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disc 61- DOENÇAS DO TRABALHO

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Professor Esp. Thiago Alberto Cavazzani
DOENÇAS DO 
TRABALHO
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
 DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
 DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
 DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
 DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
 DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski
 NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes
 BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira
 PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Dra. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Louise Ribeiro 
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 Maria Clara da Silva Costa
 Milena Pereira do Espirito Santo
 Stephanie Rodrigues da Mota Vieira
 Vinicius Rovedo Bratfisch
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Carlos Firmino de Oliveira
 Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão 
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Guilherme Carrenho
 Pedro de Lima
 Roberto Garcia
 Maria Beatriz Paula da Silva
 Thassiane da Silva Jacinto
 FICHA CATALOGRÁFICA
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
 C377d Cavazzani, Thiago Alberto
 Doenças do trabalho / Thiago Alberto Cavazzani. Paranavaí:
 EduFatecie, 2025.
 112 p. : il. color.
 1. Medicina do trabalho. 2. Doenças do trabalho – Prevenção. 3.
 Ergonomia. 4. Higiene do trabalho. 5. Doenças profissionais. 
 I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a
 Distância. III. Título. 
 CDD: 23. ed. 663.11
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock .
3
AUTOR
• Graduado em Fisioterapia pela Universidade Paranaense (Unipar);
• Especialista: Medicina e Sono (Unifesp – USP) Instituto do Sono;
• Residência em Fisioterapia Hospitalar;
• Especialização em Reabilitação Cardio-Hospitalar;
• Membro da Sociedade Brasileira de Sono;
• Membro Titular da SBPT – Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia;
• Professor do Estado do Paraná 2015 – 2024;
• Coordenador de Curso da Unifatecie.
Prof. Titular da Pós-Graduação de Fisioterapia Hospitalar, Reabilitação 
Cardiopulmonar, Fisioterapia Terapia-Intensiva da Instituição de Ensino (Inspirar) 2005 – 
2025.
Informações e contato:
 Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/2752832405322384
 
Professor Esp. Thiago Alberto Cavazzani
4
APRESENTAÇÃO
Seja muito bem-vindo(a)!
Caro(a) aluno(a), é com grande satisfação que iniciamos esta jornada de 
aprendizado. Seu interesse por esta disciplina demonstra o compromisso com 
sua formação profissional, e é com esse espírito que propomos construir juntos os 
conhecimentos fundamentais sobre as doenças relacionadas ao trabalho, especialmente 
na sua área de atuação.
Neste material de apoio, vamos abordar os conceitos introdutórios e os 
fundamentos essenciais para compreender como determinadas condições laborais 
podem impactar a saúde do trabalhador. A realidade do ambiente de trabalho expõe 
frequentemente os profissionais a riscos diversos, como sobrecarga física, posturas 
inadequadas, movimentos repetitivos e até mesmo estresse físico e emocional. 
Esses fatores tornam o trabalhador mais suscetível ao desenvolvimento de Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), entre outras condições.
Por isso, é fundamental acompanhar com atenção todas as Unidades de Ensino 
e Aprendizagem apresentadas ao longo deste material. Ele será um guia importante para 
sua trajetória, não apenas acadêmica, mas também profissional, contribuindo para uma 
atuação mais crítica, consciente e segura.
Na Unidade I, daremos início à parte introdutória do conteúdo, focando no 
entendimento dos conceitos básicos relacionados às doenças ocupacionais. Essa etapa é 
essencial para o desenvolvimento de uma base sólida que sustentará os temas seguintes. 
Em seguida, avançaremos para a Unidade II, na qual trataremos das principais patologias 
relacionadas ao ambiente de trabalho, incluindo a análise de estruturas laborais e a 
identificação de riscos.
Na Unidade III, continuaremos esse percurso abordando as afeções mais 
recorrentes em diferentes contextos profissionais. Faremos conexões com os conteúdos 
das unidades anteriores, aprofundando aspectos como sobrecarga muscular, problemas 
posturais e os desafios impostos pelo teletrabalho (home office). Também discutiremos 
a importância da ginástica laboral como estratégia preventiva e seu uso crescente no 
contexto organizacional.
5
Por fim, a Unidade IV abordará aspectos normativos e técnicos, com destaque 
para as avaliações realizadas pelo fisioterapeuta e para a Norma Regulamentadora 
nº 17 (NR-17), que trata especificamente da ergonomia no ambiente de trabalho. 
Aprofundaremos a discussão sobre as Normas Regulamentadoras (NRs) como 
instrumento de proteção à saúde do trabalhador.
Como pode perceber, este material foi desenvolvido com o objetivo de servir 
como apoio sólido para o seu aprendizado e prática profissional. Convido você a 
embarcar comigo nessa jornada de construção de conhecimento sobre um tema 
essencial à saúde e segurança no trabalho.
Aproveite os estudos!
6
SUMÁRIO
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)
Impactos das Doenças Ocupacionais na Saúde
Patologias Relacionadas ao Trabalho
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e 
Primeiros Socorros
UNIDADE 1
UNIDADE 2
UNIDADE 3
UNIDADE 4
1 Fundamentos da 
Saúde: História, 
Prevenção e 
Primeiros Socorros
UNIDADEUNIDADE
8
PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• História natural das doenças;
• Conceito e níveis de prevenção;
• Noções de primeiros socorros.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar a hermenêutica das relações das doenças do 
trabalho;
• Compreender os tipos de doenças ocupacionais;
• Estabelecer a importância de casos emergenciais, saber se portar e realizar o 
primeiro atendimento.
Fundamentos daa vibrações, que podem danificar os 
tecidos neuromusculares, e os fatores psicossociais, que podem intensificar a percepção 
da dor e agravar as lesões (Vieira et al., 2016).
O tratamento de LER tradicionalmente foca na redução da repetitividade e na 
modificação das tarefas para aliviar a carga mecânica sobre os tecidos afetados. As 
intervenções incluem ajustes ergonômicos no local de trabalho para minimizar os efeitos 
dos movimentos repetitivos, além de terapias físicas e, em casos graves, tratamentos 
médicos mais invasivos, como cirurgias. DORT, no entanto, requer uma abordagem mais 
ampla e multifatorial. Além dos ajustes ergonômicos e das terapias físicas, o tratamento 
de DORT frequentemente inclui a modificação de posturas de trabalho, estratégias de 
gerenciamento do estresse e a reestruturação das tarefas para reduzir tanto a carga física 
quanto a mental. A conscientização dos trabalhadores sobre a importância da ergonomia 
e o cuidado com a saúde ocupacional são componentes essenciais da abordagem 
preventiva e terapêutica de DORT (Barreto; Swerdlow, 1999).
Em suma, LER é um termo específico focado nas lesões decorrentes de 
movimentos repetitivos e sobrecarga mecânica, enquanto DORT é um conceito mais amplo 
que engloba uma variedade maior de distúrbios relacionados ao trabalho, incluindo lesões 
resultantes de fatores posturais, vibracionais e psicossociais. A distinção entre esses 
termos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias adequadas de prevenção, 
diagnóstico e tratamento, especialmente em um cenário ocupacional moderno onde a 
complexidade das interações entre trabalhador e ambiente é cada vez mais reconhecida 
(Buckle; Devereux, 2002; Vieira et al., 2016).
43Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
2.3. Biomecânica, Fisiologia e Fisiopatologia da LER/DORT
As Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho (DORT) estão intimamente ligados a fatores biomecânicos que 
influenciam diretamente o desenvolvimento dessas condições. A biomecânica estuda as 
forças e os movimentos que agem sobre o corpo humano durante a execução de tarefas 
repetitivas ou sob condições de trabalho que exigem posturas inadequadas. Movimentos 
repetitivos, como digitar ou operar ferramentas manuais, criam uma sobrecarga mecânica 
constante em músculos, tendões e articulações. Esta repetição, sem intervalos adequados 
para a recuperação, pode levar à fadiga muscular, microtraumas e, eventualmente, à 
inflamação dos tecidos moles. Além disso, posturas estáticas prolongadas e a aplicação 
de força excessiva durante tarefas manuais contribuem para o aumento do estresse 
mecânico nas estruturas musculoesqueléticas, especialmente em articulações como os 
punhos, cotovelos e ombros (Silverstein; Fine; Armstrong, 1986).
Já do ponto de vista fisiológico, o corpo humano responde ao estresse 
mecânico repetitivo com uma série de adaptações e reações inflamatórias. Quando 
um músculo ou tendão é submetido a movimentos repetitivos, ou posturas inadequadas, 
a circulação sanguínea local pode ser comprometida, resultando em hipóxia tecidual. 
Esta falta de oxigenação adequada leva ao acúmulo de subprodutos metabólicos, como 
ácido lático, que contribuem para a dor e o desconforto muscular. Além disso, a tensão 
constante em tendões e ligamentos pode resultar em microtraumas, que desencadeiam 
uma resposta inflamatória. A inflamação, por sua vez, aumenta a produção de citocinas 
pró-inflamatórias, que amplificam a sensação de dor e podem levar ao desenvolvimento 
de condições crônicas se a exposição ao fator estressor continuar (Andersson, 1999).
Para a fisiopatologia da LER/DORT envolve a progressão dos microtraumas 
iniciais para condições musculoesqueléticas crônicas, muitas vezes difíceis de reverter. 
Inicialmente, os microtraumas causam uma resposta inflamatória aguda, que pode ser 
reversível com descanso e tratamento adequado. No entanto, se a exposição aos fatores 
causais persistir, a inflamação pode se tornar crônica, levando à fibrose e à degeneração 
dos tecidos afetados. Isso pode resultar em condições crônicas, como tendinites, 
bursites e síndromes de compressão nervosa, como a síndrome do túnel do carpo. A 
cicatrização inadequada dos tecidos pode também levar a aderências, que restringem o 
movimento e causam dor contínua. Com o tempo, a persistência dessas condições pode 
causar alterações permanentes na estrutura e na função dos tecidos, resultando em 
incapacidades funcionais significativas (Barr; Barbe; Clark, 2004).
44Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
2.4. Sinais e Sintomas Principais em LER/DORT
Os sinais e sintomas das Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e dos Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são variados, mas compartilham 
características comuns associadas à sobrecarga do sistema musculoesquelético. Os 
sintomas iniciais frequentemente incluem dor localizada, que pode ser leve no início 
e frequentemente associada a atividades repetitivas ou posturas mantidas por longos 
períodos. Essa dor tende a piorar com a continuidade das atividades, podendo evoluir 
para uma dor crônica, presente mesmo em repouso. A rigidez articular é outro sintoma 
comum, especialmente após períodos de inatividade ou ao acordar. Além disso, é comum 
a presença de edema nos locais afetados, decorrente da inflamação tecidual. Outros 
sintomas incluem a sensação de fraqueza muscular, redução da amplitude de movimento 
e a presença de parestesias (formigamento ou dormência), particularmente em casos 
que envolvem compressão nervosa, como na síndrome do túnel do carpo (Melchior et al., 
2004).
2.5. Principais Patologias Associadas
Dentre as doenças do trabalho, temos patologias gerais e patologias 
específicas. Inevitavelmente, as patologias do trabalho têm uma íntima relação com a 
atividade exercida, com os movimentos executados e toda a sobrecarga. Obviamente, 
assim como uma máquina, aquilo que é forcado sem ter os devidos cuidados 
sucumbirá. O fim desta história, nós conhecemos (Doença Ocupacional, atestado, 
afastamento, reabilitação). Diante do exposto, temos apontamentos das principais 
patologias associadas, vejamos:
Tendinites e Tenossinovites: estas são inflamações dos tendões e das 
bainhas tendíneas, respectivamente, causadas por movimentos repetitivos ou posturas 
inadequadas. A tendinite é caracterizada por dor localizada, que piora com o movimento, 
enquanto a tenossinovite pode apresentar crepitações devido ao movimento dos tendões 
inflamados dentro de suas bainhas. Essas condições são comuns em trabalhadores que 
realizam atividades repetitivas com os membros superiores, como digitadores e operários 
de linha de montagem (Armstrong et al., 1993).
Síndrome do Túnel do Carpo: esta condição é resultante da compressão do 
nervo mediano ao nível do túnel do carpo, no punho. Os sintomas incluem dor, dormência 
e formigamento nos dedos polegar, indicador e médio, além de fraqueza na musculatura 
tenar, que pode comprometer a capacidade de segurar objetos. A síndrome do túnel 
do carpo é frequentemente observada em trabalhadores que realizam atividades que 
envolvem flexão e extensão repetitiva do punho, como digitação ou uso de ferramentas 
manuais vibratórias (Palmer; Harris; Coggon, 2007).
45Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista): a epicondilite lateral é uma 
inflamação dos tendões que se inserem no epicôndilo lateral do cotovelo. É causada 
por movimentos repetitivos de extensão do punho e supinação do antebraço, típicos em 
atividades como a operação de ferramentas manuais ou esportes como o tênis. A dor 
é o sintoma predominante, localizada no lado externo do cotovelo, e pode irradiar para 
o antebraço, piorando com atividades que envolvem o uso da mão (Walker-Bone et al., 
2012).
Bursites: as bursites são inflamações das bursas, pequenas bolsas cheias de 
líquido que amortecemo atrito entre os ossos e os tecidos moles. Essas condições são 
comuns em áreas como os ombros, joelhos e quadris, onde as bursas podem inflamar 
devido a pressões repetitivas ou posturas inadequadas. Os sintomas incluem dor 
localizada, edema e sensibilidade ao toque, muitas vezes agravados por movimentos 
específicos (Speed; Hazleman, 1999).
Síndrome do Pescoço e Ombro: esta síndrome é caracterizada por dor e rigidez 
nos músculos do pescoço e ombros, frequentemente associada a posturas estáticas 
prolongadas e estresse psicossocial. Além da dor, os pacientes podem apresentar 
dores de cabeça tensionais e diminuição da mobilidade cervical, que pode impactar 
significativamente a qualidade de vida e a capacidade de trabalho (Treaster; Burr, 2004).
2.6. Prevenção e estratégias para evitar LER/DORT
A prevenção de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) é fundamental para minimizar o 
impacto dessas condições na saúde dos trabalhadores e reduzir os custos associados. 
Uma abordagem multifacetada é necessária para abordar os diversos fatores de risco 
associados a essas lesões.
1. Ergonomia Adequada: ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho são 
cruciais para a prevenção de LER/DORT. Isso inclui a adaptação das estações de trabalho 
para garantir que os trabalhadores mantenham posturas neutras e confortáveis. A altura 
das cadeiras, mesas e suportes para os pés deve ser ajustada para permitir uma postura 
correta, minimizando o estresse nas articulações e músculos. Equipamentos de trabalho, 
como teclados e mouses, devem ser posicionados para reduzir a tensão no pescoço, 
ombros e punhos. Estudos mostram que a implementação de intervenções ergonômicas 
pode reduzir significativamente a incidência de distúrbios musculoesqueléticos (Buckle; 
Devereux, 2002).
46Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
2. Pausas e Rotação de Tarefas: incorporar pausas regulares durante a jornada 
de trabalho ajuda a prevenir a fadiga muscular e a reduzir o risco de lesões crônicas. A 
rotação de tarefas entre diferentes tipos de atividades pode evitar a repetição contínua 
dos mesmos movimentos e posturas, aliviando a carga sobre estruturas específicas e 
permitindo tempo de recuperação adequado (Armstrong et al., 1993).
3. Exercícios e Fortalecimento Muscular: programas de exercícios específicos, 
que incluam alongamento e fortalecimento muscular, são eficazes na prevenção de LER/
DORT. Esses programas ajudam a melhorar a flexibilidade e a resistência dos músculos 
e tendões, reduzindo o risco de lesões. Além disso, a educação sobre a importância de 
exercícios regulares pode incentivar os trabalhadores a adotar práticas saudáveis fora do 
ambiente de trabalho (Treaster; Burr, 2004).
4. Treinamento e Educação: fornecer treinamento adequado sobre ergonomia 
e técnicas de trabalho seguras é essencial. Trabalhadores devem ser instruídos sobre 
como ajustar seus ambientes de trabalho, como realizar movimentos e posturas de forma 
segura e como identificar os primeiros sinais de desconforto. A educação contínua sobre 
os riscos associados às tarefas repetitivas e posturas inadequadas pode aumentar a 
conscientização e promover mudanças comportamentais positivas (Melchior et al., 2004).
5. Avaliação e Monitoramento: realizar avaliações regulares dos ambientes 
de trabalho e das condições de saúde dos trabalhadores ajuda a identificar e abordar 
problemas potenciais antes que se tornem graves. Isso pode incluir a realização de 
avaliações ergonômicas, monitoramento dos sintomas e implementação de estratégias 
de intervenção precoces. As empresas devem estar prontas para ajustar os processos de 
trabalho e fornecer suporte adequado quando necessário (Barreto; Swerdlow, 1999).
A implementação de estratégias preventivas abrangentes é essencial para 
reduzir a prevalência de LER/DORT e melhorar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. 
A combinação de ajustes ergonômicos, pausas regulares, exercícios físicos, treinamento 
adequado e monitoramento contínuo constitui uma abordagem eficaz para prevenir o 
desenvolvimento dessas condições e promover um ambiente de trabalho saudável e 
seguro.
47
Movimentos repetitivos são ações que envolvem a execução contínua de um 
mesmo padrão de movimento por períodos prolongados, frequentemente associados 
a uma carga mecânica elevada sobre certas partes do corpo. Na ergonomia e na 
saúde ocupacional, esses movimentos são reconhecidos como um fator crítico no 
desenvolvimento de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho (Buckle; 
Devereux, 2002). A repetitividade pode envolver flexões, extensões, rotações ou outras 
ações que exigem o uso constante de músculos e articulações específicas.
Os mecanismos de lesão associados aos movimentos repetitivos são 
complexos e envolvem uma série de processos biomecânicos e fisiológicos. Quando 
os músculos e tendões são submetidos a movimentos repetitivos, o estresse contínuo 
pode levar a uma sobrecarga mecânica. Essa sobrecarga resulta em microtraumas 
nos tecidos moles, como músculos, tendões e ligamentos. A falta de tempo suficiente 
para recuperação e regeneração desses tecidos pode levar a uma série de problemas, 
incluindo inflamação crônica, degeneração dos tecidos e eventual desenvolvimento 
de condições patológicas como tendinites e síndrome do túnel do carpo (Andersson, 
1999).
Além disso, a repetição constante pode causar uma tensão excessiva nas 
articulações e nas estruturas de suporte, como os ligamentos e os tendões. Isso pode 
resultar em alterações na biomecânica articular, aumento do desgaste das superfícies 
articulares e desenvolvimento de condições degenerativas como osteoartrite. A falta de 
variação nos movimentos também pode levar a desequilíbrios musculares, onde alguns 
grupos musculares ficam excessivamente desenvolvidos ou tensionados, enquanto outros 
ficam fracos ou sobrecarregados (Silverstein; Fine; Armstrong, 1986).
Movimentos Repetitivos na 
Ergonomia e Doenças do 
Trabalho3
TÓPICO
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
48Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
Os efeitos dos movimentos repetitivos na saúde dos trabalhadores podem 
ser significativos e variados. Entre os sintomas mais comuns estão a dor localizada, 
geralmente descrita como uma sensação de queimação ou rigidez, que pode se 
intensificar com a continuidade das tarefas. O desconforto pode ser acompanhado por 
fraqueza muscular, diminuição da amplitude de movimento e a sensação de formigamento 
ou dormência, especialmente se os nervos forem comprimidos ou irritados (Melchior et al., 
2004).
Os distúrbios musculoesqueléticos relacionados a movimentos repetitivos podem 
afetar diversas partes do corpo, incluindo os ombros, braços, punhos e mãos. Condições 
como tendinites, tenossinovites e a síndrome do túnel do carpo são frequentemente 
associadas a movimentos repetitivos e podem levar a incapacidades funcionais 
significativas e a uma qualidade de vida reduzida. Além disso, esses distúrbios podem 
contribuir para o absenteísmo no trabalho e aumentar os custos associados ao tratamento 
e à reabilitação (Palmer; Harris; Coggon, 2007).
3.1. Mecanismos de Lesão
Os mecanismos de lesão associados aos movimentos irregulares envolvem uma 
combinação de fatores biomecânicos e fisiológicos. A natureza variável desses movimentos 
pode levar a um estresse mecânico desigual sobre os tecidos musculoesqueléticos. 
Movimentos que variam amplamente em termos de amplitude e intensidade podem causar 
sobrecarga nos músculos e nas articulações, resultando em fadiga muscular e tensão. 
A falta de previsibilidade nos movimentos pode dificultar a preparação adequada dos 
músculos e das articulações, aumentando o risco de lesões agudas e crônicas (Silverstein; 
Fine; Armstrong, 1986).
Além disso, os movimentos irregulares podem provocar microtraumas repetitivos, 
que são mais difíceis de identificare tratar do que as lesões associadas a movimentos 
repetitivos uniformes. A variação nos padrões de movimento pode causar desiquilíbrios 
musculares e sobrecarga em estruturas específicas, levando a problemas como 
distensões musculares, lesões ligamentares e desgaste articular. A adaptação constante 
aos movimentos variáveis pode também levar a um aumento no risco de lesões por 
impacto e sobrecarga (Andersson, 1999).
49Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
3.3. Impacto na Saúde
Os efeitos dos movimentos irregulares na saúde dos trabalhadores podem 
variar, mas frequentemente incluem dor e desconforto nos músculos e articulações 
envolvidos. Os sintomas comuns incluem dor localizada, rigidez e dificuldade em realizar 
movimentos normais. A variabilidade nos movimentos pode causar problemas como:
1. Dor Muscular e Articular: a adaptação constante a diferentes padrões 
de movimento pode levar a uma sobrecarga e estresse adicional sobre os músculos e 
articulações, resultando em dor e desconforto. Isso é particularmente evidente em áreas 
como os ombros, costas e quadris, onde a variabilidade dos movimentos pode exacerbar 
a carga sobre essas estruturas (Palmer; Harris; Coggon, 2007).
2. Lesões Agudas e Crônicas: Movimentos irregulares podem aumentar o risco 
de lesões agudas, como distensões e entorses, devido à falta de preparação adequada dos 
tecidos para as mudanças inesperadas no padrão de movimento. Além disso, a exposição 
contínua a padrões de movimento variáveis pode contribuir para o desenvolvimento de 
condições crônicas, como tendinites e bursites (Treaster; Burr, 2004).
3. Fadiga Muscular e Redução da Performance: a constante adaptação a 
movimentos irregulares pode levar à fadiga muscular precoce e à diminuição da capacidade 
funcional. A fadiga pode resultar em uma redução na eficiência dos movimentos e na 
capacidade de realizar tarefas com precisão e segurança (Melchior et al., 2004).
3.2. Estratégias de Prevenção e Controle
Para prevenir lesões associadas a movimentos irregulares, é importante adotar 
estratégias que visem minimizar o estresse e a carga sobre os músculos e articulações. 
Algumas das abordagens eficazes incluem:
1. Design Ergonômico Flexível: adaptar o ambiente de trabalho para acomodar 
a variabilidade dos movimentos pode ajudar a reduzir o risco de lesões. Isso pode incluir 
o uso de ferramentas ajustáveis e equipamentos que permitam uma variação nos padrões 
de movimento, bem como a implementação de soluções que promovam uma postura 
adequada (Buckle; Devereux, 2002).
2. Treinamento e Educação: fornecer treinamento adequado sobre técnicas de 
movimentação e postura pode ajudar os trabalhadores a adaptar seus movimentos de 
maneira mais eficaz e a reduzir o risco de lesões. A educação sobre a importância de 
técnicas de trabalho seguras e a conscientização sobre os riscos associados a movimentos 
irregulares são essenciais (Melchior et al., 2004).
50Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
3. Pausas e Recuperação: incorporar pausas regulares durante a jornada de 
trabalho permite que os músculos e articulações se recuperem do estresse associado aos 
movimentos irregulares. É importante também permitir períodos de descanso para reduzir 
a fadiga muscular e prevenir a sobrecarga (Treaster; Burr, 2004).
4. Monitoramento e Ajustes: realizar avaliações regulares das condições de 
trabalho e dos sintomas dos trabalhadores pode ajudar a identificar e corrigir problemas 
antes que se tornem graves. Ajustar as tarefas e os padrões de movimento com base 
nas necessidades e nas condições específicas dos trabalhadores pode contribuir para a 
prevenção de lesões (Andersson, 1999).
3.3. Sobrecarga na Ergonomia e Doenças do Trabalho
Na ergonomia e na saúde ocupacional, sobrecarga refere-se ao estresse 
excessivo ou à carga mecânica imposta aos músculos, tendões, ligamentos e articulações 
durante a execução de atividades laborais. Esse estresse pode resultar de diversas 
formas, incluindo cargas pesadas, movimentos repetitivos, posturas inadequadas, ou 
uma combinação desses fatores. A sobrecarga ocorre quando o nível de esforço ou a 
carga excede a capacidade dos tecidos corporais de suportar e se adaptar ao estresse 
sem causar danos. A resposta do corpo a essa sobrecarga pode variar desde desconforto 
passageiro até condições patológicas graves (Buckle; Devereux, 2002).
Os mecanismos pelos quais a sobrecarga causa lesões estão associados ao 
excesso de estresse imposto sobre as estruturas musculoesqueléticas e à capacidade 
reduzida do corpo de se adaptar a esse estresse. Esses mecanismos incluem:
1. Microtraumas e Lesões Repetitivas: a sobrecarga repetitiva pode causar 
microtraumas nos músculos e tendões, resultando em inflamação e dor. Com o tempo, 
esses microtraumas acumulam-se e podem levar a lesões crônicas, como tendinites e 
bursites. A incapacidade dos tecidos de se regenerar adequadamente entre as sessões 
de carga excessiva contribui para o desenvolvimento de condições crônicas (Silverstein; 
Fine; Armstrong, 1986).
2. Alterações na Biomecânica Articular: a sobrecarga pode causar alterações 
na biomecânica das articulações, como o desgaste das superfícies articulares e o aumento 
do risco de osteoartrite. A sobrecarga em uma articulação pode alterar a distribuição das 
forças sobre as superfícies articulares, levando ao desgaste desigual e ao desenvolvimento 
de condições degenerativas (Andersson, 1999).
51Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
3. Fadiga Muscular e Desequilíbrios Musculares: a sobrecarga excessiva 
pode causar fadiga muscular, resultando em uma redução na capacidade dos músculos 
de sustentar esforços contínuos. A fadiga pode levar a desequilíbrios musculares, onde 
alguns músculos ficam excessivamente tensionados enquanto outros ficam enfraquecidos, 
aumentando o risco de lesões e distúrbios musculoesqueléticos (Treaster; Burr, 2004).
4. Pressão e Compressão Nervosa: a sobrecarga também pode resultar em 
pressão e compressão dos nervos periféricos, levando a condições como a síndrome do 
túnel do carpo. A compressão nervosa pode causar sintomas como dor, formigamento e 
fraqueza, que afetam a função e a qualidade de vida dos trabalhadores (Palmer; Harris; 
Coggon, 2007).
3.4. Impacto na Saúde
Os efeitos da sobrecarga na saúde dos trabalhadores podem ser significativos 
e incluem uma ampla gama de sintomas e condições patológicas. Entre os principais 
impactos estão:
1. Dor e Desconforto Muscular: a sobrecarga geralmente causa dor localizada 
nos músculos e articulações envolvidos. A dor pode ser aguda, relacionada ao esforço 
excessivo, ou crônica, resultante de uma exposição prolongada ao estresse (Buckle; 
Devereux, 2002).
2. Lesões Agudas e Crônicas: a exposição à sobrecarga pode resultar em 
lesões agudas, como entorses e distensões, bem como em condições crônicas, como 
tendinites e síndrome do túnel do carpo. Essas lesões podem levar a uma redução na 
capacidade funcional e no desempenho no trabalho (Melchior et al., 2004).
3. Redução da Qualidade de Vida: as condições resultantes da sobrecarga 
podem afetar significativamente a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzindo a 
capacidade de realizar atividades diárias e aumentando o estresse físico e psicológico 
(Silverstein; Fine; Armstrong, 1986).
3.5. Estratégias de Prevenção e Controle
Para mitigar os riscos associados à sobrecarga, é importante implementar 
estratégias que abordem tanto o ambiente de trabalho quanto os comportamentos dos 
trabalhadores. As principais estratégias incluem:
52Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
1. Design Ergonômico Adequado: adaptar o ambiente de trabalho para 
reduzir a carga sobre os músculos e articulações é fundamental. Isso pode incluir o 
uso de equipamentos que diminuam o esforço físico necessário, ajustes na altura e no 
posicionamento das estações de trabalho, e a incorporação de ferramentas e dispositivosque minimizem a necessidade de levantar e carregar cargas pesadas (Buckle; Devereux, 
2002).
2. Modificação das Tarefas: reduzir a carga e a duração das atividades que 
exigem esforço intenso pode ajudar a prevenir a sobrecarga. Alternar tarefas e incorporar 
períodos de descanso para permitir a recuperação muscular são práticas recomendadas 
(Armstrong et al., 1993).
3. Programa de Exercícios e Alongamento: implementar programas de 
exercícios e alongamento pode ajudar a melhorar a força, a flexibilidade e a resistência 
muscular, reduzindo o risco de lesões associadas à sobrecarga. Estes programas devem 
ser adaptados às necessidades específicas dos trabalhadores e ao tipo de trabalho 
realizado (Treaster; Burr, 2004).
4. Treinamento e Conscientização: fornecer treinamento sobre técnicas 
adequadas para levantar e carregar objetos, bem como a importância de posturas corretas 
e pausas regulares, é essencial para prevenir a sobrecarga. A educação contínua sobre 
os riscos e as melhores práticas pode ajudar a promover um ambiente de trabalho mais 
seguro (Melchior et al., 2004).
5. Monitoramento e Ajustes Contínuos: realizar avaliações regulares das 
condições de trabalho e dos sintomas dos trabalhadores pode ajudar a identificar e corrigir 
problemas antes que se tornem graves. Ajustar as práticas e os processos com base nas 
necessidades dos trabalhadores pode contribuir para a prevenção de lesões e melhorar a 
saúde ocupacional (Andersson, 1999).
53
“Toda LER é uma DORT, mas nem toda a DORT será uma LER”
Pareceu confuso? Temos que ter em mente que as DORTs (DOENÇAS OSTEOMUSCULARES 
RELACIONADAS AO TRABALHO) são mais amplas, temos diversas patologias relacionadas ao trabalho, 
onde a LER (lesão por esforço repetitivo) é uma delas, com isto, as DORTs são o gênero, sendo que a LER 
é uma espécie.
Fonte: o autor (2025).
O livro As medidas do homem e da mulher, de Alvin R. Tilley (2005), produzido pela Henry Dreyfuss 
Associates — uma empresa referencial no emprego de dados sobre fatores humanos (ergonomia) — é 
uma valiosa referência em antropometria para arquitetos e designers. Nele você encontra todas as tabelas 
e os dados fundamentais disponíveis atualmente para auxiliar projetistas na criação de ambientes mais 
adequados às necessidades humanas.
Fonte: o autor (2025).
SAIBA MAIS
SAIBA MAIS
“A Ergonomia tem um cunho postural, no entanto, percebemos que não é só postura, mas também carga, 
movimentos e conjuntamente postura.”
Fonte: o autor (2025).
REFLITA
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
54
Na nossa Unidade II podemos aprofundar mais sobre o tema, sendo mais 
específicos em relação às Doenças do Trabalho e Ergonomia, dissecamos alguns temas 
importantes e aprofundamos de maneira pormenorizada assuntos pertinentes, com isto, 
iniciamos a formação do raciocínio ergonômico em vocês, onde, existem diversos fatores/
elementos sobre as Doenças do Trabalho. 
Pudemos observar a importância das mais atuais definições e conceitos acerca 
as Doenças do Trabalho, em sequência, abordamos sobre o tema DORT/LER, explicando 
cada uma delas e as suas diferenças, e que no final estão interligadas unidirecionalmente, 
por fim, expusemos os movimentos repetitivos, e irregulares, os impactos, o mecanismo 
de trauma e as suas particularidades. 
Diante de todo o exposto, esperamos o acompanhamento desta Unidade e 
iremos avançar com uma ressalva. Precisamos do apoio de vocês, caríssimos alunos, 
se dediquem, estudem, aproveite o material e o tema para alimentar as suas dúvidas e 
preencher de conhecimentos técnicos específicos sobre as Doenças do Trabalho. 
Espero todos vocês na próxima Unidade. 
Até a próxima!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
55
LEITURA COMPLEMENTAR
Quer saber mais sobre a atenção à ergonomia no home office? Leia as reportagens 
a seguir:
MATÉRIA 1: O Sonho do ‘Home Office’ Vira Pesadelo na Pandemia
Esta reportagem aborda a romantização que costumava ocorrer acerca do “home 
office” e como a Covid-19 obrigou empresas e funcionários a trabalhar remotamente sem 
estarem preparados, abordando as dificuldades físicas e psicológicas dos trabalhadores.
Fonte: ALFAGEME, A. O sonho do ‘home office’ vira pesadelo na pandemia. 
Rev. El País, São Paulo, 09 de agosto de 2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/
sociedade/2020-08-09/o-teletrabalho-nao-era-isto.html Acesso em: 20 nov. 2021.
MATÉRIA 2: Atenção à Ergonomia no Home Office
A matéria abaixo dá dicas de cuidados no escritório de casa são essenciais para 
o bem-estar e a produtividade no trabalho abordando aspectos relacionados ao ambiente, 
mesa, cadeira, iluminação e pausas necessárias.
Fonte: ATENÇÃO à ergonomia no home office. Estúdio C, 12 nov. 2021. 
Atualizado em: 12 nov. 2021. Disponível em: https://redeglobo.globo.com/rpc/estudio-c/
casa-paranaense/noticia/atencao-a-ergonomia-no-home-office.ghtml. Acesso em: 23 jul. 
2025.
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
56
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Ergonomia-Interpretando a NR-17: Manual Técnico e 
Prático para a Interpretação da Norma Regulamentadora 17.
• Autores: Alexandre Pinto da Silva.
• Ano: 2013.
• Editora: LTr; 1ª edição.
• Sinopse: Este livro aborda de forma atualizada, clara e objetiva 
todos os dizeres da Norma Regulamentadora 17 – Ergonomia, 
interpretando as questões técnicas que devem ser observadas 
para a manutenção das condições de conforto em um ambiente 
de trabalho.
VÍDEO
• Título: Nova Norma Regulamentadora nº 17 (NR 17) - 
Principais Itens conforme Portaria nº 423 de 04/10/2.
• Ano: 2021.
• Sinopse: Esta Norma Regulamentadora - NR visa estabelecer 
as diretrizes e os requisitos que permitam a adaptação das 
condições de trabalho às características psicofisiológicas dos 
trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança, 
saúde e desempenho eficiente no trabalho.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=1vNrT_s83yM
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
57
REFERÊNCIAS
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role of physical work factorsin a random sample of workers in France (the Pays de la 
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Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
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WALKER-BONE, K. et al. Prevalence and impact of musculoskeletal disorders of the 
upper limb in the general population. Arthritis & Rheumatism, v. 57, n. 4, p. 644–651, 
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WEGMAN, D. H.; MCLELLAN, R. K.; LADOU, J. Occupational health and safety. New 
England Journal of Medicine, v. 338, n. 13, p. 897–902, 1998.
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
3 Impactos 
das Doenças 
Ocupacionais 
na Saúde
UNIDADEUNIDADE
60
PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• Afecções das Doenças do Trabalho;
• Teletrabalho, Home Office, Pandemia;
• Ginástica Laboral e Exercício Físico.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender as principais afecções das doenças do trabalho é analisar como 
a exposição contínua a riscos ocupacionais pode comprometer a saúde dos 
trabalhadores, gerando desde problemas musculoesqueléticos até distúrbios 
psíquicos.
• Estabelecer uma abordagem específica sobre o trabalho à distância, pontos 
positivos e negativos; 
• Conceituar a Ginástica laboral, com a estratégia de: quando fazer?, como 
fazer?, o porquê fazer?.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
61
Olá! Se você tem acompanhado o conteúdo até aqui, é provável que já tenha 
adquirido uma visão mais crítica e técnica sobre as Doenças do Trabalho desde a Unidade 
I. Na terceira unidade, abordaremos assuntos técnicos mais específicos, discutindo-os 
isoladamente para que possamos aprofundar nosso entendimento. O objetivo é romper 
com o estigma de que as Doenças do Trabalho são algo “normal” ou inevitável. Na 
verdade, devemos adotar meios e métodos estratégicos para prevenir tais lesões.
Nesta unidade, iremos explorar as Doenças do Trabalho, suas características e 
a relação de causa e efeito das patologias associadas ao ambiente laborativo. Também 
discutiremos as principais patologias correlacionadas a esse contexto. Entre os temas, 
daremos atenção especial a um dos aspectos mais debatidos na área da Ergonomia: 
as alterações posturais. Este tema é particularmente relevante, pois está diretamente 
ligado ao aumento do absenteísmo. Apesar de ser uma questão amplamente discutida, 
muitos profissionais ainda encontram dificuldades em avaliar e identificar a causa raiz das 
alterações posturais, tratando apenas os sinais e sintomas, sem buscar soluções efetivas.
Além disso, não podemos deixar de abordar um tema que se tornou 
extremamente relevante a partir de março de 2021, com a pandemia de Covid-19: a 
transição do trabalho presencial para o formato remoto, o Home Office. Porém, é 
importante destacar que essa mudança não deve ser vista como uma regra universal, 
mas sim como uma alternativa. A balança entre os pontos positivos e negativos do 
trabalho remoto exige uma reflexão cuidadosa, considerando os impactos tanto para os 
trabalhadores quanto para as organizações.
Por fim, nesta Unidade, iremos estar abordando a ginástica Laboral, uma 
atividade importantíssima, que nos profissionais da área da saúde poderemos estar 
adentrando direta e/ou indiretamente. Devemos criar a ótica da atividade laborada e do 
que poderá ser proposto para combater e melhorar o sistema musculoesquelético do 
trabalhador. Esta atividade é um dos meios e métodos que criará soluções ergonômicas 
para o ambiente de trabalho. 
Convido a todos para vencermos mais uma Unidade Juntos.
INTRODUÇÃO
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
62
1. Introdução às Alterações Posturais como Doenças do Trabalho
As doenças ocupacionais relacionadas a posturas inadequadas no ambiente 
de trabalho afetam milhões de trabalhadores em diversas áreas. O aumento de 
atividades sedentárias, uso prolongado de computadores e dispositivos móveis, 
além da mecanização de várias tarefas, tem aumentado significativamente o número 
de disfunções no sistema musculoesquelético. Essas alterações posturais podem 
comprometer a funcionalidade física e gerar impactos econômicos severos, tanto para 
trabalhadores quanto para empregadores. De acordo com Andrade e Araújo (2018), 
as disfunções posturais são responsáveis por um alto índice de absenteísmo, gerando 
aumento nos custos de saúde e perda de produtividade.
1.2 Anatomia Postural e Biomecânica no Ambiente de Trabalho
A postura corporal é mantida pela interação entre diversos sistemas 
musculoesqueléticos, envolvendo ossos, músculos, ligamentos e articulações. A coluna 
vertebral, composta por 33 vértebras, é o eixo central que sustenta o corpo, e suas 
curvas naturais (cervical, torácica e lombar) permitem uma distribuição equilibrada das 
cargas mecânicas. Além disso, músculos como o transverso do abdômen, paravertebrais, 
multífidos e glúteos desempenham um papel essencial na estabilização postural (Souza; 
Costa, 2019).
Afecções das Doenças 
do Trabalho1
TÓPICO
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
63Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
No ambiente de trabalho, as posturas mantidas por longos períodos podem 
alterar essa harmonia estrutural, levando a compensações biomecânicas que afetam 
a saúde musculoesquelética. Movimentos repetitivos e posturas inadequadas impõem 
estresse adicional sobre as estruturas, especialmente na coluna vertebral e membros 
superiores, levando a quadros de dor e incapacidades funcionais. É fundamental, então, 
que haja uma análise detalhada da postura e dos hábitos de trabalho para identificar os 
desequilíbrios musculares que comprometem a biomecânica ideal.
1.3 Principais Alterações Posturais Relacionadas ao Trabalho
A hipercifose caracteriza-se pelo aumento da curvatura torácica da coluna 
vertebral, que provoca uma postura inclinada para frente. Esse problema é comumente 
observado em trabalhadores que permanecem longos períodos sentados, como 
profissionais de escritório e operadores de máquinas. De acordo com Ribeiro e Silva 
(2020), a hipercifose pode levar ao encurtamento da musculatura peitoral e à fraqueza 
dos músculos estabilizadores das escápulas, resultando em dor crônica e dificuldade 
respiratória.
A hiperlordose lombar é caracterizada por um aumento exagerado da curvatura 
na região lombar da coluna, sendo frequentemente relacionada à postura inadequadadurante atividades que exigem levantamento de peso ou ao uso de cadeiras sem suporte 
adequado para as costas. Trabalhadores que mantêm uma posição sentada por longos 
períodos, com flexão inadequada do quadril, estão em maior risco (Souza; Costa, 
2019). Essa alteração postural provoca dores lombares crônicas, fadiga e pode levar ao 
desenvolvimento de hérnias discais.
A escoliose funcional se refere a um desvio lateral da coluna vertebral que é 
frequentemente provocado por posturas assimétricas no ambiente de trabalho, como 
carregar peso em um lado do corpo ou posicionar mal os equipamentos de trabalho. 
Segundo Andrade e Araújo (2018), essa condição pode evoluir para um desvio estrutural 
se as posturas inadequadas forem mantidas por longos períodos, levando a dores nas 
costas, fadiga muscular e restrições de movimento.
A má postura, combinada com movimentos de flexão repetitiva e elevação de 
cargas, pode resultar em protusões e hérnias de disco. Essas lesões são comuns em 
profissões que envolvem manuseio de peso e movimentos bruscos de torção e flexão da 
coluna (Ribeiro; Silva, 2020). A compressão dos discos intervertebrais, associada a uma 
má distribuição de carga, provoca dor intensa, formigamento e, em casos mais graves, 
incapacidade funcional, podendo resultar em afastamentos prolongados.
64Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
1.4 Índice de Absenteísmo por Problemas Posturais no Ambiente de Trabalho
O absenteísmo relacionado a doenças posturais representa uma grande 
preocupação nas indústrias e nos setores de serviços. De acordo com o relatório da 
Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2021, cerca de 30% das faltas ao trabalho 
estão relacionadas a problemas musculoesqueléticos, muitos dos quais são diretamente 
associados a posturas inadequadas. No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Seguro 
Social (INSS), os transtornos musculoesqueléticos, como lombalgias e cervicalgias, 
estão entre as principais causas de afastamento temporário e permanente do trabalho, 
correspondendo a aproximadamente 25% do total de licenças médicas concedidas 
(Andrade; Araújo, 2018).
Além dos prejuízos para o trabalhador, o custo econômico gerado pelo 
absenteísmo devido a doenças posturais é considerável. Empresas gastam anualmente 
milhões de reais com tratamentos médicos, reabilitação e indenizações. A fisioterapia 
preventiva, ao atuar na correção postural e na adaptação ergonômica dos ambientes de 
trabalho, pode reduzir significativamente esses índices.
1.5 Fatores Biomecânicos e Contribuintes para as Alterações Posturais
As alterações posturais estão intrinsecamente relacionadas a fatores biomecânicos 
que afetam o corpo durante a jornada de trabalho. A sobrecarga excessiva de grupos 
musculares específicos, aliada à repetição de movimentos, leva a adaptações posturais 
inadequadas e ao desenvolvimento de padrões compensatórios que agravam o quadro 
clínico.
Além disso, a postura sustentada por longos períodos, seja sentada ou em pé, 
provoca desequilíbrios musculares que sobrecarregam músculos estabilizadores. De 
acordo com Andrade e Araújo (2018), posturas inadequadas por períodos prolongados 
levam ao encurtamento de músculos, como os flexores de quadril, e ao enfraquecimento 
de antagonistas, como os extensores, gerando dores lombares e outras disfunções.
A falta de adequação ergonômica nas estações de trabalho é uma das principais 
causas de doenças ocupacionais. Móveis inadequados, a altura incorreta de cadeiras e 
monitores, e a disposição incorreta de teclados e mouses são fatores que aumentam a 
sobrecarga nas estruturas osteomusculares (Ribeiro; Silva, 2020). A fisioterapia tem papel 
essencial na recomendação de ajustes ergonômicos e na implementação de estratégias 
para reduzir o impacto dessas condições.
65Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
Para mais, a repetição de movimentos, comum em linhas de produção e 
atividades administrativas, provoca microtraumas acumulados nos tecidos, levando à 
inflamação e desgaste progressivo das articulações. Segundo Souza e Costa (2019), a 
falta de pausas adequadas durante a execução de tarefas repetitivas aumenta o risco de 
desenvolvimento de tendinites, bursites e outras DME.
Outro fator é o sedentarismo, combinado com a ausência de exercícios 
regulares, que agrava os efeitos das posturas inadequadas, pois enfraquece o sistema 
musculoesquelético e reduz a flexibilidade. Trabalhadores que não praticam exercícios 
estão mais propensos a desenvolver quadros de dor crônica e perda de mobilidade 
articular (Andrade; Araújo, 2018). A fisioterapia preventiva inclui o incentivo à prática 
regular de atividades físicas, além de exercícios de alongamento e fortalecimento.
1.6 Abordagem Fisioterápica na Prevenção e Tratamento
Uma avaliação postural e funcional detalhada é a base para qualquer 
intervenção fisioterápica. O fisioterapeuta identifica desalinhamentos posturais, 
fraquezas musculares, encurtamentos e padrões de compensação através de avaliações 
visuais, palpações e testes específicos. Segundo Souza e Costa (2019), essa avaliação 
é fundamental para o planejamento de um programa terapêutico eficaz.
1.7 Intervenção Ergonômica no Local de Trabalho.
A intervenção ergonômica, além de prevenir lesões, contribui para a melhora 
do conforto no ambiente de trabalho. Ajustes de mobiliário, como altura das cadeiras 
e monitores, disposição de equipamentos e recomendações sobre pausas ativas, 
são componentes essenciais da fisioterapia ocupacional (Ribeiro; Silva, 2020). A 
personalização das estações de trabalho de acordo com as características físicas de cada 
trabalhador é um aspecto fundamental para prevenir doenças musculoesqueléticas.
Os exercícios terapêuticos visam fortalecer grupos musculares específicos, 
melhorar a mobilidade articular e aumentar a resistência física. A cinesioterapia é 
frequentemente utilizada para corrigir desequilíbrios musculares e promover a estabilidade 
articular. Técnicas como Pilates, alongamento ativo e exercícios de estabilização do core 
são amplamente recomendadas em programas de reabilitação de doenças ocupacionais. 
De acordo com Ribeiro e Silva (2020), o fortalecimento muscular e a melhora da 
flexibilidade são cruciais para manter a postura correta e prevenir lesões recorrentes no 
ambiente de trabalho.
66Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
As terapias manuais, como a liberação miofascial, são técnicas fundamentais 
na fisioterapia ocupacional, voltadas para o alívio de tensões musculares e a restauração 
da mobilidade. Segundo Souza e Costa (2019), essas técnicas são eficazes para reduzir 
a dor crônica e melhorar a circulação sanguínea em áreas com sobrecarga postural. A 
manipulação articular e a massoterapia também desempenham um papel importante na 
reabilitação de lesões musculoesqueléticas, especialmente em trabalhadores que mantêm 
posturas sustentadas ou realizam movimentos repetitivos.
A educação postural é uma das estratégias mais eficazes para prevenir o 
surgimento de doenças ocupacionais. Trabalhadores precisam ser orientados sobre a 
importância de adotar uma postura adequada durante suas atividades, além de realizar 
pausas frequentes para alongamento e correção postural. De acordo com Andrade e 
Araújo (2018), a conscientização dos trabalhadores sobre as consequências das posturas 
inadequadas é fundamental para a prevenção a longo prazo de disfunções posturais. 
Além disso, programas educativos que incentivam o autocuidado e a prática de exercícios 
regulares podem reduzir significativamente os índices de absenteísmo relacionados a 
problemas posturais.
Para mais, as doenças ocupacionais associadas a alterações posturais geram 
um impacto econômico significativo para empresas e sistemas de saúde. Os custos 
relacionados ao absenteísmo, presenteísmo (quando o trabalhador está no local de 
trabalho, mas não desempenha sua função de forma produtivadevido a dores ou 
desconforto) e tratamentos médicos aumentam progressivamente. Segundo Ribeiro e 
Silva (2020), os custos diretos e indiretos relacionados às doenças musculoesqueléticas 
no ambiente de trabalho representam uma das maiores despesas de saúde ocupacional.
O impacto social também é relevante, pois trabalhadores que desenvolvem 
doenças posturais enfrentam limitações físicas que podem comprometer sua qualidade de 
vida e capacidade de realizar atividades cotidianas. Investir em programas de prevenção, 
ergonomia e fisioterapia ocupacional não só melhora a saúde dos trabalhadores, como 
também promove um ambiente de trabalho mais produtivo e seguro.
As alterações posturais no ambiente de trabalho representam um desafio 
contínuo para a saúde ocupacional. A fisioterapia, através de uma abordagem preventiva 
e terapêutica, desempenha um papel crucial na redução dos índices de doenças 
relacionadas à postura. Intervenções como exercícios terapêuticos, correção postural, 
ajustes ergonômicos e educação contínua podem não apenas melhorar a qualidade de 
vida dos trabalhadores, como também reduzir significativamente os custos associados 
ao absenteísmo e ao presenteísmo. Portanto, a integração de práticas fisioterápicas 
nos programas de saúde ocupacional é essencial para a manutenção da saúde 
musculoesquelética e para a otimização das condições de trabalho (Andrade; Araújo, 
2018).
67
O teletrabalho é uma modalidade de trabalho que se consolidou no Brasil 
especialmente após a promulgação da Reforma Trabalhista em 2017, regulamentada 
pela Lei n° 13.467, e tornou-se ainda mais relevante durante e após a pandemia de 
COVID-19. Essa modalidade envolve a realização das atividades laborais fora das 
dependências físicas da empresa, utilizando a tecnologia da informação como principal 
meio de comunicação e execução de tarefas (Lei nº 13.467, 2017). A mudança no local 
de trabalho trouxe benefícios, como a flexibilidade de horários e a eliminação do tempo 
de deslocamento. Contudo, também trouxe desafios significativos, principalmente no 
que tange à saúde física e mental dos trabalhadores, com destaque para o aumento de 
queixas relacionadas a distúrbios osteomusculares e alterações posturais (Silva; Costa, 
2021).
O conceito de teletrabalho remonta às décadas de 1970 e 1980, quando a 
evolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC) começou a transformar a 
forma como as pessoas trabalhavam e se comunicavam. Jack Nilles, um pesquisador 
americano, é considerado o “pai do teletrabalho” por ter cunhado o termo “telecommuting” 
em 1973, ao liderar um projeto na Universidade do Sul da Califórnia que investigava a 
viabilidade do trabalho remoto como uma alternativa para reduzir o trânsito e o consumo 
de energia (Nilles, 1994).
Teletrabalho, Home 
Office, Pandemia2
TÓPICO
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
68
Nos Estados Unidos e na Europa, o teletrabalho ganhou força nos anos 1990, 
impulsionado pela popularização da internet e pelo desenvolvimento de softwares 
que possibilitaram a comunicação e o compartilhamento de arquivos a distância. 
Empresas como IBM e AT&T foram pioneiras na adoção dessa modalidade de trabalho, 
principalmente para aumentar a flexibilidade e a produtividade de seus funcionários (Bailey; 
Kurland, 2002). A partir de 2000, o teletrabalho se expandiu globalmente, com países como 
Japão e Reino Unido estabelecendo políticas públicas para incentivar o trabalho remoto, 
especialmente em setores como tecnologia, educação e serviços financeiros.
No Brasil, o teletrabalho começou a ganhar forma no final dos anos 1990 e 
início dos anos 2000, com a chegada de multinacionais que já adotavam essa prática em 
seus países de origem (Mendes; Silva, 2020). A regulamentação oficial só ocorreu em 
2017, com a Reforma Trabalhista, que inseriu o artigo 75-B na Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), definindo teletrabalho como a prestação de serviços preponderantemente 
fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação 
e comunicação. Durante a pandemia de COVID-19, o teletrabalho se tornou uma 
necessidade para muitas empresas, acelerando sua adoção em diversos setores e 
modificando de forma permanente o cenário laboral no país (Teixeira; Oliveira, 2022).
Além disso, o teletrabalho introduz mudanças significativas na postura do 
trabalhador, uma vez que o ambiente domiciliar, na maioria das vezes, não possui 
adaptações ergonômicas adequadas. A postura sentada prolongada, especialmente em 
cadeiras não ergonômicas, pode levar a um aumento da carga compressiva sobre a coluna 
lombar, resultando em alterações na curvatura fisiológica da coluna e promovendo a 
hipercifose torácica e hiperlordose lombar (Teixeira; Oliveira, 2022). Além disso, a utilização 
de notebooks ou tablets sem suportes adequados eleva o risco de desenvolvimento da 
chamada “síndrome do pescoço de texto”, uma condição caracterizada por sobrecarga 
dos músculos cervicais e cervicobraquialgia.
Do ponto de vista fisiológico, a posição de flexão de tronco e a manutenção dos 
membros superiores em elevação podem causar desequilíbrios musculares, gerando uma 
sobrecarga muscular e articular nas regiões lombar, cervical e dos membros superiores 
(Silva; Costa, 2021). A longo prazo, essas alterações posturais, se não corrigidas, podem 
evoluir para doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT), como a síndrome 
do túnel do carpo, epicondilite lateral e tendinite de ombro.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
69
O teletrabalho pode predispor os indivíduos a um aumento da incidência de 
doenças ocupacionais. Entre as principais patologias observadas está a lombalgia, 
que é amplamente reportada por trabalhadores que passam longos períodos sentados 
sem pausas adequadas (Costa; Lima, 2020). Outra condição comumente associada 
é a síndrome do desfiladeiro torácico, que se desenvolve pela compressão dos vasos 
sanguíneos e nervos ao longo do pescoço e membros superiores, causada pela má 
postura prolongada durante o uso de computadores e dispositivos móveis (Silva; Costa, 
2021).
Estudos apontam que a prevalência de lombalgia em trabalhadores em home 
office chega a ser 30% maior do que em trabalhadores que realizam suas atividades no 
ambiente corporativo tradicional. Adicionalmente, a incidência de cefaleias tensionais 
também aumenta em função da má postura cervical e do aumento do estresse visual 
associado ao uso prolongado de telas digitais (Teixeira; Oliveira, 2022).
2.1 Fatores de Risco e Abordagem Fisioterapêutica no Teletrabalho
Diversos fatores de risco estão associados ao teletrabalho, como mobiliário 
inadequado, ausência de pausas regulares, iluminação insuficiente e falta de atividade 
física regular (Silva; Costa, 2021). A abordagem fisioterapêutica no teletrabalho deve 
envolver a realização de uma análise ergonômica do posto de trabalho domiciliar, com 
a sugestão de adaptações no mobiliário, ajustes na altura da tela do computador e a 
introdução de suportes para notebook. Além disso, recomenda-se a implementação de 
programas de ginástica laboral e pausas programadas para a realização de alongamentos 
e exercícios de fortalecimento para evitar a rigidez articular e a atrofia muscular (Teixeira; 
Oliveira, 2022).
As vantagens do teletrabalho incluem a flexibilidade de horários, a possibilidade 
de conciliar melhor a vida pessoal e profissional e a eliminação do tempo de 
deslocamento, o que resulta em uma maior sensação de bem-estar e produtividade 
(Mendes; Silva, 2020). Entretanto, as desvantagens são significativas e incluem 
o aumento do sedentarismo, a dificuldade de separar o tempo de trabalho do tempo 
pessoal, a falta de interação social e o maior risco de desenvolvimento de doenças 
ocupacionais (Silva; Costa, 2021).
Estudos recentes indicam que o absenteísmo por doenças osteomusculares 
em trabalhadores que exercem suas funções em regime de teletrabalhoaumentou em 
aproximadamente 25% em comparação com o período anterior à pandemia (Teixeira; 
Oliveira, 2022). A falta de um ambiente adequado para o desenvolvimento das atividades 
laborais e o aumento do estresse mental têm sido fatores determinantes para o aumento 
das licenças médicas por lombalgias, cervicobraquialgias e síndromes miofasciais.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
70
O teletrabalho trouxe uma nova dinâmica para as relações de trabalho e para 
a saúde ocupacional dos trabalhadores. Apesar dos benefícios evidentes, como a 
flexibilidade de horários e a diminuição do tempo de deslocamento, ele apresenta riscos 
substanciais para a saúde física e mental dos colaboradores, especialmente no que 
tange às alterações posturais e ao aumento das doenças osteomusculares. A intervenção 
fisioterapêutica se mostra essencial para a promoção de um ambiente de teletrabalho 
mais saudável, com a adoção de estratégias ergonômicas e de programas de exercícios 
específicos para a prevenção e tratamento dessas condições.
2.2 Home Office na Fisioterapia: Desafios e Oportunidades
O conceito de home office, ou trabalho remoto, tem ganhado destaque, 
especialmente após a pandemia de COVID-19. Esse modelo de trabalho não apenas 
transformou o cenário corporativo, mas também trouxe novas perspectivas para a área da 
fisioterapia. O fisioterapeuta enfrenta desafios específicos ao adaptar suas práticas para 
o ambiente domiciliar, tanto em termos de atendimentos clínicos quanto em orientações 
preventivas e reabilitadoras. Neste contexto, exploraremos as nuances do home office 
na fisioterapia, suas implicações na saúde do trabalhador e o papel fundamental do 
fisioterapeuta na promoção do bem-estar.
Historicamente, o trabalho remoto surgiu em resposta à necessidade de 
flexibilidade e à evolução tecnológica. Nos anos 1970, conceitos como “teletrabalho” 
começaram a ser discutidos, mas foi somente com o advento da internet que o home 
office se popularizou. Durante a pandemia de COVID-19, muitas profissões, incluindo a 
fisioterapia, foram forçadas a se adaptar rapidamente a esse novo formato. Profissionais 
que antes realizavam atendimentos exclusivamente presenciais tiveram que explorar o 
uso de ferramentas digitais e práticas de teleconsulta para atender seus pacientes.
• Acesso Aumentado a Pacientes: o home office possibilita que fisioterapeutas 
alcancem pacientes em regiões remotas, que antes não tinham acesso a 
serviços especializados. Essa ampliação da cobertura geográfica é uma grande 
vantagem, permitindo que mais pessoas recebam cuidados.
• Flexibilidade de Horários: a possibilidade de atender em horários variados 
facilita a adequação das agendas, tanto para o profissional quanto para o 
paciente. Isso pode resultar em maior adesão ao tratamento e em um melhor 
acompanhamento.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
71
• Promoção de Autonomia do Paciente: as consultas online podem 
empoderar os pacientes, proporcionando-lhes maior autonomia na gestão de 
sua saúde. Eles podem aprender a realizar exercícios e tratamentos em casa, 
sob a orientação do fisioterapeuta.
• Redução de Custos: o home office pode gerar uma redução nos custos 
operacionais, tanto para o fisioterapeuta quanto para o paciente, eliminando 
despesas com deslocamentos e aluguel de espaços físicos.
Nesse sentido, existem limitações no Atendimento Presencial: Algumas 
intervenções fisioterapêuticas necessitam de uma abordagem prática e presencial, o que 
pode ser um desafio em um formato remoto. A falta de equipamentos e a dificuldade de 
supervisão durante a realização dos exercícios em casa podem comprometer a eficácia do 
tratamento.
Dificuldades Tecnológicas: a implementação de teleconsultas pode encontrar 
barreiras tecnológicas, como a falta de acesso a dispositivos adequados ou a falta de 
familiaridade dos pacientes com ferramentas digitais.
Avaliação Física Limitada: a avaliação física, que é uma parte crucial do tratamento 
fisioterapêutico, pode ser prejudicada em um ambiente remoto, dificultando o diagnóstico 
e a formulação de um plano de tratamento adequado.
 Manutenção da Conexão Terapêutica: a relação terapêutica, essencial para a 
eficácia do tratamento, pode ser afetada pela falta de contato físico e pela dificuldade em 
criar uma conexão emocional durante uma consulta virtual.
No que diz respeito à mobilidade e mobília, a configuração do espaço de trabalho 
em casa é crucial para prevenir problemas posturais e promover a saúde do trabalhador. 
Muitas vezes, a mobília utilizada no home office não é adequada, o que pode levar 
a desconfortos e dores musculoesqueléticas. Entre os principais aspectos a serem 
considerados estão: 
• Cadeira Inadequada: o uso de cadeiras não ergonômicas é uma das principais 
causas de problemas posturais. Cadeiras que não oferecem suporte lombar 
adequado, são muito altas ou muito baixas, podem causar dores nas costas, 
no pescoço e nos ombros. O fisioterapeuta pode orientar os pacientes sobre 
as características de uma boa cadeira ergonômica, que deve ser ajustável em 
altura, possuir apoio lombar e permitir que os pés fiquem totalmente apoiados 
no chão.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
72
• Mesa Adaptada: a mesa deve ter uma altura que permita que os braços 
fiquem em um ângulo de 90 graus enquanto se digita ou se utiliza o mouse. 
Além disso, mesas que permitem a troca entre sentar e ficar em pé durante o 
trabalho são altamente recomendadas. O fisioterapeuta pode sugerir soluções 
criativas para quem não possui uma mesa adequada, como utilizar livros ou 
suportes para elevar o computador a uma altura confortável.
• Organização do Espaço de Trabalho: a disposição dos equipamentos, como 
monitores e teclados, deve ser feita de forma que minimize o esforço físico. O 
monitor deve estar ao nível dos olhos, a uma distância de cerca de um braço, e 
o teclado deve estar posicionado de maneira que os pulsos permaneçam retos 
durante o uso.
• Pausas e Exercícios: é importante que os trabalhadores façam pausas 
regulares para se alongar e movimentar. A falta de movimentação pode 
aumentar a rigidez muscular e a fadiga. O fisioterapeuta pode desenvolver um 
cronograma de pausas e sugerir exercícios simples que podem ser realizados 
em casa, promovendo a saúde e o bem-estar.
2.3 Organização do Tempo e Separação de Espaços
A gestão eficaz do tempo e a separação de ambientes são fundamentais 
para garantir a produtividade e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Algumas 
estratégias incluem:
• Definição de horários: estabelecer horários claros para o trabalho ajuda a 
criar uma rotina que pode ser seguida, minimizando a sobrecarga e o estresse. 
Os fisioterapeutas devem orientar seus pacientes a respeitar esses horários, 
assim como fariam em um ambiente de trabalho tradicional.
• Separação Física do Espaço de Trabalho: criar um espaço de trabalho 
dedicado dentro de casa ajuda a estabelecer uma fronteira entre a vida 
profissional e pessoal. Isso é essencial para manter a concentração e evitar 
distrações. O ideal é que esse espaço seja reservado apenas para atividades 
relacionadas ao trabalho.
• Comunicação com a Família: é importante que os membros da família 
sejam informados sobre os horários de trabalho para minimizar interrupções. 
A comunicação clara ajuda a criar um ambiente favorável à concentração e à 
produtividade.
• Técnicas de Gerenciamento de Tempo: métodos como a Técnica Pomodoro, 
que envolve trabalhar por períodos curtos seguidos de breves pausas, podem 
aumentar a eficiência e manter a motivação. Os fisioterapeutas podem incentivar 
seus pacientes a adotar essas técnicas para equilibrar trabalho e descanso.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
73
2.4 Impactos na Saúde do Trabalhador
A transição para o home office pode ter um impacto significativo na saúde 
dos trabalhadores, especialmente em relação a problemas posturaise dores 
musculoesqueléticas. O fisioterapeuta desempenha um papel crucial na identificação 
e prevenção desses problemas. Entre os principais fatores que podem contribuir para 
disfunções musculoesqueléticas no home office, destacam-se:
• Posturas inadequadas: muitos trabalhadores não têm uma estação de 
trabalho ergonomicamente correta em casa, o que pode levar a dores nas 
costas, pescoço e ombros.
• Sedentarismo: o trabalho remoto pode levar a uma diminuição da atividade 
física, aumentando o risco de doenças crônicas, como obesidade e diabetes 
tipo 2.
• Estresse e Ansiedade: a falta de separação entre o ambiente de trabalho e 
a vida pessoal pode aumentar os níveis de estresse e ansiedade, afetando a 
saúde mental.
A fisioterapia é uma importante aliada para os trabalhadores do home office, 
isso porque, diante dos desafios, a atuação do fisioterapeuta se torna ainda mais 
importante. Algumas estratégias que podem ser implementadas, como as orientações 
ergonômicas; programas de exercícios; acompanhamento remoto e Educação e 
Conscientização, são exemplos. 
Sendo assim, home office na fisioterapia apresenta tanto desafios quanto 
oportunidades. A adaptação a esse novo modelo de trabalho exige que os fisioterapeutas 
desenvolvam habilidades específicas e adotem tecnologias que possibilitem um 
atendimento eficaz.
Por outro lado, o papel do fisioterapeuta é essencial na promoção da saúde e do 
bem-estar dos trabalhadores, contribuindo para a prevenção de doenças e a melhoria 
da qualidade de vida. Ao integrar abordagens ergonômicas, programas de exercícios e 
monitoramento remoto, os fisioterapeutas podem ajudar a mitigar os efeitos adversos do 
home office e garantir que seus pacientes continuem a receber cuidados de qualidade, 
independentemente do local em que se encontram.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
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2.5. Apontamentos sobre a Pandemia de COVID-19 e a Fisioterapia
A pandemia de COVID-19, declarada em março de 2020 pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS), causou uma crise de saúde pública significativa, resultando 
em milhões de infecções e mortes (Brasil, 2020). Segundo um estudo, as implicações da 
pandemia foram sentidas em diversas esferas da vida social e econômica (Leite et al., 
2021).
As condições de trabalho durante a pandemia resultaram em um aumento 
de doenças ocupacionais, como a Síndrome de Burnout, afetando especialmente os 
profissionais de saúde. Estudos indicam que quase 50% dos profissionais de saúde 
apresentaram sinais de Burnout durante a pandemia (Gomes et al., 2020). Além disso, a 
exposição ao vírus em ambientes de trabalho exigiu a implementação de protocolos de 
segurança rigorosos.
A transição para o teletrabalho trouxe novos desafios, aumentando a incidência 
de problemas musculoesqueléticos devido a posturas inadequadas. Estudos mostraram 
que 60% dos trabalhadores em home office relataram dores nas costas e tensão muscular. 
Essa nova realidade destacou a necessidade de intervenções preventivas. 
Ao pensar em fisioterapia, observamos que ela auxiliou: 
• Reabilitação Pós-COVID: a fisioterapia tem sido essencial na reabilitação 
de pacientes que sofreram complicações respiratórias, utilizando técnicas de 
reabilitação respiratória. Como afirmado por Moro et al. (2020), a reabilitação 
respiratória é crucial para a recuperação funcional dos pacientes pós-COVID.
• Prevenção: a atuação dos fisioterapeutas na promoção da ergonomia e 
correção postural se tornou ainda mais necessária. O papel da fisioterapia na 
ergonomia é fundamental para prevenir lesões e melhorar a qualidade de vida 
dos trabalhadores (Silva et al., 2021).
Para mais, a implementação de programas de exercícios adaptados para manter 
a saúde física e mental durante o isolamento social foi essencial. A atividade física 
regular é uma ferramenta eficaz para a promoção da saúde mental em tempos de crise.
A pandemia também trouxe um aumento nos problemas de saúde mental, 
como ansiedade e depressão, que podem ser abordados por meio de intervenções 
fisioterapêuticas. Ribeiro et al. (2020) destacam que técnicas de relaxamento e exercícios 
respiratórios são benéficos para o bem-estar emocional dos pacientes.
Os fisioterapeutas desempenharam um papel importante na educação sobre a 
atividade física e a importância da postura adequada, especialmente em ambientes de 
home office. Nascimento et al. (2021) afirmam que oferecer orientações e workshops 
virtuais se tornou uma estratégia vital para promover a saúde no trabalho.
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2.6. Desafios e Oportunidades
A adaptação à telefisioterapia e a escassez de recursos apresentaram desafios, 
mas também abriram espaço para a inovação na prática clínica. A pandemia acelerou a 
adoção de tecnologias e novas formas de atendimento na fisioterapia.
O futuro da fisioterapia requer uma abordagem integrada, focando na prevenção 
de doenças e na promoção da saúde. Leite et al. (2021) destacam que é essencial integrar 
saúde física e mental nas práticas fisioterapêuticas para garantir uma recuperação eficaz.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
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A ginástica laboral é uma prática preventiva e terapêutica que visa a promoção 
da saúde no ambiente de trabalho. Ela consiste em uma série de exercícios físicos de 
curta duração, realizados durante o expediente, com o objetivo de melhorar o bem-estar 
dos trabalhadores, prevenir doenças ocupacionais e otimizar a produtividade. No campo 
da fisioterapia, a ginástica laboral tem grande importância, pois sua aplicação está 
diretamente ligada à prevenção de lesões e ao tratamento de disfunções decorrentes de 
atividades repetitivas ou posturas inadequadas.
O conceito de ginástica laboral teve origem no início do século XX, com 
iniciativas pioneiras em países como Japão e Suécia, focadas em trabalhadores de 
indústrias que realizavam atividades repetitivas e extenuantes. No Brasil, a prática se 
consolidou a partir da década de 1980, com o crescente interesse pela ergonomia e pela 
promoção da saúde no ambiente de trabalho (Fernandes; Santos, 2019).
3.1 Tipos de Ginástica Laboral
A ginástica laboral pode ser classificada em três principais modalidades:
1. Ginástica Laboral Preparatória: realizada no início da jornada de trabalho, 
essa modalidade envolve exercícios de aquecimento e alongamento para 
preparar o corpo para as atividades do dia. O objetivo é aumentar a circulação 
sanguínea e melhorar a disposição dos trabalhadores.
Ginástica Laboral e 
Exercício Físico3
TÓPICO
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
77
2. Ginástica Laboral Compensatória: executada durante a jornada, a ginástica 
compensatória visa neutralizar os efeitos negativos de posturas inadequadas 
ou movimentos repetitivos. São exercícios focados em alongamentos e 
relaxamento das regiões corporais mais exigidas no trabalho, como braços, 
coluna e ombros.
3. Ginástica Laboral de Relaxamento: realizada no final do expediente, essa 
modalidade busca aliviar a tensão acumulada ao longo do dia, promovendo 
relaxamento muscular e uma sensação de bem-estar por meio de exercícios de 
alongamento e respiração.
Em relação à fisioterapia e à ginástica laboral, observa-se que a fisioterapia tem 
um papel fundamental na implementação e orientação de programas de ginástica laboral. 
O fisioterapeuta é o profissional responsável por avaliar as condições ergonômicas 
do ambiente de trabalho e desenvolver um programa de exercícios adequado para as 
necessidades dos trabalhadores. Além disso, cabe ao fisioterapeuta identificar e prevenir 
possíveis disfunções musculoesqueléticas, como Lesões por Esforço Repetitivo (LER) 
e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), que são problemas 
comuns em ambientes de trabalho sedentários ou com movimentos repetitivos.
Diversos benefícios são atribuídos à prática regular da ginástica laboral, tanto 
para os trabalhadores quanto paraas empresas. Dentre eles, destacam-se:
1. Prevenção de Doenças Ocupacionais: a ginástica laboral é eficaz na 
prevenção de LER e DORT, condições associadas a movimentos repetitivos e 
posturas incorretas.
2. Melhora da Circulação Sanguínea: movimentar-se ao longo do dia melhora 
a circulação, ajudando a oxigenar melhor os músculos e diminuindo a sensação 
de cansaço e fadiga.
3. Redução do Estresse: exercícios de relaxamento e técnicas respiratórias 
aplicadas na ginástica laboral contribuem significativamente para a redução do 
estresse e da ansiedade.
4. Aumento da Produtividade: trabalhadores que participam de programas 
regulares de ginástica laboral relatam menos desconforto físico e mais 
motivação, o que se reflete em um aumento de produtividade e menor índice de 
absenteísmo.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
78
Estudos indicam que a ginástica laboral é eficaz na prevenção de doenças 
musculoesqueléticas e na melhoria da saúde mental dos trabalhadores. A prática regular 
de ginástica laboral pode reduzir a incidência de doenças ocupacionais em até 30%. Outro 
estudo indicou que empresas que implementam programas de exercícios no ambiente 
de trabalho experimentam uma redução significativa nos afastamentos por problemas de 
saúde relacionados ao trabalho.
3.2 Implementação da Ginástica Laboral nas Empresas
A implementação de programas de ginástica laboral nas empresas deve ser 
realizada com o auxílio de fisioterapeutas e especialistas em ergonomia. Uma avaliação 
ergonômica inicial é essencial para identificar as principais demandas físicas dos 
trabalhadores e criar um programa adequado de exercícios. A participação da gerência 
também é fundamental para incentivar a adesão dos colaboradores ao programa e garantir 
que a prática se torne parte da cultura organizacional.
A ginástica laboral, quando bem estruturada e orientada por fisioterapeutas, 
promove um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. Seus benefícios vão além 
da prevenção de lesões e doenças ocupacionais, abrangendo também a melhoria do bem-
estar geral dos trabalhadores, redução do estresse e aumento da produtividade. Empresas 
que investem na saúde ocupacional, por meio da ginástica laboral, colhem os frutos de 
uma força de trabalho mais saudável e engajada.
A ginástica laboral e o exercício físico compartilham diversos objetivos e 
benefícios em comum, sendo práticas que visam a promoção da saúde e a melhoria 
da qualidade de vida. No entanto, apesar de suas semelhanças, existem algumas 
distinções importantes entre essas duas atividades em termos de contexto, intensidade 
e finalidade.
Similaridades: 
1. Promoção da Saúde e Bem-Estar: tanto a ginástica laboral quanto o 
exercício físico são estratégias importantes para a promoção da saúde física e 
mental. Ambos buscam prevenir doenças crônicas e melhorar a qualidade de 
vida ao incentivar a prática regular de atividades que beneficiam o corpo e a 
mente.
2. Prevenção de Doenças Musculoesqueléticas: assim como os exercícios 
físicos, a ginástica laboral atua na prevenção de lesões musculoesqueléticas, 
como as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho (DORT). Os exercícios, em ambas as modalidades, 
ajudam a fortalecer músculos, melhorar a mobilidade articular e corrigir posturas 
inadequadas.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
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3. Melhora da Circulação e da Flexibilidade: a prática de movimentos 
regulares durante a ginástica laboral ou uma sessão de exercícios físicos 
ajuda a melhorar a circulação sanguínea, evitando a estagnação do sangue, 
especialmente em trabalhadores que ficam longos períodos sentados. Além 
disso, tanto o exercício físico quanto a ginástica laboral promovem alongamento 
e flexibilidade, fatores essenciais para a manutenção de uma postura saudável 
e prevenção de dores corporais.
4. Benefícios Psicológicos: assim como os exercícios físicos, a ginástica 
laboral também pode reduzir o estresse, melhorar o humor e aumentar a 
sensação de bem-estar. Exercícios que envolvem respiração profunda, 
alongamento e relaxamento são amplamente utilizados em ambas as práticas, 
contribuindo para a saúde mental e redução da ansiedade.
Diferenças
Apesar dessas semelhanças, ginástica laboral e exercício físico diferem em 
aspectos importantes:
1. Contexto e Duração: a principal diferença entre a ginástica laboral e o 
exercício físico está no contexto em que são praticados. A ginástica laboral 
é realizada no ambiente de trabalho, durante breves intervalos ao longo do 
expediente, e dura de 5 a 15 minutos. Já o exercício físico, no geral, é realizado 
em academias, parques ou em casa, em sessões que podem durar de 30 
minutos a 1 hora, ou mais, e costumam ocorrer fora do horário de trabalho.
2. Intensidade e Objetivos Específicos: a ginástica laboral geralmente envolve 
exercícios de baixa intensidade, com foco em alongamento, relaxamento e 
ativação muscular leve, voltada principalmente para prevenir ou compensar 
os efeitos de posturas inadequadas e movimentos repetitivos no ambiente 
de trabalho. Já o exercício físico, dependendo da modalidade, pode variar de 
leve à alta intensidade, visando ao fortalecimento muscular, perda de peso, 
condicionamento cardiovascular, entre outros objetivos.
3. Finalidade: enquanto a ginástica laboral tem uma abordagem preventiva 
e corretiva, visando melhorar a saúde ocupacional e reduzir os riscos de 
doenças relacionadas ao trabalho, o exercício físico tem uma finalidade mais 
ampla, abrangendo o condicionamento físico global, o aumento da resistência 
cardiovascular, o fortalecimento muscular, a queima de calorias e a promoção 
do desempenho esportivo.
4. População Alvo: a ginástica laboral é planejada especificamente para 
atender às necessidades dos trabalhadores, levando em consideração as 
atividades e posturas desempenhadas durante o expediente. Por outro lado, 
o exercício físico é recomendado para toda a população, abrangendo desde 
crianças até idosos, com planos de treino ajustados a diferentes níveis de 
aptidão física.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
80
Embora a ginástica laboral e o exercício físico apresentem diferenças em 
termos de contexto e objetivos específicos, ambas as práticas são complementares. A 
ginástica laboral pode servir como um meio de manter a saúde do trabalhador ao longo 
do dia, prevenindo problemas como dores nas costas, tensões musculares e fadiga. 
Entretanto, para obter uma melhoria significativa na condição física e nos níveis de 
saúde geral, é essencial que os trabalhadores também adotem a prática de exercícios 
físicos regulares fora do ambiente de trabalho, como musculação, caminhadas, 
corridas, natação ou atividades esportivas.
Estudos mostram que trabalhadores que combinam ginástica laboral com 
exercícios físicos regulares apresentam menores índices de doenças ocupacionais e 
melhor desempenho físico e mental. Por exemplo, Monteiro e Garcia (2021) destacam que 
a prática combinada de exercícios físicos e ginástica laboral pode reduzir em até 50% o 
risco de lesões ocupacionais.
A ginástica laboral e o exercício físico, embora possuam finalidades e 
características específicas, estão interligados no que diz respeito à promoção da saúde 
e prevenção de doenças. A ginástica laboral é uma ferramenta eficaz no ambiente de 
trabalho para reduzir a sobrecarga postural e o risco de lesões, enquanto o exercício físico 
proporciona benefícios mais amplos e duradouros para a saúde global. Portanto, ambos 
devem ser incentivados de maneira integrada, promovendo uma vida mais saudável e 
equilibrada.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
81
Alterações Posturais na Era Digital
O uso constante de dispositivos digitais, seja no trabalho ou lazer, tem gerado problemas posturais. O 
“pescoço de texto” (ou text neck) é uma condição resultante da postura encurvada com a cabeça projetada 
para frente ao olhar paraSaúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
9
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a),
Iniciando toda a nossa jornada de estudos na unidade I, abordaremos as 
conceituações, definições de saúde do trabalhador e dentro desta temática iremos expor 
a ergonomia, com isto, destacaremos a importância do desses estudos não só para 
profissionais da área da saúde, e sim, para todos os indivíduos. Assim, poderá utilizar tais 
conhecimentos na sua vida profissional conjuntamente com a sua vida pessoal.
Neste diapasão, a questão principal será a prevenção, bem como os tipos de 
patologias e disfunções musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho e a importância 
da ergonomia de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho 
eficiente no ambiente de trabalho. Indo além, demonstraremos à saúde do trabalhador 
algumas íntimas relações que poderão acometer o período laboral.
A ergonomia é a disciplina científica preocupada com a compreensão das 
interações entre humanos e outros elementos de um sistema e, aqui, abordaremos os 
tipos de ergonomia que incluem aspectos físicos, cognitivos e organizacionais. Além 
disso, discutiremos as lesões por esforços repetitivos (LER) ou distúrbios osteomusculares 
relacionados ao trabalho (DORT), que são um conjunto de doenças que afetam músculos, 
tendões, nervos e que têm relação direta com as exigências das tarefas e com a 
organização do trabalho.
Na parte final da Unidade I, iremos ilustrar e desmistificar questões essenciais 
de abordagem imediata em caso de uma emergência “primeiros socorros”, passando um 
passo a passo de atuação nesses casos.
Bons estudos!
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
10
Caríssimo aluno e aluna, para compreendermos melhor o que são as doenças 
relacionadas ao trabalho, ocupacionais e ergonomia, é de suma importância mencionar 
que a Associação International Ergonomics Association (IEA), esta adotou em 2000 
uma nova definição do que seria ergonomia, a qual é atualmente sendo a referência 
internacional. Contudo, precisamos considerar as definições propostas anteriormente 
para entender como a visão da ergonomia evoluiu entre os próprios especialistas na área. 
Na década de 1970, a Société d’ergonomie de langue française (SELF) criou a definição 
de que a ergonomia nada mais é do que a adaptação do trabalho ao homem. Mais 
precisamente, a aplicação de conhecimentos científicos necessários sobre o ser humano 
para projetar ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser usados com o máximo 
de conforto, segurança e eficácia.
Esta terminologia tem como definição “adaptação do trabalho ao homem”, 
fórmula clássica em ergonomia. A terminologia inspira-se no título da obra de 
Faverge, Leplat e Guiguet, L’Adaptation de la machine a l’homme (1958). O adereço 
tem um caminho antagônico da obra de Bonnardel, publicada em 1947, L’Adaptation 
de l’homme à son métier, e de maneira mais universal as opções dos defensores da 
seleção profissional. A ergonomia é apresentada nessa definição como prática de 
transformação (adaptação/concepção) das situações e dos dispositivos. A ergonomia 
tem finalidade prática. A definição da SELF específica é que essas transformações são 
operadas com base em “conhecimentos científicos relativos ao homem”. Uma referência 
aos conhecimentos necessários para a ação ergonômica aparece também na primeira 
definição proposta pela IEA. 
História Natural 
das Doenças1
TÓPICO
1
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
11
Não tem como falar de Doenças do Trabalho/Ocupacional/Laboral e não nos 
referirmos à ergonomia, com isto a definição de Ergonomia é o estudo científico da relação 
entre o homem e seus meios, métodos e ambientes de trabalho. Seu objetivo é elaborar, 
com a coparticipação de diversas disciplinas científicas que irão compor, um conjunto de 
conhecimentos que, numa perspectiva de aplicação, deve ter como finalidade uma melhor 
adaptação ao homem dos meios tecnológicos de produção e dos ambientes de trabalho e 
de vida. 
Neste diapasão, a definição inicial foca tanto na própria disciplina quanto nos 
profissionais que a exercem, o que é algo novo. Ela descreve o que os ergonomistas 
fazem a definição da IEA distinguir entre ergonomia física, cognitiva e organizacional. 
Embora as categorias apresentem uma especificidade, são propostas que possam ser 
debatidas e não sejam rígidas.
Diversos autores, especialmente Leplat e Montmollin, definiram a ergonomia como 
uma tecnologia. No entanto, a perspectiva apresentada aqui é que ela é uma disciplina 
da engenharia. Como qualquer outra disciplina dessa área, a qual depende de outras 
disciplinas “de base” (principalmente no caso da ergonomia: a fisiologia e a psicologia, 
mas também as ciências da engenharia, a sociologia, etc.); apesar disso, ela também deve 
desenvolver um conhecimento próprio. Definição adotada pela International Ergonomics 
Association em 2000:
A ergonomia (ou Human Factors) é a disciplina científica que visa a 
compreensão fundamental das interações entre os seres humanos e os outros 
componentes de um sistema, e a profissão que aplica princípios teóricos, 
dados e métodos com o objetivo de otimizar o bem-estar das pessoas e o 
desempenho global dos sistemas. (International Ergonomics Association, 
2000).
Derivada do grego ergon (trabalho) e nomos (regras), para designar a ciência do 
trabalho, a ergonomia é uma disciplina orientada para o sistema, que hoje se aplica a 
todos os aspectos da atividade humana. 
A ergonomia física lida com as características anatômicas, antropométricas, 
fisiológicas e biomecânicas do ser humano em sua relação com a atividade física. Os 
temas mais relevantes incluem posturas de trabalho, manipulação de objetos, movimentos 
repetitivos, problemas osteomusculares, arranjo físico do posto de trabalho, segurança e 
saúde.
A ergonomia cognitiva se ocupa dos processos mentais, como percepção, 
memória, raciocínio e respostas motoras, relacionados às interações entre pessoas e 
outros componentes de um sistema. 
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
12
Os temas centrais incluem carga mental, processos de decisão, desempenho 
especializado, interação homem-máquina, confiabilidade humana, estresse profissional e 
formação, no contexto da concepção pessoa-sistema.
A ergonomia organizacional se dedica à otimização dos sistemas 
sociotécnicos, incluindo sua estrutura organizacional, regras e processos. Os temas mais 
relevantes abrangem comunicação, gestão de coletivos, concepção do trabalho, horários 
de trabalho, trabalho em equipe, concepção participativa, ergonomia comunitária, trabalho 
cooperativo, novas formas de trabalho, cultura organizacional, organizações virtuais, 
teletrabalho e gestão pela qualidade.
Durante muito tempo, houve uma preocupação dual em melhorar a eficiência 
do trabalho humano enquanto se buscava diminuir o sofrimento e prevenir os riscos à 
saúde dos trabalhadores. Antes do surgimento oficial da ergonomia após a Segunda 
Guerra Mundial, aqueles que se preocuparam em adaptar os meios de trabalho ao 
homem incluíam os próprios usuários, frequentemente de maneira empírica. Isso era 
especialmente evidente quando os usuários fabricavam suas próprias ferramentas de 
trabalho ou mantinham uma proximidade significativa com os fabricantes. Por exemplo, 
a variedade de martelos e ferramentas de corte ilustra essa adaptação às necessidades 
do objeto trabalhado, aos resultados desejados e às características individuais dos 
manipuladores.
É importante notar que o papel dos colaboradores persiste até hoje: os meios 
de trabalho, sejam ferramentas, sistemas de comando de máquinas, organização do 
espaço ou do próprio trabalho, concebidos por outros, frequentemente são modificados 
e ajustados pelos operadores quando possível. Isso ocorre para atender às suas 
característicastelas. Isso aumenta a pressão sobre a coluna cervical, podendo causar dores, 
tensão nos ombros e até hérnias de disco.
A “postura cibernética” surge com o tempo sentado em frente ao computador, causando cifose, ombros 
arredondados e enfraquecimento da musculatura lombar. Esse comportamento pode resultar em dores 
lombares, desalinhamento postural e dificuldade respiratória devido à posição encurvada.
Fonte: o autor (2025).
SAIBA MAIS
As Doenças Ocupacionais no Home Office e o Papel da Fisioterapia
A pandemia e a crescente digitalização do trabalho transformaram o home office em uma nova realidade 
para milhões de pessoas ao redor do mundo. O que inicialmente parecia uma solução prática e conveniente 
trouxe, com o tempo, novos desafios à saúde, especialmente no que se refere às doenças ocupacionais. O 
ambiente de trabalho em casa, muitas vezes sem infraestrutura adequada, tem contribuído para o aumento 
de lesões e disfunções musculoesqueléticas. Isso nos leva a refletir: como a fisioterapia pode atuar para 
prevenir e tratar as doenças decorrentes do home office?
Fonte: o autor (2025). 
REFLITA
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
82
Nesta Unidade III, trouxemos temas independentes, detalhando cada um deles 
de maneira aprofundada. Abordamos questões relacionadas à postura, aos trabalhos 
domiciliares, como o Home Office e o teletrabalho, discutindo as vantagens e desvantagens 
de cada um dentro desse contexto. Avançamos também para a Ginástica Laboral, uma 
importante técnica de atividade física implementada no ambiente de trabalho, que auxilia 
na prevenção e diminuição das doenças ocupacionais.
Observamos a relevância desses temas, que hoje permeiam a Medicina do 
Trabalho. São questões sensíveis que podem desestruturar a empresa, elevando os 
índices de absenteísmo e gerando ineficiência nas atividades. No entanto, por meio de 
intervenções fisioterapêuticas adequadas, é possível melhorar a saúde do colaborador e, 
consequentemente, a produtividade organizacional.
Diante de todo o exposto, esperamos que você tenha acompanhado os conteúdos 
da Unidade. Gostaríamos de avançar, mas com uma ressalva: precisamos do seu apoio, 
caros alunos e alunas. Dedique-se aos estudos, aproveite o material e os temas discutidos 
para sanar suas dúvidas e enriquecer seus conhecimentos técnicos sobre as Doenças do 
Trabalho.
Nos vemos na próxima Unidade! Até breve!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
83
LEITURA COMPLEMENTAR
ARTIGO 1: Covid-19 e Dores na Coluna Foram Principais Motivos de 
Afastamento do Trabalho em 2021
Esta reportagem traz informações preciosas em relação a dores na coluna e 
Covid-19 foram os principais motivos que afastaram pessoas dos seus postos de trabalho 
em 2021. Destaca-se, nela, a importância da ginástica laboral para o trabalhador e como 
ele se sente melhor ao realizar os exercícios, não só fisicamente como mentalmente. 
Fonte: COVID-19 e dores na coluna foram principais motivos de afastamento 
do trabalho em 2021. Rev. Diário do Nordeste, 23 dez.2021. Disponível em: https://
diariodonordeste.verdesmares.com.br/educalab/covid-19-e-dores-na-coluna-foram-
principais-motivos-de-afastamento-do-trabalho-em-2021-1.3173834. Acesso em: 23 
dez.2021.
ARTIGO 2: Ginástica Laboral Transforma Rotina de
Colaboradores no Verso
Nesta outra, destacam a capacidade que os exercícios têm para promover o bem-
estar dos funcionários da unidade do Governo de Goiás em Santa Helena, impactando 
positivamente a assistência aos pacientes.
Fonte: ALVES, M. Ginástica laboral transforma a rotina de colaboradores 
no Herso. Secretaria De Estado Da Saúde De Goiás, Goiás, 29 de outubro de 2020. 
Disponível em: https://www.saude.go.gov.br/noticias/14009-ginastica-laboral-transforma-
rotina-de-colaboradores-no-herso. Acesso em: 20 nov. 2021.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
84
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME
• Título: Contágio.
• Ano: 2011.
• Sinopse: O filme retrata uma epidemia por um vírus letal que 
se espalhou rapidamente por toda a população. Em meio ao 
cenário de caos, políticos e a comunidade científica se articulam 
para definir estratégias de controle da doença, enquanto a 
sociedade luta para sobreviver ao momento de pânico. Contágio 
é um dos filmes mais comentados durante a quarentena, de 
acordo com matéria divulgada pela Folha de São Paulo em Abril 
(2020). Apesar de o vírus do filme ser muito mais letal, chega a 
ser impressionante a semelhança em diversos pontos com a 
pandemia do novo coronavírus.
LIVRO
• Título: Manual de Postura - Avaliação e Prescrição de Exercícios 
Preventivos, Corretivos e Compensatórios.
• Autor: Josenei Braga Dos Santos.
• Editora: Ícone.
• Sinopse: O autor apresenta uma proposta inovadora dentro da 
área de Postura, utilizando o método Portland State University 
(PSU) e a Biofotogrametria (foto), como estratégia de avaliação 
postural, na identificação da simetria e das alterações posturais 
em pessoas comuns, atletas e policiais de operações especiais. 
Trata-se de uma experiência de 20 anos nesta área, tendo 
como processo de análise, uma abordagem biopsicossocial – 
bio (físico), psico (emocional) e social (contexto) –, que busca 
respeitar os princípios da individualidade biológica, focando na 
promoção de saúde e rendimento esportivo, bem como, apresenta 
uma metodologia de prescrição de exercícios por grupamentos 
musculares direcionada para correção postural e melhora da 
consciência corporal.
Impactos das Doenças Ocupacionais na SaúdeUNIDADE 3
85
REFERÊNCIAS
ANDRADE, S. C.; ARAÚJO, M. E. Ergonomia aplicada: A prevenção de doenças ocupa-
cionais. São Paulo: Editora Técnica, 2018.
BAILEY, D. E.; KURLAND, N. B. A review of telework research: Findings, new directions, 
and lessons for the study of modern work. Journal of Organizational Behavior, v. 23, n. 
4, p. 383–400, 2002.
BRASIL. Ministério da Saúde. COVID-19: O que sabemos até agora. Brasília: Ministério 
da Saúde, 2020.
COSTA, L. R.; LIMA, S. M. Análise das condições ergonômicas no teletrabalho: Uma 
revisão integrativa. Fisioterapia em Movimento, v. 35, n. 2, p. 301–311, 2020.
FERNANDES, E. F.; SANTOS, M. S. Efeitos da Ginástica Laboral na Prevenção de 
Doenças Osteomusculares: Uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Ergonomia 
Aplicada, v. 15, n. 3, p. 45–58, 2019.
GOMES, M. et al. Síndrome de Burnout entre profissionais de saúde durante a pandemia 
de COVID-19. Revista de Saúde Pública, v. 54, p. 20, 2020.
LEI n° 13.467, de 13 de julho de 2017. Reforma Trabalhista: Regras sobre Teletrabalho. 
Brasília, 2017.
LEITE, J. et al. Fisioterapia na prevenção e reabilitação em tempos de pandemia: Um 
olhar para o futuro. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 25, n. 3, p. 209–216, 2021.
MENDES, A. C.; SILVA, T. M. Evolução do teletrabalho no Brasil: Desafios e perspectivas. 
Revista de Economia e Trabalho, v. 24, n. 4, p. 512–529, 2020.
NASCIMENTO, F. et al. Educação em saúde e fisioterapia durante a pandemia: Práticas e 
desafios. Saúde em Debate, v. 45, n. 1, p. 20–30, 2021.
NILLES, J. M. Making telecommuting happen: A guide for telemanagers and telecom-
muters. New York: Van Nostrand Reinhold, 1994.
RIBEIRO, D. et al. Saúde mental na pandemia de COVID-19: O papel da fisioterapia. 
Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 32, n. 2, p. 164–170, 2020.
RIBEIRO, D. C.; SILVA, P. R. Cinesioterapia aplicada às doenças do trabalho. Rio de 
Janeiro: Editora Médica, 2020.
SILVA, R. C.; COSTA, J. T. O impacto do teletrabalho na saúde física e mental dos traba-
lhadores. Revista Brasileira de Fisioterapia Ocupacional, v. 18, n. 2, p. 87–98, 2021.
SOUZA, M. F.; COSTA, B. T. Fisioterapia na prevenção de doenças ocupacionais. 
Porto Alegre: Editora Saúde e Trabalho, 2019.
TEIXEIRA, A. A.; OLIVEIRA, M. M. Ergonomia e saúde no teletrabalho: Desafios e pers-
pectivas. Journal of Occupational Health, v. 60, n. 3, p. 103–112, 2022.
Impactos das Doenças Ocupacionaisna SaúdeUNIDADE 3
A Norma 
Regulamentadora 
17 (nr-17)4 UNIDADEUNIDADE
87
PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• Conceitos e definições NR17- Ergonomia;
• Educação postural no trabalho;
• Transporte Manual de cargas;
• Soluções Ergonômicas;
Objetivos da Aprendizagem
• Dissecar a Norma Regulamentadora 17 (NR17), como forma de análise 
técnica;
• Compreender as formas de correção postural, fazer uma ponte da teoria em 
relação à prática;
• Estabelecer a importância das Soluções Ergonômicas, a fim de dar uma 
devolutiva daquilo que deve ser feito.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
88
Olá, aluno e aluna!
Chegamos à nossa última unidade! Parabéns por ter chegado até aqui. Você 
se destaca, pois demonstrou uma enorme vontade de aprender, estudar e se tornar 
profissionais excepcionais no mercado de trabalho, com conhecimentos técnicos 
específicos da área. O caminho foi longo, cansativo e desgastante, começando desde a 
Unidade I até o momento na nossa Unidade IV.
Tudo o que você percorreu até aqui contribuiu para o amadurecimento dos seus 
conhecimentos gerais. Agora, exigimos que faça a correlação entre teoria e prática, 
aplicando o que aprendeu. Hoje, você sabe da evolução do trabalho e como o processo 
industrial e a produção geraram sobrecargas e doenças. Conhece os tipos de doenças 
mais comuns e, agora, está pronto para intervir, criando soluções ergonômicas.
Foi um prazer e uma grande satisfação estar aqui com você, poder auxiliar, 
mesmo que um pouco, na sua formação e trajetória profissional. Para nós, essa é uma 
recompensa imensa, a maior recompensa que um professor pode ter. Por fim, desejo 
muito sucesso a você. Espero encontrá-lo em outras oportunidades.
Vencemos todas as unidades juntos!
INTRODUÇÃO
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
89
A Norma Regulamentadora NR-17, editada pelo Ministério do Trabalho e 
Emprego, orienta a promoção de um ambiente laboral seguro e ergonomicamente 
adequado, ajustando condições e mobiliário de trabalho às capacidades e limites 
do ser humano, com o objetivo de prevenir lesões e fadigas físicas e mentais (Brasil, 
2023). Segundo Iida (2005), a ergonomia aplicada visa a criar um ambiente laboral que 
promova a saúde, o conforto e a produtividade. Dessa forma, a compreensão dessa norma 
é essencial para fisioterapeutas, pois fornece diretrizes valiosas para minimizar os fatores 
de risco associados ao desenvolvimento de doenças ocupacionais.
De acordo com Murrell (1965), a ergonomia é subdividida em três grandes 
áreas que permeiam a NR-17: a física, a cognitiva e a organizacional. 1) A ergonomia 
física está ligada ao ajuste do mobiliário, postura de trabalho e movimentação de cargas. 
2) A ergonomia cognitiva considera as capacidades mentais, como a memória e o foco, 
visando reduzir a fadiga mental (Iida, 2005). Por fim, 3) a ergonomia organizacional trata 
da divisão de tarefas e pausas no ambiente de trabalho, organizando as atividades para 
evitar sobrecargas físicas e mentais (Grandjean, 1998). A NR-17 estabelece uma série de 
normas e diretrizes de cumprimento obrigatório que visam adequar o ambiente laboral, 
com regras específicas sobre postura, manipulação de carga e uso de equipamentos de 
proteção individual (Iida, 2005).
Conceitos e Definições 
NR17 - Ergonomia1
TÓPICO
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
90A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
1.1. Posturas e Posições para Trabalho
Estudos mostram que a permanência em pé por longos períodos está 
diretamente associada a distúrbios músculo-esqueléticos, como lombalgias e dores nos 
membros inferiores (Silva; Santos, 2018). De acordo com a NR-17, ao realizar atividades 
em pé, o trabalhador deve alternar o peso entre os pés e utilizar piso antifadiga, o que 
minimiza o impacto nos membros inferiores e a pressão na coluna (Brasil, 2023). A altura 
do plano de trabalho deve permitir que o trabalhador mantenha o cotovelo na altura 
ideal, evitando elevações ou flexões excessivas dos ombros, que podem causar fadiga 
muscular (Grandjean, 1998).
Segundo Iida (2005), o levantamento e o transporte manual de cargas são 
atividades de alto risco para lesões na coluna vertebral, sendo as lombalgias as mais 
frequentes. A NR-17 estabelece que a carga máxima recomendada para trabalhadores 
homens é de 60 kg, enquanto para mulheres, a carga não deve exceder 20 kg (Brasil, 
2023). Além disso, a norma sugere o uso de equipamentos de auxílio para o transporte de 
cargas, como carrinhos e plataformas elevatórias, que minimizam o risco de lesões (Silva; 
Santos, 2018).
O trabalho em posição sentada também requer atenção ergonômica para evitar 
lesões e desconforto. De acordo com Grandjean (1998), cadeiras ajustáveis e apoio para 
os pés são necessários para manter o alinhamento da coluna e reduzir a pressão nos 
joelhos. A NR-17 orienta que a cadeira tenha suporte lombar e permita ajustes de altura, 
enquanto o trabalhador deve manter os braços em um ângulo de 90 graus em relação ao 
corpo para evitar sobrecarga nos ombros e antebraços (Brasil, 2023).
O uso adequado de EPIs é fundamental para minimizar os riscos ergonômicos 
e prevenir doenças ocupacionais. Estudos de Camarotto e Martinez (2017) destacam 
que o uso de luvas, protetores de pulso, calçados ergonômicos e cintas lombares 
ajuda a estabilizar as articulações e reduzir a pressão sobre a coluna, prevenindo lesões 
como tendinites e lombalgias. Segundo a NR-17, o EPI adequado deve ser fornecido ao 
trabalhador e ajustado para garantir conforto e segurança (Brasil, 2023).
Conforme Dejours (2015), a organização e o ritmo de trabalho influenciam 
significativamente a saúde física e mental dos trabalhadores. A NR-17 recomenda 
pausas regulares em tarefas que exigem repetitividade e alternância de tarefas para 
minimizar a fadiga e reduzir a possibilidade de desenvolvimento de LER/DORT (Silva; 
Santos, 2018). Essa abordagem também promove a alternância de movimentos, 
evitando que a repetição constante de movimentos cause desgaste e fadiga muscular 
(Iida, 2005).
91A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
Para garantir um ambiente confortável e seguro, a NR-17 também 
regulamenta aspectos ambientais como iluminação, ruído e temperatura. 
Camarotto e Martinez (2017) indicam que a luz e a ventilação adequadas são essenciais 
para a produtividade e para o bem-estar do trabalhador, pois reduzem a pressão ocular 
e o estresse físico. A norma recomenda a manutenção de um ambiente confortável, 
considerando fatores como a necessidade visual e a temperatura adequada para a 
atividade realizada (Brasil, 2023).
O descumprimento da NR-17 pode causar uma série de doenças ocupacionais, 
sendo as mais comuns as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Segundo Iida (2005), essas 
condições surgem de movimentos repetitivos, posturas incorretas e falta de pausas, 
comprometendo a saúde musculoesquelética. Lombalgias e cervicalgias são frequentes 
em trabalhos com levantamento de peso inadequado e longas permanências em posturas 
incorretas, conforme observado por Grandjean (1998). Tendinites, bursites e estresse 
ocupacional também são problemas que afetam os trabalhadores expostos a más 
condições ergonômicas (Dejours, 2015).
Para fisioterapeutas, a NR-17 é uma ferramenta essencial de prevenção e 
intervenção nas doenças ocupacionais, pois permite uma análise ergonômica que 
identifica fatores de risco e adaptações necessárias. A adequação ergonômica 
contribui para a prevenção e redução de lesões, além de promover a saúde e o bem-
estar no ambiente laboral (Silva; Santos, 2018). Segundo Dejours (2015), a ergonomia 
é essencial para o equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores, 
reforçando a importância do profissional fisioterapeuta na promoção da saúde ocupacional.
A NR-17 é uma diretriz fundamental para a criação de ambientes detrabalho 
ergonômicos e seguros. Compreender e aplicar essa norma é indispensável para 
fisioterapeutas, que desempenham um papel significativo na prevenção e tratamento 
de lesões ocupacionais. A ergonomia, além de promover a saúde física e mental dos 
trabalhadores, também é um fator essencial para a manutenção da produtividade e da 
satisfação no trabalho (Iida, 2005; Camarotto; Martinez, 2017).
92
A educação postural no trabalho é uma área de crescente importância na 
fisioterapia, especialmente no que se refere à prevenção de doenças ocupacionais 
e à promoção da saúde do trabalhador. A prática da educação postural objetiva reduzir 
as disfunções musculoesqueléticas e o absenteísmo, promovendo o bem-estar e o 
desempenho funcional (Andersen et al., 2017). No Brasil, as Normas Regulamentadoras 
(NRs) – especialmente a NR-17, que regulamenta a ergonomia no ambiente de trabalho – 
fundamentam a importância de posturas e práticas adequadas para a saúde ocupacional.
A educação postural é particularmente relevante para profissionais de 
fisioterapia em contextos clínicos e empresariais. Este capítulo visa abordar os 
fundamentos teóricos e práticos da educação postural no ambiente de trabalho, 
descrevendo métodos de avaliação, técnicas de intervenção e estratégias de prevenção 
para fisioterapeutas atuantes em programas ocupacionais (Falla et al., 2014).
Educação postural refere-se ao processo de instrução e prática de posturas e 
movimentos que favoreçam a saúde musculoesquelética e a funcionalidade do corpo. No 
contexto ocupacional, a educação postural inclui orientações sobre posturas adequadas 
para tarefas específicas, o uso de mobiliário ergonômico e técnicas para reduzir o esforço 
físico repetitivo. A prática educativa busca, principalmente, melhorar a consciência 
corporal, possibilitando ao trabalhador entender os efeitos de posturas inadequadas sobre 
a saúde e evitando compensações físicas que podem resultar em dores, lesões e doenças 
relacionadas ao trabalho (Westgaard; Winkel, 2016).
Educação Postural no 
Trabalho2
TÓPICO
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
93
Estudos revelam que a postura inadequada no trabalho está associada a uma 
série de distúrbios musculoesqueléticos, como lombalgias, cervicalgias e tendinites 
(Andersen et al., 2017). A prática de educação postural contribui para:
• Prevenção de lesões musculoesqueléticas: orientando os trabalhadores 
sobre como evitar posturas que sobrecarregam as articulações e a coluna (Falla 
et al., 2014).
• Redução do absenteísmo: trabalhadores com menos dores e desconfortos 
tendem a apresentar menos faltas (ABNT, 1978).
• Aumento da produtividade: o bem-estar físico permite que o colaborador se 
concentre melhor nas atividades, elevando a eficiência no trabalho (Westgaard; 
Winkel, 2016).
• Melhora na qualidade de vida: reduzindo dores crônicas e promovendo a 
saúde mental e física do trabalhador (Andersen et al., 2017).
A ergonomia é a base para práticas de educação postural no trabalho, definindo 
os ajustes do ambiente para que se adaptem às necessidades e capacidades dos 
trabalhadores. Para a prática da educação postural eficaz, é essencial compreender as 
especificidades ergonômicas, como o ajuste correto de cadeiras, mesas e equipamentos 
de trabalho, de modo a minimizar esforços excessivos e posturas inadequadas (ABNT, 
1978).
A NR-17 (Ergonomia) estabelece parâmetros que visam adequar as condições 
de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Entre as diretrizes 
relevantes para a educação postural, destacam-se:
1. Ajustes no mobiliário: a altura da cadeira e da mesa deve ser ajustada para 
que o trabalhador mantenha a coluna alinhada e os pés apoiados no chão ou 
em um suporte (ABNT, 1978).
2. Posição dos membros superiores: devem estar em um ângulo de 90 graus 
em relação ao corpo, evitando tensões excessivas nos ombros e pescoço 
(Westgaard; Winkel, 2016).
3. Movimentação e esforço físico: para atividades que envolvam levantamento 
e transporte de cargas, a NR-17 estipula limites de peso e recomendações de 
postura (Andersen et al., 2017).
4. Recomendações de EPI (Equipamento de Proteção Individual): Em 
atividades com exposição a fatores de risco para a saúde, como ruído e calor 
excessivo, o uso de EPIs é mandatário (ABNT, 1978).
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
94
Essas regras são fundamentais para fisioterapeutas ao instruir e monitorar 
trabalhadores na adoção de posturas seguras e adequadas.
A avaliação postural é um componente essencial do trabalho do fisioterapeuta 
ocupacional. Consiste em observar e identificar padrões posturais que podem contribuir 
para a sobrecarga musculoesquelética, verificando aspectos como alinhamento corporal, 
distribuição de peso e adaptações no ambiente de trabalho (Falla et al., 2014).
2.1. Métodos de Avaliação
• Análise biomecânica: avalia as forças exercidas sobre o corpo durante 
atividades específicas, identificando desequilíbrios posturais (Andersen et al., 
2017).
• Escala de Distúrbios Musculoesqueléticos de Nórdico (NMQ): permite 
identificar dores e desconfortos em diferentes regiões do corpo, correlacionando-
os com posturas inadequadas (Kuorinka et al., 1987).
• Fotogrametria postural: utiliza fotografias digitais para analisar o alinhamento 
corporal e identificar desvios posturais (Westgaard; Winkel, 2016).
• Mapeamento de cargas e forças: com ferramentas como a dinâmica de 
pressão e análise de movimento, avalia a carga em diferentes segmentos do 
corpo e o impacto de posturas inadequadas (ABNT, 1978).
Essas metodologias possibilitam ao fisioterapeuta compreender a postura e as 
necessidades ergonômicas individuais de cada trabalhador, direcionando o planejamento 
das intervenções (Falla et al., 2014).
A partir dos resultados da avaliação postural, o fisioterapeuta deve desenvolver 
intervenções personalizadas que promovam a saúde musculoesquelética e previnam 
distúrbios ocupacionais. As principais intervenções de educação postural incluem:
2.2 Exercícios de Consciência Corporal
• Objetivo: aumentar a percepção do trabalhador em relação ao seu próprio 
corpo e postura durante as atividades laborais (Andersen et al., 2017).
• Técnicas: exercícios de propriocepção, utilizando recursos como bolas 
terapêuticas e exercícios de alongamento dinâmico, ajudam o trabalhador a 
perceber e ajustar sua postura (Falla et al., 2014).
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
95
2.3. Treinamento de Posturas Adequadas
• Objetivo: ensinar posturas ergonômicas que minimizam a sobrecarga 
muscular (Westgaard; Winkel, 2016).
• Exemplo: orientação para manter os joelhos levemente flexionados e a coluna 
ereta ao levantar cargas, conforme diretrizes da NR-17 (ABNT, 1978).
2.4. Pausas e Exercícios Laborais
• Objetivo: prevenir lesões por movimentos repetitivos e tensões acumuladas.
• Protocolo: pausas a cada 50 minutos para exercícios de alongamento e 
relaxamento dos músculos, especialmente em atividades de longa duração em 
posição sentada ou em pé (ABNT, 1978).
2.5. Adaptação Ergonômica do Espaço de Trabalho
• Objetivo: ajustar o ambiente de trabalho para promover uma postura correta 
(Andersen et al., 2017).
• Método: reposicionamento de equipamentos e mobiliário com foco em 
ergonomia e segurança, como ajuste da altura do monitor de computador e 
apoio para os pés, seguindo recomendações da NR-17 (ABNT, 1978).
2.6. Fatores Associados às Doenças Ocupacionais e Educação Postural
A má postura no trabalho está diretamente associada a doenças ocupacionais, 
incluindo distúrbios musculoesqueléticos, como lesões por esforços repetitivos (LER/
DORT) e lombalgia. Abaixo estão alguns fatores associados a essas condições e como a 
educação postural pode atuar na sua prevenção (Falla et al., 2014):
• Longas jornadas de trabalho em postura estática: manter uma mesma 
posição por muito tempo provoca rigidez muscular e dores articulares. A 
intervenção posturalbusca promover a alternância de posições e pausas ativas 
(Andersen et al., 2017).
• Atividades de levantamento de peso: o levantamento incorreto de cargas 
aumenta o risco de hérnias de disco e outros problemas na coluna. A educação 
postural ensina técnicas corretas de levantamento, além de limites de peso 
estabelecidos pela NR-17 (ABNT, 1978).
• Movimentos repetitivos: o trabalho repetitivo pode levar a lesões tendinosas 
e articulares. A educação postural enfatiza a importância de pausas frequentes 
e exercícios específicos para prevenir essas lesões (Westgaard; Winkel, 2016).
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
96
A educação postural no trabalho é uma prática fundamental para 
fisioterapeutas que atuam na área ocupacional. Promover a conscientização postural 
e a ergonomia no ambiente de trabalho é essencial para a prevenção de doenças 
ocupacionais e para a promoção de um ambiente laboral saudável e produtivo. A prática 
constante de técnicas de ergonomia e postura é um elemento chave para o bem-estar 
dos trabalhadores e para a redução dos índices de absenteísmo, beneficiando tanto o 
indivíduo quanto as empresas.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
97
O transporte manual de cargas é uma atividade recorrente e essencial em 
diversos setores, diretamente relacionada às Doenças do Trabalho e ao contexto 
econômico. A utilização de técnicas de transporte manual deve ser analisada 
cuidadosamente dentro dos ambientes de trabalho, pois está associada a várias doenças 
decorrentes dessa prática. Nesse sentido, estratégias de prevenção são fundamentais 
para garantir a saúde dos trabalhadores.
Na indústria, o transporte manual de materiais como ferramentas, peças e 
produtos é comum. No entanto, muitas dessas tarefas não utilizam os Equipamentos 
de Proteção Individual (EPIs) de forma adequada, especialmente em setores como a 
construção civil e linhas de montagem. O uso inadequado de EPIs aumenta o risco de 
lesões e doenças ocupacionais, já que os trabalhadores frequentemente manipulam 
materiais pesados e volumosos sem a proteção necessária.
No comércio, tanto no setor de varejo quanto no atacado, os trabalhadores 
também lidam com mercadorias pesadas, como caixas volumosas e itens diversos que 
são manipulados manualmente, principalmente em depósitos e no processo de reposição 
de estoque. A falta de equipamentos apropriados, especialmente em pequenas empresas, 
agrava o risco de lesões, uma vez que as condições de trabalho nem sempre são 
adequadas para garantir a segurança dos trabalhadores.
Os estabelecimentos de serviços, como aqueles que envolvem limpeza, 
serviços gerais, manutenção e transporte de materiais, também enfrentam o desafio do 
transporte manual de cargas. Nesse contexto, o espaço reduzido pode limitar a utilização 
de ferramentas auxiliares, como carrinhos e outros dispositivos que poderiam facilitar o 
transporte de materiais pesados e reduzir o esforço físico excessivo.
Transporte Manual 
de Cargas3
TÓPICO
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
98
Na agricultura, o transporte manual de cargas é bastante frequente, 
especialmente quando envolve o deslocamento de sacos de grãos, caixas e insumos. 
Muitas vezes, esse transporte é feito em terrenos irregulares, o que aumenta ainda mais 
o risco de lesões, devido à dificuldade de movimentação e ao esforço físico envolvido.
O transporte manual de cargas está diretamente relacionado a diversas 
doenças e lesões, sendo as mais comuns:
• Lesões na Coluna Vertebral: como a lombalgia, que é a dor na região 
lombar, frequentemente causada pela sobrecarga repetitiva, e a hérnia de 
disco, que resulta do levantamento excessivo e incorreto de pesos, levando ao 
deslocamento ou desgaste dos discos intervertebrais.
• Transtornos Musculoesqueléticos: a tendinite, que é a inflamação nos 
tendões, e o manguito rotador, que é a lesão nos músculos e tendões do ombro, 
geralmente associada a atividades que envolvem elevação de braço acima de 
90º, resultando em pinçamento do tendão do músculo supra-espinhoso. Além 
disso, distensões musculares são lesões físicas agudas causadas pelo esforço 
excessivo.
• Distúrbios Adjacentes: entre as doenças mais comuns estão a bursite, 
inflamação das bursas nos joelhos, que é frequentemente agravada por 
posturas inadequadas, e as varizes, problemas do sistema vascular causados 
por posições ortostáticas prolongadas e posturas estáticas.
Para minimizar os riscos de lesões e doenças ocupacionais, é fundamental 
adotar medidas de prevenção, utilizando equipamentos adequados para o transporte 
manual de carga. Diversos tipos de ferramentas e dispositivos devem ser empregados 
para reduzir o esforço físico, proteger os trabalhadores e garantir um ambiente de 
trabalho mais seguro.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
99
3.1 Carrinhos de Transporte
Carrinhos de mão: utilizados em obras e armazéns para transporte de materiais 
como areia, cimento e caixas.
Carrinhos plataforma: Ideal para cargas planas e volumosas em ambientes e 
indústrias comerciais.
IMAGEM 01: CARRINHOS DE MÃO
IMAGEM 02: CARRINHO PLATAFORMA
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/garden-cart-blocks-foam-concrete-outdoors-1800047506
Fonte: THERJ. Carrinho plataforma. Disponível em: https://www.therj.com.br/carrinho-plataforma. Acesso em: 
06 fev. 2025.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
100
3.2 Paleteiras
Ferramentas utilizadas para paletores de ferramentas. São comuns em armazéns 
e áreas de logística.
3.3 Cintas Lombares
Oferecem suporte à coluna, reduzindo a pressão lombar durante o transporte de 
pesos.
IMAGEM 03: PALETEIRA
IMAGEM 04: CINTA LOMBAR
Fonte: LOJACOPARTS. Paleteira manual 3.000kg com roda tandem (dupla) em nylon - TM 3000 TN. 
Disponível em: https://www.lojacoparts.com.br/paleteira-manual-3000kg-com-roda-tandemdupla-em-nylon. 
Acesso em: 06 fev. 2025.
Fonte: CINTA Lombar Ergonômica Proteção Para Coluna Ideal Para Carregar Peso. Amazon Brasil. 
Disponível em: https://www.amazon.com.br/Ergonomica-Proteção-Carregar-Transporte-Estoquistas/dp/
B0961HTD4F. Acesso em: 06 fev. 2025.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
101
3.4 Suportes para Ombros e Braços
Utilização em trabalhos que exigem levantamentos frequentes na jornada de 
trabalho com objetos pesados.
3.5 Equipamentos Simples
Ganchos e alças de transporte: melhoram a ergonomia ao carregar sacos, 
caixas ou tambores.
Cintas de elevação: ajudam a distribuir o peso da carga, diminuindo a tensão.
Caso precise de ajustes ou mais detalhes, posso adaptar conforme necessário!
3.6 Equipamentos de Elevação Assistida
• Talhas manuais: facilitam até cargas pesadas.
• Empilhadeiras manuais: mecânicas, embora exigem controle humano, 
ajudando o transporte e posicionamento das caixas pesadas.
O uso adequado dos equipamentos contribui para a redução de lesões no 
ambiente de trabalho (Silva; Araújo, 2021). Para mais, o transporte manual de cargas, 
apesar de ser uma atividade essencial em diversas áreas de trabalho, acarreta sérios 
riscos à saúde dos trabalhadores. Esses riscos podem resultar em doenças ocupacionais, 
afetando a coluna vertebral, músculos e articulações, caso não sejam adotadas medidas 
adequadas de prevenção. Para mitigar esses riscos e promover a saúde ocupacional, 
várias estratégias de prevenção podem ser implementadas.
IMAGEM 05: GANCHOS E ALÇAS DE TRANSPORTE
Fonte: https://surl.li/uqsrzz
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
102
Capacitar os trabalhadores sobre as técnicas corretas para o levantamento e 
transporte de cargas é essencial para prevenir lesões. O treinamento adequado pode 
ensinar os colaboradores a usar as posturas e movimentos adequados, o que ajuda a 
minimizar o esforço físico e evita o surgimento de doenças relacionadas ao trabalho.
Cumprir a Norma Regulamentadora 17 (NR-17), que trata das condições 
ergonômicas no trabalho, é fundamental. Esta norma define os limites de peso e 
estabeleceparâmetros de ergonomia para o transporte manual de cargas, ajudando a 
garantir que os trabalhadores não sejam sobrecarregados de maneira prejudicial à sua 
saúde. A adoção dessas normas deve ser uma prioridade para todas as empresas.
A utilização de equipamentos como carrinhos, paleteiras e talhas é crucial para 
reduzir o esforço físico necessário no transporte manual de cargas. Esses dispositivos 
minimizam o impacto sobre a saúde do trabalhador, permitindo o transporte de materiais 
pesados de maneira mais segura e eficiente.
É importante realizar inspeções regulares nos locais de trabalho para 
garantir que as técnicas corretas de levantamento e transporte de cargas estejam 
sendo seguidas e que os equipamentos estejam sendo utilizados de forma adequada. O 
monitoramento contínuo ajuda a identificar problemas antes que se tornem mais graves 
e a corrigir práticas inadequadas.
Embora o transporte manual de cargas seja uma atividade essencial, os 
riscos à saúde dos trabalhadores são significativos. A implementação de estratégias 
de prevenção, como treinamentos adequados, o uso de equipamentos de proteção e 
a aplicação de políticas ergonômicas, é crucial para reduzir esses riscos. Além disso, 
a conscientização e o compromisso com a saúde ocupacional são fundamentais 
para garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável. A prevenção de doenças 
ocupacionais no transporte manual de cargas depende da união de boas práticas e da 
implementação eficaz dessas estratégias.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
103
Imagine um mundo onde o trabalho não fosse apenas fonte de renda, mas 
que também fosse um elemento que auxiliasse o corpo e a mente a florescerem 
em equilíbrio e harmonia. Parece utópico? Não tem que ser utópico, pois é o que a 
ergonomia busca: o equilíbrio de encontrar o trabalho e suas atividades, moldando 
o ambiente de forma que seja respeitado os limites e as capacidades laborais. Essa 
ciência, que se preocupa com o físico, bem-estar e mental, cada vez ganha relevância 
no campo ocupacional. Nunca ouviu falar que dores nas costas, tendinite ou o cansaço 
físico fosse interessante? Pois é, tudo pode vir à tona em um ambiente de trabalho que 
não seja ergonômico, gerando Doenças do Trabalho. Vamos explorar como soluções 
ergonômicas as questões intrínsecas das atividades laborativas, e não vendo apenas os 
sinais e sintomas, mas sim, indo direto no fator causa, no bojo da problemática.
4.1. Métodos De Soluções Ergonômicas
Antes de qualquer intervenção no ambiente de trabalho, é essencial entender 
a fundo o problema. É aí que entra a análise ergonômica do trabalho, que pode ser 
vista quase como um raio-X das condições e da dinâmica do local. Ferramentas como 
o Rapid Entire Body Assessment (REBA) e o método do NIOSH são os “detetives” 
que identificam os pontos críticos, permitindo detectar onde os problemas estão. Imagine 
observar uma linha de produção onde os trabalhadores enfrentam horas excessivas e 
desgastantes. Nesse momento, conseguimos perceber onde “o sapato aperta” e onde as 
soluções devem ser implementadas.
Soluções Ergonômicas4
TÓPICO
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
104
Além disso, não podemos subestimar o impacto de ajustes simples, como uma 
cadeira de mesa ergonômica e mesas ajustáveis, tanto para computador quanto para 
outras funções. O ajuste das mesas, o uso de apoios para os pés e outros equipamentos 
ergonômicos que ajudam a manter uma postura adequada são essenciais para a 
solução de problemas ergonômicos. Um exemplo prático são os paletes elevados, que 
permitem que a carga seja posicionada a 50 cm do chão, evitando que o trabalhador 
precise se abaixar e dobrar a coluna, o que reduz significativamente o risco de doenças 
osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORTs).
A evolução dos equipamentos é outro ponto crucial: máquinas de elevação, 
talhas elétricas e mesas ajustáveis para elevação são o futuro da ergonomia no ambiente 
de trabalho. Considerando que não existe uma homogeneidade entre os trabalhadores 
— em termos de altura, envergadura e peso —, é essencial que os equipamentos 
acompanhem essa diversidade. Comparar o esforço físico de carregar manualmente 
caixas pesadas com o uso de equipamentos para facilitar o levantamento é como trocar 
uma maratona por uma caminhada no parque. A diferença no impacto físico é imensa.
Para mais, a repetição constante de uma atividade tem efeitos negativos. É 
como ouvir a mesma música repetidamente — cansa e desgasta. Alternar entre 
diferentes tipos de trabalho permite não apenas um alívio para o corpo e a mente, 
mas também a utilização de diferentes grupos musculares, o que diminui a chance de 
lesões e fadiga.
Outro aspecto importante é a manutenção dos equipamentos. Muitas vezes, um 
equipamento descalibrado ou danificado pode prejudicar a saúde do trabalhador. Por 
isso, a manutenção preventiva é fundamental, tal como a manutenção do motor de um 
carro. Com o tempo, os equipamentos se desgastam e, sem a devida manutenção, podem 
começar a funcionar de maneira irregular, colocando em risco a saúde do colaborador.
Antes de começar o dia de trabalho, uma simples rotina de alongamentos pode 
fazer maravilhas. Programas de aquecimento e fortalecimento muscular são investimentos 
em saúde, funcionando como uma espécie de preparação para a atividade, da mesma 
forma que lubrificar uma máquina a prepara para operar de maneira eficiente.
A educação e o treinamento dos trabalhadores sobre ergonomia têm um papel 
transformador. Ensinar como ajustar cadeiras, mesas, carregar e levantar pesos de forma 
correta pode parecer simples, mas faz toda a diferença, na prática. A conscientização dos 
trabalhadores sobre a importância da ergonomia no dia a dia, por meio de orientações 
adequadas, pode prevenir lesões e melhorar a saúde no ambiente de trabalho.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
105
É importante lembrar que, por mais que tentemos nos adaptar ao trabalho, 
muitas vezes as condições de trabalho precisam ser adaptadas ao trabalhador, e não 
o contrário. O ambiente de trabalho deve se adaptar ao trabalhador. Quando isso 
acontece, a produtividade aumenta, o desconforto diminui e o bem-estar do trabalhador 
é promovido.
As soluções ergonômicas são mais do que uma ferramenta de correção; 
elas são instrumentos de transformação. Cada ajuste, como a mudança de altura de 
uma cadeira ou de uma mesa, proporciona uma jornada de trabalho mais produtiva e 
confortável. A ergonomia não se resume apenas à correção de posturas ou ao uso de 
calçados adequados. Ela também melhora a produtividade, a motivação e cria um 
ambiente de trabalho mais agradável e menos torturante.
Em um mundo onde as doenças ocupacionais são responsáveis por elevados 
índices de absenteísmo, afastamento e invalidez, investir na ergonomia é como plantar 
uma semente em solo fértil e colher os frutos mais tarde. A ergonomia não é apenas uma 
questão de conforto físico, mas também de qualidade de vida e eficiência no trabalho, 
criando um ciclo de benefícios para todos os envolvidos.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
106
Os primeiros estudos sobre segurança do trabalho começaram na era a.C. por Aristóteles e Hipócrates. 
Porém, pouco se avançou nesses estudos até 1713, na Itália, onde o primeiro tratado sobre medicina 
ocupacional foi escrito por Bernardino Ramazzini. 
Fonte: o autor (2025).
SAIBA MAIS
“Todos são peças importantes no trabalho em equipe, cada um representa uma pequena parcela do 
resultado final. Quando uma falha, todos devem se unir, para sua reconstrução.” 
Fonte: FARIA, Salvador. Todos são peças importantes no trabalho em equipe, cada um representa 
uma pequena parcela do resultado final. Quando um falha, todos devem se unir para sua reconstrução. O 
pensador, online. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/ODM1MDg0/. Acesso em: 23 jul. 2025.
REFLITA
A Norma Regulamentadora17 (NR-17)UNIDADE 4
107
Caríssimo aluno ou aluna, você se aventurou em um mar de conhecimentos 
sobre um tema que muitas vezes passa despercebido na dinâmica do trabalho, mas que 
é de extrema importância. Ao refletir sobre tudo o que foi estudado, tenho certeza de 
que agora possui um olhar técnico, específico e terapêutico diferenciado — uma análise 
crítica e pormenorizada das atividades laborais. 
Nesta unidade, você estudou sobre o processo de adoecimento do trabalhador, 
considerando o ambiente laboral como um fator de risco. Também explorou a Norma 
Regulamentadora 17 (NR-17) e sua relevância para a atuação do profissional de saúde 
no ambiente de trabalho. Agora, é capaz de compreender como a NR-17 oferece suporte 
à atuação profissional, contribuindo para a prevenção e o tratamento das disfunções e 
doenças que podem acometer os trabalhadores. 
É muito importante que, com o término do conteúdo desta unidade — e das 
demais —, venha também um momento de encerramento. Obviamente, este não é o 
fim, mas apenas o início de uma jornada de estudos e dedicação nesta área. Por isso, 
é essencial que você retome criticamente tudo o que foi trabalhado desde a introdução, 
refletindo sobre as propostas realizadas. 
Essa retomada favorece a fixação dos conteúdos abordados e ajuda a 
organizar melhor as informações na sua linha de raciocínio. Trata-se de uma área 
ainda pouco explorada e que carece de profissionais qualificados. Seguindo a lógica 
da teoria da “oferta e procura”, há sim uma valorização financeira significativa, o que 
torna possível a profissionalização nessa área promissora.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
108
LEITURA COMPLEMENTAR
Ergonomia é um conceito que abrange teorias, métodos e procedimentos 
presentes na norma regulamentadora nº17, do Ministério do Trabalho, e nas Leis do 
Trabalho – CLT, em conformidade à Segurança e Medicina do Trabalho. 
Seu estudo se dá a partir da relação entre pessoa e ambiente profissional. Já o 
seu objetivo é garantir uma boa condição para que os funcionários possam exercer suas 
funções com bem-estar, pensando no desempenho geral da empresa. 
A ergonomia é pensada para adaptar o ambiente de trabalho e contribuir para 
a saúde do funcionário, promovendo a sua produtividade e evitando que acidentes 
aconteçam e que possíveis problemas de saúde se desenvolvam. 
Além disso, caso a ergonomia não seja aplicada, a empresa pode sofrer multas e 
até indenizações, se algum funcionário desenvolver algum problema de saúde devido às 
más condições oferecidas pelo empregador. 
Fonte: ERGONOMIA no home office: importância, desafios, e ações a se adotar. 
Conexa Saúde, 2022. Disponível em: https://www.conexasaude.com.br/blog/ergonomia-
no-home-office-entenda-a. Acesso em: 10 jan. 2023.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
109
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Ergonomia-Interpretando a NR-17: Manual Técnico e 
Prático para a Interpretação da Norma Regulamentadora 17.
• Autor: Alexandre Pinto da Silva.
• Editora: LTr, 3ª EDIÇÃO - 2019.
• Sinopse: Este livro aborda, de forma atualizada, clara e objetiva, 
todos os dizeres da Norma Regulamentadora n. 17 – Ergonomia, 
interpretando as questões técnicas que devem ser observadas 
para a manutenção das condições de conforto em um ambiente 
de trabalho.
VÍDEO
• Título: Nova Norma Regulamentadora nº 17 (NR 17) - NR-17 
ERGONOMIA | ATUALIZAÇÃO.
• Ano: 2024.
• Sinopse: é de senso comum que as condições de trabalho não 
devem causar danos de nenhuma natureza aos trabalhadores. 
Nesse aspecto, a ergonomia é uma responsabilidade que 
todas as empresas devem assumir. Mas você sabe o que 
define isso do ponto de vista legal? A resposta está nas normas 
regulamentadoras. As NR são textos que complementam a 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ao todo, são 38, e a 
NR-17 trata exclusivamente das condições ergonômicas ideais 
para o trabalho. Saiba mais acessando o vídeo.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=jPFLe6aiXW8
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
110
REFERÊNCIAS
ABNT. NR 17 - Ergonomia. Portaria MTb n.º 3.214, de 08 de junho de 1978. Portaria MTb 
n.º 3.214, de 08 de junho de 1978. 
ANDERSEN, L. L., et al. Interventions to improve musculoskeletal health among workers: 
A comprehensive review. Ergonomics, v. 60, n. 4, p. 581-591, 2017.
BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Norma Regulamentadora 17: 
Ergonomia. Brasília: MTE, 2023.
DEJOURS, C. A loucura do trabalho: Estudo de Psicopatologia do Trabalho. Rio de 
Janeiro: Editora FGV, 2015.
FALLA, D.; et al. Education as a means to prevent work-related musculoskeletal disorders. 
Journal of Occupational Health, v. 56, n. 1, p. 36-46, 2014.
GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: Adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: 
Bookman, 1998.
IIDA, I. Ergonomia: Projeto e produção. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2005.
MURRELL, K. F. H. Ergonomics: Man in his working environment. New York: Chapman 
and Hall, 1965.
SILVA, R. M.; ARAÚJO, J. P. Práticas ergonômicas no transporte manual de cargas: Um 
enfoque em enfoque ocupacional. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 35, n. 2, 
p. 78-89, 2021.
SILVA, S. C.; SANTOS, M. P. Lesões ocupacionais: prevenção e tratamento. Campinas: 
Editora da Unicamp, 2018.
WESTGAARD, R. H.; WINKEL, J. Ergonomics in the prevention of work-related muscu-
loskeletal disorders. Applied Ergonomics, v. 35, n. 5, p. 543-558, 2016.
CAMAROTTO, J. A.; MARTINEZ, M. C. Ergonomia e saúde no trabalho. São Paulo: 
Editora Senac, 2017.
A Norma Regulamentadora 17 (NR-17)UNIDADE 4
111
CONCLUSÃO GERAL
A disciplina Doenças do Trabalho integra o conjunto de disciplinas 
complementares presentes em diversos cursos de Graduação e Pós-Graduação, 
justamente por sua relevância na formação de profissionais conscientes das demandas 
e desafios da área Laboral/Ocupacional. A proposta é trazer ao aluno uma compreensão 
aprofundada sobre as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho 
(DORT), que comprometem a saúde física, a produtividade e a qualidade de vida dos 
trabalhadores.
É fundamental compreendermos que qualquer disfunção no ambiente 
de trabalho exige uma abordagem preventiva, educativa e orientadora. Tais 
medidas favorecem a qualidade das condições laborais, promovem o bem-estar 
dos trabalhadores e fortalecem o relacionamento entre empregado e empregador. 
Consequentemente, os resultados produtivos também tendem a melhorar, 
consolidando um ambiente organizacional mais saudável e eficiente.
As ações propostas ao longo da disciplina baseiam-se em princípios da área 
da saúde, especialmente no uso de movimentos orientados, exercícios terapêuticos 
e na avaliação ergonômica das atividades realizadas no espaço laboral. Destaca-se, 
assim, a importância de uma análise técnica e criteriosa das demandas de cada função, 
possibilitando a identificação dos fatores causais e o planejamento de estratégias 
preventivas e corretivas adequadas.
Conhecer o ambiente de trabalho, os movimentos exigidos, a biomecânica 
envolvida e os pontos de sobrecarga é essencial para elaborar intervenções eficazes. 
Ao longo da disciplina, foram abordados diversos recursos de avaliação, prevenção e 
orientação, desde conceitos introdutórios até a análise de disfunções gerais e específicas, 
promovendo uma nova perspectiva sobre o cuidado com o trabalhador.
Mais do que identificar sinais e sintomas, é necessário desenvolver a 
capacidade de ir além: compreender a origem do problema e, a partir disso, propor 
intervenções coerentes e eficazes. A relação entre empregador e empregado deve 
ser de parceria, pois quando a empresa oferece condições adequadas de trabalho, os 
resultados positivos são refletidos em toda a estrutura organizacional.
Esperamos que este conteúdo tenha contribuído para ampliar sua visão 
sobre a saúde ocupacional, incentivando práticas conscientes e preventivas, bem 
como a correção de hábitos prejudiciais à saúde noambiente de trabalho. Que este 
conhecimento sirva de base sólida para disciplinas futuras e, sobretudo, para sua 
atuação como um profissional ético, qualificado e comprometido com a qualidade de 
vida no trabalho.
Até uma próxima oportunidade. Muito obrigado!
ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE
 Praça Brasil , 250 - Centro
 CEP 87702 - 320
 Paranavaí - PR - Brasil 
TELEFONE (44) 3045 - 9898individuais, bem como às exigências de produção e segurança.
Além disso, médicos e sanitaristas têm buscado, desde a Antiguidade, descrever 
as consequências do trabalho para a saúde, compreender seus mecanismos e identificar 
suas causas para encontrar meios de prevenção.
Desde a Antiguidade, na Europa, houve um interesse crescente em facilitar 
e aumentar a produtividade do trabalho humano, assim como em identificar suas 
consequências para a saúde. Foram descritas condições como cólicas entre os 
operários nas minas de chumbo, deformações vertebrais entre talhadores de pedra 
e sinais de intoxicação por mercúrio em trabalhadores expostos a esse metal. Nesse 
contexto, foram desenvolvidos métodos para ventilar galerias de minas. Também foram 
feitas recomendações iniciais sobre as dimensões dos espaços de trabalho, além do 
desenvolvimento de técnicas para melhorar a eficiência no transporte e elevação de 
cargas, visando também a segurança dos trabalhadores.
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
13
Seu relatório desencadeou uma série de ações, principalmente por meio de 
regulamentações e legislações sobre as condições de trabalho. Entre 1841 e 1892, foram 
aprovadas leis que abordavam a idade mínima para o emprego de crianças, a duração do 
trabalho, a compensação por acidentes de trabalho e a criação de um corpo de inspetores 
do trabalho. No entanto, as interpretações dos fatos muitas vezes foram influenciadas por 
escolhas políticas: por exemplo, ao descrever a condição dos trabalhadores, (O médico 
francês Villermé. L. R. século XIX) não apenas mencionou o trabalho e os baixos salários, 
mas também destacou o comportamento dos operários e suas consequências para a 
higiene e saúde dessa classe social. A partir de interpretações equivocadas dos resultados 
estatísticos sobre mortalidade diferencial, algumas autoridades sanitárias negaram a 
influência das condições de trabalho na saúde dos operários.
A época da Revolução Industrial, que se iniciou na Europa (Inglaterra, França e Alemanha) e ocorreu 
entre 1760 e 1850, é uma grande referência para o surgimento de uma preocupação inicial com a saúde dos 
trabalhadores.
Este período foi um MARCO na regularização dos direitos dos trabalhadores, um dos itens regulamentando 
(jornada de trabalho, descanso remunerado obrigatório, salário, e EPI – Equipamento de Proteção Individual. 
Fonte: o autor (2025).
SAIBA MAIS
Norma Regulamentadora 4 – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do 
Trabalho (SESMT). 
A Norma Regulamentadora (NR) 4 trata do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em 
Medicina do Trabalho (SESMT) que tem como finalidade promover a saúde e proteger a integridade do 
trabalhador no seu local de trabalho.
O SESMT deve manter uma estreita relação com a CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, 
estudando suas observações e solicitações, propondo soluções corretivas e preventivas, ou seja, precisa 
utilizá-la como um agente multiplicador.
Fonte: o autor (2025).
REFLITA
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
14
Neste tópico, conceituaremos e aprofundaremos de maneira pormenorizada 
questões preventivas, nas quais, diante de um caso previsível, podemos antecipar com 
meios e métodos para evitar e/ou minimizar o resultado.
As atividades laborativas, nos dias de hoje, podem ser descritas a partir de 
diferentes dimensões, as quais permitem vislumbrar as relações entre trabalho e saúde – 
sendo a saúde entendida de forma abrangente, incluindo os componentes físico, cognitivo, 
psíquico e social (Carli et al., 2012).
Temos hoje uma Norma que irá regulamentar a Saúde do Trabalhador no Brasil, 
que se ocupa das relações entre trabalho e saúde-doença da classe operária industrial. 
Esse é um campo da saúde pública que tem como objetivo promover e proteger a 
saúde das pessoas em suas atividades laborais. Para isso, é necessária uma atuação 
multidisciplinar e interdisciplinar com profissionais especializados, visando à preservação 
e promoção da saúde. A preocupação com os riscos à saúde relacionados à atividade 
profissional dos trabalhadores levou à criação de normas regulamentadoras (Gonçalves; 
Oliveira; Carvalho, 2009).
Diversas determinações para profissionais da área da saúde estão incluídas na 
NR-32, aprovada pela Portaria n.º 485/2005 do Ministério do Trabalho e Emprego. De 
acordo com a Portaria n.º 3.214/1978, na NR-6 do Ministério do Trabalho e Emprego, 
em casos de exposição a agentes insalubres, químicos e físicos, devem ser adotados 
equipamentos de proteção individual (EPI), além de equipamentos de proteção coletiva e 
controle na fonte (Martins et al., 2011).
Conceito e Níveis de 
Prevenção2
TÓPICO
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
15
Os distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho referem-se à 
diminuição da funcionalidade ou ao dano de estruturas corporais como músculos, 
articulações, tendões, ligamentos, nervos, cartilagem, ossos e o sistema de circulação 
sanguínea. Esses distúrbios resultam em prejuízos diretos à saúde devido a atividades 
manuais repetitivas, transporte manual de cargas pesadas, gasto excessivo de energia e 
postura corporal forçada ou estática prolongada, entre outros fatores.
Sabe-se que a postura corporal inadequada é uma das principais causas desses 
distúrbios. Por exemplo, a postura inadequada ao carregar objetos, compensando o peso 
para um lado do corpo, pode ocasionar problemas posturais (Grobelny; Michalski, 2020).
As doenças musculoesqueléticas têm alto potencial de incapacidade e são um 
dos principais problemas de saúde pública, estando principalmente relacionadas às 
atividades de trabalho. As Doenças Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) 
podem ser decorrentes do mau posicionamento corporal associado a movimentos 
repetitivos, bem como da manutenção prolongada de algum tipo de sobrecarga 
mioarticular. Esses distúrbios podem ser gerados pela alta demanda de trabalho, 
refletindo em baixo desempenho profissional.
Na área administrativa, por exemplo, nas quais atuam auxiliares administrativos, 
auxiliares de secretária, auxiliares de biblioteca, atendentes, secretárias gerais, 
bibliotecárias, gestores financeiros e encarregados de RH, o uso diário de computadores 
e tablets em posições sentadas pode resultar em DORT e queixas de dores persistentes. 
O uso inadequado e excessivo de computadores, associado a cadeiras e mesas muitas 
vezes inadequadas, pode afetar o sistema musculoesquelético e comprometer a postura 
corporal dos colaboradores. Além disso, a dor, tanto como causa quanto consequência da 
postura inadequada, é uma queixa constante entre os profissionais.
Diante desse contexto, em que a postura corporal dos colaboradores pode ser 
exigida no trabalho, entender e promover uma boa postura é essencial para minimizar a 
sobrecarga no sistema musculoesquelético e o desperdício de energia mecânica, de modo 
que determinadas ações de trabalho possam ser conduzidas com ótima eficiência (Silva et 
al., 2019).
O posto de trabalho é a configuração física do sistema homem-máquina-
ambiente. É uma unidade produtiva que envolve um trabalhador e o equipamento que 
ele utiliza para realizar suas tarefas, bem como o ambiente ao seu redor. Assim, uma 
fábrica ou qualquer ambiente de trabalho é constituído por um conjunto de postos de 
trabalho.
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
16
O local de trabalho pode colaborar significativamente para a produtividade do 
trabalhador, pois é essencial que ele encontre nesse ambiente condições adequadas 
de proteção. Esse fator é intrínseco à produtividade. O ambiente de trabalho resulta de 
fatores materiais e subjetivos, sendo tão importantes que o custo de melhorias ambientais 
é altamente rentável. Isso ocorre porque a percepção do aumentoda produtividade é 
inevitável, assim como a redução de acidentes, doenças ocupacionais e absenteísmo. 
Além disso, um ambiente de trabalho adequado proporciona um melhor relacionamento 
entre a empresa e o funcionário (Maciel, 2017).
Neste diapasão, a ergonomia é a ciência que estuda as características dos 
trabalhadores para adaptar as condições de trabalho, visando melhorar o bem-estar dos 
colaboradores. O objetivo da ergonomia é investigar aspectos do trabalho que possam 
causar desconforto e propor modificações nas condições laborais para torná-las mais 
adequadas. Dessa forma, a ergonomia utiliza técnicas de análise do trabalho para 
identificar e implementar melhorias no ambiente de trabalho (Mocellin, 2019).
O estado de saúde do colaborador não depende apenas de sua atividade 
profissional. No entanto, quando se discute a relação entre saúde e trabalho, o foco 
geralmente está na degradação da saúde em termos de ausência de doença ou dano 
funcional. Nesse contexto, a ergonomia, com suas técnicas de análise ergonômica, busca 
encontrar dados que permitam a diminuição das disfunções no sistema de produção. 
Isso é feito ao considerar as concepções prescritas do trabalho e a atividade real do 
colaborador, conforme estabelecido pela norma NR-17 (Freitas et al., 2012).
A NR-17 (Norma Regulamentadora 17, 2019) é um conjunto de procedimentos 
voltados para a proteção e saúde dos trabalhadores em uma empresa. Cada norma 
regulamentadora possui um objetivo específico, promovendo segurança tanto para os 
empregados quanto para os empregadores, com o intuito de prevenir acidentes de trabalho 
e problemas físicos dos trabalhadores. É fundamental seguir todas as regulamentações da 
legislação de segurança e medicina do trabalho, que buscam estabelecer parâmetros para 
adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. 
Isso proporciona máximo conforto, segurança e desempenho no ambiente laboral. A 
NR-17 representa um importante instrumento para garantir a segurança e a saúde dos 
trabalhadores (Souza; Pinheiro; Moésia, 2016).
A doença ocupacional ou profissional é aquela que causa alterações na 
saúde do colaborador, independentemente da complexidade das tarefas realizadas, 
desde as mais simples até as mais complexas. Essas doenças devem estar 
diretamente relacionadas à atividade desempenhada pelo trabalhador ou às condições 
de trabalho a que ele está exposto.
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
17
A fundamentação tanto da doença do trabalho quanto da doença 
ocupacional está na Lei 8213 de 24/07/91. Conforme essa lei, tanto a doença do trabalho 
quanto a doença ocupacional são consideradas acidentes de trabalho. No entanto, 
apenas as doenças ocupacionais listadas na relação publicada conjuntamente pelos 
Ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Previdência Social são reconhecidas 
como tais. Portanto, todo acidente de trabalho que provoca lesão, perturbação funcional, 
perda ou redução da capacidade para o trabalho pode ser considerado uma doença 
ocupacional (Malta et al., 2017).
Com o passar do tempo, os esforços contínuos no ambiente de trabalho podem 
desencadear uma série de problemas de saúde devido à exposição do trabalhador aos 
riscos associados às suas atividades. Toda empresa está fundamentada em um processo 
produtivo que se divide em diversas fases, cada uma expondo os trabalhadores a 
diferentes problemas de saúde, conhecidos como doenças ocupacionais.
Trabalhadores que executam funções que exigem esforço físico associado 
à repetição de movimentos podem apresentar, ao longo do tempo, um rendimento 
prejudicado devido à fadiga muscular e mental, além de distúrbios osteomusculares 
relacionados ao trabalho (DORT), resultantes de movimentos e posturas inadequadas. 
Não apenas a produtividade é afetada, mas também ocorrem microlesões em tendões, 
nervos e outras estruturas, que podem se agravar com a continuidade das tarefas 
até desenvolver quadros de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
As doenças ocupacionais compreendem várias patologias, incluindo tendinite 
(inflamação dos tendões) e tenossinovite (inflamação da membrana que envolve os 
tendões), que podem afetar a estrutura osteomuscular, incluindo tendões, articulações, 
músculos e nervos (Silva et al., 2019).
Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) têm sido 
documentados desde os anos 1700, conforme registros históricos de Bernardino 
Ramazzini (1713), médico italiano considerado o fundador da medicina ocupacional. Em 
1970, foi criada a Occupational Safety and Health Administration (OSHA), nos Estados 
Unidos, estabelecendo um sistema nacional para registrar lesões e doenças relacionadas 
ao trabalho (Macleod, 2020).
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
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Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) surgiram 
no Brasil acompanhando o movimento global das pesquisas sobre o tema. Na literatura 
brasileira, o adoecimento de patologias como tendinite, tenossinovite, enteropatia e 
síndrome do túnel do carpo é atribuído ao uso excessivo de determinados grupos 
musculares devido ao trabalho repetitivo e à adoção de posturas inadequadas (Rodrigues, 
2003).
A Lesão por Esforço Repetitivo (LER) é uma síndrome dolorosa que causa 
incapacidade funcional, primariamente relacionada a tarefas que envolvem movimentos 
repetitivos locais ou posturas forçadas. É considerada uma lesão ocupacional, ocorrendo 
quando há uma incompatibilidade entre os requisitos físicos da atividade ou tarefa e as 
capacidades do corpo humano.
Vários fatores de risco contribuem para o desenvolvimento da LER, como 
trações repetitivas, posturas incorretas e levantamento de pesos. A lesão se desenvolve 
gradualmente no organismo e pode passar despercebida ao longo da vida de trabalho, 
sendo diagnosticada muitas vezes quando já compromete significativamente a área 
afetada. Os sintomas mais comuns incluem dores específicas na região afetada, 
formigamento e sensação de queimação, o que pode levar ao afastamento temporário ou 
redução das atividades, dependendo da gravidade.
Por ser considerada uma doença ocupacional, equiparada a um acidente de 
trabalho, sua ocorrência deve ser comunicada aos órgãos competentes. A Norma 
Regulamentadora 17 estabelece diretrizes ergonômicas para o ambiente de trabalho, 
visando mitigar os riscos associados à LER (Diniz; Gonçalves; Lopes, 2017).
A saúde do colaborador não depende apenas de sua atividade profissional, 
mas, de modo geral, o tema relacionado à saúde-trabalho está mais focado na 
preservação da saúde como ausência de doença ou dano funcional. Assim, a ergonomia, 
com suas técnicas de análise ergonômica, busca identificar dados que possam reduzir 
disfunções no sistema de produção, alinhando as concepções teóricas do trabalho com a 
realidade das atividades realizadas pelo colaborador (Freitas et al., 2012).
A Ergonomia tem como objetivo adequar o trabalho às características 
físicas e psíquicas do ser humano. É importante compreender algumas lesões, 
como as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), atualmente denominadas Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), que representam problemas 
relacionados às patologias ocupacionais.
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Os sintomas dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho 
afetam diversas categorias profissionais e são conhecidos por diferentes 
denominações, incluindo Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
A ergonomia proporciona benefícios significativos na prevenção de Lesões por 
Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho 
(DORT). Em resumo, ela tem duas finalidades principais:melhorar e preservar a saúde 
dos trabalhadores, e garantir o funcionamento eficaz dos sistemas técnicos do ponto de 
vista da produção e segurança.
No contexto da prevenção, a ergonomia utiliza recursos para equilibrar as 
demandas do trabalho com as capacidades físicas e mentais dos trabalhadores. Isso 
inclui a observação detalhada do local de trabalho, a análise das tarefas realizadas, a 
identificação dos fatores de risco para a saúde e a implementação de soluções adequadas. 
É fundamental realizar intervenções por meio de projetos integrados que não dissociem a 
segurança do conforto e do bem-estar, visando a eficácia das atividades humanas.
Dessa forma, ao eliminar dores e desconfortos durante a execução das 
atividades laborais, a ergonomia contribui para que o ambiente de trabalho seja 
adequado, promovendo um bom estado de saúde que se reflete também nas atividades 
da vida cotidiana (Diniz; Gonçalves; Lopes, 2017).
Concluímos que é crucial colaborar com a empresa para fornecer equipamentos 
que ajudem a prevenir doenças ocupacionais. Assim como as Lesões por Esforços 
Repetitivos (LER), os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são 
causados por esforços repetitivos, manifestando-se principalmente com alterações nos 
membros superiores, como pescoço, braços, punhos e outras áreas devido ao trabalho 
contínuo.
É fundamental estabelecer a relação causal entre o trabalho realizado e as 
doenças provocadas pelos movimentos repetitivos. Especificamente, os DORT resultam 
de movimentos repetitivos que podem lesionar tendões, músculos e articulações, 
principalmente nos membros superiores, como ombros e pescoço, causando dor, fadiga 
e impactando negativamente o desempenho profissional. Profissões como digitadores, 
bancários, operadores de telemarketing, telefonistas e secretárias estão particularmente 
suscetíveis a esses distúrbios (Brasil, 2017).
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
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No Brasil, o termo DORT foi inicialmente adotado como Distúrbio Osteomuscular 
Relacionado ao Trabalho, mas atualmente é mais comum utilizar a denominação de 
Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT).
Você sabia? Que a maior incidência de casos de Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) e de transtornos mentais ocorra simultaneamente 
à disseminação em escala global dos processos de reorganização do trabalho e da produção e, de maneira 
articulada, à expansão das diferentes formas de precarização do trabalho, entre elas a expansão da 
terceirização. 
Fonte: o autor (2025).
SAIBA MAIS
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Adentrando na temática primeiros socorros, queremos apresentar noções 
básicas diante de uma situação de risco e/ou emergencial, não queremos criar 
socorristas e muito menos heróis, visto que, existem profissionais capacitados para 
isto, no entanto, neste lapso temporal acidente x socorrista, temos que preservar e 
resguardar a integridade física do indivíduo e com as nossas noções básicas manter o 
suporte mínimo necessário até a chegada de apoio.
Os primeiros socorros são ações fundamentais para prestar assistência inicial 
em situações de doença aguda, lesão ou trauma. Podem ser realizados por qualquer 
pessoa e envolvem etapas essenciais como o reconhecimento e avaliação da necessidade 
de intervenção imediata, o uso de habilidades apropriadas para minimizar danos e o 
entendimento das limitações pessoais, além da importância de buscar ajuda adicional 
quando necessário (Zideman et al., 2015). 
Diante das situações mencionadas que exigem intervenção imediata, destaca-
se a Parada Cardiorrespiratória (PCR), que é caracterizada pela ausência de pulso 
carotídeo ou pela manifestação de respiração agônica (gasping) (Bernoche et al., 2019). 
Portanto, o estudo destaca a importância de abordar a temática da Parada 
Cardiorrespiratória (PCR) em ambientes extra-hospitalares, especialmente no contexto do 
socorrista leigo presente no local da ocorrência (Gonzales et al., 2013). 
Segundo o estudo de Cheng et al. (2018), a variação na sobrevivência de pessoas 
que sofrem parada cardíaca em populações geograficamente comparáveis pode ser 
atribuída à existência de fatores de risco modificáveis que influenciam diretamente nos 
resultados e nas possíveis sequelas que a pessoa pode desenvolver.
Noções de Primeiros 
Socorros3
TÓPICO
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
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Entre os principais fatores destacados estão a qualidade e a rapidez do 
atendimento de ressuscitação prestado. 
Elevando as chances de obter sucesso no suporte após a parada cardíaca, 
necessitaremos ter em mente medidas importantíssimas, teoricamente para as pessoas 
leigas, acerca da reanimação cardiopulmonar (RCP), para que garanta alta qualidade 
padrão. Neste caminho, para treinarmos, o caminho para este aperfeiçoamento deve 
incluir mecanismos para avaliar pormenorizadamente o desempenho da RCP bem como 
estratégia, visando estreitar a lacuna de conhecimento entre o desempenho ideal do real 
(Bhanji et al., 2010). 
Nesta temática, existe um passo a passo de como atuar em um possível 
acidente, temos que tomar alguns cuidados específicos, fazendo um levantamento 
bibliográfico, é demonstrado que diante de uma cena “acidente”, para podermos 
salvaguarda a integridade física de um indivíduo temos que tomar algumas medidas 
antes do contato com a vítima. Vejamos.
3.1. Avaliação da cena
Avaliar o local dos fatos é a primeira etapa para a prestação do atendimento. 
Chegando no local, far-se-á necessária uma avaliação em volta, apurando o máximo 
de elementos possíveis. Temos que ter ciência de que não somos heróis, não temos 
superpoderes, pior do que ter um acidentado é ter o acidentado e você que iria dar auxílio 
a ele.
É muito comum em locais onde há acidente por falta de cuidado você também 
se acidentar, explico. Imaginemos a seguinte situação hipotética, na empresa X, o 
colaborador acaba levando uma descarga elétrica, após, você visualiza do colaborador no 
chão, automaticamente, você ira tocar no indivíduo para verificar o que houve, esta ação 
é imediata, às vezes involuntária, que ira retransmitir a descarga elétrica a você também. 
3.2. Solicitar apoio 
Sendo a pessoa imediata que irá dar o primeiro contado, devemos solicitar apoio 
e/ou ajuda. Devemos tentar ligar para os telefones de atendimentos como Corpo de 
Bombeiro (193) SAMU (192) Polícia Militar (190), também gritar por ajuda para que demais 
indivíduos na proximidade possam auxiliar. 
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
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3.3. Sinalização
A fim de criar uma barreira para prevenir a integridade física da vítima e/ou para 
que demais indivíduos tenham atenção e/ou cuidado, pois ali tem algo, precisamos 
sinalizar com o que tivermos. Isolando a cena do acidente e informando de forma hábil 
para que, diante da sinalização, os demais tenham tempo de reação, tomando mais 
cuidado. 
3.4. Atendimento Imediato 
Neste momento começam a vir várias reações, sentimentos, tem pessoas que 
travam, entram em choque, outros passam mal pela cena. Temos elementos fundamentais 
neste momento, explico. Basicamente, isto irá ajudar. 
• Manter a calma; 
• Acionar o socorro especializado;
• Afastar os curiosos;
• Garantir a segurança da vítima.
Neste diapasão, temos que pelo menos dar auxílio, não podemos fingir que nada 
está acontecendo, fingir que não viu.
• Omitir socorro; 
• Deixar de colaborar com as autoridades competentes;
• Tumultuar o local do acidente; 
• Movimentar a vítima.
Salientando que a omissão de socorro é crime no nosso ordenamento jurídico. 
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco 
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, 
ao desamparo ouem grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, 
o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de um a seis meses, ou 
multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão 
resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. 
Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial (Decreto 
Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940).
Como ilustrado, se não tivermos apitos, não precisamos efetivamente estar em 
contato direto com a vítima, e sim, buscar meios, métodos e pessoas que possam auxiliar. 
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
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3.5. Reanimação Cardíaca
Avaliar os níveis de consciência da vítima. Nos casos onde a vítima esteja 
consciente, devemos mantê-la calma e permanecer o paciente na posição de decúbito 
(deitada), evitando movimentá-lo o mínimo possível.
Verifique os sinais vitais, caso a vítima apresente parada cardiorrespiratória, 
aplica-se a manobra de RCP - Reanimação cardiopulmonar.
O ABCD é uma sistematização seguida em atendimentos de todo o mundo. Por 
isso, é essencial para a prática conhecer e saber aplicá-la no ambiente de emergência.
A |ABCD: avaliação das vias aéreas: corpo estranho, obstruções, conclusão. 
B |ABCD: avaliar a respiração e ventilação do paciente, movimento torácico, 
respiração nasal, oral. 
C |ABCD: avaliar o estado circulatório do paciente - 4 parâmetros: pele, pulso, 
perfusão e hemorragias (sangramentos externos).
D |ABCD: avaliar a função neurológica do paciente - escala de coma de Glasgow.
1. Nível de consciência: verifique se o paciente está acordado e alerta. Se 
o paciente estiver inconsciente, tente determinar a causa, como lesão na 
cabeça ou perda de consciência devido a outras razões, como convulsões ou 
hipoglicemia.
2. Resposta pupilar: use uma luz brilhante para avaliar as pupilas do paciente. 
As pupilas devem estar simétricas em tamanho e responder adequadamente à 
luz. Se houver uma assimetria ou falta de resposta pupilar, pode ser um sinal 
de lesão cerebral.
3. Função motora: peça ao paciente para movimentar os braços e pernas e 
observe se há movimentos anormais ou fraqueza muscular.
4. Sensibilidade: teste a sensibilidade do paciente, como a capacidade de 
sentir dor, toque ou pressão, em diferentes partes do corpo.
5. Fala: peça ao paciente para falar ou repetir palavras simples. Observe a 
clareza da fala e a compreensão das palavras.
6. Observe sinais de lesão na cabeça: verifique se há sinais de lesão na 
cabeça, como sangramento, inchaço ou deformidades. (Sanar, online, 2018).
É importante a verificação da resposta pupilar do paciente. Use uma luz 
brilhante para avaliar as pupilas do paciente. As pupilas devem estar simétricas em 
tamanho e responder adequadamente à luz. Se houver uma assimetria ou falta de 
resposta pupilar, pode ser um sinal de lesão cerebral.
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Se a pessoa não te responde e não respira, você deve iniciar os primeiros 
socorros para uma pessoa em RCP: 
Inicie a reanimação cardiopulmonar (RCP)
a) Coloque a pessoa deitada de barriga para cima em uma superfície dura; 
b) Joelhos afastados ao lado da vítima; 
c) Retire as vestimentas que estiverem cobrindo o peito; 
d) Entrelace as mãos, uma sobre a outra, e posicione-as no meio do peito (parte 
inferior do esterno) com os braços retos.
e) A compressão (massagem cardíaca), devendo ter movimentos de subida e 
descida do peito, deslocando entre 5 – 6 cm de afundamento torácico, na frequência de 
100 a 120 compressões por minuto e ou 5 compressões a cada 3 segundos.
3.6. Respiração boca a boca 
De acordo com a American Heart Association, responsável pela publicação das 
Diretrizes para Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular 
de Emergência (ACE), que servem como base para procedimentos de salvamento nos 
Estados Unidos e no mundo, o socorrista leigo não precisa realizar respiração boca a 
boca em adolescentes e adultos nos primeiros minutos de uma parada cardíaca. Quando 
essas vítimas entram em colapso repentinamente, ainda há oxigênio suficiente no sangue 
para manter os órgãos vitais funcionando. Portanto, a prioridade é fazer as compressões 
torácicas, que ajudam a manter a circulação do sangue para o coração e o cérebro, até a 
chegada do atendimento profissional.
IMAGEM 01 - MASSAGEM CARDÍACA 
Fonte: Shutterstock ID: 2065292816
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A cada minuto transcorrido do início do evento, as chances de sobrevivência diminuem de maneira 
gradativa, entre 3 e 4% por minuto com a RCP. 
Fonte: o autor (2025).
SAIBA MAIS
Em qualquer tipo de acidente, existem elementos que acabam impactando, impressionado mais, explico. 
Vemos um indivíduo que sofreu um trauma mecânico, logicamente, a fratura exposta, o osso que rompeu 
a estrutura da pela, se expondo para o meio atmosférico, irá impressionar, chama a atenção. No entanto, o 
nosso foco é a vida do indivíduo, temos que focar nos sinais vitais. 
Fonte: o autor (2025).
REFLITA
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Nesta unidade, tivemos um primeiro contato com as doenças relacionadas ao 
trabalho, o que nos permitiu compreender melhor o papel das Normas Regulamentadoras 
(NRs), criadas pelo Ministério do Trabalho. Essas normas descrevem, de maneira 
detalhada, os requisitos necessários para a segurança e saúde na área ocupacional. 
Além disso, estudamos a ergonomia como disciplina científica que analisa as interações 
entre o ser humano e os elementos de um sistema, abrangendo aspectos físicos, 
cognitivos e organizacionais.
Destacamos a relevância de adotar práticas ergonômicas adequadas como 
um fator essencial para o desempenho profissional e para a promoção da qualidade 
de vida. Exploramos também os conceitos e definições atuais relacionados à saúde 
do trabalhador e à ergonomia, fundamentais para a atuação preventiva e promotora 
de saúde por parte dos profissionais da área. Discutimos a importância de reconhecer 
os tipos de disfunções musculoesqueléticas e de proporcionar ambientes laborais que 
priorizem o conforto, a segurança e a eficiência.
Por fim, abordamos técnicas e procedimentos de primeiros socorros 
voltados para situações emergenciais no ambiente de trabalho, incluindo acidentes e 
patologias. Estudamos ainda as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), compreendendo seus sintomas, 
estágios clínicos e estratégias de intervenção. Este aprendizado fortalece o conhecimento 
teórico-prático necessário para um olhar mais crítico e preparado frente aos desafios da 
saúde ocupacional.
Até a próxima!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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ARTIGO 1: O que é Ergonomia? 
Quer conhecer mais sobre a saúde do trabalhador e ergonomia? A reportagem 
aborda aspectos que explicam de maneira didática e divertida como funcional a ergonomia 
atual e como ela vai ainda mais longe e não fica só no desenho de objetos, explicando, 
entre outros fatores, que por causa da variedade de aplicações, o trabalho em ergonomia 
é feito por vários profissionais, como engenheiros, arquitetos, médicos, fisioterapeutas e 
psicólogos. 
Fonte: Redação Mundo Estranho. O que é ergonomia? Rev. Super Interessante, 
São Paulo, 2018. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-
ergonomia/. Acesso em: 20 nov. 2021.
ARTIGO 2: País Gasta R$ 71 Bilhões ao Ano com Acidente de Trabalho
Neste outro artigo, é abordado que o custo dos acidentes e doenças do trabalho 
para o Brasil chega a R$ 71 bilhões por ano, o equivalente a quase 9% da folha salarial 
do País, da ordem de R$ 800 bilhões. O cálculo é do sociólogo José Pastore, professor 
de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP). “Trata-se de uma cifracolossal que se refere a muito sofrimento e perda de vidas humanas.”
Fonte: PAÍS gasta R$ 71 bilhões com acidente de trabalho. ANAMT. Associação 
nacional de medicina do trabalho, 26 out. 2011. Disponível em: https://www.anamt.org.br/
portal/2011/10/26/pais-gasta-r-71-bilhoes-com-acidente-de-trabalho/. Acesso em: 23 jul. 
2025.
LEITURA COMPLEMENTAR
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MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Ergonomia: Projeto e Produção.
• Autores: Itiro Iida, Lia Buarque de Macedo Guimarães.
• Ano: 2016.
• Editora: Blucher.
• Sinopse: Esta terceira edição traz muitas novidades. Os autores 
fizeram uma grande atualização, introduzindo principalmente as 
mudanças provocadas pela aplicação da informática e dos novos 
meios de comunicação nas interações do sistema humano-máquina-
ambiente de trabalho. Além disso, nas últimas décadas, alargou-se 
a abrangência da ergonomia, com a visão macroergonômica e com 
maior respeito a certas minorias populacionais, como as pessoas 
idosas, obesas e portadoras de deficiências. Foram colocados casos 
de aplicação ao final dos capítulos. Sempre que possível, basearam-se 
em pesquisas brasileiras ou aquelas com possíveis aproveitamentos 
em nossas situações de trabalho. A aplicação dos conhecimentos deste 
livro contribuirá para melhorar o desempenho humano no trabalho, 
reduzindo erros, acidentes, estresses e doenças ocupacionais. Ao 
mesmo tempo, contribuirá para aumentar o conforto e a eficiência dos 
trabalhadores, com evidentes resultados custo/benefício favoráveis.
VÍDEO
• Título: Fisioterapia na Saúde do Trabalhador | Dr.ᵃ Áurea Maria de 
Ponte.
• Ano: 2019.
• Sinopse: No dia 13 de outubro de 2019, foram realizadas 
as programações científicas do I Congresso e II Conflito, em 
comemoração aos 50 anos de reconhecimento da Fisioterapia e da 
Terapia Ocupacional no Brasil. A Dr.ᵃ Áurea Maria de Ponte abordou os 
assuntos supracitados nesta unidade.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=cRb6ExSj7o0
Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
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REFERÊNCIAS
BERNOCHE, C. et al. Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cui-
dados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. 
Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 113, n. 3, p. 449–663, set. 2019.
BHANJI, F. et al. American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscita-
tion and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 18, n. 3, 2010. Disponível em: 
https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/circulationaha.110.971135. Acesso em: 23 abr. 
2021.
BRASIL. Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial 
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Fundamentos da Saúde: História, Prevenção e Primeiros SocorrosUNIDADE 1
2 Patologias 
Relacionadas 
ao Trabalho
UNIDADEUNIDADE
33
PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• Doenças ocupacionais;
• DORT/LER;
• Movimentos Repetitivos na Ergonomia e Doenças do Trabalho.
Objetivos da Aprendizagem
• Abordar sobre as Doenças Ocupacionais, as principais patologias DORT/LER, 
e os movimentos repetitivos e irregulares;
• Compreender os tipos de fatores geradores de doenças ocupacionais, 
os impactos e os mecanismos da lesão, concluindo com os apontamentos 
preventivos.
• Estatelando um raciocínio ergonômico, tendo uma ótima técnica e aprofundada 
sobre o tema.
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
34
Caro(a) estudante, é com grande entusiasmo que avançamos para a nossa 
segunda Unidade. Esta etapa marca um momento crucial no nosso aprendizado, 
pois deixamos para trás a introdução ao tema e nos aprofundamos em aspectos mais 
específicos e técnicos. Nesta Unidade, exploraremos detalhadamente as Doenças do 
Trabalho, suas características, as relações de causa e concausa, bem como as principais 
patologias associadas ao ambiente laboral. Este será um mergulho profundo em um 
conhecimentoessencial para compreender as complexidades das condições de trabalho e 
suas implicações na saúde.
Em sequência, aprofundaremos a análise sobre DORT (Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) e LER (Lesões por Esforços Repetitivos), 
temas amplamente discutidos e, muitas vezes, confundidos. Observa-se que muitos 
profissionais têm dificuldade em correlacionar, definir e diferenciar esses conceitos, 
frequentemente assumindo que são sinônimos, o que não é verdade. Nesta unidade, 
esclareceremos esses detalhes e abordaremos suas particularidades de forma minuciosa.
Exploraremos aspectos relacionados a Movimentos Repetitivos, Movimentos 
Irregulares e as medidas corporais – a Antropometria –, destacando como estas interferem, 
de maneira direta e indireta, nas sobrecargas osteomusculares. Entenderemos como esses 
fatores podem resultar em sobrecarga, compensações corporais e, consequentemente, 
lesões. Este conteúdo será fundamental para compreender as complexidades do impacto 
ergonômico nas condições de trabalho.
Convido a todos para vencermos mais uma Unidade Juntos.
INTRODUÇÃO
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
35
1.1. Definição
Doenças ocupacionais são riscos gerais e/ou específicos presentes no 
ambiente de trabalho que poderão gerar riscos específicos presentes no ambiente 
de trabalho. Esses fatores podem incluir substâncias químicas, agentes biológicos, 
condições físicas ou ergonômicas, ou práticas de trabalho que contribuem para o 
desenvolvimento de doenças. Neste diapasão, não podemos estar correlacionados a 
doenças comuns, pois, tecnicamente, há diferenciação, que podem ter múltiplas causas. 
As doenças ocupacionais têm uma relação direta com o ambiente e as atividades 
laborais do trabalhador (Rosenstock; Cullen, 1994).
Elas podem ser respiratórias, dermatológicas, musculoesqueléticas ou 
neurológicas, com cada categoria apresentando características distintas e implicações 
para a saúde do trabalhador.
O desenvolvimento dessas doenças é frequentemente associado a exposições 
prolongadas e repetitivas a agentes nocivos ou condições inadequadas de trabalho. 
Os mecanismos incluem microtraumas, inflamação crônica e alterações na função 
dos sistemas corporais afetados. A identificação de doenças ocupacionais envolve um 
histórico detalhado do trabalhador, exames clínicos e testes específicos. O monitoramento 
contínuo da saúde dos trabalhadores expostos a riscos é crucial para a detecção precoce 
e a intervenção eficaz.
Doenças Ocupacionais1
TÓPICO
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
36Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
No que tange à prevenção de doenças ocupacionais, requer uma abordagem 
multifacetada, que inclui a implementação de controles de engenharia, o uso de 
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a modificação das práticas de trabalho 
e a educação contínua dos trabalhadores. As estratégias também devem incluir um 
monitoramento regular da saúde e uma resposta eficaz a sinais de doenças emergentes.
Já em relação aos aspectos legais e normativos, a legislação e os 
regulamentos desempenham um papel vital na proteção da saúde dos trabalhadores. 
Eles estabelecem limites de exposição, exigem a notificação e registro de doenças 
ocupacionais, e garantem benefícios de compensação para trabalhadores afetados.
1.2. Características das Doenças Ocupacionais
As doenças ocupacionais possuem características específicas que as 
diferenciam de outras condições de saúde:
Relação Causal com o Ambiente de Trabalho: a principal característica das 
doenças ocupacionais é a sua ligação direta com a exposição a riscos no ambiente de 
trabalho. A identificação da fonte de risco é essencial para classificar uma doença como 
ocupacional (Lundberg, 2003).
Período de Latência: muitas doenças ocupacionais apresentam um longo 
período de latência entre a exposição ao fator de risco e o surgimento dos sintomas. 
Isso pode tornar a relação entre a exposição e a doença mais difícil de detectar (Niosh, 
1998).
Caráter Crônico: muitas doenças ocupacionais se desenvolvem de forma 
crônica, resultando de exposições prolongadas e repetitivas a agentes ou condições 
nocivas. Isso inclui doenças como a pneumoconiose, a asma ocupacional e os distúrbios 
musculoesqueléticos (Orenstein; Rosenstock; Samet, 2001).
Variabilidade nos sintomas: os sintomas das doenças ocupacionais podem 
variar amplamente, dependendo do tipo de exposição e da saúde individual do trabalhador. 
As condições podem afetar diferentes sistemas do corpo, incluindo o sistema respiratório, 
musculoesquelético, dermatológico e neurológico (Wegman; Mclellan; Ladou, 1998).
37Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
1.3. Tipos de Doenças Ocupacionais
As doenças ocupacionais podem ser categorizadas com base no tipo de agente 
ou condição que causa a doença. Entre os principais tipos estão:
Doenças Respiratórias: estas doenças são causadas pela inalação de 
substâncias nocivas, como poeiras, vapores e gases. Exemplos incluem a pneumoconiose 
(como a silicose e a asbestose) e a asma ocupacional (Vogelzang; Tamminga, 2000).
Doenças Dermatológicas: resultam do contato direto com substâncias irritantes 
ou alergênicas, como produtos químicos, solventes e agentes biológicos. Exemplos 
incluem dermatite de contato e eczema ocupacional (Lilly; Robinson; Mclellan, 2002).
Doenças Musculoesqueléticas: desenvolvem-se devido a práticas de trabalho 
que envolvem esforço físico repetitivo, posturas inadequadas ou levantamento de cargas 
pesadas. Exemplos incluem tendinites, síndrome do túnel do carpo e lombalgia (Buckle; 
Devereux, 2002).
Doenças Neurológicas: podem resultar da exposição a substâncias neurotóxicas 
ou condições de trabalho que afetam o sistema nervoso. Exemplos incluem neuropatias 
periféricas e síndrome de Parkinson relacionada ao trabalho (Rosenstock; Cullen, 1994).
1.4. Prevenção
A prevenção de doenças ocupacionais envolve a implementação de medidas 
para reduzir ou eliminar a exposição a fatores de risco. As principais estratégias incluem: 
Controle de Risco: implementar controles de engenharia e administrativos para 
minimizar a exposição a agentes nocivos, como ventilação adequada, substituição de 
substâncias perigosas e modificação dos processos de trabalho (Niosh, 1998).
 Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): fornecer e garantir o uso 
adequado de EPIs, como máscaras, luvas e óculos de proteção, para reduzir o risco de 
exposição a agentes nocivos (Wegman; Mclellan; Ladou, 1998).
Treinamento e Conscientização: oferecer treinamento contínuo aos 
trabalhadores sobre os riscos ocupacionais e as práticas seguras para prevenir 
doenças relacionadas ao trabalho (Lundberg, 2003).
Monitoramento da Saúde: realizar exames médicos periódicos e monitoramento 
da saúde dos trabalhadores para detectar precocemente sinais de doenças ocupacionais 
e implementar medidas corretivas (Orenstein; Rosenstock; Samet, 2001).
38Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
1.5. Classificação das Doenças Ocupacionais
Além das categorias gerais previamente discutidas, as doenças ocupacionais 
podem ser subdivididas de acordo com suas causas e impactos específicos. Uma 
análise mais detalhada dessas categorias pode ajudar a entender melhor a variedade de 
condições associadas ao ambiente de trabalho.
Doenças Respiratórias Ocupacionais
• Pneumoconioses: estas são doenças pulmonares causadas pela inalação 
de poeiras minerais, como carvão, sílica ou amianto. Exemplos incluem a 
silicose (causada pela inalação de sílica cristalina) e a asbestose (resultante da 
exposição ao amianto) (Berman; Crump, 2008). Estas condições resultam em 
fibrose pulmonar e comprometimento da função respiratória.
• Asma Ocupacional: esta condição é desencadeada ou exacerbada por 
fatores ambientais no local de trabalho, como poeiras, vapores químicos ou 
alérgenos. A exposição a esses irritantes pode causar inflamaçãodas vias 
aéreas e sintomas como tosse, dispneia e chiado no peito.
Doenças Dermatológicas Ocupacionais
• Dermatite de Contato: é uma inflamação da pele que resulta do contato direto 
com substâncias irritantes ou alérgenas. Pode ser dividida em dermatite irritativa 
e dermatite alérgica. A dermatite irritativa ocorre quando uma substância química 
causa dano direto à pele, enquanto a dermatite alérgica é uma reação alérgica a 
um agente específico (Gawkrodger, 2000).
Doenças Musculoesqueléticas Ocupacionais
• Distúrbios do Movimento Repetitivo (DMRs): estes incluem condições como 
a síndrome do túnel do carpo, tendinite e epicondilite. Eles são causados por 
movimentos repetitivos ou posturas inadequadas que levam a estresse crônico 
nos músculos e tendões (Buckle; Devereux, 2002).
• Lombalgia: a dor nas costas pode resultar de levantamento de cargas 
pesadas, posturas inadequadas e movimentos repetitivos que sobrecarregam a 
coluna vertebral (Marras; Bennett; Templer, 2000).
39Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
Doenças Neurológicas Ocupacionais
• Neuropatia Periférica: pode ocorrer devido à exposição a substâncias 
neurotóxicas, como metais pesados e solventes orgânicos. Os sintomas incluem 
dor, formigamento e fraqueza nas extremidades (Gordon, 2003).
• Síndrome de Parkinson Relacionada ao Trabalho: esta condição pode 
ser associada à exposição prolongada a pesticidas e solventes orgânicos. Os 
sintomas incluem tremores, rigidez e bradicinesia (Rosenstock; Cullen, 1994).
As doenças ocupacionais representam um desafio significativo para a saúde 
dos trabalhadores e para a gestão de ambientes de trabalho seguros. Estas condições 
de saúde, causadas por exposições a riscos específicos no ambiente de trabalho, variam 
amplamente em termos de suas manifestações clínicas e impactos sobre a qualidade 
de vida dos trabalhadores. Compreender a natureza e os mecanismos das doenças 
ocupacionais é fundamental para implementar estratégias eficazes de prevenção e 
controle.
O avanço na compreensão e gestão das doenças ocupacionais não só melhora 
a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, mas também contribui para um ambiente de 
trabalho mais seguro e produtivo. A integração de práticas seguras, a utilização de 
tecnologias adequadas e a formação contínua dos trabalhadores são elementos-chave na 
prevenção e controle dessas condições. Adotar uma abordagem proativa na identificação 
e mitigação dos riscos ocupacionais é fundamental para reduzir a incidência dessas 
doenças e promover a saúde ocupacional a longo prazo.
40
2.1. LER e DORT: Abordagem Introdutória
Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho (DORT) são conceitos-chave na medicina do trabalho e na 
saúde ocupacional. Embora frequentemente usados como sinônimos, esses termos têm 
nuances importantes que devem ser entendidas para o desenvolvimento de estratégias 
eficazes de prevenção e tratamento (Buckle; Devereux, 2002).
LER – Lesão por Esforço Repetitivo refere-se a um conjunto de condições 
que afetam os músculos, tendões e nervos, decorrentes de movimentos repetitivos, 
posturas inadequadas ou sobrecarga física. Quando esses movimentos são realizados 
repetidamente sem períodos adequados de recuperação, podem resultar em inflamações, 
dores e, em casos mais graves, em lesões crônicas. DORT – Doenças OsteoMusculares 
Relacionado ao Trabalho, por sua vez, é um termo mais abrangente que inclui não apenas 
as lesões por esforço repetitivo, mas também aquelas causadas por posturas estáticas 
prolongadas, vibrações e outros fatores biomecânicos e psicossociais no ambiente de 
trabalho (Vieira et al., 2016).
O desenvolvimento de LER e DORT envolve uma interação complexa entre 
fatores biomecânicos, fisiológicos e psicossociais. Movimentos repetitivos, como o uso 
contínuo do teclado, podem causar microtraumas nos tecidos, que, ao se acumularem, 
resultam em inflamações crônicas. Posturas inadequadas e sobrecarga física aumentam 
o risco de lesões ao forçar articulações e tecidos moles. 
DORT/LER2
TÓPICO
Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
41Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
Além disso, a ausência de tempo adequado de recuperação intensifica esse 
risco, uma vez que os tecidos não têm tempo suficiente para regeneração. Fatores 
psicossociais, como o estresse e a monotonia no trabalho, também desempenham um 
papel crucial na intensificação da percepção de dor e na progressão das lesões (Barreto; 
Swerdlow, 1999).
LER e DORT são altamente prevalentes em diversas ocupações, 
especialmente naquelas que envolvem atividades repetitivas, como digitação, trabalho 
em linhas de montagem ou profissões como a enfermagem, onde há exposição a 
cargas físicas significativas. Pesquisas indicam que essas condições são responsáveis 
por uma parcela substancial dos afastamentos relacionados à saúde no trabalho, 
representando um impacto econômico considerável tanto para as empresas quanto 
para os sistemas de saúde pública (Vieira et al., 2016). Em setores de alto risco, a 
prevalência de DORT pode chegar a afetar até 50% dos trabalhadores, resultando 
não apenas em dor e desconforto, mas também em incapacidades permanentes que 
comprometem a qualidade de vida.
A prevenção de LER e DORT exige uma abordagem multifatorial, incluindo 
ergonomia, mudanças organizacionais e intervenções educativas. A adaptação do 
ambiente de trabalho para reduzir a repetição de movimentos, melhorar as posturas 
e permitir pausas adequadas é fundamental para diminuir a incidência dessas lesões. 
Além disso, programas de exercícios específicos para fortalecer os músculos e aumentar 
a flexibilidade podem ser benéficos. O tratamento dessas condições envolve uma 
combinação de terapia física, ajustes ergonômicos e, em casos mais graves, intervenções 
médicas, como o uso de anti-inflamatórios ou até mesmo cirurgias. A abordagem deve ser 
personalizada, considerando a gravidade da condição e as necessidades individuais do 
paciente (Buckle; Devereux, 2002).
LER e DORT representam desafios significativos para a saúde ocupacional. 
Uma compreensão detalhada dos mecanismos envolvidos e a implementação 
de estratégias eficazes de prevenção e tratamento são essenciais para reduzir 
a incidência dessas condições e mitigar seu impacto na força de trabalho (Barreto; 
Swerdlow, 1999).
2.2. Diferença entre Dort/Ler
Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho (DORT) são dois termos amplamente usados na saúde 
ocupacional para descrever diferentes condições musculoesqueléticas que surgem no 
contexto laboral. 
42Patologias Relacionadas ao TrabalhoUNIDADE 2
Embora muitas vezes tratados como sinônimos, esses termos possuem 
distinções significativas em termos de definição, abrangência e aplicação. O termo LER 
surgiu inicialmente para descrever lesões que afetam predominantemente os membros 
superiores, resultantes de movimentos repetitivos, posturas inadequadas e sobrecarga 
física. Em contrapartida, DORT é um conceito mais recente e abrangente, que inclui, além 
das lesões por esforço repetitivo, outras condições associadas ao trabalho, como aquelas 
decorrentes de posturas prolongadas, exposição a vibrações e fatores psicossociais 
(Buckle; Devereux, 2002).
Do ponto de vista biomecânico, LER se concentra na repetição contínua de 
movimentos que, sem recuperação adequada, podem causar microtraumas nos tecidos, 
resultando em inflamação crônica, dor e disfunção. A lesão se desenvolve principalmente 
em estruturas anatômicas específicas que são submetidas a uso excessivo. Já DORT 
abrange uma gama mais ampla de distúrbios, incluindo aqueles provocados por posturas 
inadequadas mantidas por longos períodos, o que pode levar a desequilíbrios musculares, 
compressões nervosas e problemas articulares. Além disso, DORT também considera 
lesões causadas por outros fatores, como a exposição

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