos deficientes, sendo</p><p>eles abandonados, isolados, exterminados e até associados à imagem demoníacas.</p><p>Na antiguidade clássica as pessoas com deficiência foram consideradas pos-</p><p>sessas de demônios e de maus espíritos. [...]. Os modelos econômicos, sociais</p><p>e culturais impuseram às pessoas com deficiência uma inadaptação geradora</p><p>de ignorância, preconceitos e tabus que, ao longo dos séculos e séculos, ali-</p><p>mentaram os mitos populares da ‘perigosidade’ das pessoas com deficiência</p><p>mental e do seu caráter demoníaco, determinando atitudes de rejeição, medo e</p><p>vergonha (NASCIMENTO; SILVEIRA. 2013, p. 17).</p><p>As pessoas com deficiência física e mental, em algumas sociedades, como Roma antiga</p><p>e Grécia, eram consideradas desumanas, um ser sem alma, que precisava ser santifi-</p><p>cada quando elas não eram mortas. Acreditava-se que a deficiência era um castigo de</p><p>Deus e, assim, elas eram sacrificadas ou escondidas na sociedade.</p><p>O olhar para essas pessoas começou a mudar após o cristianismo, quando a sociedade</p><p>começa a vê-los como um ser que possui alma, e eliminá-las ou abandoná-las seria um</p><p>atentado contra Deus. Como a igreja pregava amor ao próximo, caridade e humildade,</p><p>são criados os hospitais e instituição para atender as pessoas com deficiência, com um</p><p>olhar de caridade.</p><p>Convido você a refletir sobre o caminho das pessoas com deficiência ao longo da his-</p><p>tória. Atualmente as pessoas com deficiência ainda lidam com situações de exclusão?</p><p>Fonte: a autora.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>82</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Percebemos, por meio desse estudo, a luta pela inclusão das pessoas com neces-</p><p>sidades especiais na história da educação inclusiva. Observamos dois tipos de tratamento,</p><p>às pessoas com necessidades especiais na época da exclusão e segregação, ou essas</p><p>pessoas eram exterminadas e rejeitadas ou eram vistas com um olhar de piedade e as-</p><p>sistencialismo. Após passar pelo período em que os deficientes eram vistos como “castigo</p><p>de Deus”, por isso elas eram mortas, veio o cristianismo, que mudou o olhar para essas</p><p>pessoas.</p><p>A igreja pregava o amor ao próximo e a caridade, isso contribuiu para a criação de</p><p>hospitais que acolhiam essas pessoas. A partir do século XV fortaleceram-se as ideias que</p><p>essas pessoas com deficiência deveriam ter um atendimento próprio, sendo assim, foram</p><p>criados locais específicos para atendimento dessas pessoas. Mas, a partir do século XX, as</p><p>pessoas com deficiência começam a ter uma assistência e atendimento muito maior, com</p><p>desenvolvimento de especialidades e programas de reabilitação, passaram também a ser</p><p>objetos de debates e ações públicas no mundo, apesar de ser em ritmos diferentes de um</p><p>país para o outro.</p><p>Na história da sociedade sempre existiram pessoas com deficiência, seja física ou</p><p>intelectual, mas durante muitos séculos essas pessoas foram ignoradas, por sentimentos</p><p>de preconceitos em todo tipo de sociedade e cultura. Mesmo com tudo isso, elas sobrevi-</p><p>veram, lutaram por um espaço na sociedade e, através dos movimentos sociais, das leis e</p><p>convenções, chegamos ao período da inclusão.</p><p>Observa-se que a discussões sobre educação inclusiva vem sendo feita há muitos</p><p>anos, mas a prática da inclusão nas escolas regulares de pessoas com necessidades espe-</p><p>ciais é recente e vem gerando dúvidas e medos. Temos poucos profissionais para atender</p><p>as pessoas com necessidades educacionais especiais e escolas ainda sem preparo e</p><p>estrutura para receber esses alunos.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>83</p><p>Portanto é necessário que analisemos a capacitação dos profissionais e o ensino</p><p>que a educação inclusiva vem oferecendo aos deficientes no século XXI, quais os cami-</p><p>nhos que estamos obtendo para incluir o deficiente em uma sociedade e em um sistema</p><p>educacional apropriado para eles.</p><p>Temos o desafio de trabalhar por uma escola inclusiva, em que teremos um ensino</p><p>de qualidade, com responsabilidade e respeito. Devemos assumir um compromisso de</p><p>mudança, acreditando que uma transformação na sociedade e no ensino é possível para a</p><p>inclusão de pessoas com necessidades especiais no meio delas.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>84</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>RELATÓRIO MUNDIAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA</p><p>Deficiência: incapacidades ou funcionalidade</p><p>A deficiência faz parte da condição humana. Quase todas as pessoas terão uma</p><p>deficiência temporária ou permanente em algum momento de suas vidas, e aqueles que</p><p>sobreviverem ao envelhecimento enfrentarão dificuldades cada vez maiores com a funcio-</p><p>nalidade de seus corpos. A maioria das grandes famílias possui um familiar deficiente, e</p><p>muitas pessoas não deficientes assumem a responsabilidade de prover suporte e cuidar de</p><p>parentes e amigos com deficiências (1–3). Todos períodos históricos enfrentaram a questão</p><p>moral e política de como melhor incluir e apoiar as pessoas com deficiência. Essa questão</p><p>se tornará mais premente conforme a demografia das sociedades muda, e cada vez mais</p><p>pessoas alcançam a idade avançada (4). As respostas à deficiência têm mudado desde</p><p>os anos 1970, estimuladas em grande parte pela organização das pessoas que possuem</p><p>alguma deficiência (5, 6), e pela crescente tendência de se encarar a deficiência como</p><p>uma questão de direitos humanos (7). Historicamente, as pessoas com deficiência têm em</p><p>sua maioria sido atendidas através de soluções segregacionistas, tais como instituições de</p><p>abrigo e escolas especiais (8). Agora, as políticas mudaram em prol das comunidades e da</p><p>inclusão educacional, e as soluções focadas na medicina deram lugar a abordagens mais</p><p>interativas que reconhecem que as pessoas se tornam incapacitadas devido a fatores am-</p><p>bientais e também por causa de seus corpos. Iniciativas nacionais e internacionais tais como</p><p>as Regras Padrões sobre Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência,</p><p>das Nações Unidas (9), têm incorporado os direitos humanos das pessoas com deficiência,</p><p>culminando em 2006 com a adoção da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos</p><p>das Pessoas com Deficiência (CDPD). Esse relatório mundial sobre a deficiência fornece</p><p>evidências para facilitar a implementação da CDPD. Documenta as circunstâncias das pes-</p><p>soas com deficiência no mundo todo e explora as medidas para promover sua participação</p><p>social, abrangendo de saúde e reabilitação à educação e emprego. Este primeiro capítulo</p><p>fornece uma orientação geral sobre a deficiência, introduzindo conceitos chave– tais como</p><p>a abordagem de direitos humanos com relação à deficiência, o cruzamento entre deficiên-</p><p>cia e desenvolvimento, e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e</p><p>Saúde (CIF) – e explora as barreiras que afetam as pessoas com deficiência [...]</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>85</p><p>Deficiência – uma visão global</p><p>Evidências sólidas ajudam a tomar decisões bem informadas sobre programas e</p><p>políticas públicas para pessoas com deficiência. Compreender o número de pessoas com</p><p>deficiências e suas circunstâncias pode melhorar os esforços para remover as barreiras</p><p>incapacitantes e prover serviços para permitir que as pessoas com deficiência participem</p><p>mais. Coletar</p><p>os dados estatísticos e de pesquisas corretos a nível nacional e internacional</p><p>ajudará as partes da Convenção das Nações Unidas sobre Direitos das Pessoas com Defi-</p><p>ciência (CDPD) a formularem e implementarem políticas públicas para realizar os objetivos</p><p>de desenvolvimento acordados a nível internacional (1).</p><p>Este capítulo oferece um quadro da deficiência sobre o qual serão construídos os</p><p>capítulos seguintes. O presente capítulo apresenta estimativas da prevalência de deficiên-</p><p>cia, fatores que afetam as tendências relativas às deficiências (demografia, saúde, meio</p><p>ambiente), as circunstâncias socioeconômicas de pessoas com deficiência, suas carências</p><p>e necessidades não atendidas e os custos da deficiência.</p><p>Ele propõe os passos para melhorar os dados a nível nacional e internacional.</p><p>As evidências se baseiam em conjuntos de dados nacionais (tais como censo, pesquisas</p><p>populacionais e registros de dados administrativos), e internacionais, e um grande número</p><p>de estudos recentes. Cada fonte tem sua finalidade, pontos fortes, e pontos fracos. Os</p><p>dados encontrados aqui estão, em graus variados, em conformidade com a definição de</p><p>deficiência delineada no Capítulo 1. Dados e explicações metodológicas adicionais estão</p><p>nos apêndices</p><p>Técnicos (A, B, C, e D). Medindo a deficiência</p><p>A deficiência, uma complexa experiência multidimensional (veja o Capítulo 1), impõe</p><p>inúmeros desafios de mensuração. As abordagens para mensurar a deficiência variam entre</p><p>os diferentes países e influenciam os resultados. As medidas operacionais de deficiência</p><p>variam de acordo com o objetivo e a aplicação dos dados, a concepção de deficiência, os</p><p>aspectos da deficiência que se examina – deficiências, limitações para realizar certas ativi-</p><p>dades, restrições para participar de atividades, problemas de saúde relacionados, fatores</p><p>ambientais – as definições, os tipos de questões levantadas, as fontes de informação, os</p><p>métodos de coleta de dados, e as expectativas de funcionamento.</p><p>Os dados sobre deficiência não são um substituto adequado para as informações</p><p>sobre deficiência. Amplos “agrupamentos” de diferentes “tipos de deficiência” se tornaram</p><p>parte da linguagem sobre a deficiência, com algumas pesquisas procurando determinar</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>86</p><p>a prevalência dos diferentes “tipos de deficiência” direta ou indiretamente baseada em</p><p>avaliações e classificações. Geralmente, os “tipos de deficiência” são definidos utilizando-</p><p>-se apenas um aspecto da deficiência, como as alterações – sensoriais, físicas, mentais,</p><p>intelectuais – e outras vezes se confundem problemas de saúde com deficiência.</p><p>As pessoas com problemas crônicos de saúde, dificuldades de comunicação, e ou-</p><p>tras deficiências talvez não sejam incluídas naquelas estimativas, apesar de encontrarem</p><p>dificuldades na sua vida cotidiana.</p><p>Há um pressuposto implícito de que cada “tipo de deficiência” têm necessidades</p><p>específicas de saúde, educacionais, de reabilitação, sociais, e de apoio. Porém, respostas</p><p>diferentes podem ser necessárias – por exemplo, dois indivíduos com a mesma deficiência</p><p>podem ter experiências e necessidades muito diferentes.</p><p>Embora os países possam precisar de informações sobre as deficiências – por</p><p>exemplo, para ajudar a elaborar serviços específicos ou para detectar ou evitar discrimina-</p><p>ção – a utilidade de tais dados é limitada, porque as taxas de prevalência resultantes não</p><p>são indicativas de toda a extensão da deficiência.</p><p>Fone: Organização Mundial da Saúde (2012).</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>87</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>Título: DSM V – Manual de Diagnósticos Estatísticos de Transtor-</p><p>nos Mentais</p><p>Autores: Associação Americana de Psiquiatria</p><p>Editora: Artmed</p><p>Ano: 2019</p><p>Sinopse: O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos</p><p>Mentais 5ª edição ou DSM-5 consiste em um manual diagnóstico</p><p>estatístico para diagnóstico de transtornos mentais e neurocog-</p><p>nitivos. Este foi feito pela Associação Americana de Psiquiatria,</p><p>é utilizado por diversos profissionais, como psicólogos, médicos,</p><p>psicopedagogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais no</p><p>processo de avaliação diagnóstica.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>Título: O óleo de Lorenzo</p><p>Ano; 1992</p><p>Sinopse: O filme foi lançado nos Estados Unidos em 1992 e</p><p>concorreu ao Oscar de melhor Roteiro por George Miller, também</p><p>diretor do filme. O filme conta a história real de Lorenzo, que, aos</p><p>cinco anos de idade, apresenta uma doença rara e degenerativa.</p><p>Seu pai, Augusto, e sua mãe, Michaela, persistem estudando por</p><p>sua própria conta e mudando a história da medicina encontrando</p><p>a cura do filho.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>88</p><p>WEB</p><p>• Título: A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapa-</p><p>cidade e Saúde: uma revisão sistemática de estudos observacio-</p><p>nais.</p><p>Autores: Luciana CastanedaI, Anke BergmannII, Ligia BahiaI</p><p>A OMS pretende incorporar também, no futuro, os fatores pessoais,</p><p>importantes na forma de lidar com as condições limitantes.</p><p>• Link do site: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&ln-</p><p>g=pt&nrm=iso&tlng=pt&pid=S1415-790X2014000200437</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>89</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABBAD, G. da S.; ZERBINI, T.; SOUZA, D. 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Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Capítulo II – Dos Direitos Sociais (Ar-</p><p>tigo 6º), Brasília. 1988.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. De 5 de outubro de 1988.</p><p>BRASIL. Decreto Federal nº 5.296, Oficializado em 02/12/2004 (Decreto de Acessibilidade). Bra-</p><p>sília , 2004.</p><p>BRASIL. Decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004. Reforçou a Lei 10.098. Brasília, 2004.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos</p><p>para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de</p><p>deficiência ou com mobilidade redu-</p><p>zida, e dá outras providências. Brasília, 2000.</p><p>BRASIL. Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília,</p><p>1990.</p><p>BRASIL. Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação.</p><p>Brasília, 1996.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>https://www.ada.gov/ada_intro.htm</p><p>90</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº9.394. Bra-</p><p>sília. 1996.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB nº 9394/1996.</p><p>Brasília, 1996.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Declaração Universal dos</p><p>Direitos Humanos de 1999. Brasília: MEC/SEESP, 1999.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Declaração Universal dos</p><p>Direitos Humanos das pessoas com Deficiências de 1948. Brasília: MEC/SEESP, 1948</p><p>BRASIL. Plano Nacional de Direito a Pessoa com Deficiência. SDHPR - Secretaria Nacional de</p><p>Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Brasília. 2009. Disponível em: https://afri-can.</p><p>org/wp-content/uploads/2019/10/633.pdf. Acesso em: 9 de Julho de 2020.</p><p>BRASIL. Política Nacional de Educação Especial. Série Livro. Brasília, DF: MEC/SEESP, 1994.</p><p>BRASIL. Resolução CNE/CEB 2/2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na</p><p>Educação Básica. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de setembro de 2001.</p><p>BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes curriculares da Educação Especial. Brasí-</p><p>lia: MEC. 2001.</p><p>BRITES, C. Quais os critérios de diagnóstico do autismo. 2020. Disponível em: http://entenden-</p><p>doautismo.com.br/artigo/quais-os-criterios-de-diagnosticos-do-autismo/. Acesso em: 30 mar. 2020.</p><p>CANOTILHO, J. J. G. Direito constitucional e teoria da constituição. 4. ed. Coimbra: Almedina,</p><p>2000.</p><p>CARVALHO, R. E. Educação Inclusiva com os Pingos nos Is. 2. ed. Porto Alegre: Mediação,</p><p>2005.</p><p>CENSO ESCOLAR. Normas Estatísticas do Censo Escola de 2018. 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Peça de Teatro: Vozes da Consciência.</p><p>Belo Horizonte. 2007.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>92</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Como se sabe, o primeiro dos filósofos a distinguir entre diferença e alteridade foi</p><p>Aristóteles: a diferença das coisas supõe sempre uma determinação sobre aquilo em que di-</p><p>ferem; alteridade, ao contrário, não significa determinação nenhuma: há outro ser e não uma</p><p>diferença entre dois seres (lembrando que, para Platão, a alteridade é o gênero supremo).</p><p>Neste estudo, discutimos sobre a inclusão, mais especificamente sobre o percurso</p><p>que a pessoa com deficiência percorreu até a conquista de serviços e recursos para uma</p><p>autonomia e desenvolvimento social. A inclusão é percebida como um processo de ampliação</p><p>da circulação social que produza uma aproximação de seus diversos protagonistas, convo-</p><p>cando-os à construção cotidiana de uma sociedade que ofereça oportunidade variada a todos</p><p>os seus cidadãos e possibilidades criativas a todas as suas diferenças.</p><p>Pensar em inclusão é pensar no atendimento a pessoas com deficiência em implan-</p><p>tação de serviços especializados e de todo um empenho, a fim de flexibilizar e proporcionar</p><p>acessibilidade para a instituição escolar e para além dela. Assim, tornou-se possível discutir</p><p>sobre acessibilidade e pensar nas pessoas com necessidades especiais, para que estas</p><p>recebam apoio assistencialista de todas as formas. Porém os estudos realizados permitiram</p><p>que percebêssemos que, mesmo diante das atuais discussões acerca das metodologias</p><p>ativas e tecnologias assistivas, a acessibilidade social está longe de ser alcançada por todos.</p><p>Assim, os deficientes e pessoas com dificuldades continuam na situação de excluídos na</p><p>sociedade, sem o direito sequer de saber expressar suas próprias opiniões acerca de sua</p><p>situação.</p><p>Para promover essa acessibilidade, discutimos dois conceitos ao longo da disciplina,</p><p>ambos com o mesmo objetivo principal: levar à pessoa com</p><p>deficiência maior autonomia</p><p>em todos os âmbitos da sociedade. As tecnologias assistivas, em seus recursos e serviços,</p><p>apresentam-se de maneira individualizada para atender as necessidades de cada deficiente.</p><p>Por sua vez as metodologias ativas buscam promover um desenvolvimento integral e pleno</p><p>da pessoa com deficiência.</p><p>Todos os conceitos apresentados neste estudo visam atender um público que pode</p><p>ser considerado minoria ao comparar-se a sociedade em geral por fim, é importante sempre</p><p>relembrar que a acessibilidade consiste em um benefício não destinado somente a pessoas</p><p>com deficiência mas ao público em geral da sociedade. Todos estamos sujeitos a precisar de</p><p>uma condição acessível ao longo de nossas vidas.</p><p>UNIDADE IV Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade, Saúde e o Desenho Universal</p><p>UNIDADE I</p><p>Dimensões de Acessibilidade</p><p>UNIDADE II</p><p>Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>UNIDADE III</p><p>Tecnologia Assistiva Aplicada</p><p>UNIDADE IV</p><p>Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e o Desenho Universal</p><p>DA ACESSIBILIDADE</p><p>Conforme apontado no tópico anterior, falar sobre a acessibilidade é historicamente</p><p>recente e não é possível se não falarmos sobre inclusão, pois um conceito surgiu atrelado</p><p>ao outro. A inclusão, da qual tanto falamos e de que tanto ouvimos falar, nada mais é do que</p><p>o anseio pela democracia, que hoje não é nada inclusiva.</p><p>O verdadeiro conceito de inclusão dificilmente é utilizado. O que geralmente ocorre</p><p>é que a maioria acredita ser um tipo de prêmio, como, por exemplo, as cotas nas universi-</p><p>dades, assim, os excluídos acabam por se conformar e achar que estão incluídos.</p><p>Para Mantoan (2003), as pessoas com necessidades especiais recebem apoio as-</p><p>sistencialista de todas as formas, porém continuam na situação de excluídos na sociedade,</p><p>sem o direito sequer de saber expressar suas próprias opiniões acerca de sua situação.</p><p>Quando, no entanto, se fala em necessidades especiais, as referências não são apenas às</p><p>necessidades físicas ou mentais que um indivíduo pode vir a apresentar.</p><p>É interessante, porém, que se tenha em mente que a necessidade especial, seja</p><p>ela por uma causa genética ou adquirida, deve ser sempre trabalhada de maneira que não</p><p>se torne um empecilho na vida do sujeito. Esse seria, portanto, o verdadeiro objetivo do tão</p><p>discutido conceito de “inclusão social”, descrito por Mantoan (2003). A inclusão é percebida</p><p>como um processo de ampliação da circulação social que produz uma aproximação de</p><p>seus diversos protagonistas, convocando-os à construção cotidiana de uma sociedade que</p><p>15UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>ofereça oportunidade variada a todos os seus cidadãos, possibilidades criativas a todas as</p><p>suas diferenças.</p><p>Como se sabe, o primeiro dos filósofos a distinguir entre diferença e alteridade</p><p>foi Aristóteles: a diferença das coisas supõe sempre uma determinação sobre aquilo em</p><p>que diferem. Alteridade, ao contrário, não significa determinação nenhuma: há outro ser e</p><p>não uma diferença entre dois seres (lembrando que, para Platão, a alteridade é o gênero</p><p>supremo).</p><p>Durante a década de 80 esses problemas dificultaram os avanços da educação</p><p>básica em muitos países menos desenvolvidos. Em outros, o crescimento econômico per-</p><p>mitiu financiar a expansão da educação, mas, mesmo assim, milhões de seres humanos</p><p>continuavam na pobreza, privados de escolaridade ou analfabetos. E em alguns países</p><p>industrializados cortes nos gastos públicos, ao longo dos anos 80, contribuíram para a</p><p>deterioração da educação. Não obstante, o mundo estava às vésperas de um novo século,</p><p>carregado de esperanças e de possibilidades.</p><p>A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394, de 20 de</p><p>dezembro de 1996, vigente, a Educação Especial foi definida como uma modalidade de</p><p>educação escolar que permeia todas as etapas e níveis de ensino, permitindo desvincular</p><p>“educação especial” de “escola especial”, tornando também a educação especial um</p><p>conjunto de recursos educacionais e de estratégias de apoio que estejam à disposição de</p><p>todos os alunos, oferecendo diferentes alternativas de atendimento.</p><p>A inclusão ganhou reforços com a Lei de Diretrizes de Bases da educação Nacional</p><p>(LDB), de 1996, e com a Convenção da Guatemala, de 2001. Sendo assim, manter crianças</p><p>com algum tipo de deficiência fora do ensino regular é considerado exclusão e crime. O</p><p>principal motivo das crianças irem para escola que vão encontrar um espaço democrático,</p><p>onde poderão compartilhar o conhecimento e a experiência com o diferente.</p><p>O Brasil, optou pela construção de um sistema educacional inclusivo ao concordar</p><p>com a Declaração Mundial de Educação para Todos e ao mostrar consonância com os</p><p>postulados produzidos em Salamanca (Espanha). É preciso esclarecer que o principal do-</p><p>cumento sobre os princípios da Educação Inclusiva é a Declaração de Salamanca, de 1994</p><p>– estabelece que a escola inclusiva seja aquela que contempla muitas outras necessidades</p><p>educacionais especiais</p><p>crianças que têm dificuldades temporárias ou permanentes, que repetem o</p><p>ano, sofrem exploração sexual, violação física ou emocional, são obrigadas</p><p>a trabalhar, moram na rua ou longe da escola, vivem em extrema condição</p><p>de pobreza, são desnutridas, vítimas de guerras ou conflitos armados, têm</p><p>16UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>altas habilidades (superdotadas) e as que, por qualquer motivo, estão fora da</p><p>escola (em atendimento hospitalar, por exemplo) (BRASIL, 1994, s.p.).</p><p>Sem esquecer-se daquelas que, mesmo na escola, são excluídas por cor, religião,</p><p>peso, altura, aparência, modo de falar, vestir ou pensar. Tudo isso colabora para que o</p><p>estudante tenha cerceado o direito de aprender e crescer.</p><p>A Declaração de Salamanca, de 1994, em seus pressupostos, afirma que</p><p>a tendência da política social durante as duas últimas décadas foi de fomen-</p><p>tar a integração e a participação e de lutar contra a exclusão. A integração</p><p>e a participação fazem parte essencial da dignidade humana e do gozo e</p><p>exercício dos direitos humanos (BRASIL, 1994, s.p.).</p><p>No campo da educação, essa situação se reflete no desenvolvimento de estratégias</p><p>que possibilitem uma autêntica igualdade de oportunidade. A experiência de muitos países</p><p>demonstra que a integração de crianças e jovens com necessidades educativas especiais</p><p>é alcançada de forma mais eficaz em escolas integradoras para todas as crianças de uma</p><p>comunidade.</p><p>É nesse ambiente que crianças com necessidades educativas especiais podem</p><p>progredir no terreno educativo e no da integração social. As escolas integradoras constituem</p><p>um meio favorável à construção da igualdade de oportunidade e da completa participação;</p><p>mas, para ter êxito, requerem um esforço comum, não somente dos professores, mas tam-</p><p>bém de toda equipe pedagogica pessoal restante da escola, além de colegas, pais, famílias</p><p>e voluntários.</p><p>Conforme Carvalho (2005, p. 45) “as necessidades educativas especiais incor-</p><p>poram os princípios já comprovados de uma pedagogia equilibrada que beneficia todas</p><p>as crianças”. Assim, entende-se que ser diferente é normal e que, para tanto, precisamos</p><p>“ajustar-se às necessidades de cada criança, ao invés de cada criança, se adaptar aos</p><p>supostos princípios quanto ao ritmo e a natureza do processo educativo de pedagogia</p><p>centralizada na criança” (CARVALHO, 2005, p. 45).</p><p>Retomando os apontamentos do tópico anterior, temos várias leis e documentos</p><p>internacionais que estabelecem os direitos das Pessoas com Deficiência no nosso país, a</p><p>partir um caminho percorrido até alcançarmos tais leis destinadas diretamente à acessibili-</p><p>dade. Nesse referido percurso destacamos:</p><p>● 1988 - CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA - Prevê o pleno desenvolvimento dos</p><p>cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras</p><p>formas de discriminação; garante o direito à escola para todos; coloca como prin-</p><p>17UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>cípio para a Educação o “acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa</p><p>e da criação artística, segundo a capacidade de cada um” (BRASIL, 1988).</p><p>● 1989 - LEI Nº 7.853/89 - Define como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou</p><p>extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer</p><p>curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado. A pena para o infrator pode</p><p>variar de um a quatro anos de prisão, mais multa.</p><p>● 1990 - ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA) - Garante o direito</p><p>à igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola, sendo o</p><p>Ensino Fundamental obrigatório e gratuito (também aos que não tiveram acesso</p><p>na idade própria); o respeito dos educadores; atendimento educacional especiali-</p><p>zado, preferencialmente na rede regular.</p><p>● 1994 - DECLARAÇÃO DE SALAMANCA - O texto, que não tem efeito de lei,</p><p>diz que também devem receber atendimento especializado crianças excluídas da</p><p>escola por motivos como trabalho infantil e abuso sexual. As que têm deficiências</p><p>graves devem ser atendidas no mesmo ambiente de ensino que todas as demais.</p><p>● 1996 - LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB) - A</p><p>redação do parágrafo 2º do artigo 59 provocou confusão, dando a entender que,</p><p>dependendo da deficiência, a criança só podia ser atendida em escola especial.</p><p>Na verdade, o texto diz que o atendimento especializado pode ocorrer em classes</p><p>ou em escolas especiais quando não for possível oferecê-lo na escola comum.</p><p>● 2000 - LEIS Nº 10.048 E Nº 10.098 - A primeira garante atendimento prioritário</p><p>de pessoas com deficiência nos locais públicos. A segunda estabelece normas</p><p>sobre acessibilidade física e define como barreira obstáculos nas vias e no interior</p><p>dos edifícios, nos meios de transporte e tudo o que dificulte a expressão ou o</p><p>recebimento de mensagens por intermédio dos meios de comunicação, sejam ou</p><p>não de massa.</p><p>● 2001 DECRETO Nº 3.956 (CONVENÇÃO DA GUATEMALA) - Põe fim às interpre-</p><p>tações confusas da LDB, deixando clara a impossibilidade de tratamento desigual</p><p>com base na deficiência. O acesso ao Ensino Fundamental é, portanto, um direito</p><p>humano e privar pessoas, em idade escolar, dele, mantendo-as unicamente em</p><p>escolas ou classes especiais, fere a convenção a Constituição.</p><p>Apesar disso somente no ano 2000 que se criou uma lei destinada diretamente</p><p>para a acessibilidade. A Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que determina “normas</p><p>18UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de</p><p>deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências” (BRASIL, 2000, s.p.).</p><p>Essa lei é constituída por 27 artigos, divididos em 10 capítulos, estabelecendo critérios aos</p><p>governos para o desenvolvimento da acessibilidade nas instâncias sociais, educacionais e</p><p>políticas conforme o artigo primeiro</p><p>Art. 1o Esta Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção</p><p>da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade</p><p>reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e</p><p>espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios</p><p>e nos meios de transporte e de comunicação. (BRASIL, 2000, s.p.).</p><p>A legislação visa estabelecer e proporcionar autonomia para o desenvolvimento do</p><p>sujeito, para tanto, estabelece obrigatoriedades em diversas áreas de atuação. No artigo</p><p>segundo a lei prevê</p><p>I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com</p><p>segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos,</p><p>edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas</p><p>e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público,</p><p>de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na</p><p>rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida; (Redação</p><p>dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)</p><p>II - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que</p><p>limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição</p><p>e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e</p><p>de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à</p><p>circulação com segurança, entre outros, classificadas em: (Redação dada</p><p>pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)</p><p>a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e</p><p>privados abertos ao público ou de uso coletivo; (Redação dada pela Lei nº</p><p>13.146, de 2015) (Vigência)</p><p>b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados;</p><p>(Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)</p><p>c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transpor-</p><p>tes; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)</p><p>d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo,</p><p>atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o</p><p>recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de</p><p>comunicação e de tecnologia da informação (BRASIL, 2000, s.p.).</p><p>Desta forma, a Lei 10.098 apresenta novas atitudes que, combinadas com a expe-</p><p>riência acumulada de reformas, inovações, pesquisas, inclusive de leis que já antecederam,</p><p>podem apresentar um notável progresso da promoção de acessibilidade registrado no país.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art112</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm#art127</p><p>19UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>4 COMPREENDENDO AS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>Ao definir acessibilidade foi possível entender que se trata de um amplo conceito de</p><p>atuação, contudo, independente do espaço que necessita de acessibilidade, toda ação visa</p><p>propor uma autonomia e um desenvolvimento integral da pessoa. Dessa maneira, podemos</p><p>subdividir acessibilidade em dez grupos ou categorias.</p><p>Conforme Sassaki (2002), a acessibilidade por estar classificada em seis dimensões</p><p>diferentes. A acessibilidade atitudinal destina-se às relações humanas e a toda forma de</p><p>ver e agir com o outro sem preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações, ou seja,</p><p>define-se a toda e qualquer acessibilidade relacionada a atitudes sociais que impulsionam</p><p>a remoção de barreiras.</p><p>A acessibilidade arquitetônica é talvez a mais conhecida e pensada pela comunida-</p><p>de em geral, consiste na eliminação das barreiras ambientais físicas nos espaços públicos e</p><p>particulares de locomoção e atuação da pessoa com deficiência e/ou mobilidade reduzida.</p><p>A acessibilidade metodológica pode ser encontrada também na literatura como</p><p>acessibilidade pedagógica, define-se pela ausência de barreiras nas metodologias e práti-</p><p>cas de estudo, está diretamente ligada à prática docente em geral. Essa denominação de</p><p>acessibilidade é responsável pelas adaptações curriculares e metodológicas em todas as</p><p>modalidades de ensino.</p><p>A acessibilidade programática constitui na eliminação de barreiras das políticas</p><p>públicas, ou seja, nas alterações e reformulações das leis, decretos, portarias, normas,</p><p>20UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>regulamentos, entre outras leis, de modo que abrangem a todos os públicos. Por sua</p><p>vez, a acessibilidade instrumental destina-se à superação das barreiras nos instrumentos,</p><p>utensílios e ferramentas relacionadas às práticas sociais e escolares em prol do bom rela-</p><p>cionamento e desenvolvimento do sujeito.</p><p>A acessibilidade de transportes destina-se a eliminar barreiras em qualquer meio</p><p>de transporte particular ou públicos, isso obriga montadoras automobilísticas a pensar em</p><p>modelos adaptáveis e acessíveis a pessoas com deficiência, bem como a criação de meios</p><p>de transportes públicos para esse mesmo público.</p><p>A acessibilidade de comunicação ou acessibilidade comunicativa destina-se, em</p><p>suma, a atender duas categorias de pessoas: os surdos e os cegos. Ela destina-se à elimi-</p><p>nação de barreiras comunicativas verbais ou de escrita, por meio dessa acessibilidade pro-</p><p>move-se a tradução de língua de sinais de maneira simultânea ou gravada para programas</p><p>televisivos</p><p>ou de palco (como teatros, musicais, entre outros) e a tradução para o sistema</p><p>braille de revistas, jornais, literaturas e materiais impressos em geral, bem como a tradução</p><p>de placas de identificação pública e a audiodescrição em programas televisivos e de palcos</p><p>(como teatros, musicais, entre outros).</p><p>É a acessibilidade que elimina barreiras na comunicação interpessoal (face a face,</p><p>língua de sinais), escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila etc., incluindo textos em braille,</p><p>uso do computador portátil) e virtual (acessibilidade digital), segundo Sassaki (2002).</p><p>Por fim, temos a acessibilidade digital, que disponibiliza acesso físico, de equipa-</p><p>mentos e programas adequados, de conteúdo e apresentação da informação em formatos</p><p>alternativos. A inclusão será, por sua própria característica, uma tarefa complexa, mas não</p><p>ameaçadora a essa clientela, podendo usufruir do direito de integração no sistema regular</p><p>de ensino.</p><p>Mantoan (2003) diz que a educação especial faz parte de “um todo” que é a edu-</p><p>cação, e ter o seu valor reconhecido é de fundamental importância para que os indivíduos</p><p>tenham seu crescimento e desempenho educacional satisfatório. Dessa forma, a acessi-</p><p>bilidade proporciona para que as pessoas se desenvolvam de maneira integral nas suas</p><p>habilidades e suas dificuldades. Como afirma Sassaki (2002), é muito importante que se</p><p>disponham de tudo o que for necessário para o desenvolvimento cognitivo, social e psico-</p><p>lógico de cada pessoa com deficiência.</p><p>21UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Muita tecnologia, pouca infraestrutura! Sobre o transporte público, a lei de inclusão é</p><p>clara em seu artigo 46, capítulo X, que define que é direito da pessoa com deficiência a</p><p>mobilidade em transportes públicos de forma igualitária. Em busca da efetivação desta</p><p>lei, as empresas de transportes, da grande maioria das capitais e grandes metrópoles,</p><p>incluíram em sua frota ônibus com plataforma para cadeirantes, assentos prioritários,</p><p>guias, intérpretes, portões diferenciados, rampas de acesso nas estações de metrô e</p><p>trens.</p><p>Muito bem, mas isso se faz necessário para promover acessibilidade na mobilidade?</p><p>Eu já lhe adianto que não. Atualmente a acessibilidade no transporte público esbarra na</p><p>falta de infraestrutura nas cidades, boas calçadas, sinalização adequada nas ruas, entre</p><p>outros fatores. Desta maneira, ter tecnologia acessibilizando o transporte não se torna</p><p>suficiente se não tivermos acessibilidade nas ruas, calçadas. Ter mobilidade no trans-</p><p>porte, mas não ter mobilidade na estrutura da cidade, não é acessibilidade.</p><p>Fonte: a autora.</p><p>REFLITA</p><p>“Somos diferentes, mas não queremos ser transformados em desiguais. As nossas vi-</p><p>das só precisam ser acrescidas de recursos especiais.”</p><p>Fonte: Peça de teatro: Vozes da Consciência, BH.</p><p>O fato de uma pessoa não enquadrar-se no padrão de normalidade apresentado</p><p>pela sociedade significa que ela não tem habilidades?</p><p>22UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Assim, findamos nossos estudos sobre o tema da acessibilidade, com o intuito de</p><p>ter levado você, aluno(a), a refletir e a entender melhor o conceito apresentado. Buscamos</p><p>proporcionar o entendimento de que a acessibilidade não é um mero conceito de facilitador</p><p>de espaços, mas sim uma forma de equiparar as possibilidades a todos. Conforme Man-</p><p>toan (2013, p. 7) a “inclusão é sair das escolas dos diferentes e promover a escola das</p><p>diferenças”. nessa perspectiva que os estudos sobre a acessibilidade e iniciativas legais e</p><p>privadas vêm avançando.</p><p>A ligação do conceito de acessibilidade às condições das pessoas com deficiência</p><p>ou com mobilidade reduzida, propondo com segurança e autonomia, total ou assistida, o</p><p>direito ao acesso dos espaços públicos ou coletivos. Contudo, faz-se necessário refletirmos</p><p>que a acessibilidade surge por meio da preocupação da inclusão de pessoas com deficiên-</p><p>cia, entretanto, trata-se de uma medida que beneficia a qualquer pessoa; somos sujeitos a</p><p>apresentar necessidades temporárias ou permanentes.</p><p>Assim, concluímos que acessibilidade é a qualidade do que é acessível, atingível e</p><p>de acesso a todos. Esse fato torna-se uma preocupação, que deve ser constante nas áreas</p><p>de arquitetura e urbanismo. O direito à acessibilidade promove, por meio de órgãos públi-</p><p>cos ou privados, diversas mudanças nas condições de acesso aos espaços sociais. Mas</p><p>as construções de rampas, a adaptação dos equipamentos, do mobiliário, do transporte</p><p>coletivo e dos sistemas e meios de comunicação e informação não surtem resultados se a</p><p>infraestrutura das cidades e a aceitação e respeito da população forem também debatidos,</p><p>para que não só as pessoas com deficiência, mas todos com dificuldades temporárias ou</p><p>permanentes possam acessar serviços prestados à coletividade por espaços públicos e</p><p>privados.</p><p>23UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>VLIBRAS NA TELINHA</p><p>As emissoras de TV têm prazo até 2020 para adotarem, na totalidade, os recursos</p><p>de acessibilidade; cinemas e casas de espetáculo aumentam programação com tradução</p><p>em língua de sinais, audiodescrição e presença de guias intérpretes.</p><p>Por enquanto, ainda é raro assistir a um programa de TV com aquela “janelinha”</p><p>que mostra a figura simpática do intérprete de Libras. Hoje, nos canais abertos, o recurso</p><p>só é obrigatório no horário político e em campanhas institucionais do governo e de utilidade</p><p>pública. Nas emissoras com sinal digital, é exigida a exibição de - parcas - duas horas por</p><p>semana com recurso de audiodescrição na programação.</p><p>Um quadro mais inclusivo deve ser vislumbrado a partir de 2020, quando, finalmen-</p><p>te, as emissoras de TV serão obrigadas a adotar os recursos de acessibilidade total, ou</p><p>seja: janela com intérprete de Libras, dublagem, audiodescrição e closed caption (sistema</p><p>de transmissão de legendas via sinal de televisão que permite às pessoas com deficiência</p><p>auditiva e surdos acompanhar os programas transmitidos).</p><p>O programa VLibras será referência para a transmissão de informações pela Lín-</p><p>gua Brasileira de Sinais nos programas veiculados pelas emissoras de televisão no País. O</p><p>dicionário VLibras foi desenvolvido em parceria do Ministério do Planejamento, Orçamento</p><p>e Gestão com a Universidade Federal da Paraíba e está disponível no Portal do Software</p><p>Público Brasileiro.</p><p>Quando o assunto é inclusão, as casas de espetáculos e salas de cinema brasileiras</p><p>parecem estar “correndo mais rápido”. De olho nos financiamentos públicos para projetos</p><p>arquitetônicos e de comunicação de acordo com o previsto no Decreto 5.296, os teatros</p><p>e casas de shows estão investindo em sistemas de sonorização assistida para pessoas</p><p>com deficiência auditiva, meios eletrônicos que permitam o acompanhamento por meio de</p><p>legendas em tempo real e locais próprios para a presença física de intérprete de Libras e de</p><p>guias-intérpretes, com a projeção em tela da imagem do intérprete de Libras sempre que a</p><p>distância não permitir sua visualização direta.</p><p>Desde 2014, uma norma da Ancine determina que todos os projetos de produção</p><p>audiovisual financiados com recursos públicos federais geridos pela agência deverão con-</p><p>templar nos seus orçamentos serviços de legendagem descritiva, audiodescrição e Libras.</p><p>O objetivo é estimular a universalização do acesso às obras audiovisuais, em especial as</p><p>nacionais.</p><p>Serviço: Conheça mais do projeto no www.vlibras.gov.br</p><p>Fonte: AME. Amigos dos Metroviários dos Excepcionais. Vlibras na telinha. Disponível em: http://www.ame-</p><p>-sp.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=623:vlibras-na-telinha&catid=5:acessibilida-</p><p>de Acesso 9 de Julho de 2020.</p><p>http://www.vlibras.gov.br</p><p>http://www.ame-sp.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=623:vlibras-na-telinha&catid=5:acessibilidade</p><p>http://www.ame-sp.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=623:vlibras-na-telinha&catid=5:acessibilidade</p><p>http://www.ame-sp.org.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=623:vlibras-na-telinha&catid=5:acessibilidade</p><p>24UNIDADE I Dimensões de Acessibilidade</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: O Município e a Acessibilidade urbana</p><p>• Autora: Janaína de Oliveira</p><p>• Editora: Lumen Juris</p><p>• Sinopse: O livro realizou uma análise sistematizada abre a atua-</p><p>ção da municipalidade para efetivação da acessibilidade no meio</p><p>urbano. Conforme a autora, ofertar cidades acessíveis a todos é</p><p>um dever dos municípios, pois a falta de acessibilidade afeta dire-</p><p>tamente a dignidade das pessoas, também representa um claro</p><p>desrespeito aos preceitos constitucionais de igualdade e liberdade</p><p>de locomoção. Concede pessoas com direito à acessibilidade às</p><p>gestantes, idosos, pessoas com deficiência e demais indivíduos</p><p>com mobilidade reduzida, pessoas que enfrentam diariamente</p><p>com obstáculos arquitetônicos e urbanísticos. Importante ressaltar</p><p>que é direito de todos de ir e vir sem obstáculos, a autonomia na</p><p>locomoção proporciona autonomia na vida.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: Meu nome é Daniel</p><p>• Ano: 2019</p><p>• Sinopse: Daniel Gonçalves é cineasta, tem 35 anos, lançou nos</p><p>cinemas brasileiros seu primeiro longa-metragem, o documentário</p><p>Meu Nome é Daniel. O filme é uma autobiografia que revela as</p><p>dificuldades enfrentadas pelo ator e produtor. Produtor formado, o</p><p>personagem do filme vai em busca de emprego e, para além das</p><p>dificuldades de locomoção, Daniel depara-se com os preconceitos</p><p>das pessoas sobre suas habilidades e conhecimentos na sua</p><p>profissão. Além de abordar a falta de acessibilidade como uma</p><p>das dificuldades, o filme faz uma crítica à postura de muitas pes-</p><p>soas que enxergam o deficiente como uma vítima e um coitado. O</p><p>filme é um longa-metragem de 83 minutos e está disponível nas</p><p>plataformas digitais com comunicação acessível, com legendas</p><p>descritivas e janela em libras.</p><p>• Link do vídeo: https://youtu.be/ejfKiX0H9Zc</p><p>WEB</p><p>• Sites dos ministérios públicos em geral apresentam legislações</p><p>e artigos sobre acessibilidade. Esses sites proporcionam acesso</p><p>a informações legais e sociais sobre o direito à acessibilidade no</p><p>contexto público e privado.</p><p>• Link do site: https://www.saude.gov.br/acessibilidade</p><p>25</p><p>Plano de Estudo:</p><p>● Diagnóstico da inclusão;</p><p>● Impactos causados pela deficiência no ser humano;</p><p>● Tecnologias assistivas e metodologias ativas.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Contextualizar o processo histórico da inclusão.</p><p>• Compreender as etapas de aceitação vividas pela pessoa com deficiência.</p><p>• Apresentar a importância das metodologias ativas e tecnologias assistivas para desen-</p><p>volvimento da pessoa com deficiência.</p><p>UNIDADE II</p><p>Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>Professora Aline Pedro Feza</p><p>26UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá aluno(a), bem-vindo(a) à nossa segunda unidade. Neste estudo, convido você</p><p>a conhecer um pouco mais sobre três conceitos: inclusão, tecnologias assistivas e metodo-</p><p>logias ativas. Atualmente encontramos com facilidade a pessoa com deficiência inserida no</p><p>mercado de trabalho ou desfrutando do convívio social em geral, mas será que sempre foi</p><p>assim? Já te adianto que não.</p><p>A pessoa com deficiência passa a ser vista e inserida na sociedade a partir da</p><p>década de 90, após décadas de exclusão e segregação social. Os deficientes, antes mor-</p><p>tos e denominados aberrações da natureza, vêm recentemente alcançando espaço como</p><p>cidadãos, com direitos e deveres a serem cumpridos.</p><p>Para Mantoan (2013), a inclusão é uma área de conhecimento que visa promover</p><p>o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com deficiências, da educação infantil</p><p>até a educação superior. Essa definição está relacionada a um movimento mundial baseado</p><p>nos princípios dos direitos humanos e da cidadania, em que o objetivo principal é eliminar a</p><p>discriminação e a exclusão, garantindo o direito à igualdade de oportunidades e a diferença,</p><p>modificando os sistemas educacionais, de maneira a propiciar a participação de todos os</p><p>alunos, especialmente aqueles que são vulneráveis à marginalização e à exclusão.</p><p>Pensar na inclusão foi pensar em maneiras de oportunizar igualdade de acesso e</p><p>de direto a todas as pessoas, independentemente de suas limitações. Agora convido você</p><p>aprofundar nos conteúdos e conceitos sobre o assunto.</p><p>Bons estudos.</p><p>27UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>1 DIAGNÓSTICO NA INCLUSÃO</p><p>A inclusão veio para romper o paradigma existente e para romper com a estrutura</p><p>fechada, bem como a homogeneidade na sociedade. Depois de tantos anos de isolamento</p><p>e segregação, as pessoas com necessidades especiais estão sendo reconhecidas como</p><p>cidadãos e aceitas na escola comum. No sentido em questão, tomemos por definição Po-</p><p>líticas Públicas como um conjunto de ações do governo destinadas a atender determinada</p><p>demanda ou problemática. Em destaque, as políticas públicas, cujas medidas do Estado</p><p>garantem recursos que contribuem para o desenvolvimento do deficiente.</p><p>Assim, ressaltamos alguns dos principais documentos e legislações que embasam</p><p>a Política Inclusiva. Até o século XIX, as necessidades especiais estavam associadas à</p><p>incapacidade e não havia nenhuma tendência em mudar esse quadro. Dessa forma, o</p><p>abandono e a eliminação dessas pessoas eram atitudes normais nessa época.</p><p>A ideia de inclusão surgiu a partir do século XX, quando três grandes fatores contri-</p><p>buíram para que se tornasse uma realidade. O primeiro fator foi o término das duas grandes</p><p>guerras mundiais, evento que elevou o número de indivíduos debilitados e com deficiên-</p><p>cias. O segundo fator foi o fortalecimento do movimento dos direitos humanos, a criação</p><p>dos programas sociais, tais como a Organização das Nações Unidas (ONU); Organização</p><p>das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), ambas criadas em</p><p>1945. O terceiro e último fator foi o avanço científico (carros, escola, computadores, aumen-</p><p>28UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>to do consumo de produtos industrializados, cinemas, supermercados), que se tornou mais</p><p>acessível à população, dando-lhes maior autonomia.</p><p>Em 1948 criou-se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que afirma que</p><p>os alunos têm direitos iguais, independente das características, interesses e necessidades</p><p>individuais, que são diferentes. No Brasil, somente a partir de 1988 as políticas públicas</p><p>foram implantadas por meio da Constituição da República Federativa do Brasil, que esta-</p><p>belece</p><p>promover o bem de todos, sem preconceitos de origem , raça, sexo, cor,</p><p>idade, e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3°, inciso IV). Define</p><p>ainda, no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o</p><p>pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação</p><p>para o trabalho. No artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições</p><p>de acesso e permanência na escola como um dos princípios para o ensino</p><p>e garante, como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional es-</p><p>pecializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208) (BRASIL,</p><p>1988, s.p.).</p><p>Em 1990 foi realizada a Conferência Mundial sobre a Educação para Todos, em</p><p>Jomtien, na Tailândia, onde se reuniram cerca de 1500 participantes, entre eles os dele-</p><p>gados de 150 países, incluindo especialistas em educação e autoridades nacionais que,</p><p>juntamente com representantes intergovernamentais e não-governamentais, analisaram,</p><p>em uma sessão plenária, aspectos sobre a educação. Ao término dessa conferência foram</p><p>criados dez artigos que se tornaram um marco para o movimento pela Educação Inclusiva,</p><p>tendo como base o art. 3°, inciso V, que diz:</p><p>As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de defi-</p><p>ciências requerem atenção especial. É preciso tomar medidas que garantam</p><p>a igualdade de acesso à educação aos portadores de todo e qualquer tipo de</p><p>deficiência, como parte integrante do sistema educativo (UNESCO, 1990, p. 4).</p><p>Tais mudanças na educação foram de grande valia para a inclusão social das pes-</p><p>soas com necessidades especiais, no entanto, não</p><p>foi suficiente para que houvesse uma</p><p>real e total inclusão, ou seja, ainda faltavam políticas práticas, necessitava de uma maior</p><p>participação e responsabilidade do poder público para direcionar esse trabalho, a fim de</p><p>proporcionar um atendimento especializado e direcionado para cada tipo de necessidade</p><p>apresentada.</p><p>No intuito de amenizar tais problemas foi realizado pela UNESCO, em junho de</p><p>1994, em Salamanca, na Espanha, a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas</p><p>Especiais: acesso e qualidade, que aprovou a Declaração de Salamanca. Essa declaração</p><p>traz as estratégias nacionais, regionais e internacionais para a educação inclusiva, com</p><p>uma nova maneira de pensar a respeito das necessidades especiais, escolas, capacita-</p><p>29UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>ção de profissionais da educação e de outros aspectos educacionais, tornando, assim,</p><p>um referencial para a Educação Inclusiva, um marco na organização política dos países</p><p>envolvidos, inclusive no Brasil. Segundo a Declaração de Salamanca,</p><p>• Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportu-</p><p>nidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem.</p><p>• Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades</p><p>de aprendizagem que são únicas.</p><p>• Sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais</p><p>deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversi-</p><p>dade de tais características e necessidades.</p><p>• Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à</p><p>escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada</p><p>na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades.</p><p>• Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios</p><p>mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades</p><p>acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação</p><p>para todos; além disso, tais escolas provêem uma educação efetiva à maioria</p><p>das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da</p><p>eficácia de todo o sistema educacional (UNESCO, 1994, p. 1).</p><p>Com a opção de realmente ser um país que tem um sistema educacional inclusivo,</p><p>o Brasil passa a criar leis específicas que garantem o acesso direto e de qualidade ao ensi-</p><p>no. Instituída em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - 9394/96)</p><p>estabelece no art. 4°, inciso III, como dever do estado garantir atendimento educacional</p><p>especializado gratuito aos indivíduos com necessidades especiais, preferencialmente na</p><p>rede regular de ensino e, ainda, dedica o capítulo V, que compreende os artigos 58, 59 e</p><p>60, para estabelecer como deve ser a educação especial:</p><p>Art. 58 . Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a</p><p>modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede</p><p>regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.</p><p>§1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola</p><p>regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial.</p><p>§2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços</p><p>especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alu-</p><p>nos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular.</p><p>§3º A oferta da educação especial, dever constitucional do Estado, tem início</p><p>na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Art. 59.Os</p><p>sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades espe-</p><p>ciais: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização</p><p>específicos, para atender às suas necessidades; II – terminalidade específica</p><p>para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do en-</p><p>sino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir</p><p>em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III – professores</p><p>com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento</p><p>especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a</p><p>integração desses educandos nas classes comuns; IV – educação especial</p><p>para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade,</p><p>inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de</p><p>inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais</p><p>afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas</p><p>áreas artística, intelectual ou psicomotora; V – acesso igualitário aos bene-</p><p>fícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo</p><p>nível do ensino regular. Art. 60.Os órgãos normativos dos sistemas de ensino</p><p>30UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins</p><p>lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial,</p><p>para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder público. Parágrafo único.</p><p>O poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do aten-</p><p>dimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública</p><p>regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas</p><p>neste artigo (BRASIL, 1996, s.p.).</p><p>A política nacional da educação especial, na perspectiva da educação inclusiva, re-</p><p>força os documentos nacionais e internacionais e direciona a educação para que a inclusão</p><p>escolar realmente se concretize, desde a educação infantil até o ensino superior. Nesse</p><p>sentido, as diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica (BRASIL,</p><p>2001) asseguram que o atendimento aos alunos com necessidades especiais deve ser</p><p>realizado em classes comuns de ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da</p><p>educação básica e que as escolas podem criar extraordinariamente “classes especiais”,</p><p>com organização fundamentada nas diretrizes curriculares para a educação básica.</p><p>Conforme Mantoan (2013), a educação inclusiva implica na implementação de polí-</p><p>ticas públicas, na compreensão da inclusão como processo que não se restringe à relação</p><p>professor-aluno, mas que seja concebido como um princípio de educação para todos e</p><p>valorização das diferenças, que envolve toda a comunidade escolar.</p><p>Assim, destacamos que a inclusão social iniciou com políticas públicas voltadas</p><p>para o contexto educacional, eliminando as classes especiais e posteriormente as escolas</p><p>especiais que foram criadas com um caráter assistencialistas. Contudo, Mantoan (2013)</p><p>destaca que esses movimentos não foram o suficiente para inserir o deficiente na socieda-</p><p>de. Precisamos, até hoje, lutar para quebrar um paradigma de que o sujeito com deficiência</p><p>não é capaz de compor a sociedade em sua totalidade.</p><p>31UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>2 IMPACTOS CAUSADOS PELA DEFICIÊNCIA NO SER HUMANO</p><p>Ao longo dos tempos as pessoas com necessidades especiais eram percebidas de</p><p>diversos modos pela sociedade, esses modos tinham ligação direta com as concepções de</p><p>homem e de sociedade de cada época e estavam intrinsecamente ligados a valores éticos,</p><p>religiosos, morais e sociais de cada período.</p><p>No antigo Egito ressaltaram a necessidade de se respeitar as pessoas com nanis-</p><p>mo e com outras deficiências. O Egito também ficou conhecido como a terra dos cegos, as</p><p>infecções nos olhos eram constantes e levava o povo à cegueira.</p><p>[…] a nossa história assinala políticas extremas de exclusão em relação à</p><p>pessoa com deficiência na sociedade. Exemplo disto ocorreu em Esparta, na</p><p>antiga Grécia, onde a beleza física e o culto ao corpo eram as condições para</p><p>a participação social. As crianças com deficiência física eram colocadas nas</p><p>montanhas e, em Roma, atiradas ao Rio Tibre. Estes casos eram vistos como</p><p>perigo para a continuidade da espécie (SASSAKI, 1997, p. 6).</p><p>No início do século XIX a igreja discursava sobre a existência do bem, do mal</p><p>e do pecado, com isso realizava práticas estranhas de exorcismo, tentando alcançar a</p><p>“cura��. No mesmo período a medicina também</p><p>passou a estudar as deficiências, porém,</p><p>a mais exitosa conquista foi a descoberta das patologias, a partir de então o sujeito com</p><p>necessidades especiais passaram a frequentar os hospitais com o propósito de tratamento.</p><p>Esse era o cenário até o início do século XIX, em que ter uma necessidade especial era</p><p>sinônimo de incapacidade.</p><p>32UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>A sociedade, em todas as culturas, atravessou diversas fases no que se refere</p><p>às práticas sociais. Ela começou praticando a exclusão social de pessoas que, por causa</p><p>das condições atípicas, não lhe parecia pertencer à maioria da população. Em seguida</p><p>desenvolveu o atendimento segregado dentro de instituições, passou para a prática da</p><p>integração social e recentemente adotou a filosofia da inclusão social para modificar os</p><p>sistemas sociais gerais (SASSAKI, 1997, p. 16).</p><p>Na década de 60, o Brasil assistiu a uma explosão no número de instituições se-</p><p>gregativas especializadas. Os atendimentos estavam alinhavados ao tratamento clínico às</p><p>pessoas com necessidades especiais, e as atividades eram de caráter filantrópico, somente</p><p>no final dessa década aconteceu um movimento para a integração social que tinha por</p><p>intento “inserir as pessoas com deficiência nos sistemas sociais gerais como a educação, o</p><p>trabalho, a família e o lazer” (SASSAKI, 1999, p. 31), no entanto, foi na década de 80 que</p><p>esse processo foi melhor vivenciado.</p><p>Assim, a integração social nasce de uma necessidade: a de inserir o sujeito com</p><p>necessidades especiais, sem cobrar da sociedade uma mudança, todo o processo de</p><p>integração escolar foi de grande valia para as conquistas da educação inclusiva, mas não</p><p>atendia integralmente os direitos das pessoas com necessidades especiais.</p><p>Sabe-se que a história segregativa no mundo e no Brasil age como influenciadora</p><p>das práticas sociais vigentes da atualidade. “A ideia de que poderiam ser ajudadas em</p><p>ambientes segregados, alijadas do resto da sociedade, fortaleceu os estigmas sociais e</p><p>a rejeição” (STAINBACK; STAINBACK, 1999, p. 43). As práticas excludentes e precon-</p><p>ceituosas da atualidade são reflexos dessa história de aflição imposta às pessoas com</p><p>necessidades especiais.</p><p>Em pleno o século XXI, são muitos os desafios de uma sociedade para todos,</p><p>conforme é previsto na lei. A inclusão pressupõe o conhecimento de cada pessoa, respeita</p><p>as diferenças, assim como os limites individuais e promova intervenção para que se tenha</p><p>assim qualidade de vida.</p><p>Para que, de fato, uma sociedade se torne inclusiva, é necessário conhecer todos</p><p>os fatores que possam afetar o cenário, tanto no que se refere à atuação das pessoas em</p><p>geral quanto a atuação do deficiente. Só assim será possível uma intervenção que atenda</p><p>a diversidade, como é apresentada em documentos, por exemplo, na Declaração Universal</p><p>dos Direitos Humanos das pessoas com Deficiências, de 1948, e Declaração Universal dos</p><p>Direitos Humanos, de 1999.</p><p>33UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>Verificamos que, para se chegar às atuais constatações a respeito das pessoas</p><p>com necessidades especiais, foi preciso passar por períodos históricos diferentes, os quais</p><p>possuíam diversos olhares sociais em relação ao deficiente. Por muito tempo o deficiente</p><p>foi abandonado e rotulado, foi segregado e excluído da sociedade.</p><p>Atualmente, ele é reconhecido como um ser humano que necessita de cuidados e</p><p>que, apesar das suas limitações, possui inúmeras potencialidades que precisam apenas de</p><p>estímulos para que se desenvolvam. Ao passo que essas potencialidades são reconheci-</p><p>das, percebemos o quão importante é o papel da sociedade, quantos benefícios ela pode</p><p>trazer a essas pessoas, e só é preciso conhecer um pouco mais a respeito das deficiências</p><p>e saber a forma adequada de se trabalhar.</p><p>34UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>3 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS E METODOLOGIAS ATIVAS</p><p>Falar sobre a tecnologia consiste em imergir em um amplo tema de discussão, con-</p><p>tudo dividiremos essa etapa do nosso estudo em duas partes, primeiramente realizaremos</p><p>uma abordagem sobre a tecnologia no contexto educacional, espaço no qual inicialmente</p><p>implantou-se a inclusão e, em um segundo momento, abordaremos sobre o conceito de</p><p>tecnologia assistivas e metodologias ativas, como ambas podem ajudar no desenvolvimen-</p><p>to no processo de ensino e aprendizagem de cada educando.</p><p>A implantação das tecnologias no ambiente escolar ocorre com os avanços da</p><p>globalização no mundo atual. A implantação da comunicação em rede e a velocidade da</p><p>circulação das informações foram fatores que caracterizaram a implantação das tecno-</p><p>logias. Com a inserção dos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1998, a tecnologia é</p><p>associada à educação como um recurso educacional, a partir deste documento se inicia</p><p>uma discussão acerca da preparação do professor para trabalhar com esse recurso.</p><p>A implantação das diversas mídias educacionais, das chamadas tecnologias de</p><p>comunicação e informação, as TICS, passou a ser discutida pelo Ministério da Educa-</p><p>ção e Cultura (BRASIL, 1996) com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº</p><p>9.394/96. A necessidade desse debate nasceu dos desafios enfrentados pelos docentes</p><p>em saber utilizá-las, de modo a aperfeiçoarem suas práticas pedagógicas. O objetivo é</p><p>somar conceitos, além dos que eram apresentados pelos livros didáticos, do quadro, giz</p><p>e do material didático para o processo do aprendizado. As transformações ocorridas na</p><p>35UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>sociedade representam a necessidade de mudança, quando o professor tem conhecimento</p><p>sobre os potencias educacionais do computador e é capaz de modificar as atividades de</p><p>ensino-aprendizagem, assim como aquelas em que usa o computador apenas como meio</p><p>de transmitir a informação. Caso contrário, os educadores inibem-se quanto ao uso e aca-</p><p>bam por não inserir em suas aulas esta ferramenta.</p><p>Na educação especial, recursos tecnológicos como computadores e tablets – para</p><p>realizar escrita dos conteúdos – são utilizados no atendimento de pessoas com deficiên-</p><p>cias. Dentro da modalidade de educação especial, muitas vezes o docente se depara com</p><p>alunos com limitações reduzidas, para estes o ato de registrar o conteúdo por meio da</p><p>escrita é muito complexo; ponteiras para boca ou para cabeça são, muitas vezes, utilizadas</p><p>para substituir as mãos na digitação.</p><p>Para Amaral (2016), há recursos mais avançados e mais acessíveis a serem utili-</p><p>zados, como:</p><p>- Recursos mais avançados, como sistemas de identificação ocular, que realizam</p><p>a seleção das letras por meio dos movimentos direcionados aos olhos, são utilizados para</p><p>pessoas com mobilidade global comprometida.</p><p>- Recursos tecnológicos mais acessíveis são os mais comuns a serem encontrados</p><p>nas escolas, como os teclados ou telas ampliadas ou os aplicativos de leitor e tradução.</p><p>Os aplicativos de leitor são utilizados por alunos com visão reduzida ou cegueira total,</p><p>podendo ser adaptados em outros casos, pois esses aplicativos realizam a leitura de textos</p><p>e atividades.</p><p>Existem vários sistemas e aplicativos de leitor, mas o mais conhecido é o Dosvox.</p><p>Desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, o sistema realiza leitura de</p><p>textos, estando disponível na versão de app para celulares. Ainda, há os aplicativos de</p><p>tradução do português escrito para a língua de sinais. O mais acessível é o HandTalk, por</p><p>meio do personagem Hugo é sinalizado o que está escrito em português para a língua de</p><p>sinais brasileira (Libras). Esse app é muito utilizado nos ambientes como secretarias das</p><p>escolar ou por membros das equipes pedagógicas nos atendimentos de pais ou alunos</p><p>surdos, tendo em vista que, no interior da sala de aula, o aluno surdo tem o direito, previsto</p><p>por lei, de um tradutor intérprete de língua de sinais (Tils).</p><p>Para Amaral (2016), a escola é um espaço de formação de conceito e de construção</p><p>do sujeito</p><p>como agente ativo no contexto social. Por ser diretamente ligada à sociedade,</p><p>é importante acompanhar os avanços desta instituição, o que faz com que as práticas</p><p>pedagógicas se associem a novas atividades constantemente.</p><p>36UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>Segundo Moran (2007), é necessário que o professor perceba que o quadro negro</p><p>não é sua única opção de recurso. Não que tal recurso não deva mais ser utilizado, mas</p><p>incorporar outros recursos, como as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), por</p><p>exemplo, a sua aula faz com que seus objetivos, por meio deles, sejam de colaborar com</p><p>o ensino-aprendizagem dos alunos e, por consequência, colaborar nos resultados de sua</p><p>prática pedagógica.</p><p>Assim, a educação em todos os níveis sofre modificações e altera-se juntamente</p><p>com o meio no qual está inserida. A Lei de Diretrizes e Bases n. 9.394, em vigor desde 1996,</p><p>estabelece que a tecnologia como recurso deve ser associada a todas as etapas de ensino</p><p>(infantil, fundamental, médio e superior) e, além disso, define a modalidade educacional a</p><p>distância, inserindo a tecnologia no processo, pois as aulas conseguem abranger um maior</p><p>número de alunos devido a estar interligada em rede.</p><p>Para corresponder a esse novo contexto, com a implementação desse cenário, a</p><p>escola torna-se mais acessível tanto ao seu público quanto às suas práticas, descaracte-</p><p>rizando esquemas tradicionais e possibilitando ações e técnicas que permitam aulas mais</p><p>dinâmicas, alterando o conceito de práticas pedagógicas e espaço escolar, ao torná-los</p><p>mais flexíveis.</p><p>Para uma aprendizagem significativa o professor deve ter em mente que exerce</p><p>o papel fundamental no que se refere ao planejamento e desenvolvimento das situações</p><p>didáticas que visem a apropriação do saber escolar pelo aluno. Em seguida, deve planejar</p><p>também o uso dos recursos didáticos adequados à construção de saberes determinados</p><p>pelo aluno, haja vista que não é o manuseio do material que garante aprendizagem, mas a</p><p>reflexão do aluno, orientado pelo professor.</p><p>Nesse contexto, destaca-se mais um aspecto importante sobre as tecnologias da</p><p>informação: a importância de romper com preconceitos e construir novas possibilidades</p><p>destinados a educadores e educandos para abrilhantar o processo de ensino aprendizagem.</p><p>Assim como a tecnologia avança diariamente, acredita-se que a formação do educador</p><p>deve ser contínua. E, para isso, é necessário</p><p>Possibilitar um espaço em que não aprenda apenas a lidar com as tecnologias,</p><p>mas que possa refletir e ao mesmo tempo aprender a transpor esta aprendi-</p><p>zagem em uma linguagem que possa estar conectada às novas facetas do</p><p>modo de aprender dos educandos nesta era das conexões (GUERREIRO;</p><p>BATTINI, 2014, p. 68).</p><p>A inclusão veio destinar um acesso à educação a todas as pessoas. As limitações</p><p>comunicativas e de mobilidade não são mais barreiras para que as práticas pedagógicas,</p><p>37UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>incorporadas a tecnologias, cheguem ao público ao qual se destina. A tecnologia é uma</p><p>prática que a cada ano torna-se disponível a todos, entretanto, trabalhar com a tecnologia</p><p>ainda é uma barreira, que no caso dos professores pode tornar-se um empecilho de apro-</p><p>priação de conhecimento.</p><p>No âmbito desta discussão surgem duas novas terminologias que estão atreladas</p><p>ao contexto da tecnologia, que sãos as tecnologias assistivas e as metodologias ativas.</p><p>Mas sobre o que se trata essa terminologia e quais suas importâncias no contexto da</p><p>inclusão é o que discutiremos agora.</p><p>Segundo Amaral (2016), as tecnologias assistivas surgem primeiramente nos Esta-</p><p>dos Unidos, em 1988, e chegam ao Brasil em 1998 com o desenvolvimento da globalização.</p><p>Estas tecnologias aplicam-se para definir todo recurso e serviço que contribui para propor-</p><p>cionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e, consequentemente,</p><p>propiciar uma autonomia de vida e de aprendizagem, independente de políticas e ações</p><p>inclusivas.</p><p>A tecnologia assistiva visa valorizar as habilidades da pessoa com deficiência e tor-</p><p>nar a dificuldade imperceptível aos olhos da sociedade em geral. Não há modelos de tecno-</p><p>logias ou padrões, elas são desenvolvidas quase que de maneira individual para equiparar</p><p>cada necessidade apresentada pelo deficiente. Diferente da acessibilidade, destinada ao</p><p>meio, a tecnologia assistiva destina-se a cada indivíduo e ao seu desenvolvimento pessoal.</p><p>No Brasil, o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído pela Portaria nº</p><p>142 de 16 de novembro de 2006, que propõe o seguinte conceito para a</p><p>tecnologia assistiva: “Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de</p><p>característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias,</p><p>estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade,</p><p>relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapa-</p><p>cidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência,</p><p>qualidade de vida e inclusão social” (ATA VII - Comitê de Ajudas Técnicas</p><p>(CAT) - Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de De-</p><p>ficiência (CORDE) - Secretaria Especial dos Direitos Humanos - Presidência</p><p>da República, p. 1).</p><p>Assim, essas tecnologias visam atuar em dois aspectos nos serviços e nos re-</p><p>cursos. No âmbito de serviços destina-se aos profissionais que auxiliam diretamente a</p><p>promover melhorias no dia a dia da pessoa com deficiência, corresponde a profissionais</p><p>como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicó-</p><p>logos, arquitetos engenheiros, assistentes sociais, educadores, entre outros profissionais</p><p>que atuam utilizando um instrumento de tecnologia assistiva. Como exemplo podemos citar</p><p>avaliações, experimentação e treinamento de novos equipamentos.</p><p>http://portal.mj.gov.br/corde/</p><p>http://portal.mj.gov.br/corde/arquivos/doc/Ata_VII_Reuni%C3%A3o_do_Comite_de_Ajudas_T%C3%A9cnicas.doc</p><p>http://portal.mj.gov.br/corde/arquivos/doc/Ata_VII_Reuni%C3%A3o_do_Comite_de_Ajudas_T%C3%A9cnicas.doc</p><p>http://portal.mj.gov.br/corde/arquivos/doc/Ata_VII_Reuni%C3%A3o_do_Comite_de_Ajudas_T%C3%A9cnicas.doc</p><p>http://portal.mj.gov.br/corde/arquivos/doc/Ata_VII_Reuni%C3%A3o_do_Comite_de_Ajudas_T%C3%A9cnicas.doc</p><p>38UNIDADE II Tecnologia Assistiva e Inclusão</p><p>Por sua vez, as tecnologias assistivas podem estar relacionadas a recursos tec-</p><p>nológicos destinados à pessoa com deficiência. Consiste em equipamentos realizados</p><p>sob medida para a dificuldade específica daquele deficiente. Esses recursos podem ser</p><p>ponteiras, próteses mecânicas, aplicativos de comunicação, comunicação ocular, roupas</p><p>adaptadas, computadores, softwares e hardwares especiais que contemplam questões de</p><p>acessibilidade, dispositivos para adequação da postura sentada, recursos para mobilidade</p><p>manual e elétrica, equipamentos de comunicação alternativa, chaves e acionadores es-</p><p>peciais, aparelhos de escuta assistida, auxílios visuais, materiais protéticos e milhares de</p><p>outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente (AMARAL, 2016).</p><p>Em busca de equiparar as diferenças e aplicar esses recursos tecnológicos no</p><p>processo de aprendizagem, torna-se necessário preocupar-se também com as práticas</p><p>docentes nesse processo. Nessa busca de propiciar maior interesse e participação dos</p><p>alunos, iniciam-se discussões acerca das metodologias ativas, que consistem em fazer</p><p>com que o aluno esteja diretamente envolvido em seu processo de aprendizagem.</p><p>Essa metodologia permite que o aluno trabalhe com tecnologias, com redes inter-</p><p>ligadas ou com grupos de colegas, entre outros recursos que promovam maior integração</p><p>do aluno. Na metodologia ativa o professor toma o papel de facilitador e o aluno passa</p><p>a ser quem conduzirá as práticas no processo de aprendizagem, conforme apresentam</p><p>Disel, Baldez e Martins (2017). O professor deixa de ser visto como o detentor de todo o</p><p>conhecimento e o único responsável pelo processo de</p>