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DIREITOS HUMANOS - DELEGADO PCSP- AMOSTRA

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SUMÁRIO 
TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS ................................................................................................................... 4 
A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E OS DIREITOS HUMANOS ........................................................................................ 27 
SISTEMA GLOBAL DE DIREITOS HUMANOS .............................................................................................................. 46 
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE DIREITOS HUMANOS ........................................................................................ 54 
PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS ..................................................................... 61 
O PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS ......................... 75 
CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA ...................................................... 81 
CONVENÇÃO PARA PREVENÇÃO E REPRESSÃO DO CRIME DE GENOCÍDIO (1948) ......................... 101 
CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA ............................................................................................ 105 
CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME ORGANIZADO TRANSNACIONAL – 
CONVENÇÃO DE PALERMO...................................................................................................................................... 120 
A CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE 
DISCRIMINAÇÃO RACIAL ........................................................................................................................................... 146 
CÓDIGO DE CONDUTA PARA OS FUNCIONÁRIOS RESPONSÁVEIS PELA APLICAÇÃO DA LEI 
(ADOTADO PELA ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS NA SUA RESOLUÇÃO 34/169, DE 17 
DE DEZEMBRO DE 1979) ............................................................................................................................................ 155 
REGRAS MÍNIMAS DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O TRATAMENTO DOS PRESOS – REGRAS DE 
MANDELA ........................................................................................................................................................................ 158 
REGRAS DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O TRATAMENTO DE MULHERES PRESAS E MEDIDAS NÃO 
PRIVATIVAS DE LIBERDADE PARA MULHERES INFRATORAS (REGRAS DE BANGKOK) ..................... 185 
CONVENÇÃO SOBRE O CRIME CIBERNÉTICO ................................................................................................... 206 
DECLARAÇÃO DOS PRINCÍPIOS BÁSICOS DE JUSTIÇA RELATIVOS ÀS VÍTIMAS DA CRIMINALIDADE 
E DE ABUSO DE PODER .............................................................................................................................................. 229 
PROTOCOLO DE PREVENÇÃO, SUPRESSÃO E PUNIÇÃO DO TRÁFICO DE PESSOAS, ESPECIALMENTE 
MULHERES E CRIANÇAS ............................................................................................................................................. 234 
DECLARAÇÃO SOBRE O DIREITO E A RESPONSABILIDADE DOS INDIVÍDUOS, GRUPOS OU ÓRGÃOS 
DA SOCIEDADE DE PROMOVER E PROTEGER OS DIREITOS HUMANOS E LIBERDADES 
FUNDAMENTAIS UNIVERSALMENTE RECONHECIDOS (DEFENSORES DE DIREITOS HUMANOS) 
(RESOLUÇÃO 53/144 DA ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1998)
 ............................................................................................................................................................................................. 242 
PRINCÍPIOS DE YOGYAKARTA (INDONÉSIA, 2006).......................................................................................... 249 
CONVENÇÃO Nº 29 DA OIT CONCERNENTE A TRABALHO FORÇADO OU OBRIGATÓRIO ............ 266 
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS 
OU DEGRADANTES, RATIFICADA EM 1989, PROMULGADA PELO DECRETO Nº 40/91 .................... 275 
DIREITOS DOS REFUGIADOS E IMIGRANTES .......................................................................................................... 288 
CONVENÇÃO DE GENEBRA – CONVENÇÃO RELATIVA AO ESTATUTO DOS REFUGIADOS ............ 289 
TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL ........................................................................................................................... 301 
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ESTATUTO DE ROMA DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL .................................................................. 305 
SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO DE DIREITOS HUMANOS E SISTEMA (INTER) AMERICANO.. 368 
CONVENÇÃO AMERICANA DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS – “PACTO SAN JOSÉ DA 
COSTA RICA” (1969) ..................................................................................................................................................... 370 
CONVENÇÃO DE MÉRIDA – CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA A CORRUPÇÃO ............... 402 
CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA PREVENIR E PUNIR A TORTURA (1985) ................................ 411 
DECLARAÇÃO AMERICANA DOS DIREITOS E DEVERES DO HOMEM (1948) ........................................ 416 
CONVENÇÃO INTERAMERICANA CONTRA O RACISMO, A DISCRIMINAÇÃO RACIAL E FORMAS 
CORRELATAS DE INTOLERÂNCIA ........................................................................................................................... 421 
(GUATEMALA, 2013 – DECRETO Nº 10.932/2022) ........................................................................................... 421 
CASOS ENVOLVENDO O BRASIL NO SISTEMA INTERAMERICANO .......................................................... 430 
AGENDA 2030 E OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS). .................................... 435 
DIREITOS HUMANOS NO ORDENAMENTO NACIONAL E LEIS ESTADUAIS DE SP .................................. 442 
PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS – PNDH-3 (DECRETO 7.037, DE 21 DE DEZEMBRO 
DE 2009) ........................................................................................................................................................................... 442 
PESSOAS PORTADORAS DE TRANSTORNOS MENTAIS - LEI N. 10.216/01............................................ 446 
DECLARAÇÃO DE DIREITOS DE LIBERDADE ECONÔMICA E GARANTIAS DE LIVRE MERCADO – LEI 
13.874/2019 .................................................................................................................................................................... 448 
LEI N° 12.288/10 (ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL) ................................................................................. 456 
LEI ESTADUAL Nº 10.948 DE 05 DE NOVEMBRO DE 2001 (DISPÕE SOBRE AS PENALIDADES A SEREM 
APLICADAS À PRÁTICA DE DISCRIMINAÇÃO EM RAZÃO DE ORIENTAÇÃO SEXUAL E DÁ OUTRAS 
PROVIDÊNCIAS). ............................................................................................................................................................ 500 
DECRETO ESTADUAL Nº 55.589, DE 17 DE MARÇO DE 2010 (REGULAMENTA A LEI Nº 10.948/2001)
 ............................................................................................................................................................................................. 502 
DECRETO ESTADUAL Nº 55.588 DE 17 DE MARÇO DE 2010 (DISPÕE SOBRE O TRATAMENTO 
NOMINAL DAS PESSOAS TRANSEXUAIS E TRAVESTIS NOS ÓRGÃOS PÚBLICOS DO ESTADO DE SÃO 
PAULO E DÁ PROVIDÊNCIAS CORRELATAS). ..................................................................................................... 503 
DECRETO ESTADUAL Nº 55.839, DE 18 DE MAIO DE 2010 (INSTITUI O PLANO ESTADUAL DE 
ENFRENTAMENTO À HOMOFOBIA E PROMOÇÃO DA CIDADANIA LGBT E DÁ PROVIDÊNCIAS 
CORRELATAS). ................................................................................................................................................................504 
LEI ESTADUAL Nº 14.187/2010 (DISPÕE SOBRE PENALIDADES ADMINISTRATIVAS A SEREM 
APLICADAS PELA PRÁTICA DE ATOS DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL)......................................................... 505 
LEI ESTADUAL Nº 17.431/2021 ................................................................................................................................ 508 
 
 
 
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TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS 
Tópico do edital: Direitos Humanos: conceito, surgimento, evolução histórica, classificação e 
características. Documentos históricos. Organização nas Nações Unidas: papel, surgimento e 
objetivos. 
 
- O QUE SÃO DIREITOS HUMANOS. DIREITOS HUMANOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS 
CONCEITO 
Segundo André de Carvalho Ramos (ACR), os direitos humanos “consistem 
em um conjunto de direitos essenciais a uma vida digna. As necessidades 
humanas variam, e de acordo com o contexto histórico de uma época, novas 
demandas sociais são traduzidas juridicamente e inseridas na lista dos 
direitos humanos.” 
 
Direitos do Homem 
Conjunto de direitos humanos naturais, não escritos ou não positivados, mas 
que decorrem da ideia de humanidade. Para o STF, o direito à fuga e o 
direito à autodefesa são exemplos de direitos naturais. 
Obs.: Existe ainda uma crítica em relação a essa expressão, ligada à 
determinação de gênero que faz em relação ao “homem”, sugerindo uma 
eventual discriminação quanto aos direitos da “mulher”, reforçando o seu 
desuso na atualidade. 
Direitos Humanos 
Conjunto de valores e direitos positivados na ordem internacional para 
a proteção da dignidade da pessoa. 
Direitos 
Fundamentais 
Conjunto de valores e direitos positivados na ordem interna de determinado 
país para a proteção da dignidade da pessoa. 
 
TERMINOLOGIAS E CONCEITOS QUE PODEM CAIR NA PROVA ORAL1 
Direito natural 
É uma expressão que denota o reconhecimento de direitos inerentes à 
natureza humana. Conforme André de Carvalho Ramos, é um conceito 
ultrapassado diante da constatação da historicidade dos direitos humanos. 
Direitos 
individuais 
É uma terminologia considerada excludente porque apenas considera os 
direitos de primeira geração ou dimensão, deixando de fora os demais 
direitos. 
Liberdades 
públicas 
Também é uma expressão criticada por tratar apenas dos direitos civis e 
políticos (primeira geração), não abrangendo os direitos sociais, econômicos 
e culturais e nem os direitos difusos. É uma terminologia mais utilizada pela 
doutrina francesa. 
Direitos públicos 
subjetivos 
É o conjunto de direitos que limita a ação estatal em benefício do indivíduo. 
O termo foi utilizado pela Escola Alemã de Direito Público do século XIX, 
sugerindo direitos contra o Estado (portanto, também deixaria de fora as 
outras dimensões de direitos). 
Dignidade da 
pessoa humana 
Consiste na qualidade inerente à condição de pessoa humana. Na expressão 
de Kant, “enquanto as coisas têm preço, as pessoas têm dignidade”. A 
 
1 Terminologias extraídas dos livros de André de Carvalho Ramos e Valério Mazzuoli. 
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dignidade é um grande fundamento dos direitos humanos, conforme 
previsto na DUDH, também está prevista como fundamento da República 
Federativa do Brasil, no art. 1° da CF. 
Força expansiva 
dos direitos 
humanos 
Fenômeno por meio do qual os direitos humanos contaminam as mais 
diversas facetas do ordenamento jurídico, acarretando a 
jusfundamentalização do Direito. 
 
► Importante: 
A diferença entre os direitos humanos e os direitos fundamentais reside no plano de positivação, 
sendo os direitos humanos positivados em documentos internacionais e os direitos fundamentais 
positivados na ordem jurídica interna de cada Estado. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
MPE/SC-2023: Apesar de não se tratar de uma classificação rígida, há uma tendência histórica de 
incluir a denominação de direitos humanos aos direitos essenciais dos indivíduos, previstos no 
direito internacional, e a denominação de direitos fundamentais previstos pelo direito 
constitucional dos Estados. (CERTO) 
 
- FUNDAMENTOS DOS DIREITOS HUMANOS 
FUNDAMENTOS 
FUNDAMENTAÇÃO 
RELIGIOSA 
O respeito aos direitos humanos decorre de um mandamento divino e 
nesse ponto vale recordar que, até a Idade Moderna, a justificativa ética 
que servia de fundamento ao próprio Direito repousava na divindade 
(teorias do direito divino) e, nessa esteira, a fundamentação dos direitos 
humanos igualmente repousaria em um mandamento de Deus. 
FUNDAMENTAÇÃO 
POSITIVISTA 
A validade dos direitos humanos decorreria do seu reconhecimento 
enquanto normas de Direito Positivo, isto é, de direito posto, positivado, 
validamente posto pelo Estado como normas vigentes. 
FUNDAMENTAÇÃO 
JUSNATURALISTA 
Os direitos humanos extrairiam validade de uma ordem natural própria 
das coisas, de um Direito natural, de base moral, que antecede ao próprio 
direito positivo. 
FUNDAMENTAÇÃO 
MORAL 
Fundamenta os direitos humanos na “experiência e consciência moral de 
um determinado povo”, ou seja, na convicção social acerca da necessidade 
da proteção de determinado valor. 
 
- QUAL É O GRANDE FUNDAMENTO DOS DIREITOS HUMANOS? 
Os direitos humanos retiram o seu fundamento da dignidade humana. Podemos entender a 
dignidade como a qualidade intrínseca que se atribui a cada pessoa pelo simples fato de existir. 
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 
CONCEITO 
Consiste na qualidade inerente à condição de pessoa humana, condição 
essa irrenunciável e inalienável, que veda tratamentos degradantes e 
garante um núcleo essencial e intangível de direitos fundamentais. 
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Na expressão de Kant, “enquanto as coisas têm preço, as pessoas têm 
dignidade”. A dignidade é um grande fundamento dos direitos humanos, 
conforme previsto na DUDH, também está prevista como fundamento da 
República Federativa do Brasil, no art. 1° da CF. 
EFICÁCIA 
Eficácia 
positiva 
Obrigação do Estado de concretizar a dignidade da 
pessoa humana ao elaborar e implementar políticas 
públicas e normas jurídicas. Portanto, a eficácia positiva 
diz respeito ao direito subjetivo de ter a dignidade 
assegurada ou levada a efeito pelo Poder Público. 
Eficácia 
negativa 
Prerrogativa de o cidadão questionar normas 
infraconstitucionais que repute serem violadoras da 
dignidade da pessoa humana. Nesse sentido, a dignidade 
é tida como um freio, uma garantia, uma barreira a 
proteger o cidadão. 
Eficácia 
vedativa do 
retrocesso 
Dela decorre a proibição da supressão de normas que 
assegurem a dignidade da pessoa humana. Estabelece, 
pois, uma limitação material à atuação do legislador. 
Eficácia 
hermenêutica 
O princípio da dignidade da pessoa humana deve 
embasar toda e qualquer interpretação das normas 
jurídicas: o intérprete ou aplicador da norma deve 
escolher o sentido que, em maior medida, contemple ou 
promova dita dignidade. Essa eficácia coloca o princípio 
como norte axiológico e teleológico do ordenamento 
jurídico. 
NATUREZA 
JURÍDICA 
Em suma, a dignidade da pessoa humana é um princípio. Mas um princípio 
orientador, inclusive, de todos os demais princípios presentes no 
ordenamento. Poderíamos dizer, então, que se trata de um 
SUPRAPRINCÍPIO2. 
 
Segundo André de Carvalho Ramos, a fundamentalidade dos direitos humanos pode ser formal ou 
material. 
FUNDAMENTALIDADE 
FORMAL 
A fundamentalidade formal se dá pela previsão expressa desses direitos 
em Constituições ou tratados internacionais. 
FUNDAMENTALIDADE 
MATERIAL 
A fundamentalidade material ocorre com o direito que, apesar de não 
estar expresso em nenhum texto, é indispensável paraa promoção da 
dignidade humana. 
 
É possível afirmar que, no curso da História, todas essas teses já foram adotadas e todas 
tiveram sua importância no processo de afirmação dos direitos humanos, mas cabe destacar que, 
inegavelmente os direitos humanos possuem uma fundamentação filosófica próxima do Direito 
Natural. 
 
2 CASTILHO, Ricardo. Direitos humanos. – 6. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2018. – (Coleção sinopses 
jurídicas; v. 30). p. 230. 
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Isso porque a ideia de que todo ser humano tem "DIREITO A TER DIREITOS", tem direito a 
ter liberdades básicas, que materializem sua dignidade humana, é uma ideia básica, inerente à ordem 
natural das coisas. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
DPE/GO-2014: "O reconhecimento dos direitos humanos teve como um dos seus fundamentos 
filosóficos o movimento denominado "jusnaturalismo". (CERTO) 
 
 
QUAIS SÃO OS DIREITOS HUMANOS. TIPOS DE DIREITOS 
TIPOS DE DIREITOS 
Direitos civis 
são os direitos relacionados às liberdades civis básicas do cidadão, como, por 
exemplo, o direito à liberdade de expressão. 
Direitos políticos 
são direitos de participação política, direitos de participação na vida do 
Estado, como o direito de sufrágio. 
Direitos sociais 
são direitos relacionados com a intervenção do Estado no plano social, como 
saúde e educação. 
Direitos 
econômicos 
são direitos relacionados com a relação capital-trabalho, como os direitos do 
trabalhador. 
Direitos culturais 
são os direitos relacionados às práticas culturais, como o direito e livre 
manifestação cultural. 
Direitos difusos 
são direitos de titularidade difusa, atinentes à humanidade como um todo, 
como o direito ao meio ambiente. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova de Defensor Público de Pernambuco 2018 trouxe essa proposição: "Os direitos civis 
referem-se à possibilidade de participação do indivíduo no processo eleitoral de sua sociedade.". 
Está errado, pois essa definição se refere a direitos políticos. 
A mesma prova trouxe ainda a seguinte proposição: "A participação do cidadão no governo é 
característica dos direitos políticos e o seu exercício consiste na capacidade de fazer demonstrações 
políticas, de organizar partidos, de votar e de ser votado.”. 
Está correto. 
 
DIREITOS E GARANTIAS. TIPOS DE GARANTIAS 
DIREITOS X GARANTIAS 
DIREITOS Direito representa bem em si, atrelado ao valor nele existente 
GARANTIAS 
Garantia representa bem de caráter instrumental, bem que esta atrelado 
a outro valor, visando protegê-lo, se podendo dizer que as garantias são 
instrumentos de proteção de direitos. 
 
 
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► Importante: 
Direitos são bens em si mesmo; garantias são bens de caráter instrumental. A liberdade de 
locomoção é um direito e o habeas corpus é uma garantia desse direito. 
Algumas das garantias de direitos subjetivos possuem feição típica de ação processual e, bem 
por isso, são conhecidas como ações constitucionais. São o habeas corpus, o habeas data, o mandado 
de segurança, o mandado de injunção e a ação popular. 
As garantias podem ser subdivididas, doutrinariamente, em garantias da constituição, 
garantias institucionais e garantias de direitos subjetivos. 
GARANTIAS DA 
CONSTITUIÇÃO 
são instrumentos de defesa da constituição e da ordem constitucional, que 
visam preservar a supremacia da constituição e a normalidade constitucional, 
podendo ser citadas como exemplo a rigidez constitucional, a jurisdição 
constitucional e os mecanismos de legalidade extraordinária (estados de 
defesa e sítio). 
GARANTIAS 
INSTITUCIONAIS 
constituem instrumentos de proteção de Instituições, que visam assegurar o 
livre funcionamento de Instituições, a exemplo da autonomia administrativa 
e financeira do Poder Judiciário, da imunidade processual penal do 
Presidente da República e das imunidades parlamentares. 
GARANTIAS DE 
DIREITOS 
SUBJETIVOS 
são instrumentos de proteção de direitos subjetivos, que visam torna-los 
concretamente efetivos, cabendo destacar que o reconhecimento de direitos 
poderia se tornar inócuo se não houvessem mecanismos aptos a protegê-los 
de situações arbitrárias. 
 
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS 
Historicidade 
Possuem caráter histórico, nascendo com o cristianismo, passando 
pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. 
Universalidade Destinam-se, de modo indiscriminado, a todos os seres humanos. 
Relatividade 
Os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade), havendo, 
muitas vezes, no caso concreto, confronto, conflito de interesses, o 
que é resolvido por um juízo de ponderação ou pelo princípio da 
proporcionalidade. 
Concorrência Podem ser exercidos cumulativamente uns com os outros. 
Irrenunciabilidade Eles podem ser nunca exercidos, mas nunca poderão ser renunciados. 
Inalienabilidade 
Como são conferidos a todos, são indisponíveis; não se pode aliená-
los por não terem conteúdo econômico- patrimonial. 
Imprescritibilidade Não são perdidos se não forem usados. 
 
MARCOS DISTINTIVOS DOS DIREITOS HUMANOS3 
Universalidade 
Consiste no reconhecimento de que os direitos humanos são direitos de 
todos 
 
3 Expressão utilizada por André de Carvalho Ramos. P. 24 
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Essencialidade 
Os direitos humanos apresentam valores indispensáveis e que todos 
devem protegê-los 
Superioridade 
normativa 
Os direitos humanos são superiores as demais normas, isto é, devem 
prevalecer diante de outras normas 
Reciprocidade Fruto da teia de direitos que une toda a comunidade humana 
 
Historicidade. A expansão dos direitos humanos. A proibição de retrocesso 
A historicidade é, já dizia Bobbio, na clássica obra "A Era dos Direitos", talvez a mais marcante 
característica dos direitos humanos. 
Ela significa que os direitos humanos são frutos do processo histórico; resultam de uma longa 
caminhada histórica, marcada muitas vezes por lutas, sofrimento e violação da dignidade humana. 
Os direitos humanos que hoje estão reconhecidos não surgiram "do nada", a partir de uma 
concessão de algum governante ou de um ser divino, senão que resultaram de lutas da humanidade 
no processo histórico, muitas vezes indo de encontro justamente à vontade dos governantes. 
Essa característica denota ainda que os direitos humanos não surgiram todos ao mesmo 
tempo, mas, sim, gradativamente, em diferentes momentos históricos. Em outras palavras, em cada 
momento da História, determinados direitos foram reconhecidos. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
DPE/PI-2009: "Os direitos fundamentais surgem todos de uma vez, não se originam de processo 
histórico paulatino". Evidente que a proposição está errada! 
 
Ilustrando, o direito ao ambiente não foi reconhecido no século XVIII, juntamente com os 
direitos liberais, mas apenas no século XX, e isso porque as condições sociais para o reconhecimento 
desse direito só surgiram no século XX; no século XVIII proteção ao ambiente não integrava a pauta 
de reivindicações sociais. 
A compreensão de que os direitos humanos são direitos históricos refuta a tese de que seriam 
direitos naturais, decorrentes da própria natureza das coisas, de uma autoridade moral superior, 
como já se chegou a defender no período das revoluções liberais. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova do Ministério Público do Acre 2008 trouxe a seguinte proposição: 
"São características dos direitos humanos serem direitos naturais, emanados de autoridade superior". 
Está errado! 
 
A compreensão de que não seria possível suprimir direitos, sob pena de retroceder,é objeto 
da tese da PROIBIÇÃO DE RETROCESSO, também identificada na doutrina como PROIBIÇÃO DE 
EVOLUÇÃO REACIONÁRIA e EFEITO CLIQUET, segundo a qual suprimir direitos já incorporados ao 
patrimônio jurídico da Humanidade corresponderia a um retrocesso na afirmação da dignidade 
humana. 
► Importante: 
Pela tese da PROIBIÇÃO DE RETROCESSO não há de se admitir a supressão de direitos já 
reconhecidos na ordem jurídica, pois isso configuraria um retrocesso em detrimento da dignidade 
humana. 
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► ATENÇÃO: 
A proibição de retrocesso é identificada na doutrina, outrossim como princípio da proibição de 
evolução reacionária e como efeito cliquet. 
 
► Como foi cobrado em concurso: 
MP/PR-2019: Os direitos humanos caracterizam-se pela existência da proibição de retrocesso, 
também chamada de "efeito cliquet". Está correto! 
 
Cabe observar que a proibição de retrocesso obsta a supressão de direitos, mas não impede 
que sejam feitas restrições a direitos, e até mesmo que medidas estatais já adotadas sejam 
restringidas, eis que, de uma maneira geral, os direitos comportam limitações. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova do 25° Concurso de Procurador da República trouxe a seguinte proposição: O princípio da 
proibição de retrocesso veda qualquer restrição de políticas públicas que já tenham concretizados 
direitos sociais constitucionalmente positivados. Está errado! 
 
Universalidade. A universalidade e o relativismo cultural. Multiculturalismo, interculturalismo 
e universalismo de chegada. A hermenêutica diatópica 
A universalidade dos direitos humanos deve ser compreendida em dois sentidos. 
Um no sentido de que esses direitos se destinam a todas as pessoas sem qualquer tipo de 
discriminação, de qualquer ordem que seja. 
Direitos universais no sentido de direitos de todos os seres humanos, pouco importando a 
etnia, a opção religiosa, sexual etc., exatamente como afirmado na Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, da ONU, de 1948. 
Outro no sentido de abrangência territorial universal, de validade em todos os lugares do 
mundo, de validade universal, cosmopolita, de inexistência de limitações territoriais à proteção da 
dignidade humana. É dizer, direito válidos em qualquer lugar do planeta, direitos pertencentes a uma 
sociedade mundial. 
Nesse segundo sentido, o respeito aos direitos humanos deixa de ser apenas uma questão 
interna de cada Estado com seus nacionais e atinge o patamar de uma temática mundial, que 
demanda atuação da comunidade internacional, refletindo um novo paradigma, com o surgimento 
de documentos internacionais protetivos de direitos humanos. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova da Defensoria Pública do Piauí de 2009 trouxe a seguinte proposição: "O princípio da 
universalidade impede que determinados valores sejam protegidos em documentos internacionais 
dirigidos a todos os países". Está errado! 
 
► Importante: 
A universalidade passa a ideia de direitos comuns ao ser humano sem nenhuma discriminação e, 
ainda, de dever de proteção como algo comum ao mundo inteiro, havendo a existência de uma 
família humanidade. Tudo isso é ilustrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
 
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A concepção universalista dos direitos humanos confronta-se com a tese do relativismo 
cultural, sendo preciso analisar até que ponto as vicissitudes culturais de cada País seriam um entrave 
à afirmação da validade universal dos direitos humanos. 
O embate entre o relativismo cultural e universalidade dos direitos humanos passa pela 
dificuldade de afirmar uma concepção de sociedade que seja universal, com os mesmos padrões 
culturais, ainda que mínimos, eis que cada sociedade apresenta suas idiossincrasias, e isso há de 
ser respeitado, observando-se a autodeterminação dos povos. 
Em decorrência da multiculturalidade existente no mundo, a noção de universalidade dos 
direitos humanos deve ser construída partir de uma perspectiva interculturalista, mediante o diálogo 
entre as diferentes segmentações culturais. 
Esse diálogo interculturalista deve ser promovido conjugando os diferentes topói, ou seja, os 
diferentes pontos de vista, de modo que a busca da universalidade deve se valer de uma hermenêutica 
diatópica (diatópica: diálogo de topóis; noção que vem da Tópica; Tópica: arte grega de pensar o 
problema, bem desenvolvida por Theodor Viewheg) 
Nesse contexto, a noção de universalidade deve ser uma universalidade de chegada e, não, 
uma universalidade de partida, a indicar que a noção de universalidade não deve ser construída ex 
ante, como se posta antes do diálogo intercultural, senão que deve resultar do produto desse diálogo, 
significando o ponto de convergência do diálogo. 
► ATENÇÃO: 
A noção de universalidade deve ser construída diatopicamente a partir de uma perspectiva 
interculturalista, de modo que a universalidade não seja uma universalidade partida, mas uma 
universalidade de chegada. 
Em linhas gerais, prevalece a ideia de forte proteção aos direitos humanos e fraco relativismo 
cultural, no sentido de que variações culturais não justificam a violação de direitos humanos. 
► Importante: 
Prevalece a ideia de forte proteção aos direitos humanos e fraco relativismo cultural, concepção que 
afirma que o relativismo cultural não pode ser ignorado, mas que não pode ser defendido ao ponto 
de legitimar violações a direitos humanos. 
 
Reforça essa ideia o fato de que diversos Países que adotam ou adotaram práticas lesivas a 
direitos humanos aderiram à ONU e às convenções internacionais sobre direitos humanos, se 
obrigando a rever as medidas internas que sejam incompatíveis com as obrigações internacionais. 
Nessa esteira, práticas culturais internas de um Estado não mais justificam a violação de 
direitos humanos, mormente se o Estado estiver filiado à ONU e for signatário de convenções 
internacionais sobre direitos humanos. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova da Defensoria Pública da União de 2010 trouxe a seguinte proposição: "Os documentos das 
Nações Unidas que tratam dos direitos políticos das mulheres determinam que elas devem ter, em 
condições de igualdade, o mesmo direito que os homens de ocupar e exercer todos os postos e todas 
as funções públicas, admitidas as restrições que a cultura e a legislação nacionais imponham". A 
proposição está errada, pois a cultura nacional não pode restringir os direitos das mulheres. 
 
Relatividade. A relativização de direitos e os direitos absolutos 
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A característica da relatividade passa a ideia de que os direitos humanos podem sofrer 
limitações, podem ser relativizados, não se afirmando como absolutos. 
A ideia de relativização dos direitos humanos surge da necessidade de adequá-los a outros 
valores coexistentes na ordem jurídica, mormente quando se entrechocam, surgindo a necessidade 
de relativizar e harmonizar os bens jurídicos em colisão. 
Em exemplo, o direito à liberdade de expressão pode ser relativizado para se harmonizar com 
a proteção da vida privada, não se admitindo que o esse direito seja exercido de modo a ofender a 
imagem de alguém. 
O próprio direito à vida, que é pressuposto para exercer os demais direitos, pode ser 
relativizado nos casos de legítima defesa ou de pena de morte, essa última apenas nos países que 
admitem tal prática. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova da Defensoria Pública do Piauí de 2009 trouxe a seguinte proposição: “É característica 
marcante o fato de os direitos fundamentais serem absolutos, no sentido de que eles devem sempre 
prevalecer, independentemente da existência de outros direitos, segundo a máxima do“tudo ou nada". 
Está errado! 
 
De todo modo, não obstante os direitos sejam, de uma maneira geral, relativizáveis, há sim 
direitos de caráter absoluto, como, por exemplo, os direitos à proibição de tortura e proibição de 
escravidão, não aparentando possível admitir restrições a tais direitos. 
Quanto à proibição de tortura, veja-se o que consta do art. 2° da "Convenção Contra a 
Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes", da ONU: 
Artigo 20 
1. Cada Estado tomará medidas eficazes de caráter legislativo, administrativo, judicial 
ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de tortura em qualquer 
território sob sua jurisdição. 
2. Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais, como 
ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra 
emergência pública, como justificação para a tortura. 
3. A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não poderá ser 
invocada como justificação para a tortura. 
Ora, se em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais como justificação 
para a tortura, a tortura é uma prática vedada em toda e qualquer situação, havendo de se lhe 
reconhecer um caráter absoluto. 
► Importante: 
De uma maneira geral, as provas costumam afirmar que os direitos humanos são relativos, e isso 
está certo! A ideia de direitos de caráter absoluto é uma exceção à regra e deve ser trabalhada 
numa prova discursiva ou oral. Se uma questão de prova objetiva trouxer que os direitos 
humanos são relativos a proposição estará CORRETA!!! 
 
Irrenunciabilidade. A não faculdade de dispor sobre a proteção da dignidade humana 
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A irrenunciabilidade transmite a mensagem que as pessoas não têm poder de dispor sobre a 
proteção à sua dignidade, não possuindo a faculdade de renunciar à proteção inerente à dignidade 
humana. 
Essa característica materializa a compreensão de que a simples pertença ao gênero humano 
torna a pessoa titular de direitos e merecedora de consideração e respeito, não sendo possível 
renunciar à dignidade inerente à condição humana. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova da Defensoria Pública do Piauí de 2009 trouxe a seguinte proposição: "A irrenunciabilidade 
dos direitos fundamentais não destaca o fato de que estes se vinculam ao gênero humano". Está 
errado! 
 
Da irrenunciabilidade decorre que eventual manifestação de vontade da pessoa em abdicar 
de sua dignidade não terá valor jurídico, sendo reputada nula. 
 
Inalienabilidade 
A inalienabilidade significa que os direitos humanos não são objeto de comércio e, 
portanto, não podem ser alienados. 
Realmente, a dignidade pessoa humana não é um valor econômico, não é negociável, mas, a 
bem da verdade, há sim direitos comercializáveis e o exemplo típico é o direito de propriedade. 
 
Imprescritibilidade 
A imprescritibilidade quer dizer que a pretensão de respeito e concretização de direitos 
humanos não se esgota pelo passar dos anos, podendo ser exigida a qualquer momento. 
Dito de outra forma, o decurso do tempo não atinge a pretensão de respeito aos direitos que 
materializam a dignidade humana. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova da Defensoria Pública do Piauí trouxe a seguinte proposição: 
"A imprescritibilidade dos direitos fundamentais vincula-se à sua proteção contra o decurso do 
tempo". Está correto! 
 
► Importante: 
A imprescritibilidade da pretensão de respeito aos direitos humanos não se confunde com a 
prescritibilidade da pretensão de reparação oriunda da violação ao direito. 
 
Desse modo, pode-se exigir, a qualquer momento, que cesse uma situação de lesão a direitos 
humanos, mas, de outro modo, a reparação econômica decorrente da lesão gerada haverá de se 
submeter aos prazos prescricionais previstos na legislação. 
 
Unidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos 
A unidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos quer dizer que os 
direitos humanos devem ser compreendidos como um conjunto, como um bloco único, 
indivisível e interdependente de direitos. 
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► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
Na prova da Defensoria Pública da União 2010 foi cobrada a seguinte proposição: Os direitos 
humanos são indivisíveis, como expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual 
englobou os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. A proposição está correta! 
 
Essa compreensão afasta a ideia de que haveria hierarquia entre os direitos, como se uns 
fossem superiores aos outros, e propõe que todos os direitos são exigíveis, por serem todos 
importantes para a materialização da dignidade humana. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova de Delegado de Polícia de São Paulo 2018 trouxe a seguinte proposição: 
O Princípio da interrelacionariedade dispõe que os direitos humanos e os sistemas de proteção 
se inter-relacionam, permitindo às pessoas escolher entre os mecanismos de proteção global ou 
regional, pois não há hierarquia entre eles. Está correto! 
Interrelacionariedade ou interdependência; direitos humanos e sistemas de proteção são 
interrelacionados e não há hierarquia entre eles. A propósito, tem sido cada vez mais comum o 
diálogo de fontes entre os tribunais de direitos humanos. 
 
VERTENTES DOS DIREITOS HUMANOS 
Não há dúvidas de que a Segunda Guerra Mundial foi, em grande parte, a responsável pelo 
grande crescimento da preocupação mundial com os direitos humanos. 
É importante observar que o conceito de direitos humanos foi discutido, durante muito tempo, 
por especialistas que divergiam ligeiramente em suas opiniões. 
Em síntese, os direitos humanos ensejam dois distintos âmbitos de análise: lato sensu e stricto 
sensu. 
Os direitos humanos stricto sensu seriam aqueles garantidos em tempos de paz. Os direitos 
humanos lato sensu englobariam, além dos já mencionados, o direito de asilo, o direito dos 
refugiados e o direito humanitário. Em verdade, trata-se de precursores do complexo sistema 
internacional de proteção do ser humano que viria a surgir a partir de meados do século XX. 
PRIMEIRA VERTENTE: 
DIREITO DE ASILO 
O asilo é temporário e serve para garantir a segurança dessa pessoa 
diante da ameaça dos perseguidores. No Brasil, conforme disposto no 
art. 4º, X, da Constituição Federal, a concessão de asilo político constitui 
um dos princípios fundamentais que regem o relacionamento 
internacional do Estado brasileiro. 
A principal condição é que o solicitante seja perseguido por motivos 
políticos e não tenha cometido crimes contra a paz, crimes de guerra ou 
crimes contra a humanidade. 
Instrumento internacional: Convenção sobre Asilo Diplomático de 
Caracas, de 1954. 
SEGUNDA VERTENTE: 
DIREITO DOS 
REFUGIADOS 
O refúgio é medida de proteção aplicada aos que estão sofrendo 
agressões generalizadas. Pode ainda ser concedido em casos de 
ocupação ou dominação estrangeira, violação dos direitos humanos ou 
fatos que alterem a ordem pública interna do país. 
No Brasil, a Lei n. 9.474, de 1997, regulamenta procedimentos nacionais 
relativos ao Estatuto dos Refugiados. 
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TERCEIRA VERTENTE: 
DIREITO 
HUMANITÁRIO 
Ao estabelecer regras, entre outras, para o tratamento de prisioneiros de 
guerra e da população civil dos países em conflito, visando, sempre, 
assegurar os direitos fundamentais, o direito humanitário constituiu uma 
clara regulamentação jurídica contra o emprego da violência no âmbito 
internacional. Representou, pois, uma limitação internacional à atuação 
dos Estados perante o indivíduo protegido. 
 
► IMPORTANTE 
Importante destacar que orefúgio se diferencia do asilo, na medida em que este é empregado em 
casos de perseguição política de caráter individual atual e efetiva e constitui o exercício de ato 
soberano e político do Estado, não sujeito a qualquer regra internacional. O refúgio, por sua vez, 
não vem revestido de caráter político, e a proteção é aplicada a um grande número de pessoas. Ou 
seja, o refúgio é medida de proteção aplicada aos que estão sofrendo agressões generalizadas. 
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS. AS GERAÇÕES (OU DIMENSÕES) DE 
DIREITOS HUMANOS 
Os direitos humanos resultam de um longo processo histórico tendo sido reconhecidos, 
gradativamente, em diferentes períodos da História da humanidade. 
 
As primeiras declarações de Direitos Humanos 
A doutrina converge no sentido de que as primeiras declarações de direitos humanos 
remontam à Inglaterra, aos Estados Unidos e à França. 
 
As declarações inglesas 
PRIMEIRAS DECLARAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS 
DECLARAÇÕES 
INGLESAS 
Magna Carta 
(1215) 
Assinada em 15 de junho de 1215 pelo rei João, 
conhecido como João Sem-Terra, perante o alto clero 
e os barões do reino inglês. 
- buscou proclamar certos privilégios de barões feudais 
da época e reconhecer liberdades da Igreja ante o rei. 
- consagrou, pela primeira vez na História, a limitação 
institucional dos poderes do rei. 
- limitação ao poder de tributar do Estado, a liberdade 
de ingresso e saída do território do Estado, o devido 
processo legal, entre outros. 
Petition of rights 
(1628 
Estendeu aos súditos do rei direitos que já tinham sido 
proclamados na Magna Carta, como o reconhecimento 
de limitações ao poder de taxar e de um devido processo 
legal. 
Habeas Corpus 
Act (1679) 
Consagrou o habeas corpus como mecanismo 
processual de proteção à liberdade dos indivíduos, 
notadamente em face de prisões arbitrárias. 
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- OBS.: Já existia desde muito antes, encontrando raízes 
na própria Magna Carta, o que o Act fez foi trazer a 
consagração do mecanismo processual especificamente 
voltado à tutela da liberdade do indivíduo, fortalecendo 
a garantia outrora já existente. 
Bill of rights 
(1689) 
Consagra a supremacia do Parlamento ante a Coroa, 
pondo termo à monarquia absolutista e instaurando o 
regime da monarquia constitucional, e que proclama 
alguns direitos fundamentais do povo inglês. 
- objetivo maior do Bill os rights foi consagrar a 
independência e supremacia do Parlamento inglês 
ante a coroa. 
- Bill of rights institucionalizou a separação de poderes, 
que viria a ser teorizada por Montesquieu anos depois. 
DECLARAÇÕES 
AMERICANAS 
Declaração de 
direitos do bom 
povo da 
Virgínia, de 16 
de junho de 
1776 
Foi previsto, dentre outras coisas, que os homens são 
igualmente livres e independentes e possuem certos 
direitos inatos, que todo poder é inerente ao povo e dele 
precede, que o governo é instituído para proveito 
comum, proteção e segurança do povo, e que os 
poderes legislativo, executivo e judiciário do Estado 
devam estar separados. 
Pouco após à Declaração de Virginia veio a Declaração 
de Independência dos Estados Unidos da América, 
proclamada em 04 de julho de 1776. 
A DECLARAÇÃO 
FRANCESA 
Declaração dos 
Direitos do 
Homem e do 
Cidadão 
Após as declarações inglesas e americanas, foi 
proclamada na França, em 26 de agosto de 1789, no 
contexto da Revolução francesa. 
- Serviu de referencial para o resto do mundo ocidental. 
- Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, 
defendidos pelos revolucionários franceses, são 
apontados como a base axiológica e representativa dos 
direitos humanos. 
- Pouco após o advento da tomada da Bastilha, que é 
um dos mais significativos eventos da Revolução. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
DPE/RS - 2018: Em relação à evolução histórica do regime internacional de proteção dos direitos 
humanos, considere que a Magna Carta (1215) contribuiu para a afirmação de que todo poder político 
deve ser legalmente limitado. A proposição está correta! 
 
PC/SP – VUNESP: Documento histórico relevante na evolução dos direitos humanos, elaborado no 
século XIII, que regulava várias matérias, de sentido puramente local ou conjuntural, ao lado de 
outras que constituem as primeiras fundações da civilização moderna, que considera que o rei se 
encontra vinculado pelas próprias leis que edita e que traz a essência do princípio do devido 
processo legal em seu texto. 
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Tal descrição se refere à: 
A) Lei de Habeas Corpus (ou Habeas Corpus Act). 
B) Declaração de Direitos da Inglaterra (ou Bill of Rights). 
C) Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. 
D) Magna Carta (ou Magna Charta Libertatum). 
E) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
DPE/RS-2018: Em relação à evolução histórica do regime internacional de proteção dos direitos 
humanos, considere que o Habeas Corpus Act (1679) criou regras processuais para o habeas corpus 
e robusteceu a já conhecida garantia. (CERTO) 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
DPC/SP-2018: Esse documento histórico de remota conquista dos direitos humanos foi editado 
com o escopo de assegurar a Supremacia do Parlamento sobre a vontade do Rei, controlando 
e reduzindo os abusos cometidos pela nobreza em relação aos seus súditos, em especial 
declarando, dentre outras conquistas, o direito de petição, eleições livres e a proibição de fianças 
exorbitantes e de penas severas: 
A) Petition of Rights, de 1628. 
B) Habeas Corpus Act, de 1679. 
C) The Bill of Rights, de 1689. 
D) Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. 
E) Magna Carta, de 1215. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova de Defensor Público de Goiás 2014 trouxe a seguinte proposição: 
"as primeiras declarações de direitos humanos incluem a Declaração dos Direitos do Homem e do 
Cidadão, na França, com a Queda da Bastilha no século XIX". Está errado por mencionar que isso 
ocorreu no século XIX, quando, em verdade, foi no século XVIII. 
 
► ATENÇÃO: 
A Declaração francesa tem como característica marcante o aspecto universalista, generalista e 
nisso se diferenciou das declarações inglesas e americanas. 
 
As gerações de direitos humanos 
GERAÇÕES (OU DIMENSÕES) DE DIREITOS HUMANOS 
1° Geração direitos da liberdade → direitos civis e políticos 
2° Geração direitos da igualdade → direitos sociais, econômicos e culturais. 
3° Geração 
direitos da fraternidade → direitos difusos, dos povos, da humanidade 
(consumidor, meio ambiente, desenvolvimento) 
 
 
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► Importante: 
4° geração → direitos decorrente da manipulação genética (Norberto Bobbio); direito à democracia 
(Paulo Bonavides) 
5° geração → direito à paz (Paulo Bonavides) 
 
CRÍTICAS À TEORIA GERACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS4 
1) Transmite de forma errônea, a ideia de substituição de uma geração pela outra. 
2) A enumeração de gerações pode dar a ideia de antiguidade ou posterioridade de um rol de 
direitos em relação a outros, e essa não é a realidade. No plano internacional, existem direitos 
sociais consagrados em tratados internacionais (1919) antes mesmo da consagração dos direitos 
de primeira geração. 
3) A teoria geracional apresenta os direitos de forma fragmentada, o que ofende a característica da 
indivisibilidade dos direitos humanos. 
4) O uso dessas divisões também é criticado se levarmos em conta as novas interpretações sobre 
o conteúdo dos direitos. Por exemplo: o direito a vida pertence a qual geração? Tradicionalmente 
à primeira geração. Todavia, existem vários precedentes que exigem que o Estado realize prestaçõespositivas para assegurar o direito à vida, como saúde etc. 
 
TEORIA DOS QUATRO STATUS DE GEORGE JELLINEK 
Status negativo 
direito de exigir uma abstenção do Estado, de negar a intervenção do 
Estado 
Status positivo 
direito de exigir uma atuação positiva do Estado, uma intervenção 
prestacional 
Status ativo 
direito de participar ativamente da vida do Estado, de se inserir nas 
tomadas de decisão do Estado 
Status passivo 
situação de sujeição ao poder do Estado, de subordinação a medidas que 
decorrem do império estatal 
 
Quadro comparativo entre as 3 grandes gerações de direitos humanos 
1° Geração 2° Geração 3° Geração 
Valor central Liberdade Igualdade Fraternidade 
 
 
Direitos 
 
Civis e políticos 
Sociais, econômicos e 
Culturais 
Difusos, da Humanidade, 
dos povos (direitos ao 
ambiente ao 
desenvolvimento e de 
proteção ao consumidor 
 
 
 
Característica 
Direitos negativos, contra 
estatais, que negam a 
atuação do Estado, que 
impõem uma abstenção 
do Estado. 
Direitos positivos, 
prestacionais, que 
exigem do Estado 
intervenção no domínio 
econômico e prestação 
de políticas públicas 
 
Direitos de todos os 
homens indistinta- mente, 
afirmação da proteção 
universal do homem 
 
4 Caiu na prova oral para Delegado de SP. Críticas de André de Carvalho Ramos. 
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Referencial 
Histórico 
Revolução Gloriosa na 
Inglaterra, Independência 
Americana e Revolução 
Francesa 
Revolução Mexicana e 
Revolução Russa 
Pós 2° Guerra Mundial e o 
surgimento da ONU 
 
 
 
Referencial 
Teórico 
Segundo Tratado sobre o 
governo, de John Locke, 
e o Contrato Social, de 
Jean-Jacques Rousseau 
Encíclica Rerum Nova- 
rum sobre a condição 
dos operários, escrita 
pelo Papa Leão XIII em 
1891 e Manifesto do 
Partido Comunista, 
escrito por Karl Marx e 
Friedrich Engels 
 
 
 
 
______ 
 
 
Referencial 
Jurídico 
Constituição Americana 
de 1787, Declaração 
Francesa dos Direitos do 
Homem e do Cidadão de 
1789 
Constituição Mexicana 
de 1917 e a 
Constituição alemã de 
1919, conhecida como 
Constituição de Weimar 
Declaração Universal dos 
Direitos Humanos, da 
ONU, de 1948 
 
► Como esse assunto foi cobrado em prova? 
A prova de Juiz Militar de São Paulo 2016 trouxe a seguinte proposição: 
Alguns doutrinadores já reconhecem a existência da quarta e quinta dimensões de direitos do 
homem. No primeiro caso, o foco seria o direito ao desenvolvimento e à paz. No segundo caso, os 
direitos estariam relacionados à engenharia genética e ao meio ambiente. 
Está errado! 
 
EFICÁCIA VERTICAL, HORIZONTAL, DIAGONAL E VERTICAL COM REPERCUSSÃO LATERAL DOS 
DIREITOS HUMANOS 
EFICÁCIA VERTICAL Oponibilidade dos direitos humanos ao Estado 
EFICÁCIA 
HORIZONTAL 
Oponibilidade dos direitos aos particulares, no âmbito de suas relações 
privadas. 
EFICÁCIA DIAGONAL 
É uma expressão utilizada para se referir à oponibilidade dos direitos 
humanos nas relações de trabalho, entre empregado e empregador. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 
CLASSIFICAÇÃO 
FUNÇÕES 
Direito de defesa 
 
conjunto de prerrogativas do indivíduo voltada para 
defender determinadas posições subjetivas contra a 
intervenção do Poder Público ou mesmo outro particular, 
assegurando: 
1) que uma conduta não seja proibida; 
2) que uma conduta não seja alvo de interferência ou 
regulação indevida por parte do Poder Público; 
3) que não haja violação ou interferência por parte de 
outro particular. 
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São divididos em 
três espécies: 
a) direitos de não impedimento; 
b) direitos ao não embaraço; 
c) direitos a não supressão de 
determinadas situações jurídicas 
Direitos de 
prestações: 
aqueles que exigem uma obrigação estatal de ação, para 
assegurar a efetividade dos direitos humanos. 
As prestações 
podem ser 
divididas em: 
 
a) prestações jurídicas: realizadas 
pela elaboração de normas jurídicas 
que disciplinam a proteção de 
determinado direito; 
b) prestações positivas: intervenção 
do Estado provendo determinada 
condição material para que o 
indivíduo frua adequadamente seu 
direito; 
Direitos a 
procedimentos e 
instituições: 
têm como função exigir do Estado que estruture órgãos e 
corpo institucional apto, por sua competência e 
atribuição, a oferecer bens ou serviços indispensáveis à 
efetivação dos direitos humanos. 
FINALIDADE 
Direitos 
propriamente 
ditos: 
dispositivos normativos que visam o reconhecimento 
jurídico de pretensões inerentes à dignidade de todo ser 
humano. 
Garantias 
fundamentais 
 
previsões normativas que asseguram a existência desses 
direitos propriamente ditos; são instrumentais, uma vez 
que visam assegurar a fruição dos direitos. Se subdividem 
em: 
a) garantias em sentido amplo ou institucionais: 
conjunto de meios de índole institucional e organizacional 
que visa assegurar a efetividade e observância dos direitos 
humanos, ex: Poder Legislativo deve respeitar os Direitos 
Humanos ao legislar; princípio da legalidade para atuação 
da Administração Pública; reserva de jurisdição absoluta 
para restringir alguns direitos fundamentais; acesso à 
justiça; implantação do Ministério Público e Defensoria 
Pública, entre outros; 
b) garantias em sentido estrito: remédios fundamentais; 
conjunto de ações processuais destinadas a proteger os 
direitos essenciais dos indivíduo: 
b.1) garantias nacionais, ex: Habeas Corpus 
b.2) garantias internacionais, ex: direito de petição à 
Comissão Interamericana de Direitos Humanos. 
FORMA DE 
RECONHECIME
NTO 
Direitos expressos direitos explicitamente mencionados na Constituição; 
Direitos implícitos 
extraídos pelo Poder Judiciário de normas gerais 
previstas na Constituição; 
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Direitos 
decorrentes 
oriundos dos tratados de direitos humanos. 
ESTRUTURA 
DOS DIREITOS 
HUMANOS 
Direito-pretensão 
consiste na busca de algo, gerando em contrapartida de 
outrem (Estado ou mesmo o particular) o dever de 
prestar. Ex.: direito à educação fundamental, que gera o 
dever do Estado de prestá-la gratuitamente; 
Direito-liberdade 
 
consiste na faculdade de agir que gera a ausência de 
direito de qualquer outro ente ou pessoa. Ex.: liberdade 
de credo, não possuindo o Estado, ou terceiros, nenhum 
direito de exigir que essa pessoa tenha determinada 
religião; 
Direito-poder 
implica uma relação de poder de uma pessoa de exigir 
determinada sujeição do Estado ou de outra pessoa. Ex.: 
direito do indivíduo ao ser preso de requerer a assistência 
da família e do advogado, o que sujeita a autoridade 
pública providenciar tais contatos; 
Direito-imunidade 
consiste na autorização dada por uma norma a uma 
determinada pessoa, impedindo que outra interfira de 
qualquer modo. Ex: a pessoa é imune à prisão, a não ser 
em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada 
de autoridade competente, salvos nos casos de 
transgressão militar ou crime propriamente militar, o que 
impede que outros agentes públicos possam alterar a 
posição da pessoa em relação à prisão. 
 
CLASSIFICAÇÃO DE PERES LUÑO5 
Tautológica 
Origem jusnaturalista, os direitos humanos são direitos inatos a todas as 
pessoas. 
Formal Direitos reconhecidos em pelas normas internacionais (juspositivismo) 
Teleológica 
Direitos humanos são aqueles essenciais para o desenvolvimento da dignidade 
humana. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
Prova: VUNESP – 2019 – PREFEITURA DE FRANCISCO MORATO – SP - PROCURADOR 
A doutrina, ao tratar da estrutura dos Direitos Humanos, estabelece que 
a) direito-pretensão consiste na faculdade de agir que geraa ausência de direito de qualquer outro 
ente ou pessoa. 
b) direito-pretensão consiste na busca de algo, gerando a contrapartida de outrem do dever 
de prestar. 
c) direito-liberdade implica uma relação de poder de uma pessoa de exigir determinada sujeição 
do Estado ou de outra pessoa. 
 
5 Caiu na prova oral de Delegado de SP. 
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d) direito-liberdade consiste na autorização dada por uma norma a uma determinada pessoa, 
impedindo que outra interfira de qualquer modo. 
e) direito-poder consiste no reconhecimento de que os direitos humanos são direitos de todos. 
- Gabarito: B 
 
LIMITAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS 
Os direitos humanos, de uma maneira geral, comportam limitações, restrições, que são feitas 
no intuito de harmonizá-los com outros direitos ou outros bens jurídicos igualmente protegidos. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova do Ministério Público do Trabalho de 2012 trouxe a seguinte questão: 
Sobre a restrição de direitos humanos e direitos fundamentais, é CORRETO afirmar que: 
a) No Brasil, a Constituição da República não admite a restrição de direitos fundamentais, os quais 
constituem cláusulas pétreas. 
b) Não é possível haver restrição de direitos nem de garantias fundamentais por meio de legislação 
infraconstitucional, mesmo que a norma Constitucional remeta a regulamentação da matéria ao 
legislador ordinário. 
c) Excepcionalmente, a Constituição da República admite a restrição de direitos e garantias 
fundamentais que ela própria consagra, em razão de interesses superiores. 
d) Os direitos humanos devem ser aplicados integralmente pelos países signatários dos respectivos 
Tratados internacionais, não sendo admissível falar-se em "ressalvas" restritivas a suas cláusulas. 
A alternativa correta é a alternativa "c" 
 
Os parâmetros da limitação de um direito podem estar expressos no texto constitucional 
ou podem ser extraídos do sistema constitucional, sendo importante compreender que mesmo 
quando não haja previsão expressa da possibilidade de limitação do direito, será sim possível 
fazê-lo se necessário para harmonizá-lo com outros bens jurídicos. 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova do Ministério Público do Mato Grosso do Sul, de 2009 trouxe a seguinte proposição: 
"Conforme entendimento predominante na doutrina constitucional brasileira pos-88, direitos 
fundamentais institucionalizados por dispositivos que não contêm cláusula de reserva de lei não são 
passíveis de restrição legislativa". Está errado, eis que mesmo sem a previsão da reserva de lei os 
direitos podem ser restringidos! 
 
► Importante: 
O poder de limitar direitos é um poder limitado. A limitação do direito somente pode ser feita até 
onde a Constituição permitir e jamais pode ser desproporcional. Isso é o que se denomina de 
TEORIA DOS LIMITES DA LIMITAÇÃO, ou teoria dos limites dos limites, que nada mais é do que 
a percepção de que faculdade de impor limites ao exercício dos direitos é, em si mesma, limitada, 
não podendo ser exercido de maneira arbitrária, desproporcional. 
 
Um limite que deve ser observado no exercício da faculdade de limitar direitos é a 
proporcionalidade, que traduz a ideia de que os atos estatais não podem ser excessivos, desmedidos, 
arbitrários, devendo ser ponderados, equilibrados, na justa medida. Tem-se que o ato estatal que for 
arbitrário, desmedido, excessivo, não será um ato proporcional e, portanto, será inválido. 
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A noção de proporcionalidade compreende três aspectos, que são o da adequação, o da 
necessidade e o da proporcionalidade em sentido estrito, de modo que o ato limitador do direito, 
para ser válido, deve ser, a um só tempo, adequado, necessário e proporcional em sentido estrito. 
Além da proibição de excesso, a ideia de proporcionalidade traz também a ideia de proibição 
de proteção insuficiente ou deficiente, segundo a qual o Poder Público não pode atuar de maneira 
insuficiente na efetivação dos direitos. 
 
O CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE6 
Conceito 
Consiste na aferição da idoneidade, necessidade e equilíbrio da 
intervenção estatal (por meio de lei, ato administrativo ou decisão judicial) 
em determinado direito fundamental. Trata-se de uma ferramenta de 
aplicação dos direitos humanos em geral, em situação de limitação, 
concorrência ou conflito de direitos humanos, na busca de proteção. 
Situações típicas de 
invocação do critério 
da proporcionalidade 
na temática dos 
direitos humanos 
1) existência de lei ou ato administrativo que, ao incidir sobre determinado 
direito, o restrinja; 
2) existência de lei ou ato administrativo que, ao incidir sobre determinado 
direito, não o proteja adequadamente; 
3) existência de decisão judicial que tenha que, perante um conflito de 
direitos humanos, optar pela prevalência de um direito, limitando outro. 
Facetas do critério da 
proporcionalidade 
a) fiscalização e proibição do excesso dos atos limitadores do Estado; 
b) promoção de direitos, pela qual o critério da proporcionalidade fiscaliza 
os atos estatais excessivamente insuficientes para promover um direito, 
gerando uma “proibição da proteção insuficiente”; 
c) ponderação em um conflito de direitos, pela qual o critério da 
proporcionalidade é utilizado pelo intérprete para fazer prevalecer um 
direito, restringindo outro. 
Elementos da 
proporcionalidade 
a) adequação das medidas estatais à realização dos fins propostos: 
examina-se se a decisão normativa restritiva de um determinado direito 
fundamental resulta, em abstrato, na realização do objetivo perseguido; 
b) necessidade das medidas: busca-se detectar se a decisão normativa é 
indispensável ou se existe outra decisão passível de ser tomada que 
resulte na mesma finalidade almejada, mas que seja menos maléfica ao 
direito em análise; 
c) proporcionalidade em sentido estrito: ponderação (ou equilíbrio) 
entre a finalidade perseguida e os meios adotados para sua consecução 
(proporcionalidade em sentido estrito); avaliação da relação custo-
benefício da decisão normativa avaliada. 
Proibição da proteção 
insuficiente 
Proibição da proteção insuficiente é o sentido positivo do critério da 
proporcionalidade: o critério não é apenas controle das restrições a 
direitos, mas também controle da promoção a direitos. - Decorre do 
reconhecimento dos deveres de proteção, fruto da dimensão objetiva dos 
direitos humanos. 
 
6 P. 98 
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- A proibição da proteção insuficiente também utiliza os mesmos três 
elementos da proporcionalidade. 
“Ponderação de 
segundo grau” 
Apesar de a regra de colisão já ter sido previamente estabelecida na 
Constituição (e o constituinte ter ponderado a limitação dos direitos em 
colisão), submete-se essa regra a uma nova ponderação. 
“Duplo controle de 
constitucionalidade” 
Trata-se de avaliar se a aplicação de normas que aparentemente não 
violariam direitos fundamentais poderiam, no caso concreto, resultar em 
violação de direitos. 
Princípio da 
razoabilidade no 
campo dos direitos 
humanos 
Consiste na exigência de verificação da legitimidade dos fins perseguidos 
por uma lei ou ato administrativo que regulamente ou restrinja o exercício 
desses direitos, além da compatibilidade entre o meio empregado pela 
norma e os fins visados. 
- Origem do instituto: norte-americana (extraído da cláusula do devido 
processo legal). 
- Doutrina brasileira: duas correntes: 
a) Ideia de que há equivalência entre os conceitos de proporcionalidade e 
razoabilidade, uma vez que ambos têm como fundamento o chamado 
“devidoprocesso legal substancial”; 
b) Ideia de que razoabilidade e proporcionalidade se diferenciam; a 
razoabilidade representa apenas um dos elementos do critério da 
proporcionalidade (elemento adequação), sendo este mais amplo. 
 
► Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
A prova do Ministério Público do Mato Grosso do Sul, de 2009, trouxe a seguinte proposição: "O 
princípio da proibição de retrocesso e o princípio da proibição de proteção deficiente referem-se a um 
mesmo fenômeno jurídico no âmbito da dogmática dos direitos fundamentais a prestações". Está 
errado, eis que apesar de estarem relacionados com a ideia de proporcionalidade, representam 
aspectos diferentes! 
 
► Importante: 
A proporcionalidade não está expressa na constituição brasileira, mas está consagrada 
implicitamente, podendo ser extraída a noção de Estado de Direito, como fazem os alemães, ou da 
noção de devido processo legal substantivo, como fazem os americanos. 
 
COLISÃO DE DIREITOS EM SENTIDO ESTRITO COLISÃO DE DIREITOS EM SENTIDO AMPLO 
É constatada quando o exercício de um 
determinado direito prejudica o exercício de 
outro direito do mesmo titular ou de titular 
diverso. 
Consiste no exercício de um direito que conflita 
ou interfere no cumprimento de um dever de 
proteção de um direito qualquer por parte do 
Estado. 
 
COLISÃO ENTRE DIREITOS HUMANOS7 
Do ponto de vista subjetivo 
Essas colisões podem envolver direitos do mesmo titular 
(nascendo a discussão sobre se o titular pode dispor do direito a 
ser sacrificado) ou de titulares diferentes. Nos casos nos quais o 
 
7 André de Carvalho Ramos. P. 84 
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titular dos direitos em conflito é a mesma pessoa, existe a 
concorrência de direitos. 
Do ponto de vista objetivo 
As colisões podem envolver direitos idênticos ou direitos de 
diferentes espécies 
 
Logo, analisaremos abaixo as principais respostas da doutrina e da jurisprudência para solucionar os 
conflitos entre direitos humanos. 
 
TEORIA INTERNA TEORIA EXTERNA 
Há limites internos a todo direito, quer 
estejam traçados expressamente no texto da 
norma, quer sejam imanentes ou inerentes a 
determinado direito, que faz com que não seja 
possível um direito colidir com outro. 
Adota a separação entre o conteúdo do direito 
e limites que lhe são impostos do exterior, 
oriundos de outros direitos. 
Limite expresso ou aparente: o direito 
fundamental traz, em seu texto, a própria 
ressalva que o exclui da aplicação no caso 
concreto. 
Objetivo da teoria: superação dos conflitos de 
direitos dividindo o processo de interpretação 
dos direitos humanos em colisão em dois 
momentos: 
1) Delimitação do direito prima facie envolvido 
(identificação sobre se o direito incide 
aparentemente sobre a situação fática); 2) 
Investigação sobre a existência de limites 
justificáveis impostos por outros direitos, de 
modo a impedir que o direito aparente seja 
considerado um direito definitivo. A justificação 
se dá pelo critério da proporcionalidade. 
Limite imanente: trata-se do poder do 
intérprete de reconhecer qual é a estrutura e 
finalidades do uso de determinado direito, 
delimitando-o. 
Critério da proporcionalidade: chave-mestra 
da teoria externa, pois garante racionalidade e 
controle da argumentação jurídica que será 
desenvolvida para estabelecer os limites 
externos de um direito e afastá-lo da regência 
de determinada situação fática. 
A teoria interna nega os conflitos entre 
direitos humanos: “o direito cessa onde o 
abuso começa”. 
Casos difíceis (hard cases): casos nos quais há 
conflitos de direitos redigidos de forma genérica 
e imprecisa, contendo valores morais 
contrastantes e sem consenso na comunidade 
sobre sua resolução – insuficiência da teoria 
interna para solucioná-los – adoção da teoria 
externa nestes casos resulta em maior 
transparência do raciocínio jurídico do 
intérprete. 
 
A PROTEÇÃO DO CONTEÚDO ESSENCIAL DOS DIREITOS HUMANOS 
Proteção do conteúdo 
essencial dos direitos 
humanos 
Consiste no reconhecimento da existência de núcleo permanente, que 
não pode ser afetado de forma alguma, em todo direito fundamental. 
Trata-se de um núcleo intocável, constituindo-se em um “limite do 
limite” para o legislador e aplicador dos direitos humanos. 
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Teorias a respeito de 
como delimitar o 
conteúdo essencial 
dos direitos humanos 
Teoria do “conteúdo essencial absoluto”: sustenta que o conteúdo 
essencial de um direito é determinado por meio da análise, em abstrato, 
de sua redação, o que seria suficiente para identificar e separar seus 
elementos essenciais dos não essenciais. 
Teoria do “conteúdo essencial relativo”: sustenta que o núcleo 
essencial não é preestabelecido e fixo, mas determinável em cada caso, 
de acordo com as circunstâncias de cada caso concreto, após a realização 
de um juízo de proporcionalidade com outros direitos eventualmente 
em colisão. 
A teoria relativa utiliza o critério da proporcionalidade, para, de acordo 
com as exigências do momento, ampliar ou restringir o conteúdo 
essencial de um direito. 
• No Brasil, não há previsão expressa da proteção do “conteúdo essencial”, mas determinados 
autores sustentam que as cláusulas pétreas previstas no art. 60, § 4º, da CF/88 implicitamente 
resultam na garantia do conteúdo essencial dos direitos humanos. 
 
PONTOS IMPORTANTES 
A primeira carta política que reconheceu os direitos de segunda geração foi a Constituição 
Mexicana de 1917. A segunda foi a Constituição de Weimar (1919) 
Segundo Norberto Bobbio a 4ª geração era referente a pesquisa biológica e da manipulação do 
patrimônio genético das pessoas. Paulo Bonavides compreende a 4ª geração como direito à 
democracia e a 5° geração como direito à paz. 
 
 
	TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS

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