Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
 
 
 
 
HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS) 
Elevação persistente da PAS > 140 e PAD > 90; 
Fatores de risco: associação de fatores genéticos (30-
50%) e ambientais. 
CLASSIFICAÇÃO DA PA: 
CLASSIFICAÇÃO 
PAS 
(mmHg) 
 PAD 
(mmHg) 
PA ótima 180 e/ou > 110 
FENÓTIPOS: 
• HAS DO AVENTAL BRANCO: PA elevada no 
consultório, mas fora é normotenso; Ausência de 
lesão de órgãos alvo (LOA). 
• HAS MASCARADA: PA normal no consultório, mas é 
elevada fora dele. 
• HAS RESISTENTE: PA que permanece maior que 
140/90 mmHg, mesmo com o uso de 3 ou + 
fármacos, em doses máximas preconizadas e 
toleradas. 
• HAS REFRATÁRIA: HAS que permanece > 140/90 
mmHg mesmo com o uso de 5 ou + fármacos, 
incluindo a espironolactona. 
• HAS SISTÓLICA ISOLADA: PAS > 140 mmHg e PAD 
90 mmHg. 
*a HÁ sistólica e diastólica isoladas apresentam 
maior prevalência de HA do avental branco* 
TRIAGEM E DIAGNÓSTICO: 
 
 
 
 
 
 
DIAGNÓSTICO DE HAS pelo MRPA/MAPA: 
• MRPA: monitorização residencial da PA; 
• MAPA: Medida ambulatorial da PA; 
• AMPA: Automedida da PA. 
CATEGORIA 
PAS 
(mmHg) 
 PAD 
(mmHg) 
PA no consultório ≥ 140 e/ou ≥ 90 
MAPA 24H ≥ 130 e/ou ≥ 80 
a) vigília ≥ 135 e/ou ≥ 85 
b) sono ≥ 120 e/ou ≥ 70 
MRPA ≥ 130 e/ou ≥ 80 
 
VANTAGENS E DESVANTAGENS DA MAPA E MRPA: 
INDICAÇÕES PARA MRPA OU MAPA: 
• Suspeita de HA do avental branco: HÁ estágio 1 no 
consultório; ou elevação acentuada da PA no 
consultório, sem LOA. 
• Suspeita de HAS mascarada: Pré-hipertensão no 
consultório; ou PA normal no consultório em 
pacientes com LOA ou alto risco CV. 
• Confirmação de diagnóstico de HA resistente; 
• Avaliação do controle da HA. 
Não é obrigatório para o diagnóstico. 
 
SUBTIPOS: 
• PRIMÁRIA (ESSENCIAL): 
• SECUNDÁRIA: decorrente de causa identificável, 
que pode ser tratada com uma intervenção 
específica que determina a cura ou melhora do 
controle pressórico. 
• CAUSAS: DRC, hipertensão renovascular, displasia 
fibromuscular, coartação da aorta, apneia 
obstrutiva do sono, hiperaldosteronimso, 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
feocromocitoma, hipófise/hiperparatireoidismo e 
Cushing. 
INDÍCIOS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL SECUNDÁRIA: 
• Hipertensão estágio 3 antes dos 30 anos ou após 
os 55 anos 
• Hipertensão resistente ou refratária 
• Utilização de hormônios exógenos, fármacos ou 
demais substâncias que possam elevar a PA 
• Tríade do feocromocitoma: crises de palpitações, 
sudorese e cefaleia 
• Indícios de apneia obstrutiva do sono 
• Fácies típica ou biótipo de doenças que cursam 
com hipertensão arterial 
• Presença de sopros em territórios arteriais ou 
massas abdominais 
• Assimetria ou ausência de pulsos em MMII 
• Hipopotassemia espontânea ou severa induzida 
por diuréticos ( 10 m/s. 
EXAMES COMPLEMENTARES DE ROTINA: 
Consultas de rotina pelo menos de 6/6 meses, utilizar 
o método SOAP. 
• Análise de urina (GR: I, NE: C); 
• Potássio plasmático (GR: I, NE: C); 
• Creatinina plasmática (GR: I, NE: B); 
• Glicemia de jejum (GR: I, NE: C) e HbA1c (GR: I, NE: C); 
• Estimativa do ritmo de filtração glomerular (GR: I, NE: 
B); 
• Colesterol total, HDLc e triglicerideos plasmáticos 
(GR: I, NE: C); 
• Ácido úrico plasmático (GR: I, NE: C); 
• Eletrocardiograma convencional (GR: I, NE: B). 
AVALIAR O RISCO CARDIOVASCULAR EM: 
• Idade (mulheres > 65 anos e homens > 55 anos). 
• Tabagismo. 
• Dislipidemia: triglicerídeos (TG) > 150 mg/dL em 
jejum: LDL-c > 100 mg/dL: HDL-c 65 
mmHg. 
• Índice Tornozelo Braquial (ITB) ou Velocidade de 
Onda de Pulso (VOP) anormais. 
• História patológica pregressa de pré-eclâmpsia ou 
eclâmpsia. 
• Obesidade central: IMC 30 Kg/m² 
(obesidade). 
• Relação cintura/quadril (C/Q). Cintura abdominal = 
mulher 180 
PAD: > 110 
Sem FR 
Sem risco 
adicional 
Risco baixo 
Risco 
moderado 
Risco 
alto 
1 ou 2 FR Risco baixo 
Risco 
moderado 
Risco alto 
Risco 
alto 
≥ 3 FR 
Risco 
moderado 
Risco alto Risco alto 
Risco 
alto 
Lesão em 
órgão 
alvo 
(LOA), 
DRC, 
estágio 3, 
DM, DCV 
Risco alto Risco alto Risco alto 
Risco 
alto 
 
 
•Classificar em pré-hipertenso ou 
hipertenso estágio 1, 2 ou 3.
Passo 1: avaliar os 
níveis de PA
•Na vigência de qualquer uma, o 
paciente é classificado como alto 
risco cardiovascular.
Passo 2: Avaliar se 
existe LOA, DCV, 
DCR ou DM
•Após estabelecer o número de 
fatores de risco, classificar o paciente 
segundo a tabela a seguir.
Passo 3: Avaliar os 
fatores de risco 
adicionais
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO - INDICAÇÕES: 
• Os principais objetivos são a redução da PA e do 
risco cardiovascular 
• O tratamento medicamentoso deve se associar às 
medidas não medicamentosas. 
SITUAÇÃO ABRANGÊNCIA 
RECOMENDAÇ
ÃO 
CLASS
E 
Início de 
intervenções 
no estilo de 
vida 
Todos os 
estágios de HA 
130-139/85-
89mmHg 
Ao 
diagnóstico 
I 
Início de 
terapia 
farmacológic
a 
HA estágios 2 e 
3 
Ao 
diagnóstico 
I 
HA estágio 1 de 
moderado e alto 
RCV 
Ao 
diagnóstico 
I 
Hipertensos 
estágio 1 e risco 
cardiovascular 
baixo Indivíduos 
com PA 130-
139/85-89 
mmHg e DCV 
preexistente ou 
alto risco 
cardiovascular 
Aguardar 3 
meses pelo 
efeito nas 
intervenções 
do estilo de 
vida 
II A 
Hipertensos 
idosos frágeis 
e/ou muito 
idosos 
PAS ≥ 160 
mmHg 
I 
 
Hipertensos 
idosos hígidos 
PAS ≥ 140 
mmHg 
I 
Individuais com 
PA 130-135/85-
89 sem DCV 
preexistente e 
RCV baixo ou 
moderado 
Não 
recomendado 
III 
 
TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO: 
Cessar tabagismo 
Restringir sódio (até 2g/dia), aumentar potássio, 
dieta DASH ou do mediterrâneo 
Perda de peso paraúnico. A monoterapia deve ser considerada para 
hipertensos estágio 1 de baixo risco e para muito 
idosos e/ou indivíduos frágeis. 
• Quando não se atinge o controle da PA com 
combinação de dois fármacos, deve ser prescrita a 
combinação de três fármacos, habitualmente um 
IECA, ou BRA, associado a DIU tiazídico ou similar e 
BCC; caso necessário, acrescentar espironolactona 
em seguida. 
• Betabloqueadores devem ser indicados em 
condições específicas, como: IC, pós-IAM, angina, 
controle da FC, mulheres jovens com potencial para 
engravidar, em geral em combinação com outros 
fármacos. 
 
 
 
ESQUEMA DE ASSOCIAÇÃO DE MEDICAMENTOS: 
COMBINAÇÕES PREFERENCIAIS: IECA + diurético 
tiazídico; IECA + bloqueador dos canais de cálcio (BCC); 
BRA + BCC; BRA + Tiazídicos. NÃO RECOMENDADAS: IECA 
+ BRA. 
 
QUANDO REFERENCIAR: 
HAS resistente ou refratária à 3 classes de fármacos: 
• Pesquisa de LOA mais específica; 
• Pesquisa de HAS secundária; 
- PA 130-139 e/ou 85-89 mmHg de risco 
alto HA de estágio 1 de baixo risco 
- Muito idosos e/ou frágeis 
HA estágio 1 de risco 
moderado e alto HA 
estágios 2 e 3 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
• Tratamentos invasivos. 
PRINCIPAIS EFEITOS COLATERAIS DOS MEDICAMENTOS: 
CONSIDERAÇÕES GERAIS: 
• Betabloqueadores podem exacerbar DPOC, distúrbios de 
condução atrioventricular e insuficiência circulatória 
periférica. Sua contraindicação relativa em diabéticos do 
tipo 1 decorre de mascaramento dos sinais de 
hipoglicemia e bloqueio da glicogenólise. 
• Diuréticos tiazídicos (hidroclorotiazida) podem acentuar 
quadros de hiperuricemia e espoliar potássio. Aferir os 
níveis de potássio após três a seis meses do início do 
tratamento. Se hipopotassemia, associar espironolactona. 
• Diuréticos de alça (furosemida): Utilizada em 
insuficiência renal crônica (IRC), insuficiência cardíaca 
congestiva (ICC) e estados de retenção de líquidos 
(edema). 
• Diuréticos poupadores de potássio (espironolactona): 
Pode provocar hiperpotassemia, particularmente na IRC e 
quando associada a inibidores da ECA ou BRA. 
• IECA: Evite o uso em mulheres em idade fértil, risco de 
malformações e outras complicações. Contraindicada em 
associação a outros inibidores do sistema R-A-A, exceto 
espironolactona na ICC. Risco de hiperpotassemia em 
pacientes com insuficiência renal ou que estejam 
recebendo suplementação de potássio. 
• BRA: mesmas recomendações do IECA. 
• BCC: Anlodipino (pressat) 5 mg causa edema, mas não 
tosse. Evite o uso em pacientes com insuficiência cardíaca 
com fração de ejeção reduzida. Evite a associação com 
betabloqueadores e em pacientes com bradicardia. 
• Simpatolíticos de ação central (Metildopa): 500-2.000, 
2x/dia. Colaterais: reações autoimunes (febre, anemia 
hemolítica, galactorréia). 
CLASSE MECANISMO COLATERAIS INTERAÇÕES C.I 
D. ALÇA 
↓ 
Na⁺/K⁺/2Cl→ 
intensa 
diurese e 
perda de 
eletrólitos 
Fraqueza, 
câimbras, 
disf. Erétil e 
aumento do 
ácido úrico 
AINEs ↓ efeito; 
risco de 
hipocalemia c/ 
digitálicos; ↑ 
hipercalemia 
com IECA ou BRA 
Gota, 
hipocalemia, 
IR grave (exc. 
furosemida) 
D. 
POUPAD
OR DE 
POTÁSSI
O 
Espironolact
ona: 
Antagonista 
da 
aldosterona 
nos túbulos 
coletores → 
reduz 
reabsorção 
de Na⁺ e 
excreção de 
K⁺. 
D. 
TIAZÍDIC
OS 
Aumentam 
excreção de 
sódio e água, 
↓ volume 
plasmático e 
RVP 
BETABLO
Q. 
Bloqueiam 
receptores β 
→ ↓ FC, DC, 
renina e 
atividade 
simpática 
Broncoespas
mo, 
bradicardia, 
disfunção 
sexual 
↑ bradicardia 
com 
verapamil/diltiaz
em; AINEs ↓ efeito 
Asma/COPD, 
bloqueios AV, 
IC 
descompens
ada 
IECA 
Inibem 
conversão 
de 
angiotensina 
I em II → 
vasodilataçã
o e ↓ 
aldosterona 
Tosse seca 
(5-20%) 
AINEs ↑ risco 
renal; ↑ K⁺ com 
poupadores ou 
suplementos de 
potássio 
Gravidez, 
estenose 
renal 
bilateral, 
angioedema 
prévio 
BRA 
Bloqueiam 
receptores 
AT1 da 
angiotensina 
II → 
vasodilataçã
o e ↓ 
aldosterona 
Hipercalemi
a (IR) 
Semelhantes às 
dos IECAs 
Idêntico aos 
IECAS 
BCC 
Inibem 
entrada de 
Ca²⁺ nas 
células → 
vasodilataçã
o periférica e 
cardíaca 
Edema 
maleolar 
(ação 
vasodilatado
ra) 
causando 
transudação 
capilar, 
dermatite 
ocre 
(ocasionais). 
↑bradicardia com 
BB 
(verapamil/diltiaz
em; 
metabolizados 
pelo CYP3A4 
IC com 
fração 
reduzida 
(verapamil), 
bradicardia, 
bloqueios AV 
 
NOME COMERCIAL E POSOLOGIA: 
CLASSE 
NOME 
COMERCIAL 
POSOLOGIA HORÁRIO 
D. 
TIAZÍDICOS 
Hidroclorotiazida 25-50mg, 
1x/dia 
Manhã 
(diurese 
noturna) 
D. DE ALÇA Furosemida 
20-240mg, 
1-3x/dia 
Evitar 
noite 
D. poup. de 
potássio 
Espironolactona 
25-100mg, 
1-2x/dia 
 
BETABLOQ. 
Atenolol 
50-100mg, 
1-2x/dia 
Manhã ou 
manhã e 
noite 
Propanolol (BB) 
80-320mg, 
2-3x/dia 
3x/dia 
IECA 
Enalapril 
5-40mg, 1-
2x/dia 
Manhã ou 
manhã e 
noite 
Captopril 
25-150mg, 
2-3x/dia 
Antes das 
refeições 
BRA 
Losartana 
50-100mg, 
1-2x/dia 
Manhã ou 
manhã e 
noite Olmesartana 
20-40mg, 
1x/dia 
BCC 
Anlodipino 
(pressat) 
5-10mg, 
1x/dia 
Noite 
 
CASOS CLÍNICOS ABORDADOS EM AULA 
• Queixa principal: Vem à consulta para avaliar 
medicações prescritas por um médico 
cardiologista. 
• História da doença atual (HDA): Paciente refere que 
há 1 ano, após ter tido trauma em ombro direito em 
um acidente doméstico, a sua pressão arterial 
começou a ter alterações, pois o acidente lhe gerou 
bastante ansiedade. Entretanto, demorou a 
procurar atendimento médico para controle da 
pressão e ansiedade, porque acreditava que 
melhoraria sem medicação. Ela conta que fez uso 
de escitalopram 10 mg (1x/dia) nos últimos 4 meses, 
que foi prescrito por um médico de outra cidade, 
porém cessou o uso por conta própria a cerca de 20 
dias. Devido ao fato de não ter melhora da pressão 
alta, resolveu realizar consulta particular com um 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
médico cardiologista. A consulta aconteceu no mês 
passado e o cardiologista solicitou alguns exames: 
ECG, TESTE ERGOMÉTRICO e MAPA. Apenas o MAPA 
velo alterado, confirmando o diagnóstico de 
Hipertensão Arterial Sistêmica. Então, devido a isso 
o cardiologista prescreveu PRESSAT 5 mg 
(Anlodipino), Asea HCT 40/25g mg (Olmeosartana + 
hidroclorotiazida) e SeloZok 50 mg (Metoprolol). A 
paciente diz que iniciou o uso apenas do PRESSAT 
durante 7 dias, mas referiu que essa medicação 
causou tosse nela. Não fez o uso das outras 
medicações prescritas, pois ela disse que não 
queria ficar dependente delas e pesquisou no 
Google que todas elas poderiam lhe causou tosse e 
problema nos rins. 
• Antecedentes Pessoais: Fazia uso de escitalopram 
10 mg, 1x/d, G2AOP2, nega pré-eclâmpsia, nega 
etilismo, tabagismo e comorbidades. 
• Antecedentes Familiares: Pai: HAS. Mãe nega 
comorbidades. Irma: HAS. 
• Exame físico: Bom estado geral, ansiosa e 
apreensiva durante toda a consulta. Consciente e 
orientada em tempo e espaço. Afebril, anictérica e 
acianótica. 
• Ausculta cardíaca: Bulhas cardíacas 
normofonéticos, rítmicos em 2 tempos, sem sopros, 
FC: 110 BPM. PA:145X90 mmHg. 
• Demais sistemas: Sem alterações. 
EXAMES COMPLEMENTARES: 
• Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial 
(MAPA): Média de 24 horas: 140/100 mmHg. 
• Média durante a vigília (período diurno): 138/88 
mmHg. 
• Média durante o sono (período noturno): 140/90 
mmHg. 
AVALIAÇÃO 
1. Qual a meta de pressão arterial do paciente? 
2. Qual o estágio da hipertensão arterial? 
3. Qual seu risco cardiovascular de acordo com a PA? 
4. Qual o plano terapêutico? 
 
CASO 02 
• Paciente hipertenso e diabético, em uso de 
LOSARTANA 50mg, 1 cp/manhã e glibenclamida 
5mg, 1 cp/jejum e antes do almoço. Vem à unidade 
básica para solicitar troca de medicação, pois 
refere que sua pressão continua alta e ele tem 
sentido seus pés incharem. 
• AMP: Hipertenso e diabético. Nega outras 
comorbidades e lesão de órgão alvo, faz uso das 
medicações de forma correta. Sedentário ex-
tabagista (cessou há 20 anos) fazia uso de mais de 
5 cigarros por dia. 
• Examefísico: Bom estado geral, idoso hígido 
consciente e orientado em tempo e espaço, afebril, 
anictérico e acianótico. 
• Ausculta cardíaca: Bulhas cardíacas 
normofonéticas, em 2 tempos, sem sopros, FC: 65 
BPM. 
• Ausculta de carótida: ausência de sopros. 
• MMII: Presença de edema bilateral (1+/4+), 
presença de manchas hipercrômicas, pulsos 
presentes e positivos, tibial posterior, pedioso e 
poplíteo. 
• PA no consultório: 165/105 mmHg. 
• Demais sistemas: sem alterações. 
Avaliação 
1. Qual a meta de pressão do paciente? 
2. Qual o estágio de hipertensão arterial na consulta? 
3. Qual o seu risco cardiovascular de acordo com a 
PA? 
PLANO 
1. Quais orientações em relação as mudanças do 
estilo de vida? 
2. O que vocês farão em relação às medicações? 
3. Há necessidade de encaminhá-lo ao especialista? 
 
HIPERTENSÃO ARTERIAL NA GESTAÇÃO 
Define-se hipertensão na gestação quando há pressão 
arterial sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg e/ou pressão arterial 
diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg, considerando-se o 5o ruído 
de Korotkoff, confirmada por outra medida realizada 
com o intervalo de quatro horas. 
DEFINIÇÕES 
• Hipertensão gestacional: PAS ≥140 mmHg e/ou PAD 
≥90 mmHg, ou ambos, medida em duas ocasiões 
com pelo menos 4 horas de intervalo. 
• Hipertensão gestacional grave: PAS ≥160 mmHg 
e/ou PAD ≥110 mmHg, ou ambas, medidas em duas 
ocasiões com, pelo menos, 4 horas de intervalo. 
• Proteinúria: Proteinúria > 300 mg em 24 horas, razão 
proteinúria/creatinina urinária de 0,3 g/g de 
creatinina ou ++ em fitas reagentes (idealmente, 
quantificar). 
CLASSIFICAÇÃO 
• Pré-eclâmpsia (com ou sem sinais de gravidade): 
PAS ≥140 mmHg ou PAD ≥90 mmHg, ou ambos, em 
geral após 20 semanas de gestação e 
frequentemente com proteinúria*. Na ausência de 
proteinúria, pode-se considerar o diagnóstico 
quando houver sinais de gravidade: 
trombocitopenia ( 1,1 
mg/dL ou 2x creatinina basal, elevação de 2x das 
transaminases hepáticas, EAP, dor abdominal, 
sintomas visuais ou cefaleia, convulsões, sem 
outros diagnósticos alternativos. 
• Hipertensão crônica: HA diagnosticada ou presente 
antes da gestação ou antes das 20 semanas de 
gestação; ou HA diagnosticada pela primeira vez 
durante a gravidez e que não normaliza no período 
pós-parto. 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
• Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia 
sobreposta: Pré-eclâmpsia em mulher com história 
de HA antes da gravidez ou antes de 20 semanas de 
gestação. 
 
• Hipertensão gestacional: PAS ≥140 mmHg ou PAD 
≥90 mmHg, ou ambas, em mulher com PA 
previamente normal, após 20 semanas de 
gestação, medida em duas ocasiões com, pelo 
menos, 4 horas de intervalo, sem proteinúria ou 
sinais de gravidade, e que retorna ao normal no 
período pós-parto. 
OUTRAS DEFINIÇÕES DIAGNÓSTICAS 
• Eclâmpsia: Convulsões tônico-clônicas na 
ausência de outras condições causais. 
• Síndrome HELLP: Hemólise, elevação de enzimas 
hepáticas e trombocitopenia. 
 
 
• Síndrome de encefalopatia posterior reversível 
(PRES) e síndrome da vasoconstrição encefálico 
reversível: Ocorre PRES com alteração de imagem 
pela presença de edema vasogênico e sinais 
hiperintensos na porção posterior do cérebro na 
RNM, além de estar associado a alterações visuais, 
convulsão, cefaleia e alteração de sensório. A 
síndrome da vasoconstrição cerebral reversível 
caracteriza-se por estreitamento de artérias do 
cérebro com cefaleia em trovoada ou sinais 
neurológicos focais. 
PREVENÇÃO: 
Cálcio e ácido acetilsalicílico em pacientes de alto 
risco. 
RECOMENDAÇÕES PARA USO DE AAS NA PREVENÇÃO 
DE PRÉ-ECLÂMPSIA 
RISCO 
FATOR DE 
RISCO 
RECOMENDAÇÃO 
ALTO 
-PE prévia com 
desfecho fetal 
adverso; -
Gestação 
múltipla HA 
crônica DM tipo 1 
ou 2; 
-Doença renal; 
-Doença 
autoimune 
(LES/SAAF). 
Recomenda-se 
ácido 
acetilsalicílico 
baixa dose para 1 
ou mais desses 
critérios. 
MODERADO 
Nuliparidade; 
Obesidade (IMC 
≥ 30 kg/m2); 
História familiar 
de PE (mãe ou 
irmã); Idade ≥ 35 
anos; 
 História 
obstétrica prévia 
ruim (PIG, 
Prematuridade, 
baixo peso, mais 
de 10 anos de 
intervalo entre 
as gestações) 
Considerar uso 
de ácido 
acetilsalicílico 
em baixa dose, 
se paciente 
apresentar mais 
de 1 fator de 
risco. 
 
TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO: 
• Não deve ser utilizado em situações de PAS acima 
de 160 mmHg persistente por mais de 15 minutos. 
• Repouso relativo em hospital com monitoramento 
para pré-eclâmpsia. 
• Internação em pacientes com hipertensão grave na 
gestação. 
 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
CONDUTA EXPECTANTE: 
Sugere-se conduta expectante entre 34 e 37 semanas 
de gestação em mulheres estáveis, sem piora clínica ou 
hipertensão grave. 
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: 
• Indica-se tratamento medicamentoso urgente em 
caso de hipertensão grave e na presença de sinais 
premonitórios. 
• Sugere-se iniciar tratamento medicamentoso 
quando a PA estiver acima de 150-160/100-110 
mmHg, com o objetivo de manter a PA entre 120-
160/80-100 mmHg. 
• A escolha do medicamento anti-hipertensivo 
depende da experiência do médico assistente e da 
familiaridade com o fármaco escolhido e dos 
efeitos colaterais. 
• Recomenda-se o uso de sulfato de magnésio para 
a prevenção e o tratamento da eclâmpsia. 
 
DIABETES MELLITUS 
 
Um distúrbio metabólico caracterizado por 
hiperglicemia persistente, decorrente de deficiência 
na produção de insulina ou na sua ação, ou em ambos 
os mecanismos. 
A hiperglicemia persistente está associada a 
complicações crônicas micro e macrovasculares, 
aumento de morbidade, redução da qualidade de vida 
e elevação da taxa de mortalidade. 
TIPOS DE DIABETES 
DM TIPO 1 
-> Tipo 1A: deficiência de 
insulina por destruição 
autoimune das células ẞ 
comprovada por exames 
laboratoriais; 
-> Tipo 1B: deficiência de 
insulina de natureza 
idiopática. 
DM TIPO 2 
Perda progressiva de 
secreção insulínica 
combinada com resistência 
à insulina. 
DM GESTACIONAL 
Hiperglicemia de graus 
variados diagnosticada 
durante a gestação, na 
ausência de critérios de DM 
prévio. 
OUTROS TIPOS DE DM 
a) Monogênicos 
(MODY); 
b) Diabetes 
neonatal; 
c) Secundário a 
endocrinopatias; 
d) Sec. A doenças 
do pâncreas 
exócrino; 
e) Sec. A infecções; 
f) Sec. A 
medicamentos. 
 
FATORES DE RISCO: 
• História familiar da doença; 
• Avançar da idade; 
• Obesidade 
• Sedentarismo; 
• Diagnóstico prévio de pré-diabetes ou DMG; 
• Presença de componentes da síndrome 
metabólica, tais como hipertensão arterial e 
dislipidemia. 
FISIOPATOLOGIA: 
 
 
SINAIS E SINTOMAS TÍPICOS DE HIPERGLICEMIA 
• Poliúria 
• Polidipsia 
• Polifagia 
• Perda de peso inexplicada 
• Desidratação 
SINAIS E SINTOMAS SUGESTIVOS DE HIPERGLICEMIA 
• Noctúria 
• Visão turva 
• Cansaço 
• Infecções recorrentes (Candidíase e Periodontite) 
• Má cicatrização de feridas 
• Albuminúria transitória em pacientes com DM1 com 
menos de 5 anos de doença 
INDICAÇÕES PARA RASTREAMENTO DE DM2 EM 
ADULTOS ASSINTOMÁTICOS: 
• Idade acima de 35 anos (universal) 
• Idade abaixo de 35 anos com sobrepeso ou 
obesidade, e mais um fator de risco 
• História familiar de DM2 em parente de primeiro 
grau História de doença cardiovascular 
• Hipertensão arterial HDL abaixo de 35 mg/dl 
• Triglicerídeos acima de 250 mg/dl 
• Síndrome de ovários policísticos 
• Acantose nigricans 
• Sedentarismo 
• Pré-diabetes em exame prévio 
• Diabetes gestacional prévio ou recém-nato grande 
para idade gestacional 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
• FINDRISC alto ou muito alto 
 
 
 
RASTREAMENTO CONFORME SUSPEITA CLÍNICA 
SITUAÇÃO CLÍNICA 
FREQUÊNCIA DE 
RASTREAMENTO DM2 
Pessoas sem sintomas e 
com apenas um exame 
preenchendo critérios 
para DM. 
SEMESTRAL 
Pessoas com pré-
diabetes confirmada. 
ANUAL 
Pessoas com exames 
normais e ≥ 3 fatores de 
risco. 
ANUAL 
Pessoas com exames 
normais e FINDRISC 
alto/muito alto. 
ANUAL 
Pessoas com exames 
normais eexames 
normais e FINDRISC 
baixo/moderado. 
TRIANUAL 
 
DIAGNÓSTICO 
• Presença de hiperglicemia identificada por algum 
desses: glicemia plasmática de jejum, teste de 
tolerância à glicose por via oral e hemoglobina 
glicada (HbA1c). 
CRITÉRIOS NORMAL 
PRÉ-
DIABETES 
DM 
GLICEMIA DE 
JEJUM 
 
sensibilid
ade de 
insulina 
no fígado 
e a 
captação 
muscular 
de 
glicose 
Alta 
eficácia, 
peso e 
potência 
Hipoglice
mia e 
ganho 
de peso 
TFG 35kg/m²; 
• Mulheres c/ história de DMG; 
• Na presença de síndrome metabólica, com 
hipertensão ou glicemia de jejum > 110mg/dL. 
CASO CLÍNICO 01: 
R.O.D, 45 anos, sexo feminino. Nega comorbidades e uso 
de medicações de uso contínuo. 
QP: Alteração da glicemia em exame de sangue 
Refere que realizou a pedido da nutricionista da de multi 
exames laboratoriais de rotina. 
A nutricionista identificou alteração da glicemia em 
jejum, lhe solicitou Hb glicada e orientou realizar 
consulta médica. Hoje ela vem ao consultório para 
entregar o exame. Nega qualquer alteração de glicemia 
anterior a esses exames. 
12/03/2025: GJ 225mg/dL 
18/03/2025: HbA1c 4,8%. 
Avaliação e plano. 
CASO CLÍNICO 02: 
I.D.P, 65 anos, Sexo masculino. Hipertenso em uso de 
LOSARTANA 50 mg 2x/dia e diabético em uso de 
Glibenclamida 5 mg 2 comprimidos em jejum e 2 antes 
do almoço e metformina 500 mg 1 comprimido após 
jantar e almoço. 
QP: Fraqueza e vista embaçada. Paciente refere astenia 
pela manhã quase que diariamente, não sabe dizer 
quando iniciou o sintoma. Conta que recentemente teve 
um episódio de tontura e visão escura quando estava 
indo à feira pela manhã, precisou ser socorrido por uma 
moça de uma loja, que lhe ofereceu água e depois suco 
de maracujá, mas relata que está hoje com sensação 
parecida e relata não tem tomado café da manhã 
antes da consulta. 
Exame físico: Pele fria e aparência mais pálida; Dextro: 
55 mg/dL (em jejum); já havia tomado suas 
medicações; PA: 120x80 mmHg. Considerar demais 
sistemas, sem alterações. 
Avaliação e Plano 
 
 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
DIABETES MELLITUS GESTACIONAL 
 
Diabetes Mellitus Gestacional (DMG): mulher com 
hiperglicemia detectada pela primeira vez durante a 
gravidez, com níveis glicêmicos sanguíneos que não 
atingem os critérios diagnósticos para DM prévia 
Overt diabetes: mulher sem diagnóstico prévio de 
diabetes mellitus, com hiperglicemia detectada na 
gravidez e com níveis glicêmicos sanguíneos que 
atingem os critérios da Organização Mundial da Saúde 
(OMS) para o diabetes mellitus na ausência de 
gestação. 
RASTREAMENTO 
Não deve ser mais utilizada a avaliação de fatores de 
risco para o rastreamento de DMG. Rastreamento de 
diabetes deve ser realizado na primeira consulta pré-
natal do primeiro trimestre, com glicemia de jejum e 
entre 24 e 28 semanas de gestação com o Teste Oral de 
Tolerância à Glicose (TOTG) 75 g. 
DIAGNÓSTICO 
Glicemia de jejum maior ou igual a 92 mg/dL e menor 
ou igual a 125 mg/dL 
TTOG 75 g em 2 horas com pelo menos um valor 
alterado 
Jejum: maior ou igual a 92 mg/dL 
1 hora pós sobrecarga: maior ou igual a 180 mg/dL 
2 horas pós sobrecarga: maior ou igual a 153 mg/dL 
TRATAMENTO 
Objetivo é o controle glicêmico rigoroso 
Dieta, atividade física e monitorização glicêmica são a 
abordagem terapêutica inicial para o controle da 
doença 
A introdução da insulina para o tratamento do DMG é 
feita quando a terapêutica dietética não foi suficiente 
para alcançar o controle metabólico desejado em duas 
semanas 
Alvo glicêmico na DMG e DM 1 e 2 
Jejum: menor ou igual a 95 mg/dL 
1 hora pós-prandial: menor ou igual a 140 mg/dL 
2 horas pós-prandial: menor ou igual a 120 mg/dL 
Hipoglicemia: menor ou igual a 70 mg/dL 
SÍNDROMES GERIÁTRICAS 
As Grandes Síndromes Geriátricas (ou também 
conhecidas como “Os Grandes “I’s” da Geriatria”) 
contemplam condições clínicas frequentes nos idosos, 
capazes de reduzir consideravelmente a qualidade de 
vida destes pacientes. Conceitua-se que o surgimento 
de uma das Síndromes acontece após a perda 
da autonomia e/ou da independênciados idosos. A 
autonomia refere-se à capacidade do idoso em tomar 
decisões por conta própria, sendo ela dependente 
do humor e da cognição. Por outro lado, 
a independência se refere à capacidade de realizar 
suas próprias atividades sem ajuda de outrem, esta 
depende do pleno funcionamento da mobilidade e 
da capacidade comunicativa dessa população. 
As grandes Síndromes Geriátricas são: incapacidade 
comunicativa, insuficiência familiar, incapacidade 
cognitiva, instabilidade postural, imobilidade, 
incontinência esfincteriana e a iatrogenia; 
 
➢ Incapacidade comunicativa: Dificuldade em 
expressar ou compreender informações. Pode resultar 
de AVC, demência ou distúrbios sensoriais (ex: surdez). 
➢ Insuficiência familiar: Falta de apoio social e familiar 
para o cuidado do idoso. Leva ao abandono, 
institucionalização e piora da saúde mental. 
➢ Incapacidade cognitiva: Déficits de memória, atenção 
e raciocínio (ex: demência). Compromete a autonomia 
e segurança do idoso. 
➢ Instabilidade postural: Dificuldade em manter o 
equilíbrio. Aumenta o risco de quedas e fraturas. 
➢ Imobilidade: Redução da capacidade ou disposição 
para se mover. Causa complicações como úlceras de 
pressão e trombose. 
➢ Incontinência esfincteriana: Perda involuntária de 
urina ou fezes. Impacta a autoestima e contribui para 
institucionalizações. 
➢ Iatrogenia: Danos à saúde causados por intervenções 
médicas, especialmente o uso inadequado de 
medicamentos. Idosos são particularmente 
vulneráveis devido à polifarmácia. 
Problemas relacionados ao consumo de álcool 
 
 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
 
 
O consumo do álcool deve ser abordado na consulta 
de forma respeitosa, tentando estabelecer vínculo e 
uma relação de confiança com o usuário. O método 
clínico centrado na pessoa (MCCP) – estratégia 
largamente utilizada na medicina de família e 
comunidade (MFC) – responde de maneira 
satisfatória a essa abordagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ansiedade e estresse 
Queixas de ansiedade: queixas onde se trata da 
ansiedade (ou medo) ‘normal’ e relacionadas a 
problemas vivenciados como ameaça. 
Ansiedade anormal: um medo em grande 
intensidade ou por tempo prolongado e de difícil 
compreensão (para outras pessoas); que surge 
depois de um (mínimo) estímulo e não é proporcional 
à situação. 
Transtorno da ansiedade: transtorno onde há 
ansiedade anormal e persistente sofrimento subjetivo 
ou perturbação do funcionamento social; síndrome do 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
pânico, fobia específica, fobia social, transtorno 
obsessivo-compulsivo, transtorno de ansiedade 
generalizada e transtorno de estresse pós-traumático. 
Hipocondria: medo de uma doença física grave. 
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG): 
Preocupação excessiva e incontrolável sobre diversos 
eventos (ex.: saúde, trabalho), associada a sintomas 
físicos. 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: preocupação presente na 
maioria dos dias, por > 6 meses; Prejuízo significativo 
em áreas sociais ou ocupacionais. ➢ QUADRO CLÍNICO: 
Inquietação, fadiga, irritabilidade, tensão muscular, 
perturbação do sono, dificuldade de concentração 
("branco mental"). 
Anamnese • Você se sente tenso ou ansioso? Você tem 
muitas preocupações? • Você tem medo sem saber 
porquê? • Você e seus familiares são de opinião que 
esses medos são realistas? • Esse medo lhe causa 
limitações na vida cotidiana? Em caso de suspeita de 
ansiedade ou transtorno da ansiedade perguntar: • 
duração e evolução dos sintomas, duração e 
frequência dos ataques, gravidade dos sintomas, a 
quantidade do sofrimento subjetivo e disfunção social; 
• situações em que ocorre a ansiedade; • de quê o 
paciente tem medo; • o paciente evita situações ou 
atividades devido ao medo; • desencadeadores e 
relação com situações de estresse; • sintomas físicos 
que acompanham e/ou antecedem a ansiedade; • 
ações compulsivas e tempo que ocupam; • abuso de 
álcool, drogas ou benzodiazepínicos; • pensamentos 
ou planos suicidas; • comorbidade: depressão, 
alucinações ou delírio, perda de memória. 
 
Tristeza e sensação de depressão 
Fatores de risco: história pessoal ou familiar de 
depressão, complicações obstétricas atuais, eventos 
traumáticos, multiparidade, uso de álcool/drogas, 
baixa renda, ausência de suporte social, gravidez 
indesejada e violência doméstica. 
Manifestações clínicas: Humor deprimido, anedonia 
(perda do prazer), fadiga, alterações no sono (insônia 
ou hipersonia), alterações no apetite, sentimentos de 
inutilidade ou culpa, dificuldade de concentração, 
lentificação psicomotora e ideação suicida. 
Muitas vezes os sintomas são confundidos com 
queixas comuns da gravidez, o que dificulta o 
diagnóstico. 
Triagem deve ser feita com perguntas simples: “Você 
se sente triste?” ou “Sente-se desanimada?”. 
Respostas positivas indicam necessidade de 
avaliação clínica mais detalhada. 
Critérios diagnósticos (DSM-IV): Presença de ≥5 
sintomas por ≥2 semanas, incluindo obrigatoriamente 
humor deprimido ou perda de interesse/prazer. 
 
Psicose: esquizofrenia 
➢ A esquizofrenia é um transtorno mental crônico 
e grave, cuja principal manifestação clínica é a 
psicose. A psicose caracteriza-se por uma perda de 
contato com a realidade, com sintomas como delírios, 
alucinações, discurso desorganizado e 
comportamento desorganizado ou catatônico. 
➢ No contexto da atenção primária, é fundamental 
reconhecer sinais iniciais de psicose, como: 
• Isolamento social 
• Desconfiança excessiva 
• Mudança abrupta no comportamento 
• Discurso incoerente ou ideias delirantes 
➢ A esquizofrenia costuma ter início no final da 
adolescência ou início da vida adulta e pode se 
apresentar de forma aguda ou insidiosa. O diagnóstico 
é clínico, baseado nos critérios do DSM ou CID, e requer 
duração mínima de sintomas e exclusão de outras 
causas (como uso de substâncias). 
➢ A psicose esquizofrênica difere de outras formas de 
psicose (como a psicose induzida por substâncias ou 
a psicose afetiva) pela persistência e pela 
desorganização do pensamento. 
➢ O tratamento deve ser multidisciplinar, incluindo: 
• Uso de antipsicóticos, com preferência por 
atípicos na atenção primária 
• Apoio psicossocial e familiar 
• Acompanhamento em serviços de saúde 
mental (como CAPS) 
➢ O médico de família tem papel essencial na detecção 
precoce, encaminhamento adequado e 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
acompanhamento longitudinal, contribuindo para 
reduzir o estigma e promover adesão ao tratamento. 
 
PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO 
ROTINA DE CONSULTAS 
Até 28ª semana – mensalmente; 
Da 28ª até a 36ª semana - quinzenalmente; 
Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente. 
ROTINA DE EXAMES 
1ª CONSULTA OU 1º TRIMESTRE: 
Hemograma 
Tipagem sanguínea e fator Rh 
Coombs indireto (se for Rh negativo) 
Glicemia em jejum 
Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL/RPR 
Teste rápido diagnóstico anti-HIV 
Anti-HIV 
Toxoplasmose IgM e IgG 
Sorologia para hepatite B (HbsAg) 
Urocultura + urina tipo I (sumário de urina – SU, EQU) 
Ultrassonografia obstétrica 
Citopatológico de colo de útero (se for necessário) 
Exame da secreção vaginal (se houver indicação 
clínica) 
Parasitológico de fezes (se houver indicação clínica) 
2° TRIMESTRE 
Teste de tolerância para glicose com 75g, se a glicemia 
estiver acima de 85mg/dl ou se houver fator de risco 
(realize este exame preferencialmente entre a 24ª e a 
28ª semana) 
Coombs indireto (se for Rh negativo) 
3° TRIMESTRE 
Hemograma 
Glicemia em jejum 
Coombs indireto (se for Rh negativo) 
VDRL 
Anti-HIV 
Sorologia para hepatite B (HbsAg) 
Repita o exame de toxoplasmose se o IgG não for 
reagente 
Urocultura + urina tipo I (sumário de urina - SU) 
Bacterioscopia de secreção vaginal (a partir de 37 
semanas de gestação) 
VACINAÇÃO 
VACINA DUPLA ADULTO (dT) 
• Gestante não vacinada previamente: administrar 3 
(três) doses de vacina contendo toxoide tetânico e 
diftérico com intervalo de 60 dias entre as doses. 
Sendo 2 (duas) doses de dT em qualquer momentoda gestação e 1 (uma) dose de dTpa, a partir da 
vigésima semana de gestação; 
• Gestante vacinada com 1 (uma) dose de dT: 
administrar 1 (uma) dose de dT em qualquer 
momento da gestação e 1 (uma) dose de dTpa a 
partir vigésima semana de gestação com intervalo 
de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias; 
• Gestante vacinada com 2 (duas) doses de dT: 
administrar 1 (uma) dose da dTpa a partir vigésima 
semana de gestação; 
• Gestante vacinada com 3 (três) doses de dT: 
administrar 1 (uma) dose de dTpa a partir da 
vigésima semana de gestação. 
• Mesmo com esquema completo (três doses de dT 
ou dTpa) e/ou reforço com dT ou dTpa, a gestante 
deverá receber sempre 1 (uma) dose de dTpa a 
cada gestação. 
VACINA HEPATITE B 
• Para gestantes em qualquer idade gestacional, é 
importante administrar 3 doses (0, 1 e 6 meses) da 
vacina hepatite B, considerando o histórico de 
vacinação anterior. Caso não seja possível 
completar o esquema vacinal durante a gestação, 
a mulher deverá concluir após o parto, 
oportunamente. 
• Caso tenha ocorrido interrupção após a primeira 
dose, a segunda dose deverá ser administrada 
assim que for possível e deve-se programar a 
terceira dose para 6 meses após a primeira, 
mantendo o intervalo de pelo menos 8 semanas 
entre a segunda e a terceira dose. 
• A dose final do esquema de vacinação deverá ser 
administrada pelo menos 8 semanas após a 
segunda dose e pelo menos 16 semanas após a 
primeira dose para que o esquema seja 
considerado válido. O intervalo mínimo entre a 
primeira e a segunda dose deve ser de 4 semanas. 
VACINA INFLUENZA E COVID-19 
• Realizar um reforço de cada uma, a cada gestação. 
 
SUPLEMENTAÇÃO 
• Ácido fólico: Início pré-concepção e se mantém até 
as 12 semanas gestacionais. Dose: 400 mcg (0,4 
mg) por dia. 
• Sulfato Ferroso: Recomendado iniciar a partir das 
20 semanas, mas na prática, inicia-se na primeira 
consulta do pré-natal e se mantém até 3 meses 
pós-parto. Dose: 40 mg de ferro elementar/dia = 120 
mg de sulfato ferroso. 
• Carbonato de cálcio: Início a partir das 12 semanas 
de gestação até o parto. Dose: 1.000 mg de cálcio 
elementar/dia, administrada em dois comprimidos 
de 1.250 mg de carbonato de cálcio = 2 
comprimidos de 500 mg de cálcio elementar. 
BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA E CISTITE 
A detecção de novo caso de BA favorece a indicação de 
antibioticoprofilaxia até o parto, utilizando-se a 
nitrofurantoína (100 mg ao dia) ou a cefalexina (250-
500 mg diários). Alguns recomendam não utilizar 
nitrofurantoína após 37 semanas pelo maior risco de 
icterícia neonatal. 
 
ISIS MIRANDA – T4 MED 2 
 
 
VULVOVAGINITES E CERVICITES 
VAGINOSE BACTERIANA 
Metronidazol 250 mg, 2 comprimidos VO, 2x/dia, por 7 
dias. 
Metronidazol gel vaginal 100 mg/g, um aplicador via 
vaginal, à noite ao deitar, por 5 dias. 
Clindamicina 300 mg, VO, 2x/dia, por 7 dias. O uso de 
fluconazol, itraconazol ou cetoconazol por via oral 
estão contraindicados durante a gravidez. 
CANDIDÍASE 
Miconazol: creme vaginal 20 mg/g, um aplicador 
durante 7 a 14 dias. 
Clotrimazol: creme vaginal 10 mg/g, um aplicador 
durante 7 dias, ao deitar. 
Nistatina: creme 25.000 UI/g, um aplicador vaginal 
durante 14 dias. 
TRICOMONÍASE 
Metronidazol 500 mg por via oral de 12 em 12 horas por 
7 dias OU Metronidazol 2 g por via oral em dose única. 
Para homens, podem ser utilizados: Metronidazol 2 g 
por via oral em dose única OU Tinidazol 2 g por via oral 
em dose única. 
O tinidazol e o secnidazol não devem ser usados na 
gravidez. 
CERVICITES OU ENDOCERVICITES POR CHLAMYDIA 
TRACHOMATIS E NEISSERIA GONORRHOEAE 
O tratamento da infecção por Chlamydia trachomatis 
em gestantes é realizado com: Azitromicina 1 g via oral, 
em dose única. Está contraindicado na gestação o uso 
de doxiciclina. 
As infecções não complicadas por Neisseria 
gonorrhoeae (cérvice uterina, uretra, reto) devem 
devem ser tratadas com: Ceftriaxona 500 mg via 
intramuscular em dose única associada à azitromicina 
1 g via oral em dose única. 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÍFILIS

Mais conteúdos dessa disciplina