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Educação E Interseccionalidades Entre Marcadores Sociais Da Diferença

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09/10/2025, 18:43 Educação E Interseccionalidades Entre Marcadores Sociais Da Diferença
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EDUCAÇÃO E
INTERSECCIONALIDADES
ENTRE MARCADORES
SOCIAIS DA DIFERENÇA
Aula 1
EDUCAÇÃO, GÊNERO E
LUTAS FEMINISTAS
Educação, gênero e lutas
feministas
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Você já percebeu que, em educação e diversidade, analisa-se a
forma como as interseccionalidades sobrepõem formas de
dominação presentes em nossa sociedade. As interseccionalidades,
como o termo sugere, são as intersecções de identidades sociais e
culturais dos indivíduos. Elas se refletem no cotidiano das escolas e
da comunidade do seu entorno, composta por famílias daquela
realidade. Nesta primeira aula desta unidade de estudos sobre a
educação e as interseccionalidades entre marcadores sociais da
diferença (“classificações” sociais; construções estereotipadas que
diferenciam as pessoas), você vai, inicialmente, estudar sobre a
construção do conceito de gênero a partir das mediações com a
nossa vivência em sociedade e os movimentos feministas. Depois
disso se apropriará dos conhecimentos sobre as lutas contra os
estereótipos e a questão da representatividade. No final desta aula,
será problematizada a ideologia de gênero à luz das relações
sociais em que estamos inseridos. 
Para pensar nas relações entre educação, gênero e lutas feministas,
alguns questionamentos iniciais se fazem necessários para
problematizar essas questões: o que é gênero? Qual a contribuição
dos movimentos feministas na construção de uma sociedade mais
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justa? Quais as formas mais eficazes de luta contra os estereótipos?
Qual a importância da representatividade? Qual a importância de se
problematizar a ideologia de gênero? 
Veja que essas são algumas de muitas das problematizações
relacionadas a educação e interseccionalidades. Você sabe que
estudar é preciso, para que se possa vislumbrar (e vivenciar) uma
sociedade justa no que tange às relações de gênero, colocando
abaixo e em definitivo a cultura do patriarcado sob nossas relações
sociais. Para isso, aproprie-se dos livros e artigos presentes em
nossa Biblioteca Virtual. Bons estudos!
 
 
Vamos Começar!
Os estudos em educação e diversidade nos levam a compreender
as interseccionalidades presentes em nossa convivência social. Elas
sobrepõem formas de dominação e se refletem no cotidiano do
contexto escolar. Sabemos que o papel do educador nesses
espaços (instituições sociais) é justamente desnaturalizar quaisquer
formas de injustiça presentes em nossa convivência social. Como
anunciado, nesta aula, você vai estudar a construção do conceito de
gênero e os movimentos feministas, e conhecerá a luta contra os
estereótipos. Por fim, a partir das reflexões propostas, você vai
estudar as problematizações em torno da ideologia de gênero.
Construção do conceito de gênero e movimentos feministas
Nesta aula, você vai estudar a construção de gênero e os
movimentos feministas. Inicialmente, é preciso definir gênero, como
algo construído ao longo do tempo, e está atrelado às noções da
identidade social e cultural. Estudar sobre gênero nos leva a refletir
sobre nossas relações sociais e a forma como a sociedade as
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constrói. Os lugares e posições sociais são definidos para cada
indivíduo em meio à coletividade em que estamos inseridos.
Esses estudos desempenham um papel crucial na compreensão e
na luta por questões relacionadas à identidade e à igualdade de
direitos. No exercício de construção do conceito de gênero, deve-se
primeiramente fazer as devidas distinções entre sexo e gênero:
sexo, tem a ver com as características biológicas; gênero refere-se
aos papéis, aos comportamentos, expectativas e identidades sociais
atribuídas aos indivíduos.
O conceito de gênero destaca que as diferenças entre homens e
mulheres não são apenas biológicas, mas socialmente construídas,
influenciada por normas, expectativas e valores culturais. O contexto
do Pós-Segunda Guerra Mundial e as mudanças sociais e políticas
ao longo das décadas de 1960 e 1970 colocaram em evidência o
debate sobre o determinismo biológico, cujo questionamento foi
impulsionado pelo movimento feminista.
Tratar e debater sobre gênero em nosso meio social, é fazer um
verdadeiro enfrentamento de posições, de relações hierarquizadas
de controle e, sobretudo, combater discursos machistas, misóginos
e excludentes (Previtalli; Vieira, 2017). É nesse sentido que a
sexualidade precisa ser compreendida como uma construção
cultural e social, e isso tem implicações importantes para pensar as
relações de dominação e injustiças que perpetuam em nossa
convivência social. Afinal, a sexualidade é um dado da cultura, não
um dado da biologia.
Dizer que é menino por nascer com um aparelho genital
nomeado “pênis” ou uma menina por portar um aparelho
nomeado “vulva”, não dá conta de explicar o que somos e
como somos. Se assim o fosse, jamais precisaríamos
produzir, nem trabalhar ou querer viver a vida. Já que tudo
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está determinado mesmo, caberia apenas ficar esperando
acontecer (Previtalli; Vieira, 2017, p. 125).
Pode-se perceber que gênero corresponde à construção social que
demarca identidades, como de homens, mulheres e de outros, como
elaborações do contexto histórico e social, não decorrentes
simplesmente da diferença anatômica dos corpos (Oliveira; Rocha,
2016, p. 339). Além disso, precisa-se destacar as articulações com
as lutas sociais em torno da construção de gênero, que se reverbera
na produção de conhecimento.
Isso auxilia na articulação de uma proposta para o conceito de
gênero. A historiadora norte-americana Joan Scott indica que foram
nesses ambientes, onde emergiram as contradições de gênero, que
começou a ser pensada uma produção historiográfica em que as
mulheres protagonizassem tanto quanto os homens o papel de
sujeito histórico e pudessem, além de figurar nas páginas dos livros,
rever várias abordagens científicas sobre a produção do
conhecimento (Burke apud Previtalli; Vieira, 2017).
Os questionamentos acerca das contradições e dos conflitos
gerados pela inferiorização e a discussão sobre o que era o feminino
no espaço acadêmico, possibilitaram desconstruir nesses campos
de saberes os limites de pensar o homem e a mulher como
contraposição de relações, como se fossem validados pela oposição
entre os sexos (Previtalli; Vieira, 2017). Nesse sentido, pode-se
perceber que a construção do conceito de gênero perpassa a
discussão acerca da sexualidade.
O filósofo Michel Foucault aponta em seus estudos sobre a
sexualidade, investigada a partir da sujeição, que ela se configura
como um processo no qual nos tornamos o que somos a partir de
algo produzido para dizer quem somos e como devemos nos manter
para ser o que está definido. Segundo Foucault, nos tornamos quem
somos, fazemos ou nomeamos as coisas de uma forma e não de
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deve-se levar em consideração a cultura, a sociabilidade e o papel
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das novas tecnologias de comunicação para pensar nos novos
arranjos familiares da contemporaneidade. 
Você estudou que as famílias podem ser classificadas da seguinte
forma: família nuclear ou conjugal, monoparental, reconstituída ou
homoparental. Outro aspecto que você percebeu e que deve ser
considerado para se pensar na construção da família moderna é que
esta apresenta menores restrições sociais quando comparada às
famílias tradicionais.
Por fim, você estudou a importância da família e da escola para a
construção de uma rede de apoio e de bem-estar para os indivíduos
e toda a sociedade. Por isso a importância de uma comunicação
eficiente e constante no acompanhamento e desenvolvimento da
aprendizagem dos estudantes. Como discutimos, a escola deve
promover a construção de uma rede de apoio e de bem-estar,
promovendo o desenvolvimento integral dos estudantes e se
adaptando constantemente para atender as necessidades
emocionais, sociais e educacionais do aluno.
 
 
Saiba Mais
Socialização primária e socialização secundária
Para o aprofundamento dos estudos sobre o processo de
socialização, recomendamos a leitura do Capítulo 6 – Socialização
do livro Sociologia Geral, de Antonio C. Gil. O livro está disponível
na plataforma Minha Biblioteca.
A família moderna: classificação e mudanças
Para que você possa aprofundar os seus estudos sobre família e as
relações com educação e diversidade, recomendamos a leitura do
Capítulo 2 – Família do livro Relações familiares intergeracionais ,
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522489930/pageid/0
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186850/pdf/0?code=x0mIsIf1myylfF21eCieWx0w9DGUuD6XQuWt7g7gG/ONVU4ByyOWNlAo7WAmU33z5Or/yY/YNzb0jkusBi5+7w==
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de Andressa Ignácio da Silva. Você encontra o livro em nossa
Biblioteca Virtual.
Escola e família: rede de apoio e bem-estar
Para o aprofundamento dos estudos sobre escola, família e
filhos/estudantes, recomendamos a leitura do capítulo Crise, acosso
e reinvenção da experiência educativa contemporânea, de Julio
Groppa Aquino, do livro Família e educação: quatro olhares, de Julio
Groppa Aquino, Rosely Sayão, Sérgio Rizzo e Yves De La Taille. O
livro encontra-se disponível em nossa Biblioteca Virtual.
 
 
Referências Bibliográficas
AQUINO, J. G. et al. Família e educação: quatro olhares. 1. ed.
Campinas: Papirus, 2013. 
GIL, A. C. Sociologia Geral. São Paulo: Grupo GEN, 2011.
OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens
do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Novo
Milênio, 2016.
PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017.
SILVA, A. I. da. Relações familiares intergeracionais. 1. ed. São
Paulo: Contentus, 2020. 
Aula 4
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/4161/pdf/0?code=YT+1b2QnCocIlB5AViDe/Peg0DfSHluryvjYUdQqyslZ5XIYpYpkyrMkDmN0tiZ9+m0kZiew2sR7gSlrsRV7dw==
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EDUCAÇÃO E AS LUTAS
ANTICAPACITISTAS
Educação e as lutas
anticapacitistas
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!
Ponto de Partida
Nossa competência de estudos consiste em examinar o modo como
as interseccionalidades sobrepõem formas de dominação e se
refletem sobre o cotidiano do contexto escolar, o que nos leva a
pensar nas condições das pessoas com deficiência. As lutas
anticapacitistas são, nesse sentido, essenciais para darmos
continuidade aos estudos sobre educação e diversidade, pois elas
são também consideradas marcadores sociais da diferença. 
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Nesta aula, vamos analisar a importância dos estudos da temática
marcador social da diferença, para pensar a escola como meio para
o exercício de práticas de acessibilidade e a criação de ambientes
inclusivos, seguros e acolhedores, de modo a envolver toda a
escola, a família e a comunidade escolar. Por isso, a sensibilização,
a conscientização e o apoio de uma rede articulada em prol desses
objetivos se fazem necessários. 
Vejamos alguns questionamentos iniciais necessários: como
devemos buscar entender (no sentido de se colocar no lugar do
outro) a necessidade de acessibilidade e de recursos para as
pessoas com deficiência? De que modo podemos contribuir para a
criação de ambientes inclusivos voltados à população com
deficiência? Qual a importância da sensibilização e da
conscientização e apoio para uma educação anticapacitista? De que
modo a escola pode ser a protagonista para a sensibilização e a
conscientização da comunidade escolar e da sociedade?
Você pode perceber a importância das lutas anticapacitistas visando
uma educação mais inclusiva e democrática nas escolas e em
nossa sociedade. Nesse sentido, convidamos você para que
aprofunde os seus estudos e leituras sobre o tema e que tenha uma
excelente aula. Bons estudos.
Vamos Começar!
Nesta aula sobre a educação e as lutas anticapacitistas, você vai
compreender e perceber a importância da inclusão das pessoas
com deficiência no processo educacional e no desenvolvimento da
sociedade como um todo. Você vai estudar primeiramente sobre a
acessibilidade e recursos e, em seguida, sobre a criação de
ambientes inclusivos, seguros e acolhedores, envolvendo a parceria
entre escola, família e comunidade escolar. Por fim, você vai estudar
sobre a necessidade de uma maior sensibilização, conscientização
e apoio para essas causas fundamentais no exercício do
desenvolvimento da diversidade e da inclusão. 
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Acessibilidade e recursos
Em educação e diversidade, como temos visto até aqui, prioriza-se a
perspectiva da inclusão e de uma sociedade (e escola) plural, que
valorize o reconhecimento, a diferença, e a multiplicidade
sociocultural com que nos constituímos historicamente. Com isso,
tem-se como um dos objetivos desta aula, a desconstrução de
qualquer forma de preconceito, discriminação e de intolerância
contra quaisquer pessoas e povos, suas especificidades e
diferenças que demarcam a sua identidade.
Pode-se perceber que, em nosso percurso, estamos reconhecendo
e valorizando a diversidade sociocultural, étnico-racial, de gênero,
entre outras. As pessoas com deficiência, da mesma forma,
precisam de reconhecimento e de inclusão em nosso meio, e mais
que isso, é necessário um mínimo de empatia para compreender as
necessidades específicas para a inclusão no convívio social. Em
todos os espaços, seja em casa, na escola, espaço público ou
privado, a liberdade de ir e vir não pode ser cerceada.
Mais que reconhecimento e inclusão, falar em educação e lutas
anticapacitistas é falar nos direitos das pessoas com deficiência que
devem ser exercidos por todos. São os direitos relacionados à
saúde, educação, transporte, trabalho, entre outros. A educação é
fundamental para que a pessoa com deficiênciasupere barreiras e
consiga exercer seus direitos e liberdades individuais em condições
de igualdade com as demais pessoas (Muzy, 2022, p. 97).
A escola, nesse sentido, é um espaço importantíssimo de criação de
uma cultura de mudanças para uma sociedade mais inclusiva e
acessível a todas as pessoas que nela frequentam,
independentemente das suas condições físicas, psicológicas ou
sociais. Um dos eixos fundamentais da disciplina de educação e
diversidade consiste, portanto, na educação e conscientização das
lutas anticapacitistas. Esse é, sem dúvida, um marcador social da
diferença, portanto deve ser pauta de todos nós.
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Sendo a educação um direito da pessoa com deficiência, é
implícito, mas mesmo assim, foi determinado no Estatuto da
Pessoa com Deficiência a garantia de sistema educacional
inclusivo. Além disso, a discussão se a regra é a pessoa com
deficiência frequentar o ensino regular ou não, já poderia
estar reduzida pela disposição do artigo 27 do citado diploma
legal, pois ao assegurar sistema educacional inclusivo,
subtende-se que será dentro do sistema regular de ensino
(Muzy, 2022, p. 97).
Temos como premissa fundamental nesses estudos buscar
entender, colocando-se no lugar do outro, das pessoas com alguma
deficiência, a importância da acessibilidade e recursos em quaisquer
espaços em que se convive socialmente. Você deve se lembrar do
conceito de alteridade, ou seja, que o eu se constrói também em
contato com o outro, e isso é importante ser tomado como premissa
elementar em nossos estudos sobre educação anticapacitista.
Acresce-se a isso o exercício da empatia, colocando-se no lugar do
outro, no sentido de procurar enxergar de que modo é possível se
inserir na convivência social.
A escola serve, portanto, para construção de mecanismos e
dispositivos de acessibilidade e de inclusão das pessoas com
deficiência, por um lado, e para desconstrução do preconceito e da
discriminação ou de qualquer outra forma de violência contra as
pessoas com deficiência, ou seja, em uma cultura de luta
anticapacitista.
Uma pesquisa realizada em 2009 pela Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (Fipe) com 501 escolas públicas do
país, apontou as formas de preconceito no ambiente escolar
brasileiro. Das 18,5 mil pessoas entrevistadas, entre alunos,
educadores, funcionários e pais, 99,3% demonstram algum
tipo de preconceito: etnorracial, socioeconômico, de gênero,
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geracional, orientação sexual ou territorial ou em relação às
pessoas com algum tipo de necessidade especial. A
discriminação relacionada aos portadores de deficiências é a
mais frequente (96,5% dos entrevistados), seguido pelo
preconceito etnorracial (94,2%), de gênero (93,5%), de
geração (91%), socioeconômico (87,5%), com relação à
orientação sexual (87,3%) e 75,95% têm preconceito
territorial (Piacentini, 2015 apud Previtalli; Vieira, 2017, 49).
Perceba que as práticas de discriminação estão mais relacionadas
às pessoas com deficiência, e ela está presente também na escola.
Por isso a importância de uma educação inclusiva para as pessoas
com deficiência, considerando que a escola pode contribuir para
uma educação inclusiva de modo a proporcionar um acesso
equitativo e a valorização das diferenças.
Criação de ambientes inclusivos, seguros e acolhedores
A educação anticapacitista transforma realidades fazendo com que
escolas e outros espaços sejam modificados e adaptados para o
atendimento de necessidades múltiplas de pessoas com deficiência.
Sabe-se que a escola precisa ter acessibilidade e recursos
disponíveis para que tais ações sejam implementadas, não apenas
no que tange à ordem física ou de acessibilidade, mas é preciso que
haja meios para a inclusão sociocultural, de modo que todos
possam participar em condições de igualdade no espaço escolar. A
ideia é que isso seja espraiado para toda a comunidade, sendo a
escola a instituição de referência. A utilização de recursos
tecnológicos é igualmente fundamental nesse processo, oferecendo
tecnologias mais acessíveis para as pessoas com necessidades
diversas. 
A criação de ambientes inclusivos e acolhedores é importante para
que se possa incluir a diversidade de populações e suas
necessidades múltiplas. O estudante com deficiência precisa se
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sentir acolhido na escola. O ambiente que tem estrutura para
receber essa pessoa já representa parte do acolhimento necessário,
assim, quando falamos na adequação da infraestrutura para o
atendimento das pessoas com deficiência referimo-nos à adaptação
da estrutura física das escolas, como rampas, banheiros, sala com
recursos específicos e sinalização adequada, para que seja
garantida a participação de todos. 
Os recursos e as tecnologias assistivas são igualmente importantes
no desenvolvimento de uma educação anticapacitista, por isso a
escola precisa aprimorar e disponibilizar recursos didáticos e
tecnológicos de modo a atender às necessidades individuais dos
alunos com deficiência.
A formação docente e profissional é um pilar importante para
contemplar essa demanda da diversidade sociocultural. Por isso,
deve-se preparar o pessoal, oferecer formação contínua para
professores e profissionais da educação, capacitando-os a trabalhar
de maneira inclusiva e atendendo às necessidades variadas dos
alunos.
Figura 1 | Parte da obra de Stephen Wiltshire do desenho de uma paisagem da Cidade do México
(2016). Fonte : Wikimedia Commons. 
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Com isso, permite-se que pessoas com deficiência sejam incluídas
nas relações sociais, espaços de construção, tomadas de decisão e
de desenvolvimento na escola, na comunidade e na sociedade.
Espera-se, com o tempo, que seja eliminadas as diversas formas de
discriminação em relação às pessoas com deficiência. 
Siga em Frente...
Sensibilização, conscientização e apoio
A criação de ambientes inclusivos, seguros e acolhedores têm
levado à construção de espaços mais acessíveis, plurais e
democráticos, portanto, com mais diversidade. A sensibilização e a
conscientização de toda a sociedade nas lutas anticapacitistas tende
a promover uma educação que se propõe a superar os
preconceitos, estereótipos e barreiras que limitam a participação
plena e igualitária de pessoas com deficiência. 
A conscientização promove a inclusão, o respeito à diversidade e a
igualdade de oportunidades para todos, independentemente de suas
condições ou habilidades físicas ou psicológicas. A escola pode ser
a protagonista na sensibilização e conscientização da comunidade
escolar e da sociedade, por isso é importante que a comunidade
escolar se organize e se envolva em programas educacionais de
sensibilização, articulando ao máximo a família e a comunidade
escolar (uma espécie de prática extensionista).
Todos os estudantes são muito importantes nesse processo, e
podem exercer o protagonismo estudantil no desenvolvimento de
projetos (confecção de cartazes, por exemplo). Esse tipo de
atividade pode garantir a construção de uma rede de apoio,
buscando envolver todos os atores da escola, órgãos colegiados,
como equipes multidisciplinares, grêmio estudantil, a escola e a
comunidade escolar, além de buscar parcerias com ONG e outros
institutos e instituições de apoio.
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Promover ambientes inclusivos, seguros e acolhedores
acompanhados de uma educação anticapacitista requer um esforço
contínuo, colaborativo e multifacetado, visando criar espaços nos
quais todas as pessoas sintam-se valorizadas, respeitadas e
plenamente integradas à sociedade. Isso faz com que todos nós
saiamos da zona de conforto, para tentar entender o outro,
colocando-nos em seu lugar, a fim de lutar e trabalhar em conjunto. 
 
 
Vamos Exercitar?
Em nosso percurso de estudos sobre as relações entre marcadores
sociais da diferença e uma abordagem inclusiva da educação,
especificamente nas questões voltadas a uma educação
anticapacitista, vamos retomar alguns questionamentos realizados
no começo da aula: como devemos buscar entender (no sentido de
se colocar no lugar do outro) a necessidade de acessibilidade e de
recursos para as pessoas com deficiência? De que modo podemos
contribuir para a criação de ambientes inclusivos voltados à
população com deficiência? Qual a importância da sensibilização e
da conscientização e apoio para uma educação anticapacitista? De
que modo a escola pode ser a protagonista para a sensibilização e a
conscientização da comunidade escolar e sociedade? 
Você estudou que as pessoas com deficiência precisam de
reconhecimento e de inclusão em nosso meio. Aliás, mais que isso,
é necessário um mínimo de empatia para que se compreendam as
necessidades específicas para a inclusão no convívio social, e isso
em todos os espaços, sem que a liberdade de ir e vir seja cerceada.
Nesse sentido, você percebeu a importância de se colocar no lugar
dessas pessoas. 
Por sua vez, a escola deve promover espaços mais acessíveis,
inclusivos e acolhedores que atendam às especificidades da
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população com deficiência. Nesse contexto, você estudou que a
escola é importante na construção de mecanismos e dispositivos de
acessibilidade e de inclusão das pessoas com deficiência e na
desconstrução do preconceito e da discriminação, ou de qualquer
outra forma de violência. 
Como você estudou, a conscientização e a sensibilização acerca
dessas questões na escola contribuem para promover o respeito à
diversidade e à igualdade de oportunidades para todos,
especialmente para as pessoas com alguma deficiência. Esses
fatores são fundamentais para a continuidade das lutas
anticapacitistas nas instituições de ensino, contribuindo para a
superação de preconceitos, estereótipos e barreiras estruturais
limitadoras para essas pessoas. É preciso a participação plena e
igualitária de todos, o que inclui as pessoas com deficiência nas
instituições de ensino. 
Enfim, de acordo com o que se estudou, a inclusão de pessoas com
deficiência na convivência social é muito importante e a escola pode
ser uma instituição protagonista na sensibilização e conscientização
da comunidade escolar e da sociedade, promovendo meios de
inclusão e de incentivo de participação em que as pessoas com
deficiência sejam protagonistas em ações, práticas e projetos
educativos realizados pela escola. Isso contribui significativamente
para promover a inclusão de pessoas com deficiência e o
desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária e inclusiva. 
 
Saiba Mais
Acessibilidade e recursos
Para o aprofundamento dos estudos sobre as pessoas com
deficiência e as relações com educação e diversidade,
recomendamos a leitura do Capítulo 3 do livro Direito das pessoas
com deficiência, de Evandro Muzy. A obra está disponível em nossa
Biblioteca Virtual e pode ser acessada por você.
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/200214/pdf/0?code=o8GNKPLOFySW7oS2OetfJlcvQneLhdNZV62vGrmMUc3dJkAwFPYQgiV6YK4gv2nn8AIsrWVVU8KVNVg6EfsD6w==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/200214/pdf/0?code=o8GNKPLOFySW7oS2OetfJlcvQneLhdNZV62vGrmMUc3dJkAwFPYQgiV6YK4gv2nn8AIsrWVVU8KVNVg6EfsD6w==
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Criação de ambientes inclusivos, seguros e acolhedores
Para o aprofundamento dos estudos sobre os direitos das pessoas
com deficiência, recomendamos a leitura do Capítulo 9 – Lei
Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência: modificações
substanciais, de Luciana Fernandes Berlini, no livro Direito das
pessoas com deficiência psíquica e intelectual nas relações
privadas, de Joyceane Bezerra de Menezes. A obra está disponível
em nossa Biblioteca Virtual.
Sensibilização, conscientização e apoio
Para que você reflita sobre a questão da sensibilização,
conscientização e apoio à pessoa com deficiência, recomendamos
dois filmes bastante interessantes.
Um deles é O oitavo dia. O filme aborda temas relacionados à
diferença, aceitação e beleza da diversidade humana. É uma obra
que nos toca profundamente ao explorar a jornada emocional e
espiritual dos personagens principais em direção à compreensão e
ao respeito mútuo.
Outro filme é Uma aula de harmonia, que traz a história de um
boxeador problemático que vai morar com a mãe e o irmão autista,
mas precisa se encaixar em uma família com a qual não convive há
anos. Muito próprio para pensarmos na sensibilização de nossa
sociedade.
 
 
Referências Bibliográficas
MENEZES, J. B. de. Direito das pessoas com deficiência
psíquica e intelectual. 2. ed. Rio de Janeiro: Processo, 2020. 
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/185341/pdf/0?code=NbBqOVlSe2Q4xi2KNaQvchq4Wl8Kng+bt/5dw6NdHivrtACLa+MXLoW5T9uqh8xyXiBmophwdQMaYadYFMUa2w==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/185341/pdf/0?code=NbBqOVlSe2Q4xi2KNaQvchq4Wl8Kng+bt/5dw6NdHivrtACLa+MXLoW5T9uqh8xyXiBmophwdQMaYadYFMUa2w==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/185341/pdf/0?code=NbBqOVlSe2Q4xi2KNaQvchq4Wl8Kng+bt/5dw6NdHivrtACLa+MXLoW5T9uqh8xyXiBmophwdQMaYadYFMUa2w==
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MUZY, E. Direito das pessoas com deficiência. 1. ed. Rio de
Janeiro: Freitas Bastos, 2022. 
PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017.
Encerramento da Unidade
EDUCAÇÃO E
INTERSECCIONALIDADES
ENTRE MARCADORES
SOCIAIS DA DIFERENÇA
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!
 
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Ponto de Chegada
Nesta etapa dos estudos em educação e diversidade, na qual
buscamos examinar a maneira como as interseccionalidades
sobrepõem formas de dominação e se refletem sobre o cotidiano no
contexto escolar, traçamos a nossa abordagem sob uma perspectiva
inclusiva da educação. Acompanhe a seguir!
Educação, gênero e lutas feministas
Os estudos em educação e gênero são importantes porque
possibilitam uma reflexão e desconstrução de hábitos e práticas
historicamente construídos em nossa formação social. Isso nos leva
a pensar na construção de gênero e em nossas relações sociais,
bem como na forma com que são construídas as bases de nossa
sociedade. O conceito de gênero destaca que as diferenças entre
homens e mulheres não são apenas biológicas, mas socialmente
construídas, influenciadas por normas, expectativas e valoresculturais. Como estudamos, os movimentos feministas foram
importantes para as lutas das mulheres, pois problematizaram essas
questões que culminaram com a elaboração do conceito de gênero.
O feminismo objetiva a construção de uma sociedade mais justa,
contribuindo significativamente para a desconstrução de quaisquer
formas de estereótipos existentes em nosso convívio social. Por isso
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a questão da desigualdade de gênero deve sempre vir à tona de
modo que seja possível encontrar os caminhos para o
enfrentamento de estereótipos. A escola é, nesse sentido, um
espaço fértil para que se possa promover a justiça e a igualdade de
gênero. Em suma, os estudos de gênero são fundamentais para a
construção de condições mais igualitárias
Educação, diversidade e pessoas LGBTQIAPN+
Nos estudos em educação e diversidade, é importante lembrarmos
da importância das conquistas de direitos das pessoas
LGBTQIAPN+, para uma educação plural e inclusiva e essenciais
para o exercício da cidadania. Nesse sentido, as políticas de
proteção e de inclusão são conquistas importantes, resultados de
lutas contra a discriminação que demarcam avanços legais e
culturais para a comunidade LGBT+. Também deve-se combater
eficazmente toda forma de bullying qualquer forma de preconceito e
de discriminação na escola, como um exercício diário de todos nós.
A questão da representatividade e da visibilidade de pessoas LGBT+
se torna, nesse sentido, um instrumento importante para a
construção de uma sociedade mais democrática e inclusiva nas
questões relacionadas ao gênero. Enfim, a visibilidade da população
LGBT+ promove a conscientização e a empatia de modo mais
efetivo, para que as pessoas aceitem e vivenciem as diferenças.
Educação e arranjos familiares
Quando falamos em socialização, precisamos diferenciar a primária
da secundária. A socialização primária é aquela que acontece nas
famílias e tem como objetivo o ensinamento de normas e regras de
comportamento para a vida em sociedade. A socialização
secundária acontece quando o indivíduo passa a conviver com
outros grupos sociais e em outros ambientes que não a própria
família. O processo de socialização é fundamental para os estudos
em educação e diversidade, afinal, isso implica os ensinamentos
sobre valores justos, democráticos e inclusivos em nosso meio
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social, para que os indivíduos possam chegar mais preparados nas
escolas.
A construção da família moderna vem passando por muitas, rápidas
e dinâmicas mudanças. Deve-se levar em consideração a cultura, a
sociabilidade e o papel das novas tecnologias de comunicação para
pensar nos novos arranjos familiares da contemporaneidade. Nesse
sentido, as famílias podem ser classificadas da seguinte forma:
nuclear ou conjugal, monoparental, reconstituída ou homoparental. A
família moderna também oferece menos restrições sociais se
comparadas às famílias tradicionais. A família e a escola são
importantes para a construção de uma rede de apoio e de bem-estar
para os indivíduos e toda a sociedade. Isso contribui por promover o
desenvolvimento integral dos estudantes.
Educação e as lutas anticapacitistas
Nos estudos sobre as pessoas com deficiência e as relações com a
educação, é válido sabermos que essas pessoas precisam de
reconhecimento e de inclusão em nosso meio. Além disso, é preciso
um mínimo de empatia, colocar-se no lugar das pessoas com
alguma deficiência, auxiliando na luta por acessibilidade e recursos
em quaisquer espaços em que se convive socialmente. A escola é
importante na construção de mecanismos e dispositivos de
acessibilidade e de inclusão das pessoas com deficiência e de
desconstrução do preconceito e da discriminação ou de qualquer
outra forma de violência contra as pessoas com deficiência. A
sensibilização e a conscientização de toda a sociedade para a
questão anticapacitista são importantes para que se possa superar
os preconceitos, estereótipos e barreiras que limitam a participação
plena e igualitária de pessoas com deficiência. A conscientização
promove a inclusão, o respeito à diversidade e a igualdade de
oportunidades para todos, independentemente das condições ou
habilidades físicas ou psicológicas.
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É Hora de Praticar!
Para o estudo de caso desta unidade, imagine-se trabalhando como
educador que recentemente assumiu o cargo de coordenação de
uma escola que atende uma população diversificada social e
culturalmente, composta por alunos de diferentes origens étnicas,
culturais e socioeconômicas. A escola vem tendo muitos desafios
relacionados à questão da diversidade social e cultural,
especialmente nos últimos anos, diante do agravamento de conflitos
relacionados ao preconceito, discriminação e intolerância. 
Nos últimos meses, houve aumento de relatos de ocorrência e até
de evasão, por parte de alunos que se sentiram discriminados pela
forma como se expressam a partir de suas identidades. Além disso,
tem-se observado a prática do bullying na escola contra essas
pessoas.
Sabemos da importância do reconhecimento das diferenças de
gênero, da população LGBT+, das pessoas com deficiência, entre
outras interseccionalidades como marcadores sociais da diferença,
que estudamos ao longo desta unidade, e que é preciso dialogar e
propor uma educação nas escolas mostrando os marcadores sociais
da diferença.
Diante de tal contexto, a diretoria da escola pediu-lhe a elaboração
de uma atividade no sentido de promover a inclusão e o combate à
discriminação na escola. Nesse caso, de que modo você atuaria
para melhorar a questão da inclusão e da aceitação da diversidade
e da diferença na escola? Quais seriam as suas propostas e ações,
buscando envolver toda a equipe da escola e comunidade escolar? 
 
 
Reflita
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Antes de solucionarmos o desafio proposto, que tal resgatarmos
alguns pontos do que estudamos? Para isso, convidamos você para
refletir sobre as seguintes questões:
1. De que modo podemos proporcionar uma abordagem inclusiva na
educação a partir das intersecções entre marcadores sociais da
diferença?
2. Por que a aproximação entre família e escola é tão importante
para o desempenho acadêmico e inteligência emocional do
estudante?
3. Qual a importância da conscientização e da sensibilização de
toda a sociedade nas lutas anticapacitistas?
Agora sim, vamos à resolução do caso apresentado!
Resolução do estudo de caso
Para a resolução deste estudo de caso, lembre-se sempre de que
os estudos em educação e diversidade promovem um olhar para a
compreensão das identidades socioculturais e sua diversidade, e a
educação tem aí um papel fundamental.
Para a ação na escola, inicialmente, você pode fazer um diagnóstico
participativo, a partir da realização de conversas e grupos focais
com alunos, professores, funcionários e família, buscando identificar
os desafios e as demandas para uma atuação mais eficaz no
combate ao bullying e a outras práticas discriminatórias contra a
população marginalizada.
Em meio a esses trabalhos, você pode promover campanhas e
atividades interdisciplinares diversas em toda a escola, de modo que
se contemple a questão de gênero, de pessoas com deficiência,
entre outras. Para uma ação eficiente, você pode articular com o
grêmioestudantil da escola e toda equipe de professores e
funcionários, de modo que a reflexão e o diálogo entre os
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estudantes sejam incentivados. Nessa ação, é importante que se
faça o uso de uma rede de apoio eficaz para o atendimento
especializado com os estudantes da escola mediante palestras,
oficinas e workshops.
Você pode propor ações que efetivem a adaptação curricular e as
práticas pedagógicas, para que se inclua nos materiais didáticos,
bem como em matrizes curriculares, experiências e contribuições
das mulheres, da população LGBT+ ou de pessoas com deficiência
para a sociedade como um todo, reconhecendo a importância da
diferença e da diversidade social e cultural.
Com isso, espera-se melhorar o ambiente escolar, de modo que
diminua as formas de preconceito, de discriminação e de
intolerância contra essas pessoas, diminuindo assim as ocorrências
da escola e os casos de evasão como se tem percebido nos últimos
meses. Além disso, espera-se que a escola, tornando-se um
ambiente ainda mais acolhedor, possa contribuir para a melhora dos
rendimentos dos alunos e o desenvolvimento da inteligência
socioemocional de todos.
Enfim, é muito importante levar em consideração as
interseccionalidades entre marcadores sociais da diferença, para
que seja possível promover ações específicas no sentido de buscar
a inclusão e a desconstrução de práticas de dominação na escola,
criando um ambiente mais justo, igualitário e acolhedor para todos
os alunos, independentemente de suas condições ou vivências. 
 
 
Dê o play!
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Assimile
O infográfico proposto tem como objetivo ilustrar as
interseccionalidades entre marcadores sociais da diferença e a
educação.
Fonte: elaborada pelo autor.
Referências
MENEZES, J. B. de. Direito das pessoas com deficiência
psíquica e intelectual. 2. ed. Rio de Janeiro: Processo, 2020. 
MUZY, E. Direito das pessoas com deficiência. 1. ed. Rio de
Janeiro: Freitas Bastos, 2022. 
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OLIVEIRA, L.F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens do
século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Novo
Milênio, 2016.
PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017. 
STREY, M. N.; CÚNICO, S. D. Teorias de gênero: feminismos e
transgressão. 1. ed. Porto Alegre: ediPUCRS, 2016. 
TEIXEIRA, C. M.; MAGNABOSCO, M. M.. Gênero e
diversidade: formação de educadoras/es. 1. ed. São Paulo:
Autêntica, 2011. 
TORRES, M. A. A diversidade sexual na educação e os direitos
de cidadania LGBT na escola. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2010. 
VIANNA, C.; CARVALHO, M. Gênero e educação: 20 anos
construindo o conhecimento. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2020. 
VIANNA, C. Políticas de educação, gênero e diversidade sexual.
Belo: Horizone: Grupo Autêntica, 2018.6/60
outra e isso gera efeitos ao tomarmos determinadas atitudes sobre
nós e sobre os outros e o que se produz a partir disso no espaço em
que vivemos.
Foucault refletiu acerca da sexualidade em seus estudos sobre os
processos de sujeição na modernidade, procurando criar uma
história pela qual diferentes modos tornariam seres humanos em
sujeitos. O filósofo propõe no sentido investigativo um olhar sob a
norma e o poder, uma força social múltipla que pode assimilar ou
excluir alguém, inquirir da repreensão à punição, do discriminar até
a exclusão.
Os movimentos feministas tiveram origem desde fins do século XIX.
Ali se encontra a raiz da problematização que culminou com a
elaboração do conceito de gênero (Previtalli; Vieira, 2017). Esses
movimentos lutam por equidade e igualdade de condições entre
homens e mulheres, apontando as desigualdades de gênero
existentes em nossa sociedade. O movimento feminista foi muito
importante, pois contribuiu com a construção de uma sociedade
mais justa, a partir do questionamento da cultura do patriarcado e
das relações de dominação a partir do gênero.
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Figura 1 | As lutas feministas - Pôster We can do it!, J. Howard Miller (1942). Fonte:
Wikimedia Commons.
Como se pode ver, não se tolera mais qualquer forma de injustiça e
desigualdades que possa haver em meio a nossas relações,
inclusive entre homens e mulheres. A escola deve transmitir esses
conhecimentos relacionados aos direitos humanos e reproduzir
práticas que demonstrem relações e condições de igualdade, não se
pode tolerar qualquer forma de violência e de hierarquia nas
relações de gênero, e isso deve ser trabalhado desde cedo,
sobretudo com a ajuda das famílias.
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Cabe dizer se é necessário estabelecer uma hierarquia para que
uns vivam em detrimento de outros, pois só assim podemos
perceber o quanto essas lutas, conhecidas como lutas feministas,
que lutaram por direitos e em busca do reconhecimento dessas
desigualdades, trouxeram expressivos ganhos e conquistas para a
ampliação da participação da mulher em todos os espaços da
sociedade.
Enfim, esses são estudos sobre o conceito de gênero, abordagem
preliminar, especialmente para se pensar nas relações com a
realidade escolar. Como se viu, o gênero deve ser pensado em sua
concepção social e cultural e deve-se levar em conta a diversidade
de identidades de gênero e o seu reconhecimento. 
Siga em Frente...
Luta contra estereótipos e representatividade
O processo de educação escolar deve ser uma experiência de
ensinamentos contra quaisquer estereótipos que envolvam a
questão das diferenças, como as de gênero, de acordo com o que
estamos examinando nesta aula. Mediante o entendimento dialético
para a compreensão do fenômeno em si, o nosso ponto de partida é
o ponto de chegada.
É preciso conhecer e combater os diversos estereótipos existentes
no convívio social de uma escola, por exemplo. As pessoas
precisam desnaturalizar as formas de vida que as colocam em
condição de inferioridade, por isso precisamos exercer um papel
crítico e construtivo no que diz respeito à questão de gênero. Deve-
se reconhecer a importância da representatividade. A instituição
escolar é positivamente fértil para promover a justiça e a igualdade
de condições de gênero, e isso deve se estender para outros
arranjos sociais, visando à construção de uma rede de apoio. 
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Nesse sentido, como se pode perceber, gênero é algo construído a
partir das relações sociais e culturais que moldam os indivíduos e
seus corpos, sobretudo a mulher e as expectativas criadas em
relação ao seu comportamento. Estudar sobre gênero é também
pensar na sexualidade humana sob a ótica da natureza social do
fenômeno, ou seja, como algo que a desvincule de um discurso
somente biológico: gravidez, métodos contraceptivos, doenças
sexualmente transmissíveis, cuidados e higiene com o corpo. É
preciso pensar a construção do gênero na perspectiva sociocultural.
A principal crítica de Joan Scott se deu justamente pelo caráter
descritivo de gênero, sem ir além de questões envolvendo homens e
mulheres, ou seja, gênero é uma forma relacional de saber a
respeito das diferenças sexuais, permeado por relações de poder
que dão sentido a um espaço estabelecido, segundo a historiadora.
A pouco vimos o conceito de poder, que engloba as relações de
gênero, para Foucault. Como exemplo, a representação do feminino
para a tradição cristã ocidental é algo que remonta os aspectos
históricos e culturais e que estão relacionados às diferenças de
gênero. Essa discussão e outras que envolvem a desigualdade de
gênero devem ser sempre incentivadas, de modo que seja possível
encontrar os caminhos para o enfrentamento de estereótipos.
Os estereótipos são clichês, uma imagem preconcebida e
padronizada. É preciso desconstruir certos padrões de
comportamento que estão embrenhados em nossa cultura social,
nos quais se relega, muitas vezes, um papel de inferioridade à
mulher. Isso tem impactos negativos, pois reforça as formas de
discriminação, aprofundando as desigualdades de gênero.
Visando uma ampliação da educação e da conscientização em
relação à igualdade de gênero, família, escola e sociedade, todos
devem saber da importância do seu papel para a construção de uma
sociedade mais justa e igualitária no que diz respeito às questões de
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gênero. A escola é uma instituição fundamental nesse processo de
conscientização.
A busca pela representatividade significa garantir que diferentes
grupos sociais sejam representados de forma justa, seja na mídia,
na cultura, nas artes e em quaisquer outros espaços de relações
sociais de todos os setores da sociedade. A diversidade de
representações, nesse sentido, contribui com a ampliação de
narrativas e a quebra de monopólios de histórias únicas e
estereotipadas.
Com isso, observa-se a importância da luta conjunta no
enfrentamento dessas dificuldades, de justiça social e de gênero.
Para a construção de uma forma mais justa em relação às questões
de gênero, deve-se envolver diferentes vozes, perspectivas e
experiências e em mais espaços na escola. A construção (e
valorização) desses espaços é essencial para que se desenvolvam
e se realizem políticas inclusivas, equiparação salarial, cargos de
liderança e chefia ocupados por mulheres em toda a sociedade.
As diferenças entre os sexos não podem gerar violência, exclusão e
intolerância. O feminismo foi um movimento de caráter sociopolítico
na defesa dos direitos humanos das mulheres ao questionar o tripé
da exploração, discriminação e violência. Com essas ações, buscou-
se combater enfaticamente o tratamento biológico.
A filósofa francesa Simone de Beauvoir já dizia que não se nasce
mulher, mas torna-se mulher. Nos estudos sobre a condição das
mulheres e as relações entre os sexos, Simone de Beauvoir trouxe
uma contribuição significativa para pensar sobre as questões
relacionadas ao gênero.
Simone de Beauvoir procurou mostrar que o termo
feminilidade foi inventado pelos homens e tinha como
intenção limitar o papel social das mulheres. [...] uma palavra
não é somente uma representação de fonemas, mas carrega
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consigo valores, modos de pensar e visões de mundo. A
filósofa questionava a ideia de que as mulheres são inferiores
e também questionava a sua posição de subordinação. Para
Beauvoir, as mulheres tinham que superar o ‘eterno feminino’,
que as amarrava e formava seu próprio ser, além de escolher
seu próprio destino, libertando-se das ideias pré-concebidas e
dos mitos pré-estabelecidos (Oliveira; Rocha, 2016, p. 339). 
Simone de Beauvoir colocava em questão estruturas de dominação
relacionadas às questões de gênero, ou seja, algo que sempre se
relegou à posição de subordinação. Discutir essas questões impacta
significativamente a vida em sociedade, pois é preciso ampliar o
debate, de modo que todos possam encontrar meios para a
desconstrução de estereótipos relacionados às questões de gênero.
Como se pode perceber, o feminismo não pretende subverter a
ordem de poder, trocando mulheres por homens no comando, mas
estabelecer uma luta por equidade social, política, cultural e
econômica entre as pessoas (Previtalli; Vieira, 2017).
Esses debates contribuíram decisivamente para repensar e recriar o
que se dizia sobre a identidade do ser homem e ser mulher. Debater
essa questão contribuiu para desestabilizar uma lógica de
pensamento binária, que posiciona de um lado mulheres com
características atribuídas como mais próximas da natureza em razão
da reprodução e gravidez, da passividade, do cuidado com o corpo
e da paramentação, entre outros (Previtalli; Vieira, 2017). A luta
feminista procura remover para o campo político todo esse discurso
ligado à natureza e trabalhar com o conceito de cultura,
argumentando uma construção social dos indivíduos que se dá a
partir das relações sociais.
Problematizando ideologia de gênero
À luz desses estudos e questionamentos para pensar em educação,
gênero e lutas feministas, precisa-se problematizar a ideologia de
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gênero. Na verdade, pode-se dizer que há estudos de gênero, como
uma esfera presente nas relações sociais, assim como o trabalho, a
educação, a religião, entre outros. Essas instituições sociais
apresentam formas e estruturas de dominação e relações de poder.
As relações de gênero se estabelecem em nossa sociedade a partir
das questões culturais de acordo com a sexualidade das pessoas.
No final da década de 1960, os estudos de gênero e sexualidade
ligados à educação no Brasil estiveram presentes em universidades
e escolas através das militantes feministas (Louro apud Previtalli;
Vieira, 2017). Naquele contexto, os estudos das mulheres serviram
como forma de visibilizar e combater a segregação social e política a
que as mulheres historicamente estiveram condicionadas. Nos
últimos anos, esse termo tem gerado muitos questionamentos por
parte da sociedade, sendo que, na maioria das vezes, são
acompanhados de muitos equívocos. É preciso contextualizar este
termo que tem sido pejorativamente usado para desacreditar os
movimentos sociais de luta por direitos e igualdade.
São, no entanto, bastante controversas as polêmicas em torno do
conceito de ideologia de gênero, sobretudo na última década, na
realidade brasileira, marcada pela ascensão e consolidação das
redes sociais e um período bastante conturbado na política. São
muitos os desafios da educação e das políticas públicas no combate
à desinformação e o uso pejorativo do conceito de gênero. Ao
contrário, como se pode observar, o conceito de gênero se constrói
a partir de arranjos sociais arquitetados ao longo da história,
também nas condições de acesso ao que a sociedade necessitava
para funcionar e o que usava como representação (Louro apud
Previtalli; Vieira, 2017).
Um dos principais aspectos de problematizar ideologia de gênero diz
respeito à desconstrução de estereótipos de gênero que reforçam os
padrões binários masculino e feminino. Outro aspecto diz respeito à
diversidade de identidades as quais se pode problematizar nos
estudos de gênero. Isso quer dizer que a diversidade de identidades
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de gênero deve ser valorizada e ressaltada na escola. Para se
pensar na diversidade de identidades de gênero, deve-se lembrar
que gênero é uma construção social e cultural. Nesse sentido,
gênero corresponde a algo em processo de elaboração em meio a
nossas trajetórias de vida. Não existe apenas as identidades de
gênero masculino e feminino, mas outras possibilidades que podem
ser reveladas pelas identidades de gênero. 
Por fim, espera-se que a educação e a discussão de gênero estejam
presentes e vivas nas escolas, sendo problematizadas junto aos
estudantes e comunidade escolar, de modo a tornar a sociedade
mais justa e equitativa. É preciso que haja liberdade de gênero, ou
seja, de livre manifestação de identidades e expressões culturais.
Enfim, como se pode perceber, faz-se necessário problematizar os
estudos de gênero nas escolas e envolver ao máximo toda a
comunidade escolar, de modo a combater e desconstruir
estereótipos e qualquer outro tipo de violência de gênero que possa
haver em nosso meio social.
Vamos Exercitar?
Em nosso processo de aprendizagem, buscamos nos pautar em
uma compreensão lógica e racional da diversidade. As questões
relacionadas a gênero e lutas feministas fazem parte desses
estudos. Nesse sentido, você deve se lembrar dos questionamentos
iniciais que se fazem necessários para problematizarmos essas
questões: o que é gênero? Qual a contribuição dos movimentos
feministas na construção de uma sociedade mais justa? Quais as
formas mais eficazes de luta contra os estereótipos? Qual a
importância da representatividade? Qual a importância de se
problematizar a ideologia de gênero? 
Você estudou que pensar na construção de gênero nos leva a refletir
sobre nossas relações sociais e a forma como a sociedade constrói
essas relações. Você aprendeu que gênero tem a ver com papéis,
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comportamentos, expectativas e identidades sociais atribuídas aos
indivíduos, diferentemente de sexo, relacionado às características
biológicas. Nesse sentido, o conceito de gênero destaca que as
diferenças entre homens e mulheres não são apenas biológicas,
mas socialmente construídas, influenciadas por normas,
expectativas e valores culturais. O gênero, portanto, corresponde à
construção social que demarca identidades. 
Os movimentos feministas são importantíssimos na luta por
equidade e igualdade de condições entre homens e mulheres, pois
as relações sociais que apontam as desigualdades de gênero
existentes em nossa sociedade tiveram origem no movimento
iniciado por mulheres desde fins do século XIX. A problematização
dessas questões pelo movimento feminista culminou com a
elaboração do conceito de gênero e contribuiu com a construção de
uma sociedade mais justa, a partir do questionamento da cultura do
patriarcado e das relações de dominação a partir do gênero. 
O feminismo foi um movimento de caráter sociopolítico na defesa
dos direitos humanos das mulheres ao questionar o tripé da
exploração, discriminação e violência. Isso contribuiu na luta contra
quaisquer estereótipos existentes no convívio social de uma escola,
por exemplo. Vimos que as pessoas precisam desnaturalizar as
formas de vida que as colocam em condição de inferioridade, por
isso precisamos exercer um papel crítico e construtivo no que diz
respeito à questão de gênero.A questão da desigualdade de gênero
deve sempre vir à tona de modo que seja possível encontrar os
caminhos para o enfrentamento de estereótipos. Por isso a
necessidade de discutir as questões das desigualdades de gênero
que impactam significativamente a vida em sociedade. É preciso
ainda que se amplie a promoção de políticas públicas voltadas à
questão da igualdade de condições de gênero.
Você estudou que a escola é positivamente fértil para promover a
justiça e a igualdade de condições de gênero, sendo um espaço
importante também na questão da representatividade, crucial para
promover a diversificação de narrativas e a ruptura de monopólios
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de histórias singulares e estereotipadas. E isso deve se estender
para outros arranjos sociais, visando à construção de uma rede de
apoio. Você pode perceber que os estudos de gênero são
fundamentais, e que essas relações pertencem a uma esfera
presente em nossas relações sociais na vida cotidiana, assim como
o trabalho, a educação, a religião, entre outros. 
No entanto, como discutimos, são controversas as polêmicas em
torno do conceito de ideologia de gênero, sobretudo na última
década da realidade brasileira, marcada pela ascensão e
consolidação das redes sociais e de um período bastante
conturbado em nosso país do ponto de vista da política. Como
vimos, não se trata de promover determinada ideologia de gênero
nas escolas, mas sim de destacar que a disciplina de educação e
diversidade objetiva contribuir com o desenvolvimento dos estudos
relacionados à gênero, ou seja, trata-se de estudos de gênero. Você
percebeu que é preciso problematizar ideologia de gênero, para que
se possa desconstruir os padrões binários de gênero, masculino e
feminino, demonstrando o aspecto social e cultural presente na
construção de gênero. 
Saiba Mais
Construção do conceito de gênero e movimentos feministas
Para o aprofundamento dos estudos sobre as relações entre gênero
e o seu contexto, recomendamos a leitura do Capítulo: Um olhar
para a socialização na construção das desigualdades de gênero no
contexto escolar, de Sandra Unbehaum, Thais Gava e Elisabete
Regina B. Oliveira (in memoriam), do livro Gênero e educação: 20
anos construindo o conhecimento, de Cláudia Vianna e Marília
Carvalho (orgs.). Leia também outros capítulos desse livro,
disponibilizado em nossa Biblioteca Virtual.
Luta contra estereótipos e representatividade
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/191764/epub/0?code=VzxnJi1eQEji5JnIZtnYuW+9zuduAGlGzpbhCRIz9tgLVVw9XpOHkQ3E0zVSKHkLvET4y6ZQuUr7Bs3if2oQog==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/191764/epub/0?code=VzxnJi1eQEji5JnIZtnYuW+9zuduAGlGzpbhCRIz9tgLVVw9XpOHkQ3E0zVSKHkLvET4y6ZQuUr7Bs3if2oQog==
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Para o aprofundamento dos estudos sobre a luta contra estereótipos
e representatividade, recomendamos a leitura do capítulo As
assimetrias da intersecção entre cidadania e igualdade para as
mulheres do livro Teorias de Gênero: feminismos e transgressão, de
 Marlene Neves Strey e Sabrina Daiana Cúnico. O livro está
disponibilizado em nossa Biblioteca Virtual.
Problematizando ideologia de gênero
Para o aprofundamento dos estudos sobre educação e gênero,
recomendamos a leitura do Capítulo 1 – Lutas por educação:
gênero, identidade coletiva e organização de mães de alunas/os, do
livro Políticas de educação, gênero e diversidade sexual, de Cláudia
Vianna. O livro está disponibilizado em Minha Biblioteca.
Referências Bibliográficas
OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens
do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Novo
Milênio, 2016.
PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017.
STREY, M. N.; CÚNICO, S. D. Teorias de gênero: feminismos e
transgressão. 1. ed. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2016. 
VIANNA, C.; CARVALHO, M. Gênero e educação: 20 anos
construindo o conhecimento. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2020. 
VIANNA, C. Políticas de educação, gênero e diversidade sexual.
Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
Aula 2
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/54563/epub/0?code=RIv8RF/BspEtMnyI2XHxvMLEeg/pMOh5WyJ5WMNl9OWV3yjyp5D8tTOPA+FStuv08VhJKIRBdp9TWI0VfswY6A==
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788551304006/pageid/0
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EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE
E AS PESSOAS
LGBTQIAPN+
Educação, diversidade e as
pessoas LGBTQIAPN+
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!
Ponto de Partida
Nos estudos em educação e interseccionalidades entre marcadores
sociais da diferença, a questão da diversidade e dos direitos das
pessoas LGBTQIAPN+ são fundamentais para se pensar no
exercício de uma educação plural e inclusiva. Isso nos leva a
problematizar as formas de dominação que se refletem no cotidiano
da escola.
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Pensar nessa questão leva-nos ao reconhecimento da diversidade
de identidades e de sexualidades com que se apresentam em nossa
sociedade. Nesse sentido, é preciso que sejam reconhecidos os
direitos das pessoas LGBTQIAPN+, ou seja, direitos de lésbicas,
gays, bissexuais, trans, queer, intersexo, assexuais, pansexuais,
não-binárias e mais. Ademais, deve-se dar visibilidade a conquistas
de espaços importantes na construção de uma sociedade mais
justa. Dessa forma, você vai refletir nesta aula sobre as
possibilidades, avanços e retrocessos em relação ao combate ao
bullying e à LGBTfobia nas escolas e na sociedade. 
Nesses estudos sobre as relações entre educação, diversidade e
pessoas LGBTQIAPN+, alguns questionamentos se fazem
necessários: quais os avanços e retrocessos em relação ao
reconhecimento dos direitos das pessoas LGBT+? Quais as práticas
eficazes para combater o bullying relacionado às questões de
gênero e a LGBTfobia? Qual o papel da escola nesse processo? O
que é representatividade e visibilidade das pessoas LGBTQIAPN+? 
Perceba que essas são algumas das problematizações acerca das
questões relacionadas à educação e interseccionalidades como
marcadores sociais das diferenças. Nosso recorte desta aula
consiste em analisar essas questões sob o espectro dos direitos das
pessoas LGBTQIAPN+. Aprofunde seus conhecimentos sobre o
tema a partir da leitura das referências bibliográficas e de outros
materiais. Desejamos excelentes estudos. 
Vamos Começar!
Nesta aula sobre diversidade e os direitos das pessoas
LGBTQIAPN+, fundamentais para pensar no exercício de uma
educação plural e inclusiva, como se observa nos estudos em
educação e diversidade, você vai estudar primeiramente o respeito e
reconhecimento dos direitos das pessoas LGBT+. Em seguida, vai
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estudar as formas de combate ao bullying e à LGBTfobia. Por fim,
vai estudar a questão da representatividade e visibilidade.
Respeito e reconhecimento dos direitos das pessoas LGBT+
Quando você ler LGBT+, entenda que estamos falando de
LGBTQIAPN+. Esses elementos são fundamentais paraa garantia
de uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária, sem
discriminações ou quaisquer outras formas de violência.
Em educação e diversidade, o respeito é um fator indispensável
para o desenvolvimento dos estudos, para que não haja a
discriminação, seja a forma como ela se manifestar. Com isso,
busca-se desconstruir estigmas, ou seja, a desaprovação de
características e de preconceitos no ambiente escolar e na
sociedade, de modo que ambientes mais seguros e inclusivos sejam
criados. É sempre bom lembrar que o Brasil é um dos países nos
quais se comete mais violência contra homossexuais em todo o
mundo, muitas vezes na forma de homicídio. Isso revela claramente
as dificuldades em aceitar a diversidade de gênero em nosso país.
Dessa forma, faz-se necessário o reconhecimento de direitos da
população LGBT+, para que essas pessoas tenham a garantia de
direitos legais. Perceba que são direitos básicos e elementares para
o exercício e desenvolvimento da cidadania, como o direito de
acesso à saúde, à educação e à adoção de crianças, e que são
considerados avanços para a sociedade brasileira. O direito ao
casamento gay, por exemplo, também corresponde a um dos
avanços para que a população LGBT+ possa ter garantidos alguns
dos direitos fundamentais. É preciso continuar trabalhando nas
escolas e junto à comunidade escolar, para que as práticas
discriminatórias e o bullying sejam extintos de nosso convívio social.
Um avanço conquistado pela população LGBT+ é com relação às
políticas de proteção e inclusão. A questão da representatividade
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das pessoas LGBT+ na política e em demais centros tomadores de
decisão deve ser consolidada e ampliada em nossa sociedade.
Figura 1 | Registros da Parada do Orgulho LGBT, Mídia Ninja (2017). Fonte: Wikimedia Commons. 
Como você estudou na aula anterior, a sexualidade é uma
construção sexual mediada por relações sociais que determinam o
que pode ou não existir. Essa construção está intimamente ligada às
relações de poder que se estabelecem na constituição de cada
indivíduo em nossa sociedade. A ideia dos estudos em educação e
diversidade é justamente lançar olhar acerca da sexualidade,
entendendo-a como uma construção social (Previtalli; Vieira, 2017),
o que vai na contramão do senso comum ou do julgamento de valor
de muitas pessoas.
A consolidação dos estudos de gênero se dá principalmente a partir
da década de 1990, no contexto em que se denunciaram falsas
oposições entre natureza/cultura e real/construído. Os estudos de
gênero ganham impulso a partir da vertente do Queer Studie’s,
estudos oriundos dos movimentos de gays e lésbicas nos EUA,
outro campo emergente que começou a discutir a construção do
corpo travesti/transgênero, entendendo gênero como forma de
poder social, que produz um campo de inteligibilidade dos sujeitos,
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em um dispositivo pelo qual se produz o saber sobre ser masculino
e também feminino (Toneli apud Previtalli; Vieira, 2017).
Devemos pensar a questão de gênero como forma de poder social
que se estabelece historicamente no campo das relações sociais e
de dominação política e cultural. É preciso que haja o respeito e o
reconhecimento e direitos para todas as pessoas. Para tanto,
precisamos desconstruir as normatizações, muitas delas
representando formas de violência de gênero que estão
naturalizadas em nossa sociedade.
Como se viu, não existem apenas as identidades masculino e
feminino. A criação dessas distinções funciona como mecanismos
que retiram direitos e dificultam acessos aos espaços públicos para
lésbicas, gays, transgêneros, transexuais, indivíduos não binários,
drag queens e tantas outras que possam se classificar atualmente,
inclusive assexuais (Previtalli; Vieira, 2017).
É preciso retomar a teoria queer para lançar algumas reflexões.
Segundo Judith Butler, é preciso desconstruir a identidade de
gênero (aquilo que somos direcionados a nos identificar, cujas
opções transitam entre “ser feminino” ou “ser masculino”),
justamente por esse fenômeno ser pensado ainda de forma binária e
linear (Previtalli; Vieira, 2017).
Nesse sentido, precisamos caminhar e avançar no âmbito do
respeito e do reconhecimento dos direitos das pessoas LGBT+,
fundamental para construir uma sociedade mais inclusiva,
respeitosa e justa. Isso envolve ações que vão desde a promoção
da igualdade legal até a desconstrução de estigmas e preconceitos,
visando a criação de ambientes seguros e acolhedores para todas
as pessoas, independentemente da orientação sexual dos
indivíduos pertencentes a uma sociedade.
Siga em Frente...
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Combate ao bullying e à LGBTfobia
Sabemos que o conhecimento proporciona imensuráveis conquistas
à humanidade e que conhecer e entender o outro em suas próprias
condições é uma forma bastante interessante de praticar a
tolerância em relação às questões de gênero.
Figura 1 | Biscoito de gênero. Fonte: adaptada de Guia da Diversidade LGBT: saúde, atendimento e
legislação (Rio de Janeiro, 2019 apud Campos; Magalhães; Veras, 2022, p. 3).
A escola é um espaço muito importante para o desenvolvimento de
uma pedagogia da sexualidade (Louro apud Previtalli; Vieira, 2017),
e isso envolve todos os atores da escola para que seja possível
estabelecer uma cultura mais acessível e mais inclusiva em relação
às questões de gênero, sobretudo aos professores que, em parte,
apresentam uma grande resistência em discutir temas e tabus como
a questão de gênero e sexualidade nas escolas.
A escola, como se viu, é reflexo das relações da sociedade. Isso não
quer dizer que deva ser ela a estar na vanguarda no processo de
lutas políticas em relação à questão de gênero, mas ela é
importantíssima, podendo a escola ser o motor para o
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estabelecimento de algumas pautas e demandas para que se
diminua a prática do bullying e da violência de gênero.
As noções de gênero, sexualidade e educação, nesse sentido, são
entendidas como construtos sociais que se fundamentam por meio
da historicidade e do caráter provisório das culturas. E as culturas
estão em constante processo de mudança e de adaptação.
Classificar alguém como masculino ou feminino, homossexual,
heterossexual ou bissexual está intimamente ligado a o que o
gênero e a sexualidade produzem como saberes e verdades na
sociedade como um todo (Previtalli; Vieira, 2017).
O combate ao bullying é dever da escola, para que se estenda ao
entorno da comunidade escolar e de toda a sociedade. Quando
falamos em combater o bullying, inclui-se também o combate à
LGBTfobia, ou seja, as discriminações oriundas das relações sociais
de convivência com identidades diversas de gênero.
Uma das formas de eliminar esses tipos de violência consiste na
inclusão, no acolhimento e no apoio à população LGBT+ e a
qualquer outra minoria sociológica, de modo que se possa
compreender os seus anseios e angústias.
A escola é uma instituição que tem por finalidade educar para
a cidadania, igualdade e ampliação dos direitos.
Presenciamos muitas escolas reproduzindo práticas sexistas,
que, através de normas, formas de avaliação, livros didáticos,
currículos, disciplinas, etc., não problematizam e/ou não
abordam as questões de gênero assim como outras
produções discursivas e linguísticasque hierarquizam as
diferenças produzindo as desigualdades no ambiente escolar.
Os estudos de gênero contribuem para a educação na
medida em que oferecem proposições políticas implicadas
por relações de poder que produzem outro olhar e
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possibilitam inúmeras articulações entre masculinidades e
feminilidades (Teixeira; Magnabosco, 2010, p. 5). 
As práticas sexistas relacionadas a alguma forma de violência
devem ser evitadas e cotidianamente desconstruídas nas escolas,
de modo que sejam construídos ambientes mais plurais. As escolas
precisam acompanhar tais mudanças. As relações de gênero são
oriundas das relações de poder em nossa sociedade, e elas
produzem hierarquias, hegemonias e exclusões a partir dos
dispositivos de gênero e sexualidade. Isso ocorre porque esses dois
dispositivos de poder são atravessados pela noção da diferença, e a
diferença que existe, quer queiramos ou não, mas o que a
sociedade faz com ela é justamente o ponto a refletir (Previtalli;
Vieira, 2017).
O que nos leva a dizer, por exemplo, que a homossexualidade
sempre é vista como diferente, anormal? Partimos do entendimento
de que as relações de gênero são construídas cultural e
socialmente. É o contexto cultural quem define a classificação
binária, a partir de um mecanismo sociocultural entendido como um
processo de distinção e do estabelecimento de privilégios para
alguns. Os marcadores de gênero atuam nesse sentido, não apenas
no campo simbólico, mas também no campo material e social.
A diferença conduz a normatização em regulamentar quem seriam
esses normais, ou seja, há disciplinamento de comportamentos,
códigos culturais, controle do corpo, consensos que vão dizendo
reiteradamente quem eles são os normais (Previtalli; Vieira, 2017).
Historicamente, esses processos têm produzido formas de violência
por meio de práticas de discriminação e de violência simbólica com
LGBT+, mesmo na escola, que reproduz a estrutura de dominação e
padronização normativa em relação a questão de gênero. 
A configuração do que é ser homem e ser mulher passa pela
socialização de códigos de roupas, comportamentos, movimentos
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do corpo, voz, presença/ausência de pelos, postura, sentimentos e
outros, que fazem um quadro de tramas sobre o qual vai se dizendo
quem é quem e o que pode ou não fazer para ser considerado esse
alguém (Previtalli; Vieira, 2017). Não se trata dizer das cores das
roupas que meninos e meninas devam usar, mas problematizar essa
questão a partir de uma perspectiva mais abrangente sobre a forma
com o gênero é construído.
O combate ao bullying em relação às questões de gênero e a outras
expressões de minorias sociais, portanto, é necessário na escola e
em toda a sociedade. Sabemos que existe um longo caminho a ser
trilhado em busca da igualdade de gênero, o que leva à necessidade
de um árduo processo de conscientização e de políticas públicas
que reduzam as formas de preconceito e de discriminação para
reconhecer a dignidade e o direito de todas as pessoas.
Representatividade e visibilidade
Diante do que estamos estudando, vimos a importância do
reconhecimento da população LGBT+ e a eliminação de toda forma
de preconceito e discriminação que possa haver na escola e em
todo o meio social, ou seja, é inaceitável a LGBTfobia. Para isso, a
questão da representatividade e da visibilidade das pessoas LGBT+
torna-se um instrumento importante para a inclusão dessa
população e para o desenvolvimento de uma sociedade mais
democrática, tendo a escola um papel fundamental nesse processo.
A questão da representatividade e da identificação se verifica no
empoderamento de personalidades LGBT+ que ocupam espaço na
representação política ou na cultura de massa (mídia), assim como
em outros espaços importantes. Com isso, se exacerba a
diversidade, validando a construção social e cultural múltipla de
gênero, representando uma variedade de identidades e
experiências. A visibilidade da população LGBT+ promove a
conscientização e a empatia, de modo que as pessoas aceitem e
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possam vivenciar as diferenças, contribuindo com a luta contra a
LGBTfobia.
A necessidade de representação e inclusão em diferentes espaços,
o que leva à criação de oportunidades, corresponde aos desafios e
avanços dessa pauta, ainda mais quando se percebe que as
relações sociais que se estabelecem são permeadas por diferentes
poderes, tanto investidos como processos de normatização da
escola quanto criados pela subjetividade do sujeito (Previtalli; Vieira,
2017). A escola acredita que pode determinar a representação de
quem somos, e pode-se perceber a existência de uma correlação
entre a produção de saberes de modo geral com a própria
construção do sujeito, a partir dos saberes da escola (Previtalli;
Vieira, 2017, p. 164). Trata-se de relações que são construídas na
escola a partir da troca entre os indivíduos. 
A escola exercita suas pedagogias a partir de um referencial cultural
e histórico e, dependendo das relações estabelecidas na escola,
exercitamos diferentes pedagogias no que se refere à sexualidade e
também ao gênero (Louro apud Previtalli; Vieira, 2017). Nesse
sentido, tanto gênero quanto sexualidade são dispositivos que
constituem o sujeito dentro de determinadas relações sociais em
contextos específicos, e o mesmo ocorre com o tempo histórico nas
diferentes sociedades, que atribuem características específicas a
esse fenômeno em épocas diferentes (Previtalli; Vieira, 2017).
Podemos perceber que a questão da representatividade na cultura e
na política é muito importante para a desconstrução de estereótipos
e de formas de discriminação em relação à heteronormatividade.
Mesmo com a complexidade das questões relacionadas ao gênero e
à sexualidade, podemos identificar caminhos que possibilitem a
mudança social. Por isso, é necessário evitar que a escola e outros
ambientes continuem a excluir, segregar e diferenciar
homossexuais, lésbicas, travestis, transexuais e todas outras
pessoas que não se adequam às normas de gênero e sexualidade
(Previtalli; Vieira, 2017).
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Com isso, entendemos que a escola pode e deve ocupar um papel
importante na atualidade, desmistificando e desconstruindo as
diferenças sexuais, combatendo a segregação, a violência e a
exclusão, especialmente no que tange às questões de gênero.
Nesse sentido, é necessário demarcar a diferença, de modo a
incentivar o reconhecimento das diferenças sociais e culturais com
que nos constituímos enquanto população brasileira. Em suma, é
preciso que haja mais mecanismos de representatividade e de
visibilidade de pessoas LGBTQIAPN+, ajudando na desconstrução
de estigmas e preconceitos, elementos fundamentais para a
construção de sociedades mais justas, respeitosas e inclusivas.
 
 
Vamos Exercitar?
É chegado o momento de exercitarmos as questões relacionadas à
questão da educação, diversidade e direitos de pessoas LGBT+.
Nesse sentido, devemos pensar na educação a partir de categorias
teóricas e analíticas sobre a questão da diversidade. Vamos então
retomar os questionamentos propostos no começo da aula: quais os
avanços e retrocessos em relação ao reconhecimento dos direitos
das pessoas LGBT+? Quais as práticas eficazes para se combatero
bullying relacionado às questões de gênero e a LGBTfobia? Qual o
papel da escola nesse processo? O que é representatividade e
visibilidade das pessoas LGBTQIAPN+? 
Você estudou que se faz necessário o reconhecimento de direitos da
população LGBT+, para que essas pessoas possam ter a garantia
de direitos legais, ou seja, direitos básicos e elementares para o
exercício e desenvolvimento da cidadania. Como exemplo, você
pode perceber que o casamento gay corresponde a um dos avanços
para que a população LGBT+ possa ter garantidos alguns dos
direitos fundamentais. As políticas de proteção e de inclusão são
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conquistas importantes para a garantia de direitos. Reconhecemos a
importância de avançar em relação ao reconhecimento dos direitos
das pessoas LGBT+, fundamental para que se possa construir uma
sociedade mais inclusiva, respeitosa e justa. No entanto, você
percebeu que o Brasil é um dos países mais preconceituosos em
relação à população LGBT+, culminando, muitas vezes, numa
elevada quantidade de formas de violência física e simbólica. Por
isso, é necessário o estabelecimento de práticas culturais
respeitosas entre todas as pessoas. 
Você estudou que a escola é muito importante nesse processo, pois
dali saem pautas e demandas fundamentais para que sejam
discutidas as questões de gênero e sua construção social, para que
se diminua a prática do bullying, que deve ser combatido, assim
como a LGBTfobia e todas as formas de violência de gênero em
nossa sociedade. O respeito, a aceitação do outro e o diálogo nos
ambientes escolares são práticas eficazes para o combate ao
bullying e às formas diversas de violência. É interessante reforçar
que o combate ao bullying é também dever da escola, para que se
estenda para toda a comunidade e a sociedade. 
Você estudou sobre a importância do reconhecimento da população
LGBT+ e a eliminação de qualquer forma de preconceito e de
discriminação. A questão da representatividade e da visibilidade de
pessoas LGBT+ é um instrumento importante na construção de uma
sociedade mais democrática. Enfim, você percebeu que a
visibilidade da população LGBT+ promove a conscientização e a
empatia, contribuindo com a luta contra a LGBTfobia.
 
 
Saiba Mais
Respeito e reconhecimento dos direitos das pessoas LGBT+
09/10/2025, 18:43 Educação E Interseccionalidades Entre Marcadores Sociais Da Diferença
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Para o aprofundamento de seus estudos sobre os direitos das
pessoas LGBT+ e as relações com a educação, recomendamos a
leitura do Capítulo – Um breve histórico do conceito de gênero, do
livro Gênero e diversidade: formação de educadoras/es, de Cíntia
Maria Teixeira e Maria Madalena Magnabosco.
Combate ao bullying e à LGBTfobia
Para o aprofundamento dos estudos sobre a questão da diversidade
sexual e o reconhecimento dos direitos das pessoas LGBT+,
recomendamos a leitura do Capítulo – As sexualidades, o
preconceito contra LGBT e a escola, do livro A diversidade sexual na
educação e os direitos de cidadania LGBT na escola, de Marco
Antonio Torres. O livro está disponível em nossa biblioteca virtual.
Representatividade e visibilidade
Para que você possa aprofundar seus estudos sobre a questão da
representatividade e visibilidade e as relações com as questões de
gênero, recomendamos a leitura do Capítulo – A compreensão da
sexualidade por meio da diversidade sexual, também do livro A
diversidade sexual na educação e os direitos de cidadania LGBT na
escola, de Marco Antonio Torres. Como você sabe, o livro está
disponível em nossa biblioteca virtual.
Referências Bibliográficas
AQUINO, J. G. et al. Família e educação: quatro olhares. 1. ed.
Campinas: Papirus, 2013. 
CAMPOS, M.; MAGALHÃES, P. A. M.; VERAS, L. F. S. Gênero e
sexualidade na dança do Coco do Grupo Oré Anacã: uma análise
coreográfica. ARJ – Art Research Journal: Revista de Pesquisa
em Artes, v. 9, n. 2, 2022. Disponível em:
https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Biscoito-de-Genero-
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/192546/epub/0?code=U3yEBrai1o6nAVx6UvyXJ/148wtouMkL2Pm/1LvoPRyZcnhSmyzfuDvgv6dWGdSQAjKuE+ToToTW17B62T6RBw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/192387/epub/0?code=1hSH/wQVEVoKg4UzwUAw5ebdKjDn6Nn3j41sgf/ZM0aOwby2blauI+rAkmQU7JJu6Jg/eJINC7WWN/aEAIC3sg==
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Fonte-Guia-da-Diversidade-LGBT-saude-atendimento-
e_fig1_365925035. Acesso em: 19 set. 2024.
GIL, A. C. Sociologia Geral. São Paulo: Grupo GEN, 2011.
OLIVEIRA, L. F. de; COSTA, R. C. R. da. Sociologia para jovens
do século XXI: manual do professor. Rio de Janeiro: Imperial Novo
Milênio, 2016.
PREVITALLI, I. M.; VIEIRA, H. E. S. Educação e diversidade.
Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2017.
SILVA, A. I. da. Relações familiares intergeracionais. 1. ed. São
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TEIXEIRA, C. M.; MAGNABOSCO, M. M. Gênero e Diversidade:
formação de educadoras/es. Belo Horizonte: Autêntica Editora; Ouro
Preto, MG: UFOP, 2010. (Série Cadernos da Diversidade).
TEIXEIRA, C. M; MAGNABOSCO, M. M. Gênero e
diversidade: formação de educadoras/es. 1. ed. São Paulo:
Autêntica, 2011. 
TORRES, M. A. A diversidade sexual na educação e os direitos
de cidadania LGBT na escola. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2010. 
VIANNA, C. Políticas de educação, gênero e diversidade sexual.
Belo Horizonte: Grupo Autêntica, 2018.
Aula 3
EDUCAÇÃO E ARRANJOS
FAMILIARES
https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Biscoito-de-Genero-Fonte-Guia-da-Diversidade-LGBT-saude-atendimento-e_fig1_365925035
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Educação e arranjos familiares
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você.
Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? 
Bons estudos!
Ponto de Partida
Nos estudos em educação e diversidade, estamos percebendo a
questão das interseccionalidades como marcadores sociais da
diferença. Nesse exercício reflexivo, estamos examinando o modo
como as interseccionalidades sobrepõem formas de dominação que
são refletidas no cotidiano do contexto escolar.
Dando continuidade aos estudos sobre educação e
interseccionalidades entre marcadores sociais da diferença,
precisamos reconhecer a importância da família no entendimento
dessas questões. Por isso, é preciso compreenderas características
dos arranjos familiares e o processo de socialização, primário e
secundário, que ocorrem nas relações sociais. Sabemos que,
quanto mais estreitas forem as relações entre família e escola, mais
construtivo é para o estudante e seu desenvolvimento
socioemocional e acadêmico. A rede de apoio e bem-estar
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proporcionada pela escola e a família é, portanto, objeto de estudos
e reflexões desta aula. Você também vai analisar a família moderna,
sua classificação e mudanças ocasionadas ao longo do tempo.
As relações entre educação e arranjos familiares possibilitam-nos
tecer algumas questões para começarmos as discussões: o que é
socialização primária? O que é socialização secundária? Quais as
relações com educação e diversidade? De que modo é possível
definir a construção da família moderna? Quais as mudanças? O
que elas implicam? Qual a importância da escola e da família na
construção de uma rede de apoio e bem-estar?
 Veja que essas são algumas de muitas das problematizações das
questões relacionadas à educação e arranjos familiares, o que
demonstra a abrangência dos estudos sobre educação e
interseccionalidades entre marcadores sociais da diferença. Ajeite a
sua poltrona, organize sua mesa e aprofunde os seus
conhecimentos sobre as relações entre educação e arranjos
familiares. Bons estudos. 
Vamos Começar!
Nesta aula sobre educação e arranjos familiares, você vai examinar
alguns aspectos importantes que envolvem as relações familiares.
Primeiramente, você vai conhecer as características (e as
diferenças) da socialização primária e da socialização secundária.
Em seguida, você vai estudar a construção da família moderna,
classificação e mudanças que ocorreram ao longo do tempo. Por
fim, você vai estudar as relações entre escola e família para a
construção de uma rede de apoio e bem-estar.
Socialização primária e socialização secundária
A socialização é um aspecto fundamental para pensarmos no
processo de formação e desenvolvimento das pessoas. É algo que
prepara (forma) o indivíduo, ou seja, molda-o para a vida em
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sociedade, em outras palavras, é o que a sociedade espera dele.
Nesse sentido, entendemos que refletir a respeito da socialização
dos indivíduos na disciplina de educação e diversidade é
fundamental para compreender o papel dos indivíduos e das
instituições sociais.
A socialização ocorre em diversas situações de nossa vida, a partir
do momento em que nos relacionamos com outras pessoas.
Quando falamos em socialização dos indivíduos, estamos dizendo
que somos resultados de um processo de convivência com outros
seres humanos a partir de fazeres diversos e comuns, ideias,
valores, isto é, a realização da cultura em nosso cotidiano.
Podemos definir o processo de socialização dos indivíduos em
primária e secundária. A socialização primária, como o próprio termo
sugere, é aquela que acontece nas famílias, ou seja, é aquela que
está presente na quase totalidade do tempo do indivíduo, desde o
seu nascimento. Tem como objetivo o ensinamento de normas e
regras de comportamento para a vida em sociedade.
No entanto, um aspecto interessante que precisamos levar em
consideração, conforme você vai estudar mais adiante, tem a ver
com o fenômeno da modernização da família, especialmente
quando o pai e, sobretudo, a mãe precisam trabalhar para
complementar os rendimentos da família, “cada vez mais, no
entanto, na medida em que o pai e a mãe trabalham fora, a
socialização primária pode ocorrer também nas creches, onde nós,
quando crianças, passamos a maior parte do dia” (Oliveira; Costa,
2016, p. 20-21). 
A socialização secundária acontece na etapa seguinte, ou seja,
quando o indivíduo ingressa e passa a conviver com outros grupos
sociais e em outros ambientes que não a própria família. Ou seja,
estamos falando da socialização que ocorre fora da família, aquela
que se realiza com os amigos da rua, do clube, grupo de jovens da
igreja e na escola, quando os indivíduos ingressam nas séries
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iniciais do ensino fundamental. Perceba que, para uma parcela
significativa da população, a socialização primária ocorre mediante
instituições sociais públicas e/ou filantrópicas, o que revela aspectos
das desigualdades sociais e econômicas com que nos constituímos.
Figura 1 | A socialização dos indivíduos – Happy Days, Edward Henry Potthast (1910). Fonte:
Wikimedia Commons. 
Quando a assistimos aos canais de TV, também estamos falando do
processo de socialização. Isso ocorre também com os celulares,
tablets e computadores, mediante o advento das tecnologias de
informação e comunicação, a partir da interação com vídeos, redes
sociais e outros aplicativos. 
Os dois tipos de socialização condicionam nossas relações com
outros indivíduos e, dependendo da forma, do ambiente social e da
educação que recebemos, adotamos ou abandonamos uma série de
papéis sociais. Um papel social é um comportamento esperado de
um indivíduo que ocupa uma determinada posição na sociedade.
Há relações entre o processo de socialização e o que estamos
estudando em educação e diversidade, pois o processo de
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socialização implica também os ensinamentos sobre valores justos,
democráticos e inclusivos em nosso meio social, para que os
indivíduos possam chegar mais preparados nas escolas. Como
temos estudado, a socialização primária e secundária não são
processos isolados, ou seja, estão interligados.
A base estabelecida na socialização primária influencia e interage
com a socialização secundária ao longo da vida do indivíduo, por
isso é importante que as famílias e a escola caminhem juntas no
processo de socialização. Enfim, a socialização primária e
secundária desempenham papéis significativos na formação da
identidade, valores, crenças e comportamentos de um indivíduo,
moldando sua integração na sociedade e seu entendimento das
dinâmicas sociais ao longo do tempo.
Siga em Frente...
A família moderna: classificação e mudanças
Nos estudos em educação e interseccionalidades, a respeito das
relações entre educação e os arranjos familiares, precisamos falar
sobre a construção da família moderna. Como já foi dito nos estudos
sobre o processo de socialização, muitas crianças têm sido
inseridas (e socializadas) inicialmente em creches e/ou centros de
educação infantil, pois muitas mães precisam trabalhar e estão cada
vez mais atuantes no mercado de trabalho.
Isso revela outro problema, o das desigualdades de gênero, pois
ocorre a sobrecarga de trabalho da mulher (mãe), que assume uma
dupla jornada de trabalho quando acumula as tarefas domésticas
em conjunto ao trabalho externo. Diferentemente de algumas
décadas atrás, quando se observava uma cultura do patriarcado
mais predominante na sociedade (pois é verdade também que
muitos pais têm assumido um papel importante no processo de
educação dos filhos em casa) esse fenômeno revela mudanças nas
atitudes em relação às funções de gênero, como a maior
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participação da mulher no mercado de trabalho, que tem
influenciado as dinâmicasfamiliares da contemporaneidade.
As diferenças que ocorrem com o passar do tempo são muitas, pois
se reconfigurou a normatividade de que famílias são constituídas
apenas por pai, mãe e filhos. Diante das mudanças e dos avanços
sociais relacionados à inclusão e ao respeito às diferenças,
percebem-se mudanças na composição das famílias modernas,
como por exemplo, o aceite de casais homoafetivos e adoção de
filhos nessas famílias. Obviamente que muitas coisas ainda
precisam mudar para melhorar o nosso meio social, tornando-o mais
justo, inclusivo e democrático, no qual as práticas de discriminação
e de intolerância sejam eliminadas.
O que se sabe é que a família dos tempos atuais vem passando por
muitas adaptações em relação à dinâmica cultural em que estamos
inseridos. Além da questão de gênero e de uma recomposição para
se pensar no quadro da família, existem outros aspectos
importantes a serem considerados. Como vimos, a televisão e a
internet são fatores que explicam aspectos de novas relações na
atualidade, que têm nosso comportamento nos dias atuais.
O principal aspecto que se deve levar em consideração para pensar
na família moderna é com relação aos novos arranjos familiares que
se verificam mais frequentemente em nossa sociedade. Atualmente,
as famílias modernas podem ser classificadas da seguinte forma:
família nuclear ou conjugal, composta por pais e filhos, geralmente
considerada a unidade básica da sociedade moderna;
monoparental, quando há uma única figura parental com
responsabilidade pelos filhos, ou seja, um pai, uma mãe ou uma
avó, por exemplo; reconstituída, como aquela família que surge a
partir do divórcio ou da separação; ou homoparental, composta por
casais do mesmo sexo que optam por ter filhos, seja por adoção ou
outros métodos de reprodução assistida.
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Outro aspecto que deve ser considerado para se pensar na
construção da família moderna é com relação às menores restrições
sociais quando comparadas às das famílias tradicionais. Isso ocorre,
por exemplo, com relação à decisão de não ter filhos ou da adoção
de um estilo de vida não convencional.
Contudo, percebe-se que são muitos os elementos e desafios
quando falamos na composição das famílias modernas e, um deles,
certamente, é o de conciliar as demandas profissionais e familiares
e lidar com as novas configurações, bem como seus papéis e
expectativas. A constante evolução da sociedade demanda uma
reflexão contínua sobre as necessidades, valores e estruturas que
definem uma família nos tempos modernos. Por isso é importante
compreender, reconhecer e valorizar a diversidade de arranjos
familiares presentes na realidade contemporânea.
Escola e família: rede de apoio e bem-estar
Como vimos, é importante compreender, reconhecer e valorizar a
diversidade de arranjos familiares e os diferentes modelos de
organização familiar que refletem a nossa realidade na
contemporaneidade. Para que se possa pensar em uma sociedade
mais inclusiva e solidária, a família, nesse sentido, precisa estender
os braços e acolher os indivíduos, independentemente de sua
orientação e/ou escolhas para a vida. Obviamente que isso não
exime a família de cobrar certas responsabilidades de seus filhos
para com a relação dinâmica em casa.
A escola é igualmente importante para acolher os estudantes e suas
famílias, independentemente da maneira como se constituem, pois é
nesse espaço onde mais se deve valorizar e reconhecer a
diversidade cultural. Sabemos que as famílias modernas
apresentam arranjos socioculturais diversos, não existindo
julgamentos ou juízos de valores. Estudou-se em aulas anteriores
que é preciso desconstruir estereótipos e práticas discriminatórias,
para que se possa vivenciar uma sociedade melhor e mais justa.
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Nesse sentido, sabemos da importância da família e da escola para
a construção de uma rede de apoio e de bem-estar para os
indivíduos e para toda a sociedade. Isso se torna ainda mais
importante, especialmente quando escola e família atuam em
parceria na educação dos filhos/estudantes. Com isso, estima-se
que as responsabilidades sejam compartilhadas, de modo que a
educação seja mais efetiva e completa para os alunos e
comunidade escolar.
Outro aspecto importante na solidificação de uma rede de apoio é
com relação à comunicação constante que deve ser proposta entre
família e escola, sobretudo no acompanhamento e desenvolvimento
da aprendizagem dos estudantes. Nos dias atuais, mediante o
advento das tecnologias da informação e comunicação, isso pode se
dar de maneira mais efetiva e dinâmica, com o uso das redes
sociais e dos meios de interação presentes na contemporaneidade.
A escola continua sendo uma instituição importante para trazer as
reflexões sobre a constituição da família moderna e deve atuar no
sentido de promover a construção de uma rede de apoio e bem-
estar, promovendo o desenvolvimento integral dos estudantes e se
adaptando constantemente para atender às necessidades
emocionais, sociais e educacionais.
A parceria entre escola e família, a partir de uma boa comunicação e
do estreitamento das relações, promove inúmeros benefícios para o
bem-estar dos estudantes, da escola e da comunidade de modo
geral, pois gera segurança e estabilidade para todos, os alunos se
sentem acolhidos e apoiados. Maior motivação certamente vai
resultar em melhoria do desempenho acadêmico e satisfatório dos
alunos, ou seja, é preciso que escola e família, na construção de
uma rede de apoio, ofereçam o bem-estar emocional e social dos
alunos, além do aprendizado formal.
Superar os desafios é essencial para o sucesso educacional das
crianças. Como se viu, a parceria escola-família é essencial para
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promover um ambiente de aprendizagem acolhedor, inclusivo, no
qual o aluno é o centro.
 
Vamos Exercitar?
As intersecções entre marcadores sociais da diferença e a
abordagem inclusiva da educação nos levam a pensar na família e
nos arranjos familiares. As relações entre educação e arranjos
familiares possibilitam-nos tecer algumas questões para
problematizar o estudo em questão: o que é socialização primária?
O que é socialização secundária? Quais as relações com educação
e diversidade? De que modo é possível definir a construção da
família moderna? Quais as mudanças? O que elas implicam? Qual a
importância da escola e da família na construção de uma rede de
apoio e de bem-estar? 
Você aprendeu que a socialização primária é aquela que acontece
nas famílias, ou seja, está presente na quase totalidade do tempo de
vida do indivíduo, desde o seu nascimento, e tem como objetivo o
ensinamento de normas e regras de comportamento para a vida em
sociedade. Por sua vez, a socialização secundária acontece quando
o indivíduo ingressa e passa a conviver com outros grupos sociais e
em outros ambientes que não a própria família. Você também
estudou sobre as relações entre o processo de socialização,
educação e diversidade. Afinal, o processo de socialização implica
também os ensinamentos sobre valores justos, democráticos e
inclusivos em nosso meio social, para que os indivíduos possam
chegar mais preparados nas escolas. 
Você estudou sobre a construção da família moderna e pôde
perceber que essa instituição vem passando por muitas, rápidas e
dinâmicas mudanças no contexto em que estamos inseridos. Isso
implica um constante repensar sobre o papel do educador nas
instituições

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