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ANATOMIA DA TIREOIDE 
A Glândula Tireoide recebe esse nome porque 
“tireo” significa escudo e “oide” significa 
semelhante. Seu formato lembra um escudo ou uma 
borboleta. 
Ela é formada por 2 Lobos laterais, direito e 
esquerdo, unidos por uma faixa de tecido chamada 
istmo. O istmo geralmente cruza anteriormente o 
segundo ao quarto anel traqueal. Em cerca de 40% a 
50% da população, pode existir um lobo adicional 
chamado Lobo Piramidal, que normalmente se 
projeta superiormente a partir do istmo ou de um dos 
lobos, representando um remanescente 
embrionário do ducto tireoglosso. 
 
A tireoide localiza-se na região anterior e inferior 
do pescoço, profundamente aos músculos infra-
hióideos. Situa-se logo abaixo da Cartilagem 
Tireoidea, popularmente conhecida como “pomo 
de Adão”, e envolve parcialmente a Traqueia e a 
Cartilagem Cricoidea. 
Os dois terços inferiores dos lobos tireoidianos estão 
em contato com a traqueia, enquanto a porção 
superior relaciona-se mais intimamente com a 
cartilagem cricoide e com a laringe. 
SINTOPIA 
Anteriormente, ela é recoberta pela pele, tecido 
subcutâneo, fáscia cervical e músculos infra-
hióideos, principalmente os músculos esterno-
hióideo, esternotireóideo e omo-hióideo. 
Posteriormente, cada lobo apresenta relação com o 
esôfago, especialmente do lado esquerdo, e com a 
bainha carotídea, que contém a Artéria Carótida 
Comum, a Veia Jugular Interna e o Nervo Vago. 
 
Na face posterior da tireoide localizam-se as quatro 
Glândulas Paratireoides, geralmente duas 
superiores e duas inferiores. 
Além disso, o nervo laríngeo recorrente ascende 
próximo à face posterior da glândula, em íntima 
relação com a artéria tireoidiana inferior. Essa 
relação é extremamente importante em cirurgias 
tireoidianas, pois lesões nesse nervo podem causar 
rouquidão, disfonia ou até paralisia das pregas 
vocais. 
Devido à sua proximidade com a traqueia e o 
esôfago, aumentos da tireoide, como bócios ou 
nódulos volumosos, podem causar disfagia, 
sensação de compressão cervical, tosse e 
dificuldade respiratória. 
VASCULARIZAÇÃO 
Sua irrigação principal ocorre por meio da Artéria 
Tireoidiana Superior, ramo da artéria carótida 
externa, e da Artéria Tireoidiana Inferior, ramo do 
tronco tireocervical da artéria subclávia. 
A artéria tireoidiana superior encontra-se próxima 
ao ramo externo do nervo laríngeo superior. Já a 
artéria tireoidiana inferior possui íntima relação 
com o nervo laríngeo recorrente. 
Em algumas pessoas pode existir ainda a Artéria 
Tireoidiana Ima, uma variação anatômica que surge 
do tronco braquiocefálico ou do arco da aorta e irriga 
o istmo. 
 
A drenagem venosa é realizada pelas veias 
tireoidianas superior, média e inferior. As veias 
tireoidianas superior e média drenam para a veia 
jugular interna, enquanto as veias tireoidianas 
inferiores drenam principalmente para a veia 
braquiocefálica esquerda. 
A drenagem linfática da tireoide ocorre para 
linfonodos cervicais profundos, pré-traqueais, 
paratraqueais e pré-laríngeos. 
INERVAÇÃO 
A tireoide recebe inervação autonômica simpática e 
parassimpática. 
A inervação simpática vem dos gânglios cervicais 
superior, médio e inferior do tronco simpático 
cervical. Essas fibras acompanham os vasos 
sanguíneos e têm papel principalmente vasomotor, 
regulando o fluxo sanguíneo da glândula. 
A inervação parassimpática é proveniente do 
Nervo Vago, por meio dos nervos laríngeos 
superior e recorrente. 
 
Apesar dessa inervação autonômica, a atividade 
secretora da tireoide é controlada principalmente 
pelo TSH, e não diretamente pelos nervos. 
EMBRIOLOGIA 
A tireoide é a primeira glândula endócrina a surgir 
no embrião. Seu desenvolvimento começa por volta 
do 24º dia de vida intrauterina. 
Ela se origina de um espessamento endodérmico 
no assoalho da faringe primitiva, entre o primeiro e 
o segundo arcos faríngeos. Esse espessamento 
forma o divertículo tireoidiano. 
Inicialmente, a tireoide localiza-se na base da língua, 
em uma região que posteriormente corresponderá 
ao forame cego. A partir daí, ela migra inferiormente 
pela linha média do pescoço até atingir sua posição. 
Durante essa migração, forma-se o ducto 
tireoglosso, estrutura transitória que normalmente 
desaparece. Quando isso não ocorre, podem 
permanecer remanescentes embrionários que 
originam cistos ou fístulas do ducto tireoglosso. 
 
 
Também podem ocorrer casos de ectopia 
tireoidiana, em que tecido tireoidiano permanece 
fora de sua posição habitual. O exemplo mais 
comum é a tireoide lingual, localizada na base da 
língua. 
As células foliculares da tireoide originam-se do 
endoderma do divertículo tireoidiano. Já as 
células parafoliculares, ou células C, derivam dos 
corpos ultimobranquiais, estruturas originadas da 
quarta bolsa faríngea e associadas à migração de 
células da crista neural. 
HISTOLOGIA 
Do ponto de vista histológico, a Glândula Tireoide é 
classificada como uma glândula endócrina do tipo 
folicular, organizada em unidades esféricas 
chamadas folículos tireoidianos. 
Os folículos são considerados a unidade 
morfofuncional da tireoide. Eles apresentam 
tamanhos variáveis e são delimitados por uma única 
camada de células epiteliais foliculares apoiadas 
sobre uma lâmina basal. 
O epitélio folicular pode variar de acordo com o 
estado funcional da glândula: 
• Quando a glândula está pouco ativa, as 
células tendem a ser pavimentosas ou 
cúbicas baixas, e o folículo apresenta grande 
quantidade de coloide acumulado. 
• Quando a glândula está moderadamente 
ativa, o epitélio costuma ser cúbico simples. 
• Quando a glândula está muito ativa, as 
células tornam-se cilíndricas baixas, e a 
quantidade de coloide tende a diminuir 
devido à intensa utilização. 
O interior dos folículos é preenchido pelo coloide, 
uma substância eosinofílica rica em Tireoglobulina. 
Essa característica torna a tireoide uma glândula 
endócrina peculiar, pois ela é a única que armazena 
grande quantidade de hormônio extracelularmente. 
 
As células foliculares possuem núcleo 
arredondado, citoplasma levemente basofílico e 
abundante retículo endoplasmático rugoso, 
refletindo sua intensa atividade de síntese proteica. 
Também apresentam complexo golgiense 
desenvolvido, numerosas mitocôndrias e vesículas 
de secreção. 
Como a síntese hormonal depende da produção de 
tireoglobulina, essas células são bastante 
especializadas para produção e exportação de 
proteínas. 
Assim, pode-se dizer que a tireoide apresenta 
secreção do tipo merócrina, já que libera seus 
produtos por exocitose sem perda de citoplasma 
celular. 
 
(Corte da glândula tireóide no aumento de 20x, 
corado com HE. Nessa lâmina, os círculos estão 
destacando os folículos tireoidianos. Dentro dessas 
mesmas estruturas, está presente a substância 
coloidal, representada pelo número 2) 
Entre os folículos localizam-se as células 
parafoliculares, também chamadas de células C. 
Elas costumam aparecer isoladas ou em pequenos 
grupos entre a lâmina basal e as células foliculares, 
sem contato direto com o coloide. 
As células C são maiores e mais claras que as 
células foliculares, apresentam citoplasma pouco 
corado e contêm grânulos secretores. Elas 
produzem Calcitonina, hormônio relacionado à 
redução dos níveis de cálcio sanguíneo. 
A tireoide apresenta rica vascularização, com 
numerosos capilares fenestrados envolvendo os 
folículos. Esses capilares facilitam tanto a captação 
de iodeto quanto a liberação rápida dos hormônios 
tireoidianos para a circulação. 
Outro aspecto importante é que o aspecto 
histológico da tireoide varia conforme o estado 
funcional. Em casos de hipertireoidismo, observa-
se epitélio mais alto, menos coloide e presença de 
vacúolos de reabsorção no coloide. Já no 
hipotireoidismo, os folículos tendem a ficar 
maiores, com epitélio achatado e abundante 
acúmulo de coloide. 
 
(Corte da glândula tireóide no aumento de 40x, 
corado com HE. Nesse aumento, é possível observar 
a constituiçãocelular dos folículos, formados por 
células cúbicas, indicadas pelas setas, dispostas 
em uma única camada (tecido cúbico simples). Ao 
lado dos folículos tireoidianos, estão presentes 
vasos sanguíneos, destacados pelo número 3.) 
 
(Corte de tireóide em aumento de 20x, corado por 
Azul de Toluidina. Em 1, observam-se células 
parafoliculares. Os folículos tireoideanos estão 
delimitados por círculos.) 
T3 E T4 – FISIOLOGIA 
Os hormônios tireoidianos T3 e T4 são hormônios 
amínicos derivados do aminoácido Tirosina. 
A Tiroxina (T4) é formada por duas moléculas de 
tirosina e quatro átomos de iodo, enquanto a 
Triiodotironina (T3) é formada por duas moléculas 
de tirosina e três átomos de iodo. 
A tirosina não é um aminoácido essencial, pois 
pode ser obtida pela dieta e sintetizada pelo 
organismo. Já o iodo é um micronutriente 
essencial e precisa ser obtido por meio da 
alimentação. 
Após ser ingerido, o iodo é absorvido no trato 
gastrointestinal na forma de iodeto. Esse iodeto 
chega até a tireoide, onde é captado e armazenado. 
Mesmo que a ingestão de iodo seja interrompida, a 
tireoide consegue manter a secreção de T3 e T4 por 
cerca de dois meses devido às reservas 
armazenadas no coloide dos folículos tireoidianos. 
A captação de iodeto pelas células foliculares da 
tireoide ocorre por meio de transporte ativo 
secundário. Nesse processo, o iodeto entra na 
célula “pegando carona” com o sódio, contra seu 
gradiente de concentração, através do 
cotransportador sódio-iodeto (NIS). Enquanto 
isso, o sódio é bombeado para fora da célula pela 
bomba de sódio e potássio, permitindo que o 
gradiente de sódio continue favorecendo a entrada 
de iodeto. 
Uma vez dentro da célula, o iodeto é transportado 
para a região apical e atravessa a membrana 
voltada para o coloide por meio de proteínas 
transportadoras, como a pendrina. 
A Tireoglobulina, uma proteína rica em tirosina, é 
sintetizada no retículo endoplasmático rugoso e 
processada no complexo de golgi. Em seguida, ela é 
transportada por vesículas e liberada no coloide dos 
folículos tireoidianos. 
Na membrana apical das células foliculares 
encontra-se a enzima Tireoperoxidase (TPO). Essa 
enzima oxida o iodeto, convertendo-o em iodo 
orgânico, e promove sua ligação às tirosinas 
presentes na tireoglobulina. Esse processo é 
chamado de organificação do iodo. 
Algumas tirosinas recebem um átomo de iodo, 
formando a monoiodotirosina (MIT), enquanto 
outras recebem dois átomos de iodo, formando a 
diiodotirosina (DIT). Todo esse processo ocorre 
ainda ligado à molécula de tireoglobulina. 
Para a formação de T4, ocorre a união de duas 
moléculas de DIT. Já para a formação de T3, ocorre 
a união de uma DIT com uma MIT. Essas reações 
também são catalisadas pela TPO. 
𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷 + 𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷 → 𝐷𝐷4 | 𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷𝐷 + 𝑀𝑀𝐷𝐷𝐷𝐷 → 𝐷𝐷3 
Também pode ser formada uma versão inativa do T3, 
chamada T3 reverso (rT3), que possui um átomo de 
iodo em posição diferente. Além disso, a união de 
duas MIT pode originar o T2, outra forma 
biologicamente inativa. 
 
 
A tireoglobulina contendo MIT, DIT, T3 e T4 
permanece armazenada no coloide até que ocorra 
estímulo para sua liberação. Esse estímulo é 
promovido pelo TSH, hormônio produzido pela 
adenohipófise. 
Além de estimular a síntese, o TSH também 
estimula a secreção dos hormônios tireoidianos. 
Quando o TSH se liga aos receptores de membrana 
das células foliculares, ocorre a ativação de 
proteínas efetoras que desencadeiam a endocitose 
de porções do coloide contendo tireoglobulina. 
 
Nesse processo, a membrana apical das células 
foliculares projeta-se em direção ao coloide, 
envolvendo as tireoglobulinas mais próximas e 
formando vesículas endocíticas. Essas vesículas 
são internalizadas e se fundem com lisossomos, 
cujas enzimas degradam a tireoglobulina, liberando 
T3, T4, MIT e DIT. 
 
MIT e DIT podem ser desiodadas dentro da célula, 
liberando iodo e tirosina, que podem ser reutilizados 
na síntese de novos hormônios. Já o T3 e o T4, por 
serem lipossolúveis, atravessam a membrana basal 
das células foliculares e entram na corrente 
sanguínea, tanto por difusão quanto por proteínas 
transportadoras específicas. 
Como T3 e T4 são lipossolúveis, eles não se 
dissolvem facilmente no plasma sanguíneo. Por isso, 
circulam ligados a proteínas transportadoras, 
principalmente à globulina ligadora de tiroxina 
(TBG), mas também à transtirretina e à albumina. 
Mais de 99% dos hormônios tireoidianos circulam 
ligados a proteínas plasmáticas, enquanto menos 
de 1% permanece livre. Apenas essa fração livre é 
biologicamente ativa e capaz de entrar nas 
células-alvo. 
A ligação às proteínas transportadoras prolonga a 
meia-vida desses hormônios. O T3 possui meia-
vida de aproximadamente 24 horas, enquanto o T4 
pode permanecer circulando por cerca de 7 dias. 
À medida que os hormônios livres vão sendo 
retirados da circulação e captados pelas células, 
parte dos hormônios ligados às proteínas se 
desprende, repondo a fração livre. Dessa forma, a 
TBG funciona como um reservatório circulante, 
principalmente para o T4. 
Embora cerca de 93% dos hormônios secretados 
pela tireoide sejam T4 e apenas 7% sejam T3, o 
hormônio mais potente nas células-alvo é o T3. 
Quando o T4 entra em uma célula-alvo, ele pode 
sofrer ação das enzimas desiodases, que removem 
um átomo de iodo e convertem T4 em T3. 
𝐷𝐷4 → 𝐷𝐷3 + 𝐷𝐷− 
O T3 então se desloca até o núcleo celular, onde 
se liga ao receptor nuclear de hormônio 
tireoidiano (TR). Esse receptor ativado interage com 
regiões específicas do DNA, alterando a 
transcrição gênica e, consequentemente, a síntese 
de proteínas que modificam o funcionamento 
celular. 
 
Praticamente todas as células do organismo 
possuem receptores para hormônios tireoidianos. 
Por isso, esses hormônios exercem efeitos 
sistêmicos importantes, principalmente sobre o 
metabolismo, o crescimento e o desenvolvimento 
do sistema nervoso. 
No tecido musculoesquelético, os hormônios 
tireoidianos estimulam tanto a síntese quanto a 
degradação de proteínas. Entretanto, quando seus 
níveis estão muito elevados, a degradação proteica 
predomina, levando à perda de massa muscular. 
No tecido adiposo, eles estimulam tanto a síntese 
quanto a degradação de lipídios, mas o efeito 
predominante em situações de excesso hormonal é 
a lipólise, favorecendo a perda de gordura 
corporal. 
Além dos efeitos sobre o metabolismo geral, os 
hormônios tireoidianos exercem importante 
influência sobre o sistema cardiovascular. No 
coração, eles aumentam a expressão de proteínas 
contráteis e de receptores beta-adrenérgicos, 
tornando o tecido cardíaco mais sensível à ação 
das catecolaminas. 
Como consequência, ocorre aumento da 
frequência cardíaca, da força de contração do 
miocárdio e do débito cardíaco. Dessa forma, 
indivíduos com excesso de hormônios tireoidianos 
podem apresentar taquicardia, palpitações e 
aumento da pressão arterial sistólica. 
No tecido adiposo marrom, os hormônios 
tireoidianos também desempenham papel 
importante na produção de calor. Eles estimulam a 
expressão da proteína desacopladora 1, 
conhecida como UCP-1. 
𝑈𝑈𝑈𝑈𝑈𝑈1 → desacoplamento da fosforilac̒a�o oxidativa
→ produc̒a�o de calor 
A UCP-1 está presente nas mitocôndrias das células 
adiposas marrons e promove o desacoplamento da 
fosforilação oxidativa. Em vez de a energia do 
gradiente de prótons ser utilizada para produzir ATP, 
ela é dissipada na forma de calor. Esse processo é 
chamado de termogênese sem tremores e é 
especialmente importante em recém-nascidos e em 
situações de exposição ao frio. 
Os hormônios tireoidianos também são 
fundamentais para o crescimento e o 
desenvolvimento do sistema nervoso, 
principalmente durante a vida fetal e nos primeiros 
anos de vida. 
Durante o desenvolvimento, eles estimulam a 
proliferação neuronal, a migração dos neurônios, 
a formação de sinapses, a mielinização e o 
crescimento de dendritos e axônios. A deficiênciade hormônios tireoidianos nesse período pode 
comprometer de forma grave e irreversível o 
desenvolvimento neurológico. 
Em crianças, a falta desses hormônios pode causar 
atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, déficit 
cognitivo, prejuízo da linguagem, diminuição da 
atenção e dificuldades de aprendizado. 
Já em adultos, alterações nos níveis de hormônios 
tireoidianos também afetam a cognição e o 
comportamento. O hipotireoidismo pode causar 
lentificação do pensamento, sonolência, dificuldade 
de memória, redução da concentração e sintomas 
depressivos. Por outro lado, o hipertireoidismo 
pode levar à ansiedade, irritabilidade, insônia, 
agitação e dificuldade de concentração.

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