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SERVIÇOS AO CLIENTE • Curso Administração de Empresas – UNIP • Disciplina: Gestão de Suprimentos e Logística • Prof. Me. Gilberto Ranalli MÓDULO 2: Serviços ao Cliente •Segmentação de mercado e serviços logísticos •Nível de serviço logístico e rentabilidade de clientes •Avaliação do serviço logístico – a relação custo X nível de serviço •Recuperação do serviço logístico Segmentação de mercado e serviços logísticos Existe uma tendência para delegar a responsabilidade do serviço ao cliente para departamentos como o marketing ou as vendas, ao invés de integra-lo no sistema logístico. Mas tem se provado importância dos serviços logísticos no comportamento dos clientes, às vezes superior ao preço, qualidade e outros elementos do marketing, finanças e produção. Já se provou que o efeito do Marketing Mix (preço, produto, promoção e local) não contribuem de maneira igual na participação do mercado, sendo, para os clientes, os elementos logísticos os mais importantes. Já algum tempo que se acredita que os níveis dos serviços tem influência nas vendas. Provada a importância da logística dos serviços ao cliente, esta poderia ser aperfeiçoada e melhorada se houvesse o conhecimento da relação entre vendas e níveis da logística, ou seja, que mudanças existem nas vendas após uma mudança dos níveis logísticos? Existe a necessidade de expressar matematicamente essa relação. Surge, no entanto, um problema para relacionar o comportamento exato que as vendas têm face a um nível ou a mudanças nos serviços logísticos. Essa relação é difícil de obter porque nem sempre os clientes manifestam de forma clara as suas preferências, nem reagem consistentemente ao nível de oferta dos serviços. Entretanto está explicitamente documentado a sensibilidade dos clientes em relação aos serviços prestados pelos fornecedores. Consequentemente, melhorar os serviços, significa baixar custos de existências para o cliente, partindo do principio que a qualidade do produto e o seu preço não são inflacionados pela melhoria dos serviços. Assim, os compradores são pressionados a fidelizar-se aos fornecedores que oferecem os melhores serviços. (Ballou, 2004, p. 101,103) Nível de serviço logístico e rentabilidade de clientes Durante muito tempo, a preocupação com os custos centrava-se no produto. Os serviços representam uma parcela cada vez mais significativa na economia, o que leva as empresas a quererem rentabilizar ao máximo os clientes. O sistema de contabilidade de custos tem como objetivo gerar informações para auxílio ao controle e na ajuda ao processo de tomada de decisão. Muitas vezes as empresas não têm os custos dos serviços de apoio ao cliente, não tendo, desta forma, noção se o serviço que estão a prestar é rentável ou não. Nos serviços, podem ser aplicados desde conceitos básicos, tais como a margem, até estruturas mais complexas tais como o custo baseado em atividades, Activity Based Costing (ABC). A margem é a diferença entre a receita e a soma dos custos e pode ser individualizada, mensalmente, para cada cliente. Nos problemas de rentabilidade variável (sem previsão de retorno), a margem não é suficiente para identificar o uso que cada cliente faz dos serviços da empresa nem, portanto, dos custos que tem para a empresa. O método de centros de custos é uma estratégia de gestão que divide a empresa em setores, projetos ou áreas para rastrear e controlar os gastos de cada um de forma separada. Isso permite que a empresa analise detalhadamente onde o dinheiro está sendo gasto, identifique gargalos e tome decisões financeiras mais precisas, como a otimização de processos e a alocação mais eficiente de recursos. O nível do serviço logístico oferecido aos clientes pode servir de estímulo para alavancar as vendas como um diferencial competitivo, estando vinculado à qualidade com que o fluxo de bens e serviços é gerenciado. É o desempenho oferecido pelos fornecedores aos seus clientes no atendimento dos pedidos. O nível de serviço logístico é fator-chave do conjunto de valores logísticos que as empresas oferecem a seus clientes para assegurar sua fidelidade (BALLOU, 2004) Ainda segundo Christopher (2001, p. 28) “... o cliente pode ser influenciado pelo preço ou pelas características percebidas. Porém, o mais importante pode ser a disponibilidade, em outras palavras: Existe o produto em estoque, posso leva-lo agora? Avaliação do serviço logístico – a relação custo X nível de serviço Os serviços ao cliente, quando utilizados de forma eficaz, é uma variável primária que pode ter um impacto significativo na criação de demanda e na retenção da lealdade do cliente; Serviço ao cliente refere-se especificamente à cadeia de atividades de satisfação das vendas, a qual, usualmente, começa com a entrada do pedido e termina com a entrega do produto ao cliente; em alguns casos, continuando com serviços de manutenção ou de equipamento, ou outro suporte técnico. Define-se a equação de valor do cliente como a razão entre o que o cliente ganha e percepciona na transação, e o preço e outros custos que o cliente tem de dispender. A logística tem o potencial de criar valor. Essa alteração da equação de valor pode ser conseguida através de vários parâmetros: ✓ Fazendo entregas rápidas; ✓ Disponibilizando o produto em tempo útil; ✓ Sendo consistente nas entregas ao cliente; ✓ Aumentando a frequência de fornecimento; ✓ Tornando fácil o processo de compra; ✓ Disponibilizando informações confiáveis em tempo real; ✓ Oferecendo flexibilidade no local entrega, horário, embalagem, serviços especiais; ✓ Corrigindo rapidamente qualquer erro, ou reagindo a eventos não esperados. Recuperação do serviço logístico - O que é a Recuperação do Serviço Entende-se por recuperação do serviço o conjunto de atividades que uma empresa realiza no sentido de resolver reclamações e tentar mudar a atitude de clientes insatisfeitos procurando fazer com que eles se mantenham como clientes. Apesar de reconhecer que as falhas ocorridas têm implicações negativas, a efetiva aplicação de mecanismos de recuperação do serviço pode, inclusive, aumentar a lealdade do cliente. Se "fazer certo na primeira vez" é um dos princípios da Qualidade Total, a recuperação do serviço pode ser vista como uma extensão lógica desse princípio uma vez que no ambiente de prestação de serviços o "zero defeito" é praticamente uma utopia. Dessa forma, aquele enunciado receberia uma nova redação: "fazer certo na primeira vez e definitivamente certo na segunda". Quando um cliente não satisfeito com o serviço que recebe se queixa, verbalmente ou por escrito, e recebe uma resposta satisfatória. Esta resposta pode ser desde um sincero pedido de desculpas até ações que compensem o cliente pelos custos ou incômodos causados pela falha cometida. A recuperação do serviço inclui tanto o tratamento das reclamações como as medidas tomadas no sentido de mostrar ao cliente que a empresa está comprometida em que os erros não mais aconteçam e que deseja mantê-lo como cliente no futuro. Por que recuperar serviços? A importância da recuperação do serviço passou a ganhar evidência a partir de várias pesquisas feitas nos Estados Unidos, por diferentes entidades, e que mostraram as vinculações existentes entre recuperação de falhas e lealdade de clientes e entre lealdade e lucratividade. No primeiro caso, podemos citar os trabalhos desenvolvidos pela TARP (Technical Assistance, Research Programme Inc.) - uma empresa norte- americana de pesquisa de mercado que realiza estudos para organizações de defesa do consumidor. Esta empresa centra seu trabalho no exame de como a satisfação dos clientes fica influenciada pela forma como as empresas tratam as queixas dos clientes e pelo desempenho na recuperação dos erros cometidos. ALGUMAS CONCLUSÕES DESSE ESTUDO MERECEMSER MENCIONADAS Apenas um cliente em cada 20 irá reclamar se estiver insatisfeito. Os demais mudam de fornecedor. Dos clientes que se queixam, 6 em cada 10 comentam com outras pessoas quando o resultado da queixa é negativo e apenas 3 em cada 10 o fazem quando o resultado é positivo. 70% dos clientes voltarão a negociar com a empresa fornecedora se a reclamação feita for resolvida satisfatoriamente. Este percentual sobe para 95% se o motivo da reclamação for resolvido na hora. Em alguns setores, o percentual de lealdade do cliente é maior para aqueles que tiveram seus problemas resolvidos do que os que nunca vivenciaram problemas. Alguns resultados de pesquisas realizados por B&C, que relacionam a fidelização de clientes com lucratividade. Bain & Company é uma empresa que tem feito estudos nessa linha: Conquistar novos clientes custa mais que manter os clientes fiéis. Os clientes que permanecem estão dispostos a gastar mais; compram serviços adicionais e mostram maior disposição a pagar um preço prêmio por um serviço melhor. Os clientes habituais são mais baratos de servir, particularmente no que se refere a custos administrativos e de vendas. Boa parte dos clientes habituais tem o hábito de recomendar os serviços da empresa da qual são clientes. Um aumento de 5% no investimento com instrumentos de fidelização pode incrementar a lucratividade entre 25 e 125%. Os dois conjuntos de resultados deixam claro que a recuperação do serviço não é apenas um conjunto de atitudes de respeito e consideração com o cliente quando a empresa que o serve comete um erro. As medidas de recuperação podem modificar o comportamento do cliente insatisfeito tornando-o inclusive mais vinculado a empresa. O CUSTO DO CLIENTE PERDIDO OU O CUSTO DE ATRAIR UM NOVO CLIENTE PARA SUBSTITUIR AQUELE QUE SE FOI É MUITO MAIOR DO QUE MANTER UM CLIENTE FIDELIZADO. ERRAR É HUMANO; RECUPERAR É DIVINO Com esta frase, três dos mais assíduos autores sobre Gerência de Serviços (Christopher Hart, James Heskett e Earl Sasser) concluíram um dos primeiros artigos escritos sobre a incidência de erros na prestação de um serviço e como atuam as empresas de vanguarda no sentido de evitar a insatisfação dos clientes, transformando-os, inclusive, em clientes leais, apesar dos erros cometidos¹. Todo sistema logístico, por melhor equipado que esteja, é passível de erros. Tais como: - Um pedido mal anotado, - uma pequena distração de quem carrega o veículo de entregas, - um cochilo na supervisão ou; - entregas fora de prazo; - Embalagens avariadas; - quantidades não conformes; - Ou ainda episódios não controláveis como: fortes chuvas que bloqueiam ruas e estradas, são fatos que podem ter como consequência uma série de aborrecimentos para os clientes. De que maneira sua empresa trata estas queixas? Considera as falhas ocorridas como acontecimentos normais? Utiliza como desculpa o fato de que todo mundo erra? Ou coloca a culpa nos clientes, classificando-os de chatos, ranzinzas ou outros adjetivos parecidos. A pressão para cumprir prazos, a manipulação de um enorme número de itens, a falta de especialização da mão de obra, deficiências no entendimento do que significa qualidade em um serviço e uma série de outras razões, podem justificar a afirmação de que na prestação dos serviços logísticos os erros são inevitáveis. Entretanto, dependendo das atitudes tomadas pela empresa diante da ocorrência dos erros, é possível que os clientes não fiquem insatisfeitos. Esta é a ideia que permeia o conceito de recuperação do serviço. Autor: Kleber Figueiredo, professor e Pesquisador do Centro de Estudos em Logística do COPPEAD/UFRJ. Bibliografia: BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos – Planejamento, Organização e Logística Empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001. adm.online.unip.br (conteúdo programático – Plano de Ensino). 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