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Capítulo 13 Lorenzo Collalto Paola está cada vez mais pálida, e eu desesperado. Como essa louca ousou entrar na minha frente... quero matá-la por isso. — Porra, eu preciso de um médico — grito. Escuto meu irmão perguntar o que aconteceu, e a resposta de Pietro vem com raiva: — Algum bastardo achou que seria prudente atirar contra a família da noiva. Massimo quando percebe que estou no chão com Paola, corre na minha direção, mas não levanto minha cabeça para encará-lo uma segunda vez. — Que porra, Lorenzo! — Ela levou um tiro que era pra mim, ela não pode morrer — digo ainda me sentindo desnorteado, enquanto pressiono o ferimento, Dio, como sangra. O vestido claro está banhado em sangue cada vez mais rápido. — É por isso que eu ando sempre deixando ambulâncias paradas quando fazemos eventos, que inferno — Pietro brada. Uma maca entra na igreja e os enfermeiros rapidamente tiram Paola do meu colo. A sensação de perder o contato com ela é absurda. Minhas mãos ficam vazias, cobertas do seu sangue. Eu sigo com eles, sem perguntar se posso, simplesmente entro na ambulância, até porque eles não seriam loucos de tentar me impedir. As portas batem com força e o som ecoa dentro da minha cabeça como um disparo. A confusão da igreja ainda reverbera aqui dentro. O espaço é minúsculo. Eles falam termos médicos: números, pressão, perda de sangue, e eu não consigo acompanhar. Só vejo o peito dela subir e descer de maneira irregular, esvaída. — Pressão caindo — um deles fala rápido. — Prepara mais acesso — uma médica com o olhar sério pede. Uma das médicas olha para mim. — Senhor, está ferido? Olho para baixo. Minha camisa e braços estão completamente vermelhos. — Não. Ela hesita por um segundo, em puro choque, mas logo volta a atenção para Paola. Seguro a lateral da maca com tanta força que meus dedos doem. Se soltar, tenho a sensação absurda de que ela vai escorregar para algum lugar onde eu não alcanço. — Paola — chamo baixo, inclinando o corpo na direção dela. — Fica comigo. Nenhuma resposta. Óbvio que não, esperava que ela milagrosamente acordasse porque chamei? Dio, que nervoso. A máscara de oxigênio cobre parte do rosto dela. Os cabelos espalhados pelo travesseiro improvisado parecem vividamente negros contra a pele que perdeu toda a cor. Paola entrou na minha frente. Ela viu o atirador e escolheu, mesmo que possa ter sido inconsciente. Meu estômago revira quando a compreensão real me atinge. Não foi impulso, nem um mero acidente. Ela me salvou. E isso me desnorteia.