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1 INTRODUÇÃO AS ANÁLISES CLÍNICAS E MICROBIOLOGIA 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 4 ANÁLISES CLÍNICAS: APRESENTAÇÃO ................................................... 5 OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS DO CURSO .................................. 6 Perfil profissional ........................................................................................ 7 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS ÀS ESPECIALIDADES DE UM LABORATÓRIO CLÍNICO. ....................................................................................... 8 Profissionais atuantes .................................................................................. 8 APRESENTAÇÃO DE UM LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. ......... 9 Os Laboratórios de Análises Clínicas .......................................................... 9 As análises clínicas no suporte ao diagnóstico e prevenção de doenças, no acompanhamento da terapêutica e na verificação da presença de fatores de risco. ............................................................................................................... 10 Promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças como estratégia para a mudança do modelo de atenção à saúde no setor suplementar ....................... 13 Importância da avaliação dos programas de promoção e prevenção ........ 14 Sistema de Informação .............................................................................. 16 TIPOS DE EXAME E INTERPRETAÇÕES LABORATORIAIS ................. 18 Exames Laboratoriais ................................................................................ 18 Os principais tipos de Exames Laboratoriais ............................................. 18 Exames Laboratoriais: Sangue .................................................................. 18 Exames Laboratoriais: Urina ...................................................................... 19 Exames Laboratoriais: Fezes ..................................................................... 20 Exames Laboratoriais: Escarro .................................................................. 20 Siglas e Nomes de Exames Laboratoriais e seus Significados ..................... 21 Exame de Sangue – Hemograma .............................................................. 22 O que é hemograma ............................................................................. 22 Para que serve o Hemograma? ........................................................... 23 Parâmetros Avaliados (Siglas e Significados) ............................................ 23 Eritrograma ................................................................................................ 23 3 Leucograma ............................................................................................... 24 Plaquetograma ........................................................................................... 25 CÓDIGOS DE EXAMES LABORATORIAIS .................................................. 25 Pedido de Exames Laboratoriais ............................................................... 26 Coleta de Exames Laboratoriais ................................................................ 27 Como devem ser os laudos de exames laboratoriais? ..................... 27 O que deve conter no laudo de exames laboratoriais ................................ 27 Os laudos de exames laboratoriais devem ser arquivados ........................ 28 Quem pode assinar o laudo laboratorial? .................................................. 29 Como deve ser a assinatura do laudo laboratorial? ................................... 29 Como os laudos laboratoriais são entregues aos pacientes? .................... 29 INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS DE EXAMES LABORATORIAIS ..... 30 Valores de Referência de Exames Laboratoriais ....................................... 32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS .............................................................. 33 4 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 5 ANÁLISES CLÍNICAS: APRESENTAÇÃO A área profissional da Saúde compreende as ações integradas de proteção, prevenção, recuperação e reabilitação referentes às necessidades individuais e coletivas, visando à promoção da saúde, como base em modelo que ultrapasse a ênfase na assistência médico-hospitalar. A atenção e a assistência à saúde abrangem todas as dimensões do ser humano biológica, psicológica, social, espiritual e ecológica, de modo integral e são desenvolvidas por meio de atividades diversificadas, incluindo o biodiagnóstico, que auxilia o diagnóstico precoce, o adequado prognóstico, a escolha do tratamento e a prevenção das patologias. O Técnico em Análises Clínicas é o profissional que auxilia e executa atividades padronizadas de laboratório, automatizadas ou técnicas clássicas, necessárias ao diagnóstico, nas áreas de parasitologia, microbiologia médica, imunologia, hematologia, bioquímica, biologia molecular e urinálise; compõe equipes multidisciplinares na investigação e implantação de novas tecnologias biomédicas relacionadas às análises clínicas; e zela pelo bom funcionamento do aparato tecnológico do Laboratório de Saúde. Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), instituída por portaria ministerial nº. 397, de 9 de outubro de 2002, que descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro, a ocupação do Técnico de Análises Clínicas, também chamado de Técnico em Laboratório de Análises Clínicas ou Técnico em Patologia Clínica, recebeu o código 3242- 05. O profissional em Análises Clínicas pode atuar em laboratórios de diagnóstico médico, em hospitais e em serviços de saúde públicos ou privados, sob a supervisão de profissional de nível superior, como biólogo, biomédico, farmacêutico-bioquímico e médico patologista clínico. 6 OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS DO CURSO O Curso técnico em Análises Clínicas tem com objetivo geral qualificar o profissional que possa atuar nos Laboratórios de Saúde públicos e privados, aprimorando assim a qualidade do profissional e sua atuação em seu respectivo nicho, proporcionando ao profissional da área de saúde conhecimentos avançados e atuais nos campos das análises clínicas e capacitando-o como um profissional em Análises Clínicas e Microbiologia, sendo capaz de gerir e trabalhar em laboratórios e hospitais sempre voltados para a saúde-doença, cidadania, ética e os programas de saúde pública. O curso apresenta uma perspectiva interdisciplinar com a preocupação de integração deconceitos, terminologia, metodologia, procedimentos, dados e organização, visando auxiliar e atuar no Laboratório de diagnóstico clínico. Desse modo, enumeramos a seguir os objetivos específicos do curso: • revisitar técnicas e métodos de análises clínicas • instrumentalizar os profissionais para interpretação de resultados de rotinas do sangue, fezes e urina, que buscam detectar doenças relacionadas também a bactérias, vírus e micoses de acordo com as respectivas áreas de hematologia, parasitologia e urinálise, micologia, virologia, bacteriologia • capacitar o estudante para realizar testes imunológicos. • capacitar o profissional de saúde através da perspectiva de inserção no mercado de trabalho, em atendimento a uma demanda própria da região; • fomentar, tanto o princípio educativo de pesquisa, quanto o princípio científico, tendo em vista a produção de conhecimentos direcionados à atuação no Laboratório de Análises Clínicas; • transmitir informações sobre saúde pública, permitindo a visão integral do indivíduo. • fornecer conhecimentos e práticas suficientes para a utilização de técnicas, normas e protocolos, que visam garantir a qualidade dos serviços na área de Laboratório de diagnóstico clínico; • orientar a realização de procedimentos administrativos e operacionais na rotina de Laboratórios de Saúde; • oportunizar a aprendizagem de armazenamento e transporte correto das 7 amostras biológicas de acordo com as normas de biossegurança, higiene e saúde pessoal. • instruir o adequado descarte dos resíduos gerados nos Laboratórios em consonância às normas de biossegurança e preservação ambiental; • Transmitir conhecimentos sobre a importância da ética profissional e da composição de equipes multidisciplinares no dia a dia da rotina de trabalho. Perfil profissional O profissional de saúde especializado em Análises Clínicas apresenta visão sistêmica do meio ambiente, saúde e segurança, que atua de forma independente e inovadora, acompanhando a evolução da profissão. Aplica e respeita as normas de proteção e preservação do meio ambiente, saúde e segurança no trabalho. Tem habilidades de comunicação e de trabalho em equipe multidisciplinar. Age com ética profissional, sustentabilidade, flexibilidade, responsabilidade social e domínio do saber-fazer, do saber-ser, do saber-saber e do saber-conviver. Facilita o acesso e a disseminação dos saberes na área da saúde pública e conhece a dinâmica do Sistema Único de Saúde (SUS). Busca a prevenção da doença, promoção da saúde e preserva a integridade e a individualidade do ser humano por meio da humanização da assistência e da valorização da autonomia das pessoas na recuperação da saúde. Executa com presteza e correção as ações necessárias e relacionadas à rotina de trabalho de análises clínicas. 8 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS ÀS ESPECIALIDADES DE UM LABORATÓRIO CLÍNICO. Os laboratórios de análises clínicas nada mais são do que o local onde todas as amostras de fluídos corporais são retiradas. Eles são regulados, principalmente, pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). Apesar da explicação acima ter sido curta e objetiva, o funcionamento de um laboratório é bem complexo. Afinal, trata diretamente da vida de um ser humano, por isso precisa funcionar dentro das normas da vigilância sanitária do estado de atuação e ter um bom atendimento e uma equipe especializada. Esses laboratórios possuem setores específicos para analisar as necessidades de cada exame. Alguns exemplos mais encontrados são: Bioquímica: ciência e tecnologia que estuda e aplica a química da vida e os processos químicos que ocorrem nos organismos vivos Imunológica: ramo da biologia que estuda o sistema imunitário de todos os organismos Hematologia: ramo da biologia e especialidade clínica que estuda o sangue dos demais animais com sistema circulatório fechado Microbiologia: ramo e especialidade da biologia que estuda os microrganismos, incluindo eucariontes unicelulares e procariontes, como bactérias, fungos e vírus Parasitologia: especialidade da biologia que estuda os parasitas, os seus hospedeiros e as relações entre eles. Profissionais atuantes As figuras que estão presentes de forma efetiva nos laboratórios são os técnicos e o bioquímico. O técnico em análise clínica tem como sua principal função é coletar os materiais biológicos e enviar para a análise. Sua formação também o deixa apto para atuar em hospitais, postos e outras unidades que envolvem a saúde e é de sua responsabilidade profissional: realizar testes laboratoriais; fazer análises microscópicas; realizar diversos exames específicos de acordo com solicitação médica; preparar a amostra do material colhido; orientar o paciente a respeito do tipo de exame e da coleta do material; operar, calibrar e manter os equipamentos em perfeitas condições; diagnosticar doenças de origem parasitária. http://www.sbac.org.br/ 9 Quanto ao bioquímico, profissional habilitado, é de sua responsabilidade a análise dos materiais recolhidos, variando de acordo com os objetivos. Esses especialistas podem ser bioquímicos, biomédicos, farmacêuticos etc. Como os profissionais que atuam nos laboratórios de análises clínicas mantêm um contato próximo aos pacientes, é imprescindível que a ética profissional seja aplicada desde o início do exame até o final. Ou seja, desde a coleta do material fluido até o momento em que os resultados são apresentados. É importante também que os laboratórios apliquem um atendimento humanizado, no qual exista empatia e tratamento individualizado, levando em conta as necessidades do paciente. APRESENTAÇÃO DE UM LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. Esse tópico é especial para os profissionais da área da saúde, afinal, alguns trabalhadores dessa classe almejam independência financeira, o que pode se tornar realidade ao montar um laboratório de análises clínicas. Mas, na verdade, esse processo está longe de ser fácil ou pouco burocrático. Abrir um laboratório exigirá competências administrativas e financeiras, além de lidar com um maquinário especializado e de alta tecnologia, será necessário também lidar com a concorrência. Como citado anteriormente, ao abrir um negócio dessa natureza, inspeções rigorosas e periódicas serão realizadas pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Ministério da Saúde, pelas Secretarias Estaduais de Saúde, pelos órgãos de classe e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Essa vistoria assegura que a qualidade esteja presente nesses espaços, confirmando que o paciente terá o tratamento adequado em todo o processo de coleta de material fluido. Os Laboratórios de Análises Clínicas Como o foco principal desses laboratórios é fazer a coleta de amostras, é fundamental que ocorra uma locomoção apropriada desse material. Por isso, os laboratórios atuam fazendo toda essa logística de forma adaptada para o transporte https://blog.diagnosticosdobrasil.com.br/atendimento-humanizado/ https://blog.diagnosticosdobrasil.com.br/atendimento-humanizado/ https://blog.diagnosticosdobrasil.com.br/tecnologia-saude/ https://blog.diagnosticosdobrasil.com.br/laboratorio-de-apoio/ https://blog.diagnosticosdobrasil.com.br/laboratorio-de-apoio/ 10 de amostras biológicas nas condições ideais de resfriamento ou congelamento, atendendo a todas as normas da vigilância sanitária. Um moderno sistema de informações faz o acompanhamento, em tempo real, da localização de cada veículo, sendo rastreada a posição exata das amostras. A temperatura das amostras também é controlada durante todo o trajeto, registrando as mínimas variações que possam ocorrer e todos estes cuidados resultam em agilidade, confiabilidade e segurança. O laboratórios também conta com uma equipe exclusiva para esclarecer dúvidasdo dia a dia e discutir assuntos de alta complexidade com médicos ou profissionais dos laboratórios. Podemos constatar que os laboratórios de análises clínicas são fundamentais para a realização de distintos exames. Seja na esfera pública ou privada, esses espaços contribuem para que a sociedade esteja com a saúde em dia. Mas é preciso que alguns cuidados sejam tomados pelos responsáveis por esses laboratórios, como ter ética profissional, manter um lugar adequado de acordo com a vigilância sanitária, contratar profissionais especializados e ter a certeza que os exames chegarão da melhor forma ao paciente. As análises clínicas no suporte ao diagnóstico e prevenção de doenças, no acompanhamento da terapêutica e na verificação da presença de fatores de risco. Os primeiros conceitos de promoção da saúde foram definidos pelos autores Winslow, em 1920, e Sigerist, em 1946. Este definiu como as quatro tarefas essenciais da medicina: a promoção da saúde, a prevenção das doenças, a recuperação e a reabilitação. Posteriormente, Leavell e Clark, em 1965, delinearam o modelo da história natural das doenças, que apresenta três níveis de prevenção: primária, secundária e terciária. As medidas para a promoção da saúde, em nível de prevenção primário, não são voltadas para determinada doença, mas destinadas a aumentar a saúde e o bem-estar gerais (BUSS, 2003). https://blog.diagnosticosdobrasil.com.br/estabelecimentos-de-saude-pesquisa-de-satisfacao/ 11 Tendo em vista que o conceito de Leavell e Clark possui enfoque centrado no indivíduo, com certa projeção para a família ou grupos, verificou-se sua inadequação para as doenças crônicas não-transmissíveis, pois a prevenção de tais doenças envolve medidas não só voltadas para os indivíduos e famílias, como também para o ambiente e os estilos de vida (BUSS, 2003). O movimento de promoção da saúde surgiu no Canadá, em 1974, por meio da divulgação do documento “A new perspective on the health of canadians”, também conhecido como Informe Lalonde. A realização desse estudo teve como pano de fundo os custos crescentes da assistência à saúde e o questionamento do modelo centrado no médico no manejo das doenças crônicas, visto que os resultados apresentados eram pouco significativos (BUSS, 2003). Por meio do Informe Lalonde, identificou-se que a biologia humana, o meio ambiente e o estilo de vida estavam relacionados às principais causas de morbimortalidade no Canadá; no entanto, a maior parte dos gastos diretos com saúde concentrava-se na organização da assistência. Foram propostas, portanto, cinco estratégias para abordar os problemas do campo da saúde: promoção da saúde, regulação, eficiência da assistência médica, pesquisa e fixação de objetivos. Esse Informe favoreceu a realização da I Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, em 1978, em Alma-Ata, com grande repercussão em quase todos os sistemas de saúde do mundo (BUSS, 2003). Em 1986, ocorreu a I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, que originou a Carta de Ottawa. De acordo com esse documento, “promoção da saúde é o nome dado ao pro cesso de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle desse processo. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social (...) Nesse sentido, a saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. Assim, a promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção de um bem-estar global” (CARTA DE OTTAWA, 1986). Cresce, portanto, a aceitação de que os aspectos sócio-culturais, econômicos e ecológicos investem-se de uma importância tão grande para a saúde quanto os aspectos biológicos, e que saúde e doença decorrem das condições de vida como 12 um todo. Temas como a deterioração do meio ambiente, os modos de vida, as diferenças culturais entre as nações e as classes sociais, e a educação para a saúde passam a estar mais e mais presentes nos debates sobre as formas de se promover a saúde (FARINATTI; FERREIRA, 2006). Posteriormente, foram realizadas outras conferências internacionais sobre Promoção da Saúde, as quais reafirmaram os preceitos estabelecidos na I Conferência e agregaram novas questões e estratégias de ação voltadas para áreas prioritárias, a fim de gerar políticas públicas saudáveis. Dessa forma, o significado do termo Promoção da Saúde foi mudando ao longo do tempo e, atualmente, associa-se a valores como: vida, saúde, solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e parceria. Além disso, está relacionado à ideia de “responsabilização múltipla”, uma vez que envolve as ações do Estado (políticas públicas saudáveis), dos indivíduos e coletividades, desenvolvimento de habilidades pessoais e coletivas, do sistema de saúde, reorientação do sistema de saúde e das parcerias inter setoriais (BUSS, 2003), na definição de prioridades, planejamento e implementação de estratégias para promover saúde. Vale ressaltar que termos como empowerment, autocuidado e capacitação (ou auto capacitação) vêm sendo cada vez mais utilizados, uma vez que a promoção da saúde envolve o desenvolvimento de habilidades individuais, a fim de permitir a tomada de decisões favoráveis e a participação efetiva no planejamento e execução de iniciativas, visando à qualidade de vida e à saúde (FARINATTI; FERREIRA, 2006). As ações preventivas, por sua vez, definem-se como intervenções orientadas a evitar o surgimento de doenças específicas, reduzindo sua incidência e prevalência nas populações. Para tanto, baseiam-se no conhecimento epidemiológico de doenças e de outros agravos específicos (CZERESNIA, 2003). A prevenção orienta-se às ações de detecção, controle e enfraquecimento dos fatores de risco de enfermidades, sendo o foco a doença e os mecanismos para atacá-la (BUSS, 2003). 13 Promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças como estratégia para a mudança do modelo de atenção à saúde no setor suplementar A Lei nº 9.961/00, que cria a ANS e dá outras providências, estabelece, em seu artigo 4º, que uma das competências da Agência é “fixar as normas para a constituição, organização, funcionamento e fiscalização das operadoras de planos de saúde, incluindo os conteúdos e modelos assistenciais” (BRASIL, 2000). A definição de modelo assistencial consiste na organização das ações para intervenção no processo saúde/doença, articulando os recursos físicos, tecnológicos e humanos para enfrentar os problemas de saúde existentes em uma coletividade. Podem existir modelos que desenvolvam exclusivamente intervenções de natureza médico-curativa e outros que incorporem ações de promoção e prevenção; e ainda há modelos em que seus serviços simplesmente atendam às demandas, sempre aguardando os casos que chegam espontaneamente ou outros que atuam ativamente sobre os usuários, independentemente de sua demanda (PAIM, 1999). Na Saúde Suplementar, o modelo de atenção hegemônico caracteriza-se pelo enfoque biologista da saúde/doença/cuidado, desconsiderando seus determinantes sociais, com ações desarticuladas, desintegradas, pouco cuidadoras, centradas na assistência médico-hospitalar especializada e com incorporação acrítica de novas tecnologias, constituindo-se em um modelo caro e pouco eficiente. Soma-se a isso o fato de os planos de saúde poderem ter cobertura segmentada em ambulatorial ou hospitalar, com ou sem obstetrícia, além de planos exclusivamente odontológicos, comprometendo significativamente a integralidade da atenção. Por outro lado, as práticas de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças ainda são utilizadas de forma acessória ou desconsideradas, compouquíssimo ou nenhum impacto sobre a saúde dos beneficiários. Tendo em vista o aumento crescente dos custos em saúde, determinado pelo envelhecimento da estrutura etária da população; pelas transformações nas estruturas de morbimortalidade, com elevação da importância das doenças crônicas não transmissíveis frente às doenças infecto-contagiosas; e pelas mudanças tecnológicas, que levam à incorporação de mais capital e recursos humanos 14 (MÉDICI, 1995); as operadoras buscam a redução dos gastos com assistência à saúde de alto custo. Vale ressaltar que a incorporação de tecnologias no setor de saúde implica o aumento dos custos por não ser substitutiva, uma vez que não significa o deslocamento das anteriores. Além disso, o consumo de novos equipamentos e medicamentos ocorre de forma acrítica, com poucas vantagens para o paciente. O padrão de desenvolvimento científico, tecnológico e a organização da atenção à saúde sob a lógica de mercado, direcionada para a cura de doenças e centrada na prática médica realizada constituíram formas de produção e consumo de serviços de saúde que tiveram como consequências a elevação de custos, o baixo impacto na saúde da população, a grande especialização e o aumento das barreiras de acesso. Dessa forma, a Promoção da Saúde apresenta críticas ao modelo biomédico e proposições para a reorientação dos modelos de atenção à saúde, buscando intervir sobre os determinantes da saúde e basear suas ações de acordo com as premissas da intersetorialidade. O desenvolvimento de programas de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças tem como objetivo a mudança do modelo assistencial vigente no sistema de saúde e a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários de planos de saúde, visto que grande parte das doenças que acomete a população é passível de prevenção. Cabe destacar que a necessidade de racionalização dos custos por parte das operadoras é importante na medida em que seja complementar à política do MS empreendida para todo o país. Todo esse esforço tem sido realizado no sentido de implementar modelos de atenção baseados na produção do cuidado, assim respondendo à necessidade da integralidade da atenção à saúde. Nessa direção, o setor suplementar deve se tornar um ambiente de produção de ações de saúde nos territórios da promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde dos indivíduos, com o estabeleci- mento de vínculo entre profissional de saúde e beneficiários e, principalmente, responsabilização das operadoras pela gestão da saúde de seus beneficiários. Importância da avaliação dos programas de promoção e prevenção Segundo Navarro (1992), “um programa é um conjunto de atividades dirigidas para atingir certos objetivos, com dados recursos e dentro de um período de tempo 15 específico”. Além disso, “a avaliação de programa envolve dois tipos de atividades: a produção de informações, referentes ao andamento dos programas e seus produtos, e o estabelecimento de um juízo de valor a respeito do mesmo”. Avaliar significa realizar um julgamento sobre uma intervenção com o objetivo de auxiliar na tomada de decisões, sendo considerada uma importante ferramenta para verificar a eficácia das ações estabelecidas e subsidiar o processo de planejamento. A OMS (2000) conceitua a avaliação como “Processo de determinação, sistemática e objetiva, da relevância, efetividade, eficiência e impacto de atividades fundamentadas em seus objetivos. É um processo organizacional para implementação de atividades e para colaborar no planejamento, programação e tomada de decisão”. Instituído o programa, este precisa ser oferecido e acessível à população- alvo, além de ter adequada qualidade. Com isso, é necessário que a população aceite o programa e o utilize. Essa utilização resultará em uma dada cobertura da intervenção que, uma vez alcançada, produzirá um impacto, resultado populacional, sobre um comportamento ou sobre a saúde. Para que essas etapas sejam devidamente avaliadas, torna-se imprescindível a escolha de indicadores, o que dependerá das características do próprio programa ou intervenção. Donabedian identifica três tipos de indicadores de avaliação: a estrutura, o processo e o resultado. Indicadores de estrutura dizem respeito à área física, tecnologia apropriada, recursos humanos, medicamentos, acesso a normas de avaliação e manejo de pacientes, entre outros; e identificam as condições sob as quais o cuidado à saúde é oferecido aos usuários (DONABEDIAN, 1984 apud BRASIL, 2007). Os indicadores de processo indicam o que é realmente oferecido aos usuários no âmbito do cuidado, apontando o que os profissionais fazem, em termos de coleta de história, exame físico, exames complementares, trata- mento e acompanhamento. Geralmente, esses indicadores são comparados a padrões previamente estabelecidos, como guidelines, protocolos e consensos. Enquanto isso, os indicadores de resultado indicam o quanto o usuário do serviço teve seu 16 problema resolvido após certo período de tempo. A satisfação do paciente e do profissional também são dimensões do resultado. Os indicadores de processo são tão importantes quanto os de impacto, tendo em vista que determinar como um programa atua e também os resultados na população são de suma relevância. Aliás, as avaliações de impacto não dispensam a coleta de indicadores de processo (oferta, utilização e cobertura) (BRASIL, 2007). O indicador específico a ser utilizado na avaliação depende das características do próprio programa. A população a que o programa se dirige gera indicadores de cobertura. A natureza do programa, os instrumentos, equipamentos e recursos humanos utilizados, o método de veiculação para a população-alvo, entre outros, fornecem elementos para a formulação de indicadores de oferta. Os registros sobre a implementação do programa são úteis para a construção de indicadores de utilização e oferta. Os objetivos do programa, por sua vez, permitem construir indicadores de impacto (BRASIL, 2007). Furtado (2006, p.40) estabelece os passos a serem dados na condução de um processo avaliativo: • Identificar os grupos de interesse: incluem a equipe do programa ou serviço, indivíduos, instituições parceiras etc. • Definir os propósitos da avaliação: é importante definir as principais motivações que levaram ao desenvolvimento da avaliação. • Descrever o programa: os aspectos centrais do programa devem ser descritos, assim como os problemas enfrentados, a população-alvo, as atividades executadas etc. • Definir as questões da avaliação: devem ser definidas as perguntas que merecem atenção no processo avaliativo, considerando a pertinência, a capacidade de levantar informações importantes, os recursos e o tempo. • Coleta e análise dos dados: uma vez definidas as questões da avaliação, deve-se decidir quais informações são necessárias para respondê-las, além de como e onde essas informações serão obtidas. Sistema de Informação O sistema de informação utilizado pela operadora poderá ter diversas funcionalidades, que serão de suma importância para o monitoramento e acompanhamento das atividades programadas e dos beneficiários inscritos, podendo, por exemplo: • Controlar a entrada e a saída de inscritos. 17 • Identificar a frequência de participação dos inscritos nas atividades do programa. • Emitir sinais de alerta para a busca ativa de beneficiários faltosos. • Monitorar os resultados obtidos pelos beneficiários inscritos no decorrer do programa. • A operadora poderá utilizar como sistema de informação: software operacional, utilizado para registro de informações assistenciais e administrativas de toda a população para acompanhamento dos beneficiários inscritos no programa; planilha eletrônica, para tabulação dos dados do programa em meio digital, em arquivosdo tipo planilhas do Microsoft Excel, Open Office ou compatíveis ou; software especificamente desenvolvido, ou módulo do software operacional, para o registro e acompanhamento das informações relativas aos Programa de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças. • Comunicação dos resultados: é resultante de todo o processo desen- volvido. O relatório deve conter os propósitos da avaliação, as perguntas definidas, os indicadores estabelecidos e a análise dos dados. • Utilização dos resultados: as informações devem ser úteis e críveis, de tal forma que os resultados sejam reconhecidos como subsídios para a tomada de decisões. Nesse sentido, é de extrema relevância estimular a incorporação da avaliação e do monitoramento dos programas de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças como prática permanente realizada pelas operadoras de planos de saúde. Tal iniciativa tem por objetivo viabilizar a tomada de decisões e a definição de estratégias de intervenção, bem como caminhar no sentido de qualificar a atenção à saúde no setor suplementar. 18 TIPOS DE EXAME E INTERPRETAÇÕES LABORATORIAIS Exames Laboratoriais Exames Laboratoriais são todos aqueles exames ou testes solicitados por médicos, ou outros profissionais da área da saúde, e realizados em Laboratórios de Análises Clínicas. Em geral, o objetivo principal é confirmar a suspeita de uma doença, mas também são realizados exames de rotina, ou check-up. Os Exames Laboratoriais, como já citamos anteriormente, existem inúmeras finalidades para a solicitação de exames laboratoriais. • Prevenção de Doenças • Formulação de Diagnóstico • Acompanhamento de Paciente • Acompanhamento de Tratamento • Coleta de Dados Epidemiológicos • Pesquisa Clínica de Medicamentos Para melhor compreensão da importância dos exames laboratoriais, bem como compreendermos a finalidade para a qual eles foram pedidos, é necessário conhecer quais são os tipos de exames laboratoriais. Os principais tipos de Exames Laboratoriais Existem vários tipos de exames laboratoriais, assim como também existem diversas classificações. Exames Laboratoriais: Sangue Bioquímica Ácido úrico, bilirrubina total e frações, colesterol total e frações, triglicerídeos, creatinina, fosfatase alcalina, glicose, curva glicêmica, potássio, 19 sódio, AST, ALT, ureia, Gama GT, ácido ascórbico, ácido cítrico, enzimas, outros carboidratos, proteínas, amônia, drogas etc. Hematologia Tipagem sanguínea (grupos ABO, Fator Rh, D fraco), hemograma, hematócrito, prova do laço, coagulograma e fatores de coagulação, coombs direto e indireto, teste de hemolisina, pesquisa de hemácias fetais, hemoglobina fetal, tempo de sobrevida de hemácias. Imunologia Fator reumatoide, Proteína C Reativa, Toxoplasmose, Reação de Hemaglutinação, VDRL, Citomegalovírus, Rubéola, Hepatites, Toxoplasmose, antiestreptolisina, brucelose, Doença de Chagas, mononucleose, leishmaniose, schistossomose, PSA, HIV, amebíase, candidíase, histoplasmose, cisticercose, herpes Microbiologia/Micologia Hemocultura, antibiograma Hormônios FSH, Beta HCG, LH, T3 T4, TSH, Prolactina, Progesterona, estrógenos, Corticosteroides, serotonina, diabetes insípidus, aldosterona, hormônio placentário, renina, cortisol, glucagon, insulina, HGH, Testosterona, ACTH, Calcitonina Exames Laboratoriais: Urina Pesquisa de Elementos Anormais/Sedimentos, acidez/ácidos, fenilcetonúria, frutosúria, galactosúria, melanina, proteinúria de 24 horas, prova de diluição, prova de concentração 20 Exames Laboratoriais: Fezes Pesquisa de larvas, pesquisa de oxiúros, pesquisa de sangue oculto nas fezes, exame parasitológico (ovos, fragmentos/partes etc), investigação de enzimas proteolíticas, estercobilinogênio, gordura fecal, prova de tripsina, acidez, prova de digestibilidade, pesquisa de ovos Exames Laboratoriais: Escarro Baciloscopia Exames Laboratoriais: Secreção Vaginal Exames Microbiológicos, Micológicos e Parasitológicos, Exame a Fresco Exames Laboratoriais: Secreção Uretral Exames Microbiológicos, Micológicos e Parasitológicos Exames Laboratoriais: Líquido Cefalorraquidiano (Líquor) Características físicas, contagem específica e global de células, reação de VDRL, látex, reação de Pandy, exame direto (fungos), eletroforese, cultura Exames Laboratoriais: Esperma Ácido cítrico, fosfatase ácida e alcalina, frutose, prova de progressão espermática, pesquisa de anticorpos antiespermatozoides, espermograma, teste de penetração Exames Laboratoriais: Líquido Amniótico Teste de Clements, dosagem de líquido amniótico, fosfolipídios 21 Exames Laboratoriais: Líquido Sinovial e Derrames Pesquisa de Cristais, características físicas, contagem global e específica de células, glicose, proteínas, ácido úrico, prova do látex, bacterioscopia Exames Laboratoriais: Suco Gástrico Teste de gastroacidograma, teste de Hollander Siglas e Nomes de Exames Laboratoriais e seus Significados Como existem inúmeros tipos de exames laboratoriais, consequentemente, também existem outras centenas de siglas nos nomes dos exames e seus resultados. Serão apresentados nesta apostila as siglas e os exames mais usadas pelos profissionais, iniciando pelos 13 tipos de exames laboratoriais mais frequentes em amostras de requisição de exames. Segundo levantamento realizado por CAPILHEIRA & SANTOS (2006). 22 Figura 1: Tabela 1 tipos de exames laboratoriais mais frequentes Fonte: Carpilheira & Santos, 2006. Exame de Sangue – Hemograma O que é hemograma O hemograma é um exame laboratorial de sangue feito em laboratórios de análises clinicas, que possibilita a contagem da quantidade de células presentes no sangue. Existem três tipos básicos de células, estas são: • Glóbulos vermelhos: responsáveis pelo transporte de oxigênio graças à hemoglobina; • Glóbulos brancos: células de defesa do organismo que ajudam no combate a infecções; • Plaquetas: participam da coagulação sanguínea. • Tabela 1 23 Para que serve o Hemograma? O hemograma serve para a mensuração dos valores das células sanguíneas. Frequentemente, é indicado pelo profissional de saúde com o intuito de verificar o estado de saúde geral de uma pessoa e também serve para diagnosticar doenças e comprovar efeitos secundários de tratamentos. Siglas e significados de um hemograma Parâmetros Avaliados (Siglas e Significados) Eritrograma RBC (Contagem de Hemácias – Eritrócitos): indica o número de hemácias por volume de sangue. HGB (Hemoglobina): mede a quantidade de hemoglobina por volume de sangue. A hemoglobina é uma proteína presente dentro das hemácias e uma das suas funções é o transporte de gases, como oxigênio e gás carbônico. HCT (Hematócrito): mede a porcentagem de volume que os glóbulos vermelhos ocupam no sangue, ou seja, um hematócrito de 39 indica que 39% do sangue é composto por hemácias. MCV (Volume Corpuscular Médio): mostra o tamanho dos glóbulos vermelhos. MCH (Hemoglobina Corpuscular Média): quantidade média de Hemoglobina presente nas hemácias e serve para identificar o tipo e causa da anemia. MCHC (Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média): quantidade de hemoglobina presente em um eritrócito médio. RDW-CV (Amplitude de Distribuição dos Eritrócitos medido como Coeficiente de Variação); RDW-SD (o mesmo do anterior sendo medido como Desvio Padrão): é uma medida que mostra se as células são todas iguais ou de tamanhos ou formas diferentes 24 RET%: Porcentagem de Reticulócitos; RET# = Contagem Absoluta de Reticulócitos: marcador de atividade de resposta medular,diferenciando anemias regenerativas das hiporregenerativas. IRF (Fração de Reticulócitos Imaturos): preditor precoce da recuperação hematopoiética pós transplante de medula óssea Leucograma WBC (Contagem de Glóbulos Brancos, ou Leucócitos): indica o número de leucócitos, ou células brancas, por volume de sangue. NEUT# (Contagem Absoluta de Neutrófilos): indica o número de neutrófilos por volume de sangue. NEUT% (Porcentagem de Neutrófilos): indica a porcentagem de neutrófilos. LYMPH# (Contagem Absoluta de Linfócitos): indica o número de linfócitos por volume de sangue. LYMPH% (Porcentagem de Linfócitos): indica a porcentagem de linfócitos. MONO# (Contagem Absoluta de Monócitos): indica o número de monócitos por volume de sangue. MONO% (Porcentagem de Monócitos): indica a porcentagem de monócitos. EO# (Contagem Absoluta de Eosinófilos): indica o número de eosinófilos por volume de sangue. EO% (Porcentagem de Eosinófilos): indica a porcentagem de eosinófilos. BASO# (Contagem Absoluta de Basófilos): indica o número de basófilos por volume de sangue. BASO% (Porcentagem de Basófilos): indica a porcentagem de basófilos NRBC # (Contagem Absoluta de Eritroblastos): indica o número absoluto de eritroblastos a cada 100 leucócitos. NRBC% (Porcentagem de Eritroblastos): indica a porcentagem de eritroblastos. A presença é indicativa de hipoxemia e/ou infecção graves, quando são afastadas doenças hematológicas, câncer, insuficiência cardíaca congestiva, anemias, agudas e crônicas. 25 Plaquetograma PLT-I (contagem de plaquetas por impedância); PLT-O (contagem ótica de plaquetas): número de plaquetas por volume de sangue, MPV (Volume médio plaquetário): representa a média dos volumes de todas as plaquetas contadas e avaliadas por impedância elétrica na maioria dos contadores automatizados. P-LCR (percentual de plaquetas grandes). PDW (amplitude de variação do tamanho das plaquetas). PCT (plaquetócrito): volume total de plaquetas por volume de sangue e está diretamente relacionado com a contagem de plaquetas e com seu volume. Novos Parâmetros (aprovados pelo FDA) IG (Contagem automatizada de Granulócitos Imaturos): número de granulócitos imaturos por volume de sangue. A presença de granulócitos no sangue periférico indica uma resposta inicial a uma infeção, inflamação, ou a outro estímulo da medula óssea (com exceção do caso dos recém-nascidos e das grávidas). IPF (Fração de plaquetas imaturas; contagem de plaquetas reticuladas): mede a porcentagem de plaquetas jovens (reticuladas) no sangue. Pode ser usado para monitoramento da atividade trombocitopoietica da medula óssea. RET-He (Conteúdo de Hemoglobina dos Reticulócitos): mede a incorporação de ferro nos eritrócitos, auxiliando na avaliação e tratamento da anemia (ex. anemia ferropriva funcional). CÓDIGOS DE EXAMES LABORATORIAIS Ressalta-se que cada operadora de saúde, laboratório e hospital possui seu próprio sistema de códigos, contudo existe uma tabela elaborada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (Agência Reguladora de Planos de Saúde do Brasil). 26 E no site pode obter o extrato da tabela SUS de códigos e procedimentos e também é possível consultar os valores dos exames laboratoriais, bem como de outros procedimentos. Figura 2: o código do hemograma “completo” é 02.02.02.038-0, e o Valor Ambulatorial é de R$ 4,11 Fonte: WWW.datasus.com.br Pedido de Exames Laboratoriais Os profissionais autorizados e que podem solicitar exames laboratoriais: Cirurgiões-dentistas, Enfermeiros, Farmacêuticos, Fisioterapeutas, Médicos e Nutricionistas. É óbvio que cada um desses profissionais deve seguir a orientação dos seus respectivos conselhos de classe, bem como as diretrizes profissionais, mas um ponto é comum a todos eles: os exames laboratoriais complementares devem ser solicitados na medida certa, ou seja, nem mais nem menos que o necessário. Independente da pressão dos planos de saúde. http://www.datasus.com.br/ 27 Coleta de Exames Laboratoriais Cada um dos exames laboratoriais citados acima vai demandar procedimentos específicos (Procedimentos Operacionais Padrão). Além disso, as orientações anteriores ao exame também podem variar entre os laboratórios. E para todos esses exames também existem determinadas orientações sobre biossegurança, sendo assim o assunto será abordado em outras disciplinas. Laudos de Exames Laboratoriais Segundo a ANVISA, laudo laboratorial é o “Documento que contém os resultados das análises laboratoriais, validados e autorizados pelo responsável técnico do laboratório ou seu substituto” (RDC 302/2005). Como devem ser os laudos de exames laboratoriais? Primeiramente o laudo deve ser legível, sem rasuras de transcrição, escrito em língua portuguesa, datado e assinado por profissional de nível superior legalmente habilitado. Lembramos que o laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem possuir instruções escritas para emissão de laudos, que contemplem as situações de rotina, plantões e urgências. O que deve conter no laudo de exames laboratoriais Segundo a ANVISA (RDC 302/2005), o laudo deve conter no mínimo os seguintes itens: a) identificação do laboratório; b) endereço e telefone do laboratório; c) identificação do Responsável Técnico (RT); d) nº. de registro do RT no respectivo conselho de classe profissional; e) identificação do profissional que liberou o exame; f) nº. registro do profissional que liberou o exame no respectivo conselho de classe do profissional 28 g) nº. de registro do Laboratório Clínico no respectivo conselho de classe profissional; h) nome e registro de identificação do cliente no laboratório; i) data da coleta da amostra; j) data de emissão do laudo; k) nome do exame, tipo de amostra e método analítico; l) resultado do exame e unidade de medição; m) valores de referência, limitações técnicas da metodologia e dados para interpretação; n) observações pertinentes. Figura 3: Exemplo de laudo de exame laboratorial – hemograma “completo”. Os laudos de exames laboratoriais devem ser arquivados Ainda segundo a ANVISA, “As cópias dos laudos de análise bem como dados brutos devem ser arquivados pelo prazo de 5 (cinco) anos, facilmente recuperáveis e de forma a garantir a sua rastreabilidade”. 29 Quem pode assinar o laudo laboratorial? Segundo a Resolução de Diretoria Colegiada – RDC N° 30, de 24 de julho de 2015 foi revogada com a publicação da RDC Nº 199, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2017. Sendo assim, volta a valer o texto: “o laudo deve ser legível, sem rasuras de transcrição, escrito em língua portuguesa, datado e assinado por profissional de nível superior legalmente habilitado”. Como deve ser a assinatura do laudo laboratorial? A Resolução de Diretoria Colegiada – RDC N° 30, de 24 de julho de 2015 foi revogada com a publicação da RDC Nº 199, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2017. Então volta a valer o texto: “o laudo deve ser legível, sem rasuras de transcrição, escrito em língua portuguesa, datado e assinado por profissional de nível superior legalmente habilitado”. Como os laudos laboratoriais são entregues aos pacientes? A SBPC/ML e a Controllab lançaram o Programa de Indicadores Laboratoriais. E em 2017, contando com 22 laboratórios participantes, relataram que o tipo de entrega de laudos de forma Digital (e-mail/website) passou a ter o mesmo percentual que os entregues de forma Impressa e retirada no laboratório (veja imagem abaixo). 30 Figura 4: Tipos de entrega de laudos Fonte: http://www.sbpc.org.br/wp-content/uploads/2017/12/grafico2.jpg INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS DE EXAMES LABORATORIAIS Abaixo uma exemplo de como interpretar umexame laboratorial (caso você ainda não saiba). Nesse caso é um exame de sangue, mais especificamente um hemograma. http://www.sbpc.org.br/wp-content/uploads/2017/12/grafico2.jpg 31 Figura 5: Exame de hemograma Fonte: Labotarório sem identificação A primeira coisa que vale observar que não há necessidade de dizer hemograma completo, pode-se dizer somente hemograma. No lado esquerdo da imagem temos os resultados do exame laboratorial do paciente (dentro do quadrante azul). No lado direito da imagem temos os valores de referência para a idade (dentro do quadrante vermelho). Deve-se, então, comparar os resultados do paciente (esquerda), com os valores de referência (faixa de valores à direita). Analisando o parâmetro eritrócitos. No caso dos eritrócitos, o valor de referência é de 3,9 a 5,0 milhões de eritrócitos/mm3. Essa é a faixa de normalidade para a idade, gênero etc. Basicamente, isso quer dizer que se o valor observado no paciente esteja abaixo de 3,9, ou acima de 5,0, ele sairá do normal (fisiológico). Se ele sai do normal, então, possivelmente, existe uma doença. O resultado da contagem de eritrócitos dele é 4,24 milhões/mm3 e esse valor está entre 3,9 e 5,0 milhões de eritrócitos/mm3. Isso significa que está dentro do valor de normalidade. E assim consecutivamente vai sendo analisado cada parâmetro e assim ver o resultado do paciente e verificar se está dentro ou fora da faixa de normalidade. 32 O significado de cada parâmetro Caso o valor esteja abaixo do valor normal ou acima deve-se conversar com outro profissional da área médica, pois cada parâmetro (de cada exame) tem suas próprias possibilidades diagnósticas. Valores de Referência de Exames Laboratoriais Os laboratórios definem os valores de referência, basicamente de 3 maneiras: 1 – Os laboratórios podem determinar seus próprios valores para cada parâmetro e exame; 2 – Os laboratórios podem validar as informações que estão contidas nas bulas reagentes; 3 – Os laboratórios podem recorrer a estudos clínicos amplos e à literatura científica. O melhor dos cenários seria que cada laboratório determinasse seus valores próprios, pois dessa maneira refletiria as condições da população local, mas isso é muito caro e trabalhoso. De onde vem os valores de referência que os laboratórios brasileiros usam? É muito provável que a maioria dos laboratórios deve recorrer às bulas dos kits de diagnóstico ou a grandes estudos clínicos e nesses casos, os parâmetros são testados em dezenas pessoas consideradas saudáveis para validação. Vale lembrar também que esses valores de referência são diferentes entre crianças e adultos, bem como entre homens e mulheres. Sendo assim, são diversas faixas de valores de referência para cada parâmetro de cada exame que devem ser levadas em conta ao realizar uma análise de uma amostra. 33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ANVISA abre consulta pública sobre regras para propaganda de alimentos.. Disponível em:. Acesso em: 10 de novembro de 2019. BAIN, B.J. Células sanguíneas - Um guia prático. 2. ed. Artes Médicas, 1997. BRASIL. LEI No 9.961 DE 28 DE JANEIRO DE 2000. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9961.htm. Acesso em 10 de novembro de 2019. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Análise de Situação de Saúde. Guia Metodológico de Avaliação e Definição de Indicadores. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_rede_carmen.pdf>. Acesso em 10 de novembro de 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanita. Resolução n. 302, de 13 de outubro de 2005. 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