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FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO EMPRESARIAL Francisleila Melo Santos 2 Menu de Ícones Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São sugestões de links para vídeos, documentos científico (artigos, monografias, dissertações e teses), sites ou links das Bibliotecas Virtuais (Minha Biblioteca e Biblioteca Pearson) relacionados com o conteúdo abordado. Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações importantes nas quais você deve ter um maior grau de atenção! São exercícios de fixação do conteúdo abordado em cada unidade do livro. São para o esclarecimento do significado de determinados termos/palavras mostradas ao longo do livro. Este espaço é destinado para a reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-o a suas ações, seja no ambiente profissional ou em seu cotidiano. 3 SUMÁRIO ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA ................................................................ 6 1.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 6 1.2 O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO ........................................................... 7 1.3 AS FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA ................................................. 11 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 15 RISCO E RETORNO DE ATIVOS ............................................................. 19 2.1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 19 2.2 RISCO ....................................................................................................................... 19 2.1.1 Risco Econômico ................................................................................................ 21 2.1.2 Risco Financeiro .................................................................................................. 21 2.1.3 Risco Sistemático e Risco não Sistemático. ................................................... 23 2.1.4 O risco total da carteira de investimento ...................................................... 24 2.3 INCERTEZA ............................................................................................................... 29 2.4 DIFERENÇA ENTRE RISCO E INCERTEZA .................................................................. 29 2.5 RETORNO ................................................................................................................. 30 2.6 A ESCOLHA ENTRE RISCO E RETORNO ................................................................... 32 2.7 TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) .......................................................................... 36 2.8 VANTAGENS DE DESVANTAGENS DA TIR ............................................................... 38 2.9 USO DA TIR EM PROJETOS DE INVESTIMENTO. ....................................................... 39 2.10 ALTERNATIVAS DE INVESTIMENTO PARA CADA TIPO DE INVESTIDOR ............... 40 2.11 O PERFIL DO INVESTIDOR ...................................................................................... 40 RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO E ALAVANCAGEM FINANCEIRA ............................................................................................ 49 3.1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 49 3.2 RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO (ROE) .................................................... 50 3.3 ALAVANCAGEM FINANCEIRA ............................................................................... 55 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 58 ORÇAMENTO EMPRESARIAL ................................................................... 61 4.1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 61 4.2 ASPECTOS ORÇAMENTÁRIOS INTRODUTÓRIOS .................................................... 61 4.3 FINALIDADE DO ORÇAMENTO ............................................................................... 64 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 68 TIPOS DE ORÇAMENTO ........................................................................... 71 5.1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 71 5.2 ORÇAMENTO DE TENDÊNCIAS ............................................................................... 71 5.3 ORÇAMENTO BASE ZERO ........................................................................................ 76 5.4 ORÇAMENTO POR ATIVIDADES .............................................................................. 80 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 82 UNIDADE 02 UNIDADE 01 UNIDADE 03 UNIDADE 04 UNIDADE 05 4 ORÇAMENTO MESTRE ............................................................................. 86 6.1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 86 6.2 ELABORANDO O ORÇAMENTO MESTRE ................................................................ 86 6.3 ORÇAMENTO DE VENDAS ...................................................................................... 89 6.4 ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO ................................................................................ 90 6.5 ORÇAMENTO DE COMPRA DE MATÉRIAS PRIMAS ................................................ 91 6.6 ORÇAMENTO DE MÃO DE OBRA DIRETA ............................................................... 92 6.7 ORÇAMENTO DOS CUSTOS INDIRETAS DE FABRICAÇÃO .................................... 93 6.8 ORÇAMENTO DE ESTOQUE FINAL .......................................................................... 94 6.9 ORÇAMENTO DE CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS .................................... 95 6.10 ORÇAMENTO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS E DE VENDAS ........................... 97 6.11 ORÇAMENTO GLOBAL – O ORÇAMENTO MESTRE FINALIZADO. ........................ 98 6.12 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 100 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................. 103 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ............................................. 106 REFERÊNCIAS ......................................................................................... 107 UNIDADE 06 5 CONFIRA NO LIVRO Nesta Unidade de Aprendizagem você verá o conceito de Administração Financeira e suas áreas de atuação com destaque às atribuições do administrador financeiro Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai analisar o risco e retorno dos investimentos, mensurar o risco de uma carteira de investimentos e conhecer as principais alternativas de investimento para cada tipo de investidor. Nesta unidade você vai estudar Retorno sobre investimento (ROI), além de conhecer seu conceito e entender sua importância para as empresas e conhecer o conceito de alavancagem, o qual permite que empresas potencializem os resultados das suas atividades. Esta Unidade de Aprendizagemtrata de um instrumento importante para a administração chamado orçamento. Ele é um aspecto do planejamento utilizado por muitas empresas, lucrativas, sem fins lucrativos, grandes ou pequenas, de serviços ou industriais, para formular e implementar estratégia, coordenar e monitorar operações, revisar e avaliar desempenho. Nesta Unidade de Aprendizagem você estudará de que forma o orçamento se apresenta como peça-chave da organização e verá as vantagens e desvantagens da sua aplicação. Nesta Unidade de Aprendizagem você verá os tipos de orçamento, subdivididos em três categorias: orçamento de tendências, orçamento base zero e orçamento por atividades. As metas fundamentais de uma empresa (metas de venda, de produção e metas financeiras) são elaboradas a partir de uma interconexão de tipos de orçamentos. O agrupamento desses orçamentos é chamado de orçamento-mestre. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai entender como é desenvolvido o orçamento-mestre e por que o orçamento de vendas é o seu ponto de partida. Por fim será apresentado o resultado global deste orçamento. 6 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA A administração financeira envolve uma série de decisões, entre elas as que dizem respeito acerca do que fazer com os recursos financeiros, como utilizá-los e como obter recursos adicionais em caso de insuficiência desses recursos. 1.1 INTRODUÇÃO A Administração Financeira aborda além das finanças as responsabilidades do administrador financeiro numa empresa. Os administradores financeiros gerenciam ativamente as finanças de todos os tipos de empresas, financeiras ou não-financeiras, privadas ou públicas, grandes ou pequenas, com ou sem fins lucrativos. Eles desempenham uma variedade de tarefas, tais como orçamentos, previsões financeiras, administração do caixa, administração do crédito, análise de investimento e captação de recursos (GITMAN, 2010). Em virtude do atual cenário econômico muitas empresas vêm encontrando dificuldades para se manter no mercado. Assim, a gestão financeira auxilia na gestão eficiente dos recursos necessários para a atividade das empresas e sua manutenção no mercado. As empresas passam por diversas dificuldades ao longo da sua existência e, em alguns casos, não conseguem sobreviver. Geralmente, essas dificuldades são provenientes de problemas econômicos e financeiros. A falta de uma gestão financeira eficiente pode acarretar diversos problemas nas empresas. Um dos fatores visíveis nas empresas é a desorganização dos fluxos econômicos no que tange à geração e à distribuição do valor agregado, neste capítulo será abordada a Administração Financeira e suas áreas de atuação dando início aos estudos que corroboram para o entendimento do planejamento financeiro e o orçamento empresarial, temas alvo desta apostila. Erro! Fonte de referênci a não encontra 7 1.2 O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO A administração financeira se utiliza de métodos e técnicas que devem ser aplicados em conjunto para gerenciar os recursos financeiros de uma empresa. A administração financeira, através de seu gestor, condiciona esse profissional a tomar uma série de decisões, entre elas o que diz respeito aos recursos financeiros. As principais questões que se configuram nestes casos são, por exemplo, diante de recursos disponíveis, como utilizá-los e, ao contrário, quando escassos, como obtê-los. O propósito do gestor é proporcionar à empresa os recursos necessários para suprir todas as suas operações, ou pelo menos parte significativa delas, sabendo que precisará tomar novas decisões dependendo da disponibilidade ou não desses recursos. Mesmo em cenários tão diversos, a dominância dos meios de comunicação, redes sociais, internet, ainda nos deparamos neste contexto contemporâneo, com empresas que não utilizam ferramentas contábeis nem têm gestão financeira, o que gera surpresa aos seus administradores e proprietários quanto à saúde financeira delas. Outro ponto a considerar é que ainda há resistência à modernização do processo produtivo e dos sistemas de informação gerencial por parte de alguns empresários, o que engessa os processos realizados pelos departamentos ou unidades de negócio, atrasa o processo decisório e impacta na eficiência e na eficácia dos recursos, acarretando maiores custos para a empresa. No que tange às empresas familiares, é comum verificar a falta de registro e de controle dos gastos faltando dados para a contabilidade, devido à falta de documentação comprobatória (nota fiscal, por exemplo). Também é comum a confusão entre o patrimônio familiar e o empresarial, que pode resultar em alto risco para ambas as partes e acarretar perda do patrimônio ou uso indevido do dinheiro da empresa. Independente do porte, seguimento ou modernidade na qual a empresa está inserida qualquer tomada de decisão efetuada pelos gestores de uma organização requer um planejamento, não importando se a ação a ser executada seja de curto, médio ou longo prazo. É fundamental para a sobrevivência das empresas que todo o projeto, 8 desenvolvimento de novo produto ou serviço, ampliação, redução, seja apresentado de forma lógica e estruturada para que, com esse domínio, reduzam- se riscos e contingências. Toda a decisão gerencial deve estar pautada em uma visão global da organização e de seu meio focando em seus fatores internos e externos (oportunidades e ameaças, forças e fraquezas), tendo como perspectiva de resultados àqueles direcionados aos objetivos empresariais. O papel do administrador financeiro é proporcionar à empresa os recursos financeiros necessários às suas operações, aplicando as sobras e captando as faltas. A figura 1 apresenta os processos de decisão relacionados ao papel do administrador financeiro. Figura 1: Processos de decisão relacionados ao papel do administrador financeiro 9 As empresas e os estabelecimentos precisam o tempo todo de recursos, seja para aquisição de máquinas e equipamentos, para a contratação de pessoas, seja para estruturar suas operações ou para sua expansão. Tomar decisões é o papel do gestor (ou administrador) financeiro nas organizações. É dele a responsabilidade de buscar oportunidades para manter o empreendimento saudável em um mundo de negócios cada vez mais competitivo. Cabe ao gestor financeiro captar e alocar capital visando maximizar a riqueza da empresa e o valor de suas ações. É dele as decisões sobre fontes e custos dos recursos, bem como a responsabilidade pelos riscos envolvidos. A tomada de decisões em resposta às oportunidades ocorre quando os gerentes buscam maneiras de aprimorar o desempenho organizacional para beneficiar clientes, funcionários e outros stakeholders (pessoas interessadas), e a que é baseada em resposta a ameaças ocorre quando eventos dentro ou fora da organização estão afetando adversamente o desempenho organizacional e os gerentes estão buscando maneiras de aumentar o desempenho, de forma ampla e geral e não apenas de uma determinada área da organização, deste modo a administração financeira se apresenta de modo interdisciplinar. De acordo com Moraes e Oliveira (2011, p. 57) “saberes em administração, contabilidade e economia devem estar em poder do gestor para que as decisões por ele tomadas sejam as mais eficientes e eficazes possíveis. Utilizando-se da interdisciplinaridade, o administrador financeiro é capaz de objetivar processos, delimitar ações, planejar estratégias e obter resultados esperados, Oliveira (2010, p. 14) destaca que a Administração Financeira “é uma atividade orientada por objetivos. As ações do administrador financeiro relativas à análise e ao planejamento financeiro, às decisões de investimento e às decisões de financiamentosdevem ser tomadas visando-se ao cumprimento dos objetivos dos proprietários da empresa, seus acionistas”. As decisões básicas da Administração Financeira envolvem o orçamento de Capital (trata basicamente do investimento de longo prazo da empresa e consiste basicamente em avaliar as oportunidades de investimento atrativas no mercado, sempre ponderando o retorno esperado e o risco envolvido (OLIVEIRA, 2010). A estrutura de Capital (consiste basicamente em como será composto o capital empregado pela empresa, seja este próprio e de terceiros) e a administração do Capital de Giro (trata da administração financeira de curto prazo 10 da empresa, ou seja, preocupa-se com a administração dos ativos e passivos imediatos da empresa, tais como estoques, caixa, fornecedores, entre outros) (ROSS; WESTERFIELD; JORDAN, 2000). O papel do administrador financeiro é avaliar os resultados dos investimentos que realiza. Ao tomar essa decisão, ele deve verificar as taxas de retorno de acordo com os prazos. A partir disso, busca no mercado diferentes possibilidades para que possam manter sempre que possível a maior rentabilidade e liquidez. Isso nem sempre é possível, pois a rentabilidade máxima pode comprometer a liquidez. Essa é uma das decisões que o administrador deve tomar. Muitas empresas (cerca de 55%, segundo pesquisadores norteamericanos) confiam a tarefa de coordenar e dirigir o processo orçamentário diretamente a um dos executivos de primeira linha da área de finanças: geralmente, o tesoureiro ou o ‘controller’. Outras empresas preferem designar alguém para a função específica de diretor, gerente, ou coordenador de orçamentos. Outros, ainda, entendem proveitosa a constituição de uma Comissão de Orçamentos (Budget Committee), geralmente composta de um Coordenador de Orçamentos, o presidente da empresa e mais alguns poucosexecutivos de primeiro escalão administrativo (PASSARELLI; BOMFIM, 2004, p. 27). Segundo Gitman (2010) o administrador financeiro deve proporcionar a empresa estratégias que façam aumentar seu patrimônio líquido e acrescenta: Para o autor, para que se possa entender como anda o desempenho da empresa dentro de um cenário tão competitivo e turbulento, é necessário acompanhar o seu fluxo e sua lucratividade líquida. Por isso, o administrador financeiro recebe a valiosa incumbência de assegurar o acompanhamento constante das finanças da empresa. Mas não se trata de apenas atualizar diariamente o fluxo de caixa, e, sim, de garantir sua análise. 11 1.3 AS FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA O conhecimento acerca das teorias e ferramentas de gestão financeira e administrativa permitem aos gestores melhor domínio e controle dos custos da atividade, bem como das estratégias de preço tendo em vista os impactos esperados nas receitas dos empreendimentos. Gitman (2010) esclarece que o fluxo de caixa é essencial para a empresa e deve ser a primeira preocupação do administrador financeiro, tanto na gestão das finanças do dia a dia quanto no planejamento e na tomada de decisões estratégicas, para o autor o administrador financeiro tem a responsabilidade de gerir os negócios financeiros de uma empresa através de planejamento, liberação de crédito, avaliação de propostas e captação de recursos para as mais diversas operações (figura 2). Figura 2: Balanço patrimonial Fonte: Adaptado de Gitman (2010) A administração financeira é uma das áreas funcionais da administração que tem como principal objetivo a maximização do valor do negócio para os seus proprietários. Obtida através de decisões de investimento, de financiamento e da própria gestão operacional, é fundamental para quem assume responsabilidades de gestão, dominar algumas técnicas e métodos de forma a poder tomar decisões corretas na condução do seu negócio. As funções da administração financeira são: O planejamento financeiro: “compreende estimar os recursos necessários para os planos da empresa, determinar as fontes desses recursos e 12 estabelecer sua melhor aplicação” (CAMARGO, 2007, p. 18); O controle financeiro ou controladoria: “conjunto de princípios, procedimentos métodos, que se ocupa da gestão econômica das entidades, com e sem fins lucrativos, tendo como finalidade torna-las mais eficazes” (SANTOS, 2012, p. 05); A administração dos ativos e passivos: “pode ser definida como quatro conceitos-chave: I. liquidez, muito importante para qualquer instituição que aceita depósitos pois deve atender à necessidade de recursos instantâneos dos clientes; II. a estrutura de mercado futuro da taxa de juros, cuja forma e as expectativas para o curto e médio prazos impactam significativamente a estratégia de ALM aplicada no Banco; III. O perfil de maturação da carteira, sendo que a maturidade da carteira, o casamento entre ativos e passivos e a curva de juros, determinam o risco da taxa de juros total da carteira; inadimplência, que é o risco de exposição da instituição ao possível não pagamento; IV. inadimplência, que é o risco de exposição da instituição ao possível não pagamento” (CHOUDHRY, 2007, p. 170) Os ativos financeiros são uma possibilidade de negócios tanto para investidores, que negociam no mercado financeiro, quanto para empresas, que captam valores de terceiros para que possuam capital e capacidade de investimento. Os ativos financeiros representam uma parcela das possibilidades de negócios no mercado de capitais, tornando possível obter retorno financeiro, mas também se trata de um investimento arriscado, sendo necessário mensurar riscos e compreender o comportamento de investimentos de renda variável. A administração econômico-financeira tanto quanto as diretrizes do processo de produção são um dos mais importantes pilares das organizações, independente do segmento, é preciso que o gestor saiba administrar principalmente com o aumento da competitividade no mercado, nesta premissa Ferreira e Caetano (2017) acrescentam: 13 Administração Financeira contribui para o sucesso dos negócios, pois, consegue evidenciar as decisões passadas, traduzindo-as em números através de suas ferramentas, projetando assim as próximas ações, pois, através delas terão meios de objetivar novos alvos para atingir ganhos mais condizentes com a realidade das empresas. Além disso, também nos permite analisar em tempo real se as decisões mais presentes podem ser reavaliadas e mudadas frente a uma situação emergencial (Ferreira e Caetano, 2017, p. 17). Nos mercados, o capital é o recurso que viabiliza todos os tipos de investimentos. Esses investimentos têm riscos inerentes e também retornos. Assim sendo, não existem capitais livres de riscos, mas existem capitais que podem não obter retorno. O que isso quer dizer? O grande desafio do administrador financeiro é ser capaz de coordenar, avaliar e monitorar a situação financeira - para uma melhor aplicação dos recursos através de dados; e analisar adequadamente os riscos envolvidos em uma tomada de decisão deste modo, “para serem bem-sucedidos, os administradores financeiros têm que se envolver com as mudanças que ocorrem, constantemente, no campo das finanças” (OLIVEIRA, 2010, p. 13). Para que os investimentos aconteçam, os investidores avaliam os retornos do projeto e o confrontam com os riscos do capital, ou seja, os riscos que formam o custo de uso de capital - que pode ser próprio (sócios) ou de terceiros (investidores e instituições financeiras). Além disso, nos mercados existem diferentes tipos de riscos, diferentes origens de capital e diferentes prazos de quitação dos recursos de financiamento. No mundo contemporâneo, competitivo e globalizado, cada vez mais se torna necessária a utilização de ferramentasque garantam a continuidade das 14 empresas no mercado. Dentro desse contexto, as empresas passam a buscar um eficiente controle administrativo, em que o administrador precisa utilizar de todas as ferramentas possíveis para a execução dos objetivos da empresa. A tomada de decisão no ambiente empresarial é feita sob condições de incertezas, pois todo projeto ou toda decisão de investimento são baseados em projeções de cenários, expectativas de custos, previsões de receitas. Ou seja, utiliza- se valores futuros, que podem ou não acontecer. Com a possibilidade desses valores e resultados variarem, existe o risco. Assim, estudar como o risco e o retorno poderão comportar-se é essencial para auxiliar os gestores no processo de tomada de decisão, pois eles devem otimizar a relação entre risco e retorno, que serão abordados no capítulo a seguir. 15 FIXANDO O CONTEÚDO 1. O que é administração financeira? a) É o conjunto de relatórios que identificam as operações de uma empresa. b) Trata-se de um conjunto de indicadores elaborados pelos diretores da empresa, auxiliados pelos gerentes de bancos, que levam à obtenção de resultados financeiros das empresas c) É o conjunto de métodos e técnicas que devem ser utilizados para gerenciar os recursos financeiros de uma empresa. d) São regras determinadas pela empresa para o controle das suas informações. e) Trata-se do controle do fluxo de caixa. 2. A tomada de decisões é o processo pelo qual os gerentes reagem às oportunidades e ameaças, identifica-se neste processo o processo reativo dos gestores. Sobre tomada de decisões assinale a alternativa correta: a) A tomada de decisões em resposta às oportunidades ocorre quando os clientes buscam maneiras de aprimorar suas necessidades. b) A tomada de decisões em resposta às oportunidades ocorre quando os gerentes estão sempre tentando tomar boas decisões para aprimorar o desempenho comercial. c) A tomada de decisões em resposta a ameaças ocorre quando eventos dentro ou fora da organização estão afetando adversamente o desempenho organizacional e os gerentes estão buscando maneiras de aumentar o desempenho. d) É baseada em resposta a oportunidades e somente ocorre quando eventos fora da organização estão alterando o desempenho organizacional e sua margem de rentabilidade. e) A tomada de decisões em resposta a ameaças visa confrontar a alta direção quanto a necessidade tomar decisões de curto prazo, sobre objetivos. 3. A administração dos ativos e passivos pode ser definida como quatro conceitos- chave, são eles: a) Liquidez, a estrutura de mercado futuro da taxa de juros, o perfil de maturação da carteira e a inadimplência. 16 b) Controle do passivo, a estrutura de mercado futuro da taxa de juros, o perfil de maturação da carteira e a inadimplência. c) Liquidez, controle do passivo, o perfil de maturação da carteira e a inadimplência. d) Liquidez, controle do passivo, perfil dos acionistas e a inadimplência. e) Perfil dos acionistas, liquidez, a estrutura de mercado futuro da taxa de juros, e a inadimplência. 4. São responsabilidades do administrador financeiro: a) Compreende estimar os recursos necessários para os planos da empresa, determinar as fontes desses recursos e estabelecer sua melhor aplicação. b) Emitir diversas declarações em favor da empresa e atestar a sua regularidade perante a Previdência Social e ao Fisco. c) A elaboração do conjunto completo das Demonstrações Contábeis, incluindo a Demonstração dos Fluxos de Caixa, a Demonstração do Resultado Abrangente e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. d) Elaborar o Plano de Contas, mesmo que simplificado, considerando-se as especificidades e natureza das operações realizadas, contemplando as necessidades de controle de informações no que se refere aos aspectos fiscais e gerenciais. e) Realizar a escrituração contábil com observância aos Princípios de Contabilidade, aprovados pela Resolução CFC n.º 750/93, e em conformidade com as disposições contidas nesta Interpretação. 5. Em algumas empresas a tarefa de coordenar e dirigir o processo orçamentário é realizada pelos executivos da alta direção, em outras estas funções é direcionada a qual profissional? a) Analista de compliance (conformidade). b) Gerente Legal. c) Controller. d) Faturista. e) Supervisor de contas. 17 6. Como diziam Kaplan e Norton: “O que não é medido não é gerenciado”, considerando critérios de medição e gerenciamento, o administrador financeiro deve dedicar-se a gestão eficaz de quais atividades abaixo relacionadas? a) Controle da Qualidade. b) Política de recursos humanos. c) Gestão de fornecedores. d) Controle de perdas. e) Contas a pagar e faturamento. 7. Trata-se de um setor do departamento financeiro responsável pelo fluxo de caixas que a empresa tem, cuja atribuição fundamental é o controle diário das entradas e saídas do dinheiro, também é responsável por gerir as contas bancárias da companhia, já que uma parcela do movimento de caixa é realizada eletronicamente. a) Faturamento. b) Gestão de contas. c) Contabilidade. d) Tesouraria. e) Relação com bancos. 8. Os demonstrativos financeiros tornam possível uma análise financeira, contábil, econômica e de alavancagem de uma organização, de forma a apresentar os resultados para os stakeholders da empresa, os resultados ou projeções da empresa, e subsidiar a tomada de decisão. Ciente das informações elencadas, com relação ao administrador financeiro, assinale a seu papel nas organizações. a) O papel do administrador financeiro é apresentar a empresa a necessidade de recursos humanos necessários às suas operações, aplicando regras de conduta e incentivos, b) O papel do administrador financeiro é proporcionar à empresa os recursos financeiros necessários às suas operações, aplicando as sobras e captando as faltas c) O papel do administrador financeiro é gerenciar a aquisição dos recursos materiais necessários às suas operações. d) O papel do administrador financeiro é proporcionar à equipe de vendas as 18 metas a serem alcançadas em um determinado período. e) O papel do administrador financeiro é definir, mensurar, analisar e propor soluções para os problemas que interferem no desempenho dos processos organizacionais, além de ajudar a estabelecer melhorias de qualidade. 19 RISCO E RETORNO DE ATIVOS 2.1 INTRODUÇÃO O entendimento da relação de risco e retorno é essencial para investidores e organizações financeiras que captam recursos financeiros, sendo que cabe ao tomador de decisão procurar aquela que maximize o seu valor investido. Para isso, existem diferentes opções no mercado, que combinam risco e retorno e podem ser compatibilizadas com diferentes perfis relacionados com o próprio ciclo de vida pessoal do investidor. A tomada de decisão no ambiente empresarial é feita sob condições de incertezas, pois todo projeto ou toda decisão de investimento são baseados em projeções de cenários, expectativas de custos, previsões de receitas. Ou seja, utiliza- se valores futuros, que podem ou não acontecer. Com a possibilidade desses valores e resultados variarem, existe o risco. Assim, estudar como o risco e o retorno poderão comportar-se é essencial para auxiliar os gestores no processo de tomada de decisão, pois eles devem otimizar a relação entre risco e retorno. A relação Risco X Retorno é um dos conceitos mais importantes a ser compreendido para realizar corretamente análise sobre investimentos. Porém,na vida cotidiana nota-se que, grande parte dos investidores se atentam apenas para o retorno que um determinado investimento é capaz de proporcionar; sem dar a devida atenção nível de risco associado. Este capítulo aborda alguns elementos fundamentais da relação entre risco e retorno e do processo decisório envolvido, bem como os diferentes perfis de investidores e tipos de investimentos disponíveis no mercado financeiro. 2.2 RISCO Ativos financeiros representam um investimento de capital realizado por investidores, dando, a estes, o direito ao recebimento de um pagamento futuro. Um exemplo de ativos financeiros são as ações. Esse tipo de investimento representa uma excelente oportunidade de negócios, mas também uma série de riscos. É Erro! Fonte de referênci a não encontra 20 necessário, dessa forma, projetar o risco de investimento de ativos financeiros. Os modelos de precificação de ativos possibilitam analisar o valor de um ativo financeiro por meio de previsões e cálculos, de modo a projetar os valores futuros para o presente. Várias empresas, ao realizarem um investimento, utilizam diferentes fontes de financiamento, seja de recursos próprios ou de recursos de terceiros. Esses recursos captados de diferentes fontes também contam com diferentes custos de capital, pois seus emprestadores têm diferentes perspectivas acerca dos riscos. É comum associarmos a palavra risco a cenários negativos, entretanto, em análise de investimentos, o risco faz parte do dia a dia sendo necessário conhecer quais seriam os mecanismos de ajuste e de defesa relacionados a ele. Os investidores, os investimentos e o mercado financeiro, como um todo, sofrem influências de diversos tipos de risco. Os riscos podem ocorrer de forma isolada ou combinada com outros que influenciarão o retorno e outras condições do investimento e as decisões de aplicação em relação aos ativos. Fatores como economia, política, ética, entre outros, podem influenciar de forma decisiva o comportamento desses ativos. Os conceitos iniciais ligados a riscos são elementares para o mundo das finanças e fazem parte da vida cotidiana dos seres humanos. A compreensão da diferença entre risco e incerteza é importante para tomada de decisão e análises no mercado financeiro. Compreender os fatores que fazem com que a subjetividade altere decisões envolvendo risco e incerteza permite que estudiosos mapeiem e compreendam porque as decisões não são 100% racionais. Para Gitman (2010) risco é a possibilidade de perda. Quanto mais certo for o retorno de um ativo ou de uma carteira de ativos, menor sua variabilidade e, portanto, menor seu risco. Considere o exemplo: um depósito numa caderneta de poupança é menos arriscado que apostar em corridas de cavalo, pois a primeira rende juros constantes mais uma taxa de juros pôr ano e são garantidos pelo governo federal. Em finanças, o risco é a oscilação da rentabilidade. O valor justo de um produto está ligado aos retornos futuros que este produto irá gerar aos seus financiadores. Então, o risco do produto é reflexo do risco de seus fluxos de caixa futuros. Os riscos aos quais os investimentos e as empresas estão sujeitos podem ser 21 divididos em dois grandes grupos: o risco econômico e o risco financeiro. 2.1.1 Risco Econômico Segundo Woiler & Mathias (2008) o risco é intrínseco ao processo econômico e parte integrante da análise de um empreendimento, sendo impossível eliminá-lo por ser impossível prever os acontecimentos futuros e à incapacidade de se coletar todas as informações relevantes ao investimento. O risco econômico está intimamente associado ao tipo de operação da empresa, ao tipo de produto e às características de sua procura, já que este é o risco oferecido por sua atividade e setor de atuação e suas oscilações ficam sujeitas a forças externas, cuja origem pode estar relacionada a situação econômica do pais e do mundo. Portanto, “...o risco econômico corresponde à estrutura de ativos da empresa, resultado de suas atividades e o risco financeiro corresponde à estrutura das fontes de recursos, principalmente em termos de endividamento” (SANVICENTE, 1987). 2.1.2 Risco Financeiro Além de incluir o risco econômico, o risco financeiro é determinado pelo uso do capital de terceiros, que exige remuneração fixa e prioritária em face da remuneração do capital dos acionistas. O risco financeiro é um conceito bastante amplo e envolve outras questões relacionadas à incerteza e a eventos futuros. Segundo Gitman e Joehnk (2005), o risco financeiro é aquele ligado ao grau de incerteza do pagamento atribuível à composição de passivo e patrimônio líquido que é usada para financiar um negócio. Com isso, quanto maior for a proporção de dívida utilizada para o financiamento de uma empresa, maior será o seu risco financeiro relacionado. 22 Assim, o risco financeiro subdivide-se em diversas categorias, dentre as quais cabe destacar o risco de mercado (decorre da variabilidade dos preços e produtos e das variáveis externas que afetam estes dois itens) e o risco de crédito (não recebimento de créditos concedidos). Assim, as decisões relacionadas a investimentos devem considerar o risco econômico com base no lucro operacional (relacionado ao resultado gerado pelos ativos antes das despesas financeiras), e o risco financeiro, com base na composição do capital (relacionado ao custo de captação do capital necessário para financiar a operação, seja capital de terceiros ou capital próprio), no quadro 01 estão representadas as principais características de risco econômico e financeiro. Quadro 1: Principais características de risco econômico e financeiro Risco Econômico Risco Financeiro Refere-se diretamente à atividade operacional da organização e ao seu mercado. É considerado com base no lucro operacional (ativos antes das despesas financeiras) Envolve decisões de investimentos. Ocorre antes da função financeira, independentemente da forma como a empresa é financiada. Envolve sazonalidade, tecnologia, alterações em demanda, variações macroeconômicas, etc. Leva em conta o grau de incertezas associado aos rendimentos de investimento e à sua capacidade de pagar retornos prometidos ou esperados. Envolve decisões de financiamento. É considerado com base no custo de captação e no custo de capital próprio. Envolve liquidez e solvência. Refere-se diretamente às decisões de financiamento. Está ligado ao grau de incerteza do pagamento atribuível à composição de passivo e patrimônio líquido e que é usada para financiar um negócio. Subdivide-se em diversas categorias, como o risco de mercado e o risco de crédito. Fonte: Elaborado pelo autor (2020) Para Menezes (2012), em um processo de tomada de decisão, são feitas escolhas, e, para tanto, é necessário que os tomadores de decisão disponham de um corpo teórico de informações que será utilizado na formação das alternativas e na determinação das escolhas. Inicialmente, nas decisões dentro dos estudos relacionados à teoria econômica, tanto o risco quanto a incerteza eram simplesmente ignorados, sendo que os eventos eram explicados pela tríade acaso, sorte ou azar. Menezes (2012) salienta que, quando uma pessoa decide tomar uma 23 decisão objetivamente, é possível calcular a probabilidade de realização de um determinado evento. Já no caso da subjetividade, não existe uma base objetiva, porém, mesmo com uma base subjetiva, é possível que exista a tomada de decisão. Contudo, se a pessoa que está tomando a decisão não possui qualquer elemento para estimar a probabilidade, seja ela objetiva ou subjetiva, entrará em um processo de incerteza. Isso ocorre porque, nesse caso, não existe qualquer condiçãode previsibilidade (MENEZES, 2012). O risco de um investimento é composto por dois fatores: há os riscos não sistemáticos ou diversificáveis, e os riscos sistemáticos ou não diversificáveis, os quais serão apresentados a seguir. 2.1.3 Risco Sistemático e Risco não Sistemático. Os riscos sistemáticos ou não diversificáveis afetam todos os ativos, todo o mercado. Decorrem de fatores não controláveis como clima, guerra, inflação, atentados e outros de natureza semelhante. O risco Sistêmico é aquele que afeta a economia de uma forma geral. Podemos dar como exemplo um colapso no sistema financeiro ou de capitais, uma grande variação na taxa de juros ou mesmo nas taxas de câmbio. Este tipo de risco é extremamente difícil de ser reduzido pois afeta a economia como um todo. O risco não diversificável, é o risco de afetar todas as empresas, não sendo especifico de um setor da economia ou uma empresa isoladamente. Fatores como crises econômicas, inflação e guerras são as principais razões da existência deste risco. Por afetar todas as empresas, não é possível diversificar esta parcela de risco. Risco sistêmico é todo risco que não pode ser diminuído por ação isolada de nenhuma empresa. Em outras palavras, não há nada que se possa fazer, pois envolve questões macroeconômicas. Já o risco não sistêmico é todo o risco que pode ser diminuído pela empresa. Os riscos sistêmicos podem ser minimizados uma 24 vez que afetam apenas determinado setor. Um investidor que possua investimentos no ramo da construção civil, seja em ativos reais ou através de ações de alguma incorporadora irá sofrer as consequências de uma greve de trabalhadores desta área por exemplo. De forma geral, podemos dizer que o risco sistêmico é ocasionado por uma instabilidade catastrófica no sistema financeiro que afete os grandes players do mercado financeiro. Os bancos e as demais instituições financeiras são extremamente interligados. O pedido de falência de uma instituição ou grupo financeiro pode desencadear uma falência generalizada dos demais bancos. Risco diversificável envolve o risco individual que um investimento oferece à carteira, seja relativo à empresa, segmento, mercado ou país alvo do investimento. Esta parcela de risco abrange fatores internos da empresa que podem comprometer os retornos de seus ativos. Por exemplo: greves, nova legislação, ações judiciais, incêndio em fábrica, etc. É possível diminuir este risco através da não concentração de recursos em um só investimento ou uma empresa: quanto mais o portfólio for diversificado em diferentes investimentos e segmentos, menor o risco diversificável e, portanto, menor o risco total do portfólio. A diversificação de ativos é capaz de reduzir o risco total de investimentos, pois é possível escolher investimentos que possuam consequências inversas aos fatos futuros. Por exemplo, você não sabe se no ano que vem irá fazer calor ou frio. Investir apenas em uma fábrica de aparelhos de ar-condicionado (e torcer para fazer calor) ou apenas em uma fábrica de cobertores (e torcer para fazer frio) não elimina o risco de o resultado ser o oposto do esperado. Por outro lado, investir um pouco em cada uma destas fábricas e, assim, fabricar ambos os produtos, elimina, em grande parte, o efeito de o clima ser adverso ao previsto. Os riscos não sistemáticos são os riscos do empreendimento, riscos do negócio e riscos país, e podem ser mitigados (ter seus efeitos reduzidos) por decisões do investidor. 2.1.4 O risco total da carteira de investimento Na compreensão do risco total que atua sobre os investimentos, as empresas e o mercado financeiro, de forma geral, dois conceitos são essenciais: Os riscos não 25 sistemáticos ou diversificáveis sistemático e risco sistemático, os quais compreendemos nesta unidade de aprendizagem. Cada um deles é promovido por diferentes fontes, sendo capazes de afetar o valor dos investimentos de diferentes formas. Além disso, requerem um tratamento diferenciado, envolvendo questões, como a diversificação e suas possibilidades de mitigação de riscos, análises de mercado e outras técnicas utilizadas. Para completar o cenário, existe, ainda, a possibilidade de ocorrência de eventos inesperados, que também podem influenciar os retornos esperados dos ativos, assim as decisões financeiras de longo prazo são influenciadas pelo risco total. Figura 3: Decisões financeiras de longo prazo custo capital Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Segundo Gitman (2010) a avaliação do grau de risco associado a um ativo isoladamente é comumente realizada por meio da análise de sensibilidade e pelas distribuições de probabilidade. Neste contexto, Higgins (2014, p. 338) define o risco total de um investimento como a gama de possíveis retornos, podendo ser estimado para os ativos negociados como o desvio padrão dos retornos e pode ser evitado, em certa medida, por meio da diversificação, no gráfico 01 o autor apresenta a composição do risco total. 26 Figura 4: Risco Total = Risco Sistemático + Risco Não Sistemático Fonte: Higgins (2014) Através da representação gráfica verifica-se a soma do risco sistemático e o não sistemático, resultando no risco total. A principal diferença entre o risco sistêmico e não sistêmico é que os riscos não sistêmicos podem ser reduzidos através da correta diversificação dos investimentos. Em contrapartida, o risco sistêmico não é possível fazer alguma proteção. Já o Risco Não Sistêmico refere-se a uma empresa ou setor em específico. Os riscos sistêmicos podem ser minimizados uma vez que afetam apenas determinado setor. Um investidor que possua investimentos no ramo da construção civil, seja em ativos reais ou através de ações de alguma incorporadora irá sofrer as consequências de uma greve de trabalhadores desta área por exemplo, deste modo os tipos de risco precisam ser conhecidos para a empresa possa mitiga-los. No dia a dia das empresas, o risco é um fator sempre presente. As decisões sobre o que fazer antes de os riscos acontecerem podem definir o resultado positivo 27 ou negativo da empresa. Buscar eliminar todos os riscos pode não ser a melhor opção. Isso acontece porque, na maioria dos casos, o que se faz é trocar um tipo de risco por outro. Diversificar os negócios significa ampliar a alocação dos investimentos, a fim de mitigar riscos individuais de um segmento ou empresa. Para que a diversificação seja eficiente, o portfólio deve conter ativos com baixa correlação entre si. A distinção entre um risco sistemático e um risco não sistemático nunca é tão exata quanto aparenta ser, pois mesmo a menor e mais particular notícia sobre uma empresa pode trazer consequências para a economia. No mundo dos investimentos, existem vários tipos de riscos para o capital de qualquer investidor, e nem sempre é possível evitar tais riscos, o quadro 02 apresenta alguns riscos bem conhecidos em finanças. Quadro 2: Fontes populares de risco para administradores financeiros e acionistas Fonte de risco Descrição Riscos específicos da empresa Risco operacional A possibilidade de que a empresa não seja capaz de cobrir seus custos operacionais. Seu nível é determinado pela estabilidade das receitas da empresa e pela estrutura de seus custos operacionais (fixos versus variáveis). Risco Financeiro A possibilidade de que a empresa não seja capaz de fazer frente a suas obrigações financeiras. Seu nível é determinado pela previsibilidade dos fluxos de caixa operacionais da empresa e por suas obrigações financeiras de custo fixo. Riscos específicos dos acionistas Risco de taxa de juros Refere-se à possibilidade de que variações na taxa de juros afetem negativamente o valor de um investimento.Na maioria das vezes, os investimentos perdem valor quando a taxa de juros sobe e ganham valor quando a taxa de juros se reduz. Risco de liquidez A possibilidade de que um investimento não possa ser facilmente liquidado a um preço razoável. A liquidez é afetada de modo significativo pela extensão e profundidade do mercado em que um investimento costuma ser negociado. Risco de mercado: Tem por característica básica a possibilidade de redução do valor de mercado de um ativo acarretado por instabilidades no mercado, independentes do ativo, como eventos econômicos, políticos e sociais. Quanto mais o valor do ativo reage às instabilidades do mercado maior o risco envolvido no investimento Riscos conjuntos: empresas e acionistas 28 Risco de evento: Está relacionado a situações inesperadas que podem interferir no valor da empresa ou de um ativo específico. Geralmente, os eventos inesperados afetam setores específicos ou pequenos grupos de acionistas. Risco de câmbio Refere-se à possibilidade de flutuações na taxa de câmbio interferirem nas negociações empresariais com fluxos de caixa futuros previstos, já que tais flutuações podem mudar o valor da empresa e das ações negociadas. Risco de poder aquisitivo A possibilidade de que uma mudança nos níveis de preços causada pela inflação ou deflação possa afetar negativamente os fluxos de caixa e o valor da empresa ou investimento. Normalmente empresas ou investimentos cujos fluxos de caixa se movam de maneira semelhante aos níveis gerais de preços apresentam baixo risco de poder aquisitivo, enquanto aquelas cujos fluxos de caixa não acompanhem os níveis gerais de preço apresentam elevado risco de poder aquisitivo. Risco de tributação Refere-se a empresas e ativos que são influenciados por alterações na legislação tributária. A possibilidade de que sobrevenham mudanças desfavoráveis na legislação tributária. Empresas e investimentos cujo valor seja sensível a mudanças da legislação tributária são mais arriscados. Risco moral Os investimentos, investidores e todo o mercado financeiro estão sujeitos a um outro tipo de risco bastante difícil de ser definido, que é conhecido como risco moral. Santana e Oreiro (2017) definem que o risco moral diz respeito a uma situação em que o agente (que no caso é a instituição financeira) toma a decisão de assumir determinado risco, mas as perdas associadas a esse risco acabam recaindo sobre outro agente, no caso, o próprio governo. Fonte: Adaptado de Gitman (2010) Pereira (2014, p. 12) acrescenta que “o risco de mercado decorre de mudanças no cenário econômico e influencia todas as instituições. Subdivide-se em risco da variável econômica (taxa de juros e taxa de câmbio) e risco de liquidez, ou seja, capacidade de honrar compromissos no vencimento” deste modo, o autor apresenta o risco de mercado com suas subáreas Identificadas as subáreas, o autor reitera que as subáreas do risco de mercado e do risco de crédito são bastante elucidativas para a compreensão dessas dimensões de risco total, deste modo o conhecimento da estrutura do mercado financeiro e o acompanhamento da evolução dos riscos é fundamental para que o administrador financeiro possa tomar a decisão de assumir ou transferir os riscos de um investimento, o que está diretamente relacionado ao retorno esperado (PEREIRA, 2014). 29 2.3 INCERTEZA As incertezas do mercado financeiro são muitas e podem afetar os investimentos, aumentar os riscos oferecidos aos investidores e os rendimentos que terão em relação ao valor aplicado. As fontes de risco podem ser derivadas de uma combinação ou de um tipo específico de risco ou de uma combinação deles. Assim, um investidor deverá levar isso em conta na hora de escolher um investimento. A incerteza é uma situação de dúvida ou insegurança de resultados, sem forma de quantificar possibilidades de situações positivas ou negativas. Alguns conceitos fazem parte naturalmente da vida das pessoas e é preciso que sejam entendidos de maneira geral para serem compreendidos em relação à área de investimentos. Conforme Securato (2012), o risco, a incerteza e a certeza são conceitos que fazem parte desse grupo, já que as pessoas levam a vida basicamente voltada para o futuro. Com isso, a maioria está habituada a condições que envolvem risco e incerteza. 2.4 DIFERENÇA ENTRE RISCO E INCERTEZA A incerteza está relacionada ao conhecimento das probabilidades ou chances de correrem certos resultados. O risco ocorre quando quem toma as decisões da aplicação de um ativo pode estimar as probabilidades relativas a vários resultados, com base em dados históricos, o que chamamos de distribuições probabilísticas objetivas. Quando não se tem dados históricos e precisa fazer estimativas aceitáveis, ou seja, distribuições probabilísticas subjetivas, lidamos com a incerteza. Menezes (2012) aponta dois caminhos possíveis em relação à incerteza, o uso 30 de uma estimativa baseada em experiência pessoal ou mera intuição, e outro fundamentado na confiança que a pessoa tem em sua estimativa. Segundo Neto e Lima (2009)“o risco no mercado financeiro pode ser entendido como a probabilidade de perda em razão de uma exposição ao mercado. As perdas no mercado financeiro podem decorrer de diversos eventos, principalmente aqueles relacionados às variações nas taxas de juros e nos preços de mercado”, para o autor sempre haverá incertezas no mercado financeiro. Há ainda que se diferenciar os tipos de comportamento dos agentes com relação ao risco, estes podem ser avessos, neutros e arrojados com relação às situações que envolvem risco. Os investidores avessos ao risco, procuram o menor risco possível, medido pelo desvio-padrão da distribuição de probabilidades dos fluxos futuros, dado o valor esperado de retorno, conforme veremos a seguir. 2.5 RETORNO Risco e retorno estão intimamente ligados, ou seja, o investidor precisa tornar o risco o menor possível para fazer com que o retorno seja o maior possível. Os investidores neutros ao risco são indiferentes ao recebimento de um retorno garantido ou de um retorno incerto que apresente o mesmo valor esperado de retorno. E por fim, os investidores arrojados que preferem assumir maiores riscos, 31 se estes lhes trouxerem maior retorno associado. Em todo investimento, três fatores devem ser analisados, o risco, o retorno e a liquidez. O retorno é a rentabilidade ou a variação do capital ao longo do tempo, Saurin (2017)apresenta a maneira usada para calcular o retorno: Onde: kt é a taxa observada, exigida ou esperada de retorno no período t; Pt é o preço corrente; Pt – 1 é o preço no período anterior; Ct é qualquer fluxo de caixa produzido pelo investimento. Esta equação é usada para obter o resultado da taxa de retorno em um determinado período que poderá ser tanto curto, como um dia, ou longo, como uma década ou mais. Contudo, na maioria das vezes, t equivale um período de um ano e k, consequentemente, representa uma taxa anual de retorno (Saurin, 2017). Na prática, as decisões financeiras não são tomadas em ambiente de total certeza com relação a seus resultados. Por estarem essas decisões fundamentalmente voltadas para o futuro, é imprescindível que se introduza a variável incerteza como um dos mais significativos aspectos do estudo das operações do mercado financeiro. O método do prazo de retorno, também chamado prazo de recuperação do investimento, embora tenha falhas, é utilizado com frequência em virtude de sua aparente objetividade. O prazo de retorno fornece um número de períodos do fluxo de caixa em questão nos quais o somatório dos benefícios se iguala ao somatório dos custos. O prazo de retorno é muitoutilizado pelo fato de os investidores, muitas vezes, não preferirem a melhor alternativa, isto é, a de maior lucro, mas sim a de menor prazo de recuperação do investimento, fato que limita o risco e possibilita que o dinheiro retornado seja empregado em outros investimentos. 1 1 t ttt t P PPC k 32 2.6 A ESCOLHA ENTRE RISCO E RETORNO Para que os investimentos se tornem analisáveis e viáveis, o investidor precisa analisar os custos de capital - seja ele próprio ou de terceiros. Os custos representam os riscos inerentes aos investimentos, somados aos retornos que os seus proprietários desejam obter. O entendimento da relação do risco e retorno é essencial para investidores e organizações financeiras que captam recursos financeiros. Cabe ao tomador de decisão procurar aquela relação que maximize o seu valor investido. Para isso, existem diferentes opções no mercado que combinam risco e retorno e que podem ser compatibilizadas com variados perfis relacionados ao próprio ciclo de vida pessoal do investidor. Esses investidores também precisam compreender que é possível e necessário comparar investimentos, títulos com maior e menor exposição ao risco e outros fatores essenciais ao processo decisório. O risco está associado à capacidade de se mensurar determinado estado de incerteza de uma decisão. Esse estado de incerteza pode ser associado a uma probabilidade ligada à ocorrência de um resultado ou valor. Nessas análises de probabilidade é que o investidor irá avaliar a possibilidade de ocorrer determinado evento. Esses eventos, por sua vez, podem estar ligados, por exemplo, à avaliação do risco em certo tipo de investimento. Observando a dispersão dos resultados esperados desses investimentos é possível determinar o risco: 33 Figura 5: Resultados ou retornos esperados de um investimento Fonte: adaptado de Gitman e Joehnk (2005)e Ross et al (2015) Observe no gráfico acima que quanto maior a dispersão (variação nos resultados) de determinado ativo, maior o seu risco. Então, esse ativo precisa oferecer um retorno maior para que se torne atrativo, essa afirmativa pode ser melhor compreendida através do gráfico a seguir. Figura 6: Dispersões associadas ao risco de um investimento Fonte: adaptado de Gitman e Joehnk (2005)e Ross et al (2015) Os dados representados no gráfico 03 ilustram que os investimentos plotados 34 no ponto A têm um retorno esperado maior que os investimentos representados pelo ponto B., contudo, observe que é o ponto B que se encontra acima da linha do mercado, ou seja, são estes investimentos que estão oferecendo um retorno maior do que os de mesmo risco. O retorno dos investimentos, representado pelo ponto A, apesar de maior do que o do ponto B, está abaixo dos investimentos com risco semelhante. Conclusão: B oferece retorno acima de seu risco, enquanto A, apesar de oferecer retorno maior do que B, está abaixo do seu próprio nível de risco. Nestas condições, a melhor opção é o investimento B. O gráfico 03 apresenta que, quanto menor a dispersão, menor o risco. Assim, esses investimentos mais dispersos, acabam por oferecer menores retornos em função da segurança que oferecem aos seus investidores, e consequentemente menores riscos. Brigham & Houston (1999, p. 162) esclarecem que “quanto mais estreita a distribuição de probabilidades dos retornos futuros esperados, menor será o risco de um dado investimento”. Gitman (2010, p. 209) salienta que “para desenvolver uma distribuição de probabilidades contínua é preciso contar com dados sobre um grande número de ocorrências históricas de um determinado evento” , deste modo ao desenvolver uma distribuição de frequência na qual seja indicado quantas vezes cada resultado ocorreu em um determinado intervalo de tempo é possível converter os dados em uma distribuição de probabilidades. Dessa forma, não existem capitais livres de riscos, mas há capitais que podem não obter retorno. Além disso, nos mercados existem diferentes tipos de riscos, diferentes origens de capital e diferentes prazos de quitação dos recursos de financiamento. O retorno esperado de uma carteira é simplesmente uma média ponderada dos retornos esperados dos títulos individuais que a compõem. E a aplicação do conceito de correlação se traduz em uma importante ferramenta para o processo 35 de redução do risco de uma carteira, por meio de uma diversificação dos retornos esperados. Os investidores, os investimentos e o mercado financeiro, como um todo, sofrem influências de diversos tipos de risco. Os riscos podem ocorrer de forma isolada ou combinada com outros que influenciarão o retorno e outras condições do investimento e as decisões de aplicação em relação aos ativos (gráfico 04). Fatores como economia, política, ética, entre outros, podem influenciar de forma decisiva o comportamento desses ativos. Figura 7: A escolha entre risco e retorno. Fonte: Higgins (2014, p. 294) A escolha por um investimento é realizada por meio de um processo decisório que tem diferentes etapas, as quais devem considerar o mercado, o retorno e os risos . Por meio dessas etapas, são tratadas questões como a busca pela diminuição dos riscos e a obtenção dos melhores retornos possíveis. Para a definição de uma política de investimentos, não basta conhecer apenas o retorno dos investimentos. É necessário também conhecer o risco envolvido, como este influencia o valor do investimento ao longo do tempo e, por consequência, as decisões dos investidores, que naturalmente buscam alternativas para mitigação dos riscos. Afinal, existem diferentes tipos de investimento disponíveis no mercado, cada 36 um com uma combinação de risco e retorno. 2.7 TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) Para a realização de projetos e investimento nas organizações, é necessário identificar se há viabilidade financeira nos projetos. Para isso, existem alguns índices que possibilitam mensurar o retorno de um investimento. A Taxa Interna de Retorno (TIR) “é a taxa de desconto que iguala o VPL de uma oportunidade de investimento a zero (isso porque o valor presente das entradas de caixa iguala-se ao investimento inicial) ” (GITMAN, 2010, p. 371). A Taxa Interna de Retorno (TIR), vem do inglês Internal Return Rate (IRR), e é um fórmula matemática-financeira utilizada para calcular a taxa de desconto que teria um determinado fluxo de caixa para igualar a zero seu Valor Presente Líquido (VPL). Em outras palavras, seria a taxa de retorno do investimento em questão, e é representada pela equação: ou Em que F significa o fluxo de caixa de cada período e o t é o período em questão. Assim que o estamos vendo é cada fluxo de caixa ser dividido pela TIR elevada ao seu respectivo período, visto que os juros, neste caso, são compostos. E tudo isso deve ser igual a zero. Caso a TIR seja maior que a taxa de desconto predeterminada, o empreendimento será economicamente viável. A TIR é bastante utilizada para medir a viabilidade de projetos de investimentos. Sua base de comparação é a taxa mínima de atratividade (TMA), ela possibilita mensurar o percentual de retorno de um determinado projeto ou investimento de uma organização. Esse índice pode indicar a taxa de crescimento de um projeto e a sua viabilidade. 37 O fluxo de caixa é uma forma gráfica representativa das entradas e saídas de um projeto (gráfico 5). Essas entradas representam os ganhos e são apresentadas com setas direcionadas para o alto; já quanto às saídas, as setas estarão direcionadas para baixo. Essas entradas e saídas são dispostas em uma linha de tempo (n).Figura 8: Representação gráfica do fluxo de caixa Fonte: Gitman (2010) Conforme Gitman (2010, p. 211)“o fluxo de caixa é o sangue que corre pelas veias da empresa e, portanto, uma determinante fundamental do valor do negócio”. Dentro da planilha do fluxo de caixa, o saldo inicial corresponde ao valor disponível no início do período, ou seja, ao dinheiro que está no caixa, somado aos saldos das contas correntes disponíveis para saque. Já o saldo operacional, corresponde ao total de entradas menos o total de saídas. É, portanto, o saldo de caixa referente exclusivamente ao período, sem considerar o saldo anterior que estava disponível. Assim, a ferramenta Fluxo de Caixa tem como objetivo possibilitar à empresa uma visão ampla de suas finanças, a fim de analisar os fatos ocorridos para a tomada de decisões, bem como proporcionar à organização a possibilidade de projetar suas finanças para o futuro, capacitando o administrador para realizar a execução de aplicações ou captações de recursos com a maior vantagem possível. A inclusão do pró-labore que, no caso de um fluxo de caixa individual, corresponde ao dinheiro do empreendimento que é retirado para uso pessoal do empreendedor, deve ser feita na “saída”. As vendas à vista, os cheques pré- datados que se tornem disponíveis ao longo do período, os créditos de contas a 38 receber como, por exemplo, os depósitos de clientes, devem ser colocados na “entrada”. O total de entradas é a soma simples da “entrada” que corresponde basicamente ao dinheiro novo que entrou em caixa ao longo do período. Assim, como o fluxo de caixa, outro elemento essencial em análise de investimentos é a taxa mínima de atratividade (TMA). Segundo Puccini (2011, p. 164), “em geral, a taxa de atratividade é o custo de capital da empresa ou ainda o retorno médio obtido pela empresa em suas atividades”. Pode-se considerar a TMA como a taxa que, comparada à TIR, possibilitará ao investidor manter o projeto ou desistir dele. 2.8 VANTAGENS DE DESVANTAGENS DA TIR VANTAGENS - A grande vantagem é permitir que todo projeto se resuma a um único número: a sua rentabilidade intrínseca. Por isso o critério continua sendo tão usado. Outra vantagem é que, no mercado financeiro, quase todos os fluxos de caixa dos investimentos possuem uma única inversão de sinal. DESVANTAGENS - A principal desvantagem é o risco de se usar o critério quando há mais de uma inversão de sinal. Nesse caso, pode-se encontrar várias TIRs positivas. Usando uma delas, você estará incorrendo em erro. De forma geral podemos dizer que quanto maior a TIR, melhor é a expectativa de um investimento ter sucesso, Gitman (2010) corrobora para este entendimento ao afirmar que: Em termos puramente teóricos, o VPL é a melhor abordagem ao orçamento de capital, por diversas razões. Sobretudo, o uso do VPL pressupõe de forma implícita que quaisquer entradas de caixa intermediárias geradas por um investimento sejam reinvestidas ao custo de capital da empresa. O uso da TIR pressupõe reinvestimento à frequentemente elevada taxa especificada pela TIR. Como o custo de capital tende a ser uma estimativa razoável da taxa a que a empresa pode, efetivamente, reinvestir as entradas de caixa intermediárias, usar o VPL, a uma taxa de reinvestimento mais conservadora e realista, é preferível, em tese (GITMAN, 2010, p. 378). 39 A taxa interna de retorno (TIR), por exemplo, mensura se um investimento é viável, considerando o valor presente líquido (VPL) e a taxa mínima de atratividade, a partir dos valores investidos ao longo do tempo. Desse modo, é possível considerar a viabilidade de um investimento por meio da análise de uma métrica que avaliará o seu percentual de retorno. A TIR representa um dos indicadores mais utilizados para mensurar a viabilidade de projetos, investimentos e até mesmo novos empreendimentos. A ferramenta apresenta características únicas e auxilia os empreendedores a verificar se é adequado ou não, sob o ponto de vista financeiro, realizar os investimentos de negócios. 2.9 USO DA TIR EM PROJETOS DE INVESTIMENTO. O método de análise da viabilidade de um projeto de investimento por meio da TIR é compreendido pela comparação desta com a TMA. Quando a TIR for superior à TMA, significa que o projeto é viável, pois a TMA é a taxa de desconto do VPL e, como visto, a TIR é a taxa que transforma o VPL em zero (TIR > TMA). Caso a TIR seja menor que a TMA do projeto de investimento, ele se torna inviável pois seu VPL será zero (TIR < TMA). Gitman (2010, p. 371)afirma que: “esses critérios garantem que a empresa receba, pelo menos, o retorno requerido. Tal resultado deve aumentar seu valor de mercado e, portanto, a riqueza de seus proprietários”. Já para a análise de risco do projeto de investimento a premissa básica é: quanto mais próxima a TIR estiver da TMA, maior será o risco inerente ao projeto de investimento. Uma das principais vantagens da TIR é considerar o valor do dinheiro no tempo e, de forma prática, gerar um valor em percentual, facilitando sua comparação com outras taxas de mercado. Em contrapartida, ela apresenta um cálculo não muito simples e pressupõe que todos os fluxos de caixa serão aplicados por ela mesma, o que na prática não ocorre. Além disso, não tem muita usabilidade em fluxos de caixas mais complexos, gerando inúmeras taxas de retorno e deixando a tomada de decisão confusa. 40 2.10 ALTERNATIVAS DE INVESTIMENTO PARA CADA TIPO DE INVESTIDOR Estudar a relação entre o risco e o retorno é vital para que os agentes possam embasar suas decisões de investimento, pois, otimizando essa relação, os gestores podem obter resultados melhores e com menor margem de erro. A compensação entre risco e retorno faz parte de muitas decisões financeiras pessoais. O investidor usará os conceitos de risco e retorno ao escolher instrumentos de poupança, comprar imóveis, financiar compras de grande valor, contratar seguros, investir em títulos e incrementar planos de aposentadoria. É fundamental, portanto, saber como medir adequadamente a taxa de retorno e o risco envolvido. Embora seja difícil medir com precisão o risco e o retorno, é possível ter uma ideia do que representam e, assim, tomar decisões com base na compensação entre eles à luz de sua inclinação pessoal em relação ao risco. Dentro do mercado financeiro, ao assumir grandes riscos, implicitamente, assume-se também a possibilidade de grandes retornos. Isto não significa, porém, que o retorno esteja garantido, apenas que há a possibilidade de se ter uma boa remuneração. No geral, quando estratégias de investimento são comparadas umas às outras, risco e retorno tendem a caminhar juntos, ou seja, títulos com elevados retornos médios tendem a possuir elevadas quantidades de risco embutidas. Os investimentos são realizados com o intuito de obtenção de retornos. No mercado, há muitos títulos e ações negociadas com retornos esperados diferentes. Assim, há de se esperar que os riscos também sejam diferentes, pois quanto maior o risco de um investimento, maior deverá ser seu retorno esperado. 2.11 O PERFIL DO INVESTIDOR Gitman e Joehnk (2005) criaram um conceito relacionado ao ciclo de vida para definir o perfil dos investidores, representado no quadro 4. Quadro 3: Fases da vida de um investidor Fonte: Gitman (2010) Jovens (até 45 anos) Meia idade (entre 45 e 60 anos) Próximos da aposentadoria (de 61 anos em diante) Orientados para o crescimento Orientados para a consolidação dos investimentos Orientados para a renda 41 Nesse contexto, é possível inferir que os investidores jovens tendem a preferir investimentos orientados para o crescimento e que enfatizem os ganhos de capitalem vez da renda corrente. É comum que esses jovens não tenham muitos recursos para investir e que mesmo esta não sendo a maneira mais correta, busquem de forma rápida a especulação como modo de formar capital. Os jovens preferem instrumentos especulativos, que são orientados para o crescimento, representados por ações ordinárias de alto risco, opções e títulos futuros (GITMAN; JOEHNK, 2005). Na fase da meia idade ou consolidação, existe um aumento da demanda e das responsabilidades familiares, como despesas com saúde e educação dos filhos. Outro ponto é que esses indivíduos passam a se preocupar também com a aposentadoria. Assim, a carteira de investimentos deve passar por uma transformação, passando a alocar títulos com maior qualidade. Nesse caso, são geralmente utilizados como forma de diversificação ações de baixo risco e preferenciais, conversíveis, títulos de dívida, fundos mútuos e outros que remetam a maior segurança. Já aqueles investidores que se encontram mais próximos da aposentadoria buscam a preservação do capital com um alto nível de renda. Afinal, procuram manter seu padrão de vida alcançado durante os anos de trabalho. Caso existam ganhos de capital, estes são encarados como meros subprodutos dos investimentos e não mais como uma necessidade, como no caso dos investidores mais jovens. Nessa fase, a carteira de investimentos é diferenciada por ser altamente conservadora, sendo geralmente formada por ações de baixo risco, títulos de dívida do governo, títulos privados de qualidade, certificados de depósito bancário (CBDs), assim como outros instrumentos de curto prazo. Nesse ponto, ocorre a colheita dos investimentos, e não mais riscos e apostas, tendo sido a diversificação realizada ao longo de todo uma vida (GITMAN; JOEHNK, 2005). O perfil de investidor denominado conservador busca segurança para seus investimentos. Assim, investidores com esse perfil procuram manter um alto percentual em renda fixa, além de alguma parte do capital em renda variável. Também costumam apostar em investimentos de curto prazo, considerando que podem precisar dos recursos e não querem ter perdas motivadas por retiradas antecipadas ou ainda pela carência que existe em algumas aplicações de longo prazo (GITMAN; JOEHNK, 2005). Já o perfil moderado é aquele que busca certo equilíbrio, investindo tanto 42 em títulos de renda fixa como de renda variável, mas ainda assim buscando retornos acima da média. Esse investidor busca fundos de investimentos com risco mínimo a moderado, como aqueles provenientes de renda fixa e fundos balanceados. Por fim, o perfil dinâmico, também denominado arrojado ou agressivo, é aquele em que o investidor concentra a maior parte de sua renda em aplicações de renda variável, de médio e longo prazo. Essas aplicações têm mais potencial para gerar maiores retornos – ainda que associados a maiores riscos, mas podendo proporcionar o rendimento desejado por esse perfil. Quadro 4:Alternativas de investimento para cada tipo de investidor Perfil e alternativas de investimento Perfil dinâmico ou arrojado: Investidores desse perfil costumam buscar alternativas que viabilizem maiores lucros, ainda que assumindo maiores riscos, tendo a visão de que terão uma rentabilidade que faça jus ao risco. Além disso, esse tipo de investidor não pensa em resgatar valores a curto ou médio prazo. Investimento indicado: Ações, por serem o tipo de investimento preferido desse perfil, sendo a alternativa que costuma viabilizar maior rentabilidade, ainda que no longo prazo. Para compensar o risco, pode ser adotada a estratégia de pulverizar o investimento em diferentes ações de empresas potenciais (assim, uma companhia que possua lucro acima do esperado poderá cobrir possíveis prejuízos das demais ações) ou, ainda, em momentos de incerteza, optar por fundos de capital protegido. Perfil Moderado Esse tipo de investidor normalmente está disposto a correr alguns riscos e obter seu retorno financeiro no médio prazo, geralmente preferindo mais de um tipo de investimento, diversificando as aplicações para aumentar as chances de lucratividade. Investimento indicado: Títulos de empresas sólidas, títulos de crédito privado ou fundos multimercados, por serem opções que possuem moderado grau de riscos e maior índice de rentabilidade, se comparadas à poupança, por exemplo. Perfil Conservador Esse tipo de investidor não está disposto a correr riscos, mesmo que isso implique em uma rentabilidade inferior aos outros tipos de investimentos. Além disso, geralmente preferem alternativas que permitam resgatar os recursos em um período de tempo mais curto. Investimento indicado: Poupança, títulos do governo ou título de renda fixa, por apresentarem o menor risco de perda e possuírem liquidez e rentabilidade garantida. Fonte: adaptado de Gitman e Joehnk (2005) 43 A classificação dos investimentos está fortemente relacionada com o risco a ele atrelado. Gitman e Joehnk (2005) relembram que o risco pode ser compreendido como a probabilidade de os retornos reais sobre investimentos diferirem dos retornos esperados. Logo, quanto mais amplas forem as gamas de valores ou retornos possíveis que estejam ligadas a um investimento, maior será o seu risco. Entretanto, dependendo do perfil do investidor, maior será a sua procura por investir capital nesse tipo de investimento ou combiná-lo com outros que possam otimizar sua carteira de investimentos. Para que uma instituição possa captar recursos, é fundamental conhecer o perfil de seus clientes. Afinal, somente assim poderá oferecer produtos e serviços que se alinhem às suas necessidades. Para os investidores, uma das maiores dificuldades na hora de escolher entre um investimento e outro está relacionada ao risco e à espera de retorno. Há diversas possibilidades de investimento de renda fixa ou variável. Nesse contexto, investimentos de baixo risco são aqueles considerados mais seguros em relação ao possível recebimento de um retorno positivo. Já os investimentos de alto risco são também considerados especulativos, ou seja, possuem retornos incertos. A decisão de financiamento é a captação de recursos que objetiva o menor custo de capital possível. Esse custo de capital reduzido é obtido quando são escolhidas as melhores fontes de financiamento e estabelecidas a melhor proporção entre capital de terceiros e capital próprio. Busca preservar a capacidade de pagamento (viabilidade financeira) e a capacidade de auferir ganhos superiores aos seus custos decisão de financiamento. O investimento, para a Economia, também é o gasto em bens, como novos equipamentos e instalações, que representam o aumento da capacidade 44 produtiva, isto é, a capacidade de gerar rendas futuras. Vê-se atualmente que uma empresa não pode ser administrada sem o conhecimento dos conceitos de finanças, visto que sua sobrevivência depende diretamente da qualidade das decisões tomadas por seus administradores. Daí a importância de uma adequada administração financeira para melhorar a qualidade das decisões das receitas e garantir a continuidade da organização e a geração de lucro para os proprietários (SILVA, 2013). 45 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Gerenciar os riscos é um dos pilares para o sucesso financeiro de uma empresa, o que consiste em identificá-los e determinar planos de ações para amenizá-los. Os riscos podem classificados como: a) Risco não sistemático e sistemático. b) Risco sistemático e risco não diversificável. c) Risco sistemático e risco variável. d) Risco não sistemático e risco variável. e) Risco e retorno 2. Medir os riscos é fundamental para definir estratégias, assim como um plano de contingência para minimizá-los, diminuindoo impacto em um negócio, sempre buscando o investimento que seja capaz de atribuir o melhor retorno. Um dos critérios que as empresas utilizam para medir o retorno do investimento é chamado de: a) Valor Presente líquido. b) Taxa externa de rendimento. c) Taxa interna de retorno. d) Taxa média de atratividade. e) Índice de atratividade. 3. Segundo GITMAN (2004) o __________________ e o _________________ têm mais a ver com a empresa e, portanto, são de maior interesse para os administradores financeiros. Os riscos de taxa de juros, de liquidez e de mercado estão mais próximos dos acionistas e, por isso, são mais importantes para eles. Os riscos de evento, de câmbio, de poder aquisitivo e tributário afetam diretamente tanto empresas quanto acionistas. a) Risco de taxa de juros e risco moral. b) Risco de liquidez e risco de cambio. c) Risco de mercado e risco de tributação. d) Risco operacional e risco financeiro. e) Risco de poder aquisitivo e risco de cambio. 46 4. As curvas demonstradas no gráfico representam a dispersão dos resultados de cada um dos dois investimentos. A dispersão é um fator diretamente associado ao risco de um investimento, sendo que, quanto maior a dispersão (variação nos resultados), maior será o risco, considerando esta afirmativa e avaliando o gráfico a seguir, é correto afirmar: a) Os investimentos A e B possuem resultados com dispersões diferentes, mas mesmo nível de risco. b) Não é possível tirar qualquer conclusão sobre o nível de risco dos investimentos A e B, pois o gráfico mostra apenas o comportamento dos resultados esperados. c) Os investimentos A e B possuem resultados com dispersões diferentes, mas mesmo nível de risco. d) O investimento A é mais arriscado que o investimento B. e) O investimento B é mais arriscado que o investimento A. 5. Para que uma empresa consiga sobreviver no mundo altamente globalizado, competitivo e exigente é necessária a utilização de algumas ferramentas da administração financeira, como o fluxo de caixa, que consiste em: a) A principal Demonstração Financeira existente, sendo um relatório contábil obrigatório por Lei que todas as empresas devem elaborar. 47 b) Um mapa que apresenta os resultados através da diferença entre os rendimentos e os custos respectivos c) Um documento contábil, gerado após a escrituração de toda a movimentação e informações financeiras da empresa. d) Um relatório gerencial que informa toda a movimentação de dinheiro (entradas e saídas), sempre considerando um período determinado e que tem como objetivo auxiliar o empresário a tomar decisões sobre a situação financeira da empresa. e) Conjunto de critérios que as empresas utilizam na tomada de decisão, ao realizar investimentos visando principalmente a reposição de ativos existentes, o lançamento de novos produtos e a redução de custos. 6. Cada investidor possui objetivos específicos, assim como diferentes níveis de tolerâncias ao risco. Esses e outros fatores permitem a definição do perfil dos investidores, que pode ser classificado, por exemplo, como conservador, moderado ou arrojado. Sobre esses perfis, é verdadeiro afirmar: a) O perfil dinâmico é também denominado arrojado ou agressivo. b) O perfil dinâmico costuma demandar retorno no curto prazo. c) O perfil conservador busca o equilíbrio entre risco e retorno. d) O perfil conservador busca resultados no médio e longo prazo. e) O perfil moderado é aquele que prima pelo menor risco. 7. Os investimentos são realizados com o intuito de obtenção de retornos. No mercado, há muitos títulos e ações negociadas com retornos esperados diferentes. Assim, há de se esperar que os riscos também sejam diferentes, pois quanto maior o risco de um investimento, maior deverá ser seu retorno esperado. Nesta premissa investidores mais conservadores podem optar por quais tipos de investimento? a) Títulos do governo. b) Ações. c) Títulos de crédito privado. d) Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. e) Fundos alavancados 48 8. Juntos, risco sistemático e não sistemático, formam o risco total que atua sobre os investimentos, os ativos e as empresas. Sobre eles, é verdadeiro afirmar: a) Ambos podem ser totalmente eliminados. b) O risco não sistemático pode ser eliminado, mas o risco sistemático estará sempre presente. c) Os dois podem ser mitigados por meio da diversificação. d) Apenas o risco sistemático pode ser mitigado por meio da diversificação. e) Apenas o risco não sistemático pode ser mitigado por meio da diversificação. 49 RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO E ALAVANCAGEM FINANCEIRA 3.1 INTRODUÇÃO O crescimento acelerado pode levar uma empresa a quebrar de diversas maneiras, as mais comuns são pelo esgotamento de recursos próprios ou pelo excesso de endividamento. Em todos esses casos, isso significa aumentar a capacidade de atendimento ao cliente, mas, na prática, para que isso aconteça de fato, é necessário investir recursos financeiros (ou na aquisição de mais máquinas, para empresas que produzem bens ou na contratação de mais funcionários, para empresas que prestam serviços). O problema é quando os atuais sócios da empresa não possuem esses recursos, não tendo como investirem, ou seja, a empresa cresce em vendas, mas não consegue aumentar sua produção (ou atendimento) e acaba falindo por frustrar as expectativas de seus clientes, fornecedores e demais parceiros comerciais. Quando sócios e acionistas investem dinheiro em uma empresa para financiar as atividades desta eles investem com a expectativa de obtenção de lucro. Há uma origem de recursos próprios, os quais ficarão registrados no patrimônio líquido da empresa. Este elenca o capital dos sócios, portanto, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) mensura a rentabilidade da empresa frente ao valor investido por seus acionistas. O ROE advém do termo inglês return on equity e expressa os resultados globais obtidos a partir do controle de seus recursos próprios e de terceiros, os quais são gerados em benefício de seus acionistas. Uma alternativa a esta falta de recursos dos sócios seria a empresa obter financiamentos bancários, para poder adquirir mais máquinas ou contratar mais funcionários. O problema é que estes financiamentos, especialmente no Brasil, trazem elevadas despesas financeiras com o pagamento dos juros. Se estas novas despesas forem maiores do que o lucro que a empresa obterá no seu crescimento, Erro! Fonte de referênci a não encontra 50 ela acabará tendo que “pagar mais do que tem a receber” e, assim, se tornará inadimplente. Além destes custos variáveis, é importante observar que determinados custos fixos também acabam não sendo totalmente fixos, durante um crescimento acelerado. O exemplo mais simples de entender é o de uma fábrica que tem como custo fixo o aluguel de um galpão, para armazenar seus produtos. Com seu crescimento, ela passa a ter que alugar um galpão maior, ou mais galpões, de forma que o custo com o aluguel, antes fixo, passa a ter um aumento. 3.2 RETORNO SOBRE PATRIMÔNIO LÍQUIDO (ROE) A saúde financeira de uma empresa pode ser analisada por meio dos demonstrativos financeiros de resultados. Analisar esses dados é importante, uma vez que, com a compra de ações, o investidor torna-se sócio da empresa e, assim, colherá os frutos de seu sucesso ou de seu fracasso. O ROE é um indicador econômico-financeiro que visa mostrar aos investidores o retorno obtido com seu capital. E por que devemos calcular o ROE? Gestores, analistas, investidores e vários outros profissionais interessados no mercado financeiro têm interesse em analisar o ROE, pois é um dos indicadoresmais importantes para a percepção de rentabilidade. Uma de suas vantagens é a qualidade da informação temporal. Quando o ROE é calculado por longos períodos (cinco a dez anos), as informações obtidas permitem verificar o crescimento da empresa e as perspectivas para os próximos anos. Essa condição relaciona-se, também, ao custo de oportunidade do investimento, permitindo avaliar, dentre diferentes opções, a que apresenta a melhor opção. A seguir, será apresentado os três componentes da fórmula do ROE. Em algumas situações, ações que provocam o aumento em um dos fatores podem levar à redução de outros. Contudo, é importante ter em mente que a empresa 51 deve sempre tomar decisões que busquem a maximização do resultado, ou seja, de forma geral, uma ação que eleve qualquer deles em 25%, mesmo que também ocasione a redução de outro em 20% (por exemplo), deve ser adotada pela empresa. Por outro lado, deve-se evitar uma ação que aumente um deles em 25%, mas ocasione a redução de outro em qualquer percentual maior que este. A decomposição do ROE é também conhecida pela nomenclatura “modelo DuPont” que se trata de uma das formas de organizar e analisar os números encontrados nos relatórios financeiros de uma empresa, com vista a observar o seu desempenho. Figura 9: Os três componentes da fórmula do ROE Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) O modelo DuPont é uma maneira de decompor o ROE em três fatores que, 52 analisados individualmente, representam a margem líquida, o giro dos ativos e a alavancagem da empresa. Analisando a figura acima pode-se afirmar o ROE pode ser obtido de duas formas: ROE = LUCRO LÍQUIDO / PATRIMÔNIO LÍQUIDO Na análise das relações destes indicadores, os gestores podem compreender melhor o impacto relativo da margem de lucro, da eficácia na utilização de ativos e do grau de alavancagem financeira na rentabilidade dos capitais investidos na empresa. É de realçar a grande utilidade desta análise ao longo do tempo e principalmente a comparação destes indicadores entre empresas do mesmo setor. De acordo com Bruni (2014) “o ROE representa o ganho sob o ponto de vista do dono da empresa, expresso sob a forma do lucro líquido da operação, relativo aos investimentos feitos com o capital do dono, representados no patrimônio líquido”. 53 O patrimônio líquido de qualquer empresa é, obrigatoriamente, menor do que o ativo, logo, como o retorno sobre o patrimônio é calculado dividindo-se as vendas pelo patrimônio, e o retorno sobre o ativo é calculado dividindo-se as vendas pelo ativo, independentemente do valor das vendas, como o patrimônio é menor que o ativo, seu retorno é certamente maior. Existem diversas críticas à utilização do ROE. Para realizar este desafio, vejamos as três principais: a) Visão de curto prazo: ROE apresenta o resultado da empresa apenas do último ano, o qual, muitas vezes, pode ter sido um ano excepcionalmente bom ou muito ruim. Caso isso aconteça, o resultado do ROE estará “contaminado” por fatores de um único ano, deixando de refletir, com precisão, o desempenho da própria empresa. b) Risco: O valor do ROE nada diz sobre os riscos aos quais a empresa está relacionada. Por exemplo, uma empresa com ROE de 8%, que opera no mercado nacional, está menos exposta a riscos do que uma empresa com ROE de 9%, que exporta seus produtos exclusivamente para a Coreia do Norte, um mercado bem mais arriscado. c) Valor: o ROE é calculado sobre o valor contábil, e não sobre o valor de mercado da empresa. Assim, se um ROE de 10% é obtido por uma empresa contabilizada como R$500 mil, mas seu valor de mercado (suas ações) é R$1 milhão, a ROE será menor. Enquanto a ROE mostra o desempenho da empresa como um todo, logo abaixo temos os seus três fatores e, mais embaixo ainda, o que contribuiu (ou não) para o resultado destes. Ao se examinar as alterações em cada um dos índices, de um ano para o 54 outro, será possível identificar com clareza o que provocou o aumento, ou a diminuição da ROE. Figura 10: Os três componentes da fórmula do ROE e a distribuição de seus índices subordinados. Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) A utilização conjunta do ROE com o custo de capital próprio das empresas permite verificar se a empresa gera valor para seus acionistas. O ROE permite, ainda, conhecer quantos reais foram ganhos para cada R$ 1,00 de dívida. Portanto, conclui-se que o ROE é um indicador muito importante para análises econômico- financeiras e possibilita diferentes informações sobre a rentabilidade das empresas. O ROE é um indicador que aponta o retorno sobre o patrimônio líquido. A sua equação é composta pela divisão do lucro líquido da empresa pelo patrimônio líquido da empresa no mesmo exercício social. Portanto, fazem parte do cálculo do ROE o lucro líquido e o patrimônio líquido. A utilização de indicadores é fundamental para a tomada de decisão em diferentes áreas de uma empresa, principalmente no que se refere a investimentos. 55 Existem diferentes indicadores e cada um apresenta características importantes. Esses indicadores, se utilizados com adequação às suas finalidades, se tornam um grande diferencial para quem toma as decisões. 3.3 ALAVANCAGEM FINANCEIRA Para toda aquisição precisamos de recursos, sejam eles próprios ou de terceiros, mas sabemos que nem sempre dispomos de recursos próprios. Assim, buscamos recursos de terceiros, que serão captados através de empréstimos e/ou financiamentos, realizados em instituições financeiras. Estas operações geram encargos e juros. A alavancagem e a estrutura de capital estão intimamente ligadas aos conceitos relacionados com o custo de capital e, portanto, às decisões quanto ao orçamento de capital. No que diz respeito aos estudos sobre alavancagem, cabe aqui delinear que que existem duas modalidades, a financeira, sobre a qual trataremos nesta unidade de aprendizagem, e a operacional, que é determinada pela relação existente entre as receitas operacionais e o Lucro Antes de Juros e Imposto de Renda. O Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) define a alavancagem financeira como “uma técnica usada para melhorar e impulsionar a situação financeira de uma organização” que “pode oferecer riscos no que diz respeito à criação de dívidas. Isso acontece porque a melhor forma de obter recursos para a alavancagem é por meio da utilização de recursos de terceiros” (IBC, 2018). Martins e Assaf Neto (1986, p. 205) destacam que: alavancagem financeira “é o efeito de tomar, numa ponta, recursos de terceiros a um custo y, aplicando-os 56 na outra ponta (nos ativos) uma taxa x; a diferença vai para os proprietários e altera seu retorno sobre o patrimônio líquido”. Segundo Gitman (2010) alavancagem financeira é a capacidade da empresa de usar encargos financeiros fixos para maximizar os efeitos de variações no lucro antes de juros e imposto de renda (LAJIR) sobre o lucro por ação. Em termos financeiros, ao falarmos em alavancagem estamos falando de utilização de recursos, instrumentos e oportunidades externas com o objetivo de multiplicar um resultado, onde ocorre um esforço relativamente pequeno para buscar ganhos ampliados (PAULA, 2015). A alavancagem é o uso de ativos ou recursos com um custo fixo, a fim de aumentar os retornos dos proprietários da empresa. Muitas empresas recorrem a empréstimos, e em algumas empresas nota-se que recorrer a um empréstimo nem sempre está ligado a problemas financeiros, mas sim com grandes possibilidades de ganho e crescimento para a companhia. A tomada de decisão de novos investimentos envolve, muitas vezes, a empresa tomarempréstimos para que possa concretizar novas metas e desafios, pois o financiamento de projetos com recursos próprios pode prejudicar o caixa da empresa. Para Treasy (2015) alavancagem é a estratégia de utilizar vários instrumentos financeiros ou capital de terceiros para aumentar o retorno potencial de um investimento. A alavancagem também pode referir-se ao montante da dívida utilizada para financiar ativos. Ou, ainda, está relacionada com a operação de volumes financeiros maiores que o próprio patrimônio da empresa. Em todas as operações, pagamos pela amortização (valor principal) e os juros (custo ou remuneração, que dependem do lado em que estamos na operação). Aparentemente, sabe-se que a conta simples realizada pelo mercado é 57 a multiplicação do número de parcelas pelo valor das parcelas para reconhecer o valor que ultrapassa o valor do bem à vista. Na prática, quando uma empresa está alavancando ela está multiplicando a sua capacidade de realizar alguma atividade que antes não poderia, se utilizasse somente o capital próprio. Entretanto, como os valores não foram desembolsados na mesma data, não podemos fazer esta análise simplista. Contudo, é preciso considerar o valor do dinheiro no tempo para comparar o poder aquisitivo da moeda em diferentes períodos, visto que não podemos somar valores em datas diferentes. 58 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Sabe-se que o ROE é um indicador econômico-financeiro que apresenta o retorno sobre o patrimônio líquido. A partir disso, assinale a alternativa que apresenta quais dados fazem parte da equação do índice ROE. a) Lucro operacional e patrimônio líquido. b) Lucro operacional e patrimônio da empresa. c) Lucro líquido e patrimônio líquido. d) Lucro antes do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido e patrimônio líquido. e) Lucro líquido e patrimônio líquido. 2. O cálculo do ROE é obtido mediante a divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido da empresa — o seu resultado é multiplicado por 100 para atingir um valor percentual. A Companhia Alfa obteve, em 2017, um ROE de 37%, isso significa que: a) A cada R$ 1,00 de patrimônio líquido da Companhia Alfa, em 2017, foi gerado um lucro líquido de R$ 37,00. b) A cada R$ 1,00 de patrimônio líquido da Companhia Alfa, em 2017, foi gerado um lucro líquido de R$ 3,70. c) A cada R$ 1,00 de patrimônio líquido da Companhia Alfa, em 2017, foi gerado um lucro líquido de R$ 0,37. d) A cada R$ 1,00 de patrimônio líquido da Companhia Alfa, em 2017, foi gerado um lucro líquido de R$ 370,00. e) A cada R$ 1,00 de patrimônio líquido da Companhia Alfa, em 2017, foi gerado um lucro líquido de R$ 3.700,00. 3. O cálculo do ROE da Companhia Beta, em 2017, foi obtido pela aplicação da fórmula: (lucro líquido / patrimônio líquido) x 100. A Companhia Beta obteve, em 2017, um lucro operacional de R$ 68.000,00 e um lucro líquido de R$ 49.000,00. No mesmo exercício, seu patrimônio líquido era de R$ 100.000,00. O ROE da Companhia Beta, em 2017, foi de: a) 68% b) 49% 59 c) 138%. d) 72% e) 19%. 4. A Companhia Omega, em seu exercício social de 2018, apresentou um patrimônio líquido de R$ 200.000,00 e, no mesmo ano, seu lucro líquido foi de R$ 46.000,00. Qual o ROE da Companhia Omega em 2018? a) 2,3% b) 23% c) 30%. d) 83% e) 87%. 5. Qual o objetivo fundamental da Alavancagem? a) Potencializar resultados. b) Obter empréstimos em bancos. c) Capitalização de recursos. d) Obtenção de maior grau de alavancagem. e) Reduzir a margem de contribuição. 6. Qual dos itens abaixo pode representar uma alavancagem financeira? a) Empreendedor saca seus recursos da poupança. b) Empréstimo junto ao banco para construção de nova fábrica. c) Empresa realiza vendas parceladas para seus clientes. d) Empreendedor ganha na loteria. e) Empresa usa seu lucro líquido para uma nova planta. 7. Associe as colunas em relação ao fator da ROE cada índice está subordinado: (A) Margem de lucro (B) Giro do ativo (C) Alavancagem financeira ( ) Alíquota de imposto ( ) Período médio financeiro 60 ( ) Margem bruta ( ) Prazo médio de recebimento ( ) Demonstração de resultados Agora, assinale a ordem CORRETA: a) A, C, A, B, A. b) A, C, C, B, B. c) C, A, A, B, A. d) A, A, A, B, A e) B, C, A, B, A. 8. Sobre a utilização do ROE diante das críticas, é importante observar que ele não deixa de ser um indicador importante, apenas fica a ressalva de que ele não deve ser interpretado de forma isolada, pois nem sempre um ROE elevado é melhor do que um mais baixo. É preciso verificar sua sustentabilidade ao longo do tempo, os riscos embutidos, bem como as diferenças entre o valor contábil e o de mercado. Assinale as três principais críticas à utilização do ROE: a) Visão do curto prazo, retorno e valor. b) Visão de médio prazo, risco e retorno. c) Risco, retorno e alavancagem. d) Visão de longo prazo, risco e retorno. e) Visão do curto prazo, risco e valor. 61 ORÇAMENTO EMPRESARIAL Veja de que forma o orçamento aparece no processo de planejamento. O diagrama mostra que a partir da ideia, o planejar é um processo de mapear o curso futuro deste mundo incerto e dinâmico para alcançar as metas desejadas, reconhecer oportunidades e minimizar os efeitos negativos de eventos inevitáveis. 4.1 INTRODUÇÃO Orçamento Empresarial é a tradução do Planejamento Estratégico da empresa em números. Ou seja, o Planejamento Financeiro da empresa (ou de cada um de seus departamentos) precisa estar perfeitamente alinhado a sua estratégia. Gerir uma empresa engloba três elementos essenciais: planejamento, execução e controle. É comum encontrar empresas com uma Gestão Orçamentária completamente desalinhada ao Planejamento Estratégico, gerando problemas com sérias consequências, como um Planejamento Estratégico que não é colocado em prática ou mesmo um Orçamento Empresarial inchado, cheio de gastos e despesas supérfluas. Um orçamento pode ser definido como a expressão de um plano de ação futuro da organização para um determinado período, podendo abranger aspectos financeiros e não financeiros desses planos e funcionando como um projeto a ser seguido pela empresa no período que está por vir (HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2004). O orçamento pode ser conceituado como um plano geral de operações detalhado em todas as suas fases para um período futuro, buscando retratar formalmente as políticas, planos e metas estabelecidas pelos administradores, expressos em forma quantitativa 4.2 ASPECTOS ORÇAMENTÁRIOS INTRODUTÓRIOS As empresas, de forma geral, são orientadas para a obtenção de resultados Erro! Fonte de referênci a não encontra 62 que contribuam para a formação do lucro, assim como para o aumento do valor da empresa e a continuidade do negócio, fazendo com que essas sejam preocupações constantes de seus administradores. Para que essas preocupações sejam transformadas em ações que possam trazer benefícios à empresa, são estabelecidos objetivos e metas a serem perseguidos, bem como planos para que possam ser atingidos, o que geralmente é desenvolvido por meio do planejamento estratégico da organização. Contudo, para que cada integrante da empresa (seja pessoa, setor, unidade de negócio ou outro elemento) possa, de fato, cumprir seu papel nesse cenário, é preciso que o plano estratégico seja traduzido em uma linguagem mais compreensível e palpável, demanda na qual o orçamento empresarial é muito útil. A existência de um sistema de orçamento promove a fixação de objetivos e políticas paraa empresa e suas unidades e, por meio da sistematização do processo de planejamento e controle, introduz-se o hábito do exame prévio e minucioso de principais fatores antes da tomada de decisões importantes. Isso permite que os controles gerenciais se tornem mais objetivos, o que corresponde a uma das vantagens promovidas pelo referido sistema. Já questões como o fato de ser baseado em estimativas, demandar monitoramento constante e adaptação, e ser suscetível a oscilações de variáveis econômicas e financeiras representam algumas das limitações do sistema de orçamento. O orçamento, por sua vez, demanda planejamento e controle, para que tudo seja organizado e monitorado de maneira a viabilizar o atingimento dos objetivos da empresa. Segundo Frezatti (2015) planejamento consiste no ato de decidir antecipada- mente sobre o que deve ser feito. Toda empresa realiza planejamento de alguma forma, embora a intensidade dessa ação possa variar de uma para outra. Já controle é definido pelo autor como a ação que visa a garantir que as decisões 63 estabelecidas no planejamento sejam seguidas. Segundo Peixoto et al. (PEIXOTO et al., 2008)o orçamento geral é definido como: […] conjunto de planos e políticas que, formalmente estabelecidos e expressos em resultados financeiros, permite à administração conhecer, a priori, os resultados operacionais da empresa e, em seguida, executar os acompanha- mentos necessários para que esses resultados sejam alcançados e os possíveis desvios sejam analisados, avaliados e corrigidos (PEIXOTO et al., 2008, p. 2). Ele permite que a empresa entenda quão próximo os resultados estão do esperado para determinado período. Desse modo, planejamento e controle são processos intimamente ligados e que promovem impactos mútuos, pois o desenvolvimento do planejamento traz o aperfeiçoamento do controle, e vice- versa. Contudo, o planejamento precede o controle dentro das organizações. Como base nessa constatação, Frezatti (2015, p. 8)aponta que “o planejamento é, se não a única, a mais eficiente forma de controle das organizações”. Um orçamento é o plano operacional de uma entidade para um determinado período. Ele identifica os recursos e compromissos necessários para satisfazer as metas programadas pela empresa para o período identificado. O orçamento inclui aspectos financeiros e não financeiros das operações planejadas. Em relação ao setor público, o orçamento é o principal instrumento para viabilização da ação estatal na economia, promovendo ajustamento na alocação de recursos, distribuição de renda e na manutenção da estabilidade econômica. O departamento orçamentário ou a controladoria deve permanecer ativo por todo o processo de elaboração e execução do orçamento, examinando a precisão dos seus dados e analisando-o para ver se ele está consistente e em conformidade com as diretrizes e metas organizacionais, procurando identificar as folgas orçamentárias, sonegação de informação, níveis de dificuldade para atingir as metas orçadas, a extensão do envolvimento da alta administração e dos funcionários para cumprir as metas orçamentárias. O planejamento orçamentário permite que a empresa conheça antecipadamente seus resultados e serve de guia para ações a serem executadas, definindo as responsabilidades na gestão dos recursos e geração dos resultados em determinado período futuro. Já o controle orçamentário consiste no acompanhamento da execução das 64 atividades e na comparação periódica entre o desempenho efetivo e o planejado, gerando informações para a tomada de decisões e correção de eventuais desvios em relação ao que foi originalmente projetado. Para que o planejamento seja de fato consumado, precisa ser monitorado, acompanhado e controlado, para que variações possam ser identificadas e ações corretivas possam ser executadas. Como consequência, o processo de planejamento acaba passando por revisões, para que as variações já decorridas sejam incorporadas, permitindo o replanejamento. 4.3 FINALIDADE DO ORÇAMENTO O orçamento, ferramenta de gestão relevante, tem por finalidade garantir a realização dos objetivos estabelecidos pela empresa. Esse projeto passa por um controle rígido, em que é realizada uma revisão para que se mantenha a eficácia, redefinindo as metas. O planejamento estratégico funciona como um grande aliado do orçamento empresarial; através dessa ligação, os administradores conseguem visualizar e avaliar suas ações e, se necessário, corrigi-las. É por meio do orçamento que conseguiremos um retorno das ações produzidas a partir dos gestores. Além de ser um plano de operações, um orçamento tem uma importante função na alocação dos recursos, na coordenação das operações, inclusive identificando as restrições comunicando e autorizando as ações, na motivação e implementação direcionada, no fornecimento de diretrizes para controlar as operações e administrar os fluxos de caixa e no fornecimento de critérios para avaliar o desempenho. A importância do sistema de Controle Orçamentário para a administração moderna comprova-se, facilmente, através da notável aceitação que ouso de orçamentos vem alcançando nas últimas décadas, apesar de sua complexidade (PASSARELLI; BOMFIM, 2004, p. 17-18). O orçamento surge como sequência à montagem do plano estratégico, permitindo que a empresa possa identificar e focar nas ações mais importantes, em um horizonte de tempo menor. O orçamento existe para implementar as decisões do plano estratégico e, desse modo, a coerência e consistência do orçamento estão diretamente ligadas à qualidade do trabalho de montagem do plano 65 estratégico. Quadro 5: Vantagens e limitações do planejamento orçamentário: Vantagens Limitações Possibilita a tomada de decisões financeiras com maior grau de acerto, pois tais decisões são baseadas em resultados econômicos e financeiros projetados. Aumenta o nível de participação de todos os membros da administração na fixação de objetivos. Possibilita que os administradores quantifiquem e datem as atividades pelas quais são responsáveis, o que os obriga a tomar decisões mais consistentes. Facilita a delegação de poderes. Identifica os pontos de eficiência ou ineficiência do desempenho das unidades. Tende a melhorar a utilização dos recursos e a ajustá-los às atividades prioritárias. Torna os controles gerenciais mais objetivos. Os orçamentos baseiam-se em estimativas e, por isso, estão sujeitos a erros significativos ou não significativos, conforme o processo de estimação. O plano de resultados, por si só, não garante o resultado projetado, devendo ser continuamente monitorado e adaptado às circunstâncias. O custo de implantação e manutenção do sistema não permite sua utilização plena por todas as empresas, pois exige a contratação de profissionais qualificados. Os atrasos na emissão de dados realizados prejudicam significativamente a implementação de ajustes em tempo hábil. As dificuldades de implementação de ajustes geram desconfianças em relação a resultados projetados. Quando existe alta volatilidade das variáveis econômicas e financeiras, os resultados projetados sofrem fortes distorções. Fonte: adaptado de Hoji (2012) Como mencionado inicialmente, a existência de vantagens e limitações é condição natural do processo orçamentário, independentemente do tipo de orçamento escolhido pela empresa. Frezatti (2015)oferece algumas considerações sobre imperfeições, críticas e limitações do orçamento tradicional, quais sejam: a) Possui algumas imperfeições, dentre as quais: centralização por meio do sistema de orçamento, que passa pela ênfase na coerção, e não pela coordenação relevantemente devida; foco na redução de custos, e nãona criação de valor; restrição de iniciativas; manutenção e execução do planejamento separadas, em vez de próximas; problemas na alocação de custos, ditos como não negociáveis; e centralização por parte da média gerência. b) Proporciona baixo valor e conduz as pessoas a apresentarem 66 comportamentos disfuncionais, com pouca atenção às variáveis fundamentais da competitividade, pressupondo falta de confiança. c) Apresenta pontos frágeis, como perda de tempo, já que as pessoas gastam tempo no acompanhamento orçamentário falando sobre o passado — o que aconteceu versus o planejado —, enquanto o mais importante é discutir o futuro. Isso não encoraja as pessoas ao desempenho, mas ao desempenho do orçamento. d) Revisão do orçamento é demorada, e as empresas não conseguem fazê-lo rapidamente. Planejamento e controle são processos intimamente ligados, que promovem impactos mútuos: o desenvolvimento do planejamento traz o aperfeiçoamento do controle e vice-versa. Contudo, o planejamento precede o controle dentro das organizações. No entanto, ainda que existam desvantagens ou limitações, o orçamento permanece sendo capaz de promover muitos benefícios e correspondendo a uma importante ferramenta para a gestão organizacional, colaborando para o planejamento e viabilizando o controle. O planejamento orçamentário, de acordo com Hoji (2012) permite que a empresa conheça antecipadamente seus resultados e serve de guia para ações a serem executadas pelas diferentes unidades da empresa, definindo as responsabilidades de cada uma na gestão dos recursos e na geração dos resultados em determinado período futuro. O controle orçamentário, ainda segundo Hoji (2012) consiste no acompanhamento da execução das atividades e na comparação periódica entre o desempenho efetivo e planejado. Além disso, garante a geração de informações para a tomada de decisões e para a correção de eventuais desvios em relação ao que foi originalmente projetado. Conforme Frezatti (2015) a fim de que o planejamento seja de fato consumado, precisa ser monitorado, acompanhado e controlado, para que variações possam ser identificadas e ações corretivas ou de manutenção/disseminação (no caso de variações favoráveis) possam ser planejadas e executadas. Como consequência, o processo de planejamento acaba passando por revisões para que as variações já decorridas sejam incorporadas. Este, na verdade, 67 é o grande benefício do acompanhamento: permitir a percepção do que deve ser feito no futuro, ou seja, o replanejamento. Tudo isso colabora para a empresa realizar suas operações da forma mais econômica e lucrativa possível, coordenando a melhor utilização dos diferentes recursos (humanos, materiais, financeiros, tecnológicos, entre outros) e viabilizando o atingimento dos objetivos traçados. Afinal, a empresa precisa manter sua continuidade, mantendo-se ativa e competitiva e gerando benefícios para si mesma, seus acionistas, seus colaboradores, seus fornecedores e para a sociedade. Enfim, o planejamento e controle do orçamento permitem a definição de objetivos, o estabelecimento de metas e o monitoramento do desempenho. Além disso, permitem evidenciar e reforçar o compromisso dos gestores com os resultados a serem atingidos e, caso esse compromisso não esteja suficientemente especificado e definido no plano estratégico, ele é firmado na montagem do orçamento. Desse modo, o orçamento gera a obrigação dos gestores com a prestação de contas sobre suas atividades (o chamado accountability) e, assim, acaba por se revelar como um dos pilares ou ferramentas fundamentais da gestão organizacional. 68 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Durante o desempenho das atividades de uma organização, os gestores precisam definir objetivos e metas, traçar planos para atingi-los e monitorar se o negócio está caminhando na direção correta. Para isso, fazem uso de diversas ferramentas, entre as quais estão o orçamento empresarial e planejamento estratégico. Sobre a relação entre eles, é correto afirmar que: a) O planejamento estratégico consiste na sequência da montagem do orçamento. b) O orçamento depende do planejamento estratégico da organização. c) O horizonte de tempo do orçamento é geralmente maior que o do planejamento estratégico. d) Embora possuam conexão, a consistência do orçamento independe do planejamento estratégico. e) O orçamento empresarial não possui conexão direta com o planejamento estratégico. 2. Planejamento e controle são duas importantes demandas relacionadas ao orçamento empresarial: o ______________ permite que a empresa conheça _____________ seus resultados e permite a definição de responsabilidades na gestão dos recursos e geração dos resultados em período ____________. Já o _____________ consiste no acompanhamento da execução das atividades e na ____________ periódica entre o desempenho ____________ e ___________. Marque a alternativa que completa adequadamente a frase. a) Controle; posteriormente; passado; planejamento; medição; efetivo e o planejado. b) Planejamento; antecipadamente; futuro; controle; apuração; estimado e obtido. c) Controle; antecipadamente; futuro; planejamento; comparação; efetivo e o planejado. d) Planejamento; antecipadamente; futuro; controle; comparação; efetivo e o planejado e) Planejamento; detalhadamente; passado; controle; medição; efetivo e o planejado. 69 3. Em qualquer tipo de planejamento existem vantagens e limitações, o que também se aplica ao planejamento orçamentário. Porém, embora existam vantagens e limitações, a adoção de um sistema de orçamento promove muitos benefícios e, por isso, corresponde a uma importante ferramenta de gestão. Assinale a alternativa que representa uma das vantagens do sistema de orçamento. a) Introduz o hábito do exame prévio de fatores antes da tomada de decisões. b) Baseia-se em estimativas. c) O plano de resultados deve ser continuamente monitorado e adaptado às circunstâncias. d) Resultados projetados são suscetíveis a volatilidade das variáveis econômicas e financeiras. e) Torna os controles gerenciais mais subjetivos. 4. O triunfo do planejamento orçamentário será atingido quando as empresas estiverem aptas às mudanças econômicas de mercado. Entre os fatores considerados importantes na elaboração do plano orçamentário, deve-se estar atento: a) Às mudanças de mercado que envolvem exclusivamente a concorrência na área de atuação. b) A um fator muito relevante, que é o sistema de produção da empresa c) Ao fato de que as empresas necessitam estar atentas às mudanças, mas não que necessariamente respondam de forma tão rápida, e sim que estejam bem informadas. d) Ao sigilo das informações referentes ao orçamento entre os funcionários. e) À relevância que os colaboradores têm na formação do orçamento. 5. Por que os orçamentos são úteis no processo de planejamento? a) Os orçamentos são úteis no processo de planejamento porque intensificam a comunicação e a coordenação. b) Os orçamentos são úteis no processo de planejamento porque fornecem uma base para avaliar o desempenho. c) Os orçamentos são úteis no processo de planejamento porque são preparados pelos departamentos da empresa. 70 d) Os orçamentos são úteis no processo de planejamento porque propiciam uma distinção entre quem elabora e quem executa. e) Os orçamentos são úteis no processo de planejamento porque proporcionam melhores resultados para a empresa. 6. Das seguintes afirmativas sobre orçamento, qual delas é verdadeira? a) São documentos formais que mensuram os planos de uma empresa. b) Dificultam a comunicação e a coordenação. c) São úteis parao planejamento, mas não para o controle. d) Podem fornecer uma base para a análise de desempenho, mas somente se a empresa não tiver mais de uma unidade orçamentária. e) Não pode ser mensurado em bases monetárias. 7. O orçamento estará sempre associado com as duas funções principais da administração, que são: a) Elaboração de plano de contas orçamentário e plano estratégico. b) Planejamento e controle. c) Custo dos produtos vendidos (CPV) e custo das mercadorias vendidas (CMV). d) Os preços unitários dos produtos ou serviços a serem praticados e a capacitação da equipe de vendas. e) Sistemas de informação gerencial (SIG), recursos humanos e tecnologia. 8. Os indicadores são considerados como peça-chave, servindo como comparativo de valores de períodos distintos. Os mais usuais pelas empresas estão relacionados com o sistema de orçamento e planejamento da organização. De acordo com esses indicadores, um deles mensura a real situação baseada em critérios determinados antecipadamente. a) Indicador de padrão de vida. b) Indicador de custo de vida. c) Desempenho orçamentário. d) Ocorrência de recursos disponíveis para investimentos. e) Atuar como ferramenta de controle e planejamento econômico. 71 TIPOS DE ORÇAMENTO 5.1 INTRODUÇÃO Toda organização precisa de um bom planejamento e amplo controle sobre suas operações. Planejar e controlar são ações importantes que auxiliam a direção na tomada de decisão quanto ao uso correto de recursos (financeiros, logísticos, humanos, materiais) bem como sua otimização. O orçamento é composto por diferentes modelos, nos quais cada um possui um objetivo, ou seja, eles têm como meta o controle, mas cada um voltado para um tipo específico de orçamento. A organização escolhe o modelo de orçamento que atenda suas necessidades, porém, é imprescindível que o orçamento esteja adequado à estrutura da empresa. Além de ser um plano de operações, um orçamento tem uma importante função na alocação dos recursos, na coordenação das operações, inclusive identificando as restrições comunicando e autorizando as ações, na motivação e implementação direcionada, no fornecimento de diretrizes para controlar as operações e administrar os fluxos de caixa e no fornecimento de critérios para avaliar o desempenho. O objetivo do controle orçamentário é coordenar, controlar e avaliar as operações da empresa, para sua realização elementos básicos como previsão, orçamento e controle são fundamentais, sendo que o orçamento é o pilar dessa estrutura. Os principais tipos de orçamento são: orçamento de tendências (estático, flexível, contínuo, budget/forecast) orçamento base zero e orçamento por atividades. Todos possuem características diferentes, mas visam o mesmo objetivo que é atingir os resultados esperados. Neste capítulo serão apresentados os tipos de orçamento e suas principais características. 5.2 ORÇAMENTO DE TENDÊNCIAS De acordo com Padoveze e Franscischetti (2018, p. 66) uma prática orçamentária muito comum tem sido a de utilizar dados passados para projeções Erro! Fonte de referênci a não encontra 72 de situações futuras. Tal prática vem dando bons resultados, pois, de modo geral, os eventos passados são decorrentes de estruturas organizacionais já existentes e, por conseguinte, há forte tendência de tais eventos se reproduzirem, considerando, contudo, a introdução dos novos elementos componentes do planejamento operacional da empresa . Padoveze afirma que na execução do orçamento de tendências sempre existirão eventos passados de conhecimento da empresa, que não se repetirão e que, portanto, não serão reproduzidos no orçamento. Da mesma forma, existirão futuros eventos que não terão um passado no qual basear novas estimativas, que deverão ser orçados de outra maneira (PADOVEZE; FRANCISCHETTI, 2018). Quadro 6: Tipos de Orçamento Fonte: Elaborado pelo autor (2020) Conforme a figura acima o orçamento de tendências se subdivide nas seguintes categorias: Orçamento Estático: É o mais comum, pois há grande necessidade de consolidação dos orçamentos de todas as suas unidades dispersas geograficamente em um orçamento mestre e único da organização. Ele é considerado estático quando a administração do sistema não permite nenhuma alteração nas peças orçamentárias. Sua principal característica 73 está na elaboração de todas as Peças Orçamentárias (Receitas, Custos, Despesas, Investimentos etc.) a partir de volumes de produção ou vendas pré-fixados. Ou seja, esses volumes determinarão o volume das atividades que serão realizadas por cada setor da empresa, dando base para os Orçamentos de Gastos com Pessoal, Orçamento de Despesas Operacionais e Orçamento de Investimentos. Orçamento Flexível: é um conjunto de orçamentos que podem ser ajustados em qualquer nível de atividades. A base é a perfeita distinção entre custos fixos e variáveis. Visando complementar e contornar as “deficiências” do Orçamento Estático passou a ser elaborado o orçamento denominado Orçamento Flexível. Neste modelo orçamentário, ao invés de fixar todas as Peças Orçamentárias com base em um volume de produção ou vendas pré- determinado, a empresa admite uma faixa de variação dos Orçamentos de Custos, Despesas e Investimentos base na variação dos volumes de produção ou vendas. Ou seja, caso o volume de vendas aumente, é admitido um aumento proporcional aos orçamentos de Comissões, Impostos, Matérias-Primas etc., afinal, para produzir e vender mais, é lógico que estes itens também precisarão acompanhar. Orçamento contínuo: O objetivo principal desta prática orçamentária é a atualização periódica do Orçamento, levando ao maior engajamento e comprometimento dos gestores e demais envolvidos no processo, que por sua vez é a chave do sucesso da metodologia. O Orçamento Contínuo possui algumas características bem marcantes como a integração com o controle de vários processos, o que exige que os gestores sejam flexíveis e ágeis para responder às mudanças inesperadas. Assim como também exige uma capacidade maior de mobilização contínua por parte desses profissionais. Budget/Forecast: Budget e forecast são coisas diferentes, mas complementares. Budget significa um orçamento estático, que quer dizer o planejamento de metas, despesas, custos e gastos em um período de exercício específico. Já forecast é a o ajuste deste orçamento sempre que necessário. O orçamento revisado, também conhecido como Forecast, é uma metodologia que se baseia no princípio de manter o planejamento orçamentário sempre atualizado com base nos acontecimentos e períodos 74 já realizados (não confundir com o Orçamento Contínuo). Qualquer alteração no resultado esperado ao se comparar o orçado com o realizado pode ser resolvida com uma boa revisão. O quadro abaixo foi elaborado de acordo com a empresa de prestação de serviços em planejamento e controladoria Treazy, e apresenta as principais vantagens e desvantagens dos orçamentos. Quadro 07 – Vantagens e desvantagens dos orçamentos. Vantagens Desvantagens Orçamento Estático Uma das vantagens deste modelo orçamentário está na facilidade no acompanhamento do planejamento, já que uma vez elaborado, não é permitido nenhuma alteração, e fica muito mais fácil acompanhar ações departamentais, já que os recursos destinados para cada setor não sofrerão alterações. Outra grande vantagem está no tempo de elaboração do orçamento, uma vez que aprovada uma versão oficial, o orçamento não sofrerá nenhuma alteração, reduzindo também o tempo de manutenção do orçamento (Revisões e Transferências Orçamentárias). Além disto, o Orçamento Estático também acaba por forçar os gerentes e os responsáveis pela elaboraçãodo mesmo a prestar atenção nas áreas onde o orçamento não funcionou, deste modo fica mais fácil para monitorar tendências e desvios. E essa análise de desvios vai criando na empresa uma Cultura Organizacional focada na melhoria contínua, além de gerar uma rica base de conhecimentos que ajudarão na elaboração dos futuros orçamentos, tornando-os ainda mais precisos. Como esse modelo orçamentário não permite alterações, acaba-se criando um certo “engessamento”, que poderá afetar a empresa caso ocorra alterações nos fluxos de venda fazendo com que cada setor continue com os mesmos valores em seus orçamentos. Ou seja, imagine, por exemplo, que a empresa está mês após mês superando as metas de vendas e lucratividade. Desta forma, as verbas disponíveis para marketing e vendas poderiam ser flexibilizadas para aproveitar o bom momento e aumentar ainda mais os bons resultados que estão sendo obtidos. Todavia, como o Orçamento Estático não permite “flexibilizações”, isto não seria possível. Sendo assim, em alguns casos, uma parcela significativa das Peças Orçamentárias pode vir a perder valor para o processo de acompanhamento, controle e análise das variações, e também como base para projeções e simulações com os dados orçamentários. Orçamento Flexível A principal vantagem do Orçamento Flexível está na relevância mantida nas Peças Orçamentárias relacionadas a Custos, Despesas e Investimentos. No Orçamento Estático, é muito comum que partes do Orçamento percam a relevância, afinal se o volume de vendas ou produção variar, estas peças se tornam Em contrapartida, o Orçamento Flexível impõe uma necessidade muito maior de monitoramento das alterações existentes no negócio. É necessário que haja um processo de acompanhamento constante nos níveis de atividades da empresa. Também é preciso que os envolvidos se adaptem rapidamente as mudanças que 75 desconexas e deixam de fazer sentido. Como o Orçamento Flexível acompanha as variações de vendas ou produção, acaba tornando as demais Peças Orçamentárias muito mais pertinentes e alinhadas a mudanças no cenário em que a empresa está inserida. podem ocorrer constantemente devido aos ajustes no orçamento. Orçamento Contínuo Muitas empresas realizam Revisões Orçamentárias em períodos pré- determinados (trimestralmente ou semestralmente). Como o Orçamento Contínuo sempre mantém projeções para um período de 12 meses, tem-se a oportunidade de realizar revisões continuamente, eliminando a necessidade de parar a empresa para uma “grande Revisão Orçamentária” e tornando o processo muito mais eficaz. Este modelo é bastante indicado para empresas que atuam em segmentos com produtos com ciclos de vida curtos ou em mercado muito voláteis, como moda ou tecnologia, por exemplo. Afinal, são setores que trabalham de forma bastante dinâmica e ágil e mantêm as projeções sempre alinhadas às variações do cenário econômico nos quais estão inseridos. Além disso, o Orçamento Contínuo proporciona um nível muito maior de precisão da versão final do Orçamento. Por exigir que o Orçamento seja incrementado a cada período (mês) fechado, este método acaba necessitando de um maior engajamento dos envolvidos no processo, o que pode ser visto como uma desvantagem quando olhamos pela ótica de tempo consumido, mas ainda assim é uma grande vantagem quando analisamos os benefícios obtidos. Por isso, este modelo não é muito aconselhável para empresas que atuam em segmentos com produtos com ciclos de vida longos ou em mercado mais consolidados, como commodities ou concessões, uma vez que esses modelos de negócio não possuem tantas variações em espaços curtos de tempo e o Orçamento Contínuo pode gerar mais trabalho do que benefícios. Além disso, o Orçamento Contínuo exige ainda uma cultura organizacional direcionada à gestão de mudanças e que se adapte rapidamente a novos cenários, com uma equipe de Planejamento e Controladoria bastante atuante na elaboração e manutenção do Orçamento, bem como no suporte aos gestores de departamento e demais envolvidos. Budget/Forecast Empresas que adotam o Forecast como modelo orçamentário costumam ter projeções constantemente alinhadas entre o cenário planejado e o que realmente está sendo realizado. Além disso, o modelo possibilita que a empresa aproveite novas oportunidades de mercado que podem não ter sido previamente mapeadas. Sem contar a quantidade de aprendizado e crescimento que o processo gera com a identificação de padrões de períodos que costumam sair do previsto, bem como como prevenir tais cenários. Assim como o Orçamento Contínuo, o Orçamento Revisado acaba por exigir um pouco mais de tempo em sua elaboração e manutenção, uma vez que, a cada ciclo realizado (mensalmente, bimestralmente etc.), os valores planejados referentes aos meses passados precisam ser sobrepostos e os dos períodos futuros precisam ser replanejados. O Orçamento Revisado também exige uma cultura organizacional ágil e que lide bem com mudanças, sem falar da necessidade de uma equipe de Planejamento e Controladoria atuante na elaboração e manutenção do Orçamento, bem como o suporte aos gestores de departamento e demais envolvidos. Fonte: adaptado de Paula (2015) 76 O Orçamento de tendências é apenas um dos vários Modelos e Metodologias de Gestão Orçamentária existentes e utilizados por organizações dos mais diversos setores, portes e estágios de maturidade. Entender qual a metodologia ou modelo mais adequado ao negócio da empresa é fundamental para obter sucesso com a adoção. 5.3 ORÇAMENTO BASE ZERO Para o professor doutor Andriei José Beber, da IBE-FGV - especialista nas áreas de Finanças, Gestão e Governança, o Orçamento Base Zero (OBZ) é “uma ferramenta utilizada pelas empresas na elaboração do Planejamento Orçamentário para um determinado período a partir de uma base zerada” (2017, p.01) ainda segundo Beber (2017, p.01), este modelo é elaborado sem levar em consideração bases históricas ou índices de reajuste, como é feito no modelo tradicional. De acordo com Dudick (1978)o OBZ é uma atividade na qual anualmente o corpo gerencial tem a responsabilidade de apresentar e justificar detalhadamente os seus gastos e não somente os aumentos dos gastos ocorridos no exercício precedente, neste sentido Gomes (2000) afirma que o OBZ derruba a falsa proteção ou segurança dos gestores, na medida em que propicia a identificação exata dos resultados que cada setor e atividade da empresa e possibilita checar se operacionalmente as ações estão sendo bem executadas, levando a empresa a atingir os resultados esperados. O OBZ surgiu com o objetivo de suprir algumas necessidades que não eram atingidas com o orçamento de tendências nem com a base histórica, isso significa que o histórico não será levado em conta e que as despesas serão planejadas segundo a definição do limiar – o custo mínimo necessário para que a empresa funcione. 77 Para se ter uma ideia de sua eficácia, segundo a Endeavor, o Orçamento Base Zero, foi desenvolvido nos anos 1970, utilizado pelo governo norte-americano em projeto de redução de custos do Pentágono. De acordo com Pyhrr (1981) o conceito do Orçamento com Base Zero, foi utilizado inicialmente pelo governo dos Estados Unidos na empresa Texas Instruments, durante a década de 1960, cujos resultados foram publicados na Harvard Business Review, em 1970. Segundo De Faria et al (2010) o orçamento OBZ não é recente: A terminologia “orçamento base zero” não é recente. Em muitos estudos, considera-se que o OBZ consiste em elaborar o orçamento sem referência passada, baseado na reavaliação dos métodos, intenções e recursos segundo os estudiosos Herbert (1977) e Pattillo (1977) que explicam que a primeira evidência da utilizaçãodo sistema do orçamento base zero, foi a preparação do planejamento do departamento de agricultura dos Estados Unidos em 1964. Então, o secretário de agricultura desenvolve um grande interesse pelos problemas orçamentários, durante seu período como governador de Minessota, e sugeriu que fossem reconsiderados os recursos básicos para cada setor, os justificando partindo do zero, na fase orçamentária. Posteriormente, Pyhrr (1981) vislumbrou em um artigo intitulado “orçamento base zero”, publicado na Harvard Business Review em 1970 a 78 aplicação dos conceitos por ele desenvolvidos, na empresa Texas Instruments Inc. para o planejamento orçamentário do ano de 1970 (FARIA et al., 2010, p. 3) Conforme Pyhrr (1981) o aparecimento do OBZ ocorreu devido a alguns problemas muito comuns no Orçamento de Tendências ou com base histórica, seriam eles: Os objetivos e as metas previstas não refletiam a realidade quando avaliadas comparativamente com os valores anteriormente orçados, provocando distorções importantes; As quantidades de produção necessárias eram prejudicadas devido à falta de decisões operacionais não tomadas; As mudanças de responsabilidade, e no volume da carga de atividades, não eram rigorosamente distribuídas na peça Orçamentária (PYHRR, 1981). Atualmente o OBZ é utilizado como uma ferramenta de gestão, atendendo a grandes organizações. É o modelo escolhido para a elaboração de orçamentos, para o alcance dos objetivos traçados e apresenta algumas particularidades em relação ao orçamento de tendências, e possui as seguintes características: Possibilita a análise entre o custo x benefício de todas as atividades, processos e projetos, em andamento na empresa, partindo do ponto zero; Mantem o foco nos objetivos e nas metas das unidades de negócios cujos recursos serão o resultado da direção e das ações planejadas; Possibilita a correção na distribuição dos recursos baseados no foco do negócio, e nas atividades chave; Facilita a aprovação dos níveis de investimento, imediatamente após o planejamento baseado em critérios anteriormente definidos; Promove o desenvolvimento participativo, ampliando ao máximo a comunicação entre os setores da organização; Fornece subsídios necessários para a tomada de decisão. Padoveze (2005) afirma que o conceito de orçamento Base Zero pode ser considerado o precursor de outra tecnologia de gestão denominada Reengenharia. Da mesma forma que o Orçamento Base Zero revê todos os gastos, 79 a Reengenharia enquanto tecnologia de gestão também rediscute a corporação partindo de uma análise dos processos e de sua real necessidade nas empresas. Para o autor o OBZ está diretamente ligado ao conceito de custo-ideal padrão e reitera: A proposta do orçamento base zero está em rediscutir toda a empresa sempre que se elabora o orçamento. Trata-se de questionar cada gasto e estrutura, buscando verificar a real necessidade deles. Nessa linha de pensamento, toda atividade da empresa será rediscutida não em função de valores maiores ou menores, mas da razão ou não de sua existência. Concluída a definição da existência da atividade, será feito um estudo, partindo-se do zero, de quanto deveria ser o gasto para a estruturação e manutenção daquela atividade, e quais seriam as metas e objetivos (PADOVEZE; FRANCISCHETTI, 2018, p. 66). O OBZ possui vários objetivos dentre eles se destacam a capacidade de propiciar economia significativa no orçamento, possibilitar a geração de informações em quantidade e qualidade para os gestores em todos os níveis da empresa, promover a melhoria constante nos processos de tomada de decisões e maior participação dos colaboradores em sua elaboração, e possibilitar a redução ou eliminação de atividades em duplicidade dentro da organização. O quadro abaixo apresenta de forma resumida algumas das vantagens e desvantagens na utilização do Orçamento Base Zero. Quadro 7: Vantagens e desvantagens da aplicação do OBZ. Vantagens Desvantagens Permite alocação dos recursos de maneira muito mais eficiente; Auxilia na detecção de orçamentos inflados; Elimina processos que não agregam valor; Aumenta a motivação dos gestores ao dar maior autonomia e responsabilidade pela tomada de decisões; Melhora a comunicação e coordenação dentro da organização. Maior consumo de tempo do que orçamento tradicional; Leva os gestores a pensar sobre (e justificar) cada item do orçamento; Necessário treinamento específico dos gestores; Requer maior nível de honestidade por parte dos gestores e confiança por parte da direção; Em uma organização de maior porte, sem uma ferramenta adequada de Gestão Orçamentária, o processo envolvendo muitos gestores e enormes quantidades de informações, pode ser bastante desafiador. Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Uma vez que, na elaboração do OBZ não são considerados dados de 80 eventos anteriores, sua elaboração torna-se mais lenta e também requer mais envolvimento das gerencias para que sua aplicação seja capaz de contribuir com a eliminação de processos e atividades que não estejam alinhados com os objetivos do negócio. Independentemente do tipo de orçamento a ser adotado, as organizações precisam agir com cautela na fase de coleta de dados para elaboração e primar sempre pela clareza das informações e envolvimento das lideranças, sem subestimar nenhuma necessidade ou realidade do mercado no qual está inserida. 5.4 ORÇAMENTO POR ATIVIDADES O Orçamento por Atividades (Orçamento ABB), é um sistema orçamentário no qual os custos são associados às atividades e as despesas são então compiladas com base no nível de atividades esperadas. Explicando de maneira mais simples, ele reflete as atividades e os processos de negócio (PAULA, 2015). O Orçamento por Atividades é voltado ao volume e aos tipos de atividades executadas dentro de uma empresa. Nesse método de gestão orçamentária são registradas as tarefas que incorrem em custos dentro da estrutura organizacional, estabelecendo as relações entre elas para, depois, decidir quanto do orçamento total deve ser alocado para cada atividade. O Orçamento por Atividade não elimina o orçamento tradicional. Contudo, serve como ferramenta gerencial para medir a quantidade necessária de equipamentos e funcionários para atender a demanda projetada para o período, indo direto ao ponto, o Orçamento por Atividades é especialmente utilizado quando o foco for aumentar a eficiência nas atividades de uma organização (PAULA, 2015). Para implementar o Orçamento por Atividade é importante seguir o fluxo da figura abaixo: 81 Figura 11: Fluxo para implantação do Orçamento por Atividade Fonte: Camargo (2018) Portanto, na essência, com o Orçamento por Atividades é possível não apenas estimar a demanda de atividades da empresa, mas, o mais importante: traduzir essa demanda em valores monetários, materiais, energia, e outros recursos necessários para o atingimento dos objetivos estratégicos da organização. Após a identificação de atividades é necessário averiguar os direcionadores de custos, que nada mais são do que os fatores que geram ou influenciam o volume dos gastos de uma atividade. 82 FIXANDO O CONTEÚDO 1. A fundamentação do orçamento flexível está baseada em a) Previsões de vendas. b) Sistemas de informação, recursos humanos e tecnologia. c) Fatores internos. d) Cronograma. e) Custos fixos e variáveis. 2. Quanto às divisões do orçamento de tendências: a) O orçamento estático permite alterações após estar planejado. b) É a determinação do volume de vendas que demonstra as ações e os setores que serão envolvidos no projeto. c) Oorçamento flexível impede que sejam feitas alterações no seu planejamento. d) A possível alteração do orçamento pode ocasionar alinhamento nos planos já determinados. e) O orçamento contínuo determina o planejamento de orçamento a cada seis meses do ano. 3. Para que o budget possa ser aplicado, é necessário: a) Que seja considerado inflexível, para auxiliar no planejamento orçamentário. b) Que seja organizado em subperíodos que variam a cada semestre. c) Que a organização possa planejar o orçamento baseado nos últimos cinco anos. d) Observar dados por meio de relatórios contábeis, analisando a oportunidade de expansão ou não do negócio. e) Não necessite de revisões. 4. É necessária a comparação do orçamento com o objetivo de verificar distorções, para que seja possível realizar as correções de acordo com a atual situação. O nome dado a essa revisão é: a) Budget. 30%. b) Custo dos serviços vendidos (CSV). c) Programação e controle da produção (PCP). 83 d) OCX - Corresponde ao orçamento de caixa. e) Forecast. 5. Todos os tipos existentes de orçamento devem atender à organização e estar adequados a sua estrutura contábil. Os tipos orçamentários são: a) Orçamento estático e orçamento flexível. b) Orçamento de tendências, orçamento base zero e orçamento por atividades. c) Orçamento de vendas. d) Orçamento de produção. e) Orçamento das despesas operacionais. 6. O orçamento é composto por diferentes modelos, nos quais cada um possui um objetivo, ou seja, eles têm como meta o controle, mas cada um voltado para um tipo específico de orçamento. A organização escolhe o modelo de orçamento que atenda suas necessidades, porém, é imprescindível que o orçamento esteja adequado à _____________________. a) Estrutura da empresa b) Construção de nova fábrica. c) Seus clientes. d) Venda do trimestre e) Curva de tendência. 7. Fazendo um comparativo entre o orçamento de tendências e o base zero, aponte uma das diferenças importantes entre eles? a) As alterações de atribuições e a quantidade de carga de ações não eram distribuídas de forma correta na peça orçamentária. b) Possibilita ao gestor questionar as despesas, com o intuito de verificar se elas atendem à real necessidade da organização. c) Uma análise possibilita ao gestor a correção de distorções de fatos ocorridos, para que não venham a se repetir. d) Leva em consideração algumas tendências e variações de mercado. e) A exclusão de eventos ocorridos para a elaboração de projeções futuras. 84 8. O orçamento de um projeto pode ser feito em diferentes momentos, com diferentes graus de detalhamento e precisão. O orçamento preliminar e o orçamento final ocorrem em tempos distintos, cada qual com sua finalidade, e sobre eles é correto afirmar: a) O orçamento preliminar pode ser utilizado como ferramenta de projeto para investigar a possibilidade de utilização de determinado material. b) Após a conclusão do projeto e antes do início da obra, é realizado o orçamento preliminar. c) O orçamento final, da etapa de execução, tem como objetivo estudar a viabilidade de diferentes soluções de projeto. d) As necessidades de recursos humanos e financeiros devem ser estimadas no orçamento preliminar. e) Durante a execução da obra, o projeto não pode sofrer alterações; dessa forma, o orçamento final deve-se manter inalterado. 85 86 ORÇAMENTO MESTRE 6.1 INTRODUÇÃO Os orçamentos podem ser entendidos como ferramenta ou como etapa do projeto. Um orçamento preliminar pode ser realizado durante etapas iniciais, como o anteprojeto, para investigar a viabilidade de diferentes soluções e materiais possíveis. Assim, o orçamento preliminar atua como ferramenta de auxílio ao projeto. O orçamento como etapa, conhecido como orçamento final, é realizado antes do início da obra. Esse tipo de orçamento pode ser útil para estimar a necessidade de recursos, financeiros e humanos, e para a obtenção de financiamentos, por exemplo. Um projeto pode sofrer alterações durante a execução da obra em virtude de uma solução ou material se tornar muito oneroso. Assim, é possível, e muito comum, que o orçamento final sofra alterações ao longo do tempo de execução, mesmo que tenha sido bem elaborado. As metas fundamentais de uma empresa (metas de venda, de produção e metas financeiras) são elaboradas a partir de uma interconexão de tipos de orçamentos. O agrupamento desses orçamentos é chamado de orçamento- mestre. O profissional deve conhecer bem essas etapas para passar segurança e assertividade ao negócio e, ao mesmo tempo que deve também estar ciente de cada um dos detalhes do processo se manter responsável por eles, deste modo a seguir será apresentado todas as fases do orçamento mestre. 6.2 ELABORANDO O ORÇAMENTO MESTRE Um orçamento é essencial para a organização, beneficiando a gestão financeira e orientando para sua sobrevivência. É tão importante que ultrapassa a delimitação dos limites de recursos financeiros da organização. Os orçamentos, sejam eles públicos ou privados, representam uma importante ferramenta de análise e controle de desempenho. A elaboração do orçamento-mestre desempenha uma função de extrema utilidade para o processo de planejamento, Erro! Fonte de referênci a não encontra 87 assim, a importância dos orçamentos ao processo de planejamento recai sobre a possibilidade de identificação da comunicação e da coordenação. Para elaborar o orçamento, é necessário valorar e mensurar diversos itens, e isto é inerente ao processo de elaboração do orçamento, mas não do seu planejamento. Identificar aquisições ou avaliações da empresa não será relevante para o processo de planejamento. A avaliação do investimento é um dos itens que compõem o processo orçamentário. A administração e a contabilização são atividades decorrentes dos processos de gestão e de tomada de decisão, e são estes os responsáveis por gerar informações para o processo de elaboração do orçamento. Obtenção e separação são operacionalidades da entidade e não têm relação direta com o processo de elaboração do orçamento. O orçamento mestre abrange todas as atividades que serão desenvolvidas pela empresa ou pela organização pública que, de tal modo, passa a servir como parâmetro para a elaboração de todas as previsões da organização e pode ser dividido em três orçamentos: orçamento operacional (vendas, produção e estoque), orçamento financeiro (entradas e saídas de caixa) e orçamento de financiamento e investimento (bens de capital, de financiamento e de despesas financeiras). Neste sentido, a elaboração do orçamento mestre será feita passo a passo nessa unidade. Para a elaboração utilizaremos a empresa fictícia Filhos & Filhos Industrial e seus dados orçamentários. Os orçamentos serão elaborados com base nas informações a seguir. A Filhos & Filhos Industrial está preparando seu orçamento seu orçamento para 2020. Examinados os fatos relevantes, os executivos esperam o seguinte para o ano: 1. A empresa produzirá dois produtos: Produto F (especial) e Produto G (luxo); 2. As vendas esperadas são respectivamente: PRODUTOS UNIDADES PREÇO DE VENDA PRODUTO F 5.000 R$ 105,40 PRODUTO G 1.000 R$ 164,00 3. O estoque final planejado dos produtos F e G e das matérias primas X e Y em unidades são os seguintes: 88 PRODUTO F PRODUTO G MATÉRIA PRIMA X MATÉRIA PRIMA Y 1.100 50 6.000 1.000 4. O estoque inicial dos produtos F e G e das matérias primas X e Y em unidades são os seguintes: PRODUTO F PRODUTO G MATÉRIA PRIMA X MATÉRIA PRIMA Y100 50 5.000 5.000 5. a) Para se produzir uma unidade do produto F são necessários: MATÉRIA PRIMA X MATÉRIA PRIMA Y MÃO DE OBRA DIRETA 12 unidades 6 unidades 14 horas b) Para se produzir uma unidade do produto G são necessários: MATÉRIA PRIMA X MATÉRIA PRIMA Y MÃO DE OBRA DIRETA 12 unidades 8 unidades 20 horas 6. DISCRIMINAÇÃO CUSTO Matéria Prima X R$ 1,20 por unidade Matéria Prima Y R$ 2,60 por unidade Custo da mão de obra direta R$ 2,05 a hora 7. Os custos indiretos de fabricação são, rateados com base nas horas de mão de obra direta; 8. O montante de produtos em processamento é desprezível e pode ser ignorado. 9. O imposto de renda presumido é de R$ 20.000,00 e será pago apenas em 2021; As informações apresentadas nos permitem a elaboração do Plano Mestre, portanto daremos início a partir do Orçamento de Vendas seguindo até a elaboração do Orçamento Global para 2020. A Preparação do orçamento-mestre é o item que apresenta a importância do orçamento-mestre e sua abrangência, assim como seus subitens, que indicam os demais orçamentos incluídos. 1. Orçamento de vendas; 2. Orçamento de produção; 3. Orçamento de compra de matérias primas; 89 4. Orçamento de mão de obra direta; 5. Orçamento dos custos indiretas de fabricação; 6. Orçamento de estoque final; 7. Orçamento de custo das mercadorias vendidas; 8. Orçamento de despesas administrativas e de vendas. O primeiro passo no processo orçamentário é a preparação do orçamento de vendas, que é um cronograma detalhado que mostra as vendas esperadas para o período orçado. 6.3 ORÇAMENTO DE VENDAS Um orçamento de vendas preciso é a chave de todo o processo orçamentário, todas as outras partes do orçamento -mestre dependem do orçamento de vendas. Se o orçamento de vendas é impreciso, o resto do orçamento será impreciso. O orçamento de vendas é baseado na previsão de vendas da empresa, o que pode exigir o uso de sofisticados modelos matemáticos e ferramentas estatísticas. O orçamento de vendas ajuda a determinar quantas unidades precisam ser produzidas. Assim, o orçamento de produção é preparado depois do orçamento de vendas. O orçamento de produção, por sua vez, é usado para determinar os orçamentos de custos de produção, incluindo o orçamento de materiais diretos, o de mão de obra direta e o de custos indiretos de produção (Garrison et al, 2013). Quadro 8: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DE VENDAS FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL ORÇAMENTO DE VENDAS - 2020 PRODUTO UNIDADES PREÇO DE VENDA VENDAS TOTAIS F 5000 105,40 527.000,00 G 1000 164,00 164.000,00 TOTAL 6000 691.000,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Segundo o quadro 09 a Filhos e Filhos industrial estima uma receita de vendas para o ano de 2020 de R$691.000,00. Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9), passamos agora para o 90 próximo orçamento – o orçamento de produção. 6.4 ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO O orçamento de produção envolve procedimentos que devem ser observados para o bom desenvolvimento de toda a produção. É importante que a organização consiga realizar um bom planejamento, dando atenção às quantidades de matérias-primas que são essenciais para a produção da mercadoria. Um bom sistema de informação é primordial para o controle desse orçamento. Na hora de executar um projeto, o custo de produção assume um papel de relevância, principalmente pelos clientes, que serão os responsáveis pelo pagamento. Por isso, é importante elaborar um orçamento. No entanto, o planejamento deve ser traduzido de forma a ser quantificado, e é nesse contexto que o orçamento de produção ocorre, possibilitando análise do consumo e o custo da matéria-prima utilizada, as despesas indiretas que envolvem a elaboração da mercadoria e a qualidade e o custo da mão de obra direta. Quadro 9: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO EM UNIDADES - 2020 DISCRIMINAÇÃO PRODUTOS PRODUTO F PRODUTO G Vendas planejadas 5000 1000 Estoque final de produtos acabados 1100 50 TOTAL 6100 1050 (-) Estoque inicial de produtos acabados 100 50 UNIDADES A PRODUZIR 6000 1000 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) 91 De acordo com o quadro 10 a Filhos e Filhos industrial estima produzir 6000 unidades do produto F e 100 unidades do produto G, este montando é analisado após considerar os volumes de estoque já existentes (estoque final de 2019) e os estoques que deverão ser considerados ao final do ano de 2020 ou seja, os estoques iniciais do ano de 2021. Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9) e as previsões de vendas (quadro 10), passamos agora para o próximo orçamento – o orçamento de matérias primas. 6.5 ORÇAMENTO DE COMPRA DE MATÉRIAS PRIMAS O custo e o consumo das matérias-primas utilizadas na produção merecem atenção em relação ao planejamento orçamentário de produção. Gastos decorrentes da fabricação de produtos representam custos. Dessa forma, os materiais de limpeza, a depreciação dos equipamentos, a energia elétrica, dentre outros, utilizados pela divisão de fábrica, são considerados custos. No entanto, é importante compreender o que são custos diretos e custos indiretos e aponta-los no orçamento. Os custos diretos representam todos os custos usados na produção cuja atribuição aos produtos produzidos é objetiva. Assim, é possível identificar com facilidade o valor desses custos em relação a cada tipo de produto. Com relação aos custos indiretos, sabe-se que eles apresentam maior grau de dificuldade para serem atribuídos diretamente aos produtos. Quadro 10: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DE MATÉRIA PRIMA FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL ORÇAMENTO DE COMPRA DE MATÉRIAS PRIMAS - 2020 DISCRIMINAÇÃO MATÉRIA PRIMA MATÉRIA PRIMA X MATÉRIA PRIMA Y Unidades requisitadas para produção 84000 44000 Estoque final 6000 1000 TOTAL 90000 45000 Estoque inicial 5000 5000 Unidades a adquirir 85000 40000 PREÇO UNITÁRIO 1,20 2,60 CUSTO DA COMPRA 102.000,00 104.000,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) 92 O quadro 11 apresenta o resultado do custo da compra das matérias primas x e y necessários à produção da Filhos e Filhos industrial inclusive os estoques. A análise do custo de aquisição de matéria prima permite aumentar o poder competitivo da empresa no mercado, assim como melhorar o planejamento do resultado econômico. Pode-se afirmar que o custo direto está vinculado à atividade fim da organização. O custo direto contribui com a redução da função de rateio de custos e despesas. Mediante o custo direto, pode-se definir os preços baseados na capacidade produtiva, avaliando ainda a situação do mercado em vigor. Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9) e as previsões de vendas (quadro 10), o orçamento de matéria prima (quadro 11) passamos agora para o próximo orçamento – Orçamento de mão de obra direta. 6.6 ORÇAMENTO DE MÃO DE OBRA DIRETA A mão de obra representa um esforço humano e é um importante fator de produção. Ela representa o valor do trabalho realizado pelos operários que, direta ou indiretamente, contribuem ao processo de transformação. Um empresário precisa conhecer os detalhes dos custos da mão de obra por departamentos, linhas de produto, por operários diretos e indiretos e por serviços e processos. O custo com a mão de obra engloba, além dos gastos com salários, todos os gastos com o pessoal envolvido na produção: aqueles decorrentes da folha de pagamento e outros. Quadro 11: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DE MÃO DE OBRA DIRETA FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL ORÇAMENTO DE MÃO DE OBRA DIRETA - 2020 DISCRIMINAÇÃO UNIDADES PRODUZIDAS HORAS DE MDO POR UND HOTAS TOTAIS ORÇAMENTO TOTAL A R$ 2,05 p/h PRODUTOF 6000 14 84000 172.200,00 PRODUTO G 1000 20 20000 41.000,00 TOTAL 104.000 213.200,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Para que a Filhos e Filhos Industrial alcance seus níveis de produção desejados para o ano de 2020 a empresa destinará R$213.200,00 para os custos de mão de obra. 93 Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9) e as previsões de vendas (quadro 10), o orçamento de matéria prima (quadro 11), o orçamento de mão de obra direta (quadro 12), passamos agora para o próximo orçamento – Orçamento dos custos indiretas de fabricação. 6.7 ORÇAMENTO DOS CUSTOS INDIRETAS DE FABRICAÇÃO Os Custos Indiretos de Fabricação (CIF) são gastos identificados com a função de produção ou elaboração do serviço a ser comercializado e que, como o próprio nome já revela, não podem ser associados diretamente a um produto ou serviço específico. Dentre os problemas da contabilidade de custos, está a forma de transferir os custos indiretos de fabricação aos produtos, processo genericamente denominado de rateio. É preciso ter cuidado no momento de escolher, definir a base do critério de rateio a ser usado, pois, dependendo da definição, este poderá provocar um resultado equivocado que não reflete o valor real desse custo, afetando, assim, a avaliação dos estoques, bem como para fins gerenciais (tomada de decisão) e de controle do sistema de custos. Como o próprio nome revela, custos indiretos são os que não podem ser alocados diretamente aos produtos, linha de produto, centro de custo ou departamento. Necessita de critérios de rateio ou outras formas de atribui-los aos itens custeados. Sob sua classificação, agrupam-se inúmeros gastos de diversas naturezas produtivas, como depreciações industriais, gastos com mão de obra indireta, materiais consumidos de forma indireta e muitos outros, o quadro a seguir apresenta os custos indiretos da Filhos e Filhos Industrial. Quadro 12: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DOS CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL ORÇAMENTO DOS CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO - 2020 CUSTOS TOTAL DOS DEPARTAMENTOS Suprimentos 30.000,00 Mão de obra indireta 70.000,00 Encargos sociais 25.000,00 Energia elétrica 9.000,00 Manutenção 24.500,00 Depreciação 25.000,00 94 Imposto predial 4.000,00 Seguros 500,00 Supervisão 20.000,00 TOTAL 208.000,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) O quadro 13 apresenta soma de todos os custos indiretos que totalizam um montante de R$208.000,00 em 2020. Os custos Indiretos são aqueles que, mediante aproximação, podem ser atribuídos aos produtos por algum critério de rateio. Os Variáveis são custos que estão intimamente relacionados com a produção, crescem com o aumento do nível de atividade da empresa; os Diretos são os custos de qualquer trabalho humano diretamente identificável e mensurável com o produto; os Proporcionais representam qualquer custo que cresce diretamente com o aumento da quantidade média estocada; os Fixos são aqueles que independem do nível de atividade da empresa no curto prazo, não variando com alterações no volume de produção. Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9) e as previsões de vendas (quadro 10), o orçamento de matéria prima (quadro 11), o orçamento de mão de obra direta (quadro 12), o Orçamento dos custos indiretas de fabricação (quadro 13), passamos agora para o próximo orçamento – Orçamento de estoque final. 6.8 ORÇAMENTO DE ESTOQUE FINAL As decisões relacionadas ao estoque são de alto risco e de alto impacto para a cadeia de suprimentos. O estoque comprometido com o apoio a vendas futuras impulsiona diversas atividades antecipatórias na cadeia de suprimentos. Sem a quantidade adequada de estoque, podem ocorrer a perda de vendas e a insatisfação do cliente. Da mesma forma, o planejamento de estoques é fundamental para a produção. A falta de materiais ou componentes pode interromper a produção ou forçar modificações na programação de produção, o que envolve custos adicionais e uma potencial escassez de produtos. Assim como a escassez pode atrapalhar os planos de marketing e de produção, o excesso de estoque também pode gerar problemas operacionais. Ele aumenta os custos e reduz a lucratividade por causa do armazenamento adicional, capital de giro, seguros, impostos e obsolescência. 95 Os métodos de controle de estoque, se bem operacionalizados, oportunizam a produção, facilitam as entregas, reduzem os custos dos produtos fabricados e previnem erros. Os métodos de avaliação de estoques representam critérios usados pelas empresas a fim de registrar, fiscalizar e controlar a entrada e saída de matérias-primas e mercadorias, tendo assim, um controle de tudo que entra e de tudo que sai. Vejamos a seguir o orçamento de estoque da Filhos e Filhos Industrial para o ano de 2020. Quadro 13: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DE ESTOQUE FINAL FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL ORÇAMENTO DE ESTOQUE FINAL – 2020 ÍTENS UNIDADES CUSTO UNITÁRIO TOTAL MATÉRIA PRIMA X 6000 1,20 7.200 MATÉRIA PRIMA Y 1000 2,60 2.600 TOTAL 7000 9.800 PRODUTO ACABADO F 1.100 58,70 64.570 PRODUTO ACABADO G 50 76,20 3.810 TOTAL 1150 68.380 TOTAL GERAL 78.180,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) O gerenciamento dos recursos de estoque exige conhecimento sobre sua funcionalidade, princípios, custos, impacto e dinâmica, deste modo segundo o quadro 14, a Filhos e Filhos Industrial investirá R$78.180,00 em seus estoques. Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9) e as previsões de vendas (quadro 10), o orçamento de matéria prima (quadro 11), o orçamento de mão de obra direta (quadro 12), o Orçamento dos custos indiretas de fabricação (quadro 13), o orçamento de estoque final (quadro 14), passamos agora para o próximo orçamento –. Orçamento de custo das mercadorias vendidas. 6.9 ORÇAMENTO DE CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS Um orçamento é essencial para a organização, beneficiando a gestão financeira e orientando para sua sobrevivência. É tão importante que ultrapassa a delimitação dos limites de recursos financeiros da organização Uma vantagem do plano orçamentário é permitir a avaliação e inserção de programas que objetivam minimizar custos, a melhoria das margens de negociação 96 com fornecedores. As operações de compra e venda de mercadorias que necessitam de bons sistemas de controles informatizados e físicos para que no final as empresas possam apurar o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) e, consequentemente, o resultado ou lucro bruto para as empresas comerciais. O CMV corresponde à "baixa” da mercadoria vendida; ou seja, quando a empresa vende a mercadoria aos seus clientes, é necessário retirá-lo do seu estoque onde está armazenado e entregá-lo. Nesse momento, reconhece-se a venda dessa mercadoria na contabilidade como receita de vendas e, automaticamente, o reconhecimento do CMV, pois não existe mais a mercadoria no estoque. Esse princípio de confrontação entre a receita de vendas e o CMV é chamado de regime de competência. Devido à alta rotatividade das entradas e saídas de mercadorias, torna-se necessário a adoção de sistema de controle de estoque para apuração do CMV: inventário periódico ou inventário permanente. O inventário periódico tem como característica o fato de que a empresa toma conhecimento do volume de seus estoques (para fins contábeis) periodicamente, seja mensal, semestral ou anualmente, não ocorrendo as “baixas” de forma automática com as vendas, ou seja, somente no período estimulado pela empresa dentro do exercício social. No final do período é realizado um inventário físico (contagem) das mercadorias existentes, o qual, sendo valorizado, passa a ser o estoque final. Quando as entradas das mercadorias são registradase já está apurado o Estoque Final, após o inventário físico, aplicamos a fórmula ou a equação: CMV = EI + C - EF. A adoção de fichas e outros controles por item é dispensável pela contabilidade, porém pode ser feita para fins de controle físico de entrada e saída, com fins gerenciais. Após conhecermos os conceitos para apuração do CMV, vamos a situação prática. Quadro 14: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DE CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL ORÇAMENTO DE CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS - 2020 MATÉRIA PRIMA 206.000,00 MÃO DE OBRA DIRETA 213.200,00 CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO 208.000,00 TOTAL DOS CUSTOS DE FABRICAÇÃO 627.200,00 97 (+) PRODUTOS ACABADOS EM ESTOQUE EM 31.12.19 9.680,00 (100F + 50 G) (-) PRODUTOS ACABADOS EM 31.12.20 68.380 (1.100 F + 50 G) CUSTO DA MERCADORIA VENDIDA 568.500,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9) e as previsões de vendas (quadro 10), o orçamento de matéria prima (quadro 11), o orçamento de mão de obra direta (quadro 12), o Orçamento dos custos indiretas de fabricação (quadro 13), o orçamento de estoque final (quadro 14), orçamento de custo das mercadorias vendidas (quadro 15) passamos agora para o próximo orçamento –. Orçamento de despesas administrativas e de vendas. 6.10 ORÇAMENTO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS E DE VENDAS A classificação de custos e despesas de uma empresa envolve a atribuição dos gastos da empresa em categorias, as quais podem, ou não, estar relacionadas ao volume de atividade da empresa. Temos diversas formas de classificação de custos, cada uma com um específico ponto de vista, porém há interação entre essas formas de classificação e, inclusive, algumas categorias de custos podem ser analisadas em conjunto, formando um outro ponto de vista para a gestão do negócio, como é o caso do custo de produção. Independentemente das classificações adotadas ou relações analisadas, o objetivo maior da contabilidade de custos é mensurar a realidade e garantir que os dados estejam fieis ao processo de produção. Definir as fontes de receitas em um novo empreendimento é essencial para o sucesso do negócio e sua presença em um plano de negócios é fundamental. Outro importante elemento a ser observado são as despesas em uma organização e, principalmente, as suas origens. As escolhas, em um plano de negócio, devem contemplar a origem das receitas, apresentando a diversidade de opções do negócio para que este seja rentável, além de realizar uma minuciosa análise de despesas, tornando possível que essas sejam ajustadas conforme as peculiaridades do negócio, analisaremos a seguir as despesas administrativas e de vendas da Filhos e Filhos Industrial. 98 Quadro 15: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – ORÇAMENTO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS E DE VENDAS CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO TOTAL (R$) Suprimentos 30.000,00 Mão de obra indireta 70.000,00 Encargos sociais 25.000,00 Energia elétrica 9.000,00 Manutenção 24.500,00 Depreciação 25.000,00 Imposto predial 4.000,00 Seguros 500,00 Supervisão 20.000,00 TOTAL 208.000,00 DESPESAS DE VENDAS E ADMINISTRATIVAS TOTAL (R$) Comissões de vendas 20.000,00 Publicidade 3.000,00 Salários de vendas 10.000,00 Despesas de viagens 5.000,00 Salários do pessoal de escritório 10.000,00 Suprimentos 1.000,00 Salários de executivos 21.000,00 Diversos 5.000,00 TOTAL 75.000,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Conhecidas as previsões de vendas (quadro 9) e as previsões de vendas (quadro 10), o orçamento de matéria prima (quadro 11), o orçamento de mão de obra direta (quadro 12), o Orçamento dos custos indiretas de fabricação (quadro 13), o orçamento de estoque final (quadro 14), orçamento de custo das mercadorias vendidas (quadro 15), o orçamento de despesas administrativas e de vendas (quadro 16) passamos agora para elaboração do Orçamento Global. 6.11 ORÇAMENTO GLOBAL – O ORÇAMENTO MESTRE FINALIZADO. O orçamento empresarial é a transcrição, representação ou tradução em forma de números e indicadores, financeiros ou não, do planejamento das organizações. O planejamento deve considerar a missão e a visão do empreendimento. Logo, missão e visão não devem ser apenas uma frase escrita em uma placa de metal e utilizada para enfeitar a recepção das organizações, ou um quadro na sala dos executivos – deve ser um guia de ações futuras da empresa. Tais ações futuras precisam ser dimensionadas em termos de recursos consumidos e receitas geradas e o orçamento empresarial é a ferramenta que 99 cuida desse processo. Especialistas de vários setores serão responsáveis pela elaboração das peças orçamentárias, que formarão o orçamento empresarial, também conhecido como orçamento mestre. Para finalizar nossa prática de orçamento, teremos abaixo os fluxos de caixa orçados para o ano de 2020 e a elaboração da DRE – Demonstração do resultado do exercício antes e após as entradas do fluxo de caixa. Quadro 16: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – OS FLUXOS DE CAIXA ORÇADOS POR TRIMESTRES DISCRIMINAÇÃO TRIMESTRE 1º 2º 3º 4º Recebimentos de clientes 125.000,00 150.000,00 160.000,00 221.000,00 Desembolsos Para material 20.000,00 35.000,00 35.000,00 44.200,00 Para outros custos e despesas 25.000,00 20.000,00 20.000,00 17.000,00 Para folha de pagamento 90.000,00 95.000,00 95.000,00 109.200,00 Para imposto de renda 5.000,00 Para compra de equipamentos 20.000,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Quadro 17: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - 2020 VENDAS 691.000,00 (-) CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS 568.500,00 LUCRO BRUTO 122.500,00 (-) DESPESAS DE VENDAS 38.000 (-) DESPESAS ADMINISTRATIVAS 37.000 LUCRO LÍQUIDO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA 47.500,00 IMPOSTO DE RENDA 20.000,00 LUCRO LÍQUIDO 27.500,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Quadro 18: FILHOS E FILHOS INDUSTRIAL – DEMOSTRAÇÃO ORÇADA DE ENTRADA E SAÍDA DE CAIXA FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL DEMONSTRAÇÃO ORÇADA DE ENTRADA E SAÍDA DE CAIXA - 2020 DISCRIMINAÇÃO TRIMESTRES TOTAL 1º 2º 3º 4º DO ANO Saldo inicial de caixa (-) 10.000 (-) 10.000 (-) 5.000 (-) 25.000 (+) Entradas Recebimentos de clientes 125.000 150.000 160.000 221.000 656.000 TOTAL 125.000 140.000 150.000 216.000 631.000 (-) Saídas Material 20.000 35.000 35.000 44.200 134.200 100 Outros custos e despesas 25.000 20.000 20.000 17.000 82.000 Folha de pagamento 90.000 95.000 95.000 109.200 389.200 Imposto de renda 5.000 5.000 Aquisição equipamentos 20.000 20.000 TOTAL 135.000 150.000 155.000 190.400 630.400 SALDO DE CAIXA (-) 10.000 (-)10.000 (-)5.000 25.600 600,00 Fonte: Elaborado pelo Autor (2020) Finalizados os orçamentos temos a conclusão das análises FILHOS & FILHOS INDUSTRIAL, pode-se concluir que juntos os produtos F e G contribuirão para que a empresa após o pagamento de seus compromissos e tendo recebido os valores de seus clientes finalizará o ano de 2020 com um saldo de caixa positivo no valor de R$600,00, considerando que não haverá nenhuma anormalidade que influencie nos dados analisados. O uso da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) como uma ferramenta de gestão permite o comparativo dos resultados previstos no orçamento com os valores que foram atingidos no mês corrente, possibilitando uma análise de forma vertical e horizontal. A DRE apresenta os resultados alcançados pela organização em relação a um momento, em que é possível comparar com os orçamentos dos valores estimados pela organização e visualizar o que a empresa possui de recursos disponíveis para um período estabelecido. Não importa os tipos de produto ou serviço oferecido, o planejamentoda execução sempre é necessário. Quanto mais bem planejadas são as etapas do orçamento mestre, mais assertivo será o resultado. 6.12 CONSIDERAÇÕES FINAIS O mundo dos negócios mudou e hoje realizar o planejamento de suas ações de forma estratégica não é mais um luxo reservado apenas às grandes organizações e sim uma necessidade de qualquer empresa, independente do porte ou setor de atuação. A economia de mercado, aliada ao avanço tecnológico, tem ampliado a concorrência entre as organizações. Há alguns anos atrás, as organizações tinham área de atuação limitada. Poucas eram as empresas que conseguiam ter uma atuação ampla em todo o país, por exemplo. Atualmente, não existem mais 101 barreiras. Você pode comprar bens de qualquer lugar do mundo, com a facilidade das ferramentas de pagamento e rastreamento do seu pedido. Isso tem levado as organizações a implementarem e levarem a sério o planejamento de seus negócios. Quais são os planos de sua empresa para os próximos meses? E para os próximos anos? Qual sua previsão de faturamento? Quais serão os custos e despesas para manter a operação? Isto é viável? Qual o lucro que sua empresa vai obter desta forma? E o que pretende fazer com esse lucro? Vai expandir? Contratar mais pessoas? Investir em novas máquinas e equipamentos? E que retorno espera ter com essas ações? Desconhecer as respostas para estas perguntas é como sair para viajar sem saber a que destino quer chegar. O adequado é que o orçamento - que determina quanto, como e de que forma o empreendimento venderá no próximo período orçamentário - seja o ponto de partida. A partir disso, o restante se ajusta às demandas do orçamento de vendas, como, por exemplo, o orçamento de produção, as matérias-primas, a mão de obra direta, os custos indiretos de fabricação, o custo de produção, as despesas de vendas e administrativas, os investimentos, as aplicações financeiras e os financiamentos. Cada vez mais, as empresas têm buscado o aprimoramento de seus processos, tendo em vista a necessidade de tomada de decisões rápidas, que assegurem o atendimento de seus objetivos de crescimento. E os ensinamentos adquiridos através da disciplina PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTO EMPRESARIAL será o GPS capaz de manter sua empresa no rumo certo, levando-a ao destino escolhido. 102 São muitas perguntas e nem sempre as empresas possuem a resposta! Disponível em: https://bit.ly/3njNdYv Acesso em 18 out. 2020. 103 FIXANDO O CONTEÚDO 1. O orçamento de ______________ deve apresentar os efeitos da sazonalidade e o número de dias do mês, pois existem meses com mais e menos dias úteis, e isso impacta na quantidade de receitas que o empreendimento recebe, enquanto existem gastos (custos e despesas) que são mensalmente fixos independentemente da quantidade de dias de operação dos negócios. Também há períodos (meses, semanas) com datas comemorativas, ou estações do ano que favorecem o consumo de alguns produtos e desencorajam o consumo de outros. Informações acerca de taxas de juros, de financiamentos, aplicações financeiras e estudos de viabilidades de projetos devem ser apresentados em peças orçamentárias próprias. Assinale a alternativa que completa a sentença: a) Produção b) Despesas administrativas. c) Caixa d) Custo das Mercadorias Vendidas e) Vendas 2. As ____________não possuem a mesma característica de variação das despesas com vendas, na qual o volume do nível de atividade se eleva ou reduz proporcionalmente ao volume de atividades comerciais. Logo, as despesas administrativas têm características mais estáveis, pouco sensíveis à variação dos níveis de atividade do empreendimento, não sendo ligadas diretamente ao volume de vendas. Isso não significa que não possam ter variações. Elas podem ocorrer, no entanto, de forma mais moderada. Assinale a alternativa que completa a sentença: a) Compras b) Despesas administrativas. c) Receitas d) Mercadorias Vendidas e) Origens de caixa 104 3. O método para calcular o custo das horas ou minutos de trabalho dos funcionários na produção de uma unidade é multiplicar o custo por hora pela quantidade de horas (tempo) na fabricação de cada unidade. Os custos se referem a gastos na produção e, logo, o consumo de recursos relacionados à gestão/administração ou às vendas não se referem aos custos, mas sim às despesas, ou, ainda, aos custos indiretos. Dessa forma, tem-se qual tipo de custo? a) Custo de mão de obra direta por unidade fabricada b) Custo de mão de obra indireta por unidade fabricada c) Custo de mercadoria vendida d) Custo de produção indireto e) Custo fixo de produção 4. Para definir um orçamento de vendas, existem algumas etapas a serem cumpridas. Assinale abaixo a alternativa que contempla uma das maiores dificuldades existentes no processo de definição desse tipo de orçamento: a) Acessar as informações de períodos anteriores para efetuar uma análise comparativa. b) Atender as metas de venda e reduzir os custos de produção. c) Aumentar a eficiência de produção com qualidade. d) Definir qual a quantidade de mão de obra direta necessária. e) Estabelecer a quantidade de matérias-primas necessárias para o período orçado. 5. A mão de obra indireta está associada aos operários cuja função não está diretamente relacionada ao produto. Os custos que dependem de cálculos, rateios ou estimativas para serem divididos e apropriados em diferentes produtos ou diferentes serviços denominam-se como? a) Variáveis. b) Diretos. c) Proporcionais. d) Fixos. e) Indiretos. 105 6. É de conhecimento que a matéria-prima pode incluir tanto materiais diretos quanto os materiais indiretos. Com base no conceito da matéria-prima, verifique as questões apresentadas e identifique a única correta. a) A mudança da matéria-prima pode ocorrer somente de modo natural. b) A matéria-prima não corresponde a uma importante fonte de renda. c) A matéria-prima está disponível na natureza de modo mineral, vegetal e animal. d) A matéria-prima corresponde a um único produto que é necessário em diversos processos de produção. e) A matéria-prima nem sempre se tornará parte do produto acabado. 7. A elaboração do orçamento de produção deve observar alguns aspectos para obter o resultado esperado. Com relação a esses aspectos, analise e assinale a opção que considerar correta. a) O plano orçamentário de produção deve observar o consumo e o custo das matérias-primas. b) Dentro do planejamento orçamentário, as despesas indiretas da fabricação não geram diferença no processo e, por isso, não precisam de atenção especial. c) Não é preciso estar atento às quantidades de produtos em estoque, pois é para isso existe o orçamento de estoque. d) O custo da mão de obra direta não interfere no planejamento do orçamento de produção. e) Os volumes que devem ser fabricados não interferem de forma direta nas quantidades totais de produção. 8. Quanto aos objetivos do orçamento de produção, analise as afirmativas a seguir e escolha a correta. a) Para o atingimento das metas do orçamento de produção, deve ser considerada a tolerância da produtividade instalada na empresa. b) Programar e comercializar com qualidade os volumes necessários ao atendimento à demanda de cada produto. c) Minimizar a redução dos custos sem alterar a qualidade dos produtos. d) Manter a instabilidade da produção industrial. e) A determinação de políticas que serão aplicadas na gestão de estoque. 106 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 01 UNIDADE02 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 A QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 E QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 D QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 B QUESTÃO 8 E UNIDADE 03 UNIDADE 04 QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 B QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 A QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 A QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 E QUESTÃO 8 C UNIDADE 05 UNIDADE 06 QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 E QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 B QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 E QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 E 107 REFERÊNCIAS BRUNI, A. 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