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ISIS MIRANDA – T4 MED 2
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS)
Elevação persistente da PAS > 140 e PAD > 90;
Fatores de risco: associação de fatores genéticos (30-
50%) e ambientais.
CLASSIFICAÇÃO DA PA:
CLASSIFICAÇÃO
PAS
(mmHg)
PAD
(mmHg)
PA ótima 180 e/ou > 110
FENÓTIPOS:
• HAS DO AVENTAL BRANCO: PA elevada no
consultório, mas fora é normotenso; Ausência de
lesão de órgãos alvo (LOA).
• HAS MASCARADA: PA normal no consultório, mas é
elevada fora dele.
• HAS RESISTENTE: PA que permanece maior que
140/90 mmHg, mesmo com o uso de 3 ou +
fármacos, em doses máximas preconizadas e
toleradas.
• HAS REFRATÁRIA: HAS que permanece > 140/90
mmHg mesmo com o uso de 5 ou + fármacos,
incluindo a espironolactona.
• HAS SISTÓLICA ISOLADA: PAS > 140 mmHg e PAD
90 mmHg.
*a HÁ sistólica e diastólica isoladas apresentam
maior prevalência de HA do avental branco*
TRIAGEM E DIAGNÓSTICO:
DIAGNÓSTICO DE HAS pelo MRPA/MAPA:
• MRPA: monitorização residencial da PA;
• MAPA: Medida ambulatorial da PA;
• AMPA: Automedida da PA.
CATEGORIA
PAS
(mmHg)
PAD
(mmHg)
PA no consultório ≥ 140 e/ou ≥ 90
MAPA 24H ≥ 130 e/ou ≥ 80
a) vigília ≥ 135 e/ou ≥ 85
b) sono ≥ 120 e/ou ≥ 70
MRPA ≥ 130 e/ou ≥ 80
VANTAGENS E DESVANTAGENS DA MAPA E MRPA:
INDICAÇÕES PARA MRPA OU MAPA:
• Suspeita de HA do avental branco: HÁ estágio 1 no
consultório; ou elevação acentuada da PA no
consultório, sem LOA.
• Suspeita de HAS mascarada: Pré-hipertensão no
consultório; ou PA normal no consultório em
pacientes com LOA ou alto risco CV.
• Confirmação de diagnóstico de HA resistente;
• Avaliação do controle da HA.
Não é obrigatório para o diagnóstico.
SUBTIPOS:
• PRIMÁRIA (ESSENCIAL):
• SECUNDÁRIA: decorrente de causa identificável,
que pode ser tratada com uma intervenção
específica que determina a cura ou melhora do
controle pressórico.
• CAUSAS: DRC, hipertensão renovascular, displasia
fibromuscular, coartação da aorta, apneia
obstrutiva do sono, hiperaldosteronimso,
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feocromocitoma, hipófise/hiperparatireoidismo e
Cushing.
INDÍCIOS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL SECUNDÁRIA:
• Hipertensão estágio 3 antes dos 30 anos ou após
os 55 anos
• Hipertensão resistente ou refratária
• Utilização de hormônios exógenos, fármacos ou
demais substâncias que possam elevar a PA
• Tríade do feocromocitoma: crises de palpitações,
sudorese e cefaleia
• Indícios de apneia obstrutiva do sono
• Fácies típica ou biótipo de doenças que cursam
com hipertensão arterial
• Presença de sopros em territórios arteriais ou
massas abdominais
• Assimetria ou ausência de pulsos em MMII
• Hipopotassemia espontânea ou severa induzida
por diuréticos ( 10 m/s.
EXAMES COMPLEMENTARES DE ROTINA:
Consultas de rotina pelo menos de 6/6 meses, utilizar
o método SOAP.
• Análise de urina (GR: I, NE: C);
• Potássio plasmático (GR: I, NE: C);
• Creatinina plasmática (GR: I, NE: B);
• Glicemia de jejum (GR: I, NE: C) e HbA1c (GR: I, NE: C);
• Estimativa do ritmo de filtração glomerular (GR: I, NE:
B);
• Colesterol total, HDLc e triglicerideos plasmáticos
(GR: I, NE: C);
• Ácido úrico plasmático (GR: I, NE: C);
• Eletrocardiograma convencional (GR: I, NE: B).
AVALIAR O RISCO CARDIOVASCULAR EM:
• Idade (mulheres > 65 anos e homens > 55 anos).
• Tabagismo.
• Dislipidemia: triglicerídeos (TG) > 150 mg/dL em
jejum: LDL-c > 100 mg/dL: HDL-c 65
mmHg.
• Índice Tornozelo Braquial (ITB) ou Velocidade de
Onda de Pulso (VOP) anormais.
• História patológica pregressa de pré-eclâmpsia ou
eclâmpsia.
• Obesidade central: IMC 30 Kg/m²
(obesidade).
• Relação cintura/quadril (C/Q). Cintura abdominal =
mulher 180
PAD: > 110
Sem FR
Sem risco
adicional
Risco baixo
Risco
moderado
Risco
alto
1 ou 2 FR Risco baixo
Risco
moderado
Risco alto
Risco
alto
≥ 3 FR
Risco
moderado
Risco alto Risco alto
Risco
alto
Lesão em
órgão
alvo
(LOA),
DRC,
estágio 3,
DM, DCV
Risco alto Risco alto Risco alto
Risco
alto
•Classificar em pré-hipertenso ou
hipertenso estágio 1, 2 ou 3.
Passo 1: avaliar os
níveis de PA
•Na vigência de qualquer uma, o
paciente é classificado como alto
risco cardiovascular.
Passo 2: Avaliar se
existe LOA, DCV,
DCR ou DM
•Após estabelecer o número de
fatores de risco, classificar o paciente
segundo a tabela a seguir.
Passo 3: Avaliar os
fatores de risco
adicionais
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TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO - INDICAÇÕES:
• Os principais objetivos são a redução da PA e do
risco cardiovascular
• O tratamento medicamentoso deve se associar às
medidas não medicamentosas.
SITUAÇÃO ABRANGÊNCIA
RECOMENDAÇ
ÃO
CLASS
E
Início de
intervenções
no estilo de
vida
Todos os
estágios de HA
130-139/85-
89mmHg
Ao
diagnóstico
I
Início de
terapia
farmacológic
a
HA estágios 2 e
3
Ao
diagnóstico
I
HA estágio 1 de
moderado e alto
RCV
Ao
diagnóstico
I
Hipertensos
estágio 1 e risco
cardiovascular
baixo Indivíduos
com PA 130-
139/85-89
mmHg e DCV
preexistente ou
alto risco
cardiovascular
Aguardar 3
meses pelo
efeito nas
intervenções
do estilo de
vida
II A
Hipertensos
idosos frágeis
e/ou muito
idosos
PAS ≥ 160
mmHg
I
Hipertensos
idosos hígidos
PAS ≥ 140
mmHg
I
Individuais com
PA 130-135/85-
89 sem DCV
preexistente e
RCV baixo ou
moderado
Não
recomendado
III
TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO:
Cessar tabagismo
Restringir sódio (até 2g/dia), aumentar potássio,
dieta DASH ou do mediterrâneo
Perda de peso paraúnico. A monoterapia deve ser considerada para
hipertensos estágio 1 de baixo risco e para muito
idosos e/ou indivíduos frágeis.
• Quando não se atinge o controle da PA com
combinação de dois fármacos, deve ser prescrita a
combinação de três fármacos, habitualmente um
IECA, ou BRA, associado a DIU tiazídico ou similar e
BCC; caso necessário, acrescentar espironolactona
em seguida.
• Betabloqueadores devem ser indicados em
condições específicas, como: IC, pós-IAM, angina,
controle da FC, mulheres jovens com potencial para
engravidar, em geral em combinação com outros
fármacos.
ESQUEMA DE ASSOCIAÇÃO DE MEDICAMENTOS:
COMBINAÇÕES PREFERENCIAIS: IECA + diurético
tiazídico; IECA + bloqueador dos canais de cálcio (BCC);
BRA + BCC; BRA + Tiazídicos. NÃO RECOMENDADAS: IECA
+ BRA.
QUANDO REFERENCIAR:
HAS resistente ou refratária à 3 classes de fármacos:
• Pesquisa de LOA mais específica;
• Pesquisa de HAS secundária;
- PA 130-139 e/ou 85-89 mmHg de risco
alto HA de estágio 1 de baixo risco
- Muito idosos e/ou frágeis
HA estágio 1 de risco
moderado e alto HA
estágios 2 e 3
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• Tratamentos invasivos.
PRINCIPAIS EFEITOS COLATERAIS DOS MEDICAMENTOS:
CONSIDERAÇÕES GERAIS:
• Betabloqueadores podem exacerbar DPOC, distúrbios de
condução atrioventricular e insuficiência circulatória
periférica. Sua contraindicação relativa em diabéticos do
tipo 1 decorre de mascaramento dos sinais de
hipoglicemia e bloqueio da glicogenólise.
• Diuréticos tiazídicos (hidroclorotiazida) podem acentuar
quadros de hiperuricemia e espoliar potássio. Aferir os
níveis de potássio após três a seis meses do início do
tratamento. Se hipopotassemia, associar espironolactona.
• Diuréticos de alça (furosemida): Utilizada em
insuficiência renal crônica (IRC), insuficiência cardíaca
congestiva (ICC) e estados de retenção de líquidos
(edema).
• Diuréticos poupadores de potássio (espironolactona):
Pode provocar hiperpotassemia, particularmente na IRC e
quando associada a inibidores da ECA ou BRA.
• IECA: Evite o uso em mulheres em idade fértil, risco de
malformações e outras complicações. Contraindicada em
associação a outros inibidores do sistema R-A-A, exceto
espironolactona na ICC. Risco de hiperpotassemia em
pacientes com insuficiência renal ou que estejam
recebendo suplementação de potássio.
• BRA: mesmas recomendações do IECA.
• BCC: Anlodipino (pressat) 5 mg causa edema, mas não
tosse. Evite o uso em pacientes com insuficiência cardíaca
com fração de ejeção reduzida. Evite a associação com
betabloqueadores e em pacientes com bradicardia.
• Simpatolíticos de ação central (Metildopa): 500-2.000,
2x/dia. Colaterais: reações autoimunes (febre, anemia
hemolítica, galactorréia).
CLASSE MECANISMO COLATERAIS INTERAÇÕES C.I
D. ALÇA
↓
Na⁺/K⁺/2Cl→
intensa
diurese e
perda de
eletrólitos
Fraqueza,
câimbras,
disf. Erétil e
aumento do
ácido úrico
AINEs ↓ efeito;
risco de
hipocalemia c/
digitálicos; ↑
hipercalemia
com IECA ou BRA
Gota,
hipocalemia,
IR grave (exc.
furosemida)
D.
POUPAD
OR DE
POTÁSSI
O
Espironolact
ona:
Antagonista
da
aldosterona
nos túbulos
coletores →
reduz
reabsorção
de Na⁺ e
excreção de
K⁺.
D.
TIAZÍDIC
OS
Aumentam
excreção de
sódio e água,
↓ volume
plasmático e
RVP
BETABLO
Q.
Bloqueiam
receptores β
→ ↓ FC, DC,
renina e
atividade
simpática
Broncoespas
mo,
bradicardia,
disfunção
sexual
↑ bradicardia
com
verapamil/diltiaz
em; AINEs ↓ efeito
Asma/COPD,
bloqueios AV,
IC
descompens
ada
IECA
Inibem
conversão
de
angiotensina
I em II →
vasodilataçã
o e ↓
aldosterona
Tosse seca
(5-20%)
AINEs ↑ risco
renal; ↑ K⁺ com
poupadores ou
suplementos de
potássio
Gravidez,
estenose
renal
bilateral,
angioedema
prévio
BRA
Bloqueiam
receptores
AT1 da
angiotensina
II →
vasodilataçã
o e ↓
aldosterona
Hipercalemi
a (IR)
Semelhantes às
dos IECAs
Idêntico aos
IECAS
BCC
Inibem
entrada de
Ca²⁺ nas
células →
vasodilataçã
o periférica e
cardíaca
Edema
maleolar
(ação
vasodilatado
ra)
causando
transudação
capilar,
dermatite
ocre
(ocasionais).
↑bradicardia com
BB
(verapamil/diltiaz
em;
metabolizados
pelo CYP3A4
IC com
fração
reduzida
(verapamil),
bradicardia,
bloqueios AV
NOME COMERCIAL E POSOLOGIA:
CLASSE
NOME
COMERCIAL
POSOLOGIA HORÁRIO
D.
TIAZÍDICOS
Hidroclorotiazida 25-50mg,
1x/dia
Manhã
(diurese
noturna)
D. DE ALÇA Furosemida
20-240mg,
1-3x/dia
Evitar
noite
D. poup. de
potássio
Espironolactona
25-100mg,
1-2x/dia
BETABLOQ.
Atenolol
50-100mg,
1-2x/dia
Manhã ou
manhã e
noite
Propanolol (BB)
80-320mg,
2-3x/dia
3x/dia
IECA
Enalapril
5-40mg, 1-
2x/dia
Manhã ou
manhã e
noite
Captopril
25-150mg,
2-3x/dia
Antes das
refeições
BRA
Losartana
50-100mg,
1-2x/dia
Manhã ou
manhã e
noite Olmesartana
20-40mg,
1x/dia
BCC
Anlodipino
(pressat)
5-10mg,
1x/dia
Noite
CASOS CLÍNICOS ABORDADOS EM AULA
• Queixa principal: Vem à consulta para avaliar
medicações prescritas por um médico
cardiologista.
• História da doença atual (HDA): Paciente refere que
há 1 ano, após ter tido trauma em ombro direito em
um acidente doméstico, a sua pressão arterial
começou a ter alterações, pois o acidente lhe gerou
bastante ansiedade. Entretanto, demorou a
procurar atendimento médico para controle da
pressão e ansiedade, porque acreditava que
melhoraria sem medicação. Ela conta que fez uso
de escitalopram 10 mg (1x/dia) nos últimos 4 meses,
que foi prescrito por um médico de outra cidade,
porém cessou o uso por conta própria a cerca de 20
dias. Devido ao fato de não ter melhora da pressão
alta, resolveu realizar consulta particular com um
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médico cardiologista. A consulta aconteceu no mês
passado e o cardiologista solicitou alguns exames:
ECG, TESTE ERGOMÉTRICO e MAPA. Apenas o MAPA
velo alterado, confirmando o diagnóstico de
Hipertensão Arterial Sistêmica. Então, devido a isso
o cardiologista prescreveu PRESSAT 5 mg
(Anlodipino), Asea HCT 40/25g mg (Olmeosartana +
hidroclorotiazida) e SeloZok 50 mg (Metoprolol). A
paciente diz que iniciou o uso apenas do PRESSAT
durante 7 dias, mas referiu que essa medicação
causou tosse nela. Não fez o uso das outras
medicações prescritas, pois ela disse que não
queria ficar dependente delas e pesquisou no
Google que todas elas poderiam lhe causou tosse e
problema nos rins.
• Antecedentes Pessoais: Fazia uso de escitalopram
10 mg, 1x/d, G2AOP2, nega pré-eclâmpsia, nega
etilismo, tabagismo e comorbidades.
• Antecedentes Familiares: Pai: HAS. Mãe nega
comorbidades. Irma: HAS.
• Exame físico: Bom estado geral, ansiosa e
apreensiva durante toda a consulta. Consciente e
orientada em tempo e espaço. Afebril, anictérica e
acianótica.
• Ausculta cardíaca: Bulhas cardíacas
normofonéticos, rítmicos em 2 tempos, sem sopros,
FC: 110 BPM. PA:145X90 mmHg.
• Demais sistemas: Sem alterações.
EXAMES COMPLEMENTARES:
• Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial
(MAPA): Média de 24 horas: 140/100 mmHg.
• Média durante a vigília (período diurno): 138/88
mmHg.
• Média durante o sono (período noturno): 140/90
mmHg.
AVALIAÇÃO
1. Qual a meta de pressão arterial do paciente?
2. Qual o estágio da hipertensão arterial?
3. Qual seu risco cardiovascular de acordo com a PA?
4. Qual o plano terapêutico?
CASO 02
• Paciente hipertenso e diabético, em uso de
LOSARTANA 50mg, 1 cp/manhã e glibenclamida
5mg, 1 cp/jejum e antes do almoço. Vem à unidade
básica para solicitar troca de medicação, pois
refere que sua pressão continua alta e ele tem
sentido seus pés incharem.
• AMP: Hipertenso e diabético. Nega outras
comorbidades e lesão de órgão alvo, faz uso das
medicações de forma correta. Sedentário ex-
tabagista (cessou há 20 anos) fazia uso de mais de
5 cigarros por dia.
• Examefísico: Bom estado geral, idoso hígido
consciente e orientado em tempo e espaço, afebril,
anictérico e acianótico.
• Ausculta cardíaca: Bulhas cardíacas
normofonéticas, em 2 tempos, sem sopros, FC: 65
BPM.
• Ausculta de carótida: ausência de sopros.
• MMII: Presença de edema bilateral (1+/4+),
presença de manchas hipercrômicas, pulsos
presentes e positivos, tibial posterior, pedioso e
poplíteo.
• PA no consultório: 165/105 mmHg.
• Demais sistemas: sem alterações.
Avaliação
1. Qual a meta de pressão do paciente?
2. Qual o estágio de hipertensão arterial na consulta?
3. Qual o seu risco cardiovascular de acordo com a
PA?
PLANO
1. Quais orientações em relação as mudanças do
estilo de vida?
2. O que vocês farão em relação às medicações?
3. Há necessidade de encaminhá-lo ao especialista?
HIPERTENSÃO ARTERIAL NA GESTAÇÃO
Define-se hipertensão na gestação quando há pressão
arterial sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg e/ou pressão arterial
diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg, considerando-se o 5o ruído
de Korotkoff, confirmada por outra medida realizada
com o intervalo de quatro horas.
DEFINIÇÕES
• Hipertensão gestacional: PAS ≥140 mmHg e/ou PAD
≥90 mmHg, ou ambos, medida em duas ocasiões
com pelo menos 4 horas de intervalo.
• Hipertensão gestacional grave: PAS ≥160 mmHg
e/ou PAD ≥110 mmHg, ou ambas, medidas em duas
ocasiões com, pelo menos, 4 horas de intervalo.
• Proteinúria: Proteinúria > 300 mg em 24 horas, razão
proteinúria/creatinina urinária de 0,3 g/g de
creatinina ou ++ em fitas reagentes (idealmente,
quantificar).
CLASSIFICAÇÃO
• Pré-eclâmpsia (com ou sem sinais de gravidade):
PAS ≥140 mmHg ou PAD ≥90 mmHg, ou ambos, em
geral após 20 semanas de gestação e
frequentemente com proteinúria*. Na ausência de
proteinúria, pode-se considerar o diagnóstico
quando houver sinais de gravidade:
trombocitopenia ( 1,1
mg/dL ou 2x creatinina basal, elevação de 2x das
transaminases hepáticas, EAP, dor abdominal,
sintomas visuais ou cefaleia, convulsões, sem
outros diagnósticos alternativos.
• Hipertensão crônica: HA diagnosticada ou presente
antes da gestação ou antes das 20 semanas de
gestação; ou HA diagnosticada pela primeira vez
durante a gravidez e que não normaliza no período
pós-parto.
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• Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia
sobreposta: Pré-eclâmpsia em mulher com história
de HA antes da gravidez ou antes de 20 semanas de
gestação.
• Hipertensão gestacional: PAS ≥140 mmHg ou PAD
≥90 mmHg, ou ambas, em mulher com PA
previamente normal, após 20 semanas de
gestação, medida em duas ocasiões com, pelo
menos, 4 horas de intervalo, sem proteinúria ou
sinais de gravidade, e que retorna ao normal no
período pós-parto.
OUTRAS DEFINIÇÕES DIAGNÓSTICAS
• Eclâmpsia: Convulsões tônico-clônicas na
ausência de outras condições causais.
• Síndrome HELLP: Hemólise, elevação de enzimas
hepáticas e trombocitopenia.
• Síndrome de encefalopatia posterior reversível
(PRES) e síndrome da vasoconstrição encefálico
reversível: Ocorre PRES com alteração de imagem
pela presença de edema vasogênico e sinais
hiperintensos na porção posterior do cérebro na
RNM, além de estar associado a alterações visuais,
convulsão, cefaleia e alteração de sensório. A
síndrome da vasoconstrição cerebral reversível
caracteriza-se por estreitamento de artérias do
cérebro com cefaleia em trovoada ou sinais
neurológicos focais.
PREVENÇÃO:
Cálcio e ácido acetilsalicílico em pacientes de alto
risco.
RECOMENDAÇÕES PARA USO DE AAS NA PREVENÇÃO
DE PRÉ-ECLÂMPSIA
RISCO
FATOR DE
RISCO
RECOMENDAÇÃO
ALTO
-PE prévia com
desfecho fetal
adverso; -
Gestação
múltipla HA
crônica DM tipo 1
ou 2;
-Doença renal;
-Doença
autoimune
(LES/SAAF).
Recomenda-se
ácido
acetilsalicílico
baixa dose para 1
ou mais desses
critérios.
MODERADO
Nuliparidade;
Obesidade (IMC
≥ 30 kg/m2);
História familiar
de PE (mãe ou
irmã); Idade ≥ 35
anos;
História
obstétrica prévia
ruim (PIG,
Prematuridade,
baixo peso, mais
de 10 anos de
intervalo entre
as gestações)
Considerar uso
de ácido
acetilsalicílico
em baixa dose,
se paciente
apresentar mais
de 1 fator de
risco.
TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO:
• Não deve ser utilizado em situações de PAS acima
de 160 mmHg persistente por mais de 15 minutos.
• Repouso relativo em hospital com monitoramento
para pré-eclâmpsia.
• Internação em pacientes com hipertensão grave na
gestação.
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CONDUTA EXPECTANTE:
Sugere-se conduta expectante entre 34 e 37 semanas
de gestação em mulheres estáveis, sem piora clínica ou
hipertensão grave.
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO:
• Indica-se tratamento medicamentoso urgente em
caso de hipertensão grave e na presença de sinais
premonitórios.
• Sugere-se iniciar tratamento medicamentoso
quando a PA estiver acima de 150-160/100-110
mmHg, com o objetivo de manter a PA entre 120-
160/80-100 mmHg.
• A escolha do medicamento anti-hipertensivo
depende da experiência do médico assistente e da
familiaridade com o fármaco escolhido e dos
efeitos colaterais.
• Recomenda-se o uso de sulfato de magnésio para
a prevenção e o tratamento da eclâmpsia.
DIABETES MELLITUS
Um distúrbio metabólico caracterizado por
hiperglicemia persistente, decorrente de deficiência
na produção de insulina ou na sua ação, ou em ambos
os mecanismos.
A hiperglicemia persistente está associada a
complicações crônicas micro e macrovasculares,
aumento de morbidade, redução da qualidade de vida
e elevação da taxa de mortalidade.
TIPOS DE DIABETES
DM TIPO 1
-> Tipo 1A: deficiência de
insulina por destruição
autoimune das células ẞ
comprovada por exames
laboratoriais;
-> Tipo 1B: deficiência de
insulina de natureza
idiopática.
DM TIPO 2
Perda progressiva de
secreção insulínica
combinada com resistência
à insulina.
DM GESTACIONAL
Hiperglicemia de graus
variados diagnosticada
durante a gestação, na
ausência de critérios de DM
prévio.
OUTROS TIPOS DE DM
a) Monogênicos
(MODY);
b) Diabetes
neonatal;
c) Secundário a
endocrinopatias;
d) Sec. A doenças
do pâncreas
exócrino;
e) Sec. A infecções;
f) Sec. A
medicamentos.
FATORES DE RISCO:
• História familiar da doença;
• Avançar da idade;
• Obesidade
• Sedentarismo;
• Diagnóstico prévio de pré-diabetes ou DMG;
• Presença de componentes da síndrome
metabólica, tais como hipertensão arterial e
dislipidemia.
FISIOPATOLOGIA:
SINAIS E SINTOMAS TÍPICOS DE HIPERGLICEMIA
• Poliúria
• Polidipsia
• Polifagia
• Perda de peso inexplicada
• Desidratação
SINAIS E SINTOMAS SUGESTIVOS DE HIPERGLICEMIA
• Noctúria
• Visão turva
• Cansaço
• Infecções recorrentes (Candidíase e Periodontite)
• Má cicatrização de feridas
• Albuminúria transitória em pacientes com DM1 com
menos de 5 anos de doença
INDICAÇÕES PARA RASTREAMENTO DE DM2 EM
ADULTOS ASSINTOMÁTICOS:
• Idade acima de 35 anos (universal)
• Idade abaixo de 35 anos com sobrepeso ou
obesidade, e mais um fator de risco
• História familiar de DM2 em parente de primeiro
grau História de doença cardiovascular
• Hipertensão arterial HDL abaixo de 35 mg/dl
• Triglicerídeos acima de 250 mg/dl
• Síndrome de ovários policísticos
• Acantose nigricans
• Sedentarismo
• Pré-diabetes em exame prévio
• Diabetes gestacional prévio ou recém-nato grande
para idade gestacional
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• FINDRISC alto ou muito alto
RASTREAMENTO CONFORME SUSPEITA CLÍNICA
SITUAÇÃO CLÍNICA
FREQUÊNCIA DE
RASTREAMENTO DM2
Pessoas sem sintomas e
com apenas um exame
preenchendo critérios
para DM.
SEMESTRAL
Pessoas com pré-
diabetes confirmada.
ANUAL
Pessoas com exames
normais e ≥ 3 fatores de
risco.
ANUAL
Pessoas com exames
normais e FINDRISC
alto/muito alto.
ANUAL
Pessoas com exames
normais eexames
normais e FINDRISC
baixo/moderado.
TRIANUAL
DIAGNÓSTICO
• Presença de hiperglicemia identificada por algum
desses: glicemia plasmática de jejum, teste de
tolerância à glicose por via oral e hemoglobina
glicada (HbA1c).
CRITÉRIOS NORMAL
PRÉ-
DIABETES
DM
GLICEMIA DE
JEJUM
sensibilid
ade de
insulina
no fígado
e a
captação
muscular
de
glicose
Alta
eficácia,
peso e
potência
Hipoglice
mia e
ganho
de peso
TFG 35kg/m²;
• Mulheres c/ história de DMG;
• Na presença de síndrome metabólica, com
hipertensão ou glicemia de jejum > 110mg/dL.
CASO CLÍNICO 01:
R.O.D, 45 anos, sexo feminino. Nega comorbidades e uso
de medicações de uso contínuo.
QP: Alteração da glicemia em exame de sangue
Refere que realizou a pedido da nutricionista da de multi
exames laboratoriais de rotina.
A nutricionista identificou alteração da glicemia em
jejum, lhe solicitou Hb glicada e orientou realizar
consulta médica. Hoje ela vem ao consultório para
entregar o exame. Nega qualquer alteração de glicemia
anterior a esses exames.
12/03/2025: GJ 225mg/dL
18/03/2025: HbA1c 4,8%.
Avaliação e plano.
CASO CLÍNICO 02:
I.D.P, 65 anos, Sexo masculino. Hipertenso em uso de
LOSARTANA 50 mg 2x/dia e diabético em uso de
Glibenclamida 5 mg 2 comprimidos em jejum e 2 antes
do almoço e metformina 500 mg 1 comprimido após
jantar e almoço.
QP: Fraqueza e vista embaçada. Paciente refere astenia
pela manhã quase que diariamente, não sabe dizer
quando iniciou o sintoma. Conta que recentemente teve
um episódio de tontura e visão escura quando estava
indo à feira pela manhã, precisou ser socorrido por uma
moça de uma loja, que lhe ofereceu água e depois suco
de maracujá, mas relata que está hoje com sensação
parecida e relata não tem tomado café da manhã
antes da consulta.
Exame físico: Pele fria e aparência mais pálida; Dextro:
55 mg/dL (em jejum); já havia tomado suas
medicações; PA: 120x80 mmHg. Considerar demais
sistemas, sem alterações.
Avaliação e Plano
ISIS MIRANDA – T4 MED 2
DIABETES MELLITUS GESTACIONAL
Diabetes Mellitus Gestacional (DMG): mulher com
hiperglicemia detectada pela primeira vez durante a
gravidez, com níveis glicêmicos sanguíneos que não
atingem os critérios diagnósticos para DM prévia
Overt diabetes: mulher sem diagnóstico prévio de
diabetes mellitus, com hiperglicemia detectada na
gravidez e com níveis glicêmicos sanguíneos que
atingem os critérios da Organização Mundial da Saúde
(OMS) para o diabetes mellitus na ausência de
gestação.
RASTREAMENTO
Não deve ser mais utilizada a avaliação de fatores de
risco para o rastreamento de DMG. Rastreamento de
diabetes deve ser realizado na primeira consulta pré-
natal do primeiro trimestre, com glicemia de jejum e
entre 24 e 28 semanas de gestação com o Teste Oral de
Tolerância à Glicose (TOTG) 75 g.
DIAGNÓSTICO
Glicemia de jejum maior ou igual a 92 mg/dL e menor
ou igual a 125 mg/dL
TTOG 75 g em 2 horas com pelo menos um valor
alterado
Jejum: maior ou igual a 92 mg/dL
1 hora pós sobrecarga: maior ou igual a 180 mg/dL
2 horas pós sobrecarga: maior ou igual a 153 mg/dL
TRATAMENTO
Objetivo é o controle glicêmico rigoroso
Dieta, atividade física e monitorização glicêmica são a
abordagem terapêutica inicial para o controle da
doença
A introdução da insulina para o tratamento do DMG é
feita quando a terapêutica dietética não foi suficiente
para alcançar o controle metabólico desejado em duas
semanas
Alvo glicêmico na DMG e DM 1 e 2
Jejum: menor ou igual a 95 mg/dL
1 hora pós-prandial: menor ou igual a 140 mg/dL
2 horas pós-prandial: menor ou igual a 120 mg/dL
Hipoglicemia: menor ou igual a 70 mg/dL
SÍNDROMES GERIÁTRICAS
As Grandes Síndromes Geriátricas (ou também
conhecidas como “Os Grandes “I’s” da Geriatria”)
contemplam condições clínicas frequentes nos idosos,
capazes de reduzir consideravelmente a qualidade de
vida destes pacientes. Conceitua-se que o surgimento
de uma das Síndromes acontece após a perda
da autonomia e/ou da independênciados idosos. A
autonomia refere-se à capacidade do idoso em tomar
decisões por conta própria, sendo ela dependente
do humor e da cognição. Por outro lado,
a independência se refere à capacidade de realizar
suas próprias atividades sem ajuda de outrem, esta
depende do pleno funcionamento da mobilidade e
da capacidade comunicativa dessa população.
As grandes Síndromes Geriátricas são: incapacidade
comunicativa, insuficiência familiar, incapacidade
cognitiva, instabilidade postural, imobilidade,
incontinência esfincteriana e a iatrogenia;
➢ Incapacidade comunicativa: Dificuldade em
expressar ou compreender informações. Pode resultar
de AVC, demência ou distúrbios sensoriais (ex: surdez).
➢ Insuficiência familiar: Falta de apoio social e familiar
para o cuidado do idoso. Leva ao abandono,
institucionalização e piora da saúde mental.
➢ Incapacidade cognitiva: Déficits de memória, atenção
e raciocínio (ex: demência). Compromete a autonomia
e segurança do idoso.
➢ Instabilidade postural: Dificuldade em manter o
equilíbrio. Aumenta o risco de quedas e fraturas.
➢ Imobilidade: Redução da capacidade ou disposição
para se mover. Causa complicações como úlceras de
pressão e trombose.
➢ Incontinência esfincteriana: Perda involuntária de
urina ou fezes. Impacta a autoestima e contribui para
institucionalizações.
➢ Iatrogenia: Danos à saúde causados por intervenções
médicas, especialmente o uso inadequado de
medicamentos. Idosos são particularmente
vulneráveis devido à polifarmácia.
Problemas relacionados ao consumo de álcool
ISIS MIRANDA – T4 MED 2
O consumo do álcool deve ser abordado na consulta
de forma respeitosa, tentando estabelecer vínculo e
uma relação de confiança com o usuário. O método
clínico centrado na pessoa (MCCP) – estratégia
largamente utilizada na medicina de família e
comunidade (MFC) – responde de maneira
satisfatória a essa abordagem.
Ansiedade e estresse
Queixas de ansiedade: queixas onde se trata da
ansiedade (ou medo) ‘normal’ e relacionadas a
problemas vivenciados como ameaça.
Ansiedade anormal: um medo em grande
intensidade ou por tempo prolongado e de difícil
compreensão (para outras pessoas); que surge
depois de um (mínimo) estímulo e não é proporcional
à situação.
Transtorno da ansiedade: transtorno onde há
ansiedade anormal e persistente sofrimento subjetivo
ou perturbação do funcionamento social; síndrome do
ISIS MIRANDA – T4 MED 2
pânico, fobia específica, fobia social, transtorno
obsessivo-compulsivo, transtorno de ansiedade
generalizada e transtorno de estresse pós-traumático.
Hipocondria: medo de uma doença física grave.
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG):
Preocupação excessiva e incontrolável sobre diversos
eventos (ex.: saúde, trabalho), associada a sintomas
físicos.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: preocupação presente na
maioria dos dias, por > 6 meses; Prejuízo significativo
em áreas sociais ou ocupacionais. ➢ QUADRO CLÍNICO:
Inquietação, fadiga, irritabilidade, tensão muscular,
perturbação do sono, dificuldade de concentração
("branco mental").
Anamnese • Você se sente tenso ou ansioso? Você tem
muitas preocupações? • Você tem medo sem saber
porquê? • Você e seus familiares são de opinião que
esses medos são realistas? • Esse medo lhe causa
limitações na vida cotidiana? Em caso de suspeita de
ansiedade ou transtorno da ansiedade perguntar: •
duração e evolução dos sintomas, duração e
frequência dos ataques, gravidade dos sintomas, a
quantidade do sofrimento subjetivo e disfunção social;
• situações em que ocorre a ansiedade; • de quê o
paciente tem medo; • o paciente evita situações ou
atividades devido ao medo; • desencadeadores e
relação com situações de estresse; • sintomas físicos
que acompanham e/ou antecedem a ansiedade; •
ações compulsivas e tempo que ocupam; • abuso de
álcool, drogas ou benzodiazepínicos; • pensamentos
ou planos suicidas; • comorbidade: depressão,
alucinações ou delírio, perda de memória.
Tristeza e sensação de depressão
Fatores de risco: história pessoal ou familiar de
depressão, complicações obstétricas atuais, eventos
traumáticos, multiparidade, uso de álcool/drogas,
baixa renda, ausência de suporte social, gravidez
indesejada e violência doméstica.
Manifestações clínicas: Humor deprimido, anedonia
(perda do prazer), fadiga, alterações no sono (insônia
ou hipersonia), alterações no apetite, sentimentos de
inutilidade ou culpa, dificuldade de concentração,
lentificação psicomotora e ideação suicida.
Muitas vezes os sintomas são confundidos com
queixas comuns da gravidez, o que dificulta o
diagnóstico.
Triagem deve ser feita com perguntas simples: “Você
se sente triste?” ou “Sente-se desanimada?”.
Respostas positivas indicam necessidade de
avaliação clínica mais detalhada.
Critérios diagnósticos (DSM-IV): Presença de ≥5
sintomas por ≥2 semanas, incluindo obrigatoriamente
humor deprimido ou perda de interesse/prazer.
Psicose: esquizofrenia
➢ A esquizofrenia é um transtorno mental crônico
e grave, cuja principal manifestação clínica é a
psicose. A psicose caracteriza-se por uma perda de
contato com a realidade, com sintomas como delírios,
alucinações, discurso desorganizado e
comportamento desorganizado ou catatônico.
➢ No contexto da atenção primária, é fundamental
reconhecer sinais iniciais de psicose, como:
• Isolamento social
• Desconfiança excessiva
• Mudança abrupta no comportamento
• Discurso incoerente ou ideias delirantes
➢ A esquizofrenia costuma ter início no final da
adolescência ou início da vida adulta e pode se
apresentar de forma aguda ou insidiosa. O diagnóstico
é clínico, baseado nos critérios do DSM ou CID, e requer
duração mínima de sintomas e exclusão de outras
causas (como uso de substâncias).
➢ A psicose esquizofrênica difere de outras formas de
psicose (como a psicose induzida por substâncias ou
a psicose afetiva) pela persistência e pela
desorganização do pensamento.
➢ O tratamento deve ser multidisciplinar, incluindo:
• Uso de antipsicóticos, com preferência por
atípicos na atenção primária
• Apoio psicossocial e familiar
• Acompanhamento em serviços de saúde
mental (como CAPS)
➢ O médico de família tem papel essencial na detecção
precoce, encaminhamento adequado e
ISIS MIRANDA – T4 MED 2
acompanhamento longitudinal, contribuindo para
reduzir o estigma e promover adesão ao tratamento.
PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO
ROTINA DE CONSULTAS
Até 28ª semana – mensalmente;
Da 28ª até a 36ª semana - quinzenalmente;
Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente.
ROTINA DE EXAMES
1ª CONSULTA OU 1º TRIMESTRE:
Hemograma
Tipagem sanguínea e fator Rh
Coombs indireto (se for Rh negativo)
Glicemia em jejum
Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL/RPR
Teste rápido diagnóstico anti-HIV
Anti-HIV
Toxoplasmose IgM e IgG
Sorologia para hepatite B (HbsAg)
Urocultura + urina tipo I (sumário de urina – SU, EQU)
Ultrassonografia obstétrica
Citopatológico de colo de útero (se for necessário)
Exame da secreção vaginal (se houver indicação
clínica)
Parasitológico de fezes (se houver indicação clínica)
2° TRIMESTRE
Teste de tolerância para glicose com 75g, se a glicemia
estiver acima de 85mg/dl ou se houver fator de risco
(realize este exame preferencialmente entre a 24ª e a
28ª semana)
Coombs indireto (se for Rh negativo)
3° TRIMESTRE
Hemograma
Glicemia em jejum
Coombs indireto (se for Rh negativo)
VDRL
Anti-HIV
Sorologia para hepatite B (HbsAg)
Repita o exame de toxoplasmose se o IgG não for
reagente
Urocultura + urina tipo I (sumário de urina - SU)
Bacterioscopia de secreção vaginal (a partir de 37
semanas de gestação)
VACINAÇÃO
VACINA DUPLA ADULTO (dT)
• Gestante não vacinada previamente: administrar 3
(três) doses de vacina contendo toxoide tetânico e
diftérico com intervalo de 60 dias entre as doses.
Sendo 2 (duas) doses de dT em qualquer momentoda gestação e 1 (uma) dose de dTpa, a partir da
vigésima semana de gestação;
• Gestante vacinada com 1 (uma) dose de dT:
administrar 1 (uma) dose de dT em qualquer
momento da gestação e 1 (uma) dose de dTpa a
partir vigésima semana de gestação com intervalo
de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias;
• Gestante vacinada com 2 (duas) doses de dT:
administrar 1 (uma) dose da dTpa a partir vigésima
semana de gestação;
• Gestante vacinada com 3 (três) doses de dT:
administrar 1 (uma) dose de dTpa a partir da
vigésima semana de gestação.
• Mesmo com esquema completo (três doses de dT
ou dTpa) e/ou reforço com dT ou dTpa, a gestante
deverá receber sempre 1 (uma) dose de dTpa a
cada gestação.
VACINA HEPATITE B
• Para gestantes em qualquer idade gestacional, é
importante administrar 3 doses (0, 1 e 6 meses) da
vacina hepatite B, considerando o histórico de
vacinação anterior. Caso não seja possível
completar o esquema vacinal durante a gestação,
a mulher deverá concluir após o parto,
oportunamente.
• Caso tenha ocorrido interrupção após a primeira
dose, a segunda dose deverá ser administrada
assim que for possível e deve-se programar a
terceira dose para 6 meses após a primeira,
mantendo o intervalo de pelo menos 8 semanas
entre a segunda e a terceira dose.
• A dose final do esquema de vacinação deverá ser
administrada pelo menos 8 semanas após a
segunda dose e pelo menos 16 semanas após a
primeira dose para que o esquema seja
considerado válido. O intervalo mínimo entre a
primeira e a segunda dose deve ser de 4 semanas.
VACINA INFLUENZA E COVID-19
• Realizar um reforço de cada uma, a cada gestação.
SUPLEMENTAÇÃO
• Ácido fólico: Início pré-concepção e se mantém até
as 12 semanas gestacionais. Dose: 400 mcg (0,4
mg) por dia.
• Sulfato Ferroso: Recomendado iniciar a partir das
20 semanas, mas na prática, inicia-se na primeira
consulta do pré-natal e se mantém até 3 meses
pós-parto. Dose: 40 mg de ferro elementar/dia = 120
mg de sulfato ferroso.
• Carbonato de cálcio: Início a partir das 12 semanas
de gestação até o parto. Dose: 1.000 mg de cálcio
elementar/dia, administrada em dois comprimidos
de 1.250 mg de carbonato de cálcio = 2
comprimidos de 500 mg de cálcio elementar.
BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA E CISTITE
A detecção de novo caso de BA favorece a indicação de
antibioticoprofilaxia até o parto, utilizando-se a
nitrofurantoína (100 mg ao dia) ou a cefalexina (250-
500 mg diários). Alguns recomendam não utilizar
nitrofurantoína após 37 semanas pelo maior risco de
icterícia neonatal.
ISIS MIRANDA – T4 MED 2
VULVOVAGINITES E CERVICITES
VAGINOSE BACTERIANA
Metronidazol 250 mg, 2 comprimidos VO, 2x/dia, por 7
dias.
Metronidazol gel vaginal 100 mg/g, um aplicador via
vaginal, à noite ao deitar, por 5 dias.
Clindamicina 300 mg, VO, 2x/dia, por 7 dias. O uso de
fluconazol, itraconazol ou cetoconazol por via oral
estão contraindicados durante a gravidez.
CANDIDÍASE
Miconazol: creme vaginal 20 mg/g, um aplicador
durante 7 a 14 dias.
Clotrimazol: creme vaginal 10 mg/g, um aplicador
durante 7 dias, ao deitar.
Nistatina: creme 25.000 UI/g, um aplicador vaginal
durante 14 dias.
TRICOMONÍASE
Metronidazol 500 mg por via oral de 12 em 12 horas por
7 dias OU Metronidazol 2 g por via oral em dose única.
Para homens, podem ser utilizados: Metronidazol 2 g
por via oral em dose única OU Tinidazol 2 g por via oral
em dose única.
O tinidazol e o secnidazol não devem ser usados na
gravidez.
CERVICITES OU ENDOCERVICITES POR CHLAMYDIA
TRACHOMATIS E NEISSERIA GONORRHOEAE
O tratamento da infecção por Chlamydia trachomatis
em gestantes é realizado com: Azitromicina 1 g via oral,
em dose única. Está contraindicado na gestação o uso
de doxiciclina.
As infecções não complicadas por Neisseria
gonorrhoeae (cérvice uterina, uretra, reto) devem
devem ser tratadas com: Ceftriaxona 500 mg via
intramuscular em dose única associada à azitromicina
1 g via oral em dose única.
SÍFILIS